A 1ª edição da Copa Rio de Cerveja Artesanal terminou no domingo (23) com a cerimônia de premiação e o anúncio das cervejarias e cervejas vencedoras. O concurso é o primeiro totalmente voltado para cervejarias artesanais do estado do Rio de Janeiro e quer valorizar a cultura cervejeira fluminense. Ao todo, os juízes avaliaram 150 amostras vindas de 37 cervejarias e 11 municípios de 6 diferentes regiões.
O concurso distribuiu ao todo 71 medalhas em categorias focadas no guia de estilos da Brewers Association (BA). “Além das medalhas de Best Of Show e da premiação de Melhor Cervejaria, tivemos as categorias RJ Hops Beer, que premiou cervejas produzidas com lúpulos cultivados no estado do Rio de Janeiro, e Rua da Cerveja, que premiou as cervejarias deste local”, conta Davi Jardim, idealizador da competição ao lado de Fabricio Sayão e Leonardo Thule, todos técnicos em Cervejaria pelo SENAI/FIRJAN e sommeliers.
Copa Rio de Cerveja Artesanal: Melhores cervejas do Rio de Janeiro
O prêmio de Melhor Cervejaria da Copa Rio de Cerveja Artesanal ficou com a Cervejaria Alpendorf, de Nova Friburgo, no interior do estado. A segunda colocada foi a Rabugentos Brewing co., de Teresópolis, e o terceiro lugar no pódio ficou com a Cervejaria Duas Torres, de Petrópolis. Todas da Serra Carioca.
O trio de cervejarias se repetiu na categoria especial RJ Hops Beer. Cervejaria Alpendorf ficou com a medalha de ouro com a cerveja Mountain Hops; Cervejaria Duas Torres faturou a prata com a IPA Comet; e a cerveja História de Verão Summer Ale, da Rabugentos Brewing co., levou a medalha de bronze.
E a Serra carioca também levou as três medalhas do Best Of Show, categoria em que as melhores cervejas de cada categoria competem entre si para definir as melhores de todo o concurso. A medalha de ouro foi para a Alpendorf Margherita Gose. Já a prata para a Quem Sabe Sou Eu, da Rabugentos Brewing co. E o bronze para a Sampler — Into the Wild, da Sampler Brew House, de Petrópolis.
O prêmio especial da Rua da Cerveja ficou com a Vírus Bier, que ganhou medalha de ouro com a Imperial Stout Flor de RIS.
A Fumaçônica Brewery pode não ter levado para Curitiba (PR), sua cidade natal, o prêmio de Lata Mais Bonita do Brasil de 2025. A grande vencedora foi a Go Brew, de Anápolis (GO). No entanto, a mala com certeza voltou pesada com os dois troféus conquistados no concurso da Associação Brasileira da Lata de Alumínio (Abralatas). A cervejaria ficou com o segundo e terceiro lugares, com as latas das cervejas Super Kunk IPA e Mango Sour Dream, respectivamente.
De acordo com a organização, as latas “usaram cores vibrantes e ilustrações marcantes, provando que o design impactante é crucial para as cervejas especiais”. E, de fato, as latas são bem chamativas.
A lata da Super Kunk IPA usa um verde fosforescente com detalhes em amarelo e rosa pink para traçar um caminho rodeado por palmeiras que leva a um cenário de pirâmides místicas.
Já a arte do rótulo da Mango Sour Dream foi elaborada tendo o rosa pink como base, em um cenário igualmente idílico: há tucanos, macacos comendo cogumelos e um cenário de cachoeira que parece escorrer refrescante como imaginamos que a bebida deva ser. É mesmo um convite à degustação.
A história da Fumaçônica começou em 2012 com um grupo de amigos que se reunia para beber e conversar, e se consolidou como uma cervejaria em 2016.
Mário Kleina, 35 anos, fundador e CEO da Fumaçônica, contou ao Guia da Cerveja que a cervejaria sempre teve a ideia mística de formar uma irmandade, com simbologias e estética atemporal — foi o que tentaram traduzir nas embalagens das latas. E eles não devem parar por aí.
Kleina diz que, embora estejam felizes com a premiação, o objetivo para o ano que vem, quando completam dez anos de existência, será um só: buscar o lugar mais alto do pódio da Lata Mais Bonita do Brasil.
Confira, abaixo, a entrevista de Kleina ao Guia da Cerveja:
A lata da Super Kunk IPA ficou com o segundo lugar da categoria Cervejarias (Crédito: Divulgação / Fumaçônica)
As latas da Fumaçônica ganharam dois prêmios (segundo e o terceiro lugar) no prêmio Lata Mais Bonita do Brasil. O que inspirou o conceito visual da cervejaria e quais foram os principais desafios e decisões tomadas para traduzir a identidade da marca em um design tão premiado?
A essência da Fumaçônica sempre partiu de uma ideia quase mística de uma verdadeira irmandade, que traz curiosidade, simbologias e uma estética atemporal que sobrevive ao hype e continuará relevante daqui a dez anos. O próprio nome “Fumaçônica” já provoca essa vontade de olhar duas vezes. E a lata precisava traduzir isso.
O design nasceu e, aos poucos, fomos explorando detalhes — da marca d’água aos símbolos escondidos — tudo foi pensado para convidar o consumidor a explorar a embalagem, descobrir outras camadas e sentir que existe algo além da superfície.
O maior desafio foi equilibrar identidade forte com simplicidade visual. A linha precisava ser impactante e, ao mesmo tempo, funcional no ponto de venda. Optamos pela estética vintage e minimalista, cores marcantes e uma iconografia que conversa com a narrativa da marca.
Qual é a importância de uma premiação focada no design da embalagem para o mercado da cerveja artesanal, que está cada vez mais competitivo?
Para nós, é literalmente um sonho realizado. É mais do que um prêmio de design: é o reconhecimento de todo um trabalho consistente de branding, que envolve narrativa, produto, estilo e propósito.
O visual é o cartão de visita, mas ela só funciona quando está sustentada por uma história verdadeira. No mercado atual, produto de qualidade é pré-requisito. O diferencial está na história que você conta, na forma como a marca se manifesta. E a lata é a nossa vitrine mais poderosa.
Muitas pessoas costumam colecionar latas de cerveja, seja para manter os rótulos mais raros à vista, ou para apreciar as artes nas embalagens. Houve a intenção de desenvolver uma lata colecionável da Fumaçônica?
Sim, sempre pensamos nas latas como objetos que poderiam ter vida além da geladeira. E isso acontece muito. Muita gente transforma em vaso de planta, porta-objetos, peso de porta… Tem consumidor que não tem coragem de abrir a lata e deixa na prateleira como peça decorativa. A gente até brinca: “Abre logo e beba fresca, porque a arte continua lá mesmo assim” — mas é muito especial ver esse apego.
O design contribui para o sucesso da cerveja no ponto de venda?
O impacto é direto e muito claro. As cores vibrantes se destacam em qualquer geladeira. O nome desperta curiosidade. Os detalhes escondidos e a marca d’água criam uma sensação de profundidade (quando o consumidor descobre ele logo pensa “É isso!”. Quando ele prova a primeira, automaticamente quer provar as outras.
E algo que defendemos muito: o storytelling das receitas. Todas têm um contexto histórico. E dentro de um universo desconhecido para o consumidor, nossa missão como cervejaria é passar adiante essa informação. É impressionante como faltam informações básicas em muitos rótulos pelo Brasil. Nós queremos que a experiência seja completa.
Arte do rótulo da Mango Sour Dream foi o terceiro colocado da competição (Crédito: Divulgação / Fumaçônica)
Como o cenário cervejeiro de Curitiba se insere nessa disputa nacional?
Curitiba é, sem dúvida, a pioneira do país. Temos cervejarias extremamente premiadas, uma cena vibrante e um público exigente, que força o mercado local a se superar. Além disso, a cidade é berço de grandes artistas, designers e ilustradores, o que cria um ambiente fértil para marcas inspiradoras. Por aqui colaboramos com muitos artistas locais. Cada um traz uma visão diferente, que conectada a nossa essência, é muito valiosa.
É natural que Curitiba apareça com força nesse tipo de premiação — existe cultura, profissionalismo e criatividade na veia da cidade.
Que mensagem ou sentimento vocês esperam que o consumidor leve para casa ao segurar uma lata Fumaçônica? Qual o papel do design na construção da comunidade e da fidelidade à marca?
A Fumaçônica nasceu para trazer leveza. A cerveja é quase uma desculpa para representar o estilo de vida que acreditamos: equilíbrio, natureza, esporte, boas conversas, aquela fumaça jogada para o alto enquanto o mundo segue caótico.
Queremos que, ao olhar para a lata, a pessoa sinta identificação imediata com essa forma gostosa de viver. O design é o portal que conecta tudo isso. Ele aproxima, cria comunidade e transforma consumidor em fã.
O que vocês estão planejando para os próximos lançamentos?
Para os próximos lançamentos vamos explorar novas cores, texturas e acabamentos. Também estamos estudando personalizações com fornecedores — desde tampas até anéis especiais. Pode parecer pouco, mas para nós tudo isso faz muito sentido.
Há planos para a premiação do próximo ano?
Com certeza. Temos lançamentos importantes chegando — meses de trabalho, pesquisa estética e narrativa. Queremos colocar na rua rótulos que contêm novas histórias, que surpreendam e que perpetuem a identidade Fumaçônica. Estamos muito felizes com o 2º e o 3º lugar… mas o objetivo é claro: buscar o título de lata mais bonita do Brasil.
A cerveja que antes era um dos segredos mais bem guardados entre cervejeiros, chega agora a segunda edição aberta ao público. A Sierra Nevada, uma das principais cervejarias artesanais dos Estados Unidos, anunciou o lançamento da versão 2025 da Celly Drippins. Trata-se de uma edição limitada feita a partir das gotas de cerveja que escorrem de sacos de lúpulo fresco (hop-bags), recém-colhidos, após serem usados na produção da Celebration Fresh Hop IPA — tradicional cerveja de Natal da companhia.
A raridade no volume produzido e a exclusividade do processo de fabricação tornou o produto um objeto de desejo entre os apreciadores da bebida, sendo considerada uma das cervejas mais “hypadas” de 2024 no país norte-americano. Apesar de infelizmente não chegar no Brasil — será servida somente em formato de chope nos bares da cervejaria —, ela com certeza dá um show tanto de sabor quando de marketing baseado em escassez.
A famosa Sierra Nevada Celebration Fresh Hop IPA
Para entender a Celly Drippins, é melhor começar pela predecessora: Celebration Fresh Hop IPA. Produzida desde 1981 pela Sierra Nevada, é uma cerveja de Natal que foge do padrão, pois leve lúpulo em vez de especiarias.
As chamadas Christmas Ale são uma tradição europeia. Normalmente mais escuras e alcoólicas, para aquecer no frio do inverno do hemisfério norte durante a celebração, muitas vezes também levam condimentos diversos para aumentar o sabor. Inspirada nessas cervejas, a pioneira cervejaria Anchor Breweing, de São Francisco, na Califórnia, levou a ideia para os EUA e lançou em 1975 a Anchor Beer Celebration, também conhecida como Our Special Ale.
O fundador da Sierra Nevada, Ken Grossman, gostou da ideia, mas decidiu trocar as especiarias por muito lúpulo fresco, recém-colhido, dando origem a uma espécie de Fresh Hop IPA natalina.
O lúpulo normalmente utilizado nas cervejas passa por uma secagem logo após colhido, que o torna armazenável e estável. Já o lúpulo fresco não passa por esse processo, trazendo aromas e sabores mais vibrantes e vívidos. Porém, deve ser utilizado na cerveja logo após ser colhido. E isso dá início a uma corrida contra o tempo, que se repete todos os anos para a Sierra Nevada Celebration Fresh Hop IPA.
Após vencer o tempo e o transporte, os cervejeiros colocam o lúpulo em sacos permeáveis (hop-bags) e utilizado principalmente na etapa fria do processo de fabricação da cerveja. Essa técnica, conhecida como dry-hopping, extrai apenas os óleos essenciais do lúpulo para trazer ainda aroma e sabor para a cerveja, sem influenciar o amargor.
Presente especial
Quando os hop-bags são retirados dos tanques, há ainda muito líquido preso na massa vegetal. E é justamente essa cerveja que escorre deles que dá origem a Celly Drippings. A Sierra Nevada calcula que para cada 875 latas de Celebration Fresh Hop IPA, apenas um copo Celly Drippings é produzido.
Originalmente, é uma cerveja foi pensada para ser um presente especial para os funcionários — e alguns poucos sortudos que estavam no bar da cervejaria. “Se você estivesse no bar na hora certa, poderia ter uma experiência mágica”, disse Isaiah Mangold, chefe de desenvolvimento de novos produtos e inovação cervejeira da Sierra Nevada à Forbes norte-americana.
Segundo a publicação, a primeira informação que se tem notícia da Celly Drippins apareceu em 2023, ainda sob segredo público. No ano seguinte, a Sierra Nevada fez um anúncio e organizou um lançamento nacional na unidade de Mills River, na Carolina do Norte. Porém, já havia alguns poucos litros também disponíveis na unidade de Chico, na Califórnia.
Neste ano, a Sierra Nevada abriu a informação e tornou público que a Celly Drippins estará disponível tanto em Mills River quanto em Chico. Apenas em chope.
A cervejaria marcou até horário para servir os primeiros copos. Os bares fizeram os primeiros serviços na sexta-feira passada (21), a partir das 15h (horário local), em cada unidade. A quantidade servida será limitada todos os dias, até que acabe o estoque, e só poderá ser apreciada no local.
Características da Sierra Nevada Celly Drippins
Embora a Sierra Nevada seja conhecida por suas IPAs, a Celly Drippins se destaca por suas características únicas, influenciadas diretamente por essa extração concentrada de lúpulo.
Os cervjeiros recuperam apenas uma pequena quantidade de “pingos” de cada lote de produção. E isso significa que o volume final da Celly Drippins é bastante baixo. De acordo com a Forbes, cerca de 5 mil copos de Celebration rendem apenas um copo de Celly Drippins.
O resultado é uma Celly Drippins descrita pela cervejaria como “uma versão intensa de cerveja suave e profundamente saborosa”. O estilo é de uma Double IPA de 8% de teor alcoólico com aromas e sabores resinosos, cítricos, de lúpulo fresco e concentrado.
A cada nova pesquisa, o mesmo refrão: “as novas gerações não bebem”. De uns tempos para cá tudo é sobre a tendência que parece que vai destruir o mercado de bebidas e nunca ninguém irá mais beber uma cervejinha gelada sequer, pois a geração xyz não consome álcool em nenhuma medida.
Eu sei, tô acompanhando e nem acho que seja mentira, mas talvez haja aí um canto de sereia que é bastante sedutor, certamente é insistente, repetido à exaustão, mas nem sempre verdadeiro completamente. Tem quem queira que a gente acredite que não há futuro.
É curioso ver como as prateleiras mudaram: rótulos com palavras como leve, zero, clean, e ao lado delas, as cervejas que ainda acreditam no excesso. Parece que bebemos com culpa, ou com justificativa. O que antes era apenas um brinde descompromissado, virou cálculo em uma planilha contemporânea de saudabilidade.
Ainda há muito a celebrar
Bebemos porque é ritual. Está na raiz das sociabilidades humanas, das frutas maduras fermentadas, dos meles encharcados de chuva, dos primeiros grãos fermentados pelos humanos, dos banquetes gregos às rodas de samba atuais.
“Beber é uma forma de comunhão”, lembra o antropólogo Edward Slingerland
(SLINGERLAND, Edward. Embriagados: como bebemos, dançamos e tropeçamos em nosso caminho para a civilização. Porto Alegre, Editora Krater, 2023.)
Por mais que o jovem de hoje não procure saber disso, ou não entenda vividamente, cedo ou tarde essa herança o alcança: bebemos não para esquecer, mas para celebrar. E celebrar é lembrar que pertencemos a algo maior.
Ainda há muito a chorar
Claro que nem só de brindes alegres vive um gole, às vezes o copo é parte de um abrigo. Um dia cansado, uma perda, uma frustração e o gesto de erguer a taça não é símbolo de fuga, é mais um consolo. Proibir, incriminar ou super taxar seu uso é desconhecer o papel ambivalente que ele ocupa na história humana.
Ainda há muito a descobrir
A cerveja nos acompanha há milênios nos envolvendo como sociedade e ciência. Fazemos tecnologia para que seja cada vez mais proveitoso e delicioso o ato de beber, de degustar, de termos prazer com uma simples bebida. Somos curiosos líquidos.
Evoluímos enquanto fermentamos
Hoje, a descoberta continua: há espaço para bebidas sem álcool, com menos teor alcoólico, com novos sentidos, de novas formas e sabores. Isso não é ameaça, é parte do mesmo movimento curioso que sempre nos guiou. E enquanto fomos desenvolvendo a agricultura, as máquinas, os movimentos e tudo que gira em torno de fabricar uma cerveja, novas tecnologias da bebida se misturaram às novas tecnologias da própria saúde, dos maquinários mais complexos a instrumentos que hoje são simples em nosso dia a dia.
Ainda há muito a moderar.
Existem muitas pessoas que têm graves problemas com o consumo de álcool. Não há negação com relação a isso, mas também há um esforço para que seja constantemente discutido.
Sim, há quem sofra com o abuso. E falar sobre isso é sempre urgente. Mas confundir moderação com abstinência forçada é perigoso. O debate público precisa sair do tom moralista e entrar no terreno da educação: entender o prazer, o limite e o risco. Não é sobre proibir, é sobre escolher melhor a forma como as pessoas se relacionam com seu consumo. Individual e coletivo.
O pesquisador Glauco Caon em seu recente artigo publicado aqui no Guia da Cerveja, nos mostra que ao ler os relatórios mais recentes sobre consumo, entende que não é tão alarmante assim a questão de se beber com moderação. E ele mesmo tem pesquisas que mostram o contrário, existe uma boa correlação no bom consumo.
Liberdade sobre nossos corpos e decisões
Ao mesmo tempo que queremos tanto debater sobre liberdade, há outras forças que querem forçar o estado a aumentar os impostos sobre a cerveja. Eu acredito que o mais importante é falarmos sobre o consumo e as consequências de consumir em excesso de forma esvaziada dos sentidos, sem cultura, sem gastronomia. Proibir ou piorar o consumo com altas taxas de impostos piora para quem o faz de maneira correta, justa, alegre e ritualística. É apenas moralismo.
Sexta, sábado, domingo ou quaisquer outro dia da semana que uma pessoa queira beber sua cerveja, gelada ou quente, clara ou escura, amarga ou azeda, com ou sem fruta. Com ou sem álcool. É preciso liberdade e existe um controle dos corpos que também aproveita esses movimentos, aproveita para pesar a favor de outras indústrias e motivações.
O eco do canto
O mercado tem que seguir firme em melhorar cada dia mais o produto e seus processos. Conversar com o consumidor para que aproveite da forma mais prazerosa e saudável. Seguir evoluindo, como faz a tantos milênios e firme em passar por mais uma provação da temperança e daqueles que seguem querendo controle, rédeas curtas e poder sobre as decisões alheias.
Entre o excesso e a proibição, há um mar inteiro de possibilidades, fermentado pela curiosidade, pela medida e pela alegria. É nesse meio líquido que seguimos, tentando não confundir o medo do afogamento com o prazer de nadar.
A Heineken lançou na semana passada a Heineken Lager Spritz, uma cerveja de edição limitada que combina o sabor da marca com a leveza e refrescância inspiradas no italiano Spritz — coquetel feito com espumante, água com gás e gelo. Com 6% de teor alcoólico e infusão de botânicos, o novo rótulo chega com um ritual próprio: deve ser servido em um copo diferente do tradicional, com gelo e uma fatia de laranja.
Segundo Elbert Beekman, gerente de marketing da marca no Brasil, a Heineken Lager Spritz reforça o compromisso de estar à frente das tendências e expandir o universo cervejeiro. “Mais do que lançar um novo rótulo, a Heineken busca reforçar o compromisso em oferecer ao consumidor uma experiência que vai além do paladar. E a Heineken Lager Spritz traduz a essência de estar à frente das tendências e propor novas possibilidades dentro do universo cervejeiro, sempre com qualidade e propósito”
A nova bebida estará disponível a partir de dezembro, inicialmente em bares selecionados das cidades de São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ) e Florianópolis (SC).
IPA Day Brasil terá divisões por intensidade das cervejas
O 12º IPA Day Brasil acontece neste sábado (22) no Espaço Bella Città, em Ribeirão Preto (SP), reunindo 41 rótulos da cerveja lupulada. O festival traz a “harmonizassom”, dividindo o espaço em três palcos onde a intensidade alcoólica das IPAs (de zero a 15% ABV) é pareada com diferentes gêneros musicais. O evento destaca nove rótulos com o selo que apoia negócios liderados por mulheres. Ingressos open bar custam R$ 319,90 e podem ser adquiridos pela plataforma Eventiza, ou para mais informações acesse o Instagram oficial do IPA Day Brasil.
A Sexto Sentido Cervejaria, de Piracicaba (SP), apresenta seis estilos principais em latas de 355 ml e com rótulos de layout novo. O fundador Robson Mauri, especialista em café, afirma que a mudança visa oferecer uma experiência sensorial diferente ao público. A marca reforça sua identidade com receitas inspiradas em ingredientes brasileiros, como café e pimenta. Entre os estilos repaginados estão a Above Lager (com café) e a Paradise IPA. Para saber mais sobre a linha, o Instagram da Sexto Sentido traz mais detalhes sobre a novidade.
Blumenau (SC) vai ganhar a Hofbräuhaus. A operação no Biergarten terá produção própria de cerveja, loja de souvenires e menu 100% germânico, seguindo o conceito de Munique. O empresário Leandro Magnani, vencedor da concessão de 20 anos, planeja investir cerca de R$ 10 milhões no local que abrigava o antigo restaurante Thapyoka. A expectativa é que o contrato seja assinado na próxima semana e as obras durem oito meses. Antes da inauguração, a marca fará um evento na Praça Hercílio Luz para apresentar o conceito.
Heineken lança câmera analógica com Notthesamo em promoção
A Heineken e a NOTTHESAMO se uniram para lançar uma câmera analógica de edição limitada, peça central da campanha global #SocialOffSocials, que incentiva o público a se desconectar das telas e vivenciar conexões reais. A LePub São Paulo assina a iniciativa que, segundo a gerente de Marketing Williane Vieira, busca incentivar o valor dos momentos na vida real, longe do digital. O diretor-executivo Rafael Alves explica que a câmera 100% analógica faz as pessoas gastarem menos tempo registrando e mais tempo vivendo o que importa. Consumidores maiores de 18 anos podem se inscrever na promoção até 8 de janeiro de 2026, sem necessidade de compra, pelo site da promoção Heineken Social Off Socials.
Sebrae e Ambev lançam capacitação digital para cervejarias
O Sebrae/PR e a Ambev lançaram a versão digital do Programa Aprimore, oferecendo capacitação gratuita e online para microcervejarias e brew pubs do Paraná. A jornada de três meses inclui podcasts ao vivo, trilhas de conteúdo e materiais complementares sobre gestão, finanças e logística. O objetivo é levar conhecimento especializado a todas as regiões, respeitando o ritmo do empreendedor, segundo Thais Rodrigues Almeida, consultora do Sebrae/PR. Marta Rocha, da Ambev, reforça que o formato em podcast amplia o acesso ao conteúdo técnico. Empreendedores interessados podem se inscrever pelo link de inscrição no programa Aprimore.
Curitiba sedia concurso de cervejas caseiras e hidromel
Curitiba (PR) sediou, entre quinta (20) e sábado (22), o XIV Concurso Paranaense de Cerveja Feita em Casa, promovido pela Acerva Paraná. O evento, que cresce anualmente, avaliou 220 amostras de cervejas e 65 de hidromel sob padrões internacionais do Guia BJCP. Cerca de 50 especialistas e sommeliers participara da análise das bebidas caseiras, que frequentemente superam rótulos renomados. A festa de premiação, aberta ao público, ocorre no sábado (22) na Cervejaria Bastards, celebrando a união da cena artesanal do estado.
Copa capixaba de cerveja terá festa com chope liberado
A 4ª Copa Capixaba de Cerveja Artesanal celebra o amadurecimento do setor no Espírito Santo, registrando 320 rótulos inscritos, o recorde da competição. O evento, realizado pela Acerva, teve julgamento técnico entre quinta (20) e sexta-feira (21). A festa de premiação e confraternização ocorre neste sábado (22), na Casa do Turista Capixaba, em Vitória. O ingresso inclui chope liberado com mais de 15 estilos artesanais e bufê livre de comida de boteco. Para adquirir ingressos e saber mais sobre a Copa Capixaba de Cerveja, acesse o Instagram oficial.
O Brew Festival, tradicional festa de cerveja artesanal, retorna à Praça Arautos da Paz, em Campinas, até domingo (23), com entrada gratuita. O evento, realizado pela WB Produções, celebra o feriado com mais de 200 estilos de cerveja, novidades da gastronomia gourmet e shows de rock n’ roll em dois palcos. O festival é pet friendly e conta com ampla área kids, sendo dedicado a toda a família. Para saber mais sobre as atrações e horários do Brew Festival, confira o Instagram oficial do evento.
Münchenfest tem desfile de blocos e premiação em Ponta Grossa
O primeiro fim de semana da 34ª Münchenfest, a Festa Nacional do Chope Escuro de Ponta Grossa (PR), agitou a Avenida Vicente Machado com o tradicional desfile de cerca de 40 blocos rumo ao Parque Ambiental. A prefeita Elizabeth Schmidt e as majestades da edição anterior prestigiaram a passagem dos foliões. Os vencedores do concurso de Blocos foram Bella Vila Velha, Kelly Wosniak e Até o Último Gole, respectivamente. Também foram premiados os vencedores do concurso “Clima de München”, que busca valorizar o comércio decorado. A festa no Centro de Eventos vai até 29 de novembro; ingressos estão disponíveis na plataforma Blueticket.
A Estrella Galicia promoveu uma noite especial em São Paulo (SP) para acompanhar a torcida pelo Grammy Latino de Liniker, sua parceira. O evento, que reuniu fã-clubes e equipe, terminou em comemoração após a artista conquistar três gramofones pelo álbum Caju e a canção “Veludo Marrom”. A cervejaria, que já patrocinou a turnê, celebrou a vitória como um momento histórico para a música brasileira. A marca reafirma seu compromisso em valorizar artistas independentes e criar experiências que colocam os fãs no centro, promovendo autenticidade e propósito.
No efervescente mercado de cervejas artesanais, uma profunda autocrítica à indústria e uma busca por uma identidade nacional autêntica têm guiado as discussões sobre o conceito de “cerveja decolonial”. Mais do que uma simples tendência, esse movimento desafia a tradição importada ao exigir uma reavaliação da própria filosofia de produção, inspirando-se em insumos, culturas e bebidas ancestrais brasileiras. A proposta é clara: construir um “terroir nacional” que fuja dos guias de estilo internacionais.
A Cozalinda, cervejaria e cidraria sediada em Florianópolis (SC), é um dos nomes a abraçar a filosofia. Embora o cofundador Diego Simão Rzatki revele que a atitude de valorizar o local estivesse presente desde o início da empresa em 2014, o conceito decolonial, enquanto termo consciente, se aprofundou por volta de 2018. A virada ocorreu quando a cervejaria percebeu que, apesar de usar microrganismos locais, a estrutura fermentativa ainda se inspirava em modelos europeus, demandando uma reflexão mais profunda sobre a arquitetura sensorial e a cultura produtiva.
Para Rzatki, essa busca por uma identidade própria não é apenas uma questão de ideologia e política, mas também econômica. A inovação autêntica é vista como a chave para a expansão internacional, argumentando que a originalidade é o que o Brasil deve oferecer ao mercado global, em vez de cópias.
O movimento, com cerca de cinco anos de discussão mais intensa e maior projeção pós-pandemia (marcada por projetos como “Manipueira” e a “Feira Selvagem”), representa um convite ao diálogo profundo sobre o que significa produzir e consumir uma bebida que seja, de fato, brasileira, questionando até a nomenclatura e as convenções do setor.
Confira, abaixo, a entrevista de Diego Rzatki ao Guia da Cerveja:
A Cozalinda está no mercado desde 2014. A cervejaria já nasceu com a proposta decolonial?
A gente não era consciente desde o início de que a nossa proposta era decolonial. Olhando em retrospectiva, acredito que desde o primeiro dia, desde a formação da ideia do que viria a ser a Cozalinda, a gente tem uma atitude decolonial. Nossa ideia era criar algo com uma identidade local e romper com os estereótipos comuns das cervejas catarinenses que olhavam mais para fora do que para dentro para se identificar.
Desde o início, a Cozalinda se propôs a levar cervejas que traduzissem o espírito da cidade, e isso ia muito além do nome ou da narrativa que a gente escolheu naquele momento. A nossa ideia era valorizar tudo que fosse local, pensando nas receitas para a cidade, e não olhando para fora e trazer alguma “trend” importada.
Quando o conceito decolonial ficou mais evidente para a cervejaria?
O termo decolonial para a gente ficou evidente em 2018, quando começamos a produzir a cerveja “Já Passou o Paulo Lopix?”. Ela se pretende dar um passo além nos nossos esforços na busca de melhor traduzir o terroir local. Diferente da “Praia do Meio” e da “Pedras do Itaguaçu” (duas fermentações mistas que tinham as gueuzes e lambics como maior influência), a “Paulo” seria mais culturalmente identificada com o local. Porque, por mais que a gente se esforçasse em produzir cervejas com microrganismos não usuais como “bretts e pedios” a gente tomou consciência de que a estrutura fermentativa que estávamos propondo se inspirava muito nas cervejas europeias, apesar dos microrganismos serem endêmicos [locais].
O passo dado com a “Paulo Lopix” foi ter a consciência de que, para além de apenas fazer cerveja, a gente tinha que entender qual era o estilo das bebidas ancestrais locais. Sem se apropriar, nos inspiramos em uma bebida ancestral, o Cauim. E diante da polêmica do uso do nome Cauim em uma lager, ficou evidente que só dar um nome e usar um ingrediente local não bastava. Tínhamos que aprofundar mais. Adotamos microrganismos selvagens, selecionados na mesma fonte que as bebidas ancestrais “bebiam”, e entendemos que assim encontraríamos uma cinética fermentativa e uma arquitetura sensorial totalmente local – e, aí sim, nos descolonizando do caráter europeu que nossas produções anteriores se lastreavam.
O descolonizar é buscar se desfazer da colonialidade que permeia a identidade nas produções nacionais. É “Lei de Pureza” para lá, “melhores ingredientes sempre são os importados” pra cá e até ideia de que era “impossível produzir cervejas selvagens no Brasil” pairava como uma guilhotina sempre pronta a cair sobre nossas cabeças. O importante, e mais evidente após a “Paulo Lopix”, era a necessidade de romper com os padrões impostos pelos Guias de Estilos que essencialmente são ferramentas de colonização (intencional ou não).
E o que é, na prática, uma cerveja decolonial?
Dicussão sobre a identidade da cerveja brasileira não é nova, mas está amadurecendo com o mercado (Crédito: Instagram / Cerveja Cozalinda)
Não existe hoje uma definição do que é uma cerveja decolonial. O ato decolonial vai muito, muito, muito, além do simples fazer. Ele está mais no pensamento de desvinculamento de padrões que são oriundos do processo colonial que perdura até hoje.
A proposta é fazer um produto com a cara do Brasil?
Sim, mas o difícil é dizer qual é a cara do Brasil. Temos muitas “caras”. A cerveja decolonial é uma cerveja que pode ter uma identidade brasileira, que tem um terroir brasileiro, mas isso não é algo singular, é plural. Isso se constrói na influência das diferentes culturas etílicas sul-americanas originárias e daquelas que formaram o que o continente é hoje. O que, claro, também inclui a influência colonial. Mas é importante não se pautar apenas na herança dos colonizadores para fazer cerveja. Não apenas imitar uma Escola Cervejeira e nacionalizar a produção.
A identidade brasileira se molda com influências europeias, dos povos originários, africanos e, por que não, influências asiáticas tão presentes em partes do país. Tudo o que compõe a identidade nacional vai ser importante para construção de uma cerveja decolonial.
O importante é que a cerveja estabeleça uma identidade própria, que seja uma “mescla” e não uma cópia completa de outra.
A busca por uma identidade “manezinha”, um terroir “manezinho”, de “Floripa”, para nós é pesquisar o que permeia nossa cultura local e traduzir isso em cervejas. E essa identidade “manezinha” é apenas uma das caras do Brasil, mas é a “cara” da Cozalinda. Cabe a cada cervejaria encontrar a sua “cara” brasileira.
Como essa proposta se insere no panorama atual do mercado cervejeiro nacional?
Existem muitas cervejarias que já se preocupam em fazer cervejas que tenham uma identidade nacional. Ainda é um lugar bem pequeno dentro do “Universo de Cervejas Artesanais”. Entretanto, são sempre iniciativas que ganham boa projeção. Não é um movimento novo, acho que a gente simplesmente não sabia dar um nome e entender o que estávamos fazendo.
De forma prática, desemboca no surgimento de cervejas que não tem medo de romper com padrões, como são as cervejas do Projeto Manipueira, cervejas selvagens inspiradas de certa forma no Cauim, bebida ancestral que provavelmente surgiu onde nos encontramos. Hoje, o projeto finalizou sua terceira temporada de produção e ampliou o número de produtores em relação ao que foi o ano passado. São 22 cervejarias produzindo o estilo e sempre ganhando medalhas em diversos campeonatos cervejeiros.
O que impulsionou essa discussão sobre a cerveja decolonial?
A questão da cerveja decolonial é algo novo, mas não deixa de ser uma evolução do intuito do “fazer cerveja brasileira” que é algo já bem antigo. Eu adoro uma frase que a Kathia Zanatta [sommeliére de cervejas] falou um tempo atrás: “Não basta colocar uma fruta brasileira e achar que está fazendo cerveja brasileira”. Não lembro se foram exatamente essas palavras, mas era esse o sentido da fala. Isso, que até pouco tempo era considerado “fazer cerveja brasileira”, tem se aprofundado com a maturidade que o mercado vai ganhando ano a ano. De cinco anos para cá que a gente tem discutido mais, mas acredito que foi pós-pandemia que surgiu mesmo, na prática, a discussão decolonial.
A discussão decolonial teve como um dos marcos o projeto Manipueira, e a primeira edição da Feira Selvagem. Nela, houve preocupação de conversar sobre o que é terroir na cerveja e outros temas que desembocaram na discussão de uma cerveja decolonial.
Na prática, essas discussões caíram como uma luva para quem produz cervejas selvagens, e foi se ampliando pelo mercado, desde a produção de Manipueiras Selvagens a atos de ruptura, como a cervejeira da Água do Monge, que colocou na placa de uma saison com uva que estavam servindo no Brasileiro de 2024 uma plaquinha de identificação como “Chope de Vinho Selvagem”. Tudo isso são ampliações deste movimento.
Esses atos de ruptura, de andar para um caminho independente do pré-estabelecido e do pré-conceito, se fortaleceu ao passo que mais e mais produtores pararam de ter medo de identificar e fazer cervejas realmente brasileiras ou simplesmente disruptivas. Disruptiva não é mais simplesmente fazer IPA, West Coast IPA, Brut IPA, Hazy IPA, Cold IPA ou qualquer dessas “IPAS” que são quase tudo igual (risos) para romper com o monopólio das Pilsenzinhas… Esse tempo já passou.
“Temos muito a ganhar pensando e agindo de forma decolonial”
Diego Rzatki, sócdio e fundador da cervejaria Cozalinda
Além dos ingredientes, quais são os outros processos de fabricação da cerveja que a proposta decolonial busca questionar?
A gente tem uma dificuldade muito grande no mercado em renunciar (ou questionar) os laços que construíram o cenário dos cervejeiros artesanais brasileiros atuais. Eles foram (e ainda são) formados a olhar para escolas cervejeiras alheias à nossa cultura. Não é difícil encontrar cervejeiro pensando que fazer cerveja alemã é o único jeito de fazer uma cerveja “verdadeira” ou “de verdade”, pensamento para lá de colonial. Ou seja, a gente tem uma grande tendência, que vem da formação, em não questionar os modelos externos.
Um bom exemplo é o que ocorre com a cadeia do milho. Não é um insumo ruim, é apenas um ingrediente diferente que, se usado da forma correta, é muito bom. Até três anos atrás ainda era heresia falar malte de milho. Mas, por causa da resistência que existe do fornecedor ao cervejeiro, não temos a oferta deste insumo. Estamos dentro do continente originário do milho, o qual até hoje é usado para fazer cerveja de milho, a Chicha. No fim a cadeia inexiste, apesar de ser algo que faria muita lógica ser explorado pelo mercado. Em nosso país tem uma infinita variedade de milhos rústicos e endêmicos, cada um destes se transformaria em um malte originário e poderia ser fonte de muita inovação.
Entretanto, o mercado vem jogando um volume considerável de recursos para produzir lúpulo nacional. O que não é errado, diga-se de passagem, mas nossos preconceitos que estão cravados no coração do mercado atrapalham um processo de inovação gigante. Quem sabe até na adoção do malte de milho em grande escala que mora a autossuficiência de malte que o Brasil tanto precisa?
Disso a gente pode puxar outros exemplos como a necessidade de usar microrganismos fermentativos nacionais para se livrar da identidade sensorial que leveduras do exterior prevalecentes na produção atual. Encontrar leveduras endêmicas e, quem sabe, abraçar até temperaturas mais altas de fermentação e aceitar o perfil aromático que um processo desse gera, seja também uma enorme vantagem energética que melhoraria o resultado financeiro das empresas.
Pensar decolonial pode levar a mudanças muito favoráveis ao mercado. Sejam impactos financeiros com a adoção de novos processos e insumos, ou mesmo um impulso inovador que poderia desembocar em novos produtos de identidade únicas, as quais poderiam acabar em mais exportação.
O Brasil produz muita cerveja, mas exporta muito pouco, e isso ocorre pelo fato de que somos ainda um mercado colonizado. O mercado internacional não vai consumir mais do mesmo, vai desejar produtos diferentes.
Temos muito a ganhar pensando e agindo de forma decolonial. Óbvio, não é estalar os dedos e tudo vai mudar e dar certo, é um caminho de décadas que precisamos começar a trilhar.
A mestre cervejeira e Beer Sommelier Rozilene Alves de Sá, de 46 anos, é reconhecida pela sua atuação profissional que a levou a Gerente Corporativa de Produção da Heineken, onde atua há pouco mais de dois anos. Rozi tem certificação internacional como Brewmaster pela World Brewing Academy e é diplomada como Beer Sommelier pelo Instituto da Cerveja Brasil.
A trajetória de sucesso foi marcada por experiências de vida que a levaram a defender a diversidade e a inclusão, além de incentivar e inspirar pessoas em projetos de mentoria.
Foi a partir de uma “virada de chave” que Rozilene, bacharel em Química, se assumiu capaz de liderar a produção de cervejas da Heineken. Se, antes, a sensação era de ter que dar sempre o melhor e vencer, agora ela colhia os frutos de uma carreira solidamente construída – mas precisou do olhar do outro, encorajando, para conseguir ver a própria potência.
Isso não aconteceu porque Rozilene não conhecia a sua capacidade, mas porque foi levada a duvidar do que sentia. “Antes, a sensação era de que eu corria apenas para dar o meu melhor e vencer. Essa mudança só aconteceu porque ouvi, repetidamente, das pessoas ao meu redor, de que eu poderia fazer a diferença. Infelizmente, não partiu de mim, talvez por uma Síndrome do Impostor. Acho importante compartilhar isso, porque hoje, com maturidade, reconheço meu potencial e não o ignoro, mas nem sempre foi assim”, diz.
A “Síndrome do Impostor” é um fenômeno psicológico que leva a pessoa a duvidar de si mesma, e a se sentir uma fraude – não porque existam limitações reais, mas porque a pessoa é levada a acreditar nisso ao longo de anos de construção de uma identidade profissional, geralmente minada por preconceitos. No caso da Rozi, houve um peso de gênero e raça.
Foi a partir dessa percepção e da construção da autoconfiança que Rozilene se viu capaz de assumir o que chamou de “um grande desafio”: construir, do zero, uma área de processos de produção cervejeira. Foi preciso contratar 80% do time no mercado, treinar, iniciar a produção e performar. “Esse projeto trouxe muitos aprendizados, e o maior deles foi perceber que não se tratava apenas de fazer cerveja, mas de entender que a base de tudo são as pessoas”, reflete.
‘Inspirar pessoas e transformar ambientes’
Em sua descrição profissional, Rozi se diz “apaixonada por inspirar pessoas e transformar ambientes”. E, ao conhecer a sua vivência pessoal, é possível perceber o que trouxe para Rozilene a sagacidade para entender que são as pessoas que constroem os processos – seja em empresas, nas famílias, ou na sociedade. Ela sabe o que é vivenciar o apoio de outras pessoas para se ver em toda a sua potência, porque foi assim que aconteceu com ela, e sabe o quanto pode contribuir, a partir desta potência, para o processo de trabalho na empresa.
No caso de Rozilene, pesa o fato de ter iniciado a construção da carreira em 2001, época em que o ambiente cervejeiro era majoritariamente masculino. Além disso, ela carrega a experiência de viver em um país racista, que naturaliza o julgamento do valor de uma pessoa pela cor de pele.
“Quando comecei minha trajetória no mercado cervejeiro, em 2001, era um ambiente majoritariamente masculino. Ser mulher e mulher negra significava enfrentar barreiras invisíveis todos os dias”, conta.
Sem tempo para detalhar os desafios, porque quem os enfrenta só quer deixá-los para trás, Rozilene afirma que os encarou como oportunidades para abrir portas. “Queria mostrar que é possível ocupar espaços que antes pareciam inalcançáveis. Era sobre coexistir e transformar”, conta.
“Cada conquista feminina nesse setor é um passo para todas nós, e eu vibro quando vejo uma mulher crescer, evoluir e ser reconhecida”, conta Rozilene.
Apoio e mentorias
Rozilene divide o tempo entre a vida pessoal, as corridas, o trabalho, e o comprometimento em inspirar e apoiar outras mulheres, seja por meio de projetos, mentorias ou outras ações. Recentemente, ela participou de um projeto que levou conhecimento cervejeiro a mais de 550 mulheres. Além disso, faz mentorias para profissionais que desejam crescer na indústria.
Ela conta que a experiência com mentoria começou com convites para palestras internas e evoluiu para programas estruturados. Ela vê nessas iniciativas “impactos positivos enormes”.
“A troca de experiências fortalece minha visão de liderança e traz uma satisfação imensa ao ver talentos crescerem, sendo um verdadeiro combustível para o meu propósito”, conta.
Desde 2016, atua como professora em temas técnicos relacionados a todas as etapas do processo cervejeiro, incluindo matéria-prima, brassagem, fermentação e filtração. “Acredito que a melhor forma de contribuir para o mercado é formando pessoas, porque conhecimento só tem valor quando é compartilhado e quando cria conexão”, relata.
‘Filha’ de Nortelândia, cria de escola pública, formada da Federal
A jornada de Rozilene Alves de Sá começou em Nortelândia, um município no estado de Mato Grosso com aproximadamente 6 mil habitantes, onde nasceu há 46 anos.
A infância foi marcada por brincadeiras de rua, mas com tempo delimitado – a partir dos 9 anos, ela já ajudava o pai, que era comerciante na cidade.
Ela estudou nas escolas públicas de Nortelândia até concluir o ensino fundamental. Ao ingressar no ensino médio, mudou de cidade e foi morar com um casal amigo da família.
Ao decidir que queria estudar na Escola Técnica Federal do Mato Grosso, se dedicou à preparação solitária na biblioteca da escola, usando livros emprestados e sonhando com a aprovação. Ali, Rozilene já desenhava dentro de si a perseverança que teria que desenvolver ao longo da vida. A preparação deu certo, e ela foi aprovada no curso técnico de Química.
Este foi o início do caminho profissional. A partir do curso técnico, Rozilene continuou estudando e foi aprovada no vestibular de Química da Universidade Federal do Mato Grosso. Foi quando ela desenvolveu habilidades analíticas e técnicas, além de adquirir conhecimentos, que se tornaram a base da vida profissional. “Acredito que ter uma base sólida nos dá segurança para trilhar os próximos passos com autoconfiança”, reflete.
Universo cervejeiro
O universo cervejeiro entrou na vida de Rozilene Alves de Sá pela porta do interesse pela área de qualidade e pelos processos industriais. Foi estagiária de Qualidade em 2001, quando teve o primeiro contato com a rotina de análises, padrões produtivos e controles que sustentam a fabricação de bebidas.
“Esse período reforçou minha afinidade com o ambiente produtivo e me levou a assumir, logo na sequência, a posição de Técnica Química no laboratório de envase, onde aprofundei meu conhecimento em análises de produto acabado e embalagem”, relembra.
Foi a partir dessa base técnica que Rozilene começou a buscar especializações voltadas diretamente para a cerveja. “Ao longo dos anos, evoluí de funções laboratoriais para posições de supervisão e depois para áreas de processo dentro da cervejaria, sempre com foco em qualidade, padronização e entendimento profundo das etapas de produção”, diz.
O desenvolvimento formal incluiu formações técnicas voltadas para tecnologia cervejeira, o que ela classifica como fundamentais para consolidar a atuação em áreas como brassagem, fermentação e filtração.
Rozilene Alves de Sá, mestre cervejeira e gerente de produção da Heineken. Foto: Divulgação
“Esse conjunto de experiências e qualificações me abriu portas para atuar como especialista de processo em nível corporativo, atendendo diferentes unidades no Brasil e em outros países da América do Sul”, fala
Desde então, Rozilene não parou mais de estudar. Ela conta que continua se aprofundando tecnicamente, seja em metodologias de gestão, controle de qualidade ou tecnologias cervejeiras.
“Foi isso o que sustentou minha evolução até chegar às funções de mestre cervejeira, especialista corporativa e atualmente gerente corporativa de Cerveja e Master Brewer na Heineken Brasil”, fala.
Especializações
Rozilene conta que, quando ingressou na indústria cervejeira como estagiária, teve como objetivo adquirir cada vez mais conhecimento técnico. Foi a partir de muito trabalho e dedicação, que ela pode fazer, em 2004, o curso técnico cervejeiro no Senai Vassouras. “Ao final, fui classificada com a maior nota do Brasil, e ali nasceu minha paixão por estudar sobre cerveja e me conectar com profissionais experientes do setor”, relembra.
Esse foi o primeiro passo para, no futuro, ingressar na formação de Mestre Cervejeira (Siebel e Doemens). Mas os desafios ainda estavam impostos – formação exigia proficiência em inglês.
“Em 2007, fui indicada para participar do processo seletivo dessa formação, que exigia proficiência em inglês. Para superar essa barreira, me dediquei intensamente: aulas seis vezes por semana e um intercâmbio no Canadá. Esse esforço resultou na minha aprovação”, conta.
Em 2008, Rozilene Alves de Sá foi para Chicago fazer o curso de Mestre Cervejeira. Em uma turma de 25 alunos, havia apenas ela e mais uma mulher, sendo ela a única brasileira.
“Essa experiência plantou em mim a certeza de que eu poderia abrir portas. No mesmo ano, concluí a formação em Chicago e na Alemanha, em escolas reconhecidas mundialmente pela excelência em ciência cervejeira, obtendo nota A+”, comemora.
A vivência internacional foi transformadora. Rozilene relembra a adaptação ao idioma, o contato com diferentes culturas e a troca com profissionais de diversos países. Essas experiências ampliaram a visão dela sobre o universo cervejeiro.
“Saí da minha bolha e descobri novas possibilidades. Foi um período desafiador, mas extremamente enriquecedor. Além do conhecimento técnico, construí amizades para a vida”, conta.
Para ela, os maiores reconhecimentos são a soma de pequenas conquistas, não apenas um troféu. “Elas se traduzem em falas de pessoas que fizeram parte dessa trajetória e que refletem meu propósito e legado, como ‘Rozi, comecei a estudar cerveja por causa de você.’, ou ‘Você me inspirou a seguir para a área de produção’, ou ‘Você me mostra que nunca devemos ignorar nosso potencial’”, conta
Para ela, essas mensagens mostram que a jornada vale a pena. “Isso nenhum troféu é capaz de traduzir”, conta.
Segundo Fernando Gonçalves, gerente do IPCA, a variação de preços pode ser reflexo de um reajuste feito no segundo semestre e que, agora, chegou aos consumidores. “Alguns fabricantes de cerveja reajustaram seus preços no início do segundo semestre, possivelmente refletindo agora, nas prateleiras, para o consumidor final”, diz.
Outro fator que pode explicar o avanço dos preços em outubro são as temperaturas mais altas, já que o calor impacta diretamente no consumo da bebida, avalia Gonçalves.
No acumulado do ano, de janeiro a outubro, a inflação da cerveja ficou em 4,44%, também acima do índice geral, de 3,73% para o período. No acumulado dos últimos 12 meses, os preços apresentaram estabilidade nos dois indicadores. A inflação da cerveja ficou em 4,66% enquanto o IPCA geral fechou em 4,68%.
IPCA de outubro, segundo o IBGE
Cerveja
IPCA geral
Variação mensal (%)
0,75
0,09
Acumulada no ano (%)
4,44
3,73
Acumulada em 12 meses (%)
4,66
4,68
Fonte: IBGE — Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo
Inflação da cerveja
A variação de preços da cerveja em outubro ficou acima também da variação captada em setembro, quando o índice fechou em 0,64% e ficou mais próximo do IPCA geral, de 0,48%. Comparado aos preços de outras bebidas alcoólicas, o avanço de preços das cervejas é ainda maior, já que o subitem teve recuo de -1,06%.
No entanto, o cenário se inverte na alimentação fora de domicílio. O grupo teve inflação de 0,46% no período, mas as cervejas ficaram -0,08% mais baratas, enquanto outras bebidas alcoólicas avançaram 0,37%.
outubro 2024
novembro 2024
dezembro 2024
janeiro 2025
fevereiro 2025
março 2025
abril 2025
maio 2025
junho 2025
julho 2025
agosto 2025
setembro 2025
outubro 2025
Índice geral
0,56
0,39
0,52
0,16
1,31
0,56
0,43
0,26
0,24
0,26
-0,11
0,48
0,09
Alimentação e bebidas
1,06
1,55
1,18
0,96
0,7
1,17
0,82
0,17
-0,18
-0,27
-0,46
-0,26
0,01
Alimentação no domicílio
1,22
1,81
1,17
1,07
0,79
1,31
0,83
0,02
-0,43
-0,69
-0,83
-0,41
-0,16
Cerveja
0,98
0,85
-0,64
0,49
-0,29
0,37
0,48
0,11
0,36
0,45
1
0,64
0,75
Outras bebidas alcoólicas
-1,18
-0,11
0,75
-0,55
-0,77
0,47
-1,13
-0,36
1,34
-0,63
2,69
-2,04
-1,06
Alimentação fora do domicílio
0,65
0,88
1,19
0,67
0,47
0,77
0,8
0,58
0,46
0,87
0,5
0,11
0,46
Cerveja
0,89
0,79
0,24
-0,09
1,07
0,17
0,61
0,11
-0,17
0,06
0,42
0,44
-0,08
Outras bebidas alcoólicas
-0,38
0,29
0,87
0,66
0,62
1,31
0,18
0,45
0,8
0,88
0,36
-0,03
0,37
Fonte: IBGE — Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo
Maior queda de preços foi em Belém
Os preços nas capitais monitoradas pelo IBGE apontam que a maior redução no custo da cerveja em outubro foi registrada em Belém, com recuo de -1,3%, seguido por Porto Alegre (0,42%) e Fortaleza (0,44%)
Já os maiores aumentos foram no Rio de Janeiro, com alta de 1,53%, Grande Vitória e São Paulo, ambos com aumento de 0,88%, e Belo Horizonte, com variação de 0,86%.
Inflação da cerveja em outubro*
Rio de Janeiro (RJ)
1,53
Grande Vitória (ES)
0,88
São Paulo (SP)
0,88
Belo Horizonte (MG)
0,86
Brasil
0,75
Curitiba (PR)
0,74
Salvador (BA)
0,72
Recife (PE)
0,68
Fortaleza (CE)
0,44
Porto Alegre (RS)
0,42
Belém (PA)
-1,3
*Em domicílio / Fonte: IBGE
Em relação à Alimentação Fora do Domicílio, os preços da cerveja tiveram os maiores aumentos em Belo Horizonte (1,78%), Grande Vitória (1,76%) e Belém (0,89%).
As maiores quedas de preço aconteceram em São Paulo (-1,24%), Curitiba (-0,34%), e Salvador (-0,08%).
Produção industrial
Os dados da PIM-PF (Pesquisa Industrial Mensal — Produção Física), também divulgados pelo IBGE, apontam que a fabricação de bebidas alcoólicas recuou -6,7% em setembro, se comparado ao mesmo mês do ano anterior.
No acumulado do ano, de janeiro a setembro, a variação também ficou negativa em -4,8%, mesmo percentual para o acumulado de setembro de 2024 a setembro de 2025.
A indústria das bebidas não-alcoólicas também apresenta números negativos, mas em menor magnitude. O acumulado do ano ficou em -0,3%, enquanto o acumulado de setembro do ano passado até setembro deste ano ficou em -1,8%. A produção industrial do segmento em setembro teve aumento de 4,3%, comparado a agosto, segundo o IBGE.
O Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (Cisa) lançou na quarta-feira (12) a sétima edição da publicação Álcool e a Saúde dos Brasileiros: Panorama 2025. A publicação traz uma pesquisa desenvolvida pela Ipsos-Ipec que mostra grandes mudanças no comportamento dos consumidores em relação ao álcool, além de números de internações e mortalidade do Datasus. Segundo o levantamento, o consumo abusivo de álcool, por exemplo, caiu de 17% em 2023 para 15% em 2025.
A queda aconteceu com mais intensidade na faixa etária mais jovem, dos 18 a 24 anos, que saiu de 20% para 13% em dois anos. “E a maioria deles, quando bebe, consome uma ou duas doses por ocasião”, ressalta Mariana Thibes, doutora em sociologia e coordenadora do Cisa.
Além disso, o levantamento evidencia que a maioria dos bebedores (39%) consome apenas de uma a duas doses por ocasião. O que se alinha com um dos principais fatores para definição de consumo moderado.
Consumo abusivo de álcool
O levantamento CISA/Ipsos 2025 identificou algumas características do consumidor abusivo de álcool. É normalmente do sexo masculino (26%), sendo que 18% dos homens que bebem consomem 10 doses ou mais por ocasião. Ocorre mais nas faixas etárias de 25 a 44 anos (54%), em indivíduos com escolaridade de Ensino Médio (25%) e nas regiões Norte e Centro-Oeste (31%). Apesar da maior parte (42%) consumir uma vez por semana ou a cada 15 dias, a proporção de abusivos que bebem de duas a quatro vezes por semana aumentou de 29% para 35% entre 2023 e 2025.
Outro fator relevante é que bebedores abusivos têm uma falsa percepção de consumo: 82% acreditam beber de forma moderada. A proporção é superior à observada em 2023 (75%), e apenas 9% reconhecem exagerar e precisar mudar (13% em 2023).
“A interpretação errada do seu próprio padrão de consumo é um dificultador para a mudança de hábito. Ser mais tolerante ao álcool, ou seja, beber muito e não sentir os efeitos do álcool, não significa ser mais resistente ou estar protegido dos prejuízos do álcool. Pelo contrário. Precisar aumentar a quantidade de álcool para atingir os efeitos desejados é um sinal de alerta”, explica Arthur Guerra, psiquiatra e presidente do CISA.
Internações e mortes
O número de internações e de mortes Totalmente Atribuíveis ao Álcool (TAA) também caiu. No primeiro caso, o declínio foi expressivo, com 48,4% de diminuição no período entre 2010 e 2024, de acordo com dados do Datasus presentes na publicação. O grupo de 18 a 34 anos foi o que registrou a maior queda, com uma redução de 75,7%.
Já a mortalidade TAA voltou a níveis pré-pandêmicos. Entre 2010 e 2019, houve considerável queda de 7,9%, passando de 7.157 para 6.594 óbitos. No entanto, com a Covid-19 o número cresceu 32,5%, para 8.738 óbitos. Em 2023, voltou para 7.322, ou seja, uma queda de 16,2% após se manter dois anos em alta.
O grupo TAA é composto por condições de saúde que não existiriam se não houvesse o consumo de álcool, como doença alcoólica do fígado e cardiomiopatia alcoólica, por exemplo.
Já nos óbitos Parcialmente Atribuíveis ao Álcool (PAA), houve redução entre 2010 e 2023 nas mortes por causas externas. Acidentes de trânsito teve queda de 15,7% (passando de 14.604 para 12.310 óbitos) e em violência interpessoal houve redução de 17,1% (de 8.905 para 7.384 óbitos).
Apesar das boas notícias, os números gerais foram puxados para cima pela alta geral em internações (50,3%) e óbitos PAA (11,2%). Quando somadas as internações totalmente e parcialmente atribuíveis ao álcool, houve um crescimento de 24,2% entre 2010 e 2024. Já o total de óbitos aumentou 10,2% entre 2010 e 2023.
Jovens puxam mudanças
A maioria dos brasileiros (64%) declarou não beber em 2025, o que representa um aumento significativo. Em 2023, quando 55% disseram não consumir álcool. Essa mudança de comportamento está sendo puxada pelos jovens. Além de serem os que mais caíram em consumo abusivo de álcool e em internações TAA, a abstinência entre pessoas de 18 a 24 anos subiu de 46% para 64%. Na faixa etária de 25 a 34 anos, subiu de 47% para 61%.
O aumento da abstenção também foi notável entre indivíduos com ensino superior (de 49% para 62%), moradores da região Sudeste (de 51% para 62%) e das classes A e B (de 44% para 55%).
A publicação Álcool e a Saúde dos Brasileiros: Panorama 2025 está disponível para download no site do Cisa.
Considerado um dos mais respeitados concursos internacionais de cerveja, o Brussels Beer Challenge (BBC) divulgou nesta segunda-feira (17) a lista de cervejas premiadas de 2025. E 19 cervejas brasileiras estão entre elas. Foram 8 de ouro, 8 de prata e 3 de bronze. A Brotas Beer também levou o troféu de melhor cerveja brasileira na competição, aumentando o número de prêmios para 20, segundo o site oficial do concurso.
Este ano o Brussels Beeer Challenge concedeu 278 prêmios no total. As avaliações ocorreram por três dias na cidade de Marche-en-Famenne, na província de Luxemburgo, na Valônia, o Sul da Bélgica — cerca de 130 quilômetros da capital Bruxelas. Lá, 80 especialistas avaliaram 1,7 mil cervejas. São amostras de 500 cervejarias de 36 países.
Melhores cervejas brasileiras no Brussels Beer Challenge
A Brotas Beer, cervejaria da região central do estado de São Paulo, localizada a 250 quilômetros da capital paulista, levou o troféu de melhor cerveja brasileira. A premiada foi a Brotas Beer Schwarzbier, que também levou medalha de ouro na categoria Lager, subcategoria Dark/Dunkel (including Schwarzbier).
Esse rótulo acumulou mais de 20 prêmios em diversas competições ao longo do tempo. O mais recente foi uma medalha de ouro no European Beer Star 2025.
No entanto, a cervejaria que mais recebeu medalhas foi a Salva, de Bom Retiro do Sul, no Rio Grande do Sul. Foram quatro medalhas, sendo uma de ouro e três de prata. Depois vem a Cervejaria Karsten, com duas de prata e uma de bronze e, por fim, a Cerveja Stannis, com uma de ouro e uma de prata.
As duas últimas cervejarias são de Jaraguá do Sul, cidade de Santa Catarina, para onde foram a maioria das medalhas. A cidade ficou com cinco medalhas ao todo.
O estado de Santa Catarina foi o mais premiado, com sete prêmios ao todo. São Paulo ficou com cinco e Rio Grande do Sul com quatro prêmios cada.
A região Sul ficou com 12 das 19 medalhas, sendo que as restantes ficaram no Sudeste.
O estilo mais premiado do Brasil foi o Irish Red Ale, com medalha de ouro para Red Sönja da Cerveja Stannis e prata para Wuff Red Ale, da Wuff Bier, de Juiz de Fora (MG). Chama também a atenção que o Brasil acumulou cinco medalhas na categoria Flavoured beer e cinco em Speciality Beer, mostrando a força do país para cervejas criativas.
Confira a premiação completa das cervejas brasileiras:
Cerveja
Prêmio
Categoria
Subcategoria
Cervejaria
Brotas Beer Schwarzbier
Best Brazilian Beer 2025
Melhor cerveja
Brazil
Brotas Beer Industria de Bebidas LTDA
Strong Dark
Gold Medal 2025
Dark Ale
Strong Dark Ale
Hank Bier
O Olhar Dos Seres Das Matas
Gold Medal 2025
Flavoured beer
Field beer
Captain Brew
Cow Me Baby
Gold Medal 2025
Flavoured beer
Sweet/Milk Stout
Cervejaria Salva LTDA ME
Brotas Beer Schwarzbier
Gold Medal 2025
Lager
Dark/Dunkel (including Schwarzbier)
Brotas Beer Industria de Bebidas LTDA
Karsten Eisbock
Gold Medal 2025
Lager
German-Style Eisbock
Cervejaria Karsten
Red Sönja
Gold Medal 2025
Red Ale
Irish Red Ale
Cerveja Stannis
Ashby Weiss
Gold Medal 2025
Wheat
Weizen(doppel)bock
Cervejaria Ashby
In “Trigo” We trust!
Gold Medal 2025
Wheat
Wheat Wine
Cervejaria Karsten
Denker Ana BierHaus Black Miracle
Silver Medal 2025
Flavoured beer
Imperial Stout Barrel- or Wood Aged
Cervejaria Denker — Grupo Thoquino
Baden Baden Chocolate
Silver Medal 2025
Flavoured beer
Chocolate
HNK BR Indústria de Bebidas Ltda
Tendel Belgian
Silver Medal 2025
Pale&Amber Ale
Spéciale Belge
Cervejaria Tendel
Scarlett Flanders
Silver Medal 2025
Red Ale
Oud Rood (Flanders Red Ale)
Cerveja Stannis
Wuff Red Ale
Silver Medal 2025
Red Ale
Irish Red Ale
Wuff Bier LTDA
Balolaine
Silver Medal 2025
Speciality Beer
Barley Wine
Cervejaria Salva LTDA ME
Capuccino Gelado
Silver Medal 2025
Speciality Beer
Speciality beer (Less than 7 ABV)
Cervejaria Salva LTDA ME
Goiabada de Maracujá
Silver Medal 2025
Speciality Beer
Gluten Free
Cervejaria Salva LTDA ME
Corredor Polonês
Bronze Medal 2025
Flavoured beer
Grodziskie
Cervejaria Karsten
Cajueira
Bronze Medal 2025
Speciality Beer
Other Sour Ale
Big Jack Cervejaria
WF#6 – Celebration
Bronze Medal 2025
Speciality Beer
Brett Beer
Cervejas Daoravida
A lista completa de premiados está disponível no site oficial.
Premiadas do mundo
Os países que mais levaram medalhas para casa no Brussels Beer Challenge 2025 foram a própria Bélgica, seguido da Itália e Países Baixos. Os cervejeiros belgas honraram sua tradição, colecionando inúmeras premiações em diversos estilos. O troféu Prik & Tik de Melhor Cerveja Belga foi para a Averbode Extra, da Brouwerij L. Huyghe, segundo o material de divulgação oficial do concurso.
Os destaques desse trio de campeões também vão para a italiana Mannenliefde (Oedipus Brewing) conquistou o troféu Best of Show – Fermentis, e as cervejarias holandesas Jopen e vandeStreek Bier garantiram várias medalhas de ouro.
Os Estados Unidos se consolidaram como potência criativa, destacando-se nas categorias IPA, Stout e Fruit Beer, enquanto a China continuou sua ascensão notável, chamando a atenção com tudo, desde New England IPAs até cervejas com levedura de saquê.
A República Checa, fiel à sua tradição, dominou a categoria Pilsner — com a Primátor 11 Ležák, a Bernard Celebration Lager e a Černovar Světlý conquistando medalhas e reafirmando o domínio checo em equilíbrio, precisão e tradição.