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Menu Degustação: Iniciativas ao público LGBTQIAP+, Rolê de 20 Conto…

O movimentado junho entra em sua reta final repleto de novas atrações. No mesmo mês em que São Paulo abrigou a Parada do Orgulho LGBT+ com a presença de cerca de 4 milhões de pessoas, o segmento cervejeiro conta com uma série de iniciativas voltadas ao público LGBTQIAP+ ou ligadas à diversidade e inclusão. Uma destas novidades é a de que escolas cervejeiras, em parceria com a Ambev, formarão pessoas trans para trabalhar no mercado de serviço de bares.

Em outra frente, em uma união entre dois gigantes, o GPA fechou uma parceria para que seus produtos sejam vendidos pelo aplicativo BEES, de B2B, da Ambev. E para quem quer só curtir o fim de semana em São Paulo, o Capitão Barley promove evento com limite de preço de R$ 20 para cada 600ml de chope.

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Confira estas e outras novidades do setor no Menu Degustação do Guia:

Oportunidades para trans no mercado de trabalho
Com a meta de formar e incluir mais pessoas trans ao mercado de trabalho, a Academia da Cerveja, da Ambev, se uniu ao Instituto Ceres e à Escola Superior de Cerveja e Malte para oferecer 120 vagas de um curso gratuito de iniciação e capacitação no mercado de serviço de bares e universo cervejeiro. O Programa tFORMA será realizado entre os dias 27 de junho e 6 de julho, oferecendo aulas online, presenciais e ainda uma experiência prática em bares parceiros em São Paulo, Ribeirão Preto, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Petrópolis, Goiânia e Maceió. Gratuito, o curso de capacitação contará com 14 horas, ao longo de sete aulas, e os alunos receberão um certificado ao completá-lo. As inscrições para pessoas trans interessadas podem ser feitas na página da escola da Ambev.

Linn da Quebrada é a nova consultora de diversidade da Ambev
Em outra iniciativa da Ambev voltada à inclusão de pessoas LGBTQIAP+, Lina Pereira foi anunciada a nova consultora de diversidade e inclusão da companhia. Mais conhecida como Linn da Quebrada, a cantora, atriz e compositora foi contratada para apoiar a empresa na ampliação de práticas de inclusão e visibilidade deste público, especialmente da comunidade de trans e travestis. Ela também será uma das embaixadoras do LAGER, grupo de afinidade que discute e implementa ações em prol de pessoas LGBTQIAP+, no qual será incumbida de trazer um olhar direcionado a esse público, ajudando também a proporcionar mais oportunidades para pessoas trans.

Palco Beats assume cachês de artistas trans
Em iniciativa que visa dar mais visibilidade para travestis, pessoas trans binárias e não binárias em palcos espalhados pelo Brasil, a Beats anunciou que vai bancar o cachê de artistas maiores de 25 anos, selecionados em diferentes casas de shows do país. Na ação, chamada de Palco Beats, os locais que desejarem receber artistas trans em seus eventos devem entrar na página @beatsoficial nas redes sociais e preencher um formulário de inscrição. O mesmo vale para artistas, a partir de 25 anos, que podem acessar um outro formulário, voltado para novos talentos. A consultoria Diversity Bbox e o Instituto Ssex Box realizam a curadoria do projeto, idealizado pela agência SOKO, enquanto a Beats pagará o cachê para a realização dos shows.

GPA no BEES da Ambev
O GPA fechou uma parceria para que seus produtos sejam comercializados pelo aplicativo BEES, a plataforma B2B da Ambev. Com isso, quase 1 milhão de pontos de vendas atendidos pelo BEES ao redor do Brasil poderão comprar, de forma simples e ágil, itens de marcas próprias do grupo, como produtos de limpeza, higiene, mercearia e todo o portfólio de vinhos, por exemplo, dentre outros produtos. O GPA passará a ter, até o início do quarto trimestre, uma loja virtual dentro do aplicativo. Hoje o BEES oferece mais de 400 itens na sua plataforma, de 40 indústrias, em diversas categorias, além das bebidas da Ambev.

Reciclagem campeã
Na praia de Saquarema, palco da etapa brasileira do Circuito Mundial de Surfe, o tricampeão e atual campeão do mundo Gabriel Medina, o atual líder do ranking global masculino Filipe Toledo e a estrela do surfe feminino Tatiana Weston-Webb lideraram uma ação de limpeza do local, em ação apoiada pela Corona e realizada em parceria com a ONG Mar Sem Lixo.

Itaipava 100% Malte patrocina o São João de Petrolina
O São João de Petrolina, que foi iniciado no dia 17 e vai até este domingo, está sendo realizado com patrocínio da Itaipava 100% Malte, a cerveja oficial do evento. Com expectativa de receber 700 mil pessoas, a festividade traz diversas ações assinadas pela agência WMcCann, entre elas a ida do jornalista Márcio Canuto como “Correspondente 100%”. O ex-jornalista da TV Globo promove a marca de cerveja no evento dialogando com o público e os artistas. Os cantores Victor Fernandes e Tarcísio do Acordeon foram escolhidos como padrinhos da marca neste São João de Petrolina, que entre esta sexta-feira e domingo terá shows de nomes como Gusttavo Lima e das duplas Chitãozinho e Xororó e César Menotti e Fabiano.

Paulo Vieira é novo apresentador do Arena Brahma
O programa Arena Brahma teve a abertura de sua quarta temporada no último dia 14 e trouxe como principal novidade a presença do humorista Paulo Vieira como apresentador. Com um novo formato, quadros inéditos e muita resenha, o programa é exibido no canal do YouTube da Brahma, tem episódios previstos até o final deste ano e vai ao ar quinzenalmente, sempre às terças-feiras, a partir das 19h. A atração também conta com a participação especial de Xand Avião, cantor e compositor de forró eletrônico.

Brasil Beer Cup com pré-inscrições no fim
O prazo para pré-inscrições na Brasil Beer Cup, com preços promocionais, termina na próxima segunda-feira (dia 27), informa o Instituto Science of Beer, organizador do concurso. Até esta data haverá descontos do valor de cada amostra de cerveja inscrita, sendo que este estágio inicial do processo visa abrir espaço para o maior número possível de cervejarias, independentemente dos seus portes, participar com todo o seu portfólio. Após esse prazo, será aberto o período regulamentar de inscrições, sem preços promocionais.

Novidade da Copa Cervezas de América
A etapa brasileira da Copa Cervezas de América, que será realizada entre os dias 5 e 7 de agosto, em Porto Alegre, terá Guto Procópio, sommelier e mestre em estilos, como responsável por cuidar das cervejas e do seu serviço para os juízes da competição. Formado há mais de 10 anos como sommelier pelo Instituto da Cerveja e à frente do Let´s Beer, bar paulistano na Vila Mariana, desde dezembro de 2012, ele tem vasta experiência como jurado em concursos e vai estrear na função de cellar master. As inscrições para a etapa nacional da competição podem ser feitas no link.

“Rolê de 20 conto” no Capitão Barley
Está marcado para este sábado um dos eventos mais famosos do brewpub Capitão Barley. O preço máximo para os copos de 600ml de chope será de R$ 20, com muitas opções engatadas nas torneiras, com destaque para os recém-lançados Just Smile (American Brown Ale), BR Ale Abacaxi (BR Ale) e Red Dream (Red Ale). Alguns hambúrgueres da casa, com blend exclusivo de carne de Angus, também estarão com preços promocionais. Com entrada gratuita, o bar trabalha com 20 torneiras, servindo chopes da casa, de outras marcas e até drinques, e fica na Rua Cotoxó, 516, na Pompeia, em São Paulo.

Growler e festa junina da Madalena
No clima de São João, a cervejaria Madalena realiza festa junina na fábrica-bar localizada em Santo André, no ABC paulista, desta sexta-feira até domingo. Haverá decoração temática, comidas e bebidas típicas, barracas com brincadeiras, fogueira, correio elegante, banda com música ao vivo para animar a festa e muito mais. Além disso, os clientes também podem saborear diversos estilos de chope premium da marca, como Lager Premium, Bohemian Pilsen, Session IPA, Double IPA, Weiss, Stout, Lager Light, entre outros, nas mais de 25 torneiras da casa. Os ingressos custam R$ 10 sexta e domingo, e R$ 25 no sábado. Já para quem prefere beber em casa, os growlers de 1 litro de chope da Madalena agora estão disponíveis em cinco unidades do Pão de Açúcar em São Paulo.

Festa da Colonus
Na próxima terça-feira (28), véspera do feriado municipal em Petrópolis (RJ), a Cervejaria Colonus vai promover um show da banda River Raid, às 20h, na Villa Colonus (Rua Professor Cardoso Fontes, 108, Castelânea). A banda promete tocar os grandes clássicos do pop rock dos anos 80 e 90. No cardápio especial, novidades da casa para homenagear os colonos: salsichões Schublig Weisswurst e Viena, croquetes de carne com calabresa ou gorgonzola.

Hambúrguer da Odin
No Casarão da Cervejaria Odin, em Petrópolis, toda quinta-feira agora é “Dia do Hambúrguer no Casarão”, batizado de Thor’s Day Thursday (nome dado ao dia do Deus Thor). A ideia da casa é sempre apresentar ao público novidades, com uma versão smash e outra mais bruta de burgers feitos com blends especiais e acompanhamentos diversos.

Krater promove pré-venda de livro com webinars e sorteios
A pré-venda do livro How to Brew segue aberta enquanto o trabalho de tradução, edição e demais etapas da produção da obra continuam. A editora Krater informou que quem adquirir o livro nesta fase de pré-vendas será beneficiado com recompensas exclusivas, como quatro webinars realizados ao vivo com grandes nomes do mercado cervejeiro. Para completar, o autor de How to Brew, John Palmer, gravou uma série de conteúdos comentando alguns temas do livro e estes vídeos serão transmitidos no início de cada webinar. E como fruto de parcerias fechadas com a Cerveja da Casa e a 4Beer, prêmios cervejeiros serão sorteados entre as pessoas que adquirirem a obra na pré-venda.

Gestão cervejeira
A Brewsiness, formada por Erika Rocha e Isabel Melo, está oferecendo consultorias focadas em gestão estratégica para negócios cervejeiros. O trabalho consiste em melhorar as rotinas administrativas, adequação de cardápio e carta de cervejas, ajustar a precificação e proporcionar soluções para problemas operacionais. Tudo com foco em melhorar a experiência de consumo para os clientes, de organização para os colaboradores e de gerenciamento para os donos do negócio.

Cervejeiras se unem e lançam rótulo para celebrar respeito à visibilidade lésbica

Contra a truculência e a violência da polícia, uma demonstração de força, com um grito em favor dos direitos LGBTQIA+. Foi assim que a Revolta de Stonewall, iniciada em 28 de junho de 1969, entrou para a história e deu voz a essa comunidade com uma série de protestos contra a ação realizada em Nova York, nos Estados Unidos, no bar Stonewall.

Naquela época, o relacionamento entre pessoas do mesmo sexo era considerado ilegal, sendo combatido com o emprego da força pelas autoridades. Foi contra isso que os manifestantes que participaram da Revolta de Stonewall protestaram, em um importante marco para o movimento LGBTQIA+, levando junho a ser o mês para se lembrar da luta, do reconhecimento e do orgulho da comunidade. E 28 de junho se tornou o Dia Internacional do Orgulho LGBTQIA+.

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Essa necessidade de demonstração de força também foi o que uniu quatro mulheres: Melissa Miranda, proprietária da cervejaria Corisca, e Miriam Moraes, da Zuraffa, além da cervejeira Thamara Andreatta e da produtora de lúpulo Camila Gross, sócia da Éden Hops.

Juntas e a partir da importante temática que envolve o mês de junho, decidiram criar a cerveja “Do Brejo”, nascida, do desenvolvimento da receita até a sua apresentação, para celebrar o orgulho, o respeito, a visibilidade lésbica, além de exibir a força das mulheres a um mercado ainda dominado pelos homens.

“O desejo de criar um rótulo que pudesse despertar a sociedade para o orgulho e o respeito à diversidade já existia entre as criadoras”, afirma Melissa. “Lançar um rótulo como a ‘Do Brejo’ seria uma forma de mostrar que cerveja artesanal pode ser para todes!”, ressalta.

Depois de se reunirem e decidirem pela criação da “Do Brejo” no mês do Orgulho LGBTQIAP+, a vontade de fazer uma receita com o máximo de mulheres envolvidas era grande. “Foi nesse momento que Camila Gross chegou ao projeto, com seus lúpulos produzidos no Brasil e desenvolvidos por ela mesma”, relata Thamara.

Assim, com o quarteto unido, foi possível tirar do papel essa Session IPA. “A ‘Do Brejo’ chegou para quebrar barreiras e mostrar que mulheres podem, e já fazem, cerveja de muita qualidade”, pontua Miriam.

Em sua visão, lançar rótulos como a “Do Brejo” é importante para que o público LGBTQIAP+ se reconheça no setor e veja que a cerveja artesanal não é algo destinado apenas a um público específico. “Eles podem consumir esse produto sabendo que ali tem pertencimento e representatividade na produção”, diz Miriam.

Para as envolvidas na concepção do rótulo, o meio cervejeiro é um reflexo da sociedade, inserida em um contexto cis-heteronormativo. “Já presenciamos episódios graves de machismo entre cervejeiros e existem poucas políticas de inclusão LGBTQIAP+. Por consequência, isso faz com que o público que consome cervejas artesanais seja, em sua maioria, cis-heteronormativo”, completa Miriam.

Tamara pontua, ainda, que o mercado cervejeiro, em sua maioria, ignora o público LGBTQIAP+, sendo dominado por homens héteros e de classe média. E há pouco espaço para a diversidade, inclusive para quem deseja empreender.

“O mercado ainda vê o movimento cervejeiro artesanal como hobby, faltando incentivo fiscal e fomento ao empreendedorismo fora do nicho. Toda diversidade é pouco valorizada dentro do mercado do meio cervejeiro, favorecendo a exclusão da diversidade. E quando falo da diversidade não se trata apenas do público LGBTQIAP+, mas da população periférica, negra, feminina…”, destaca.

As criadoras da “Do Brejo” ponderam que o rótulo, embora criado pensando no público LGBTQIAP+, é uma cerveja feita para todos. Ela foi lançada no último sábado (18) na Zuraffa, também sendo vista como uma celebração à Parada do Orgulho LGBTQIAP+, que voltou a ocorrer após dois anos.

“Acreditamos que a cerveja é agregadora e que grandes ideias podem surgir em torno da mesa ou no balcão do bar. Mostrar que o mundo cervejeiro pode ser um espaço acolhedor e seguro para a mulher, lésbica ou hétero, cis ou trans, que quer criar, produzir ou apenas experimentar e se deliciar com uma boa cerveja artesanal é o nosso maior objetivo”, finalizam as criadoras da “Do Brejo”.

Macroeconomia desafia retomada do setor cervejeiro em nova fase, aponta startup

O avanço da vacinação e o fim de medidas restritivas adotadas desde o início da pandemia do coronavírus trouxeram expectativas positivas para uma retomada do segmento de cervejas artesanais, mas ainda há problemas a serem superados para “virar a página” da crise. Afinal, ao mesmo tempo em que lutam para alavancar um período de mais bonança, as empresas ainda lidam com efeitos do passado e novos desafios.

Certo mesmo é que o cenário se modificou, com o consumidor voltando às ruas, bares e restaurantes. “A gente percebe muito isso, principalmente pelo volume de chope que é vendido. As pessoas estão na rua com um cenário completamente diferente do que a gente enxergou até o final do ano passado”, afirma Roberto Lazaro, um dos sócio-fundadores da Bevfy.

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A startup Bevfy está há pouco mais de um ano no mercado, com uma plataforma que busca descomplicar os processos de compra e venda de bebidas, permitindo aos donos de um estabelecimento a aquisição de rótulos direto dos fabricantes e distribuidores. Assim, ao fazer essa “ponte”, a empresa tem percebido um mercado modificado no segundo trimestre de 2022.

Lazaro lembra, porém, das sequelas da pandemia, com muitos estabelecimentos parceiros ainda tendo dívidas a pagar. “Praticamente todos os pontos de venda do mercado têm mais contas para pagar como consequência dos empréstimos que tiverem de fazer. Então, tem muita empresa com caixa baixo, o que acaba afetando a gente diretamente, com mais atraso nos nossos pagamentos”, diz.

Assim, até com a intenção de deixar para trás essas sequelas, as empresas vêm buscando acelerar a reação. “Nesse momento de retomada, está todo mundo procurando alternativas para tentar recuperar as perdas ou recuperar o que deixou de ganhar nestes últimos dois anos”, conta Carlos Lima, também sócio-fundador da Bevfy.

O problema, porém, está na força que o consumidor terá para voltar a comprar cervejas artesanais. A inflação oficial, que fechou o período de 12 meses encerrado em maio em 11,73%, de acordo com o IBGE, é um dos obstáculos, que se soma a problemas vistos no cenário externo e que impactam no preço dos insumos, como o conflito na Ucrânia. “A cadeia de suprimentos está toda abalada, com alta da inflação, alta de combustível…”, lamenta Lima.

O profissional da Bevfy também aponta que tudo acaba se transformando em perda do poder de compra do consumidor. “O maior impacto é no poder de compra do consumidor que com essa queda tende, obviamente, a deixar de gastar uma parcela do dinheiro em algumas coisas. E a bebida artesanal e o segmento de serviços podem ser impactados por essa retração”, destaca.

Assim, mesmo que não lide prioritariamente com o consumidor final, a Bevfy acaba sentindo o impacto provocado por esse público em seus parceiros. “É o consumidor quem efetivamente gera a demanda e tem essa retração em função da inflação. Obviamente, com a inflação, os produtos acabam chegando mais caros não só às gôndolas, mas também no balcão do bar”, conclui Lima, apontando o difícil equilíbrio que as empresas do setor cervejeiro precisam alcançar para efetivar a retomada.

40 maiores cervejarias venderam 80 milhões de hectolitros a mais em 2021

O mercado mundial de cervejas apresentou ligeira recuperação em 2021, segundo ano da pandemia do coronavírus. De acordo com levantamento do BarthHaas Group, as 40 maiores cervejarias venderam, combinadas, cerca de 80 milhões de hectolitros a mais do que em 2020.

Essa alta, porém, não compensou completamente as perdas do primeiro ano da crise sanitária, quando o recuo havia sido de 94 milhões de hectolitros em relação a 2019. Assim, ficaram faltando 14 milhões de hectolitros de cerveja para que as vendas de 2021 atingissem os níveis pré-pandemia.

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De qualquer forma, de acordo com o levantamento anual do BarthHaas Group, a produção de 1,699 bilhão de hectolitros em 2021 representou expansão de 4,9% em relação a 2020. E essa produção é liderada pelos 4 principais grupos cervejeiros do mundo, AB InBev, Heineken, Carlsberg e a chinesa Snow Breweries, que respondem por 61% do que é fabricado pelas 40 maiores companhias. Além disso, apenas a AB InBev, com 581,7 milhões de hectolitros, é responsável por 34% deste volume.  

Apesar da recuperação registrada pelo mercado cervejeiro em 2021, há ainda marcas que tiveram novos recuos nas produções no ano passado, especialmente em países da Europa Ocidental. Na Alemanha, por exemplo, 5 das 7 cervejarias listadas entre as 40 maiores apresentaram perdas, com a redução mais expressiva sendo do Bitburger Braugruppe, de 15,3%.

As principais altas, por sua vez, foram da espanhola Estrella Galícia, de 27,9%, a da chilena Compañía de las Cervecerías Unidas, a CCU, de 23,0%, na comparação entre 2020 e 2021. Única cervejaria brasileira presente na lista do Bart Haas Group, o Grupo Petrópolis teve queda de 4,8% na sua produção, de 31,0 milhões de hectolitros para 29,5 milhões de hectolitros no ano passado.

O relatório da empresa de lúpulos também destaca como 2021 foi um ano de alterações no mercado por causa de fusões e aquisições, assim como de consolidação de participações minoritárias. A Heineken, por exemplo, adquiriu uma participação majoritária na United Breweries, na Índia, listada como a 23ª maior cervejaria do mundo, e passou a controlar a Namibia Breweries ao assumir o Distell Group. Já a Kirin/Lion ganhou peso no segmento de artesanais ao adquirir a Bell’s Brewing, assim como a New Belgium Brewing.

Confira a lista das 40 maiores cervejarias do mundo de acordo com o BarthHaas Report 2021/2022 e como a produção variou de 2020 para o ano passado:

Cerveja artesanal precisa de menos tributos para ficar mais barata, avaliam especialistas

Em meio a um cenário de alta dos custos de produção, provocado principalmente pelo aumento dos valores das matérias-primas e dos insumos importados, assim como pela inflação, a cerveja artesanal ficou com o preço ainda mais elevado no Brasil. Especialistas ouvidos pelo Guia alertam, porém, que o problema tem menor ligação com a atual conjuntura, estando mais relacionado com a alta carga tributária que incide sobre as pequenas empresas do setor.

Em nova matéria sobre preço e custos da cerveja, após a anterior debater se a bebida está com um valor médio acessível à população, profissionais apontam que o caminho para o rótulo artesanal se tornar mais competitivo passa pela redução da carga de impostos que incide sobre o produto, geralmente fabricado com insumos mais caros do que os das grandes marcas.

Presidente da Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva), Gilberto Tarantino ressalta a necessidade de a tributação ser menos severa com os produtores de rótulos especiais, destacando que o índice de taxação sobre os fabricantes de artesanais está em 56%.

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“Entendemos que o ideal e mais justo seria que os impostos fossem proporcionais ao volume de produção. De imediato, uma luta na qual nós da Abracerva estamos envolvidos é pela ampliação do limite do Simples (Nacional), o que daria a possibilidade de as cervejarias ganharem escala sem serem obrigadas a sair do regime tributário simplificado”, diz.

A desejada redução da carga tributária teria impacto direto sobre o preço das cervejas artesanais, as tornando mais competitivas em relação, inclusive, a aquelas produzidas pelas grandes marcas, na visão de Luís Celso Jr., sommelier e fundador do Bar do Celso. E, para referendar seu raciocínio, cita o exemplo dos Estados Unidos.  

 “A gente fala do mercado americano como se ele tivesse desenvolvido a cerveja artesanal do nada e feito muito sucesso. E isso não é verdade. Se a gente estuda a história do renascimento da cerveja artesanal nos Estados Unidos, vê-se que no começo dos anos 1980 houve uma lei de isenção de impostos para microcervejarias, que foi ampliada no começo dos anos 1990, e favoreceu muito o mercado de cerveja artesanal. E aí esse mercado bombou e disparou”, diz.

Com visão semelhante, Roberto Kanter, professor de cursos de MBA da Fundação Getúlio Vargas (FGV), que é especialista em varejo, comportamento do consumidor, tendências de mercado e marketing, defende a participação ativa do estado no fomento ao pequeno produtor, com a oferta de vantagens tributárias pelas gestões públicas. “Uma questão que poderia ser trabalhada é um fortalecimento das pequenas empresas locais através de subsídios e vantagens tributárias para que elas consigam equiparar um pouco mais os preços praticados”, afirma o professor da FGV.

Insumos também pesam mais
Mas, claro, não são apenas os impostos que afetam as microcervejarias. Afinal, há a avaliação de que a alta dos custos provoca impacto maior sobre as marcas artesanais, também causando mais oscilação nos preços do produto final.  

Se sobe o preço da cerveja porque subiram os custos e a matéria-prima, quer dizer que para o produtor de cerveja artesanal também subiu. E o produtor de artesanal utiliza muito mais desses produtos, tem uma capacidade de compra muito menor, porque ele adquire em menores volumes e acaba pagando mais caro por não conseguir negociar os preços

Luís Celso Jr., sommelier e fundador do Bar do Celso

Para Kanter, também é natural que a cerveja artesanal seja mais cara do que a tradicional, por causa dos ingredientes utilizados e volume produzido. “Tecnicamente, as cervejas artesanais possuem insumos diferenciados, que são mais caros do que os utilizados nas cervejas mainstream. Elas também possuem volumes muito menores de produção, o que impacta em um custo de produção maior, e consequentemente um preço para o consumidor também maior”, acrescenta.

Na visão de Celso, para minimizar esse impacto, as cervejarias artesanais devem buscar alternativas para reduzir os custos de produção, o que grupos como a CBCA, que agrega 4 marcas no Brasil e uma para o mercado externo, podem ter mais facilidade, em uma negociação pelos preços dos insumos.

“Na medida em que artesanais vão crescendo e surgem, por exemplo, grupos de cervejas artesanais, como a CBCA, eles conseguem negociar preços melhores em relação aos fornecedores de matéria-prima, diminuindo seus custos e, possivelmente, reduzindo o preço das suas cervejas”, diz o especialista.

E a macroeconomia?
O contexto econômico, aliás, impacta não apenas nos custos produtivos, mas na busca do produto pelo consumidor. Recentemente, o IBGE revelou que o rendimento real habitual recebido pelos trabalhadores fechou o trimestre encerrado em abril em R$ 2.569, um recuo de 7,9% em relação ao mesmo período de 2021. E, claro, essa queda do poder aquisitivo de grande parte da população também impacta o mercado de cervejas artesanais, tornando os seus rótulos ainda mais inacessíveis.

“O grande limitante do consumo da cerveja artesanal é a renda. Se houver aumento de renda, haverá com certeza um aumento no consumo”, enfatiza Kanter.

Ao mesmo tempo em que cita o êxito da cerveja artesanal nos Estados Unidos como um bom exemplo, em função dos incentivos fiscais recebidos por lá, Celso pondera que a realidade econômica brasileira impõe outros desafios, que vão muito além da moeda desvalorizada.

 “Sempre falamos que estamos atrasados em relação aos Estados Unidos há alguns anos, que passaríamos pela mesma revolução que eles passaram em termos de cerveja artesanal, mas isso sem considerar obviamente o fato de sermos um país subdesenvolvido, com os problemas que temos aqui”, opina.

Também proprietário da Tarantino, o presidente da Abracerva ainda avalia que o consumidor pode ter a percepção de que o produto artesanal é caro em função da comparação com o preço da cerveja produzida pela grande indústria.

“Para formar sua percepção de valor sobre um produto, o consumidor pode utilizar várias referências. Uma delas é comparar preços, mesmo que sejam produtos de categorias muito distintas. E isso acaba acontecendo também no mercado de cervejas. Então, de alguma forma, um preço menor de cervejas mainstream pode impactar o mercado de artesanais, ainda que sejam produtos bem diferentes na experiência que entregam ao consumidor”, analisa.

Para mudar essa percepção, Kanter pondera que o crescimento econômico pode até facilitar a penetração das cervejas artesanais. Mas destaca que isso só irá se consolidar com mudanças nos hábitos culturais e de consumo do público.

O grande trabalho que deve ser feito é o desenvolvimento do mercado consumidor, através de cultura e conhecimento. Com isso o consumo do brasileiro será cada vez mais desenvolvido, com produtos de maior complexidade e diversidade. Neste cenário, as cervejarias artesanais tendem a expandir e aumentar seus volumes, conseguindo, assim, uma redução no custo de produção e no preço ao consumidor final

Roberto Kanter, professor de cursos de MBA da FGV

Com Uçá, de Aracaju, Brasil leva só um ouro em concurso cervejeiro no México

Após 3 anos sem ser realizado, o concurso Aro Rojo reuniu cervejarias do México e de todo o mundo na cidade de Tampico e entregou 13 medalhas para marcas brasileiras. O principal destaque do País foi a Uçá, de Aracaju, no Sergipe, eleita a melhor cervejaria do Brasil entre as participantes.

A Valeime, também da Uçá, acabou sendo escolhida a melhor cerveja do País no Aro Rojo, tendo recebido a única medalha de ouro para um rótulo nacional nesta edição do concurso, no estilo Mixed-Fermentation Sour Beer.

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Outros destaques do Brasil nesta edição do Aro Rojo foram a ØL Beer, que ganhou duas pratas, com uma Belgian IPA e uma Witbier, e a Blumenau, que faturou três medalhas, sendo uma de prata, com uma Lambic, e duas de bronze, nas categorias Belgian Blonde Ale e Spice, Herb, or Vegetable Beer.

No total, o Brasil conquistou 13 medalhas com suas cervejas, sendo uma de ouro, cinco de prata e sete de bronze. É um resultado aquém dos obtidos nas duas edições anteriores do Aro Rojo. Em 2018, foram 21 medalhas, sendo 4 de ouro. Já em 2019, o País faturou 33 medalhas, sendo 13 delas douradas.

Entre os destaques internacionais da premiação, a Rorrito, da Cervecería Icono, do México, foi eleita a Best of Show do concurso. Já o prêmio de melhor cervejaria da competição acabou ficando com a Kraken, da Argentina, e a Cardera, do México.

Concurso para caseiros
A edição de 2022 do Aro Rojo também premiou cervejeiros caseiros. E a cerveja Best of Show foi de um brasileiro, a Bella – I Lupi, de André Mendes Piol, do estilo Specialty Wood-Aged Beer. Nessa mesma categoria, a RIS Mexican, de Cleberton José Pereira, conquistou a medalha de ouro.

Confira quais foram as cervejarias brasileiras premiadas no Aro Rojo:

Melhor Cervejaria do Brasil
Cervejaria Uçá

Melhor cerveja do Brasil
Valeime – Uçá

Ouro
Uçá – Valeime – Mixed-Fermentation Sour Beer

Prata
ØL Beer – Thor Belgian IPA – Belgian IPA
Cervejaria Denker – Denker Catharina Sour – Catharina Sour
Cruls – Catharina Sour Limão e Cúrcuma – Fruit and Spice Beer
Cerveja Blumenau – Mestres do Tempo Lambic #2 – Lambic
ØL Beer – Odin Witbier – Witbier

Bronze
Blumenau – Blumenau Frida Blond Ale – Belgian Blond Ale
Daoravida – Daoravida Tamaru – Fruit and Spice Beer
Brew Center – St. Patrick’s Old Ale – Old Ale
Königs Bier – Königs Defumada – Rauchbier
Blumenau – Blumenau Macuca Pé-de-Moleque – Spice, Herb or Vegetable Beer
Ashby – Ashby Weiss – Weizenbock
Masterpiece – Van Gogh – Wild Specialty Beer

Cervejeiros caseiros
Best of Show – Bella – I Lupi – André Mendes Piol

Ouro
RIS Mexican – Cleberton José Pereira – Specialty Wood-Aged Beer

Prata
Bella – I Lupi – André Mendes Piol – Specialty Wood-Aged Beer

Bronze
Andanzas – Amazônia – Chico Milani – Catharina Sour

Lagunitas anuncia expansão para Centro-Oeste, Nordeste e Sul e lança versão em lata

A Lagunitas expandiu a sua presença no mercado brasileiro e os formatos em que é disponibilizada. A renomada IPA da Califórnia, antes concentrada no Sudeste, agora também poderá ser encontrada nas regiões Sul, Centro-Oeste e Nordeste. Além disso, além da long neck de 355ml, a Lagunitas também está sendo disponibilizada em lata de 350ml.  

De acordo com Lucas Pires Barbosa, gerente de marketing da Lagunitas no Brasil, a expansão está relacionada com o bom desempenho alcançado pela marca desde a sua chegada ao País, em 2019. Nos comentários do balanço financeiro de 2021, o Grupo Heineken relatou crescimento acima de 10% nas vendas do produto no País no ano passado. Além disso, a Lagunitas decidiu acompanhar um movimento de mercado das marcas artesanais, que cada vez mais têm sido lançadas em lata.

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“Entendemos que essa expansão é algo natural para a marca, já que, desde sua chegada ao Brasil em 2019, a IPA sempre foi muito bem aceita e querida pelos brasileiros, conquistando um público fiel por meio de suas ações e irreverência. Ao mesmo tempo, o mercado de cervejas artesanais em lata tem ganhado relevância e decidimos proporcionar mais poder de escolha para os nossos consumidores, dando a eles a opção da IPA mais amada em uma nova embalagem”, afirma o gerente de marketing da Lagunitas no Brasil.

Com a intenção de chamar a atenção do público para sua expansão de formato e mercado, a Lagunitas criou uma ação publicitária em que reforça a sua proximidade da causa cachorreira ao lançar uma campanha em que o seu “cãodidato” promete levar a IPA para mais regiões brasileiras e a lançá-la em lata se os consumidores votarem nele por meio das redes sociais.

“Lagunitas é uma marca irreverente, conhecida por utilizar da criatividade para transmitir seus valores, apoiar os doguinhos e reforçar sua origem californiana. A cãodidatura é parte deste racional, já que é uma forma diferente e divertida de anunciar as novidades da marca para os consumidores brasileiros”, conclui Lucas.

Com mercado de growlers aquecido, Meu Garrafão aposta na personalização

Os growlers, especialmente em PET, ganharam protagonismo durante a pandemia da Covid-19 no Brasil, seja pelo seu baixo custo ou pela facilidade de transporte. Essa alteração no comportamento do consumidor se refletiu na mudança de envase de bebidas e no surgimento de novas preferências de embalagens, que vieram para ficar. No momento atual, com um novo estágio da crise sanitária, as marcas precisam buscar alternativas para se destacarem diante da concorrência.

No auge da pandemia, as cervejarias utilizaram amplamente esse tipo de recipiente para fazer delivery de suas cervejas. Agora, percebem como esse tipo de embalagem pode ser uma aliada do serviço de take-away, com bares e pubs oferecendo o envase em growlers PET para o cliente levar a cerveja fresca para sua casa.

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“O growler PET é uma ótima opção de envase para cervejas, pois tem custo baixo, fácil personalização e a logística da cerveja envasada é menos onerosa para a cervejaria. E não há risco de quebra do recipiente quando há o contato de uma garrafa com a outra”, comenta Helton Aguiar, diretor da Meu Garrafão.

O profissional destaca os benefícios da adoção da personalização nos growlers PET, citando que a ação deve gerar uma propaganda espontânea para as marcas, através do próprio consumidor. “Atualmente, o cliente que prova uma cerveja artesanal fresca quer demonstrar em suas redes sociais a satisfação de saborear esse líquido preparado com tanto cuidado. E quando o growler PET é feito com uma boa apresentação, ou seja, personalizado com a marca da cervejaria, o cliente vai postar essa garrafa diferenciada aos seus amigos, fazendo, desta forma, uma bem-vinda propaganda gratuita da cervejaria”, explica.

Além disso, o diretor da Meu Garrafão avalia que o produtor personalizado traz mais satisfação ao consumidor, que sente estar tendo acesso a um produto de qualidade e com preço justo. “Queremos que o cliente tenha alegria em receber um growler bonito, com informações da cerveja, da cervejaria, onde encontrar a cervejaria nas redes sociais etc”, pontua.

De acordo com Aguiar, a procura pelos growlers personalizados tem sido satisfatória, também influenciada pela promoção em que a cervejaria pode adotar esse tipo de funcionalidade de modo gratuito no seu primeiro pedido junto à Meu Garrafão. “Nós temos uma linha industrial de produção de growlers PET voltado ao mercado cervejeiro. E iniciamos a pouco tempo a personalização dos growlers PET no sistema de serigrafia diretamente na garrafa”, comenta.

Localizada na região metropolitana de Curitiba, a Meu Garrafão também atende o público cervejeiro com growlers de vidro personalizados, importação e personalização de growlers de inox, além de serviços de venda e personalização de copos de vidro.

Balcão do Profano Graal: A longa história da produção de lúpulo no Brasil

Balcão do Profano Graal: A longa história da produção de lúpulo no Brasil

Em junho, se comemorou o Dia da Cerveja Brasileira (dia 5). Uma justa homenagem à bebida alcoólica preferida dos brasileiros e para aqueles que se dedicam a produzi-la. Porém, apesar de ser hoje o terceiro maior fabricante de cerveja do mundo (ficando atrás apenas de China e Estados Unidos), o Brasil ainda depende, quase totalmente, da importação de dois dos principais insumos para a sua produção: o malte e o lúpulo. 

Notícias recentes chamam a atenção para o crescimento do cultivo de lúpulo no Brasil nos últimos anos, com expansão de cerca de 110% na área plantada em 2020, algo que, até pouco tempo atrás, era considerado impossível, uma vez que a planta tem demandas específicas, como a necessidade de 17 horas de luz solar durante a sua floração. Porém, o cultivo de lúpulo em terras brasileiras é prática muito mais antiga do que se pensa.

Como aponta pesquisa de Daniel Taveira Oberlaender, há registros de cultivo no Rio Grande do Sul desde a segunda metade do século XIX, na colônia de São Lourenço, por Curt August Adolf Wilhelm Ernst von Steinberg, barão de Hannover (1846-1893). A edição de 1909 do Almanak Literário e Estatísticos do Rio Grande do Sul traz um breve histórico da fundação da Colônia de São Lourenço, extraído das notas de Jacob Rheingantz (1817-1877), um dos seus fundadores, escritas em maio de 1867. Já no final do texto de 1909, escrito por Carlos Guilherme Rheingantz (1849-1909), filho mais velho de Jacob e sucessor do pai na administração da colônia, ao se referir ao estado atual da agricultura na colônia, o autor afirma:

“Seja-me lícito mencionar ainda os ensaios feitos na cultura do lúpulo, cuja exploração, na colônia, poderá ser, futuramente, fonte de grande receita. Foi o meu cunhado, o falecido barão Curt von Steinberg, quem a encetou, obtendo produtos muito bem aceitos. A análise das amostras, feitas no laboratório do Imperial Instituto de Agricultura pelo químico Otto Linger, mostrou serem plantas riquíssimas em substâncias amargas. Em 1.000 gramas acharam-se 26,5 gramas de substância amarga solúvel em água, 3,5 gramas de resina amarga solúvel em álcool e 6 centigramas de óleo etéreo aromático. Depois da morte de meu cunhado não houve, infelizmente, quem se interessasse pelo plantio dessa útil urticácia [sic] que, como já se disse, poderia constituir mais um elemento de prosperidade para a colônia” (RHEINGANTZ, 1909, p. 156).

Curt August Adolf Wilhen von Steinberg emigrou para o Brasil por motivos desconhecidos, casando-se em 1878 com Theresa Guilhermina Rheingantz (1851-1932), segunda filha de Jacob Rheingratz. Morreu precocemente, aos 47 anos, e sem deixar filhos. Com a sua morte, termina também a experiência de plantio de lúpulo em São Leopoldo. Ainda não é possível saber em que ano von Steinberg iniciou o seu cultivo, mas a análise química do seu lúpulo a que Rheingantz faz referência no seu texto, feita pelo doutor Otto Linger, responsável pelo laboratório de química do Imperial Instituto Fluminense de Agricultura, foi publicada na edição de 1885 da revista do instituto.

Aliás, já na sua primeira edição, publicada em 1869, a Revista Agrícola do Imperial Instituto Fluminense de Agricultura traz uma nota de pouco mais de uma página sobre a introdução do lúpulo no Rio de Janeiro, feita pelo Comendador Antonio José Gomes Pereira Bastos (1828-1914). A nota informa que Pereira Bastos era proprietário “de uma importante fábrica de cerveja nesta cidade”. Como nos informa o Almanak Laemmert, Pereira Bastos era, desde o ano 1860, proprietário da Imperial Fábrica de Cerveja Nacional, criada cinco anos antes por Alexandre Maria Villasboas, localizada na Rua de Matacavallos, número 27. Informa a nota que, Pereira Bastos:

Desejando criar mais uma fonte de riqueza na agricultura do País, mandou vir de Alost (Bélgica) mil pés em estacas de lúpulo, que chegaram a esta cidade em abril do ano próximo passado, na galera Petropolis, do Havre. Estas mudas foram ofertadas ao Ministério da Agricultura para serem distribuídas por diversas colônias. Infelizmente, esse primeiro ensaio não foi coroado de resultados vantajosos, porquanto, dessas mudas poucas lograram vingar

Revista Agrícola do Imperial Instituto Fluminense de Agricultura, 1869, p. 58

Pereira Bastos, porém, não se deixou abater pelo fracasso dessa primeira tentativa, feita em 1868. Encomendando a seus correspondentes em Paris, em dezembro do mesmo ano, mais 3 mil pés de lúpulos de origem variada, que chegaram ao Brasil no ano seguinte. Essas 3000 mudas teriam sido distribuídas pelo Ministério da Agricultura, pelo Imperial Instituto Fluminense de Agricultura e pela Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional a vários lavradores, tendo sido plantadas também no Jardim Botânico do Rio de Janeiro e na chácara do próprio Pereira Bastos, localizada na Rua do Riachuelo 27 (cerca de 50 pés). Ou seja, na própria cervejaria, “onde grande número deles estão bem desenvolvidos”. (Revista Agrícola do Imperial Instituto Fluminense de Agricultura, 1869, p. 58)

A revista do Imperial Instituto Fluminense de Agricultura voltaria a abrir espaço para falar do cultivo do lúpulo em outras duas ocasiões. Na edição número 2, de 1877, se publicou uma História Natural do Lúpulo, texto sem autor, de 4 páginas, na seção Noticiário Agrícola. E, por fim, a seção Agricultura Prática, da edição de 1885 da mesma revista, escrita pelo engenheiro agrônomo Luiz Caminhoá traz as informações necessárias para aqueles que resolvessem se aventurar na cultura da planta como tipo de solo, modo de fazer a plantação, como combater as principais pragas, momento da colheita etc. A mesma edição traz ainda a já citada análise do lúpulo da colônia de São Leopoldo, feita por Otto Linger.

A recorrência do tema naquela que talvez fosse a principal revista de agricultura e botânica do País só mostra que a cultura do lúpulo era considerada importante recurso natural a ser explorado no Brasil no século XIX. Contudo, não se sabe que fim levou a cultura de lúpulo de Pereira Bastos. E, segundo o texto de Carlos Guilherme Rheingantz, em 1909 o lúpulo era ainda uma promessa. Parece ter havido ainda uma breve experiência na região de Nova Petrópolis (RS) em 1953, com mudas levadas por um imigrante alemão.

Mas o fato é que a cultura do lúpulo praticamente desapareceu no Brasil ao longo do século XX, a ponto de ser considerada impossível, como falei no início desse texto, voltando a ganhar força apenas recentemente. Vamos torcer para que, dessa vez, o seu cultivo tenha melhor sorte, tornando-se até mesmo, quem sabe, o primeiro passo para a formação de uma escola brasileira de cervejas.  


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

Área plantada de lúpulo cresce 110% no Brasil impulsionada pelas cervejas artesanais. Site Globo Rural. 06/08/2021. Disponível em: Área plantada de lúpulo cresce 110% no Brasil impulsionada pelas cervejas artesanais – Revista Globo Rural | Agricultura

BAIERLE, Rodrigo. Cultivo de lúpulo no Brasil, história e perspectivas. Brew Blog Lamas Brew Shop. 14 de julho de 2020. Disponível em: Cultivo de Lúpulo no Brasil, história e perspectivas – Blog Lamas (lamasbrewshop.com.br)

CAMINHOÁ, Luiz. Agricultura prática – A cultura do lúpulo. Revista Agrícola do Imperial Instituto Fluminense de Agricultura. Rio de Janeiro: Typographia do Imperial Instituto Artístico, volume décimo sexto, nº 1, março de 1885, p. 37-42.

CEOLA, Duan. Lúpulo no Brasil: em que pé está o cultivo da planta no país. Escola Superior de Cerveja e Malte. 18/05/2021. Disponível em: O Lúpulo no Brasil: em que pé está o cultivo da planta no país (cervejaemalte.com.br)

CHAVES, Ricardo. O barão alemão que trocou a realeza pelo rio Grande do sul. GZH Almanaque. Disponível em: O barão alemão que trocou a realeza pelo Rio Grande do Sul | GZH (clicrbs.com.br)

Introdução do lúpulo no Rio de Janeiro pelo Sr. Comendador Antonio José Gomes Pereira Bastos. Revista Agrícola do Imperial Instituto Fluminense de Agricultura. Rio de Janeiro: Typographia do Imperial Instituto Artístico, nº 1, Setembro de 1869, p. 57-59.

LINGER, Otto. Chimica Analyptica – Lúpulo da colônia de São Lourenço no Rio Grande do Sul. Revista Agrícola do Imperial Instituto Fluminense de Agricultura. Rio de Janeiro: Typographia do Imperial Instituto Artístico, volume décimo sexto, nº 1, março de 1885, p. 160.

Noticiário agrícola – o lúpulo. Revista Agrícola do Imperial Instituto Fluminense de Agricultura. Rio de Janeiro: Typographia do Imperial Instituto Artístico, volume oitavo, nº 2, Junho de 1877, p. 61-65.

RHEINGANTZ, Carlos Guilherme. Colônia de S. Lourenço – Breve histórico de sua fundação, extraído das notas do arquivo de seu fundador Jacob Rheingantz. Almanak Literario e Estatistico do Rio Grande do Sul. Pelotas, Rio Grande e Porto Alegre, 1909, p. 143-164.


Sérgio Barra é carioca, historiador, sommelier e administra o perfil Profano Graal no Instagram e no Facebook, onde debate a cerveja e a História.

Há quase 2 anos no Brasil, Pabst inicia nova fase com introdução a bares

Considerada um dos ícones do setor cervejeiro norte-americano, a Pabst Blue Ribbon chegou ao Brasil em agosto de 2020 e agora, quase dois anos depois, inicia uma nova fase, com sua introdução a bares e restaurantes.

De acordo com a marca, esse processo tem se dado de modo gradativo, “com foco em excelência e não em velocidade”, com a Pabst tendo confeccionado milhares de materiais para que o movimento se torne mais perceptível pelo público.  

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“Queremos bares com o estilo Pabst, com nossa pegada. Não apenas vendendo nossa cerveja”, pontua o diretor de criação da marca, Thiago Lima. “Estamos com baldes, copos, neons, geladeiras… Viemos para deixar nossa marca clara ao consumidor que procura por uma cerveja excelente e de fácil consumo”, acrescenta.

A introdução a bares e restaurantes representa a segunda etapa de um planejamento estruturado da marca norte-americana, que tem sua produção e a distribuição sendo realizada pela NewAge, uma indústria de bebidas localizada na cidade de Leme, no interior de São Paulo.

A Pabst primeiro apostou, na sua chegada ao Brasil, no “off-premise” (supermercados), agora caminhando para o mercado on-premise (bares e restaurantes). “Trabalhar com bares e restaurantes é a maneira ideal de mostrar ao consumidor que a Pabst Blue Ribbon faz parte de seu cotidiano. Globalmente falando, o mercado off-premise corresponde a 40% do faturamento da marca, logo, é de grande interesse entrar corretamente nesta frente aqui no Brasil”, afirma o diretor de criação da Pabst.

Assim como aconteceu em sua chegada ao Brasil, em 2020, o foco da Pabst será o estado de São Paulo, especialmente a capital. E haverá mais atenção a bares agitados e festivos, com música, nessa introdução. “A Pabst Blue Ribbon faz parte da celebração destes momentos especiais e, exatamente por isso, queremos estar em bares que proporcionem tais experiências”, justifica Lima.

A marca também espera causar “impacto total” no consumidor, apostando na curiosidade provocado por novidades. Até por isso, a Pabst garante ter caprichado na preparação do enxoval para os estabelecimentos, com neon, baldes, copos, aventais e porta-copos. E confia no drinkability para conquistar o consumidor com sua long neck e seu chope, disponibilizado para bares em versões que vão do growler de 2 litros chegando aos 50 litros para locais onde as vendas acontecem em “tambores”.

“A Pabst vai muito bem com bares, pois nossa cerveja não causa a sensação de empapuçado. Entregamos agora a oportunidade de conhecimento da marca ‘outside to inside’. O consumidor vive a experiência da marca e, logo, então, pode procurar em supermercados para seguir comprando ‘in-home’”, conclui o diretor de criação.