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Ambev fecha parceria para testar produção de lúpulo em fazenda vertical em SP

A Ambev vai produzir lúpulo em uma fazenda vertical na cidade de São Paulo. A iniciativa, inovadora, foi anunciada pela companhia, que a viabilizou a partir de uma parceria com a 100% Livre, uma startup com expertise em agricultura nesse tipo de ambiente.

A novidade será testada a partir de um acordo entre o Projeto Fazenda Santa Catarina, da Ambev, de fomento ao cultivo do lúpulo, e a 100% Livre, com a realização de experimentos e em ambiente fechado e controlado em São Paulo através da técnica de hidroponia.

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Especializada na agricultura em fazenda vertical, onde busca produzir frutas, verduras e flores mais saudáveis, saborosas, livres de agrotóxicos e de maneira mais sustentável, a 100% Livre já testa quatro cultivares diferentes do lúpulo. As informações, inclusive, são inicialmente positivas: das variedades testadas, uma que não havia se adaptado ao cultivo a céu aberto, apresentou resultados positivos em ambiente fechado.

Agora, então, com o uso das tecnologias do seu laboratório Sprout Labs, a 100% Livre passa a ter o apoio da Ambev para fazer esses testes. “Com a nossa tecnologia e expertise, vamos agora aprofundar e estudar a viabilidade técnica e econômica, junto com a área de pesquisa e desenvolvimento da Ambev, para desenvolver o lúpulo nacional em ambiente controlado”, afirma Diego Gomes, CEO e sócio fundador da 100% Livre. “Se o propósito da parceria for alcançado, poderemos produzir toneladas de lúpulo indoor.”

O cultivo do lúpulo terá diferenças com o que se faz nas hortaliças da fazenda vertical da 100% Livre. Isso não se dará em prateleiras, mas em andares de 5 metros de altura com o intuito de conseguir trabalhar verticalmente, em um formato semelhante ao utilizado no campo. Para isso, estão sendo feitos estudos de produtividade nesse formato, inédito para produzir ingredientes utilizados em cervejas.

Caso tenha resultados positivos, o cultivo de lúpulo em ambiente protegido pode oferecer diversas vantagens, destacou a Ambev ao anunciar a iniciativa, citando a possibilidade de produção durante todo o ano, sem depender de fatores externos, como iluminação, água e temperatura, incluindo os nutrientes e produtos químicos que são controlados. Além disso, seria possível economizar água, já que o sistema hidropônico utilizado no ambiente requer apenas 5% da quantidade necessária na produção convencional, assim permitiria a redução da emissão de carbono lançado na atmosfera.

O lúpulo no Brasil ainda está no estágio inicial de desenvolvimento, de forma que toda a tecnologia aplicada e conhecimento obtido de outras culturas são muito bem-vindos. Poder participar dessa frente de hidroponia indoor em larga escala, sem dúvida, é algo disruptivo e vai nos trazer grandes aprendizados. É mais uma forma de fomentar a cadeia de lúpulo

Felipe Soommer, coordenador do Projeto Fazenda Santa Catarina

O acordo com a 100% Livre é, assim, mais um passo na iniciativa da Ambev para fomentar e incentivar a cultura e produção de lúpulo, iniciado em 2020. Em Lages (SC), o projeto oferece um novo formato de geração de renda aos pequenos produtores da região, com fornecimento da estrutura de maquinário, instrumentos, conhecimento técnico e acompanhamento de especialistas.

Desde o seu início, o Projeto Fazenda Santa Catarina doou mais de 15 mil mudas de lúpulo, tendo colhido 1,4 tonelada do insumo na safra de 2022, a sua primeira. São mais de 30 famílias apoiadas na região de Lages pela Ambev, que já produziu cinco cervejas com lúpulo nacional.

Menu Degustação: Promoções do Dia da Cerveja, IPA Day da Lagunitas…

Esta é uma sexta-feira de festa para os amantes da cerveja, a bebida que mais gostamos de apreciar! E como não poderia ser diferente, neste 5 de agosto, no qual celebramos o Dia Internacional da Cerveja, o Guia comemora a data destacando diversos encontros e novidades que movimentam o setor no Brasil.

Em alusão a este dia, muitos bares anunciaram promoções para esta sexta (5), como são os casos do Seu Justino, do High Line, do Oh Freguês e do Pracinha do Seu Justino, que farão ações com preços especiais para atrair mais clientes e alavancar as vendas em São Paulo.

Nesta semana também foi celebrado o IPA Day, fato comemorado em grande estilo pela Lagunitas, que promove um festival neste final de semana na Arena Radical, também na capital paulista, onde diversas bandas e artistas irão se apresentar.

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Confira essas e outras novidades da semana no Menu Degustação do Guia:

Bares com promoções especiais
Motivados pelo Dia Internacional da Cerveja, Pracinha do Seu Justino, High Line Bar, Oh Freguês e Seu Justino estão entre os bares que anunciaram promoções especiais, disponibilizadas das 18h às 20h desta sexta-feira. Neste intervalo de horário, estes estabelecimentos irão abrir o happy hour vendendo a unidade da Budweiser por R$ 4,90. O Seu Justino também fixou este mesmo valor para a Eisenbahn comercializada em sua unidade do Tatuapé, onde também terá cervejas da Blue Moon e da Baden Baden. E todos estes locais oferecerão rótulos diferenciados em seus cardápios. O Pracinha prometeu Hoegaarden, Colorado Ribeirão Lager e Goose Island Midway IPA entre suas opções, o Seu Justino disponibilizará Stella Artois, Corona e Beck’s, o High Line oferecerá quatro rótulos da Colorado e o Oh Freguês terá como alternativas Original, Stella Artois, Spaten e Corona, com preços que vão de R$ 11,90 a R$ 16,90.

Lagunitas celebra com shows o seu IPA Day
A Lagunitas promove a primeira edição presencial do seu IPA Day. Para celebrar a data comemorativa deste estilo cervejeiro, a marca organiza o evento com entrada gratuita ao público neste sábado e domingo, na Arena Radical, sendo que o encontro terá shows de artistas da música independente, como Dead Fish, Francisco El Hombre, Alex Albino e Chuck & os Crushes, além de uma área gastronômica, feirinha com marcas parceiras e ainda uma pista de skate. Os interessados em participar do evento, que ocorrerá das 15h às 20h nos dois dias, em São Paulo, devem retirar o seu ingresso gratuito pelo link.

Mestre Cervejeiro da Eisenbahn
Fabiano Ferreira da Cruz foi o vencedor da 12ª edição do concurso Eisenbahn Mestre Cervejeiro. A sua receita da cerveja German Pils, estilo escolhido para a competição deste ano da marca, foi eleita a melhor durante evento realizado em Blumenau (SC). Representando a região Sul, Fabiano, de 32 anos, nasceu em Xaxim (SC), terá o seu rótulo lançado pela cervejaria catarinense e fará um tour cervejeiro pela Alemanha. “É uma alegria imensa ter participado do Mestre Cervejeiro 2022 e ser o grande vencedor desta edição. Vejo o concurso como uma grande oportunidade de aprender ainda mais sobre o universo da cerveja, além da possibilidade de abrir novas portas e ganhar visibilidade no mercado”, comemora Fabiano.

Ostras e cerveja no Baby Beef Jardim
O restaurante Baby Beef Jardim, em Santo André (SP), promove neste sábado, das 16h às 19h, o “Oyster and Stouts”, uma harmonização exótica entre ostras e cervejas. Os moluscos são servidos frescos ao preço de R$ 59,50 ou gratinados com manteiga e emulsão de limão (R$ 78,50), sendo que as opções de bebidas oferecidas para combinar com o prato são Double Juicy IPA, New England Pilsen, New England IPA e Russian Imperial Stout, todas da cervejaria Under Tap Brewing Co. Para animar os clientes, o evento também conta com a apresentação da banda de rock Irmãos Fratelli Brothers.

Everbrew lança novos lotes de cervejas
A Everbrew anunciou o lançamento de novos lotes de cervejas frescas com aromas cítricos e grandes cargas de lúpulo. A marca traz os rótulos Everterps 24k (com notas de tangerina), Double Maine (cheia de Citra) e Check the Meaning, feita com os lúpulos Sabro, Citra e Ekuanot, em uma receita desenvolvida no Everpub, o bar da cervejaria. Todas essas cervejas estão sendo vendidas em latas de 473ml e em barris de 30 litros de chope.

Promoção da Goose
“Goose Island te leva para viagem mais amarga da sua vida”. Esse é o nome da promoção da icônica marca, que vai levar o seu vencedor para Chicago. Os interessados devem preencher um formulário no site oficial. No cadastro, há um espaço reservado para o upload de uma foto, com o tema “bons momentos amargos”. A foto deve ilustrar – com a ajuda de um descritivo criativo de até 140 caracteres – o que foi este momento. A promoção se encerra às 23h59 de 25 de agosto, com o resultado sendo divulgado em 5 de setembro.

Take amplia sua operação
A startup Take, que anteriormente atuava apenas com a comercialização de cervejas, anunciou a ampliação de suas operações ao passar a disponibilizar produtos não alcoólicos em seu smart vending cooler em universidades, coworkings, hotéis, estacionamentos e academias. O negócio, que atua por meio de um cooler disponível 24 horas por dia e que não conta com a necessidade de um intermediário, amplia a participação da Take no mercado e, para completar, diversifica o seu portfólio de bebidas, contemplando também as sem álcool.

Seminário da Copa Cervezas de América
A organização da etapa brasileira da Copa Cervezas de América preparou um seminário gratuito para cervejarias inscritas na competição e que também será aberto, como limite de vagas, ao público cervejeiro em geral. O evento ocorrerá neste domingo, das 9h30 às 16h, no 4Beer, em Porto Alegre, e contará com quatro palestras de convidados internacionais, que vão expor seus conteúdos com as suas línguas nativas (inglês e espanhol), sem tradução simultânea.

Treino de corrida Beercrew
O bar Esconderijo, da cervejaria Juan Caloto, em São Paulo, vai ser o ponto de partida e também o local de chegada para os corredores da próxima edição do treino de corrida BeerCrew, neste sábado. O projeto, idealizado para mostrar que é possível estabelecer um equilíbrio entre vida saudável e o consumo de cerveja, oferecerá de brinde a cada participante o chope Pilsner “Rápido el Cavallo Tiene Siede”, da Juan Caloto. O treino promete reunir corredores iniciantes e experientes em percursos de 3, 6 ou 8 quilômetros. Interessados podem se inscrever por meio do link, até sábado, por R$ 60. A concentração dos participantes vai começar às 8h e a largada para os treinos de corrida às 8h30, com previsão de chegada às 10h.

Läut patrocina Campeonato de Acrobacia Aérea
Em uma iniciativa para dar visibilidade para a marca e ampliar o seu relacionamento com o mercado de grandes festas e eventos, a cervejaria mineira Läut está patrocinando o IX Campeonato Nacional de Acrobacia Aérea, que começou nesta quinta-feira e vai até sábado no Aeródromo Serra do Cipó, local que fica no km 79,5 da Rodovia MG-010, a cerca de 25km do centro da cidade de Jaboticatubas e a 18km da Serra do Cipó. Essa competição é organizada pelo Comitê Brasileiro de Acrobacia e Competições Aéreas e conta com a participação de aviões especialmente projetados para esse esporte.

Juquitiba abriga dois festivais gastronômicos
Dois festivais gastronômicos, um de torresmo e outro de churros, serão realizados simultaneamente entre esta sexta-feira e domingo, em Juquitiba (SP). Os eventos são organizados pela Sabor do Brasil. Os participantes poderão apreciar também diversas opções de cervejas, de hambúrgueres e a famosa Bubble Waffle, uma massa servida em formato de cone e recheada com sorvete e toppings. Os três dias dos festivais ocorrem das 12h às 23h, na Praça Manoel Jesuíno Godinho.

Após 3 anos, IPA Day volta a SP com 20 cervejarias e realização garantida em 2023

Realizado pela última vez em 2019, o IPA Day São Paulo está de volta. O evento marcado para este sábado, na Tarantino, ocorrerá com uma série de atrações, incluindo a presença de 20 marcas de cerveja paulistas, sendo muitas delas estreantes, e 26 rótulos, na retomada do festival, que assegurou a continuidade em 2023, graças a uma campanha para a arrecadação de fundos.

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“Desta vez conseguimos uma participação muito grande de cervejarias estreantes. Mais da metade nunca participou do evento. Tirando a Tarantino, que é anfitriã, e a Colorado e Goose Island, marcas da Ambev, que se tornou uma apoiadora, cada cervejaria levará apenas um rótulo. E isso contribui bastante para a variedade, para ter cervejas bem diferentes, ajudando os participantes a descobrirem novas cervejarias, pois isso é um dos objetivos do IPA Day”, ressalta Rafa Moschetta, coordenador e criador do festival.

Em razão dos problemas financeiros advindos da impossibilidade de realização do evento em 2020 e 2021, o festival abriu um crowdfunding, sistema de financiamento coletivo, com a meta de arrecadar R$ 40 mil. E, independentemente da quantia a ser alcançada, a Ambev prometeu pagar o dobro deste valor – R$ 80 mil – como apoiadora, em iniciativa fruto de parceria com a Colorado e a Goose Island, marcas do seu portfólio.

A meta inicial, de R$ 40 mil, foi definida para arcar com os prejuízos da não realização do IPA Day entre 2020 e 2022. Já o dobro do valor, assegurado com o aporte da Ambev, era necessário para viabilizar a realização do IPA Day Brasil e do IPA Day São Paulo em 2023.

Esses R$ 80 mil, assim, se somam ao crowdfunding, que arrecadou, até a última quinta-feira, pouco mais de R$ 3,7 mil. “Conseguimos sensibilizar os fãs do IPA Day, que nos ajudaram tanto por meio do financiamento coletivo quanto com a divulgação da iniciativa. As cervejarias apoiaram e divulgaram também. E toda essa mobilização chegou até a Ambev que, entendendo a importância do evento, entrou com uma campanha para dobrar o valor arrecadado, e depois decidiu dobrar a meta de arrecadação”, revela o organizador. “Ou seja, a ideia foi um sucesso, pois conseguimos bater a meta”, completa.

26 rótulos e degustação para 150 geeks
O encontro em São Paulo é um braço do IPA Day Brasil, primeiro evento do gênero no País e um dos primeiros do mundo. Teve a sua edição inicial em 2012, em Ribeirão Preto, e aconteceu ininterruptamente até 2019, quando a capital paulista abrigou a sua primeira versão da festividade criada para celebrar o estilo. Agora, em sua retomada, atraiu 20 cervejarias do estado de São Paulo.

O festival contará com 26 rótulos de IPAs e suas variações, sendo que serão apresentados oito lançamentos. Quem comparecer ao evento terá acesso às características das cervejas detalhadas em um livreto que acompanha um copinho de “vidro de geleia”, com tamanho considerado ideal para as degustações. O teor alcoólico das cervejas, divididas em 12 estilos e subestilos de IPA, varia de 2% a 11%. Já o índice de amargor começa em 30 e vai até 85 IBUs.

Em sistema de open bar, o IPA Day São Paulo terá empanadas, hambúrguer, cachorro-quente e churrasco defumado, de carnes e legumes, entre as opções gastronômicas.

Com boa procura pelos ingressos, o evento também conta com a opção da entrada batizada como “beer geek”, cujo terceiro lote está sendo comercializado ao preço de R$ 380. Ele dá ao comprador a vantagem de poder entrar no evento uma hora antes da abertura para o público em geral, que será às 14h. Os bilhetes estão à venda na plataforma Sympla.

“Embora fosse um pedido dos fãs, eu não imaginava que a novidade dos ingressos de beer geek fosse ter uma participação tão grande. Serão 150 geeks que vão entrar mais cedo para degustar com calma, compartilhar e viver a experiência de degustação”, destaca o organizador.

Gilberto Tarantino, presidente da Associação Brasileira da Cerveja Artesanal (Abracerva) e cuja cervejaria que leva o seu sobrenome receberá o evento deste sábado, destaca a importância da retomada do festival para o setor e a relação da sua marca com as IPAs.

“É uma alegria incrível para a Tarantino sediar esse evento, que é emblemático e o primeiro que só foca nas IPAs, que se tornou o estilo da resistência e das artesanais. A Tarantino é uma cervejaria voltada para o segmento da escola americana, a gente usa muito lúpulo americano. E é o único local, fora Ribeirão Preto, que recebe esse evento”, comemora.

Anfitrião da festa, Giba lembra como as cervejas mais lupuladas conseguiram conquistar espaço no mercado brasileiro de artesanais e destaca que nesse momento há um movimento crescente para a produção do insumo no País.

“A gente gosta muito do estilo, que é bem contemporâneo. É o que o consumidor mais antenado curte. E a gente espera que esse mercado continue crescendo, como vem ocorrendo não só no Brasil como no mundo todo. As áreas de plantio de lúpulo também vêm crescendo bastante, uma coisa que até pouco tempo era uma utopia. A gente fica muito contente de estar acompanhando todo esse crescimento”, ressalta.

IPA Day Brasil será em novembro
O IPA Day Brasil, que chegou a receber 3,2 mil em uma de suas edições, está marcado para 12 de novembro, quando Ribeirão Preto sediará o evento pela nona vez. “São 45 rótulos com foco em cervejas exclusivas. Nossa meta é que entre 30% e 50% das cervejas sejam criadas para o evento”, diz Moschetta, também apontando a expectativa de que a cidade do interior paulista receba muitos turistas para o festival.

“As vendas já estão muito expressivas e a tendência é de termos mais um sucesso. O que também é muito legal no IPA Day Brasil é a pluralidade de pessoas, de sotaques. O evento é em Ribeirão, mas só 15% dos participantes são de lá. Ou seja, é um evento realmente nacional, que atrai apaixonados por IPA do Brasil inteiro”, enaltece.

Confira as marcas e as cervejas desta edição do IPA Day São Paulo:

  • 77 (São Paulo), Mid-Chlorian
  • BR Brew (Sertãozinho), Sangue no Zóio
  • Campinas (Campinas), Imperial Tank
  • Colorado (Ribeirão Preto), Fiapo
  • Colorado (Ribeirão Preto), Pé do Galo
  • Dádiva (Várzea Paulista) + 5 Elementos (Fortaleza), Double IPA Nelson Sauvin +Hallertau Blanc
  • Daoravida Brewpub (Campinas), Maria Bonita Quer Sua Alma
  • EverBrew (Santos), Evermont
  • Goose Island Beer Co. (São Paulo), Midway
  • Goose Island Beer Co. (São Paulo), Bail Me Out
  • Locals Only (São Sebastião), Hop Trippin
  • Mad Lizard (São Paulo), Free Smile
  • Minnesota (Santo André), Free Spirit
  • Molinarius (São Paulo), Overwest Simcoe
  • Satélite (São Paulo), MelonSat P.04
  • SBC Cervejaria (São Bernardo do Campo), IPA Lelê
  • SP-330 (Ribeirão Preto), Californication
  • Tank Brewpub (São Paulo), Dank The Tank
  • Tarantino (São Paulo), Miracle IPA
  • Tarantino (São Paulo), Australian IPA
  • Tarantino (São Paulo), Castanheira Britsh IPA
  • Tarantino (São Paulo), Session IPA
  • Tarantino (São Paulo), Rye American IPA
  • Tesla Cervejaria (Campinas), O Mistério de Nikola
  • Trilha (São Paulo), Muvuca
  • Weird Barrel (Ribeirão Preto), Naughty Grog

Do War para o Jogo Infinito: como a Ambev ajustou seu foco para a tecnologia

Depois de 20 anos disputando um jogo, a Ambev decidiu trocar de tabuleiro em busca da longevidade. Usando essa figura de linguagem, o CEO da companhia, Jean Jereissati, explicou a estratégia que motivou a companhia a deixar de ser uma mera indústria de bens de consumo para se transformar em uma tech de bebidas, com as razões sendo detalhadas durante o Ambev Tech & Cheers, evento de tecnologia da Ambev.

O encontro, que aconteceu em São Paulo, na última quarta-feira (3), representou um marco da apresentação dessa nova roupagem da Ambev ao mercado, sendo o primeiro grande evento de tecnologia realizado pela empresa. Nele, a companhia reuniu seus executivos especializados em tecnologia, além de profissionais de outras companhias brasileiras e internacionais para debates e apresentações sobre inovação.

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Surgida em julho de 1999, no Brasil, como fruto da fusão entre Brahma e Antarctica, a Ambev galgou, desde então, passos para se tornar a maior cervejaria do mundo. E eles envolveram fusões, como com a belga Interbrew, e a norte-americana Anheuser-Busch, para formar a AB InBev, assim como de compras, a mais emblemática sendo a da SABMiller.

Comparando esses processos de aquisições e fusões com as disputas do famoso jogo de tabuleiro War, no qual o objetivo é conquistar territórios, Jereissati apontou que a Ambev percebeu, ao completar 20 anos, que essa disputa estava encerrada.

Percebemos que não tinha mais espaço para o jogo de War, já estávamos no mundo inteiro. Era preciso pensar em um modelo para os 20 anos seguintes

Jean Jereissati, CEO da Ambev

Assim, a mudança histórica de foco de gestão iniciada pela Ambev em 2017, nas palavras de Jereissati, foi para evoluir o seu modelo de crescimento. O objetivo deixou de ser a busca apenas pela eficiência operacional, que gerou receita para para alcançar outras metas, como sua expansão geográfica, marcada por compras e fusões, em função do entendimento de que este ciclo se encerrou, pois tinha crescimento limitado.

Agora, então, a ideia da Ambev seria fomentar o ecossistema a partir de uma mentalidade de inovação e transformação por meio da tecnologia. “A ideia foi fazer uma reconexão com o ecossistema, pensando além da empresa e olhando para as pontas do campo ao copo. Como protagonista, tínhamos que saber como o ecossistema podia ganhar, dando um salto de inovação no modelo de negócios, muito além do líquido”, diz Jereissati.

O objetivo da Ambev, assim, nas palavras do seu CEO, é de ser uma “plataforma de marcas inspiradoras que conecta as pessoas e o ecossistema”. A inspiração para isso veio, de acordo com Jereisatti, no que Simon Sinek, famoso escritor, palestrante motivacional e especialista em liderança, definiu como “jogo infinito”, termo que também é título de um dos seus livros. A ideia seria prosperar por tempo indeterminado em um mundo em constante mutação.

“Estamos numa posição tão boa de cerveja que o papel da Ambev no mundo é fomentar o mercado para que ele se perpetue. Meu market share já é bom, com marcas boas. A cerveja tem que ser relevante para o consumidor. Meu papel não é mais ver se vendi uma caixa de cerveja a mais. No jogo infinito, o objetivo é se perpetuar, fazer a Ambev se tornar uma empresa de 100 anos”, diz.

O CEO aponta que agora a Ambev quer ser uma plataforma de tecnologia com marcas relevantes dentro do segmento de bebidas. Para que isso se torne realidade, a empresa tem apostado em duas grandes interfaces tecnológicas: o Zé Delivery, no qual se conecta ao consumidor final, com a venda direta de produtos, e o Bees, utilizado por clientes como bares e restaurantes para aquisição de produtos, surgido em 2021. Além disso, a companhia conta, hoje, com os hubs Ambev Tech, Ambev Global Tech e Ztech.

Apenas no 2º trimestre, foram atendidos quase 15 milhões de pedidos pelo Zé Delivery, que tem cerca de 4 milhões de usuários ativos mensais, estando presente em todas as cidades brasileiras com mais de 100 mil habitantes, relatou a empresa durante o Ambev Tech & Cheers.

Já o Bees pode ser apontado como o principal responsável por esse salto de inovação e tecnologia da Ambev ao disponibilizar produtos que vão muito além do ecossistema das bebidas, vindo de parceiros como a BRF e o GPA, em um total de, aproximadamente, 2 mil itens à venda. E, revelou Jereissati durante a sua apresentação no Ambev Tech & Cheers, o portfólio será ampliado em função de acordo fechado recentemente com a Pepsico Foods. Além disso, o Bees já ganhou uma ramificação, o Bees Bank, no qual os parceiros comerciais podem ter acesso a serviços de conta digital e crédito.

Com os diversos braços de inovação, a Ambev também precisa investir nessas plataformas, hubs e soluções. E embora não revele o montante que gasta com essas operações, um dado confirma o peso desse novo foco: a equipe de tecnologia da companhia saltou de mil, em 2017, para, aproximadamente, 5 mil profissionais em 2022.

Com esse ajuste nas prioridades, a Ambev afirma não se ver mais como concorrente de outras grandes cervejarias e indústrias de bebidas, mas de grandes empresas de tecnologia, como Amazon e Alibaba, ainda que com o diferencial de que precisa continuar fabricando produtos de alta qualidade.

O nosso core tem a tecnologia e as marcas. A gente não é a Alibaba que só tem a plataforma, nem a Nestlé, que só tem os produtos. Somos algo novo, com as duas coisas. E as duas precisam ir bem: a nossa capacidade de inovar e de fazer produtos amados, que se conectem com a população. É assim que se ganha o Jogo Infinito. Não sabemos onde vamos chegar

Jean Jereissati, CEO da Ambev

Uma cerveja antes do almoço: 30 anos do manifesto que deu voz ao multiculturalismo

“Como devolver o ânimo, deslobotomizar e recarregar as baterias da cidade? Simples! Basta injetar um pouco de energia na lama e estimular o que ainda resta de fertilidade nas veias do Recife”. Foi com essa ideia, escrita em um manifesto e colocada em prática por vários artistas, que o manguebeat, um dos mais importantes movimentos culturais recentes, começou a marcar história no Brasil reverberando a mistura do regionalismo com o que se fazia no mundo ao mesmo tempo em que realizava críticas sociais à situação do Recife, com a pobreza escancarada pelas periferias da cidade e de sua região metropolitana.

O trecho acima compõe o Manifesto Caranguejo com Cérebro, escrito por Fred Zero Quatro, jornalista e vocalista do Mundo Livre S/A, uma das bandas centrais do manguebeat. O texto, que completou 30 anos em julho de 2022, representou a apresentação de um movimento que começou a eclodir na capital pernambucana no começo dos anos 1990 e trouxe reflexos culturais e sociais, indo muito além do Recife – e tornando-se alvo de homenagens de cervejarias.

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A cidade deslobotomizada e sem bateria citada por Zero Quatro refletia as mudanças do centro cultural brasileiro, que se voltou, desde a segunda metade do século XIX, para o Sudeste. Perderam sua força especialmente política e econômica, assim, Recife e outras localidades históricas para a construção da noção de país.

Em muitos momentos presas a regionalismos e estereótipos, as manifestações culturais deram um salto de representatividade com o movimento manguebeat. Com a presença de músicos e artistas de outras áreas, uniu as características locais com as novidades que se produziam pelo mundo, ao “erguer suas antenas” e propor a mistura de elementos como maracatu e hip hop. Era um marco do multiculturalismo, mesmo que, àquela época, o termo ainda nem estivesse popularizado.

É o que destaca Larissa Fostinone Locoselli, hoje docente da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), em Foz do Iguaçu (PR), e autora da tese de doutorado “De rocks, murgas e maracatus: o fazer musical e a construção do ‘local’ sob o neoliberalismo latino-americano da virada de século. Um estudo comparativo das bandas Bersuit Vergarabat (Argentina) e Chico Science & Nação Zumbi (Brasil)”.

“O interessante com relação ao manguebeat é que, ao menos em suas manifestações mais conhecidas nacionalmente, esta conexão com o ‘regional’ continuou sendo um elemento central. A diferença esteve, muito mais, em como ela era reivindicada. A imagem-símbolo da antena parabólica enfiada na lama é muito representativa desta mudança de chave. O caráter tradicionalista da ‘preservação’ da cultura ‘regional’ dá lugar à expressão da necessidade da ‘região’ se conectar ao ‘mundo’”, analisa a professora.

O movimento manguebeat, assim, reforçou a conexão da cultura local com o que se fazia pelo mundo em busca de uma sociedade mais diversa em suas manifestações culturais. E, surgido em um cenário de uma cidade então decadente financeiramente, ele se voltou, também, para a denúncia social das desigualdades.

Ao mesmo tempo, não deixou de olhar para o cenário econômico e político global, pois os anos 1990 são um dos marcos históricos de adoções de políticas neoliberais por diversos governos centrais, com a defesa do estado mínimo. O que, em muitos casos, se transformava em redução do investimento nas necessárias políticas sociais, ampliando desigualdades.

Na produção do início dos anos 1990 as diversas manifestações do manguebeat se voltaram muito fortemente à representação e discussão em torno da desigualdade social. É interessante notar como este é um fator que, apesar de seguir presente ao longo das décadas, tem uma configuração muito específica naquela primeira cena, dos anos 1990, o que talvez se justifique pelo próprio contexto de maior choque neoliberal naquele momento

Larissa Locoselli, professora da Universidade Federal da Integração Latino-Americana

Essa expressão social fica clara em meio à fusão de sonoridades do mais icônico disco das bandas representativas do movimento, o “Da Lama ao Caos”, de Chico Science & Nação Zumbi, que foi eleito recentemente o melhor álbum brasileiro dos últimos 40 anos, em enquete promovida pelo jornal O Globo.

“Este álbum realiza uma crônica apuradíssima da desigualdade social que assolava Recife no início dos anos 1990, o que apelava a uma percepção crescente dos efeitos do neoliberalismo na vida social e que era comum ao país inteiro”, lembra a professora da Unila.

A continuidade, 30 anos depois
Com manifestações em diversos campos da cultura, o manguebeat ficou mais conhecido fora do território pernambucano, nos anos 1990, pelas músicas de Chico Science & Nação Zumbi e do Mundo Livre S/A. E pontificou dois tipos de legados: um externo, ao recolocar Pernambuco na diversa rota cultural brasileira, e um interno, ao resgatar tradições locais, como o maracatu.

Não à toa, o movimento tem herdeiros com espaço consolidado na música brasileira até hoje, como Cordel do Fogo Encantado e Mombojó, além da continuidade de nomes surgidos quando o movimento eclodiu, como Otto, Eddie e mesmo a Nação Zumbi.

“As agrupações do início dos anos 1990 tiveram realmente um papel muito importante na recolocação do estado de Pernambuco na cena cultural brasileira. Há estudos que indicam também o seu papel, principalmente de Chico Science & Nação Zumbi, na reconfiguração da cultura do maracatu nação, na própria região e para além dela”, destaca Larissa.

Ao escrever o manifesto “fundador” do movimento manguebeat, Zero Quatro referendou uma visão que o “estrangeiro” tinha do Recife, como elo representativo do Nordeste, de miséria e estagnação. Uma opinião que não mudou tanto assim, na sociedade, 30 anos depois.

Região que mais se desenvolveu socioeconomicamente no Brasil na primeira década deste século, o Nordeste, afinal, continua sendo visto por uma parcela da população sem a percepção dos efeitos dos avanços engendrados por governos progressistas, apagando as suas diversidades. Não se enxerga, assim, a autoestima surgida do acesso a bens básicos. A mesma autoestima, aliás, que o movimento manguebeat deu aos artistas locais quando suas vozes passaram a ser ouvidas além de Pernambuco.

Muitos dos avanços e das disputas políticas que os governos mais progressistas que o país teve nas primeiras décadas do século XX terminou incidindo diretamente sobre a pugna, simbólica e material, ‘Nordeste’ versus ‘Sudeste’. A reação conservadora a estes avanços vem, justamente, corroborando esta percepção, sendo cada vez mais mobilizados os pré-construídos sobre ‘o nordestino’ e cada vez mais acentuada a existência de uma polarização política entre ‘Nordeste’ e ‘Sudeste

Larissa Locoselli, professora da Universidade Federal da Integração Latino-Americana

E a cerveja…
O refluxo provocado pelo manguebeat vai se encontrar com a cerveja, e não apenas com aquela consumida por Chico Science “antes do almoço para ficar pensando melhor”, como descreve o já clássico verso de A Praieira, de Chico Science & Nação Zumbi. Trata-se da construção de um diálogo ambíguo, como aponta Larissa.

“Para mim este diálogo está exatamente neste caráter popular, no verso que fala aos hábitos mais arraigados da classe trabalhadora. A conexão do manguebeat com o popular em termos sociais é muito complexa, pois há movimentos de aproximação e distanciamento, como é próprio de qualquer criação da classe média e sua ambígua identificação com a classe trabalhadora. O verso de ‘A Praieira’ me parece muito representativo disso: apela ao mais trivial do cotidiano, dos hábitos populares, ao mesmo tempo em que parece querer estranhá-los”, analisa a professora.

Para além de um dos hábitos mais arraigados entre os trabalhadores brasileiros, o manguebeat também está inserido no entorno das bebidas, seja em homenagens ou no processo produtivo, que une o externo às características locais, como defendido por Zero Quatro no Manifesto Caranguejo com Cérebro.

Esse diálogo entre cerveja e manguebeat está expresso, por exemplo, em um célebre rótulo do mercado brasileiro, o Antes do Almoço, criado pela carioca 2cabeças. “A frase ‘antes do almoço’ é muito forte no imaginário coletivo e se encaixa perfeitamente com a ideia da cerveja, que era daquelas para beber o dia inteiro, despreocupado. Tem uma mistura de um estilo norte-americano, mas com uma leveza e refrescância que combina demais com o Brasil”, aponta Bernardo Graça Couto, sócio-fundador da 2cabeças, que usa a expressão eternizada em “A Praieira” em uma American Blonde Ale.

“A inspiração da Antes do Almoço surgiu de uma hora para outra. Eu estava há meses buscando o nome para uma cerveja nova, que seria uma American Blonde Ale. Um belo dia, voltando da praia após uma manhã de surfe, eu estava dirigindo e tocou ‘A Praieira’ no som do carro. E foi como se os números da Matrix começassem a cair na minha frente para batizar a nova cerveja”, conta o sócio da cervejaria.

Sediada no próprio Recife, por sua vez, a Ekäut homenageou o manguebeat na receita e, sobretudo, no rótulo da Hopbeat, uma New England IPA que lembra o movimento em seu nome, como afirma Raphael Vasconcelos, sommelier de cervejas e responsável pelo marketing e canais especiais da marca.

“Somos uma cervejaria regional e damos muito valor à cultura regional do Nordeste. Principalmente de Pernambuco, nossa praça-mãe e onde fica a Ekäut Cervejaria. O manguebeat faz parte da nossa cultura e temos um tremendo orgulho dessa repercussão e reconhecimento. Faz parte do nosso DNA utilizar estilos clássicos cervejeiros com uma ‘pegada’ de frutas e ingredientes regionais. Ouvimos e curtimos as músicas de Chico Science, Nação Zumbi e Mundo Livre S/A desde crianças. Chico Science & Nação Zumbi não podem faltar na nossa playlist do Spotify. Duda Beat tem entrado nessa lista recentemente também”, detalha Raphael. “[A receita da cerveja] É uma parceria perfeita para escutar um Maracatu Elétrico nas ruas do Recife Antigo.”

Fabricação de bebidas alcoólicas estagna em junho e fecha semestre com queda

Depois de ter amargado baixa de 1,7% em maio, quando interrompeu de forma negativa dois meses seguidos de alta, a fabricação de bebidas alcoólicas estagnou em junho, na comparação com o mesmo período de 2021. O índice de 0,0%, que representa a repetição do ritmo de atividade de junho do ano passado, foi divulgado nesta terça-feira (2) pelo IBGE.

Com essa estagnação, a fabricação de bebidas alcoólicas fecha o semestre com recuo de 3,1% em relação ao mesmo período do ano passado. Para completar, no acumulado dos últimos 12 meses amarga retração de 6,8%.

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A queda de 3,1% no semestre também é maior do que a da produção industrial brasileira nos seis meses iniciais de 2022, que foi de 2,2%. Ainda assim, o desempenho da fabricação de bebidas alcoólicas em junho foi melhor do que o da indústria nacional, que contabilizou queda de 0,5% no comparativo com o mesmo mês de 2021 e de 0,4% na confrontação com maio passado, na série com ajuste sazonal.

Já a fabricação de bebidas não alcoólicas teve alta de 0,5% em junho no comparativo com o mesmo mês do ano passado. No semestre, o crescimento foi de expressivos 10,1% em relação ao mesmo período de 2021. E no acumulado dos últimos 12 meses, a alta está em apenas 0,3%.

A produção de bebidas em geral, que soma o total fabricado de alcoólicas e sem álcool, contabilizou alta de apenas 0,2% em junho na confrontação com o mesmo mês do ano passado. E no comparativo com maio passado, houve recuo de 0,8%. Já no semestre, a elevação foi de 2,9%, enquanto no amontoado dos últimos 12 meses ocorreu retração de 3,5%.

Em queda, indústria encolheu 2,8% em 12 meses
Além de acumular recuo de 2,2% no primeiro semestre do ano, a produção industrial brasileira geral amarga uma retração de 2,8% no período de 12 meses imediatamente anteriores a junho. E a queda de 0,4% frente a maio interrompeu sequência de quatro meses seguidos de expansão.

O IBGE ressalta que houve redução dos índices produtivos da indústria em três das quatro grandes categorias econômicas e em 15 dos 26 ramos pesquisados. Desta forma, o instituto de pesquisa também enfatiza que o setor ainda está 1,5% abaixo do patamar pré-pandemia (fevereiro de 2020) e 18% abaixo do nível recorde alcançado em maio de 2011.

Entre as atividades investigadas, o IBGE informa que os principais recuos na produção industrial em junho foram dos produtos farmoquímicos e farmacêuticos, com queda de 14,1%, e coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (-1,3%).

Já entre os nove setores da indústria nacional que registraram altas em junho, os maiores impactos positivos foram exercidos por veículos automotores, reboques e carrocerias, com crescimento de 6,1%, e indústrias extrativas, com elevação de 1,9%.

 “A indústria não havia recuperado a perda de janeiro (-1,9%) mesmo com os quatro meses de crescimento em sequência, período em que houve alta acumulada de 1,8%. Com o resultado de junho, há uma acentuação do saldo negativo no ano (-0,5%) quando comparado com o patamar de dezembro de 2021. Isso reflete as dificuldades que o setor industrial permanece enfrentando, como o aumento nos custos de produção e a restrição de acesso a insumos e componentes para a produção de bem final”, explica o gerente da pesquisa do IBGE, André Macedo, que também aponta fatores que impactaram negativamente a indústria nacional.

“Há a taxa de juros elevada, a inflação que segue em patamares altos, a diminuição da renda das famílias e, ainda que a taxa de desocupação venha caindo nos últimos meses, há um contingente de aproximadamente 10 milhões de desempregados no país. A característica dos postos de trabalho que estão sendo criados aponta para uma precarização do mercado de trabalho e isso é refletido na massa de rendimento, que não está crescendo”, completa.

Grupo Heineken amplia venda de cerveja em mais de 10% no Brasil no 1º semestre

O Grupo Heineken apresentou desempenho superior na metade inicial em 2022 na comparação ao ano passado. No período, o lucro líquido cresceu 22,3% em relação a janeiro a junho de 2021, apontou o balanço financeiro da companhia, atingindo 1,265 bilhão de euros (aproximadamente R$ 6,73 bilhões). O avanço foi impulsionado pelo Brasil, mercado onde a receita da empresa cresceu em torno de 35% na primeira metade do ano, resultado apoiado pelo crescimento da venda de cervejas pouco acima de 10% no País.

A receita obtida no Brasil, assim, expandiu acima do resultado global do Grupo Heineken, que avançou 24,3% organicamente, para 13,485 bilhões de euros (R$ 71,74 bilhões). “No Brasil, a receita líquida cresceu organicamente em meados dos 30%, impulsionada por preços à frente da indústria, premiumização e crescimento de volume”, explica a empresa em trecho do relatório.

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De acordo com o Grupo Heineken, no Brasil, suas vendas de cerveja aceleraram especialmente no período de abril a junho, tendo alta superior a 10% na primeira metade de 2022. “O volume de cerveja superou o mercado, acelerando seu crescimento no segundo trimestre até os pouco mais de 20%, crescendo pouco mais de 10% no primeiro semestre. Nossas carteiras premium e mainstream cresceram em volume em torno de 30%”, destaca.

O material também aponta que o Grupo Heineken teve, globalmente, crescimento orgânico de 7,6% no volume de cerveja em relação ao primeiro semestre de 2021, ficando 4,2% à frente do mesmo período de 2019, antes, portanto, da pandemia. A expansão é ainda maior apenas entre os rótulos premium, ficando em 10,2%, e da marca Heineken, de 13,8%.

Marcas no Brasil e no mundo
A marca Heineken, aliás, cresceu dois dígitos em mais de 50 mercados no primeiro semestre, entre eles, o Brasil, com a empresa destacando a liderança dessa cerveja no mercado off-trade, que abrange o varejo e os supermercados.

O balanço também ressalta que o volume da Amstel ampliou acima de 25% as suas vendas na metade inicial de 2022 em todo o mundo. Essa expansão foi de dois dígitos em mais de 20 mercados, sendo “especialmente forte” no Brasil.

O Grupo Heineken ainda relata um crescimento modesto, em um dígito baixo, do seu portfólio de bebidas com baixa graduação alcoólica ou sem álcool, mas aponta que mais de 20 mercados tiveram crescimento de dois dígitos, entre eles, “notadamente”, o Brasil.

“Heineken 0.0 cresceu mais de 60%, impulsionando o crescimento de toda a categoria de cerveja sem álcool para se tornar a marca número 1 do segmento em valor”, diz a empresa, destacando que sua marca agora lidera o segmento de cerveja sem álcool no Brasil.

Outra líder de mercado é a Baden Baden, entre as artesanais, tendo crescido quase 10% em volume na primeira metade do ano no País.  Já o volume da Sol avançou globalmente em um dígito baixo, liderado pela forte expansão no Brasil, Chile e África do Sul.  E o portfólio de cervejas econômicas retraiu pouco mais de 20% no mercado brasileiro.

Avaliação do CEO
Nos comentários sobre o balanço, o CEO do Grupo Heineken, Dolf van den Brink, celebra o resultado alcançado de janeiro a junho, citando a resiliência do consumo de cerveja, mesmo em um contexto global de alta inflacionária.

Estamos animados com os resultados da primeira metade do ano. Nos beneficiamos da recuperação na Ásia-Pacífico e do on-trade na Europa à medida que os consumidores voltaram aos bares, com a demanda resiliente até agora, apesar do aumento inflacionário e das pressões sobre a renda disponível dos consumidores

Dolf van den Brink, CEO do Grupo Heineken

Ainda assim, reconhece que o ambiente inflacionário tem representado um desafio para o Grupo Heineken. “Nossas ações em preços, gestão de receitas e produtividade compensam pressões inflacionárias significativas em nossa base de custos. Como resultado, o lucro operacional está agora firmemente à frente de 2019. Continuamos enfrentando uma perspectiva incerta para consumidores e empresas”, acrescenta.

Ambev valoriza 13% na B3 em julho e nível de vendas no 2º tri empolga; veja 5 análises

O mês de julho foi de recuperação para a Ambev no mercado financeiro brasileiro. Após perdas de 13,1% no primeiro semestre de 2022, a ação da multinacional cervejeira reverteu o cenário de queda e apresentou expansão de 11,42% no período, fechando a sessão da última sexta-feira (29)  na B3, a bolsa de valores brasileira, cotada a R$ 14,93.

Embora ainda apresente desvalorização de 3,18% no ano, o desempenho em julho representa uma recuperação para a Ambev, que vinha de três meses consecutivos de perdas no mercado financeiro. A expectativa, agora, é de como se consolidará o desempenho após a divulgação do balanço do primeiro semestre, na última quinta-feira (28).

Afinal, no dia em que o resultado financeiro foi apresentado, o papel chegou ao valor de R$ 15,10, a sua cotação mais elevada desde 25 de abril. Na sexta, porém, recuou aos R$ 14,93, ficando R$ 0,05 mais barata do que na véspera da divulgação do seu balanço.

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O resultado financeiro da Ambev apresentou lucro líquido de R$ 3,064 bilhões no segundo trimestre de 2022, uma alta de 4,6% em relação ao mesmo período do ano passado. E ele foi puxado pelo crescimento no volume de produtos vendidos, de 6,1%. Apenas considerando a cerveja no Brasil, a expansão ficou em 8,5%.

Analistas de mercado financeiro apontaram o êxito das vendas da Ambev, com o Credit Suisse intitulando o seu relatório sobre o balanço com a expressão “máquina de volume”. A XP Investimentos também aponta a alta das vendas pela companhia como um destaque o segundo trimestre, ainda mais em um cenário de inflação global, mas com o desempenho também sendo ajudado pelo funcionamento sem restrições de bares e restaurantes.

“Com o retorno das atividades fora de casa, a AmBev conseguiu aumentar o volume e os preços na maioria de suas unidades, estratégia a ser valorizada em momentos de inflação global, embora as margens sigam pressionadas diante de custos altos e o aumento das despesas em vendas e marketing tenha impulsionado as despesas de SG&A”, diz.

Na teleconferência para apresentação de resultados, Jean Jereissati, CEO da Ambev, explicou como a companhia lidou com os preços no primeiro semestre. “O foco é sempre encontrar a elasticidade ideal entre o volume e a receita líquida por hectolitro. Fizemos um aumento tático do preço, menor e mais granular, em algumas regiões e produtos, sendo, em média, de 2,5%, tanto em bares quanto no varejo”, dia Jean Jereissati, CEO da Ambev.

A alta média dos preços de 2,5% ficou em consonância com o índice apurado pelo IBGE para o primeiro semestre, que apontou elevação de 2,31% para a cerveja no domicílio (varejo e supermercados) e de 2% fora do domicílio (bares e restaurantes).

A equipe de analistas do Bank of America, porém, estima que a elevação dos preços pela Ambev foi menor do que a adotada pelo Grupo Heineken, especialmente no varejo, e alerta que poderá haver perda de mercado quando os preços das duas principais concorrentes no mercado nacional se alinharem.

“A empresa se beneficiou da contínua reabertura do on-trade. No entanto, notamos que a Heineken aumentou os preços mais do que a Ambev neste trimestre, principalmente no off-trade, de modo que a participação de mercado pode ser impactada quando a Ambev convergir para isso no terceiro trimestre”, avalia.

Porém, para a Ambev, o primeiro semestre, já considerado positivo, deverá ser superado em desempenho pelo segundo. E os motivos para o otimismo envolvem a realização da Copa do Mundo em novembro e dezembro, quando espera aproveitar a alta do consumo e acelerar o seu crescimento com suas soluções digitais, como o Zé Delivery e o BEES, preparando terreno para uma performance ainda melhor em 2023.

Estamos todos com muita expectativa para a Copa. Os próximos três meses serão de polarização política, mas a Copa trará o alívio para unir o País. Estamos muito preparados em termos de logística e marketing. Uma Copa do Mundo no verão depois de dois anos de pandemia vai ajudar bastante no resultado do ano. Mas a questão será a estruturação das marcas e plataformas para que os benefícios permaneçam para 2023

Jean Jereissati, CEO da Ambev

A XP Investimentos, inclusive, apontou que o resultado do segundo trimestre poderá ser emblemático para uma fase ainda mais positiva para a Ambev, avaliando que vai se beneficiar da sua plataforma B2B – o BEES – e da tendência de queda das commodities para alavancar sua margem de lucro na metade final de 2022.

“Com o ambiente macro ainda desafiador, vemos o 2T22 da AmBev como chave para uma mudança positiva nas percepções de curto/médio prazo, já que os preços das commodities estão com tendência de queda e devem descomprimir as margens sequencialmente, permitindo uma recuperação já esperada, a qual acreditamos que possa ser acelerada pelo BEES”, diz.

Ambev acompanha Ibovespa em julho
A alta da ação da Ambev em julho seguiu a tendência da maior parte do mercado de ações brasileiro. Afinal, após recuar, aproximadamente, 6% no primeiro semestre, o Ibovespa recuperou parte das perdas em julho, tendo fechado a sessão da última sexta-feira em 103.165 pontos. Assim, valorizou 4,79% no mês, embora ainda esteja em queda, agora de 1,49%, em 2022.

Essa alta se deu mesmo em um contexto de dúvidas, com a inflação elevada nos Estados Unidos – o índice anualizado está em 6,8% – e da elevação da taxa de juros por lá, passando do intervalo de 1,5% a 1,75% ao ano para 2,25% a 2,5%. Além disso, a aprovação da PEC Kamikaze no Brasil, de caráter eleitoreiro, tende a causar mais desajuste fiscal.

Ainda assim, o Ibovespa teve alta, com a valorização de 62 das 90 ações que compõem o índice, incluindo a da Ambev. E o destaque foi a Via, com variação positiva de 25%, seguida por Positivo (23,6%), as ações preferenciais (22,27%) e ordinárias (21,02%) da Petrobras e a Locaweb (20,46%). Na outra ponta, Qualicorp (-11,66%) e Bradespar (-10,94%) tiveram as maiores perdas do mês.

Fora do Brasil
No mercado externo, as ações das principais cervejarias seguiram o mesmo ritmo da Ambev no Brasil e se valorizaram em julho. Foi o que aconteceu em Nova York, com o papel da própria companhia terminando a última semana cotado a US$ 2,82. Assim, subiu 12,35% no mês, revertendo a tendência de queda do primeiro semestre.

Na Europa, não foi diferente, com o papel da Heineken chegando aos 96,10 euros, se valorizando 10,46% em um mês. Já a ação da AB InBev agora está valendo 52,27 euros, uma alta de 1,71% em julho. Ela poderia, inclusive, ser maior, não fosse o tombo de 4,09% no pregão da última quinta-feira, na sequência da divulgação do seu balanço.

A companhia teve alta de 3,4% no volume de bebidas fabricadas no 2º trimestre, para 149,729 milhões de hectolitros, com o lucro líquido ajustado sendo de US$ 1,468 bilhão, menor do que o US$ 1,507 bilhão do mesmo período de 2021.

O Guia selecionou 5 análises sobre o balanço da Ambev, com avaliações e o preço-alvo para a ação após a divulgação do resultado financeiro do 2º trimestre no final de julho. Confira:

Ativa Investimentos – Preço-alvo: R$ 15,50 (Neutro)
Mais uma vez a Ambev reportou um resultado prejudicado pelo aumento no preço das commodities, que pressionou suas margens na maioria das suas principais operações. Entretanto, vemos a companhia entregando o melhor que poderia para compensar esse efeito, com suas iniciativas para impulsionar a ROL/hl e alavancando suas plataformas digitais. No curto prazo, no entanto, considerando os patamares atuais das commodities e o cenário macroeconômico mundial, ainda enxergamos um cenário de desafios e volatilidade pela frente.

Bank of America – Preço-alvo de R$ 18 (Neutra)
Esperamos que o desempenho da receita seja mais desafiador no 2º semestre, devido às duras comparações do terceiro trimestre, recuperação de preços, o que pode afetar a participação de mercado no Brasil, enquanto os custos devem acelerar em relação ao ano anterior. Para 2023, não esperamos uma redução significativa de custos no Brasil; portanto, as margens devem ser relativamente semelhantes aos níveis de 2022, enquanto há desafios em outros mercados, principalmente na Argentina devido à turbulência econômica.

Credit Suisse – Preço-alvo: R$ 16,50 (compra)
Repetidas vezes, a AmBev desafiou o status quo, apresentando resultados impressionantes mesmo diante de uma dinâmica de consumo mais fraca; este trimestre não foi diferente. Assim, a execução de vendas de alto nível da AmBev levou os volumes de cerveja do Brasil a crescer 8,5% a/a no 2T, ganhando participação de mercado e superando as expectativas de venda e compra de crescimento de baixo a médio dígito.

Citi – Compra
O crescimento do volume de cerveja no Brasil aproveitou o momento de reabertura e o clima favorável em junho e parece sustentável. O preço do LAS refletiu os aumentos de preços e o mix de marcas pode se sustentar, a menos que os ventos contrários da Argentina venham à tona. As principais questões para a gestão são a melhoria das perspectivas de margem com redução de custos de alumínio e aumento do mix RGB/on-trade.

XP Investimentos – Preço-alvo: R$ 18,80 (Compra)

Com mais de 85% dos clientes da AmBev já integrados ao BEEs, as vantagens de um processo de venda totalmente digitalizado estão se tornando mais aparentes. Os pequenos clientes do canal off-trade e on-trade (bares e restaurantes) estão recebendo não só um atendimento melhor e personalizado, com sugestões de portfólio e boas práticas de sell-out, mas seu sistema de gestão (principalmente estoque) já é feito dentro dos BEEs, permitindo mais previsibilidade para ambos os lados. A recente parceria com o GPA adicionará mais um lote de SKUs que estarão disponíveis para todos os clientes, o que confirma que a AmBev está à frente do jogo em vendas digitais de bebidas

Equipe de analistas da XP Investimentos

Balcão Beersenses: Em busca da disrupção cervejeira

Rodrigo Sena Beersenses

Balcão Beersenses: Em busca da disrupção cervejeira

Disrupção é um substantivo feminino que significa “romper ou interromper o curso normal de um processo gerando uma ruptura”.  A etimologia da palavra disrupção vem do latim disruptio.onis que significa fratura, ruptura. Em 1995, o termo foi usado pelo professor Clayton Christensen, da Harvard Business School, em sua teoria da Inovação Disruptiva. Basicamente, no mundo dos negócios, uma disrupção acontece quando todo um mercado é impactado por uma ruptura do modelo estabelecido, seja comercial ou logístico.

A disrupção de modelos de negócio não é novidade. Em 1916, o restaurante White Castle, no Kansas, nos Estados Unidos, inventou uma forma rápida e barata de servir hambúrgueres com batatas fritas e bebidas, criando o fast food e rompendo com o modelo tradicional de negócios daquele mercado. Algumas décadas depois, o McDonald’s romperia de novo o processo estabelecido desse mesmo mercado ao criar o formato de franquias.

Nos últimos 30 anos, a tecnologia tornou possível mais rupturas, e cada vez mais velozes. Uber, Netflix, Airbnb, iFood, e outros, são exemplos de plataformas que provocaram disrupção em seus mercados através da tecnologia.

Tendo tudo isso em vista, fiz toda essa introdução para basear o pensamento central desse artigo: será que alguma tecnologia poderia causar disrupção no mercado cervejeiro? Sempre me faço essa pergunta e tento encontrar respostas. E, recentemente, me deparei com uma bela chance de sondar esse assunto na Brasil Brau, o maior encontro profissional do mercado cervejeiro da América Latina, que aconteceu em São Paulo.

Na Brasil Brau, todas as pontas do mercado se encontram: insumos, logística, equipamentos, serviços, profissionais da área. Tudo estava lá. É claro que, por trás de tudo isso, sempre está a tecnologia. Portanto, a minha missão, que eu mesmo me dei, era encontrar algo que tivesse potencial de disrupção no evento.

Sim, vi muitas novidades bem interessantes. Novas variedades de maltes e lúpulos e novas cepas de leveduras, que podem proporcionar novos sabores e mais produtividade. Equipamentos que melhoram a qualidade da cerveja, como um dosador de dry-hopping eletrônico. A IoT (Internet of Things – Internet das Coisas) cada vez mais conectando todo o processo produtivo das fábricas a plataformas que, além de controlar a produção, coletam informações importantes de todo o processo em tempo real.

Conheci uma máquina que, sozinha, lava e enche barris automaticamente, deixando o processo mais rápido e eficiente, eliminando falhas manuais e até mesmo economizando água e produtos de limpeza. Vi uma chopeira que usa gelo seco no lugar do tradicional CO2 para pressurizar a linha de chope. Fui apresentado também a uma Smart Vending Machine, basicamente uma geladeira inteligente que vende garrafas e latinhas de cerveja sozinha.

Todas essas novidades são muito legais, inovações importantes que trazem ganhos operacionais significativos para a cadeia produtiva. Mas estava faltando aquela inovação que iria fazer meu olho brilhar, vislumbrando uma disrupção.

Até que me deparei com um pequeno estande, nada chamativo, acanhado, num canto da feira. Ali, um empolgado israelense explicava, meio em português meio em inglês, algo que dizia ser novo no mercado. Aviel Dafna, o animado israelense com quem conversei, é presidente de uma empresa especializada em máquinas automatizadas de varejo e geladeiras inteligentes, chamada Progema, sediada na cidade de Fremont, no Vale do Silício.

Ele me mostrou algo com potencial de disrupção, uma solução que une IoT (Internet das Coisas) e I.A. (Inteligência Artificial) para levar conveniência ao consumidor e novos pontos de venda lucrativos para as cervejarias.

O sistema, chamado AiCerv, é uma plataforma que conecta os barris, a geladeira, a logística, o checkout, os clientes e as cervejarias. Parece improvável isso tudo, né, mas não é.

Do ponto de vista do cliente, há um aplicativo para celular no qual é possível pesquisar a localização dos pontos de venda e quais cervejas estão disponíveis em cada ponto. Até aí, nada demais. Mas quando o cliente chega no local escolhido, ele não encontra nenhuma pessoa, apenas uma discreta geladeira com uma torneira de chope em cima, um QR Code e um display com os estilos de cerveja disponíveis. Basta colocar um copo embaixo da torneira, mirar o celular para o QR Code, escolher qual cerveja e qual quantidade deseja e magicamente a torneira libera a bebida. O checkout e o serviço são feitos automaticamente pela plataforma.      

Do ponto de vista da cervejaria, toda gestão está integrada na plataforma. A cervejaria possui uma central de comando onde monitora, em tempo real, a situação de cada geladeira espalhada em diferentes lugares, e acompanha o consumo de cada barril, podendo prever o reabastecimento das cervejas. Então, dá para planejar melhor a logística para reposição, diminuindo custos. Isso só é possível porque os barris e a geladeira estão conectados à internet.

Os barris, aliás, são feitos de fibra de vidro – uma grande inovação por si só. Mas além disso, são barris que não precisam ser trocados. A cerveja é acondicionada em uma espécie de refil de plástico e para a reposição, basta tirar o refil vazio do barril e colocar um novo cheio. Sem transporte de barris, sem lavagem, sem logística reversa.

O sistema de chope dessa máquina também é inovador, abrigando 4 barris de cervejas diferentes e apenas 1 torneira para o serviço. Todas as mangueiras levam a cerveja para a mesma torneira. Isso só é possível porque após cada serviço acontece uma mini CIP (Clean in Place – limpeza no local) automática, evitando contaminação da linha de chope.

Toda essa plataforma permite que a cervejaria espalhe pontos de venda em lugares públicos que hoje não são explorados, como parques, clubes, condomínios, shoppings e muitos outros, além de poder implementar, inclusive, um ponto de venda dentro de bares e restaurantes.

A Progema está no Brasil, baseada na cidade de Salvador, e já conta com 11 cervejarias que aderiram à plataforma. O app AiCerv está disponível nas lojas de aplicativos da Apple e da Google. Se essa tecnologia vai provocar uma disrupção no mercado cervejeiro? Bem, isso eu não sei. Mas que ela nos faz pensar grande e refletir sobre outras possibilidades de inovação no nosso mercado, ah, isso ela faz.


Rodrigo Sena é jornalista, sommelier certificado em tecnologia cervejeira com especialização em harmonizações e responsável pelo canal Beersenses.

Canpack construirá fábrica para produzir 1,3 bi de latas por ano em Poços de Caldas

Mais uma fábrica de latas de alumínio para atender a indústria de bebidas será construída no Brasil. A Canpack anunciou que terá uma nova unidade produtiva na cidade de Poços de Caldas (MG). O investimento, para isso, será de R$ 710 milhões. A capacidade total inicial instalada da nova planta ficará em aproximadamente 1,3 bilhão de latas por ano.

A previsão da Canpack é que as obras sejam iniciadas no último trimestre de 2022, com as atividades na planta industrial começando nos primeiros meses de 2024. E a expectativa é de que sejam gerados 140 empregos diretos em Poços de Caldas, além de outros 500 indiretos.

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Este é o segundo investimento de peso no Brasil anunciado nos últimos meses pela Canpack. Anteriormente, a companhia havia confirmado a construção de uma unidade para a produção de tampas de metal em Manaus, sob o custo de R$ 360 milhões. E já conta com fábricas de latas em Maracanaú (CE) e Itumbiara (GO). Agora, então, se instalará na região Sudeste.

De origem polonesa, a Canpack opera em 17 países e adquiriu, no mercado brasileiro, a Cia Metalic em dezembro de 2016, passando a operar no País, em um segmento onde também atuam as multinacionais Ardagh, Ball e Crown. De acordo com a companhia, a produção de latas na unidade de Poços de Caldas terá o mercado brasileiro como destino prioritário.

“Este novo investimento, com nossos outros investimentos recentes no Brasil, nos dará uma melhor posição para atender às crescentes necessidades de nossos clientes por latas de bebidas, não apenas no Brasil, mas no mercado regional da América do Sul”, afirma André Balbi, diretor de operações da Canpack no Brasil.

O Brasil é o terceiro maior mercado de latas de alumínio do mundo, tendo vendido 33,4 bilhões delas em 2021, com uma alta de 5,2% em relação a 2020, de acordo com dados da Abralatas. E o País também possui uma alta taxa de reciclagem desse tipo de embalagem, de 98,7%.