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Brasil tem 280 cervejarias ciganas, de acordo com Anuário da Cerveja 2026

Número é inédito na publicação anual do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Estado de São Paulo lidera com 99

Existem 280 cervejarias ciganas no Brasil distribuídas em 17 estados diferentes. Os números são da edição 2026 do Anuário da Cerveja do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), divulgado esta semana em Brasília. A publicação da estatística é inédita e foi obtida por meio da Declaração Anual de Produção, principal fonte de informação do balanço que tem como ano-base 2025.

Cervejaria cigana é o nome dado às marcas que adotam um modelo de negócio específico no universo cervejeiro. Elas pertencem a empresas ou cervejeiros que não dispõem de equipamentos próprios e produzem suas receitas em fábricas que oferecem esse serviço ou alugam seus equipamentos. Muitas vezes, esse modelo é o primeiro passo de cervejeiros hobbystas ou empreendedores na profissionalização.

Até então, os números medidos pelo Anuário se referiam apenas a plantas fabris devidamente registradas no órgão fiscalizador.

Ao serem somadas aos 1.954 estabelecimentos industriais registrados, as 280 ciganas elevam o ecossistema produtivo para 2.234 marcas atuantes no país, o que representa um acréscimo de 14,33%.

O número também é maior que o total de fábricas de cerveja de 2014 no Brasil, segundo dados do próprio Anuário.

Volume total das cervejarias ciganas

Juntas, essas marcas terceirizadas produziram 36,9 milhões de litros de cerveja em 2025, aproximadamente 0,24% do total brasileiro. Pode parecer pouco, mas isso se deve ao fato de que o Brasil tem a terceira maior produção mundial — 15,69 bilhões de litros, o que naturalmente dilui a participação percentual do segmento cigano no volume consolidado.

Para efeito de comparação, o volume das ciganas representa mais cerveja por ano do que produz um país pequeno como a Armênia (35,2 milhões), o dobro das Bahamas (14,6) ou mais que Jordânia e Paquistão juntos (33,1), segundo o BarthHaas Report 2024/2025, referência em estatísticas mundiais no setor.

Ranking por estados e registro de produtos

O Anuário também trouxe o ranking dos estados com maior número de cervejarias ciganas. São Paulo lidera a lista, com 99 delas. O Paraná ocupa a segunda posição com 45 marcas. Minas Gerais aparece em terceiro lugar com 29 marcas registradas, seguida de perto por Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, empatados na quarta posição com 23 marcas cada.

As cervejarias ciganas também impactam o número de produtos registrados. Apesar de não haver uma estatística própria para essa categoria, é curioso notar o caso da Cervejaria Dádiva, em São Paulo. Trata-se da única cervejaria do município de Várzea Paulista e sozinha responde por 539 produtos registrados (4,1% do total do estado). Além de se tratar de uma cervejaria bastante criativa, ela atua como uma importante fábrica hospedeira, concentrando a linha de produção de diversas marcas ciganas.

Esse fato coloca o município de Várzea Paulista em 13º lugar no ranking dos municípios com mais registros de produto em 2025.

Luís Celso Jr.
Luís Celso Jr.
É jornalista, escritor e sommelier de cervejas. Formado pela PUC-PR, se especializou em jornalismo digital e em gestão de Pequenas e Médias Empresas (FIA Business School). No ramo da cerveja, foi premiado no 1º Campeonato Brasileiro de Sommelier de Cervejas em 2014, defendo o Brasil no mundial em 2015. É professor do Instituto da Cerveja, juiz de concursos nacionais e internacionais (National BJCP), consultor e fundador do BarDoCelso.com — blog mais antigo de cerveja da internet brasileira que completa 20 anos em 2026. Premiado no Edital Fermenta!, é autor do livro “Uma viagem pela história da cerveja no Brasil” (no prelo).
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