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Conheça os três primeiros sommeliers de cerveja brasileiros Surdos

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A inclusão dos Surdos ainda é um desafio para a sociedade e o setor cervejeiro, apesar dos avanços vistos nos últimos anos, com campanhas, lançamentos de rótulos acessíveis em Libras e a realização de cursos. A educação, aliás, é um dos ambientes mais desafiadores para este público e, ao mesmo tempo, um dos principais caminhos para fomentar a inclusão e igualdade no mercado, com um fato histórico tendo sido celebrado recentemente, a formação de três sommeliers Surdos.

No último mês, Fernando Pacheco, Mateus Vinhal e Mateus Dias conquistaram tal condição ao concluírem um curso do Science of Beer Institute, na categoria EAD, em uma demonstração clara de que a inclusão é possível no setor.

Ligados pela paixão por cervejas artesanais e pela vontade de inserir a língua brasileira de sinais no universo da bebida, os sommeliers chegam ao mercado com sede de conhecimento, cientes dos seus direitos como Surdos e conscientes da importância de suas formações.

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Confira a seguir quem são os três primeiros sommeliers de cerveja brasileiros Surdos:

Fernando Pacheco
O “despertar” de Fernando Pacheco, de 30 anos, para o mundo das cervejas artesanais aconteceu assim que experimentou a bebida pela primeira vez. “Apreciar cervejas virou paixão”, afirma, ao Guia, o assistente de faturamento.

A ideia de se matricular no curso surgiu ao saber da possibilidade através do intérprete Marcos Roberto de Oliveira, de quem é amigo há mais de 20 anos. “Sempre compartilhamos ideias e sonhos quando conversávamos sobre o curso. Fiquei muito interessado e procurei a Science of Beer. No início, a escola viu dificuldades em acessibilizar o conteúdo com a presença de um intérprete de libras, mas não desisti e lutei pelo meu direito ao intérprete”, conta o assistente de faturamento.

Pacheco relata, ainda, que a participação no curso de sommelier lhe deu a certeza de tomar um novo rumo profissional. “Desde que minha matrícula foi aceita, sinceramente falando, minha vida mudou porque descobri minha vocação profissional”, comemora.

Para ele, a formação em sommelier de cervejas o ajudará a causar impacto na sociedade pela possibilidade de transmitir seus conhecimentos para a comunidade Surda. Afinal, ele garante que o curso de sommelier foi apenas o início, pois pretende seguir carreira como técnico cervejeiro e um dia, quem sabe, se tornar mestre cervejeiro.

“Estou muito feliz. É a realização de um sonho e me sinto orgulhoso por ser um dos três primeiros sommeliers de cerveja brasileiros Surdos. Isso não é só uma conquista pessoal, mas também da comunidade Surda e mostra o quanto somos capazes de quebrar qualquer barreira. Um surdo pode estudar o que quiser e ninguém pode impedir a realização de um sonho”, pontua.

Destacando que a comunidade Surda tem dificuldade em entender o universo das cervejas, seus estilos e serviços, Pacheco sublinha que sendo agora um sommelier, será possível fazer a diferença ao incluir a Libras no universo cervejeiro. “Meu objetivo é reduzir as barreiras que a comunidade Surda enfrenta e termos consumidores Surdos informados e satisfeitos”, reforça.

Entre os obstáculos do curso estava principalmente a língua portuguesa e o acesso aos conteúdos, com o uso de termos aos quais não estava habituado. “Por sermos os primeiros, não conhecíamos um vocabulário da área cervejeira em Libras. Tivemos que nos esforçar ainda mais, estudar e criar sinais específicos da área”, conta.

Mateus Dias 
Também com uma paixão antiga por cervejas artesanais, o ex-fotógrafo Mateus Dias, de 40 anos, tinha o desejo de produzir a bebida de modo caseiro, antes mesmo de realizar o curso. Após sua segunda tentativa de formação na área, pois não teve sucesso na primeira justamente pela falta de acessibilidade, ele não esconde o orgulho e a gratidão por ser um dos primeiros sommeliers Surdos brasileiros.

“Eu, com certeza, pretendo continuar aprofundando meus estudos, colocar em prática o que aprendi no curso e, quem sabe, ser um cervejeiro profissional com minha própria fábrica”, sonha Dias, que hoje mora nos Estados Unidos.

Ciente de que sua formação se inclui na luta por um setor mais inclusivo, ele destaca que a participação no curso pode estimular o interesse de outros Surdos que almejem ser cervejeiros. “Atuar no contexto cervejeiro irá, por consequência, forçar o setor a ser mais inclusivo porque estou aqui e agora, não há como me ignorar. As instituições de ensino, no contexto cervejeiro, precisam se preparar para esta demanda emergente. E uma das formas de se fazer isso é pelo uso de tradutores intérpretes”, completa.

Durante o curso, ele precisou superar alguns desafios. Sem ter conseguido receber o kit disponibilizado pela escola para análise durante as aulas, por estar fora do país, Dias precisou utilizar outras cervejas, de marcas diferentes, para as degustações guiadas.

Mateus Vinhal

Apreciador da cerveja artesanal e em busca de conhecimento sobre a história e os sabores que a bebida proporciona, o assistente de marketing Mateus Vinhal, de 26 anos, lembra que a ideia de ingressar nas aulas surgiu do próprio intérprete Marcos. E, claro, ele aceitou na hora.

“Ser uns dos primeiros surdos sommeliers no Brasil dá uma sensação enorme de felicidade. Fizemos história e vamos levar para o público o que aprendemos sobre cerveja. Como também busco me profissionalizar nesta área, será um desafio enorme, mas para quem ama uma cerveja artesanal, isso não será impossível”, diz Vinhal.

Para ele, que sonha em abrir uma cervejaria no futuro, sua formação é importante por ser o começo do processo para entender mais sobre a bebida, compreendendo também a necessidade de compartilhar seus conhecimentos com a comunidade Surda. “Muitas vezes, este público não tem acesso à informação, seja na internet, na televisão, nos bares, palestras e eventos”, diz.

Vinhal defende que as instituições de ensino devem oferecer um intérprete para o aluno Surdo e que os vídeos sejam adaptados para Libras. “Infelizmente, é uma prática comum as instituições se recusarem a contratar um profissional intérprete de Libras alegando falta de recursos”, finaliza.

Inclusão na prática
O intérprete de Libras nas aulas do Science of Beer foi Marcos Roberto de Oliveira, idealizador do canal Cerveja Artesanal em Libras, professor da Universidade Federal de Uberlândia, sommelier e idealizador de várias ações de inclusão dos Surdos no setor.

“Minha avaliação é extremamente positiva e otimista. Ter três Surdos que são usuários proficientes da Libras como sommeliers, fará com que o mercado cervejeiro fique mais atento às necessidades linguísticas deles”, diz.

Ele pontua, ainda, que todas as instituições de ensino precisam considerar esta nova demanda educacional, assim como o trabalho de um profissional tradutor intérprete deve constar nas planilhas de gastos das instituições. “Não há como negar a matrícula seja para quem for. Se a instituição anunciar um curso e qualquer Surdo quiser fazê-lo, a presença de um profissional tradutor intérprete, é, digamos, direito inegociável do aluno Surdo.”

Além das escolas cervejeiras, como aconteceu com o Science of Beer, o intérprete espera que todo o setor se adapte às demandas dos Surdos, os incluindo e se tornando mais plural. “Não há como ignorar uma demanda que agora é tão emergente. Não estou considerando se há poucos ou muitos Surdos atuando no setor e que precisam ser incluídos. O ponto em questão é: independentemente da quantidade, há, hoje no Brasil, Surdos que necessitam de acessibilidade no setor cervejeiro”, finaliza.

Além da atuação do intérprete, para que fosse possível a formação dos três sommeliers de cerveja brasileiros Surdos, o Science of Beer precisou se adequar às necessidades desses alunos, o que fez ao repassar aos professores do curso orientações sobre como ensiná-los sem que houvesse defasagem de aprendizado, assim como realizou a adequação da ferramenta utilizada para as aulas online.

Cervejas com aroma de Cannabis: como é a parceria dos 3 rótulos do Planta & Raiz

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Com uma longeva trajetória de 25 anos, a banda Planta & Raiz, produziu músicas marcantes na trajetória do reggae nacional. Agora, para celebrar um quarto de século, também conta com suas cervejas, fruto de uma parceria com o idealizador da Smoked Brew e gerente da São Paulo Tap House, Wilson Proieti Júnior.

A união foi tema de mais um episódio do Guia Talks. Nele, Proieti explicou que o crescimento da procura pelos clientes por cervejas que levam terpeno em sua formulação o motivou a buscar atender essa demanda. Disso, veio a ideia de uma solução que unisse a cultura cervejeira e a do reggae.

O resultado foi a parceria com o Planta & Raiz, com o seu vocalista, Zeider Pires, outro convidado do Guia Talks, escolhendo as cervejas que concretizaram a parcerias: são três IPAs, dos estilos Session, West Coast e New England, todas levando terpeno em suas receitas, o que remete ao aroma da Cannabis.

O lançamento triplo também é uma forma de o Planta & Raiz celebrar os seus 25 anos de trajetória, aniversário que também ficará marcado pelo lançamento de um DVD da banda, gravado em uma recente apresentação acústica, em São Paulo.

Leia também – Como barris de madeira provocam sabores diferenciados nas cervejas

Confira mais sobre as cervejas com terpeno do Planta & Raiz na entrevista do Guia com o seu vocalista, Zeider Pires, e o idealizador do projeto, Wilson Proeiti.

Como surgiu a ideia de produzir cervejas do Planta & Raiz?
Wilson: Eu senti uma necessidade e procura dos clientes por cervejas com terpeno. Poucas marcas lançaram cervejas desse tipo. E eu gosto de música, sempre tem apresentação no meu bar e achei que poderia casar muito bem com uma banda de reggae, Então, em uma conversa com o Eric, da Mato Seco, ele me passou o contato do Zeider, que topou de cara o projeto. Eu e o Renato, nosso mestre-cervejeiro, mandamos umas dez amostras pra ele, de vários estilos diferentes, com terpenos diversos, para que escolhesse a que fosse a cara da banda. Ele escolheu três, ficou muito em dúvida para tirar qualquer uma delas. E, então, decidimos fazer a trilogia Planta & Raiz cervejeira. Ficou a Session IPA, a Amnesia Raze, que é o nome do terpeno, a Mango Rush, que é uma West Coast IPA, e a Sour Diesel, que é uma New England IPA. E casamos o lançamento das cervejas com a gravação do acústico.

Como se deu a definição dos ingredientes das cervejas do Planta & Raiz?
Wilson: A ideia principal foi que todas tivessem terpeno. E aí fomos tentando adaptar o estilo ao terpeno. Foi assim que chegamos na Session IPA, com o rótulo sendo o do acústico. Na primeira impressão, o cliente, que se identifica com a banda, vai sentir o terpeno, mas em uma cerveja que é mais leve. Depois, passamos para uma cerveja um pouco mais encorpada, que é a West Coast, com 7% de álcool, também com bastante lúpulo. E, por último, criamos a New England IPA, com o terpeno Sour Diesel. É uma NEIPA diferenciada. Ela tem o cítrico, mas que puxa para o resinoso, o pinho.

Consegue ver alguma relação entre as cervejas e a trajetória do Planta & Raiz?
Zeider: A gente gosta das coisas feitas em casa, nada melhor do que um almoço caseiro, feito na hora, com todos cozinhando junto. A música, em banda, tem muito disso, de compartilhar as ideias, algo bem artesanal, feito na hora. O lance da cerveja artesanal também tem muito disso, de fazer a cerveja em uma panelinha. É uma batalha. E está crescendo no Brasil, com o pessoal desfrutando da sua qualidade. Estarmos envolvidos nesse processo é maravilhoso.

Quais são os efeitos aromáticos provocados pela presença do terpeno nas cervejas?
Wilson: O terpeno é um óleo essencial extraído da Cannabis, mas não tem THC ou canabidiol. Vai remeter à memória afetiva de quem já fumou um baseado, dando um gosto, que combinado com um determinado lúpulo, vai remeter a um aroma canábico. E existem centenas de espécies canábicas que têm esses aromas diferentes. Então, por isso que nós temos a Amnesia Haze, que é com um terpeno mais terroso, a Mango Rush, que lembra a banana-verde, e a Sour Diesel, um terpeno mais resinoso. Esses aromas combinados com os lúpulos geram uma sensação única no paladar.

Além dos lançamentos das cervejas, os 25 anos do Planta & Raiz estão sendo celebrados com a gravação de um DVD acústico. Como foi esse processo?
Zeider: Todo o processo foi muito legal, desde a idealização do acústico, que era um projeto que queríamos fazer antes da pandemia. Acabamos fazendo agora e foi alucinante. Planejamos tudo, do cenário até o repertório, e gravamos na Audio. Tivemos uma produção musical impecável. Foi tudo acústico, tocando as músicas no violão, recriando arranjos, fazendo versões. Isso dá um trabalho enorme, mas é muito bom. Tinham quase 3 mil pessoas na gravação. Esse acústico é a coisa mais linda que o Planta já fez na vida, um trabalho feito em família. Todos estavam numa sintonia muito legal. O resultado chega em breve, com o lançamento do DVD, para todo mundo ver o que rolou em 22 de julho de 2022.

Antes de produzir as cervejas, você já contava com um bar na Vila Madalena. Como foi a caminhada até essa parceria com o Planta & Raiz?
Wilson: Eu assumi a São Paulo Tap House um pouquinho antes da pandemia. E logo depois ficamos quatro meses praticamente fechados. Tivemos de nos reinventar, com o delivery, que não paga as contas. Então, foi uma fase bem difícil, mas que também acabou sendo produtiva. Comprei equipamentos cervejeiros no meio da pandemia. Aí, aos poucos, fui montando a fábrica, comecei a fazer churrasco defumado. Então, veio a ideia de ter um braço da cervejaria, que é a Smoked Brew, com esse conceito de fazer cervejas densas, nebulosas, que combinam com atividades recreativas, como tabaco, como um churrasco, uma carne defumada e embutidos. Surgiu na Vila Madalena, um bairro que também sofreu bastante, muita coisa fechou. Aos poucos, as coisas estão voltando. O encontro com o Planta & Raiz foi na Vila Madalena, o show deles de 15 anos aconteceu na esquina de baixo do bar. A energia casou de uma forma única. Deu muito certo.

Como é a relação do Planta & Raiz com a vida boêmia de São Paulo?
Zeider: Eu sou do Butantã. Mas a primeira vez que saí de casa para um rolê, com uns 15 anos, foi para a Vila Madalena, no Radical Brasil, um bar de reggae. Foi ali que ouvi sons de reggae que eu não conhecia, embora já gostasse, passando a fazer parte da minha vida. E o nosso primeiro show foi em uma feira da Vila Madalena. A partir disso, nunca mais consegui parar. Já ensaiávamos, mas tivemos que criar um nome para essa apresentação: Planta & Raiz. O nome ficou. Depois dessa apresentação, começaram a pedir para tocarmos em outras feiras. Fui entendendo mais sobre como se canta e a tocar instrumentos. Deu tudo certo, já estamos com vários discos gravados. E pretendo continuar nessa caminhada.

Balcão do Profano Graal: História da cerveja no Brasil – A cerveja na Independência

Balcão do Profano Graal: História da cerveja no Brasil – A cerveja na Independência

Neste 7 de Setembro, feriado da Independência, o Brasil está completando 200 anos como nação politicamente independente. Para além de todas as discussões que podem ser feitas em torno do processo de independência em relação a Portugal, aquela que nos interessa aqui é: como era o comércio e o consumo de cerveja no Brasil em setembro de 1822?

A esse respeito, o “Grito do Ipiranga” não alterou em muito a situação que já tinha se estabelecido desde 1808, quando D. João VI abriu os portos do Brasil às “nações amigas” de Portugal, que, naquele momento, era só a Inglaterra mesmo.

A Grã-Bretanha era já, desde o século XVII, o principal aliado político e parceiro comercial da monarquia portuguesa. E após a abertura dos portos, o mercado do Rio de Janeiro foi abarrotado de mercadorias inglesas. No início, sem a menor noção das necessidades dos brasileiros, as firmas britânicas remeteram para o Brasil artigos que absolutamente não podiam ser consumidos aqui, e que faziam parte de estoques destinados, originalmente, a outros países, mas que se conservaram invendáveis. São famosas as indicações de artigos como patins para gelo, espartilhos para senhoras e instrumentos de matemática.

Mas os ingleses não esqueceram de trazer também cerveja para abastecer os súditos ingleses que vieram morar aqui, fossem diplomatas ou comerciantes, assim como a nobreza metropolitana e as classes mais abastadas da colônia, que buscavam copiar o estilo de vida europeu, como explica Maria Beatriz Nizza da Silva:

Sua maneira de viver, até seus hábitos alimentares e seus horários para as refeições, seu modo de trajar, seus passeios a cavalo pelos arredores da cidade, seus estabelecimentos comerciais, constituíam novidade para os moradores e despertavam sua curiosidade e interesse, e em muitos casos um desejo de imitação

SILVA, 2016, p. 194

A partir de julho de 1811, a Gazeta do Rio de Janeiro (único jornal da Corte) passou a publicar a seção Notícias Marítimas, com a relação dos navios que entravam e saíam porto do Rio de Janeiro, informando o seu porto de origem (no caso das entradas) ou de destino (no caso das saídas) e, por vezes, a sua carga.

Por essa seção, é possível acompanhar o movimento de entrada no porto de navios trazendo cerveja. Um movimento que durou todo o período de permanência da Família Real Portuguesa no Rio de Janeiro. Dos navios que entraram no porto do Rio de Janeiro até setembro de 1822, em cuja carga declara-se expressamente que traziam cerveja, 92% eram de nacionalidade inglesa. E os três principais portos de origem eram a ilha de Guernsey, localizada no Canal da Mancha próxima à Normandia (38% do total), Londres (24% do total) e Liverpool (16% do total).

Encontrei apenas três exceções: o navio norte-americano Sailorboy, que entrou no porto do Rio de Janeiro em 15 de outubro de 1819 vindo da Filadélfia, trazendo farinha, genebra [sic] e cerveja; o navio sueco Helena, que aportou em 24 de março de 1820, vindo de Helsingor, trazendo madeira, ferro e cerveja; e o navio francês Intrepide, que aportou em 1º de maio de 1821, vindo de Marselha, trazendo vinho, cerveja, sal e fazendas.

A análise da entrada e saída de navios no porto do Rio de Janeiro a partir do Jornal do Commercio, que começa a circular no final de 1827, nos permite perceber que essa situação quase não se modificou ao longo de toda a primeira década do Brasil como país independente. Porém, ao lado das cervejas inglesas que reinavam absolutas no mercado até 1822, agora aparecem também cargas da bebida vindas da Bélgica, principalmente de Antuérpia.

Fonte: Gráfico elaborado pelo autor a partir do Jornal do Commercio, 1827-1831

O domínio do mercado brasileiro pela cerveja inglesa se explica não apenas pelo fato de a Grã-Bretanha ser a principal parceira comercial de Portugal naquele período. Mas também porque, como informa Edgar Köb, no começo do século XIX a Inglaterra possuía a indústria de cerveja mais desenvolvida da Europa, com o emprego de maquinário a vapor e outros meios de produção industrial, enquanto em outros lugares ainda predominava o modo artesanal de produção de cerveja.

Esse mesmo autor afirma que as cervejas inglesas dominaram o mercado brasileiro até a década de 1860, primeiro com o estilo Porter, que foi seguido pela Pale Ale da cidade de Burton upon Trent. Assim, é bastante razoável pensar, apesar de ainda não termos nenhuma prova concreta a esse respeito, que as famosas India Pale Ale, destinadas ao mercado colonial indiano desde o século XVIII, também desembarcavam no porto do Rio de Janeiro. Ia demorar muito ainda para que o mercado brasileiro de cervejas desse o seu grito de independência.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

ARRUDA, José Jobson de Andrade. Uma colônia entre dois impérios: a abertura dos portos brasileiros 1800-1808. Bauru: EDUSC, 2008.

GAZETA DO RIO DE JANEIRO. Rio de Janeiro: Impressão Régia do Rio de Janeiro, 1808-1822.

JORNAL DO COMMERCIO. Rio de Janeiro: Typoghaphia d’Emile Seignot Plancher, 1827-1831.

KÖB, Edgar. Como a cerveja se tornou bebida brasileira: a história da indústria de cerveja no Brasil desde o início até 1930. Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. Rio de Janeiro, 161 (409), 2000, p. 29-58.

PANTALEÃO, Olga. A presença inglesa. In: Holanda, Sérgio Buarque de (org.). História Geral da Civilização Brasileira. São Paulo: Difusão Européia do Livro, 1965. Tomo II, 1º vol.

SILVA, Maria Beatriz Nizza da. Uma forma sutil de poder: a cultura inglesa no Rio de Janeiro joanino. Revista do IHGB. Rio de Janeiro, a. 177 (470), jan./mar. 2016, p. 193-210.


Sérgio Barra é carioca, historiador, sommelier e administra o perfil Profano Graal no Instagram e no Facebook, onde debate a cerveja e a História.

Guia nas Eleições: 7 propostas para melhorar a tributação cervejeira

Com a proximidade das eleições no Brasil, discussões acerca de medidas que causem impacto nas atividades se tornam mais calorosas, com a apresentação de demandas. Apontadas por muitos como um dos grandes entraves para o crescimento da economia do país, a tributação e suas regras costumam liderar a pauta de reivindicações de muitos setores, incluindo a indústria cervejeira.

A alta carga tributária, a quantidade de diferentes impostos a serem recolhidos, o excesso de regras e a avaliação de que leis estão atrasadas em comparação ao avanço do mercado são alguns dos problemas com os quais o setor precisa conviver, causando maior impacto nas microcervejarias.

Pensando nisso, o Guia dá sequência à série de conteúdos sobre as eleições, depois de ouvir representantes de bares e das entidades da indústria. Em parceria, a Beer Business e a Associação Gaúcha de Microcervejarias (AGM) apresentam sugestões de como a tributação sobre o setor poderia ser modificada para contribuir com o desenvolvimento do segmento cervejeiro.

Para eles, a solução passa por uma reforma ampla, que reequilibre a tributação sobre os diversos setores da economia e das pessoas físicas que, ao final, são os clientes de qualquer cervejaria. E se ao menos uma reforma tributária não for realizada, é preciso pensar em ações que poderiam ajudar o setor de forma pontual, porém com grande impacto.

“Esperamos que os próximos governantes sejam sensíveis a essas pautas e que possam colaborar para o crescimento desse mercado e, consequentemente, da economia como um todo”, pontua a AGM e a Beer Business.

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Confira, a seguir, 7 propostas para melhoria da tributação e das atividades das cervejarias:

1) Correção da tabela do Simples
É urgente a correção para compensar a inflação acumulada desde o ano da criação desse regime. O Projeto de Lei Complementar 108/21, aprovado na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados, propõe diversas mudanças, entre elas, o aumento do limite de faturamento do Simples de R$ 4,8 milhões para quase R$ 8,7 milhões. Esse aumento, de cerca de 81%, trata apenas da correção do valor de acordo com a inflação acumulada desde 2006, segundo o IPCA.

2) Extinção da Substituição Tributária
Com esse sistema, todo o imposto que o produto pagaria ao circular na cadeia de distribuição é recolhido diretamente na cervejaria, antes da sua saída da fábrica. Desse modo, a cerveja fica mais cara, diminuindo sua competitividade.

3) Revisão das Margens de Valor Agregado propostas pelos governos estaduais
Como a cervejaria não pode adivinhar o preço pelo qual o produto vai ser vendido para o consumidor, no momento de calcular a Substituição Tributária, o governo estabelece o que seria o porcentual de valor adicionado ao produto até o momento de sua venda. No Rio Grande do Sul, por exemplo, a margem que o governo determina é de 140%. Ou seja, uma cerveja que sairia da fábrica por R$ 10 deveria recolher o imposto relativo a R$ 24. Entretanto, a grande maioria das cervejas é vendida por valores abaixo do valor resultante da aplicação da MVA, o que faz com que as cervejarias paguem mais imposto do que realmente deveriam. Apesar de existirem maneiras de solicitar que o valor considerado seja mais próximo do adotado pelo mercado, o caminho para isso muitas vezes não está claro e pode gerar distorções que tornem a situação ainda pior.

4) Crédito presumido do ICMS

Alguns estados já possuem incentivos para que as cervejarias possam se beneficiar de um crédito presumido de ICMS, que reduz a quase pela metade o valor desse imposto sobre as cervejas. Trata-se de algo extremamente positivo, porém esses créditos são limitados até determinados volumes de produção, que precisam ser ampliados para incentivar o crescimento das indústrias

Beer Business e Associação Gaúcha de Microcervejarias

5) Clareza na definição de microcervejaria
Atualmente, existem definições diversas em diferentes estados, e não há um entendimento comum em relação a esse ponto. O Rio Grande do Sul, por exemplo, considera como microcervejaria uma fábrica que produza até 3 milhões de litros por ano, enquanto em Santa Catarina e no Paraná o volume considerado é de 5 milhões de litros por ano.

6) Cotas para artesanais em eventos com recursos públicos
Outra pauta que precisa ser avaliada é a determinação de que, em eventos que contem com a utilização de recursos públicos para sua promoção, seja definido um porcentual mínimo de participação de cervejarias artesanais locais, sem a possibilidade de atuação exclusiva de grandes marcas. Em Santa Catarina, já existe uma determinação de participação de 20% de cervejas artesanais em eventos patrocinados com recursos públicos e no Paraná há a determinação de 20% de cervejas artesanais em recintos esportivos.

7) Enquadramento de cervejarias ciganas no Simples
Atualmente, a lei permite apenas que cervejarias que tenham registro no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) possam estar enquadradas nesse regime. Desse modo, resta para as cervejarias ciganas o enquadramento de distribuidora no regime de lucro presumido, o que diminui ainda mais a competitividade das marcas que, devido aos custos de terceirização, ficam em desvantagem no mercado. O enquadramento no Simples permitiria que mais marcas pudessem ser formalizadas e aumentaria o faturamento das fabricantes, que utilizam seus espaços ociosos para a produção para terceiros.

Produção de alcoólicas cresce 5,4% em julho e descola da indústria; veja análise

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Depois de registrar estagnação em junho, a fabricação de bebidas alcoólicas no Brasil aumentou 5,4% em julho, na comparação com o mesmo mês de 2021 e descolou do ritmo lento da atividade industrial brasileira.

O último balanço do IBGE confirmou que a produção industrial nacional subiu 0,6% no sétimo mês do ano na confrontação com junho. E na equiparação com julho de 2021, na série sem ajuste sazonal, houve recuo de 0,5%. Já no acumulado do ano, a queda é de 2%, enquanto no amontoado dos últimos 12 meses a retração aferida é de 3%.

Leia também – Agora com cidade de São Paulo em 1º, Brasil chega a 1.549 cervejarias registradas

Em meio a este contexto de subida tímida da indústria e de perdas a longo prazo, a fabricação de bebidas alcoólicas reagiu de forma significativa em julho, eliminando parte dos recuos anteriores. Embora tenha aumentado mais de 5% em julho, o ritmo da produção em 2022 ainda é negativa em 2%. Já nos 12 meses imediatamente anteriores, a queda é de 4,9%.

Em análise divulgada na sequência da divulgação da Pesquisa Industrial Mensal, a XP Investimentos, no Monitor da Indústria de Bebidas, destaca que esperava uma expansão maior da produção de bebidas alcoólicas em julho. Ainda assim, mantém o otimismo para a sequência do segundo semestre.

“A produção de bebidas alcoólicas ficou um pouco abaixo das nossas estimativas (-1,1%), e uma vez que aplicamos a sazonalidade as estimativas para o 3T e 4T diminuem em 1,2%”, diz. “Entendemos que há novos fatores a serem considerados além dos dados históricos (ou seja, auxílios governamentais, eleições, Copa do Mundo) e, portanto, continuamos otimistas quanto ao consumo de cerveja no 2S22.”

O levantamento do IBGE confirmou expressivo crescimento na fabricação de bebidas não alcoólicas, que em julho saltou 20,7% na comparação com o mesmo mês de 2021. E no acumulado do ano a subida já é de 11,6%. Além disso, a elevação nos últimos 12 meses está em 2,8%.

Ao mesmo tempo, os analistas da XP relatam surpresa com a expressiva alta da produção de bebidas não alcoólicas em julho, ampliando suas projeções para o decorrer de 2022.

“A produção de bebidas não alcoólicas surpreendeu e ficou 6,6% acima das nossas estimativas, aumentando significativamente as estimativas para os meses seguintes ao aplicarmos a sazonalidade”, destaca.

Na produção de bebidas em geral, que leva em conta o somatório das com e sem álcool, o aumento contabilizado para julho foi de 12,7%. No amontoado dos primeiros sete meses de 2022, a subida é de 4,2%. Já nos 12 meses imediatamente anteriores, o índice fica negativo em 1,3%, sendo que na comparação entre julho e junho deste ano ocorreu redução produtiva de 0,7%.

Fonte: XP Investimentos

Produção de alimentos ajuda a puxar crescimento tímido
A pesquisa do IBGE revela que houve alta na produção de duas das quatro grandes categorias econômicas e em 10 dos 26 ramos investigados. O instituto destaca que a influência mais positiva foi constatada na fabricação de produtos alimentícios, com subida de 4,3% em julho. Coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis, com um incremento de 2%, e indústrias extrativas, com 2,1%, também se sobressaíram no período.

Da mesma forma, produtos farmoquímicos e farmacêuticos, com elevação de 10%, de metalurgia (2%), de celulose, papel e produtos de papel (2,1%) e de outros equipamentos de transporte (5%) deram contribuições importantes.

Apesar disso, o setor industrial ainda se situa em um nível de atividade que está 0,8% abaixo do patamar pré-pandemia, de fevereiro de 2020, e é 17,3% inferior ao recorde produtivo atingido em maio de 2011.

 “O setor industrial ao longo do ano de 2022 vem mostrando uma maior frequência de resultados positivos. São cinco meses de crescimento em sete oportunidades. Nesses resultados observa-se a influência das medidas governamentais de estímulo e que ajudam a explicar a melhora registrada no ritmo da produção. Mas vale destacar que ainda assim a produção industrial não recuperou as perdas do passado”, explica o gerente da pesquisa do IBGE.

Antes de crescer 0,6% em julho, a produção industrial nacional havia caído 0,3% em junho, quando interrompeu quatro meses consecutivos de altas que acumularam expansão de 1,9% neste período. Entretanto, não há motivo para qualquer euforia, já que houve registros de índices negativos em 16 dos 26 ramos industriais pesquisados. “É um crescimento que se dá de uma forma muito concentrada neste mês de julho”, ressalta Macedo.

Ação da Ambev valoriza pelo 2º mês seguido e quase supera perdas do 1º semestre

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O segundo mês consecutivo de alta na B3, a bolsa de valores brasileira, levou a Ambev a praticamente recuperar as perdas do restante de 2022, especialmente do segundo trimestre do ano. A ação da principal cervejaria do mundo fechou o mês de agosto, na sessão da última quarta-feira, valendo R$ 15,27.

Isso representou valorização de 2,28% em relação ao fim de julho. E se ainda há perda em comparação ao término de 2021, ela é diminuta, de R$ 0,15 ou 0,97%. Além disso, esse recuo se dissipou nas duas sessões subsequentes, com o papel da Ambev encerrando a sexta-feira (2) com valor de R$ 15,48.

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Essa alta da ação da cervejaria em agosto acompanhou o ritmo do Ibovespa, o principal índice da B3, que terminou agosto em 109.522,88 pontos, o que representa variação positiva, de 6,16%, no mês. E é o que também lhe assegura valorização de 4,48% em 2022.

A avaliação de analistas é que a apresentação de balanços positivos por diversas empresas, relativos ao segundo trimestre, e a alta da ação da Petrobras, que tem peso relevante na composição do Ibovespa, explicam essa recuperação da B3 em agosto.

A dúvida, porém, é até quando esse otimismo dos investidores vai persistir, pois o banco central norte-americano já indicou que seguirá com a alta dos juros para conter a inflação, mesmo que isso provoque recessão econômica nos Estados Unidos, problema que também vem sendo visto como uma ameaça para a Europa e até para a China, com a adoção, novamente, de lockdowns por algumas cidades. E, tradicionalmente, a proximidade da eleição no Brasil sempre agita a bolsa em função das incertezas sobre o futuro.  

Mas dentro do cenário positivo para agosto, a ação da Ambev se colocou entre as 67 das 90 que compõem o Ibovespa que tiveram alta. Os principais destaques foram as empresas de tecnologia, com valorização de 73,18% da Positivo Tecnologia e de 38,11% da Locaweb, além das varejistas Magazine Luiza, com crescimento de 65,5%, e Via, com 34,17%. E o Top 5 também foi ocupado pela companhia aérea Azul, com alta de 40,58%. Já entre as 23 desvalorizações, Braskem (17,01%) e IRB (14,14%) tiveram perdas acima dos 10%.

No exterior
Fora do Brasil, na Bolsa de Valores de Nova York, a ação da Ambev repetiu o desempenho brasileiro e também se valorizou em agosto. O papel terminou o oitavo mês de 2022 cotado a US$ 2,90. Assim, teve alta de 2,84%, que agora é de 3,57% em 2022.

É, porém, um cenário oposto ao que se deu com as ações de AB InBev e do Grupo Heineken em agosto, na Europa. Com as perdas registradas, ambas ampliaram a desvalorização em 2022.

No caso da AB InBev, o papel terminou a última quarta-feira (31) valendo 48,35 euros, caindo 7,5% no mês, agora com queda de 9,07% no ano. Já o ativo do Grupo Heineken encerrou agosto com preço de 89,74 euros. Assim, sua desvalorização foi de 6,82% no mês. E está em 9,23% em 2022.

Balcão do Aloisio: Como foi a XXXIII Reunião Nacional de Pesquisa de Cevada

Balcão do Aloisio: Como foi a XXXIII Reunião Nacional de Pesquisa de Cevada

A XXXIII Reunião Nacional de Pesquisa de Cevada ocorreu nos dias 2 e 3 de agosto de 2022, no auditório da Embrapa Trigo, em Passo Fundo (RS). O evento teve como objetivo a apresentação de trabalhos de pesquisa desenvolvidos por instituições públicas e privadas para aprimoramento dos sistemas de produção de cevada no País.

A Reunião Nacional de Pesquisa de Cevada foi criada em 1981 e ocorreu anualmente até a 25ª edição, em 2005, quando passou a ser realizada a cada dois anos. É promovida em parceria por três instituições: a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, por meio do Centro Nacional de Pesquisa de Trigo (Embrapa Trigo), a Companhia de Bebidas das Américas (Ambev) e a Fundação Agrária de Pesquisa Agropecuária (Fapa), vinculada à Cooperativa Agrária Agroindustrial, sendo que, a cada edição, uma dessas instituições fica responsável pela organização, contando sempre com o apoio das outras duas.

A edição de 2022 foi organizada pela Companhia de Bebidas das Américas (Ambev) e reuniu mais de 100 nomes ligados ao cereal, tanto no cenário nacional quanto internacional, além de empresários, produtores rurais, assistentes técnicos e estudantes de graduação e pós-graduação. Além de avaliação das safras de 2019, 2020 e 2021, foram apresentados trabalhos na área de fitossanidade; genética, biotecnologia e melhoramento vegetal; e nutrição mineral de plantas, agrometeorologia, fisiologia e práticas culturais.

Um dos maiores problemas relativos ao cultivo da cevada cervejeira diz respeito à estabilidade na oferta de grãos com qualidade para atender às maltarias, principalmente no Rio Grande do Sul, onde as instabilidades do clima podem levar a um baixo aproveitamento dos grãos produzidos, em virtude de não se enquadrarem dentro dos padrões de qualidade necessários.

Para serem aproveitados na produção de malte, os grãos de cevada cervejeira devem apresentar teor de proteína entre 9,5% e 12%, germinação acima de 95%, apresentar um bom tamanho, com proporção de grãos da classe comercial 1 (aqueles que ficam retidos na peneira de 2,5mm de diâmetro) acima de 90% e baixa contaminação por micotoxinas.

Na safra 2021, com clima favorável, cerca de 70% dos grãos de cevada cervejeira produzidos no estado do Rio Grande do Sul foram aproveitados para a malteação. Em 2020, considerado um ano de clima desfavorável, apenas 41% dos grãos foram aproveitados. O desenvolvimento de cultivares com maior estabilidade na qualidade dos grãos e a melhoria nas técnicas de produção são fundamentais para garantir a qualidade dos grãos e promover o aumento da área cultivada com cevada cervejeira no Rio Grande do Sul.

Em cada edição do evento são atualizadas as indicações técnicas para cultivo da cevada cervejeira, com a disponibilização, até o final de 2022, da publicação “Indicações técnicas para a produção de cevada cervejeira nas safras 2023 e 2024”. Dentre as alterações a serem apresentadas estão a disponibilização de duas novas cultivares de cevada desenvolvidas pela equipe de pesquisa da Ambev, ABI Rubi e ABI Valente, para cultivo na região Sul do País visando produção de cevada cervejeira.

A 34ª edição da Reunião Nacional de Pesquisa de Cevada está marcada para abril de 2024 e ocorrerá em Guarapuava (PR), com realização da Fapa/Agrária e apoio da Embrapa e da Ambev.


Aloisio Alcantara Vilarinho é engenheiro agrônomo com doutorado em Genética e Melhoramento de Plantas. Pesquisador da Embrapa desde 2003, ele atua, desde novembro de 2019, como melhorista de cevada na Embrapa Trigo.

As características das 5 brasileiras medalhistas de ouro no World Beer Awards

A cerveja brasileira demonstrou seu valor na edição de 2022 do World Beer Awards, uma das mais importantes premiações cervejeiras do planeta, ao conquistar cinco medalhas de ouro na disputa por estilos da competição. Os ganhadores foram dois rótulos do tipo Pale (Red Sönja, da Stannis, eleita a melhor Beer Amber, e a Diavolo, da Noi, a vencedora da Biére De Garde & Saison), que se somaram aos triunfos da Wäls Dubbel, da Campinas IPA Zero e da Unika Caju & Pitanga, nas categorias Beer Belgian Style Dubbel. Melhor No & Low Alcohol IPA e Catharina Sour, respectivamente.

Entretanto, você já conhece as características destas cervejas brasileiras que brilharam no prestigioso concurso que contou com um total de 3.200 rótulos de mais de 50 países inscritos neste ano? Em reconhecimento aos feitos obtidos pelas marcas que produziram essas bebidas e com o objetivo de apresentá-las aos leitores, o Guia descreve os atributos e os insumos utilizados na composição dessas receitas premiadas com a medalha de ouro pelos juízes em Londres. Além disso, traz opiniões de representantes destas cervejarias, que festejaram as conquistas ao comentarem sobre seus produtos.

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Confira a seguir as peculiaridades de cada uma das cervejas medalhistas de ouro pelo Brasil no World Beer Awards de 2022:

Campinas IPA Zero, melhor No & Low Alcohol IPA
Ouro em uma das categorias de cervejas sem álcool ou de baixo teor alcoólico, a Campinas IPA Zero é fabricada com um processo de triplo dry hopping dos lúpulos norte-americanos Sabro e Citra, possui um aroma cítrico e intenso, além de apresentar o amargor característico de uma IPA.

Envasada em garrafas long neck de 355ml, a bebida tem apenas 68 calorias, 40 IBUs de amargor e 0,4% de álcool. O baixo teor alcoólico, por sua vez, exige que a sua pasteurização seja muito mais intensa do que a realizada na produção dos outros estilos da marca. Para atingir a melhor qualidade possível, a cerveja é submetida a controles finos de temperatura durante a brassagem e máxima assepsia no dry hop.

“Para a Cervejaria Campinas é muito importante participar de alguns dos melhores concursos de cervejas do Brasil e do mundo. O resultado das análises sensoriais feitas pelos jurados especializados nos ajudam com feedback e norte do que está sendo esperado para a IPA Zero. Ganhar uma medalha como essa recompensa todo o trabalho que vem sendo executado. A IPA Zero da Campinas é uma cerveja muito diferenciada e a maioria das pessoas que a experimenta não acredita que ela não tem álcool”, ressalta Giovanna Martinez, responsável pelo setor de marketing e relacionamento da cervejaria da maior cidade do interior paulista.


Noi Diavolo, melhor Biére De Garde & Saison

Medalhista de bronze no European Beer Star de 2018 e depois de prata no World Beer Awards de 2019, a Noi Diavolo, do estilo Belgian Strong Ale, manteve a sua escalada ao levar o ouro nesta edição da competição em Londres. Envelhecida em barril de carvalho anteriormente usado para o repouso do vinho Chardonnay, a bebida foi eleita a melhor “Biére de Garde & Saison”.

De coloração alaranjada escura, é produzida com um longo processo de envelhecimento para adquirir características vínicas, essa cerveja tem 8,6% de teor alcoólico, 16 IBUs de amargor e possui aroma e paladar de mel, limão, melão, uvas brancas e baunilha. Por essas características, harmoniza bem com peixes, frutos do mar e queijos maturados. 

“A Diavolo já tem uma história internacional, medalhou na European Beer Star, em 2018, mas o ouro no World Beer Awards traz um brilho diferente, principalmente neste ano, que temos ganhado muitos prêmios”, comemora Bárbara Buzin, diretora da Noi, ao comentar o feito obtido na capital inglesa. 

Stannis Red Sönja, melhor Pale Beer Amber

Cerveja com o nome da grande guerreira das histórias em quadrinhos do herói Conan, o Bárbaro, a Red Sönja é caracterizada pelo seu corpo avermelhado intenso e possui um aroma maltado, que proporciona dulçor inicial e gosto final torrado seco. Com 16 IBUs de amargor, 5% de álcool, sendo produzida com o lúpulo checo Saaz. A cerveja é uma Irish Red Ale vendida em garrafas de 355ml e 500ml.

“Por mais que a gente saiba da qualidade dos nossos produtos, graças ao cuidado empregado na produção, desde a escolha das matérias primas até o desenvolvimento de tecnologia e melhoria de processos, ganhar um concurso de tamanha importância quanto o World Beer Awards, onde nossa cerveja concorreu com amostras do mundo inteiro, nos alegra em chancelar essa qualidade”, ressalta Eric de Lima, coordenador de marketing da Stannis.

“Ter a melhor Pale Beer Amber do mundo, tem um gostinho especial porque a Red Sönja foi a primeira cerveja produzida comercialmente pela Stannis”, completa o profissional da marca.

Unika Caju & Pitanga, melhor Catharina Sour
Triunfando no World Beer Awards em uma categoria do primeiro estilo cervejeiro mundialmente reconhecido como brasileiro, a Caju & Pitanga, da Unika, mistura com sucesso os dois tradicionais frutos nacionais do seu nome na receita e consegue extrair do seu método de fabricação um sabor leve e refrescante, com baixo amargor, de 8 IBUs, e teor alcoólico de 5%.

De acidez marcante, é uma cerveja de trigo de alta fermentação que sempre tem adição de frutas em sua composição. E o rótulo premiado em Londres fez a cervejaria de Rancho Queimado (SC) celebrar sua décima medalha em concursos nacionais e internacionais no ano, sendo que essa foi a quinta de ouro.

Bruno Koerich, sócio-proprietário da Unika, ressalta como essa conquista expressiva na World Beer Awards é especial para a marca. “A Catharina Sour é um estilo nosso, do Brasil, e a Caju & Pitanga leva na receita esses dois ingredientes bem brasileiros. Essa mistura pode parecer improvável, mas o resultado mostrou que os dois sabores trouxeram uma identidade única para a cerveja, que é uma das mais de 36 produzidas ao longo do ano pela cervejaria de Rancho Queimado, em Santa Catarina”, comemora.

Wäls Dubbel, melhor Beer Belgian Style Dubbel

Rótulo premium que faz parte do portfólio da Ambev, essa cerveja é uma Belgian Strong Ale Dubbel que teve a sua alta qualidade premiada no World Beer Awards e coroou o bom desempenho da marca da maior cervejaria do Brasil na competição. De cor castanha escura, espuma densa e duradoura, além de aroma de frutas secas com notas de especiarias e maltes especiais, a bebida possui teor alcoólico de 7,5% e paladar com um gosto torrado persistente, levemente picante e bastante seco.

A receita da Wäls Dubbel é composta apenas por água, malte de cevada, açúcar, lúpulo, extrato de uva passa e levedura. Vendida em garrafas de 375ml fechadas com rolha e forte amargor, de 25,4 IBUs, essa cerveja harmoniza bem com carnes vermelhas gordurosas, carnes de caça, aves silvestres e sobremesas com toques de chocolate, segundo descreve a marca em seu site oficial.

“Ficamos muito felizes que a Wäls Dubbel surpreendeu o paladar de especialistas ao redor do mundo. É gratificante saber que fomos reconhecidos pela qualidade da nossa cerveja, entre tantos países, com paladares tão diferentes. Estamos voltando para casa não só com o sentimento de dever cumprido, mas também com muitos aprendizados e vontade para conquistar ainda mais horizontes”, afirmou Sybilla Geraldi, coordenadora de conhecimento e cultura cervejeira da Ambev.

Menu Degustação: Museu reaberto, festas cervejeiras em Joinville e Curitiba…

O início de setembro contará com uma atração turística repaginada. Nesta sexta-feira, a cidade de Blumenau (SC), ao comemorar o seu aniversário, vai reabrir o Museu da Cerveja, inaugurado em 1996 e que passou por reforma. Agora, o espaço conta com oito ambientes em uma cidade que se orgulha da sua tradição cervejeira.

O começo do mês também ficará marcado pela realização de várias festas cervejeiras. O fim de semana terá IPA Day em Joinville, Champions Beer em Campinas e Festival da Cultura Cervejeira Artesanal em Curitiba. O Guia traz um compilado das cervejarias que estarão presentes nesses eventos.

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Confira essas e outras novidades do setor no Menu Degustação do Guia:

Reabertura do Museu da Cerveja em Blumenau
O aniversário de Blumenau, celebrado nesta sexta-feira (2), será marcado pela entrega de um novo equipamento turístico. O Museu da Cerveja de Blumenau reabrirá ao público, completamente reformulado, a partir das 9 horas. Excepcionalmente nesta data, moradores da cidade com comprovação de residência não pagarão pela entrada. A partir de agora, o espaço abrirá todos os dias, das 9h às 19h. Criado em 1996 apenas com equipamentos de antigas cervejarias, o Museu da Cerveja de Blumenau passou por readequação, que inclui ampliação do espaço, novos ambientes – são 8, no total – e experiência de visitação.

IPA Day em Joinville
Marcado para este fim de semana, o IPA Day de Joinville foi transferido para o domingo (4), das 11h às 22 horas, na Travessa Dr. Norberto Bachmann, em função da previsão de chuva no sábado. Haverá atrações musicais, feira de artesanato, 8 food trucks e 12 cervejarias com mais de 100 opções de chope. As marcas confirmadas são Haenschbier, Zeit, Bierval, Gutes Bier, todas de Joinville, Seasons, Locomotive, Faroeste, Stannis, Unika, Schornstein, Alfero e Bierbock, com a sua distribuidora tendo as opções das cervejarias Trilha, Equilibrew, Brooklyn, Fermi, Dogma, Ignorus, Brooklyn e Insana.

44 cervejarias em Curitiba
A 5ª edição do Festival da Cultura Cervejeira Artesanal acontece neste sábado e domingo (3 e 4) no Jockey Club do Paraná, em Curitiba. O evento é organizado pela Associação das Microcervejarias do Estado do Paraná e tem 44 marcas confirmadas. São elas: 4 Bodes, 4HOPS Brew, Alright, Araucaria, Asgard, Baptizein, Bastards, BenckeBier, BierHerr, Bodebrown, Bonato, Buddy Brew, Cerveja Fortuna, Cervejaria Danric, Cervejaria Lobos, Coice da Mula, Dash, DUM, Eden Bier, Evil Hops Brewing, Frohen Feld, Fumaçonica, Gastbier, Gauden, Ignorus, Insana, JOY Project, Maniacs Brewing CO, Masmorra, Moondri, Morada Cia.Etílica, Oak Bier, Ogre Beer, Ol Beer, Old Car, Palta, Providencia, Swamp, Turbinada, Van Duch, Vosgerau, Way Beer, Xama, Yule Brewing.

14 Cervejarias do Champions Beer
A 6ª edição da Champions Beer promete agitar a cidade de Campinas a partir desta sexta-feira. Serão 9 dias de evento, de 2 a 4 e de 6 a 11 de setembro, em uma estrutura montada no estacionamento do Galleria Shopping, que reunirá 14 microcervejarias. São elas: Campinas, Daoravida, Barossa, Tábuas, Landel, todas de Campinas, Sonora e Bierinbox, de Paulínia, as piracicabanas Leuven e Green Fish, a Berggren, de Nova Odessa, a Hausen, estabelecida em Araras, a Madalena, de Santo André, a Everbrew, de Santos, e a Brewto’s, de Vargem Grande Paulista. Nesta sexta, a principal atração é o show do IRA!. Já no dia 6, o destaque será a apresentação da banda Raimundos. O evento também terá a eleição da melhor cerveja pelo voto popular.

Craft Beer Ribeirão
O Polo Cervejeiro, Núcleo Setorial do Programa Empreender da Associação Comercial e Industrial de Ribeirão Preto, promove na próxima semana – de 8 a 11 de setembro – o 1º Festival Craft Beer Ribeirão. O evento terá um festival com 20 cervejarias. Simultaneamente, vai ocorrer a 10ª edição da South Beer Cup, assim como a 1ª Copa Paulista de Cerveja Artesanal, aberta a todas as cervejarias registradas no estado.  Para os empresários, o Craft Beer terá um “meeting cervejeiro” e uma feira de negócios paralelos ao festival.

Gastronomia da São Paulo Oktoberfest
Marcada para o período de 7 a 23 de outubro (nas sextas-feiras, sábados e domingos), no Ginásio do Ibirapuera, a São Paulo Oktoberfest terá menu com 80 opções de pratos e petiscos: de joelho de porco à coxinha de costela; os salsichões; novidades veganas, como chips batata doce com guacamole, e sobremesas. A gastronomia do festival terá a curadoria do chef Marcos Baldassari, que se destacou no MasterChef, e é apresentador do programa Cozinha Amiga na TV Gazeta.

Ambev no combate à fome
A Ambev fez uma parceria com a startup social Comida Invisível que vai conectar estabelecimentos, como restaurantes, bares, mercados e supermercados, que queiram doar alimentos a quem precisa. Pontos de vendas da região oeste do Rio de Janeiro, cadastrados no BEES, a plataforma B2B da companhia, podem solicitar cadastro junto à startup social, que atua com soluções de combate ao desperdício de alimentos. O cadastro dos PDVs na plataforma é financiado pela Ambev, que também participa da iniciativa com a doação dos alimentos de seu centro de distribuição. Serão 17 toneladas no primeiro mês.

Estrella Galicia e Anavitória
O SON Estrella Galicia, iniciativa da cervejaria espanhola que estimula a cena cultural, retornou com a participação da dupla Anavitória. O projeto é dividido em 4 episódios, com uma entrevista exclusiva com as cantoras, um bate papo sobre cerveja, o encontro com o cantor e compositor Rubel e uma música inédita, gravada para celebrar a parceria com a marca. A transmissão será realizada pelo YouTube da Estrella Galicia.

Tampinha premiada
O Grupo Heineken lançou a campanha Tampinha Premiada 2022 em que, na compra de uma cerveja com embalagem retornável de 600ml ou 1l, os consumidores têm a chance de ganhar outra. São mais de 1 milhão de tampas premiadas. A promoção é válida até o final de outubro, em todos os bares parceiros da empresa. As marcas participantes são Eisenbahn, Amstel, Devassa, Schin, Kaiser e Glacial.

Novo lote de Gose
A Cruls Cervejaria, de Santa Maria (DF), lançou o lote de 2022 da Gose Alecrim e Tomate, cerveja que recebe sal e passa por infusão de alecrim e tomate. A GAT já está disponível em lata e em chope, com venda no site da cervejaria e em pontos especializados. Ela tem 4,8% de graduação alcoólica e 6 IBUs de amargor.

E-commerce da Lagoon
A cervejaria Capim Branco lançou, recentemente, os sites da Cerveja Lagoon e do seu destilado, o gin Noveau. A proposta é que os sites sejam um portal de venda de bebidas artesanais e premium de Minas Gerais. “Percebemos o crescimento nas vendas pela internet e por isso, resolvemos melhorar esses canais e criar um para cada bebida”, diz Thiago Carneiro, gerente comercial das marcas.

Projeto Manipueira é lançado com 37 marcas e brassagem; veja próximos passos

Tendo a adesão de 37 marcas, o Projeto Manipueira foi lançado oficialmente, em São Paulo, com a realização de uma brassagem experimental, em evento promovido pela Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva), apoiadora da empreitada. A iniciativa visa explorar o líquido extraído na prensagem da mandioca durante a produção de farinhas e tapioca para criar cervejas selvagens a partir da variedade de elementos encontrados em solo nacional.

O encontro foi realizado na Cervejaria Nacional, que acaba de se tornar mais uma das 37 marcas que aderiram ao Manipueira, composto por fábricas de dez estados brasileiros e do Distrito Federal. Com um nome que significa “o que brota da mandioca”, na língua Tupi, o projeto nasceu de uma parceria entre as cervejarias Cozalinda, de Florianópolis (SC), e Zalaz, de Paraisópolis (MG), ambas especialistas na produção com fermentação selvagem usando barris de madeira. E rapidamente foi ampliado com o interesse crescente de outras fabricantes.

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As marcas esperam começar a colher as primeiras impressões sobre as características da cerveja com a manipueira em um ano. O período é necessário para a maturação da bebida em barris de madeira em um processo de envelhecimento no qual os cervejeiros vão adicionar leveduras tipicamente brasileiras. Ao extraí-las do subproduto da mandioca e com insumos nativos de suas cidades, as marcas deixarão os microrganismos agirem na fermentação, com o objetivo de obterem sabores e aromas únicos com este processo.

No encontro, Bia Amorim, sommelière de cervejas, Aline Smaniotto, também sommelière e antropóloga, e Ana Carolina Carvalho, cientista e doutora pós-graduada em biotecnologia apresentaram detalhes do projeto. “Grande parte das cervejarias brassou hoje (dia 31), fez o mosto cervejeiro e a adição da manipueira como microrganismo que vai fermentar tudo isso. E daqui a um ano entenderemos sensorialmente o que esse projeto nos entregará. Mas, ao longo destes 12 meses, temos muito trabalho a fazer, de comunicação, de cultura, de brasilidade”, destaca Bia, em entrevista ao Guia.


Aline destaca que o projeto, ao buscar o terroir brasileiro da cerveja, dialoga com a história nacional, pois a mandioca foi um alimento inicialmente cultivado pelos indígenas, antes mesmo da chegada dos colonizadores. E, ao longo do tempo, se espalhou pelo país, com uma diversidade de características.

“É uma oportunidade de dialogar com outros saberes, com a herança da mandioca que vem dos quilombolas, as comunidades indígenas, os pequenos agricultores que permitiram que hoje se tenha a multiplicidade de mandiocas pelo Brasil para se ter esse projeto. Poder desenvolver disso uma levedura selvagem representa uma pitada muito rica de sabor e saberes”, diz.

A experiência inédita também une a fabricação cervejeira ao antigo método de envelhecimento da bebida por meio da fermentação de microrganismos. E Bia relata que a ideia, com isso, é poder criar um “megablend” por meio dos diferentes resultados a serem obtidos. “A grande conquista é ter um respiro de inovação, de novas tecnologias, de novos formatos de se fazer cerveja no Brasil, utilizando um conhecimento ancestral junto com a tecnologia do século XXI”, comenta.

Visibilidade para as artesanais brasileiras
Gilberto Tarantino, presidente da Abracerva, também esteve presente ao evento na Cervejaria Nacional, celebrou a aceitação do projeto e a união que vem promovendo, além de destacar o ineditismo. Ele enfatiza que o projeto está ajudando a fortalecer o setor da artesanais, pois traz protagonismo e dá visibilidade para as cervejarias participantes.

É um projeto muito gostoso, que une cervejarias do Brasil inteiro. Vamos agregar e aumentar a nossa capacidade de exposição, chamando mais atenção do público e da imprensa. Trazer os concorrentes é adição, não subtração. E eu acredito que todas essas cervejarias que estão participando do projeto compartilham desta mesma opinião

Gilberto Tarantino, presidente da Abracerva

Carola Carvalho espera que o projeto ajude a expor o potencial da cerveja brasileira, com suas características únicas, pelo potencial de explorar elementos da biodiversidade.

“Foi emocionante ver várias cervejarias engajadas, juntas, fazendo uma brassagem coletiva. E com o pessoal que encabeçou o projeto empolgado, se dedicando para mostrar que temos potencial de criar uma escola cervejeira, de mostrar que o nosso terroir é fantástico, é importante através das cervejas selvagens”, afirmou a cientista.

Carola aposta, inclusive, que além das 37 cervejarias envolvidas oficialmente no Manipueira, o projeto também deverá ter a adesão de outras marcas do segmento, em uma iniciativa que vai unir representantes de diferentes regiões. “Sabemos que são quase 40 cervejarias oficiais incluídas no projeto, sem contar os cervejeiros caseiros e outras cervejarias pequenas, artesanais que vão entrar no projeto em paralelo. E você precisa pensar ainda que todas essas cervejarias estão espalhadas pelo Brasil”, destaca.

Veja a lista de cervejarias que já fazem parte do Projeto Manipueira:

3 Orelhas (Gonçalves-MG)
Ade Bier (Castro-PR)
Alem Bier (Flores da Cunha-RS)
Amazon Beer (Manaus-AM)
Armada (São José-SC)
Blumenau/Mestres do Tempo (Blumenau-SC)
Caatinga Rocks (Maceió- AL)
Cabôca (Belém-PA)
Cervejaria Nacional (São Paulo-SP)
Cozalinda (Florianópolis-SC)
Cruls (Brasília-DF)
Devaneio do Velhaco (Porto Alegre-RS)
Donner (Caxias do Sul-RS)
Fermentaria Local (Jarinu-SP)
Graja Beer (São Paulo-SP)
Haus (Blumenau-SC)
Hop Mundi (Natal-RN)
IFSP Cervejaria Escola (Sertãozinho-SP)
Infected Brewing Co (Santos-SP)
Japas (São Paulo-SP)
Kairós (Florianópolis-SC)
Marek (Charqueada-RS)
MinduBier (Lauro de Freitas-BA)
Narcose (Capão da Canoa-RS)
Pestana (São Paulo-SP)
Pineal (Sorocaba-SP)
Prisma (Campo Limpo Paulista-SP)
Proa (Salvador-BA)
Quinta do Belasca (Pinhalzinho-SC)
São Sebastião (Nova Lima-MG)
Sarapó (Novo Airão-AM)
Suricato (Porto Alegre-RS)
Tarantino (São Paulo-SP)
Trilha Cervejaria (São Paulo-SP)
Unika (Rancho Queimado-SC)
Way Beer (São José dos Pinhais-PR)
Zalaz (Paraisópolis-MG)