Início Site Página 14

Vice-líder mundial, Brasil deve consumir 885 milhões de litros de cerveja sem álcool em 2026

0

O Brasil deve consumir 885 milhões de litros de cerveja sem álcool em 2026, segundo projeções da Euromonitor. Trata-se de um volume quase sete vezes maior do que o registrado em 2019. Atualmente, o país já é o segundo maior mercado do mundo, atrás apenas da Alemanha. Em 2018, ele ocupava apenas a 7ª posição.

O último número fechado da Euromonitor é de 702 milhões de litros em 2024. As estimativas incluem um salto de 26,1% até o ano atual. Para 2025, a Euromonitor estima um recorde histórico de 785 milhões de litros comercializados no país.

Produção e concentração da cerveja sem álcool

O crescimento do mercado é comprovado também pelo Anuário da Cerveja 2025, publicação anual do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Ele mostra que a produção de cerveja sem álcool cresceu incríveis 536,9% em apenas um ano (de 2023 para 2024). Saltou de cerca de 119 milhões para 757,4 milhões de litros produzidos. Assim ela deixou de ser um traço estatístico (0,8% do total) para representar quase 5% de toda a cerveja fabricada no país. 

O mercado é também bastante concentrado, com 95% das vendas nas mãos das três maiores empresas do setor: Ambev, Heineken e Grupo Petrópolis. Grandes cervejarias fazem investimentos muito altos em tecnologia de desalcolização de cervejas prontas para produzir as chamadas cervejas zero álcool — categoria específica de cerveja sem álcool com menos de 0,05% ABV. Já as mircocervejarias estão apostando em biotecnologia para fazer cerveja sem álcool, aquela com menos de 0,5% de teor alcoólico.

Para acompanhar essa demanda acelerada e combater a desinformação sobre o produto, o Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv) lançou o site Cerveja Zero. Trata-se de uma plataforma digital que centraliza dados setoriais, explicações sobre processos produtivos, curiosidades e dúvidas mais comuns. 

Segundo Márcio Maciel, presidente-executivo do Sindicerv, o objetivo do site é servir como referência de informação em um único ambiente digital. “A proposta é contribuir para dar mais informação qualificada e esclarecer dúvidas frequentes”.

Mudança de comportamento

Uma grande parte dessa mudança é comportamental, apontam especialistas. De um lado, há um aumento de preocupação com a saúde e bem-estar. De outro, a Geração Z tem consumido menos. Pesquisas apontam que apenas 45% dos jovens com menos de 25 anos consomem álcool, o menor índice desde a década de 1960, segundo dados da MindMiner citados pelo site da revista Exame.

Desde 2020, o setor cresce acima de dois dígitos ao ano, mostrando que o que era tendência se consolidou como uma realidade palpável para a indústria brasileira.

Criação de novas bebidas e produtos vira estratégia central para cervejarias em 2026

0

A diversificação de produtos tornou-se pilar estratégico para as cervejarias artesanais que buscam ampliar sua participação de mercado em 2026. Ele inclui novas bebidas, como sidras e RTDs (Ready to Drink), mas latas não pasteurizadas, cervejas Barrel Aged e low cost também estão nos planos. Essas previsões apareceram no levantamento que o Guia da Cerveja fez no final do ano passado com 21 executivos de cervejarias artesanais brasileiras. Além de pedir um balanço de como foi 2025, a reportagem perguntou sobre as perspectivas para o novo ano. A tendência é abraçar a categoria de bebidas de forma mais ampla.

Novas bebidas para expandir público

Rótulos da Cozalinda. (Foto: Divulgação)

A Cozalinda exemplifica essa mudança ao incluir sidras em seu portfólio de distribuição. Além disso, a cervejaria de Florianópolis (SC) se declara focada em cervejas ácidas complexas com inspiração ancestral sul-americana. E diz estar planejando lançar bebidas como a Aluá e Caium, fermentados feitos a partir da casca do abacaxi e da mandioca, respectivamente.

Cervejaria Sampler. (Foto: Reprodução / Instagram / @samplerbrew)

Segundo Diego Simão Rzatki, sócio da Cozalinda, essas novidades são desenvolvidas em formatos contemporâneos. Elas vão aproveitar as atualizações na legislação de bebidas publicadas pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

“A expectativa para o próximo ano é de crescimento e de ser melhor que em 2025. Já temos novos acordos de distribuição sendo assinados e o volume de vendas de cerveja, que já cresce, agora será acrescido com a inclusão das sidras. Ainda para 2026 temos em vista o início do desenvolvimento de novos produtos como Aluá e Cauim, em formatos contemporâneos, de olho na nova legislação publicada pelo Mapa”, afirma Rzatki.

Ready to Drink

Coquetéis prontos para beber, os RTDs, são uma das grandes tendências nos Estados Unidos e já começam a chegar nas cervejarias nacionais. A Verace, de Nova Lima (MG), está lançando nesse início de ano o Gimbrado. Feito com gim destilado na própria cervejaria, o drink é gaseificado, tem 7,9% de álcool e leva ainda limão siciliano e laranja na composição. A novidade chega aos mercados em um momento estratégico, com foco no Carnaval.

O lançamento dá continuidade à linha de drinks autorais da casa, que já conta com rótulos como Tropical, Melancita e Soul Mate. “O Gimbrado é um produto pensado para grandes momentos de consumo. O Carnaval é um deles. Queríamos uma bebida refrescante, menos doce e com identidade, que acompanhasse esse período intenso, sem abrir mão de qualidade”, destaca a Verace.

Tecnologia de envase

Outras marcas apostam na tecnologia de envase e em nichos específicos para garantir relevância. 

A Sampler, sediada em Petrópolis (RJ), foca na expansão de sua marca através de uma nova linha de latas não pasteurizadas. Também pretende aprimorar seu programa de envelhecimento em barris (Barrel Aged). “A expectativa principal é continuar a expansão da nossa marca, colocar nossa nova linha de latas não pasteurizadas no mercado, evoluir nosso programa Barrel Aged e, se tudo der certo, trazer mais algumas medalhas para Petrópolis”, diz Bruno Braga, CEO da marca.

LEIA TAMBÉM:

Já a Paralelo 30, de Eldorado do Sul (RS), adota uma tática voltada para a acessibilidade, iniciando a fabricação de cervejas de baixo custo (low cost) e outras categorias de bebidas para diversificar seu faturamento desde o início do ano, segundo Paulo Vitólia, sócio da cervejaria. 

Essas estratégias mostram que a inovação em 2026 está diretamente ligada à capacidade da indústria de se adaptar aos novos hábitos de consumo e marcos regulatórios.

Groenlândia tem cerveja, sim; e até cervejarias artesanais

A Groenlândia ganhou destaque nos noticiários recentemente por ser alvo das ambições do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A maior ilha do mundo é estratégica pela sua localização e riqueza de recursos minerais. Mas além de tudo isso, tem cerveja na Groenlândia? A resposta é sim. O território semi-autônomo da Dinamarca tem Lager dinamarquesa importada, país que foi uma das origens desse tipo de fermentação. Além disso, tem uma tradição de cervejas caseiras inuítes — que já foram chamados de esquimós, hoje um termo pejorativo — e até três cervejarias artesanais que movimentam a cena por lá.

Donald Trump tem feito pressão para ter a ilha. Quer comprar o território da Dinamarca, mas já disse que opções militares também seriam possíveis. No capítulo mais recente dessa novela — que não vem de hoje! — disse ter chegado a um acordo com a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), mas os envolvidos não especificaram em que termos ainda.

Para entender o imbróglio e a cerveja da Goenlândia é preciso percorrer um pouco do mesmo percurso histórico dessa que é a maior ilha do mundo, mas que tem a menor densidade demográfica do planeta: 0,026 habitantes por km2 considerando o território todo. Aproximadamente 85% dele é inabitado, sendo 410 km2 inabitáveis, segundo a Statistics Greenland. A população hoje é de 56,7 mil pessoas, sendo cerca de 90% de descendência inuíte ou mestiços, 7% dinamarquesa e o restante de outras origens.

O que a Groenlândia tem?

Os primeiros habitantes da ilha foram de diferentes vertentes da população inuíte. Mas os primeiros europeus a chegarem por lá foram os vikings. O explorador norueguês Erik, o Vermelho, foi exilado da Islândia e chegou à ilha no ano 982 d.C. A população cresceu, chegou a 5 mil habitantes, estimam especialistas, mas desapareceu no século 15 sem deixar nenhum vínculo com a ilha. Especula-se que o houve uma pequena Era do Felo na época, expulsando os colonos. Ou seja, qualquer tradição viking hoje está mais no campo do imaginário.

Os noruegueses votaram à ilha em 1721 e o território foi deles até a separação dos reinos da Noruega e Dinamarca, quando passou para os atuais detentores do título. Com a ocupação da Dinamarca pela Alemanha Nazista na Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos assumiram a proteção da ilha, estabelecendo bases militares.

Ela muda de status, deixando de ser colônia para se tornar província dinamarquesa em 1953. Com o passar do tempo, a Groenlândia foi ganhando mais e mais independência, sendo hoje um território autônomo.

Por conta do aquecimento global, o degelo fez do Mar do Norte uma rota navegável, o que aumentou o interesse norte-americano na ilha. Com a diminuição do manto de gelo, maior parte do solo começou a se mostrar, no qual estão terras raras, petróleo e gás natural. Donald Trump quer a ilha para evitar que seja da China ou Rússia, que podem explorar os mesmos recursos. Ele também alega que a Dinamarca não pode protegê-la de uma investida, caso seja necessário, colocando a segurança dos Estados Unidos em risco.

Cerveja dinamarquesa

Até 1950, a Dinamarca menteve a ilha fechada para importações. O que se bebia por lá era o imiaq, um tipo de cerveja caseira feita pelos inuítes com açúcar e malte. Ela entrou em declínio nessa mesma época por conta da liberação de importação de cervejas e outras bebidas, segundo pesquisa do professor da Universidade do Sul da Dinamarca, Peter Bjerregaarda.

As importações eram de marcas de cerveja dinamarquesas, considerada uma das terras das Lagers. Foi lá que Jacob Christian Jacobsen desenvolveu suas Lagers — técnica que ele aprendeu na Alemanha com Gabriel Sedlmayr II, da Spaten. Ele fundou a Carlsberg em 1847, hoje sétima maior cervejaria do mundo. E foi no laboratório dessa cervejaria que o cientista dinamarquês Emil Christian Hansen isolou a própria levedura Lager em 1883 — o nome científico original dela era saccharomyces carlsbergensis em referência a isso.

A cerveja era totalmente importada até 1988, quando foi fundada a Nuuk Imeq, empresa de bebidas criada por uma parceria entre o Governo Autônomo da Groenlândia e a Carlsberg. Ela monopolizou a produção e distribuição de cervejas por ser a única com garrafas de vidro reutilizáveis processadas localmente — uma exigência do governo por conta da proteção ambiental. A partir daí as cervejas Carlsberg e Tuborg, que também pertence ao grupo Carlsberg, passaram a ser produzidas localmente. O governo reviu a lei em 2004, permitindo a abertura de microcervejarias e a importação novamente.

Cerveja artesanal com ingredientes locais

Porfólio de cervjas da Qajaq Brewery (Crédito: Peter Lindstrom / Qajaq Brewery
Porfólio de cervjas da Qajaq Brewery (Crédito: Peter Lindstrom / Qajaq Brewery

Por muito tempo, com a cerveja caseira inuíte praticamente extinta, a própria Groenlândia se tornou uma extensão da cultura das Lagers dinamarquesa. Até os anos 2006, quando surgiu a cervejaria Godthåb Bryghus, primeira artesanal local. Ela ficou conhecida por ousar na produção, fazendo cervejas com gelo de geleiras ou com a erva Angélica, muito usada na gastronomia por lá. Uma das principais criações, no entanto, é a Erik, o Vermelho, uma Red Ale batizada em homenagem ao explorador viking. Em 2025 trocou de nome para Greenland Brewhouse. Ela fica na capital Nuruk, no Sudoeste da ilha, cidade já foi conhecida no passado como Godthåb.

Atualmente são três cervejarias artesanais da ilha. Pode parecer pouco, mas na conta isso dá uma para cerca de 20 mil habitantes. O estado brasileiro com maior concentração de cervejarias por habitante, o Rio Grande do Sul, tem uma cervejaria para cada 32 mil. No Brasil todo há uma cervejaria para cada 100 mil habitantes, segundo o Anuário da Cerveja 2025 do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

A Qajaq Brewery, que fica em Narsaq, também no Sudoeste, é uma das mais ativas. Foi fundada em 2015, sendo lembrada também por usar ingredientes locais, como musgo de caribu. Já a IceCap Brewery é uma cervejaria cigana que ficou conhecida por usar água de icebergs e focar na sustentabilidade. Ela fica em Ilulissat, 200 quilômetros ao norte do Circulo Polar Ártico, na costa ocidental da ilha.

Consumo de cerveja no Brasil cresce 1,1% e chega a 7,9% do total mundial

0

Nosso país segue consolidando sua relevância no cenário global da indústria cervejeira. Segundo o “Global Beer Consumption Report 2025” da japonesa Kirin Holdings, publicado na última quinzena de dezembro do ano passado, o consumo de cerveja no Brasil registrou um crescimento de 1,1% no volume de cerveja em 2024 em relação ao ano anterior. Com esse desempenho e outras mudanças globais, o mercado brasileiro atinge 15,304 bilhões de litros e se torna responsável por 7,9% de toda a cerveja consumida no planeta.

LEIA TAMBÉM:

O relatório, divulgado anualmente e considerado uma das principais referências estatísticas do setor, aponta que o Brasil mantém a terceira colocação no ranking mundial de consumo total por países, atrás apenas de China (1º) e Estados Unidos (2º). O crescimento brasileiro, embora moderado em termos percentuais, é significativo por ocorrer em um mercado já maduro e em um ano de estabilidade nos números de diversas outras potências econômicas.

Consumo de cerveja no Brasil, EUA e China 

O consumo mundial cresceu 0,5% entre 2023 e 2024, ano base do relatório, atingindo 194,12 bilhões de litros. O ranking das nações que mais consomem cerveja no mundo não apresentou mudanças em seu “top 3”. A China continua isolada na liderança, impulsionada por sua vasta população, seguida pelos Estados Unidos. O Brasil, no entanto, vem aumentando sua participação percentual no bolo global — subindo de 7,7% no relatório anterior para os atuais 7,9%.

Posição em 2024Posição em 2023PaísConsumo total em 2024 (em bilhões de litros)Participação no mercado global em 2024Taxa de crescimento 2022–2023
11China40,53420,9%-3,7%
22Estados Unidos22,3411,5%-0,5%
33Brasil15,3047,9%1,1%
44México10,7875,6%5,4%
55Rússia9,5124,9%9,0%
66Alemanha7,2363,7%-2,2%
710África do Sul4,5862,4%4,5%
87Vietnã4,5772,4%0,6%
98Reino Unido4,5092,3%1,7%
109Espanha4,3622,2%-1,3%
1111Japão4,1352,1%-2,7%
1213Índia3,4441,8%14,6%
1312Polônia3,3441,7%-1,7%
1414Colômbia2,6341,4%3,2%
1515Coreia do Sul2,3071,2%0,7%
1616Itália2,1771,1%0,9%
1717França2,11,1%-1,0%
1818Tailândia1,9571,0%5,8%
1919Canadá1,8220,9%-0,1%
2021Austrália1,7360,9%-2,6%
2124Etiópia1,7290,9%5,1%
2223Romênia1,7140,9%2,0%
2322Filipinas1,6930,9%0,3%
2425Ucrânia1,6540,9%3,0%
2526República Tcheca1,5620,8%-0,9%
Total194,117100,0%0,5%

Maiores aumentos e quedas

Considerando a taxa de crescimento, a Índia é o país que teve o maior aumento no consumo de cerveja entre as 25 nações analisadas — cresceu 14,6%. A Rússia, segundo país neste quesito, cresceu 9%. A Tailândia teve uma taxa de crescimento de 5,8%, ficando em terceiro lugar, e o México, de 5,4%, em quarto lugar.

Embora a China lidere no ranking do consumo total, o país asiático também é a nação que teve uma maior queda no percentual de consumo. De acordo com o ranking da Kirin Holdings, a taxa de crescimento da China ficou em -3,7% em 2024. Em segundo lugar neste critério está o Japão, com recuo de -2,7%, seguida por Austrália (-2,6%) e Alemanha (-2,2%), o que reflete mudanças nos hábitos de consumo e o avanço de bebidas alternativas em regiões como a Europa e a Ásia.

Apenas dez dos 25 países analisados tiveram queda de volume entre 2023 e 2024.

Ranking per capita

O ranking de consumo per capita (quantidade consumida por habitante) revela uma dinâmica diferente e mudanças curiosas nos hábitos culturais. Se no volume total o consumo de cerveja no Brasil está no topo da tabela, aqui ele aparece bem mais abaixo. Mas isso, no entanto, não significa que não houve evolução. Nosso país saiu da 21ª colocação em 2023, com 69,9 litros por pessoa por ano, para 21ª posição, com 70,3 litros.

A República Checa permanece, pelo 32º ano consecutivo, como a nação que mais consome cerveja por pessoa no mundo. Cada checo consome 148,8 litros por ano, o equivalente a mais de 400 ml por dia. Um consumo fora da curva até mesmo quando comparado com os demais integrantes do pódio. O país é seguido de perto por Lituânia (110,6) e Áustria (104,6), com cerca de 40 litros a menos do primeiro colocado.

A grande surpresa deste ano, porém, veio da Alemanha. Tradicionalmente uma das fortalezas da cultura cervejeira, a Alemanha manteve sua posição no ranking de consumo total do país, mas sofreu um recuo importante no consumo individual: caiu da oitava para a décima posição no ranking per capita. 

Analistas do setor atribuem essa queda ao aumento do interesse por cervejas sem álcool e a uma busca maior por saúde e bem-estar entre os jovens europeus.

Posição em 2024Posição em 2023PaísConsumo per capita em litros
11República Tcheca148,8
22Lituânia110,6
33Áustria104,6
44Irlanda99
55Croácia95,1
67Estônia93,2
76Espanha91,8
810Eslovênia88,4
99Romênia87,4
108Alemanha86,9
1112Panamá86,1
1214México83,4
1311Polônia83,2
1413Bulgária81,4
1517República Eslovaca81
1615Gabão80,9
1716Letônia79,1
1818África do Sul75,2
1920Hungria74,1
2019Bósnia e Herzegovina71,4
2122Brasil70,3
2221Finlândia68,7
2325Portugal66,9
2427Reino Unido66,3
2523Países Baixos66,2
2628Namíbia66,1
2732Rússia66,1
2829Sérvia65,5
2926Estados Unidos65,4
3024Austrália65
3131Porto Rico61,8
3230Dinamarca60,8
3333Bélgica57,4
3435Noruega55,8
3534Laos55,2
4847Coreia do Sul44,6
5657Japão33,7
8179Filipinas14,2
102102Índia2,4

Um brinde à Zona Leste: vida que pulsa em São Paulo

Iniciando 2026, minha primeira coluna do ano não poderia deixar de saudar a cidade de São Paulo por seus 472 anos de história. Uma cidade cercada de boas histórias, mas também marcada por profundas contradições — e, ainda assim, profundamente amada por mim e por tantas outras pessoas. Nos últimos tempos, minha escrita tem assumido um tom mais afetivo. Isso não significa ignorar os “espinhos” que surgem pelo caminho, mas, hoje, escolho celebrar uma São Paulo que já conhecia e que, recentemente, mergulhei com mais profundidade: a Zona Leste (ZL).

Um território que pulsa vida, memória e resistência.

A Zona Leste como universo próprio

A Zona Leste é um universo à parte: linda, vibrante, cheia de histórias que nem sempre ocupam o centro das narrativas oficiais da cidade. Neste passeio, compartilho lugares, encontros e experiências que me atravessaram profundamente — da espiritualidade à cultura, da memória à cerveja artesanal.

Prepare-se: a conversa é longa, mas cheia de afeto.

Memória, negritude e pertencimento

Sou apaixonada por São Paulo. Gosto de percorrer o centro, desbravar sua arquitetura e descobrir as histórias negras que sustentam essa cidade. Tebas, os Rebouças, Luiz Gama — homens negros que ergueram São Paulo e cujas trajetórias ainda precisam ser mais conhecidas.

A casa onde Luiz Gama viveu e trabalhou — preservada na Rua 25 de Março, 595 — , é um desses lugares em que a história do Brasil se revela viva, acessível e urgente.

A cidade que também se vive pela arquitetura e pela arte

Desde a adolescência, nutro um encantamento especial pelo Copan. Suas curvas, traçadas por Oscar Niemeyer, sempre me chamaram. Perdi as contas de quantas vezes me hospedei ali. Se pudesse, moraria.

Museus também fazem parte do meu roteiro afetivo: o Museu Afro Brasil, exposições temporárias, centros culturais. São Paulo me exige tempo — e eu gosto de oferecer.

Zona Leste: afeto, história e cotidiano

Há bairros da Zona Leste que me são especialmente caros: Ermelino Matarazzo, Penha, Belém. Lugares onde passeio sem pressa, observando o cotidiano, as pessoas, os detalhes.

No último final de semana, vivi intensamente alguns desses espaços.

Conheci o Ceu (Centro Educacional Unificado) Padre Ticão, um espaço educativo e cultural que homenageia Antônio Luiz Marchioni, o Padre Ticão — líder religioso, social e político fundamental para a história da Zona Leste. Sua atuação foi decisiva para conquistas importantes da região, como a USP Leste. As histórias que ouvi ali me atravessaram profundamente.

Natureza e desaceleração no Parque Ecológico do Tietê

Outro refúgio indispensável é o Parque Ecológico do Tietê. Um espaço de respiro em meio ao caos urbano: fauna, flora, trilhas, lago para ver o pôr do sol, espaços para crianças e adultos, que circulam livres — atentos, curiosos e rápidos.

E o parque ainda abriga um museu que narra a história do Rio Tietê e da fundação da cidade. Um lugar para permanecer.

A primeira igreja de São Paulo está na Zona Leste

Em São Miguel Paulista, encontra-se a Capela de São Miguel Arcanjo, a primeira igreja construída na cidade de São Paulo, datada de 1560. Erguida pelos indígenas Guaianases, sob orientação dos jesuítas, a construção carrega tanto valor histórico quanto as marcas da violência colonial.

O tombamento da capela, em 1938, articulado por Mário de Andrade, foi um marco para a preservação do patrimônio histórico paulistano. História viva, a céu aberto.

Arte contemporânea e ancestralidade

No Sesc Belenzinho, vivi uma tarde de domingo atravessada pela arte. A exposição Ònà Irin — Caminho de Ferro, da artista baiana Nádia Taquary, com curadoria de Amanda Bonan, apresenta obras que dialogam com ancestralidade, memória e força feminina negra.

A mostra fica em cartaz até 22 de fevereiro de 2026 e é daquelas experiências que permanecem no corpo, na alma e no espírito.

Café Quintal: casa de vó na Zona Leste

Se existe um lugar que sintetiza acolhimento, memória e afeto, esse lugar é o Café Quintal. Um espaço que parece suspenso no tempo, onde cada objeto conta uma história e nos leva de volta à infância.

Bolos, rabanadas, cafés e doces artesanais — tudo feito com cuidado e carinho. É sobre comida, mas também sobre pertencimento.

Cervejaria 77: encerrando com chave de ouro

Para fechar o passeio, a parada é obrigatória: Cervejaria 77. Há 12 anos, o espaço leva aromas e sabores à Zona Leste, sob a maestria de Aline Motta e Markus Honório.

Ambiente acolhedor, familiar, democrático. Dá para chegar com amigos, pets, sentar numa cadeira de praia e deixar o papo correr solto. Ali, racismo, homofobia, sexismo, etarismo, dentre outras violências contra minorias políticas, não cabem.

A cerveja escolhida por mim foi a “Durango 95”, inspirada em Laranja Mecânica. Uma Dark Mild Ale, estilo oriundo da escola inglesa. Confesso que ainda não conhecia: leve, com apenas 3% de álcool, mas com uma explosão de sabores — toffee, chocolate e nozes. Drinkability impecável, cor marrom quase rubi que, contra à luz, entregava muita beleza.

É com essa cerveja incrível que ergo um brinde à cidade de São Paulo, uma cidade feita por muitas mãos, sobretudo, por operários(as), trabalhadores(as) incansáveis, que merecem descansar nessa cidade que não para, que não dorme.

O papo foi longo, mas espero que você aproveite cada pedacinho da Zona Leste como aproveitei na companhia de meus amigos Sérgio Crusco e Lucas, e das minhas amigas Silvana Aluá e Camilla. Costumo ouvir: há muita vida pulsando na ZL. Pude atestar: tem, de verdade! 

Por fim, desejo que tudo seja sempre leve, como a vida deveria ser, como um pôr do Sol na ZL.

Até o próximo encontro.


Sara Araujo é sommelière de cervejas e palestrante sobre relações raciais; consultora, formada em Direito (ITE de Bauru/2012) e em Ciências Sociais (UEM/2022), é também especialista em História da África e da Diáspora Atlântica (Instituto Pretos Novos/2025), além de mestranda em Ciências Sociais pela UEM.


* Este é um texto opinativo. As opiniões e informações contidas nele são de responsabilidade do colunista e não refletem necessariamente a opinião do Guia da Cerveja.

Menu Degustação: Corona é eleita marca de cerveja mais valiosa do mundo pelo 3º ano consecutivo

0

A cerveja Corona conquistou pelo terceiro ano consecutivo o título de marca de cerveja mais valiosa do planeta, segundo o relatório Global 500 2026, divulgado na terça-feira (20) pela Brand Finance. No total, o valor das 500 marcas do ranking cresceu 11% em relação ao ano anterior, batendo US$ 10,4 trilhões.

Cinco cervejas entraram na lista, sendo três pertences ao portfólio internacional da AB InBev, controladora da Ambev. A cerveja Corona ficou na posição 181 do ranking, perdendo cinco postos em relação à 2025, quando estava no 175º lugar. No cenário nacional, a marca foi um dos pilares para o crescimento de 15% do segmento premium da Ambev no terceiro trimestre de 2025.

Em segundo lugar ficou a Heineken, ocupando o 186º lugar, também perdendo cinco postos em relação ao ano anterior (181º). A também mexicana Modelo Especial foi a mais valorizada, ganhando 13 posições — passou do 338º para o 325º lugar. Em seguida vem a Budweiser na 339ª posição e a novidade da lista, a Snow, da China Resources Beer, que estreou no ranking na 490ª posição.

A cerveja Corona foi uma das marcas mais trabalhadas pela AB InBev, com investimentos em experiências e plataformas como o patrocínio da Corona Cero nos Jogos Olímpicos e na liga mundial de surfe. Além das frentes esportivas e de sustentabilidade, iniciativas como o show da Lady Gaga em Copacabana, no Rio de Janeiro (RJ), reforçam o posicionamento da Corona ligado a celebrações ao ar livre.

Leia também neste Menu Degustação:

Inscrições para o congresso técnico da Brasil Brau estão abertas

As inscrições para o XIX Congresso Brasileiro de Ciência e Tecnologia Cervejeira (CBCTEC) começam oficialmente nesta quarta-feira (21). O evento, que integra a programação da Brasil Brau 2026, traz este ano uma curadoria inédita realizada pela Associação Brasileira da Cerveja Artesanal (Abracerva). O encontro foca em inovação e atualização profissional, reunindo especialistas nacionais e internacionais para debater os rumos da cadeia produtiva no país. Interessados em garantir uma vaga na imersão técnica podem acessar o portal oficial da Brasil Brau para efetuar o cadastro. A programação completa está aqui.

Voltar ao topo

Cervejaria Dádiva lança rótulos sazonais em São Paulo

A Cervejaria Dádiva apresenta duas novas cervejas focadas no frescor para os dias quentes em São Paulo (SP). Os rótulos Cara de Piscina Caju, uma Berliner Weisse com a fruta, e Banho de Mangueira, uma Hoppy Lager, serão lançados oficialmente neste sábado (24), a partir das 16h, no Soul Botequim. O evento Existe Verão em SP terá entrada gratuita e discotecagem da DJ Lih Lima no período da noite. A Cara de Piscina já pode ser adquirida pelo site Central da Cerveja, enquanto a Banho de Mangueira chega aos bares na data do evento.

Voltar ao topo

Itaipava e Petra são foco do Grupo Petrópolis para o verão

O Grupo Petrópolis estruturou uma estratégia robusta para a temporada de verão, período que representa mais da metade do seu volume anual de vendas. Com foco nas marcas Itaipava e Petra, a companhia planeja crescer 12% em relação aos meses frios por meio de ações em bares e supermercados de São Paulo (SP) e outras regiões. A Itaipava retoma o patrocínio ao Paulistão 2026 e conta com campanha estrelada por Ivete Sangalo, enquanto a Petra aposta em promoções em Minas Gerais (MG). O plano também contempla o público jovem com drinks prontos e energéticos da linha TNT.

Voltar ao topo

Estrella Galicia sorteia experiencia VIP no MotoGP de Goiânia

A Estrella Galicia lançou uma promoção nacional que levará fãs de motovelocidade para a etapa brasileira do MotoGP, em Goiânia (GO). Entre 16 de janeiro e 27 de março, consumidores podem trocar pontos por brindes, como jaquetas e copos térmicos, além de concorrer a uma experiência VIP de três dias com acesso aos bastidores. Segundo a diretora de marketing Renata Cecco, a ação busca conectar a marca ao universo das pistas de forma autêntica. Detalhes e cadastro de notas fiscais estão disponíveis no site Promoção Estrella Galicia.

Voltar ao topo

Cervejaria 5 Elementos lança rótulo da linha Abyssal no Ceará

A Cervejaria 5 Elementos, que integra o Grupo Turatti, acaba de apresentar a Abyssal Mistério, nova versão de sua linha de cervejas intensas. Trata-se da mesma base Russian Imperial Stout da linha com adição de um ingrediente não divulgado, proposta que estimula a degustação sem antecipação de sabores e reforça o caráter sensorial do rótulo. A cerveja já pode ser encontrado no Pub 5 Elementos e na Turatti Varjota, em Fortaleza (CE). O sommelier Felipe Costa destaca que o lançamento segue o compromisso da marca com a inovação e o rigor técnico.

Voltar ao topo

Black Princess apresenta lata comemorativa para o Rio Open

Pelo quarto ano seguido, a cerveja Black Princess, do Grupo Petrópolis, assume o posto de cerveja oficial do Rio Open, que ocorre de 14 a 22 de fevereiro no Rio de Janeiro (RJ). Para celebrar, a marca lançou uma lata exclusiva da versão Gold, disponível em mercados de Minas Gerais (MG), São Paulo (SP) e Rio. A gerente Bruna Alonso afirma que o torneio reflete a união entre tradição e atitude, valores fundamentais da cerveja premium.

Voltar ao topo

Tap Tap celebra oito anos com festa no centro de São Paulo

O bar Tap Tap comemora oito anos de atividades com uma festa neste sábado (24), a partir das 14h, na região da praça Roosevelt, em São Paulo (SP). O evento terá 16 torneiras engatadas com rótulos exclusivos de cervejarias como as mineiras Koala San Brew e Tarim, além da gaúcha Dude Brewing e da paulistana Croma. A celebração terá ainda menu especial e discotecagem dos DJs Carla Maria e Abud. Localizado na rua da Consolação, 465, o espaço é comandado por Carlos Lima e consolidou-se pela curadoria rigorosa de bebidas. Detalhes da programação podem ser conferidos no perfil @taptapsp.

Voltar ao topo

Festa Pomerana chega ao último fim de semana em Santa Catarina

A 41ª Festa Pomerana entra em sua reta final em Pomerode (SC), com atividades programadas até este domingo (25) no Parque Municipal de Eventos. O primeiro fim de semana do evento foi marcado por desfiles típicos, competições tradicionais de serrador e lenhador, além do encontro de grupos folclóricos. Os visitantes podem desfrutar de gastronomia alemã completa e apresentações musicais nos pavilhões cultural e principal. A celebração das raízes germânicas da Pequena Alemanha segue com desfiles e música ao vivo diariamente. Informações sobre ingressos e horários estão no site oficial.

Voltar ao topo

Santos ganha cerveja especial para celebrar 480 anos da cidade

Para celebrar o aniversário de Santos (SP), comemorado nesta segunda-feira (26), a Cervejaria Manube e o Baraçai lançaram a cerveja Maré Alta na sexta-feira (23). O rótulo é uma Catharina Sour com açaí, inspirada nas ressacas que invadem a orla santista. Segundo o cervejeiro Adriano Andrea, a bebida é uma homenagem líquida ao cotidiano da cidade. A novidade já pode ser encontrada no Manube Fábrica Bar e em unidades do Baraçai.

Voltar ao topo

Cerveja Läut De Leve ganha nova garrafa long neck

A Cervejaria Läut apresenta a cerveja De Leve em nova embalagem long neck transparente e com rótulo redesenhado para destacar a limpidez da bebida. A mudança busca alinhar o produto ao público que prioriza bem-estar e menor carga calórica. A marca afirma que o novo visual facilita a leitura no ponto de venda e fortalece a arquitetura do portfólio. A novidade foca em um padrão de consumo mais consciente e refrescante.

Voltar ao topo

Dado Bier celebra 30 anos e volta às gôndolas

A Dado Bier comemora três décadas retornando ao varejo em parceria com a rede de supermercados ASUN. O lançamento oficial é uma cerveja puro malte em lata de 473 ml, com design que resgata o primeiro logotipo da marca de 1995. Eduardo Bier destaca que a empresa vive uma fase de startup, focada em agilidade e inovação. O produto já está disponível em mais de 40 unidades da rede em Porto Alegre (RS) e região.

Voltar ao topo

Growler Day da Bodebrown tem novo lote de Blanche de Curitiba

A Bodebrown apresenta a nova brassagem da Blanche de Curitiba neste sábado (24) durante o Growler Day, em Curitiba (PR). Trata-se de uma é uma Witbier, estilo de cerveja de trigo belga com cascas de laranja e sementes de coentro, conhecida pela refrescância. O evento na fábrica tem entrada franca e conta com rock ao vivo, além de 40 outras opções de cervejas e chopes.

Voltar ao topo

Luau Way Beer acontece neste sábado em Pinhais

A cervejaria Way Beer promove o Luau Way Beer neste sábado (24), das 12h às 21h, em Pinhais (PR), na Regão Metropolitana de Curitiba. O evento conta com 20 torneiras de chope, drinks de verão e cardápio com espetinhos de peixe e camarão. A programação musical inclui reggae e pop com diversos artistas locais, além de espaço kids para as famílias. Os ingressos para a festa na região metropolitana estão disponíveis na plataforma Sympla.

Voltar ao topo

13 cervejarias em São Paulo para visitar em 2026

São Paulo é a cidade com mais cervejarias do Brasil. São 66 registradas, aproximadamente 15% do total do estado, segundo o Anuário da Cerveja 2025 do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Aliás, se o município fosse uma das unidades federativas, estaria na oitava posição no ranking de número de fábricas, com 3,4% do total do país, superando outros 20 estados. Então, como escolher quais cervejarias em São Paulo você deveria visitar?

Cada um tem seus critérios. Mas para ajudar na escolha, a reportagem do Guia da Cerveja decidiu elaborar uma lista com algumas das melhores experiências para o público. Não se trata de um ranking, tampouco algo exaustivo. A ideia aqui é elencar fábricas paulistanas que atendem os consumidores diretamente, seja no próprio local em que fabricam, ou em bares e taprooms próprios. Um bom jeito de comemorar o aniversário da cidade, que completa 472 anos neste domingo (25).

Confira 13 cervejarias em São Paulo para visitar:

Cervejaria Nacional

É a mais antiga fábrica-bar de São Paulo, como gostam de se denominar, fundada em 2006. Além da cervejaria no térreo, tem dois pavimentos. No primeiro andar, é possível aproveitar o balcão entendido ou as mesas para apreciar as cervejas e os pratos da casa. O segundo andar, com várias mesas, fica normalmente para eventos, festas e dias de maior lotação. Aproveite os hambúrgueres e as cervejas produzidas ali mesmo, com nomes baseados no folclore brasileiro. A Mula IPA é uma das mais pedidas.

Endereço: Av. Pedroso de Morais, 604 — Pinheiros — Ver no Mapa

Voltar ao topo

Tank Brewpub

Inaugurado em setembro de 2020, ainda em meio à Pandemia de Covid-19, o Tank Brewpub recebeu esse nome porque parte das 20 torneiras de chope da casa está ligada diretamente a tanques de armazenamento cheios de cerveja. A bebida é produzida na fábrica nos fundos do bar, dividida por uma parede de vidro que faz dos equipamentos de inox parte da decoração do espaço. Além do ambiente agradável, tem ótimos pratos e petiscos na cozinha, além de cervejas sempre frescas. Aproveite para almoçar no local.

Endereço: R. Amaro Cavalheiro, 45 — Pinheiros — Ver no Mapa

Voltar ao topo

Croma Beer Co.

Croma Beer Co. fica na Vila Madalena, bairro boêmio paulistano (Crédito: Divulgação)
Croma Beer Co. fica na Vila Madalena, bairro boêmio paulistano (Crédito: Divulgação)

É hoje um brewpub instalado na Vila Madalena, bairro famoso pelos bares e vida noturna de São Paulo. Mas começou como cervejaria cigana (terceirizando a produção, sem fábrica própria) em 2016, apostando em cervejas lupuladas e high-end. A casa atual veio em 2019 e hoje é um dos maiores estabelecimentos do tipo na cidade, também com espaço de eventos. No dia a dia, são 15 torneiras com cervejas frescas produzidas no local. São cervejas muito saborosas, que ainda refletem, na maioria, a linha de produção ousada da época cigana. No cardápio, brilham petiscos e os pratos principais de carne bovina, como T-Bone e Denver Steak.

Endereço: Rua Harmonia, 472 — Vila Madalena — Ver no Mapa

Voltar ao topo

Trilha Cervejaria

Cardápio da Trilha Fermentaria tem fermentados como pizzas e picles próprios (Crédito: Divulgação)
Cardápio da Trilha Fermentaria tem fermentados como pizzas e picles próprios (Crédito: Divulgação)

A Trilha Cervejaria iniciou como cervejaria cigana no fim de 2016. A primeira casa, inaugurada em agosto de 2017, é um sobrado em Perdizes no qual a fabricação ocupava a maior parte do espaço — os fundos e os andares superiores. Visível para o público, ficava apenas o taroom para escolher as cervejas e tomar nas poucas cadeiras ou na calçada. Esse local ainda está aberto, mas em 2022 os idealizadores do negócio inauguraram, na Barra Funda, uma nova fábrica e o Trilha Fermentaria, muito mais voltado à experiência. Com cerca de 20 torneiras, é um barracão amplo de 650 metros quadrados, arejado, com decoração industrial e cozinha focada em fermentados. Para quem gosta do aroma da cerveja sendo feita, há vários barris maturando as invenções da marca na parte dos fundos. Experimente as pizzas. A marca também tem franquias espalhadas pela cidade.

Trilha Perdizes: Rua Apinajés, 137 — Pompeia — Ver no Mapa

Trilha Barra Funda (Fermentaria): R. Cônego Vicente Miguel Marino, 390 — Barra Funda — Ver no Mapa

Voltar ao topo

Incomum Cervejaria

É um dos mais novos empreendimentos cervejeiros da cidade, inaugurado em 2025. Ele foca em cervejas artesanais autorais e criativas, saindo um pouco do padrão do mercado — hoje tomado por IPAs. A casa tem decoração industrial e conta com 12 torneiras de chope, todos tecnicamente impecáveis. A cozinha é um show à parte, com pratos e petiscos autorais como as cervejas, desenhados para harmonizar com as bebidas.

Endereço: R. Sumidouro, 315 — Pinheiros — Ver no Mapa

Voltar ao topo

Cervejaria Dogma

É uma das mais icônicas cervejarias em São Paulo. A marca surgiu em 2015, fruto da união de três cervejarias ciganas e seus criadores. Inaugurou a fábrica própria em 2017, que ficava nos fundos do que é hoje o taproom de Santa Cecília. Em 2020, ela foi fechada para a abertura de uma nova cervejaria na Mooca, na Zona Leste. Hoje a marca Dogma tem uma rede de franquias com pontos espalhados por diferentes bairros de São Paulo. Mesmo assim, a experiência em Santa Cecília ainda é ótima. A linha de cervejas lupuladas e high-end é o carro-chefe e entrega o que os fãs da marca pedem. Mas também há estilos clássicos, como Stouts e Porters.

Endereço: R. Fortunato, 236 — Vila Buarque — Ver no Mapa

Voltar ao topo

Cervejaria Central

A Cervejaria Central começou como bar em 2017, mas virou um pequeno brewpup logo na sequência, servindo cervejas próprias e boa comida na Vila Buarque, na região Central. Recentemente abriu uma unidade na Barra Funda. As novas instalações são maiores e mais agitadas, propícias para um clima de festas. Tem cerca de dez torneiras e petiscos. Já a unidade original foi rebatizada de Krozta Central, sendo mais intimista e gastronômica. O cardápio é assinado pelo chef Thiago Maeda. Muitos dos itens são do bar Krozta, que também funcionava na região e foi fechado.

Krozta Central: R. Jesuíno Pascoal, 101 — Vila Buarque — Ver no Mapa

Cervejaria Central Barra Funda: R. Sousa Lima, 5 – Barra Funda — Ver no Mapa

Voltar ao topo

Tarantino Cervejaria

Cervejaria Tarantino na Zona Norte de São Paulo (Crédito: Divulgação)
Cervejaria Tarantino na Zona Norte de São Paulo (Crédito: Divulgação)

Foi fundada em 2018 por Gilberto Tarantino, atual presidente da Associação Brasileira da Cerveja Artesanal (Abracerva), Luciano Consentino e Isaac Deutsch, hoje presidente do novo Povo Cervejeiro da Grande São Paulo. É uma das maiores cervejarias em São Paulo, possui uma fábrica grande, com capacidade de até 40 mil litros por mês, localizada no bairro do Limão, fora do centro expandido de São Paulo. Não tem um bar funcionando no local, mas realiza alguns dos melhores eventos da cidade no grande pátio anexo à fábrica. Lá é possível beber as cervejas frescas e curtir a programação do momento. Vale a pena ficar antenado na agenda no perfil oficial do Instagram da Tarantino.

Endereço: R. Miguel Nelson Bechara, 316 — Jardim das Graças — Ver no Mapa

Voltar ao topo

Armazém 77 Brewpub

Armazém 77 é uma das cervejaria sem São Paulo com experiência mais autêntica (Crédito: Divulgação)
Armazém 77 é uma das cervejaria sem São Paulo com experiência mais autêntica (Crédito: Divulgação)

Situado na Penha, iniciou sua trajetória em 2014 como bar especializado em cervejas artesanais — um dos únicos na Zona Leste da cidade. A consagração veio em 2018, quando o espaço se transformou no pioneiro brewpub da região com a fundação da Cervejaria 77. Mesmo diante dos desafios da Pandemia, a produção se expandiu e hoje o bar e a fábrica operam em pleno sucesso. O local oferece 7 torneiras rotativas e uma trilha sonora dedicada ao Punk Rock — movimento de 1977 que inspira o nome do estabelecimento. A decoração é informal, com cadeiras de praia e mesas, além e banquetas no balcão. Experimente a Ordinary Bitter da casa, chamada de “Sem Futuro”, uma das especialidades.

Endereço: R. Betari, 525 — Penha de França — Ver no Mapa

Voltar ao topo

3 Brasseurs (3B) Itaim

Instalado no coração do Itaim Bibi, próximo da famosa Faria Lima, esse brewpub trouxe a rede francesa Le 3 Brasseurs para o Brasil quando abriu em 2014. A marca tem cerca de 50 unidades ao redor do mundo. Além das cervejas, um dos grandes destaques é a cozinha, com cardápio que segue a linha das autênticas brasseries, trazendo pratos regionais da Normandia que harmonizam com a produção local.

Endereço: R. Jesuíno Arruda, 470 — Itaim Bibi — Ver no Mapa

Voltar ao topo

Cervejaria Dr. Ewam

Localizada no Alto da Mooca, a Dr. Ewan é o destino ideal para quem busca o clássico binômio “cerveja e rock’n roll”. O brewpub dispõe tem cerca de uma dúzia de torneiras que intercalam receitas próprias e marcas convidadas, acompanhadas de um cardápio de porções e petiscos. O ambiente é acolhedor, com área externa, e a programação musical conta com bandas ao vivo.

Endereço: R. Rui Martins, 191 — Alto da Mooca — Ver no Mapa

Voltar ao topo

Cervejaria Quinkas

Entre as cervejarias em São Paulo está a Quinkas, fica na Vila Carioca e faz alguns eventos. Mas o Quinkas Bar, no Ipiranga, é o grande território de experiência da marca. Trata-se de um local muito bem produzido, com ambiente agradável, espaço para bandas e música ao vivo frequente. Destaque para a cozinha, com petiscos e pratos bem-servidos. Além das cervejas, tem drinks e outra bebidas diversas.

Rua Lord Cockrane, 625 — Ipiranga — Ver no Mapa

Voltar ao topo

Alvorada Cervejaria

Foi criada em 2019 em plena Vila Mariana, na Zona Sul da cidade. Se intitula como nano cervejaria, tem 12 torneiras de chope sempre fresco e ambiente informal, com espaço interno, balcão e mesas externas. Possui ótimos petiscos para matar a fome.

Rua Luís Góis, 1504 — Térreo — Mirandópolis — Ver no Mapa

Voltar ao topo

 

Viagem de férias: 5 cervejarias artesanais imperdíveis para visitar

Quem é fã das cervejas artesanais sempre está caçando de novos rótulos e cervejarias. Seja na própria cidade — pela internet, em mercados, bares e empórios —, ou mesmo na viagem de férias de verão com a família.

Apesar de hoje a cultura da cerveja artesanal estar mais difundida, cada local tem suas particularidades e nem sempre é fácil encontrar uma cervejaria local, com aqueles produtos próprios, únicos, que fazem valer a visita.

E também tem a má distribuição cervejeira do país. Apesar do Brasil ter hoje 1.949 fábricas, segundo dados do Anuário da Cerveja 2025, elas estão espalhadas por apenas 790 municípios, aproximadamente 14% do total de cidades do nosso território continental. Além disso, a maioria se concentra nas regiões no Sul e Sudeste.

Então, para ajudar você na tarefa de curtir uma boa cerveja local, o Guia da Cerveja elaborou uma lista com algumas das cervejarias artesanais mais bacanas para visitar em locais turísticos. Não se trata de um apanhado exaustivo nem de um ranking. Mas de alguns achados que fazem valer um pequeno ajuste no roteiro da viagem de férias.

Toca do Calango / Caatinga Rocks (Maceió – AL)

A fábrica da Caatinga Rocks fica localizada em Murici, no interior de Alagoas. Mas desde o final de 2023, a cervejaria tem um bar em Maceió: a Toca do Calango. O local fica no bairro histórico do Jaraguá, ao lado da praia de Pajuçara, parte do coração turístico da cidade.

A Toca do Calango tem estrutura ampla e arejada, com decoração temática e o jeitinho próprio da cervejaria, que mistura a essência nordestina com um certo espírito Rock and Roll. Também tem palco para shows, cardápio completo e 21 torneiras de chope com algumas das melhores cervejas do Brasil.

São diversas as medalhas conquistadas pela Caatinga Rocks em concursos nacionais e internacionais. Uma das mais importantes é a prata na edição 2024 do World Beer Cup — considerada a maior competição do mundo, realizada nos Estados Unidos. A cerveja premiada foi a Mandacaru Atômico, uma Sour de base IPA que usa cactos da caatinga na composição (mandacaru, xique-xique e palma).

Bar Toca do Calango, em Maceió, é o reduto da marca na capital alagoana (Crédito: Luís Celso Jr. / Arquivo pessoal)
Bar Toca do Calango, em Maceió, é o reduto da marca na capital alagoana (Crédito: Luís Celso Jr. / Arquivo pessoal)

Endereço: R. Melo Póvoas, 258-B – Jaraguá, Maceió – AL (use os links para visualizar mais informações, como horários de atendimento e serviços oferecidos).

Cervejaria Arraial D’Ajuda (Arraial D’Ajuda — BA)

Arraial D’Ajuda é um distrito do município de Porto Seguro, no Sul da Bahia, muito procurado pelo misto de praias com deslumbrantes paisagens naturais e cidade histórica. E nesse último aspecto, a cidade não tem só as construções antigas e a Igreja Matriz de Nossa Senhora d’Ajuda. Abriga também uma das cervejarias artesanais mais antigas do Nordeste.

A Cervejaria Arraial D’Ajuda foi fundada em 2015 pelo mestre cervejeiro Norberto Herreiro — que também fez história no meio cervejeiro (principalmente caseiro) em Juiz de Fora (MG) nos anos 2000. A pequena fábrica possui um bar anexo, com a beleza e simplicidade da decoração praiana, além de boas cervejas esperando ser descobertas. Também é possível curtir os rótulos na Kombi da cervejaria, equipada com torneiras de chope, que fica estacionada perto da igreja.

Fábrica: Rua São João n°47, centro, Arraial D’Ajuda

Kombi: Rua do Mucugê, 150, centro, Arraial D’Ajuda

277 Craft Beer — Foz do Iguaçu (PR)

Mas nem só de praia será feita essa seleção de locais cervejeiros para a viagem de férias. Um dos destinos mais procurados do verão está no interior do país e marca a fronteira com a Argentina. Trata-se das Cataratas do Iguaçu, na cidade de Foz do Iguaçu (PR). Não muito longe do destino turístico, quase às margens do Rio Paraná e há sete quilômetros da Ponte da Amizade, está o brewpub da 277 Craft Beer.

Ela foi um dos destaques brasileiros na edição 2025 do World Beer Cup, faturando duas medalhas de ouro na competição. A primeira para a Quadruppel 277 na categoria Belgian-Style Strong Specialty Ale. Trata-se de uma Belgian Quadruppel que fica 12 meses em barril de castanheira usado para envelhecer cachaça, e depois é adicionada de melaço de cana. A segunda foi para a Canoa Quebrada, uma Contemporary Gose, estilo de cerveja ácido e salgado, com adição de caju.

O espaço é bastante aconchegante, decorado num estilo industrial mais leve, com tijolos à vista na fachada, internamente e muita madeira. Por trás de uma parede de vidro é possível ver as instalações da fábrica enquanto se aprecia uma cerveja recém-tirada de uma das cerca de 15 torneiras de chope da casa.

277 Craft Beer, em Foz do Iguaçu (PR), é uma das opções para visitar na viagem de férias de verão (Crédito: Divulgação)

Endereço: R. Mal. Floriano Peixoto, 709 – Centro, Foz do Iguaçu – PR

Amazon Beer — Belém (PA)

Em 1995 surgiram no Brasil algumas das primeiras cervejarias artesanais. Ainda em 2000, quando estava tudo muito no início, o biomédico Arlindo Guimarães fundou em Belém (PA) a Amazon Beer, a primeira da região Norte. A marca obteve muito sucesso apostando na utilização de ingredientes amazônicos nas cervejas, como bacuri e taperebá. A Stout Açaí, por exemplo, chegou a ser eleita a melhor cerveja no Concurso Brasileiro da Cerveja de Blumanau (SC) em 2014.

Nessa época, a Amazon Beer estava em plena expansão, iniciada com uma nova planta fabril em 2011 e a terceirização no Centro-Sul do país. Em 2015, o volume superava os 100 mil litros mensais, com distribuição para vários locais do Brasil. Mas na segunda metade dos anos 2010 a empresa diminuiu a operação. O local original, no entanto, permanece em funcionamento com um brewpub gastronômico instalado no complexo cultural Estação das Docas, na capital paraense.

O complexo é um local histórico, construído originalmente em 1909 como Porto de Belém, e já vale a visita por si só. Mas a cervejaria também não fica para trás. Além de provar os chopes produzidos com ingredientes locais, também é possível apreciar a gastronomia da região. Só como exemplo, alguns dos petiscos são o bolinho de pato no tucupi, o unha de caranguejo (feito exclusivamente com carne da pata), além do queijo da Ilha de Marajó grelhado, pasteis de tacaca e muitas outras iguarias.

Endereço: Blvd. Castilhos França – Campina, Belém – PA

Cervejaria Altezza – Castelo (ES)

Se a sua preferência para a viagem de férias for pelo campo ou montanha, ficar hospedado na Cervejaria Altezza pode ser uma experiência incrível. Localizada em plena Serra do Castelo, a cerca de 150 quilômetros de Vitória (ES), a Altezza fica na região das Montanhas Capixabas. Junto com a fábrica está o Espaço Via Olivari, que tem restaurante e pousada. Os quartos são tradicionais, mas cheios de conforto e rodeados pela natureza. Alguns têm vista para o Pico da Pedra Azul, que dá nome ao parque estadual ali perto. Aproveite os programas turísticos, os pratos do restaurante e as cervejas artesanais. E, principalmente, relaxe. É sua viagem de férias.

Endereço: Distrito de São José de Alto Viçosa – Estrada Vai e Vem, s/n – Limoeiro, Castelo – ES

Mesmo com desafios, cervejarias artesanais miram crescimento de até 50% em 2026

0

Desde à Pandemia de Covid-19, as cervejarias artesanais brasileiras vêm enfrentando desafios constantes. O crescimento diminuiu de ritmo e a economia não está ajudando. Mesmo assim, há marcas de perfis e tamanhos variados que projetam crescimento de até 50% em 2026. Essas previsões apareceram no levantamento que o Guia da Cerveja fez no final do ano passado com 21 executivos de cervejarias artesanais brasileiras. Além de pedir um balanço de como foi 2025, a reportagem perguntou sobre as perspectivas para o novo ano.

Entre elas está a Arkangel Beer, única cervejaria de Arujá (SP), município da região metropolitana de São Paulo vizinho da cidade de Guarulhos e que possui cerca de 80 mil habitantes. A meta da cervejaria é crescer ao menos 50% ao longo deste ano, de acordo com um dos fundadores, Luis Henrique Barros.

Ela é uma cervejaria de porte pequeno, mas não é nova. Tem mais de sete anos de história e que produz vários estilos de cerveja. Entre os rótulos estão: Arkangel Uriel, uma Irish Red Ale com 6,5% ABV; a Arkangel Raguel, uma Witbier de 5,1% ABV; a Arkangel Rafael, uma Weissbier que também tem 5,1% ABV; a double IPA Lilith, de 8,7% ABV; e a Blond Ale Arkangel Gabriel de 5,2% ABV. 

Na mesma linha de otimismo, a Hespanha Brewery, de Paranaguá (PR), espera um incremento de 20% a 30% em seu desempenho em comparação ao ano anterior, segundo o sócio-proprietário João Hespanha. A marca opera no modelo de cervejaria cigana — ou seja, sem fábrica própria. Ela terceiriza a produção em outras plantas fabris.

A cervejaria fez, em colaboração com a Yellow Bird Brewery, de Pinhais (PR), a melhor cerveja do Brasil na Copa Cerveja Brasil em 2025. Trata-se da Frutopia Amburana, uma Brazilian Wood and Barrel Aged Sour Beer que combina Catharina Sour — estilo brasileiro de cerveja ácida — e incorpora amoras, morangos, tangerina e limão, com um toque final dado pela maturação com chips de Amburana (madeira aromática tipicamente nacional).

Cervejaria Arkangel. (Foto: Reprodução / arkangel.beer )
Cervejaria Arkangel. (Foto: Reprodução / arkangel.beer )

Expansão das cervejarias artesanais

É fácil crescer muito e rápido se a produção é pequena ou está no início. No caso de uma fábrica de 2 mil litros, passar para 3 mil litros é um crescimento de 50%. Mas não são só as microcervejarias ou ciganas que estão vislumbrando um 2026 melhor. A carioca Hocus Pocus pretende expandir quase esse percentual, mesmo com capacidade acima de 100 mil litros. “Com uma operação mais robusta e um time cada vez mais alinhado ao nosso propósito, projetamos um crescimento em torno de 45%”, afirma o fundador Vinicius Kfuri.

Lata da Hocus Pocus Derealization (Foto: Divulgação)
Lata da Hocus Pocus Derealization (Foto: Divulgação)

A marca carioca é uma das precursoras das cervejas New England IPA no Brasil e produz outros rótulos como Orange Sunshine, uma American Blonde Ale de 5% ABV; Aura, uma Session Hazy IPA de 5% ABV; Magic Trap, uma Belgian Golden Strong Ale de 8,5% ABV; Alma, uma Oat Lager de 4,4% ABV; APA Cadabra, uma American Pale Ale de 5,2% ABV; e a Interstellar, uma American IPA de 7% ABV.

Monka Cervejaria, localizada no bairro Olhos D’Água, em Belo Horizonte, se classifica como maior brewpub de Minas Gerais. Aberto no início de 2025, recebeu investimento superior a R$ 1 milhão e tem capacidade para acomodar cerca de 400 pessoas sentadas (até 1,5 mil em eventos). A produção é superior a 20 mil litros de cerveja por mês.

Para Guilherme Marinho, fundador da Monka Cervejaria, o mercado vem passando por um processo de amadurecimento após a Pandemia de Covid-19. E isso deve resultar em crescimento. “No ano de 2026, não tenho dúvida, esse processo vai continuar e esse amadurecimento, tanto em relação às cervejarias quanto em relação ao consumidor, vai fazer com que o consumo das cervejas artesanais venha a aumentar”, diz. “Então, vemos 2026 com muito otimismo”, completa.

A Monka fabrica quatro rótulos de cerveja, entre eles a Mico Leão Dourado, uma Pilsen com álcool por volume (ABV) de 4,4%; a Babuipa, uma American IPA de 6,5% ABV; a Saimiri, uma Hop Lager de 4,4% ABV; e a Orangotango, uma Amber Lager de 4,5% ABV.

Desafios e foco em qualidade

Entretanto, esse crescimento não virá sem desafios. O setor atravessa uma fase de consolidação, na qual o ritmo de surgimento de novas fábricas diminuiu, e a tendência é que o número de fechamentos supere o de novas aberturas nos próximos anos, segundo Guilherme Marinho. 

Para sobreviver e crescer neste cenário, a qualidade e a inovação deixam de ser diferenciais para se tornarem requisitos básicos de permanência. “As cervejarias artesanais que se dedicarem a entregar qualidade vão continuar existindo e o consumo vai continuar aumentando, tudo alinhado às tendências de inovação e adaptação ao perfil do consumidor”, diz Marinho, da Monka Cervejaria, que não especificou um percentual de aumento da produção.

Irmãos Moret nas instalações da nova fábrica em São Bernardo do Campo (Foto: Reprodução / cervejariadosmoret.com.br)
Irmãos Moret nas instalações da nova fábrica em São Bernardo do Campo (Foto: Reprodução / cervejariadosmoret.com.br)

Flávio Moret, sócio-proprietário da DosMoret, concorda que 2026 será um bom ano para o setor cervejeiro artesanal. Mas, para ele, isso não significa que será fácil. “O mercado está estagnado ou em retração, e a competição será muito baseada em preço. Não será fácil”, diz Moret. Em 2025, ele e seu irmão e sócio, superaram o desafio de abrir uma própria fábrica em São Bernardo do Campo, no ABC paulista. A produção inclui rótulos permanentes, como a Session IPA DosMoret e a  Fruit n’ Sour, além de cervejas sazonais.

Biotecnologia cresce e impulsiona entrada de pequenas cervejarias no mercado de bebidas funcionais

O volume de cerveja sem álcool saltou 536,9% em 2024 no Brasil, segundo o Anuário da Cerveja 2025, publicado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Elas passaram de aproximadamente 0,8% em 2023 para 4,9% do mercado nacional no ano seguinte. Já o segmento sem glúten aumentou 136,1% e hoje ocupa 0,46% do total da produção do país. Por trás de tudo isso está, do lado do consumidor, a maior da preocupação com a saúde e bem-estar, que vem puxando a demanda das chamadas cervejas funcionais. Do lado da indústria, está um motor invisível e silencioso, pouco conhecido do público. Trata-se da biotecnologia. Esse é um setor que vem crescendo muito em termos de mercado e avançando em inovações que possibilitam a produção desses novos tipos de cervejas, principalmente na pequena indústria.

O cenário global confirma essa tendência. O mercado de leveduras para cerveja hoje chega a quase 5 bilhões de dólares. E deve crescer cerca de 7,8% por ano, em média, até chegar em 9,11 bilhões em 2032, de acordo com projeções da Data Bridge Market Research. Já a expectativa para as enzimas no mesmo período é de um aumento de 6,92% na média anual. Elas devem passar de 482,8 para 771,8 milhões de dólares, de acordo com a Kings Research.

“Quando falamos sobre a tendência de moderação de consumo ou preferência por produtos sem glúten, sem álcool ou de baixa caloria, em meio à crescente competitividade no mercado cervejeiro, as enzimas assumem um papel fundamental, porque entregam o que não daria para as microcervejarias fazerem sem elas”, diz Rubens Mattos, mestre cervejeiro e diretor técnico da Prodooze.

“Muitas empresas estão quebrando uma resistência ao uso de enzimas e outras tecnologias porque precisam competir no mercado e, muitas vezes, a qualidade da cerveja fica melhor do que antes”, completa.

LEIA TAMBÉM:

Oferta e conhecimento

Mattos explica que o uso da biotecnologia pelas microcervejarias sempre esteve disponível. No entanto, se tornou mais acessível ao longo do tempo. Em parte, devido às opções ofertadas, como embalagens menores e fracionadas (um quilo, 500 gramas ou até menores).

Além disso, a disseminação de conhecimento técnico e dos benefícios do uso das enzimas por meio de mídias digitais, palestras e treinamentos também contribuíram para o setor. Um exemplo, explica, é a enzima Beta-glucanase, que melhora o rendimento da produção em cerca de 1% nas grandes cervejarias, mas que pode variar entre 2% e 5% nas pequenas. Pode parecer pouco, mas é algo que vira lucro sem investimento a mais, já que as enzimas se pagam, segundo o especialista.

NA 05 da Angel, alternativa para as microcervejarias no processo de fabricação de cervejas sem álcool. Foto: Divulgação / Prodooze
NA 05 da Angel, alternativa para as microcervejarias no processo de fabricação de cervejas sem álcool. Foto: Divulgação / Prodooze

“Hoje, para sobreviver no mercado, a guerra de preço entre as próprias microcervejarias faz com que eles tenham que ser mais eficientes em processo, custo e tempo”, explica Mattos.

Outro avanço ligado às enzimas é a previsibilidade na qualidade do produto final. Mario Bitencourt, supervisor técnico comercial da Unidade de Negócios Cerveja — Brasil da AEB Group, aponta que havia uma variabilidade drástica na qualidade de diferentes lotes da cerveja artesanal há 15 anos. Atualmente, o uso de leveduras selecionadas, nutrientes precisos e coadjuvantes de filtração elevou a régua da profissionalização. O impacto direto para o consumidor é o acesso a produtos com validade estendida, segurança alimentar e, principalmente, a padronização do sabor.

Democratização pelo bioprocesso

Outra vantagem importante no uso da biotecnologia é permitir que as cervejas artesanais disputem mercados antes inacessíveis. Um bom exemplo é o que acontece com a produção de cerejas sem álcool, que sempre foi um grande desafio para a indústria. Historicamente, os mestres cervejeiros usavam o método de fermentação interrompida, no qual forçavam a levedura a parar de fermentar já nas primeiras horas. No entanto, isso deixava a bebida com sabor pouco agradável de mosto, que é o líquido formado por água e malte antes de virar cerveja.

Recentemente, contudo, o cenário mudou com a chegada das cervejas zero. Elas são feitas por meio de equipamentos de desalcoolização ou osmose reversa, que são bastante caros. Isso mudou a exigência do consumidor com esse tipo de produto. Mas é um desafio financeiro intransponível para as microcervejarias, de acordo com o mestre cervejeiro Rubens Mattos. “Desconheço microcervejarias que tenham equipamentos para desalcoolização da cerveja”.

Hoje, com o avanço da biotecnologia, o uso de enzimas e leveduras permitiu a fabricação desses produtos utilizando exatamente o mesmo parque industrial que já possuem. Basta saber o que adicionar ao processo.

“Nas microcervejarias, a produção de cerveja sem álcool ou com baixo teor alcoólico envolve dois processos. Um deles é um controle do mosto que vai ser usado para fermentação, de modo que permita uma fermentação limitada para não formar muito álcool. Tem também o uso de uma levedura que não metabolize muito açúcar para não formar muito álcool”, explica.

Endozym Thiol e leveduras especiais da AEB Breweing (Crédito: Divulgação)
Endozym Thiol e leveduras especiais da AEB Breweing (Crédito: Divulgação)

Segundo Mattos, em alguns casos se usam enzimas para o ajuste do sabor desse mosto, para ficar mais próximo do que seria uma cerveja com álcool.

As enzimas na produção das cervejas “glúten free”

Além do álcool, a biotecnologia atua com precisão na criação de cervejas para celíacos. No passado, cervejas sem glúten eram sinônimo de sabores estranhos devido ao uso de cereais alternativos. Hoje, o uso de enzimas específicas permite que o produtor utilize o malte de cevada tradicional, degradando a proteína do glúten de forma que ela se torne inofensiva para o organismo, sem alterar a formação de espuma ou o extrato da cerveja.

É o caso da endoenzima protease, por exemplo, que permitiu que o mundo da cerveja artesanal entrasse na onda sem glúten sem ter que usar milho ou sorgo, explica Bitencourt.

“Com ele, tu faz cerveja de cevada e trigo de verdade, por exemplo, com gosto de cerveja, mas sem o perigo do glúten”, afirma. Segundo ele, a enzima procura especificamente as ligações de prolina (que é a parte do glúten que o corpo do celíaco ataca). Depois, corta em pedacinhos tão pequenos que o sistema imunológico nem “enxerga”.

“A biotecnologia, e especificamente as enzimas exógenas que a gente adiciona além das que já vêm no malte, são as ferramentas invisíveis que dão suporte ao cervejeiro, economizam tempo, melhoram rendimento, estabilidade coloidal e permitem criar esses produtos novos que o mercado está exigindo, como as Low Carb, Sem álcool, baixo álcool, Zero Glúten”, afirma Bitencourt.

Cervejaria Bierbaum lançou linha Low Carb em parceria com a biotecnologia da AEB Group. Foto: Divulgação.

Biotecnologia para low e zero carb

As enzimas também estão por trás de muitas das cervejas low ou zero carb. Elas são utilizadas para diminuir a quantidade de carboidratos na cerveja final, que são açúcares que naturalmente sobram após a fermentação da bebida, explica Bitencourt.

Um exemplo prático do uso dessas leveduras é a nova linha de cervejas low carb da Cervejaria Bierbaum, de Treze Tílias (SC). Feita em parceria com a tecnologia da AEB, ela alcançou um crescimento de 300% no volume de vendas desde o primeiro lote. Prova de que a demanda reprimida por esses produtos é real e rentável.