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A arquitetura sensorial além da cerveja sem álcool

O aumento do consumo de bebidas não alcoólicas não representa, necessariamente, uma busca por produtos mais simples. Pelo contrário. O consumidor tem demonstrado interesse crescente por experiências sensoriais sofisticadas mesmo na ausência do etanol, exigindo uma verdadeira arquitetura sensorial na criação do produto.

Esse movimento é impulsionado por múltiplos perfis e ocasiões de consumo: desde a Geração Z, que apresenta uma relação mais moderada e consciente com o álcool, até públicos com restrições específicas, como gestantes e lactantes, além de indivíduos que adotam estilos de vida voltados ao bem-estar, performance física ou saúde mental. Ainda posso acrescentar a isso o aumento de contextos sociais em que o consumo de álcool não é central, mas a experiência sensorial ainda é desejada. Nesse cenário, bebidas não alcoólicas, como a cerveja sem álcool, deixam de ser substitutas e passam a ocupar um espaço próprio, orientado por complexidade, ritual e percepção de valor.

O fim da cerveja sem álcool sem graça

Nosso negócio é a produção de cerveja, mas nesse contexto, pode ser uma oportunidade para pensar fora a caixa e desenvolver outras bebidas além da cerveja sem álcool. O desafio tecnológico agora deixa de ser a remoção ou produção do etanol e passa a ser a reconstrução, a arquitetura sensorial dessa experiência. Isso implica em compreender quais mecanismos físicos, químicos e neurossensoriais tornam bebidas alcoólicas tão atrativas.

O etanol exerce múltiplas funções: atua como solvente de compostos aromáticos, contribui para a percepção de corpo e viscosidade, promove aquecimento via ativação trigeminal e influencia na percepção dos voláteis, principalmente via retronasal. (DE-LA-FUENTE-BLANCO et al., 2024; MUÑOZ-GONZÁLEZ et al., 2019; GOLDNER et al., 2009)

Sua ausência expõe uma lacuna que precisa ser tecnicamente preenchida. Discuti bastante sobre o perfil sensorial da cerveja sem álcool com alguns juízes durante o Concurso Brasileiro de Cervejas de 2026 e achei que esse tema seria muito pertinente para um texto aqui no guia, principalmente no momento atual. Qual o perfil sensorial dessa bebida? Será que é exatamente o mesmo da convencional?

Acredito que o desenvolvimento de bebidas não alcoólicas de perfil adulto exige a construção de uma arquitetura sensorial que vai muito além do aroma e se baseia em 4 pilares principais:

  • Estímulos trigeminais (calor, frescor, formigamento)
  • Complexidade aromática (voláteis)
  • Estrutura e corpo (textura e equilíbrio)
  • Componentes funcionais leves (relaxamento e bem-estar)

Efeito trigeminal: calor e formigamento

Um exemplo prático, já muito utilizado na cachaça, mas que vem ganhando espaço na coquetelaria, é a utilização do jambu. O jambu (Acmella oleracea) contém o alcaloide espilantol, que é responsável por uma sensação característica de formigamento e leve “anestesia” local. Esse efeito resulta da interação com receptores sensoriais, promovendo aumento da salivação e uma experiência tátil que desperta, no mínimo, surpresa e curiosidade. Diferente do etanol, que gera a sensação de aquecimento, o espilantol atua criando uma complexidade sensorial inesperada, explorando o eixo tátil-químico da degustação. (BADER et al., 2006)

Alcaloides e a percepção térmica

Alcaloides e compostos bioativos podem criar sensações bem interessantes na bebida capazes de modular a percepção oral como a capsaicina presente na pimenta que causa sensação de ardência, gingerol presente no gengibre que traz um aquecimento progressivo, cinamaldeído que traz sensação térmica e dulçor da canela, mentol que ativa de receptores de frio (TRPM8). Esses compostos atuam via sistema trigeminal, ampliando a experiência para além do paladar clássico. (McKEMY. 2002)

Terpenos e a identidade aromática

Já os terpenos podem assumir um papel central na construção de complexidade aromática. Amplamente conhecidos no universo cervejeiro, especialmente por estarem presentes no lúpulo. Compostos como limoneno, mirceno, linalol, pineno são responsáveis por perfis aromáticos interessantes. Nas bebidas não alcoólicas permite recriar assinaturas aromáticas complexas, intensificar a percepção dos aromas, estabelecer conexão direta com repertórios já conhecidos, como aromas comuns nas cervejas lupuladas como American IPA e NEIPA. Porém, existem alguns desafios tecnológicos para garantir a devido a sua natureza hidrofóbica.  

Chás: estrutura e amargor

Outro queridinho é o chá/infusão. E fizeram sucesso no Degusta 2026! Os chás deixam de ser apenas uma base líquida e passam a atuar como estrutura da bebida. A Camomila (Matricaria chamomilla), Melissa (Melissa officinalis), Capim-limão (Cymbopogon citratus), Erva-mate (Ilex paraguariensis) são boas opções. Oferecem não apenas perfil aromático, mas também compostos fenólicos e flavonoides associados a efeitos de relaxamento leves. Atenção nas alegações de relaxamento da bebida para não induzir o consumidor ao erro. Além de sabor, pode contribuir na construção da bebida com amargor e adstringência.

Como resolver o vazio na arquitetura sensorial

Outro ponto bem importante e que merece atenção em relação à estrutura da bebida, principalmente nas versões de cerveja sem álcool já existentes no mercado, é o corpo muito baixo, aquela sensação de “vazio”. Sem etanol, a percepção de viscosidade e preenchimento de boca é reduzida. Algumas alternativas para compensar podem ser utilizadas como fibras solúveis, glicerol (polióis), hidrocoloides (em baixa concentração). (WAGONER et al., 2020; RASTEGARPOUR et al., 2025)

A evolução das bebidas não alcoólicas passa por uma mudança de paradigma. Não se trata mais de replicar cervejas ou destilados sem etanol, mas de desenvolver produtos com identidade própria, uma arquitetura sensorial baseada em princípios de química sensorial. O uso estratégico de alcaloides, terpenos e extratos botânicos abre espaço para uma nova categoria de bebidas que sejam complexas, funcionais e sensorialmente envolventes. E, do ponto de vista técnico, um campo fértil para inovação real. Bebida sem álcool não precisa ser sem graça e preguiçosa. Mais do que uma alternativa, trata-se de uma expansão do repertório. 

Referências:

BADER, S. et al. Structure–activity relationships of trigeminal effects for alkamides related to spilanthol. Neuroscience Letters, v. 410, n. 1, p. 1–5, 2006. Disponível em: https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0304394006008463 Acesso em: 09 mar 2026.

DE-LA-FUENTE-BLANCO, A. et al. The relevant and complex role of ethanol in the sensory properties of model wines. OENO One, Bordeaux, v. 58, n. 1, 2024.
Disponível em: https://oeno-one.eu/article/view/7864 Acesso em: 08 mar 2026.

GOLDNER, M. C.; ZAMORA, M. C.; DI LEO LIRA, P. Effect of ethanol level on the perception of aroma attributes in red wine. Food Quality and Preference, v. 20, n.3, p. 214–220, 2009. Disponível em: https://repositorio.uca.edu.ar/handle/123456789/15093 Acesso em: 08 mar 2026.

McKEMY, D. D.; NEUHAUSSER, W. M.; JULIUS, D. Identification of a cold receptor reveals a general role for TRP channels in thermosensation. Nature, v. 416, p. 52–58, 2002. Disponível em: https://www.nature.com/articles/nature719
Acesso em: 09 mar. 2026.

MUÑOZ-GONZÁLEZ, C. et al. Effects of ethanol concentration on oral aroma release after wine consumption. Molecules, Basel, v. 24, n. 18, p. 3253, 2019.
Disponível em: https://www.mdpi.com/1420-3049/24/18/3253 Acesso em: 08 mar 2026.

RASTEGARPOUR, M. et al. Application of various hydrocolloids in fruit-based beverages to improve their properties: A review. International Journal of Biological Macromolecules, 2025. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/40517869/ Acesso em: 16 mar. 2026.

WAGONER, T. B. et al. Viscosity drives texture perception of protein beverages more than hydrocolloid type. Journal of Texture Studies, v. 51, n. 1, p. 78–91, 2020. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31323134/. Acesso em: 14 mar 2006


Chiara Barros é proprietária do Instituto Ceres de Educação e Consultoria Cervejeira. Engenheira Química, especialista em Biotecnologia e Bioprocessos, em Gestão da Qualidade e Produtividade e em Segurança de Alimentos, além de cervejeira e sommelière de cervejas.


* Este é um texto de opinião. As ideias e informações nele contidas são de responsabilidade do colunista ou articulista e não refletem necessariamente o ponto de vista do Guia da Cerveja.

Menu Degustação: cervejas da Hofbräu serão produzidas no Brasil na fábrica da NewAge

A cervejaria alemã Hofbräu München (HB) iniciou a produção local de seus rótulos na fábrica da NewAge Bebidas, na cidade de Leme (SP). O Brasil foi o país escolhido para receber, pela primeira vez na história da marca bávara, a fabricação da Weiss Bier fora da Alemanha para fins de distribuição. A operação é coordenada pela importadora Bier Wein e visa atender ao potencial do mercado brasileiro.

A planta fabril paulista foi selecionada após um processo de homologação conduzido por mestres cervejeiros alemães em 2025. O primeiro lote, composto pelas versões Hofbräu Original (Munique Helles) e Hofbräu Weiss, estará disponível para comercialização a partir de março. A produção em solo nacional utiliza leveduras, maltes especiais e lúpulos importados para garantir a fidelidade às receitas originais de Munique. Já a água e os maltes de trigo e pilsen são de origem brasileira.

A migração do modelo de exportação para a fabricação local deve reduzir o preço final do produto ao consumidor em cerca de 20%. Segundo os responsáveis pelo projeto, a mudança elimina taxas de importação e custos logísticos complexos, além de favorecer o frescor da bebida e a sustentabilidade ambiental. A NewAge, parceira fabril escolhida, possui capacidade produtiva de 300 mil hectolitros por ano e um portfólio que soma mais de 330 produtos próprios e de terceiros.

O Brasil também conta com o primeiro brewpub Hofbräuhaus da América Latina em Belo Horizonte. Inaugurada em 2015, é franquia da casa alemã de Munique e pertencente a outro grupo de empresários.

Leia também neste Menu Degustação:

Cervejaria de Passos da Heineken atinge 1 milhão de hectolitros

O Grupo Heineken alcançou na quinta-feira (26) a produção de 1 milhão de hectolitros em sua unidade de Passos (MG). O volume foi registrado quatro meses após a inauguração da fábrica, que recebeu investimento de R$ 2,5 bilhões. A planta, focada nas marcas Heineken e Amstel, possui capacidade para produzir 5 milhões de hectolitros por ano. Atualmente, a operação emprega 350 colaboradores diretos na região. Segundo a empresa, a cervejaria utiliza sistemas de eficiência hídrica e energética para reduzir o impacto ambiental.

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Heineken é eleita a marca de cerveja mais criativa

A Heineken conquistou o título de marca de cerveja mais criativa do mundo no ranking global WARC Creative 100. O levantamento considera o desempenho em premiações como Cannes Lions, D&AD e The One Show. Entre as ações premiadas está a iniciativa Pub Museums, que transformou bares em espaços culturais. Cecília Bottai, vice-presidente de marketing da companhia no Brasil, afirma que a estratégia foca em gerar conexões reais com o público. O Grupo Heineken opera atualmente 13 unidades produtivas no País.

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Amstel libera sinal gratuito do BBB no Globoplay

A Amstel, patrocinadora do Big Brother Brasil 26, iniciou na sexta-feira (20) uma ação inédita para liberar o sinal ao vivo do reality show no Globoplay. Durante o Happy Hour Amstel, o público acessou gratuitamente a transmissão principal, das 18h às 20h, sem necessidade de assinatura da plataforma de streaming. A iniciativa, que também oferece cupons promocionais para o iFood via QR Code, ocorrerá em outras três sextas-feiras consecutivas. Segundo a marca, a estratégia visa ampliar a conexão com a audiência jovem, público que registra crescimento de 129% no consumo desta edição do programa.

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Oktoberfest de Igrejinha entrega viatura semi-blindada

A Associação de Amigos da Oktoberfest de Igrejinha (Amifest) oficializou a entrega de uma viatura Toyota Corolla Cross zero quilômetro à Brigada Militar de Igrejinha (RS). O veículo semi-blindado custou R$ 244.827,50, pagos com recursos da 35ª edição do evento, realizada em 2024. O repasse total da festa para a corporação superou R$ 342 mil. O automóvel reforçará o policiamento ostensivo no município. A próxima edição da maior festa voluntária do país ocorre entre 9 e 18 de outubro de 2026.

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Restaurante de Paraty recebe selo Gold Community do Untappd

O restaurante Fugu Japanese Food, localizado em Paraty (RJ), conquistou o selo Gold Community Awards 2025 da plataforma Untappd. O reconhecimento foca na cerveja Japanese Rice Lager, criada em parceria com a cervejaria Blackfin exclusivamente para a casa. O rótulo utiliza arroz japonês e lúpulos Amarillo e Citra em sua receita. Além da premiação global, o estabelecimento passou a integrar o Guide Michelin Voyage & Cultures – Brésil, reforçando sua projeção no cenário gastronômico internacional.

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Academia da Cerveja lança cursos de harmonização

A Academia da Cerveja, escola da Ambev, estreia em São Paulo (SP) dois projetos de ensino gastronômico: Harmoniza Fácil e Como assim, Cerveja? As aulas ocorrem na sede da instituição, no bairro de Pinheiros, e terão desdobramentos online para todo o Brasil. O primeiro curso foca em ingredientes cotidianos, enquanto o segundo explora combinações com chocolate e sorvete. A primeira edição do projeto focado em sabores inusitados acontece na quarta-feira (1º). Inscrições estão disponíveis via Sympla.

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Famosos prestigiam espaço da Bud no Lollapalooza

O espaço da Budweiser no Lollapalooza Brasil 2026 recebeu influenciadores e artistas em São Paulo (SP) durante o domingo (22). Bianca Andrade, Cynthia Luz e Mauricio Destri circularam pela estrutura de 750 metros quadrados instalada no Autódromo de Interlagos. O local foi projetado com estética inspirada nas décadas de 1990 e 2000, funcionando como centro de experiências e produção de conteúdo. A marca reforça sua estratégia de conexão com grandes festivais de música e entretenimento.

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Marina Ruy Barbosa promove Stella Pure no Miami Open

A atriz Marina Ruy Barbosa visitou o torneio de tênis Miami Open, nos Estados Unidos, acompanhada do modelo Chico Lachowski. Durante o evento, a artista promoveu a cerveja Stella Pure Gold e utilizou peças da coleção Touch of Gold. A linha de roupas foi desenvolvida pela própria Marina em colaboração com a tenista Aryna Sabalenka, atual número 1 do mundo. As peças buscam alinhar detalhes dourados e cortes sofisticados à identidade visual da bebida.

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Álex Márquez participa de encontro com fãs em Goiânia

O piloto Álex Márquez, atual vice-campeão mundial de MotoGP, participou na sexta-feira (20) de um encontro exclusivo no espaço de hospitalidade da Estrella Galicia, em Goiânia (GO). Durante a atividade no Autódromo Internacional Ayrton Senna, o espanhol elogiou as condições do circuito e destacou o potencial do brasileiro Diogo Moreira na categoria principal. A ação integra a estratégia da Dorna Sports, organizadora da competição, e da cervejaria para fortalecer o vínculo entre os torcedores e o ecossistema do esporte motor no Brasil.

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Estrella Galicia ativa patrocínio no GP do Brasil de MotoGP

A Estrella Galicia, cervejaria independente da Espanha, reforça sua presença na MotoGP como patrocinadora principal do Grande Prêmio do Brasil, realizado no Autódromo Internacional Ayrton Senna, em Goiânia (GO). O evento marca o retorno da categoria ao país após 22 anos. A marca promove ativações como a Dance Cam, que premia torcedores com acesso ao paddock, e disponibiliza copos colecionáveis na Fan Zone. A etapa conta com a participação de pilotos patrocinados pela marca, entre eles o brasileiro Diogo Moreira e o atual campeão Marc Márquez.

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Mosteiros mantêm viva a tradição secular das cervejas de abadia no Brasil

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O período da Quaresma geralmente remete à ideia de jejum e reflexão. Mas na história cervejeira, essa época do ano também tem uma ligação profunda com a produção de cervejas nos mosteiros. Foi para atravessar longos períodos de restrição alimentar que os monges criaram versões mais encorpadas e nutritivas da bebida para sustentar o corpo, muitas vezes conhecidas como “pão líquido”. Hoje, essa tradição milenar das cervejas de abadia ultrapassa as fronteiras europeias e ganha cada vez mais força no Brasil, aliando fé, trabalho e ingredientes locais.

Mas, afinal, o que são cervejas de abadia? 

Diferente do rigoroso selo “Trapista” — uma denominação de origem protegida, exclusiva de monastérios da Ordem Cisterciense da Estrita Observância, na qual a produção deve ser feita obrigatoriamente pelos próprios monges, ou sob supervisão deles, dentro dos muros dos mosteiros —, o termo “cerveja de abadia” é mais abrangente. Ele engloba tanto as bebidas produzidas por monges de outras ordens religiosas (como beneditinos e cistercienses comuns) quanto rótulos feitos por cervejarias comerciais que mantêm acordos oficiais de licenciamento com mosteiros, revertendo parte dos lucros para a manutenção da instituição e suas obras de caridade. 

Não é uma obrigação, mas no copo essas cervejas costumam seguir a clássica escola belga. Sendo assim, são em geral ervejas de alta fermentação (Ales), complexas, encorpadas, muitas vezes frutadas ou condimentadas, que carregam séculos de tradição a cada gole.

A alquimia mineira do Mosteiro de Claraval

Essa tradição pode ser degustada no interior de Minas, no Mosteiro de Claraval, da Ordem Cisterciense. Lá, os visitantes encontram quatro tipos de cerveja que podem ser comprados dentro da loja do mosteiro, sob a marca monástica “Vale dos Monges”.

E a receita traz uma peculiaridade, ou um toque de brasilidade: enquanto as cervejas tradicionais belgas utilizam o candy sugar (um tipo de açúcar invertido utilizado para elevar o teor alcoólico das bebidas), a cerveja do Mosteiro de Claraval ganhou um sotaque brasileiro ao substituir o ingrediente europeu por rapadura fornecida diretamente por um produtor da própria região.

A ideia da substituição do ingrediente partiu de uma colaboração entre os religiosos e a cervejaria paulista SacraMalte, responsável por terceirizar a produção. O mosteiro já contava com uma tradição de mais de 50 anos na fabricação de licores, mas faltava estrutura física para abrigar uma cervejaria própria. 

A parceria da SacraMalte com o Mosteiro de Claraval

O cervejeiro Ivan Tozzi, responsável pelo desenvolvimento das cervejas, conta que fez várias reuniões com o mosteiro, levando exemplares de cerveja para eles experimentarem, até chegarem aos ingredientes dos produtos finais.

O objetivo era criar receitas que seguissem a tradição das cervejas de abadia, mas que pudessem criar uma identidade própria. Durante as sessões de degustação guiadas pela cervejaria, os monges aprovaram, inicialmente, o estilo Belgian Blond Ale. Foi então que surgiu a ideia de dar um toque de brasilidade à bebida com a rapadura. 

O ingrediente passou a ser comprado de um produtor da própria cidade de Claraval, trazendo regionalidade à receita. Para o Padre Mateus Luis Silva Resende, a escolha fez todo o sentido, por ligar a tradição monástica à cultura local.

Mosteiro de Claraval, em Minas, faz cerveja de abadia em parceria com a cervejaria SacraMalte. (Foto: Associação do Comércio e Indústria de Franca)
Mosteiro de Claraval, em Minas, faz cerveja de abadia em parceria com a cervejaria SacraMalte. (Foto: Associação do Comércio e Indústria de Franca)

Venda exclusiva e turismo religioso nos mosteiros

Atualmente, as cervejas da linha “Vale dos Monges” contam com uma produção artesanal de 600 litros por mês. A comercialização ocorre exclusivamente em garrafas e dentro das dependências do Mosteiro de Claraval. A estratégia não é por acaso; o objetivo principal é atrair o público para vivenciar a rotina do local. “Nossa preocupação principal era atrair as pessoas para que pudessem também conhecer o Mosteiro”, destaca o Padre Mateus. O cervejeiro Ivan Tozzi reforça o propósito do projeto. “A ideia é justamente fazer com que as pessoas vão lá para visitar o Mosteiro, conhecer, rezar e tragam de volta o souvenir, que seria a cerveja”.

O sucesso da primeira receita abriu caminho para o desenvolvimento de novos estilos, completando hoje uma carta de quatro cervejas de tradição monástica, descritas por Tozzi:

Mosteiro de Claraval, em Minas, faz cerveja de abadia em parceria com a cervejaria SacraMalte. (Foto: Reprodução / @mosteirodeclarava)
Mosteiro de Claraval, em Minas, faz cerveja de abadia em parceria com a cervejaria SacraMalte. (Foto: Reprodução / @mosteirodeclarava)
  • Belgian Blond Ale (600 ml / 6,2% Vol / 20 IBU): Apresenta uma coloração dourada e clara. A espuma é sutilmente cremosa e de boa retenção. O aroma frutado remete a pêssego, frutas amarelas e damasco seco. No paladar, o sabor suave traz um leve dulçor conferido pela rapadura regional, com final levemente alcoólico e mais seco.
  • Belgian Dubbel (600 ml / 7,1% Vol / 26 IBU): De cor cobre, traz no paladar notas maltadas complexas, que lembram caramelo e toffee, além de ricos sabores de ésteres de frutas escuras. Logo em sua estreia na 2ª Copa Paulista de Cerveja, a excelência da receita conquistou a medalha de bronze.
  • Patersbier (600 ml / 5% Vol / 26 IBU): Historicamente consumida nos monastérios durante o jejum. É uma ale clara, de médio amargor, muito atenuada e com um caráter de levedura belga frutada e condimentada. Suave e fácil de beber, é considerada a mais leve entre as cervejas de tradição de cervejas de abadia.
  • Quadrupel (600 ml / 8% Vol / 29 IBU): O estilo, conhecido também como Dark Strong Ale, revela um tom vermelho-rubi quando o líquido é visto contra a luz. De sabor complexo e forte, surgiu como uma edição comemorativa limitada para celebrar os 75 anos do monastério. O sucesso de vendas foi tão grande que a bebida entrou para a linha fixa de produção.

Padre Marcelo explica que a cerveja, nestes casos, deve ser apreciada como uma degustação, sem o desequilíbrio que o consumo excessivo do álcool pode trazer. “A cerveja é algo que você pode degustar, ela não pode te dominar”, explica, citando a tradição do consumo de vinho, na Itália, como exemplo de uma bebida alcoólica já incorporada na tradição religiosa católica sem que haja excessos.

Outras tradições de mosteiros e clausura pelo Brasil

A vocação cervejeira dos religiosos não se restringe a Minas Gerais. Há vários outros mosteiros pelo Brasil que trabalham com a mesma ideia. Na cidade de São Paulo, a padaria do tradicional Mosteiro de São Bento também oferece receitas de cervejas desenvolvidas com a participação ativa dos monges na clausura.

No Rio de Janeiro, a tradição monástica ganhou vida recentemente com a “Santo Gole”, uma cerveja artesanal lançada pelos monges beneditinos do Mosteiro de São Bento de Mussurepe, na zona rural de Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense. E que já nasce com a bênção dentro das paredes do histórico mosteiro.

Já na região Sul do país, o destaque fica por conta das religiosas do Mosteiro Nossa Senhora da Boa Vista, em Santa Catarina. Elas fizeram história na indústria nacional ao se tornarem as primeiras monjas trapistas do Brasil a criar e produzir suas próprias cervejas, seguindo à risca as rígidas tradições de sua Ordem.

Em meio a orações, cânticos e muito trabalho manual, essas abadias mostram que a milenar cultura do “pão líquido” encontrou um solo fértil no Brasil. Mais do que oferecer uma experiência sensorial única, essas cervejas proporcionam aos visitantes dos mosteiros e fiéis um verdadeiro brinde à história e à espiritualidade.

8 cervejarias em Curitiba para degustar “direto da fonte”

Cerveja boa é cerveja fresca. Essa máxima da sabedoria popular cervejeira reflete, em última instância, a natureza da nossa querida bebida. Trata-se de um alimento como qualquer outro, que se deteriora naturalmente com o tempo e sofre com as intempéries da distribuição (choques físicos, térmicos, etc.). E uma das melhores formas de provar versões fresquinhas é degustar direto da fonte, nas próprias fábricas ou brewpubs. Por isso, o Guia da Cerveja organizou uma lista com algumas das melhores cervejarias em Curitiba (PR) para visitar. O município, que completa 333 anos neste domingo (29), é uma das melhores cidades do país para curtir esse tipo de experiência.

Isso porque a capital paranaense concentra vantagens importantes para quem gosta de fazer tours cervejeiros. Ao todo, há 29 cervejarias em Curitiba, o que faz dela a terceira cidade mais cervejeira do país, segundo o Anuário da Cerveja 2025, do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) — perdendo apenas para São Paulo (66) e Porto Alegre (43).

Além disso, tem uma área urbana menor que as capitais paulista ou gaúcha, facilitando o deslocamento entre os locais. Por fim, muitos dos produtores de cerveja têm algum tipo de estrutura de serviço e recebem visitantes regularmente.

Por esses, entre outros motivos, Curitiba recebeu em 2017 o título de Capital da Cerveja Artesanal da Câmara Municipal da cidade. E conta até com um roteiro institucionalizado. Lançada em 2024, a Rota Cervejeira reúne 20 cervejarias, pubs, bares e empreendimentos de 17 bairros curitibanos.

Curitiba conta também com uma das regiões metropolitanas mais cervejeiras, com destaque para cidades como Pinhais, Colombo e São José dos Pinhais. No entanto, para esta seleção, focamos exclusivamente em estabelecimentos com atendimento direto ao público dentro da capital.

Cervejarias em Curitiba

Frohenfeld

Trata-se de um brewpub especializado em estilos de cerveja alemães e um dos locais cervejeiros mais interessantes da cidade nos últimos tempos. As cervejas são muito bem executadas e colecionam medalhas. E o espaço, o Frohenfeld Keller, é agradável, com decoração industrial, cervejaria aparente com paredes de vidro, mas bem decorado num estilo germânico e aconchegante. O Frohenfeld Keller fica no Paseo República, uma espécie de praça gastronômica aberta, com outros empreendimentos de alimentação. Se bater a fome, o cardápio tem pizzas que são uma verdadeira atração à parte.

Endereço: Paseo República – Av. Rep. Argentina, 2557 – loja 10 – Portão (acesse os links para acessar informações dos locais, como horários de funcionamento, no Google Maps)

Instagram: @frohenfeld

Maniacs

Loucos por cerveja! Esse é o lema da Maniacs Brewing Co., que completa dez anos agora em 2026. O bar da Maniacs, brewpub da marca, é um dos locais mais bacanas em termos de variedade e qualidade das cervejas, desde a tradicional Maniacs IPA que se encontra nos mercados (mas muito mais fresquinha) até rótulos experimentais que você só prova por lá. A marca também é responsável pela produção da Brooklyn Brewery no Brasil e, volte e meia, tem rótulos da marca norte-americana nas torneiras. 

Endereço: Av. Munhoz da Rocha, 1049 – Cabral

Instagram: @maniacsbrew e @bardamaniacs

Bodebrown

Uma das cervejarias de Curitiba mais conhecidas pelo Brasil, a Bodebrown aposta no atendimento direto ao consumidor desde que foi fundada em 2009. Na época, se denominava cervejaria escola e atuava também como brewshop. Mas desde pelo menos 2016, o espaço se tornou um grande ponto de encontro e de eventos aos finais de semana. Atualmente, a rua na frente da fábrica chega a ser fechada para festas especiais e há programação acontecendo quase toda a semana. A trilha sonora em geral é o rock, estilo que se fixou ainda mais na marca desde que ela passou a produzir cervejas da banda Iron Maiden no Brasil. O destaque fica com as cervejas de postura ousada e a nova iniciativa gastronômica da cervejaria, com a instalação de um bistrô de comida belga no complexo da fábrica. 

Endereço: R. Carlos de Laet, 1015 – Hauer

Instagram: @bodebrown

Joy Project Brewing

Falando em eventos, a Joy Project Brewing também está entre as cervejarias em Curitiba que fazem festas nos finais de semana. O taproom da fábrica, que fica no Xaxim, tem 15 torneiras com novidades constantes, ousadas e criativas. Bandas e grupos musicais tocam por lá semanalmente. O espaço também abre nas noites de quarta a sexta-feira, além de sábado à tarde e à noite.

Endereço: Linha Verde, 15847 – Xaxim, Curitiba – PR, 81690-200

Instagram: @joyprojectbrewing

Bastards Brewery

Foi fundada em 2013 em Pinhais, uma das cidades cervejeiras da Região Metropolitana de Curitiba. Mas em 2021 se mudou para a região do Centro Cívico, bairro da capital com alta concentração cervejeira. O novo espaço é grande, com total de 2,2 mil m², dividido entre fábrica e o Bar da Fábrica Bastards. A casa é completa, com cardápio variado, tendo porções e sanduíches, além das cervejas e até bons drinks. Especialmente aos finais de semana, à medida que a noite avança, a música aumenta e o bar se transforma em pista para os mais animados. A cervejaria também tem uma segunda casa, o We Are Bastards Pub – esse sim é um verdadeiro bar-balada com 32 torneiras de chope, mas sem cervejaria.

Bar da Fábrica Bastards: Rua Comendador Lustoza de Andrade, 69 – Bom Retiro

We Are Bastards Pub: Av. Iguaçu, 2300 – Água Verde

Instagram: @bastardsbrewery, @bardafabricabastards e @wearebastardspub

Fumaçônica

Iniciou sua trajetória como cervejaria cigana em 2016 e abriu o próprio brewpub no ano passado, também na região do Centro Cívico. A cervejaria, conhecida pela identidade psicodélica e artes chamativas, tem bons rótulos e o espaço é amplo, descontraído e democrático. Aproveite as porções e sanduíches da casa.

Endereço: R. Mateus Leme, 2148 – Centro Cívico

Instagram: @fumaconica

Hop ‘n Roll

É um dos primeiros bares especializados em cervejas artesanais de Curitiba. Foi fundado em 2011 e, além de bar, trazia o conceito inovador de Brew on Premises para o Brasil — local onde é possível “alugar” o equipamento e produzir sua própria cerveja. Nunca perdeu essa vocação (ainda é possível fazer o mesmo), mas com o tempo também passou a produzir cervejas próprias. Hoje opera regularmente como Brewpub, produzindo muitas das cervejas que ocupam as 36 torneiras da casa. Tem cardápio farto e é um ótimo lugar para encontrar boa variedade de cervejas locais.

Endereço: R. Mateus Leme, 1098 – Bom Retiro

Instagram: @hopnroll

Alright

Fundada em 2018, a Alright Brewing oferece em suas sedes a experiência de verdadeiros jardins cervejeiros. A proposta vai além do tradicional modelo de biergarten alemão, oferecendo espaços aconchegantes e descontraídos, bem familiares, com parquinho para crianças e mesas para comer, beber e jogar conversa fora. Pegue sua cadeira de praia, estique as pernas, peça um sanduíche ou uma porção e curta o dia.

Alright Orleans: R. Adir Dalabona, 95 – Orleans

Alright Água Verde: R. Pará, 665 – Água Verde

Instagram: @alrightbeer

Outras cervejarias

Existem ainda outras cervejarias na cidade que operam apenas como fábricas, mas nas quais você pode comprar algo na lojinha ou até mesmo encher um growler para levar para casa. Como não necessariamente se encaixam na ideia de “beber na fonte”, optamos por deixar algumas delas como dicas extras. A Gauden Bier é uma das mais tradicionais da cidade, situada no bairro gastronômico italiano de Santa Felicidade, e produtora de várias ciganas que marcaram época entre as cervejarias em Curitiba. Já a Xamã é uma fantástica produtora de Sours, a Swamp tem festas muito bacanas em datas específicas (vale ficar atento à programação) e a Yule tem localização privilegiada no Prado Velho, perto da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR).

Qual das cervejarias em Curitiba você já visitou e indica? Deixe sua dica nos comentários.

Abracerva propõe redução do Imposto Seletivo para artesanais por volume de produção

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A Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva) apresentou ao governo em agosto do ano passado uma proposta que envolve um sistema gradual de aplicação do Imposto Seletivo (IS) de acordo com o porte de cada cervejaria. Ela é dividida em cinco diferentes faixas, com reduções de alíquota que variam de 95% para produtores de até 1 milhão de litros por ano até a aplicação total do novo tritubo para quem fabrica acima de 10 milhões.

A Abracerva apresentou o documento ao secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Bernard Appy, em agosto de 2025. No início de março, o assunto foi tema de discussão no Encontro Nacional das Associações Cervejeiras, durante o Festival Brasileiro da Cerveja, em Blumenau (SC).

A proposição amplia a ideia de desconto de tributos federais para pequenas indústrias já contemplada em tributos atuais, como o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Programa de Integração Social (PIS) e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) por porte das cervejarias.

O objetivo é garantir que o custo da cerveja não suba para os pequenos produtores, explica o presidente da Abracerva Gilberto Tarantino. “A gente luta para que o Imposto Seletivo não puna nem a população nem os empresários, aumentando o preço da cerveja para o consumidor final”, diz.

De acordo com Tarantino, a proposta é fruto de um entendimento e articulação feitos em 2024 com as grandes cervejarias. “Eles entenderam que era importante o apoio deles, apoio no Congresso, para que as pequenas cervejarias e posteriormente as demais indústrias de bebidas, como vinho e destilado, tivessem um tratamento tributário diferente”, conta.

A expectativa é que o Executivo envie o projeto de lei ordinária que regulamentará as alíquotas do IS ao Congresso em breve.

Faixas de redução

A proposta foi elaborada pelo diretor tributário da Abracerva, o contador e advogado tributarista Marcos Moraes. Segundo ele, a Lei 13.097/2015 já institui uma redução de 20% para quem produz até 5 milhões de litros por ano (teto de volume para ser uma cervejaria artesanal, segundo a Abracerva). Além de 10% para as empresas situadas entre esse volume e 10 milhões de litros.

No entanto, o argumento da Abracerva é que a faixa de trabalho atual é insuficiente para dar conta do novo desenho do mercado de microcervejarias, que tem 95% dos produtores concentrados na menor faixa de produção. A Abracerva argumenta que a legislação atual trata de forma igual empresas com escalas muito distintas, o que justifica a criação de degraus de desconto mais específicos (a chamada progressividade).

Para que haja uma graduação que realmente impacte os pequenos produtores, a proposta da Abracerva divide as cervejarias brasileiras em cinco faixas ao todo. Os menores produtores (até 1 milhão de litros por ano) ficariam com 95% de redução no Imposto Seletivo, enquanto para aqueles acima de 10 milhões de litros não haveria redução, conforme a tabela abaixo.

Progressividade por PorteLegislação AtualProposta
de 0 a 1 milhão /ano20%95%
1 milhão a 2,5 milhões/ano20%75%
2,5 milhões a 5 milhões/ano20%50%
5 milhões a 10 milhões/ano10%25%
Acima 10 milhões /ano0%0%

Impacto

Moraes explica que o desconto proposto para o IS é necessário para acomodar os diversos volumes de produção das cervejarias pequenas. “Hoje já há um ‘gap’ entre o Regime Tributário do Simples Nacional e a regra geral aplicada às grandes cervejarias que, mesmo com o redutor de 20%, ainda é insuficiente. As pequenas cervejarias que estão próximas ao teto do Simples têm alíquota próxima dos 20% e, se trocarem de regime tributário, terão que recolher tributos próximos dos 40% para a faixa de até 5 milhões de litros hoje”.

As cervejarias com produção de até 5 milhões de litros por ano são cerca de 95% das fábricas do Brasil. No entanto, produzem apenas pouco mais de 1% do volume total de cervejas do país — que é de 15,34 bilhões de litros em 2024, segundo o Anuário da Cerveja 2025 do Mapa. Para o governo, a perda fiscal com o desconto na arrecadação seria mínima, mas o impacto seria muito grande para os pequenos produtores de cerveja. E isso poderia fazer a diferença para a sobrevivência tanto dos empreendimentos quanto de todo o ecossistema do setor.

O que é o Imposto Seletivo?

O Imposto Seletivo (IS), popularmente conhecido como “Imposto do Pecado”, é um novo tributo federal criado pela Reforma Tributária (Emenda Constitucional 132/2023). Tem natureza extrafiscal, ou seja, seu objetivo central é desestimular o consumo de bens e serviços que, segundo os legisladores, fazem mal à saúde ou ao meio ambiente. Ele incidirá sobre cigarros, bebidas alcoólicas, bebidas açucaradas e itens prejudiciais ao ecossistema, como derivados de petróleo e minerais.

A proposta da Abracerva, portanto, tenta equilibrar o caráter desestimulador do imposto com a manutenção da viabilidade econômica de um setor que gera milhares de empregos regionais.

Cerveja Duff, dos Simpsons, volta de vez ao Brasil, 100% oficial e licenciada

A famosa cerveja Duff, imortalizada como a bebida favorita de Homer na série de animação “Os Simpsons“, está de volta ao Brasil. Desta vez, a icônica marca chega devidamente licenciada e de forma totalmente oficial, encerrando um histórico de tentativas frustradas de comercialização no país.

Apesar de carregar todo o imaginário da cultura pop norte-americana, a versão que desembarca por aqui não é fabricada nos Estados Unidos e muito menos em Springfield. A nova Duff é importada diretamente de Portugal, mais especificamente da cidade de Santarém.

Trata-se de uma American Lager de nível Premium com 4,8% de teor alcoólico, envasada em latas de 330 ml e já disponível no e-commerce TodoVino. Diferente das iniciativas de 2011 e 2016, que enfrentaram problemas de direitos autorais , o lote atual paga royalties à dona da marca e atende a todas as exigências legais.

Para entender melhor os bastidores dessa novidade e o que o consumidor pode esperar nos copos, o Guia da Cerveja conversou com Nayara Agostinho, gerente de produto da Interfood. Ela conta detalhes sobre o longo processo para trazer a cerveja de volta, como a empresa conseguiu blindar a operação contra os problemas do passado e quais são os planos para garantir que a Duff não seja apenas um item de prateleira de colecionador, mas uma cerveja para o dia a dia do brasileiro.

Duff Beer, a cerveja dos Simpsons. (Imagem: Reprodução)

Confira a entrevista completa:

Não é a primeira vez que a cerveja Duff tenta entrar no mercado brasileiro. Nas tentativas anteriores houve problemas devido aos direitos autorais. Qual foi a estratégia da Interfood para trazer a marca oficialmente?

A Duff Beer chega ao Brasil neste momento com uma estrutura totalmente regularizada e alinhada aos detentores oficiais da marca. A Zubral possui o licenciamento oficial junto à Disney (proprietária global da marca Duff Beer) para a produção e comercialização da cerveja. A Interfood Importação foi escolhida como parceira exclusiva para a distribuição no Brasil, garantindo que o produto chegue ao mercado brasileiro de forma oficial, respeitando todos os trâmites legais e de propriedade intelectual.

Qual a diferença em relação ao que houve no passado e como a Interfood se blindou para não repetir o que deu errado anteriormente?

Sabemos que, no passado, houve iniciativas de comercialização da Duff Beer no Brasil realizadas por outras empresas, sem qualquer relação com as atuais detentoras dos direitos e sem a devida autorização da proprietária da marca, o que gerou os entraves legais conhecidos. O cenário atual é completamente diferente. Isso garante segurança jurídica, autenticidade do produto e alinhamento com os padrões globais da marca.

O contrato firmado tem um prazo de validade ou a Duff chega para ficar permanentemente no portfólio de vocês?

A Duff Beer chega ao Brasil dentro de um projeto estruturado com foco em desenvolvimento e continuidade da marca no país. A operação foi desenhada para construir presença consistente no mercado brasileiro, com estratégia de médio e longo prazo, reforçando o potencial de crescimento da marca no portfólio da Interfood.

Onde a cerveja está sendo fabricada atualmente?

A Duff Beer é produzida na Europa, em Portugal, seguindo os padrões internacionais definidos pela marca. 

Qual é o perfil sensorial? Houve alguma adaptação para o Brasil?

A Duff Beer é uma American Lager, um estilo conhecido por sua leveza. Ela apresenta perfil sensorial equilibrado, com notas suaves de malte, delicado toque floral e final muito refrescante, o que favorece uma excelente drinkability, ou seja, uma cerveja fácil de beber, ideal para diferentes ocasiões de consumo. A receita é a mesma comercializada internacionalmente, sem adaptações para o mercado brasileiro.

Qual é o volume do primeiro lote de importação e qual a estratégia de distribuição?

O primeiro lote chegou no Brasil em setembro de 2025, com mais de 4 mil unidades já disponibilizadas ao público. A estratégia de distribuição da Duff Beer no Brasil foi estruturada para garantir ampla presença e capilaridade nacional. Como a Interfood atua em todas as regiões do país, atendendo diferentes canais, incluindo grandes redes de varejo, bares, restaurantes, empórios especializados, o produto está disponível para consumidores de todo o Brasil, inclusive por meio do TodoVino, o e-commerce oficial de vendas da Interfood.

Vocês enxergam a Duff mais como um item de nicho/colecionador para os fãs de Os Simpsons ou como uma cerveja para o consumo rotineiro?

A Duff Beer chega ao Brasil com uma proposta que equilibra força de marca e qualidade do produto. Embora exista uma conexão natural com fãs da série, a cerveja foi desenvolvida para atingir um público amplo. Como uma American Lager leve, ela é fácil de beber e adequada para o consumo em diferentes ocasiões. Nossa expectativa é construir a presença da Duff de forma consistente no mercado brasileiro, tanto como um produto desejado quanto como uma opção de consumo recorrente.

Padronização e polos produtivos são desafios do setor de lúpulo nacional

O avanço do lúpulo nacional como uma cultura agrícola robusta no Brasil passa, inevitavelmente, pelo desafio da comercialização. Se por um lado o país alcançou níveis recordes de produtividade em campo, por outro o mercado interno ainda impõe gargalos que exigem uma mudança de rota estratégica. 

Dados do Mapa do Lúpulo Brasileiro 2024, da Associação Brasileira de Produtores de Lúpulo (Aprolúpulo), apontam que 53% dos produtores vendem diretamente para as cervejarias e 18% não conseguem comercializar a produção (confira o relatório completo). Atualmente, a produção nacional atende de 2% a 3% de toda a demanda da indústria cervejeira brasileira e tem um amplo espaço para crescer.

Para Daniel Leal, vice-presidente Aprolúpulo, para preencher essa lacuna e, no futuro, competir em nível global, os produtores precisam deixar para trás o trabalho individualizado e focar em escala, padronização e na transição das variedades cultivadas.

O desafio do custo e a força do amargor

A atual dinâmica de vendas no país é muito voltada para o mercado de cervejas artesanais, que valoriza e absorve os lúpulos de aroma, como o Comet e o Cascade, explica Leal. 

Essas variedades possuem um valor de mercado mais atrativo para o produtor, o que ajuda a viabilizar financeiramente as pequenas lavouras. No entanto, elas não representam a fatia mais expressiva do consumo das cervejarias, que necessitam de vastas quantidades de lúpulos de amargor para linhas principais. A dificuldade de atender a esse segmento está na importação do insumo estrangeiro, já que os lúpulos importados chegam ao país com valores extremamente competitivos.

Daniel Leal reconhece que o salto de crescimento dependerá de resolver essa equação de custos. “A gente tem mapeado quais são os gargalos que precisamos destravar para voltar a ter saltos produtivos”, afirma Leal. Entre eles, está um aumento expressivo no volume das lavouras. “No atual nível de escala do mercado brasileiro, é difícil você ter competitividade no mercado. Porque esse lúpulo, lá fora, ele também tem alta produtividade, enfim, então ele chega aqui no Brasil a um preço menor”.

Como as variedades de amargor entregam uma produtividade por planta superior às de aroma, o custo de produção por quilo cai de forma natural. Apontando o caminho financeiro viável para o produtor. “À medida que a gente for ganhando escala, a gente vai fazer uma transição também para a gente produzir cada vez mais lúpulo de amargor e menos lúpulo de aroma”, projeta o vice-presidente.

Polos produtivos

Outro gargalo comercial está na forma como o insumo é processado e vendido. Em uma cultura emergente, muitos produtores pioneiros operam de maneira totalmente verticalizada. E absorvem sozinhos os altos custos de secagem, peletização e embalagem, além de realizarem vendas diretas. A saída para esse desafio financeiro é a integração regional e a centralização dos processos de beneficiamento, criando polos produtivos.

Isso também muda o principal argumento de venda do lúpulo nacional. Nos últimos anos, muito se falou sobre o “terroir brasileiro”, destacando as características aromáticas únicas que plantas estrangeiras desenvolvem ao crescerem sob o clima e solo do Brasil. No entanto, para abastecer a grande indústria, a constância do insumo vale mais do que a sua exclusividade.

Daniel Leal pontua que o discurso do terroir funciona bem na atual fase do setor, mas precisará dar espaço à segurança industrial. “Quando a gente pensa que os produtores estão mais pulverizados, cada um fazendo seu esforço comercial, esse é um argumento que sim, ele tem valor. Mas quando a gente pensa em crescer e desenvolver a cultura para uma escala maior, o fator do padrão, qualidade e processo de industrialização estabelecido será muito mais relevante ao setor do que o fator do terroir”, argumenta.

Lúpulo nacional de olho no mundo

Embora o mercado interno do lúpulo represente uma fração pequena do agronegócio brasileiro, o potencial de expansão é grande. E é visto como um passaporte para um futuro mais ambicioso. 

O objetivo imediato da Aprolúpulo e de seus produtores é conseguir organizar a cadeia produtiva para suprir uma parte relevante das cervejarias nacionais, afirma Leal. Assim, quando as barreiras de escala e de custo forem superadas dentro do próprio país, as portas de exportação estarão naturalmente abertas para as fazendas brasileiras. “A partir do momento em que atendermos ao mercado interno, o mundo inteiro passa a ser o público-alvo do setor”, conclui Leal.

Assim, as perspectivas do setor envolvem melhorar a integração entre produtores, ampliar a industrialização e promover a entrada de novos agentes com capacidade de investimento e avanço em pesquisa para iniciar um novo ciclo no setor.

Confira o relatório completo

Cerveja de mulher não existe; cerveja não tem gênero

Fui ao supermercado comprar uma cerveja e uns ingredientes para fazer uma harmonização para a Páscoa e deixar de dica para você, caro leitor e leitora. Contudo, fui atravessada por uma fala altamente machista: “cerveja de mulher”. E isso em pleno mês de março, época do ano que intensifica a luta pela vida das mulheres. Tomada por uma raiva súbita, devolvi ao interlocutor que sequer eu conhecia a informação de que ele precisava para despatriarcar o pensamento.

“Cerveja de mulher”

Tudo começou quando um senhor me abordou ao ver um rótulo de uma cerveja artesanal em minhas mãos e emitiu uma opinião que eu não havia solicitado: “Essa cerveja é forte. Mulher toma cerveja fraca”.

Expliquei a ele, de forma bem tranquila e didática, que a cerveja não tem gênero, que é uma bebida com muitos sabores, alguns com poucas e outros com bastante complexidade, e todos têm o seu valor. Que há cervejas cujo teor alcoólico é mais suave, outras mais intensas. E que eu gosto desde aquelas zero álcool até as que têm seus robustos 11% de teor alcoólico, por exemplo. E eu sou uma mulher.

Ele tentou contra-argumentar dizendo que sua namorada gostava de cerveja fraca. Pontuei que não existem cervejas fracas. Mas sim estilos com teor alcoólico não tão elevado, como German Pils e Witbiers, por exemplo. Há estilos de que gosto muito, de teor alcoólico na casa dos 10%, como Belgian Quadrupel. Uma das minhas preferidas é La Trappe, uma cerveja trapista que se encaixa nessa faixa e é um verdadeiro deleite.

Demonstrei brevemente que nem todas as mulheres gostam de cervejas menos intensas. E se algumas gostam, essa não deve ser a régua definidora do que é cerveja de mulher. Até porque cerveja é cerveja, e ponto.

Ainda, pontuei que a cerveja tem a sua origem no continente africano e que foram as mulheres que começaram a produzi-las. Logo, qualquer cerveja é cerveja de mulher. E cerveja é de quem gosta de degustar uma excelente bebida.

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Hoje não tem harmonização

No fim, acabei voltando para casa sem a cerveja e sem os ingredientes para executar o pareamento. Sendo assim, deixarei para vocês, meus caros e minhas caras, a escolha da harmonização. Espero na próxima coluna, em maio, trazer um prato bem saboroso e uma cerveja bem incrível para vocês executarem para suas mães.

Em tempo: homens, conversem com seus amigos e combatam o machismo, a misoginia, que ainda insiste em contaminar todos os ambientes.

Para aquelas pessoas que continuam com um pensamento arcaico, é bom lembrar que não importa o estilo. A cerveja foi feita para todos os paladares. Cerveja é de quem quiser degustar.


Sara Araujo é sommelière de cervejas e palestrante sobre relações raciais; consultora, formada em Direito (ITE de Bauru/2012) e em Ciências Sociais (UEM/2022), é também especialista em História da África e da Diáspora Atlântica (Instituto Pretos Novos/2025), além de mestranda em Ciências Sociais pela UEM.


* Este é um texto de opinião. As ideias e informações nele contidas são de responsabilidade do colunista ou articulista e não refletem necessariamente o ponto de vista do Guia da Cerveja.

Menu Degustação: Ambev leva Flying Fish para o Lollapalooza Brasil 2026

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A Ambev escolheu o Lollapalooza Brasil 2026, que começou na sexta (20) e vai até domingo (22) no Autódromo de Interlagos, em São Paulo (SP), como plataforma estratégica para ampliar a distribuição da Flying Fish. A bebida pertence ao portfólio Beyond Beer e consiste em uma cerveja de baixo amargor, saborizada com limão siciliano, com graduação alcoólica de 4,5%.

A estratégia de expansão da Flying Fish em São Paulo inclui a presença da marca desde o trajeto até o interior do evento. O público poderá realizar experimentações em estações de metrô e no ponto de encontro oficial na Vila Buarque, onde haverá distribuição da bebida e brindes. Dentro do autódromo, a Flying Fish contará com um palco proprietário dedicado a talentos emergentes e o espaço imersivo “Stunt Piscina”, focado em DJs e cenários para redes sociais.

Além da novidade cítrica, a Ambev reforça sua conexão histórica com a música por meio da oitava participação da Budweiser no Lollapalooza Brasil. A marca ocupará uma área de 750 metros quadrados com a “Bud Mixtape Factory”, cabines onde fãs podem gravar mensagens em minigravadores que resgatam a estética das fitas K7. A estrutura da fabricante também inclui a tradicional arquibancada com vista para o palco principal e o Palco Bud Zero, garantindo a oferta de versões com e sem álcool para o público.

Leia também neste Menu Degustação:

Iniciativa feminina Criado por Elas ganha edição em Campinas

A Ruera Cervejaria, em Campinas (SP), recebe o evento Criado por Elas no sábado (28), das 16h às 22h. A iniciativa reúne nove torneiras de chope de marcas comandadas por mulheres, como Japas, Dádiva e Duas Irmãs. A programação gratuita inclui feira de artesanato de empreendedoras locais e apresentações musicais da banda The Dolls e da DJ Caroliss. O encontro busca fortalecer a visibilidade feminina no mercado cervejeiro e no empreendedorismo regional. O estabelecimento fica na Rua Manoel Antunes Novo, 338, em Barão Geraldo.

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Joy Project Brewing celebra oito anos com festa

A cervejaria Joy Project Brewing promove evento gratuito em Curitiba (PR) para comemorar seu oitavo aniversário no sábado (21). A celebração Another Year, Another Dale (AYAD) ocorre no taproom do bairro Xaxim, a partir das 14h. A programação inclui shows das bandas Lady Die, Baile Brasa e Rivotrio, além de espaço kids. O destaque é o lançamento da cerveja AYAD 2026, uma Barrel Aged Imperial Stout com 12% de teor alcoólico. A fábrica fica na Avenida Linha Verde, 15847, no bairro Xaxim.

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Pão com bolinho ganha harmonização com cerveja

O pub Masc Beer participa pela primeira vez do Festival de Pão com Bolinho em Curitiba (PR), que vai até 12 de abril. A casa apresenta uma versão do lanche feita com blend de carnes bovinas e suínas em pão crocante. O prato acompanha três shots de cerveja artesanal nos estilos Pilsen, Dunkel e IPA para harmonização. A receita do bolinho é inspirada na culinária caseira da família dos proprietários. O estabelecimento fica na Rua Sete de Abril, 835, no Alto da XV, na capital paranaense. Mais informações sobre o festival no Curitiba Honesta.

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UNIFEI recebe workshop de produção de cerveja artesanal

O mestre cervejeiro Gustavo Franke Brixner realizou palestra e workshop prático na Universidade Federal de Itajubá (UNIFEI) na terça-feira (17). O encontro apresentou a história da bebida e fundamentos técnicos do processo produtivo para estudantes da instituição. A atividade incluiu uma brassagem ao vivo para demonstrar conceitos de química, microbiologia e engenharia de processos em aplicação real. A iniciativa visou aproximar a cultura cervejeira do ambiente acadêmico e estimular o desenvolvimento tecnológico no setor. Brixner é consultor técnico e juiz BJCP.

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Grupo Petrópolis participa da Super Rio Expofood

O Grupo Petrópolis patrocina a 36ª edição da Super Rio Expofood entre terça-feira (17) e quinta-feira (19) no Riocentro, Rio de Janeiro (RJ). A companhia apresenta o seu portfólio de bebidas em uma gôndola virtual e oferece degustações das cervejas Itaipava, Petra e Black Princess. A estratégia visa ampliar a presença da maior cervejaria de capital 100% nacional no setor varejista do estado. O evento reúne mais de 180 expositores e espera atrair mais de 78 mil visitantes ao Riocentro.

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Estudantes da UNIFAL-MG lança e-book sobre qualidade na cerveja artesanal

Estudantes da Universidade Federal de Alfenas (UNIFAL-MG) desenvolveram um e-book focado na Tecnologia da Produção de Cerveja Artesanal (baixe o e-book aqui). A obra reúne trabalhos da turma de 2022 do curso de especialização em Tecnologia e Qualidade em Produção de Alimentos da Faculdade de Nutrição. O conteúdo abrange desde princípios básicos de fabricação até análises técnicas de moagem, mosturação, fervura e pasteurização. O material enfatiza boas práticas de fabricação, segurança alimentar e padronização de processos. A publicação serve como ferramenta técnica para estudantes e profissionais da indústria cervejeira que buscam inovação e controle de qualidade.

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Lagunitas estreia loja no TikTok Shop com linha pet

A Lagunitas, marca de cerveja do Grupo Heineken, lançou sua loja oficial no TikTok Shop com foco em produtos para cães e tutores. A iniciativa integra a plataforma de comunicação Boa pra Cachorro e oferece itens exclusivos como bandanas, frisbees, coleiras e camisetas. A ação, idealizada pela Ogilvy Brasil, reforça o vínculo histórico da marca californiana com a comunidade de criadores de animais. Os produtos buscam traduzir o estilo de vida irreverente da marca para o ambiente digital.

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Stella Artois patrocina torneio LA Open em São Paulo

A Stella Artois, cerveja premium da Ambev, anunciou o patrocínio ao Latin American Open (LA Open), torneio da ATP que ocorre em São Paulo (SP). O evento marca a estreia da competição inédita no Brasil e conta com a participação de lendas como Andy Roddick e Fernando Meligeni. A marca utiliza o palco esportivo para promover a Stella Pure Gold, versão sem glúten desenvolvida localmente que já representa 30% das vendas da marca no país. A iniciativa consolida a presença da cervejaria nos principais circuitos de tênis mundial.

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St. Patrick’s Day anima Rua da Música em Curitiba

A celebração de St. Patrick’s Day ocorre na Rua da Música, no Parque Jaime Lerner, em Curitiba (PR), no sábado (21) e domingo (22). O evento temático oferece programação com música celta, rock e blues, além do tradicional chope verde e gastronomia típica. As atrações incluem Gaiteiros do Lume e o tributo U2 Irish Cover. Os ingressos custam R$ 30, com valor promocional de R$ 15 para moradores da capital paranaense. A organização incentiva o uso de trajes verdes e distribuirá brindes para o público caracterizado.

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Ambev abre 163 vagas para programa de estágio 2026

A Ambev está com inscrições abertas para o seu Programa de Estágio 2026, com foco na formação de novas lideranças para frentes de negócio e suprimentos. São oferecidas 163 vagas para estudantes de graduação de todo o Brasil, distribuídas entre as unidades de Business e Supply. O programa inclui mentoria, trilhas de desenvolvimento personalizadas e estímulo ao uso de inteligência artificial em desafios reais da companhia. Os interessados podem se inscrever até segunda-feira (13 de abril) por meio do site oficial da cervejaria.

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IFF lança tecnologia para estabilização de cerveja

A IFF anunciou o lançamento no Brasil da BCLEAR™, uma solução enzimática destinada à estabilização coloidal da cerveja. A tecnologia promete simplificar os processos produtivos ao reduzir a turbidez da bebida de forma mais eficiente que os métodos tradicionais. Segundo a empresa, o uso da enzima contribui para a redução do consumo de água e energia, além de viabilizar a produção de itens com baixo teor de glúten sem alterar o sabor. O produto visa atender à demanda por processos industriais mais sustentáveis e previsíveis.

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Casa Cosmos promove roda de conversa com Daniela Arrais

A livraria Casa Cosmos, na Vila Madalena, em São Paulo (SP), recebe a autora Daniela Arrais para um debate no domingo (29), das 10h30 às 12h30. O encontro tem como tema o livro Para todas as mulheres que não têm coragem e oferece apenas 20 vagas. A participação ocorre mediante aquisição de um kit de R$ 150, que inclui a obra e três bebidas da cervejaria Dádiva. O evento é aberto para crianças e contará com opções gastronômicas da Tonga Comedoria. A cervejaria Dádiva, parceira da ação, é liderada pela empresária Luiza Tolosa.

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Sebrae-SP oferece workshop sobre IA para alimentos e bebidas

O Sebrae-SP realiza o workshop gratuito “Presença digital e IA na prática: alimentos e bebidas em foco” na terça-feira (31), em São Paulo (SP). O evento ocorre na Faculdade Sebrae, no bairro Campos Elíseos, entre 14h e 18h. O encontro visa capacitar micro e pequenas empresas a utilizarem inteligência artificial e estratégias digitais para ampliar resultados comerciais. A iniciativa tem o apoio do Google e da Abrasel. As inscrições devem ser realizadas pela internet por meio do site da instituição.

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Pilotos antecipam retorno da MotoGP ao Brasil

Os pilotos Marc Márquez e Diogo Moreira participaram de encontro em São Paulo (SP) para promover o Grande Prêmio Estrella Galicia 0,0 do Brasil. A etapa marca a volta da categoria ao país após duas décadas e será realizada no Autódromo Internacional Ayrton Senna, em Goiânia (GO). Moreira, campeão da Moto2 em 2025, estreia na categoria principal correndo em casa. A Estrella Galicia, patrocinadora da etapa, reforça sua estratégia de investir no motociclismo nacional. A corrida será a segunda etapa do calendário oficial da temporada 2026.

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Produtividade do lúpulo no país atinge recorde, aponta Mapa do Lúpulo Brasileiro

O cultivo de lúpulo no Brasil conseguiu elevar a produtividade por hectare, atingindo novo recorde, apesar do leve recuo em área cultivada e no número de produtores. Os dados são do Mapa do Lúpulo Brasileiro 2024, da Associação Brasileira de Produtores de Lúpulo (Aprolúpulo) e foram divulgados com exclusividade para o Guia da Cerveja (confira o elatório completo aqui).

Para Daniel Leal, vice-presidente da Aprolúpulo, os números refletem uma dinâmica no setor que está amadurecendo. Ele explica que o leve recuo em área plantada e no número de produtores, aliado ao aumento da produtividade, reflete a dinâmica de saída de pioneiros com atuação isolada e pequeno volume de produção para a entrada de novos produtores com estruturas de campo maiores, além do ganho com a melhoria das técnicas de cultivo.

Eficiência em alta

De acordo com o Mapa do Lúpulo Brasileiro, a produtividade média nacional atingiu o recorde de 852,3 quilos por hectare em 2024. Trata-se de um crescimento robusto, de mais de 8%, em relação aos 787,1 quilos por hectare da safra de 2023. E que superou consideravelmente o índice de 450 quilos registrado em 2021.

Raio X da produção de lúpulo no Brasil
AnoN° produtores de lúpuloÁrea total cultivada (ha)Produtividade por hectare (kg/ha)
20216040450
20228148,5597
2023114111,8787,1
202410995,4852,3

Esse salto técnico de rendimento ocorreu mesmo com a redução do número de produtores, que passou de 114 para 109, e a diminuição da área total cultivada, que recuou de 111,8 hectares para 95,4 hectares no último ano. 

Como resultado prático dessa otimização, a produção total do país ficou em 81,3 toneladas. Essa queda no volume geral (-7,6%) em relação a 2023 foi proporcionalmente muito inferior à retração da área de plantio (-14,67%), o que evidencia que o setor manteve sua força produtiva graças ao aprimoramento do manejo agronômico e à consolidação de produtores mais estruturados e eficientes, segundo Leal.

Expansão do lúpulo brasileiro

Outro dado apontado no Mapa do Lúpulo indica que quase três a cada dez produtores expandiram a área plantada. E 90% planejava crescimento nos próximos anos.

Os dados relativos à produção de 2024 indicam que 27% haviam expandido a área. Em relação aos planos de expansão, 63% planejava expandir no futuro, sem prazo definido; 16% afirmou estar em processo de expansão, 11% queria expandir em 2025 e 10% não tinham planos de ampliar a área.

Mais aroma, menos amargor

Considerando as variedades cultivadas no Brasil, o Mapa do Lúpulo aponta que, em 2024, a produção se voltou a variedades que contribuem mais com o aroma do que com o amargor.

O cultivo brasileiro tem 146,8 mil plantas que acrescentam notas de aroma à produção cervejeira, contra 31 mil plantas que levam amargor à bebida. Ao todo, foram colhidos 61,5 kg no cultivo de aroma e 19,8 kg no amargor.

Segundo Leal, isso ocorre porque o aroma tem maior valor de mercado. A variedade Comet se destaca por ter um bom desempenho no campo, adaptando-se a quase todos os climas do país, sendo resistente a doenças e com boa produtividade, além do apelo no mercado de cerveja artesanal.

“Variedades de amargor têm melhor desempenho em produtividade, mas menor valor de mercado, o que as torna menos competitivas no atual nível de escala do mercado brasileiro”, afirma Leal.

No entanto, com o crescimento e ganho de escala, a tendência é uma migração para a produção de lúpulos de amargor, que são mais baratos de produzir por quilo devido à maior produtividade e têm uma demanda maior nas grandes cervejarias, explica Leal.

TipoVariedadePlantasTotal (kg/ano)
AromaComet62.93128.100
AromaCascade40.44118.294
AmargorHallertau Magnum13.4426.730
AmargorZeus9.6356.531
AromaSaaz19.0286.109
AromaChinook7.9005.566
AmargorNugget4.3804.022
AmargorColumbus3.6222.529
AromaTriumph2.909822
AromaHallertau Mittelfrueh1.678549
AromaTriple Pearl965411
AromaCentennial1.932358
AromaSorachi Ace1.250318
AromaAlpha Aroma2.568287
AromaCrystal1.267202
AromaVista2.262100
AromaHersbrucker10085
AromaNorthern Brewer16043
AromaSouthern Cross74441
AromaBrewers Gold7533
AromaYakima Gold6233
AromaMapuche15031
AromaFuggle6727
AromaEast Kent Goldings5024
AromaDr Rudi5022
AromaSpalt Spalter5019
AromaGolding1214
AromaPacific Gem3011
AromaSmooth Cone605
AromaTeamaker93

“Terroir” brasileiro

Com a evolução do setor, muito se fala no “terroir” brasileiro, ou seja, em características de sabor especificamente vinculadas ao Brasil. Com tantas plantas voltadas ao aroma, daria para dizer que estamos evoluindo para uma indústria consolidada?

Segundo aponta Leal, a discussão é complexa. Ele afirma que, embora o lúpulo brasileiro tenha características aromáticas intensas (frutas amarelas, cítricas), a produção se espalha por um território muito amplo, e o terroir está associado a condições climáticas e de solo extremamente regionalizadas. Ele defende que, para a indústria, o mais salutar é ter um volume de produção grande e significativo com um padrão que se repita ao longo dos anos a fim de estabilizar a oferta da produção nacional.

Atualmente, a produção de lúpulo brasileiro atende apenas de 2% a 3% da demanda interna e tem grande potencial de crescimento, desde que superados os gargalos de comercialização.

Metodologia

A elaboração do estudo é feita a partir de entrevistas e coletas de informação junto a produtores de todo o Brasil, sejam associados ou não à Aprolúpulo. Nesta edição, a associação contou com a parceria do laboratório Casulo, vinculado à COPPE/UFRJ, implementando aprimoramentos metodológicos fundamentais. 

Daniel Leal destaca mudanças metodológicas para alinhar a coleta de dados ao mercado internacional. Se antes a coleta mostrava a produtividade por planta, agora ela é medida por hectare. Entraram também dados por variedade e número de safras.

Com uma base produtiva atualmente mais enxuta e qualificada, a expectativa da Aprolúpulo para os próximos anos é de que o lúpulo brasileiro consolide rotas de desenvolvimento apoiadas na maior integração técnica, apontando para a retomada do crescimento em volumes guiada pelas exigências de constância e eficiência do mercado cervejeiro.

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