Início Site Página 124

Balcão do Advogado: Media for Equity no mercado cervejeiro

Balcão do Advogado: Media for Equity no mercado cervejeiro

Já pensou em ter um artista ou esportista famoso promovendo a sua cervejaria? Isso parece estar totalmente fora da realidade das microcervejarias, mas movimentos ocorridos em outros mercados tornaram realidade algo que antes parecia ser impossível.

A estratégia que vem sendo utilizada por muitas empresas é conhecida como “Media for Equity”, que consiste em conceder uma participação no seu negócio a um influenciador famoso que tem o potencial de fazer a marca alçar voos mais altos. Em outras palavras, a empresa utiliza-se de uma pessoa influente, que auxiliará no marketing e na publicidade, em troca de participação societária.

Cases de sucesso
São vários os casos nos quais essa estratégia está sendo desenvolvida: Anitta e Nubank, Rappi e o cantor colombiano Maluma, a atriz Paolla Oliveira com a Lilly e o piloto Sergio Pérez com a Kavak.

O grande atrativo desse modelo é que a empresa não precisa fazer grandes investimentos, sendo a contrapartida a oferta de quotas da sociedade. Os ganhos principais para a empresa são com a exposição e o conhecimento de marketing trazido pelo influenciador/investidor, que podem auxiliar na ampliação da base de clientes e no aumento do valor da marca.

No mercado das bebidas também já existem cases de sucesso: o ator Ryan Reynolds (Deadpool) com o Aviator Gin e o rapper Sean “Diddy” Combs com a Cîroc. Segundo a Diageo, detentora da marca de vodca, após a entrada de “Diddy” na sociedade, as vendas da bebida passaram de 50 mil para 2 milhões de caixas anuais.

Dentro da realidade brasileira, a microdestilaria capixaba “Dry Cat”, que produz gin, convidou o cantor e empresário Thiaguinho para ser head de comunicação e marketing. A ideia é projetar ainda mais a marca, que já conta com prêmios internacionais.

Como as cervejarias podem se valer da estratégia
No caso das microcervejarias, em que o orçamento de marketing/publicidade é limitado, essa pode ser uma boa alternativa de investimento. Com esse tipo de estratégia, a cervejaria, por meio de um recurso não financeiro, pode diminuir custos de publicidade e marketing, aumentar seu mercado, bem como agregar credibilidade e valorizar a marca.

Em contrapartida, a valorização da empresa proporcionará ganhos financeiros ao influenciador/investidor, tornando o modelo atrativo para ambas as partes.

Do ponto de vista legal, a forma mais comum de formalização desse tipo “investimento” é por meio de um contrato de opção de compra de quotas (stock options), no qual é fornecido ao investidor a opção de adquirir quotas do negócio a um valor pré-determinado passado um certo período de tempo. No entanto, ele não é obrigado a, de fato, exercer esse direito, não precisando pagar qualquer valor caso não o faça.

Um formato mais conservador de formalização do Media for Equity seria o ingresso do investidor no quadro societário da empresa. Em ambos os formatos, é extremamente aconselhável que a relação seja muito bem delimitada, restando especificadas todas as atribuições que o investidor terá como (futuro) sócio.

Atribuições, remuneração, gerenciamento, assim como estabelecimento de metas e outros pontos estratégicos, podem ser pactuados em um acordo de sócios, documento sobre o qual já tratamos aqui.

Assim, desde que formalizado corretamente, e havendo sinergia entre o influenciador/investidor e a cervejaria investida, o modelo de Media for Equity pode se tornar uma alternativa viável para as microcervejarias ganharem exposição sem realizar grandes investimentos. Trata-se de uma solução inovadora para o mercado que pode ajudar tanto a alavancar marcas como também a reduzir chances de insucesso.


André Lopes é sócio do escritório Lopes, Verdi & Távora Advogados e criador do site Advogado Cervejeiro.

Menu Degustação: Atrações da Oktoberfest, recolocação de mulheres no mercado…

Após um junho agitado no cenário cervejeiro, repleto de eventos e iniciativas que ajudaram a manter o mercado aquecido, julho promete também ser de muitas atividades no setor. E antes mesmo de começar a curtir o mês, o público já pode reservar datas em suas agendas para as grandes atrações que ocorrerão pouco depois, já que a programação de edições da Oktoberfest em diversas cidades começaram a ser confirmadas.

Além da tradicional festividade em Blumenau, a Oktoberfest terá versões em São Paulo, que ocorrerá no Ginásio do Ibirapuera, e em Cuiabá, no Mato Grosso, onde a banda Barão Vermelho foi confirmada como principal atração musical da programação. Em outras frentes, destaque também para a realização pela Ambev de uma ação para ajudar as mulheres na busca por espaço no mercado de trabalho.

Leia também – Há quase 2 anos no Brasil, Pabst inicia nova fase com introdução a bares

Confira estas e outras novidades da semana no Menu Degustação do Guia:

Camarote da Oktoberfest Blumenau e…
A organização da Oktoberfest de Blumenau, marcada para ocorrer entre os dias 5 e 23 de outubro, já confirmou a programação do seu camarote, que contará com shows de artistas nacionais. Pedro Sampaio, Pocah, Thiago Martins, Buchecha, Thiaguinho, 3030 e Jeito Moleque estão entre as principais atrações deste setor da festa. Com dois andares, terraço, área de shows restrita e ambiente climatizado, essa área garante acesso exclusivo às atrações e disponibilizará open bar de chope da Spaten e das cervejarias convidadas Patagônia, Goose Island e Colorado. O menu do camarote também oferece open food especial, com opções veganas e sem lactose, batata chips, sanduíche de salsichão e outras delícias.

…cenografia da festa
Além dos atrativos cervejeiros e musicais da programação, a organização da Oktoberfest em Blumenau confirmou que o evento terá um novo projeto cenográfico. Assinado pela Guru, agência de comunicação de Florianópolis, o projeto foi apresentado à Secretaria de Turismo de Blumenau com um conceito que se inspira na história para traçar uma visão de futuro e traduz essa intenção com temáticas para os três espaços centrais da Vila Germânica: os Pavilhões 1 e 3 dedicados a Munique e Blumenau, respectivamente, sendo unidos pelo Pavilhão 2, cuja decoração representa a Spaten, cerveja oficial do evento, e a Patagônia, outra marca que faz parte do portfólio da Ambev.

Programação da Oktoberfest em São Paulo…
Já consolidado como um dos maiores eventos culturais do calendário da capital paulista, a São Paulo Oktoberfest anunciou atrações musicais da programação da festividade, marcada para o Ginásio do Ibirapuera. São elas: Silva, Monobloco, Paula Lima, Zélia Duncan, Gustavo Mioto, Maneva, Turma do Pagode, Chemical Surf, Ferrugem, Os Barões da Pisadinha, Banda Harkay, Whata Focka Moment, Banda Rocky Breakout, Molina’s Creedence, Rock Br, Tio Noize e The Dogs. O evento será entre os dias 7 e 23 de outubro, com programação às sextas-feiras, sábados e domingos.

.. e em Cuiabá
Depois de dois anos sem ocorrer, a Oktoberfest Louvada, realizada em Cuiabá, no Mato Grosso, teve a sua realização confirmada. E o primeiro lote de ingressos será colocado à venda na próxima quinta-feira (7). O evento acontecerá em um único dia, em 17 de setembro, na Arena Pantanal, e terá como principal atrativo musical a banda Barão Vermelho. A festa também terá o som das bandas locais Heróis de Brinquedo e MP Rock, estandes com delícias da gastronomia alemã, brincadeiras típicas, espaço kids e mais de dez estilos de chope.

Ambev ajuda mulheres no mercado
A Ambev está promovendo em conjunto com a ONG Cruzando Histórias uma ação para ajudar mulheres a voltar ao mercado de trabalho. A iniciativa terá 100% do lucro com a venda da cerveja colaborativa Desrotuladas, produzida pela companhia em função do Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, revertido para a instituição. Trata-se de uma edição especial do programa “Impulsione a Sua Carreira”, que visa incentivar o cuidado às mulheres em situação de vulnerabilidade social, as preparando para ter um emprego. Na ação, as participantes frequentarão oficinas, painéis, mentoria coletiva e bate-papo com a área de recursos humanos. As interessadas em participar da seleção devem entrar em contato com a ONG por meio do site do projeto.

Nova campanha da Eisenbahn
A Eisenbahn Pilsen Unfiltered estreou uma nova campanha, cuja trilha sonora é uma versão adaptada do clássico “One Way Or Another”, da banda Blondie. Com a mensagem “girar a lata deixa os detalhes do sabor ainda melhores”, a propaganda enfatiza de uma forma divertida que, para ter uma verdadeira experiência artesanal final de degustação, as partículas precisam ser misturadas com o líquido da cerveja não filtrada antes de beber. Gravada em um galpão de São Paulo, a produção contou com uma equipe de quase 200 pessoas entre a preparação, a filmagem e o trabalho de pós-produção.

Inscrições no Concurso Brasileiro
A organização do Concurso Brasileiro de Cervejas resolveu antecipar as inscrições para o evento de 2023 e informou que até 18 de agosto os interessados em participar pagarão preços promocionais. No próximo ano, a competição cervejeira ocorrerá entre 4 e 6 de março.

Festival Turá
Para celebrar a primeira edição do Turá, festival de brasilidade criado para fomentar, exaltar e divulgar a pluralidade da cultura brasileira, a Colorado, cerveja oficial do evento, oferece os rótulos Ribeirão Lager e Appia, produzidos com laranja e mel. O Turá será realizado neste sábado e domingo, no gramado do auditório do Parque do Ibirapuera. Mais de 24 artistas estarão presentes como atrações musicais, entre eles Alceu Valença, Baco Exu do Blues (convidando Marina Sena e Illy), BaianaSystem, Baby, Duda Beat, Emicida, Lagum, Luísa e os Alquimistas, Mahmundi, Mart’nália, Nando Reis (convidando Jão), Roberta Sá, Xamã e Zeca Pagodinho. Mais informações sobre o evento podem ser conferidas no site do festival.

Lançamento em festival da Schornstein
A Schornstein vai comemorar os seus 16 anos de existência em grande estilo, com a volta do festival promovido pela marca, neste final de semana, em Pomerode (SC). E a festa terá o lançamento de uma cerveja, a Schornstein Baltic Porter, que conta com uma receita diferente e em edição especial limitada. A celebração contará com bandas de rock para animar os participantes e ocorre após um hiato de dois anos sem festa por causa da pandemia.

Festa julina da Animal Beer
Em parceria com o restaurante La Biondo, a Animal Beer, de Santo André (SP), realizará uma festa julina especial para comemorar o retorno do seu mestre-cervejeiro ao Brasil após a viagem pelo Polo Norte, em busca de inspiração para a criação da próxima cerveja da marca. Fotos registradas neste passeio servirão como base para a confecção do rótulo da Eisbock. E uma cerveja do estilo Doppelbock já foi produzida como fruto desta aventura.

Tour pela Colonus
A Colonus anunciou que está com um beer tour em sua fábrica em Petrópolis (RJ), onde o visitante poderá acompanhar como funciona o desenvolvimento de uma nova receita da marca e todos os passos da fabricação de cervejas artesanais. Além disso, o local conta com um sistema de autoatendimento de chope e uma vila na qual os frequentadores poderão degustar o que é feito na fábrica com petiscos, pratos e sanduíches. Mais informações podem ser obtidas por meio das redes sociais da cervejaria.

Carta de coquetéis do Esconderijo
O bar de temática spaghetti western Esconderijo apresentou novidades para a chegada do inverno. Com receitas exclusivas desenvolvidas pelo bartender Felipe Damazio, o bar de propriedade da cervejaria Juan Caloto lançou a sua nova carta de drinques, inspirada na estação. Os coquetéis refletem a identidade do local, unindo sabores marcantes com nomes pitorescos como o Oro Del Bando, Fin de Los Dias, Cabana de Caça e Black Window Martini. O Perdición Del Xerife, que é uma infusão de banana e redução de cerveja Stout, e o Morricone Sour, com vodca infusionada no manjericão e pó de tomate, estão também entre os atrativos desta carta de drinques.

Nova edição de rótulos em apoio à comunidade LGBTQIA+
Cerca de 30 cervejarias se uniram para produzir rótulos exclusivos em apoio à comunidade LGBTQIA+, na segunda edição do projeto Brewing Love, iniciativa idealizada pela Octopus para promover mais conscientização no mercado. Entre as cervejarias está a Ambev, que destinará 100% do lucro com a venda das cervejas para instituições de acolhimento, proteção e inclusão da população trans e travestis. No site da Octopus e nas redes sociais das marcas participantes podem ser encontrados mais detalhes da iniciativa ou sobre as ONGs e movimentos beneficiados.

Associação Gaúcha promove moda autoral
A Associação Gaúcha de Microcervejarias promove, em evento neste sábado, uma moda autoral gaúcha em parceria com o movimento Somos MAG. No evento, será lançado o selo Moda Líquida, que celebra o encontro destas duas entidades. O propósito do movimento é alimentar a cadeia virtuosa da economia local dentro do espírito da economia criativa. Desta forma, a moda autoral e as cervejarias artesanais se unem para fazerem juntos um novo movimento, que visa incentivar a colaboração e valorizar a localidade.

Centro gráfico da Ardagh
A Ardagh Metal Packaging inaugurou o Can Studio, o seu primeiro centro gráfico no Brasil, localizado na fábrica da empresa em Jacareí (SP). O espaço foi criado para receber clientes e realizar testes de conceitos, efeitos e acabamentos nos produtos. O local apresenta estrutura para o processo de desenvolvimento do rótulo de latas, desde a consultoria ao cliente até a arte final.

Projeto que busca terroir na mandioca tem adesão de 27 cervejarias e une setor

Termo de origem francesa que originalmente significa uma extensão de terra qualificada por meio de suas aptidões agrícolas, o terroir não é uma palavra que está entre os verbetes estrangeiros acrescentados aos dicionários da língua portuguesa. Porém, o terroir pode ganhar identificação com o setor cervejeiro brasileiro por meio do Projeto Manipueira. Ainda em sua fase inicial, a iniciativa já conta com a adesão de 27 fábricas e tem como objetivo principal criar cervejas selvagens com diversos terroirs encontrados em solo nacional.

A manipueira é o líquido resultante da prensagem da mandioca na produção de farinha e foi escolhida para ser a fonte local de microrganismos para fermentação da bebida. E o projeto batizado com o nome do subproduto deste alimento foi abraçado pela Associação Brasileira de Cervejas Artesanais (Abracerva) após ter nascido de uma parceria entre as cervejarias Cozalinda, de Florianópolis (SC), e Zalaz, de Paraisópolis (MG), ambas especialistas na produção com fermentação selvagem usando barris de madeira.

Leia também – Com Uçá, de Aracaju, Brasil leva só um ouro em concurso cervejeiro no México

“A ideia do projeto de terroir brasileiro de cerveja é explorar as características de um mesmo ‘eixo comum’: a fermentação a partir de microrganismos presentes na manipueira (líquido que também serve de base para se produzir tucupi) em diferentes localidades geográficas, com seus respectivos climas. A partir dessas cervejas prontas também existe a ideia de se fazer um blend entre elas”, explica o sommelier Jayro Neto, conselheiro da Abracerva.

Jayro, aliás, foi um dos idealizadores deste ambicioso plano, conforme destaca Fabrício Almeida, sócio-fundador da cervejaria Zalaz, apontando que um projeto na Bélgica serviu como um estímulo para esta busca agora pelo terroir brasileiro da bebida.

“Nossa inspiração foi o projeto da Horal belga, que é um blend de várias Lambics. A partir disso a gente pensou: ‘Por que não extrapolar esse projeto para o Brasil inteiro, pegando o terroir de cada região?’ Foi assim que surgiu o (Projeto) Manipueira”, conta Fabrício.

A iniciativa tem caráter pioneiro em solo nacional, lembra Rzatki, com a mandioca tendo sido escolhida por ser uma fonte comum de microrganismos, encontrada em todo o Brasil. “Esta será a primeira e a maior exploração sobre cervejas com terroir no Brasil até agora. Cada cervejaria cultivará sua própria microflora, que resultará em cervejas únicas e absolutamente locais”, explica o especialista da Cozalinda.

Para a obtenção do almejado terroir brasileiro, as cervejarias envolvidas neste projeto obedecerão a parâmetros uniformes de fabricação, usando os mesmos tipos de insumos. O plano prevê que as bebidas sejam produzidas no início da primavera, e depois submetidas a um lento processo de fermentação, em barris de madeira. O objetivo é colocar essas cervejas no mercado apenas 12 meses após o início do processo produtivo.

“A estruturação do projeto foi muito feliz ao adotar a bandeira de trazer identidade para esse nosso produto e poder comparar o resultado em diferentes regiões do Brasil, de acordo com a microflora. Isso vai ser de grande valia para que a gente possa ir criando uma identidade da cerveja enquanto produto brasileiro”, afirma o mestre-cervejeiro Rafael Leal, fundador da Caatinga Rocks, fábrica alagoana que também aderiu a esta iniciativa.

A sommelière de cervejas Bia Amorim destaca a boa recepção ao projeto de uso da microflora presente na mandioca para criar bebidas de características únicas como um passo significativo dentro do setor cervejeiro brasileiro, em função dessa busca por uma identidade local.

É interessante ver que muitas cervejarias de prontidão já toparam participar. Um projeto como este, ainda tão novo, é sempre um desafio. Onde encontrar a manipueira, como lidar com a questão dos microrganismos, como usar os barris de madeira? Tudo novo, uma aventura”, enfatiza. “É animador ver tanta gente disposta a fazer uma cerveja como esta, coletiva, que resgata as ancestralidades culturais, que tem sabores desconhecidos… É um projeto a longo prazo e queremos que se torne uma receita, com repetibilidade”, completa.

Essa aceitação ao Projeto Manipueira para a criação de um terroir brasileiro de cerveja traz força para se encarar os desafios impostos pelo próprio processo complexo de produção deste tipo de bebida de fermentação lenta.

“Ainda tem uma questão de entendimento legal sobre produção de cerveja em barril. Já tivemos questionamento da Receita Federal e do MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) sobre isso e é uma situação certamente nova também para outros estados”, lembra Fabrício, também citando a luta para a conquista do consumidor como outro desafio para a iniciativa.

“Estamos dentro da bolha da cerveja artesanal e dentro dela tem as cervejas de fermentação espontânea e que passam por barril de madeira. Não é uma aceitação unânime. Temos o desafio de ensinar ao público sobre essas cervejas para que eles possam apreciar este tipo de bebida que foge muito do conceito tradicional de cerveja”, avalia.

São, claro, desafios a serem superados por um projeto envolto no propósito de unir a cerveja com a cultura, gastronomia, a história e regionalidades, em busca de uma identidade brasileira, como destaca Bia Amorim.

Para as cervejarias é a oportunidade de gerar negócios e apresentar um produto que tem história, que é super gastronômico e tem toda essa questão do terroir nacional, que vem forte nas tendências de consumo. A ocasião ainda pode trazer frutos com a aproximação dos produtores locais. Um ecossistema regional funciona muito melhor quando se trabalha junto

Bia Amorim, sommelière de cervejas

Veja a lista de cervejarias que já fazem parte do Projeto Manipueira:
Alem Bier (Flores da Cunha-RS)
Amazon Beer (Manaus-AM)
Caatinga Rocks (Maceió- AL)
Blumenau/Mestres do Tempo (Blumenau-SC)
Cabôca (Belém-PA)
Cozalinda (Florianópolis-SC)
Cruls (Brasília-DF)
Devaneio do Velhaco (Porto Alegre-RS)
Donner (Caxias do Sul-RS)
Fermentaria Local (Jarinu-SP)
Graia Beer (São Paulo-SP)
Hop Mundi (Natal-RN)
Infected Brewing Co (Santos-SP)
Japas (São Paulo-SP)
Kairós (Florianópolis-SC)
Marek (Charqueada-RS)
Narcose (Capão da Canoa-RS)
Pestana (São Paulo-SP)
Pineal (Sorocaba-SP)
Prisma (Campo Limpo Paulista-SP)
Proa (Salvador-BA)
Quinta do Belasca (Pinhalzinho-SC)
Suricato (Porto Alegre-RS)
Tarantino (São Paulo-SP)
Trilha Cervejaria (São Paulo-SP)
Way Beer (São José dos Pinhais-PR)
Zalaz (Paraisópolis-MG)

Heineken se torna 1ª multinacional a adquirir cervejaria em Taiwan

A Heineken vai se tornar a primeira multinacional a adquirir uma cervejaria em Taiwan. A companhia de origem holandesa anunciou ter chegado a um acordo com o Grupo Sanyo Whisbih para comprar a Long Chuan Zuan Co. em Neipu, um município rural no sudoeste da ilha, próximo à cidade de Kaohsiung.

O acordo da Heineken com o grupo local já recebeu a aprovação da Comissão de Investimentos de Taiwan, que responde ao Ministério de Assuntos Econômicos. Porém, os termos do acordo de aquisição ainda não foram concluídos. Além disso, os detalhes financeiros da compra não foram divulgados.

Leia também – 40 maiores cervejarias venderam 80 milhões de hectolitros a mais em 2021

Em Taiwan, a indústria da cerveja sofreu rígida regulamentação até 2002, quando o país ingressou na Organização Mundial do Comércio (OMC). Por lá, a principal marca de cerveja nacional é a Taiwan Beer, produzida pela estatal Taiwan Tobacco and Liquor Corporation, fabricante e distribuidora de bebidas alcoólicas e cigarros, tendo surgido na sequência do fim do monopólio estatal.

Em processo de aquisição pela Heineken, a Long Chuan é uma das marcas da Taiwan Tsing Beer Corporation, que faz parte do Sanyo Whisbih Group, sendo uma das principais concorrentes da Taiwan Beer no mercado local. E a aquisição pela multinacional holandesa deve acirrar a disputa pelo consumidor local.

A Heineken está presente no mercado cervejeiro de Taiwan desde 1987, tendo aberto o seu primeiro escritório por lá em 2002, ano do fim do monopólio no setor. Hoje, a companhia possui seis escritórios no país e um faturamento de 6 bilhões de novos dólares taiwaneses (aproximadamente R$ 1,05 bilhão).

De acordo com a Heineken, Taiwan é o seu segundo maior mercado de exportação, atrás apenas dos Estados Unidos. Por lá, as principais marcas do grupo são, além da própria Heineken, Tiger, Strongbow e Edelweiss.

8 lições aprendidas pelo mercado cervejeiro durante a pandemia do coronavírus

O setor cervejeiro vive momento de reaquecimento após atravessar períodos de crise, motivados principalmente pela pandemia do coronavírus. E o grave problema sanitário obrigou as empresas a se reorganizarem e a reavaliarem os processos para sobreviverem e voltarem a crescer quando a conjuntura melhorasse, como agora.

Esses aprendizados foram enaltecidas por representantes de diversas companhias, de diferentes áreas de atuação, ouvidos pela reportagem do Guia e que celebraram a recuperação do segmento, apontando soluções adotadas durante a crise dentro do setor cervejeiro.

Leia também – Cerveja artesanal precisa de menos tributos para ficar mais barata, avaliam especialistas

Com base nestas entrevistas, listamos em oito tópicos fatores e lições importantes aprendidas durante a pandemia:

Planejamento financeiro é fundamental
“A pandemia mostrou como o planejamento é fundamental na hora de começar um negócio e para se ter uma boa estrutura, um bom planejamento financeiro e um bom controle do que é o fluxo de caixa e de como a empresa é gerida. Por exemplo, no meu bar (o Arnesto Brewery Cave), a gente sempre teve uma reserva financeira, para momentos de crise, que a gente usou durante a pandemia. E por causa dessa reserva, a gente não fechou”, revela Filipe Bortolini, sócio da Beer Business, empresa especializada em gestão de negócios e projetos no setor cervejeiro, destacando que os estabelecimentos precisam ter um plano que reduza os impactos dos problemas financeiros ligados à diminuição do poder de compra do consumidor.

Em uma linha parecida, o diretor-executivo da BeerSales, Alam Corrêa, também exaltou o peso que o bom planejamento financeiro preventivo teve para a sua empresa. “A gente aprendeu durante a pandemia a importância das ferramentas de longo prazo, mas também com os olhos mais nos cenários de curto prazo para que, caso aconteça alguma coisa, você tenha um fundo de caixa”, opina.

Reorganização estrutural e reavaliação para poder voltar a crescer
Carol Troppmair, gerente administrativa da MyTapp, empresa de autosserviço de chope, lembra das consequências difíceis da pandemia, mas ressalta a importância da reorganização promovida internamente para que a sua firma pudesse pavimentar um novo caminho em busca do almejado sucesso.

“A gente teve de diminuir a equipe, passou por alguns maus períodos, mas aprendeu bastante sobre como se adaptar. A gente aproveitou o período para dar um passo para trás, para poder depois estar pronto para dar dois passos para frente. Com o crescimento exponencial e rápido, às vezes os processos vão se atropelando e as coisas já estavam se perdendo dentro da empresa, em relação aos processos. E a gente aproveitou para aprimorar os produtos, principalmente os serviços”, enfatiza Carol, fazendo analogias ao analisar o atual cenário da MyTapp no setor cervejeiro após superar a crise.

“A gente brinca que ‘afiou o machado’ e agora está pronto para ‘destruir uma floresta’. É assim: a gente estava com o avião voando em linha reta e pousou, melhorou o piloto e o maquinário para poder voar mais longe”, completa.

Eficiência do trabalho híbrido hoje é essencial para a empresa
Alam Corrêa, diretor-executivo da BeerSales, destaca a eficiência do trabalho híbrido durante a pandemia em sua empresa, algo importante para qualquer companhia, pois ainda está presente a necessidade de isolamento de funcionários em função da Covid-19.

“O que aprendemos muito nessa pandemia foi com o home office. Agora voltamos para a sede, mas estamos pensando na possibilidade de fazer de novo o home office, pela qualidade de vida que proporcionou aos funcionários. E isso permite que, caso venha uma outra onda do vírus, a empresa já esteja preparada para operar com todo mundo de casa, o que a gente conseguiu fazer usando ferramentas”, diz.

Ewerton Miglioranza, sócio da Bier Held, também enaltece a adaptação da sua empresa a um novo modelo de funcionamento durante a pandemia.

Aprendemos um novo jeito de trabalhar, de forma remota. E como o nosso sistema é todo online, conseguimos lidar bem com isso e buscamos novos caminhos para atingir novos clientes

Ewerton Miglioranza, sócio da Bier Held

Pandemia também motiva investimentos e novos negócios
A pandemia não foi motivo apenas para as empresas reduzirem seus gastos ou demitirem funcionários. Em vários casos, a crise estimulou investimentos por empresas do setor cervejeiro que visaram frutos a serem colhidos em áreas nas quais novas perspectivas de expansão foram vislumbradas, com o panorama adverso proporcionando outras oportunidades de negócios.

“Neste período de pandemia, aproveitamos para modificar processos internos. E, ao contrário do que muitas outras empresas fizeram, nós investimos. Fizemos um investimento de cerca de US$ 500 mil em um novo equipamento de fracionamento e embalagem de lúpulos. E estamos trazendo toda a nossa linha de lúpulos numa nova embalagem, em um processo totalmente automatizado, que traz mais qualidade e segurança para o usuário do produto”, destaca Dario Occelli, CEO da Eureka Insumos Cervejeiros. “Aproveitamos o momento em que o mercado estava, digamos, em recesso, para fechar grandes parcerias e procuramos novos parceiros, tanto na área de lúpulo quanto na área de malte”, acrescenta.

Capacidade de negociação para reter clientes e garantir receitas
A capacidade de resiliência em meio a uma crise econômica passa, também, pela preocupação de saber reter clientes, que durante a pandemia lidaram com consequências financeiras drásticas. O fato foi lembrado por Ederson Cavalin, diretor comercial das Chopeiras Memo, que precisou ser flexível e compreensiva para receber pelos serviços prestados.

“Quando veio a pandemia, nossos clientes pararam de vender, ficaram estagnados e caiu 90% o faturamento deles. Nós estendemos os pagamentos de todos, sem exceção. E todo mundo ligava para renegociar e pagar depois de seis meses, de dez meses. Foi um aprendizado e uma união”, diz o executivo da Chopeiras Memo.

Empresa precisa saber se reinventar e promover inovações
Thiago Chiumento, coordenador comercial da Agrária Malte, pondera que o segmento cervejeiro vive uma fase na qual precisa “se reinventar” para fidelizar os consumidores. “Têm cervejarias que reduziram muito o nível de fabricação e aí tivemos de entender um pouco mais o que o cliente desejava. Então veio essa busca por um produto com preço competitivo e que tivesse apelo também para o cliente. Paralelamente a isso, a gente promoveu algumas inovações, trouxe alguns produtos ao mercado, com o nosso grande lançamento sendo o malte de trigo”, enfatiza o especialista.

Busca por maior número de fornecedores
A pandemia e, mais recentemente, a guerra na Ucrânia afetaram a cadeia de insumos cervejeiros, em sua maioria importados, desafiando a capacidade de abastecimento das empresas do setor e impondo a necessidade de diversificação do leque de fornecedores, como destacado por Jeferson Stamborowski, gerente de produtos da Sartorius, que oferece sistemas de filtração para maximizar o processo de produção da cerveja.

A pandemia nos ensinou que ‘quem tem só um fornecedor, não tem nenhum’. Aprendemos, também junto com os nossos clientes e potenciais clientes, sobre a importância de ter capacidade de estoque e de produção de alguns itens que, devido à pandemia e à guerra, ficaram escassos. Então, é preciso buscar novos fornecedores, desenvolver mais o mercado nacional e fazer mais parcerias com empresas brasileiras

Jeferson Stamborowski, gerente de produtos da Sartorius

Demanda pelo aumento de oferta de serviços e produtos
Leandro Spaniol, gerente de marketing da Zero Grau, empresa especializada em fabricar e comercializar máquinas e equipamentos para refrigeração, destacou a “diversificação” ao comentar a necessidade crescente por disponibilizar mais serviços aos clientes de dentro e fora do setor cervejeiro durante a crise.

“Atendíamos muito o mercado de eventos. Com a pandemia, percebemos que podíamos entrar em outros mercados, como, por exemplo, de alimentação e delivery. A turma do mercado da cerveja também sofreu com logística, com delivery, com outras coisas que tiveram de arrumar para que pudessem diversificar a distribuição e a forma de atendimento”, afirma.

Eduardo Veloso, gerente de serviços da JT Instrumentação e Processos, empresa especializada em soluções industriais para o segmento de bebidas e alimentos, também apontou que novas possibilidades se abriram. “Sempre estivemos muito focados em cerveja, mas começamos a abranger outros mercados, de laticínio, de alimentação, e conseguimos aumentar também muito o portfólio dos nossos produtos para que, quando o cliente precisar, tenhamos uma solução inteira para poder ajudá-lo”, ressalta.

Sócio-fundador da Bevfy, Carlos Lima também ressalta a importância de hoje poder oferecer uma plataforma digital que tem funcionalidades que facilitam a vida de quem compra e de quem vende cervejas artesanais. “Para a gente, tem sido natural dar soluções alternativas para ações que foram impactadas durante a pandemia, como o processo de compra e venda, a limitação de oferta ou a dificuldade de acesso a alguns produtos”, enfatiza.

Sapporo adquire Stone Brewing nos EUA; Entenda razões e impacto do negócio

Em uma histórica movimentação dentro do mercado cervejeiro dos Estados Unidos, a Sapporo USA anunciou a aquisição da Stone Brewing, icônica marca de artesanais californiana. O acordo, avaliado em cerca de US$ 165 milhões (aproximadamente R$ 863 milhões) e com potencial para pagamentos adicionais a depender do desempenho dos negócios, deve ser concluído em agosto.

A Sapporo é a marca de cerveja asiática mais vendida nos Estados Unidos e a 27ª maior do mundo, de acordo com levantamento da BarthHaas. Já a Stone Brewing, fundada em 1996, é a nona maior cervejaria artesanal dos EUA, segundo dados da Brewers Association, e a 18ª maior do país, tendo rótulos como Stone IPA, Stone Delicious IPA e Stone Buenaveza Salt & Lime Lager em seu portfólio, sendo uma das responsáveis pelo crescimento do mercado de IPAs.

Leia também – 40 maiores cervejarias venderam 80 milhões de hectolitros a mais em 2021

“Este é o próximo capítulo certo para a Stone Brewing”, diz Greg Koch, cofundador e presidente executivo da Stone Brewing, em um comunicado à imprensa. “Por 26 anos, nossa incrível equipe trabalhou incansavelmente para produzir cervejas que definiram tendências e redefiniram expectativas. Ter o interesse de uma empresa como a Sapporo em continuar a história da Stone é uma prova das ótimas cervejas que criamos e continuaremos a criar para nossos fãs em todo o mundo”, acrescenta.

Com a aquisição, a holding da Sapporo no mercado norte-americano espera ter grande capacidade de fabricação de cervejas em ambas as costas dos Estados Unidos, permitindo um aumento significativo na produção para atender a demanda do consumidor pelas cervejas da sua marca dentro do país.

Para isso, vai utilizar as duas cervejarias da Stone no país, localizadas em Escondido, na Califórnia, e em Richmond, na Virgínia. Com base nas capacidades existentes e apoiada por investimentos, a Sapporo pretende produzir 360 mil barris no país até o final de 2024, o que representa dobrar o que é fabricado atualmente pela marca recém-adquirida, que produziu 326.281 barris no ano passado.

“Nós abordamos a Stone Brewing em busca de um parceiro para nossos planos de crescimento nos EUA e rapidamente reconhecemos que eles eram um parceiro ideal com capacidade de fabricação de cerveja em duas costas, fãs leais, gerenciamento excelente, valores culturais compartilhados e compromisso com os mais altos padrões de qualidade”, afirma Kenny Sadai, presidente da Sapporo USA.

“Esta aquisição junta os recursos e o legado da maior marca de cerveja asiática da América com uma das marcas de cerveja artesanal mais inovadoras e reconhecidas do mundo. É uma fusão perfeita de leste a oeste, sendo um casamento ideal para a estratégia de crescimento de longo prazo da Sapporo nos EUA”, acrescenta.

A Stone continuará produzindo suas cervejas nas duas fábricas, além de operar seus sete estabelecimentos (taprooms e restaurantes) e demais atividades sob o guarda-chuva da Sapporo. “Esta parceria única nos permite preservar o legado da Stone que nossos fãs conhecem e amam e adicionará oportunidades exponenciais de crescimento, desde a produção até mais investimento em pessoas, equipamentos, vendas e marketing”, diz Maria Stipp, CEO da Stone.

Essa é a segunda aquisição no segmento de cervejas artesanais dos Estados Unidos realizada pela Sapporo USA, que em 2017 comprou a Anchor Brewing Co. A Sapporo é a cervejaria mais antiga do Japão, tendo sido fundada em 1876. E seu portfólio na América do Norte também inclui a Sleeman Breweries em Ontário, no Canadá, que a empresa comprou em 2006.

A Stone Distributing Co., negócio de distribuição da Stone Brewing, não faz parte da venda e se tornará uma empresa independente sob a atual propriedade, mantendo sua atual liderança nas operações do dia-a-dia. A empresa, assim, continuará a atender o sul da Califórnia com um portfólio de 42 marcas de artesanais, incluindo a Stone Brewing.

Mudança de postura e crise
A venda da Stone se insere em um contexto de aumento das atividades de fusões e aquisições no mercado de cervejas artesanais nos Estados Unidos, algumas delas com a participação de gigantes asiáticas, tanto que a Lion Little World Beverages, de propriedade da japonesa Kirin, adquiriu a New Belgium em 2019 e a Bell’s Brewery no ano passado. Já a fabricante de bebidas energéticas Monster Beverage fechou a aquisição da CANarchy Craft Brewery Collective em fevereiro.

E a última dessas negociações conclui uma mudança de postura da Stone e de Koch, que defendiam o movimento independente de fabricação de cerveja artesanal. Em 2016, inclusive, o assunto foi tema de um vídeo intitulado “Por que escolhemos não nos vender para grandes cervejarias”, publicado no perfil no YouTube da marca.

Porém, neste ano, durante o julgamento de ação contra a MillerCoors, a CEO da Stone admitiu a possibilidade de vender a cervejaria em função, principalmente, de dívidas com o grupo investidor VMG/Hillhouse. Além disso, a empresa teve outros contratempos, com o fracasso da sua operação na Alemanha e da True Craft, uma empresa destinada a investir em cervejarias artesanais.

A negociação também foi alvo de uma longa carta aberta publicada por Koch no site oficial da Stone, intitulada “Está na hora”. Confira na íntegra.

Identificação de embalagens ganha peso na memória do consumidor

A pandemia da Covid-19 impactou economicamente diversos setores e mudou comportamentos do consumidor. Não foi diferente no segmento cervejeiro, com embalagens como latas, garrafas PETs e growlers ganhando espaço e aparecendo como novas opções para as marcas. Um cenário que não deve se alterar nem com a retomada dos eventos, que forçam a indústria a reforçar os cuidados com a identificação dos seus rótulos nas embalagens.

Na visão de Bruno Lage, sócio-fundador da Label Sonic, empresa especializada em rotulagem, os eventos são uma possibilidade para as cervejarias consolidarem as suas marcas junto aos consumidores através da identificação empregada nas embalagens. Assim, uma rotulagem cuidadosa e chamativa deve facilitar o seu posterior reconhecimento pelo consumidor em um outro cenário de aquisição dos produtos.

Leia também – Macroeconomia desafia retomada do setor cervejeiro em nova fase, aponta startup

“Nos eventos, há sempre a venda de garrafas e latas. Neste sentido, é importante para nós, pois há o uso de rótulos. É importante mostrar seus produtos rotulados para que o consumidor possa identificá-los depois em outros PDVs. A venda de kits também é importante, pois consolida a marca na cabeça do consumidor”, destaca.

Os eventos, aliás, também ajudam na recuperação econômica das cervejarias por facilitarem o escoamento da produção de bebidas, além de proporcionarem uma experiência mais rica aos consumidores. E, na visão de Lage, as cervejarias retornam a esses encontros presenciais mais completas, após o desenvolvimento de soluções durante o período de pandemia do coronavírus.

“Com a pandemia, algumas cervejarias que produziam somente em barril, começaram a envasar e, alinhado à falta de garrafas e ao aumento do delivery, começaram a usar outras embalagens como latas, garrafas PET e growlers. E desta forma, conseguiram se manter e em alguns casos até aumentar as vendas. Portanto, aquelas cervejarias que escoavam a produção em eventos, agora possuem outros canais de distribuição. Os eventos, voltando com força total, irão ajudar demais no faturamento das cervejarias”, argumenta.

Com clientes e parceiros em diferentes segmentos, a Label Sonic também tem aproveitado o período de retomada dos eventos presenciais. Para isso, a empresa já esteve em feiras de negócios voltadas para o mercado de azeites e cachaças. Além disso, já estão programadas participações em eventos voltados a produtores de kombuchas e drinques. E o sócio da companhia ressalta a importância do estreitamento do relacionamento comercial permitido por esses eventos.

“O resultado foi excelente, pois sempre o contato pessoal terá um valor enorme na relação comercial. É a hora de encontrar e bater papo, apresentar produtos, conhecer mais pessoas do time do cliente, conhecer mais a fundo os problemas de cada cliente. A pandemia criou outros ambientes virtuais, mas o contato pessoal sempre será mais valioso”, conclui Lage.

Ambev define Carambeí para receber fábrica de vidros no Paraná; Conheça a cidade

A cidade de Carambeí, nos Campos Gerais, foi a escolhida para receber uma nova fábrica de vidros sustentáveis da Ambev no Paraná.  A companhia havia assinado um protocolo de intenções com o governo estadual no fim de 2021 para a instalação da unidade produtiva. Agora, então, definiu a cidade onde vai se instalar.

A construção da fábrica de vidros da Ambev em Carambeí demandará investimento de R$ 870 milhões e vai se iniciar ainda em 2022. A expectativa é de gerar 1,5 mil vagas durante o processo de construção. Depois, com o início da operação, previsto para 2025, serão entre 300 e 400 postos diretos de trabalho.

Leia também – 40 maiores cervejarias venderam 80 milhões de hectolitros a mais em 2021

“A Ambev já é uma referência em sustentabilidade no nosso Estado e no mundo. Agora, eles trazem mais essa boa notícia: uma indústria de garrafas de vidro, que segue a política da empresa de fazer a reciclagem das garrafas”, afirma o governador do Paraná, Carlos Massa Ratinho Junior.

Em Carambeí, a Ambev vai produzir garrafas a partir da reciclagem de cacos recolhidos, fruto de parcerias com empresas de logística reversa e cooperativas da região. Serão fabricadas garrafas dos tipos long neck, além de embalagens de 300ml, 600ml e 1 litro das diversas marcas da empresa, como Brahma, Skol, Budweiser, Stella Artois, Becks e Spaten.

A capacidade produtiva da planta industrial será de até 500 milhões de garrafas por ano, dependendo do tipo. E com essa unidade para produção de embalagens de vidro, a Ambev espera atender suas cervejarias no Paraná e em outros estados. Além disso, a construção da unidade em Carambeí está alinhada à meta da empresa de ter 100% dos seus produtos em embalagens retornáveis ou feitas majoritariamente de conteúdo reciclado até 2025.

Para isso, a fábrica será construída com apenas fontes de energia elétrica renovável, sendo equipada para operar com biocombustíveis. Também contará com uma estação para tratamento de 100% dos efluentes gerados e reaproveitamento da água utilizada no processo, garantindo eficiência hídrica e energética.

A cidade
Emancipada em 1995, Carambeí é uma cidade de pouco mais de 25 mil habitantes, tendo a sua identidade cultural moldada por indígenas, tropeiros e imigrantes europeus – principalmente holandeses –, que fundaram por lá uma cooperativa de laticínios, sendo uma das principais bacias leiteiras do País e abrigando importantes indústrias nacionais e multinacionais de produtos lácteos, como a Batavo.

Localizada nos Campos Gerais, tem os apelidos de “Pequena Holanda” e “Cidade das Tortas”, fazendo limite com as cidades de Castro, Ponta Grossa e Tibagi. Além disso, está a 135 quilômetros da capital Curitiba.

“É resultado de um trabalho árduo de toda a equipe, que desde dezembro está dando o suporte com o repasse de informações à empresa. É um marco histórico, um grande passo para a industrialização do município. Uma conquista de Carambeí, dos Campos Gerais e do Paraná”, afirma a prefeita de Carambeí, Elisangela Pedroso, celebrando a chegada da Ambev à cidade.

Antes de decidir pela construção de uma fábrica de vidros em Carambeí, a Ambev já contava com uma unidade no Rio de Janeiro. No Paraná, a companhia também possui unidades produtivas em Ponta Grossa e Curitiba.

Balcão da Fabiana: Cerveja artesanal – O sonho acabou?

Balcão da Fabiana: Cerveja artesanal – O sonho acabou?

Em 2022 completam-se 15 anos desde que entrei para o segmento cervejeiro. Foi em 2007, quando passei a fazer parte da Confece – Confraria Feminina da Cerveja – em sua primeira formação, que a cerveja passou a fazer parte da minha vida. Primeiro como hobby, depois como objeto de estudo, a seguir como tema de trabalho e por fim, como profissão mesmo.

Quando comecei a me inteirar deste mundo, havia um inimigo claro a ser combatido: a grande indústria personificada pela Ambev. Curiosamente, as outras grandes cervejarias não pareciam ameaçar as pequenas. Diziam que a Heineken era amiga das artesanais… Não sei de onde tiraram tal conceito, mas, vá lá, o aceitávamos, inclusive, propagando a holandesa como nossa cerveja de batalha.

Naquela época, o Brasil não contava nem com 100 cervejarias artesanais abertas. E o romantismo de ser dono de sua própria cervejaria povoava os sonhos dos homebrewers por aqui. Muitos deles conseguiram tornar real esse sonho e estamos aí, atualmente, segundo os números oficiais do MAPA, com mais de 1.300 cervejarias em funcionamento no País.

Mesmo com um crescimento notável como esse, quando me perguntam hoje como enxergo o mercado cervejeiro, confesso que não tenho prognósticos tão otimistas como muitos adoram propagar por aí. Aliás, não sei nem delimitar em que pé está o nosso segmento diante das novas tendências registradas na área de bebidas – alcoólicas e não-alcoólicas, diga-se de passagem.

Vivemos uma situação um tanto quanto paradoxal hoje: por um lado, os destilados, com teores alcoólicos altíssimos, invadem os espaços sociais, eventos e preferência do público. Do outro lado, há uma demanda cada dia maior por bebidas sem álcool, ou com baixo teor alcoólico.

E a cerveja artesanal, onde fica em tudo isso?

A impressão que tenho é que a cerveja caiu em uma espécie de limbo, no qual sobrevive a duras penas, sem o “ glamour” da qual esteve cercada poucos anos atrás. Cerveja não é mais moda. O boom da bebida passou. E hoje nossos principais inimigos são as bebidas de outras categorias e, pasmem, as cervejarias vizinhas!

Nunca antes vi tanta cervejaria pequena tentando passar a perna na outra. As mesmas práticas que tanto condenavam nas grandes, de fechar pontos de venda, de exigir exclusividade em troca de mesas e cadeiras, de colocar seus preços lá embaixo inviabilizando uma concorrência minimamente possível, estão sendo praticadas por pequenas cervejarias. Estaríamos dormindo com o inimigo?

Eu confesso que tenho me sentido bastante incomodada em ver o mercado, de certa forma, prostituído. Não existe mais sonho, nem romantismo e muito menos respeito por quem, na teoria, está na mesma trincheira.

Não bastasse ter de lutar contra as altas cargas tributárias, contra o domínio de mercado pelas grandes (que recebem incentivos fiscais de todo tipo para se instalarem em cidades brasileiras), contra as exigências leoninas dos grupos de varejo para abrir espaço em suas gôndolas para as pequenas, agora estamos guerreando umas contra as outras?

Que mercado é este que pretendemos construir? Se alimentamos ovos de serpente dentro do segmento, como queremos alcançar um crescimento sustentável?

Que diferença pretendemos fazer se as pequenas agora se voltam a produzir cervejas ordinárias, até mesmo com uso de adjuntos, para competir com as grandes marcas? Como se fosse possível apresentar um produto melhor e mais barato do que elas, que têm décadas à frente na expertise de produzir esse tipo de cerveja.

Para piorar a situação, voltou ao mercado uma cervejaria cujos produtos mataram e contaminaram dezenas de consumidores. Mudaram de nome, mas mantiveram as velhas práticas de comprar PDVs em detrimento das outras cervejarias de seu nicho. Isso sem indenizar nenhuma vítima, sem pagar os ex-funcionários que lutam na Justiça para receber o que lhes é devido.

É isso. Posso parecer amarga em minha análise, mas não vejo muito futuro para o mercado se continuarmos nessa toada. Talvez seja a hora de recuar e retomar a trilha aberta lá na década de 1990 por alguns cervejeiros visionários. Talvez seja o momento de repensarmos o que queremos para esse mercado e levantar iniciativas construtivas, em vez de nos voltarmos contra nossos pares.

Grandes impérios caíram assim: de dentro para fora. É esse o fim que almejamos para nossos sonhos?


Fabiana Arreguy é jornalista e beer sommelière formada em 2010, pela primeira turma Doemens no Brasil, através do Senac SP. Produz e apresenta, desde 2009, a coluna de rádio Pão e Cerveja, sendo editora de site com o mesmo nome e autora de livros. É curadora de conteúdo, consultora de cervejas especiais, proprietária da loja De Birra Armazém Cervejeiro, além de professora do Science of Beer Institute e do Senac MG, assim como juíza dos principais concursos cervejeiros brasileiros e internacionais.

Confira lançamentos realizados pelas cervejarias artesanais no mês de junho

O mês de junho ficou marcado por uma série de lançamentos de colaborativas que foram frutos de parcerias entre cervejarias, como é o caso dos acordos firmados entre as marcas Corisca e Zuraffa, Dádiva e 5Elementos e as catarinenses Frost Beer e Lohn Bier.

Entre os lançamentos ocorridos no agitado setor cervejeiro brasileiro, também houve espaço em junho para receitas diversas, sofisticadas e até mesmo históricas, como é o caso do novo rótulo apresentado pela Blumenau, de estilo polonês Grodziskie cuja bebida havia sido eleita a grande campeã do último Concurso Brasileiro de Cervejas.

Leia também – Schornstein reforça elo com Pomerode ao voltar a fazer festival na cidade em julho

Confira essa e outras novidades apresentadas nos lançamentos pelas cervejarias em junho e selecionadas pelo Guia:

Avós
Em mais uma iniciativa ligada a sua essência de resgatar e homenagear memórias, a cervejaria paulista lançou em junho a Avó que Dibra, uma Bohemian Pilsner de 4,8% de teor alcoólico. O rótulo brinda a chegada da marca ao Pavilhão Pacaembu, que sediará eventos culturais variados. O nome desta cerveja faz reverência às mulheres que promoveram o Jogo das Vedetes no tradicional estádio municipal paulistano, em 1959, driblando a lei que proibia partidas de futebol feminino até então.

Blumenau
Vencedora do prêmio de melhor rótulo do Concurso Brasileiro de Cervejas de 2022, a Blumenau lançou no mercado a Dona Patroa. Do histórico estilo polonês Grodziskie, a cerveja leva, em sua composição, apenas malte de trigo defumado em carvalho e é uma Ale leve e refrescante. O rótulo homenageia Alcione Tomio Zanetti, esposa do fundador da cervejaria, Valmir Zanetti, e está à venda em latas de 473ml. O produto também tem um lote em barril disponibilizado pela marca para ser comercializado.

Burgman
Para celebrar o aniversário de 12 anos da marca, a cervejaria paulista promoveu três lançamentos de rótulos em junho. Um deles é uma Wee Heavy com café batizada de Burgman Twelve, que tem carga generosa de malte e 7% de teor alcoólico. Outra novidade lançada pela marca foi uma Session IPA chamada de Haisa, com 3,8% de álcool e cujo nome é uma reverência à elefanta que viveu até 2020 no zoológico de Sorocaba, cidade de origem da cervejaria, junto com seu companheiro Sandro. Para complerar, a Burgman lançou uma versão repaginada da sua IPA Hop, uma India Pale Ale que chega ao mercado em garrafas de 600ml e em chope. A nova receita deste rótulo conta com uma lupulagem diferente, composta pelo blend de citra, enigma, topaz e amarillo, que traz mais frescor e potência de aromas cítricos.

Corisca e Zuraffa
A Corisca e a Zuraffa lançaram uma cerveja artesanal colaborativa, batizada com o nome Do Brejo, que é fruto da parceria firmada pela cervejeira Thamara Andreatta e a Éden Hops, empresa de produção de lúpulo nacional comandada por Camila Gross. Com as duas se identificando como LGBTQIAP+ e apoiadoras da causa, o rótulo chega para celebrar o orgulho, o respeito, a visibilidade lésbica e provar a força das mulheres em um mercado ainda dominado pelos homens. Uma Session IPA feita com lúpulos Cascade e Cornet, essa cerveja pode ser comprada como chope e em latas de 473ml em diversos pontos de venda.

Cruls
A Cervejaria do Distrito Federal lançou um rótulo da sua linha Cosmos, série dedicada ao universo das IPAs. Trata-se da Vórtex, uma Juicy IPA feita com cinco variedades de lúpulos, sendo um sul-africano e quatro norte-americanos. Entre as suas características mais notáveis estão a intensidade aromática, a aparência turva e o amargor mais moderado. As ilustrações das latas da série Cosmos são feitas por artistas locais. O responsável pelas artes da Vórtex foi o designer gráfico e ilustrador Ge Lima, que já havia produzido também o desenho da Gênese, outra cerveja deste segundo ciclo de IPAs lançadas pela Cruls.

Dádiva
A marca lançou a Smoothie Ephemeral, rótulo promovido pela cervejaria como dona de uma saborosa combinação proporcionada por uma “explosão de frutas e cremosidade”. Esse estilo de cerveja é chamado de Smoothie Beer por se assemelhar, na textura, a um shake de frutas ou vitamina. Mesmo com a acidez que possui, o rótulo foi lançado com o atrativo de ser bom para o inverno, por trazer com equilíbrio a mistura entre cacau e baunilha, além de ser bem encorpada ao possuir teor alcoólico alto, de 10%. Contendo também mirtilo e amora em sua receita, essa cerveja é vendida em latas de 473ml.

Dádiva e 5Elementos
Em outro lançamento envolvendo a Dádiva neste mês de junho, a cervejaria apresentou ao mercado, em conjunto com a cearense 5Elementos, duas versões do rótulo batizado de Double IPA. Uma delas conta com lúpulos Idaho 7 e Idaho Gem sendo que é uma cerveja com notas cítricas e frutadas, evidenciando aromas de laranja e frutas amarelas. Já a outra versão desta bebida traz lúpulos Nelson Sauvin e Hallertau Blanc, com um perfil cítrico puxado para frutas vermelhas e uva branca. Estes dois rótulos são vendidos em latas de 473ml.

Dogma
Em parceria com a principal distribuidora de bicicletas BMX do Brasil, a Dogma lançou uma cerveja inspirada em uma manobra icônica desta categoria do ciclismo. Trata-se da Backflip, uma Hazy IPA que traz aromas de frutas cítricas e tropicais como laranja, maracujá e lichia. Esse rótulo foi criado como fruto da união da cervejaria com a empresa Dream BMX e é apresentada como uma cerveja leve, refrescante e fácil de beber, mas ao mesmo tempo intensa. A lata de 473mil do novo rótulo conta com a ilustração de um competidor quando ele executa um backflip em uma pista de manobras. O produto está à venda nas lojas e franquias da Dogma e outros locais especializados em cervejas artesanais.

Frost Beer e Lohn Bier
Em uma colaboração que visou o lançamento de um rótulo que foi fruto da parceria entre duas cervejarias de Santa Catarina, a Frost Beer e a Lohn Bier apresentaram a Lager Pinhão, criada com esse nome ao ser inspirada na Festa Nacional do Pinhão, que neste ano celebra a sua 32ª edição, em Lages, na serra catarinense. Com a proposta de misturar à cerveja artesanal a este ingrediente serrano que dá nome à festa local, esse rótulo está sendo vendido no formato de chope e em garrafas de 600ml nos mais diversos estabelecimentos da cidade de Lages e em todo o Estado de Santa Catarina.