Iniciada às 16h21 desta quarta-feira no Hemisfério Sul, a primavera veio com um presente para quem gosta de cerveja. Afinal, a chegada da estação das flores foi celebrada com o lançamento de uma Belgian Indian Pale Ale, a Elixir de Flora, um rótulo colaborativo feito entre a ZEV e a Soma.
A cerveja criada especialmente para a primavera tem 8,5% de graduação alcoólica. E, de acordo com o descritivo divulgado pelas marcas, a Elixir de Flora é de cor dourada, com espuma branca e cremosa. No aroma, ainda, possui notas herbais e florais que encontram composição com sabores de malte e leve condimentado fenólico, proveniente da levedura belga e da citricidade do lúpulo Amarillo.
“O novo rótulo é uma cerveja envolvente e refrescante, como os campos floridos de primavera. Um verdadeiro néctar dos deuses para beber e se deliciar na estação das cores e das flores”, destaca a Soma Cervejaria, no material de divulgação do rótulo feito em parceria com a ZEV para celebrar a primavera.
A festejada estação da Primavera, que costuma ser marcada por temperaturas mais amenas e aumento da umidade relativa do ar no Brasil, ganhou, então, uma nova colaborativa, fruto da união entre a cervejaria de Suzano (SP) e o brewpub paulistano.
A Elixir da Flora foi envasada em latas de 473ml e também está disponível em chope desde o início da primavera, que irá até 21 de dezembro, precedendo o verão.
A construção de uma fábrica pelo Grupo Heineken em Pedro Leopoldo (MG) está embargada. A decisão foi tomada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), órgão vinculado ao Ministério do Meio Ambiente, por causa das ameaças ao sítio arqueológico existente na localidade.
Para o ICMBio, há risco de soterramento do complexo de cavernas e grutas do sítio arqueológico Lapa Vermelha. Uma delas, a Lapa Vermelha IV, é o local onde foi encontrado o crânio de Luzia, o fóssil humano mais antigo das Américas. O instituto também vê com preocupação o plano do Grupo Heineken de bombear 150 metros cúbicos de água por hora de dois poços na região, o que causaria impacto relevante nos lençóis freáticos e nas cavernas do Cipó, Fedo e Nei.
Na visão do ICMBio, o risco geológico impede o avanço da obra da fábrica da Heineken sem realização de estudos mais aprofundados, incluindo os dos efeitos da sua atividade nos lençóis freáticos.
Segundo a Heineken, no local onde seria instalada a sua fábrica, a companhia recebeu a visita do ICMBio em 10 de setembro. A partir desse encontro, ela paralisou as obras no local, que estavam em fase de terraplanagem. Foi o que afirmou o grupo cervejeiro em nota enviada à reportagem do Guia.
“No dia 10 de setembro de 2021, a empresa recebeu a equipe do ICMBio no terreno de sua futura cervejaria em Pedro Leopoldo (MG). Nessa ocasião, a equipe expôs seu ponto de vista acerca da licença concedida em 24 de agosto de 2021 pela autoridade ambiental do estado de Minas Gerais e a necessidade de paralisação do trabalho de terraplanagem. A Heineken imediatamente suspendeu a atividade no local e se colocou mais uma vez à disposição de todos os órgãos envolvidos”, afirma a Heineken.
A companhia também assegura que está em contato com as autoridades do ICMBio e da Secretaria de Estado de Meio Ambiente de Minas Gerais (Semad/MG) para tratar dos próximos passos do embargo à obra.
O ICMBio, em nota oficial enviada à reportagem do Guia, confirmou o embargo, além de explicar que uma audiência sobre o caso foi marcada para 9 de outubro. “O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) informa que houve auto de infração e embargo, com audiência marcada para 9/10. A motivação da ação foi a instalação de indústria na Zona de Conservação do Desenvolvimento Industrial (ZCDUI) da APA Carste de Lagoa Santa.”
Na sala de conciliação, então, caso haja a apresentação de estudos e documentos necessários, a obra de construção da fábrica da Heineken em Pedro Leopoldo poderá ser retomada, como explicou o instituto.
“Os autos serão encaminhados para a sala de conciliação. Caso o empreendimento se adeque ao que determina o Plano de Manejo, apresentando estudos e as informações necessárias, a obra poderá ser retomada. As questões sobre o licenciamento podem ser acompanhadas, tendo em vista que essas informações são públicas”, acrescenta o instituto.
Antes da decisão do ICMBio, o Grupo Heineken havia obtido licença ambiental do governo de Minas Gerais para a realização da obra de construção da fábrica. A companhia lembra, em nota oficial, que fez em abril um pedido de licença ambiental junto à Semad/MG.
“A Heineken Brasil deu entrada, perante a Semad/MG, no pedido de licença ambiental para a construção de sua cervejaria em abril de 2021. Durante o processo forneceu todos os documentos, dados e estudos técnicos necessários à obtenção da licença, a qual foi concedida pela autoridade ambiental e depois referendada pelo Conselho Estadual de Política Ambiental (Copam)”, relata a Heineken.
A fábrica A obra de construção da fábrica do Grupo Heineken em Pedro Leopoldo havia sido anunciada em fevereiro e seria a primeira da cervejaria em Minas Gerais, onde a companhia já possuía centros de distribuição e logística em Contagem e em Poços de Caldas, onde o seu nível de estocagem foi triplicado. A planta industrial teria capacidade para produzir 760 milhões de litros por ano. E, de acordo com anúncio do governo mineiro, o investimento na obra seria de R$ 1,8 bilhão.
A fábrica prevista para Minas Gerais é a 16ª da companhia no país e pode ser considerada, de fato, a primeira do Grupo Heineken a ser construída pela própria empresa, pois as demais foram incorporadas com a aquisição da Brasil Kirin em 2017.
“A localização é estratégica para a companhia, uma vez que a região Sudeste é extremamente importante para o crescimento das categorias premium e mainstream”, afirmou o presidente do Grupo Heineken no Brasil, Maurício Giamellaro, quando do anúncio pelo governo de Minas Gerais da obra de construção da fábrica.
A edição 2021 do World Beer Awards reconheceu a qualidade da cerveja brasileira. Foram nove rótulos premiados em um dos principais concursos internacionais, sendo que três deles foram conquistados por marcas artesanais não totalmente ligadas a grandes grupos. São os casos da mineira Albanos, da catarinense Lohn Bier e da gaúcha Leopoldina.
Vindas de três estados diferentes, as marcas celebram o reconhecimento como o resultado do planejamento, paciência, união, resiliência, pioneirismo e aperfeiçoamento da atuação dentro do setor. Esses são alguns dos “segredos” revelados por essas cervejarias artesanais para alcançarem as premiações no World Beer Awards.
Em entrevistas ao Guia, representantes da Albanos, Leopoldina e Lohn Bier contaram detalhes sobre os rótulos premiados e a importância do reconhecimento de um dos mais importantes concursos do setor no mundo. A premiação acontece anualmente em Londres e reúne rótulos do mundo inteiro disputando suas colocações em diversas categorias.
As bebidas são escolhidas por criteriosos juízes e especialistas no mercado, baseadas em características sensoriais de cada uma. Além disso, o World Beer Awards envolve cervejarias de todos os tamanhos, das grandes indústrias até as artesanais.
Nos 25 anos da Albanos, prêmio para a criatividade do hub Com 25 anos completados em maio, a Albanos conseguiu receber um outro presente em setembro. A marca de Belo Horizonte, afinal, foi premiada como a melhor Oub Bruin pelo World Beer Awards com a Acidentally Sour Brown. O rótulo é uma Brown Ale, cerveja do estilo belga, sendo maltada, frutada e envelhecida em barris, além de levemente ácida.
De acordo com Pablo Carvalho, mestre-cervejeiro da Albanos, foi preciso planejamento e paciência em todos os processos – sempre cuidadosamente pensados – na fabricação dessa cerveja. “Essa acidez é proveniente de um processo de refermentação com uma cultura mista de leveduras e bactérias selecionadas em laboratório. Nossa cerveja, após refermentar e envelhecer até o ponto desejado, é então ‘blendada’ com uma versão mais jovem da mesma cerveja para equilibrar os níveis de acidez, sabor maltado, corpo e outras características.”
Para chegar ao resultado final, foi necessário acompanhamento constante da evolução da cerveja nos barris de madeira para que nenhum atributo se sobrepusesse aos demais. “Apesar da brincadeira com o nome da cerveja, Accidentally Sour, posso garantir que não teve nada de acidental durante sua produção”, conta Pablo.
A Accidentally Sour Brown faz parte de um desejo antigo da Albanos de produzir cervejas que envelhecem em barris de madeira e de um projeto que envolve uma série de experimentos que, em breve, estarão no mercado e vêm sendo desenvolvidos no hub cervejeiro da marca.
Da mesma série, a Acidentally Sour, a Flanders Red Ale levou a prata na premiação nacional do World Beer Awards. Já a Pumpkin Ale levou o bronze na categoria Flavoured/Wild Sour. A Albanos ainda foi premiada com a Life Lager, medalha de bronze na categoria Lager/Light.
Pioneirismo leva Leopoldina ao prêmio O mestre-cervejeiro da Leopoldina, Rodrigo Veronese, avalia que o pioneirismo de apostar em um estilo e o aperfeiçoamento foram as principais razões para a marca ganhar na categoria de Melhor Speciality Brut com a Italian Grape Ale. Este estilo de cerveja nasceu na Itália e leva em sua elaboração mostos de uva, que podem chegar a até 50% da composição do produto. “A Leopoldina é uma das pioneiras no Brasil na produção da Italian Grape Ale. Demos início ao projeto da Italian Grape Ale há 5 anos. Mas a comercialização começou somente em meados de junho de 2020.”
Ainda sobre o rótulo vencedor, o mestre-cervejeiro destaca que a Italian Grape Ale Leopoldina é feita com as uvas Chardonnay do Vale dos Vinhedos, as mesmas usadas na elaboração de vinhos e base para espumantes da Casa Valduga. “Para produzir a Italian Grape Ale normalmente demoramos cerca de 6 meses até o produto final. A segunda fermentação acontece na garrafa, como é feito nos espumantes pelo método champenoise, por exemplo”, detalha Rodrigo.
Na fase nacional do World Beer Awards, além do ouro que levou a Italian Grape Ale para a etapa mundial, a Leopoldina também recebeu outras duas medalhas: ouro para a Tripel e bronze para a Imperial Stout.
Resiliência para fabricar a melhor Wheat Beer Na Lohn Bier, a união e a resiliência marcaram o desenvolvimento da American Wheat Wine, vencedora da categoria Melhor American Style Wheat Beer no World Beer Awards. Segundo os seus criadores, é uma cerveja intensa, licorosa, alcoólica e maltada, contendo também em sua base uma parte de trigo.
Cervejeiro e sommelier da Lohn Bier, Richard Westphal Brighenti destaca que a cerveja foi criada em um momento complicado da história, com a atual crise sanitária. “Essa cerveja representa nossa paixão em fazer cerveja! A American Wheat Wine precisou maturar por um longo tempo e, no mesmo período, nós também estávamos em fase de maturação. A união e a resiliência da nossa equipe mesmo em um tempo tão difícil como foi a pandemia nos trouxe esta importante conquista.”
O reconhecimento Inaugurada em 2014 e localizada em Lauro Müller (SC), a Lohn Bier tem participado do World Beer Awards desde 2016. Nesta edição, além da American Wheat Wine, ouro nas etapas brasileira e mundial, ganhou outras duas medalhas na etapa nacional, com o ouro da Carvoeira e o bronze da Catharina Sour com Café e Framboesa. “Os prêmios revelam o quanto estamos trabalhando com assiduidade e padrão”, completa Richard.
Para Rodrigo Ferraz, diretor da Albanos, a conquista do prêmio dado pelo World Beer Awards referenda o trabalho desenvolvido pela cervejaria de Belo Horizonte dentro do mercado nacional de artesanais e a criatividade do mestre-cervejeiro Pablo Carvalho. “Nos chancela, nos coloca na lista das poucas cervejarias brasileiras que já conquistaram esse prêmio. Ser eleita a melhor cerveja do mundo, em uma categoria tão específica, nos posiciona como referência no mercado nacional e internacional, dada a importância desse prêmio no mundo inteiro.”
Marca do Grupo Famiglia Valduga, a Leopoldina completa cinco anos em 2021, celebração que torna o título ainda mais especial. “É a primeira vez que ganhamos esse prêmio na disputa mundial, o que nos enche de orgulho e mostra toda a nossa expertise em elaborar produtos de qualidade”, finaliza Rodrigo Veronese.
O World Beer Awards 2021 Neste ano, as cervejas brasileiras receberam nove premiações, um resultado melhor do que o do ano passado, quando seis rótulos do país tiveram o reconhecimento em seus respectivos estilos. E o Canadá foi o país com mais ouros: 17.
Além disso, dos dez grupos de estilos premiados, o Brasil só não foi reconhecido em três: Dark Beer, Flavoured Beer, No & Low Alcohol e Stout & Porter. Em compensação, foram três premiadas no grupo Sour & Wild Beer, de cervejas consideras mais ácidas: Colorado Catharina Toca, Wäls Fruit Lambic e Albanos Accidentally Sour Brown.
Confira a lista de todas as cervejas brasileiras destacadas como melhores do mundo no seu estilo pelo World Beer Awards (no link, as premiadas na etapa nacional):
Melhor IPA English Style: Colorado Indica Melhor IPA Session: Midway, da Goose Island Melhor International Lager: Brahma Chopp Melhor Pale Bière De Garde / Saison: 42, da Wäls Melhor Berliner Weisse: Catharina Toca, da Colorado Melhor Fruit Lambic: Fruit Lambic, da Wäls Melhor Oud Bruin: Accidentally Sour – Brown, da Albanos Melhor Speciality Brut: Italian Grape Ale, da Leopoldina Melhor American Style Wheat Beer: American Wheat Wine, da Lohn Bier
Marcas que fazem parte do grupo da Cervejaria Santa Catarina, Saint Bier e Barco realizaram lançamentos nos últimos dias, embora seguindo por caminhos e estilos bem diferentes. Afinal, enquanto a Saint Bier optou pela complexidade de uma Belgian Dubbel, a Barco apresentou uma Lager, já pensando na proximidade do verão.
De Forquilhinha (SC), a Saint Bier produziu um lote especial da Belgian Dubbel, um estilo originário das mãos de monges trapistas na Idade Média, depois tendo a sua produção retomada no século XIX, na sequência da Era Napoleônica.
Complexo, esse tipo de cerveja necessita de um processo lento e cuidadoso de produção. Assim, para a sua fabricação, a Dubbel Saint Bier chegou a precisar de 46 dias entre a fermentação e a maturação.
Desse cuidadoso trabalho desenvolvido pela Saint Bier, resultou uma cerveja de coloração cobre profundo com sabores maltados, bem como ésteres de frutas escuras e toque amendoado. É encorpada e ainda possui 7% de graduação alcoólica, segundo a descrição divulgada.
Lager da Barco A Barco, por sua vez, já mirando o próximo verão, foi por um caminho praticamente oposto ao da parceira de grupo, com a qual divide um parque industrial em Forquilhinha. Com o intuito de ampliar o seu portfólio, a marca lançou uma Lager, cerveja que tradicionalmente é suave, refrescante e fácil de beber.
A novidade apresenta coloração âmbar claro, com leve turbidez, segundo a descrição divulgada pelo grupo. A Barco Lager ainda tem sutil amargor e a presença dos lúpulos cítricos e florais do aroma. A cerveja foi lançada em garrafas de 600ml, mas em breve também estará disponível na versão long neck.
A Barco Lager já está disponível na loja virtual das marcas da Cerveja Santa Catarina, assim como a Dubbel Saint Bier.
A Samuel Adams vai lançar no dia 11 de outubro, nos Estados Unidos, a edição 2021 da cerveja Utopias com características que a tornam única e cobiçada. Elas envolvem a sua elevada graduação alcoólica e uma produção cuidadosa, mas também a sua missão envolvendo um inédito voo espacial.
A novidade da Samuel Adams tem, inclusive, características proibitivas para alguns consumidores. O lançamento, afinal, envelhecido em barris, tem 28% de graduação alcoólica, um índice que não é permitido em 15 estados dos EUA.
A cerveja, assim, não pode ser comprada e consumida no Alabama, Arkansas, Carolina do Norte, Carolina do Sul, Geórgia, Idaho, Missouri, Mississippi, Montana, New Hampshire, Oklahoma, Oregon, Utah, Vermont e West Virginia.
A safra 2021 da Utopias é a cerveja oficial do Inspiration4, voo espacial lançado na última quinta-feira (16). A missão teve três dias de duração e foi a primeira realizada somente com pessoas comuns, tendo sido operada pela SpaceX. E o lançamento da Samuel Adams também é revestido de uma iniciativa de caridade.
A garrafa número 1 da limitada produção será leiloada, vindo com a assinatura de Jim Koch, considerado o pai do movimento das artesanais nos Estados Unidos, além de presidente da Boston Beer Company, que produz as cervejas da Samuel Adams. Terá, também, as assinaturas dos integrantes do Inspiration4.
Além da cerveja, o vencedor do leilão terá direito a uma passagem aérea de ida e volta para si e um acompanhante para Boston, uma visita à fábrica da Samuel Adams e uma estadia de duas noites em um hotel na cidade. Até a conclusão da matéria, o maior entre os 22 lances dados pela garrafa tinha o valor de US$ 4.500 (R$ 24 mil).
E o leilão é importante para a promessa da Samuel Adams de doar até US$ 100 mil (aproximadamente R$ 533 mil) para a missão do voo espacial de angariar fundos para pesquisas de câncer ósseo pediátrico do St. Jude Children’s Research Hospital, de Memphis.
A cerveja A Utopias foi produzida com 2 mil libras (aproximadamente 907 gramas) da cereja Balaton, que é azeda, nativa da Hungria e hoje também cultivada no estado do Michigan. É composta pela mistura de vários lotes de cervejas extremas da Samuel Adams, algumas mantidas em reserva apenas para este lançamento, em uma tradição de quase três décadas, envelhecendo em tonéis de bourbon de madeira.
Os cervejeiros terminam o blend com uma combinação de barris de Carcavelos, da Madeira, de Porto Ruby e de Oloroso. Além disso, neste ano, pela primeira vez, os profissionais da Samuel Adams envelheceram uma parte do blend em barris de carvalho francês Sauternes.
Com tantos cuidados e detalhes em sua produção, a versão 2021 da Utopias pode não ser das mais acessíveis – e não apenas nos estados em que a sua graduação alcoólica é proibida. Afinal, o preço sugerido pela Samuel Adams por cada uma das garrafas de 750ml é de US$ 240 (R$ 1.278).
“Fomos pioneiros no envelhecimento em barril e no processo de mistura de Utopias há quase trinta anos e continuamos essa tradição consagrada pelo tempo até hoje”, comenta Jim Koch sobre a cobiçada cerveja, enaltecendo o seu longo e meticuloso processo de produção e envelhecimento.
“Desde a introdução de Utopias em 2002, os cervejeiros têm explorado um território desconhecido com cada cerveja, experimentando diferentes tipos de barris de envelhecimento, novos sabores e diferentes técnicas de mistura. O resultado é sempre especial, empolgante e vale a pena esperar”, conclui Koch.
Cerca de um mês após a aquisição da Therezópolis por duas das suas engarrafadoras, o Sistema Coca-Cola fez nova ação no mercado cervejeiro nacional: passará a ser a responsável pela distribuição da Estrella Galicia no país após fechar um acordo com a marca espanhola. Em comunicado, o grupo reforçou o foco na ampliação do seu portfólio de cervejas premium.
“O Sistema Coca-Cola no Brasil informa que assinou um contrato de distribuição com a cervejaria Estrella Galicia. Este acordo faz parte da estratégia de longo prazo para complementar o portfólio de cervejas premium no Brasil”, anunciou a companhia.
No primeiro semestre de 2021, a Coca-Cola passou por uma reformulação na sua distribuição de cervejas no Brasil. Em acordo com o Grupo Heineken, deixou de ser a responsável pelas entregas de duas das principais marcas da companhia no país, a Heineken e a Amstel.
Porém, seguiu realizando a distribuição das duas marcas mais econômicas, a Kaiser e a Bavaria, além da Eisenbahn e da Tiger, que recentemente foi lançada no país pelo Grupo Heineken. Em agosto, então, duas das principais engarrafadoras da Coca-Cola – a Femsa e a Andina – haviam adquirido a Therezopolis, que, até então, fazia parte do grupo Arbor Brasil.
Agora, em novo passo no setor cervejeiro do Brasil e, mais especificamente, entre as marcas premium, fechou acordo de distribuição da Estrella Galicia. A marca espanhola é uma empresa familiar, tendo sido fundada em 1906. E hoje está sob administração de Ignacio Rivera, membro da quarta geração da família Rivera.
A cervejaria é considerada a líder do segmento premium na Espanha e possui cinco rótulos: Estrella Galicia, Estrella Galicia 0,0% (versão sem álcool), 1906 Reserva Especial, 1906 Red Vintage e 1906 Black Coupage.
Como a Estrella Galicia ainda não possui uma fábrica própria no Brasil, o acordo firmado com o Sistema Coca-Cola aumenta a expectativa para a expansão das suas atividades no país, com a intenção de aproveitar o potencial da sua parceira. A planta industrial deve ser em Araraquara (SP), cidade onde a própria Coca-Cola já está instalada.
No Brasil, com a sua 0.0, a Estrella Galicia chegou a ser patrocinadora do Corinthians e firmou no ano passado acordo com a Portuguesa. Repetiu, assim, a sua tradição de associação ao esporte, como acontece na Fórmula 1, sendo parceira da Ferrari e do piloto espanhol Carlos Sainz. No seu país, também já patrocinou Deportivo La Coruña e Celta de Vigo, assim como a série La Casa de Papel, sucesso da Netflix.
Responsável pela conservação da qualidade da cerveja, proporcionando uma quantidade específica de gás carbônico, a carbonatação é uma das etapas fundamentais no processo de fabricação da bebida. Com o intuito de tornar mais fácil, ágil e econômico esse processo, determinante para a definição do perfil sensorial de uma cerveja, a Porofil desenvolveu um carbonatador que contribui para a dispersão do gás, sendo mais funcional pela facilidade de utilização e pela sua adaptabilidade.
E, segundo Nelson Karsokas Filho, sócio-proprietário da empresa, a ideia para a nova linha de carbonatadores da Porofil veio de fora do país.
“Com a inspiração de uma tecnologia alemã, desenvolvemos uma linha de carbonatadores específicos, com o processo de injeção, incorporação e mistura sendo realizado dentro de uma peça blindada feita de acordo com as características da linha do cervejeiro. A peça recebida torna-se ‘plug and play’: conectou na tubulação, está pronta para uso”, explica Nelson.
O equipamento tem inúmeras vantagens para a realização da aeração e da carbonatação por uma cervejaria pela simplicidade da operação da sua peça única, que pode ser acoplada em um sistema já existente, conforme acrescenta o sócio da Porofil. Assim, os processos químicos da carbonatação podem ser feitos em linha e por recirculação.
Está pronta para uso e não depende de montagem e desmontagem complexas. Isso inclusive favorece o uso de um mesmo dispositivo em diversos tanques dentro de uma mesma cervejaria
Nelson Karsokas Filho, sócio-proprietário da Porofil
Nelson também assegura que a nova linha busca tornar o processo de carbonatação mais rápido e econômico, pois há incorporação e homogeneização em uma única etapa. E garante que a peça tem risco reduzido de troca. “Por ser um sistema blindado, o risco de quebra ou danos aos elementos porosos é reduzido, de maneira que a vida útil do produto é maximizada.”
A Porofil, segundo ele, também se preocupa em fornecer soluções para diferentes tipos de clientes. Por isso, a sua linha de carbonatadores tem opções para grandes cervejarias, pequenas e até mesmo para os caseiros, variando de acordo com o dimensionamento necessário para o processo, que também depende de outras variantes, como o estilo da bebida a ser fabricada.
“O carbonatador Porofil é projetado conforme o fluxo do processo e é normalmente usado por micro e cervejarias de grande porte, com nossa linha padrão possuindo carbonatadores de 1 a 10m3/h com conexões Din, SMS e TC. Para os caseiros, temos pedras menores com conexões roscadas ou espigões, de maneira que conseguimos atender todas as necessidades, independentemente do tamanho do processo”, explica Nelson, destacando que a solução é construída de acordo com a demanda do cervejeiro.
Para ele, além de contarem com um equipamento adequado, as empresas também precisam realizar uma análise de todo o sistema para entender como a carbonatação pode se tornar mais eficiente. “O segredo é avaliar as necessidades, o tamanho da peça, a porosidade e o posicionamento delas no processo, seja em linha ou em tanque”, conclui o sócio da Porofil.
O fim de novembro no mercado cervejeiro virá com oportunidades de incremento do setor a partir de avaliações e acesso ao conhecimento. Afinal, será no penúltimo mês de 2021 que o Science of Beer Institute irá organizar o Brasil Beer Cup e o Beer Summit, eventos que funcionam como uma extensão um do outro.
“O julgamento de cervejas entrega avaliação sensorial qualificada para as cervejarias, servindo como uma ferramenta de estudo e monitoramento para os juízes. O congresso leva conhecimento cervejeiro para todo o setor, pois a divisão em trilhas segmentadas em diversas áreas do mercado proporciona que toda a cadeia seja contemplada. O congresso funciona como uma extensão do concurso, oportunizando acesso ao conhecimento através das palestras e falas de grandes referências do mercado”, explica Amanda Reitenbach, CEO do Science of Beer, ao Guia.
O Brasil Beer Cup vai ocorrer de 21 a 24 de novembro, em Florianópolis, tendo curadoria do Science of Beer. E o concurso está com pré-inscrições abertas até o próximo sábado (25), com o valor promocional de R$ 230 por amostra. Depois da data, o preço será de R$ 290.
Podem se inscrever cervejarias comerciais de todos os portes da América Latina, assim como cervejeiros caseiros, que devem submeter suas criações do estilo Catharina Sour para avaliação e julgamento. O pré-cadastro, que fornece um voucher para posterior inscrição no sistema oficial, pode ser feito através do link, com o edital disponível no site do concurso.
Nesta edição, o Brasil Beer Cup terá um diferencial em relação a outros concursos cervejeiros: um software, o Beer Sensory, vai ser utilizado para avaliação das cervejas inscritas a partir de metodologias de análise sensorial, dando mais credibilidade e equidade ao julgamento.
O Brasil Beer Cup será o primeiro concurso internacional a utilizar a análise sensorial como ferramenta de monitoramento do painel, contando com um time de analistas sensoriais com doutorado na área. Assim, confirmamos que a ciência e tecnologia contribuem para garantir feedbacks mais qualificados e constante acompanhamento e evolução dos jurados
Amanda Reitenbach, CEO do Science of Beer
Beer Summit Assim como em 2020, quando ocorreu a sua primeira edição, o Beer Summit será novamente online e está marcado inicialmente para os dias 29 e 30 de novembro. E é da experiência de uma edição anterior que a organização espera tirar ensinamentos – a partir do interesse exibido pelos participantes – para organizar a lista de convidados e os temas a serem debatidos nas trilhas segmentadas em 2021, formato do ano passado e que agora se repetirá.
“Baseado na experiência e feedbacks da última edição, estamos focando nos conteúdos que tiveram mais interesse e procura, tornando os temas muito mais atrativos”, antecipa a CEO do Science of Beer.
Em 2021, o Beer Summit vai contar com palestrantes de cinco continentes, com transmissão online e para todos os países. A ideia é promover, a partir da troca de experiências, a divulgação de conhecimento entre os diversos atores do setor cervejeiro em um período que, espera-se, será de retomada.
E, como detalha Amanda, o público terá acesso pelas duas semanas seguintes aos vídeos das apresentações do evento. “As palestras ficarão gravadas e disponíveis por mais 15 dias, para que todos possam ter acesso e revisar os conteúdos de maior interesse.”
A semana das artesanais teve várias novidades envolvendo marcas e estabelecimentos de diferentes cervejarias. Na área de eventos, a Temporada Sabores e Cervejas, realizada pela Associação Cozinha da Mantiqueira, promete agitar Campos do Jordão (SP) até o fim de outubro. Entre as marcas, por sua vez, a Van der Ale agora passa a ter uma loja com várias atrações no bairro da Mooca, em São Paulo. E, em Petrópolis (RJ), a Sampler incrementou as atividades na sua brewhouse.
Por outro lado, a segunda edição do BCB São Paulo, importante evento de bebidas destiladas premium, optou por adiar o seu encontro presencial, agora remarcado para acontecer apenas em 2022.
Confira estas e outras novidades do setor no Menu Degustação do Guia:
Drunkstore da Van der Ale A Van der Ale anunciou a inauguração de uma VDA Drunkstore na zona leste de São Paulo, na Mooca. O endereço onde fica a fábrica passará a funcionar como um showroom para exposição, degustação e venda dos produtos da marca. Em breve, também irá oferecer cursos e oficinas com foco na propagação da cultura cervejeira. O intuito é, segundo a Van der Ale, popularizar o segmento e fomentar esse tipo de produção, apresentando-se como cervejaria e espaço de ideias. O imóvel em que está instalada a cervejaria e destilaria possui 150 m² e tem capacidade para receber até 15 pessoas, observando os protocolos de distanciamento. A casa abriga, hoje, uma mini fábrica de cerveja com capacidade para produzir 800 litros por mês e um pequeno alambique de onde pingam em torno de 25 litros de destilados sortidos.
Mais atrações da Sampler A cervejaria Sampler, integrante da Rota RJ, está com novidades na sua brewhouse: todas as quartas-feiras vai ter Dose Dupla com chope de 300ml da Vila de Secretário. Já a quinta-feira terá o Growler Day. A Sampler Brew House fica no centro de Petrópolis e conta com 13 torneiras, que servem de laboratório para a própria marca e recebem também rótulos de cervejarias parceiras.
Humorista da Everbrew O humorista Rodrigo Marques esteve em Santos para uma visita à obra da fábrica da Everbrew e oficializou sua posição como embaixador da marca. Com o acordo, Rodrigo passa a ser também integrante e apoiador do crowdfunding que está viabilizando as obras da fábrica na região do Mercadão. Em breve, ele também lançará uma linha de cervejas exclusiva junto à marca. O crowdfunding da Everbrew vai até 10 de outubro e possui a meta de arrecadar R$ 1 milhão, já tendo alcançado 86% deste valor.
Slod em expansão A cervejaria Slod anunciou que, nos primeiros três anos no mercado, já triplicou seu número de funcionários, obteve um crescimento relevante na pandemia e passou a capacidade de produção de 20 mil litros por mês para 100 mil litros – o crescimento previsto para 2021 é de 108%. Com nove rótulos nas prateleiras, a Slod tem planos audaciosos para os próximos meses, com o lançamento de mais cervejas e a ampliação da planta industrial, prevista para novembro.
Campanha da Itaipava A nova campanha da Itaipava, que começou a ser veiculada em TV aberta, conta com a participação de dois colaboradores da marca: um motorista e um ajudante de distribuição. A iniciativa abre a campanha de pré-verão da principal marca do Grupo Petrópolis e teve os participantes selecionados entre candidatos que trabalham em Salvador.
“Queremos homenagear os nossos colaboradores, que são tão importantes no dia a dia da cervejaria. Pensamos em uma campanha que desse protagonismo a eles, além, é claro, de ‘abrir alas’ para a nossa principal campanha do ano. Ninguém melhor do que o próprio funcionário da Itaipava para representar o nosso verão, afinal, são eles que levam a cerveja para o Brasil inteiro”, explica Eliana Cassandre, chefe de marketing da Itaipava e do Grupo Petrópolis.
Cervejas na Mantiqueira A Associação Cozinha da Mantiqueira, sediada em Campos do Jordão e que reúne 32 bares, restaurantes, chocolaterias e cervejarias artesanais da região, promove até 31 de outubro a Temporada Sabores e Cervejas da Mantiqueira. Serão muitas atrações, como o Concurso Mestre Cervejeiro de Panela. Restaurantes e bares vão criar petiscos e pratos harmonizados com cervejas artesanais da região da Mantiqueira. Além disso, os consumidores ganharão copos colecionáveis como brindes.
BCB adiado Em consenso com as marcas, o BCB São Paulo, importante evento de bebidas destiladas premium, decidiu adiar a próxima edição. Agora, o encontro presencial está marcado para acontecer entre os dias 21 e 22 de junho de 2022 no mesmo local, o Expo Barra Funda, na capital paulista. De acordo com os organizadores, a ideia é atender ao compromisso de realizar uma feira mais elaborada e segura para parceiros, expositores e visitantes, além de oferecer um ambiente adequado para as degustações e a vivência pura da experiência do bar, que é a essência do evento, além de permitir a conexão de atrações e conteúdos com os temas de relevância no mercado de coquetelaria.
Balcão do Profano Graal: Hildegard von Bingen, a cientista
Hoje, 17 de setembro, se comemora o dia de mais uma famosa santa cervejeira: a freira beneditina Hildegard von Bingen (1098-17/09/1179), muito conhecida no meio cervejeiro por ser a autora da mais antiga menção às propriedades conservantes e aromatizantes do lúpulo. Mestra do mosteiro de Rupertsberg na cidade de Bingen am Rhein, além de mística, teóloga e pregadora, Hildegard foi também poetisa e compositora, naturalista, dramaturga e médica. E neste texto eu quero chamar a atenção não para a sua atuação como religiosa, mas como cientista.
Segundo seus biógrafos, o fato de ela ter visões desde os 3 anos e sua saúde precária teriam sido os motivos principais que a destinaram à vida religiosa. Teria começado a escrever após ter uma visão na qual uma voz lhe falava: “Oh mulher frágil, cinza de cinza e corrupção de corrupção, proclama e escreve o que vês e ouves”.
Primeiro, porém, teve que superar o sentimento de que era incapaz e indigna de fazê-lo. Um sentimento certamente nascido dos preconceitos que existiam em seu tempo a respeito da moralidade e das capacidades físicas e intelectuais das mulheres. Apenas após a aprovação do papa Eugênio III (1145-1153), que encarregou uma comissão de teólogos de examinar os relatos das suas visões, é que Hildegard passou a se sentir confiante para escrever. Sua primeira publicação, intitulada Livro do Conhecimento dos Caminhos do Senhor (Liber scivias Domini – c. 1151), é de fato uma coleção de relatos sobre suas visões.
Dessa mesma época são suas primeiras composições musicais e poéticas conhecidas, assim como suas primeiras observações científicas da natureza e textos médicos. Entre 1151 e 1158, ela escreveu o seu tratado de medicina naturalista intitulado Livro das sutilezas das várias naturezas da criação ou Livro das propriedades das várias criaturas da natureza, dependendo da tradução (Liber subtilitatum diversarum naturarum creaturarum).
Sendo considerado o primeiro livro de ciências naturais escrito no Sacro Império Romano-Germânico, após a sua morte foi dividido em duas partes: Física ou Livro de medicina simples, dividido em nove livros; e Causas e Curas ou Livro da medicina composta, dividido em cinco livros.
A Física está dividida da seguinte maneira: Das Plantas (De Plantis), Dos Elementos (De elementis), Das Árvores (De Arboribus), Das Pedras (De Lapidibus), Dos Peixes (De Piscibus), Das Aves (De Avibus), Dos Animais (De Animalibus), Dos Répteis (De Reptilibus) e Dos Metais (De Metallibus). São descritas quase 300 plantas, 61 tipos de aves e animais voadores e 41 tipos de mamíferos. As descrições das plantas reduzem-se à classificação do seu “temperamento”, seguindo os princípios da medicina clássica: quentes, frias, secas ou úmidas. Mas o centro do trabalho é a apresentação dos seus usos médicos. É no primeiro livro, no capítulo 61, em que ela faz a sua famosa menção ao uso do lúpulo como um eficiente conservante natural para bebidas:
O lúpulo é quente e seco, tem umidade moderada e não é muito útil para beneficiar o homem, porque faz crescer a melancolia no homem, entristece a sua alma e oprime seus órgãos internos. Mas também, como resultado do seu amargor, ele mantém algumas putrefações fora das bebidas, às quais pode ser adicionado para que durem muito mais tempo
(CORNELL, 2009)
Atribui-se a esse livro o estatuto de ter sido a base para o estudo da Botânica durante toda a Baixa Idade Média até o século XVI. “Em Physica, Hildegarda descreve as substâncias médicas naturais disponíveis naquele tempo. Além da descrição dos elementos da natureza e de sua aplicabilidade para a prevenção e cura de doenças tanto físicas quanto mentais e espirituais, a obra parece ser um manual geral sobre a utilidade e o valor das substâncias mais comuns e abundantes na Criação, que são plantas, animais e minerais” (MARTINS, 2019, p. 163-164).
Em Causas e Curas, como sugere o próprio título, ela descreve as doenças e os remédios para curá-las. Como explica Maria Cristina Martins, Hildegard considerava o ser humano como um sistema complexo e interligado entre corpo, mente e espírito. O centro da sua exposição são os seus usos médicos. Dessa forma, sua medicina envolvia uma prática ao mesmo tempo mágica, religiosa e científica. Como explica Marcos Roberto Nunes Costa:
Aqui, mantendo-se em seu holismo, em que faz uma íntima relação entre corpo e alma, o homem e a natureza, o natural e o sobrenatural, Hildegarda defende que boa parte das doenças dos homens é consequência do pecado original, da perda da harmonia e da integração entre Criador e criatura, recusando-se a ver a doença como um assunto exclusivamente de ordem física, fazendo constantes conexões entre os males que afligiam a alma e aqueles de padecia o corpo
(COSTA, 2012, p. 193)
Muito menos conhecida do que o seu trabalho de botânica é a sua abordagem da sexualidade humana, feita tanto sob uma óptica teológica quanto fisiológica. Do ponto de vista teológico, comparava o desejo humano à fertilidade da terra, reconhecia que ele dava à luz uma infinidade de riquezas. Herdando parte da tendência condenatória do desejo e do prazer sensual de seu tempo, via o corpo como um instrumento da alma que devia ser disciplinado para que se formasse uma cooperação entre ambos, potencialmente confortável e prazerosa, e para que o objetivo primeiro da salvação da alma pudesse ser alcançado. Na sua abordagem fisiológica da sexualidade humana, fez uma análise detalhada do desejo e do prazer. Via o ato sexual entre homem e mulher dentro do matrimônio positivamente, comparando-o à música, e o corpo humano a um instrumento musical. Foi a primeira autora a escrever sobre sexualidade e ginecologia de um ponto de vista feminino.
No Livro das Obras Divinas, aborda as semelhanças e diferenças entre homens e mulheres. Os dois gêneros seriam complementares. Mas a mulher seria mais perfeita ou ontologicamente superior ao homem. Traçou um painel histórico dos papéis sociais tradicionalmente atribuídos às mulheres: a maternidade ou a vida religiosa. Não via nenhum deles como de todo satisfatórios, mas se manteve em uma posição ambivalente a esse respeito, com certeza pressionada pelo seu contexto.
Procurei mostrar aqui que a sua atuação vai muito além da descrição das propriedades do lúpulo, pela qual é mais conhecida. E tive que deixar de fora deste texto muitos outros aspectos da sua atuação como, por exemplo, na política. Uma vez que nas suas pregações denunciava os vícios do clero e combatia as heresias, exercia, também nessa área, uma atuação pública incomum para as mulheres de sua época, ainda mais no meio religioso.
Ela foi canonizada em 1584 pelo Papa Gregório XIII. E, em 2012, o Papa Bento XVI concedeu a ela o título de Doutora da Igreja. Uma prova de que ciência e religiosidade não precisam se opor uma à outra.
COSTA, Marcos Nunes. Mulheres Intelectuais na Idade Média: Hildegarda de Bingen – entre a medicina, a filosofia e a mística. Trans / Form / Ação. Marília, v. 35, 2012.
MARTINS, Maria Cristina. Hildegarda de Bingen: Physica e Causae et Curae. Cadernos de Tradução. Número Especial, 2019, p. 159-174.
SILVA, Andréia Cristina Lopes Frazão da. Reflexões históricas sobre o saber médico e a prática da assistência. Anais da 4ª Jornada Científica CMS Waldir Franco. 2002.
Sérgio Barra é carioca, historiador, sommelier e administra o perfil Profano Graal no Instagram e no Facebook, onde debate a cerveja e a História