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Brasil vence Haiti por 5 x 0 e mostra superioridade na Copa do Mundo da Cerveja

A Seleção Brasileira faz sua segunda partida na Copa do Mundo 2026 nesta sexta-feira (19) às 21h30 contra o Haiti. A equipe canarinho entra em campo como franca favorita, já que o time haitiano é apenas 85º colocado no ranking da Federação Internacional de Futebol (FIFA) e o único do Grupo C que perdeu o confronto inicial. No entanto, o empate contra Marrocos não convenceu a torcida nacional, e o grupo continua precisando provar o seu valor.

Em campo, o resultado ainda está em aberto. Mas se o Mundial fosse sobre cerveja, não haveria a menor chance para o Haiti. A disparidade dos mercados seria tão grande desproporcional quanto um “Davi contra Golias”, e o Brasil repetiria a vitória contra Marrocos com uma nova goleada de 5 a 0. 

Foi pensando nessas possibilidades de confrontos cervejeiros que a equipe do Guia da Cerveja elaborou uma competição própria: a Copa do Mundo da Cerveja. Nela, os países se enfrentam por meio de seus mercados cervejeiros. E como num “Super Trunfo”, eles são comparados em cinco critérios: tamanho do mercado, consumo per capita, preço, tradição cervejeira e variedade. A vitória é dada a quem marcar mais gols, ou seja, quem tiver maior nota em cada um dos quesitos. 

Confira como seria esse jogo.

Tamanho do mercado

Nessa competição, no critério do tamanho do mercado, o Brasil marcaria o primeiro gol já na saída de bola, sem chance para o goleiro adversário, e do meio de campo — no melhor estilo de “o gol que o Pelé não fez”!

A indústria nacional produziu mais de 15 bilhões de litros de cerveja em 2025, segundo o Anuário da Cerveja 2026 do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Isso garante ao Brasil um lugar de destaque como terceiro maior produtor da bebida do planeta, atrás apenas da China (35,9) e dos Estados Unidos (19,3). Ou seja, uma nota oito no geral.

Já o Haiti fabricou apenas 19,5 milhões de litros em 2024, de acordo com os números mais recentes do Barth Haas Report 2025. Isso equivale a apenas 0,13% do mercado brasileiro. Algo que deve ser considerado aqui é também o tamanho do país, com 28 mil quilômetros quadrados e 12 milhões de habitantes.

Por conta disso, a produção é até menor do que a de Marrocos (87 milhões de litros), um país de maioria islâmica que não bebe álcool, mas que supera a demografia haitiana com sobra: são 450 quilômetros quadrados e 45 milhões de pessoas.

Consumo per capita

Não haveria chance também no campo do consumo per capita. 

Por aqui, cada brasileiro bebeu em média 70,3 litros em 2024, segundo números do relatório Global Beer Consumption da Kirin Holdings. A nota brasileira, no entanto, fica em 4,7, já que na Copa do Mundo também está a seleção da República Checa, onde cada habitante consome impressionantes 148,8 litros/ano — essa seria a nota 10. 

Já o consumo haitiano é de apenas 1,66 litros/ano. Esse número acaba muito afetado pelas difíceis condições atuais do país, que vive uma das piores crises humanitárias do século, caracterizada pelo colapso político, domínio de gangues criminosas e pobreza extrema. Mas também sofre influência da preferência do consumidor: os destilados. Estima-se que o Haiti tenha entre 500 e 600 microdestilarias artesanais.

Proporcionalmente, então, Marrocos fica com nota 0,1.

Preço

A disputa aqui se mostra mais equilibrada, com uma resistência bastante combativa do Haiti. Ainda assim, numa bobeira da defesa, o Brasil marca seu terceiro gol com nota 8 contra 6. Lembrando que o critério de preço é o único em que as notas são inversamente proporcionais — afinal, quanto mais barata, melhor. 

Isso porque nos bares e restaurantes haitianos a cerveja é mais cara que no on-trade brasileiro: 3,5 contra 2,5 dólares. Já nos supermercados, o preço médio da cerveja no Brasil é de 1,38 contra 1,48 dólares do país caribenho.

Tradição cervejeira

Apesar do Brasil ser um dos maiores produtores mundiais hoje, a tradição cervejeira nacional pode ser considerada mediana para efeitos de nota. Nosso país não tem uma identidade própria na cerveja ainda, mal conquistou o primeiro estilo de cerveja nos guias internacionais e só se começou a pensar numa cerveja brasileira muito recentemente. Ou seja, ainda precisamos treinar muito para competir com os maiores, como Alemanha, Reino Unido, Bélgica e Estados Unidos.

No entanto, a história da cerveja no Brasil é longa. O território em que hoje se encontra o país teve uma das primeiras cervejarias do continente, instalada pelos holandeses em 1640 em Recife durante o período em que dominaram a região Nordeste. Além disso, o Brasil teve cervejas inglesas importadas ainda no século 19 e a cultura cervejeira do país teve forte influência alemã.

Já Haiti foi o primeiro país da América Latina e do Caribe a declarar independência. Fundado em 1º de janeiro de 1804, se tornou a primeira república negra do mundo. Antes de sua independência, desde 1665, foi a colônia francesa de São Domingos, uma das mais lucrativas do mundo, com economia baseada em cana-de-açúcar e café, movida pela força de pessoas escravizadas.

Em razão das influências africanas, as principais bebidas eram fermentados de cana, que depois se tornaram o destilado tradicional da ilha, o clarin. Diferente do rum, ele não utiliza melaço na bebida pronta e sua fermentação é feita com leveduras selvagens. Todas as demais bebidas chegavam via importações.

A história da produção de cerveja por lá só começa em 1973, quando Michael Madsen, um haitiano de família dinamarquesa, fundou a Brasserie Nationale d’Haïti (Brana) na capital, Porto Príncipe. Em 1976, a fábrica lançou a Prestige, a primeira e mais famosa cerveja do país, que domina o mercado com cerca de 98% de participação.

Rapidamente, ela se tornou símbolo de orgulho nacional. Trata-se de uma American Lager leve que chegou a ganhar medalhas de ouro no concurso norte-americano World Beer Cup nos anos de 2000 e 2012.

Em 2005 iniciou exportações para cidades selecionadas no Canadá e nos Estados Unidos. Mas Madsen faleceu precocemente em março de 2007, aos 65 anos. Em 2011, a gigante holandesa Heineken adquiriu uma participação majoritária de 95% na empresa.

Variedade

Com todo esse histórico, além do gol brasileiro na tradição cervejeira, a seleção canarinho marca um segundo gol na sequência em variedade.

A Prestige é praticamente a única cerveja, com exceção de poucas importadas. Mas o país do Caribe, no entanto, é um grande consumidor de Malta, bebida também feita a partir de água e malte de cevada, mas que, diferente da cerveja, não é fermentada. Ela é nutritiva e consumida por adultos e crianças, escura e chamada de Malzebier. A principal marca é a Malta H, também da Brana.

Já o Brasil ampliou consideravelmente a presença de tipos e estilos de cerveja nos últimos 30 anos, com o Renascimento da Cerveja Artesanal sendo refletido por aqui. Hoje o país tem 1.954 cervejarias em mais de 700 municípios.

Brasil goleia Haiti por 5 x 0

Na Copa do Mundo da Cerveja, o jogo seria fácil para o lado brasileiro e a goleada estaria garantida. Mas, em campo, na Copa do Mundo FIFA, talvez o Haiti não seja assim tão simples de vencer. Ele pode explorar pontos fracos da Seleção Brasileira, se trancar na defesa e jogar nos contra-ataques com a força e velocidade revolucionária haitiana. É bom os canarinhos tomarem cuidado.

7 lugares diferentes para assistir aos jogos do Brasil na Copa do Mundo 2026

Quem quer ver os jogos do Brasil fora de casa conta com ótimas opções de lugares nessa Copa do Mundo 2026. Bares e restaurantes do país inteiro estão com um olho no gramado e outro no potencial cliente que a partida pode trazer. O número de estabelecimentos com programações especiais é enorme, tão grande quanto a expectativa para bons negócios.

Um levantamento da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) mostra que 52% deles pretendem transmitir os jogos e 80% deles esperam faturar mais nessas datas que em dias normais.

No entanto, esses estabelecimentos têm uma concorrência de peso: cinemas, arenas e até museus entraram na onda, organizando suas próprias Fan Fests. São locais inusitados muitas vezes, mas podem ser ótimas oportunidades para quem quer curtir os jogos do Brasil de uma forma diferente.

A reportagem do Guia da Cerveja separou sete deles para você aproveitar em São Paulo, mas a ideia se espalhou pelo país e não é difícil achar outros locais na sua cidade. O jogo desta sexta-feira (19) começa às 21h30 e será contra o Haiti.

Jogos do Brasil na Arena Globo (Parque Ibirapuera)

Localizada na Marquise do Parque Ibirapuera, em São Paulo, a Arena Globo é um dos lugares que oferecem uma programação gratuita com transmissões ao vivo e mais de 20 atrações interativas ligadas ao universo do futebol. Ela acontece entre 11 de junho e 19 de julho e o espaço se destaca pelas experiências imersivas, contando com o Hub da Seleção Brasileira, um Túnel do Tempo que relembra momentos marcantes do esporte e uma exposição exclusiva exibindo as camisas das campanhas campeãs do Brasil.

No último jogo, a TV Globo também fez entradas de espaços com quem fez parceria pelo Brasil, como Arena Copacabana, instalada na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, e outros em Porto Alegre e Salvador.

Casa CazéTV (Parque Villa-Lobos)

A Casa CazéTV transporta a atmosfera informal e conectada das transmissões digitais de Casimiro Miguel para um espaço de 10 mil metros quadrados no Parque Villa-Lobos, em São Paulo. Diferente de outros lugares gratuitos, o acesso à arena é pago, com ingressos variando entre R$ 52,50 e R$ 490. O investimento, porém, garante uma imersão completa. Além de assistir aos jogos do Brasil em um imenso telão de LED de 196 metros quadrados, os torcedores podem se divertir em atrações interativas como narrar gols históricos, testar o fôlego no “Desafio do Gogó” e até imitar o penteado dos jogadores no “Corte de Craque”. O ambiente simula um estúdio ao vivo, com o volume nas alturas e muita música, incluindo shows diários de funk, sertanejo e pagode para animar o público antes, durante e depois dos jogos.

No Rio de Janeiro, a Casa CazéTV está sendo realizada no Armazém 3 do Píer Mauá, no Centro.

Museu do Futebol

Para quem busca um passeio cultural e gratuito com a família, o Museu do Futebol, na Praça Charles Miller, se transformará em uma verdadeira arquibancada novamente para o jogo contra a Escócia. Por conta do horário, o local não vai exibir a partida contra o Haiti nesta sexta. A disputa será transmitida ao vivo em um telão instalado na área externa e no auditório. A programação do espaço ainda incluirá a exibição de partidas históricas, filmes e diversas atividades voltadas para celebrar a cultura do futebol. 

Cine Belas Artes

Que tal trocar o bar por uma poltrona de cinema? O tradicional Cine Belas Artes, na Consolação, está exibindo os jogos da Seleção Brasileira em sua telona. A experiência é inusitada por misturar o clima de sala de cinema com a atmosfera de estádio. E permite que o público consuma a clássica pipoca, juntamente com cerveja e petiscos de bar, durante a transmissão dos jogos. Os ingressos estão disponíveis na bilheteria do local, a partir de R$ 15.

Outros cinemas pelo país, como o Belas Artes de Belo Horizonte e Estação no Rio de Janeiro, também terão exibições da partida.

Torcida N1 (Jockey Club)

Se a intenção é vivenciar uma atmosfera de grande evento, a Torcida N1 vai ocupar o Jockey Club de São Paulo com telões de alta definição e open bar premium. O espaço promove uma verdadeira festa que começa duas horas antes da partida e se estende por até quatro horas após o fim do jogo, contando com atrações musicais de peso como Felipe Amorim, Naldo, DJs e até apresentações de bateria de escola de samba. Os ingressos disponíveis para o dia 26 (Brasil x Escócia) custam R$ 550 (feminino) e R$ 650 (masculino), mais as taxas da plataforma. Os convites para o 19 já estão esgotados.

Festival Futebol & Samba (Arena Pacaembu)

Unindo duas das maiores paixões nacionais, o Festival Futebol & Samba acontece no Mercado Livre Arena Pacaembu. Além de poder acompanhar as jogadas da Seleção nos telões, os torcedores curtirão uma grande Fan Fest. Antes e depois das transmissões dos jogos do Brasil, haverá shows de samba, pagode e apresentações especiais da bateria da Mocidade Alegre, atual campeã do Carnaval paulistano. Os ingressos variam de R$ 40 a R$ 140.

Casa de Francisca

Localizada no icônico Palacete Tereza Toledo Lara, tombado e reformado, no Centro Histórico, a Casa de Francisca é um espaço cultural e gastronômico de primeira. E preparou uma experiência focada no encontro em espaço público. O local instalará um telão no Largo da Misericórdia para a transmissão gratuita das partidas. Também é um dos lugares que contarão com programação musical. O “esquenta” da torcida será com o DJ Anazú. Já o pós-jogo será no Porão, com a banda Batanga e Cia.

Extra: Embaixadas Bud (rooftop Ephigenia)

Para quem busca uma experiência imersiva e badalada, a Budweiser criou as “Embaixadas Bud”, convertendo mais de 55 estabelecimentos pelo Brasil em verdadeiras casas da torcida. Em São Paulo, o grande destaque é o rooftop Ephigenia, que oferecerá a transmissão dos jogos acompanhada de festas com DJs, combos promocionais, dinâmicas interativas e distribuição de brindes exclusivos. O objetivo da marca é criar um ambiente proprietário perfeito para quem deseja acompanhar cada lance cercado de outros fãs de futebol. A iniciativa também se estende para outras capitais, marcando presença em locais renomados como o bar +55, em Curitiba, e o Eco, em Salvador.

Além das Embaixadas, as outras marcas de cerveja do portfólio da Ambev prepararam diversas experiências pelo país. A Brahma foca em resgatar a cultura popular com as “Ruas Nº1”, instalando telões gratuitos em vias de cidades como Ribeirão Preto (SP), Rio de Janeiro, Brasília e Manaus. A marca também organiza as imensas “Arenas Nº1” em capitais como Salvador, Belo Horizonte, Goiânia, Porto Alegre e Recife, promovendo shows com expectativa de receber mais de 600 mil pessoas e oferecendo rótulos que vão da Brahma 0,0% à Michelob Ultra. Já a cerveja saborizada oficial do campeonato, a Flying Fish, se junta à Budweiser em ativações de megaeventos badalados, como a Arena Brasileira (SP) e as festas GINGA, que passarão por 14 cidades brasileiras.

Brasil Brau & Beverage: feira do setor cervejeiro vai ampliar escopo para bebidas em geral em 2028

Após três dias de evento, a Brasil Brau, maior feira do setor cervejeiro da América Latina, encerrou sua 18ª edição na quinta-feira (11) com saldo de 8 mil visitantes e presença de mais de 180 marcas, segundo a organização. Mas o ano de 2026 também será lembrado como o último do modelo atual, focado exclusivamente no mercado de cervejas. A partir de 2028, o evento vai ampliar o escopo para abranger toda a cadeia produtiva de bebidas, tornando-se Brasil Brau & Beverage.

A mudança foi anunciada ainda na abertura da feira, na terça-feira (9), pela diretora de negócios da GL events, Tatiana Zaccaro. “A evolução da Brasil Brau reflete um movimento natural do próprio mercado, marcado pela convergência tecnológica, geracional e comercial entre diferentes segmentos do setor de bebidas”, disse na ocasião.

Brasil Brau & Beverage

A mudança para Brasil Brau & Beverage, portanto, busca acompanhar a evolução do mercado e a consolidação do consumidor híbrido, que transiciona entre as bebidas facilmente. Ela entrará em vigor a partir da próxima edição, daqui a dois anos, mas começa já neste momento, explica Tatiana Zaccaro.

“Pudemos acompanhar nesta edição a confirmação de uma tendência que já vinha se consolidando nos últimos anos: as fronteiras entre as diferentes categorias de bebidas estão cada vez mais tênues. Compartilhamos desafios, tecnologias, canais de distribuição e, principalmente, um consumidor que transita entre múltiplas opções de consumo”. 

Ao abarcar formalmente toda a cadeia produtiva de bebidas, a promotora GL events Exhibitions busca ampliar seu posicionamento da cerveja para o novo mercado.

“A transição para um novo formato reflete essa nova realidade, ao mesmo tempo em que reforça nossa estratégia de posicionar o evento como a principal plataforma de negócios, conteúdo e inovação para toda a cadeia de bebidas”, conclui a diretora.

Balanço positivo

Muitos expositores se mostraram satisfeitos com a edição 2026 da feira. Para Patrick Banwart, gerente da divisão de bebidas da Globalfood, a edição superou as expectativas ao registrar uma retomada expressiva nas intenções de compra. “Sentimos uma virada muito forte na intenção de investimentos. O estande esteve lotado todos os dias e geramos muitos projetos que vão se desdobrar nos próximos meses”, celebrou o executivo, destacando o interesse do público qualificado em novas linhas de enzimas e leveduras.

A Memo também colheu resultados imediatos focados em tecnologia aplicada ao ponto de venda e ao ambiente residencial. “Viemos com o objetivo de apresentar novos lançamentos, como torres automatizadas por aplicativo. Conseguimos cumprir as metas, tivemos grandes vendas na feira e abrimos muitas contas novas”, destacou Lucas Cavalin, diretor comercial da marca.

Toda essa sofisticação técnica das fábricas e distribuidoras encontra o seu gargalo no momento do serviço. “Não basta apenas o líquido ser excelente; o ritual de serviço precisa ser perfeito, e o copo adequado faz parte dessa estratégia de branding. O grande desafio do varejo hoje é equilibrar essa necessidade de elegância com produtos de alta durabilidade, que aguentem o giro pesado dos estabelecimentos sem comprometer o fluxo de caixa com quebras”, explica Luciano Dutra, diretor comercial e de marketing da Ruvolo.

No Congresso Brasileiro de Ciência e Tecnologia Cervejeira (CBCTEC), o saldo também foi positivo. Com 400 inscritos, os painéis oxigenaram a grade com debates focados em inteligência de mercado, construção de marcas e canais de distribuição. Pela primeira vez, a Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva) assumiu diretamente a curadoria do comitê científico.

“A cerveja gera negócios, arrecadação e empregos, e este evento prova que precisamos olhar para o setor como uma cadeia produtiva que se destaca na economia do país”, avaliou Gilberto Tarantino, presidente da Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva).

Votação popular consagra os destaques da edição

O encerramento da Brasil Brau 2026 também revelou as marcas vencedoras das prêmiações do evento, escolhidas por votação dos visitantes através do aplicativo oficial. Na categoria Inovação, a vencedora foi a Prozyn. A companhia trouxe como novidade para o evento uma cerveja zero carb e sem glúten feita com as soluções enzimáticas próprias AttenuMax Zero, ClearMar Pro, MatuFest e NatuFoam.

Já a categoria Sustentabilidade foi para a Globalfood, com produtos que atuam na redução de consumo de energia para as cervejarias. Por fim, a Memo conquistou a categoria Destaque, última e mais importante do evento. Ela chamou a atenção no pavilhão ao apresentar diversos produtos inovadores, como as chopeiras HUG, com descongelamento rápido e tecnologia que permite maior vazão.

Terra do goleiro Vozinha, Cabo Verde faz cerveja com água do mar

O goleiro Vozinha, da Seleção de Cabo Verde, também conhecido pelo seu nome real Josimar José Évora Dias, foi um dos grandes protagonistas da Copa do Mundo 2026 até agora. Nesta segunda-feira (15), ele fechou o gol e foi o herói do empate em zero a zero com a seleção da Espanha, uma das favoritas ao título. E como a internet não esquece e não perdoa, em poucas horas seu perfil do Instagram saiu de 50 mil para mais de 1,7 milhão de seguidores (no fechamento dessa matéria, às 19h17, já passava de 3 milhões).

O que pouca gente sabe é que quando Vozinha for comemorar o feito tomando uma cerveja em terras cabo-verdianas, estará consumindo uma bebida para lá de especial. No arquipélago, a bebida é feita com água do mar dessalinizada.  

A Strela Kriola (5% ABV) é a cerveja mais famosa e consumida do arquipélago, seguida da Strela Classic (5,6%), ambas produzidas pela mesma fabricante em solo nacional. Segundo Guilherme Machado Zwetsch, comunicador especializado em marketing político que viaja com frequência para o país africano, na fábrica há duas usinas dessalinizadoras que operam para abastecer a produção.

“Não se percebe nenhuma diferença no paladar. Se fosse vendida em qualquer outro lugar, ninguém notaria que foi feita com água dessalinizada. Não tem gosto salgado, não fica nenhuma marca no sabor”, conta.

Fábrica da cerveja Strela, campeã de vendas de Cabo Verde, país do goleiro Vozinha (Crédito: Divulgação)
Fábrica da cerveja Strela, campeã de vendas de Cabo Verde, país do goleiro Vozinha (Crédito: Divulgação)

Guilherme conta também que a Strela Kriola é mais do que apenas uma cerveja bem leve do dia a dia. É um orgulho nacional. Ela disputa mercado com algumas marcas importadas, como Super Bock e Heineken. “O cabo-verdiano toma Estrela Kriola, principalmente, e toma com gosto e orgulho”, diz.

Strela, a cerveja de Cabo Verde

A Strela foi lançada em 2006 na cidade da Praia, em Cabo Verde. Foi produzida pela Sociedade Cabo-verdiana de Cerveja e Refrigerantes (SCCR), que pertence ao grupo Equatorial Coca-Cola Bottling Company (ECCBC), uma engarrafadora da Coca-Cola que começou a atuar no país em 1997. Desde então, investiu mais de 40 milhões de euros no negócio, que representa hoje 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB) cabo-verdiano.

O nome Strela tem o mesmo significado no crioulo cabo-verdiano que em português. E foi escolhido para substituir a marca Coral, consolidando a produção de uma cerveja 100% nacional.

Poucos anos depois, em 2009, a marca era a segunda cerveja mais consumida em Cabo Verde, cobrindo 35% do mercado. De acordo com o grupo, atualmente, é já a primeira bebida no país. A marca recebeu, em 2016, o prémio internacional Sabor Superior (Superior Taste Award) do International Taste & Quality Institute (iTQi) em Bruxelas, na Bélgica.

Que água bebe o goleiro Vozinha?

Se a água que o goleiro bebe fez alguma diferença na sua performance histórica, é difícil dizer. Mas o fato é que de 80% a 90% da água de Cabo Verde vem de dessalinização da água do mar.

Cabo Verde é um país de 500 mil habitantes que fala português e fica no Oceano Atlântico. Está a cerca de 500 quilômetros da costa do Senegal, na África. É composto por um arquipélago de dez ilhas vulcânicas que têm escassez de água potável, períodos de seca e poucos rios perenes.

Isso também leva a outra consequência: é uma das águas mais caras do mundo, já que o processo é feito por meio de usinas movidas a diesel. Em estudos comparativos sobre tarifas de água na África, o Banco Mundial identificou tarifas acima de três dólares por metro cúbico para consumo doméstico. No resto do continente, sem considerar o arquipélago, a média é de 43 centavos de dólar.

Vozinha, o herói

A atuação heroica de Vozinha foi premiada com a avalanche de seguidores por conta de uma campanha ao vivo na CazéTV, que tinha os direitos exclusivos da transmissão da partida. Os brasileiros embarcaram na movimentação iniciada na LiveModeTV, canal internacional da Livemode em Portugal, trazendo visibilidade a ela. A transmissão da CazéTV da partida teve o segundo maior pico de acessos simultâneos de uma transmissão de futebol no mundo, com 8,1 milhões de dispositivos ligados, segundo o site Omelete.

Com alta de 0,96% em maio, preço da cerveja volta a rodar acima do IPCA

O bolso do torcedor brasileiro sofreu um duro golpe na hora de abastecer a geladeira para a Copa do Mundo Fifa 2026. Após dar um refresco com a deflação registrada em abril, o preço da cerveja vendida nos supermercados voltou a subir forte em maio, registrando uma alta de 0,96% — superando com folga o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do mês, que fechou em 0,58%. Com esse resultado, a inflação da cerveja acumula uma elevação de 3,69% no ano e chega ao torneio com um avanço de 5,99% nos últimos 12 meses.

Já a produção de bebidas alcoólicas — puxada principalmente pela fabricação de cerveja — registrou queda de -3,1% em abril na comparação com o mesmo mês do ano anterior, interrompendo o ritmo de crescimento visto no mês anterior. O recuo colocou o setor de bebidas em geral (que caiu -1,8%) em forte contraste com a indústria nacional, que expandiu 2,7% no período.

Os números são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Inflação da cerveja na gôndola supera em 6 vezes o reajuste dos bares

A maratona de jogos em busca do hexacampeonato vai exigir estratégia financeira de quem pretende assistir às partidas. Os dados de maio revelam uma divisão clara no mercado: a inflação da cerveja para consumo no domicílio (0,96%) foi exatamente seis vezes maior do que a variação da cerveja consumida fora de domicílio, que subiu discretos 0,16% no mesmo período.

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Essa disparidade mostra que a indústria e os grandes varejistas descarregaram os reajustes nas prateleiras dos supermercados. Em contrapartida, os donos de bares e restaurantes pisaram no freio nos repasses. O setor de on-trade tenta segurar o cliente no balcão em um momento em que o orçamento das famílias está severamente pressionado pela alta geral da alimentação e pelo custo da energia elétrica, inflacionado pela bandeira tarifária amarela. No acumulado de 12 meses, no entanto, a cerveja de supermercado ainda acumula 5,99%, enquanto a do bar registra alta de 3,01%.

Geral, grupo, subgrupo, item e subitemMensal (%)12 meses (%)
Índice geral0,584,72
1. Alimentação e bebidas1,333,87
    11. Alimentação no domicílio1,652,99
        1114084. Cerveja0,965,99
    12. Alimentação fora do domicílio0,496,22
        1201048. Cerveja0,163,01

Fonte: IBGE – IPCA (Maio 2026)

Custos logísticos e frete pressionam o setor

O salto no preço da cerveja não aconteceu de forma isolada, mas acompanhou o estresse generalizado que atingiu o grupo de Alimentação e Bebidas, que disparou 1,33% em maio e acabou respondendo por metade de toda a inflação oficial do país no período.

Segundo o gerente da pesquisa do IBGE, Fernando Gonçalves, o encarecimento dessa categoria macroeconômica é explicado por uma combinação de menor oferta de produtos e, principalmente, pelo peso do frete. “A gente usa muito frete rodoviário”, apontou o gerente em entrevista à Agência Brasil.

Gonçalves também acrescentou que a alta global no preço dos fertilizantes — um reflexo direto dos conflitos geopolíticos em andamento no Oriente Médio — elevou os custos de produção no campo, gerando um efeito cascata que encareceu os insumos e acabou sendo repassado até a ponta final da cadeia de consumo.

Preço da cerveja nas áreas pesquisadas

O impacto no bolso do torcedor é uma questão puramente geográfica neste início de Copa do Mundo. Das áreas pesquisadas pelo IBGE, a Região Metropolitana de Porto Alegre (RS) foi onde ficou mais caro garantir a cerveja do churrasco, liderando a alta nacional com expressivos 2,18% de aumento no domicílio. Logo atrás aparecem a RM de São Paulo (SP), com avanço de 1,83%, e Brasília (DF), com 1,49%.

Por outro lado, algumas capitais do país trazem um cenário de alívio e preços mais competitivos para as festas. A maior queda foi registrada na RM da Grande Vitória (ES), onde o preço da cerveja despencou -1,68% em maio. A RM de Belém (PA) também deu fôlego ao consumidor com recuo de -0,53%, seguida de perto pela RM de Recife (PE), que anotou deflação de -0,47%.

Cidade / RegiãoVariação Mensal (%)Acumulada 12 Meses (%)
Rio Branco (AC)——
São Luís (MA)0,266,51
Aracaju (SE)0,516,81
Campo Grande (MS)0,147,85
Goiânia (GO)1,006,72
Brasília (DF)1,494,17
Belém (PA)-0,535,78
Fortaleza (CE)0,258,05
Recife (PE)-0,472,94
Salvador (BA)1,202,80
Belo Horizonte (MG)0,014,84
Grande Vitória (ES)-1,687,89
Rio de Janeiro (RJ)0,138,60
São Paulo (SP)1,836,50
Curitiba (PR)0,536,87
Porto Alegre (RS)2,184,52

Fonte: IBGE – IPCA (Dados de Maio 2026 – Item: 1114084.Cerveja)

Produção de bebidas alcoólicas recua em abril, mas acumula alta no ano

Os novos dados da Pesquisa Industrial Mensal (PIM-PF) de abril revelam que a indústria de bebidas ligou o sinal de alerta às vésperas da Copa do Mundo 2026. Seguindo o comportamento de retração do mercado de transformação, a Fabricação de Bebidas Alcoólicas — segmento cuja atividade é composta em quase 90% pela produção de cerveja — registrou queda de -3,1% na comparação com o mesmo mês do ano anterior. O resultado interrompe a sequência de expansão observada em março, quando o setor havia avançado 5,0%. 

O recuo na produção das alcoólicas acabou pesando sobre o desempenho do setor de Bebidas em geral (que engloba os canais alcoólicos e não alcoólicos), cuja queda em abril foi de -1,8%. O número coloca a categoria em forte contraste com o índice da Indústria Geral, que registrou crescimento de 2,7% no mês, impulsionada principalmente pelos setores extrativo e de derivados de petróleo.  

Apesar do tropeço pontual em abril, o cenário de médio prazo traz alento para investidores e empresários. No índice acumulado para o primeiro quadrimestre de 2026 (janeiro-abril), o saldo da produção de bebidas alcoólicas permanece positivo, acumulando alta de 2,9%.

Mesmo com essa desaceleração mensal, o acumulado no ano das bebidas alcoólicas (2,9%) e do setor de bebidas geral (2,2%) continua rodando acima da média de recuperação da própria indústria nacional, que acumula 1,7% no quadrimestre. 

Grupos e classes industriaisVariação Mensal (%)Variação 12 Meses (%)
11.1 Fabricação de bebidas alcoólicas-3,1-3,0
11.2 Fabricação de bebidas não alcoólicas-0,51,4

Fonte: IBGE – Pesquisa Industrial Mensal (Dados de Abril 2026)

Heineken lança Ultimate focando em moderação e bem-estar

A Heineken lançou no dia 18 de maio a Heineken Ultimate, versão sem glúten, com 30% menos calorias (apenas 97 kcal por 330 ml) e teor alcoólico de apenas 3,5% — mas preservando o sabor característico da cerveja regular. No entanto, diferente da Heineken 0.0, que traz a isenção total de álcool, o foco e posicionamento da novidade são outros: na moderação e no bem-estar (wellness) no mercado premium.

O desenvolvimento do produto foi feito em parceria com a Heineken Global, mas o Brasil é o primeiro país a lançar e testar a novidade, reforçando o papel do Brasil como mercado estratégico para inovação da companhia.

O lançamento foi feito inicialmente nos estados de São Paulo e Minas Gerais no mês de maio. A partir de julho, o produto deve chegar aos estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo, completando a expansão pelo Sudeste. Existe a meta de cobrir as demais regiões do Brasil até, no máximo, março de 2027.

O preço sugerido é de R$6,49 na versão lata (350 ml) e R$7,29 na long neck (330 ml).

Heineken Ultimate: calorias, carboidratos e o sabor

A Heineken revelou a novidade em um almoço para jornalistas e influenciadores em São Paulo. Lá, a equipe do Guia da Cerveja pode ver e provar em primeira mão.

O aroma e sabor se mantêm muito próximos da Heineken regular, com notas levemente frutadas, como pera, e um leve aroma de lúpulo floral, com baixa presença de malte, que lembra cascas de pão. O que muda é a sensação de corpo, que é levíssima, e a percepção de amargor, que é levemente menor que na cerveja original. Além disso, a cerveja sem mantém puro malte, ou seja, utiliza apenas malte de cevada na receita.

A cerveja tem zero açúcar, que é o formato mais simples dos carboidratos. No entanto, isso não significa que não tenha carboidratos em geral, que são açúcares em formatos mais complexos. Segundo o rótulo, ela tem 2,1 gramas de carboidratos em 100 ml do produto, totalizando só 69 na long neck (330 ml) e 73,5 na lata (350 ml). Isso a colocaria na faixa chamada de low carb, de baixa quantidade de carboidratos, e não zero carb.

A consequência mais direta da redução dos carboidratos e do álcool para 3,5% (a versão regular tem 5%) é a redução de calorias totais, que cai 30%. Enquanto a Heineken Ultimate tem 29 kcal a cada 100 ml (totalizando 97 kcal na long neck e 101 na lata), a versão tradicional tem 42 kcal em 100 ml (139 kcal na long neck e 147 kcal na lata).

Esse nível de calorias é bem menor que o da maioria das bebidas alcoólicas mais consumidas. Um vinho tem, em 100 ml, de 75 a 85 kcal (dependendo da quantidade de açúcares residuais ou adicionados). Um destilado, como a vodka, chega a valores ainda mais altos, de 220 a 250 kcal, na mesma proporção. Fica também abaixo de muitas bebidas não alcoólicas. No mesmo volume, um suco de laranja de caixinha pode ter entre 45 a 60 kcal e um refrigerante tradicional, entre 40 e 45 kcal.

Posicionamento 

A Heineken Ultimate também marca uma nova etapa da estratégia de inovação da companhia. O rótulo amplia o portfólio de cervejas premium, em linha com a evolução dos hábitos de consumo. A novidade se insere em uma transformação mais ampla do mercado em que o consumidor é guiado por diferentes estilos de vida, cada vez mais conectados ao bem-estar, segundo a empresa. Atenta a esse movimento, a Heineken® acompanha o consumidor em diferentes ocasiões, ampliando as possibilidades dentro da mesma marca.

“Heineken Ultimate nasce a partir de uma transformação clara no comportamento do consumidor, que busca relações mais equilibradas com o consumo. Mais do que lançar um novo produto, estamos ampliando as possibilidades de escolha dentro da categoria. O fato de o Brasil ser o primeiro mercado a receber essa inovação reforça a relevância estratégica do país para a marca globalmente”, afirma Maurício Giamellaro, CEO do Grupo Heineken. 

Segundo a empresa, o lançamento também fortalece a liderança da empresa no setor premium. Esse segmento cresceu de 4% para 25% de participação no mercado de cervejas entre 2012 e 2025. E é composto por cervejas com price index de 150% a 155% maior que a cerveja mainstream.

Desenvolvimento e Produção

Segundo o CEO do Grupo Heineken, o projeto foi uma inovação desenvolvida de forma acelerada, levando pouco mais de um ano no total, mediante uma parceria entre os mestres cervejeiros do Brasil e globais.

Diferente do da Heineken 0.0, a Ultimate não demanda a compra ou instalação de equipamentos de grande porte nas fábricas, facilitando sua expansão. A fabricação necessita apenas dos mesmos equipamentos da Heineken convencional, como os famosos tanques horizontais. A reportagem do Guia degustou uma cerveja feita em Alagoinhas. Uma das cinco plantas habilitadas a produzir Heineken no Brasil — as demais são Ponta Grossa, Jacareí, Passos e Araraquara.

O nome Heineken Ultimate

A cerveja faz parte da plataforma global chamada “Ultimate”. Ela concentra as opções equilibradas da companhia no mundo. No entanto, o nome Ultimate aparece pela primeira vez em uma cerveja zero álcool, zero carboidrato e zero açúcar da Heineken lançada em março deste ano nos Estados Unidos. Segundo a empresa, são produtos completamente diferentes. E não devem ser confundidos.

A campanha de lançamento começou em maio. Os executivos anteciparam no evento que o slogan deve ser algo como “É bom demais para ser verdade, mas é”. A divulgação utilizará influenciadores para representar a diversidade do estilo de vida da nova cerveja, contando com Lázaro Ramos (reputação cultural), Sasha Meneghel (lifestyle e moderação) e Rafa Vitti (leveza e masculinidade contemporânea).

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Acordo Mercosul-UE: o que muda, de fato, para o setor cervejeiro

Durante muitos anos, o acordo Mercosul-UE foi tratado como uma promessa distante. Sempre presente no debate, mas ainda fora da rotina prática das empresas. Isso mudou em 2026. O Congresso brasileiro promulgou, em 17 de março, o Acordo Provisório de Comércio entre os blocos. E o governo federal concluiu em 28 de abril a etapa final para viabilizar sua entrada em vigor, com início em 1º de maio de 2026. A partir daí, o acordo entre Mercosul e União Europeia deixou de ser apenas diplomático e passou a merecer leitura concreta também pelo setor cervejeiro. 

Acordo Mercosul-UE

É claro que não estamos diante de uma abertura instantânea e irrestrita. O próprio factsheet oficial do acordo mostra que a lógica adotada é de desgravação gradual, com cronogramas diferentes conforme o produto e sua sensibilidade. 

Na oferta europeia, há eliminação tarifária em prazos de 4, 7, 8, 10 e 12 anos; na oferta do Mercosul, os prazos vão de 4 a 15 anos. Em termos amplos, a UE eliminará tarifas sobre aproximadamente 95% dos bens, enquanto a oferta do Mercosul cobre cerca de 91% dos bens importados da União Europeia. 

Em outras palavras, o acordo cria uma nova trajetória de integração comercial, mas não produz, da noite para o dia, um mercado plenamente nivelado. 

E a cerveja?

Para a cerveja brasileira, isso significa uma oportunidade real, mas que não pode ser romantizada.

O Brasil já exporta cerveja e os números mais recentes mostram isso com clareza. Em 2025, foram 315,5 milhões de litros exportados, com faturamento recorde de US$ 218,3 milhões e preço médio de US$ 0,69 por litro, o maior da série recente. A cerveja brasileira chegou a 77 países.

O dado, porém, precisa ser lido com atenção, pois 98,5% do volume exportado teve como destino a América do Sul e os países europeus ainda aparecem de forma bastante modesta entre os principais compradores. Os Países Baixos, por exemplo, surgem como primeiro destino fora do continente americano, com 214.785 litros em 2025. 

Esse ponto é importante porque ajuda a separar expectativa de realidade. O acordo pode facilitar acesso e melhorar condições comerciais ao longo do tempo, mas ele não transforma automaticamente a cerveja brasileira em protagonista no mercado europeu. Hoje, nossa presença internacional ainda é fortemente concentrada no entorno regional. Isso quer dizer que a oportunidade existe, mas exigirá mais do que redução gradual de barreiras. Exigirá estratégia comercial, regularidade de fornecimento, posicionamento de marca, adaptação a exigências técnicas e capacidade de competir em mercados mais maduros. 

Importações

Mas o acordo não traz apenas portas de saída. Ele também aumenta a pressão de entrada. O Anuário da Cerveja 2026 mostrou que o volume de cerveja importada pelo Brasil saltou 251,4% em 2025, chegando a 26,3 milhões de litros, enquanto o valor importado cresceu apenas 1,7%.

Com isso, o preço médio da cerveja importada caiu para US$ 0,36 por litro, o menor da série histórica. Sem falar que dos quinze maiores exportadores de cerveja para o Brasil em volume, nove são europeus. E, em valor, a Alemanha lidera as importações brasileiras de cerveja. Isso mostra que a integração comercial precisa ser lida também como teste de competitividade para a indústria nacional. 

Oportunidade ou ameaça?

Por isso, talvez a principal contribuição do acordo para o setor cervejeiro não seja a promessa de expansão automática, mas a imposição de uma nova régua. O debate deixa de ser apenas sobre se haverá oportunidade e passa a ser a respeito de quem está preparado para aproveitá-la. 

Há aqui uma lição que vale além da cerveja. Em comércio internacional, acordos não substituem competitividade interna. No máximo, a expõem com mais nitidez.

Se o setor brasileiro souber usar esse novo ambiente para se preparar melhor, ampliar presença qualificada e profissionalizar sua inserção internacional, o acordo Mercosul-UE pode representar uma oportunidade histórica. Caso seja tratado apenas como manchete otimista, o risco é outro: abrir mais o mercado sem conseguir ocupar com a mesma velocidade os espaços que ele promete criar. 


Clairton Gama é advogado e sócio do escritório Kubaszwski Gama Advogados Associados. Possui mestrado em Direito pela UFRGS e é especialista em Direito Tributário pelo IBET. Além disso, é cervejeiro caseiro.


* Este é um texto de opinião. As ideias e informações nele contidas são de responsabilidade do colunista ou articulista e não refletem necessariamente o ponto de vista do Guia da Cerveja.

Brasil goleia Marrocos por 5 x 0 na Copa do Mundo da Cerveja

O Brasil estreia neste sábado (13) na Copa do Mundo 2026, a maior de todos os tempos, com três países-sede, 48 seleções e 104 jogos. Com a bola no pé, a Seleção Brasileira é favorita no confronto direto contra Marrocos, time africano que encontrou seu futebol recentemente, mas que sofre com muitos desfalques. Mas quem venceria esse jogo se o Mundial fosse sobre cerveja?

Foi essa pergunta que levou a equipe do Guia da Cerveja a elaborar uma competição própria: a Copa do Mundo da Cerveja. Nela, os países se enfrentam por meio de seus mercados cervejeiros. E como num “Super Trunfo”, eles são comparados em cinco critérios: tamanho do mercado, consumo per capita, preço, tradição cervejeira e variedade. A vitória é dada a quem marcar mais gols, ou seja, quem tiver maior nota em cada um dos quesitos. 

Confira como seria esse jogo. Spoiler: Brasil goleia Marrocos, sem dar chances para o adversário.

Tamanho do mercado

O primeiro golaço brasileiro é no tamanho do mercado. A indústria nacional produziu mais de 15 bilhões de litros de cerveja em 2025, segundo o Anuário da Cerveja 2026 do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Isso garante ao Brasil um lugar de destaque como terceiro maior produtor da bebida do planeta, atrás apenas da China (35,9) e dos Estados Unidos (19,3). Ou seja, uma nota oito no geral.

Já Marrocos ficou comendo poeira — ou grama! — nesse critério, com nota 0,5, já que fabrica uma quantidade muito menor. De acordo com os números mais recentes, do Barth Haas Report 2025, o país do norte da África produziu apenas 81,8 milhões de litros em 2024, o equivalente a aproximadamente 0,5% do total brasileiro.

Consumo per capita

A superioridade do país canarinho também se mostra no consumo de cerveja por pessoa, critério no qual o Brasil marca mais um lindo gol. 

Por aqui, cada brasileiro bebeu em média 70,3 litros em 2024, segundo números do relatório Global Beer Consumption da Kirin Holdings. Já o consumo marroquino é de apenas 2,15 litros/ano, flutuando historicamente entre 2 e 2,6 litros, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

O motivo é religioso. Sendo um país de maioria muçulmana, o Marrocos possui uma vasta taxa de abstêmios na população geral. Estimativas internacionais apontam algo superior a 85%.

A nota brasileira aqui, no entanto, fica em 4,7, já que na Copa do Mundo também está a seleção da República Checa, onde cada habitante consome impressionantes 148,8 litros/ano — essa seria a nota 10. Proporcionalmente, então, Marrocos fica com nota 0,2.

Preço

O critério de preço é o único em que as notas são inversamente proporcionais. Afinal, quanto mais barata a cerveja, melhor. Aqui, no entanto, a jogada do gol foi mais disputada, com nota 8 contra 5.

Isso porque o preço da cerveja no Brasil, em torno de 1,38 dólares, é em média 66% mais barato que a média mundial, de 4,06 dólares. Já Marrocos enfrenta, além das restrições religiosas, impostos elevados que levam o preço para 2,4 dólares em média. Por lá, a variação é grande, podendo chegar a 5 dólares em bares e restaurantes em cidades turísticas, como Marraquexe e Casablanca.

Tradição cervejeira

Apesar do Brasil ser um dos maiores produtores mundiais hoje, a tradição cervejeira nacional pode ser considerada mediana para efeitos de nota. Nosso país não tem uma identidade própria na cerveja ainda, mal conquistamos o primeiro estilo de cerveja nos guias internacionais e só começamos a pensar numa cerveja brasileira muito recentemente. Ou seja, ainda precisamos treinar muito para competir com os maiores, como Alemanha, Reino Unido, Bélgica e Estados Unidos.

No entanto, a história da cerveja no Brasil é longa. O território em que hoje se encontra o país teve uma das primeiras cervejarias do continente, instalada pelos holandeses em 1640 em Recife durante o período em que dominaram a região Nordeste. Além disso, o Brasil teve cervejas inglesas importadas ainda no século 19 e a cultura cervejeira do país teve forte influência alemã.

Já Marrocos só conheceu a cerveja após o início do Protetorado Francês em 1912 — período em que o país foi dominado militarmente pela França. Antes disso, religião e Estado se misturavam na figura dos Sultões e a proibição do álcool era ainda mais forte. Depois, com a independência do país em 1956, a monarquia foi restaurada e, apesar da proibição de beber álcool não estar na legislação, ele é muito restrito.

O Brasil aqui marca mais um gol, com nota 5.

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Variedade

Com tudo isso, a variedade cervejeira no Brasil acaba sendo muito maior do que no Marrocos. Nosso país ampliou consideravelmente a presença de tipos e estilos de cerveja nos últimos 30 anos, com o Renascimento da Cerveja Artesanal sendo refletido por aqui. Já o país africano não sofreu influências significativas dessa nova corrente cultural cervejeira. 

Para finalizar a goleada, o Brasil repete a jogada com nota 5. Marrocos tem apenas nota 1 novamente.

Brasil goleia Marrocos por 5 x 0

Todo o brasileiro já sabia o resultado antes do início do jogo: o Brasil goleia Marrocos na Copa do Mundo da Cerveja. O jogo foi fácil, dado o amplo favoritismo do mercado verde e amarelo, superior em todos os quesitos ao marroquino. Com um tamanho 200 vezes maior e sem as restrições religiosas — que afetam preço, consumo per capita, tradição e variedade cervejeira —, pode-se dizer que a vitória foi “de lavada”.

Vamos torcer para que o mesmo se repita em campo, no futebol, nessa estreia da Seleção Brasileira na Copa do Mundo 2026. O jogo acontece no MetLife Stadium, em Nova Jersey (EUA), a partir das 19h (horário de Brasília).

Ambev oferece crédito assistido e renegociação de dívidas para 250 mil bares e restaurantes

Em meio aos desafios enfrentados por bares, restaurantes e comércios locais para acessar crédito e financiar suas operações, a Ambev ampliará neste ano a atuação do BORA, seu programa voltado à geração de renda e inclusão produtiva no país. A nova frente poderá alcançar até 250 mil pontos de venda conectados à companhia e mobilizar mais de R$ 100 milhões em soluções financeiras ao longo de 2026 em soluções voltadas a crédito, renegociação de dívidas, ampliação de prazo e desenvolvimento dos negócios. Na prática, esse alcance representa cerca de um em cada cinco estabelecimentos do setor no Brasil, o equivalente a aproximadamente 20% a 25% do mercado, evidenciando o potencial da iniciativa de gerar impacto em uma parcela significativa da economia local.

O movimento acontece em um momento em que empresas de pequeno porte seguem enfrentando dificuldades para acessar financiamento. Pesquisa do Sebrae mostra que 85% dos empresários brasileiros não solicitaram crédito novo nos últimos seis meses e, entre os que buscaram financiamento, apenas 48% conseguiram aprovação.

O cenário afeta especialmente o setor de alimentação fora do lar, segmento pressionado pelo aumento de custos operacionais, necessidade de capital de giro e desafios para investir em estoque, estrutura e operação em períodos de maior demanda. Ainda assim, segundo a Abrasel, o setor continua sendo uma das principais forças da economia brasileira, movimentando cerca de R$ 416 bilhões por ano e gerando aproximadamente 4,9 milhões de empregos em todo o país.

“Acreditamos que apoiar nossos parceiros, bares e restaurantes, é fortalecer a economia real do Brasil. Mais do que ampliar acesso a crédito, queremos criar oportunidades para que esses negócios cresçam de forma sustentável, e, assim, apoiar o setor”, destaca Guilherme Fleury, CFO da Ambev. 

Apoio essencial e renegociação de dívidas

O apoio da Ambev neste ano utilizará a proximidade operacional da companhia com os pontos de venda para ampliar o acesso a soluções financeiras mais aderentes à realidade dos parceiros, que hoje enfrentam um cenário desafiador: também segundo a Abrasel, 35% dos bares e restaurantes atualmente estão endividados.

“Sempre estivemos ao lado dos empreendedores brasileiros e acompanhamos de perto os desafios de quem movimenta a economia todos os dias. Ao ampliar o nosso programa BORA, queremos usar nossa escala, capilaridade e conhecimento para contribuir com a geração de renda e o desenvolvimento dos negócios locais”, afirma Carla Crippa, vice-presidente de Impacto e Relações Corporativas da Ambev.

Além de ampliar o acesso financeiro, a iniciativa busca simplificar a jornada dos empreendedores brasileiros, conectando soluções de crédito, renegociação de dívidas, tecnologia e relacionamento para apoiar o desenvolvimento dos negócios. O programa também prevê cursos e mentorias para apoiar empreendedores em diferentes etapas da jornada de crescimento, reforçando o compromisso da companhia com o fortalecimento econômico sustentável no Brasil.

“Micro e pequenos empreendedores de bares e restaurantes têm um papel essencial na economia e no desenvolvimento dos territórios. Com essa parceria, queremos ampliar o acesso a crédito acessível e à capacitação em gestão financeira e vendas, fortalecendo esses negócios para que cresçam com mais estrutura, competitividade e segurança”, afirma Mariane Salvador, líder de novos negócios e desenvolvimento territorial do Estímulo.

Lançado em 2022, o BORA é o programa da Ambev voltado à geração de renda e inclusão produtiva no Brasil. Com a meta de incluir produtivamente 5 milhões de brasileiros até 2032, o programa já impactou mais de 1,5 milhão de pessoas por meio de mais de 30 iniciativas em diferentes regiões do país.

Setor cervejeiro aposta na Copa do Mundo 2026 para elevar as vendas

Basta ligar a televisão, sair pelas ruas ou entrar em algum comércio aqui no Brasil para entender: a Copa do Mundo 2026 começou. O brasileiro pode ter demorado para entrar no clima e, sem dúvida, há quem desconfie do desempenho da Seleção Brasileira de futebol. Mas é inegável que os empresários e executivos estão apostando alto que o Mundial vai movimentar a economia. E não é diferente no meio cervejeiro. Desde grandes empresas e marcas até microcervejarias e bares, todos estão esperançosos de fazer bons negócios nesse período.

Porém, não é apenas uma questão de torcer para dar certo. Há sinais claros de que o desempenho da indústria cervejeira pode ser muito bom aqui no Brasil e no mundo. Segundo estimativas da consultoria financeira Jefferies publicadas pelo jornal britânico Financial Times, a Copa do Mundo 2026 pode gerar o consumo adicional de cerca de 1 bilhão de pints de cerveja (cerca de 568 ml) em todo o planeta. O volume é equivalente a um aumento de aproximadamente 3% no consumo durante os 39 dias do Mundial.

Aqui no Brasil, 58% dos torcedores pretendem aumentar o consumo de cerveja durante os jogos, segundo relatório do banco Citi, elaborado com a participação de 1,8 mil pessoas de sete países. O percentual é superior ao registrado no México (43%), nos Estados Unidos (33%) e no Canadá (25%). 

Grandes cervejarias

As grandes cervejerias, como Ambev e Heineken, estão investindo alto na Copa do Mundo 2026, já que o evento pode render um dos melhores trimestres para as empresas em anos.

A patrocinadora oficial do evento é a AB Inbev, controladora da megacervejaria brasileira, que mantém esse acordo há 40 anos. Apesar do valor exato do contrato não ter sido revelado, analistas do mercado financeiro apontam uma cifra superior a 110 milhões de dólares.

Em 2026, a marca principal do evento será a Michelob Ultra — opção de baixa quantidade de carboidratos e calorias. Mas diversos outros produtos do portfólio, especialmente do segmento premium. Ainda em abril, a Budweiser, por exemplo, lançou uma edição limitada de garrafas de alumínio da Copa. Já a Flying Fish lançou uma campanha que foca no resgate do tradicional gol de peixinho nos gramados mundiais, jogada que não acontece no torneio desde o mundial de 2014. A Brahma, por sua vez, prometeu até cerveja de graça se a Seleção Brasileira vencer a competição como parte da campanha “Tá liberado acreditar”.

Mas a Heineken não fica para trás, ampliando também o investimento. Segundo o Citi, a marca foi a mais lembrada na pesquisa, que contou com 300 entrevistados brasileiros, com 39% da preferência. A mais recente aposta do grupo é a Heineken Ultimate, cerveja sem glúten, de teor alcoólico e calorias reduzidas lançada em maio. 

O tema também foi forte presença no Festival Apas Show 2026, maior evento de alimentos e bebidas das Américas e a maior feira supermercadista do mundo que aconteceu em maio em São Paulo. Além da Ambev, o Grupo Petrópolis apostou no mundial com a “Embaixada Itaipava”, um ambiente totalmente dedicado ao futebol, e contratou o ex-jogador Ronaldinho Gaúcho como embaixador.

Microcervejarias na Copa do Mundo 2026

Que a Copa do Mundo 2026 seria uma grande aposta também das pequenas cervejarias, a gente já sabia. O tema apareceu na pesquisa do Guia da Cerveja realizada no final do ano passado, realizada com 21 executivos de cervejarias artesanais brasileiras. 

Para Gilberto Tarantino, presidente da Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva), essa é uma oportunidade para as cervejarias fazerem lançamentos e eventos para atraírem clientes.

“Copa do Mundo e cerveja são motivo de muita celebração e o brasileiro ama isto. As cervejarias artesanais que têm bar da fábrica ou os brew pubs vão aproveitar os 45 dias de Copa para atrair clientes num ambiente com telão, gastronomia e muita cerveja fresca e aromática. Nos outros anos anteriores muitos lançamentos de rótulos especiais aconteceram durante a Copa do Mundo e este ano tem muita festa pela frente”, afirma.

A cervejaria cigana RuERA, de Campinas (SP), por exemplo, lançou uma coleção de oito cervejas em homenagem aos países campeões mundiais de futebol. Os rótulos ganharam nomes de atletas históricos, como a versão brasileira Cafu, uma American Lager com mandioca e 4,8% de teor alcoólico, e a argentina Lionel, uma American IPA com erva-mate. Todos os chopes engatam nas torneiras do bar de Barão Geraldo no dia do lançamento, e a previsão é que as latas cheguem ao mercado ainda esta semana.

Já a Cervejaria Quatro Poderes, de Brasília (DF), lançou a coleção Torcida Poderosa, inspirada em países que participarão do maior torneio de futebol do planeta. São oito cervejas premiadas da marca em latas comemorativas exclusivas. Cada rótulo traz um personagem temático que homenageia as tradições cervejeiras e a identidade cultural das nações participantes e já está disponível em bares parceiros, em eventos ou pela loja virtual e delivery no site oficial.

Hospitalidade e food service

Um levantamento da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) aponta que 52% dos estabelecimentos pretendem transmitir os jogos. Entre eles, a expectativa é positiva: 80% acreditam que haverá aumento no faturamento em comparação aos dias sem jogos. A maior parte desse grupo (59%) projeta crescimento de até 20% nas receitas durante o período da competição.

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Até mais do que rótulos especiais ou latas personalizadas, a aposta de muitas cervejarias pequenas está em seus próprios pontos de venda, que comercializam cervejas e outros produtos diretamente ao consumidor, misturando hospitalidade e food service, criando experiências. É o caso de cervejarias que têm seus próprios bares, seja no modelo de brewpubs ou taprooms.

A Cervejaria Stannis, de Jaraguá do Sul (SC), por exemplo, prepara uma programação especial para a estreia da Seleção Brasileira com a banda Teoria do Caos, happy hour com metade do preço no chope das 16h às 19h e transmissão da partida . No sábado (13), das 16h às 22h, a fábrica exibe o jogo em um telão de 10 por 3,5 metros, o maior da cidade.

As duas unidades da Cervejaria Central, localizadas na Vila Buarque e na Barra Funda, em São Paulo (SP), também exibem os jogos da seleção em telões. Para o torneio, a marca lança uma versão em lata da cerveja Pilsen Mesmo Copa 2026, ilustrada pela artista Leticia Lasak. A programação musical para os dias de partidas inclui grupos como Roberta Valente Convida Paula Sanches, Samba da Esquina Grajaú e Pagode na Lata. Os eventos e o cardápio temático, que terá feijoada e petiscos, valem para as partidas deste sábado (13), sexta-feira (19) e quarta-feira (24).

Locais icônicos, como o Bar Brahma, no Centro de São Paulo (SP), terão programação musical especial além das exibições dos jogos. Os palcos da casa recebem apresentações diárias de samba, pagode, bossa nova e forró, com shows de artistas residentes e a participação especial de baterias de escolas de samba paulistas. A agenda do mês inclui projetos das noites de terça-feira com o cantor Levi de Paula e feijoadas com rodas de samba aos sábados. Confira a programação no site do Bar Brahma.

Os empresários estão fazendo o seu papel. Agora só resta saber se a Seleção Brasileira vai corresponder a toda essa expectativa. A “febre” de Copa de grande parte dos consumidores está vinculada ao desempenho do time, o que gera um fator de incerteza. Até mesmo a duração dessa onda depende de até que fase o time canarinho vai conseguir chegar. Só o que resta, nesse aspecto, é torcer por uma boa e longa participação no Mundial.