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Com 2ª cerveja em 7 meses, Rush é mais uma banda a se aventurar no setor

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Uma das principais bandas da história do rock, o Rush acaba de lançar, em parceria com a canadense Henderson Brewing Co., uma cerveja, a Moving Pitchers. Com o nome inspirado no clássico disco Moving Pictures, que completou 40 anos de seu lançamento em 2021, o rótulo está sendo produzido em uma quantidade limitada, possui teor alcoólico de 11,9% e serve para ampliar a tradição de bandas clássicas que já lançaram cervejas especiais.

Com um toque de vinho Pinot Noir e notas de uvas bordô, maçã e lichia em sua composição, a nova cerveja do Rush é uma Blond Ale que segue a tradicional receita belga, tendo sido lançada em 24 de março, em Ontário, no Canadá. O país da América do Norte é o de origem do célebre “power trio” que era formado por Geddy Lee (vocalista e baixista), Alex Lifeson (guitarrista) e Neil Peart, lendário baterista morto em janeiro de 2020.

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Essa é a segunda cerveja lançada pelo grupo em sete meses, depois de a banda ter apresentado, no fim de agosto passado, a Rush Canadian Golden Ale, também fruto de um acordo colaborativo com a Henderson Brewing. O novo rótulo, a Moving Pitchers, reproduz a imagem de um arremessador de beisebol ao fundo. Em primeiro plano, há uma caneca cheia de cerveja sobre um skate que está de frente para o esportista. A arte estampada na garrafa foi produzida por Hugh Syme.

Já a Rush Canadian Golden Ale, outra cerveja em edição limitada, trouxe em seu rótulo o famoso emblema “Starman”, retratado pela primeira vez na contracapa do álbum 2112, de 1976, que foi o quarto de estúdio da banda canadense.

A cerveja Moving Pitchers chega ao mercado pouco antes de o Rush lançar, no próximo dia 15, uma reedição especial de 40 anos do álbum Moving Pictures. Ao comentar o fato, o grupo brincou que a nova cerveja estará disponível aos fãs “em todo o Canadá a tempo de tomarem uma gelada” enquanto ouvem a versão comemorativa do disco de 1981, que contém as clássicas “Tom Sawyer” e “Limelight” entre as suas sete músicas. Tom Sawyer, aliás, ganhou ainda mais notoriedade ao ser escolhida como trilha do seriado Profissão Perigo, estrelado pelo personagem MacGyver, naquela década.

“Quando começamos este projeto, estávamos realmente empolgados em criar a cerveja perfeita para depois do show. Mas depois de passar um tempo trabalhando com a Henderson (Brewery), descobrimos muitos estilos e sabores para produtos adicionais mais complexos”, ressalta o guitarrista Alex Lifeson, que também é cientista de cerveja. “Levamos o teste de sabor muito a sério”, completa Geddy Lee, vocalista que é outro amante desta bebida.

Cerveja do Iron Maiden inspirou lançamentos do Rush
O Rush começou a lançar cervejas anos após um fato ocorrido durante a R40 Tour, turnê da banda realizada entre maio e agosto de 2015. Na ocasião, depois de um show do trio canadense, Geddy Lee experimentou uma garrafa da The Trooper Ale, rótulo criado pelo Iron Maiden, e perguntou, em tom de brincadeira, quando o seu grupo teria uma cerveja própria. E ali foi plantada uma semente que depois resultou nas criações da Rush Canadian Golden Ale, em 2021, e agora da Moving Pitchers.

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A Trooper foi lançada pelo grupo britânico de heavy metal melódico após uma parceria com a cervejaria Robinsons, do Reino Unido. E a banda possui dez rótulos de diferentes estilos, entre os quais uma cerveja chamada Brasil IPA, que tem baixo amargor, com notas sutis de cacau, chocolate branco e manga, tendo sido produzida no país em parceria com a curitibana Bodebrown. Antes disso, a formação liderada pelo vocalista Bruce Dickinson fabricou, em colaboração com a cervejaria escocesa Haviestoun, uma English Strong Ale batizada com o nome da canção The Number of the Beast, que continha 6,66% de teor alcoólico.

Confira outras bandas clássicas que lançaram cervejas especiais:
Queen – O lendário grupo britânico lançou a Bohemian Lager em 2015, então produzida em comemoração aos 40 anos da música Bohemian Rhapsody. Produzida na República Checa, ela é uma Pilsen com 4,7% de álcool e tem estampado no rótulo o símbolo original do grupo, que foi criado por Freddy Mercury quando o vocalista, morto em 1991, cursava design gráfico na Ealing Art College, de Londres.

AC/DC – Se o Iron Maiden ostenta dez rótulos com o nome da banda, o clássico grupo australiano também já lançou várias cervejas especiais. Uma delas foi a Back in Black, uma Black India Pale Ale que carrega o mesmo nome da clássica música da banda e do álbum que é o disco de rock mais vendido da história. Os australianos também já trouxeram ao mercado a AC/DC German Beer Australian Hardrock, em 2012, quando completaram 40 anos de carreira, e depois rótulos premium inspirados nos álbuns Rock or Bust (2014), Power Up (2020) e High Voltage (1976), estes dois últimos frutos de parcerias com as cervejarias KnuckleBonz e Calicraft Brewing Company.

Kiss – A mítica banda norte-americana lançou, em 2011, uma German Pilsner com teor alcoólico de 4,7% e batizada como Destroyer, mesmo nome do disco clássico do grupo, de 1976. A cerveja foi produzida pela sueca Rewine, também responsável por um vinho que carrega o nome do Kiss.  

Metallica – Outra clássica banda de rock que se aventurou no mundo cervejeiro é o Metallica, que em 2019 lançou a Enter Night, rótulo produzido em colaboração com a norte-americana Stone Brewing e cm seu nome inspirado no clássico Enter Sandman, do Black Album, de 1991. Com 5,7% de teor alcoólico, ela é uma Pilsen lupulada que se tornou a segunda cerveja lançada pelo grupo. A outra, batizada com o próprio nome Metallica, foi apresentada em 2015 sendo feita na fábrica da Labatt, subsidiária canadense da AB InBev, em uma edição limitada que ocorreu após parceria com a Budweiser.

Pearl Jam – Outra grande banda do cenário do rock que já lançou sua própria cerveja é o Pearl Jam. Em 2011, em comemoração ao aniversário de 20 anos do clássico disco Ten, o grupo apresentou a Twenty Faithfull Ale, que também faz referência à música Faithfull, do álbum Yield, de 1998. O rótulo foi fruto de uma parceria com a cervejaria norte-americana Dogfish Head, cujos representantes qualificaram a encorpada Golden Ale, de 7% de teor alcoólico e groselha entre os ingredientes de sua receita, como uma cerveja “forte como o som da banda” liderada por Eddie Vedder.

Angra – Uma das maiores bandas brasileiras na cena do heavy metal melódico mundial, o Angra acumula um histórico de lançamentos de cervejas durante a sua trajetória. Primeiro em 2013, para comemorar os 20 anos do disco Angels Cry, o grupo apresentou dois rótulos: um de mesmo nome do álbum e outro chamado Holy Land, ambos fabricados pela cervejaria Bushido. Oito anos mais tarde, em 2021, para festejar as 3 décadas de existência, a banda trouxe ao mercado mais dois rótulos, estes produzidos em uma colaboração com a Cerveja Coruja, de Forquilhinha (SC). São uma Lager e uma IPA, que nos adesivos que as identificam em garrafas long neck contam com elementos dos álbuns que marcaram a história do Angra.

Sepultura – Esse é outro grupo brasileiro que conquistou grande sucesso no exterior e acumula experiências no mercado cervejeiro. Em 2009, a banda lançou o seu primeiro rótulo, chamado de Sepulweiss, que traz banana e cravo em sua receita e tem 4,5% de teor alcoólico. Depois disso, em 2014, quando completou 30 anos, comemorou a data com o lançamento da Sepultura Ale, com sabor frutado e 4,8% de álcool. Ambas as cervejas são fabricadas pela Bamberg, de Votorantim (SP).

Motörhead – Essa é mais uma banda de rock pesado que tem na sua biografia o lançamento de uma cerveja. Trata-se da Bastards Lager, apresentada em 2012, depois de o grupo já ter entrado no mercado de bebidas com o vinho Motörhead Shiraz e com a Motörhead Vodka. O rótulo cervejeiro foi lançado pela empresa sueca Krönleins e conta com 4,7% de teor alcoólico dentro de uma receita de malte leve em uma Lager fresca e frutada.

Homenagens para bandas e artistas famosos
Além das cervejas lançadas pelas próprias bandas, há vários casos de bebidas que surgiram para homenagear famosos grupos ou artistas do rock. O Deep Purple, por exemplo, foi reverenciado com o rótulo Smoke on the Water, cujo nome é o mesmo de um dos maiores clássicos compostos pelos lendários roqueiros ingleses. É uma Smoked Porter Ale, produzida pela cervejaria Küd com malte defumado. Ela tem 8% de teor alcóolico e traz no rótulo uma partitura com as notas do conhecido riff inicial da canção, que faz parte do disco Machine Head, de 1972.

Outra grande banda que já foi homenageada com uma cerveja artesanal é o Ramones. O rótulo Blitzkrieg Hop, cujo nome foi dado em alusão à música Blitzkrieg Bop, que abre o álbum lançado pelo grupo em 1976, é uma American India Pale Ale. Esse rótulo da RockBird Craft Brewery possui 8,1% de teor alcoólico, possui coloração cobre avermelhada e tem receita inspirada nas cervejas extremas norte-americanas.

Uma outra canção clássica do rock que se tornou nome de cerveja é Purple Haze, de Jimi Hendrix, lendário guitarrista que morreu com apenas 27 anos e foi homenageado com este rótulo da Abita Brewing Company. Trata-se de uma bebida de trigo, com 4,2% de álcool, do estilo American Wheat Beer, que contém na receita purê de framboesa, ingrediente adicionado após o processo de filtração da cerveja.

Assim, ao lançar um novo rótulo, o Rush não só está agradando aos seus fãs que são apreciadores desta bebida. O lendário grupo também amplia uma tradição que conecta o rock com o mundo cervejeiro, que tem milhões de amantes do estilo musical que não dispensam o hábito de tomar uma bebida enquanto curtem o som de suas bandas preferidas.

Artigo: Fòrum Gastronòmic reuniu estrelas para reforçar reativação do setor em Girona

*Por Andreia Gonçalves Ribeiro

Cristiano Ronaldo, Messi e Mbappé. Frank Sinatra, Aretha Franklin e Miles Davis. Rihanna, Beyoncé e Lady Gaga. Steven Spielberg, Scorsese e Tarantino. Bom, seja qual for o seu universo, é fácil apontar um trio que seja de grandes estrelas de grandes temas, mesmo que esse não seja, necessariamente, nosso mundinho. Futebol, música e cinema flutuam sobre nossas cabeças, não importa onde estamos. E por que não a gastronomia? Esta que também está no noticiário, nas redes sociais, nos memes, na mesa do bar… Certamente, a porção que acompanha a sua cerveja foi inspirada em alguma criação anterior. Ou, no caso do Brasil, no nosso patrimônio alimentar e nas tradições culinárias desde os tempos da avó.

Porém, quando o assunto é a cena da culinária mundial as referências que passeiam em nossas cabeças são caçarolas francesas, fornos italianos, temperos orientais… Não é necessário sair das terras mediterrâneas para chegar aonde esse texto quer te levar. Ali, na fronteira do nordeste da Espanha com a França, está a Catalunha. Terra que produz cavas, mar que inspira arte, o berço da gastronomia molecular inovadora de Ferran Adrià. Daquela cozinha que se agarra às saias da mãe para sorver tudo o que a tradição pode oferecer.

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Agora, estamos em Girona, considerada por muitos a Capital da Gastronomia. E, mesmo que o título tenha validade de três dias (para os mais recalcados ou para qualquer um em seu direito de contestar), não há lugar que reúna mais gente prodigiosa em um só momento como o Fòrum Gastronòmic. Os craques, os caras, as mina, os p* da galáxia, todos juntos.

É com essas informações em mente que apresento um resumo do que ocorreu na semana retrasada. Intensa, cheia de sensações, cores, sabores… E, por que não dizer, coisa de cinema? Ou “música para os meus ouvidos”? Enfim, Girona batendo um bolão na área da gastronomia.  

O evento
O Fòrum Gastronòmic é um evento criado com o intuito de analisar o que se passa na atualidade da arte culinária e apresentar as tendências da gastronomia, porém, a partir de diferentes pontos de vista. Nos três dias em que se celebrou no Palau de Fires e no Auditori de Girona, o congresso trouxe não só os grandes nomes dos restaurantes estrelados, mas reuniu ainda profissionais, fornecedores de matéria-prima, restauradores, estudantes e clientes, aficionados e, perdoados, gente que só foi para comer e tirar foto.

Debates, palestras, show cookings, concursos, demonstrações culinárias, apresentações de teses e uma feira com mais de 120 expositores, divididos em 7.000 m2. Uma retomada depois de tempos duros para o mercado, com possibilidade de novos negócios, de contatos, de um brinde.

A tônica do evento é ouvir diferentes vozes para saber o papel de cada um nesse cenário em um mercado que foi tão afetado com a pandemia. O último Fòrum Gastronòmic havia sido em 2019, com sua primeira edição tendo ocorrido no final dos anos 1990. E, atualmente, outras capitais, como Barcelona, o recebe. Adiado outras duas vezes, pôde ser realizado, sem tantos riscos.

“Celebridades” e atividades
Nesta edição, segunda e terça (14 e 15) tiveram jornadas dedicadas ao mundo profissional, com convidados que representavam a gastronomia que participaram de diálogos e debates sobre os mais variados temas. A organização dividiu cinco temas, Bacus (vinhos e bebidas no geral), Culinária, Doce, Empresa e Sala. No entanto, como participante, a visão é um pouco diferente.

Abertas as portas no domingo (13), o Fòrum Gastronòmic trouxe a estrela do programa MasterChef da Espanha Jordi Cruz, que apresentou o conceito de “cozinha estrambótica”, ao lado do artista Quim Hereu, seguido por Ada Perallada, com uma apresentação mais do que importante sobre o reaproveitamento de alimentos.

O auditório sediou sessões sobre os horários e a jornada intensa do setor e um debate sobre a mudança geracional à frente de restaurantes e empresas do segmento gastronômico. Neste, a participação da única mulher com sete estrelas no currículo, Carme Ruscalleda. O consumo halal, também veio como tema de grande fator de crescimento econômico e inclusão.

A palestra magna, que era o grande momento do evento na segunda-feira (14), reuniu Massimo Bottura, chef da Osteria Francescana de Módena, Mauro Colagreco, do Mirazur de Menton, e Joan Roca, do El Celler de Can Roca. Eles debateram sobre a cozinha como ferramenta para consciência social e transformação ambiental.

Há um ano, após momentos difíceis que apertaram ainda mais os laços de amizade desses grandes mestres, eles se reuniram para celebrar a vida. Os três realizaram um grande jantar para arrecadar fundos para a Unidade de Neurocríticos do Hospital Josep Trueta de Girona.

Terça-feira foi dia de apresentar as inovações do trio à frente do restaurante #5 do mundo, Mateu Casañas, Oriol Castro e Eduard Xatruch, do Disfrutar, de Barcelona. Eles também são sócios do Compartir, de Cadaqués, cidade litorânea toda branquinha, que rendeu inspiração para muitos artistas que tinham ali suas casas de verão e onde está o Museu Casa de Salvador Dalí.

No último dia, com alta ocupação no auditório, os diálogos foram em torno da criatividade e negócio, sobre a valorização da figura dos profissionais de sala, sobre o mundo do vermute, se encerrando com Paco Pérez, do dois estrelas Miramar.

Debates
Uma lista de profissionais de primeira enfrentaram debates conduzidos por jornalistas. Desde as necessidades estruturais do setor até “o glamour na gastronomia” foram temas colocados na roda. Nesse, participou Raül Ballam, filho da chef Ruscalleda, que já soma duas estrelas e levou a sua cozinha para o Japão. Entre os mais interessantes, o papel dos críticos gastronômicos e criadores de conteúdo que amplia a possibilidade de opiniões, favoráveis ou não, chegarem ao público.

Benvingut a Pagès” é um projeto que coloca a agricultura em contato direto com o consumidor, em jornadas de visitas aos sítios e granjas locais durante uma semana. Mais um coletivo que recebeu destaque. Os agricultores puderam debater a importância do primeiro setor e falaram da experiência dos produtores ao longo do ano. E, já se ancorando a uma das receitas-estrela do congresso, rolou uma degustação de cheesecakes acompanhados de destilados.

Pela primeira vez
A novidade da edição 2022 foram os “monográficos”, encontros de especialistas durante todo um dia para adentrar em um produto e esmiuçar um conceito. Os três eleitos foram o steak tartar, o cheesecake e o chocolate. Apresentações que “desconstruíam para construir”. O saber do manejo do rebanho, o cuidado na maturação da carne, o corte, a condimentação, a maneira de preparar o prato já na mesa do cliente. Uma viagem.

O Bean to bar, ou seja, o chocolate desde o ponto zero, foi no último dia, com a presença de Jordi Roca e equipe da Casa Cacao. Para saber mais sobre ele, tem episódio especial na quarta temporada de Chef’s Table, na Netflix. Para os interessados em cada tema, pela programação é possível pegar os nomes e partir em viagem para conhecer mais sobre essa delícia.

Eu quero café!
Um cantinho chamado “Cafés de Autor” era onde se podia experimentar e fazer degustação guiada, uma sala que ficava anexo da sala Girona Excel·lent, que concentrou públicos maiores. Diálogos sobre criatividade, tosta, sabores, origem.

Concursos
Ainda rolou o Concurso Melhor Sommelier da Catalunha, prêmio conferido a Joan Anton Colet, do restaurante El Cigró d’Or de Vilafranca del Penedès, e de melhor steak tartar, dado ao restaurante Divinum. Outro concurso foi o de Melhor Xuixo do Mundo, uma massa folhada recheada com creme catalão. Frita, passa no açúcar e bota para gelar. Mas daí vai a criatividade. Há recheios de maçã, de bebidas locais, de chocolate… Daquelas coisas que se há de provar quando se viaja para o lugar. Ganhou uma confeitaria de L’Escala, a Juhé, e no fim de semana seguinte já enfrentou filas, tendo que aumentar a produção do doce em 10 vezes.

Outra disputa foi a de melhor startup das que apresentaram suas ideias no S[Pitch] Corner e na sala de Debates. A vencedora foi a venezuelana Yummy, um aplicativo de entrega compartilhada que já recebeu algumas boas dezenas de milhões de investimentos. Gente jovem, disposta, conectada com a sustentabilidade e com as demandas que criam tendências.

E a cerveja?
Como nossa filósofa contemporânea Anitta que sempre planta sua pergunta para reflexão, “pensaram que eu não ia rebolar…?”, teve cerveja. E foi justamente do banco de startups que saiu a Brebel, um projeto “beeractivista” que destina 10% a projetos sociais. Xavier Ramón e Héctor Puig, o cervejeiro e o cara do design, compõem a dupla que investe seus conhecimentos, causas e valores nos projetos. Da consciência contra o desperdício e baseando-se na reutilização de pão como parte do malte, sai uma Bohemian Pilsen sem glúten muito límpida e fresca. Buscando sempre fazer cervejas leves, entre as escuras sai uma Stout colaborativa com o chocolatier Ivàn Pascual, do Origen Bean to Bar, de Lleida, que também participou e se apresentou no Fòrum Gastronòmic. E, para quem teve sorte de encontrar o momento certo, uma IPA sem álcool era uma das receitas interessantes para se provar.

Na outra ponta, Saison e Belgian Blonde Ale. Jordi, da Cervesera Minera, é um anfitrião em feiras. A Minera tem esse nome porque está em terras onde antigamente havia uma mina e, até 2018/2019 ainda era possível fazer uma caminhada bucólica, conhecer o patrimônio de Sant Joan de les Abadesses e degustar as variadas cervejas. Brindes harmonizados com produtos e pratos da região. O projeto segue firme. E se tem feira, tem Jordi e tem Minera. Entre outras, a Wee Heavy Wood Aged com ratafia é um sucesso. Sabor local, produto local e com apoio do Girona Excel.lent, impulsor e promotor dos produtos das comarcas gironinas.

Por falar em impulso, o patrocinador master do evento era a Estrella Damm. Em seu espaço, foram servidas tapas com cervejas na pegada certeira para os “consumidores de entrada” (como frequentemente se escuta sobre quem está descobrindo sobre as artesanais). A exemplo da Complot IPA – lançada no FGG de 2018 -, da Inedit e da Malquerida, as últimas elaboradas em parceria com os irmãos Albert e Ferràn Adriá, a rainha da festa foi a Duet Damm.

A marca industrial de cervejas é a mais presente nos restaurantes estrelados e tenta estar, cada vez mais, ligada à gastronomia. O Fòrum Gastronòmic foi a oportunidade de lançar a receita criada junto aos irmãos do Celler de Can Roca. Nesse caso, mais especificamente com o sommelier Josep e sua fiel equipe escudeira, como Bernat Guixet, um feiticeiro no quesito concepção de bebidas.

A Duet é uma Sour com garnatxa branca, cepa de uva originária da Catalunha. O dulçor no aroma remete àquela caixa de uva de madeira que se comprava na época de Natal… E ainda convidaram um coletivo de chefs Michelin para servir o espaço vip, chamado Cuina d’Empodarnet. Marisco, canelone de vitela com bechamel, um espetinho “mar e montanha” (nada mais local aqui que isso) com polvo e barriga de porco e molho de chilli… Daqueles momentos que o mundo para, você fecha os olhos, nem escuta, só sente.

Para fechar o ciclo cerveja no Fòrum Gastronòmic 2022, quatro ex-alunas da Universitat de Girona, apresentaram suas teses. Convidadas pela Càtedra de Gastronomia Sant Antoni i Calonge que tem como presidente o doutor honoris causa e chef Joan Roca, a cadeira oferece bolsas de estudos para alguns estudantes do mestrado em Turismo Cultural Gastronomia. Uma oportunidade única para mulheres na ciência. E houve um “rompimento” com a tradição vinícola que se respira na atmosfera da gastronomia.

A pesquisa dessa autora que vos escreve, Andreia Gonçalves Ribeiro, apresentou respostas sobre a possibilidade de se fazer do turismo cervejeiro um produto turístico factível na Catalunha, sob o ponto de vista dos próprios cervejeiros. O tema gerou bastante discussão e foi gratificante ver o interesse das pessoas sobre algo que provoca muitos questionamentos, ainda é desconhecido e suscita a possibilidade de desdobrar investigações.

Sendo a única brasileira entre os 129 palestrantes do evento, aproveito esse espaço para agradecer à Càtedra de Gastronomía da UdG pela seleção do trabalho entre tantos outros, pela oportunidade e pelo convite. E ao Fòrum, por receber tão bem e dar a chance de viver a honra de “compartilhar o palco” com tantas estrelas. A mineira que vos escreve ficou muito feliz.

Reflexão
Enfim, o Fòrum Gastronòmic é uma jornada dedicada aos profissionais da cozinha. Cozinheiros, garçons, sommeliers, confeiteiros, padeiros, queijeiros, charcuteiros, maitres… E como diz o texto final da feira, é “um cartaz de luxo com profissionais de todas as áreas que mostrou que o setor gastronômico encara o futuro com energia e força renovadas”.

A intenção de mostrar um pouco do que se passou no Fòrum Gastronòmic é para fermentar ideias. A reflexão que se traz a partir deste texto é a de que é possível não só sobrepor, mas fazer com que as diferentes cadeias da gastronomia se sintam aptas a realizar eventos assim em terras brasilis. A visão de que as camadas estão intrínsecas para se chegar ao resultado é mais do que necessária. Propriedades, altos cargos, egos, prêmios, marcas, estrelas, formação, nada disso vale se não se desce do pedestal para entender como chegar ao topo da pirâmide. E não é possível fazer acontecer sozinho. De baixo para cima? Não, é cíclico. E é isto que esse fórum traz em conta. Gastronomia, para uns é glamour e sucesso. Mas em momento algum deixa de ser cozinha, trabalho e, claro, muita dedicação, tempo e afeto.


*Andreia Gonçalves Ribeiro é mestra em Turismo Cultural Gastronômico e em Patrimônio, pela Universitat de Girona. Sommelière de cervejas pelo ICB e sommelière bartender pela ABS-SP. Mineira e atleticana – caipira hooligan – pesquisa sobre a cerveja e seus fenômenos na Catalunha, onde também estuda Antropologia. Se deixar, “só toma azeda” e tem queda assumida pelas cervejas belgas.

Heineken e Carlsberg saem definitivamente da Rússia e ampliam êxodo na guerra

O êxodo de empresas ocidentais do território russo após a invasão da Ucrânia pelo país aumentou nesta segunda-feira. O Grupo Heineken e a Carlsberg anunciaram a decisão de deixarem o país menos de três semanas depois de paralisarem as atividades na Rússia.

Em tom de reprovação pela iniciativa dos russos em seguir com a invasão do território da Ucrânia, a multinacional holandesa disse estar “chocada e profundamente decepcionada” ao ver o conflito “continuar a se desenrolar e a se intensificar”

O Grupo Heineken também revelou que o fim de suas operações na nação governada por Vladimir Putin também lhe representará um prejuízo de 400 milhões de euros (aproximadamente R$ 2,098 bilhões), valor relativo aos custos para poder encerrar de vez os vínculos comerciais que mantinha no país.

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“Não lucraremos com qualquer transferência de propriedade e esperamos uma perda por depreciação e outros encargos excepcionais não monetários de aproximadamente 0,4 bilhão de euros no total”, ressaltou o Grupo Heineken.

A companhia lembrou que, anteriormente, havia optado por interromper novos investimentos e exportações para a Rússia, encerrando a produção, venda e publicidade da marca Heineken e anunciando que não aceitaria nenhum benefício financeiro líquido ou lucro dos seus negócios no país.

Agora, porém, diante do cenário proporcionado pelo governo russo, considerou inviável a possibilidade de continuar com as atividades no país. “Concluímos que a propriedade do negócio da Heineken na Rússia não é mais sustentável nem viável no ambiente atual. Como resultado, decidimos deixar a Rússia”, ressalta a cervejaria.

O Grupo Heineken iniciará, assim, um processo de transição para encerrar suas operações na Rússia. “Nosso objetivo é uma transferência ordenada de nossos negócios para um novo proprietário em total conformidade com as leis internacionais e locais. Para garantir a segurança e o bem-estar contínuos dos nossos colaboradores e minimizar o risco de nacionalização, concluímos que é essencial continuarmos com as operações recentemente reduzidas durante este período de transição”, afirma.

A companhia também fez uma promessa aos funcionários que trabalham para a empresa na Rússia e agora se veem próximos de ficar sem as suas ocupações na multinacional. “Garantimos que os salários de nossos 1.800 funcionários serão pagos até o final de 2022 e faremos o possível para proteger seu emprego futuro”, diz.

A empresa operava no país desde fevereiro de 2002, sendo que atualmente possui oito fábricas no país, onde também vinha figurando com a presença de 30 marcas do seu portfólio. O Grupo Heineken era, até agora, o terceiro maior grupo cervejeiro da Rússia, atrás da Carlsberg e da AB InBev em participação.

Saída da maior da Rússia
Por sua vez, a Carlsberg ainda não contabilizou o impacto financeiro da sua saída da Rússia, mas ele tende a ser ainda maior do que o do Grupo Heineken. E também citou o conflito no Leste Europeu como razão para a sua saída.  “Tomamos a difícil e imediata decisão de buscar a alienação total de nossos negócios na Rússia, o que acreditamos ser a coisa certa a fazer no ambiente atual. Após a conclusão, não teremos presença na Rússia”, anunciou.

Ao anunciar a sua saída, a Carslberg não ofereceu maiores detalhes de como se dará esse processo. “Como resultado dessa decisão, nossos negócios na Rússia não serão mais incluídos na receita e no lucro operacional do grupo. Do ponto de vista contábil, o negócio será tratado como um ativo mantido para venda até a conclusão da alienação”, acrescenta.

A Carslberg é líder no mercado russo com uma participação de 27%, por ser proprietária da maior cervejaria do país, a Baltika. No ano passado, 10% da sua receita (6,5 bilhões de coroas dinamarquesas) e 6% do seu lucro operacional (682 milhões de coroas dinamarquesas) no mundo vieram da Rússia, onde possui oito fábricas e 8.400 funcionários.  

Outras ações
Iniciado em 24 de fevereiro, o conflito na Ucrânia vem provocando uma série de decisões que estão sendo prejudiciais aos russos dentro do mercado cervejeiro e em outros setores de sua economia. Uma delas foi tomada pela AB InBev, que solicitou à sua parceira no mercado local que deixe de vender e fabricar a Budweiser. A empresa é a vice-líder do mercado russo com uma joint-venture com a turca Anadolu Efes.

Outra cervejaria relevante no cenário mundial, a Molson Coors suspendeu os seus negócios por lá, em decisões que acompanharam outra série de saídas de empresas multinacionais do setor de alimentos e bebidas, como Coca-Cola, Starbucks, McDonald’s, Burger King e KFC, mas também de outros segmentos, casos de Apple, Samsung e Goldman Sachs.

Confira lançamentos realizados pelas cervejarias artesanais em março

Em março, as cervejarias artesanais apostaram na união de esforços e conhecimentos para realizar alguns lançamentos. O que se viu, afinal, foi a apresentação de novidades colaborativas ao público, como se deu com a rede Mestre-Cervejeiro, que se juntou à Everbrew para criar uma Juicy IPA.

Essa união entre cervejarias também foi motivada pela celebração do Dia Internacional da Mulher em março, mas também aconteceu em outras frentes, como no caso da Falke, que aproveitou o início de uma parceria em Belo Horizonte com o Armazém De Birra para lançar mais um rótulo da série Brasilidades.

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Confira alguns lançamentos realizados pelas cervejarias artesanais em março e selecionados pelo Guia:

Ball, Mafia e Masterpiece
A união entre a fabricante de latas Ball e as cervejarias Masterpiece e Mafia rendeu a Às Mulheres, rótulo especial em comemoração ao Mês das Mulheres. Foi o resultado de uma produção 100% feminina, desde a levedura até o envase na lata, passando pela campanha de comunicação e receita do estilo Saison, desenvolvida pela cervejeira Ingrid Matos.

Everbrew e Mestre-Cervejeiro
Já está nas franquias da Mestre-Cervejeiro.com em todo Brasil o terceiro rótulo de cervejas colaborativas, projeto exclusivo da rede com lotes limitados e de produção única. O rótulo da vez, dessa união com as cervejarias artesanais, é a Skull Master, tendo sido produzida com a Everbrew e lançada em março. Se trata de uma Juicy IPA de coloração amarelo intenso, turva, com formação de espuma e média retenção, de acordo com o descritivo. No aroma, a complexidade dos lúpulos Comet CA e Mosaic são o destaque, remetendo a frutas cítricas, pinho, maracujá, mamão e pêssego. No paladar, possui textura cremosa, amargor e dulçor extremamente equilibrados, final seco e sabores persistentes. A cerveja tem 7% de teor alcoólico e 65 IBUs de amargor.

Falke
Para marcar o início da parceria com o Armazém De Birra, em Belo Horizonte, a Falke Bier promoveu o lançamento da Maracatu, novo rótulo do Projeto Brasilidades. Essa é a quinta cerveja das 12 no total da série. Trata-se de uma Table Juicy IPA com pêssego e cumaru, com baixo teor alcoólico – apenas 3% – e a promessa de ser refrescante e frutada.

Goose Island 
No Dia Internacional da Mulher, a brewhouse da Goose Island em São Paulo promoveu o lançamento da Hop Bloom, elaborada com o lúpulo Ella, protagonista do rótulo. Do estilo Hoppy Lager, tem 5,3% de teor alcóolico e 44 IBUs de amargor. Criada pela mestre-cervejeira Marina Pascholati, a cerveja possui aroma cítrico e de frutas tropicais, coloração dourada clara e corpo leve.

Juan Caloto
A Juan Caloto lançou em março a La Cilada Del Cofre Sin Código, uma Juicy IPA com visual turvo, de amarelo palha, e com espuma de boa formação e retenção. A marca assegura que, ao abrir a lata, surgem aromas de pitanga, tangerina, laranja, pomelo e leve dank. Na boca, amargor suave, corpo extremamente aveludado. Ela tem 25 IBUs  de amargor e 7% de teor alcoólico.

Landel
No Mês das Mulheres, a Landel aproveitou um evento de poesia com as Manas Escritas para apresentar a sua nova cerveja: a Tropicália. A novidade tem receita inspirada em uma New England clássica, mas com a adição de frutas amarelas ao invés dos lúpulos de aroma. Com perfume de manga e maracujá, ela é refrescante e tem corpo aveludado e leve com teor alcoólico de 7,5% e 18 IBUs de amargor.

Lohn Bier
Ao criar um uma embalagem de 3 litros de cerveja, denominada Bier Box, a Lohn Bier aproveitou para realizar mais um lançamento: uma cerveja do estilo belga Faro, a Chateau Faro Margo. A bebida é à base de uma Blond Ale, sendo refermentada com Brettanomyces por 15 meses. Assim, de acordo com a marca, ficou levemente ácida, com notas de frutas amarelas em primeiro plano, leve especiarias, leve funk característico da presença dessas leveduras selvagens. A adição do Mel do Bioma Cerradinho foi uma contribuição do mestre-cervejeiro e professor Rene Aduan Jr., parceiro da Lohn.

Nacional e ZEV
Todo ano a Cervejaria Nacional faz questão de usar a data do Dia das Mulheres para exaltar e destacar a mulher cervejeira com o Musas de Verão. O projeto de 2022 teve a parceria colaborativa da ZEV. As musas Marina Pascholati, mestre cervejeira, Carola Carvalho, cientista, e Candy Nunes, sommelière, foram convidadas para criar um rótulo sazonal, a Queen Beea Imperial IPA. A bebida é do estilo Double IPA, tendo 8% de teor alcoólico e 80 IBUs de amargor. Apresenta coloração dourada, espuma branca, densa e cremosa, sendo levemente turva. Seu aroma traz profusão de sensações, pois essa cerveja foi fermentada primariamente por uma levedura exclusiva, isolada da abelha rainha da espécie Jataí, além de adição de mel, segundo a Nacional.

Balcão do Tributarista: A força das mulheres na tributação cervejeira

Balcão do Tributarista: A força das mulheres na tributação no mercado cervejeiro

Embora já tenha passado a data em que celebramos o Dia Internacional da Mulher, não poderíamos nos furtar de, nesta primeira coluna do ano, fazer referência a este importante marco. Não é novidade que as mulheres vêm ocupando crescente espaço no mercado cervejeiro, em diversas áreas e com inúmeras iniciativas, como bem apresentou o Guia em recente matéria.

A novidade que queremos pontuar nesta coluna diz respeito à tributação. É que através do Projeto de Lei nº 324/2022 pretende-se instituir uma redução de carga tributária para empresas que contratarem mulheres por um período de 18 meses a contar da contratação. A medida prevê que a Contribuição à Seguridade Social, hoje com alíquota de 20%, seja reduzida para 10%.

A proposta será analisada em caráter conclusivo pelas comissões de Defesa dos Direitos da Mulher; de Trabalho, de Administração e Serviço Público; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Sendo aprovada e sancionada pelo presidente da República, passará a gerar seus efeitos.

Trata-se de questão que está diretamente relacionada à atual discussão em torno da tributação de gênero. Nosso sistema tributário é marcado por distorções que oneram de forma mais pesada produtos destinados ao público feminino quando comparados com similares voltados aos consumidores masculinos.

No mercado de trabalho também são bastante conhecidos os problemas causados por esta indevida e injustificável diferenciação de gêneros. São inúmeros os estudos que apontam para a existência de obstáculos enfrentados por mulheres para colocação ou tratamento igualitário no mercado de trabalho.

Outro caso recente envolvendo a temática da tributação de gênero foi o julgamento pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a respeito da incidência de Contribuição Previdenciária Patronal sobre o valor pago à empregada à título de salário-maternidade. A decisão, proferida em regime da repercussão geral, entendeu pela inconstitucionalidade dessa tributação em razão de promover discriminação, na medida em que torna a contratação de mulheres mais cara do que a de homens.

Ainda neste julgamento, o STF sinalizou para a importância de que outras medidas contra a discriminação sejam tomadas, bem como para a necessidade de promoção de medidas de caráter positivo. Entre estas, apontou-se para a necessidade de desoneração da mão-de-obra feminina como forma de efetiva aplicação do princípio da isonomia entre homens e mulheres.

E é justamente nesta linha que o mencionado Projeto de Lei nº 324/2022 se insere. Ao criar um benefício tributário que prestigia a contratação de mulheres por empresas, reduzindo a carga tributária por um determinado período, este projeto busca trazer mais igualdade para a disputa no mercado de trabalho.


Clairton Kubaszwski Gama é advogado, sócio do escritório Kubaszwski Gama Advogados Associados, especialista em Direito Tributário pelo IBET e mestrando em Direito pela UFRGS. Também é cervejeiro caseiro.

Fabricação de latas aumenta 5,2% em 2021 e atinge 33,4 bilhões de embalagens

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Mesmo com a ausência de eventos em quase todo o ano, especialmente o carnaval, a fabricação de latas de alumínio apresentou crescimento em 2021. A expansão desse tipo de embalagem foi de 5,2% na comparação com 2020, registrando o quinto ano consecutivo de aumento da produção.

De acordo com dados divulgados pela Associação Brasileira dos Fabricantes de Latas de Alumínio (Abralatas), a indústria teve faturamento de R$ 18,3 bilhões em 2021, com 33,4 bilhões de latas consumidas no país.

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Os dados foram alcançados em um ano de desafios para a indústria. Afinal, se o consumo residencial e a compra por delivery podem, de fato, favorecer o consumo em latas, algo que tomou mais a atenção das marcas de cerveja premium e artesanais, há, também, desafios.

O ano de 2021 não contou com eventos como o carnaval e os grandes festivais musicais, com as partidas de futebol só voltando a receber público nos estádios durante o segundo semestre – e ainda com algumas restrições.

Foram os efeitos da pandemia do coronavírus, com o alastramento de duas variantes ao longo do ano, a delta, que provocou recorde de mortes no Brasil, no primeiro semestre, e a ômicron, a partir de dezembro.

“Tivemos um ano de crescimento no mercado de cervejas e nas plataformas de delivery, justamente o produto e o canal de vendas em que a lata se destaca pela segurança, praticidade e conveniência”, avalia o presidente executivo da Abralatas, Cátilo Cândido.

Para o presidente da associação, esse crescimento da fabricação de latas também está relacionado com a expansão de produtos e formatos desse tipo de envase. Afinal, se estão consolidadas em cerveja, refrigerante, energético e suco, as latas também começam a ser usadas em produtos como vinho e água.

“O brasileiro gosta da latinha e tem suas preferências, quer cada vez mais variedade de bebidas, rótulos, tamanhos e formatos. Um exemplo disso é o crescimento das latinhas mais finas, sleeks e slims, que acompanhou muito bem o bom desempenho que o mercado das cervejas premium vem performando no Brasil”, afirma.

De acordo com os dados divulgados pelo IBGE no início de fevereiro, o Brasil apresentou modesta expansão na fabricação de bebidas em 2021, de apenas 0,2%. Já a produção de bebidas alcoólicas cresceu 0,3%. Por sua vez, o volume do consumo de cerveja atingiu cerca de 14,3 bilhões de litros no ano passado, segundo levantamento da Euromonitor para o Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja, um aumento de 7,7%.

A luta de alumínio está presente no mercado brasileiro desde 1989. E, de acordo com a Abralatas, conquistou espaço de modo acelerado na última década, com aumento de 80% no consumo entre 2011 e 2021.

Essa expansão se deu pelo crescimento do mercado de bebidas, mas também pela conquista de espaço por esse tipo de embalagem em relação a outras. O Brasil, inclusive, é o terceiro maior mercado de latas de alumínio do mundo, atrás dos Estados Unidos e da China.

E há a expectativa de aumento da presença das latas em 2022, por causa de investimentos previstos. Para este ano e 2023, devem ser instaladas mais 4 novas plantas no Brasil. O total de investimentos deve chegar a US$ 1 bilhão até o próximo ano.

Bud Zero é apresentada oficialmente no Lollapalooza e amplia opções sem álcool

O público que está indo ao Autódromo de Interlagos acompanhar os shows de renomados artistas internacionais, como Strokes e Miley Cirus no Lollapalooza Brasil, encontrará uma nova opção de cerveja para consumir. Afinal, a Budweiser aproveitou o festival em São Paulo para apresentar a Bud Zero.

O lançamento da cerveja sem álcool da Budweiser coincide com a volta dos grandes festivais de música, sendo que a marca da AB InBev é uma das patrocinadoras oficiais do Lollapalooza.

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De acordo com o descritivo divulgado, a Bud Zero é feita a partir da receita original da Budweiser. Além disso, possui apenas 65 calorias na sua versão em long neck, de 330ml, e 69 calorias na latinha de 350ml. Neste fim de semana, além do Lollapalooza, a novidade também está disponível em pontos de venda em São Paulo e através do site Empório da Cerveja, com entrega em todo o país.

O lançamento da Bud Zero promete aumentar a disputa no já concorrido mercado de cervejas sem álcool, uma categoria que vem em crescimento no setor. Afinal, grandes marcas já possuem rótulos do tipo, como a Brahma, a Heineken, a Estrella Galicia e a Itaipava.

A novidade da Budweiser chama a atenção pelo baixo teor calórico, mas a primeira versão da Bud Zero, lançada em setembro de 2020 nos Estados Unidos, tinha ainda menos. Apresentada em parceria com o ex-jogador de basquete Dwyane Wade, então embaixador da novidade, o rótulo contava com apenas 50 calorias.

Bud no Lollapalooza
Agora, então, a Budweiser usa a condição de patrocinadora oficial do Lollapalooza para lançar a Bud Zero no Brasil. E essa não está sendo a única iniciativa da marca no Autódromo de Interlagos. Por lá, promove a plataforma de experiência BUDX, que reúne criadores de todo o mundo e de diferentes setores como música, artes, moda e esportes.

“Tanto o BUDX quanto Bud Zero chegam para reforçar a forte ligação da marca com as pessoas, proporcionando diversas experiências e opções de escolha para quem adora os momentos de curtição. Por isso, se a contagem regressiva para os grandes festivais chegou ao fim, nada melhor do que um espaço especial e uma Bud Zero para brindar e curtir esse reencontro com a música, para curtir o rolê do início ao fim”, afirma Carolina Caracas Gargione, chefe de marketing da Budweiser no Brasil.

Além disso, a marca lançou uma campanha publicitária, em vídeo, denominada “A Espera Acabou”. E promoveu um pocket show de Xamã na Estação Sé do Metrô de São Paulo na última quarta-feira.

Menu Degustação: Campanha beneficente da Leuven, campeonato de sommelier…

Próximo do fim, o mês de março continua agitado no mercado cervejeiro, com diferentes atrativos para os amantes da bebida. Um dos mais recentes destaques do setor é a abertura das inscrições para a sexta edição do Campeonato Brasileiro de Sommelier de Cervejas, que classificará os dez primeiros colocados ao Mundial desta profissão, na Alemanha.

Uma nova ação beneficente promovida pela Leuven, que visa arrecadar alimentos para famílias em situação de vulnerabilidade social, e a presença de seis representantes da Rota Cervejeira RJ na ExpoRio Turismo são outras movimentações interessantes do cenário cervejeiro nesta semana, assim como o pré-lançamento do Anuário das Cervejas de Santa Catarina, em Blumenau.

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Confira estas e outras novidades do setor no Menu Degustação do Guia:

Campeonato Brasileiro de Sommelier de Cervejas
A sexta edição do Campeonato Brasileiro de Sommelier de Cervejas, que será realizado nos dias 1º, 28 e 29 de maio, está com inscrições abertas. Com o objetivo de promover e valorizar essa profissão, a competição garantirá aos dez primeiros colocados o direito de disputar o Mundial na Alemanha, que também ocorrerá pela sexta vez. O campeonato de sommelier é promovido pelo Instituto da Cerveja Brasil e os inscritos precisam pagar taxa de R$ 80, que pode ser parcelada em duas vezes sem juros, no boleto ou no cartão de crédito. Mais informações aos interessados em participar do campeonato de sommelier podem ser acessadas no link.

Cervejarias da Rota na ExpoRio
A ExpoRio Turismo, evento iniciado na última quinta-feira e que termina no domingo, no Jockey Club Brasileiro, está contando com a presença de seis marcas que fazem parte da Rota Cervejeira RJ. São elas: Alpendorf (de Nova Friburgo), Mad Brew (Teresópolis), Rota imperial (Guapimirim) e Brewpoint, Sampler e Colonus (todas de Petrópolis), que ocupam espaço no Boulevard Gastronômico. De acordo com a Secretaria de Turismo e a TurisRio, a exposição conta com a participação de representantes de 50 municípios das 12 regiões turísticas do Estado. O encontro visa promover confraternização e negócios para representantes da cadeia produtiva do turismo. O acesso ao local é gratuito, por meio do preenchimento do formulário no link.

Leuven arrecada alimentos neste domingo
A Cervejaria Leuven realiza neste domingo, das 8h às 12h, a sua 5ª Campanha de Arrecadação de Alimentos. A ação beneficente ocorrerá na sua sede em Piracicaba (SP), na avenida Comendador Pedro Morganti, 4.795, no bairro Monte Alegre, onde quem contribuir com 1kg de arroz ou feijão e mais R$ 2 ganhará em troca 1 litro de chope pilsen. O número de growlers será limitado a três por carro das pessoas que fizerem as doações por meio do esquema drive thru. A marca também informou que os alimentos arrecadados serão destinados ao Fundo Social de Solidariedade de Piracicaba, que distribui cestas básicas às famílias em situação de vulnerabilidade encaminhadas ao órgão local pelos Centros de Referência de Assistência Social.

Pré-lançamento de anuário
O pré-lançamento do Anuário das Cervejas de Santa Catarina será realizado nesta sexta-feira, às 18h30, na Escola Superior de Cerveja e Malte (ESCM), em Blumenau. O autor da publicação é Jorge Mattos, empresário e investidor de cervejarias. Proprietário do Arqueiros Pub e Gastrobar Zé Perri, ele atua no cenário cervejeiro há mais de 30 anos e resolveu transformar uma pesquisa acadêmica inicial em um livro com informações sobre as marcas catarinenses. O autor coletou os dados para a obra no ano passado, quando percorreu com o seu carro um caminho no qual passou por cervejarias de todo o Estado. O lançamento oficial do livro está marcado para 4 de maio, durante o Festival Brasileiro da Cerveja, também em Blumenau.

Museu da Cerveja em contagem regressiva
Os novos administradores do Museu da Cerveja confirmaram que abriram “contagem regressiva” de 100 dias para a reabertura do local, localizado no centro de Blumenau. De acordo com eles, a previsão é de que o público possa voltar a acessá-lo a partir da última semana de junho. O espaço, atualmente cercado por tapumes, está em obras depois de serem detectados problemas em sua estrutura. E após ser reaberto para visitação em junho, o museu prevê a inauguração de uma segunda parte da obra, em setembro, que visa expandir a sua área externa e conectá-lo com a praça Governador Hercílio Luz, conhecida como praça do Biergarten. Inaugurado em 1996, o local foi concedido à iniciativa privada no ano passado e passará a ter 300 metros quadrados de área de exposição.

Three Hills na Central da Cerveja
A Three Hills agora pode ser encontrada no site Central da Cerveja. Ao divulgar esta novidade, a marca destaca que nesta plataforma é possível comprar com “diversas formas de pagamentos, cupons com descontos exclusivos e entrega ágil e de qualidade”. Para comemorar o acordo firmado com a plataforma de vendas, a Three Hills está oferecendo um desconto de R$ 2 na Session IPA Gabriela.

Porks lança 3ª unidade em BH
A rede de bares Porks confirmou a escolha do bairro Savassi como local para abrir a sua terceira loja em Belo Horizonte, onde já conta com estabelecimentos na Praça Tiradentes e no bairro Castelo. Com atrativos como dezenas de preparos de carne suína e chopes artesanais com preços de R$ 10 a R$ 22, a unidade será inaugurada neste sábado e fica localizada na rua Fernandes Tourinho, 19 – Loja 4. Mais informações sobre o novo bar da rede podem ser encontradas no perfil do local no Instagram.

Rescaldo do Saint Patrick’s Day
O Mercado Distrital do Cruzeiro, em Belo Horizonte, recebe nesta sexta-feira uma festa com a temática do Saint Patrick’s Day, celebrado em 17 de março. Esta versão mineira da comemoração do dia de São Patrício terá formato de open bar, com 7 horas de chope artesanal Krug Bier liberado, além de atrações musicais como as bandas Velotrol, CA$H e Lurex. Os ingressos estão à venda na plataforma Sympla, com preços que variam de R$ 60 a R$ 150. Esta será a quinta edição deste evento na capital mineira, sendo que em 2021 não ocorreu por causa da pandemia.

Burn Experience no fim de abril
A oitava edição do Burn Experience Festival teve a sua realização confirmada para 30 de abril, entre 13h e 20h, na Casa de Retiros São José, localizada no bairro Dom Cabral, em Belo Horizonte. O evento contará com 30 estações de churrasco e terá o formato open bar e open food, nos quais estão inclusos chopes, refrigerantes, sucos e água mineral, além de diversas opções gastronômicas. Para completar, o encontro anunciou atrações musicais: as bandas Rock Machine e Lurex, essa de tributo ao grupo Queen, e os sertanejos Yule Rocha, Renan e Rafael. As vendas de ingressos para o Burn Experience estão sendo realizadas por meio do site Central dos Eventos e na loja física no Empório Santa Isabel (av. Ressaca, 402, Coração Eucarístico).

Startups no BCB São Paulo
Maior evento de destilados premium da América Latina, a BCB São Paulo confirmou que a sua próxima edição, em 21 e 22 de junho, no Expo Barra Funda, abrirá espaço para a presença de pequenas e médias empresas (PMEs) e startups que atuam no setor de bebidas. Os organizadores confirmaram a comercialização de 100% do espaço físico da exposição, mas informam que ainda há a opção para as empresas participarem dos canais digitais do evento. Para isso, é preciso entrar em contato com a equipe comercial pelo e-mail bcb@rxglobal.com.

Campanha da AMA
A Água AMA, produto social da Ambev, está promovendo uma iniciativa que tem o objetivo de fazer as pessoas refletirem sobre a desigualdade de acesso à água potável no Brasil. Até o início de abril, a campanha digital com este rótulo da marca ocorrerá por meio dos seus canais de comunicação e embaixadores, entre os quais Raul Santiago e Astrid Fontenelle, em São Paulo. A ideia da campanha é expor mensagens que convidem o público a imaginar como seria percorrer, a pé, grandes distâncias entre pontos populares da capital paulista apenas para ter acesso à água, realidade vivida por muitos em outras cidades do país.

Ciência, pesquisas e maquinas motivam projeções de safra expressiva da cevada

Depois de registrar produção recorde de cevada em 2021, quando atingiu 434,6 mil toneladas e superou a marca anterior, de 429,1 mil toneladas em 2019, o Brasil projeta a safra de 2022 com otimismo. E os motivos para acreditar que o país voltará a contar com bons números na quantidade de grãos gerados, além de uma qualidade satisfatória deste cereal para atender ao mercado, envolvem uma produção impulsionada pela ciência e pesquisas, além da presença de maquinário de ponta.  

Especialistas ouvidos pelo Guia exaltaram a evolução que vem sendo apresentada pela agricultura do Brasil e avaliam que o país tem condições de até mesmo superar a boa safra do ano passado. Pesquisador da Embrapa Trigo, Aloisio Alcantara Vilarinho, destaca, para isso, o uso de tecnologia de ponta para produção agrícola e a evolução nos processos do cultivo e colheita da cevada já em 2022.

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“O Brasil possui hoje tecnologia de ponta para produção agrícola e essas tecnologias são usadas para a produção de cevada. Não só a Embrapa, como outras instituições no Brasil trabalham com melhoramento, disponibilizam cultivares cada vez mais produtivos, com maior tolerância aos estresses bióticos e abióticos que ocorrem com a gordura. E tudo isso favorece para que se consiga mais produtividade”, afirma Vilarinho.

Carlo Enrico Bressiani, diretor da Escola Superior de Cerveja e Malte (ESCM), também avalia que a evolução das pesquisas, da ciência e da tecnologia têm relação direta com os bons resultados da produção da cevada brasileira.  “A gente tem uma tecnologia agrícola muito forte. Nossos agrônomos e as pesquisas sobre essa questão são de ponta. E, assim, ao longo do tempo, na média, há um crescimento da produtividade do cultivo (da cevada)”, diz.

A cevada cervejeira é um cereal proveniente e adaptado às condições de temperaturas baixas, com a sua produção no Brasil ficando concentrada em estados da região Sul. A bióloga e agrônoma Adriana Favaretto, gerente de pesquisa da Ambev, aponta que o objetivo de ter uma expressiva produção de cevada, com a qualidade considerada ideal, também depende de um longo trabalho, que tem passado pelo investimento em ciência e tecnologia, além do trabalho de campo.

“Combinando os fatores genética e ambiente, felizmente tivemos uma safra de sucesso (em 2021). Vale ressaltar que o potencial genético não ocorre ao acaso, são necessários muitos anos de pesquisa e testes em diferentes ambientes para conseguir cultivares adaptadas às regiões de cultivo”, reforça.

Ela pondera, no entanto, que as condições climáticas podem ser determinantes para a qualidade do insumo nacional. “Quando trabalhamos com melhoramento genético de cultivares de cevada cervejeira, sempre buscamos o potencial genético máximo de cada cultivar. No entanto, além do fator genético, há outro que interfere no comportamento dessas cultivares no campo, que é o fator ambiente. Quando temos condições ambientais não favoráveis, não conseguimos extrair o potencial máximo de cada cultivar”, lembra a especialista.

Em meio a um panorama de busca por uma safra ainda maior da cevada em 2022 e com nível de excelência e qualidade satisfatória para o mercado cervejeiro, o Brasil tem no trabalho que vem sendo realizado pela Ambev uma das principais referências para crescer nesta área da cadeia do processo produtivo da cerveja. Adriana destaca como a ciência tem papel preponderante no trabalho da empresa.

“Nosso trabalho inicia na pesquisa, com um planejamento cuidadoso sobre as cultivares de cevada lançadas no mercado. O time comercial prepara as sementes para o produtor, recomenda manejos adequados e acompanha todo o processo produtivo. Isso certamente provoca um impacto gigante na produção de cevada no Brasil”, ressalta.

Além do investimento em pesquisa, ciência e tecnologia, o uso do maquinário de forma bem ajustada para semeadura e a colheita da cevada é outro fator fundamental para uma boa produtividade. É recomendado que o equipamento utilizado para o plantio dos grãos distribua no solo de 225 a 250 sementes consideradas aptas por metro quadrado da lavoura, sendo que a regulagem da máquina deve ocorrer de acordo com o número de sementes por metro linear, tendo em vista que o peso destas culturas poderá variar por fatores como condições climáticas, adubação e a própria qualidade da cultivar.

O ajuste adequado da colheitadeira de cevada também é fundamental para o sucesso da produção, pois é nesta fase do processo que são escolhidos os grãos considerados mais adequados para serem utilizados na malteação da cerveja. E nesta escolha o objetivo é extrair da lavoura os grãos que mais apresentem cor e cheiro característicos de palha, sendo que o indicado é realizar a colheita em dias secos e, preferencialmente, quando o teor de umidade do grão estiver abaixo de 15%, com a meta de evitar o processo de secagem artificial e a coleta de grãos ainda verdes.

Outra razão para este maquinário estar bem regulado é que também existe a necessidade de impedir perdas de grãos que podem ficar presos nas espigas, o descascamento e a quebra das sementes, assim como separar materiais estranhos que poderão prejudicar parte da qualidade da cevada colhida.

Razões para o êxito da safra de 2021
Para a gerente de pesquisa da Ambev, a safra recorde do Brasil em 2021 se deveu a diversos fatores, como a “utilização de cultivares de cevada adaptadas às regiões de cultivo, somada a boas práticas de manejo”, condições climáticas  “bastante favoráveis ao cultivo de cevada no Sul”, que foram “um ponto crucial para sobressaltar o potencial genético dos cultivares”.

E Adriana vê o atual cenário de incentivo à produção de cevada no Brasil como outro fator determinante para voltar a impulsionar uma boa safra para 2022. “A valorização e divulgação de uma política comercial atrativa para a cevada foi fundamental para incentivar os produtores quanto ao plantio e consequentemente aumento da área total. A cevada passa a ser vista como uma forma de diversificar a produção agrícola e os ganhos não são somente econômicos. Quando é inserida no sistema de produção, observam-se benefícios quanto à composição e qualidade do solo, controle de plantas daninhas e doenças, não somente nos cultivos de inverno, mas também expandindo para a sucessão dos cultivos de verão”, salienta.

Ícone sucroalcooleiro, Biagi se torna sócio da CBCA e volta ao setor cervejeiro

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O empresário do setor sucroalcooleiro Maurílio Biagi Filho vai, novamente, participar do segmento cervejeiro. O profissional, que tem em sua trajetória uma participação na sociedade da Kaiser, agora se une à Companhia Brasileira de Cerveja Artesanal, a CBCA. Afinal, o Grupo Maubisa se tornou investidor da companhia, que agrega as marcas Leuven, Seasons, Schornstein e The Drummer.

O Grupo Maubisa, com sede em Ribeirão Preto (SP), foi fundado por Maurílio Biagi Filho, empresário que fez história no setor de açúcar e álcool, além de ter se tornado sócio da Kaiser em 1983. Hoje, a holding realiza uma série de investimentos, especialmente no agronegócio, além de possuir participações em empresas de capital fechado. É, ainda, responsável por administrar o patrimônio da família Amorim Biagi. Agora, então, tornou-se sócia da CBCA.

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“Acreditamos no potencial do mercado de cervejas especiais e vislumbramos nessa parceira uma oportunidade mercadológica de crescimento, tanto orgânico com as marcas atuais, como de novas aquisições e fusões. Mais próximos da administração da CBCA, pretendemos contribuir para desenvolver ainda mais este segmento, que ano a ano vem ganhando maior espaço no setor”, afirma o diretor de investimentos da Maubisa, Roberto Biagi.

Para o CEO da CBCA, Gustavo Barreira, a parceria deve contribuir para a companhia conseguir alcançar os seus objetivos mais rapidamente.

Foram oito meses de negociações, processo de diligência e ficamos muito contentes com o resultado. Teremos a contribuição de pessoas altamente qualificadas que já estão trazendo contribuições relevantes para construção e execução do plano estratégico. A experiência do grupo também contribui para dar mais celeridade ao nosso desenvolvimento

Gustavo Barreira, CEO da CBCA

Tendo quatro marcas em seu portfólio, a CBCA indicou anteriormente o desejo de ampliar o número de cervejarias que a compõe. Seu CEO destaca, porém, que a entrada do Grupo Maubisa como sócio pode até facilitar esse processo, mas não torná-lo apressado.

De qualquer forma, expandir a capacidade produtiva, hoje concentrada nas fábricas de Piracicaba (SP) e Pomerode (SC), e agregar outras marcas segue fazendo parte dos planos da CBCA, que espera triplicar seu faturamento nos próximos quatro anos. “A construção do portfólio precisa ser feita de forma inteligente, complementar. Construir marca é um processo longo e precisa de investimentos, por isso precisamos ser muito assertivos para evitar dispersão de recursos”, conclui Barreira.