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Entrevista: “Os profissionais do setor cervejeiro estão afiando o machado”

O setor cervejeiro ainda não recuperou o nível pré-pandemia, mas as perspectivas para o segundo semestre, que será marcado pela realização de eleições e da Copa do Mundo, provocam a esperança de que a recuperação poderá se consolidar assim que o inverno passar, iniciando um período longevo de alta do consumo.

É sob essa perspectiva que a Agrária Malte vai realizar, na próxima semana, a 13ª edição do Congresso Técnico Internacional. O evento, que volta a ser presencial, em Guarapuava (PR), após dois anos seguidos acontecendo online, está sendo encarado, pela companhia, como uma oportunidade de qualificar o mercado para esse novo período no segmento.

“É o momento ideal (para a realização do congresso), pois os profissionais estão afiando o machado”, afirma Jeferson Caus, diretor comercial da Agrária Malte, no Guia Talks, destacando que o evento se insere em um período que, espera-se, seja de inflexão do setor cervejeiro.

Na entrevista, além de apresentar as atrações do Congresso Técnico Internacional, que terá dois dias de visitas técnicas à estrutura da Agrária (18 e 22 de julho) e três de palestras e debates (19, 20 e 21 de julho), ele comenta sobre desafios que vêm sendo encarados pela cadeia produtiva do setor cervejeiro.

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Confira os principais trechos do Guia Talks com Jeferson Caus, diretor comercial da Agrária Malte:

Na sua visão, qual é o diferencial do congresso promovido pela Agrária?
O principal diferencial do congresso organizado pela Agrária está no próprio nome: ele é técnico. Então, as discussões são de altíssimo nível, com profissionais do mundo todo. O nome também enfatiza outro ponto. Ele é internacional, porque realmente traz uma relevância e abrangência mundial, principalmente pelos palestrantes e o pessoal que vai coordenar as discussões. É um congresso voltado para técnicos. É claro que o dono da cervejaria pode participar, mas é voltado para quem participa do processo, põe a mão na massa para produzir uma cerveja ou é responsável técnico por uma cervejaria ou é um consultor, alguém que apoia o mercado a se desenvolver. A gente cuida muito para manter essa pegada no nosso congresso. O segundo ponto é a interação. Conseguimos criar momentos de interatividade entre o público no qual muitas ideias críticas, sugestões e discussões surgem. No Brasil, hoje tem pouco mais de mil cervejarias. E nós teremos 500 pessoas de cervejarias, ainda que com algumas mandando mais de uma pessoa. Então, teremos um público extremamente seleto e representativo do setor cervejeiro durante uma semana, podendo interagir. Isso é único.

Como o congresso se insere no contexto atual do setor cervejeiro?
Ele vem em um momento ideal. Agora, a gente está em um momento de consumo baixo de cerveja, é a nossa entressafra. Mas é o momento ideal, pois os profissionais estão afiando o machado. É isso que vamos fazer durante a semana, nos preparar para um crescimento de consumo que estamos enxergando para o segundo semestre, nos preparando para o nosso verão. Neste ano, teremos uma questão muito atípica, que são as eleições e a Copa do Mundo em uma mesma época. Normalmente, a Copa do Mundo é no inverno no hemisfério sul, mas dessa vez começará em novembro. E, associado a isso, tem as eleições e todo esse cenário macroeconômico e político que estamos vivendo, o que dá a esperança de um crescimento, de uma retomada. Então, existem muitas expectativas. Nesse momento de preparação para o período de crescimento, é importante nos juntarmos para análises e discussões de temas técnicos.

Nesse momento, como está o mercado global de maltes?
O mercado está difícil. A gente vem com um consumo abaixo da expectativa, de maneira geral. Porém com tudo o que aconteceu no mundo, em termos de valorização de commodities, com a questão da guerra na Ucrânia, muitas maltarias tiveram a produção afetada, assim como a produção da cevada e mesmo do trigo, o que causa influências indiretas. Também tivemos a questão da seca no hemisfério norte na última safra. Então, o contexto está muito complexo de leitura, pois há uma previsibilidade baixa diante de tudo o que está acontecendo. Há uma escassez no mercado como um todo. E foi por isso que houve uma subida expressiva nos preços do malte. Quando se tem uma subida expressiva em um período pequeno, não é bom para ninguém, nem para o fornecedor. Quando isso acontece, tem alguns elos da corrente se quebrando, tem uma dificuldade de repasse de preço. Estamos em um momento bem turbulento. Numa semana se fala em falta de produto, na outra se fala que o mercado está retraindo, na outra o preço varia…

E no Brasil? O cenário é o mesmo?
O momento, hoje, aqui no Brasil, está de pouco aquecimento, mas também por influência do inverno. Porém, mesmo comparado ao inverno passado, está um pouco abaixo. Mas a gente tem uma expectativa extremamente alta para o que está vindo. Então, também estamos nos preparando para poder atender o mercado da melhor forma possível e da maneira mais viável, também ajudando os nossos clientes e parceiros.

As últimas duas edições do congresso foram realizadas de modo online. Qual é a importância da volta ao modelo presencial?
Se a gente fosse falar somente da agenda, só a questão dos dois dias de visitas técnicas já impactaria. Seria impossível fazer da forma como estamos planejando e com o ganho de conhecimento que vamos oferecer. Uma visita virtual não tem o mesmo resultado. Além disso, há o encontro entre as pessoas. Você poderá falar com um parceiro, um fornecedor ou sobre um determinado projeto. Nos almoços e jantares, haverá a interação entre toda a cadeia. E isso é impagável. Falando da nova forma como estamos nos reorganizando, aprendemos muito durante esse período de pandemia, muita coisa vai se resolver virtualmente. Mas tem coisas que são insubstituíveis. E a aproximação é fundamental, para se ter ganhos, com a possibilidade de gerar networking, conseguindo agregar mais para o mercado e a academia. Por isso, tenho certeza de que na 13ª edição, depois de duas online, teremos ganhos absurdos

Quais temas serão abordados nas palestras do congresso?
Costumamos pensar em ter a abrangência máxima possível quando se fala das etapas de produção de cerveja. Então, vamos falar da aquisição de matéria-prima, do mercado de matéria-prima e da sua aplicabilidade. E não só do malte. Vamos ter palestras voltadas para fermento e lúpulo, outras para processos inovadores. Teremos uma palestra em que vai se falar sobre como manter o frescor da cerveja, outra voltada à biotransformação. Vamos falar sobre a produção de cerveja sem álcool, que é algo que está muito em voga agora. E ainda abordaremos a legislação. No final do dia, teremos mesas redondas. A ideia é abrir uma discussão a partir dos principais temas elencados para o dia. E aí o público vai exercer o papel de massa crítica, com perguntas e avaliações.

Bares aproveitam reaquecimento, mas sofrem com endividamento e custos

Depois de dois anos duríssimos, por causa, principalmente, da pandemia do coronavírus, bares e restaurantes ensaiam uma recuperação. Com o avanço da vacinação e a diminuição quase completa das restrições sanitárias, os estabelecimentos voltaram a receber o público em peso e buscam descontar os prejuízos amargados em 2020 e 2021.

Representantes de bares e restaurantes, ouvidos pela reportagem do Guia, confirmam o reaquecimento. Entretanto, alertam que, na esteira da crise, a maior parte dos estabelecimentos precisa lidar com dívidas. E os empresários vêm sofrendo com os efeitos da continuidade da inflação a níveis elevados e a carência de mão de obra qualificada.

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“Estamos muito endividados. Atualmente, 64% das empresas têm dívidas em atraso, a maior parte delas com impostos, parcelados no Simples (Nacional, regime tributário), mas ainda não parcelados para as empresas fora do Simples; débitos com os bancos, com o Pronampe (Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte) apertando cada vez mais e as carências já vencendo. Com isso, a situação caminha para uma inadimplência maior; hoje, ronda os 20%”, revela Paulo Solmucci, presidente-executivo da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel).

Pesquisa feita pelo órgão com empresários do setor, ouvidos entre 21 e 28 de junho, constatou que só 35% dos estabelecimentos tiveram lucro em abril e maio, respectivos meses nos quais outros 28% e 29% trabalharam com prejuízos, enquanto outros 36% ficaram no equilíbrio. “Duas em cada três empresas, atualmente não fazem lucro e, portanto, não têm condições de liquidar as suas dívidas do passado”, aponta Solmucci.

Diretor e sócio-fundador do BaresSP, o maior guia desta categoria de estabelecimento cujo nome batiza a entidade representativa de bares e restaurantes da capital paulista, Fabio de Francisco destaca, assim, que a volta do público acaba não sendo suficiente para reduzir as dívidas dos estabelecimentos.

“O bar retoma o movimento, ainda que seja mais no final de semana, mas o proprietário deixou um buraco lá atrás (de prejuízo acumulado durante a pandemia) e não consegue atender o dobro de pessoas que tem capacidade. E aí, obviamente, os empréstimos que ele fez em 2020, ou no começo de 2021, estão vindo a todo o vapor”, diz.

Outro desafio nesse momento de recuperação do setor é a redução na frequência da ida dos consumidores aos bares, provocada pela elevação do custo de vida no Brasil, como avalia o diretor do BaresSP.

Em linhas gerais, o que aconteceu na maior parte dos bares é que voltou a ter o movimento de sexta, sábado e domingo, e isso é ótimo. Mas ainda está com um pouco de dificuldade nos dias da semana e isso obviamente pelo fato de todo mundo estar segurando um pouco mais o dinheiro. Muita gente foi mandada embora e aumentou tudo. Então, em vez de ir ao bar toda semana, a pessoa começa a ir a cada 15 dias ou só uma vez por mês

Fabio de Francisco, diretor e fundador do BaresSP

Alta dos custos desafia setor
Em níveis elevados, a inflação impactou não apenas os frequentadores de bares e restaurantes, mas também os empresários do setor, que viram o custo dos seus produtos se elevar bastante. O fato é um obstáculo a mais para os estabelecimentos, que precisam encontrar um meio termo para ofertar preços acessíveis aos clientes.

De acordo com a pesquisa realizada pela Abrasel, 75% dos empresários com prejuízos no ano citaram o aumento dos principais insumos como fator que contribuiu para o saldo negativo. E entre os outros principais motivos apontados para as contas ficarem no vermelho estiveram a queda nas vendas (63%), a redução no número de clientes (58%), dívidas com empréstimos (54%) e impostos atrasados (49%).

“A maior preocupação é a inflação, em especial do CMV (Custo de Mercadoria Vendida) de alimentos e bebidas. Isso realmente tem um impacto enorme. Uma recente pesquisa nossa mostrou que 83% dos estabelecimentos consideram esse o maior desafio do ano”, afirma Fernando Blower, diretor-executivo da Associação Nacional de Restaurantes (ANR).

Já o presidente-executivo da Abrasel destaca que a queda do poder de compra da população, sufocada pela inflação, pressiona a recuperação de bares e restaurantes, que têm evitado repassar, na integralidade, a alta dos custos ao consumidor.

“A renda do trabalhador caiu quase 8% e isso segura a nossa capacidade de repassar a inflação para os preços do cardápio. A inflação está muito pesada, nos últimos 12 meses a inflação média vem rondando os 12%. O setor corrigiu pouco acima disso: 6,3%, enquanto a inflação dos alimentos está rondando os 16%”, enfatiza Solmucci.

“Portanto, estamos com um resultado pior do que estávamos e com um agravante de que 74% das empresas alegam não conseguir repassar a inflação média total ou parcial para os cardápios, sendo que 29% destes não conseguiram fazer qualquer reajuste em maio”, acrescenta.

Assim, como aponta o sócio-fundador dos BaresSP, os estabelecimentos estão comprometendo o lucro para não perderem a clientela. “As coisas estão subindo muito rápido e não dá para o bar chegar e repassar isso de cara para o cliente. Então, ele fica segurando os preços, faz promoção, mexe nas porções e na estrutura, mas isso acaba impactando diretamente na lucratividade dessas operações”, lembra.

Adaptações e falta de mão de obra
O primeiro semestre também foi de oscilação para bares e restaurantes, que sofreram, nos meses iniciais, com o alastramento da variante Ômicron afetando o funcionamento dos estabelecimentos. Mas a recuperação veio a partir do fim de março, como detalha Solmucci.

“Os dois primeiros meses do ano frustraram e foram mais difíceis por conta da Ômicron. O medo tomou conta de novo e algumas restrições retornaram. Mas nós também tivemos boas notícias. Março foi muito positivo e o carnaval fora de época, em abril, também puxou o movimento. A questão do emprego tem ajudado muito. O Auxílio Brasil, que saiu de R$ 189 para R$ 400, ajudou a impulsionar o faturamento da base do setor”, analisa.

O presidente da Abrasel também aponta mudanças no comportamento da população que tem afetado o faturamento de bares, como a redução das viagens internacionais e o prolongamento do home office em algumas empresas.

A Ômicron e outras variantes tiraram o brasileiro de viagens para o exterior, impulsionando o turismo doméstico. Então, quem vende para o pico da pirâmide também está faturando muito bem. A dificuldade maior está nas regiões onde o home office ainda é muito importante e o trabalho presencial não voltará mais plenamente. De um modo geral, o primeiro semestre foi positivo, ainda que tenham tido muitas variações e muitos desafios

Paulo Solmucci, presidente-executivo da Abrasel

Além de precisar se adaptar a novas dinâmicas da sociedade, os bares e restaurantes vêm encarando o desafio da carência de funcionários qualificados. “Temos uma dificuldade de contratação de mão de obra preparada, com o mínimo de formação técnica. Como a retomada foi mais rápida, o processo de treinamento acaba não acompanhando a mesma velocidade. Então, é um gargalo relevante”, diz o presidente da ANR.

O sócio-fundador do BaresSP também enxerga o desafio de ter profissionais qualificados, o que, admite, pode causar efeitos no atendimento aos consumidores. “Se perdeu muito a mão de obra do setor porque eles mudaram para outros estados, outras cidades e até de área. Saíram do bar e do restaurante e foram para escritórios. E acabaram não voltando. Então, com a falta de mão de obra disponível e, a que tem disponível não estando altamente qualificada, acaba impactando diretamente no atendimento, na economia de material e no relacionamento com o cliente”, finaliza.

Brasil Beer Cup cria categoria para cervejas com ingredientes nacionais

A identidade nacional e toda a rica biodiversidade que o País possui serão reconhecidos no concurso Brasil Beer Cup (BBC). Em sua terceira edição, a competição avaliará cervejas em uma categoria denominada Brazilian Beer.

A Brasil Beer Cup, que foi criada e tem coordenação do instituto Science of Beer, será realizada entre 23 e 26 de outubro, em Florianópolis, com a festa de premiação presencial marcada para o dia 27 do mesmo mês.

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Para essa nova categoria, as marcas comerciais e os produtores caseiros poderão mostrar suas criações de cervejas que contenham ingredientes e técnicas genuinamente brasileiras.

A categoria Brazilian Beer se dividirá em quatro subcategorias: Brazilian Beer com frutas; Brazilian Beer com ervas e especiarias; Brazilian Beer com madeira e Brazilian Beer com levedura, malte e/ou lúpulo brasileiros.

“Queremos mostrar ao mundo o que temos de diferencial. Queremos que nossas cervejas sejam reconhecidas por sua identidade brasileira”, afirma a CEO do Science of Beer e diretora do BBC, Amanda Reitenbach, contando o que motivou a criação da categoria.

Segundo Amanda, a organização da competição vinha percebendo um movimento no mercado de uso, cada vez mais constante, de elementos da flora nacional nas cervejas. “Isso nos levou a criar uma categoria específica para julgamento no BBC. Assim não restarão dúvidas sobre em qual categoria as cervejas desse tipo devem ser inscritas”, orienta.

O “estilo” Brazilian Beer
Em seu guia de estilos, o BBC afirma que uma Brazilian Beer “deve utilizar ingredientes e/ou técnicas de processo característicos brasileiros. Esses ingredientes podem ser frutas, ervas, especiarias, leveduras, malte, lúpulo e madeiras. O cervejeiro deve obrigatoriamente especificar a ‘natureza brasileira’ da cerveja (por exemplo, os tipos de ingredientes especiais usados ou o processo utilizado com descrição detalhada preferencialmente em inglês).”

Além disso, o guia destaca que o cervejeiro “deverá informar também o estilo-base que foi utilizado para a criação da cerveja”. “No mínimo 51% dos açúcares fermentáveis devem ser derivados de grãos malteados.  As singularidades de processo, ingredientes usados e criatividade devem ser considerados como positivos na avaliação. Corpo é variável de acordo com o estilo base. Todas as características técnicas da cerveja deverão variar de acordo com o estilo base”, conclui.

A organização do BBC lembra que o estilo Brazilian Beer ainda não existe oficialmente nos guias reconhecidos internacionalmente, como o BJCP e o da Brewers Association, mas afirma que, dando continuidade ao trabalho de catalogação de cervejas com identidade brasileira, o Science of Beer já requisitou aos núcleos de coordenação desses dois guias a inclusão dele como estilo oficialmente reconhecido.

“As conversações estão adiantadas, inclusive com representantes dos dois guias compondo as mesas de julgamento dele no concurso BBC”, destaca a organização do concurso. Assim, há a expectativa de que a Brazilian Beer seja incorporada como categoria tanto no BJCP quanto no guia da BA.

EverGrain inicia produção comercial de proteína de cevada “reciclada” nos EUA

A EverGrain, uma empresa de ingredientes sustentáveis apoiada pela AB InBev, inaugurou uma fábrica para a produção de proteína vegetal em grande escala nos Estados Unidos. A companhia trabalha com o reaproveitamento de resíduos da cevada advindos da fabricação de cerveja, produzindo, a partir deles, alimentos e ingredientes ricos em nutrientes.

A fábrica da EverGrain fica em St. Louis e tem o objetivo de oferecer um fornecimento local e sustentável de proteína vegetal para atender a demanda crescente dos consumidores. Esta instalação é a primeira em escala comercial dedicada a produzir comercialmente produtos oriundos do reaproveitamento da cevada da companhia. E a previsão é de que sejam fabricadas 7 mil toneladas anuais.

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Para a abertura da fábrica, que fica dentro do espaço onde está instalada a planta industrial da Anheuser-Busch em St. Louis, foi necessário investimento de US$ 100 milhões (aproximadamente R$ 538 milhões) na reforma de um prédio construído em 1905 e que não foi utilizado nos últimos 30 anos.

Um dos produtos desenvolvidos pela empresa é o ingrediente EverPro, “com solubilidade superior em relação a outras proteínas vegetais”, de acordo com a EverGrain, podendo ser aplicado em bebidas prontas para misturar, como café e chá, e em shakes de proteína, já sendo usado, por exemplo, pela Nestlé.

“Esta nova instalação comercial em St. Louis é um marco significativo em nossa jornada para transformar a cevada ‘gasta’ em escala em uma das fontes mais sustentáveis, acessíveis e abundantes de proteína vegetal do mundo”, afirma Gregory Belt, CEO da EverGrain.

O CEO da Anheuser-Busch, Brendan Whitworth, destaca que a abertura do espaço reforça o compromisso com a sustentabilidade da companhia em todas as etapas do ciclo produtivo. Afinal, a EverGrain terá acesso a milhares de toneladas de resíduos da produção cervejeira da companhia, ajudando a reduzir o seu impacto.

“Na Anheuser-Busch, abordamos a sustentabilidade com uma mentalidade inovadora para que possamos integrar soluções de ponta em toda a nossa cadeia de suprimentos. Isso torna a operação sustentável um compromisso, não apenas uma prioridade, e aproveita o poder de nossa rede para resolver desafios importantes”, afirma.  

O executivo da companhia cervejeira também lembra que a abertura do espaço vai gerar benefícios para a comunidade de St. Louis, cidade onde a Anheuser-Busch iniciou as suas atividades em 1852.

“A EverGrain é um dos exemplos de destaque desse compromisso, ajudando a alcançar uma cadeia alimentar mais sustentável, ao mesmo tempo em que causa grande impacto por meio da criação de empregos e investimentos em St. Louis”, completa Whitworth.

Preço da cerveja tem alta de 2,31% no 1º semestre e fica bem abaixo da inflação

O preço da cerveja no domicílio, em geral vendida em supermercados e redes varejistas, terminou o primeiro semestre de 2022 com alta de 2,31%. A aceleração ficou, assim, bem abaixo da inflação medida pelo IBGE. De acordo com o instituto, o índice oficial, o IPCA, fechou a primeira metade do ano em 5,49%.

A diferença no ritmo da alta do preço da cerveja no domicílio e do IPCA também foi registrada em junho. Afinal, enquanto a bebida teve aumento médio de 0,14% no período no Brasil, o índice geral da inflação foi de 0,67% no mês passado.

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Esse descolamento, porém, não havia ocorrido em maio, quando a elevação do valor cobrado pela cerveja no domicílio tinha sido de 0,44%, próxima da variação média de 0,47% no somatório de todos os produtos e serviços investigados para o mês.

O balanço do IBGE ainda constatou que em junho houve deflação de 0,20% no preço das cervejas fora do domicílio, comercializadas em estabelecimentos como bares e restaurantes, onde em maio havia contabilizado aceleração de 0,36% em seu custo. Além disso, o item em geral consumido fora dos lares ficou 2% mais caro no primeiro semestre.

Nos últimos 12 meses, a elevação de preço da cerveja para o período é de 8,41% nos supermercados e redes varejistas e de 4,51% em locais como bares e restaurantes.

O aumento de 0,14% do custo da cerveja também ficou bem abaixo da subida média dos preços de outras bebidas alcoólicas no domicílio em junho, que foi de 0,66%. Este item contabilizou expressiva deflação de 1,40% em seu valor quando adquirido fora de casa. Nestas duas respectivas ocasiões de consumo, esse produto aumentou 14,86% e 3,34% no primeiro semestre, enquanto nos últimos 12 meses as elevações de preço acumuladas são de 10,34% e de 1,14%, respectivamente.

Alimentação e bebidas puxam aumento da IPCA
A inflação de 0,67% em junho teve a sua alta influenciada principalmente pelo aumento médio dos preços do tópico alimentação e bebidas, que foi de 0,80% e representou peso de 21,26% para a formação do índice geral do IPCA. Nos últimos 12 meses, a elevação é de 11,89%.

“O resultado foi influenciado pelo aumento nos preços dos alimentos para consumo fora do domicílio (1,26%), com destaque para a refeição (0,95%) e o lanche (2,21%). Nos últimos meses, esses itens não acompanharam a alta de alimentos nos domicílios, como a cenoura e o tomate, e ficaram estáveis. Assim como outros serviços que tiveram a demanda reprimida na pandemia, há também uma retomada na busca pela refeição fora de casa. Isso é refletido nos preços”, explica o gerente da pesquisa do IBGE, Pedro Kislanov. 

A inflação do mês passado também foi mais alta do que a constatada em junho de 2021, quando a variação havia sido de 0,53%. E o instituto de pesquisa destaca que ocorreram elevações de preços nos nove grupos de produtos e serviços investigados, sendo que o item que apresentou a maior subida média de custo foi o de vestuário, que ficou 1,67% mais caro.

O tópico alimentação e bebidas, por sua vez, fechou a primeira metade de 2022 como um dos principais vilões da inflação, com variação de 8,43% no período. “No primeiro trimestre do ano, o destaque foi a alta dos produtos alimentícios, como a cenoura. Em março e abril, houve o aumento nos preços da gasolina e também dos produtos farmacêuticos. Nesse segundo trimestre, observamos a redução do patamar do índice geral, que estava acima de 1% e, em maio, foi para 0,47% e em junho, para 0,67%”, afirma Kislanov.

Para calcular o índice de inflação do mês passado no Brasil, o IBGE comparou os preços pesquisados entre 28 de maio a 29 de junho (referência) com os valores vigentes no período de 30 de abril a 27 de maio (base).

Cerveja com Ciência: Um caminho para transformar digitalmente as cervejarias

Cerveja com Ciência: Um caminho para transformar digitalmente as cervejarias

A transformação digital está cada vez mais presente nas empresas – principalmente fabricantes de alimentos e bebidas — no que diz respeito a atender a demanda do consumidor por transparência sobre como, onde e quando seus bens são adquiridos e produzidos.

A transformação digital pode ajudar a fornecer garantias sobre qualidade, práticas comerciais éticas e ações para reduzir as pegadas de carbono. Usando a tecnologia disponível, por exemplo, por meio de blockchain, as empresas podem coletar informações relevantes sobre um produto final à medida que percorre sua cadeia de suprimentos – do campo à garrafa – de forma confiável, rastreável e automatizada, sem o apoio ou intervenção de uma autoridade centralizada.

Essas informações são armazenadas em um token não fungível (NFT), que é um certificado digital criptografado, com carimbo de data/hora e à prova de adulteração que é registrado no blockchain. Na prática, um NFT é criado para cada lote de cerveja produzido para venda. Esse NFT representa a jornada da cevada, desde o plantio da semente até o agricultor colocá-la no caminhão, sua germinação até chegar ao malte e depois se transformarem em cerveja, para enfim serem armazenadas em embalagens.

Então, quando a lata, garrafa ou barril chega às mãos do comprador ou consumidor, seu rótulo inclui um código QR que, ao ser escaneado, revela como foi criado, com vídeos, imagens e dados armazenados no NFT sobre aquele lote específico.

As cervejarias que buscam amadurecer nesta prática de transformação digital por meio de blockchain, visam atualizar sua reputação de marca para os consumidores, além de fortalecer seus laços com seus parceiros da cadeia de suprimentos. À medida que a iniciativa avança, maior é o rastreamento para alcançar a sustentabilidade da cadeia de suprimentos e otimizar os processos a partir de informações detalhadas obtidas por meio da transparência.

Afinal, sem uma abordagem sustentável e segura para produzir cevada, as cervejarias dificilmente poderão fabricar uma cerveja de qualidade. E sem a capacidade de rastrear e medir a sustentabilidade da cadeia de suprimentos, as cervejarias não atingirão suas metas de desenvolvimento sustentável.

A rastreabilidade é um dos primeiros passos em direção à sustentabilidade. Assim, somos convidados a revisitar Peter Drucker (pai da Administração Moderna) para acrescentar que: se você não acompanhar, não poderá medir e, se não medir, não poderá implementar práticas sustentáveis. Se não conseguirmos implementar práticas sustentáveis, não poderemos ser “neutros” em carbono até 2050, como temos nos acostumado notar em declarações de metas da maioria das grandes cervejarias.

Essa coluna coletou dados com alguns especialistas do setor durante o mês de maio/22 com objetivo de discutir os fatores críticos de sucesso na adoção de tecnologias digitais e identificar a relação entre os fatores críticos de sucesso na adoção de tecnologias digitais na cadeia produtiva da cerveja brasileira com as práticas de sustentabilidade e gerenciamento de riscos e resiliência na cadeia de suprimentos.

Os dados foram coletados por meio de entrevistas com especialistas brasileiros, informações de literatura acadêmica, estudos de casos em cervejarias internacionais, e benchmarking com o estudo intitulado “Adoção de tecnologias digitais nas cadeias de suprimentos agroalimentares em meio ao coronavírus: uma abordagem para as preocupações com a segurança alimentar nos países em desenvolvimento (tradução livre)”.

Este benchmarking teve como objetivo entender como alguns fatores críticos de sucesso podem influenciar a adoção de transformação digital voltada para sustentabilidade e gerenciamento de riscos/resiliência frente à Covid-19. Os fatores críticos explorados e como podem ser descritos estão representados na tabela a seguir.

Fatores críticos de sucessoOs parceiros da cadeia de cervejarias estão gerenciando suas operações de forma a promover:
Desempenho de sustentabilidade socialSegurança alimentar, boas condições de trabalho, qualidade de vida, respeito à cultura e à diversidade
Desempenho de sustentabilidade econômicaCrescimento econômico de longo prazo sem impactar negativamente os aspectos sociais, ambientais e culturais da comunidade
Desempenho de sustentabilidade ambientalConservação a longo prazo dos recursos naturais, como ar, água e florestas
TransparênciaRegistro, publicação de informações completas e transparentes em todas as etapas da cadeia de suprimentos
RastreabilidadeRastreabilidade dos ingredientes das cervejas no intuito de validar e autenticar sua origem
Treinamento técnico e atualização de habilidades para as partes interessadasMelhoria contínua das habilidades entre as partes interessadas (funcionários, fornecedores, clientes e governo) por meio do aprendizado e do aumento do conhecimento
Governança eletrônicaGestão estratégica, eficiente e sustentável por meio da colaboração com outras funções internas e externas da empresa
Logística digital e infraestrutura tecnológicaGestão da rede logística e serem mais responsivos com seu planejamento logístico em tempo real
Decisões sobre segurança alimentar sustentávelPrevenção e redução da perda de matéria-prima e ingredientes, que de outra forma seriam usados como alimentos.
Confiança e colaboraçãoReforço e promoção da empatia, confiança e cooperação entre as várias partes interessadas (funcionários, clientes, fornecedores, associações, governo etc)
Eficácia operacional e escalabilidadeEstratégia eficiente e sustentável por meio de tentativas de melhoria contínua para aumentar a resiliência frente às crises e rupturas geradas por fatores externos
Padronização de práticas sustentáveisPromover tentativas de melhoria contínua para desenvolver, promover e possivelmente exigir práticas sustentáveis na cadeia de cervejas
SegurançaPromover o gerenciamento contínuo de riscos digitais
Agricultura inteligenteComunicação e práticas tecnológicas na agricultura para aumentar a eficiência do trabalho e no uso de combustível

Em termos de dados coletados com este estudo, há indicativos de que a cadeia de cervejarias brasileiras deve melhorar suas ofertas de produtos com práticas sustentáveis e resilientes aos consumidores. Foi reconhecido que a demanda por resiliência na cadeia de cervejarias, em geral, aumentou rapidamente.

Como resultado, recentemente, houve um foco da alta administração na capacidade da cadeia de cervejarias em atender às mudanças nas necessidades e expectativas dos consumidores e do mercado. A falta de flexibilidade no rastreamento e aumento da demanda​​ resultou em uma dificuldade de se adaptar, considerando as duas cadeias de cervejarias (Índia e Brasil).

Embora as operações gerais nesses dois países em desenvolvimento tenham experimentado um crescimento significativo com a adoção de práticas de transformação digital há quase uma década, a utilização de sistemas sincronizados e blockchain foi observado apenas recentemente neste segmento (e restrito em sua maioria às grandes cervejarias). Nesse contexto, reunir os parceiros da cadeia de cervejarias em uma única abordagem eficiente pode ser um ponto benéfico para todos.

Além disso, a adoção de transformação digital pode desempenhar um papel essencial no desenvolvimento de redes modernas de cadeia de suprimentos orientadas por dados nesses mercados, alavancando o crescimento e a sustentabilidade de longo prazo.

Com o aumento da volatilidade na cadeia de suprimentos global, a resiliência da cadeia de cervejarias ganhou importância significativa. As incertezas nas operações de logística e cadeia de suprimentos e a rápida evolução da inovação tecnológica podem reduzir significativamente as despesas, o tempo e os riscos associados ao nível de escalabilidade das cervejarias.

Como resultado, a resiliência da cadeia de suprimentos deve se preocupar com as funções fundamentais ou centrais, aqui apresentadas como fatores críticos de sucesso (vide tabela). Como resultado, a resiliência obtida com a transformação digital pode ajudar a cadeia de cervejarias a reduzir os potenciais impactos negativos de riscos internos ou se recuperar rapidamente de eventos de risco externos, incluindo eventos de força maior.

A adoção inadequada ou a inexistência de transformação digital pode impedir significativamente o crescimento e a sustentabilidade de longo prazo devido à falta de compreensão clara dos requisitos mais abrangentes da cadeia de cervejas e dos requisitos específicos da organização.

Portanto, recomendamos a necessidade de supervisão da alta gerência na integração da tecnologia digital com as operações da cadeia de suprimentos das cervejarias por meio dos fatores críticos de sucesso explorados nesta coluna.

Saúde em sua jornada!

*Agradecimento ao colega Manish B. R. Veeramani pelos insights, discussões e entusiasmo em compartilhar seu conhecimento sobre a cadeia de cervejarias na Índia. 


Marcelo Sá é professor de gestão em operações, pesquisador na área de riscos e resiliência em cadeias de alimentos e bebidas, esposo e pai apaixonado por sua família. Em sua folga, pode ser facilmente encontrado com uma IPA ao seu lado.

Em seu maior teste, Carlsberg lança garrafa de fibras totalmente reciclável

A Carlsberg deu um importante passo na busca por embalagens mais sustentáveis para envasar as suas cervejas ao anunciar o lançamento da Fiber Bottle, uma garrafa feita com fibras de madeira e polímeros naturais. A companhia vai vender cerveja em garrafas totalmente recicláveis, no maior teste comercial de todos os tempos dessa iniciativa.

A novidade foi apresentada quase três anos após a Carlsberg revelar protótipos de uma garrafa de papelão que poderia substituir as garrafas descartáveis ​​feitas de PET ou de vidro, sendo a sua evolução. E com foco na evolução da tecnologia e em práticas sustentáveis, a embalagem também contém cerveja fabricada com cevada orgânica e regenerativa.

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O piloto, que é vital para acelerar a ambição da Carlsberg de tornar esse tipo de embalagem uma realidade comercial, envolverá 8 mil garrafas de fibra, que serão colocadas à venda na Dinamarca, Suécia, Noruega, Finlândia, Polônia, Alemanha e França, além do Reino Unido. As garrafas serão disponibilizadas aos consumidores em eventos, festivais e em amostras de produtos direcionados.

Esses testes darão à Carlsberg a oportunidade de coletar avaliações sobre as experiências das pessoas com o produto, o que ajudará na definição da próxima geração de design deste tipo de embalagem.

“Estamos muito satisfeitos em levar nossa nova garrafa de fibra para as mãos dos consumidores, permitindo que eles as experimentem. Este piloto servirá a um propósito maior de testar a produção, desempenho e reciclagem deste produto em escala”, afirma Stéphane Munch, vice-presidente de desenvolvimento do grupo cervejeiro.

De acordo com a Carlsberg, um marco significativo para a garrafa de fibra é o seu revestimento de polímero PEF à base de plantas, que foi desenvolvido pela Avantium, parceiro da cervejaria. O PEF é feito inteiramente de matérias-primas naturais, sendo compatível com os sistemas de reciclagem de plástico, podendo se degradar na natureza.

Além de seus benefícios de embalagem sustentável, o PEF funciona como uma barreira altamente eficaz entre a cerveja e a casca externa de fibra, protegendo o sabor da cerveja melhor do que o plástico PET convencional, feito à base de combustível fóssil.

A casca externa da garrafa consiste em fibra de madeira de origem sustentável e de base biológica. Ela também possui propriedades isolantes que podem ajudar a manter a cerveja mais gelada por mais tempo, em comparação com latas ou garrafas de vidro.

“Identificar e produzir o PEF, como uma barreira funcional para a cerveja, tem sido um dos nossos maiores desafios – por isso, obter bons resultados nos testes, colaborar com os fornecedores e ver as garrafas sendo enchidas na linha é uma grande conquista!”, acrescenta o vice-presidente de desenvolvimento do grupo cervejeiro.

A garrafa será produzida pela Paboco  (“Paper Bottle Company”), uma joint venture entre a fabricante sueca de papel e celulose BillerudKorsnäs e a ALPLA-Werke Alwin Lehner, uma fabricante austríaca de plásticos e especialista na fabricação de garrafas. Ela é 100% de base biológica, assim como a tampa, sendo totalmente recicláveis.

Com a atual geração da garrafa de fibra, a Carlsberg estima alcançar até 80% menos emissões do que as atuais garrafas de vidro de uso único. Mas a pretensão é de que ela alcance a mesma pegada de carbono da garrafa de vidro retornável. E quando for comercializada em escala, complementará, em vez de substituir, as embalagens existentes, como garrafas de vidro e latas.

Os avanços não se limitaram à garrafa em si, pois a Carlsberg também afirma ter engarrafado uma bebida mais sustentável para os testes com consumidores. Em colaboração com o fornecedor de malte de cevada Soufflet, a companhia preparou uma cerveja com cevada que foi cultivada usando práticas agrícolas totalmente orgânicas e regenerativas.

De acordo com a companhia, as técnicas utilizadas ​​para cultivar a cevada buscam melhorar a biodiversidade das terras agrícolas e a saúde do solo, além de aumentar o sequestro natural de carbono pelo solo em comparação aos métodos agrícolas convencionais.

Presencial, congresso da Agrária une teoria e aplicação do conhecimento

Os profissionais da indústria cervejeira voltam a ter um encontro marcado no Paraná. Depois de duas edições restritas ao modelo online, em função da gravidade da pandemia do coronavírus, o Congresso Técnico Internacional Agrária Malte vai acontecer presencialmente, no período de 18 a 22 de julho, no distrito de Entre Rios, em Guarapuava.

As inscrições para o congresso promovido pela Agrária podem ser realizadas até a próxima segunda-feira (11), no site oficial do evento. E a expectativa dos organizadores é de que entre 500 e 600 profissionais da indústria cervejeiras estejam presentes ao encontro, que vai debater os desafios de quem atua no cotidiano do setor.

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“É um congresso destinado às cervejarias em geral, seus donos e técnicos. Os convites para os participantes são feitos pela Agrária para garantir o foco técnico do evento. E toda programação é pensada em palestras predominantemente técnicas e, obviamente, em algumas coisas que são as dores ou tendências do segmento. Este ano, por exemplo, estamos trazendo uma mesa redonda sobre desafios do mercado cervejeiro, para provocar uma discussão sobre os problemas”, explica Alexandre Sierote, especialista de marketing da Agrária Malte.

Dividida em 5 dias, a programação reserva para o primeiro – dia 18 – e o último – dia 22 –, a possibilidade de visitas à Agrária Malte, com passagens por Museu Histórico de Entre Rios, Fundação Agrária de Pesquisa Agropecuária, maltaria e cervejaria experimental da companhia. Para Sierote, é essa união entre o conhecimento teórico, oferecido nos 3 dias de debates e palestras, com a possibilidade de conhecer a estrutura e o trabalho da Agrária na prática, que torna o evento mais completo.

“Durante o congresso, oferecemos a oportunidade de visitas à Fundação Agrária de Pesquisa Agropecuária, onde se pode ver toda a ciência por trás dos experimentos. Além disso, também se visita a nossa maltaria, que é a maior da América Latina. E ainda tem a parte histórica com a ida ao nosso museu. Também passamos pela cervejaria experimental, onde se degusta e se conhece o trabalho feito por lá. Misturamos a parte do conteúdo técnico com o lado da experiência”, diz.

Já o cronograma de palestras inclui a participação de profissionais nacionais e internacionais que são referências no setor, como Meagen Jean Anderson (Nzhops), que abrirá a programação com uma palestra sobre cerveja sem álcool, assim como de Alírio Caldera (Weyermann) e Tom Shelhammer (Lallemand), entre outros.

“O congresso é conhecido por trazer palestrantes de diversos lugares do mundo. Um dos destaques é a presença da Megan Anderson, que vai fazer uma palestra sobre cerveja sem álcool. Também teremos mesas redondas durante os três dias de palestras para fazer um debate mais amplo sobre alguns tópicos que a gente avaliou ser interessante compartilhar”, conclui o especialista de marketing da Agrária Malte.

Confira a programação completa de palestras do Congresso Técnico Internacional:

19 de julho
8h15 às 9h45 – Cervejas sem álcool e como desenvolvê-las com frações – Meagen Jean Anderson (NZHops)
10h10 às11h40 – Haze: Amor e ódio – Fábio Teleginski (Agrária Malte)
13h30 às 15h – Beer Staling: O desafio de manter o frescor da cerveja – Alexander Weckl (Agrária Malte)
15h25 às 17h – Filtrando cerveja sem perder a qualidade – Ligia Marcondes
17h às18h30 – Mesa Redonda – Histórias Cervejeiras – Boinas Verdes

20 de julho
8h15 às 9h45 – Estudo técnico da nova metodologia de cálculo de cor de mosto e cerveja – Alírio Caldera (Weyerman)
10h10 às 11h40 – A Produção de Malt Whisky – Robert Fotheringham (Lallemand)
13h30 às 15h – Técnicas exóticas de mostura – Alexander Schwarz (Agraria)
15h25 às 17h – Beer Spoilers – O biofilme de terror para as cervejarias – Marcelo Barga e José Antunes (Bio4)
17h às 18h30 – Mesa Redonda – Desafios do Mercado Cervejeiro: Legislação, economia e mercado

21 de julho
8h15 às 9h45 – Biotransformação – Tom Shellhammer (Weyerman)
10h10 às 11h40 – Fermentação e formação de compostos sulfurosos – Ben Souffriau (Abbiotek)
13h30 às 15h – As promissoras variedades e produtos de lúpulo da Alemanha para a produção de Lagers a Ales para o segmento craft – Johann Bertazzoni e Carlos Ruiz (HVG)
15h25 às 17h – Contexto de mercado global: Cevada, Malte e Cerveja – Alexandre Karkle (Agrária Malte)
17h às 18h30 – Mesa Redonda – Lúpulos Nacionais x Importados

Menu Degustação: Circuito Cervejeiro de Corrida, prêmio para o Science of Beer…

A agenda de encontros cervejeiros continua agitada no começo da segunda metade do ano. No Rio de Janeiro, por exemplo, a cidade de Nova Friburgo vai receber mais uma edição do Circuito Cervejeiro de Corrida, com apoio da Ranz, que lançará uma cerveja feita especialmente para a prova.

Já o Festival Gastronômico de Pomerode volta depois de dois anos com pratos inspirados nas famílias que moram na Rota do Enxaimel e mais de 80 opções no menu, enquanto em São Paulo a Tarantino promove, nesta sexta-feira (8), um evento que une lançamento de um rótulo ao teatro.

Em outras frentes, a Ambev anunciou que dobrará o valor que for arrecadado pelo crowdfunding do IPA Day. E o Science of Beer celebra a conquista de um prêmio de inovação em função do seu kit para educação sensorial que se destacou na recuperação de olfato e paladar para pacientes pós-Covid.

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Confira essa e outras novidades do setor no Menu Degustação do Guia:

Stella Artois quer aumentar o protagonismo feminino
A Stella Artois quer aumentar o protagonismo feminino na gastronomia e, para isso, vai patrocinar um curso para ajudar empreendedoras de todo o Brasil a impulsionarem seus negócios na área de alimentação. A cerveja da Ambev vai custear 100% das aulas, criando 1.200 vagas dedicadas a profissionais mulheres. Desenvolvida pelo Sebrae-MG, a programação reúne disciplinas pensadas para ajudar quem já trabalha no setor a dar mais visibilidade aos seus negócios. As inscrições vão do próximo sábado (9) até 31 de julho.

Goose instala cano para manobras de skate
A Goose Island vai instalar o maior cano para manobras de skate que se tem registro, no Largo da Batata, em São Paulo, neste sábado, em evento aberto ao público. Os skatistas inscritos, com idade acima de 18 anos, vão poder entrar na brincadeira e ainda ganhar brindes especiais da marca, de acordo com a performance. Instalado em um dos pontos mais tradicionais de skate da capital paulista, o obstáculo terá 24 metros de extensão. Ele será dividido em quatro partes diferentes. A novidade faz parte do projeto Slide to Unlock ou como a própria tradução diz: deslize para desbloquear.

Apoio da Ambev ao IPA Day
Após dois anos, o IPA Day volta a ser promovido no Brasil e, para apoiar a retomada do evento, a área de Conhecimento e Cultura Cervejeira da Ambev, em parceria com as marcas Colorado e Goose Island, também vai ajudar nessa missão, com a doação do dobro do valor total arrecadado no financiamento coletivo que está sendo realizado para custear as próximas edições. O IPA Day São Paulo será realizado em 6 de agosto, na cervejaria Tarantino. Já a edição nacional, o IPA Day Brasil, acontecerá em 12 de novembro, em Ribeirão Preto (SP), no Espaço de Eventos Quinta Linda.

Teatro e lançamento na Tarantino
Nesta sexta-feira (8), entre 19h e 22h, a Cervejaria Tarantino, o Consulado Geral da República Checa de São Paulo e o Coletivo Cardume de Teatro realizarão um evento especial, com o lançamento de uma Bohemian Lager e a leitura dramática da peça Audiência, do escritor, dramaturgo e ex-presidente do país Václav Havel. A história se passa na então Checoslováquia da década de 1970 e conta um pouco da trajetória do dramaturgo Ferdinand Vaněk, que é convocado ao escritório de um mestre-cervejeiro.  O evento, na Tarantino, será gratuito, mas terá limite de público.

Growler Day da Landel
A latinidade estará em alta na tap house da Landel neste sábado (9), a partir das 11 horas. Será dia de Growler Day Latino e de lançamento de mais um rótulo da marca, a Too Lazy. Além dela, as torneiras estarão abastecidas com outros nove chopes frescos. No happy hour estendido – até as 17h – chamado de a “Hora Vira-Lata”, a cada dois chopes, o cliente ganha um do mesmo tamanho. Para harmonizar, em parceria com o Bentos Burger, será servido chivito, um lanche típico uruguaio.

Evento da Madalena
A Cervejaria Madalena realiza, neste fim de semana, o Steak Pork Festival, com início às 17h na sexta-feira e começo às 12h no sábado e no domingo, no Paço Municipal de São Bernardo do Campo. O evento oferece diversão, música, gastronomia variada e vários estilos de chope em um espaço pet friendly, além de área kids com brinquedos, como infláveis e cama-elástica. Uma das principais atrações que a Madalena oferecerá no evento é a degustação de cerveja em voo cativo de balão a 20 metros de altura. 

2ª edição do Panelaço Burgman
A Cervejaria Burgman abrirá as suas portas em 23 de julho para a realização da segunda edição do Panelaço, evento que reúne homebrewers e equipe da fábrica para um campeonato de cervejas caseiras, contando com um corpo de jurados e convidados. No encontro, além da produção das cervejas, haverá o intercâmbio de conhecimentos e bate papo com o mestre-cervejeiro da marca, equipe e convidados. Para essa edição, além do campeonato, haverá mais uma novidade: a Burgman e seus parceiros oferecerão os insumos para a fabricação das cervejas a serem produzidas por cada equipe. Assim, todos contarão com a mesma qualidade e frescor nos insumos. O valor da inscrição é de R$ 110,00 por pessoa, com pagamento antecipado.

Festival Gastronômico de Pomerode
O Festival Gastronômico de Pomerode (SC) se iniciou na quinta-feira (7) e irá até 24 de julho, voltando a ocupar a agenda depois de dois anos. Em sua 16ª edição, o evento apresenta o tema Sabores de uma Rota Premiada. Cada um dos 12 restaurantes participantes criou um prato a partir das referências das famílias que vivem na Rota do Enxaimel. Além dos pratos, o espaço conta com cartas de vinhos, cervejas artesanais e drinques, além do Glühwein, vinho quente aromatizado com especiarias. O ingresso custa R$ 10,00, com moradores de Pomerode não pagando de segunda a quarta-feira.

Premiação ao Science of Beer
O Instituto Science of Beer ganhou o prêmio Inovação Catarinense, promovido pela Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado. A premiação foi na categoria Inovação em Produto: design industrial, sendo dado pela criação do Aroma Sensory Training, um kit para educação sensorial que se destacou na recuperação de olfato e paladar para pacientes pós-Covid. A tecnologia foi desenvolvida por um time de cientistas e designers comandados por Amanda Reitenbach, CEO do Science of Beer.

Jurados da Copa Cervezas de América
A organização da Copa Cervezas de América revelou os nomes dos jurados responsáveis por avaliar e definir as melhores cervejas da etapa nacional brasileira, que será disputada em Porto Alegre, nos dias 5, 6 e 7 de agosto. Os medalhistas se habilitarão para a grande final da competição cervejeira, que, em 2022, será realizada no Chile. Além disso, para garantir a isonomia e o padrão nos processos de avaliação e julgamento, a organização promoverá um tour com oito jurados, entre eles os juízes diretores de cada etapa: Daiane Colla, Estevão Chittó, Jennifer Talley, Leo Ferrari, Leo Caiafa (juiz diretor da etapa chilena), Nacho Curto (juiz diretor da etapa argentina), Peter Bouckaert e Richard Toro. Esse grupo de trabalho estará em Porto Alegre; na sequência, seguirão para Mar del Plata, nos dias 8 e 9, e finalizarão o julgamento das etapas nacionais em Valdivia, de 12 a 14 de agosto

Circuito Cervejeiro de Corrida em Nova Friburgo
Os atletas cervejeiros poderão participar de mais uma etapa do Circuito Cervejeiro de Corrida em 30 de julho. Será a sétima vez que a corrida acontece em Nova Friburgo, mas a primeira no Nova Friburgo Country Clube. Na prova, os participantes correm alguns quilômetros fazendo paradas estratégicas para degustação de cervejas. Para o Circuito Cervejeiro de Corrida, a Ranz, integrante da Rota Cervejeira RJ, está preparando uma cerveja nova, exclusiva e com terroir friburguense. A inscrição deve ser feita pelo site do Circuito Cervejeiro de Corrida.

Black Princess e barbeiros
A cerveja Black Princess será a patrocinadora oficial da Barber Week, evento que será realizado em São Paulo no domingo (10) e na segunda-feira (11). O encontro reunirá barbeiros profissionais, nacionais e internacionais. Serão 70 marcas expositoras e 100 workshops sobre avanço de técnicas, novidades e lançamentos de produtos, equipamentos e móveis. São esperados mais de 20 mil visitantes.

“Sonho de consumo”, Barley Wine conquista mercado como cerveja comemorativa

O período de reaquecimento do setor cervejeiro vem levando algumas marcas a ampliarem o portfólio de rótulos oferecidos ao consumidor. Essa busca pela multiplicidade de opções tem coincidido com a produção de estilos até então menos usuais, como o Barley Wine, algo realizado, em algumas situações, para marcar datas comemorativas, mas também pelo desejo de se trabalhar com cervejas envelhecidas.

Especialistas ouvidos pela reportagem do Guia confirmam essa maior aceitação da Barley Wine pelos consumidores e pelas marcas, ainda que esse estilo tenha um custo de produção mais elevado.

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“Pode ser uma conjunção de fatores: é um estilo que tem muita identificação com o inverno; é um estilo elegante, que pode ser feito como um rótulo comemorativo; é uma ótima base para cervejas envelhecidas em madeira e cada vez mais as cervejarias se voltam a essa categoria de cervejas que passam por barricas”, afirma a jornalista e sommelière de cervejas Fabiana Arreguy. 

Para Sady Homrich, engenheiro químico, cervejeiro e baterista da banda Nenhum de Nós, a sofisticação proporcionada pela receita deste tipo de rótulo atende aos desejos de um mercado consumidor cada dia mais exigente. “O equilíbrio e complexidade desse estilo têm ganhado adeptos que, de certa forma, já passaram pelos superlativos trazidos pela escola americana e querem outro tipo de experiência”, opina.

A complexidade e a sofisticação da Barley Wine também são citadas como atrativos das cervejas desse estilo, como aponta Samuel Cavalcanti, CEO da Bodebrown, marca que produz rótulos dessa variedade há oito anos.

“A primeira cerveja da série envelhecida em madeira da Bodebrown foi a Double Perigosa Wood Age Series Cabernet Sauvignon 2014, que vendeu toda a sua produção de 3 mil garrafas em poucas semanas. Criamos estas cervejas pensando num consumo ‘sem pressa’. São bebidas que podem ser apreciadas daqui a cinco, dez ou 15 anos, bastando serem armazenadas em adega, a 12ºC. São cervejas complexas e estruturadas, que vão ganhando sabor com o tempo”, ressalta.

Nos últimos meses, algumas cervejarias se voltaram para o estilo Barley Wine no momento de apresentarem novidades ao mercado, como a Cia de Brassagem Brasil, que comemorou os seus cinco anos de existência com um novo rótulo deste estilo, e a Leopoldina, que faz parte do Grupo Famiglia Valduga e reforçou os seus laços com o mundo do vinho ao apresentar uma bebida deste mesmo tipo. Além delas, a Bodebrown e a Nacional também trouxeram ao mercado lançamentos de cervejas desta categoria.

Para Samuel, o sucesso das cervejas Barley Wine pode estar relacionado com a oferta de uma experiência de consumo desconhecida ainda por muitos amantes desta bebida. “A principal vantagem é abrir uma nova jornada sensorial, ampliando ainda mais as fronteiras do incrível universo das cervejas artesanais”, ressalta.

Na avaliação de Fabiana, embora tenha custo de produção elevado, a Barley Wine é uma ótima opção para marcar ocasiões especiais, como tem sido feito por várias cervejarias, principalmente por ser vista como um “objeto de desejo”.

“Seu custo de produção é alto e ela chega ao mercado com preços não muito acessíveis. Como vantagem eu enxergo que pode ser uma cerveja-conceito, safrada, numerada – o que acaba se tornando um sonho de consumo. Barley Wine não é uma cerveja com grande apelo de público para se tornar tendência. Acho que é um estilo que as cervejarias continuarão produzindo sazonalmente, em datas e épocas específicas”, afirma.

Já Sady avalia ser difícil ver cervejas desse estilo permanecendo fixas no portfólio de muitas marcas, especialmente por causa das suas características de fabricação.

“O custo de produção é alto, não só pelos insumos, mas também pelo tempo de maturação, ocupação de tanque e rendimento. Uma vantagem é o extenso prazo de validade e capacidade de guarda. Se a cervejaria quer agregar valor ao portfólio, OK, mas acho que funciona melhor como rótulo sazonal”, pondera.

Porém, por se tratar de um estilo de cerveja de fabricação mais refinada, a Barley Wine também é vista com um estilo cuja adoção pode ser considerada estratégica para as marcas por conferir aos seus produtores uma credibilidade em um mercado com um público cada vez mais ávido por diversificar as suas experiências de consumo. Ao mesmo tempo, coincide com o aumento do nível técnico das cervejarias. “No nosso caso, a motivação é criativa e artística, buscando ampliar as experiências sensoriais da cerveja. Isto é o que nos move”, diz o CEO da Bodebrown.

Samuel, porém, acredita que a Barley Wine pode conquistar mais espaço no mercado brasileiro diante do potencial de aproximação entre a gastronomia e a cerveja a partir das harmonizações.

Estamos há mais de 10 anos no mercado e já vemos alguns restaurantes que abriram as portas para as cervejas artesanais, com destaque para produtos especiais, como as garrafas de 750ml e os rótulos envelhecidos em madeira. Mas sentimos que ainda existe muito espaço para ser conquistado pela combinação entre pratos e cerveja – principalmente na chamada alta gastronomia. As Barley Wine têm potencial para ampliar este processo de quebra de paradigmas das cervejas artesanais

Samuel Cavalcanti, CEO da Bodebrown

O estilo
De acordo com o BJCP, considerado o principal guia de estilos do mundo, a English Barley Wine, que faz parte da família das Ales, é uma “vitrine de riqueza maltada e sabores complexos e intensos. Com corpo elevado e beirando ser mastigável, com calor alcoólico e um agradável e interessante frutado ou lupulado. Quando envelhecida, pode assumir sabores semelhantes ao do vinho do Porto”.

A sua cor pode variar de rico dourado a âmbar muito escuro ou até marrom escuro. Tem sabores de malte fortes, intensos, complexos e multifacetados, variando de notas de pão, caramelo e biscoito em versões mais claras a nozes, tostados profundos, caramelo escuro e/ou melaço em versões mais escuras. Sua graduação alcoólica varia de 8% a 12%, com o índice de amargor indo de 35 a 70 IBUs.