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Reino Unido contabiliza 2 mil pubs fechados em um ano de pandemia

Um ano após a adoção do primeiro lockdown em função da pandemia do coronavírus no Reino Unido, a British Beer & Pub Association (BBPA) revelou que 2 mil pubs foram fechados em função das medidas que restringiram o funcionamento dos estabelecimentos ou mesmo impediram a abertura dos locais durante alguns dos períodos mais severos da crise sanitária.

As estimativas da associação são de que os pubs deixaram de vender 2,1 bilhões de litros de cerveja durante um ano. E o setor, que conta com cerca de 50 mil estabelecimentos, perdeu 8,2 bilhões de libras (aproximadamente R$ 62,6 bilhões) com a comercialização das bebidas.

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Desde março de 2020, os pubs do Reino Unido sofreram três lockdowns, o último deles em dezembro. E enfrentaram diferentes níveis de restrições, seja de espaços que permaneceriam abertos, de horário de funcionamento ou de serviços que poderiam ser oferecidos. Antes, já vinham sofrendo com mudanças no estilo de vida dos britânicos, os elevados impostos e a concorrência da venda de cervejas pelos supermercados.

Em fevereiro, o primeiro-ministro Boris Johnson revelou o plano de retomada do funcionamento dos pubs no Reino Unido. Eles poderão abrir as partes externas em 12 abril, com as áreas internas podendo ser utilizadas em 17 de maio. E não haverá restrições a partir de 21 de junho.

O governo britânico também adotou medidas de apoio financeiro e fiscal aos pubs, estimadas em 2 bilhões de libras (R$ 15,3 bilhões), que incluem cortes de impostos e subsídios. “Nosso setor foi devastado pela Covid-19 e pelos lockdowns”, disse Emma McClarkin, CEO da BBPA. “Infelizmente, ainda não vimos toda a extensão dos danos e não veremos por algum tempo até que as coisas realmente voltem ao normal. E por normal quero dizer um retorno ao que era a vida pré-Covid.”

A avaliação da associação é de que os pubs que concentram sua atuação na venda de bebidas alcoólicas, como cerveja e chope, foram os mais afetados pela pandemia do coronavírus. “Os pubs focados em bebidas alcoólicas estão entre os mais afetados pelo vírus, então é importante que o governo vá um pouco mais além com eles”, analisou a CEO da associação que representa os pubs do Reino Unido.

“Está ficando cada vez mais claro que o governo deve garantir que todos os nossos pubs sejam totalmente reabertos em 21 de junho, conforme indicado no cronograma. É quando a recuperação deles realmente começará e, até lá, podemos perder mais pubs e bens da comunidade”, concluiu McClarkin.

Produção de cevada deve se recuperar após queda em 2020, diz especialista

O ano de 2020 foi desafiador para a produção da cevada no Brasil, com redução expressiva da safra em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul, mas as expectativas são de bons resultados para 2021. Pesquisador da Embrapa Trigo, Aloisio Alcantara Vilarinho aponta ao Guia que os resultados positivos em 2020 se resumiram ao Paraná, mas prevê a reversão desse cenário nos outros estados da região Sul neste ano.

Vilarinho explica que o contexto envolvendo outras safras tende a favorecer a da cevada neste ano. O especialista destaca que a alta do preço do milho, que costuma ser usado como ração para aves e suínos, deve estimular o cultivo da cevada com o intuito de substituí-lo, ampliando a sua produção.

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“Na safra 2021, em virtude da alta nos preços do milho, principal produto nas rações utilizadas na cadeia produtiva da carne, principalmente na carne suína e de aves, está ocorrendo um estímulo à produção de cereais de inverno para uso na alimentação animal, em substituição ao milho nos estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul, o que poderá impulsionar o cultivo de cevada também para uso na alimentação animal nos próximos anos”, argumenta.

O pesquisador da Embrapa Trigo prevê uma expansão superior a 30% da área plantada para a cevada no Rio Grande do Sul em 2021. E destaca que a rentabilidade da cultura será positivamente influenciada neste ano pela valorização do trigo, percebida já desde 2020.

“Para 2021, no Rio Grande do Sul, existe um cenário mais favorável para a cevada, com aumento de 36% na área contratada para produção de cevada cervejeira e mercado inclusive para cevada que não der qualidade para malte”, comenta. “Os preços a serem pagos variarão de 120 a 135% do preço do trigo pão (PH 78). O preço será ainda 1% superior para cada ponto percentual acima de 85% de grãos da classe 1, podendo chegar a 150% do preço do trigo. Com a valorização do trigo a partir de 2020 e a tendência de permanecer esse cenário no curto e médio prazo, a rentabilidade da cultura da cevada tende a melhorar ainda mais.”

2020 difícil
É um cenário bem diferente ao que o produtor de cevada encarou no Rio Grande do Sul no ano passado. Ao Guia, Vilarinho revela o encolhimento da safra no estado em 2020: houve redução de 31% na área plantada e queda de 43,6% na produtividade, em parte pelas incertezas provocadas pela pandemia do coronavírus. Perdas, portanto, que o pesquisador da Embrapa Trigo acredita que podem ser recuperadas pelos produtores gaúchos em 2021.

“No Rio Grande do Sul, houve uma redução muito acentuada na área plantada, de 56,7 mil hectares para 39,1 mil ha (redução de 31%), em função, principalmente, do cenário de incertezas provocado pela pandemia da Covid-19. Houve ocorrência de geadas em agosto, que afetaram principalmente as lavouras situadas mais a oeste do Planalto Médio, e escassez de chuvas a partir de setembro, que favoreceram a colheita, porém contribuíram para uma redução e 18,3% na produtividade, que ficou em 2.595 kg/ha”, aponta Vilarinho, para depois acrescentar.

“Com redução na área plantada e na produtividade, a produção caiu 43,6%, ficando em 101,5 mil toneladas. Na porção oeste do Estado, praticamente não se aproveitou nada do que foi colhido para a produção de malte, enquanto na porção leste do Planalto Médio em torno de 60% da produção foi aproveitada com essa finalidade”, complementa o pesquisador.

Essas dificuldades encaradas no Rio Grande do Sul não se repetiram no Paraná, destaque da produção de cevada no Brasil em 2020, como ressalta o pesquisador da Embrapa Trigo, com base nos dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). No estado, houve aumento da área e condições climáticas favoráveis, permitindo que praticamente toda a safra fosse utilizada na produção de malte, mesmo que a escassez de chuvas tenha representado um desafio.

“No Paraná, houve aumento na área plantada, passando de 60,7 mil ha, em 2019, para 63,6 mil ha, em 2020, um aumento de 4,8%. Apesar das chuvas irregulares a partir de agosto, com cenários de baixa precipitação, houve aumento de 5,4% na produtividade, que ficou em 4.259 kg/ha. A produção foi de 270,9 mil toneladas de grãos de alta qualidade, sendo praticamente toda a produção utilizada na indústria de malte”, detalha Vilarinho.

Ele aponta, ainda, uma queda brutal na área plantada de cevada em Santa Catarina no último ano. “Em Santa Catarina, houve redução na área plantada, que passou de 1.400 hectares para 700 ha. As frustrações de safra provocadas pela estiagem foram os principais responsáveis pela queda na área plantada em 2020”, conclui.

Artigo: A força do mercado cervejeiro

*Por Develon da Rocha

Concluímos, com total sucesso, a mais desafiadora edição do Concurso Brasileiro de Cervejas (CBC), o maior da América Latina. Os números falam por si: 467 cervejarias de todo país inscreveram 3.162 rótulos para a competição. Foram 256 cervejas premiadas em 134 categorias, sendo 75 com medalhas de ouro, 88 de prata e 93 de bronze.

Tudo isso em meio à pandemia do novo coronavírus, com todos os cuidados sanitários necessários para a segurança dos envolvidos. A única etapa presencial do concurso foi o julgamento e, ainda assim, sem a participação de público. Apenas os jurados e equipes da organização participaram do processo durante quatro dias, em Blumenau, após realizarem testes de Covid-19. Durante o julgamento, seguimos regras como verificação da temperatura, distanciamento físico e divisórias nas mesas, aplicação de álcool em gel e uso de máscaras.

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Houve um grande esforço de uma equipe incansável da Associação Blumenauense de Turismo, Cultura e Eventos (Ablutec), Escola Superior de Cerveja e Malte e Secretaria de Turismo de Blumenau para que o concurso fosse realizado. Em 2020, a edição do CBC ocorreu pouco antes de iniciar o período de isolamento social. Desde então, as cervejarias lidaram com um hiato de eventos e permaneceram longe de ações com o público. A nona edição, agora em 2021, mesmo com restrições, representa uma retomada.

As marcas premiadas contam com um valioso incentivo para vendas e projeção de novos rótulos, fortalecendo toda a cadeia produtiva em um momento tão delicado. E as avaliações dos juízes ficam disponíveis para que os inscritos possam melhorar os seus processos produtivos. A relação das medalhistas está disponível no site www.cbc2021.com.br.

A cerimônia de premiação foi virtual, sem os abraços, cumprimentos e brindes que sentimos tanta falta. Mas foi um verdadeiro sucesso e agradecemos todos os envolvidos. Em 2022, teremos a décima edição, já confirmada para os dias 5, 6 e 7 de março, dias antes do Festival Brasileiro da Cerveja, que será entre 9 e 12 de março, e da Feira Brasileira da Cerveja, de 9 a 11 de março, todos na Vila Germânica, em Blumenau (SC). Neste ano, o festival e a feira precisaram ser adiados. Mas ano que vem estaremos todos juntos, presencialmente, comemorando e brindando a força do mercado cervejeiro.


*Develon da Rocha é o organizador do Concurso Brasileiros de Cervejas

Após ano difícil, Heineken mira participação feminina e acordos com Coca e Danone

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Segunda maior cervejaria no mercado brasileiro, a Heineken vem tendo um primeiro trimestre agitado. Ao mesmo tempo em que o grupo reportou um balanço financeiro de 2020 com resultados negativos, com prejuízo global de  204 milhões de euros em 2020, a multinacional holandesa apresentou novidades dentro do país que prometem movimentar, por um longo período, as suas operações. Foi o caso dos acordos de distribuição com a Coca-Cola e a Danone, além da promessa ampliar a participação das mulheres na gestão.

Nesta semana, por exemplo, a Heineken assumiu o compromisso de ter 50% de mulheres em cargos de liderança. A meta deve ser atingida em até cinco anos e visa aumentar a representatividade feminina em todas as áreas da cervejaria. Mauricio Giamellaro, presidente da empresa no Brasil, reforça que o compromisso representa a ambição de transformar a realidade do grupo e do mercado cervejeiro nacional.

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“Nosso setor sempre foi visto como um ambiente masculino, percepção que tem mudado com o passar do tempo, mas que ainda precisa de uma agenda de aceleração”, afirma Giamellaro, destacando que a Heineken percebeu a necessidade de estabelecer metas para colocar em prática as mudanças na sua gestão, ampliando a presença das mulheres.

Segundo o executivo, há um grande desafio pela frente, com uma meta ousada. Mas a Heineken acredita o quanto ela é positiva para a sociedade e para o negócio. “Sem diversidade dificilmente conseguiremos ir mais longe”, destaca o presidente do grupo cervejeiro no Brasil.

Para a implementação dessa agenda, a Heineken promete trabalhar no desenvolvimento das mulheres que já atuam na companhia, em todas as áreas, com planos de sucessão e de desenvolvimento pessoal que prevêem mentorias e treinamentos. Já para aumentar a contratação de mulheres, a empresa tem como diretriz buscar 50% de finalistas do gênero feminino nos processos seletivos.

Acordos com Coca e Danone
As mudanças, contudo, não ficaram apenas no campo da gestão e da diversidade. Em um acordo importante, o Grupo Heineken, a The Coca-Cola Company e o Sistema Coca-Cola Brasil vão redesenhar sua parceria de distribuição no país.

Segundo o contrato, que deve entrar em vigor a partir da metade de 2021, as partes iniciarão uma suave transição para que as marcas Heineken e Amstel passem a ser distribuídas pela própria cervejaria. Já a Coca ficará responsável pelas entregas de Kaiser, Bavaria e Sol. E esse portfólio será complementado pela Eisenbahn e por outras marcas internacionais.

“Estou muito satisfeito em redesenhar nossa parceria de distribuição com o Sistema Coca-Cola no Brasil. Por meio de uma rota dupla para o mercado, seremos capazes de alcançar e atender melhor nossos consumidores e clientes com nosso amplo portfólio, alavancando dois sistemas de distribuição fortes”, declara Giamellaro.

A Heineken também fechou um acordo de parceria de distribuição da água mineral Bonafont nas regiões Sul e Sudeste. Com mais de 30 centros de distribuição e uma rede de revendas exclusiva em todo o país, a marca promete aumentar a capilaridade dos produtos Bonafont, que vai continuar sendo propriedade da Danone Águas.

“Esse é um marco na história da empresa, afinal, vamos levar nossa missão de hidratação saudável e bem-estar para mais brasileiros e fazer pela categoria e consumidores de outros estados o mesmo que fizemos em São Paulo: aumentar em 50% a penetração da categoria e, assim, garantir mais saúde para mais pessoas”, comenta Ricardo Vasques, presidente da Danone Águas.

Cervejarias se unem à luta contra a Covid-19 com a doação de cilindros no Paraná

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Uma ação não planejada, mas extremamente importante e inspiradora de três cervejarias do sudoeste do Paraná, demonstrou a importância de ações coletivas em um momento trágico como o atual, de descontrole da pandemia do coronavírus. As cervejarias Insana, Craft Beer e Schaf Bier se reuniram para doar cilindros de oxigênio ao Hospital de Clevelândia (PR) com a intenção de ajudar no tratamento de pacientes infectados e internados no local.

Os cilindros cedidos pelas três cervejarias são utilizados para armazenamento do oxigênio no hospital da cidade do Sudoeste do Paraná, que está recebendo pacientes em estado grave diagnosticados com a Covid-19.

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Em entrevista ao Guia, Pedro Reis, diretor da Insana, cervejaria localizada em Palmas, cidade vizinha a Clevelândia, contou mais detalhes da ação. “Assim que ficamos sabendo do problema da falta de oxigênio no Hospital de Clevelândia, na hora já separamos o que havia na fábrica.”

O passo seguinte foi reunir outras cervejarias da região para a ampliação das doações no Paraná, também com a ajuda na logística do transporte dos cilindros de oxigênio. “Conforme fomos conseguindo os cilindros, disponibilizamos o carro da empresa para fazer a logística dessas doações”, completou Reis, que paralisou a produção da cervejaria em uma semana por causa da doação dos cilindros.

O diretor da Insana explicou que, até o momento, a situação de Palmas é mais amena, mas os hospitais estão lotados, com os leitos ocupados pela população da região. Entretanto, já se sabe que outros municípios no Sudoeste do Paraná, assim como Clevelândia, estão operando no limite e necessitam de doações de oxigênio para ajudar no tratamento dos pacientes.

“A indústria cervejeira tem a necessidade de utilizar os oxigênios, porém não é em grande volume. A gente pôde ajudar, mas muito menos do que gostaria. Então, continuo pedindo a todos os amigos das indústrias que possam fornecer os cilindros de oxigênio aos municípios que estão precisando ou entrem em contato com os hospitais para saber se estão precisando”, frisou o diretor da Insana.

Na visão de Reis, a iniciativa das cervejarias “tem sido de grande valia”, especialmente por ter incentivado outras pessoas e empresas a ajudarem com a cessão de mais cilindros de oxigênio. “Tenho recebido ligações e depoimentos de pessoas agradecendo. Tudo tomou uma proporção muito maior e no fim conseguimos vários cilindros de pessoas que a gente nem sabe quem são e que acabaram indo até o hospital doar. Está sendo muito gratificante”, completou.

O Paraná soma 776.410 casos de coronavírus e 14.278 mortes, de acordo com o boletim divulgado na última quinta-feira, com 198 novos falecimentos em relação aos dados do dia anterior, sendo que duas foram em Clevelândia. A cidade, de pouco mais de 16 mil habitantes, registra 55 mortes, com 958 casos de coronavírus.

Insana
A Insana, que doou todos os três cilindros de sua produção, também precisou encarar os desafios impostos pela pandemia. Como explica o diretor, o fechamento dos bares e restaurantes tornou o cenário complicado para a sua cervejaria porque estes locais representavam grande parte do faturamento da marca. Para superar o problema, uma das apostas foi nos growlers, com a possibilidade de comercializar o produto direto para o consumidor final, por meio de supermercados e distribuidoras.

A marca foi criada a partir da amizade de três cervejeiros caseiros, considerados por muitos como “insanos” pelo desejo de produzir cervejas diferenciadas no interior do Paraná. Em uma área rural a 4 quilômetros do centro da cidade com um projeto turístico, a Insana conta com um espaço gourmet para recepção de clientes (com reserva), um amplo jardim e belas paisagens. “Nascida na cidade de Palmas, região de clima frio, altitude elevada e água cristalina. Combinação perfeita para cervejas de alta qualidade e sabor único”, destacou Reis.

A cervejaria aposta em rótulos autorais como Insana Gold, Insana Weizen e Insana Chocolate Porter, cujas receitas foram criadas pelos sócios e cervejeiros caseiros Evandro Marini, Francelo Carraro e o sommelier cervejeiro Pedro Reis, sendo revisadas pelo mestre-cervejeiro Evandro Zanini.

Cathedral é eleita a melhor cervejaria do Concurso Brasileiro

A Cervejaria Cathedral foi a grande vencedora do Concurso Brasileiro de Cervejas. Nesta quinta-feira, a marca de Maringá (PR) foi eleita a melhor cervejaria da prestigiada premiação, repetindo as conquistas de 2018, 2019 e 2020 e faturando a quarta medalha de ouro consecutiva.

A Cathedral foi um dos destaques do Concurso Brasileiro de Cervejas, mas não o único. A Cerveja Blumenau, que leva o nome da cidade catarinense onde é realizado o evento, foi a segunda colocada, com a Cervejaria Imigração 1824, de Campo Bom (RS), ficando em terceiro lugar e completando o pódio entre as melhores cervejarias.

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Entre os brewpubs, por sua vez, a medalha de ouro do Concurso Brasileiro ficou com a Sabores do Malte, de Maringá (PR). A prata foi para a Realidade Alternativa Cerveja Artesanal, de João Pessoa (PB), com a Armada Cervejeira, de Florianópolis (SC), levando o bronze.

E, no prêmio Best of Show, destinado a premiar as melhores cervejas, a Alem Bier, com a Merlot Grape Ale, da categoria Wild Beer, levou a medalha de ouro. Já a cervejaria Narcose ficou com duas medalhas, a de prata para a sua Lager, da categoria German-style Pilsener, e a de bronze para a cerveja Flip Flops To Hell, uma colaborativa que também envolveu a Freigeist, a 4 Island e a Suricato, da categoria Chili Pepper Beer.

O concurso
Os vencedores foram anunciados em uma live transmitida pelas redes sociais do evento. Os jurados escolheram os primeiros colocados de 134 categorias, sendo que o concurso contou com a participação de 467 cervejarias de todo país, que inscreveram 3.162 rótulos para a competição.

No total, o Concurso Brasileiro de Cervejas premiou 256 cervejas, com 75 medalhas de ouro, 88 de prata e 93 de bronze. “Agradecemos e parabenizamos todos os participantes. É a presença de tantas cervejarias que garante a grandiosidade e a importância do concurso no cenário nacional e também internacional. Foi uma edição desafiadora, mas concluímos o concurso novamente com muito sucesso”, afirmou Develon da Rocha, presidente da Associação Blumenauense de Turismo, Cultura e Eventos (Ablutec), que organiza o concurso coordenado pela Escola Superior de Cerveja e Malte e patrocinado pela Agrária Malte e pelo Sebrae.

Em 2021, em função da pandemia do coronavírus, não foram realizados o Festival Brasileiro da Cerveja e a Feira Brasileira da Cerveja, que costumam ser simultâneos ao Concurso Brasileiro de Cervejas. Uma nova edição do CBC também será realizada em março de 2022, dos dias 5 a 7, com o Festival ocorrendo entre os dias 9 e 12 e a Feira Brasileira da Cerveja acontecendo do dia 9 ao 11.

O que a Dogma mudou após acusação de racismo e como vê o futuro do setor

Marcado por uma crise que ainda nem terminou, o ano de 2020 forçou muitas empresas a repensarem ações. No setor de cervejas artesanais, não foi diferente. Mas uma das referências no Brasil, a Dogma, precisou passar por esse processo enfrentando também um fato específico, ainda que também infelizmente usual na sociedade: o preconceito.

No ano passado, a cervejaria foi denunciada por ilustrar um rótulo, a Cafuza, uma Imperial India Black Ale, utilizando indevidamente a foto de uma mulher negra do século XIX, provavelmente escravizada, em Pernambuco. Acusada de racismo, a Dogma optou por retirar de vez a cerveja do seu portfólio e por agir a favor da inclusão.

Pouco mais de seis meses após o caso, tempo necessário para consolidar conceitos e realizar reflexões, a Dogma lançou a primeira de três cervejas da série Griot, concebida com três sommeliers negros: Glauco Ribeiro, Sara Araújo e Sulamita Theodoro, além da arte sendo produzida por João Gabriel. A primeira dessas cervejas foi a Hantu, uma Saison com cajá, caju e melado de cana, lançada no fim de janeiro. E será completada com mais dois lançamentos: a Kintu, uma New England IPA, e a Mantu, a Hantu envelhecida em barricas de madeira.

A Dogma, assim, com essa iniciativa, decidiu homenagear a ancestralidade negra e adotou ações menos chamativas, mas não menos importantes, como o financiamento de bolsas de estudos para a formação de sommeliers. Além disso, garante estar investindo na diversidade dentro do seu quadro de funcionários, como destaca Bruno Moreno, diretor-fundador da cervejaria, em entrevista ao Guia.

Ele também comenta outras mudanças, essas mais globais, ocorridas no setor de artesanais. Em sua visão, marcas precisarão investir em rótulos mais baratos, ainda que destaque que a Dogma jamais vai perder sua essência. E aponta a entrada no Telegram como uma importante estratégia da cervejaria para a marca permanecer mais próxima dos fãs e melhorar a comunicação com eles em momentos de crise ou de bonança.

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Confira a entrevista do Guia com Bruno Moreno, diretor-fundador da Dogma:

Em um período separado por pouco mais de um semestre, a Dogma foi acusada de racismo pela presença de uma mulher escravizada no rótulo da Cafuza, em denúncia realizada em junho de 2020, depois lançando, no início de 2021, uma série criada em parceria com sommeliers negros. Olhando para esse processo, o que vocês aprenderam com ele e o que a cervejaria mudou desde então?
Começamos a pensar que precisávamos nos aproximar de pessoas que conheciam o mercado de cerveja, tinham uma opinião sobre o rótulo e ajudassem a gente a entender o que aconteceu. Era uma homenagem, não foi entendido assim, entendemos isso e buscamos formas de que isso não voltasse a acontecer. Depois, o segundo momento foi partir para um projeto. Precisávamos de um tempo para entender o que tínhamos de fazer. Foi um processo de meses de conversas e de construção do projeto para ajudar a entender a atitude a ser tomada, olhar para nossas ações e ver o que estava errado. Isso se refletiu na Hantu, em bolsas com o Science of Beer, que, esperamos, quando o mundo se normalizar, aumentar. Também é uma preocupação ter diversidade em nosso quadro.

Como surgiu a ideia de criar a série Griot e a atuação ao lado dos sommeliers para tirar o projeto do papel?
Se desenhou uma estratégia, de buscar pessoas que conhecíamos e que poderíamos procurar para ajudar com o projeto. Foi tudo pensado junto, construído entre 6 pessoas, com meses de conversas. Definimos que seria um projeto sem relação com a Cafuza, não seria uma cerveja escura. Vimos, então, que uma cerveja só não seria suficiente. Decidimos fazer três, que vão ser lançadas ao longo do tempo. Eles trouxeram muitas coisas, preocupados que não caíssem de paraquedas, fizesse sentido dentro do nosso portfólio, com nome e identidade visual adaptados para a Dogma, com cervejas que refletem a nossa marca.

Depois da Hantu, quais são as próximas cervejas da série Griot e quando elas deverão ser lançadas?
A próxima será uma New England IPA. A ideia é produzir e lançar ainda no primeiro semestre. A terceira é a Hantu em barrica de vinho, então não tem um momento definido para ser lançada. Vamos esperar chegar no nosso perfil característico. E vai fechar um ciclo de quase 2 anos, desde o início do processo. É um fechamento temporal, com a primeira cerveja do projeto, que depois vimos maturando.

O projeto se encerra com o lançamento do terceiro rótulo, mas a Dogma pretende dar sequência a ele com outras ações inclusivas?
É uma relação que a gente não pretende finalizar. É um tema que vamos continuar abordando, tendo contato com essas pessoas e fazendo mudanças internamente. Temos pensado com eles em uma rede de relacionamentos para que consigam se comunicar, ligar pessoas com as empresas, em uma rede de ajuda. É um processo que espero que não acabe nisso. E devem ser cervejas que pretendemos repetir.

Até pelas restrições, a pandemia modificou bastante o consumo, que se tornou mais residencial. Acredita que isso se manterá ao fim da crise?
O consumidor passou a beber na casa dele, o que não era tão comum. Se bebia mais em bares, com os copos menores tendo saída maior. O que tenho sentido, quando começou a flexibilização, foi que o delivery veio para ficar, mas o padrão de consumo maior continuará sendo fora de casa.

Então, de fato, o que vai mudar no consumo de cervejas artesanais?
Vai obrigar as cervejarias, como a gente, o que agora é possível por ter a fábrica, a olhar para produtos mais acessíveis, se o mercado continuar dessa forma. Há alguns anos, a Rizoma reinou sozinha por 6 meses em um mercado que hoje é pequeno e que começou a se dividir. Será preciso olhar para esse consumidor. Fazíamos isso no tasty room, oferecendo cervejas mais de entrada, com Pilsen e Weiss, ainda que mais lupuladas. Teremos de olhar para produtos mais simples, que peguem o consumidor que está entrando no mercado de artesanais. Acho que todas as marcas terão de fazer isso, atingindo um mercado que é muito maior e quer consumir qualidade. E é possível fazer bons produtos. Para muita gente, vai ser uma necessidade, com o dólar alto.

A Dogma criou recentemente um grupo no Telegram para se comunicar com seus fãs e consumidores. Qual foi a ideia desta estratégia de comunicação?
A gente tinha a ideia de depender um pouco menos de redes sociais. Devemos ter mais seguidores no Instagram do que qualquer cervejaria artesanal, com mais de 100 mil. Mas queríamos um canal para falar diretamente com o consumidor. Quando houve o caso da Cafuza, nosso Instagram virou uma guerra entre gente que nem era nosso consumidor. E perdemos o nosso canal de comunicação. Acreditamos que quem está lá, quer estar no grupo.

Artigo: Qual é o rolê da cerveja verde?

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*Por Candy Nunes

As festividades do St. Patrick’s Day trazem uma alegria extra para os bebedores de cerveja: a cerveja verde!

Que o feriado irlandês é comemorado em homenagem ao santo padroeiro da Irlanda, São Patrício, nós já sabemos bem. Sabemos também que é uma festividade realizada ao redor do planeta, pois nada melhor que ter uma boa desculpa para beber cerveja e se divertir.

Mas você sabe a verdadeira história sobre a cerveja verde? Para começar, ela não foi inventada na Irlanda, mas no Bronx, bairro de Nova York. Os irlandeses têm primordialmente, como tradição, o consumo de uma cerveja de coloração preta, a clássica Irish Dry Stout.

Thomas Hayes Curtin, um médico legista irlandês-americano, revelou em 1914 a sua invenção de uma cerveja que tinha a cor do trevo em um clube social do Bronx. A família de Thomas Curtin havia migrado do condado de Carlow, na Irlanda, quando ele tinha apenas 5 anos. Sua formação se deu em Nova York, onde formou-se como médico cirurgião aos 22 anos.

No dia da festividade da grande revelação da cerveja verde no Clube Social do Bronx, uma testemunha ocular relatou: “Tudo o que era possível era verde ou decorado com essa cor e durante todo o banquete, canções irlandesas foram cantadas e cerveja verde foi servida”. Não, não era um copo verde, mas uma cerveja de verdade em um copo normal e incolor. Mas o tom âmbar havia sumido da mistura e um verde profundo estava lá.

Charles Henry Adams, colunista do The New York Times, em sua coluna “New York Day By Day”, relatou com detalhes os acontecimentos, uma semana após o evento. Inclusive, revelando o segredo por trás daquela cerveja de verde profundo. Acredite se quiser: Curtis havia utilizado uma solução de ferro usada para branquear roupas. Era um pó azul, conhecido como Wash Blue. Essa prática não foi vista com bons olhos pela comunidade, pois o pó era considerado um veneno.

Fato é que, depois de mais de um século da invenção de Curtis, a cerveja verde ganhou lugar cativo nas comemorações do St. Patrick’s Day, sendo uma atração especialíssima nos bares e pubs.

Mas a cerveja verde é segura para o consumo?
Com certeza! Hoje em dia, ela é feita com gotinhas de corante comestível, utilizado na confeitaria, por exemplo. E assim temos diferentes profusões de verde, a critério de cada cervejeiro.

Qual é o estilo da cerveja verde?
O estilo mais comum a ser transformado em verde são as American Lagers, não apenas pela neutralidade de aromas e sabores, sendo o estilo mais consumido no planeta, mas por ter um baixo custo de produção. No entanto, qualquer estilo claro de cerveja pode ter sua coloração alterada para o verde, como uma Witbier ou uma Saison. Tudo é possível, desde que o amarelo palha até o dourado intenso receba sua carga cromática comestível, criando a tão amada cerveja verde.

Por motivos óbvios, o St. Patrick’s Day de 2021 só poderá ser comemorado na segurança dos lares. Mas não é por isso que precisa ser passado em branco. Aproveite o verde, que por sinal é a cor da cura, enfeite sua casa, invente uma cartola e veja quais são as opções de entrega para que você receba sua cerveja verde. Faça sua festa com segurança, lembrando da máxima importância de manter o distanciamento social. Sláinte!


*Candy Nunes é sommelière de cervejas, mestre em estilos, técnica cervejeira e apresentadora, além de correspondente audiovisual do Guia

Balcão do Profano Graal: São Patrício e o dia da cerveja verde

Balcão do Profano Graal: São Patrício e o dia da cerveja verde

Salve, nobres!

No mês passado, falei aqui, nessa coluna, sobre o surgimento dos santos cervejeiros. E de como a associação dos milagres atribuídos a esses santos com a cerveja foi uma das formas que a Igreja Católica encontrou para facilitar a penetração do cristianismo em regiões dominadas pelas religiões celtas, sobretudo no norte da Europa. Nesta quarta-feira, comemora-se o dia de um santo muito querido pelos cervejeiros, que participou ativamente desse processo de catequização, mas que não faz parte do rol dos santos cervejeiros.

Em 17 de março, celebra-se o dia de São Patrício, padroeiro da Irlanda. Pouco se sabe sobre a sua vida. Suas datas de nascimento e morte, por exemplo, ainda são motivo de controvérsia. Teria nascido na cidade de Banwen, no Sul do País de Gales, entre os anos de 373 e 390 d.C., e morrido entre os anos de 461 e 493. Seu nome galês original também não seria Patrício, mas Maewyn Succat, e ele seria filho de um oficial do exército romano na Britânia (o Império Romano dominou a Grã-Bretanha até 410 d.C.). Aos 16 anos, teria sido capturado e vendido como escravo para a Irlanda, de onde teria escapado seis anos depois, voltando para a casa da sua família e iniciando a sua vida religiosa. Quando estava em sua terra natal, Patrício teria sonhado com crianças irlandesas que imploravam para que ele retornasse para levar a elas o Evangelho. Então, por volta do ano 432, ele volta à Irlanda em missão de catequese.

Como expliquei na coluna do mês passado, as vidas de santos, principalmente daqueles do início do cristianismo, são tão repletas de mitos que se torna difícil separar fatos e ficção. Muitas vezes, essas narrativas são criadas para aumentar a sacralidade da missão que justifica a canonização do santo.

Por ter sido o pioneiro na sua cristianização, recebeu o título de Padroeiro da Irlanda, juntamente com a nossa já conhecida Santa Brígida de Kildare. As lendas e milagres atribuídos a São Patrício não têm relação com a cerveja. A crença popular atribui a ele o desaparecimento das serpentes da Irlanda, sendo a razão de o santo aparecer, em algumas gravuras, esmagando esses animais com um cajado. Algumas evidências científicas afirmam que a Irlanda não era habitada por serpentes. As serpentes, nessa lenda, representam, na verdade, os ritos pagãos, banidos pela fé católica.

Com o objetivo de fazer uma transição mais fácil entre o paganismo e o cristianismo, evitando os conflitos com as tradições e crenças célticas, São Patrício recorreu frequentemente ao sincretismo religioso, adaptando as práticas e os símbolos pagãos às crenças cristãs. Ele teria ficado íntimo dos druidas, encarregados das tarefas de aconselhamento, de ensino e de orientações jurídicas e filosóficas dentro da sociedade celta. E, aos poucos, foi adicionando elementos da fé cristã na cultura local. Um exemplo foi o uso que ele fez do trevo de três folhas, muito presente na cultura local. Na cultura celta, já havia o conceito de trindade que, para eles, representava corpo, espírito e mente. São Patrício adaptou o significado, usando o trevo para explicar a Santíssima Trindade (Pai, Filho e Espírito Santo).

É também atribuída a São Patrício a criação da cruz celta, símbolo do sincretismo entre as tradições celtas e a fé cristã. Reza a lenda que o santo estava pregando perto de uma pedra pagã, considerada sagrada e que já estava gravada com o símbolo dos deuses do Sol e da Lua. São Patrício teria desenhado uma cruz cristã através do círculo e abençoado a pedra, criando a cruz celta irlandesa.

Originalmente, o Dia de São Patrício era uma celebração de caráter religioso, oficializada no calendário litúrgico desde o século XVII. Em 1903, tornou-se um feriado público nacional. Dessa forma, a festa deixa de estar associada exclusivamente ao santo e passa a se associar à cultura irlandesa em seus diversos aspectos. Por isso, hoje não pode faltar na Festa de São Patrício o trevo, os leprechauns (presentes no folclore irlandês desde o século VIII), a cor verde (a Irlanda é conhecida como a “Ilha Esmeralda”) e, obviamente, a cerveja. Da associação entre a cor verde e a cerveja nasce o hábito de se tingir de verde a cerveja no Dia de São Patrício.

As comemorações se tornaram cada vez mais populares, e em 1916 um grupo de voluntários se ofereceu para organizar o feriado. Naquele ano, mais de 6 mil desfiles foram realizados em toda a ilha e banquetes e danças foram organizados para o público. Com as festividades que se seguiram a 1916, encontrou-se um problema: o consumo excessivo de álcool que ocorria nessas comemorações causava danos a cidades e paisagens. Para remediar esse inconveniente, o estado irlandês decidiu proibir o comércio de álcool em todo o país. A proibição do comércio de álcool a cada 17 de março continuou até 1961.

A festa tornou-se global a partir de 1995, quando o governo irlandês iniciou uma campanha em grande escala para divulgar o St. Patrick’s Day como uma forma de impulsionar o turismo e mostrar os muitos encantos da Irlanda para o resto do mundo, tornando-se muito popular em países onde há muitos imigrantes irlandeses, como os Estados Unidos, o Canadá e a Austrália. Mas, mesmo em diversas partes do mundo onde a presença irlandesa não é tão expressiva, como no Brasil, os pubs irlandeses costumam organizar uma programação especial no mês de março.

Nesse ano, infelizmente, as comemorações de São Patrício não devem acontecer em muitos lugares devido às restrições impostas pelo combate à pandemia. Mas você pode colocar uma roupa verde, seu chapéu de leprechaun e comemorar em casa com uma boa cerveja irlandesa. E nem precisa ser verde.


Sérgio Barra é carioca, historiador, sommelier e administra o perfil Profano Graal no Instagram e no Facebook, onde debate a cerveja e a História

Cerveja tem alta de 0,41% em mês com maior inflação para fevereiro desde 2016

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O preço da cerveja no domicílio apresentou alta em fevereiro, embora tenha desacelerado na comparação a janeiro, acompanhando o ritmo do setor de alimentação e bebidas. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), a inflação da cerveja no segundo mês de 2021 foi de 0,41%.

A cerveja no domicílio acumula, assim, alta de 1,64% no começo do ano. Já os itens de alimentação e bebidas tiveram inflação de 0,27% em fevereiro. Mas, em 2021, a inflação já está em 1,30%, fortemente influenciada pela aceleração de janeiro, como destaca Pedro Kislanov, gerente da pesquisa do IBGE.

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“Essa desaceleração na passagem de janeiro para fevereiro é explicada principalmente por alguns itens que haviam subido bastante ao longo do ano passado, como o óleo de soja e o arroz. Por outro lado, as carnes tinham tido uma ligeira deflação em janeiro, com queda de 0,08%, e agora voltaram a subir”, explica Kislanov.

Apesar da desaceleração da alta dos alimentos e bebidas em fevereiro, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) foi de 0,86%, bem acima da taxa de janeiro, de 0,25%, no maior resultado para o mês de fevereiro desde 2016. O índice está em 1,11% em 2021 e em 5,20% nos últimos 12 meses.

Com alta de 7,11%, a gasolina foi, individualmente, o item que teve maior impacto no índice no mês, com participação de cerca de 42% no resultado. Já a educação (2,48%) apresentou a maior variação entre os grupos. E o maior impacto desse grupo veio dos cursos regulares (3,08%).

Entre as bebidas, a modalidade de venda foi determinante para a variação nos preços. Assim como a cerveja, outras bebidas alcoólicas tiveram inflação em fevereiro no domicílio, com a alta de 1,31%, o que deixa o índice em 3,76% no começo de 2021.

Já a cerveja fora do domicílio apresentou queda de 0,28% em fevereiro, ainda que apresente inflação de 0,38% no ano. É um cenário semelhante ao das outras bebidas alcoólicas fora do domicílio, com redução nos preços de 0,70% em fevereiro e alta de 0,18% no bimestre.