Início Site Página 23

Artigo: Consumo moderado e ciência — o que era ontem, não é mais hoje

O que era ontem, não é mais hoje. E isso é normal em ciência. A ciência não aparece como uma verdade única, estagnada. Ela é um caminho dinâmico pavimentado sobre a discussão de cada nova evidência encontrada a partir da discussão científica, um espaço sempre aberto para a opinião contrária.

No método científico, revemos as descobertas sob outro olhar do que ali está. Novas técnicas de mensuração, aparelhos mais sensíveis e modernos, outras perspectivas sobre o mesmo problema. Tudo isso enriquece a discussão, desde que esteja focada nas evidências científicas e distantes das opiniões pessoais.

Graças a este método, o ovo ganhou seus ares de bom moço na saúde, promovemos o exoplaneta K12-18b a planeta com maior probabilidade de apresentar vida fora da Terra, previmos, na década de 1970, o aquecimento global que desafia a agricultura mundial e as plantações de lúpulo. E é assim também que estão surgindo evidências robustas, como se diz no jargão científico, sobre os efeitos do consumo moderado de cerveja artesanal na saúde humana.

Desde 2011, me dedico a entender os efeitos do consumo moderado de cerveja artesanal em diferentes doenças. Neste tempo, observamos um efeito protetor antioxidante surpreendente para o fígado[i] e indícios de redução do risco de câncer[ii], entre outras novidades que em breve serão publicadas. Estes dados confirmam os resultados de artigos epidemiológicos (aqueles que analisam grandes amostras) em humanos, publicados a partir de 2011[iii],[iv], e que observaram como efeito deste consumo a diminuição no risco de doenças cardiovasculares, o câncer e a diabetes tipo 2.

Por isso, no início de 2023, fui pego de surpresa quando a Organização Mundial da Saúde (OMS) veio a público divulgar os resultados de um artigo[v] recém-publicado na época, confirmando a inexistência do consumo seguro de bebidas alcoólicas em qualquer quantidade em razão do aumento do risco de câncer. E quando a OMS fala temos que ouvir atentamente por sua inestimável importância para a saúde mundial.

Enquanto tentava encontrar erros no meu próprio trabalho, tive acesso ao artigo citado pela OMS. E me surpreendi pela segunda vez. O artigo demonstra que não existe uma correlação entre o consumo moderado de cerveja e aumento de risco de mortalidade por qualquer causa, contradizendo a afirmação inicial da OMS, mas, ao mesmo tempo, sustentando nossos achados recentes sobre possíveis efeitos benéficos deste consumo.

Literalmente os autores deste estudo dizem “There was a nonsignificantly increased risk of all-cause mortality among drinkers who drank 25 to 44 g per day…” (traduzindo, houve um risco aumentado não significativo de mortalidade por todas as causas entre os bebedores que beberam 25 a 44 g por dia). Para os leitores atentos e pesquisadores de plantão: sabemos que um “aumento não significativo” em estatística significa que esse aumento não significa um aumento real e, portanto, não existe. Não é à toa que este artigo estampa os momentos finais das minhas palestras sobre o assunto como um grand finale

Em resumo, o efeito benéfico do consumo moderado de cerveja artesanal não pode ser descartado. Muitas pesquisas ainda são necessárias para batermos o martelo, principalmente pesquisa clínicas (aquelas feitas com pessoas). Mas este artigo, o mais robusto e abrangente, reunindo 41 anos de publicações científicas sobre este assunto, se tornou mais uma evidência da vantagem de se ter como hábito não ultrapassar a barreira dos 44g de etanol por dia (que equivalem a 2 copos de 300mL diários para homens e um copo diário para mulheres de uma cerveja com 4,5% de álcool), que caracteriza o consumo moderado.

“Em resumo, o efeito benéfico do consumo moderado de cerveja artesanal não pode ser descartado. Muitas pesquisas ainda são necessárias para batermos o martelo, principalmente pesquisa clínicas”

Finalmente, precisamos de mais estudos para aprofundar o entendimento destes efeitos em humanos e ter a noção exata dos mecanismos que permitem observarmos estes efeitos. Para isso, é fundamental que as políticas públicas de financiamento de pesquisa no Brasil sejam mantidas e aumentadas, pois historicamente para qualquer setor produtivo, o aumento da economia depende diretamente do quanto se sabe sobre o que é produzido. Não é à toa que os países mais desenvolvidos são aqueles que mais investem na balbúrdia acadêmica. Então, que a gente invista sem moderação em pesquisa, mas sempre bebendo com moderação.

*Glauco Caon é autor do livro ”Saúde: uma viagem científica pelos efeitos da cerveja no corpo humano“, publicado pela Editora Krater. Formado em biologia, possui mestrado e doutorado em fisiologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), onde também é professor no programa de pós-graduação em Fisiologia.


[i] Caon et al. (2021). Moderate beer consumption promotes silymarin-like redox status without affecting the liver integrity in vivo. Food Bioscience. DOI: 10.1016/j.fbio.2021.101307.

[ii] Kindermann et al. (2024). Moderate India Pale Ale beer consumption promotes antigenotoxic and non-mutagenic effects in ex vivo and in vivo mice models. Journal of the Science of Food and Agriculture. DOI: 10.1002/jsfa.13726

[iii] Costanzo et al. (2011). Wine, beer or spirit drinking in relation to fatal and non-fatal cardiovascular events: A meta-analysis. European Journal of Epidemiology. DOI: 10.1007/s10654-011-9631-0.

[iv] Li et al. (2020). Healthy lifestyle and life expectancy free of cancer, cardiovascular disease, and type 2 diabetes: prospective cohort study. British Medical Journal. DOI: 10.1136/bmj.l6669.

[v] Zhao et al. (2023). Association between Daily Alcohol Intake and Risk of All-Cause Mortality: A Systematic Review and Meta-analyses. JAMA. DOI: 10.1001/jamanetworkopen.2023.6185.


* Este é um artigo de opinativo. As opiniões contidas nele não refletem necessariamente a opinião do Guia da Cerveja.

Brazilian International Beer Awards divulga a lista das cervejas premiadas

O Brazilian International Beer Awards (BBA) divulgou no domingo (9) a lista de cervejas premiadas. Esta foi a segunda edição do concurso, que ocorreu na cidade de Alagoinhas (BA), localizada cerca de 120 quilômetros da capital Salvador. Ao todo, foram distribuídas 327 medalhas (114 de ouro, 111 de prata e 102 de bronze) para cervejarias de 22 países diferentes. O evento reuniu 200 cervejarias de 43 países, com cerca de 1,5 mil amostras avaliadas por mais de 40 jurados internacionais de 20 nações.

Além das medalhas por estilos, o BBA também premiou as melhores cervejas por país, as cinco melhores cervejarias — definidas pela soma de pontos das medalhas conquistadas — e as melhores cervejas (Best of Show).

Duas cervejarias de Santa Catarina ficaram com os lugares mais altos do pódio. A Big Jack Cervejaria (SC) ficou com o primeiro lugar na somatória de medalhas, seguida pela Cervejaria Karsten (SC). A Cervejaria Salva (RS) ficou com a terceira colocação, com a  Cervejaria Turatti (CE) e a Cervejaria Três Santas (ES) logo após.

Dentre as cervejas premiadas, duas brasileiras ficaram no top 5 do Best of Show. Hank Bier Strong Dark, da cervejaria Hank Bier, do Paraná, ficou com a quarta colocação. Já a Minas Irish Stout, da Minas Bier Ltda., conquistou o quinto lugar.

A melhor cerveja do concurso, superando 1.467 concorrentes, foi da Áustria. Trata-se da Hofstettner Granitbock ICE, da Brauerei Hofstetten, uma Eisbock — cerveja feita por método de congelamento e retirada de água, que concentra o sabor e o álcool. Ela tem teor alcoólico de 11,5%.

O segundo lugar foi para a chinesa Sonhoshin German Style Wheat Beer, fabricada pela Beijing SonhosShin &Five Star Beer Co., de Pequim. Já a terceira colocação foi para a Colômbia, com a Hechicero Grut Beer, da ÖlBröder Cerveza Artesanal.

A lista completa cervejas premiadas pode ser acessada no site oficial.

Cervejas premiadas e parcerias

Realizado pela Sol Eventos, em parceria com a Prefeitura de Alagoinhas e a Secretaria de Turismo do Estado da Bahia (Setur-BA), e com patrocínio do Sebrae, o concurso teve momentos importantes também no que diz respeito a parcerias internacionais. Houve a assinatura de um termo de cooperação entre o BBA e o China International Beer Challenge (CBC). Outra parceria foi com a Copa Internacional La Pola Dorada, da Colômbia, que passa a integrar a Federação Internacional de Concursos Cervejeiros (IBCF).

Para o prefeito Gustavo Carmo, “o Brazilian International Beer Awards coloca Alagoinhas no mapa mundial da cerveja artesanal e solidifica a posição do município como a capital baiana da cerveja”. Gustavo analisa que o sucesso do evento “demonstra o potencial e a capacidade da cidade de sediar grandes eventos, fomentando o turismo, a cultura e movimentando a economia”.

“A assinatura do termo de cooperação com o China International Beer Challenge e a parceria com a La Pola Dorada, da Colômbia, são marcos que abrirão portas para novas oportunidades e fortalecerão ainda mais a cadeia produtiva da cerveja em nossa região”, destaca o secretário municipal de Cultura, Esporte e Turismo, João Henrique Paolilo.

Beber demais — ou nada — pode elevar risco de infecção bacteriana, indica estudo

Nem muito, nem pouco. Um estudo feito por pesquisadores da Universidade de Uppsala, na Suécia, encontrou uma relação curiosa entre o consumo de álcool e infecção bacteriana. Feito com mais de 58 mil pessoas e publicado na revista Scientific Reports — mesmo grupo editorial da revista Nature, uma das mais respeitadas publicações científicas do mundo —, ele mostra que tanto o consumo exagerado quanto o muito baixo podem ser associados a uma maior probabilidade de risco de desse tipo de doença. Enquanto o consumo moderado “não foi associado à infecção”.

Para ilustrar a questão, a pesquisa usa a descrição de uma curva em “J”, que mostra risco aumentado nos extremos. O artigo afirma também que os resultados, se replicados, sugerem que a redução do consumo de álcool pode diminuir a mortalidade por infecções bacterianas.

Os pesquisadores fizeram o estudo sobre álcool e saúde com 58.078 participantes ao longo de 23 anos. Durante este período, 23.035 foram diagnosticados com infecção e 4.030 morreram por causas associadas à infecção.

Como foi feita a pesquisa sobre infecção bacteriana

A pesquisa se propôs a investigar a associação entre o consumo de álcool e o risco de infecção bacteriana, e também quis definir qual era a dose de álcool necessária para o corpo desencadear alguma reação (dose-resposta).

Isso porque, segundo os pesquisadores, há um consenso de que o abuso de álcool é um fator que prejudica a imunidade e pode aumentar o risco de alguém desenvolver e até morrer por infecções bacterianas graves, como a sepse (infecção generalizada). Mas a análise do consumo moderado não está contemplada na maioria das pesquisas. O objetivo, então, era cobrir todos os níveis de doses e as respostas do organismo.

No início da pesquisa, em 1997, os pesquisadores pediram que os participantes respondessem a um questionário sobre estilo de vida. Desde então, eles acompanharam a saúde dessas pessoas por meio de informações de saúde disponíveis em registros nacionais. A idade mediana no início da pesquisa era de 59 anos, e 39,6% eram mulheres.

“Em comparação ao consumo de 5 a 10 g de álcool por dia, o consumo menor de 0,5 g/dia e o consumo maior de 30 g/dia foram ambos associados a um risco maior de adquirir infecção, internação em UTI e óbito por infecção, enquanto o consumo de álcool entre 5 e 30 g/dia não apresentou associação com a aquisição de infecção, internação em UTI ou óbito por infecção”, afirmam.

No artigo, os autores deixam claro que se trata de um estudo observacional e, portanto, não permite inferir causalidade. Ou seja, não é possível afirmar categoricamente que o consumo moderado diminui o risco de infecções.

O que é consumo moderado de álcool?

Não há um consenso mundial sobre o que seria o consumo moderado de álcool. A maioria das pesquisas científicas, no entanto, usa critérios muito próximo aos do Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (Cisa). Para a organização, o consumo moderado é de até duas doses padrão por dia para homens e uma dose por dia para mulheres. E totalizando no máximo 14 doses por semana para homens e sete doses por semana para mulheres.

Uma dose padrão corresponde a cerca de 14 gramas de etanol puro, que equivale a 350 ml de cerveja, 150 ml de vinho ou 45 ml de bebida destilada. No Reino Unido, a dose padrão é de 8 g, enquanto no Japão pode chegar a 20 g de álcool puro, de acordo com o Cisa. Já para a Organização Mundial da Saúde, não há nível de consumo seguro de álcool.

Fábrica bilionária da Heineken em Passos dobra aposta da empresa no mercado brasileiro

A pequena cidade de Passos, no Sul de Minas Gerais, com pouco mais de 110 mil habitantes, testemunhou um dos maiores investimentos no mercado da cerveja no Brasil dos últimos tempos: a criação da fábrica da Heineken em Passos, inaugurada com cerimônia oficial na quinta-feira (6). Trata-se de uma mega indústria de 500 milhões de litros por ano, que aumenta em 10% da capacidade instalada da empresa no país. Com esse investimento de mais de R$ 2,5 bilhões, a Heineken demonstra confiança no crescimento do setor e praticamente dobra a aposta no mercado da cerveja no Brasil — que já somava mais de 3,5 bilhões desde 2019.

“Não estamos pensando nos próximos cinco anos, estamos pensando nos próximos 50 anos. E nós estamos muito confiantes de que o Brasil representa um crescimento que justifica este grande investimento”, disse o CEO global da Heineken, Dolf Van Den Brink, durante a cerimônia de inauguração. Segundo o executivo, a empresa inaugura um empreendimento desse porte “uma ou duas vezes por década”. Há cinco anos a Heineken não lançava uma nova fábrica no mundo.

Essa é a 15ª fábrica do grupo no Brasil e representa o maior investimento já realizado pela companhia no país. É também a primeira greenfield — construída do zero —, projetada para ser moderna, sustentável e facilmente expansível, podendo triplicar de capacidade.

Ela ocupa uma área de 1 milhão de metros quadrados (m2), o equivalente a 140 campos de futebol, mas com área construída de apenas 200 mil m2. Com novos investimentos, poderia atingir 1,5 bilhões de litros, o equivalente a 10% de toda a produção nacional de cervejas de 2024, segundo o Anuário da Cerveja do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Assim, se tornaria a maior do país e uma das maiores do mundo.

O Brasil é hoje o maior mercado mundial de Heineken e Amstel, de acordo com o CEO global. Justamente as duas marcas que serão fabricadas em Passos, liberando capacidade produtiva de outras fábricas para as demais marcas do grupo. A nova planta atenderá principalmente Minas Gerais e os estados do Sudeste, incluindo uma pequena parcela do estado de Goiás.

Foco no premium e puro malte

Fábrica da Heinken em Passos deve produzir apenas as marcas Heineken e Amstel (Crédito: Fabio Rezende / Heineken)
Fábrica da Heinken em Passos deve produzir apenas as marcas Heineken e Amstel (Crédito: Fabio Rezende / Heineken)

A nova fábrica da Heineken em Passos estreia num momento em que a disputa pelo segmento de cervejas premium está acirrada. E há poucos dias, a Ambev afirmou ter tomado a dianteira das cervejas premium com mais de 50% de participação com marcas como Spaten, Corona e Original. 

Esse mercado cresceu de 4% para 20% entre 2012 e 2024, de acordo com a Nielsen. Este ano, deve chegar em 24%. 

No entanto, em entrevista ao Guia da Cerveja, Rafael Rizzi, diretor ⁠de Inovabilidade do Grupo Heineken, explicou que empresas podem ter critérios diferentes sobre o que é uma cerveja premium — categoria normalmente vincula a um preço entre 15% e 30% maior que a média da categoria Mainstream.

Também afirmou que o Grupo Heineken segue sendo líder segmento no consolidado do ano com mais de 50%, considerando todas as suas marcas e segundo os critérios da Nielsen. Além disso, só a marca Heineken, individualmente, teria mais que o dobro do segundo colocado.

Rizzi também diz que, de qualquer forma, a empresa acredita no conceito de premium consolidado, que vai além de uma régua de preço. “A gente olha a marca como um todo, com a qualidade e o posicionamento que ela entrega”, diz.

A Heineken também ocupa mais de 60% do grupo das cervejas puro malte, constituído por bebidas feitas somente com malte de cevada (sem adjuntos). Essas cervejas são a maior fatia das cervejas premium, segundo a empresa.

Sustentabilidade em destaque na Heineken em Passos

Construída do zero, a nova fábrica da Heineken em Passos aplica as melhores tecnologias e praticas socioambientais (Crédito: Fabio Rezende / Heineken)
Construída do zero, a nova fábrica da Heineken em Passos aplica as melhores tecnologias e praticas socioambientais (Crédito: Fabio Rezende / Heineken)

Com uma fábrica construída do zero, a Heineken teve a oportunidade de implantar várias tecnologias que tornam a nova planta a mais sustentável do país e uma referência em práticas socioambientais. A unidade opera com 100% de energia de fontes renováveis. Também será carbono zero desde os primeiros dias de operação. Para isso, conta com aparatos como caldeiras de biomassa para gerar calor e vapor para a produção. 

A nova fábrica também aplica sistemas de grande eficiência hídrica capazes de reduzir em até 30% o consumo de água por hectolitro de cerveja. A fábrica da Heineken em Passos possui soluções avançadas para tratamento e reuso de água, tratando todo o efluente integralmente.

Isso é importante porque o consumo de água em cervejarias pode variar muito, podendo chegar a até 15 litros de água para cada litro de cerveja. Embora ainda não haja um número oficial da nova planta, espera-se que seja inferior a 3 litros, o que a posicionaria entre as melhores do Brasil nesse quesito, explica Rizzi. “Daqui a um ano, provavelmente, com os processos mais maduros, a gente vai ter um número mais preciso”, diz. “Então, ela vai estar muito mais para um dois baixo do que dois alto”, completa.

Além disso, o grupo ampliou o sistema de abastecimento hídrico da cidade de Passos durante a construção da cervejaria, melhorando a infraestrutura de captação e aumentando a disponibilidade de água de qualidade para a população. A obra instalou uma adutora adicional por meio de uma parceria com o Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAE) da cidade e a prefeitura.

Heineken em Passos gera impacto local

A planta gera 350 empregos diretos e 11 mil indiretos (Crédito: fbfotografia12 / Heineken)
A planta gera 350 empregos diretos e 11 mil indiretos (Crédito: fbfotografia12 / Heineken)

A instalação da nova cervejaria em Passos é o maior investimento privado que região já atraiu. E se desdobra em vários impactos positivos para a cidade e a população, como aumento de arrecadação de impostos, atração de novos negócios e criação de vagas de emprego.

A fase de construção teve um pico de 2,3 mil pessoas trabalhando. A fábrica da Heineken em Passos deve empregar 350 pessoas fixas na fase de operação, com impacto de mais de 11 mil empregos indiretos. Aproximadamente 70% dos funcionários são moradores da cidade, sendo que mais de 50% dos cargos de liderança são ocupados por mulheres e 56% das vagas preenchidas por pessoas que se declaram negras.

A própria empresa qualificou parte da mão-de-obra. Além disso, foram criados programas de formação técnica, incluindo cursos de eletromecânica, com a futura implantação de uma unidade permanente do Senai-MG na cidade. A fábrica conta com 20 jovens aprendizes em seu quadro e a equipe cervejeira passou por treinamento em outras unidades fabris.

Além disso, a instalação da fábrica motivou muitas mudanças estruturais. Entre elas, estão melhorias na estrada MG-050, novas instalações elétricas e de água para a fábrica que também vão beneficiar a cidade. A empresa também implementou iniciativas com foco na gestão hídrica. O Programa Produtor de Águas — Projeto Bocaina, por exemplo, apoia propriedades rurais na proteção de nascentes e recarga hídrica. Há também acordo com a SOS Mata Atlântica para reflorestamento de espécies nativas. O projeto também inclui parceria com a cooperativa Coocares para atuar na logística reversa de resíduos sólidos.

Turismo e a Serra da Canastra

Na cerimônia de inauguração, o CEO do Grupo Heineken, Mauricio Giamellaro, também anunciou que a nova unidade vai contar com uma unidade do Inside The Star, centro de visitação cervejeira da companhia. A atração será inaugurada no último trimestre de 2026, com um investimento de mais de R$ 7 milhões. A expectativa é de receber mais de 5 mil visitantes no primeiro ano. O objetivo é impulsionar o turismo na região da Serra da Canastra, reconhecida por suas belezas naturais e produção artesanal.

O projeto Inside the Star Serra da Canastra é a terceira unidade da experiência imersiva de marca da companhia no Brasil. Ele já foi implementado nas unidades de Jacareí (SP) e Ponta Grossa (PR). A concepção do projeto valoriza a natureza e a cultura local, integrando tecnologia e hospitalidade mineira.

Recalculando a rota: sobre o fechamento da enoteca Saint VinSaint

Saudações! A ideia inicial da coluna deste mês era voltar às cervejas e harmonizações. Mas fui pego de surpresa com a triste notícia de que a Enoteca Saint VinSaint irá fechar as portas agora no final de outubro. Escrevo este texto no limite do meu prazo de entrega — prometo melhorar, grande Celso! —, e me vejo na obrigação de tergiversar.

E o que isso tem a ver com cerveja? Nada. E tudo. Pelo menos para mim. 

Para quem nunca ouviu falar da enoteca Saint VinSaint, trata-se do primeiro restaurante no Brasil a trabalhar com vinhos naturais, orgânicos e biodinâmicos. Sob a liderança de Lis Cereja, moldou a cena dos vinhos naturais do país e criou a feira Naturebas — que na humilde opinião deste escriba é disparado o melhor evento da A&B de São Paulo.

Lá bebe-se bem, come-se bem, o público é diverso, não tem rock nas alturas e tem espaço para diversos fermentados. Sim, a cerveja está lá. 

Enfim, não se fala em vinhos naturais no Brasil sem que o nome de Lis não esteja na conversa.

Ela tem um blog, onde, de forma eloquente e sincera, apontou para as razões pelas quais decidiu encerrar o ciclo da Enoteca Saint VinSaint.

Reproduzo um pequeno trecho aqui:

“Temos muito orgulho da nossa trajetória, que inspirou milhares de pessoas, deu início ao movimento do vinho natural — hoje consolidado no Brasil — e ajudou centenas de famílias que produzem de maneira justa pelo país.

A grande questão é que são poucas as pessoas que se importam realmente com isso. 

Se fosse o contrário, iniciativas sustentáveis teriam filas na porta. Mas o que vemos é exatamente o oposto.”

São poucas as pessoas que se importam com isso… Essa frase ficou ecoando na minha cabeça por um tempo. Estou a decantar essa questão. 

O texto me pegou porque, de forma análoga, é essa minha bandeira no mundo da cerveja também. Foi este um dos motivos que me fez sócio de Diego, Vinícius e Tércius na Cozalinda. E eles têm filosofia similar. 

Quando essas coisas acontecem com nossas referências, perdemos o compasso. Perdemos a bússola. E o que nos resta? Se recompor e recalcular a rota.

Neste mundo apressado, o que parece tem muito mais valor do que o que é.

Saúde! E espero estar em melhor humor na próxima!


Jayro Neto é somelelê, CFO, auxiliar administrativo e sócio da Cozalinda. É sommelier de cervejas desde 2015, campeão do Campeonato Brasileiro de Sommelier de Cervejas de 2019. Também atua como diretor financeiro da AbracervA desde 2022, juiz BJCP Certified e é co-autor do livro Guia da Sommelieria Brasileira.

Menu Degustação: Heineken renova com F1 e amplia experiências em São Paulo

A Heineken renovou por vários anos sua parceria global com a Fórmula 1, ampliando o patrocínio e garantindo naming rights em corridas estratégicas como as do Brasil, China, Reino Unido, Espanha e Estados Unidos. A marca seguirá promovendo ativações voltadas aos fãs, como a F1 Fan Zone apresentada pela Heineken 0.0, e campanhas de consumo responsável. O novo ciclo começa em 2027, mantendo o foco em experiências imersivas, como o Heineken Village, e no fortalecimento da comunidade global em torno do automobilismo.

Leia também neste Menu Degustação:

Heineken amplia experiências no Heineken Village do GP São Paulo

Durante o Grande Prêmio de São Paulo, que vai até domingo (9) em Interlagos, a Heineken volta com o Heineken Village — espaço de 30 mil m² dedicado a música, entretenimento e experiências exclusivas.

A edição 2025 também traz ativações inéditas como o Reaction Machine, o Pit Board e o Pit Wall, além da tradicional tirolesa e DJs convidados. O evento também marca o lançamento de uma garrafa de alumínio em edição especial, inspirada na energia das pistas e alinhada às metas de sustentabilidade da Heineken. Ingressos e informações estão disponíveis em f1saopaulo.com.br e eventim.com.br.

Voltar ao topo

Heineken 0.0 lança collab com marca de moda Carnan

A Heineken 0.0 apresentou sua primeira colaboração com a Carnan, marca brasileira de streetwear, em uma coleção cápsula inspirada na Fórmula 1®. As peças — bonés, camisetas e moletons — unem estética urbana e o espírito das pistas. Produzida em tiragem limitada e não comercializada, a coleção reforça o caráter aspiracional da marca. “Queremos mostrar que é possível celebrar grandes momentos com equilíbrio e autenticidade”, afirmou Bruna Rosato, gerente de marketing da Heineken 0.0.

Voltar ao topo

Estrella Galicia promove encontro com piloto Oscar Piastri

A Estrella Galicia realizou um encontro exclusivo com Oscar Piastri, piloto da McLaren, no Palácio Tangará, em São Paulo, às vésperas do GP Brasil. A ação fez parte da promoção “Encontro de Campeões”, que sorteou fãs para viver experiências completas com a marca. O evento reuniu convidados, jornalistas e influenciadores em um bate-papo com Reginaldo Leme e Felipe Giaffone, seguido por dinâmicas com o piloto australiano. A campanha segue até 15 de novembro, com novos prêmios.

Voltar ao topo

Festival da Cultura Cervejeira agita Curitiba em novembro

Curitiba recebe nos dias 15 e 16 de novembro a sétima edição do Festival da Cultura Cervejeira Artesanal (FCCA), na Praça Afonso Botelho, com entrada gratuita. O evento reúne 31 cervejarias paranaenses — entre elas Bodebrown, Bastards, Joy Project, Swamp e Buddy Brewery — somando mais de 150 torneiras de chope, além de uma área gastronômica comandada pelas próprias marcas. A programação inclui shows, aulas de skate, feira de vinil, flash tattoo e espaço pet, além de ações sustentáveis e solidárias, como o copo oficial com parte da renda revertida a projetos sociais. O festival também terá uma edição especial do Mikkeller Running Club Curitiba, que une corrida e cerveja. Mais informações em @fcca.festival no Instagram.

Voltar ao topo

Voluntários no IPA Day Brasil

O IPA Day Brasil 2025, maior festival de IPAs do mundo, aposta mais uma vez no programa de voluntariado IPA Working Experience, que transforma fãs em parte essencial da operação do evento. No dia 22 de novembro, em Ribeirão Preto (SP), 60 voluntários — a maioria jovens entre 18 e 29 anos — vão atuar em áreas como atendimento, recepção e produção, após serem selecionados entre centenas de inscritos. Criado em 2016, o programa é um dos diferenciais do festival, unindo aprendizado, pertencimento e paixão pela cerveja artesanal. Além da vivência prática, os participantes ganham certificado, camiseta, alimentação e acesso exclusivo ao Mini IPA Day dos Voluntários, evento fechado no dia seguinte. A 12ª edição do IPA Day acontece no Espaço Bella Città, com 41 rótulos de IPAs, três palcos e 14 atrações musicais. Os ingressos estão à venda na plataforma Eventiza.

Voltar ao topo

Lagunitas leva DayTime Tour aos bares do Sul e Sudeste

A Lagunitas lançou a DayTime Tour, campanha que leva sua nova Session IPA de 98 kcal a bares do Sul e Sudeste entre novembro e dezembro. Com o lema “Suave para todo rolê”, a ação inclui brindes, promoções e atividades em prol da causa animal, reforçando o tom leve e irreverente da marca. A DayTime, com 4% de teor alcoólico e 30 IBU, chega em lata, long neck e chope, ampliando o portfólio da cervejaria californiana. Acompanhe as próximas ativações no @lagunitasbeerbr.

Voltar ao topo

Amstel brinda despedida de William Bonner no JN

A Amstel homenageou William Bonner em seu último “boa noite” no Jornal Nacional, com a campanha Puro Sextou, exibida logo após o telejornal. Criada pela AlmapBBDO, a ação brinca com o meme de 2022, quando Bonner virou piada nas redes ao abrir uma “lata de água” ao vivo. No vídeo, a marca do Grupo HEINEKEN convida o jornalista a celebrar quase três décadas de carreira com um brinde. “Pensar em telejornalismo é lembrar William Bonner”, disse João Victor Guedes, diretor de marketing da Amstel. Veja o vídeo:

Voltar ao topo

Itaipava renova parceria com Ivete Sangalo até 2027

A Itaipava anunciou a renovação do contrato com Ivete Sangalo até 2027 e confirmou o patrocínio à turnê Ivete Clareou, que já passou por São Paulo (SP) e Belo Horizonte (MG). A cantora segue como embaixadora da marca, reforçando sua imagem alegre e acessível, segundo o Grupo Petrópolis. Pesquisa da Ipsos mostra que 80% dos consumidores associam Ivete à qualidade da cerveja. A turnê seguirá por capitais como Salvador, Rio e Porto Alegre, com ativações da Itaipava Premium e da linha de drinks prontos Fest Drinks.

Voltar ao topo

Zé Delivery estreia campanha de Black Friday

Durante a Black Friday, o Zé Delivery lançou a campanha “Black Friday chama Zé Delivery”, criada pela agência GUT. Os filmes mostram situações típicas de consumo — como a compra de uma TV ou churrasqueira — que viram pretexto para pedir bebidas pelo app. A marca oferece R$ 30 de desconto em pedidos acima de R$ 170 com o cupom BLACKFRIDAYZE e destaca o Modo Turbo, que entrega cervejas geladas em até 15 minutos. A campanha está no ar em TV, streaming e redes sociais. Assista:

Voltar ao topo

Munchenfest aposta em maior line-up da história

A 34ª edição da Munchenfest, Festa Nacional do Chope Escuro, promete a maior programação musical da sua história, com grandes nomes da música brasileira. O evento começa na próxima sexta (14) em Ponta Grossa (PR), no Centro de Eventos, e segue por três finais de semana. Gusttavo Lima abre o festival, seguido de Hugo & Guilherme, Jota Quest, Matuê, Daniel, Gustavo Mioto e Chitãozinho & Xororó, que encerra a festa no dia 29. Além dos shows nacionais, o público poderá curtir bandas alemãs, desfiles de blocos e as tradicionais majestades da festa. Os ingressos estão à venda na Blueticket.

Voltar ao topo

Corona celebra 100 anos com 100 pôr do sol pelo Brasil

Para marcar seu centenário, a Corona lança o projeto 100 Sunsets, uma série de cem eventos que celebram o pôr do sol com música e experiências da marca em diferentes estados. Os encontros começam neste fim de semana e se estendem até o fim do ano, com programação aberta ao público em bares e quiosques de São Paulo e do litoral paulista — como Atlântico 212, Duke Beach Hotel e Espaço Uluwatu —, além de outras regiões. O projeto reforça o estilo leve e praiano da marca, que promete um brinde coletivo ao entardecer. Mais detalhes estão disponíveis em @coronabrasil.

Voltar ao topo

Bodebrown e UFPR unem ciência e cerveja em evento gratuito

A cervejaria Bodebrown recebe neste sábado (8), das 8h às 18h, o 8º Pitch Day UFPR, evento que une inovação, ciência e cerveja artesanal em parceria com a Universidade Federal do Paraná. A programação gratuita acontece na fábrica da marca, no bairro Hauer, e apresenta mais de 60 projetos tecnológicos de estudantes, como robôs, aplicativos e veículos experimentais. Além das exposições e premiações, o público poderá curtir shows de rock, gastronomia e dez rótulos da Bodebrown no tradicional Growler Day. Haverá também café da manhã solidário, visitas guiadas à fábrica e o novo Bistrô Bodebrown. Mais informações em www.bodebrown.com.br e no Instagram @bodebrown.

Voltar ao topo

Cevada cervejeira: Ambev lança variedade 16% mais produtiva e resistente a doenças

Os mestres cervejeiros costumam dizer que a produção da cerveja começa na produção do malte na maltaria. Porém, o mais correto mesmo seria falar que o início é no campo. O cultivo de cevada para cerveja é uma etapa crucial que pode determinar muito da qualidade da bebida que vai para o seu copo. Por isso, cuidar dela é essencial.

A pesquisa e desenvolvimento de novas variedades é parte disso. No fim de outubro, a Ambev lançou uma nova variedade de cevada nacional: ABI Valente. O novo cultivar tem até 16% mais rendimento e resistência aumentada contra doenças no campo.

A Ambev homologou a novidade para suas maltarias recentemente. A apresentação do novo cultivar foi no Dia de Campo da Ambev, evento anual com parceiros agrícolas realizado no dia 28 de outubro em Muitos Capões (RS). A reportagem do Guia da Cerveja esteve lá para coferir, à convite da Ambev. 

LEIA TAMBÉM:

Para a ABI Valente nascer, foi realizado um processo científico longo e caro. Foram 12 anos de pesquisas, unindo ciência, tecnologia e conhecimento agronômico. O custo de desenvolvimento chega a aproximadamente 2 milhões de dólares, segundo o vice-presidente de Suprimentos e Sustentabilidade na Ambev, Felipe Baruque. 

Foram mais de 3 mil linhagens, que geram mais de 4 mil dados agronômicos avaliados em todos os anos de testes. Só as melhores avançam. Além disso, são conduzidas mais de 10 mil parcelas experimentais em diferentes regiões de cultivo. Ao final do ciclo, uma cultivar de elite possui mais de 250 dados de qualidade validados. E, ao longo do processo de pesquisa, são produzidas mais de 40 toneladas de sementes — quivalente a mais de 13 caminhões pequenos cheios. 

“A busca por mais produtividade e qualidade na agricultura passa, fundamentalmente, pela genética. Na cultura da cevada cervejeira, a ciência por trás da semente define não apenas o sucesso da lavoura, mas também a excelência da matéria-prima para a indústria”, afirma Adriana Favaretto, Gerente Regional (SAZ) de Pesquisa e Desenvolvimento.

Cevada para cerveja e para o agricultor

ABI Valente passou por um longo processo de desenvolvimento de 12 anos (Crédito: Divulgação / Ambev)
ABI Valente passou por um longo processo de desenvolvimento de 12 anos (Crédito: Divulgação / Ambev)

A cevada é uma gramínea que produz um cereal que foi, ao longo dos séculos, selecionado como o melhor para produção da cerveja. Isso por conta de suas propriedades únicas, como quantidade de amido, proteínas, proporção de cascas e outras. É uma planta de países frios, de climas temperados, com plantio no inverno. 

No Brasil, pesquisadores adaptaram cultivares para as condições climáticas e de solo nacionais ao longo do tempo. Mas o rendimento ainda é inferior a de países que lidam tradicionalmente com essa cultura. Na Rússia, maior produtor mundial, a média nacional chega a 4,79 toneladas por hectare (t/ha), com algumas regiões atingindo a até 7 t/ha. Enquanto em nosso país a média foi de aproximadamente 3,5 t/ha em 2024, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Daí a importância do aumento da produtividade com a ABI Valente. Além disso, como explicou Felipe Baruque ao Guia da Cerveja, a inovação tem que ser boa para a Ambev, mas também para o agricultor, que precisa ter interesse em plantar. A cevada compete com o trigo como cultura de inverno no campo. 

Outro item importe é a resistência a doenças, como a Giberela, também conhecida como Fusariose. Trata-se de uma doença provocada pelo fungo “fusarium graminearum”, que além de comprometer o rendimento produz microtoxinas. E elas causam problemas de malteação, podem gerar defeitos na cerveja e prejudicar a saúde humana e de animais.

Hoje a Ambev é a quarta maior empresa do agronegócio brasileiro, segundo ranking da revista Forbes. O programa de cultivo da companhia dá as sementes e auxilia os agricultores, do preparo do solo à colheita. No final, compra a produção quando as análises de qualidade aprovam os grãos nos critérios de uma boa cevada para cerveja. 

Autossuficiência

Produção de cevada nacional ainda está abaixo de 30% da necessidade (Crédito: Divulgação / Ambev)
Produção de cevada nacional ainda está abaixo de 30% da necessidade (Crédito: Divulgação / Ambev)

O Brasil produz hoje mais de 15 bilhões de litros de cerveja por ano, segundo o Anuário da Cerveja 2025 do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). No entanto, o país não produz nem malte e nem lúpulo suficiente para isso, resultando num saldo deficitário que precisa ser compensado com importações. E isso faz do custo da cerveja algo muito suscetível a variações cambias e do mercado externo.

Dados apresentados por Jeferson Caus, superintendente de Negócios da Cooperativa Agrária Agroindustrial, durante o painel “A Indústria da cerveja no Brasil: investimentos, tecnologias e o futuro pelo campo”, no Congresso “Do Grão ao Gole”, em setembro, dão a dimensão da necessidade.

Para dar conta da produção anual de cerveja, o Brasil precisaria de aproximadamente 2 milhões de toneladas de malte, mas só produz cerca de 1 milhão. De cevada, o país importou em 2024 aproximadamente 920 mil toneladas, o que corresponde a 77% da nossa necessidade. Ou seja, a produção nacional hoje é somente 23% do necessário.

No entanto, a produção de cevada brasileira vem crescendo. E deve bater recorde esse ano, chegando a 516,5 mil toneladas, segundo dados da Conab.

Somente a Ambev demanda 1,3 milhão de toneladas de malte por ano. As maltarias da companhia na América do Sul produzem cerca de 1 milhão. Outras 300 mil toneladas são compradas da Agrária.

Sustentabilidade

Programa de plantio de cevada da Ambev traz orientações sobre cultivo sustentável da cevada (Crédito: Luís Celso Jr. / Guia da Cerveja)
Programa de plantio de cevada da Ambev traz orientações sobre cultivo sustentável da cevada (Crédito: Luís Celso Jr. / Guia da Cerveja)

A cultura da cevada também precisa ser boa para o planeta. A companhia vem se empenhando nesse sentido. O objetivo é zerar as emissões de carbono na cadeia produtiva até 2040. Em 2021, a maltaria Passo Fundo, na cidade homônima no Rio Grade do Sul, se tornou a primeira do mundo considerada carbono neutro. 

Cerca de 89% dessas emissões estão no campo e 65% especificamente no cultivo da cevada para cerveja. A etapa mais crítica é a fertilização do solo, já que os compostos usados podem emitir óxido nitroso (N₂O), um potente gás do efeito estufa (250 a 300 vezes mais poluente que o dióxido de carbono). 

Para isso, além de variedades mais aptas aos desafios nacionais, o programa da Ambev para os agricultores conta com um time de agrônomos que indica melhores e mais sustentáveis as práticas de cultivo. O plantio direto, com mínimo revolvimento do solo, utilizando a cobertura de palha da safra anterior, é uma dessas iniciativas.

8 cervejas Stout para comemorar o International Stout Day

Toda a primeira quinta-feira de novembro é comemorado o Dia Internacional da Stout (International Stout Day). Uma ótima oportunidade para conhecer mais sobre as cervejas Stout. Trata-se de um estilo que ficou conhecido aqui no Brasil pela Guinness, mas que vai muito além dela, tendo muitas variações.

A data especial foi criada pelo jornalista americano Erin Peters em 2011 com o objetivo a dar visitabilidade ao estilo, estimulando que mais pessoas provem as suas variedades em bares ou cervejarias. Hoje a data gera experimentações pelo mundo todo e até eventos especiais dedicados a essa cerveja escura. 

O estilo Stout é caracterizado pela sua cor preta, aroma e sabor de maltes intensamente torrados. Historicamente, ele se derivou de outro estilo de cerveja escura chamado Porter, que fez grande sucesso com a classe trabalhadora na Inglaterra durante a Revolução Industrial no século 18.

A história das cervejas Stout

A Stout se tornou tecnicamente viável somente após a invenção do tambor torrador de Daniel Weeler em 1817. O engenheiro britânico se inspirou nas máquinas de torrar café para criar um dispositivo capaz de para fazer maltes intensamente torrados. A Porter, que havia perdido popularidade na época, foi então revitalizada como Stout Porter.

“Embora o termo ‘stout’ tenha surgido na Inglaterra do século 18 como forma de descrever uma versão com alto teor alcoólico e mais pronunciada de qualquer estilo de cerveja, com o tempo foi se tornando mais intimamente associado com o estilo Porter. Ao final do século 19, as Porters convencionais perderam espaço e a designação Stout Porter acabou sendo simplificada para Stout”, escreve Mirella G. Amato no verbete sobre o etilo no Guia Oxford da Cerveja, organizado por Garret Oliver.

Há hoje no Guia de Estilos da Associação dos Cervejeiros norte-americanos (Brewers Association) oito estilos de Stout. A reportagem do Guia da Cerveja selecionou um exemplar de cada um deles para você provar, apreciar e entender as diferenças.

Confira!

Guinness Draught — Irish Dry Stout

O estilo Irish Dry Stout se confunde com a própria história da Stout e da Guinness. Logo após a invenção do tambor torrador, a cervejaria irlandesa adotou o malte torrado e transformou sua Porter numa “Extra Stout Porter” que fez enorme sucesso. 

A Guinness chegou a ser a maior cervejaria do mundo, atingindo esse status em 1886. E se manteve até o começo do século 20. Em 1914, produzia 4,8 milhões de hectolitros. E assim popularizou o estilo no mundo.

Hoje, o título é da AB Inbev. Mas a marca resistiu a passagem do tempo, principalmente por um marketing muito bem elaborado que a manteve no hall da fama cervejeiro internacional até hoje.

A Guinness tem várias cervejas Stout diferentes no seu portfólio. A Guinness Draught é uma Irish Dry Stout leve. O estilo é caracterizado por um final seco, amargo e torrado, como um café de alta torra. Porém, na Guinness essa potência é suavizada, estando presente de maneira moderada. Mas, sem dúvida, é um clássico que merece ser provado e repetido.

  • Nome: Guinness Draught
  • Estilo: Irish Dry Stout
  • Cor: Preta
  • Teor alcoólico: 4,2%
  • Local de origem: Irlanda

Dum Petroleum — British Imperial Stout

Dizem que a Russian Imperial Stout, hoje grafado no guia de estilo como British Imperial Stout, teria surgido por conta de um pedido czar russo Pedro, o Grande. Ele visitou a Inglaterra no final do século 17 e teria se apaixonado por uma cerveja escura e forte, ordenando que fosse enviada para a Rússia. Para suportar bem a viagem pelo Mar Báltico, ela teria recebido mais lúpulo, conhecido por ser um conservante natural.

Essa cerveja ainda não era o estilo como conhecemos hoje, que só surgiria bem mais tarde, no século 19. Mas sim uma cerveja marrom mais alcoólica, algo parecido com uma Old Ale. Acontece que, na época, o termo “Stout” era muito usado como sinônimo de força.

Após a morte de Pedro, Catarina, a Grande, também facilitou a importação da cerveja, fazendo com que o comércio cervejeiro entre os dois países durasse por mais de cem anos. A relação entre a nobreza russa e essa cerveja foi tão forte ela recebeu o prefixo “Imperial” justamente por isso.

A DUM Petroleum, da cervejaria cigana de Curitiba (PR), foi criada enquanto os fundadores eram cervejeiros caseiros e ficou conhecida nos festivais pela sua potência e qualidade. Tem com preta e 12% de álcool, notas de maltes torrados, como cacau, chocolate e café, um toque de caramelo e ameixas secas. Na boca, traz bom equilíbrio entre dulçor e amargor, com corpo elevado e viscoso — daí vem seu nome. 

  • Nome: Dum Petroleum
  • Estilo: British / Russian Imperial Stout
  • Cor: Preta
  • Teor alcoólico: 12%
  • Local de origem: Curitiba (PR)

Alem Bier Oatmeal Stout — Oatmeal Stout

O estilo Oatmeal Stout é uma cerveja Stout que leva aveia na composição. A adição traz mais corpo, uma espuma mais vistosa e um toque de amêndoas, nota aromática típica da aveia. 

Algumas vinícolas brasileiras também apostaram no universo cervejeiro e hoje tem suas próprias marcas. É o caso da Monte Reale, de Flores da Cunha (RS), que faz as cervejas da Alem Bier. A Oatmeal Stout deles é um ótimo exemplo e já foi premiada com medalha de prata no Concurso Brasileiro de Cervejas em 2022.

  • Nome: Alem Bier Oatmeal Stout
  • Estilo: Oatmeal Stout
  • Cor: Preta
  • Teor alcoólico: 6%
  • Local de origem: Flores da Cunha (RS)

Caracu — Sweet Stout

Uma Sweet Stout é uma versão doce. Foi criada no final do século 19 com adição de lactose na hora do envase. O açúcar do leite não é fermentescível. Então, permanecia na cerveja, conferindo dulçor e corpo elevado para o líquido.

Aqui no Brasil há um exemplar muito tradicional do estilo: a cerveja Caracu. Ela nasceu em 1899 naquela que seria conhecida como Cervejaria Rio Claro, da cidade de mesmo nome, no interior de São Paulo. A fábrica se expande no início do século 20, mudando de dono com o passar dos anos. Termina por ser adquirida pela Brahma na década de 1980.

No caso da Caracu, a cerveja é feita com açúcar e depois pasteurizada, para evitar uma nova fermentação na embalagem final. Traz principalmente aromas e sabores semelhantes a caramelo, com notas de maltes torrados presentes de forma mais leve que outras variações de cervejas Stout.

  • Nome: Caracu
  • Estilo: Sweet Stout
  • Cor: Preta
  • Teor alcoólico: 5,3%
  • Local de origem: São Paulo

Dama Bier Stout — Export Stout

Medalha de ouro no Concurso Brasileiro da Cerveja de Blumenau em 2024, a Dama Bier Stout é uma Export Stout. O estilo nasceu na Irlanda no começo do século 18 realmente para exportação. Por isso, tem um perfil mais alcoólico e encorpado — não tanto quanto a Russian Imperial Stout —, um pouco mais lupulado, com notas torradas ainda mais intensas que as Dry Stouts. A versão da cervejaria de Piracicaba (SP) é um ótimo exemplar.

  • Nome: Dama Bier Stout
  • Estilo: Export Stout
  • Cor: Preta
  • Teor alcoólico: 6%
  • Local de origem: Picaricaba (SP)

Ruradélica Zebra — American Stout

Cervejeiros dos EUA criaram o estilo American Stout inspirado nas cervejas Stout britânicas, mas com acréscimo de amargor e aroma de lúpulos de origem norte-americana. Também podem ter maltes ainda mais torrados, com notas queimadas, de maneira ainda mais intensa que no estilo Export Stout.

A Ruradélica Zebra, da cervejaria Ruradélica Ales, de Porto Alegre (RS), representa bem esse estilo potente. Medalha de ouro no Concurso Brasileiro da Cerveja 2025 de Blumenau (SC), traz os aromas e sabores dos maltes torrados com a pegada dos lúpulos americanos Citra e do Simcoe.

  • Nome: Ruradélica Zebra
  • Estilo: American Stout
  • Cor: Preta
  • Teor alcoólico: 7,5%
  • Local de origem: Porto Alegre (RS)

Noi Cioccolato — American Imperial Stout

A American Imperial Stout também é uma adaptação, mas claramente inspirada no estilo British ou Russian Imperial Stout. Os aromas e sabores dos lúpulos são mais potentes, bem como o amargor é aumentado, com maior potência dos maltes torrados, que também trazem notas de torra elevadas numa base já alcoólica e encorpada.

Uma das cervejas mais premiadas do país nesse estilo é a Noi Cioccolato, da Cervejaria Noi, de Niterói (RJ). Complexa, traz a potência dos maltes torrados com um toque mais elevad de lúpulos ingleses, amargor um pouco amentado, que se equilibra pelos toques sutis de nibs de cacau, cacau em pó e baunilha. 

  • Nome: Noi Cioccolato
  • Estilo: American Imperial Stout
  • Cor: Preta
  • Teor alcoólico: 12%
  • Local de origem: Niterói (RJ)

5 Elementos e MinduBier — Salted Caramel Peanut Cake — Dessert or Pastry Stout

Cervejas Stout do estilo Dessert or Pastry Stout são versões de Russian Imperial Stout mais doces — em geral, adoçadas com lactose —, contendo ingredientes de sabor variados. A ideia aqui é simular uma sobremesa. Diferente dos demais, esse é um estilo moderno, tendo entrado para o Guia de Estilos da BA em 2023.

A Salted Caramel Peanut Cake é uma cerveja colaborativa feita pela 5 Elementos, de Fortaeza (CE) — marca que hoje pertencente à cervejaria Turatti, da mesma cidade —, com a baiana MinduBier. Além da lactose, que adoça e traz corpo ainda mais alto, tem amendoim, cacau, baunilha, caramelo e sal.

Para entender o sabor, imagine-se comendo um bolo de chocolate com amendoim, coberto por calda de caramelo salgado. É exatamente isso, mas é líquido e tem 12% de álcool.

  • Nome: Salted Caramel Peanut Cake
  • Estilo: Dessert or Pastry Stout
  • Cor: Preta
  • Teor alcoólico: 12%
  • Local de origem: Fortaleza (CE)

Marcas Mais Valiosas do Brasil: quatro cervejas estão no top 50 e somam R$ 37,6 bi

Quatro marcas de cerveja estão entre as 50 mais valiosas do Brasil, de acordo com a pesquisa “As Marcas Mais Valiosas do Brasil 2025”, ranking elaborado pela TM20 em parceria com Brazil Panels e Elos Ayta, divulgada pelo InfoMoney. Juntas, Skol, Brahma, Antarctica e Bohemia somam R$ 37,6 bilhões em valor de marca.

A Skol está entre as cinco marcas mais valiosas entre todos os segmentos, com R$ 17,19 bilhões. A Brahma está em nono lugar, com R$ 11,55 bilhões. Já a Antarctica ocupa a 17ª posição no ranking, com R$ 6,88 bilhões, e a Bohemia fica em 45º lugar, com R$ 2,01 bilhões.

Marcas mais valiosas no segmento cerveja
MarcaValor
SkolR$ 17,19 bi
BrahmaR$ 11,55 bi
AntarcticaR$ 6,88 bi
BohemiaR$ 2,01 bi
TotalR$ 37,6 bi

Como é feita a pesquisa Marcas Mais Valiosas do Brasil

A pesquisa ouviu mais de 20 mil pessoas e avaliou três dimensões: contribuição de marca, força da marca e valor financeiro. De acordo com a TM20, a análise sobre contribuição de marca leva em conta a qualidade do produto, a confiança do consumidor, a percepção sobre inovação e tecnologia, e o preço.

Para avaliar a força da marca, os pesquisadores questionam os entrevistados de maneira sequencial. Inicialmente, sobre a questionado sobre a primeira marca lembrada para determinada categoria de produtos ou serviços, sem oferecer opções. Depois, apresentadas opções.

Além disso, a pesquisa faz mais seis perguntas: quais são consideradas para compras; de qual marca o consumidor já comprou ou utiliza atualmente; onde ele deposita mais confiança; qual é a sua preferência; quais marcas recomenda e se rejeita ou evita alguma delas.

Para chegar ao valor da marca, a pesquisa avaliou os resultados financeiros da empresa e também considerou os valores de contribuição e força de marca.

Ranking geral

O resultado da pesquisa foi divulgado na segunda-feira (3) durante evento na ESPM, em São Paulo. Dois bancos ficaram com os primeiros lugares da lista. Nubank ocupa a primeira posição, com valor de marca calculado em R$ 214,76 bilhões, seguido de Itaú, com R$ 76,41 bilhões. Em seguida se posicionam a Vivo (R$ 50,09 bilhões) e a Caixa Seguridade (R$ 30,43 bilhões). O quinto lugar é da cerveja Skol.

Samuel Adams Utopias 2025 chega ao mercado dos EUA; rótulo é proibido em 15 estados

A espera acabou para os fãs das cervejas extremas. A Samuel Adams Utopias 2025 chegou ao mercado norte-americano no final de outubro. O alto teor alcoólico e a maturação em barris de madeira levaram a cerveja da americana Samuel Adams a um alto status entre os apreciadores da bebida. E a nova edição, a 14ª da série que hoje é lançada a cada dois anos, atinge uma marca histórica: 30% de álcool por volume (ABV), o maior desde seu lançamento em 2001.

Essa alta concentração faz com que a venda desta cerveja seja proibida em 15 estados americanos — o que não é um problema para a marca que, ao contrário, usa a informação como chamariz publicitário. “Não pedimos permissão”, diz um vídeo da marca que promove o rótulo.

LEIA TAMBÉM:

A Utopias é uma cerveja não carbonatada e selável, projetada para ser apreciada em pequenas doses — a sugestão é bebê-la em copos de 113 ml — e à temperatura ambiente, como um fine spirit

Cerveja Samuel Adams Utopias 2025 é uma bebida sem gás e a garrafa pode ser aberta e fechada facilmente, para permitir que seja apreciada em pequenos goles (Foto: Reprodução / Samuel Adams)
Cerveja Samuel Adams Utopias 2025 é uma bebida sem gás e a garrafa pode ser aberta e fechada facilmente. Isso permite que seja apreciada em pequenos goles (Foto: Reprodução / Samuel Adams)

Diferentemente da maioria das cervejas, ela pode ser apreciada ao longo de anos, segundo a fabricante Samuel Adams. Isso só é possível porque ela é uma cerveja de guarda, que continua a evoluir dentro da garrafa. “Suas notas ricas e complexas se aprofundam com o tempo, à medida que ela respira e amadurece. Cada gole revela novas camadas de sabor: carvalho, caramelo, frutas escuras e o calor que só vem com paciência. Então, saboreie-a lentamente. Esta não é uma cerveja para se beber às pressas. É uma cerveja para se revisitar, repetidamente, à medida que fica ainda melhor com o tempo”, diz a empresa, em seu site.

Sabor e complexidade da Utopias 2025

A cervejaria fermentou a “cerveja base” da Samuel Adams Utopias 2025 com um misto de leveduras de espumante e leveduras high gravity — chamada carinhosamente de “levedura ninja” pelos cervejeiros, pela capacidade de sobreviver e continuar fermentando em ambientes de alto teor alcoólico.

No entanto, mesmo assim não é o suficiente para atingir o teor alcoólico desejado. Então, ela passa por um processo especial que usa método de congelamento (conhecido pela produção do estilo Eisbock na tradição cervejeira alemã) para concentrar o álcool e o sabor. Assim, chega a patamares que desafiam a linha entre cerveja e destilado.

Barris da Samuel Adams (Foto: Reprodução/Samuel Adams)

Para chegar à complexidade ideal, a cerveja ainda passa por um longo processo de maturação. Os cervejeiros envelhecem a bebida em barris de madeira — alguns com até três décadas de história — já usados em outras bebidas. Neste ano, o processo teve alterações para adicionar sabores ainda mais distintos.

“A Utopias de 2025 introduz barris de uísque irlandês, Amarone e Porto Branco ao nosso processo de envelhecimento, além dos nossos tradicionais Porto Ruby, Carcavelos, conhaque e, mais recentemente, barris de uísque escocês”, afirma a cervejaria.

A experiência sensorial extrapola os sabores já conhecidos do mundo cervejeiro. “O uísque irlandês traz notas de carvalho tostado e baunilha quente; o Amarone contribui com uma rica profundidade frutada, impregnada de vinho; e o Porto branco confere uma delicada doçura melada”, afirma a cervejaria.

Este blend confere à Samuel Adams Utopias 2025 notas de caramelo, carvalho, frutas secas, defumado e sutis toques cítricos.

Proibida em 15 estados, e com garrafa “brasileira”

Detalhe da garrafa da Utopias: produzida no Brasil (Foto: Reprodução / Samuel Adams)
Detalhe da garrafa da Utopias: produzida no Brasil (Foto: Reprodução / Samuel Adams)

Devido ao seu teor alcoólico impressionante (30% ABV), a Samuel Adams não pode vender a Utopias 2025 em 15 estados dos EUA que possuem legislação limitando o teor alcoólico de cervejas. Essa restrição apenas reforça o status de bebida “extrema” e de colecionador.

Outra curiosidade que agrada o público brasileiro é que a embalagem é feita no Brasil. A icônica garrafa de cerâmica, numerada individualmente e no formato de um tradicional tina de cobre de cervejaria, é fabricada artesanalmente em Santa Catarina.

Ficha técnica: Samuel Adams Utopias 2025

  • Álcool: 30% ABV
  • Cor: 34 SRM (Marrom-claro acoberado)
  • Embalagem: 750 ml (Garrafa de cerâmica personalizada)
  • Maltes: mistura de maltes claros de duas fileiras e seis fileiras, Munique e Caramelo 60
  • Leveduras: mistura de cepas high gravity e de espumante
  • Lúpulos: Halltertau Mittelfrueh, Spalt e Tettnang alemães
  • Diferenciais: cerveja de guarda rara, não carbonatada de garrafa selável