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O varejo online pode manter a venda de cerveja em alta com a volta dos bares?

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De novidade para alguns, depois passando a ser solução para a operação em meio a restrições para muitos, o varejo online reinou durante um longo período da pandemia, praticamente sozinho, como principal fonte para aquisição de cervejas. Mas esse período terminou. Com a gradual reabertura de bares e restaurantes, um antigo “concorrente” está de volta ao mercado. Por isso, é preciso reajustar estratégias para manter o nível elevado de vendas e a fidelidade dos consumidores.

Para entender como o varejo online pode se comportar nesse novo contexto, o Guia ouviu especialistas. E, na opinião deles, não haverá uma migração imediata do varejo para os bares e restaurantes, seja pelo temor envolvendo o coronavírus ou porque o consumidor se acostumou a beber sua cerveja em outros ambientes e momentos, que vão além da ida a estabelecimentos. Mas alertam que o varejo online deve reforçar a comunicação e as iniciativas inovadoras para seguir sendo uma opção relevante para a compra de bebidas.

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Diretora-geral do Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo e Mercado de Consumo (Ibevar), Patrícia Cotti reconhece que a demanda freada pela pandemia para ida aos bares e restaurantes deverá ampliar o consumo nesses espaços a níveis que podem superar os pré-pandemia. Ao mesmo tempo, porém, ressalta que o consumidor se acostumou a beber cerveja comprada a partir do varejo, online ou não, seja sozinho ou em família. Assim, ele não vai renunciar à conveniência da entrega, à maior gama de produtos à disposição e mesmo à possibilidade de buscar o melhor preço.

Apesar disso, Cotti avalia que o momento é de adaptação na comunicação para atender melhor às demandas do consumidor. E isso se dá, para o varejo online, através de campanhas de marketing e realizações de promoções. “É preciso sempre compreender as jornadas, as sinergias, sobreposições, para então desenhar a melhor estratégia de comunicação e venda (do ponto de vista da empresa) ou melhores canais e condições de acesso (do ponto de vista do consumidor).”

Crise e inovação
Economista-chefe da Reag Investimentos, Simone Pasianotto aponta a crise financeira como um fator que manterá o varejo competitivo, já que o Brasil passa por um cenário adverso na economia, com inflação acelerada e redução da renda. Ou seja, os preços baixos podem ser um forte aliado dessa vertente do mercado.

A renda média das famílias, pela inflação e desemprego, diminuiu. Assim, vai se tentar fazer o consumo de bebidas alcoólicas onde se paga menos. No bar, você gasta mais. Para consumo em casa, os preços são melhores. O delivery segue forte porque o hábito não desaparece e a pandemia não acabou. O online, assim, segue sendo uma forte concorrência

Simone Pasianotto, economista-chefe da Reag Investimentos

Para Virgilio Lage, especialista da Valor Investimentos, quem não oferecer novidades ao consumidor poderá rapidamente perder espaço no varejo online. Isso passa por renovação constante entre os seus participantes e o aumento da disputa por uma fatia do mercado.

“É um fator-chave para a consolidação no longo prazo, já que com um mercado competitivo como o atual, as empresas tradicionais podem facilmente ficarem obsoletas em relação às startups, que possuem como principal lema a inovação”, analisa Lage. “O que cada empresa deve fazer para continuar sendo relevante é nunca deixar de inovar. Encontrar soluções para problemas que nem os clientes sabiam que tinham.”

Os especialistas também avaliam que opções como os clubes de assinatura se tornaram tendências que foram além do crescimento do varejo online e seguirão sendo fonte de receita mesmo com a reabertura de bares e restaurantes. E, na visão de Lage, a postura inovadora também pode trazer reflexos para o futuro de uma marca de cerveja que opera no varejo online. Assim, após conquistar mercado durante a pandemia com essa modalidade de vendas, será a oportunidade de consolidar sua presença no mercado.

Com uma atividade voltada para o futuro, os consumidores irão enxergar na marca não apenas um produto, mas sim um estilo de vida. Isso gera marketing gratuito, já que estilos de vida são passados de pessoa para pessoa e de geração para geração

Virgilio Lage, especialista da Valor Investimentos

Em mês de recuo disseminado da indústria, produção de bebidas alcoólicas cai 12,1%

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A produção de bebidas alcoólicas no Brasil segue em tendência de queda. Pelo terceiro mês consecutivo, a fabricação caiu ao reduzir 12,1% em agosto, na comparação ao mesmo período de 2020. O dado está presente na Pesquisa Industrial Mensal (PIM), divulgada pelo IBGE nesta terça-feira, e se insere em um contexto de freio da produção industrial nacional, que diminuiu 0,7% frente a julho com ajuste sazonal. Esse também é o terceiro resultado negativo consecutivo, acumulando perda de 2,3% nesse período.

Apesar disso, a fabricação de bebidas alcoólicas ainda apresenta crescimento em 2021, com um salto de 4,4%. E, nos últimos 12 meses, o saldo continua sendo positivo, agora em 5,4%, segundo o IBGE. Vale ressaltar, porém, que tais números são comparativos a 2020, ano em que a produção do setor praticamente se inviabilizou por alguns meses devido ao início da pandemia da Covid-19 e das essenciais medidas de restrição.

Leia também – Ação da Ambev cai 10,6% no mês, mas analistas aprovam alta do preço das cervejas

A produção nacional de bebidas, por sua vez, até acelerou 7,6% em agosto quando comparado a julho, mas retraiu 6,4% em relação ao mesmo mês de 2020. Apesar da queda, o indicador acumulado de 2021 tem um salto de 5,8%. E, com esse resultado, o acumulado nos últimos 12 meses ficou em 7,1%.

Já a produção de bebidas não-alcoólicas apresentou um modesto crescimento em agosto. O salto foi de 0,6% em relação ao oitavo mês do ano passado. O desempenho no período fez o segmento acumular alta de 7,5% de 2021. E, no somatório dos últimos 12 meses, o indicador ficou em 9%.

Recuo disseminado
Se ainda é possível enxergar alguns cenários positivos para a fabricação de bebidas no Brasil, o momento da atividade industrial é pior. Em relação a agosto de 2020, houve queda de 0,7%, interrompendo os 11 meses de taxas positivas consecutivas na comparação anualizada. Em 2021, a indústria acumula alta de 9,2% e, em 12 meses, de 7,2%, intensificando o crescimento de julho (7,0%) e mantendo trajetória ascendente desde agosto de 2020, mas com uma base de comparação frágil.

O momento complicado está inserido, assim, em uma tendência de recuo disseminado da atividade industrial, confirmada pela queda de três das quatro das grandes categorias econômicas e 15 dos 26 ramos pesquisados.

“Há um desarranjo da cadeia produtiva, que faz com que haja encarecimento dos custos de produção e desabastecimento de matérias-primas para produção do bem final. Isso vem trazendo, pelo lado da oferta, maior dificuldade para o avanço do setor”, analisa André Macedo, gerente da pesquisa do IBGE.

Segundo o IBGE, as principais influências negativas em agosto vieram de produtos alimentícios (-7,4%) e coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (-5,2%). Outras contribuições foram produtos de borracha e de material plástico (-6,6%), de bebidas (-6,4%), de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-10,1%), de outros produtos químicos (-3,4%), de indústrias extrativas (-1,6%), de produtos do fumo (-23,3%), de móveis (-12,9%) e de produtos de metal (-3,4%).

Há um contingente importante de trabalhadores fora do mercado de trabalho e os postos que são gerados têm salários menores, ou seja, há uma precarização das condições de emprego. Também há retração da massa de rendimento e uma renda disponível menor para as famílias, por conta da inflação mais alta. Esses fatores afetam as condições de compra por parte das famílias”, conclui o especialista do IBGE.

Conheça importante sítio para a história humana sob risco por fábrica da Heineken

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Estudar as sociedades humanas a partir de vestígios e objetos para entender a sua evolução, a sua cultura e o seu modo de vida. É esse o conceito básico da arqueologia, ciência que está, agora, com um “sítio importante para explicar o povoamento da Terra” ameaçado pelos planos de construção de uma obra do Grupo Heineken nos arredores de Pedro Leopoldo, na região metropolitana de Belo Horizonte. No momento, a construção está embargada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e se tornou alvo de inquérito do Ministério Público de Minas Gerais (MP-MG) para avaliar o seu impacto.

A afirmação sobre a importância do sítio arqueológico Lapa Vermelha é de Andrei Isnardis, professor do Departamento de Antropologia e Arqueologia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). E não é à toa. Afinal, foi em uma das suas cavernas e grutas, a Lapa Vermelha IV, onde foi encontrado o humano mais antigo das Américas, apelidado de Luzia, com idade estimada de 13 mil anos.

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Além de todo o chamariz provocado pela descoberta de Luzia, o Lapa Vermelha possui outros importantes registros arqueológicos, como pinturas rupestres. Além disso, a região não se resume somente a esse sítio. Está inserida na Área de Proteção Ambiental Carste de Lagoa Santa, de grande importância para a arqueologia, como explica Maria Jacqueline Rodet, professora de arqueologia da UFMG.

“Os sítios arqueológicos da APA Cárstica Lagoa Santa são todos muito importantes por demonstrarem a antiguidades dos grupos humanos na região e em Minas Gerais. Temos material de datas muito antigas, por volta de 11, 12 mil anos antes do presente”, conta Rodet.

Assim, os especialistas destacam que não é só o Lapa Vermelha que está sob risco pelo impacto da obra, nesse momento embargada, da fábrica da Heineken. Isnardis lembra que, ainda mais próxima da área de construção da planta industrial da cervejaria, está um outro sítio arqueológico a “céu aberto” – e agora ameaçado. “Do lado oposto onde ficam as clavas, tinha material cerâmico. É um sítio arqueológico aberto ali. E é no alto dessa vertente onde ele fica que a fábrica seria construída”, relata o professor da UFMG.

O fator principal, mas não único, a ameaçar os sítios arqueológicos envolve a obtenção da água pela fábrica. Esse risco existe porque a captação é feita de águas subterrâneas de áreas conectadas. E, ao embargar a obra do Grupo Heineken, o ICMBio relatou ver com preocupação o plano da cervejaria de bombear 150 metros cúbicos de água por hora de dois poços na região, o que causaria impacto relevante nos lençóis freáticos e nas cavernas.

“Eles vão extrair um volume grande de água do subterrâneo. E esse é um relevo delicado, cheio de cavernas, de condutos subterrâneos. A fábrica está dentro da unidade geográfica mínima. Está no relevo que chamamos de dolina. É como se fosse uma pia com um ralo, que é um conduto subterrâneo. A fábrica está dentro da pia”, detalha Isnardis.

Risco ao desconhecido
O sítio da Lapa Vermelha foi escavado na década de 1970, em um trabalho coordenado pela arqueóloga francesa Annette Laming-Emperaire. Nessa iniciativa, então se encontrou o esqueleto de Luzia, datado de 11 mil anos atrás. Mas ainda pode haver resquícios arqueológicos por lá.

Ou seja, possibilidades de descobertas envolvendo a ocupação de Minas Gerais e mesmo o avanço nos estudos sobre a chegada do homem ao continente americano podem se perder com os riscos aos quais está exposto um sítio arqueológico que ainda nem foi completamente explorado, como argumenta Rodet.

É um sítio que tem muito a nos dar. Ele não terminou de nos dar informações. Não pode ser destruído por uma retirada drástica de água do subsolo. A APA é muito sensível. E qualquer transformação relevante no subsolo pode desmantelar o relevo. A gente não pode perder informações das nossas origens, seus complementos, o link da arqueologia brasileira com o resto do mundo

Maria Jacqueline Rodet, professora de arqueologia da UFMG

Isnardis ressalta que os estudos arqueológicos ainda não conseguiram obter todas as informações sobre a ocupação da região. E esse desconhecido, com a possibilidade de descobertas importantes, deveria ser valorizado com a preservação dessa área de proteção ambiental.

“Além das pinturas rupestres, tudo que está enterrado e não foi conhecido, pode perder referências para entender esse momento das ocupações mais antigas em Minas Gerais, desse período de mais de 10 mil anos atrás. A gente sabe que tem camadas mais antigas. É um lugar com potencial para explicar as ocupações mais antigas de Minas Gerais. A gente não sabe o que tem. Então temos que valorizar essa possibilidade, o que esse conjunto tem para nos ensinar”, acrescenta o professor da UFMG.

Entender o povoamento – e não apagá-lo
Ciência viva, a arqueologia convive com algumas teorias para explicar o povoamento das Américas. Inicialmente se acreditava que populações do leste da Ásia atravessaram o estreito de Bering, chegando primeiro à América do Norte, depois descendo à América do Sul.

Mas a descoberta de Luzia reforçou outra teoria. Nesse caso, o povoamento das Américas teria começado ainda antes, com humanos saídos da África e que cruzaram a Ásia, em duas grandes movimentações humanas, até a chegada ao Brasil. Algo que se entendeu como tese mais próxima de um acerto em função do tamanho do crânio de Luzia, parecido ao dos africanos e mais largo do que o dos indígenas.

Um estudo genético de Luzia, de 2018, apontou que a teoria de que duas populações povoaram as Américas poderia não fazer sentido. Assim, o povo de Luzia teria chegado à América junto com as demais populações que vieram da Ásia. As respostas para questões importantes sobre esse povoamento, como destaca Isnardis, podem estar onde Luzia foi encontrada. “Por isso é tão importante a preservação dos sítios arqueológicos. É preciso ter mais materiais para os estudos.”

Esse risco de apagamento da história incomoda, evidentemente, arqueólogos e historiadores. Isnardis reclama da desvalorização de trabalhos que demonstrem a profundidade da história do Brasil.

“É um pouco caso muito grande com a nossa história. A narrativa oficial do Brasil é de que temos 500 anos. A Lapa Vermelha é importante para dizer que Minas Gerais é um lugar que tem mais de 10 mil anos, de mostrar que fazemos parte de algo muito maior. E isso é tratado como irrelevante”, reclama o professor da UFMG.

Para Mônica Faria, historiadora e professora na rede pública de São Paulo, a possibilidade de o sítio arqueológico ser afetado pela obra e operação da Heineken também é um apagamento da civilização e da história do homem negro.

“Destruir a Lapa Vermelha é mais uma vez tentar apagar uma história de um povo, de uma civilização. Isso é um crime. Além de apagar a história, você perde muito em conhecimento, e em meios financeiros. Querendo ou não, o Brasil tem um péssimo hábito de apagar o seu passado. E apaga porque quer esconder. O Brasil não se vê como um país preto”, argumenta Faria.

Já Delton Aparecido Felipe, pós-doutor em História e diretor de relações internacionais da Associação Brasileira de Pesquisadores Negros, avalia que uma sociedade se constrói a partir do conhecimento sobre sua origem. E é isso que está sob risco. “Um sítio arqueológico é um patrimônio histórico e nos permite olhar para a nossa história, de onde viemos e para onde vamos. A história é fundamental para lembrar do que devemos manter.”

E Faria lembra que sítios arqueológicos importantes para contar a história da civilização, como é o caso do Lapa Vermelha, poderiam trazer benefícios ao Brasil a partir da viabilização de atividades turísticas relacionadas a essa rica arqueologia.

“As pessoas não conseguem conceber ou entender que a preservação da Lapa Vermelha pode se tornar também um polo turístico. E pode-se arrecadar muito dinheiro. O Brasil não é só praia, não é só carnaval, o Brasil tem outras coisas para mostrar, inclusive essas. O cultural também chama a atenção. A gente sai daqui para ir à Europa ver as nossas peças em outros lugares”, lamenta a historiadora.

“Viabilidade em xeque”
Embargada pelo ICMBio em função do risco de soterramento do sítio arqueológico, a obra de construção da fábrica pelo Grupo Heineken em Pedro Leopoldo também se tornou alvo de inquérito instaurado pelo MP-MG. Um dos questionamentos da procuradoria é se houve realização de estudo de impacto arqueológico. Algo que não estava incluso nos documentos iniciais de impacto da obra, que recebeu a liberação da Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Minas Gerais (Semad-MG).

“O mínimo seria uma avaliação cuidadosa. Mas eu acho inadequado implementar uma fábrica de cerveja nessa região, não há motivos razoáveis. Se houvesse uma avaliação, acho que nenhum profissional da arqueologia liberaria”, aponta Isnardis, citando que, além da captação da água, ocorrências como poeira, trepidação e mesmo fumaça, comuns em plantas industriais, poderiam causar danos ao sítio arqueológico.

O professor da UFMG também aponta o que entende como um afrouxamento das regras de licenciamento nos últimos anos em obras, citando, especificamente, a adoção do Licenciamento Ambiental Simplificado para alguns casos em Minas Gerais, o que coloca em risco o patrimônio cultural e ambiental.

“Isso aumenta os riscos a patrimônios culturais e naturais. Além disso, uma área como a de Pedro Leopoldo, Matozinhos e Lagoa Santa não deveria ter nenhuma obra sem avaliação arqueológica. Todos sabem que são áreas com muitos sítios arqueológicos”, argumenta Isnardis.

Até o Ministério Público ingressar no caso, uma audiência estava marcada para 9 de outubro. Mas, antes do embargo, a obra chegou a ser iniciada, em função do aval da Semad-MG ao Grupo Heineken, com a secretaria avaliando que a construção não teria “significativo impacto ambiental”.

Ela estava em fase de aterramento, mas acabou sendo paralisada em 10 de setembro, após a visita de fiscais do ICMBio, de acordo com a companhia. Nos próximos passos do caso, Isnardis espera que se analise, de fato, se a obra é viável ou uma ameaça a um importante sítio arqueológico.

Eu espero que o ICMBio demande avaliações mais amplas, a secretaria reconheça que ao menos nesse caso não pode haver Licenciamento Ambiental Simplificado e que sejam feitos estudos para avaliar a situação, não para viabilizar a obra, cumprir essa formalidade. É a viabilidade da obra que está em xeque

Andrei Isnardis, professor do Departamento de Antropologia e Arqueologia da UFMG

A fábrica
A obra de construção da fábrica do Grupo Heineken em Pedro Leopoldo havia sido anunciada em fevereiro e seria a primeira da cervejaria em Minas Gerais, com companhia já possuindo centros de distribuição e logística em Contagem e em Poços de Caldas, onde o seu nível de estocagem foi triplicado. A planta industrial teria capacidade para produzir 760 milhões de litros por ano. E, segundo anúncio do governo mineiro, o investimento na obra seria de R$ 1,8 bilhão.

A fábrica prevista para Minas Gerais é a 16ª da companhia no país e pode ser considerada, de fato, a primeira do Grupo Heineken a ser construída pela própria empresa, pois as demais foram incorporadas com a aquisição da Brasil Kirin em 2017.

Ambev torna cervejaria e maltaria no Sul do Brasil carbono neutro

A Ambev anunciou que passou a ter uma cervejaria e uma maltaria carbono neutro no Brasil. Elas são localizadas em Ponta Grossa (PR) e Passo Fundo (RS), respectivamente. E a chegada a esse estágio foi possível com a redução das emissões de CO2 dessas unidades, além do investimento em créditos de carbono para obter os 10% remanescentes.

A transformação da cervejaria de Ponta Grossa e da maltaria de Passo Fundo em carbono neutro se deu ao longo dos últimos cinco anos. De acordo com a Ambev, a redução representa em torno de 9,7 mil toneladas a menos de CO2 por ano, o equivalente a 1.300 carros a menos nas ruas do Brasil.

Leia também – Ação da Ambev cai 10,6% em setembro, mas analistas aprovam alta do preço das cervejas

“Além de todas as alterações operacionais do nosso processo produtivo e logístico, que permitiram a redução de 90% das emissões, também investimos em projetos que geram créditos de carbono e compensam emissões residuais de nossa cadeia produtiva”, afirma o vice-presidente de sustentabilidade e suprimentos da Ambev, Rodrigo Figueiredo, explicando como a companhia agiu para tornar as unidades carbono neutro.

A preparação da cervejaria e maltaria para que se tornassem carbono zero faz parte de um plano maior de descarbonização da Ambev para todas as suas unidades no país. Nos últimos cinco anos, a companhia afirma ter investido R$ 137 milhões em tecnologia sustentável e limpa em suas operações, com frentes voltadas à ação climática, gestão de água, agricultura inteligente e embalagem circular.

A Ambev tem apostado em inovação sustentável de ponta a ponta, com redução e remoção de emissões de gases de efeito estufa desde o plantio de insumos, como cevada e lúpulo, passando pela eficiência energética da produção e logística de distribuição até os pontos de venda.

Para isso, a Ambev afirma que processos industriais foram aperfeiçoados, incluindo, por exemplo, instalação de caldeiras por biomassa, reaproveitamento energético do biogás, utilização de eletricidade de fontes renováveis, programas de eficiência energética e introdução de empilhadeiras elétricas.

Até o final de 2021, a meta da Ambev é que mais 4 cervejarias se tornem neutras em emissão de carbono. De 2003 para cá, a Ambev diz já ter reduzido mais de 63% das emissões de sua produção direta e da energia comprada. Agora, o desafio está nas emissões de toda a cadeia de valor.

“Alcançamos esse marco das primeiras unidades carbono neutro no Brasil, com a neutralização das emissões dos escopos 1 e 2, e iremos escalar para 100% das nossas operações”, acrescenta o vice-presidente de sustentabilidade e suprimentos da companhia.

Metas de sustentabilidade
A Ambev definiu, em 2018, metas ambientais que impactam toda sua cadeia produtiva e devem ser atingidas até 2025. Confira as principais:

  • Ação climática: 100% da eletricidade comprada pela Ambev deve ser advinda de fontes renováveis. Além disso, a companhia vai reduzir em 25% as emissões de carbono ao longo da cadeia de valor.
  • Gestão de água: melhorar de forma mensurável a disponibilidade e a qualidade da água para 100% das comunidades em áreas de alto estresse hídrico com as quais a companhia se relaciona.
  • Agricultura inteligente: 100% de seus agricultores parceiros devem estar treinados, conectados e com estrutura financeira para desenvolver um plantio cada vez mais sustentável.
  • Embalagem circular: 100% dos produtos da companhia devem estar em embalagens retornáveis ou que sejam majoritariamente feitas de conteúdo reciclado.

Ação da Ambev cai 10,6% no mês, mas analistas aprovam alta do preço das cervejas

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Em um mês marcado pela preocupação dos mercados financeiros com o risco de uma nova crise global provocada pela derrocada da empresa imobiliária chinesa Evergrande, a ação da Ambev não resistiu ao cenário adverso e desvalorizou 10,53% em setembro. A boa notícia – ao menos para seus acionistas – é que o aumento nos preços das suas cervejas, revelado no fim do mês, foi visto por analistas como positiva para a saúde financeira da companhia.

A ação da Ambev fechou setembro com valor de R$ 15,30. O papel perdeu, assim, R$ 1,80 do seu valor em um mês. E o impacto foi tão grande que a ação passou a registrar desvalorização em 2021, de 2,85%.

Leia também – Ambev aumenta preço da cerveja; Abrasel estima alta entre 6% e 10%

O tombo se iniciou na sequência das manifestações de teor golpista lideradas pelo presidente Jair Bolsonaro em 7 de setembro, com a ação desvalorizando 5,69% apenas no pregão do dia 8. Assim, a queda não tem muita relação com a decisão da companhia de aumentar o preço da cerveja, definida na última semana de setembro.

Analistas, inclusive, aprovaram a alta. Mas ela não reverteu o cenário de desvalorização da ação da Ambev, que iniciou a última semana de setembro com preço de R$ 15,84 e a fechou, já no primeiro dia de outubro, valendo R$ 15,27.

O Bradesco BBI, por exemplo, fez uma extensa análise sobre o aumento dos preços das cervejas pela Ambev e apontou que ele ficou próximo da sua estimativa. Embora a companhia não tenha revelado detalhes da alta, a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) indicou que ela foi de 6% a 10%, dependendo do estado.

“O aumento de preço de 5% a 6% citado parece amplamente em linha com a nossa estimativa de uma alta de 6,5% no preço da cerveja no Brasil no quarto trimestre, com nossa receita líquida consolidada da Ambev sendo 3% acima do consenso no trimestre”, afirma o relatório do Bradesco BBI.

Essa flexibilidade no reajuste também foi lembrada em uma análise do Credit Suisse. “Os preços variam entre canais, marcas, pacotes e regiões, observando a abordagem mais flexível da Ambev em seu lançamento.”

A equipe de analistas do Bradesco BBI ainda não enxerga a possibilidade de a Ambev perder participação no mercado para a Heineken em função da alta dos preços. E também avalia que os efeitos desse aumento serão abrandados por se dar em um momento de aceleração do consumo.

“Esse risco é mitigado pelo nosso entendimento de que a Heineken terá restrições de capacidade que provavelmente durarão até 2023 (quando ela planeja abrir uma nova planta) e também levando em conta o fato de que o quarto e o primeiro trimestres são aqueles em que a demanda é sazonalmente mais forte”, avalia o Bradesco BBI.

Assim, as equipes de análise dos dois bancos de investimento mantêm o indicativo de compra da ação da Ambev, com o Bradesco BBI definindo um preço-alvo de R$ 21, enquanto o do Credit Suisse fica em R$ 21,50.

Outras ações
A queda de mais de 10% da ação da Ambev foi expressiva, mas houve perdas ainda mais relevantes em setembro na B3, a bolsa de valores brasileira. As maiores foram as das ações do Banco Inter, sendo de 31,18% no papel unit e de 28,56% no preferencial. O banco foi seguido por três varejistas com foco no e-commerce: Via (25,79%), Americanas (25,24%) e Magazine Luiza (21,38%).

Já entre as altas, destaque para os frigoríficos: Marfrig (33,36%), Minerva (25%), JBS (18,93%) e BRF (15,67%). O “penetra” no Top 5 foi a PetroRio, com valorização de 30,52%.

Bovespa também cai
O cenário da Ambev em setembro foi semelhante ao do Ibovespa, o principal índice da B3. Ele caiu aos 110.979,10 pontos ao fim do pregão da última quinta-feira. Desvalorizou, assim, 6,57% no mês. E isso representa o pior desempenho desde março de 2020, logo quando a OMS declarou a pandemia do coronavírus. Assim, o Ibovespa ampliou as suas perdas em 2021, agora em 7,12%.

E não faltaram motivos para isso. Prévia da inflação oficial, o IPCA-15 de setembro chegou aos 10,05%, com o mercado projetando que o IPCA fechará 2021 a 8,45%, bem acima da meta definida pelo Banco Central, de 3,75%. Sempre muito cioso do ajuste fiscal, o mercado também tem se preocupado internamente com a proposta do governo federal de dar calote em parte dos precatórios de 2022, com o intuito de ter mais espaço para atingir o teto de gastos.

Além disso, com a intenção de turbinar o novo Bolsa Família, que se chamará Auxílio Brasil, o governo subiu o IOF. E logo quando o endividamento das famílias é crescente, tendo chegado aos 72,9%, de acordo com pesquisa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo.

No campo político, o cenário não é menos ruim. No 7 de setembro, afinal, Bolsonaro convocou manifestações de teor golpista, ameaçou não cumprir decisões do STF e chamou Alexandre Moraes, ministro do tribunal, de “canalha”, para dias depois, com o auxílio do ex-presidente Michel Temer, escrever uma carta em que pedia desculpas pelo seu ato.

Esses problemas internos se somaram a desafios externos, o principal deles vindo da China, onde a sua segunda maior incorporadora, a Evergrande, está à beira do colapso.

Queda global
A desvalorização da ação da Ambev em setembro no mercado brasileiro se repetiu com as duas principais indústrias cervejeiras do mundo na Europa. O papel da AB InBev terminou o mês com preço de 49,15 euros, o que representou perda de 5,46%. Já em 2021, sua desvalorização está em 13,79%.

A queda da ação da Heineken, por sua vez, foi menor. Ao fechar setembro com preço de 90,20 euros, caiu 2,70% em um mês. No ano, sua perda de valor fica, até agora, em 1,12%.

Menu Degustação: Ações da Hoegaarden na primavera, Oktober com IPA no ABC…

A semana ficou marcada por iniciativas que unem o setor a datas especiais. É o caso de dez cervejarias do ABC paulista, que se uniram para a realização de uma Oktoberfest focada nas cervejas do estilo IPA, a IPAtoberfest. Aproveitando a chegada da primavera, por sua vez, a Hoegaarden preparou uma série de ações especiais aos seus consumidores.

Já a marca Petra foi além da cerveja para lançar duas versões de água tônica com fórmula exclusiva. E a Läut fechou parceria para ser oferecida ao público frequentador do Bolão, um dos mais tradicionais pontos boêmios de Belo Horizonte.

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Confira estas e outras novidades da semana no Menu Degustação do Guia:

Oktoberfest com IPA
Santo André vai receber no próximo fim de semana, nos dias 9 e 10, a IPAtoberfest, contando com as participações das cervejarias Animal Beer, Bloco 7, Calmaria, Dutra Beer, Menze Brewing, Moret, Santa Cevada, São Bernardo do Campo, Suméria e T-Rex Beer. A Oktoberfest da IPA, com entrada gratuita, terá torresmo de rolo e lanche de pernil, sendo realizada na Animal Beer, no bairro Vila Alzira. Quem levar 1kg de alimento, participa de sorteios de prêmios. Com foco nas cervejas do estilo IPA e suas variáveis, essa Oktoberfest também oferecerá cervejas dos estilos Lager, Sour e Ginger Beer, entre outras. Os preços variam conforme o estilo da cerveja, indo de R$ 10 a R$ 25 para copos de 500ml.

Primavera da Hoegaarden
Para celebrar o início da primavera, a Hoegaarden preparou uma série de ações para os consumidores, com um convite para as pessoas relaxarem e se conectarem com a natureza. Em uma iniciativa junto a influenciadores, a marca vai desafiar as pessoas a encontrarem os “jardins secretos” escondidos em perfis no Instagram. Em outra parceria com a Escola de Botânica, há uma agenda repleta de atividades. Dessa forma, os consumidores poderão participar de cursos, com aulas presenciais e online, e aprender cada vez mais sobre o tema com podcasts especiais. Já uma parceria com a Cidades.co vai revitalizar uma praça na cidade de São Paulo.

Água tônica da Petra
Pertencente ao Grupo Petrópolis, a marca Petra acaba de lançar duas versões de água tônica com fórmula exclusiva: amargor marcante e sabor levemente adocicado. Os produtos foram desenvolvidos nas versões regular e zero açúcar, com diferenciais entre as opções disponíveis: ausência de conservantes e 38% menos açúcar na versão regular. A nova água tônica Petra é produzida e envasada na fábrica do grupo em Teresópolis (RJ), de onde será distribuída para todo o Brasil.

Läut no Bolão
A marca mineira fechou uma parceria para ter um local de venda especial das suas cervejas e chope em Belo Horizonte: o restaurante Bolão, tradicional ponto boêmio, gastronômico e que ganhou ares de atração turística, tendo feito 60 anos recentemente.

Nova unidade da Beer Mad
A Beer Mad anunciou a inauguração de uma nova unidade na avenida Dom Pedro II, em Batel, bairro de Curitiba. Conforme detalha a marca, a unidade mantém o DNA das melhores cervejas artesanais, mas com diferenciais que incluem uma área externa com mesas e guarda-sóis, além de menu assinado pelo chef Leandro Fantin. Traz, ainda, um Festival de Ostras que acontece todos os domingos até o fim da primavera. O menu inclui 16 pratos para harmonizar com o tap list em porções fartas e uma opção para quem é fã de doces.

Lagoon na Morar Mais
A cervejaria Lagoon participará da Morar Mais Por Menos, um espaço especial construído por renomadas arquitetas representantes da DS Arquitetura, que criou um restaurante dentro da mostra, aberta até este domingo em Belo Horizonte. O destaque do ambiente é um painel com cinco mil tampinhas, coladas uma a uma, realçando as paredes em curva, além das cervejas da marca. Essa é a 14ª edição da mostra, realizada no bairro Cidade Jardim em formato híbrido. São 40 ambientes e 48 profissionais que apresentam propostas acessíveis, porém sofisticadas.

Expansão do Beerlab.club
O Beerlab.club, clube de assinatura de cervejas autorais, celebrou um ano de lançamento. Em meio aos desafios impostos pela pandemia, os sócios conseguiram aumentar a produção e lançar uma loja online exclusiva para os assinantes. O plano para os próximos meses é levar o projeto a um maior número de amantes de cerveja. Após um ano de operações e mais de 40 rótulos lançados, o Beerlab.club convida o público a escolher as receitas a serem produzidas. Mensalmente, os assinantes recebem as latas, dão seu feedback e votam para eleger os sabores de duas latas no mês seguinte. A terceira lata é sempre uma surpresa, uma receita escolhida pelos sócios. O clube é premium e conta com apenas 110 assinantes.

Sommelieria em 5 atos
Após lançar recentemente o Guia da Sommelieria de Cervejas, um livro coletivo, a Editora Krater anunciou que, com Bia Amorim, sommelière de cervejas e organizadora da obra, e Jayro Pinto Neto, um dos coautores do livro e vencedor do último Campeonato Brasileiro de Sommeliers de Cerveja, promoverá a experiência Sommelieria em 5 atos. A ação é uma jornada pelas etapas do processo de degustação de cervejas. Com a inspiração em análise sensorial e temperado com elementos cênicos, o evento tem como proposta um “movimento” sinestésico, multissensorial e lúdico. Por ser uma atividade especial, há apenas 20 vagas.

Com realidade aumentada, Pabst faz ação provocadora para falar com o underground

“Não faça o que eu digo”. Esse bem que poderia ser o lema da primeira campanha de marketing de peso da Pabst Blue Ribbon desde a sua chegada ao mercado cervejeiro do Brasil. Em uma ação que envolve a utilização de realidade aumentada, a centenária marca norte-americana vai premiar 500 consumidores até o fim do ano. Mas só aqueles que “desrespeitarem” a sua ordem. É uma tentativa de reforçar a ligação com consumidores ligados à cultura underground nos grandes centros urbanos a partir de uma promoção inovadora.

De outubro até o fim de 2021, todas as 500 mil latas produzidas pela Pabst Blue Ribbon no Brasil virão com um QR Code acompanhado por uma provocação: “Não escaneie”. Quem desrespeitar esse pedido terá acesso a uma ação de realidade aumentada e ainda vai concorrer a 500 prêmios a partir de um código presente na sua lata. São produtos de lifestyle, como bonés, camisetas e chinelos, além do 99 pack da marca, algo que ficou famoso nos Estados Unidos.

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“A contracultura, tudo que é o avesso e está na contramão são a Pabst. Por isso, a campanha é provocativa, falando para a pessoa não escanear o QR Code. Assim, atrelamos a novidade da realidade aumentada com quem se encontra com a nossa essência. E esperamos nos conectar com o nosso consumidor”, afirma Thiago Lima, diretor de criação da Agência Unika e chefe de comunicação da Pabst Blue Ribbon Brasil, explicando as motivações para essa promoção.

A Pabst está no Brasil desde agosto de 2020, tendo a sua American Lager como carro-chefe. É, assim, mais uma marca premium internacional em um mercado concorrido, que já contava com, entre outras, Heineken e Budweiser, além de Spaten e Tiger que, assim como ela, foram lançadas há pouco tempo no país.

Para se destacar em um mercado tão concorrido no Brasil, a Pabst pensou em uma campanha que a associe ao seu público-alvo, definido por uma faixa etária, de 18 a 35 anos, mas também por um estilo de vida, relacionado com a cultura underground, a música, o skate e a voz das ruas, como argumenta o chefe da comunicação da marca no Brasil.

Preciso ter mais do que uma boa cerveja, preciso ter atitude. E temos que mostrá-la também fora da lata

Thiago Lima, chefe de comunicação da Pabst Blue Ribbon Brasil

Presente, hoje, principalmente nos mercados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, a Pabst também acredita que uma promoção provocadora, além de associá-la ao seu público, poderá aumentar a sua presença em pontos de venda.

“Quando faço uma promoção na lata, o varejo quer o meu produto. Isso ajuda a aumentar a venda, a positivação, com o aumento de estabelecimentos vendendo Pabst, e a mostrar ao consumidor que a minha cerveja fala de modo diferente com ele”, acrescenta Thiago.

Confira a página da Pabst Blue Ribbon no Guia do Mercado

Originária dos Estados Unidos e fundada em 1844, a Pabst também possui relevância em outros mercados, como Austrália, China, Rússia e Suécia, fabricando 100 milhões de hectolitros de cerveja mensais em todo o mundo. No Brasil, a sua produção se dá em Leme (SP), na fábrica da New Age Bebidas.

Sindicerv entra em associação que reúne 90% da produção mundial de cerveja

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O Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv), que tem a Ambev e o Grupo Heineken como associados, agora passou a integrar a Worldwide Brewing Alliance (WBA). A aliança global reúne algumas das maiores cervejarias do mundo, além de associações representativas de importantes países do setor.

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Criada em 2003, a WBA estima agregar aproximadamente 90% da produção mundial de cerveja ao contar com quatro das maiores companhias do setor: AB InBev, Carlsberg, Heineken e Molson Coors. Entre as associações que integram a entidade estão as de países como Austrália, Canadá, Japão, Coreia do Sul, Estados Unidos e, agora, Brasil.

Já congregando companhias que respondem por cerca de 80% do consumo de cerveja no Brasil, o Sindicerv acredita que reforçará o seu compromisso de atuar continuamente no debate de regulamentos, leis, normas, políticas públicas e práticas que contribuam com o desenvolvimento da indústria e suas respectivas cadeias produtivas a partir da entrada na WBA.

Ao participar da aliança global, o Sindicerv espera também aprender com o intercâmbio de informações e experiências com atores internacionais do setor cervejeiro. Ao mesmo tempo, promete levar para a pauta temas como a sustentabilidade e o consumo responsável de cervejas.

“O ingresso na WBA será uma excelente oportunidade para contribuir e trocar experiências do setor cervejeiro do Brasil com outras entidades no mundo. Vamos compartilhar e apresentar iniciativas e projetos desenvolvidos pelo sindicato, como agenda de sustentabilidade, campanhas de engajamento no consumo responsável, entre outros”, destaca Luiz Nicolaewsky, superintendente do Sindicerv.

MP abre inquérito para apurar impacto de obra de fábrica da Heineken em MG

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Hoje embargada por decisão do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), a obra de construção de uma fábrica do Grupo Heineken em Pedro Leopoldo, na região metropolitana de Belo Horizonte, agora se tornou alvo de um inquérito civil do Ministério Público de Minas Gerais (MP-MG) para apurar possíveis impactos da sua realização no patrimônio cultural.

O inquérito foi instaurado pelo MP-MG por meio da Promotoria de Justiça de Pedro Leopoldo e da Coordenadoria das Promotorias de Justiça de Defesa do Patrimônio Cultural (CPPC), em função do potencial impacto da obra da Heineken nas proximidades da área de proteção ambiental Carste Lagoa Santa, em Pedro Leopoldo, segundo o documento assinado pelos promotores de Justiça Ester Soares de Araújo Carvalho e Marcelo Azevedo Maffra.

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Ao instaurar o inquérito civil, o MP-MG fez uma série de pedidos. Para o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), requisitou o envio de cópia da eventual anuência prévia ou manifestação emitida para o empreendimento. Além disso, questiona se foram realizadas pesquisas arqueológicas aprofundadas pela cervejaria e se houve acompanhamento arqueológico, com presença em campo de arqueólogo.

Caso a resposta seja negativa, a Heineken terá de fazer uma perícia arqueológica, além de determinar um Plano de Manejo da Área de Preservação Ambiental (APA) Carste. “Em havendo resposta negativa por parte do Iphan, oficiar ao empreendedor a fim de que realize peritagem arqueológica na área objeto de intervenção e seu entorno, obedecendo as recomendações do Iphan e, consequentemente, determinar um plano de manejo para o sítio”, afirma o MP.

Além disso, a Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Minas Gerais (Semad-MG) precisa dar “informações detalhadas sobre os estudos espeleológicos apresentados no licenciamento ambiental (LPLI-LO), bem como sobre: a preservação das cavidades naturais subterrâneas, para fins de estudos, pesquisas e atividades de ordem técnico-cientifica, étnica, cultural, espeleológica, turístico, recreativo e educativo”.  

A Semad-MG também deverá apresentar a “instituição de procedimentos de monitoramento e controle ambiental, visando a evitar e minimizar a degradação e a destruição de cavidades naturais subterrâneas e outros ecossistemas a elas associados, considerando a exigência de licenciamento ambiental das atividades que afetem ou possam afetar o patrimônio espeleológico ou a sua área de influência”.

O MP ainda determinou a realização de vistoria na área e elaboração de um laudo por parte do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Cavernas (Cevac), ligado ao ICMBio. Também há a recomendação de que o laudo seja acompanhado de fotos de antes e depois das obras de terraplanagem do Grupo Heineken para observação de eventuais danos.

Em seu ofício, o MP também quer saber se a cervejaria “realizou cadastramento prévio no Cadastro Nacional de Informações Espeleológicas (Canie) com os dados do patrimônio espeleológico, mencionados no processo de licenciamento aprovado pela Semad”.

E o MP ainda solicitou ao Grupo Heineken “estudo atualizado referente área de influência do Projeto/empreendimento, que necessariamente deverá constar, dentre outros, ‘Atualização dos estudos espeleológicos’, especificamente o número de cavidades presentes na área de influência do Projeto/empreendimento, assim como a análise de relevância dessas e suas respectivas áreas de influência”.

A visita e os eventuais impactos
Além da instauração do inquérito civil, o promotor, acompanhado de uma analista e de uma historiadora, ambas representando o MP-MG, e o gerente da unidade de conservação do Instituto Estadual de Florestas realizaram na última quarta-feira uma vistoria no local potencialmente impactado pela Heineken.

“O Monumento Natural Estadual da Lapa Vermelha é extremamente relevante do ponto de vista arqueológico e espeleológico, principalmente porque lá foi encontrado o fóssil humano das Américas: o esqueleto de Luzia, que tem idade aproximada de 13 mil anos. Nessa unidade de conservação podem ser vistas várias pinturas rupestres e sete cavidades naturais”, ressalta Maffra.

A região onde o Grupo Heineken pretende construir a sua fábrica fica próxima ao complexo de cavernas e grutas e no Monumento Natural Estadual da Lapa Vermelha. É em um dos seus sítios arqueológicos onde foi localizado Luzia, o esqueleto mais antigo das Américas. Mas, de acordo com o ICMBio, órgão vinculado ao Ministério do Meio Ambiente, ele está sob risco de soterramento em função da obra e futura operação da fábrica de cervejas.

O instituto também vê com preocupação o plano do Grupo Heineken de bombear 150 metros cúbicos de água por hora de dois poços na região, o que causaria impacto relevante nos lençóis freáticos e nas cavernas do Cipó, Fedo e Nei. E, quando do anúncio do embargo, o ICMBio explicou que uma audiência sobre o caso havia sido marcada para 9 de outubro.

Antes disso, porém, a Heineken havia obtido o aval da Semad-MG para iniciar as obras, que estavam em fase de aterramento, mas acabaram sendo paralisadas em 10 de setembro, após a visita de fiscais do ICMBio, de acordo com a companhia.

A fábrica
Agora alvo de inquérito, a obra de construção da fábrica do Grupo Heineken em Pedro Leopoldo havia sido anunciada em fevereiro e seria a primeira da cervejaria em Minas Gerais, onde a companhia já possuía centros de distribuição e logística em Contagem e em Poços de Caldas, onde o seu nível de estocagem foi triplicado. A planta industrial teria capacidade para produzir 760 milhões de litros por ano. E, segundo anúncio do governo mineiro, o investimento na obra seria de R$ 1,8 bilhão.

A fábrica prevista para Minas Gerais é a 16ª da companhia no país e pode ser considerada, de fato, a primeira do Grupo Heineken a ser construída pela própria empresa, pois as demais foram incorporadas com a aquisição da Brasil Kirin em 2017.

Pesquisa: 62% dos bares e restaurantes não atingiram nível de vendas pré-pandemia

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Uma pesquisa com 800 restaurantes, bares, cafés e lanchonetes de todos os estados brasileiros mostrou que 62% desses estabelecimentos ainda não recuperaram o nível de vendas em relação ao período pré-pandemia, na comparação do faturamento entre o mês de julho deste ano e o de 2019.

Dos participantes, 13% disseram já conseguir faturar nos mesmos níveis e outros 25% afirmaram que superaram a receita do mesmo período. Os dados são da recente pesquisa da série Covid-19, realizada pela Associação Nacional de Restaurantes (ANR), em parceria com a consultoria Galunion, especializada no mercado food service, e com o Instituto Foodservice Brasil (IFB).

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Outro dado alarmante do estudo é que o nível de endividamento das empresas do setor segue alto no País. A pesquisa demonstra que 55% dos bares, restaurantes, cafés e lanchonetes se declaram endividados. Desse total, 78% devem para bancos, 57% estão com impostos em atraso, 24% têm dívidas com fornecedores e 14% afirmam possuir pendências trabalhistas.

Do total de endividados, 48% afirmaram que devem levar mais de dois anos para pagar seus débitos e 63% disseram que vão aderir a planos de parcelamento, como o Refis e outros anunciados pelos governos.

De acordo com o diretor executivo da ANR, Fernando Blower, a pesquisa aponta, de maneira geral, o que ele considera ser o início de um processo de recuperação que, certamente, será longo e irá durar alguns anos. “Apesar da melhora no índice de endividamento, a grande maioria das empresas ainda sofre as consequências da pandemia e apenas agora, com o avanço da vacinação, a queda nos índices da Covid-19 e o retorno gradual dos clientes, começa a se reerguer.”

A pesquisa ainda trouxe dados sobre a expansão do delivery. Em média, a receita hoje com essa atividade representa 39% do total do faturamento das empresas – o número era de 24% antes da pandemia. O estudo quis saber ainda se as empresas manteriam o delivery com o retorno do funcionamento das lojas. E 85% afirmaram que vão seguir com esse tipo de operação.

Já diante de um cenário de crescimento da inflação ainda no início da recuperação do setor, 31% das empresas afirmaram que não lançaram produtos no cardápio.

Esse dado, ao mesmo tempo, mostra um desafio e uma grande oportunidade frente às grandes mudanças de comportamento do consumidor provocadas pela pandemia. A revisão e atualização do cardápio é uma estratégia chave para a perpetuação do negócio, para acompanhar os anseios do consumidor e manter a competitividade, principalmente dentro dos marketplaces de delivery

Simone Galante, CEO da Galunion e responsável pela pesquisa

A pesquisa, feita entre 12 de agosto e 8 de setembro, ouviu empresas que representam 22.907 lojas, das quais 67% estão localizadas nas ruas e outras 22% em shoppings e centros comerciais. É, segundo os organizadores, o maior estudo já feito até hoje no Brasil durante a pandemia envolvendo o setor de food service.