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Indústria da cerveja quer crescimento da renda sob Lula para impulsionar setor

O resultado das eleições do último domingo definiu que o poder vai mudar de mãos no Brasil. Primeiro presidente a não receber da população um segundo mandato desde a instituição da reeleição, Jair Bolsonaro será sucedido por Luiz Inácio Lula da Silva, primeiro representante a ganhar nas urnas o direito a três mandatos presidenciais. A troca, histórica e profunda, enseja novas demandas e expectativas da sociedade para esse retorno de Lula, incluindo a indústria da cerveja, pela sua relevância econômica e cultural para o país.

O Brasil, afinal, é o terceiro maior produtor de cerveja do mundo e conta com representantes importantes no cenário global. A Ambev compõe a AB InBev, o maior grupo cervejeiro mundial. O Grupo Heineken tem o Brasil como país preponderante na sua atuação. E ambas convivem com a concorrência de uma companhia 100% nacional, o Grupo Petrópolis.

Além disso, o Brasil atingiu a marca de 1.549 cervejarias registradas no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, de acordo com os dados mais recentes, com indústrias presentes em 672 municípios, em um indicativo de que a pujança do setor, responsável por 2% do PIB nacional, não se resume às grandes cervejarias.

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E até o caráter idílico envolvendo o consumo da bebida foi alvo da campanha eleitoral, com Lula citando que gostaria de dar condições econômicas que permitam ao brasileiro voltar a fazer um churrasquinho com cerveja e picanha, em uma referência à perda de poder de compra da população ao longo dos últimos anos.

Ouvidos pela reportagem do Guia após a eleição de Lula em segundo turno, representantes da indústria da cerveja apontaram a necessidade da recuperação econômica, com mais postos de trabalho, crescimento da renda e sua distribuição, como uma das pautas que devem ser prioridade para o próximo presidente. E isso traria, também, benefícios ao setor, que costuma ser pressionado por oscilações, até por se tratar de um segmento de consumo.

“O principal impacto positivo que o Poder Executivo pode trazer para o setor é, com muita responsabilidade fiscal, trabalhar pela recuperação econômica que traga emprego, riqueza e distribuição de renda, incentivando o empreendedorismo com crédito, um sistema tributário justo e redução da burocracia”, diz Gilberto Tarantino, presidente da Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva).

As indústrias cervejeiras seguem confiantes de que o cenário de crescimento do setor se manterá ao longo dos próximos anos, dando a sua contribuição para a economia. Investimentos, inclusive, foram anunciados recentemente, para a construção de uma unidade produtiva de vidros pela Ambev, em Carambeí (PR), de R$ 870 milhões, assim como uma fábrica de cerveja do Grupo Heineken, em Passos (MG), de R$ 1,8 bilhão.

Além disso, as divisões do Brasil estiveram recentemente entre os destaques dos balanços do terceiro trimestre dessas companhias. O Grupo Heineken teve crescimento de mais de 30% da receita líquida no país, onde a expansão da venda de cerveja foi de quase 10%, ficando em dois dígitos no portfólio premium.

Já a Ambev apresentou crescimento orgânico de 6,9% na produção de cerveja no Brasil no terceiro trimestre, para 23,482 milhões de hectolitros. E durante a teleconferência de resultados do último dia 27, o CFO, Lucas Lira, disse que o foco da Ambev para 2023 será em continuar buscando uma melhoria contínua e consistente focando em proteger a liquidez, melhorar a rentabilidade por meio do retorno sobre o capital investido e das margens bruta e Ebitda além de fortalecer a geração de caixa.

“O Brasil é um mercado atrativo para empresas do setor da cerveja devido a sua taxa de crescimento de mercado estável. As projeções de produção da bebida são positivas e o setor será uma força motriz para o crescimento do país neste e nos próximos anos”, afirma Luiz Nicolaewski, superintendente do Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv), que representa Ambev e Grupo Heineken no Brasil.

E o segmento de cervejas artesanais também possui boas perspectivas para os próximos quatro anos, com a expectativa de acelerar o crescimento que amplie a sua participação no mercado. “O setor não vai ser afetado no ritmo que vinha crescendo. Pensamos em crescimento de 10% ao ano, o que nos deixaria em um nível muito interessante nos próximos quatro anos de obter cerca de 5% do mercado de cerveja no Brasil”, afirma Marco Antonio Falcone, presidente da Federação Brasileira das Cervejarias Artesanais (Febracerva) e da Câmara Setorial da Cerveja.

O diretor-geral da CervBrasil, a Associação Brasileira da Indústria da Cerveja, e presidente Paulo Petroni, também acredita na expansão do segmento, mas entende que a evolução do mercado cervejeiro estará fortemente relacionada com a ampliação da renda para consumo. “Estamos precisando acelerar a resolução dos problemas já diagnosticados e que tanto afetam o desempenho da indústria, a geração de empregos e a consequente melhoria da qualidade de vida das brasileiras e dos brasileiros”, diz.

Demandas do setor
Para que o segmento da cerveja cresça sob a nova gestão de Lula, representantes apontam a necessidade de que o próximo governo torne o ambiente mais seguro para os negócios, o que também passa por uma tributação considerada mais justa e simples.

Consideramos como pontos importantes para o setor a previsibilidade no ambiente de negócios e reformas estruturantes, como a reforma tributária, com um sistema que reduza a burocracia, o contencioso jurídico e a complexidade, com segurança jurídica e sem o aumento de carga tributária para os brasileiro

 Luiz Nicolaewski, superintendente do Sindicerv

O diretor-geral da CervBrasil também espera a intensificação do diálogo entre o setor público e privado “para o avanço das condições de competitividade da indústria brasileira através da redução dos diversos componentes do Custo Brasil” e que “ocorram a elaboração e a execução de uma política industrial atualizada, que atenda às tendências globais em inovação, tecnologia e sustentabilidade”.

O setor da cerveja também tem demandas urgentes, que espera ver solucionadas antes mesmo da posse dos novos deputados, senadores e mesmo de Lula. E elas envolvem a aprovação e sanção do projeto que atualiza limites de faturamento para enquadramento no Simples Nacional para que os novos valores já comecem a vigorar em 2023.

“Nossa demanda, neste primeiro momento, é que o Congresso possa acelerar a aprovação do PL que reajusta a tabela do Simples e o limites dos MEIs que hoje tramita na Câmara. Depois, que ele seja revisto e aprovado no Senado e sancionado pelo Executivo”, diz o presidente da Abracerva.

Já na esfera estadual, a cobrança envolve a isenção ou a redução dos valores cobrados no regime de substituição tributária do ICMS. “Esse é um trabalho em favor dos pequenos produtores junto aos governos estaduais e assembleias legislativas que também iniciam novos mandatos em 2023”, acrescenta Tarantino.

Além das demandas sobre tributação, o setor também tem preocupações envolvendo as normas que direcionam o funcionamento do setor e a gestão adequada das companhias, assim como o acesso às matérias-primas. Mas o presidente da Febracerva aposta no bom diálogo construído com as instituições para resolvê-las.

“Nós temos demandas que são extremamente importantes no setor, como de normatização, com a condução do Ministério da Agricultura para a implantação de normas, como a aprovação de rótulos. Também há questões de outras políticas, como condução de tratamento de resíduos, de reaproveitamento de vidros, de importação de chapas finas de alumínio para produção de latas”, conclui Falcone.

Balcão da Chiara: Perda de extrato, o terror das cervejarias

Balcão da Chiara: Perda de extrato, o terror das cervejarias

Existe um mal silencioso pairando nas cervejarias, inclusive desconhecido de muitas(os) cervejeiras (os): a perda de extrato!

Essa perda envolve desde o recebimento da matéria-prima até o envase do produto acabado e não apenas a perda de volume nos tanques, que é a maneira como a maior parte das cervejarias contabiliza. Isso quando existe algum acompanhamento.

 O cálculo da perda é realizado transformando toda a base para quilos de extrato para que se possa contabilizar a perda do líquido, bem como a perda da matéria-prima.

Nas cervejarias, o malte comumente não é avaliado. Diferença de estoque no recebimento ou armazenamento, pó e palha em excesso, grãos partidos, malte com umidade excessiva que irá impactar no rendimento, balança descalibrada. Já observou esses itens? A moagem também influencia diretamente na perda “invisível”. Presença de grãos inteiros ou mal moídos? Bem mais comum do que se imagina, muitas vezes por falta de limpeza, regulagem e manutenção dos moinhos. É ganhar fácil se fizer o básico!

Na brassagem, são diversos os pontos de perda. Baixa conversão na mostura (que a maioria nem mede!), procedimento de filtração do mosto sofrível, deixando um elevado residual de extrato no bagaço, o afofador na velocidade da luz ou sem utilização pela falta de conhecimento operacional do equipamento, turbidez do mosto elevada, falta de rotina de limpeza da tina de filtração, temperaturas e pH inadequados da água de lavagem do bagaço, fervura sem intensidade causando uma coagulação protéica deficiente e, em consequência, um elevado arraste de trub, falta de controle na vazão do resfriamento. Isso sem contar a perda em cervejas onde há uma lupulagem em grande quantidade.

Avaliar a calibração dos instrumentos, realizar corretamente as análises de extrato, fazer medição da perda de todos os fabricos, analisar a coagulação protéica e o arraste de trub, controle da velocidade do afofador e na bomba de resfriamento de mosto são itens simples e básicos para um maior controle, além de avaliar a possibilidade de utilização de soluções biotecnológicas, caso necessário.

Quando a gente migra para a área fria, a situação complica e parece ser um cenário “normal”. Perdas no recebimento de mosto, baixa compactação do fermento, taxa de multiplicação celular elevada (quanto maior a multiplicação, maior a perda no descarte), falta de reaproveitamento do fermento, purgas excessivas seja por falha nos procedimentos de retirada do fermento, ou seja pelo dry hopping, congelamento ou espumamento de tanque, vazamentos, ciclos curtos de filtração, centrífuga com deslodado com compactação baixa, descarte de produto, garrafas mal cheias, espumamento na enchedora, quebra no pasteurizador. E ainda tem muito mais…

Se você tem uma cervejaria de pequeno porte e acha que isso tudo não faz diferença, vamos fazer uma continha “burra”?

Digamos que você tem uma produção de 20 mil litros por mês e uma perda de 25% e que após um trabalho você consegue reduzir (facilmente) 10% dessa perda, isso significa que você deixaria de perder 24 mil litros de cerveja por ano! Agora imagine que você não tem controle no nível de enchimento e tem 5ml de cerveja a mais em cada garrafa. Parece pouco, não é? 40 mil garrafas/mês (garrafas de 500ml) representam 2,4 mil litros de perda por ano.

Controles simples fazem toda diferença. A gestão da perda de extrato pode possibilitar uns tanques a mais, um laboratório para realizar suas análises, a contratação de mais um funcionário! Dá trabalho? Claro que dá! Mas também pode trazer resultados significativos e impactar diretamente na precificação do seu produto.

Um passo necessário é entender como a perda é calculada para entender todos os fatores que a afetam. O controle de estoque é fundamental para ter o acompanhamento diário desse indicador.

Ter um número confiável é muito importante. Já ouviu alguma vez que só de olhar, o número já melhora? O fato de ter um controle de todas as etapas do processo aumenta a disciplina e certamente irá gerar resultados positivos. Comece e você irá se surpreender!


Chiara Barros é proprietária do Instituto Ceres de Educação e Consultoria Cervejeira. Engenheira Química, especialista em Biotecnologia e Bioprocessos, em Gestão da Qualidade e Produtividade e em Segurança de Alimentos, além de cervejeira e sommelière de cervejas.

Fabricação de alcoólicas recua 5,4% em mês com retração da indústria

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Depois de registrar altas em seu volume de produção por dois meses consecutivos, a fabricação de bebidas alcoólicas no Brasil teve expressiva queda de 5,4% em setembro. O índice foi confirmado nesta terça-feira pelo IBGE na divulgação da Produção Industrial Mensal, que também informa que a indústria retraiu 0,7% na comparação com agosto, na série com ajuste sazonal.

Antes desta retração de setembro, a fabricação de bebidas alcoólicas havia aumentado em 1,7% em agosto, na confrontação com o mesmo mês de 2021. Naquela ocasião, o índice geral da produção industrial nacional foi negativo em 0,6%. Agora, porém, a desaceleração da produção deste item de consumo ficou 4,8% abaixo do desempenho de toda a indústria.

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Com isso, a fabricação de alcoólicas no acumulado do ano contabiliza queda de 2,0%, sendo o recuo de 3,7% nos últimos 12 meses. Essas taxas negativas também são piores do que as da indústria brasileira, que tem recuos de 1,1% no amontoado entre janeiro e setembro e de 2,3% nos últimos 12 meses.

Já a fabricação de bebidas não alcoólicas manteve a tendência de alta, subindo 8,9% no nono mês de 2022, 11,8% no acumulado do ano e 5,6% no período de 12 meses anteriores a setembro. A produção de bebidas em geral registrou incremento de 1,4%. Assim, tem elevação de 4,4% ao longo de 2022 e de 0,6% nos últimos 12 meses. Entretanto, caiu 4,6% na comparação com agosto.

Produção de alimentícios cai 2,9%
Ao divulgar o seu balanço, o IBGE destacou que as quatro grandes categorias econômicas e 21 dos 26 ramos pesquisados tiveram diminuição de produção em setembro. Assim, o setor industrial ainda se encontra 2,4% abaixo do patamar pré-pandemia (fevereiro de 2020) e com volume inferior em 18,7% ao do recorde alcançado em maio de 2011.

Frente a setembro de 2021, na série sem ajuste sazonal, a indústria cresceu 0,4%. Porém, acumula quedas de 1,1% no ano e de 2,3% em 12 meses. E uma das influências negativas mais importantes foi a produção de alimentícios, com redução de 2,9% em setembro. Produtos de madeira (-8,8%), metalurgia (-7,6%) e coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (-2,6%) também figuraram entre os “vilões” da indústria no nono mês de 2022.

Já entre as cinco atividades em alta, indústrias extrativas (1,8%) e máquinas e equipamentos (2,2%) tiveram impactos positivos em setembro.

“Podemos dizer que há uma redução no ritmo da produção industrial. Isso fica bem evidenciado não apenas nestes dois meses de queda em sequência, mas também na maior frequência de taxas negativas nos últimos quatro meses, com três variações negativas. Com esses últimos resultados e um perfil bem disseminado de recuo na produção em setembro de 2022, entendemos que houve perda no ritmo da produção nos últimos meses”, analisa o gerente da pesquisa do IBGE, André Macedo.

Segundo o IBGE, o freio do ritmo da indústria, com apenas cinco setores avançando entre todos os investigados, não ocorria desde janeiro, quando somente quatro segmentos industriais tiveram alta na produção.

Ação da Ambev se recupera após balanço e fecha mês em alta; veja análises

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Em um mês marcado pela oscilação, a apresentação pela Ambev do seu relatório financeiro do 3º trimestre acabou sendo fundamental para que a ação da companhia terminasse outubro em alta na B3, a bolsa de valores brasileira, O ativo fechou a sessão desta segunda-feira (31) cotado a R$ 16,00, o que representou valorização de 2,96% em relação ao fim de setembro.

Foi, assim, o quarto mês consecutivo de valorização da ação na B3. E se apresentava queda em outubro até a última quarta-feira, quando valia R$ 15,10 ante os R$ 15,54 de 30 de setembro, a ação emplacou três altas nas últimas sessões da Bolsa no término do mês. Só na quinta, dia da apresentação do balanço, a alta ficou em 3,05%. E, assim, já acumula valorização de 3,76% em 2022.

Essa boa recepção do mercado ao resultado financeiro da Ambev se deu menos pela alta do volume no terceiro trimestre, de 1,3% para 46,3 milhões de hectolitros, em comparação ao mesmo período do ano passado, e mais pelo crescimento da receita líquida, de 11,3%, para R$ 20,587 bilhões.

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Esse foi um fator destacado pelo BTG Pactual em relatório, apontando a importância de ampliação de receita a partir da prática de preços maiores. “Este foi o primeiro trimestre em muito tempo em que a precificação da cerveja brasileira da Ambev não veio com um comprometimento do volume. Isso deve interromper o processo de erosão das margens em 2023, o que é um bom motivo para comemorar”, diz.

Para a Ambev, isso foi possível diante da maior participação das marcas premium no Brasil e da retomada sem restrições de bares e restaurantes, com a venda da cerveja em garrafas retornáveis, o que lhe assegura mais rentabilidade.

O problema, para a Ambev, é que o Brasil “carregou” o bom resultado financeiro do terceiro trimestre, conseguindo compensar problemas enfrentados na América Central e Caribe, com recuo no volume e receitas.

Até por isso, a companhia teve recuo no lucro líquido, de 13,4%, para R$ 3,215 bilhões, embora com o Ebitda ajustado chegando aos R$ 5,6 bilhões, uma alta de 2,4%. “O arrasto vindo de outros segmentos tornou os resultados consolidados menos impressionantes e, de alguma forma, desafiam nossas esperanças”, pondera o BTG.

Contexto
A alta da ação da Ambev também se insere em um contexto de valorização do Ibovespa na B3 em outubro. O principal índice da bolsa brasileira terminou a segunda-feira em 116.037,08 pontos, alta de 5,45% no mês. Assim, também apresenta saldo positivo em 2022, de 10,7%.

Em outubro, das 92 ações que compõem o Ibovespa, 74 tiveram alta. E os destaques positivos da B3 foram as petroleiras 3R Petroleum (30,58%) e Petro Rio (28,55%), seguidas por Braskem (28,47%), Weg (25,33%) e Locaweb (21,44%). Já entre as quedas, três delas ficaram acima dos 10%: MRV (18,04%), IRB Brasil (14,55%) e Petz (13,86%).

Heineken recua
Se o balanço da Ambev foi bem recebido pelo mercado financeiro brasileiro, o oposto se deu com o resultado financeiro do Grupo Heineken no exterior. Na Europa, a ação da companhia desvalorizou 5,85% em outubro, para 84,60 euros. Por lá, esse recuo se deu na sequência da apresentação do balanço, na quarta-feira passada. Afinal, o papel caiu, em um dia, de 88,18 euros para 83,42 euros, perda de 5,4%.

No seu resultado financeiro, o Grupo Heineken relatou receita de 9,415 bilhões de euros no terceiro trimestre, um crescimento de 27,5% em relação ao mesmo período do ano passado, mas exibiu preocupação com a desaceleração da demanda, especialmente na Europa, o seu principal mercado regional.

Outros papéis
Nos Estados Unidos, a ação da Ambev também apresentou alta em outubro, acelerada após a divulgação do balanço do terceiro trimestre. Valendo US$ 3,04, teve valorização de 7,42%.

Foi um cenário parecido ao que se deu com o papel da AB InBev. O ativo terminou outubro cotado a US$ 50,60, alta de 8,24% no mês.

Para entender o impacto dos resultados financeiros de Ambev e Grupo Heineken, o Guia reuniu sete materiais de análise de banco de investimentos. Confira:

Ativa Investimentos
“O bom resultado se deu pelo crescimento de receita da operação brasileira, que por sua vez, foi beneficiada com crescimento, tanto em volume quanto em receita, pela operação não alcoólica e, em cerveja Brasil, com volume crescendo zero, na comparação anual, o destaque foi a melhora do ticket médio, devido ao poder de repasse de custos, mix de produtos e crescimento do canal on trade (bares e restaurantes). As operações internacionais ainda passam por desafios de natureza macroeconômica, como também, rupturas na cadeia logística”.

“Com crescimento de volume a zero, o destaque foi para o ticket médio, graças às iniciativas comerciais, de mix de produtos e repasse de custos. Quanto às iniciativas e mix, destaque para as marcas premium, com crescimento de volume acima de dois dígitos. Além disso, as garrafas de vidro retornáveis continuaram a ganhar participação com a evolução do canal on trade. Com essas iniciativas, Cerveja Brasil manteve sua margem Ebitda em 26,1% (assim como no 3t21), o que vemos como positivo dado os desafios inflacionários do momento.”

“A AmBev enxerga o evento esportivo como uma oportunidade para reforçar/acelerar suas estratégias e iniciativas, como o Zé Delivery e o BEES, que terão sua primeira Copa do Mundo. Além disso, a combinação de o evento ser realizado no verão somado ao novo mix de produtos (mais cervejas premiums e core plus versus a última Copa) e a um market share robusto, aumenta a expectativa da empresa para entregar um volume acima do esperado”.

A Ambev reportou um resultado sólido frente aos desafios enfrentados, incluindo a pressão nas margens por conta do aumento no preço das commodities. Vemos a companhia entregando o melhor que poderia para compensar esses efeitos, com suas iniciativas para impulsionar a ROL/hl e alavancando suas plataformas digitais. No curto prazo, no entanto, considerando os patamares atuais das commodities e o cenário macroeconômico mundial, ainda desafiador, porém estamos otimistas com as alavancas que a Copa do Mundo pode trazer, tanto do ponto de vista de preços e volumes, como relacionamento com os clientes, B2C e B2B com possível aceleração de um maior uso de suas plataformas digitais

Ativa Investimentos

Bradesco BBI
“Prevemos uma reversão na tendência de queda em que as ações estão desde a publicação de nossa prévia dos resultados do 3T22 (6 de outubro), pois os resultados do segmento internacional ficaram em linha com expectativas e os resultados do Brasil superaram as expectativas. Tendências operacionais positivas e custos de commodities em declínio devem permitir que a Ambev entregue uma recuperação de margem em 2023”.

BTG Pactual
“Esta supostamente foi a temporada de preços mais forte da Ambev em anos, não apenas em termos de preços contra a inflação, mas também considerando a resiliência dos volumes. A Ambev ainda teve desempenho superior ao do principal concorrente, o que também ressalta uma categoria de cerveja, com volumes crescentes no local (Original e Brahma Chopp novamente foram destaques) preservando as ocasiões em casa. O momentum para Bees e Zé, por outro lado, parece estar desaparecendo aos poucos. A recuperação no Brasil dos não alcoólicos também foi mais forte do que o esperado”.

“Este foi o primeiro trimestre em muito tempo em que a precificação da cerveja brasileira da Ambev não veio com um comprometimento do volume. Isso deve interromper o processo de erosão das margens em 2023, o que é um bom motivo para comemorar. Mas o arrasto vindo de outros segmentos tornou os resultados consolidados menos impressionantes e, de alguma forma, desafiam nossas esperanças”.

Itáu BBA
“Podemos estar nos aproximando de um período de spreads entre a inflação e a cesta de commodities, dando a entender que a tão esperada expansão de margem é um cenário plausível para a Ambev. Além disso, acreditamos que o tom positivo transmitido no comunicado sobre a aceleração do momentum de receita no 2S22 vs. o 1S22 provavelmente será bem-visto pelos investidores”.

“Embora esperemos que a empresa apresente um aumento de margem na divisão brasileira em 2023, os altos custos de hedges cambiais na Argentina já estavam aumentando a dispersão dos cenários de lucro líquido para 2023, conforme informamos em nossa última atualização. Após o 3T22, também temos uma nova variável adicionada à equação, dependendo do ritmo de recuperação da rentabilidade da América Central e Caribe”.

Morgan Stanley
“Heineken continua ganhando participação premium/mainstream no Brasil. Como a Heineken registra volumes consolidados de cerveja no Brasil em alta, anualizada em um dígito (e superando o mercado, de acordo com o release da empresa), achamos que é correto dizer que a empresa continuou a ganhar alguma participação no país. E, mais importante, ganhando terreno dentro das categorias lucrativas (premium/mainstream)”.

“Com a nova capacidade de Ponta Grossa entrando em operação agora durante o 4T22, acreditamos ser concebível que o desempenho de volume da Heineken possa acelerar ainda mais, então acompanharemos isso de perto, levando em conta que a Copa do Mundo está ao virar da esquina”.

“A Heineken parece ter um desempenho bastante bom agora que as limitações de capacidade parecem ter ficado para trás na empresa, enquanto a capacidade adicionada (por exemplo, a expansão em Ponta Grossa e mais alguns outros projetos menores) poderia tornar o ambiente competitivo mais difícil em 2023. É claro que o baixo desempenho contínuo de Petrópolis é um risco para nossa postura mais cautelosa, mas acreditamos que a força da Heineken aqui poderia ser mais importante para o debate sobre investimentos. Por fim, outra preocupação que tivemos está relacionada ao canal mais rentável do Brasil, o on-trade. Heineken ainda tem menos penetração em comparação com o off-trade, com cerca de metade da participação no primeiro em relação à sua relevância”.

UBS
“A perspectiva para a margem de 2022 permanece inalterada com uma expectativa entre estável e melhoria sequencial modesta. Fora isso, a Heineken espera que a tradução do impacto no Ebitda no ano de 2022 será de cerca de250 milhões de euros contra o consenso de 237 milhões de euros. No geral, esperamos uma reação negativa à falta de base ampla e o tom cauteloso no início das negociações em seus mercados europeus no quarto trimestre.”

XP Investimentos
“A AmBev apresentou resultados mistos, porém fortes, com o Brasil melhor do que o esperado e suficiente para compensar um desempenho decepcionante em suas unidades internacionais. O volume consolidado foi recorde para um terceiro trimestre e essa tendência positiva permitiu que os preços aumentassem em 8 dos 10 principais mercados da AmBev”.

Esperamos um bom momento da indústria de cerveja e não alcoólicos, especialmente no 4T, impulsionado pelo clima favorável e pela Copa do Mundo. Prevemos que a AmBev aproveite esse momento favorável para recuperar margens

XP Investimentos

Confira lançamentos realizados pelas cervejarias em outubro

Em outubro, não faltaram grandes lançamentos, coleções e colaborações entre as cervejarias artesanais. Foram diversas novidades apresentadas ao consumidor, especialmente em séries, como aconteceu com a Avós, que lançou 5 rótulos da Avós do Mundo.

A Cruls, por sua vez, reforçou a série experimental CXP com os lançamentos de mais 3 cervejas em outubro. Quem também apresentou novidades triplas foi a parceria entre Goose Island e Under Tap, com três lançamentos de cervejas do estilo Oatmeal Stout.

Já a Nacional atuou em frentes diferentes. Ao mesmo tempo em homenageou o Outubro Rosa em um dos seus lançamentos neste mês, também se uniu à Marek para apresentação de duas Rauchbiers.

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Confira lançamentos realizados pelas cervejarias em outubro e selecionados pelo Guia:

Avós
A cervejaria apresentou, em outubro, a série Avós do Mundo, com lançamentos semanais, que irão até 16 de novembro. No décimo mês do ano, foram 5 novidades, para homenagear Uruguai, Inglaterra, Itália, Espanha e França. A Abuela-Uruguai é uma India Pale Lager (IPL) com adição de erva mate e terpeno, com coloração amarelo-dourado, aromas que lembram frutas amarelas e notas herbais frescas, conferidas pelo malte. A Nana-Inglaterra foi inspirada nas tradicionais Ales inglesas, tendo presença de malte acompanhada de sutis notas herbáceas dos lúpulos ingleses e potencializadas pela adição de chá preto. A Nonna-Italia, com cor amarelo claro, é uma Italian Pilsner feita com uva itália, tendo espuma generosa e aroma que une leve toque floral, proveniente dos lúpulos, com notas frutadas que remetem à uva. A Yaya-Espanha possui visual cobre escuro, sendo uma Bock feita com Jerez. Já a Mamie França é uma Brut IPL, de cor dourada, elaborada com lúpulos franceses Barbe Rouge, Aramis e Elixir, tendo sutis notas florais e marcante presença de aromas que lembram frutas cítricas e tropicais.

Cruls
A Cruls Cervejaria, de Santa Maria (DF), lançou, em outubro, três cervejas da série experimental CXP, em comemoração à Oktoberfest. São elas: CXP10 Märzen Oktoberfest, CXP11 Schwarzbier e CXP12 Rauchbier. Os estilos são inéditos na série experimental CXP, que só tinha apresentado cervejas da família Ale. A CXP10 tem 6% de graduação alcoólica e 21 IBUs de amargor. Trata- se de uma cerveja de cor âmbar claro e que tem como destaque a composição de maltes que entregam características de miolo e casca de pão torrada, além de sutil amendoado. Os lúpulos estão presentes, mas cumprem papel secundário, colaborando com amargor médio/baixo a fim de equilibrar o conjunto. A CXP11, com 5,4% de graduação alcoólica e 25 IBUs, é uma cerveja escura, de cor castanho escuro e opaca, com intensas características de maltes torrados, grandes protagonistas da cerveja, contribuindo com notas de torrefação e café. É uma cerveja de fermentação limpa com corpo médio/leve, carbonatação moderada e textura suavemente macia, constituindo um conjunto com bom drinkability. A CXP12, com 5,1% de graduação alcoólica e 21 IBUs de amargor, tem como grande protagonista a carga de maltes defumados, matéria-prima que contribui com boa complexidade de notas de defumação, madeira, tostado e suave caramelo.

Everbrew e Sigilo Total
A cervejaria Sigilo Total se juntou com a Everbrew para lançar mais um rótulo colaborativo da série Duets. Nesta edição, Ozzy e Dio foram homenageados. Assim, nasceu a Eversing Sabbath, uma Double Juicy IPA, feita com os lúpulos Strata, Citra e Galaxy e adição dos terpenos isolados Mirceno e Humuleno, remetendo a sabores e aromas como frutas tropicais e cítricas. A novidade tem 8,2% de graduação alcoólica.

Goose Island e Under Tap
As cervejarias Under Tap e Goose Island se juntaram para lançar um trio colaborativo, batizado de Gooses & Mermaids. São três rótulos diferentes, do estilo Oatmeal Stout, que serão comercializados apenas no brewhouse da Goose: a Goose Island/Under Tap Oatmeal Stout, a Goose Island/Under Tap Oatmeal Stout com amendoim, ambas com 5% de graduação alcoólica, e a Goose Island/Under Tap Oatmeal Stout Barrel Aged, com 5,2% de álcool.

Nacional
Em um mês marcado pelo Outubro Rosa, a Cervejaria Nacional aproveitou para lançar a Boto Cor de Rosa Sour. É uma cerveja à base de malte, lúpulo, levedura, melancia e morango. Tem, de acordo com seu descritivo, coloração amarela e levemente rosada, possui acidez evidente, boa carbonatação e corpo bem baixo, com amargor de 15 IBUs e teor alcóolico de 4%. Também em outubro, Nacional e Cervejaria Marek lançaram duas versões da Rauchbier Fora da Lei. Batizado de Lei de Impureza Alemã (ou Foras da Lei), o projeto entre as marcas tem o intuito de produzir estilos alemães, mas transgredindo a Lei de Pureza alemã. Para o pontapé inicial, cada cervejaria defumou um malte-base em suas fábricas utilizando madeiras disponíveis em suas regiões para produzir uma Rauchbier. Além disso, utilizaram nozes caramelizadas colhidas na fazenda da Marek. A cerveja da Nacional leva madeira de pitangueira, laranjeira, goiabeira e nozes da fazenda Marek, enquanto a da Marek tem madeira de carvalho francês, amburana e macieira.

ØL Beer
A ØL Beer Cervejas Artesanais apresentou, em outubro, a London Trip. É uma Extra Special Bitter com altíssima drinkabillity. Ela traz aromas que remetem ao toffée (caramelo), sem deixar de lado o amargor equilibrado e marcante, de acordo com sua descrição.

Brasil tem a Best of Show e leva mais 9 ouros na Copa Cervezas de América

As cervejarias do Brasil conquistaram mais de 30% das medalhas distribuídas na edição de 2022 da Copa Cervezas de América. Foram 43 das 127 premiações entregues em Valdívia, no Chile, palco da etapa internacional da competição. E o principal destaque foi a Saison Pitaya, da paranaense Água do Monge, eleita a melhor cerveja do campeonato.

Além da Best of Show, as representantes nacionais conquistaram mais nove medalhas de ouro. Na disputa sul-americana, o Brasil também teve a segunda melhor cervejaria entre as participantes. Foi a catarinense Königs Bier, que ganhou duas medalhas de ouro e uma de prata. Assim, também foi a marca nacional com melhor desempenho nesta edição da Copa Cervezas de América.

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Na disputa apenas entre as marcas brasileiras, a também catarinense Kairós teve o segundo melhor desempenho, com uma medalha de ouro e duas de prata. Já a gaúcha Devaneio do Velhaco foi a terceira colocada, com um ouro, uma prata e dois bronzes.

A edição de 2022 da Copa Cervezas de América contou com a análise de 1.720 amostras, tendo premiado cervejas em 51 estilos e distribuído 127 medalhas, sendo 35 de ouro, 49 de prata e 43 de bronze.

“O que vimos durante a Semana Cervecera de Los Ríos e por toda a jornada desta Copa foi incrível. Tivemos uma verdadeira maratona para julgar todas as mostras e ficamos muito contentes com o nível que encontramos. Também tivemos ricos momentos de troca com diversas aulas, rodas de negócios e muita cerveja boa. Vejo que podemos contribuir para o legado de Valdivia e com o fortalecimento do mercado latino-americano”, afirma Daniel Trivelli, presidente da Copa Cervezas de América.

Em 2022, após um hiato de dois anos sem ocorrer por causa da pandemia, a maior competição cervejeira da América Latina voltou a acontecer, em sua nona edição, tendo, dessa vez, etapas nacionais.

Diego Masiero, criador da produtora Matinê Cervejeira e integrante da equipe organizadora da Copa Cervezas de América de 2022, exaltou o desempenho brasileiro na competição.

“O Brasil pode assumir um papel de protagonismo no cenário latino-americano cervejeiro, somos uma potência e mostramos uma evolução constante, mesmo após o duro período que passamos durante a pandemia. Fico feliz de vermos cervejarias de diversas regiões medalhando”, diz.

Confira quais foram as cervejas brasileiras que conquistaram medalhas de ouro na Copa Cervezas de América de 2022:

Best of Show
SAISON PITAYA: Água do Monge Cervejaria, Guarapuava (PR)

Belgian Style Ale
QUADRUPEL 277: 277 Craft Beer, Foz do Iguaçu (PR)

Belgian Style Witbier
RENDEIRAS WITBIER: Cervejaria Kairós, Florianópolis (SC)

British Style Strong
INSANA BLEND 2017: Cervejaria Insana, Palmas (PR)

European Dark Lager
KÖNIGS BOCK: Cervejaria Königs Bier, Jaraguá do Sul (SC)

European Pale Lagers
CUSTOM BOCK: Öluns Cervejaria, Cunha Porã (SC)

New World Pale Ales
NEBLINA FLUTUANTE: Ruradélica Ales, Porto Alegre (RS)

Pilsener Style Beer
SAFIRA: Devaneio do Velhaco, Porto Alegre (RS)

Saison
SAISON PITAYA: Água do Monge Cervejaria, Guarapuava (PR)

Smoked Beer
KÖNIGS BIER DEFUMADA: Cervejaria Königs Bier, Jaraguá do Sul (SC)

Lei Seca no segundo turno: veja onde está proibido beber na eleição

O domingo (30) será dedicado, no Brasil, a eleger o presidente que vai dirigir o país por mais 4 anos e os governadores de 12 estados que não deram maioria absoluta a algum candidato em 2 de outubro. O segundo turno das eleições também terá, como tradicionalmente ocorre, a adoção da Lei Seca em algumas cidades e estados.

A Lei Seca proíbe a venda e consumo de bebidas alcoólicas, sendo determinada, em geral, por juízes do Tribunal Regional Eleitoral e por entendimento com a Secretaria de Segurança Pública. Quem desobedecer a determinação poderá sofrer sanções de acordo com dois artigos do código eleitoral.

No segundo turno, quem desrespeitar a Lei Seca onde ela estiver em vigor, pode ser enquadrado pelo crime de desobediência (artigo 347 do Código Eleitoral), por contravenção penal e por promoção de desordem que prejudique os trabalhos eleitorais (artigo 296 do Código Eleitoral).

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O Guia preparou um material para o (e)leitor sobre estados e cidades que vão adotar a Lei Seca no segundo turno. Confira:

Acre
No Acre, que reelegeu Gladson Carnelli (PP) governador no primeiro turno, diversas zonas eleitorais optaram pela adoção da Lei Seca, mas com variação no horário de vigor da proibição. Na capital Rio Branco, o veto se inicia às 23 horas de sábado e vai até as 19h do domingo. Mas a maioria das cidades adotou o horário de começo da Lei Seca para as 22h do dia que antecede o segundo turno.

Amapá
O Amapá, que elegeu Clécio (Solidariedade) como governo no primeiro turno, terá Lei Seca no dia em que os eleitores irão escolher entre Lula e Bolsonaro para a presidência. No domingo, entre 0h e 18h, está proibida a venda de bebidas alcoólicas por estabelecimentos comerciais, assim como o consumo em locais públicos.

Amazonas
No dia da disputa entre Wilson Lima (União Brasil) e Eduardo Braga (MDB) em segundo turno, o estado do Amazonas também vai adotar a Lei Seca. Será entre 0h e 18h, quando estará proibido o consumo de bebidas alcoólicas em bares, restaurantes, supermercados, mercearias e estabelecimentos similares, bem como em locais abertos ao público no estado.

Ceará
Após eleger o petista Elmano de Freitas governador no primeiro turno, os cearenses voltam às urnas neste domingo para a escolha do presidente. E o consumo de bebidas alcoólicas está proibido em bares, restaurantes, mercantis, estabelecimentos congêneres e demais locais abertos ao público de 0h até 20h.

Goiás
Assim como em outras localidades, a Lei Seca será adotada ou não a depender da cidade. A capital Goiânia, por exemplo, não vetará a venda e consumo de bebidas alcoólicas. Já em Senador Canedo, a proibição começará às 18h do sábado e só terminará 24 horas depois.

Maranhão
No Maranhão, que reelegeu Carlos Brandão (PSB) em primeiro turno, está proibida a venda e consumo de bebidas alcoólicas da 0h até 22h do domingo.

Mato Grosso
Só com votação para presidente neste domingo, pois Mauro Mendes (União Brasil) foi reeleito no primeiro turno, o Mato Grosso terá Lei Seca em apenas alguns municípios. Serão 16, de acordo com portaria de diferentes juízes eleitorais, das 6h às 18h.

Mato Grosso do Sul
O Mato Grosso do Sul terá segundo turno entre Capitão Contar (PRTB) e Eduardo Riedel (PSDB) e Lei Seca neste domingo. Ela vai durar das 3h às 16h, com o consumo e venda de bebidas alcoólicas proibidos em bares, restaurantes, conveniências, lanchonetes, trailers, hotéis e demais estabelecimentos comerciais.

Pará
No Pará, que reelegeu o governador Helder Barbalho (MDB) em primeiro turno, está proibida a venda e fornecimento de bebidas alcoólicas, ainda que gratuitamente, por bares, restaurantes, lanchonetes, trailers, quiosques, boates e outros estabelecimentos, assim como por ambulantes, das 0h às 18h de domingo. No mesmo horário, também não poderão ser realizadas festas dançantes em clubes, casas de show, dancings, boates, bares e similares.

Rondônia
Rondônia, que terá segundo turno para governador entre Coronel Marcos Rocha (União Brasil) e Marcos Rogério (PL), adotará Lei Seca apenas em algumas cidades. São sete, no total, incluindo Ariquemes.

Tocantins
Com Wanderlei Barbosa (Republicanos) já reeleito governador, a votação em segundo turno no Tocantins terá Lei Seca em mais de 100 cidades, resultado da determinação de 27 zonas eleitorais. Na maioria delas, a proibição da venda de bebida alcoólica vai vigorar por 24 horas, a partir das 18h do sábado. Em Palmas, a medida restritiva será por tempo menor, começando à meia-noite de domingo e indo até as 18h.

Blumenau, Bodebrown e Cathedral são as melhores do Brasil Beer Cup

Blumenau, Bodebrown e Cathedral foram os destaques da edição de 2022 do Brasil Beer Cup. Essas cervejarias foram eleitas as melhores da competição, que divide os seus participantes de acordo com o porte.

A edição de 2022 da Brasil Beer Cup reuniu quase 2 mil amostras de 325 cervejarias. Elas vieram de 19 diferentes estados brasileiros e de países como Alemanha, Argentina, Bélgica, Chile e Uruguai, sendo avaliadas por 70 jurados nacionais e internacionais.

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A escolha da cervejaria do ano se deu através da distribuição de pontos pelas medalhas conquistadas, sendo 10 para a de ouro, 6 para a de prata e 3 para a de bronze. As vencedoras em todas as categorias podem ser conferidas no link.

A Blumenau foi a melhor cervejaria de grande porte do Brasil Beer Cup, com fabricação de mais de 200 mil litros mensais. Já a Bodebrown acabou sendo premiada entre as marcas de médio porte, com produção entre 30 mil e 200 mil litros mensais de cerveja. Entre as cervejarias de pequeno porte, com produção de até 30 mil litros mensais, o destaque foi a Cathedral.

A edição de 2022 da Brasil Beer Cup também elegeu as melhores cervejas do concurso na categoria The Best of Show, que reuniu aquelas que conquistaram medalha de ouro em seus estilos.

Na categoria comercial, destinada a rótulos já colocados no mercado pelas cervejarias, a vencedora acabou sendo a Sommer Weiss, uma German-Style Leichtes Weizen da paranaense Metzgerbier.

Na categoria experimental, que reuniu rótulos não comercializados até o término das inscrições do Brasil Beer Cup, a vencedora veio da Argentina, a Ábrette Sésamo #1, da Juguetes Perdidos, sendo uma Wild Beer.

A disputa também contou com a categoria inovação, com a ganhadora sendo a Belgard Catharina Sour sem Álcool. O rótulo da catarinense, do estilo Non-Alcohol Malt Beverage, é uma versão da Catharina Sour com 0,5% de graduação alcoólica e com adição de polpa de maracujá, morango e amora.

One Love: Hazy IPA da Dogma com banda Cidade Verde une reggae e cerveja

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O reggae é um estilo musical que surgiu na década de 1960, na Jamaica, e popularizou-se na voz do cantor e compositor Bob Marley. E embora ele tenha falecido por complicações de um câncer de pele, em 11 de maio de 1981, o seu potente legado ainda reverbera, mais de 4 décadas depois. No Brasil, por exemplo, a data celebra o “Dia Nacional do Reggae”, em homenagem ao ídolo e ao gênero, que motivou uma recente união, em cerveja, entre a banda Cidade Verde Sounds e a Dogma.

É a confirmação de que o reggae permanece transcendendo o cenário musical e ganhando novos ídolos e adeptos pelo planeta também graças às suas filosofias e ideologias permeadas na cultura rastafári, na paz, no amor, na igualdade social e no respeito à natureza. 

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Reconhecido pelas cores verde, amarelo e vermelho, o reggae tem relevante presença no cenário musical do Brasil e do mundo, com variedades de ritmos surgindo a partir dele, enquanto outros incorporam suas características. As três cores, inclusive, dão representatividade ao gênero musical e inspiraram o novo rótulo sazonal da Dogma em colaboração com o Cidade Verde Sounds. 

Com o nome Cidade Verde – One Love, a Hazy IPA, a novidade é a segunda cerveja da série criada em parceria com a banda. “No primeiro rótulo, tentamos retratar São Paulo sendo uma Cidade Verde e com lúpulos fazendo parte do desenho, ingrediente importante principalmente em uma IPA, fugindo do caos, do cinza e da poluição. O segundo será a mesma ilustração, mas com mudança nas cores. E sempre lembrando as cores do reggae”, explica Luciano da Silva, sócio-fundador da Dogma.

Luciano conta que sempre foi fã de reggae, com a ideia da cerveja colaborativa reforçando o apoio às bandas locais e o incentivo à cultura, apontando como a Dogma busca se associar a iniciativas que estão além do ecossistema cervejeiro.

“Sempre buscamos parcerias e colaborativas, não somente com outras cervejarias, mas com outros negócios com sinergia, como o caso de outras colabs com Barbearia Corleone, Squadafum, Dream BMX, entre outras. Eu já ouvia o som do Cidade Verde, sabíamos que eles gostavam de cerveja artesanal e que o Mastor (integrante da banda) produz em casa. Inclusive, no primeiro ano do nosso tasting room na Santa Cecília (bairro de São Paulo), lembro deles terem ido um dia”, comenta. 

A primeira cerveja produzida com a banda de reggae foi batizado como Cidade Verde, também sendo uma Hazy IPA. O sócio da Dogma lembra que a receptividade do público foi tão alta que a cerveja acabou em poucas semanas. “Boa parte do público já conhecia a banda, quem não conhecia passou a ter interesse”, diz.

Já para o segundo rótulo, além da mudança nas cores do mesmo e a adoção do nome One Love, também houve alterações nos lúpulos da receita, trazendo um perfil mais frutado. O lançamento da Cidade Verde – One Love acontecerá no sábado (29), na Cave Pool, em São Paulo, juntamente com o show do Cidade Verde. 

Mesclando reggae com rap, o Cidade Verde surgiu em meados de 2007, em Maringá (PR), e é composta pelos músicos Adonai e Paulo Dub Mastor. Atualmente instalada em São Paulo, a banda faz shows pelo Brasil todo, incluindo grandes festivais. “Nesse momento pós-pandemia estamos com força total, um disco pronto para sair agora no fim do ano e vários shows marcados”, comenta Paulo Dub Mastor.

E essa relação da banda com a cerveja artesanal não é de agora. “Somos cervejeiros caseiros desde 2014 e somos entusiastas da nova escola americana”, afirma Dub Mastor.

Por isso, a parceria com a Dogma também é a realização de um sonho para os integrantes do Cidade Verde. “Fazemos cerveja em casa e acredito que todos caseiros têm o sonho de lançar um rótulo, né? Agora imagina você lançar um rótulo com uma cervejaria que você é fã? Sensacional!”, pontua. 

“Está sendo uma experiência incrível. O pessoal da Dogma conseguiu transcrever na cerveja toda nossa ideia e o resultado ficou surpreendente, totalmente fiel à proposta. Uma série de Hazy IPAs super lupuladas e que harmonizam muito bem com ervas medicinais”, finaliza o músico.

Ambev tem queda de 13% no lucro e alta de 1,3% no volume produzido

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A Ambev teve queda de 13,4% no seu lucro líquido no terceiro trimestre de 2022, em comparação ao mesmo período de 2021, para R$ 3,215 bilhões. O recuo, de R$ 374,8 milhões, foi apresentado no relatório financeiro de julho a setembro, divulgado nesta quinta-feira (27) e que incluiu avanço de 1,3% no volume produzido pela Ambev, para 46,3 milhões de hectolitros.

O balanço da companhia ainda aponta Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado de R$ 5,6 bilhões no terceiro trimestre, uma alta de 2,4% em relação ao mesmo período de 2021. Esse desempenho, destacado pela Ambev em sua apresentação, em contraposição ao recuo do lucro líquido e ao avanço modesto do volume, indica um trimestre marcado por uma maior rentabilidade, ainda que sem ganho expressivo de produção.

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“O lucro ajustado diminuiu 13,9% em relação a R$ 3,753 bilhões no terceiro trimestre de 2021, uma vez que o crescimento do Ebitda foi mais do que compensado por maiores despesas financeiras e maior alíquota efetiva de impostos dada a reversão extraordinária de aproximadamente R$ 754 milhões de imposto de renda e contribuição social diferidos no terceiro trimestre de 2021”, diz.

A receita líquida da Ambev no terceiro trimestre de 2022 foi de R$ 20,587 bilhões, o que representa crescimento anualizado de 11,3%. Assim, a diminuição do lucro líquido também está relacionada com a alta do Custo do Produto Vendido (CPV) e das despesas administrativas, de vendas e gerais (SG&A). O CPV por hectolitro, excluindo depreciação e amortização, subiu 14,6% na comparação com o mesmo período de 2021. Já a aceleração do SG&A foi de 15,2%.

De acordo com a Ambev, essas elevações estão relacionadas com a inflação, em diferentes regiões das Américas, de commodities e combustíveis. “O CPV foi principalmente impactado pelo aumento do preço das commodities (principalmente alumínio, mas também cevada), enquanto o SG&A foi impactado principalmente pelo aumento dos custos de distribuição graças ao diesel e ao frete, particularmente em mercados que têm maior grau de produtos importados, como Canadá, Chile e países da CAC (divisão que envolve Canadá, América Central e Caribe)”, afirma.

No relatório financeiro do terceiro trimestre, a Ambev também relatou ter fechado o mês de setembro com caixa de R$ 15,6 bilhões.

Destaques do Brasil
A alteração insignificante no volume se deu, de acordo com a explicação da Ambev, pela comparação com uma base “desafiadora”, o terceiro trimestre de 2021. No Brasil, porém, houve crescimento orgânico de 6,9% na produção de cerveja, para 23,482 milhões de hectolitros. Além disso, a Ambev conseguiu expandir a receita líquida dessa divisão no país para 17,1%, apesar do aumento de 18,2% do CPV.

A empresa afirma que as marcas premium, citando Original e Chopp Brahma, foram os destaques do período, com crescimento de um dígito alto. Já as marcas core tiveram expansão de dígito único médio. E as garrafas de vidro retornáveis continuaram a ganhar peso com a recuperação do canal de bares e restaurantes.

A Ambev também cita em seu relatório o êxito das suas plataformas digitais de vendas. No Bees, voltado ao B2B, 70% dos clientes são compradores de produtos de lojistas terceiros através do marketplace. Já o Zé Delivery atendeu a mais de 15 milhões de pedidos no terceiro trimestre, também contabilizando mais de 4 milhões de usuários mensais únicos.

O relatório financeiro da Ambev também aponta que a receita líquida da divisão brasileira de produtos não alcoólicos cresceu 35,8% no terceiro trimestre.

E a AB InBev…
A Anheuser-Busch InBev (AB InBev) também divulgou seu resultado financeiro do terceiro trimestre nesta quinta-feira, com alta de 62% no lucro líquido em relação ao mesmo período de 2021, para US$ 1,43 bilhão. O grupo cervejeiro ainda relatou receita de US$ 15,09 bilhões, um crescimento de 5,7%. Já o Ebitda cresceu 2%, para US$ 5,31 bilhões.