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Balcão do Profano Graal: A cerveja como patrimônio cultural

Balcão do Profano Graal: A cerveja como patrimônio cultural

Agosto pode ser para muita gente “o mês do desgosto”. Mas, certamente, não para os historiadores. É nesse mês que se comemoram duas datas importantes para quem trabalha com história. Dia 17 de agosto é o Dia do Patrimônio Cultural. E apenas dois dias depois (19 de agosto) se comemora o Dia do Historiador.

As datas estão diretamente ligadas, uma vez que a preservação do patrimônio cultural é uma das áreas de atuação do historiador. Mas o que isso tem a ver com a cerveja? Talvez você não saiba, mas em 2016 a cultura cervejeira belga foi declarada Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, pela Unesco.  

Quando falamos em “patrimônio cultural”, a primeira ideia que vem à nossa cabeça é a de monumentos, obras de arte ou prédios antigos que são considerados dignos de preservação pelo seu valor artístico (estético/estilístico) ou histórico. Mas esses bens, que chamamos de “bens materiais” ou “patrimônio construído”, são só uma parte de todo o patrimônio cultural.

Ao seu lado, existe também o “patrimônio imaterial ou intangível”, que é preservado por outros valores que não têm a ver com o seu aspecto material, os seus valores identitários. Ou seja, porque faz parte da identidade de um determinado grupo social. Podem ser, por exemplo, formas de expressão (como danças e rituais), modos de fazer (como se constrói uma panela de barro, por exemplo), línguas (sejam as línguas nacionais ou dialetos regionais) e hábitos alimentares.

Em 2003, foi adotada pela Unesco a Convenção para a Salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial. Esse documento define o patrimônio cultural imaterial da seguinte maneira:

Práticas, representações, expressões, conhecimentos e técnicas – junto com os instrumentos, objetos, artefatos e lugares culturais que lhes são associados – que as comunidades, os grupos e, em alguns casos, os indivíduos reconhecem como parte integrante de seu patrimônio cultural. Este patrimônio cultural imaterial, que se transmite de geração em geração, é constantemente recriado pelas comunidades e grupos em função de seu ambiente, de sua interação com a natureza e de sua história, gerando um sentimento de identidade e continuidade e contribuindo, assim, para promover o respeito à diversidade cultural e à criatividade humana

Convenção para a Salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial

Em 2016, na 11ª reunião do Comitê de Salvaguarda do Patrimônio Cultural Intangível da Unesco, decidiu-se incluir a cultura cervejeira belga entre os bens culturais dignos de preservação. É importante ressaltar que não são os estilos de cerveja belga, ou as cervejas trapistas ou o modo de produção da cerveja belga que foram declarados patrimônio cultural, mas a cultura cervejeira, algo maior do que um estilo ou um modo de produção. No site da Unesco, a cultura cervejeira belga é definida da seguinte maneira:

Fazer e apreciar a cerveja faz parte da herança viva de uma série de comunidades em toda a Bélgica. Desempenha um papel na vida diária, bem como nas ocasiões festivas. Quase 1.500 tipos de cerveja são produzidos no país por diferentes métodos de fermentação. Desde os anos 1980, a cerveja artesanal se tornou especialmente popular. Existem certas regiões, que são conhecidas por suas variedades particulares, enquanto algumas comunidades trapistas também se envolveram na produção de cerveja, dando lucros para instituições de caridade. Além disso, a cerveja é usada para cozinhar, inclusive na criação de produtos como o queijo lavado na cerveja e, como no caso do vinho, pode ser combinada com alimentos para complementar os sabores. Existem várias organizações de cervejeiros que trabalham com as comunidades em um nível amplo para defender o consumo responsável de cerveja. A prática sustentável também faz parte da cultura com o incentivo a embalagens recicláveis e novas tecnologias para reduzir o uso de água nos processos produtivos. Além de serem transmitidos no ambiente doméstico e social, conhecimentos e habilidades também são transmitidos por mestres cervejeiros que ministram aulas em cervejarias, cursos universitários especializados voltados para os envolvidos na área e na hotelaria em geral, programas públicos de treinamento para empresários e pequenas cervejarias-teste para cervejeiros amadores

Unesco

Essa definição ressalta a presença e a importância da cerveja na vida cotidiana das comunidades belgas, seja como forma de lazer, trabalho, fonte de renda ou ingrediente culinário. A transmissão desses saberes através de gerações fez com que essa presença se sedimentasse ao longo de séculos, tornando inseparáveis, hoje, a história da cerveja na Bélgica e a própria história cultural daquele país.

Mas a definição faz menção também ao incentivo ao consumo responsável de cerveja e às práticas sustentáveis na sua produção, indispensáveis para que os hábitos e as práticas ligadas à cerveja não se tornem nocivos para a própria sociedade belga e para a humanidade como um todo.

A decisão do Comitê apresenta 5 razões para a inclusão da cultura cervejeira belga na Lista Representativa do Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade:

  1. O fato de ela servir como um marcador de identidade para suas comunidades de cervejeiros, provadores, mediadores e zitólogos. O conhecimento e as habilidades são transmitidos de mestres para aprendizes em cervejarias, dentro das famílias, em espaços públicos e por meio da educação formal. Isso contribui para a constituição da identidade social e para a continuidade dos seus portadores e praticantes.
  2. A sua inscrição na lista contribui para a visibilidade e diversidade do patrimônio cultural imaterial, destacando a especificidade de um elemento que combina artesanato e alimentação, que tem evoluído continuamente para atender aos requisitos de desenvolvimento sustentável. Também serviria como exemplo inspirador de uma prática que foi revivida e cujos valores foram redescobertos e desenvolvidos após terem sido marginalizados. Esse ponto chama a atenção para o fato de que o mercado belga de cerveja, assim como outros mercados ao redor do mundo, passou por um processo de uniformização e abandono de antigas práticas e tradições ao longo do século XX.
  3. Chama a atenção para os esforços realizados pela Bélgica para reviver e salvaguardar a cultura cervejeira desde os anos 1970, assim como para o fato de as medidas de salvaguarda propostas (como, por exemplo, o desenvolvimento de qualificações profissionais, a promoção do elemento e o estabelecimento de um observatório da diversidade das artes cervejeiras e sua apreciação) levarem em consideração o aumento do consumo de álcool.
  4. O envolvimento das comunidades de “detentores do bem cultural”. A Federação dos Cervejeiros Belgas iniciou o processo de nomeação envolvendo cervejeiros, mediadores, professores e o público em geral, que participaram ativamente de uma série de reuniões preparatórias e consultivas e forneceram seu consentimento livre, prévio e informado para a inscrição.
  5. O fato de a cultura cervejeira belga já fazer parte dos inventários do patrimônio imaterial das três grandes comunidades belgas: flamenga, francesa e alemã.

Dessa forma, quando abrimos uma garrafa de cerveja (e não apenas de cerveja belga), aquilo que estamos bebendo não é só um líquido que nos ajuda a relaxar e matar a sede. Mas cerveja é também cultura, como explica Eduardo Marcusso.

Por meio das suas práticas de fabricação, degustação e toda a estruturação da atividade cervejeira, ela age como um elemento de conexão entre as pessoas, moldando hábitos e comportamentos que são passados de geração a geração, construindo heranças e identidades a partir de expressões culturais vinculadas à cerveja. Como patrimônio cultural que a cerveja é, em um copo pode estar contida a cultura e história de um povo.  


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

BRASIL. DECRETO nº 3551, de 4 de agosto de 2000 – Institui o registro de bens culturais de natureza imaterial que constituem o patrimônio cultural brasileiro, cria o Programa Nacional do Patrimônio Imaterial e dá outras providências. Disponível em: Página – IPHAN – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional

MARCUSSO, Eduardo Fernandes. Da cerveja como cultural aos territórios da cerveja: uma análise multidimensional. Tese de doutorado. Programa de Pós-graduação em Geografia da UnB. 2021.

UNESCO. Convention for the safeguarding of the intangible cultural heritage. Paris, 17 October 2003. Disponível em: Convenção para a Salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial – UNESCO Digital Library

UNESCO. Dossier Culture de la bière en Belgique. Disponível em: Beer culture in Belgium – intangible heritage – Culture Sector – UNESCO


Sérgio Barra é carioca, historiador, sommelier e administra o perfil Profano Graal no Instagram e no Facebook, onde debate a cerveja e a História.

Cervejarias da Rota RJ aproveitam alta temporada para atrair visitantes

A intensidade dos dias mais frios do ano tem inspirado as iniciativas das cervejarias da Rota Cervejeira RJ, que se movimentam para atrair o público no período do inverno, considerado de alta temporada na região da Serra Fluminense. Além das ações realizadas pelas marcas, atrações diferenciadas também chamam a atenção dos cervejeiros, como a edição de 2022 da Bauernfest, iniciada neste fim de semana em Petrópolis.

“Para o turismo cervejeiro, é um período em que estamos bem aquecidos e tem muita procura, por exemplo, pelos beer tours, pelas experiências dentro das cervejarias e pelas experiências de harmonização com cervejas de inverno”, conta Ana Cláudia Pampillón, coordenadora da Rota Cervejeira RJ.

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Com as cidades da região serrana cheia de visitantes nesses dias mais frios, Ana destaca ser este um período especial para as marcas componentes da Rota RJ, pela possibilidade de unir as suas cervejas com as atividades turísticas. “A importância do inverno para as cervejarias da Rota é imensa porque esse é o período de alta temporada na Serra. Então, é quando as pessoas gostam de vir para o frio para curtir a cidade e o clima”, pontua.

Assim, o clima mais frio é um dos aliados da Rota RJ neste período de retomada das atividades, com foco na vocação turística cervejeira. “O turismo voltou à tona com muita potência agora. Após uma pandemia, estão todos doidos para viajar. Então, a gente está investindo nisso. As cervejarias estão prontas com produto pronto à espera do turista”, diz Ana. “O turismo cervejeiro tem que ser tão importante quanto o turismo de aventura, o turismo rural e o turismo que já acontece mais forte na nossa região há mais tempo”, acrescenta.

Recentemente, o Polo Gastronômico de Teresópolis promoveu o Festival Gastronômico Sabores Britânicos. Com a introdução de rótulos no cardápio dos restaurantes, Ana destaca como o evento foi importante para mostrar que a cerveja pode ser uma opção interessante para quem deseja degustar uma bebida alcoólica no período mais frio do ano, a unindo com a gastronomia. “Cheguei a fazer treinamento com restaurantes sobre a harmonização dessas cervejas mais alcoólicas e para a gente desmistificar um pouco aquela coisa de que frio tem que ser vinho”, relata.

Bauernfest 2022
Outro exemplo de celebração que junta inverno e cerveja, atraindo turistas para a região serrana do Rio nesse período do ano é a Bauernfest, iniciada nesta sexta-feira (12) e que irá até 28 de agosto. Nela, o Espaço Biergarten vai ser uma das grandes atrações desta que é considerada a principal festa pública de Petrópolis, com programação musical diversificada, gastronomia local e cervejas artesanais.

O Biergarten é um espaço integrado à Bauernfest, com programação e organização da Associação das Microcervejarias de Petrópolis. O espaço fica na Praça Visconde de Mauá (Praça da Águia), em frente à Câmara Municipal e ao Museu Imperial, no centro de Petrópolis.

A Associação das Microcervejarias de Petrópolis (AMP) destaca que o Biergarten auxilia a movimentar a economia da cidade durante todo o evento. Serão mais de 60 empresas participando diretamente do espaço, gerando cerca de 360 empregos diretos. “Fazemos questão de investir na economia local. Hoje 90% dos participantes do evento, sejam as marcas, seja para a realização dos serviços de montagem de toda nossa infraestrutura, são da nossa cidade”, comentou o presidente da AMP, Leandro Leal.

O Espaço Biergarten conta com dois pavilhões especiais, dois palcos, mesas de madeira e bancos para unir o público. As cervejarias prometem surpreender com estandes, área gastronômica e atrações diferenciadas. São 19 marcas participando do evento.

Menu Degustação especial: 8 iniciativas cervejeiras para celebrar o Dia dos Pais

Não vai faltar cerveja no Dia dos Pais. Pensando na data especial, celebrada neste domingo (14), as cervejarias trataram de programar uma série de ações para os papais. A Doktor Brau, por exemplo, fechou parcerias e vai presentear os pais com sua cerveja. Além disso, Landel e Bodeborown terão temáticas especiais nos respectivos growlers days.

Já o Dia dos Pais no Mr. Hoppy Prado, em Belo Horizonte, terá presente para o “velho”. E ainda haverá ação especial para pais e filhos tomarem um chope juntos no Porks, no domingo, também na capital mineira.

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Confira estas e outras ações cervejeiras no Menu Degustação especial de Dia dos Pais do Guia:

Parcerias da Doktor Brau
A Doktor Brau fechou parcerias com a Óticas Carol, do Grupo Ribeiro, e com a Óticas Ultrafarma, do Grupo Mourad, para a campanha do Dia dos Pais de 2022. Com o slogan “Meu Paizão, Meu Herói”, as marcas vão promover uma ação especial para comemorar a data com um presente exclusivo. Na compra de óculos de grau completo ou óculos solar da marca Aramis, o cliente ganha uma cerveja da Doktor Brau. A promoção vai até 31 de agosto ou enquanto durarem os estoques. São 22 lojas da Óticas Carol e 7 das Óticas Ultrafarma participando da ação.

Growler Day da Landel
Neste sábado (13), a Landel vai realizar seu tradicional Growler Day no Taquaral, em Campinas, homenageando os pais apaixonados por cerveja. A data será marcada pelo lançamento da Citric Revolution, uma New England IPA. Além dela, as torneiras estarão abastecidas com outros nove chopes frescos. Na tap house, os clientes ainda poderão montar kits com latas, garrafas, copos e outros itens. Outra ideia de presente é comprar os growlers de vidro que acabaram de chegar. São dois modelos para 2 litros de chope, com tampas flip-flop e de rosquear.

Growler Day da Bodebrown
A Bodebrown realiza nesta sexta-feira e sábado (10 e 11) uma edição especial do seu Growler Day, em homenagem aos papais, com o lançamento de duas novas edições das cervejas Mama Milk e St. Arnould 6, que estarão disponíveis em growlers PET e chope. Além disso, o evento, na fábrica da cervejaria em Curitiba, terá outras sete opções em growlers, oito em chope e, exclusivamente no sábado, pocket show com a banda Trilho e food trucks.

Sorteio na Madalena
A Madalena celebrará na sua fábrica-bar, em Santo André (SP), no sábado e domingo, o Dia dos Pais com jogos, simuladores, pinball, kids rider, Arcade, grua de bichos de pelúcias, lanches artesanais e mais de 25 torneiras de chope. Para brindar a data, a casa também criou a Scoth IPA, que é o chope IPA maturado em barril de uísque. No domingo, a Madalena realizará sorteio de três Barriletes de 5 litros de Chope IPA. Os ingressos custam R$ 10 ou 1 quilo de alimento. Além disso, a Madalena tem kits especiais para presentear, que podem ser montados de acordo com a preferência do seu pai, a partir de R$ 22. Os produtos com embalagens que fazem referência ao Dia dos Pais estão disponíveis na loja da fábrica.

Porks no Dia Dos Pais
Pai e filhos têm que celebrar essa data tão especial juntos. E, por isso, o Porks criou uma promoção especial. Nas três unidades do Porks em Belo Horizonte, no domingo, o pai que for com seu filho ou filha curtir a gastronomia suína vai comprar um chope e ganhar outro Pilsen, de 330ml. Mas tem que ser pai e filho juntos. Basta fazer o pedido para ganhar.

Chope é por conta do Mr. Hoppy
No domingo do Dia dos Pais, no Mr. Hoppy Prado, em Belo Horizonte, o pai que for ao estabelecimento também vai ganhar um chope da casa. O presente é o Pilsen de 330ml. A cada compra que realizar, o papai ganha o chope.

Cervejaria Artéza oferece brinde aos pais
No Dia dos Pais na Artéza, todo papai que for celebrar o seu dia lá vai ganhar um petisco: o Pulled Pork, que é um rolinho de carne suína defumada, com acompanhamento de molho barbecue e cheddar. A Artéza tem estilos de cervejas especiais e mantém um tepping abastecido de 12 estilos, todos de fabricação própria, na sua unidade no bairro Prado.

Dia dos Pais na RioTap Beer House
Os pais que forem à Rio Tap Beer House, no bairro do Flamengo, neste domingo, para celebrar com a família o Dia dos Pais, vão ganhar um half de cerveja Pilsen ou uma dose de cachaça de presente. Para comer a dica é o Tap Hot Chicken, um frango frito marinado em mix de especiarias com toque picante, acompanhado das Tap Chips, batatas chips onduladas crocantes, servidas molho Spice Red Bourbon da casa.

Preocupação com inflação e 2023 sobrepõe expectativa de recuperação plena dos bares

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A retomada do setor de alimentação fora do lar depois de dois anos duríssimos, provocados principalmente pela pandemia, é vista sob a esperança de reaquecimento econômico, mas também de incerteza para bares e restaurantes, por causa da inflação no Brasil e dos temores envolvendo a conjuntura econômica para 2023.

Na terceira matéria do Guia sobre o cenário deste segmento, após a primeira abordar o sofrimento dos bares com o endividamento e os efeitos da inflação e a segunda destacar como a queda do poder de compra freou o reajuste dos preços da cerveja nestes estabelecimentos, representantes do setor apontam suas perspectivas para o restante de 2022 e o próximo ano.

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Embora julho tenha registrado uma deflação histórica, de 0,68%, puxada pela queda dos preços de combustíveis e energia, a inflação segue sendo uma preocupação para bares e restaurantes para o segundo semestre, ainda mais que o grupo de alimentos e bebidas apresentou alta de 1,20% no período, o que mantém o alerta aceso.   

“A gente pode afirmar, porque é uma questão global e não só em relação ao Brasil, e nem só em relação aos restaurantes, que a inflação vai continuar. Talvez não crescendo na mesma velocidade do que nos últimos 12, 18 meses, mas ainda sendo motivo de preocupação e de limitação ao consumo e para a rentabilidade dos negócios”, diz Fernando Blower, diretor-executivo da Associação Nacional de Restaurantes (ANR).

Diretor e sócio-fundador do BaresSP, o maior guia desta categoria cujo nome batiza a entidade representativa de bares e restaurantes da capital paulista, Fábio de Francisco também exibe preocupação com a inflação, especialmente em um cenário de desafios para bares que ainda estão endividados.  

“A projeção para o segundo semestre não é a melhor possível tanto pelos estabelecimentos endividados quanto pela população estar com menor poder de compra. No ano que vem, com a troca de governo, isso tende a melhorar. Mas acaba tendo esse impeditivo da inflação, que realmente impacta demais o setor”, analisa.

Por outro lado, o presidente-executivo da Abrasel, Paulo Solmucci, avalia que ao menos a pressão dos custos sobre bares e restaurantes pode cair com a recente redução dos preços dos combustíveis. “Isso tende a reduzir os custos, tanto de forma mais direta, com os moto-entregadores, quanto com o seu efeito indireto na formação geral de preços. O mês de junho teve um primeiro cenário positivo, com um importante recuo de preços de alguns alimentos importantes para nós. Em julho, continuaram as melhoras, como o caso da gasolina, e até a energia deu um pequeno recuo. Se continuarmos assim, as coisas podem melhorar no segundo semestre. Isso é o que nós estamos esperando, torcendo e precisando”, ressalta.

Solmucci, prevê que o setor irá fechar o segundo semestre em expansão, embora encarando o desafio da perda de poder de compra do consumidor. O setor vem vendendo muito bem e é muito provável que 2022 termine com crescimento real de 5%”, diz. “Para nós, é muito positiva a questão do emprego, que cresce muito no Brasil, surpreende e faz com que mais gente tenha condições de comprar, ainda que o bolso esteja apertado, já que essas pessoas conseguiram emprego, mas com salários menores”, enfatiza.

Assim, mesmo com a perda de 8,7% na renda média do brasileiro no período de um ano, segundo estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), e de 64% dos estabelecimentos não estarem dando lucro, de acordo com levantamento recente da própria Abrasel, Solmucci cita fatores conjunturais para apostar em um restante de 2022 positivo.

“Há mais fatores positivos para estimular isso: a economia foi melhor do que o previsto no primeiro semestre e nós temos a possibilidade de o Auxílio Brasil vir a chegar em R$ 600, o que faz uma diferença enorme para 80% das empresas que estão na base do setor. Há também a questão da classe média alta, que viajou menos e, assim, está gastando bastante nos restaurantes mais sofisticados, além do retorno da normalidade, com as pessoas de volta às ruas”, reforça o presidente da Abrasel.

Esse otimismo, porém, tem como contraponto a incerteza com os efeitos que as eleições de outubro podem ter sobre o setor, na avaliação de Blower. “O segundo semestre tem um grau de imprevisibilidade grande, sobretudo por conta do processo eleitoral, que é sempre difícil. Fazer previsões acaba sendo imprudente. Então, temos um nível de incerteza muito grande”, enfatiza.

Incertezas para 2023
Se agentes de mercado, como economistas e analistas, preveem uma alta do PIB menor em 2023 – 0,4% – do que em 2022 – 1,98% –, segundo a última edição do Boletim Focus, os representantes de bares e restaurantes não estão mais otimistas para o próximo ano.

O diretor e sócio-fundador do BaresSP revela que só espera por uma recuperação plena dos estabelecimentos de alimentação fora do lar a partir do segundo semestre de 2023.

Até o meio do ano que vem, ainda vai ter a turbulência da inflação. Depois do primeiro semestre, a coisa tende a estabilizar mais e vir realmente a retomada total do setor. A parcial já está acontecendo

Fábio de Francisco, diretor e sócio-fundador do BaresSP

O presidente-executivo da Abrasel também projeta desafios para 2023, apostando em uma expansão tímida dos bares e restaurantes. “A Abrasel continua otimista de que o Brasil gerará mais empregos neste ano, e isso é muito importante para nós. A inflação sendo reduzida e segurada abre espaço para uma melhoria da renda. Então, 2023 dependerá muito do cenário macroeconômico, mas a nossa expectativa é de que o setor continue a crescer”, diz o executivo. “Para 2023, estamos mais cautelosos e uma visão de momento seria terminar o ano com algo em torno de 1% de crescimento”, vislumbra.

Já Blower prevê mais meses de aprendizados para quem atua com bares e restaurantes. “Temos de pontuar a incerteza política e a inflação como algo extremamente preocupante. Esse alerta tem de permanecer e certamente transborda para 2023. A gente terá de aprender ainda mais do que já aprendeu nos últimos tempos, como aumentar a eficiência, como implementar processos de transformação digital que baixem custos operacionais, como estimular novos canais”, analisa o diretor-executivo da ANR.

Mulheres negras ganham visibilidade, mas lutam contra desafios históricos no setor

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Durante séculos, as mulheres negras têm travado batalhas em busca dos seus direitos de liberdade e participação em todas as esferas da sociedade. Mas, ainda hoje, o racismo e o machismo permanecem como questões enraizadas no cotidiano, principalmente em segmentos majoritariamente ocupados por homens e brancos, como é o caso do setor de cervejas artesanais do Brasil.

O segmento, inclusive, passou pela exposição de acontecimentos de racismo e machismo em 2020. E, após o levante que veio como consequência destes atos, a percepção de mulheres negras que atuam diretamente no segmento é que o mercado tem ouvido e aberto mais espaços à inclusão. Entretanto, apesar do movimento de mulheres negras estar ganhando visibilidade e força no setor cervejeiro, a lista de empecilhos enfrentada por elas ainda é grande.

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A sommelière Sara Araújo, que se tornou um dos grandes nomes da luta após sofrer ataques racistas e sexistas, pontua que a presença da mulher negra no mercado da cerveja ainda é tímida, em termos percentuais, mas avalia já ser possível ver mudanças acontecendo. “Não podemos dizer que há uma inclusão, mas o mercado está sinalizando um caminho de mudança. Espero que não retroceda”.

Ela cita que escolas cervejeiras estão ofertando bolsas de estudos, formando essas profissionais e as inserindo no mercado de trabalho. O resultado destas iniciativas é que já há mais mulheres negras em cargos de relevância, como Cinarah Gomes, da cerveja Serafina, Dani Souza, chef da Cozinha Omi Odara, Adriana Santos, cervejeira caseira e sommelière de cervejas, Madu Victorino e Jessica Gomes, que recentemente assumiram a área de cultura cervejeira da Estrella Galícia, Vanessa Nobre, do Grupo Heineken, Tamara Nogueira, na Baden Baden, Carol Garrido, que é gerente de Brand PR na Ambev, Janaína Assumpção, diretora da Lab do Grupo Heineken, e Danielle Lira, sócia fundadora do Torneira Bar.

“Existem outras que vêm fazendo um belo trabalho no ecossistema cervejeiro e todos ganhamos com pluralidade e diversidade de vozes. Ainda somos poucas, comparadas com a porcentagem populacional de pessoas negras que compõem a sociedade brasileira, que, segundo o IBGE, são quase 60%”, completa Sara.

Para Juliana Barauna, das Pretas Cervejeiras, ainda há muito o que avançar em relação à presença de mulheres negras, tanto enquanto profissionais, quanto consumidoras, mas definitivamente não é mais possível ignorar suas presenças. “Nos mobilizamos, individualmente e coletivamente para ocupar os mais diversos espaços, inclusive o mercado cervejeiro. E projetos como o Torneira Bar, liderado pela Dani Lira, e o próprio Pretas Cervejeiras são exemplos disso”, conta.

Dani Lira, sócia do Torneiras Bar, também destaca a conquista de espaço pelas mulheres negras no segmento. “Percebo que o setor vem mudando, temos muitas mulheres pretas profissionais no mercado cervejeiro”, afirma. Contudo, também reforça que há vários negócios desconhecidos ou sem a devida visibilidade. “Entendo que a representatividade fortalece outras a elevarem seus negócios no setor, é aquele ditado: uma puxa a outra”, diz.

“Ainda tem muito pouca a presença de mulheres pretas no mercado cervejeiro artesanal”, pontua a cervejeira Dani Souza, chef da Cozinha Omi Odara, que também compartilha da opinião de que o movimento das mulheres negras tem gerado resultados. “Aos poucos, nós, mulheres pretas, vamos retomando o que é nosso. Existem algumas mulheres no setor já. Poucas, mas existem”, completa.

Uma série de empecilhos
Juliana Barauna pontua que uma das grandes barreiras de acesso ao mercado de trabalho é a educação. Até por isso, o Pretas Cervejeiras também atua como um coletivo de apoio à educação, fomentando o diálogo no setor e a busca por ampliar a presença da mulher negra no setor. “Nos dedicamos a construir pontes entre organizações educacionais cervejeiras e mulheres negras que desejam atuar no mercado”, afirma.

Já a chef da Cozinha Omi Odara lembra que a desigual distribuição de renda reforça a dificuldade de inclusão da mulher no mercado cervejeiro, com o dinheiro concentrado nas mãos de um grupo seleto colaborando para perpetuar o machismo e o racismo estrutural.

Não temos dinheiro suficiente. Meu sonho, por exemplo, é ter uma cervejaria própria para parar de passar pelos perrengues que passo como cervejeira cigana. Dependo da cervejaria de homens brancos que na maioria das vezes falam que eu não sei fazer cerveja e que cerveja não é a mesma coisa de cozinha

Dani Souza, chef da Cozinha Omi Odara

Para Dani Lira, ainda é necessário enfrentar preconceito e racismo em sua atuação, camuflados como “surpresa” quando descobrem que ela é sócia do Torneira Bar. “Sinto que, de alguma forma, nossos corpos ainda não são valorizados como profissionais. Ainda observo muitas marcas propondo vínculos ‘profissionais’ no sentido de uma autopromoção quando se fala de inclusão e diversidade, contudo, não visando uma remuneração justa para tal atividade”, diz.

Sendo mulher e preta, a chef da Cozinha Omi Odara lamenta que ainda seja preciso mostrar para todos “10 vezes mais” o que faz. “Isso porque sou da área da gastronomia há 10 anos, como chef de cozinha, além de tecnóloga em cerveja e sommelier. E faço minha própria cerveja desde 2018, porque nunca me senti representada em nenhuma das existentes”, conta Dani.

A falta de mais apoio do setor é outra grande dificuldade para que essas mulheres possam desenvolver suas potencialidades, sendo que necessitariam de muitas precisam de oportunidade aliada ao incentivo à profissionalização, como analisa Sara. “Um exemplo de que oportunidade muda vidas, é a Tamara Nogueira. Convido vocês a ouvirem o podcast Hora do Gole. Ela conta como se transformou na atual joia da cervejaria Baden Baden. Isso só foi possível porque alguém lhe deu uma oportunidade”, comenta.

Urgência de mais ações
Se a lista de barreiras a transpor é longa, mais ações efetivas para aumentar a participação da mulher negra no setor de cervejas artesanais segue sendo urgente. “Bato na tecla da oportunidade, aliada com a equidade. Quanto mais mulheres negras em posição de alteridade, em espaços de elaboração e desenvolvimentos de potencialidades e sendo referenciadas, mais mulheres se sentirão parte e, com isso, convidadas a participar e transformar o mercado”, defende Sara.

Juliana ressalta ainda que, para uma mudança de fato, é fundamental que as empresas coloquem em prática ações que promovam a diversidade. “Desde abrir oportunidades para contratações, oferecendo salários igualitários e oportunidade de desenvolvimento, até mesmo a conscientização de todo o quadro de colaboradores em relação à diversidade e inclusão.”

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Investir nas mulheres pretas também é a aposta da chef da Cozinha Omi Odara. “Dar cursos, criar bolsas [de estudo] e contratar. E, também, remunerar mulheres cervejeiras da mesma forma que os homens brancos.”

Já os eventos e projetos que elevem a imagem da mulher negra ao protagonismo são uma das grandes possibilidades colocada pela sócia do Torneira Bar para dar visibilidade a elas. “Trazer não só a profissional preta do meio em momentos de falas sobre pautas raciais, contudo, valorizar o intelecto e conteúdo da profissional preta”, completa Dani Lira.

Festival Tereza de Benguela

Se é unânime entre as profissionais cervejeiras que a acolhida faz toda a diferença, a vontade de transformar não falta. Em 23 de julho, por exemplo, o Torneira Bar, em São Paulo, recebeu o 1º Festival Tereza de Benguela Cervejeiras, evento que reuniu inúmeras mulheres negras que lutam pela inclusão.  O encontro antecedeu o Dia da Mulher Negra Latino Americana e Caribenha, celebrado em 25 de julho.

Historicamente chamada de “Rainha Tereza”, Tereza de Benguela foi uma líder que comandou o quilombo de Quariterê, no século XVIII, e se tornou símbolo da luta da mulher negra por igualdade de gênero e raça. Em sua homenagem, em 25 de julho também se celebra o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra.

Com patrocínio da Spaten, o festival contou a história de mulheres pretas deste mercado, suas conquistas e mostrou as múltiplas vozes que compõem a narrativa dentro deste ecossistema. Além de um resgate histórico da data, a programação contemplou palestras sobre harmonização, história da cerveja e consumo responsável.

Ainda houve conversa com mulheres negras do mercado cervejeiro, palestra sobre processo de fabricação da cerveja e um mini sarau com poesias. O festival também teve campanha de doação com todo o alimento arrecadado destinado à ONGs que auxiliam mulheres negras em situação de vulnerabilidade social.

A iniciativa teve organização de Sara, Dani Souza, Dani Lira, Adriana Santos, Cinara Gomes e Rozilene Sá.

Foi incrível a reunião dessas mulheres pretas tão potentes no mercado cervejeiro. Já era um sonho antigo de todas. Então, quando a Sara Araújo trouxe a lembrança da data, o dia 25 de julho, soubemos que era o melhor momento para esse projeto acontecer. Observar a presença de tantas outras profissionais pretas de outros setores do mercado, foi muito importante. O sentimento é de união, apoio e valorização dos nossos corpos

Danielle Lira, sócia fundadora do Torneira Bar

“Colocamos um festival de pé em um mês e com uma marca patrocinando. O evento foi lindo, e só foi possível porque tivemos aliados/as para nos apoiar”, diz Sara. “Apoiem os projetos das mulheres negras, trans e indígenas, as capacitem. O mercado só tem a crescer. Apoiem as mulheres plurais, assim como o mercado apoia projetos de maioria masculina”, conclama.

César Maluco e Marcos esquentam cena cervejeira ao redor do estádio do Palmeiras

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Se a venda de cerveja com álcool não é permitida dentro dos estádios paulistanos, o torcedor do Palmeiras tem ótimos motivos para brindar a grande fase da equipe e seus ídolos nas proximidades da “casa” do clube. Afinal, se o time buscará dar um passo importante nesta quarta-feira para faturar o tricampeonato consecutivo da Libertadores ao tentar eliminar o Atlético-MG, pelas quartas de final, no Allianz Parque, também será possível consumir cervejas alusivas a grandes nomes da história palmeirense nos arredores da arena.

Há décadas, as ruas no entorno do antigo Palestra Itália são ambientadas como redutos palmeirenses, seja pela pintura das residências, pelos bares alusivos ao clube ou pela presença maciça das torcidas organizadas. E o espaço urbano ganhou mais recentemente as companhias dos ídolos César Maluco e Marcos, que compartilham outra paixão, além do Palmeiras, enquanto ex-jogadores e agora empresários: a cerveja.

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Os dois jogadores estão com novos espaços que vendem cerveja artesanal próximos ao Allianz Parque. O de César Maluco, onde ele próprio aparece com frequência para dar autógrafos e tirar fotos, fica na rua Caraíbas, 75. E o de Marcos, ampliando a sua parceria com a cervejaria Walfänger, está na rua Diana, 94.

Segundo maior artilheiro da história do Palmeiras, com 182 gols em 327 jogos disputados entre 1967 e 1974, César Maluco abriu um espaço que fica a menos de 100 metros da arena palmeirense, onde vende o próprio chope, um Pilsen. E o ex-atacante de 76 anos diz preparar para os próximos meses, em conjunto com os sócios Fabio Caldeira e Mario Colombo, o lançamento de sua marca de cerveja, que terá seu nome e o slogan “O sabor do gol”.

“Por enquanto, demos um pontapé inicial só com o chope e estamos abrindo uma ‘portinha’ (o bar) para ver como estará andando. E está gostoso. O pessoal vem do interior ver o jogo do Palmeiras e passa lá para tomar um chopinho. O lançamento da minha cerveja deverá ser entre o final de setembro e o início de outubro”, revela o ex-jogador, que pelo Palmeiras foi cinco vezes campeão nacional e duas estadual, em entrevista ao Guia.

No bar, César recebe palmeirenses, confraterniza e é valorizado como o ídolo histórico do clube que é. “Hoje eu sou torcedor. Não sou mais jogador. Então, eu fico no meio da galera, torcendo com a turma. Às vezes há um tumulto e o pessoal quer tirar foto comigo, perguntar alguma coisa… Na minha infância eu era torcedor e até chorava pelo meu ídolo, que era o Dida. Já estou acostumado com esse negócio de torcida”, lembra o ídolo, para depois acrescentar.

A torcida é o meu presidente, é o meu patrão, quem me deu tudo. Eu valorizo muito um abraço de um torcedor, um beijo de uma torcedora

César Maluco, ídolo do Palmeiras

César também está confiante de que poderá replicar o sucesso obtido nos gramados com a sua nova cerveja, desvinculando-a, inclusive, da continuidade do êxito esportivo do Palmeiras dentro de campo ao longo do segundo semestre.

“Será uma Pilsen, assim como é o meu chope. Nós ainda vamos fazer uma análise sobre o preço, mas eu procuro colocar o melhor possível, e o meu chope já tem um preço especial. Nunca faço coisa errada, só faço coisa para vencer. Então (o sucesso), não depende do Palmeiras. É evidente que os torcedores vão ficar ali, na porta da do meu espaço, tomando o meu chope e a minha cerveja”, completa o ex-atacante.

Parceria entre São Marcos e Walfänger
Quando a cerveja prometida por César Maluco for lançada, ele se unirá ao ex-goleiro Marcos, que já tem um rótulo próprio desde outubro de 2017. Naquele ano, o produto foi apresentado ao público por meio de um clube de assinatura, tendo vendido mais de mil kits apenas nas primeiras 24 horas e faturado mais de R$ 3 milhões na semana inicial de comercialização, segundo os seus responsáveis.

A Cerveja 12, uma referência ao número que ele vestia quando defendia a camisa alviverde, é produzida pela Walfänger, de Ribeirão Preto (SP), que também possui um espaço vizinho ao Allianz Parque, onde exibe referências ao ídolo e vem ajudando a agitar a cena palmeirense próxima ao estádio.

Lá, a bebida é vendida em duas versões: uma Premium Pilsen e outra Session IPA, respectivamente chamadas de Penta Malte e Penta Lúpulo, nomes inspirados na conquista do quinto título mundial do Brasil, em 2002, quando Marcos se sagrou campeão como titular do gol da seleção.

Hoje a aceitação está muito grande. Abrimos um ponto de distribuição da Walfänger ao lado do Allianz, onde tem o espaço da Cerveja 12. Está a 70 metros do Allianz, na rua Diana, 94, e isso nos ajudou muito a alavancá-lo e que as pessoas conhecessem a cerveja no pós-jogo e no ‘esquenta’ para o jogo”, aponta Caio Balieiro, sócio-diretor da Walfänger. “Tem um movimento muito grande e estamos começando a entrar agora forte nas redes de supermercado de São Paulo.”

Assim, a expansão da marca vinculada a Marcos coincide com o bom momento do Palmeiras, líder do Brasileirão, com seis pontos de vantagem para o Corinthians.

O Marcos está sempre presente e sempre que a gente solicita ele aparece. É um cara muito bacana, muito próximo da gente, e que ama cerveja. Não só a marca 12, como o produto, o tipo de bebida

Caio Balieiro, sócio-diretor da Walfänger

Novos ídolos?
E se Marcos, em parceria com a Walfänger, chegou antes ao empreendedorismo cervejeiro, César Maluco espera que o exemplo deles e a grande fase do Palmeiras inspirem outros grandes ídolos da história alviverde a acompanhá-los.

“A gente quer que no futuro mais jogadores também lancem suas cervejas, como (poderia ser) a ‘Da Guia’, do Ademir da Guia, a ‘Chevrolet’, que era o apelido do Luís Pereira, a cerveja ‘Do Leão’, com nomes de jogadores da primeira e da segunda Academia do Palmeiras”, conclui César Maluco.

Em mês de deflação do IPCA, preço da cerveja tem alta de 0,65% em julho

A deflação registrada no índice oficial de preços do Brasil em julho não foi acompanhada pela cerveja. Se, após uma sequência de altas, o IPCA ficou em -0,68% no sétimo mês de 2022, a menor taxa registrada desde o início da série histórica em janeiro de 1980, a cerveja no domicílio apresentou alta de 0,65% em julho.

Além disso, o item ficou 0,83% mais caro para quem o adquiriu fora do domicílio, para consumo, em geral, fora de casa. As informações são do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado nesta terça-feira (9) pelo IBGE.

No ano, o preço da cerveja no domicílio registra alta de 3,10%. Já no acumulado dos últimos 12 meses, a inflação é de 8,93%. Apesar da exceção vista em julho, os valores da cerveja fora do domicílio têm sofrido menos reajustes. Em 2022, o índice tem alta de 2,75%. E o salto é de 4,26% no acumulado de agosto de 2021 a julho deste ano.

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Já as outras bebidas alcoólicas tiveram deflação de 1,54% no domicílio em julho, enquanto fora de casa registraram alta de 1,15% no mês. Porém, mesmo com a queda no mês, o item acumula alta de 17,56% até julho. Nos últimos 12 meses, os valores no domicílio saltaram 11,44%. Já fora do domicílio, o item ficou 2,77% mais caro de janeiro a julho e tem alta de 6,08% no acumulado em 12 meses.

O setor de alimentação e bebidas, aliás, foi um dos que mais acelerou no mês de julho, com a maior variação (1,30%) e impacto positivo (0,28%) no índice geral do mês, resultado puxado principalmente pelo leite longa vida, com subida de mais de 25%.

Deflação histórica
A deflação histórica do IPCA, em julho, refletiu a queda nos preços dos combustíveis, em particular da gasolina e do etanol, assim como da energia elétrica. No ano, porém, a inflação está em 4,77%. Já nos últimos 12 meses, o índice fica em 10,07%.

“A Petrobras no dia 20 de julho anunciou uma redução de 20 centavos no preço médio do combustível vendido para as distribuidoras. Além disso, nós tivemos também a Lei Complementar 194/22, sancionada no final de junho, que reduziu o ICMS sobre combustíveis, energia elétrica e comunicações. Essa redução afetou não só o grupo de transportes (-4,51%), mas também o de habitação (-1,05%), por conta da energia elétrica (-5,78%). Foram esses dois grupos, os únicos com variação negativa do índice, que puxaram o resultado para baixo”, explica o gerente da pesquisa do IBGE, Pedro Kislanov.

Disponível para celulares, BierHeld integra pedidos a equipamentos de cervejarias

Ter na palma da mão a possibilidade de fazer pedidos e rastrear os equipamentos. Foi a partir dessa demanda que unifica a agilidade da tomada de decisões com o controle da operação para cervejarias que o BierHeld expandiu as possibilidades de uso do seu software, um sistema de gerenciamento que agora também está disponível em versão para telefones celulares.

Anteriormente restrito ao modelo para desktops, o BierHeld chegou aos celulares com uma nova funcionalidade: a possibilidade de rastreio dos equipamentos através das câmeras dos aparelhos, o que deve reforçar o controle dos estoques, como ressalta Ewerton Miglioranza, sócio-fundador da BierHeld.

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“Pelo aplicativo, é possível fazer o rastreio de equipamentos utilizando a câmera do celular para ler o seu código de barras ou QR Code, agilizando todo o processo de entrega e devolução. Todas essas operações também são atualizadas em tempo real no nosso sistema online. Assim, quem estiver na fábrica ou na loja, já recebe essas informações”, detalha Miglioranza.

A novidade deve ajudar a otimizar os processos, não apenas pela maior agilidade oferecida pela presença do software no telefone celular, mas também pela possibilidade de redução dos equívocos a partir do registro dos equipamentos. Rastreados, eles contribuem para o controle de entregas e devoluções.

“Com o aplicativo do BierHeld, possibilitamos que as cervejarias tenham uma força de venda externa e que os entregadores também possam registrar as entregas e devoluções de cada equipamento de forma rápida no local do cliente, diminuindo, assim, a chance de erros e extravio”, destaca o sócio-fundador da BierHeld.

Auxílio na retomada
A chegada ao mercado da versão para celulares do software coincide com um momento em que, espera-se, seja de virada para o setor de artesanais, com a retomada das atividades sem restrições. E, dentro desse contexto de expectativa para expansão de operações, é preciso ter ainda mais atenção ao controle de gastos e dos demais passos da operação da cervejaria, como ressalta Miglioranza.

“Na parte de controle de gastos, o BierHeld possui todas as funcionalidades necessárias para que a cervejaria saiba exatamente quanto está custando cada lote produzido, bem como o histórico de compras com seus fornecedores, possibilitando, assim, uma maior flexibilidade na hora de negociar a compra de insumos”, aponta.

O executivo da empresa também ressalta a necessidade de se ter atenção especial aos clientes, garantindo que o BierHeld pode ajudar na tomada de decisões estratégicas no momento de atendimento dos parceiros, como ocorre com as ofertas direcionadas, por exemplo.

“Além de ter o histórico de todos os pedidos e interações com cada cliente, o BierHeld também já classifica automaticamente quais são os clientes mais fiéis e rentáveis para a cervejaria, além de possuir uma pesquisa de satisfação integrada. Com essas informações, é possível criar campanhas diferenciadas para o perfil de cada cliente da cervejaria e aumentar as suas vendas”, explica Miglioranza.

O BierHeld pode, ainda, segundo ele, ser útil na operação de diferentes elos da cadeia, como cervejarias, distribuidoras e indústrias de bebidas em geral que trabalhem com vendedores externos e com entregas de equipamentos, como barris e chopeiras. Afinal, como destaca Miglioranza, o software contribui para diversos passos da operação.

“No BierHeld, você vai encontrar tudo o que precisa para operar uma cervejaria, desde a compra de insumos, passando pelo controle estoque, produção, envase, até a venda, emissão de notas fiscais e boletos, em um sistema online, que não necessita de instalações, sendo muito fácil de usar. Agora, com o nosso aplicativo, também somos a única solução do mercado que permite integrar a parte de pedidos e também o controle de equipamentos diretamente pela câmera do celular”, conclui Miglioranza.

28 cursos cervejeiros para se especializar a partir do 2º semestre

O setor segue acelerando para retornar ao nível pré-pandemia da Covid-19. E, ainda que a crise sanitária não tenha oficialmente chegado ao fim, a metade inicial deste ano trouxe consigo sinais de esperança. Para confirmar essa expectativa ao longo do segundo semestre, o conhecimento e o preparo profissional estão se tornando cada vez mais fundamentais, podendo ser adquiridos através de cursos cervejeiros.

Por isso, a reportagem do Guia selecionou algumas das principais opções oferecidas pelas principais escolas e instituições cervejeiras para a segunda metade do ano, além de indicações para quem desejar estudar no tradicional período das férias.

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Confira a lista com cursos cervejeiros que podem ser realizados a partir do segundo semestre:

Academia da Cerveja

Introdução ao Mundo das Cervejas

Descrição: Esta edição do curso de Introdução ao Mundo da Cerveja é voltado para entusiastas que querem começar a levar o papo cervejeiro para além da mesa de bar. Cervejeiras e cervejeiros da Academia da Cerveja e convidados do mercado se unem para falar sobre matérias-primas, processo produtivo, mitos e verdades sobre a cerveja e os cuidados que devemos ter com ela. Para uma experiência cervejeira ainda mais completa, o curso conta com um kit surpresa que será entregue em casa e utilizado durante a aula. A participação é gratuita.

Datas, carga horária e local:

  • 15/09, 2h, EAD, São Paulo
  • 15/09, 2h, EAD, Rio de Janeiro

Beer Business

Como montar sua loja virtual de cervejas 

Descrição: No curso, será possível aprender como criar um e-commerce de forma rápida e gratuita, sem custos de manutenção e sem pagamento de comissão para plataformas. Tudo isso integrado com meios de pagamento via cartão ou boleto.

Datas, carga horária e local:

  • Fixo na grade, 1 hora, EAD

Brewpub – Planejamento e Operação

Descrição: O curso busca esclarecer pontos fundamentais de uma estrutura capacitada para a gastronomia e a produção de cervejas de forma conjunta, aproveitando os benefícios fiscais e operacionais desse modelo de negócio. Também aborda outros modelos, como taproom (bar de cerveja artesanal sem fabricação própria), tap house (bar com cerveja terceirizada), cozinhas terceirizadas e food trucks.

Datas, carga horária e local:

  • Fixo na grade, 20 horas, EAD

Plano de Negócios para Cervejaria Cigana

Descrição: Curso voltado para o modelo de cervejaria cigana. Nele, busca-se esclarecer os pontos básicos a serem considerados na implementação de uma cervejaria cigana, capacitando tanto o cervejeiro cigano, como a cervejaria na tomada de decisões relativas aos aspectos operacionais, comerciais e financeiros da terceirização da produção de cervejas artesanais, assim como para avaliação da viabilidade do negócio.

Datas, carga horária e local:

  • Fixo na grade, 10h, EAD

Escola Superior de Cerveja e Malte (ESCM) 

Pós-graduação híbrida em Tecnologia Cervejeira

Descrição: O aluno terá acesso a conteúdos de vanguarda ligados à produção cervejeira; dominará todo o processo produtivo de cervejas; aprenderá sobre as matérias-primas usadas na produção de cerveja e terá uma visão dos fatores que afetam a qualidade desses insumos, também tendo acesso a uma série de outros conhecimento e desenvolvimento de habilidades. O curso tem seu certificado reconhecido pelo Ministério da Educação.

Datas, carga horária e local:

  •  Início 12/09,  360h, formato híbrido 

Cervejeiro Caseiro

Descrição: No curso de Cervejeiro Caseiro o aluno irá aprender a produzir sua cerveja artesanal – fresca e saborosa – em casa; entender o passo a passo da fabricação de cervejas artesanais; dominar a brassagem; identificar as etapas de elaboração de receita e ainda melhorar as técnicas que já conhece e atingir padrões de qualidade ainda melhores em suas cervejas artesanais.

Datas, carga horária e local:

  •  Início 26/09,  42h, EAD

Curso de Tecnologia Cervejeira 

Descrição: A ESCM promete que, nesse curso, o participante irá conhecer o mercado, a história, os estilos e as características das cervejas; dominar os procedimentos qualitativos e quantitativos para seleção das matérias-primas empregadas na fabricação e na fermentação do mosto cervejeiro.

Datas, carga horária e local:

  • Início 14/09, 75h, EAD

Sommelier de Cervejas

No curso de Sommelier de Cervejas, o aluno irá analisar sensorial e qualitativamente os diversos estilos de cerveja; aplicar as técnicas de serviço de cervejas; relacionar as matérias-primas e processos de produção; identificar on e off flavors presentes nas cervejas; organizar harmonizações com cervejas; discutir as questões éticas no mercado; desenvolver coquetéis com cervejas e analisar rótulos e estilos.

Datas, carga horária e local:

  • Início 16/01/2023 (15 dias de curso), 100h, presencial

Mestre Destilador

Descrição: Segundo a ESCM, o aluno irá conhecer a história e as características das principais bebidas destiladas; aprofundar os estudos sobre as matérias-primas empregadas, a fabricação e fermentação dos mostos das bebidas destiladas; aprender o passo a passo para produzir destilados; aprender a identificar os equipamentos e controles durante os processos de filtração e blendagem.

Datas, carga horária e local:

  • Início 16/01/2023 (15 dias de curso), 96h, presencial

Cervejeiro Artesanal

Descrição: No curso de Cervejeiro Artesanal, o aluno irá aprender a produzir cerveja em casa, segundo padrões técnicos de qualidade. Para os que já produzem, será possível melhorar a técnica e atingir padrões ainda melhores; identificar as etapas de elaboração de receitas; compreender o processo de controle da brassagem e entender o processo de fabricação de cerveja

Datas, carga horária e local:

  • Início 16/01/2023 (15 dias de curso), 80h, presencial

Microbiologia da Cerveja

Descrição: No curso de Microbiologia da Cerveja, o aluno irá dominar o uso dos controles microbiológicos nas diversas etapas da produção e os respectivos pontos de controle no processo de fermentação; compreender o comportamento e manipulação das leveduras cervejeiras para seu melhor aproveitamento nos aspectos de produtividade, qualidade e custo; entender os processos microbiológicos da fermentação do mosto e entender a morfologia bacteriana e aprender como identificar estes microrganismos em amostras.

Datas, carga horária e local:

  • Início 16/01/2023 (7 dias de curso), 44h, presencial

Aprofundamento em Lúpulo 

Descrição: No curso Aprofundamento em Lúpulo, o  aluno irá dominar as técnicas de lupulagem e as formas de utilização do lúpulo na produção de cerveja; conhecer o plantio, as variedades e o processamento do lúpulo; determinar a composição química do lúpulo e compreender como as suas propriedades interferem na cerveja; aprender a otimizar o processo de produção de cervejas lupuladas; conhecer as técnicas de reaproveitamento do lúpulo no dry hopping; descobrir como reduzir o tempo de tanque ao fazer dry hopping e aprender o passo a passo de como calcular o amargor do lúpulo.

Datas, carga horária e local:

  • Início 23/01/2023 (7 dias de curso), 44h, presencial

Produção de Bebidas Não Alcoólicas

Descrição: No curso Produção de Bebidas Não Alcoólicas, o aluno irá aprender os processos de produção de bebidas nos segmentos de refrigerantes, sucos, néctares, refrescos, isotônicos, energéticos, chás e kombuchas; conhecer o cenário de inovações e tendências em bebidas; identificar as matérias-primas, os fundamentos químicos e microbiológicos dos produtos; além de conhecer as principais tecnologias de produção em escala artesanal e industrial das bebidas não alcoólicas.

Datas, carga horária e local:

  • Início 23/01/2023 (7 dias de curso), 40h, presencial

Técnico de Mestre Cervejeiro

Descrição: No curso Técnico de Mestre Cervejeiro, o aluno pode adquirir capacidade técnica qualificada para executar e gerenciar as atividades desenvolvidas em uma cervejaria, dentre as quais a elaboração de receitas, seleção e recebimento das matérias-primas, fabricação e controles de qualidade e mais. Além disso, o aluno também vai aprender como atuar na supervisão das atividades de uma unidade industrial de fabricação de cervejas.

Datas, carga horária e local:

  • Início 27/01/2023, 1.400h, presencial

Instituto Ceres

Segurança do trabalho em microcervejarias

Descrição: O curso irá abordar os riscos, aspectos legais, impactos, interface com o e-social, além da gestão da segurança nas cervejarias, com disponibilização de planilhas e conteúdos que irão auxiliar na rotina da cervejaria.

Datas, carga horária e local:

  • Durante todo o mês de setembro, EAD

Gestão de bar, atendimento e vendas

Descrição: Esse curso contará com diversos especialistas que abordarão a administração de um bar, envolvendo controle de estoque e gestão de fornecedores, treinamento, contratação e gestão de equipes, atendimento, vendas on trade e off trade. O curso visa trazer mais conteúdo para donos e funcionários de bares, bem como para profissionais que desejam aprofundar seus conhecimentos.

Datas, carga horária e local:

  • Durante todo o mês de novembro, EAD

Boas Práticas de Fabricação para Cervejarias

Descrição: Curso com 30 horas de conteúdo em videoaulas, materiais didáticos, planilhas, legislação, modelo de manual de boas práticas e de POP, entre outros documentos. O curso é voltado para quem trabalha ou deseja ingressar em cervejarias e aborda os princípios de segurança e de higiene.

Datas, carga horária e local:

  • Fixo na grade, 30h, EAD

Faça sua própria cerveja

Descrição: O curso Faça sua própria cerveja traz a experiência para a casa através da produção de uma cerveja, com os alunos podendo acompanhar o passo a passo, teoria e prática, através de videoaulas. O curso disponibiliza diversas planilhas de controle, entre outros materiais.

Datas, carga horária e local:

  • Fixo na grade (acesso de 1 ano), 15h, EAD

Instituto da Cerveja

 Workshop de Degustação de Cerveja de A a Z 

Descrição: O Workshop de Degustação de Cerveja de A a Z tem como objetivo introduzir o aluno no universo das cervejas artesanais de forma leve, descontraída e com muita degustação. O aluno passará pelos tópicos história, matérias-primas e estilos de cervejas, tudo isso com degustação de exemplares nacionais e importados.

Datas, carga horária e local:

  • 18/09, 5h, presencial, em São Paulo

 Especialização em Harmonização

Descrição: O curso Especialização em Harmonização tem como objetivo aprofundar o conhecimento do sommelier de cervejas nos princípios de harmonização, com base em um maior conhecimento das técnicas culinárias e produções da gastronomia internacional, estilos de cerveja e serviço adequado. O treinamento teórico e prático que será realizado durante as aulas proporcionará um desenvolvimento intenso dos profissionais para atuarem como consultores em bares e restaurantes, assim como na realização de eventos harmonizados.

Datas, carga horária e local:

  • De 12/9 a 31/10, 56h, presencial, em São Paulo

Especialização em Estilos – Mestre em Estilos

Descrição: Especialização em Estilos – Mestre em Estilos é o primeiro curso de especialização para o sommelier de cervejas já formado. O curso é baseado no Brewers Association Styles Guideline e tem como objetivo treinaro conhecimento do sommelier nos vários estilos de cervejas existentes. O curso oferece uma imersão no universo das escolas cervejeiras, passando detalhadamente pelos países que as compõem, destrinchando história, dezenas de estilos e subestilos.

Datas, carga horária e local:

  • De 17/9 a 27/11, 52h, presencial, em São Paulo

Introdução ao Universo das Cervejas Especiais

Descrição: O curso de Introdução ao Universo das Cervejas Especiais tem como objetivo levar informações e curiosidades sobre este universo tão vasto, porém de forma leve e com muita degustação. Visa, assim, um consumo com qualidade e conhecimento. Ao final, o aluno estará apto a selecionar de forma adequada e consciente a sua cerveja.

Datas, carga horária e local:

  • 17/9 e 18/9, 12h, presencial, em Goiânia

Science of Beer

Sommelier de Cerveja 

Descrição: O curso foi desenvolvido para todos aqueles que desejam se aprofundar no universo das cervejas, para que se tenha capacidade de sugerir, orientar, executar o serviço, harmonizar, avaliar, identificar defeitos e descrever sensorialmente as cervejas das mais diversas origens e estilos. Além disso, o curso orienta o aluno a correlacionar a cerveja com outras bebidas como cafés, vinhos, destilados e coquetéis, expandindo sua memória e vocabulário sensorial

Datas, carga horária e local:

  • De 3/9 a 4/12, 80h, presencial, em Alagoinhas (BA)
  • De 26/ 1 a 5/2/23, 80h, presencial, em Florianópolis 
  • De 8/10 a 15/1/23, 80h, presencial, no Rio de Janeiro

 Sinnatrah Cervejaria-Escola

Profissional Cervejeiro

Descrição: O curso é voltado para quem quer adquirir mais conhecimento sobre a produção comercial de cervejas e busca experiência nos processos dentro de uma cervejaria.

Datas, carga horária e local:

  • 4/10 a 5/11, 70h, presencial

Iniciante de Produção de Cerveja Artesanal

Descrição: O curso mistura teoria e prática para fabricação da bebida durante um dia de aula. O módulo básico aborda a história e os estilos de cerveja, ingredientes (malte, lúpulo, levedura, água), equipamentos e modo de preparo completo de uma leva de 20 litros da bebida. São apresentados detalhes de procedimentos fundamentais para a fabricação de uma cerveja de qualidade, como sanitização de equipamentos, mostura, clarificação e filtração do mosto.

Datas, carga horária e local:

  • 13/8, 7h, presencial
  • 17/9, 7h, presencial

Degustação e Harmonização de Cervejas

Descrição: O curso é uma introdução ao mundo das cervejas artesanais. O aluno poderá conhecer mais sobre a história da cerveja, tipos, parâmetros de estilos, ingredientes e o processo de fabricação.

Datas, carga horária e local:

  • 20/8, 3h, presencial

Off-flavors – Análise Sensorial da Cerveja

Descrição: O curso ensina a análise sensorial e identificação de off-flavors na cerveja, apontando suas causas e como evitá-los no produto final, com análise de 12 amostras de cerveja e outros exercícios práticos de análise sensorial, além de descrição científica das causas e apresentação das formas de evitar e/ou remediar a ocorrência de cada um deles.

Datas, carga horária e local:

  • 26/8, 3,5h, presencial

Avançado de Produção de Cerveja

Descrição: No curso, o cervejeiro adquire autonomia para desenvolver suas próprias receitas de cerveja, acompanhar a brassagem e a fermentação com riqueza de detalhes e técnicas de um profissional. Também aborda conhecimentos e práticas cervejeiras, além da produção de duas cervejas.

Datas, carga horária e local:

  • 24/9 e 25/9, 16h, presencial
  • 16/7, 7h, Cotia (SP)

Balcão da Chiara: Desenho higiênico de equipamentos para cervejarias

Balcão da Chiara: Desenho higiênico de equipamentos para cervejarias

Já se deparou com uma contaminação no produto que você não consegue resolver? Não é raro que os profissionais de cervejarias se deparem com equipamentos Kinder Ovo. Já ouviu falar? Lindos por fora e uma surpresa por dentro!

Brincadeiras à parte, o desenho higiênico dos equipamentos é fundamental para a segurança do produto. Soldas mal executadas, instrumentos mal instalados, válvulas mal posicionadas, pontos mortos, dentre tantos outros erros na fabricação e na manutenção de equipamentos, impactam diretamente na qualidade da cerveja. Segundo LELIEVELD (2003), o design de um equipamento é considerado higiênico quando incorpora, com caráter preventivo, características que reduzam ou eliminem o risco de constituir uma fonte de contaminação para os alimentos processados, de forma direta ou indireta.

Desde a concepção da cervejaria, todos os detalhes de layout devem ser planejados com muita atenção. Além do design, o posicionamento dos equipamentos e tubulações podem influenciar diretamente na qualidade dos processos de assepsia, assim como o excesso de curvas, ocasionando perda de carga e reduções nas tubulações. É preciso atenção nos equipamentos posicionados em cima de ralos, pelo risco de haver retorno e contaminação do produto, bem como manter uma distância da parede, teto e piso que permita a higienização.

Um bom projeto higiênico deve levar em consideração o material a ser utilizado, assim como o desenho, de maneira que possa permitir facilmente a higienização. Não deve transferir características para o produto ou liberar produtos ou substâncias que sejam prejudiciais aos consumidores. Também não deve ocasionar descamação, rachaduras e fissuras. Outra característica importante é a resistência à corrosão e aos produtos de assepsia, bem como a acessibilidade para a inspeção, manutenção e higienização. É importante que o projeto evite a contaminação por químicos, lubrificantes ou fluidos de resfriamento. Fiquem atentos a um sistema que permita a drenagem (seja por tubulações inclinadas ou por abertura de válvulas) e ao posicionamento de motores e vedações (ABNT, 2010).

Equipamentos mal projetados também podem ter impacto no custo, por exemplo, pela necessidade de um processo de higienização mais prolongado, manual ou mesmo com a utilização de outros produtos para garantir a eficiência desse procedimento. Quando escrevo sobre custo, não é apenas sobre os químicos, é sobre o tempo improdutivo, energia elétrica, maior consumo de água e a mão de obra disponibilizada para outro fim que não seja a produção. Sem contar todo produto não conforme que você terá de descartar proveniente de uma contaminação, seja ela química, física ou microbiológica. Ou até arcar com prejuízo milionário caso o produto vá para o mercado e afete a saúde de algum consumidor.

Ao avaliar o equipamento, além das condições de segurança do produto, é básico e fundamental que sejam avaliadas as condições de segurança na operação. Isso envolve posicionamento de válvulas, portas de visita que facilitem a operação e limpeza levando em consideração também a ergonomia.

Seria ideal que ao adquirir um equipamento, houvesse uma visita para validação desse fornecedor. Visite outras cervejarias que possuam o equipamento que você deseja e questione sobre as problemáticas, acompanhe sua operacionalidade. Teste o seu equipamento!

E a preocupação não pode terminar com a compra do equipamento. A rotina é muito importante para assegurar suas condições sanitárias. O planejamento da manutenção preventiva com inspeções que foquem principalmente nos pontos de lubrificação, testes de estanqueidade, vazamentos. E sem esquecer do programa de higienização, com todos os procedimentos padronizados. O manual dos equipamentos auxilia na construção dos procedimentos para que a operação mantenha sua condição original de produção segura.  

Além do design higiênico dos equipamentos, o conceito deve ser extrapolado para as instalações. A localização da fábrica, condições estruturais, fluxograma do processo, fluxo de pessoas, materiais e produtos. As condições higiênico sanitárias na cervejaria não são uma opção, são parte da garantia de um produto seguro.  


Referências bibliográficas:  .

LELIEVELD, H. L. M. (Org.) et al. Hygiene in food processing. Cambridge, Inglaterra: Woodhead Publishing Limited, 2003.

ABNT NBR 14159. Segurança das máquinas — Requisitos de higiene para o projeto das máquinas. Rio de Janeiro, 2010.


Chiara Barros é proprietária do Instituto Ceres de Educação e Consultoria Cervejeira. Engenheira Química, especialista em Biotecnologia e Bioprocessos, em Gestão da Qualidade e Produtividade e em Segurança de Alimentos, além de cervejeira e sommelière de cervejas.