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Só safra melhor ou menor demanda reduzirá pressão sobre cevada, diz especialista

A escassez de cevada e malte no mercado brasileiro de cervejas, algo que pressiona os preços dos insumos, só irá ser resolvida se fatores que possuem a influência direta da macroeconomia global, de conflitos geopolíticos e das condições meteorológicas se modificarem.

A avaliação foi apresentada por Alexandre Karkle, responsável pela originação de grãos e gestão de risco da Cooperativa Agrária, nesta quinta-feira (20), no último dos três dias do Congresso Técnico Internacional, promovido pela Agrária Malte, em Guarapuava (PR).

As influências macroeconômicas e meteorológicas são necessárias, pois, na avaliação de Karkle, os fundamentos da cevada e do malte estão em alta, só podendo se alterar caso as próximas safras sejam melhores ou que ocorra uma queda na demanda por esses insumos ou mesmo em caso de freio no consumo.

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Para ele, porém, os cenários aventados não parecem próximos de se tornarem realidade, lembrando que adversidades têm atrapalhado a safra da cevada em regiões importantes do mundo, como a Europa e a América do Norte. Por isso, em sua visão para aumentar a quantidade de cereal disponível, é necessário que não ocorram problemas que têm sido vistos nos últimos anos.

“O que precisa é não ter quebras de safra. A Europa está no terceiro ano de dificuldades na produção e precisa ter uma boa safra, assim como a Argentina e a Austrália, além da América do Norte. Ucrânia e Rússia também precisam se resolver e voltar para a economia global. Tendo isso, já ajudaria muito”, diz Karkle.

Não é, porém, o que tem acontecido, como lembra o especialista da Agrária Malte, apontando como a demanda vem sendo, rotineiramente, maior do que a produção de cevada.

Faz seis anos que a produção de grãos no mundo é menor do que o consumo. Isso explica o aumento dos preços dos alimentos. O mundo está consumindo o estoque do passado

Alexandre Karkle, especialista da Cooperativa Agrária

E o cenário não parece dos mais promissores no continente europeu, que tem sofrido, nas últimas semanas, com uma onda de calor. “A safra de primavera, que é a mais importante para nós, está pior do que se esperava na Europa, com menos produção do que em 2021. Porém, a qualidade está melhor do que nos dois anos anteriores.”

O especialista da Agrária Malte também não acredita em um cenário de recessão global, ao menos no curto prazo, ainda que a inflação e o conflito entre Rússia e Ucrânia estejam dificultando a realização de previsões.

“A conversa sobre recessão é recente. A economia mundial estava se recuperando, havia um cenário de consumo forte, o que está acontecendo na Europa, deve acontecer na Ásia, além do Brasil, no segundo semestre. Não vejo a demanda caindo no curto prazo”, aponta Karkle.

Alguns sinais trocados, porém, têm sido citados por analistas, que apontam a possibilidade de um freio na economia ocorrer diante do cenário de inflação global, o que vem levando bancos centrais a aumentarem as taxas de juros. E a estratégia para frear a alta de preços pode, também, causar queda do consumo.

Outro problema que pode ser provocado pela alta dos juros globais é a desvalorização do real, com investidores internacionais deixando de aplicar dinheiro em outra moeda no Brasil para aproveitarem os melhores rendimentos oferecidos pelo país. E o custo do dinheiro, assim, tenderá a aumentar para as empresas.

Mas fato é que o cenário global se tornou mais complicado com a invasão da Ucrânia pela Rússia no fim de fevereiro, o que provocou, de imediato, ondas inflacionárias, especialmente nos preços de commodities e nos valores dos fretes marítimos.

Até o início do conflito, 20% da cevada no mundo era produzida por Rússia e Ucrânia, países responsáveis por 30% da exportação. “Essa guerra está longe de acabar e pode continuar trazendo consequências para a nossa vida diária, através da inflação energética, de alimentos e de outras matérias-primas, afetando especialmente a Europa”, alerta Karkle.

Além disso, a guerra provocou alta dos preços da energia na Europa, o que afetou diretamente as maltarias, já pressionadas pelo crescimento da demanda. Afinal, em função da pandemia, não se formaram estoques no período mais crítico da pandemia. E a procura continua elevada, seja pela premiumização do mercado global de cervejas ou pelo recente aumento do consumo no continente europeu.

As maltarias estão, em geral, com utilização da capacidade acima de 90% na Europa Ocidental, Oceania, América do Norte e do Sul

Alexandre Karkle, especialista da Cooperativa Agrária

A boa notícia para quem produz cerveja, porém, pode ser a resiliência do consumo. Citando dados da crise do subprime, quando houve alta na margem de lucro das cervejarias em 2009 e 2010, ele avalia que o setor tende a resistir a novos desafios.

“A história recente indica que o consumo de cerveja tem se mostrado relativamente resistente às crises e à pressão inflacionária”, garante Karkle. “Para 2022 havia expectativa de forte recuperação, mas veio inflação e guerra. Ainda assim, o consumo não caiu de modo pesado.”

Outras abordagens
Além da palestra sobre o cenário global da cevada, do malte e da cerveja, o último dia de palestras do Congresso Técnico Internacional da Agrária Malte contou com abordagens que podem ser aplicadas pelos fabricantes da bebida no dia a dia, além de outras avaliações mercadológicas.

Em sua apresentação, Tom Shellhammer, da Lallemand, tratou do processo de biotransformação no processo cervejeiro. E, em outra palestra internacional no congresso da Agrária, Ben Souffriau, da AB Biotek, falou sobre fermentação e formação de compostos sulfurosos.

Os debates do Congresso Técnico Internacional foram encerrados com uma mesa redonda que teve as participações de Teresa Yoshiko, dos Lúpulos Ninkasi, Marcos Stefanes, presidente da Aprolúpulo, e de Carlos Ruiz, da HVG. Eles falaram sobre o cenário e as perspectivas para o lúpulo brasileiro, comparando o seu contexto com o cultivo no cenário europeu.

À espera da alta, cervejarias miram multinacionais, finanças e novos mercados

O segundo semestre, que certamente ficará marcado na sociedade pela realização de eleições no Brasil e da Copa do Mundo no Catar, traz otimismo para a indústria cervejeira, na expectativa de crescimento do mercado, também estimulado pela injeção de recursos na economia pelo governo federal. A expectativa positiva, porém, vem acompanhada de certo receio, pois a alta dos custos tem exibido resiliência, o que atemoriza as cervejarias artesanais, ainda tentando equilibrar as finanças. E, em busca por saídas, ainda avaliam investir em novos mercados.

O desafio da alta das despesas com a produção é conhecido, com as marcas mirando soluções, em um balanço entre preço ao consumidor, margem de lucro ameaçada e possibilidade de perda de mercado. Cautelosas e com as finanças ainda em recuperação dos efeitos da pandemia, algumas marcas optam por acompanhar movimentos de outras cervejarias.

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É, por exemplo, o caso da Ravache. Empresa do Grupo Refrigerantes Convenção, a marca afirma ter incorporado boa parte dos custos surgidos nos últimos anos, mas, em alguns casos, replica as altas nos preços definidos pelas grandes cervejarias, mesmo que elas concorram por públicos diferentes.

A gente não consegue repassar os custos. Hoje, por exemplo, estamos sofrendo com escassez e alta do CO2. Se for repassar tudo que se recebe de aumento, você está fora do mercado. O Grupo Convenção segue os passos das grandes cervejarias, mas absorve a maioria dos custos

Gustavo Assani, mestre-cervejeiro da Ravache

Os desafios econômicos e de mercado encarados pelas cervejarias foi o tema da mesa redonda que fechou a quarta-feira (20) na 13ª edição do Congresso Técnico Internacional da Agrária Malte, que acontece nesta semana em Guarapuava (PR).

Seguir as grandes cervejarias, aliás, não é passo dado apenas pela marca do Grupo Convenção. A NewAge Bebidas, que tem a Wienbier e a Pabst Blue Ribbon como destaques do seu portfólio, também admite acompanhar os movimentos de Ambev e Grupo Heineken. Porém, vê as gigantes com muito mais alternativas para lidar com os preços.

“Quando sabemos que a Ambev vai aumentar, também mexemos nos nossos preços. Mas se você observar, a Duplo Malte não muda de preço há anos”, diz, em tom bem-humorado, Fabio Violin, proprietário da NewAge.

Além disso, as cervejarias precisam lidar com a sempre difícil negociação de reajuste de preços com parceiros, seja de bares ou mesmo do varejo, enquanto buscam recuperar o poder de investimento e as finanças. É o que relata Rodrigo Veronese, mestre-cervejeiro da Leopoldina, que teve dificuldades para alterar os valores cobrados pelas cervejas na primeira metade do ano e, ainda assim, já estima uma nova alta, no segundo semestre.

“Passamos o aumento da tabela em fevereiro, mas houve pontos de venda que não aceitaram. Então, negociamos, com a nova tabela só sendo aprovada agora. Já precisaremos de um novo repasse no segundo semestre, porque a estrutura não consegue absorver a alta do preço do vidro – ou perderemos fluxo de caixa. Precisamos agregar valor ou a conta não fecha”, argumenta Veronese.

Diante das adversidades, para os especialistas, resta o recurso das cervejarias reverem seus custos de produção, com o intuito de unir manutenção da margem de lucro com um preço competitivo. “Tem formas de se fazer. É preciso reduzir o custo com algumas alternativas industriais, que às vezes não são tão conhecidas ou óbvias. A partir disso, você pode buscar subsidiar uma negociação de venda”, defende o consultor Rogério Wonrath.

Novo cenário e produtos?
Enquanto precisam equilibrar receitas e despesas, o setor cervejeiro aspira um segundo semestre alvissareiro, como argumenta Alexandre Karkle, especialista em cevada da Agrária Malte.

“O governo vai injetar R$ 220 bilhões na economia, direta ou indiretamente. Minha expectativa é de que isso venha para o mercado. E ainda tem Copa e eleições, com um clima relativamente quente. Lá fora, já se percebe um apetite grande por cerveja na Europa, pois as pessoas ficaram muito tempo entocadas em casa”, destaca Karkle.

O problema, contudo, pode estar logo à frente, pois a injeção de recursos pelo governo federal, com claro intuito eleitoreiro, deve cobrar seu preço em breve na macroeconomia. “Há uma brincadeira em que se diz que ano par é bom, já ano ímpar é ruim. Então, esse vai ser bom, mas o próximo será ruim, porque será preciso pagar esses R$ 220 bilhões”, alerta Fabio Violin, da NewAge.

Confira o Guia Talks com o diretor comercial da Agrária Malte

Na tentativa de encontrar saídas para a crise, intensificada durante a pandemia do coronavírus, algumas marcas artesanais buscaram se transformar em indústrias de bebidas, com a ampliação do portfólio. Opções como gin e ice são vistas como alternativas interessantes por alguns profissionais.

“Tem muita gente investindo alto no volume de ice em long necks em São Paulo”, relata Gustavo Assani, da Ravache. “Na NewAge, produzimos 35 SKUs de gin. Temos clientes que dobraram as vendas nessa categoria”, acrescenta Violin.

Há alertas, porém, sobre os riscos envolvidos na decisão de seguir tendências de mercado com características diferentes daquelas do Brasil, como a própria NewAge aprendeu na prática. “A experiência no Brasil é diferente. Enveredamos no hard seltzer antes da pandemia e só tivemos prejuízo. Não volto mais. Fico chateado por ter cometido um erro tão grande”, relata o executivo.

Assim, a lição para as cervejarias é a necessidade de ter a operação bem estruturada, antes de buscar novos saltos, sob risco de complicarem as finanças.

O que vejo é que dar tiros em vários produtos tem seus riscos, com, por exemplo, estocagem de matéria-prima e investimentos. É preciso estudar antes. Tem muita tarefa de casa para ser feita ainda, com investimentos na produção cervejeira. Uma nova bebida pode até atrapalhar

Rogério Wonrath, consultor

Após investir R$ 130 milhões, Ambev zera emissões de carbono de mais 3 unidades

A Ambev deu um importante passo em suas metas de sustentabilidade. Nesta terça-feira, a companhia anunciou que neutralizou as emissões de carbono em mais três de suas unidades: a Arosuco Aromas, em Manaus (AM), a Cervejaria Minas Gerais, em Juatuba (MG), e a Refrigerantes Curitibana, em Almirante Tamandaré (PR).

Dessa maneira, por ano, elas deixarão de emitir mais de 4.800 toneladas de gases de efeito estufa comparado com 2017.

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A companhia ainda informou que atingiu “mais da metade da meta para este ano, ainda no primeiro semestre”. A expectativa, agora, é de que mais quatro unidades da Ambev tenham as emissões de carbono neutralizadas até o fim de 2022.

Antes de completar a neutralização de carbono das três novas unidades, a Ambev anunciou no ano passado a sua primeira grande cervejaria e maltaria carbono neutro no Sul do Brasil. No início de 2022, por sua vez, a companhia zerou as emissões de carbono na unidade de Agudos, no interior de São Paulo, e na unidade de Cachoeiras de Macacu, no Rio de Janeiro.

Para alcançar tais resultados, a companhia investiu mais de R$ 130 milhões em tecnologia sustentável e limpa em suas operações nos últimos cinco anos. A estratégia faz parte de “um plano macro, com frentes voltadas para a ação climática, gestão de água, agricultura inteligente e embalagem circular”, conforme descreve a Ambev.

No caso específico das unidades de Arosuco Aromas, Cervejaria Minas Gerais e Refrigerantes Curitibana, todos os processos industriais foram aperfeiçoados, incluindo a instalação de motores e equipamentos de alta eficiência e recuperação térmica para reuso de energia e a otimização de modulação de programação para melhores cenários de eficiência de consumo.

“Estamos terminando o primeiro semestre de 2022 com mais da metade da nossa meta para este ano cumprida. Esse resultado é significativo e reflete os nossos compromissos com a sociedade e o meio ambiente, além dos nossos investimentos e empenho em firmar parcerias para avançarmos na utilização de energia limpa. Não vamos parar por aqui”, destaca Renata Van Der Weken, diretora de Meio Ambiente e Energia da Ambev.

Como filtrar cerveja sem perder a qualidade: confira um passo a passo

Filtrar ou não uma cerveja? A pergunta, que nem existia antes da eclosão da revolução provocada pelos rótulos artesanais, hoje levanta debates e, principalmente, preocupações em função do risco de se perder a qualidade do que está sendo fabricado por eventuais erros cometidos durante a realização do processo ou mesmo pelas suas características.

Fato, porém, é que a bebida filtrada tem seu espaço com o consumidor, tanto que os rótulos mais vendidos no mundo passam por esse processo, assim como parte do público não enxerga com bons olhos – ou saboreia – uma bebida mais turva. Se há uma demanda, assim, é preciso saber como filtrar uma cerveja.

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Para garantir que a bebida que sairá do filtro é de qualidade, o profissional que realiza esse processo em uma indústria precisa estar atento a uma série de fatores, sendo fundamental o conhecimento sobre a turbidez da bebida maturada, a quantidade das células em suspensão, a temperatura da cerveja, o controle do oxigênio e a dosagem do auxiliar filtrante.

Os cuidados com cada um desses fatores durante o ato de filtrar foi o tema da apresentação de Ligia Marcondes, mestre cervejeira e professora da Escola Superior de Cerveja e Malte (ESCM), nesta terça-feira (19), no primeiro de três dias de palestras e debates da 13ª edição do Congresso Técnico Internacional, promovida pela Agrária Malte, em Guarapuava (PR).

Passos da filtração
Uma cerveja tem diversas fontes de turbidez, sendo a principal delas as células de levedura. Em menor proporção, proteínas, polifenóis – quando combinados com as proteínas – e carboidratos também são responsáveis por essa condição, assim como, em alguns casos, o lúpulo, caso tenha sido feito o dry-hopping. Para saber o nível de turbidez provocado por esses fatores, recomenda-se a utilização de um turbidímetro – o equipamento é considerado essencial porque ter o conhecimento exato sobre a turbidez da bebida será fundamental para a tomada de decisões ao filtrar a cerveja.

E otimizar o processo também passa por realizá-lo com a cerveja na temperatura ideal. Ela seria muito próxima de 0ºC, mas é preciso adotar cuidados. “A cerveja deve ser filtrada em uma temperatura acima do ponto de congelamento. Quanto mais alcoólica, mais baixo o seu ponto de congelamento, o que pode provocar o risco de congelar até o filtro”, alerta Ligia.

Tudo, porém, é uma questão de ponderação. “O problema de filtrar a cerveja acima de 0ºC é que a proteína e o polifenol vão se encontrar depois”, acrescenta a mestre cervejeira e professora da ESCM.

Além disso, é preciso estar atento às células em suspensão, que dependem da temperatura utilizada, de preferência próxima de 0ºC, assim como do tempo de guarda fria. “O parâmetro para a cerveja centrifugada é abaixo de 10³ de células/ml. Já para não centrifugadas recomenda-se que seja menor ou igual a 10⁶ de células/ml.”

Mas nenhum fator preocupa mais quem faz a filtração do que a possibilidade de incorporação de oxigênio ao processo produtivo. Para evitar esse risco, três ações precisam ser adotadas: não puxar ar quando acabar a cerveja no tanque que está sendo filtrado; usar gás carbônico para contrapressão no tanque de recebimento de cerveja e no que está sendo filtrado; borbulhar e manter uma atmosfera de gás inerte no tanque de dosagem de terra.

Confira o Guia Talks com o diretor comercial da Agrária Malte

O tanque de dosagem, aliás, é o ponto que mais depende da interferência humana para o êxito – ou não – da filtração. Preparado com terra infusória ou com misturas que a levam em sua composição, o filtro deve conter duas pré-camadas. A primeira precisa ser encarada como uma camada de sustentação, para que a terra não passe depois, sendo a segunda, portanto, a primeira camada de filtração. “Somente a terra é capaz de retirar partículas menores do que as células de leveduras”, ensina Ligia.

E a gestão da dosagem é um dos desafios desse tipo de operação, pois como as partículas a serem retiradas têm tamanhos diversos, normalmente é utilizada uma mistura de terras com permeabilidades diferentes. Em geral, é um processo que depende da experiência de quem está realizando, mas, principalmente, de como está a cerveja, com a sua turbidez.

Caso a cerveja esteja saindo turva, é necessário fechar mais a camada filtrante com uma terra mais fina. Então, será preciso ficar atento à pressão. Se ela estiver turva já usando bastante terra fina, a pressão está normal ou baixa. Com isso, você precisará ter atenção à passagem da terra

Ligia Marcondes, mestre cervejeira e professora da ESCM

“Se a cerveja estiver límpida, mas a pressão estiver subindo muito rápido, talvez a proporção de terra fina esteja muito alta. Isso pode resultar na diminuição do ciclo de filtração”, conclui a especialista da ESCM, demonstrando como o ato de filtrar é repleto de detalhes com cada passo, sendo fundamental para assegurar a qualidade da cerveja.

Congresso da Agrária
Além da abordagem sobre como deve se filtrar a cerveja, o primeiro dos três dias de palestras do evento contou com outros conteúdos técnicos. Profissionais da HVG abordaram as novas variedades de lúpulos da Alemanha e sua sustentabilidade. Já especialistas da Agrária falaram sobre turbidez, além do desafio de manter o frescor da cerveja. Por sua vez, Frank Nohel, Homero Guercia, Francisco Iguti e Gustavo Miranda encerraram a programação contando histórias das suas trajetórias na indústria cervejeira.

Perda do poder de compra do público freia reajuste do preço da cerveja nos bares

A inflação a níveis elevados vem sendo uma dor de cabeça para o brasileiro, mas a cerveja, especialmente aquela consumida em bares e restaurantes, não é um dos itens a puxar essa alta. Pelo contrário, afinal, enquanto o IPCA, o índice oficial, medido pelo IBGE, terminou o primeiro semestre em 5,49%, a aceleração do preço da cerveja ficou em 2,31% no domicílio no mesmo período, sendo ainda menor, de 2%, fora do domicílio.  

Assim, a cerveja teve papel importante para ajudar bares e restaurantes a frear, em parte, a subida dos preços dos seus cardápios. Esse diagnóstico foi confirmado por líderes de entidades representativas do setor, que explicam, ao Guia, os motivos para os proprietários dos estabelecimentos não terem repassado todos os seus custos na composição do valor final dos produtos e serviços oferecidos.

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“Realmente, a cerveja tem dado importante contribuição para segurarmos os custos dos bares e restaurantes. Ela é responsável por 20% a 60% dos nossos custos, sendo 20% para os restaurantes e 60% para alguns bares”, ressalta Paulo Solmucci, presidente-executivo da Associação de Bares e Restaurantes (Abrasel).

Nos últimos 12 meses, o preço da cerveja nestes locais sofreu aumento de 4,51%, uma porcentagem bem inferior à inflação geral do período, de 11,89%. “Essa é uma das razões de o setor ter conseguido repassar só a metade da inflação média nos últimos 12 meses para o cardápio”, acrescenta Solmucci. “É uma boa notícia para quem gosta de tomar uma geladinha no bar”, completa.

A diferença chamativa entre a alta do IPCA e a inflação da cerveja, especialmente em bares e restaurantes, tem suas razões. De acordo com Fernando Blower, diretor-executivo da Associação Nacional de Restaurantes (ANR), a redução do poder de compra dos clientes motivou os proprietários dos estabelecimentos a segurar os aumentos.

“Há fatores internos e externos para isso. Internamente, tanto cervejarias quanto os próprios bares e restaurantes estão evitando repassar integralmente a inflação para o consumidor. A gente sabe que existe uma restrição de renda por parte da população e, portanto, simplesmente aumentar preços não pode ser a única solução. Você tem de mexer no mix, renegociar contratos e fazer outras coisas para não perder o cliente”, analisa Blower, admitindo também que é impossível deixar de acrescentar ao preço final uma fatia dos custos elevados dos produtos.

Uma avaliação parecida é apresentada pelo presidente da Abrasel. E Solmucci destaca ser mais fácil, em um momento de crise como o atual, que o repasse da alta dos custos produtivos aconteça no varejo, onde a elevação do preço da cerveja está em 8,41% nos últimos 12 meses, do que nos bares e restaurantes.

 “A renda do trabalhador caindo 8%, ainda que haja mais emprego, não permite os repasses. Seja para os restaurantes repassarem ao cardápio, seja para as cervejarias repassarem ao consumidor. Nos supermercados, os preços aumentam mais porque há menos margem (de lucro). Já os bares e restaurantes, que estão muito endividados, contam com essa correção menor. Neles, as empresas também têm maior margem. Ou seja, corrigir menos é possível e mais fácil do que no supermercado”, explica.

Para referendar as avaliações de Solmucci e Blower, uma pesquisa realizada pela Abrasel, que ouviu 1.689 empresários de bares e restaurantes de todo o Brasil, entre os dias 21 e 28 de junho, constatou que 74% destes estabelecimentos não conseguiram repassar os aumentos dos custos nos preços dos produtos e serviços. E a inflação foi citada como o principal obstáculo para a retomada do setor, sendo que 75% dos entrevistados que amargaram prejuízos com os seus negócios apontaram a elevação dos valores dos principais insumos (alimentos e bebidas) como um fator que contribuiu para os resultados financeiros negativos.

Freio na inflação?
Na avaliação do diretor-executivo da ANR, a dinâmica dos preços pode se alterar com a retomada da normalidade pré-pandêmica na sociedade. A perspectiva pode ser positiva especialmente para quem se alimenta fora de casa, pois esse foi um item de grande peso na inflação de junho, ficando em 1,26%.

“Você teve uma queda muito grande (de público) e depois um pico muito grande. E aí a inflação nasce disso. Agora você começa a ter um reequilíbrio, um arrefecimento desse aumento. Ou seja, continua aumentando, mas não na mesma gradação que aumentou nos últimos meses. E isso acontece mais com alimentos e bebidas do que com outros itens da receita que compõem a inflação, porque os alimentos e bebidas foram aqueles que tiveram o maior pico (de preços) no primeiro momento”, conclui Blower.

Petrópolis investe em resíduo, amplia projeto do lúpulo e tem água como desafio

O Grupo Petrópolis divulgou, pelo segundo ano consecutivo, o seu relatório de sustentabilidade, destacando as iniciativas que foram adotadas ao longo de 2021. O material também apresenta um balanço das ações da companhia, como lançamentos, projetos e investimento em infraestrutura.

Um dos destaques do relatório é o trabalho da gestão de resíduos que tem sido realizado pelo Grupo Petrópolis. A empresa afirma que, em 2021, houve padronização das iniciativas, assim como as unidades de fabricação e distribuição trabalharam no desenvolvimento de soluções mais eficazes de economia circular.

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De acordo com o Grupo Petrópolis, a receita obtida com os resíduos foi de R$ 24.520,74, um aumento de 101% na comparação entre 2020 e 2021. E 342.377,07 toneladas de resíduos foram inseridas em outros processos produtivos, por meio de reciclagem, reaproveitamento, compostagem ou coprocessamento. Assim, calcula a empresa, a não disposição dessa quantidade de resíduos em aterros sanitários deixou de emitir 15,6 mil toneladas de CO2 equivalente na atmosfera.

O Grupo Petrópolis destacou que a fábrica de Boituva (SP), geradora de resíduos de plástico, e a Plastshow, fabricante de produtos que utilizam esse insumo, como mesas e cadeiras, realizaram projeto em conjunto que resultou na redefinição do processo de separação do resíduo plástico na fábrica e sua destinação para a parceira.

No total, 28 toneladas de plástico reciclado foram geradas na fábrica, que deram origem a novos materiais e diminuíram a extração de recursos naturais virgens. Também houve a reutilização de tubos de PVC e de insumos para a produção de embalagens. A companhia destaca que economizou, aproximadamente, R$ 130 mil, por não haver necessidade de compra de novos tubos.

Já na unidade de Teresópolis (RJ), houve a implementação de um processo interno de compostagem, que gerou adubo, com a utilização do resíduo de bagaço de malte como fertilizante orgânico no plantio do lúpulo. Desde o segundo semestre, foram produzidas 69,491 toneladas de adubo, com o custo interno de R$ 48.643,70 e a economia de R$ 166.778,40.

Ainda dentro da jornada da sustentabilidade, o Grupo Petrópolis também inaugurou, em 2021, o Lab de Inovação e Sustentabilidade. A ideia é estimular a criação de soluções e inspirar o intraempreendedorismo. A iniciativa é aberta a todos os colaboradores, tendo o objetivo de fomentar e potencializar ações inovadoras nas fábricas.

Investimento industrial e equipe
Em 2021, o Grupo Petrópolis também realizou investimentos nas suas unidades produtivas. Em novembro, a empresa inaugurou a produção da quinta linha de latas da fábrica de Uberaba, com capacidade para envasar 128 mil latas por hora. A nova linha deve aumentar a capacidade da unidade, de 8,5 milhões de hectolitros por ano, para 11,4 milhões de hectolitros por ano.

“Com a implementação, concluímos o projeto de ampliação anunciado pela companhia em dezembro de 2020, no qual a empresa se comprometeu a investir R$ 230 milhões em ampliação das linhas, frota, revendas, trade, marketing e novos negócios em 2021”, afirma a empresa.

Ainda no fim do ano passado, em dezembro, o Grupo Petrópolis inaugurou uma unidade de distribuição de produtos, localizada em Jaboatão dos Guararapes (PE). “A nova central de distribuição tornou-se necessária por causa da crescente demanda de seus produtos, em especial da marca Itaipava, que é uma das líderes de vendas em Pernambuco”, explica.

Hoje, o Grupo Petrópolis conta com oito fábricas, localizadas em Petrópolis (RJ), Teresópolis (RJ), Boituva (SP), Bragança Paulista (SP), Rondonópolis (MT), Alagoinhas (BA), Itapissuma (PE) e Uberaba (MG), além da sua unidade de plásticos, a Plastshow, de Boituva (SP). Nelas, no total, fabrica 130 produtos.

Na sua estrutura, a empresa diz contar com mais de 24 mil colaboradores, sendo 12% mulheres. Além disso, são 3.637 pretos, 127 indígenas, 8.368 brancos, 464 amarelos e 10.888 pardos. Na comparação com o relatório de 2020, houve pequeno avanço na ainda diminuta presença feminina, que era de 11%.

Gestão de recursos
De acordo com os dados do relatório de sustentabilidade, a gestão da água foi um grande desafio para o Grupo Petrópolis em 2021. Afinal, em relação ao ano anterior, apenas a unidade de Teresópolis conseguiu reduzir a utilização do recurso para a produção de cerveja, para 2,94 hectolitros de água para 1hl de cerveja.  

A variação entre as diferentes fábricas teve a de Alagoinhas (BA), com o melhor desempenho – 2,81 hl/hl –, o que vem acontecendo desde 2018, com o pior resultado sendo o da unidade de Petrópolis – 3,45 hl/hl.

O consumo de água em 2021 foi bastante afetado pela redução dos volumes de produção, como consequência da pandemia de Covid-19. Continuamos com nossa meta de otimizar o uso da água e reduzir o seu consumo, trazendo inovações e melhorias de performance para esse objetivo

Grupo Petrópolis

Por outro lado, a companhia conseguiu reduzir, no ano passado, o consumo de energia térmica, ainda que ela seja predominante, de 59,38 MJ/hl para 56,18 MJ/hl, com o aumento do uso da fonte elétrica, de 7,76 MJ/hl para 8,26 MJ/hl.

O Grupo Petrópolis também tem adotado iniciativas envolvendo embalagens. Em ação para melhorar a circularidade dos resíduos, um projeto, em fase de implementação, envolve a utilização de shrink composto por 25% de material reciclado.

Projeto do lúpulo cresce
Iniciado em 2018, o Programa do Lúpulo do Grupo Petrópolis avançou em 2021, seja na produção ou em localidades em que está sendo realizado. A plantação na Fazenda São Francisco, em Teresópolis, abrange 21.385 plantas em uma área de 5,27 hectares, na qual 12 mil plantas e 3,03 hectares representam a expansão ocorrida no ano passado.

Além disso, uma área piloto foi aberta nas dependências da fábrica em Uberaba, em junho de 2021, oferecendo a oportunidade de avaliação do comportamento da cultura do lúpulo em uma área com características de relevo e clima completamente diferentes da região serrana do estado do Rio. Em novembro, foi realizada a colheita das cultivares plantadas. E, de acordo com a empresa, os resultados contribuíram para a decisão de expandir o cultivo.

Lançamentos e delivery
O material também destaca os vários lançamentos realizados pela companhia em 2021. Foram os casos da Itaipava 100% Malte e da Petra Kellerbier, premiada no Concurso Brasileiro da Cerveja de 2016 e envasada em long neck. A Black Princess apresentou a Bohemian Pilsner, a Be.Witbier, a Gimme Fire e a Golden FemAle, feita só por mulheres, da brasagem ao envase.

O material também destaca os vários lançamentos realizados pela companhia em 2021. Foram os casos da Itaipava 100% Malte e da Petra Kellerbier, premiada no Concurso Brasileiro da Cerveja de 2016 e envasada em long neck. A Black Princess apresentou a Bohemian Pilsner, a Be.Witbier, a Gimme Fire e a Golden FemAle, feita só por mulheres, da brasagem ao envase.

Em outra frente, a Brassaria Ampolis lançou a Aveludadis, a Chilli Peppis, em função do Dia dos Namorados, e a Ampolis, para o Dia dos Pais. Já para marcar presença no mercado de drinques prontos, o Grupo Petrópolis criou a Cabaré Ice.

Também em 2021, o Grupo Petrópolis também testou novidades envolvendo o Bom de Beer, o seu e-commerce. Isso se deu em Ribeirão Preto (SP), onde foi realizado um projeto piloto de seis meses, com o objetivo de operacionalizar a entrega de bebidas geladas em até 20 minutos na residência do consumidor, em parceria com a startup Alfred Delivery.

Balcão do Aloisio: Produção de cevada – O quão longe estamos da autossuficiência?

Balcão do Aloisio: Produção brasileira de cevada – O quão longe estamos da autossuficiência?

A cevada é o quinto grão mais produzido no mundo, perdendo apenas para arroz, milho, trigo e soja. Com quantidade anual média, nos últimos 10 anos, de aproximadamente 145 milhões de toneladas, em uma área média de 49,6 milhões de hectares, a produção do cereal está concentrada nas regiões temperadas da Europa, Ásia e América do Norte.

Pode ser usada na forma de malte, que por sua vez é utilizado na fabricação de bebidas (cerveja e destilados), alimentos e medicamentos; na forma de farinhas ou flocos destinados à composição de produtos de alimentação infantil, de panificação (pães, doces e confeitos) e dietéticos; e de sucedâneos de café. No contexto mundial, entretanto, o maior uso da cevada é na alimentação animal, seja como forragem verde, feno, silagem ou grãos na fabricação de rações.

Já no Brasil, ao contrário de outros países, a malteação tem sido a principal aplicação econômica da cevada. Em média, 70 a 75% do volume da cevada produzida, anualmente, é aproveitada na fabricação de malte e 95% deste é destinado para fins cervejeiros. Existem no País quatro grandes maltarias: Agrária Malte (Guarapuava, PR), Maltaria Navegantes (Porto Alegre, RS), Maltaria Passo Fundo (Passo Fundo, RS) e Maltaria Soufflet (Taubaté, SP). Juntas, têm capacidade de produção média anual de 720 mil toneladas de malte, o que corresponde a, aproximadamente, 45% da demanda nacional por esse produto. É esperado, em 2024, a entrada em operação de mais uma maltaria, com capacidade de 240 mil toneladas anuais.

A cultura da cevada começou a se expandir no Brasil a partir da década de 1970, em grande parte devido às iniciativas da indústria cervejeira, que buscou fomentar a produção nacional para garantir a oferta. De 1976 até os dias atuais, a área cultivada oscilou ao redor dos 100 mil hectares, tendo em alguns anos, como 1981, 1997, 1999 e 2001 sido cultivada área acima de 150 mil hectares. O rendimento da cultura, entretanto, apresentou aumento constante ao longo desse período, passando de 1.018 kg/ha, em 1976, para 3.812 kg/ha, em 2021, o que garantiu aumento constante também na produção nacional, que passou de 95 mil toneladas para 425 mil toneladas, no mesmo período.

Para atender a necessidade de grãos de cevada por parte das maltarias instaladas no Brasil são necessárias, anualmente, cerca de 830 mil toneladas de grãos, ou seja, o dobro do volume que tem sido produzido nos últimos anos. A situação se agrava ainda mais com a demanda de malte para atender às indústrias de bebidas: o consumo chega a 1,6 milhão de toneladas por ano, enquanto a produção nacional supre apenas 45% da demanda.

Analisando os dados de importação de grãos e malte de cevada de 1976 até 2021, verificamos que o volume importado passou de 16,2 para 485,2 mil toneladas de grãos e de 234,3 para 1.427,4 mil toneladas de malte. Isso equivale a uma taxa de crescimento médio anual na importação da ordem de 10,4 mil toneladas de grãos e de 26,5 mil toneladas de malte de cevada, enquanto a produção nacional aumentou a uma taxa média anual, nesse mesmo período, de 7,32 mil toneladas. Portanto, estamos nos distanciando da autossuficiência de grãos de cevada.

Observando o cultivo de cevada em cada estado da região Sul do Brasil, verificamos que a área tem aumentado no Paraná, porém, reduzido no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. O Rio Grande do Sul que já chegou a cultivar mais de 100 mil hectares de cevada no final da década de 1990, em 2021 cultivou apenas 38 mil hectares. Mesmo com 73,4 mil hectares em 2021, o aumento gradativo de área no Paraná não tem sido suficiente para fazer frente à crescente demanda de grãos de cevada.

Um dos motivos que poderiam ser apontados para a redução na área de cultivo de cevada no Rio Grande do Sul são as incertezas provocadas pelo clima, principalmente no período reprodutivo da cultura, quando o excesso de chuvas pode prejudicar a qualidade dos grãos, aumentando os níveis de micotoxinas e/ou reduzindo o teor de germinação dos grãos colhidos, em função da germinação na espiga, em pré-colheita.

A fim de ser aproveitado na malteação, os grãos de cevada devem atender a alguns padrões mínimos de qualidade e a colheita em período muito chuvoso prejudica o alcance desse padrão. Grãos fora do padrão não são aceitos para malteação e são destinados a outros usos, dentre eles a alimentação animal, porém, a preços muito inferiores àqueles pagos pelos grãos com qualidade para malte. É provável que esse risco associado à possibilidade de não obtenção de grãos com qualidade esteja desestimulando os agricultores do Rio Grande do Sul a investirem na cultura da cevada.

O caminho para reverter esse quadro e avançar em direção à autossuficiência passa por avanços na tecnologia de produção e, principalmente, no melhoramento genético, com desenvolvimento de cultivares de cevada mais tolerantes ao excesso de chuvas no período reprodutivo da cultura, conferindo menores níveis de micotoxinas nos grãos e tolerância à germinação pré-colheita, de forma a minimizar os efeitos do clima (excesso de chuvas) na qualidade dos grãos colhidos, dando maior segurança aos agricultores para investirem na cultura.


Aloisio Alcantara Vilarinho é engenheiro agrônomo com doutorado em Genética e Melhoramento de Plantas. Pesquisador da Embrapa desde 2003, ele atua, desde novembro de 2019, como melhorista de cevada na Embrapa Trigo.

Growlers se consolidam no setor: veja diferenças entre PET, vidro, cerâmica e inox

Seja de PET, vidro, cerâmica ou inox, os growlers conseguiram consolidar seu espaço no segmento da cerveja artesanal. Depois da ascensão provocada pela alta do delivery nos momentos mais graves da pandemia do coronavírus, esse tipo de embalagem se firmou como uma interessante alternativa para o consumidor.

E os motivos, na visão de especialistas, são muitos. Afinal, se trata de um produto barato, leve, resistente, reciclável, versátil e de fácil personalização. Com isso, ainda que sem as restrições provocadas pela crise sanitária, o consumidor tem incluído o growler em suas rotinas.

Assim, um profissional, por exemplo, em um dia quente e ensolarado, pode, na saída do seu trabalho, parar em uma loja que vende a cerveja que ele gosta. Mas não podendo degustá-la naquele momento, o consumidor a leva em um growler para a sua residência, conseguindo ter acesso a uma cerveja fresca, mesmo sem permanecer no estabelecimento. “Ele compra sua cerveja fresca e gelada, recém tirada do barril e sai contente para saboreá-la no conforto do seu lar”, diz Helton Aguiar, diretor da Meu Garrafão.

Por outro lado, uma cerveja envasada em um growler pode ser uma boa forma de presentear um amigo ou um familiar. O executivo da Meu Garrafão cita o exemplo de um fã de Star Wars e de cervejas artesanais para destacar a facilidade de personalização desse tipo de embalagem.

“Imagine que uma pessoa lembra que o amigo aniversariante adentrou recentemente no mundo das cervejas artesanais, provando, sempre que pode, estilos novos da bebida. E ele teve uma ideia! Foi pesquisar se tem algo que una cerveja artesanal e Star Wars. Deu alguns poucos cliques e voilá! Ele achou um growler muito divertido que remete aos filmes, com a frase cômica: ‘may the beer be with you’. Em tradução direta, seria algo como ‘que a cerveja esteja com você’, uma paródia com a clássica frase dos filmes de Star Wars que diz: Que a Força Esteja Com Você!’”, exemplifica Aguiar.

Assim, independentemente da ocasião, o executivo da Meu Garrafão enxerga grande potencial para os growlers continuarem tendo relevância no mercado.

“Independentemente do tipo de growler, a tendência é o consumidor levar cada vez mais a cerveja fresca para casa, para festas com os amigos, ou para outro lugar que ele queira ir, desde que seja aquela cerveja especial que ele tanto queria, mas não vai encontrar na prateleira do supermercado”, afirma.

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Assim, pensando nas diversas alternativas de growlers presentes no mercado, o Guia apresenta as características dos diferentes tipos dessa embalagem:

Growlers PET
Os growlers PET são, em geral, garrafas PET adaptadas. Em geral na cor âmbar, tem uma tampa com vedante que possibilita manter a bebida carbonatada. Muitas vezes, tem uma charmosa alça de dois dedos para facilitar o transporte.

Growlers de vidro
Os growlers de vidro podem ter tampa de rosca ou a flip top, que nada mais é do que uma tampa que fecha hermeticamente o recipiente. Os growlers de vidro são muito queridos pelos fãs de cerveja artesanal, pois podem ser personalizados com cores vivas e retêm o gás da bebida por bastante tempo.

Growlers de cerâmica 
Os growlers de cerâmica têm características similares aos de vidro, porém com diferenciais importantes. Eles não deixam a luz entrar no recipiente, conservando melhor a cerveja, e suportam um pouco mais a temperatura em relação aos growlers de vidro e PET. Além disso, podem ser encontrados em variadas cores vivas, dando opções interessantes de personalização para este tipo de embalagem.

Growlers de inox
Geralmente importados da China, os growlers de inox têm um grande diferencial: o material. O inox é muito resistente e suporta facilmente impactos que os growlers de vidro e cerâmica, por exemplo, não aguentariam. Quando o growler de inox é feito somente de uma camada, a transferência de calor nele é muito eficiente. Ou seja, a cerveja gela bem rápido. Por outro lado, ele esquenta bem rápido fora da geladeira. Entretanto, se o growler de inox é feito com duas camadas, chamadas de parede dupla a vácuo, ele vira uma garrafa térmica. Assim, a cerveja fica fresca por muito mais tempo.

Menu Degustação: Novidades nos 2 anos da Soma, ação solidária da Läut…

As cervejarias continuam se movimentando e apresentando novidades para atrair o público neste mês de julho. E a Soma Cervejaria aproveita a celebração do seu aniversário de 2 anos para realizar um projeto relevante, que envolve a compra de barricas e uma programação de lançamentos de rótulos em lata e de cervejas envelhecidas.

Com foco mais solidário, a Läut promove uma campanha do agasalho, em Belo Horizonte, em parceria com diversos pontos de venda. Também em função dos dias mais frios, a ØL Beer relançou dois rótulos já conhecidos do público. E a Budweiser iniciou uma campanha para levar consumidores a shows de estrelas internacionais.

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Confira essas e outras novidades do setor no Menu Degustação do Guia:

Novidades nos 2 anos da Soma
Para comemorar os seus 2 anos de atividades, a Soma Cervejaria nascida em São Paulo, apresenta uma série de novidades. A marca lançou um projeto após comprar seis barricas de carvalho americano, de segundo uso, que têm como procedência produtores brasileiros de rum e uísque. Em duas delas, foram produzidas uma Russian Imperial Stout e uma American Barley Wine, que devem evoluir de 8 a 12 meses antes de serem envasadas em garrafas para guarda. Em outra frente do aniversário de 2 anos da Soma, também foram envasadas em lata duas Double NE IPA: a Lumberjack e a Buffalo Heart. Além disso, na sua tap, há 4 novidades: Irish Dry Stout, Milk Stout, Double NE IPA e uma Double Hazy IPA. E a programação de aniversário de 2 anos da Soma traz música ao vivo e stand-up comedy de terça a domingo (19 a 24) no brewpub da marca. Entre os convidados, estão as bandas Mato Alto, com repertório de MPB, e Zona Western, com clássicos do country norte americano, a dupla Rodrigo Grecco e Vini e uma apresentação acústica do capixaba Apenas John.

ØL Beer relança cervejas para dias mais frios
Com a chegada de dias mais frios e foco no drinkability, a cervejaria paranaense ØL Beer traz dois rótulos de volta: a Belgian Tripel Wood Aged e a Bragi Oatmeal Stout. Com inspirações que remontam ao deus mitológico Kvásir, a Belgian Tripel Wood Aged da ØL retorna ao mercado. Já o retorno da Stout da ØL Beer reforça a demanda por cervejas mais indicadas para o inverno. 

Campanha do agasalho da Läut
A Läut em parceria com seus revendedores e parceiros, lançou a campanha do agasalho. Até domingo (17), as lojas do Ao Gosto Carnes Nobres, o Bar do Bigode, o Armazém 44, Casa OLEC, Stop Espeteria, Bendito Chopp, Adega Buritis, Choperia Carcará, Artesanato da Cerveja, OD Growler Station, Estilo Drinks e o Butecos Bar, além do Posto Pica Pau no bairro Buritis, em Belo Horizonte, recolherão donativos.

Fest Tour da Everbrew
Em sua quinta edição, a Fest Tour da Everbrew, que em julho será realizada no dia 30, comemora o mês do rock. A festa vai ocorrer dentro da fábrica da Everbrew, no antigo Mercado Municipal de Santos (SP), das 15h às 18h, com copo exclusivo para saborear os chopes diretamente da fonte e à vontade, flash tattoo e som ao vivo com Ton Cremon e Bira Aguiar. Para quem mora em São Paulo e deseja fazer parte dessa experiência estão à venda ingressos com direito a transporte saindo do Barcearia.

Novos rótulos da Brewdog no Brasil
A importadora Interfood apresenta três novos rótulos da cervejaria escocesa Brewdog, como parte do programa Craft Sessions. Neste mês, os lançamentos Pomegranate and Hibiscus, Valkyrie Vendetta e 5PM Saint chegam ao Brasil para compor a linha Overworks, reconhecida por produzir cervejas por meio de técnicas exclusivas de envelhecimento em barris.

Ingressos da Bud
Em nova ação de marketing, a Bud Me Leva, a Budweiser vai distribuir 70 pares de ingressos para shows internacionais patrocinados pela marca neste ano. Para participar, é simples: a cada R$30 em compra de produtos Budweiser no Zé Delivery, a pessoa tem direito a um número da sorte. Para conseguir o seu, basta cadastrar o pedido no site da ação, escolher o show preferido, gerar a numeração e aguardar o sorteio. A promoção vai até as 14 horas do dia 31 de julho. Estão disponíveis ingressos para as apresentações de Harry Styles (em São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba), Justin Bieber (São Paulo), Dua Lipa (São Paulo), Coldplay (São Paulo e Rio de Janeiro) e Arctic Monkeys (Rio de Janeiro e Curitiba).

Nova campanha da Itaipava
“ITA-refrescante”, “ITA-no malte”, “ITA-marcante”. Em sua nova campanha, que estreou no último domingo (10), a Itaipava usa o próprio ITA do nome para ressaltar os atributos da família contida no portfólio. Além disso, a assinatura “Cerveja 100%” muda para “100% Cerveja”, tendo, agora, o produto no centro da comunicação. Assinada pela WMcCann, a campanha conta com filme para TV, mídia OOH, marketing de influência com nomes como a atriz e cantora Cleo, e os cantores e músicos nordestinos Tarcísio do Acordeon, Vitor Fernandes e Felipão, além de uma iniciativa para redes sociais chamada ITA-RESPONDE. A ação contempla vídeos com as participações de um mestre cervejeiro e uma sommelier de estilos do Grupo Petrópolis, respondendo desde mitos até perguntas técnicas sobre a fabricação da cerveja. 

Escalação especial da Brahma 
A Brahma montou um time especial para trazer tudo sobre o futebol nacional, seja na internet, nas arquibancadas ou em qualquer lugar que a torcida brasileira estiver, com a intenção de descentralizar os conteúdos e aproximar as pessoas de seus formadores de opinião prediletos. Para isso, a marca se associou a um time de influenciadores da produtora NWB. Assim, renovou a parceria com Fred e ampliou suas ações para os canais Passa a Bola – de Ale Xavier e Luana Maluf – Desimpedidos e Camisa 21. Além disso, o PodPah, comandado por Igão e Mítico, se juntou ao time, que ainda conta com o Movimento Verde Amarelo.

Promoção no Clube do Malte 
O Clube do Malte está realizando no mês de julho a sua principal promoção do ano. O período conta com uma “Black Friday” antecipada para celebrar o aniversário do Clube do Malte, acontecendo em parceria com as principais marcas disponíveis na plataforma. Os descontos em mais de 20 mil unidades podem chegar a até 68% do preço original. As promoções duram 24 horas e são atualizadas a cada dia, visando disponibilizar o maior número de estilos e rótulos aos consumidores. As compras são válidas para todo território nacional.

Frutos de parceria
A cervejaria artesanal Farra Bier, do Rio de Janeiro, diz já colher os frutos de estar cadastrada como fornecedora da Inventa, e-commerce B2B que entrega produtos dos mais de 900 parceiros a lojistas de todo o território nacional. O seu alcance passou de um para 11 estados. Além disso, ampliou o faturamento em 20%. “Antes a bebida só tinha presença no Rio e um pouco em São Paulo. Agora, nossos mais de dez rótulos, distribuídos em diversos estilos, estão disponíveis em 11 estados – Paraná, Minas Gerais, Bahia, Rio Grande do Sul, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Espírito Santo, Alagoas  e Santa Catarina e ainda com maior força em São Paulo –, totalizando 45% do faturamento da cervejaria”, conta o sócio-proprietário Marcos Mangin.

Novo local para o Gastro Beer Rio 
Após 17 edições na Quinta da Boa Vista, o Gastro Beer Rio chega à zona sul nos dias 23 e 24 de julho. O Parque das Figueiras, na Lagoa, receberá mais de 60 opções, entre cervejas artesanais e gastronomia. Com entrada gratuita, o Gastro Beer Rio conta ainda com artistas que se apresentam nas ruas do Rio. O público infantil pode aproveitar o espaço kids e as oficinas.

Menor pressão dos custos sobre a Ambev e Copa deixam analistas otimistas

O segundo semestre deverá ser promissor para a Ambev em função da conjuntura global e de eventos marcantes no calendário, de acordo com a equipe de analistas do JP Morgan. A avaliação positiva para o futuro da multinacional cervejeira foi apresentada em relatório denominado “Finalmente encontrando a última peça do quebra-cabeças”.

De acordo com o material, essa peça, que agora deixa o quebra-cabeças da Ambev completo, é a diminuição da pressão provocada pelos preços das commodities. “Vemos os preços das commodities aliviando (indicando um ponto de virada de margem) como sendo a peça que faltava no quebra-cabeça”, afirmam os analistas do JP Morgan.

O trabalho destaca que o momento atual é o primeiro desde 2019 em que os custos de produção da cerveja estão crescendo, especialmente grãos e alumínio, em ritmo mais lento do que o preço da cerveja, algo que vinha desafiando a Ambev.

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“O principal contratempo no caso de investimento da Ambev nos últimos dois anos tem sido sua incapacidade de sustentar margens enquanto acelera a expansão da receita líquida. Isso ocorre porque a Ambev (e a indústria) sofreu enormes pressões de custo de matéria-prima (com pico de 30% a/a em média). Os principais impactos na inflação de custos da Ambev foram o aumento dos custos do alumínio (~30% do CPV Brasil) e grãos (trigo, como substituto da cevada e outros grãos respondem por ~13% do CPV Brasil)”, relembra o JP Morgan.

O cenário considerado positivo levou a equipe do banco de investimentos a mudar pela primeira vez a recomendação envolvendo a ação da Ambev desde o começo da sua avaliação. Agora, então, o JP Morgan deixou para trás a sugestão de neutralidade, passando a indicar a compra, com preço-alvo de R$ 17.

O relatório também aponta outras “peças do quebra-cabeça” para explicar o otimismo em relação à Ambev. E uma das citadas envolve tendências para o setor. Para isso, o JP Morgan cita a perspectiva de aumento do consumo da população no segundo semestre, o que deve ser provocado por variados motivos, como programas de transferência de renda para a população, realização das eleições e da Copa do Mundo, assim como o aumento da temperatura.

Apesar das comparações difíceis no 3T, acreditamos que o consumo de cerveja no 2S22 deve ser sustentado por diversos fatores. Em primeiro lugar, estamos em um ponto de inflexão em termos climáticos, pois o Brasil começa a sair do inverno e experimentar temperaturas mais quentes, uma correlação positiva com o consumo. Além disso, situações como estímulo fiscal à população e o fato de o Brasil ter eleições presidenciais em outubro também devem ter o efeito de sustentar a demanda

Equipe de análise do JP Morgan

“Um último fator a ser considerado em termos de demanda é que a Copa do Mundo retorna em novembro. O evento já está associado ao aumento do consumo, e o fato de, pela primeira vez na história, ocorrer no verão brasileiro deve impactar positivamente a demanda”, acrescenta o relatório.

O relatório do JP Morgan também cita dados da Pesquisa Industrial Mensal do IBGE para apontar perspectivas positivas para o ritmo da fabricação de cervejas no Brasil. “Segundo dados divulgados pelo IBGE, 10 dos últimos 12 meses registraram quedas anuais na produção industrial de bebidas alcoólicas. No entanto, o crescimento acumulado do 2T22 mostra atualmente que a produção cresceu +4,8% em relação ao ano passado, tendência que esperamos materializar nos próximos meses. Com a melhoria da dinâmica de preços entrando no 2S, esperamos alta na produção nos próximos meses, à medida que os players aumentem os estoques em antecipação à demanda mais forte”, diz.

Outro item citado pelo time de analistas do JP Morgan envolve a concorrência, que não seria mais a maior preocupação para a Ambev, como ocorria no período pré-pandemia. O material reconhece que a disputa com a Heineken continuará acirrada no País, mas aponta que a Ambev tem buscado conquistar espaço pela diversificação dos seus produtos, além dos fortes investimentos em inovação.

Créditos: JP Morgan

“Acreditamos que a marca Heineken continuará ganhando participação nos próximos anos, dado que seu valor de marca continua muito acima da participação de mercado, mas a estratégia de portfólio da Ambev e o foco em inovação (destaques para a crescente exposição ao Core Plus) estão levando a Ambev a conquistar posições no ranking de preferência do consumidor. Além disso, as estratégias digitais BEES e Zé Delivery estão ajudando a Ambev a ter sucesso nos canais on-premises e B2C”, argumenta.

Balanço não empolga
Apesar de enxergar um cenário positivo para o segundo semestre, o JP Morgan não tem o mesmo otimismo para a apresentação do balanço do segundo trimestre da Ambev, agendado para ocorrer em 28 de julho. O trabalho afirma que a expectativa não chega a ser ruim, mas ainda não é incrível.

“Estamos projetando resultados razoáveis ​​para o 2T22 da Ambev em função da interação entre essas várias peças do quebra-cabeça. Projetamos um Ebitda de R$ 4.523 milhões, implicando um crescimento a/a de +11%, crescimento semelhante ao observado no 1T e em linha com a expectativa da empresa para todo o ano. Em termos de receita, nossas estimativas estão +13% acima do consenso em R$ 17.893 milhões. Além disso, esperamos lucro líquido de R$ 2.098 milhões para o trimestre”, diz.

O trabalho destaca, ainda, a expectativa de impacto positivo pelo desempenho da venda de cerveja no Brasil. “Muito do nosso sentimento de alta é suportado pela cerveja no Brasil, que deve apresentar um crescimento de Ebitda de +16% a/a (margens planas a/a), impulsionado por +5% de crescimento esperado para volumes no contexto de dinâmica de preços positiva”, acrescenta.

Essa perspectiva cautelosa com o balanço da Ambev também foi apresentada pela XP Investimentos em sua prévia do balanço, com o título. “Sem motivos para brindar, ainda”. A equipe de analistas também manteve a indicação da compra da ação da companhia, com preço-alvo de R$ 18,80.

“Após a AmBev apresentar um 1T22 fraco, e apesar de alguns sinais de melhora dos preços das commodities, o 2T22 não deve animar os investidores, uma vez que mesmo com crescimento na receita líquida/hl, os custos ainda serão um vento contrário, ainda com um aumento nas despesas de SG&A pressionando o resultado final. Esperamos um aumento nas vendas de cerveja no Brasil, seguindo a tendência do setor reportada até maio (índice IBGE), mas CAC e Canadá estão atrasados, enquanto LAS é misto”, afirma o material, também apontando otimismo para a segunda metade de 2022.

Apesar desse gostinho de cerveja choca, a AmBev sempre foi um forte player nas embalagens retornáveis, cujas vendas já estão acima de 2019, apesar de ainda atrás para a garrafa de 600ml. Assim, à medida que o on-trade (bares e restaurantes) continua se recuperando e com as perspectivas das eleições e da Copa do Mundo, continuamos otimistas

Equipe de análise da XP Investimentos