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Tanoaria Espanha compra Basement e pode atender demanda por beer coffees

Especializada em barris de carvalho, a Tanoaria Espanha anunciou a aquisição da produtora de cafés especiais Basement Coffee Barrels. O objetivo, de acordo com seu fundador e diretor-geral, Rafael Aragão Gonzales, é ampliar a atuação com a tecnologia de tosta de barris por convecção.

E o negócio pode ter impacto no setor cervejeiro, especialmente para marcas interessadas em produzir as beer coffees, como destaca Rafael. “Esta escolha em adquirir a Basement se deu pelo motivo de a empresa ser pioneira nesta técnica de micro fermentação em barris de carvalho de qualidade”, afirma o fundador da Tanoaria Espanha, fornecedora de barris de carvalho para várias cervejarias, alambiques e vinícolas do Brasil.

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Ele aponta, ainda, a possibilidade de atendimento da demanda de cervejarias a partir da aquisição da Basement Coffee Barrels, que comercializa desde 2015 cafés especiais maturados em barris de carvalho previamente utilizados na produção de uísque, rum e outras bebidas destiladas.

“A ideia é dar continuidade em um projeto familiar entre pai e filhos, unindo as empresas e mantendo todas as novas tecnologias e técnicas entre família, tornando-a uma empresa referência na arte da fermentação do café dentro das barricas de carvalho, podendo, assim, ser a principal fornecedora de café fermentado e de barris utilizados neste processo para as diversas cervejarias que queiram explorar as beer coffees”, destaca Rafael. 

Agora, então, a Tanoaria Espanha vai juntar a sua técnica de convecção de barris com o conhecimento em cafés premium da Basement Coffee Barrels.

Estamos unindo o know-how da torrefação de cafés especiais micro fermentados em barris de carvalho com a técnica do tostado de convecção que já é utilizada na Tanoaria

Rafael Aragão Gonzales, fundador da Tanoaria Espanha

Segundo o acordo para a sua aquisição, a Basement Coffee Barrels seguirá como marca independente, tendo como CEO Hugo Aragão Gonzalez. Além disso, utilizará os barris especiais fornecidos pela Tanoaria Espanha. E terá a sua fábrica na cidade de Tijucas (SC), que já conta com uma filial da fornecedora de barris de carvalho.

Brahma lança “chopeira” da Duplo Malte e reforça aposta na cremosidade

Um dos grandes sucessos recentes da Ambev, a Brahma Duplo Malte inovou na forma de consumo e ganhou uma “chopeira” para deixar a cerveja ainda mais cremosa. O lançamento do produto, que ganhou o nome Brahmeira, é uma nova forma para o consumidor saborear a bebida, em mais uma aposta da marca em associar as suas cervejas com a cremosidade.

Felipe Cerchiari, diretor de inovação da Ambev, conta que a novidade usa uma tecnologia de micro-espuma para deixar a cerveja com mais cremosidade. É algo muito parecido com o efeito do nitrogênio, tornando a espuma mais estável e cremosa, em uma ação na Brahma Duplo Malte semelhante ao de uma chopeira portátil. “Com essa novidade, a gente atende uma nova expectativa do consumidor, com um produto além do nosso portfólio tradicional.”

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De acordo com Camila Rodrigues, responsável pelo conteúdo institucional da Brahma, a ideia é atender ao que os consumidores da Duplo Malte desejam. “O sabor e a cremosidade da Brahma Duplo Malte são únicos e nasceram de insights das pessoas. Pensamos como poderíamos, com nossas inovações, deixar ainda mais cremosa a experiência do consumidor de tomar a cerveja”, comenta Camila.

A Brahmeira terá edição limitada e possui tecnologia para dar mais cremosidade para a bebida em lata ou garrafa (de long neck ou 600ml). Para usá-la, é só acoplar a embalagem no equipamento e utilizar a manopla para servir. É, assim, um recurso semelhante ao de uma chopeira, agora disponível para o consumidor da Duplo Malte, com o cervejeiro ligando o produto em uma tomada (ou utilizando pilhas) e controlando a quantidade de líquido e espuma.

Lançamento
Para marcar o lançamento da Brahmeira, a Brahma realizou uma campanha bem-humorada e divertida para o Dia dos Pais, celebrado no último domingo. Criado pela Africa e produzido pela In Good Company, o filme mostra um pai vendo o produto pela primeira vez ao chegar em um churrasco da família e logo idealizando diversos momentos ao lado de sua Brahmeira, ao som de Só Você, de Fábio Jr.

A marca ainda prepara ações especiais para os consumidores nos próximos dias. A “chopeira” da Duplo Malte está à venda no Empório da Cerveja, com preço de R$ 650, e em outros sites.

Molson Coors lança uísque e retira 11 cervejas do seu portfólio

A Molson Coors deu mais alguns passos na reformulação do seu portfólio. O grupo cervejeiro, um dos maiores do mundo, com presença expressiva nos mercados de Estados Unidos e Canadá, anunciou a retirada de 11 rótulos. Ao mesmo tempo, a Molson Coors lançará a sua primeira bebida destilada, um uísque.

Com malte da Coors e água das Montanhas Rochosas, o uísque vai se chamar Five Trail. E estará, inicialmente, disponível em quatro estados norte-americanos: Colorado, Geórgia, Nevada e Nova York. Vendido em garrafas de 750ml, terá preço sugerido de US$ 59,99 (aproximadamente R$ 314). 

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O lançamento de um uísque representa o novo passo da Molson Coors além das cervejas, como parte fundamental de uma estratégia para diversificar e tornar mais premium o seu portfólio de bebidas. Além disso, quer aproveitar o aumento do consumo de uísque registrado nas últimas décadas, assim como a afinidade entre o público cervejeiro e o que compra esse tipo de bebida. 

“Embora os bebedores de uísque sejam um grupo muito leal, a descoberta é um tema-chave. Eles adoram explorar, expandir suas coleções e experimentar coisas novas. Isso torna este um lugar muito interessante para nos jogarmos como uma empresa de bebidas. Dentro do uísque, há muito território rico para explorar e você não precisa ficar dentro dos limites de uma expectativa única do consumidor”, diz Kimberli Fox, gerente de marketing da Molson Coors. 

Cervejas descontinuadas
O anúncio do lançamento do uísque pela Molson Coors se deu na sequência da extinção de 11 marcas de cervejas. Foram elas: Milwaukee’s Best Premium, Mickey’s Fine Malt Liquor, Henry Weinhard’s Private Reserve, Keystone Ice, Hamm’s Special Light, Keylightful, Icehouse Edge, Magnum, Miller High Life Light, Steel Reserve 211 e Olde English HG 8000.

“Após uma análise extensiva de nosso negócio, estamos otimizando e aprimorando significativamente nosso portfólio nos Estados Unidos. Isso melhorará a flexibilidade da cadeia de suprimentos para nossas marcas prioritárias mais lucrativas, aumentará nossos esforços de inovação, nos permitirá concentrar melhor os recursos e garantir remessas confiáveis ​​e no prazo para nossos distribuidores”, analisa Gavin Hattersley, CEO da Molson. 

Balanço positivo
Nos últimos dias, a Molson Coors também divulgou o seu balanço financeiro do segundo trimestre de 2021. E apontou dados positivos. A empresa revelou que a receita líquida de vendas de abril a junho aumentou 17,4%, para US$ 2,94 bilhões (R$ 15,4 bilhões), em comparação com o mesmo trimestre do ano anterior. Já o lucro líquido saltou 99,3%, para US$ 388,6 milhões (R$ 2,035 bilhões). 

De acordo com a Molson, esse é o seu maior lucro trimestral em mais de uma década. E foi impulsionado pela reabertura de bares e restaurantes, além da aposta em um portfólio de bebidas mais caras e premium.

“Tivemos nossa cota de desafios nos últimos anos. Mas isso está mudando e hoje todos os sinais dizem a mesma coisa: o futuro da Molson Coors é brilhante e o plano de revitalização está dando certo”, aponta o CEO da gigante cervejeira.

Balcão do Profano Graal: Martyn Cornell e a sua caçada aos “mitos” na história da IPA

Balcão do Profano Graal: Martyn Cornell e a sua incansável caçada aos “mitos” na história da IPA


Desde 2011, se comemora na primeira quinta-feira do mês de agosto o IPA Day. Um dia para homenagear esse estilo que nasceu na Inglaterra, se popularizou nos Estados Unidos e caiu nas graças dos consumidores do mundo inteiro. Você, certamente, já deve ter escutado a versão mais popular da história da criação das IPAs. Assim como as controvérsias em torno dela. Para quem ainda não ouviu, aí vai a versão resumida da história: 

Durante o período de dominação colonial britânica da Índia (entre 1773 e 1947), os administradores coloniais e os militares que eram mandados para servir no país precisavam ser abastecidos de cerveja, que tinha de vir da Inglaterra, já que a bebida não era produzida por lá. Uma vez que as cervejas poderiam não resistir à viagem de navio da Inglaterra até a Índia, o cervejeiro e proprietário da Bow Brewery, de Londres, chamado George Hogdson, teria criado uma cerveja Pale Ale com uma carga extra de lúpulo para suportar a viagem. Essa nova cerveja fez muito sucesso entre os ingleses na Índia e passou a ser procurada também na Inglaterra, por aqueles soldados e administradores que voltavam da sua temporada no Oriente. Principalmente depois que um lote dessa cerveja que estava sendo levado para a Índia foi resgatado de um naufrágio na década de 1820 e leiloado para os habitantes locais na Inglaterra.   

Mas, essa versão da história vem sendo contestada por pesquisadores. O mais aguerrido dos quais é, certamente, o jornalista inglês Martyn Cornell, pesquisador da história da cerveja na Inglaterra, que se debruça sobre o tema desde (pelo menos) 2008, lendo jornais e livros dos séculos XVIII e XIX, atrás de pistas sobre o surgimento do estilo e publicando o resultado das suas pesquisas no seu site Zythophile. Segundo suas pesquisas, desde o início do século XVIII, os ingleses já sabiam que cervejas mais alcoólicas e lupuladas resistiam melhor às longas viagens marítimas. O armazenamento em barris garantia a qualidade da cerveja por até mais de um ano, e tanto as Porter como as Pale Ale eram exportadas para as colônias inglesas com êxito. Dessa forma, não é possível atribuir a Hogdson a criação do estilo. Aliás, segundo Cornell, não há nenhuma evidência de que a IPA tenha sido “inventada”. Segundo ele, parece mais provável que o estilo tenha se desenvolvido lentamente a partir das Pale Ales existentes, e, eventualmente, por volta de 1830, tenha recebido um nome novo: East India Pale Ale.

Aliás, ainda segundo as pesquisas de Cornell, a primeira aparição do termo East India Pale Ale na imprensa aconteceu em um jornal australiano. O Sydney Gazette and New South Wales Advertiser de 29 de agosto de 1829 publicou que a venda de Mr. Spark possuía cervejas da Taylor Walker e East India Pale Ale. Alguns meses após esse primeiro anúncio, em 19 de fevereiro de 1830, outro jornal australiano, o Colonial Times of Hobart, na Tasmânia, anunciava a venda da Taylor’s Brown Stout e East India Pale Ale. Sendo assim, até o momento, a primeira cerveja a ser nomeada de India Pale Ale é a de Taylor Walker. Antes disso, mas também por algum tempo depois, essa cerveja era conhecida como Pale Ale for India (Pale Ale preparada para a Índia) ou apenas Pale Ale, sem nenhuma distinção daquela produzida para o mercado inglês. Já na Inglaterra, a primeira menção à India Pale Ale aparece na edição de 30 de janeiro de 1835 do Liverpool Mercury. Cornell chama a atenção para o curioso fato de que a cerveja anunciada era justamente da Bow Brewery. Que, além do mais, fazia muito sucesso também na Austrália, como mostra um anúncio no Monitor, de Sidney: “outro jornal de Sydney, o Monitor, reclamou em abril de 1828 que a ‘cerveja colonial’ não era ‘tão boa quanto’ a Pale Ale de Hodgson, e anúncios em jornais australianos para a Pale Ale de Hodgson de, pelo menos, 1823 a chamavam de ‘celebrada’ E ‘altamente estimada’.”

Ao longo do século XIX, além da Bow Brewery, várias outras cervejarias também enviavam cervejas para a Índia, mas essas cervejas eram vendidas sem identificação alguma. Hodgson teria sido o primeiro a começar a enviar garrafas identificadas com o nome da sua cervejaria. E, por isso, acabou se tornando o cervejeiro mais conhecido e ganhando a fama de inventor do estilo. Segundo Cornell, a vantagem de Hodgson era a de que a sua cervejaria estava localizada perto do porto de onde partiam os navios para o Oriente. Dessa forma, quando os capitães dos navios foram procurar cerveja para vender no Oriente, eles foram à cervejaria mais próxima. Além disso, Hodgson oferecia aos capitães um crédito estendido, de até 18 meses, para pagar a cerveja que compravam dele. Mas a cerveja que ele enviava não deveria ser diferente, pelo menos no início, de outras cervejas Pale Ales que eram fabricadas na época.

Muito cedo, Hogdson começou a sofrer a concorrência das cervejarias de Burton-Uppon-Trent, como a Allsopp e a Bass, no mercado indiano. E acabou concentrando a sua venda na própria Inglaterra. Também por isso, não é de se admirar que o primeiro anúncio de India Pale Ale publicado na Inglaterra tenha sido justamente da Bow. A cervejaria de Hodgson, inclusive, entrou em crise quando foi construída a linha férrea entre Londres e Burton-Uppon-Trent, em 1839. Explica Cornell que os fabricantes de Burton já tinham um acesso relativamente fácil ao porto de Liverpool (de onde saía grande parte do transporte marítimo para o exterior) através de uma rede de canais mas, a partir de então, o frete entre Londres e Burton caiu de 3 libras a tonelada para 15 xelins, e o tempo que um barril de cerveja levava para viajar de Staffordshire para a capital caiu de uma semana para 12 horas. A partir da década seguinte, o estilo começa a se popularizar no Reino Unido, apesar de já estar à venda em Londres desde, pelo menos, 1822 (segundo anúncio no The Times de 11 de janeiro daquele ano, também citado por Cornell). Diz Cornell que a partir de abril de 1841, apareciam no The Times cinco ou seis pequenos anúncios diários de comerciantes vendendo “India Ale”, “Pale India Ale”, “Pale Export India Ale” e outras variações.

E, por isso, o autor questiona também que o famoso naufrágio (que, segundo suas pesquisas, teria acontecido em 1839 e não na década de 1820) tenha sido responsável pela popularização do estilo, como conta a versão popular da história. Segundo Cornell, tanto a versão de que George Hodgson inventou o estilo, quanto a história da sua popularização no Reino Unido por meio do naufrágio nascem da mesma fonte: um livro chamado Burton-upon-Trent: sua história, suas águas e suas cervejarias, escrito por um certo Willian Molyneaux e publicado em 1869. Esse autor afirma que: 

A origem da India Ale é por consentimento comum creditada a um cervejeiro londrino chamado Hodgson, que (…) descobriu o processo de fabricação de uma bebida peculiarmente adequada ao clima das Índias Orientais e que, sob o nome de ‘India Pale Ale’, monopolizou o comércio indiano de cerveja inglesa. (…) A cervejaria onde a Pale Ale foi produzida pela primeira vez, de acordo com a opinião popular, foi a Old Bow Brewery

Willian Molyneaux, em Burton-upon-Trent: sua história, suas águas e suas cervejarias

Perceba que as afirmações de Molyneaux não se baseiam em pesquisas, mas no “consentimento comum” e na “opinião popular”. Ou seja, como infelizmente ainda acontece muito quando o assunto é história da cerveja, o autor estava apenas reproduzindo afirmações que eram repetidas, como se diz popularmente, no “boca a boca”.

Porém, ressalta Cornell que ele não tem a intenção de minimizar o papel de Hodgson na história da popularização da IPA. Como ele afirma: “não há dúvida de que a Pale Ale de Hodgson conquistou a maior parte do (comparativamente pequeno) mercado de cerveja indiano antes de 1820; que Hodgson era facilmente a cerveja com a melhor reputação no mercado indiano; e que a reputação da cervejaria Bow durou décadas, mesmo depois que as cervejarias rivais chegaram e começaram a tirar Hodgson do mercado com suas próprias Pale Ales.” 

Dessa forma, se, por um lado, não se pode dizer que Hodgson foi o inventor do estilo, por outro, também não se pode negar que ele teve um importante papel na difusão do seu comércio tanto nas Índias Orientais, quanto no mercado britânico. Como sempre, a História, com todas as suas nuances e reviravoltas, é mais complexa do que qualquer esquematização que tente simplificá-la. Há muito mais nas pesquisas de Cornell. Ele discute como poderia ser a lupulatura de uma IPA de finais do século XVIII e início do XIX, quem deveriam ser os seus principais consumidores, a divisão do mercado nas colônias britânicas entre as diferentes cervejarias e o preço das IPAs no mercado indiano (quatro vezes mais caras do que em Londres, no final do século XVIII). 

Cornell afirma ainda que, depois que questionou pela primeira vez a versão popular da história, ainda nos idos de 2008, recebeu uma onda de mensagens raivosas vindas, na sua maior parte, dos Estados Unidos. As pessoas estavam chateadas, diz ele, por ele estar destruindo uma de suas histórias preferidas. Infelizmente, é muito comum que as pessoas se apeguem às suas certezas, ainda que elas não estejam baseadas em nada mais do que crença popular. 


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

CORNELL, Martyn. Myth 4: George Hodgson invented IPA to survive the long trip to India. Zythophile. 2008. Disponível em: https://zythophile.co.uk/false-ale-quotes/myth-4-george-hodgson-invented-ipa-to-survive-the-long-trip-to-india/

CORNELL, Martyn. IPA: much later than you think. Zythophile. 19 de novembro de 2008. Disponível em: https://zythophile.co.uk/2008/11/19/ipa-much-later-than-you-think/

CORNELL, Martyn. much later than you think part 2. Zythophile. 19 de novembro de 2008. Disponível em:  https://zythophile.co.uk/2008/11/19/ipa-much-later-than-you-think-part-2/

CORNELL, Martyn. The first ever reference to IPA. Zythophile. 29 de março de 2010. Disponível em: https://zythophile.co.uk/2010/03/29/the-first-ever-reference-to-ipa/

CORNELL, Martyn. Four IPA myths that need to be stamped out for #PADay. Zythophile. 04 de agosto de 2011. Disponível em: https://zythophile.co.uk/2011/08/04/four-ipa-myths-that-need-to-be-stamped-out-for-ipaday/

CORNELL, Martyn. More IPA myths that must die on #IPADay. Zythophile. 02 de agosto de 2012. Disponível em: https://zythophile.co.uk/2012/08/02/more-ipa-myths-that-must-die-on-ipaday/

CORNELL, Martyn. The earliest use of the term India Pale Ale was… in Australia?. Zythophile. 14 de maio de 2013. Zythophile. Disponível em: https://zythophile.co.uk/2013/05/14/the-earliest-use-of-the-term-india-pale-ale-was-in-australia/

CORNELL, Martyn. The IPA shipwreck and the night of the big wind. Zythophile. 12 de outubro de 2015. Disponível em: https://zythophile.co.uk/2015/10/12/the-ipa-shipwreck-and-the-night-of-the-big-wind/


Sérgio Barra é carioca, historiador, sommelier e administra o perfil Profano Graal no Instagram e no Facebook, onde debate a cerveja e a História

Pesquisa busca traçar perfil do consumidor de cerveja no Brasil; Participe

Realizada pelo segundo ano consecutivo, a pesquisa Retrato dos Consumidores de Cervejas quer entender os variados perfis do público amante da bebida no Brasil. Para isso, tem uma meta ousada: dobrar o número de respostas ao trabalho, passando das 1.006 captadas em 2020 para, no mínimo, 2.012 em 2021, como revelam seus organizadores.

“Esse projeto de pesquisa tem como objetivo melhor entender os variados perfis de consumo de cervejas no Brasil. Do consumo popular e cotidiano ao consumo peculiar e esporádico, queremos mapear – o máximo possível – as pessoas amantes da bebida”, explica Cilene Saorin, mestre-cervejeira, professora e sommelière de cervejas que participa da organização da pesquisa.

Clique aqui para responder a pesquisa Retrato dos Consumidores de Cervejas

A partir do mapeamento demográfico, geográfico e de comportamento de consumo, o projeto apontará objetivamente os diferentes perfis, estilos de vida e preferências de consumo do público cervejeiro. “O time por trás deste projeto é multidisciplinar e pretende oferecer uma análise ampla e profissional do mercado de consumo de cervejas no Brasil”, pontua Cilene.

Para ela, com análises regionais e nacionais das respostas dos participantes, será possível traçar estratégias de comunicação de produtos e serviços mais assertivos para alcançar os diversos públicos. “Convenhamos: uma fauna linda e imensa de adoradores (e potenciais adoradores) de cervejas merece ser desvendada. Assim, melhor alcançaremos inclusão e pluralidade.”

A pesquisa está sendo organizada pelo site IPAcondríaca, da sommelière Ludmyla Almeida, e pode ser respondida até o dia 31 de agosto. “O primeiro ‘Retrato’ começou por conta da minha curiosidade e do Leandro Bulkool (meu parceiro no podcast Surra de Lúpulo). Somos fascinados por números e queríamos conhecer um pouco mais do mercado cervejeiro. A ideia é que a pesquisa seja anual para ajudar a estabelecer comparativos importantes, perceber as variações de consumo e termos subsídios para podermos ir além”, conta Ludmyla.

Edição 2020
As respostas coletadas pela pesquisa de 2020 ajudaram a traçar um retrato dos consumidores de cervejas, algo que serviu de base para estudiosos do mercado, mestres-cervejeiros e empresários nos seus estudos ou tomada de decisões.

Naquele ano, o estudo alcançou 1.006 respostas, sendo que todos os estados foram representados na pesquisa. Entretanto, as maiores concentrações de respostas estavam localizadas nas regiões Sudeste e Nordeste.

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Ao serem indagadas por qual estilo abriram a experimentação no mundo das artesanais, a maioria das pessoas indicou a Weissbier (34,64%). No entanto, a pesquisa aponta também que a IPA (14,74%) está conquistando seu espaço entre o público iniciante.

Sobre os estilos mais bebidos, os cervejeiros e cervejeiras podiam marcar mais de uma opção nessa pergunta e citaram 67 estilos diferentes, em um total de 3.163 respostas. As cinco mais consumidas atualmente demonstraram que a Weissbier, grande cerveja de entrada, é deixada para trás e novos aromas e sabores passam a fazer parte do cotidiano do público, com a IPA sendo a mais citada.

Confira os demais resultados da pesquisa 2020 aqui.

Balcão olímpico: O arroz na cultura japonesa e o seu uso na cerveja

Arroz como moeda de troca, alimento em todas as refeições e ingrediente na cerveja. No Japão é assim: o cereal, um dos mais consumidos no mundo, ao lado do trigo e do milho, não faz apenas parte da cultura do país, mas teve importância na construção da sociedade da nação asiática.

Inserido no Japão pelos chineses durante o período Yayoi, que perdurou de 1000 a.C. até 300 d.C, o arroz desempenhou papel de moeda no país, também sendo trocado por outros alimentos. E para outros tipos de transação.

“Entre japoneses de pequenos vilarejos era comum fazer empréstimos entregando principalmente suas ‘filhas’ para senhores de famílias mais ricas e senhores feudais em troca de sacas de arroz, com elas trabalhando principalmente como cozinheiras e babás”, relata a sommelière de saquês Claudia Sayuri.

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Tradicionalmente, o arroz é um dos itens mais consumidos pelos japoneses, sendo o seu alimento-base no dia-a-dia, incluído no café da manhã, no almoço e no jantar. “Não é nada estranho para os japoneses consumirem uma tigela de arroz no café da manhã. Apesar dos tempos modernos e da influência europeia (portuguesa e holandesa) no país terem inserido o pão, ainda encontramos muitas famílias e hospedagens tradicionais oferecendo um desjejum típico servido com arroz, um caldo (provavelmente um missoshiru) e vegetais com alguma proteína como peixes grelhados ou cozidos”, relata Cláudia. 

E, claro, há diversas variações para a sua utilização na culinária japonesa: o “onigiri”, um bolinho de arroz elaborado há muito tempo pela necessidade de transportar o alimento para o campo e em viagens longas pelos mercadores, e o “mochi”, um bolinho à base de arroz glutinoso, cozido a vapor, que simbolicamente é consumido no Ano Novo como sinal de boa sorte e agradecimento aos antepassados, além de ser oferecido em altares de templos e nos lares mais tradicionais. E o arroz também faz parte dos ingredientes de ícones da culinária como o sushi, o niguiri e o curry rice.

Não à toa, existem cerca de 300 variedades de arroz cultivadas no país, sendo que o originário do Japão, da espécie Japônica, corresponde a cerca de 20% da produção mundial. Outro destaque é o uruchimai, descendente do Japônica e de onde vem o arroz culinário e para saquê, e o mochigome, arroz glutinoso, usado para fazer principalmente o mochi.

Por isso, o arroz se tornou um item essencial da economia japonesa, sendo, além da alimentação, um produto utilizado nas indústrias cosmética e de bebidas, incluindo a de cerveja.

O Japão preza muito pela qualidade de seus alimentos e valoriza muito as regionalidades, resultando em vários tipos de arrozes com características locais muito distintas, trabalhando o branding do arroz. É fácil ouvir falar nos arrozes Koshihikari, Akitakomachi, entre outros, que compõem um ranking de tipos de arroz ‘brand’. Uns dirão que eles são mais saborosos, mais brilhosos e firmes

Claudia Sayuri, sommelière de saquês

Mas a absorção de rotinas e hábitos de outros países tem levado os japoneses a consumirem menos arroz nos últimos anos. A produção no país para 2021 está estimada em 6,79 milhões de toneladas, o que está abaixo do fabricado em 2020, embora ainda seja necessário importar o produto.

Com isso, o governo japonês tem buscado alternativas, como relata Cláudia. “Uma das soluções do governo para estabilizar o mercado e manter o arroz em produção é a conversão dos campos voltados para consumo humano para o consumo animal – arroz como ração animal.” 

Mas e as bebidas?
Bebida típica do Japão, o saquê é um fermentado de arroz produzido a partir de outros três ingredientes: água, koji e levedura. E o arroz também é usado para o cultivo do koji, um fungo pulverizado sobre o cereal, resultando no komekoji (arroz maltado), que, junto ao mosto, trabalhará a fermentação necessária para a produção da bebida. Já o Sakamai é o tipo de arroz voltado para a produção de saquês.

“Durante a Antiguidade, o saquê tinha um aspecto rústico e era servido em ocasiões religiosas como oferenda aos deuses e para pessoas importantes como senhores feudais e samurais. Antigas fábricas datam cerca de 300 anos e ainda hoje é possível encontrar muitas ‘kuras’, como são chamadas as produtoras de saquês centenárias em atividade”, afirma a sommelière de saquês. 

E, claro, sua produção passou por oscilações desde a criação. O saquê rústico era fabricado de maneira semelhante à chicha peruana, bebida fermentada à base de milho que passa por mastigação. Era também mastigado por mulheres, obtendo-se a bebida que evoluiu para o doburoku. Os métodos evoluíram com a aquisição de maquinários, mas manter a qualidade foi um desafio no pós-guerra, em função da escassez de arroz. Mas foi uma fase que ficou para trás, como destaca Cláudia. 

“Esse marco foi superado com a recuperação da economia e graças à tecnologia de máquinas, como a polidora vertical, que foram desenvolvidas. E o nível da bebida se elevou, fazendo surgir mais classificações com tipos de saquês refinados que o colocaram de volta no copo e no gosto dos japoneses”, detalha a sommelière. 

A qualidade da cerveja com arroz
Além do saquê, o o arroz é parte da receita de várias bebidas alcoólicas, sendo algo costumeiro na cerveja do Japão. Mas não só por lá. Há rótulos em diferentes partes do mundo, como o Brasil, que contam com o cereal como ingrediente.

Em diversos casos, o cereal é utilizado como substituto do malte da cevada, como lembra Maíra Kimura, co-fundadora da Japas Cervejarias. Ela destaca a existência da percepção de que isso é feito para tornar a produção mais barata, mas que há outras razões para essa estratégia. 

“Ele serve para deixar a cerveja mais leve, o que é benéfico em diversos estilos, e faz parte da estratégia de criação de receita de muitos cervejeiros. Existia muito a noção de que uso de arroz e milho era só para baratear. E, embora isso seja verdade, principalmente quando falamos da indústria de cervejas de massa, isso vem mudando bastante. Flocos de arroz, por exemplo, podem ser mais caros do que malte”, afirma Maíra.

Como detalha o sommelier Luiz Celso Jr., o uso do arroz ajuda a tornar a cerveja mais leve, por aspectos envolvidos na sua produção, diminuindo o corpo da bebida. “No Brasil, você pode substituir 45% do seu mosto de cevada. Quando você usa o arroz para substituir essa parte, você está colocando um amido puro, que vem com muito menos proteína. Logo, o efeito é a transformação em álcool sem essas proteínas. Então você consegue diminuir o corpo da cerveja em relação a aquilo que você faria com o malte de cevada.”

Celso ressalta que, de fato, o arroz é eventualmente usado na cerveja como substitutivo do malte, por ser mais barato. Mas inferir que isso torna a cerveja pior em qualidade é um erro. “A indústria utiliza o arroz e o milho como fontes alternativas de amido mais baratas que o malte de cevada, que é uma cultura cara, que necessita de muitos cuidados especiais, além de passar por processos”, conclui o especialista.

Confira seis dicas de cervejas com arroz selecionadas pela sommelière Claudia Sayuri ao Guia

A Kiuchi Brewery trouxe para o Brasil há muitos anos a Hitachino Nest Red Rice Ale, que leva arroz vermelho típico do Japão. Uma cerveja de cor avermelhada, de aromas frutados, mas que não retornou mais para nossas prateleiras.

A Echigo Brewery, da província de Niigata, famosa pela produção de arroz, criou a Echigo Koshihikari, uma Rice Lager que usa arroz local.

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A norte-americana Bottle Logic fez a Hanamachi Rice Lager Super Dry, com arroz de jasmim. Hanamachi é um distrito japonês em Kyoto, famoso por sua história e onde se avistam muitas gueixas (mulheres artistas japonesas vestidas em tradicionais kimonos).

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A dinamarquesa Mikkeller, que possui seu bar em Tóquio, também tem suas Rice Lagers: a Japanese Rice Lager e a sua outra versão com a fruta cítrica yuzu, a Japanese Rice Lager with Yuzu.

No Brasil, a Cervejaria Avós criou a Vó Dinha, a Carinhosa uma Rice Pils. 

E, mais recentemente, a Devaneio do Velhaco lançou a Esplendor, uma Rice Lager com Mosaic e Loral, leve e agradável com ótimo drinkability. 

Lagunitas distribui long necks de graça para celebrar o IPA Day

O IPA Day, o Dia Internacional da India Pale Ale, celebrado na primeira quinta-feira de agosto, vai render mais uma ação especial da Lagunitas. A marca anunciou que quem passar no próximo sábado e domingo em seu drive-thru cervejeiro vai receber duas long necks da sua icônica IPA gratuitamente.

A data é considerada uma das mais importantes do calendário para os amantes de cerveja. E a ação da Lagunitas, vinculada ao IPA Day, vai ocorrer das 12h às 18h, tanto no sábado quanto no domingo, no estacionamento do Ginásio do Ibirapuera, em São Paulo. Para respeitar as regras de distanciamento social, o público deverá permanecer dentro dos carros.

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As ações da Lagunitas em São Paulo por causa do IPA Day vão, aos poucos, se tornando uma tradição. Em 2020, também no formato drive-thru, atraiu mais de 860 pessoas.

Já neste ano, ainda com limitações impostas pela pandemia, a iniciativa vai ter o mesmo formato, mas com uma proposta especial: antes de receber o kit com as cervejas, os ocupantes dos veículos vão passar por uma experiência em que interagem e criam significados inusitados com a sigla IPA.

A ideia é que todos sejam apresentados e entendam quais são as principais características que fazem a IPA conquistar cada vez mais adeptos e por quais razões a Lagunitas é uma das maiores representantes desse estilo.

Quem participar da ação ainda pode adquirir camisetas e copos estilizados da marca pertencente ao Grupo Heineken. Toda a verba arrecadada será direcionada para as ONGs de adoção de cães parceiras da Lagunitas: Amigos de São Francisco e Natureza em Forma. Na edição passada mais de R$ 10 mil foram levantados para estas instituições.

“Nosso intuito é celebrar esta data com as pessoas que curtem tomar uma boa cerveja e também compartilhar, com leveza e bom-humor, um pouco mais de conhecimento a respeito do estilo IPA, um dos mais amados do mundo”, comenta Lucas Pires, gerente de marketing de Lagunitas no Brasil. “Se divirta curtindo a vibe californiana e leve as suas Lagunitas para casa.”

Como participar
Para participar da ação e retirar as cervejas será preciso realizar um cadastro no início da experiência. O acesso ao drive-thru é permitido apenas para maiores de 18 anos. Já menores de idade não podem entrar, mesmo acompanhados por seus responsáveis.

Cada pessoa receberá duas long necks lacradas e em temperatura ambiente, para que sejam consumidas em casa, estando sujeitas de acordo com a disponibilidade de estoque.

Em nova ação contra a Covid, Ambev doa caixas térmicas para transporte de vacinas

A fábrica da Ambev em Cachoeiras de Macacu, na Serra Fluminense, anunciou que doará cem caixas térmicas para utilização no transporte de vacinas pelos municípios de Guapimirim e Cachoeiras de Macacu. A ação da companhia é mais uma na série de iniciativas realizadas nos últimos meses em prol da imunização contra a Covid-19.

As caixas térmicas foram adaptadas pela cervejaria com um termômetro para controle de temperatura das vacinas. Assim, os recipientes auxiliam no transporte e armazenamento dos imunizantes.

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“A Ambev sempre foi uma grande parceira da população de Guapimirim e Macacu. É uma honra ajudar com mais essa doação, pois sabemos a luta diária de todos no enfrentamento da pandemia”, destaca Rodrigo Perim, gerente fabril da Ambev em Cachoeiras de Macacu, unidade que integra a Rota RJ.

Em cerimônia nos gabinetes dos prefeitos Rafael Miranda, de Cachoeiras de Macacu, e Marina do Modelo, de Guapimirim, a Ambev fez a entrega simbólica das caixas térmicas, sendo 50 para cada cidade. 

Atuação na pandemia
Desde que a pandemia da Covid-19 começou no Brasil, em meados de março de 2020, a Ambev fez uma série de ações no combate ao vírus. Em maio de 2020, por exemplo, realizou uma importante iniciativa em relação aos problemas sociais e econômicos provocados pelo coronavírus.

Com apoio da Central Única das Favelas (Cufa), a companhia doou mais de 1,4 milhão de litros de água potável para 140 comunidades de São Paulo e Rio de Janeiro. A quantidade equivale a 700 mil garrafas de 2 litros, sendo suficiente para ajudar cerca de 240 mil pessoas em regiões periféricas com estrutura precária de saneamento e acesso à água potável, segundo relatou a marca na época.

Já em agosto, a cervejaria se juntou a um grupo de companhias em uma doação de R$ 100 milhões para a construção de um laboratório de controle de qualidade, com a adequação do parque fabril do instituto Bio-Manguinhos, da Fiocruz. 

No ano passado a empresa também anunciou que a fábrica da Colorado, em Ribeirão Preto, havia sido escolhida para produção de oxigênio e seu envase em cilindros, em iniciativa realizada para ajudar no tratamento de pessoas infectadas pelo coronavírus no estado de São Paulo. As estimativas eram que a fábrica atenderia até 166 pessoas por dia, com capacidade para produzir até 120 cilindros de 10m³ por dia. A ação aconteceu em um momento dramático da Covid-19 no Brasil, com falta de insumos básicos.

Artigo: A vacinação e a retomada dos eventos

*Por Develon da Rocha

Entre os segmentos mais impactados pela crise instaurada pela pandemia da Covid-19, o setor de turismo e eventos segue atento ao calendário de vacinação nacional. A imunização da população é a chave para a realização de festivais, feiras, congressos e concursos com presença do público e garante a retomada econômica.

Pelo mundo, o retorno das atividades presenciais acontece conforme a aplicação das doses. Nos Estados Unidos, algumas cidades já dispensaram o uso da máscara em locais abertos e, graças ao retorno das conferências presenciais, as viagens de negócios voltaram a acontecer bem mais cedo do que o previsto. Ótima notícia para hotéis e companhias aéreas, que dependem das agendas corporativas. 

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São Paulo planeja cerca de 50 eventos-teste para o segundo semestre de 2021. Com normas sanitárias rígidas, exigência de vacinação e testagem dos participantes, além de acompanhamento pós-evento, o estado dá um novo passo para o restabelecimento do setor.

Santa Catarina também tem cinco eventos-teste programados para breve e, no que depender das iniciativas da Associação Blumenauense de Turismo, Cultura e Eventos (Ablutec) – e outras entidades parceiras -, também estará preparado. Atividades comemorativas no calendário oficial de Blumenau estão confirmadas para março de 2022, como a realização do Festival Brasileiro da Cerveja, em paralelo com a Feira Nacional e o Concurso Brasileiro de Cervejas, além do inédito Congresso Internacional da Cerveja.

A última edição do festival, o maior do setor no país, ocorreu em 2020, pouco antes do início do isolamento social. Com a edição seguinte marcada inicialmente para março de 2021, o avanço da contaminação adiou a sua realização para o próximo ano.

Com o mercado de entretenimento estagnado, a Ablutec precisou ser eficiente na elaboração de estratégias que mantivessem a categoria esperançosa e com receita para chegar até o cenário pós-pandêmico.

Para isso, se inspirou nos melhores exemplos de cidades, estados e países. Aliou criatividade e tecnologia e, seguindo dezenas de decretos e protocolos de isolamento social, realizou e apoiou ações digitais e híbridas do trade. Agora, segue estruturada para o retorno consciente dos eventos, dentro das normas de segurança sanitária estabelecidas. A cada dose aplicada, toda a cadeia produtiva de turismo e eventos recebe uma injeção de ânimo para a retomada econômica.


*Develon da Rocha é presidente da Associação Blumenauense de Turismo, Cultura e Eventos (Ablutec

Mesmo com queda em junho, produção de alcoólicas cresce 10,7% no 1º semestre

A produção de bebidas alcoólicas terminou o primeiro semestre com um saldo positivo de 10,7%. Foi o que apontou a Pesquisa Industrial Mensal, divulgada pelo IBGE nesta quarta-feira. Já nos últimos 12 meses, o indicador também está positivo em 11%.

Porém, em junho, a fabricação de bebidas alcoólicas apresentou uma queda de 13,3% em relação ao mesmo período do ano anterior, inserindo-se em um contexto de estagnação da produção industrial brasileira.

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Afinal, houve variação nula (0,0%) em junho, após crescimento de 1,4% no mês anterior. Apesar da estabilidade, três das quatro grandes categorias econômicas e a maior parte – 14 –  das 26 atividades investigadas sofreram queda no sexto mês de 2021, segundo o IBGE. E, no acumulado do primeiro semestre, a produção industrial teve expansão de 12,9%.

“Com essa variação nula em junho, o setor permanece no patamar pré-crise, mas no resultado desse mês observa-se uma predominância de taxas negativas entre as atividades industriais”, explica André Macedo, gerente da pesquisa do IBGE

“Há, no setor industrial, uma série de adversidades por conta da necessidade das medidas de restrição, como a redução do ritmo produtivo, a dificuldade de obtenção de matérias-primas e o aumento dos custos de produção. Pelo lado da demanda, ou seja, observando a economia como um todo, há também uma taxa de desocupação alta, o que traz uma consequência para a massa de salários. São fatores que não são recentes, mas ajudam a explicar esse comportamento da produção industrial”, acrescenta Macedo.

Já a categoria de bebidas não alcoólicas apresentou crescimento no mês de junho: o salto foi de 7,1% em relação ao mesmo período de 2020. O desempenho fez o segmento passar a registrar expansão de 12,2% no acumulado do ano. Já no somatório dos últimos 12 meses, o indicador também está positivo, em 11,1%.

No geral, a produção de bebidas registrou queda de 4,3% em junho quando comparado ao mesmo período de 2020. E o indicador acumulado do primeiro semestre apontou crescimento de 11,4%. Com o resultado, o segmento registrou um saldo também positivo nos últimos 12 meses, em 11%.