Basta ligar a televisão, sair pelas ruas ou entrar em algum comércio aqui no Brasil para entender: a Copa do Mundo 2026 começou. O brasileiro pode ter demorado para entrar no clima e, sem dúvida, há quem desconfie do desempenho da Seleção Brasileira de futebol. Mas é inegável que os empresários e executivos estão apostando alto que o Mundial vai movimentar a economia. E não é diferente no meio cervejeiro. Desde grandes empresas e marcas até microcervejarias e bares, todos estão esperançosos de fazer bons negócios nesse período.
Porém, não é apenas uma questão de torcer para dar certo. Há sinais claros de que o desempenho da indústria cervejeira pode ser muito bom aqui no Brasil e no mundo. Segundo estimativas da consultoria financeira Jefferies publicadas pelo jornal britânico Financial Times, a Copa do Mundo 2026 pode gerar o consumo adicional de cerca de 1 bilhão de pints de cerveja (cerca de 568 ml) em todo o planeta. O volume é equivalente a um aumento de aproximadamente 3% no consumo durante os 39 dias do Mundial.
Aqui no Brasil, 58% dos torcedores pretendem aumentar o consumo de cerveja durante os jogos, segundo relatório do banco Citi, elaborado com a participação de 1,8 mil pessoas de sete países. O percentual é superior ao registrado no México (43%), nos Estados Unidos (33%) e no Canadá (25%).
Grandes cervejarias
As grandes cervejerias, como Ambev e Heineken, estão investindo alto na Copa do Mundo 2026, já que o evento pode render um dos melhores trimestres para as empresas em anos.
A patrocinadora oficial do evento é a AB Inbev, controladora da megacervejaria brasileira, que mantém esse acordo há 40 anos. Apesar do valor exato do contrato não ter sido revelado, analistas do mercado financeiro apontam uma cifra superior a 110 milhões de dólares.
Em 2026, a marca principal do evento será a Michelob Ultra — opção de baixa quantidade de carboidratos e calorias. Mas diversos outros produtos do portfólio, especialmente do segmento premium. Ainda em abril, a Budweiser, por exemplo, lançou uma edição limitada de garrafas de alumínio da Copa. Já a Flying Fish lançou uma campanha que foca no resgate do tradicional gol de peixinho nos gramados mundiais, jogada que não acontece no torneio desde o mundial de 2014. A Brahma, por sua vez, prometeu até cerveja de graça se a Seleção Brasileira vencer a competição como parte da campanha “Tá liberado acreditar”.
Mas a Heineken não fica para trás, ampliando também o investimento. Segundo o Citi, a marca foi a mais lembrada na pesquisa, que contou com 300 entrevistados brasileiros, com 39% da preferência. A mais recente aposta do grupo é a Heineken Ultimate, cerveja sem glúten, de teor alcoólico e calorias reduzidas lançada em maio.
O tema também foi forte presença no Festival Apas Show 2026, maior evento de alimentos e bebidas das Américas e a maior feira supermercadista do mundo que aconteceu em maio em São Paulo. Além da Ambev, o Grupo Petrópolis apostou no mundial com a “Embaixada Itaipava”, um ambiente totalmente dedicado ao futebol, e contratou o ex-jogador Ronaldinho Gaúcho como embaixador.
Microcervejarias na Copa do Mundo 2026
Que a Copa do Mundo 2026 seria uma grande aposta também das pequenas cervejarias, a gente já sabia. O tema apareceu na pesquisa do Guia da Cerveja realizada no final do ano passado, realizada com 21 executivos de cervejarias artesanais brasileiras.
Para Gilberto Tarantino, presidente da Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva), essa é uma oportunidade para as cervejarias fazerem lançamentos e eventos para atraírem clientes.
“Copa do Mundo e cerveja são motivo de muita celebração e o brasileiro ama isto. As cervejarias artesanais que têm bar da fábrica ou os brew pubs vão aproveitar os 45 dias de Copa para atrair clientes num ambiente com telão, gastronomia e muita cerveja fresca e aromática. Nos outros anos anteriores muitos lançamentos de rótulos especiais aconteceram durante a Copa do Mundo e este ano tem muita festa pela frente”, afirma.
A cervejaria cigana RuERA, de Campinas (SP), por exemplo, lançou uma coleção de oito cervejas em homenagem aos países campeões mundiais de futebol. Os rótulos ganharam nomes de atletas históricos, como a versão brasileira Cafu, uma American Lager com mandioca e 4,8% de teor alcoólico, e a argentina Lionel, uma American IPA com erva-mate. Todos os chopes engatam nas torneiras do bar de Barão Geraldo no dia do lançamento, e a previsão é que as latas cheguem ao mercado ainda esta semana.
Já a Cervejaria Quatro Poderes, de Brasília (DF), lançou a coleção Torcida Poderosa, inspirada em países que participarão do maior torneio de futebol do planeta. São oito cervejas premiadas da marca em latas comemorativas exclusivas. Cada rótulo traz um personagem temático que homenageia as tradições cervejeiras e a identidade cultural das nações participantes e já está disponível em bares parceiros, em eventos ou pela loja virtual e delivery no site oficial.
Hospitalidade e food service
Um levantamento da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) aponta que 52% dos estabelecimentos pretendem transmitir os jogos. Entre eles, a expectativa é positiva: 80% acreditam que haverá aumento no faturamento em comparação aos dias sem jogos. A maior parte desse grupo (59%) projeta crescimento de até 20% nas receitas durante o período da competição.
LEIA TAMBÉM:
Até mais do que rótulos especiais ou latas personalizadas, a aposta de muitas cervejarias pequenas está em seus próprios pontos de venda, que comercializam cervejas e outros produtos diretamente ao consumidor, misturando hospitalidade e food service, criando experiências. É o caso de cervejarias que têm seus próprios bares, seja no modelo de brewpubs ou taprooms.
A Cervejaria Stannis, de Jaraguá do Sul (SC), por exemplo, prepara uma programação especial para a estreia da Seleção Brasileira com a banda Teoria do Caos, happy hour com metade do preço no chope das 16h às 19h e transmissão da partida . No sábado (13), das 16h às 22h, a fábrica exibe o jogo em um telão de 10 por 3,5 metros, o maior da cidade.
As duas unidades da Cervejaria Central, localizadas na Vila Buarque e na Barra Funda, em São Paulo (SP), também exibem os jogos da seleção em telões. Para o torneio, a marca lança uma versão em lata da cerveja Pilsen Mesmo Copa 2026, ilustrada pela artista Leticia Lasak. A programação musical para os dias de partidas inclui grupos como Roberta Valente Convida Paula Sanches, Samba da Esquina Grajaú e Pagode na Lata. Os eventos e o cardápio temático, que terá feijoada e petiscos, valem para as partidas deste sábado (13), sexta-feira (19) e quarta-feira (24).
Locais icônicos, como o Bar Brahma, no Centro de São Paulo (SP), terão programação musical especial além das exibições dos jogos. Os palcos da casa recebem apresentações diárias de samba, pagode, bossa nova e forró, com shows de artistas residentes e a participação especial de baterias de escolas de samba paulistas. A agenda do mês inclui projetos das noites de terça-feira com o cantor Levi de Paula e feijoadas com rodas de samba aos sábados. Confira a programação no site do Bar Brahma.
Os empresários estão fazendo o seu papel. Agora só resta saber se a Seleção Brasileira vai corresponder a toda essa expectativa. A “febre” de Copa de grande parte dos consumidores está vinculada ao desempenho do time, o que gera um fator de incerteza. Até mesmo a duração dessa onda depende de até que fase o time canarinho vai conseguir chegar. Só o que resta, nesse aspecto, é torcer por uma boa e longa participação no Mundial.


