Lançado oficialmente na última terça-feira (21), o Relatório BarthHaas 2025/2026 — uma das principais referências do setor no mundo — traz uma boa notícia para o mercado nacional. Segundo a publicação, a produção de cerveja no Brasil cresceu 2,5% no último ano, consolidando o país como um grande motor do setor nas Américas.
Com 15,11 bilhões de litros produzidos em 2025, o Brasil continua na terceira posição no ranking mundial. O mercado nacional fica atrás apenas da China, que lidera o ranking global com 35,36 bilhões de litros, e dos Estados Unidos, que ocupam o segundo lugar com 17,49 bilhões de litros.
A alta do Brasil significa 368,5 milhões de litros a mais na sua produção em relação aos números de 2024, quando marcou 14,74 bilhões de litros. Esse montante adicional supera todo o volume fabricado por nações inteiras, como o Panamá (340 milhões de litros) ou o Paraguai (290 milhões de litros).
Na América do Sul, que produziu 24,7 bilhões de litros no total, o Brasil fabrica sozinho mais de 60% de todo o volume. O número brasileiro garantiu o crescimento sul-americano (1,7%) e ajudou a equilibrar o continente americano como um todo, que passou por um leve reajuste de -0,4%, principalmente pela queda de volume dos Estados Unidos (5,2% ou 960 milhões de litros).
Metodologia e comparação
A produção de cerveja total do Brasil apontada pela BarthHaas se assemelha ao número do Anuário da Cerveja 2026 do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) para o mesmo período: 15,68 bilhões de litros. No entanto, a diferença é oposta entre os documentos. Enquanto o relatório europeu mostra crescimento, o documento brasileiro aponta uma queda de aproximadamente 8% em relação a 2024.
Os dados do Anuário são obtidos por meio da Declaração Anual de Produção e Estoques, que é preenchida pelas próprias cervejarias e enviada ao Mapa. Já a BarthHaas informa que analisa diversas fontes e balanços de mercado e, quando os números oficiais divergem ou não estão disponíveis, os especialistas da instituição aplicam estimativas próprias. Ambos os documentos dizem fazer avaliações retroativas dos números, quando necessário.
Mudanças no cenário global e ranking mundial
A produção de cerveja mundial passa por uma fase de estabilização. O volume global fechou 2025 em 189,5 bilhões de litros, uma queda de -0,7% em relação ao ano anterior. Esse cenário reflete as mudanças de hábitos dos consumidores, gerando quedas, mas também abrindo novas oportunidades.

Praticamente todos os continentes registraram retração no geral, mas a África, por exemplo, nadou contra a corrente e registrou um crescimento expressivo de 2,6%, com destaque para a África do Sul (2,7%). Se considerado sem os Estados Unidos, o continente americano também registra um aumento de 1,7% em volume de produção de cerveja. Ambos os casos mostram a força de mercados emergentes.
Já outras potências tradicionais se readequaram para a nova realidade do mercado: a Europa perdeu volume expressivo (-1,6%), e a Alemanha, pela primeira vez na história, produziu menos de 80 milhões de hectolitros (queda de 5,6% em relação a 2024).

No ranking dos maiores países produtores, o topo exibe estabilidade. China, EUA, Brasil, México, Rússia e Alemanha mantêm as seis primeiras posições. A grande novidade ocorre na 10ª colocação. O Reino Unido aumentou seu volume para quase 3,89 bilhões de litros, ultrapassou a África do Sul e ingressou no prestigiado Top 10. Juntos, esses dez líderes dominam 61,4% de toda a produção de cerveja do planeta.
40 maiores cervejarias do mundo e o mercado de lúpulo

As 40 maiores cervejarias do mundo somaram vendas de 158,6 bilhões de litros em 2025. A gigante belga AB InBev mantém a liderança isolada do setor (48,4 bilhões de litros), seguida pela Heineken e pela China Res. Snow Breweries. A principal novidade corporativa é a entrada da russa JSC AB Inbev Efes. A antiga subsidiária da AB InBev estreou na lista diretamente no 11º lugar como empresa independente. Na África, a japonesa Asahi expandiu fortemente sua presença ao adquirir a participação da Diageo na East African Breweries.
Na ponta agrícola, o mercado de lúpulo sofre com um excesso de oferta estrutural. Apesar da redução de 5,5% na área plantada global e da queda de 3,8% no volume de colheita, a produção de lúpulo ainda excedeu a demanda. O mercado fechou 2025 com um excedente de cerca de 1,2 mil toneladas de alfa-ácido, o que equivale a um excesso de capacidade produtiva de 5,1 mil hectares. A queda na produção de cerveja e a redução na quantidade de lúpulo nas receitas são os culpados, segundo o relatório.
Por outro lado, o documento destaca a explosão das cervejas sem álcool. Elas viraram as novas estrelas do mercado e cresceram 85% nos EUA e 150% na Irlanda, ajudando a diversificar o portfólio das cervejarias.
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