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Sicobe vira tema de julgamento no STF; custo de religamento seria o triplo da sonegação

O Sistema de Controle de Produção de Bebidas (Sicobe) vai voltar ao debate do Supremo Tribunal Federal (STF) a partir desta sexta-feira (17). A Primeira Turma deverá analisar de forma online, até 24 de outubro, se o sistema deve voltar a operar após ser extinto em 2016. No entanto, o custo de religamento do sistema seria o triplo do potencial de arrecadação com impostos federais sonegados no setor cervejeiro, segundo estudo da LCA Consultores publicado na Folha de São Paulo na quinta-feira (16). E os impactos seriam ainda maiores se considerados os demais fatores, como os desafios tecnológicos.

Para o Sindicerv (Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja), existem alternativas mais modernas e eficazes que poderiam fortalecer a fiscalização e o controle tributário sem a necessidade de reinstalar um sistema físico nas linhas de produção. 

Em relação à adulteração das bebidas, as medidas mais efetivas seriam controlar rigorosamente a comercialização e uso do metanol, aumentar as penalidades para os crimes de falsificação, intensificar a fiscalização em pontos de venda e a eliminação de garrafas que poderiam ser usadas de forma ilegal. 

“Políticas de reciclagem e logística reversa, aliadas ao uso de tecnologias, também podem contribuir para ampliar a rastreabilidade e a transparência da cadeia produtiva”, diz Márcio Maciel, presidente-executivo do Sindicerv.

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A análise do caso ocorre em meio à crise do metanol, em que pessoas foram intoxicadas e levadas à morte devido à presença da substância em bebidas destiladas. Até quarta-feira (15), o balanço do Ministério da Saúde apontava 41 casos comprovados de intoxicação por metanol, e oito mortes confirmadas. Outros 107 casos seguiam em investigação. O estado de São Paulo concentrava 60,8% das notificações.

Impacto na indústria da cerveja

De acordo com o estudo da LCA Consultores encomendado pelo Sindicerv, somente no setor cervejeiro, o custo para religar o Sicobe seria de R$ 1,2 bilhão. E o potencial de arrecadação de tributos federais sonegados seria de apenas R$ 453 milhões.

De acordo com Maciel, o Sindicerv defende o controle efetivo da produção de bebidas, mas não vê benefícios na volta do sistema antigo. “A experiência com o Sicobe mostrou alto custo, baixa aderência tecnológica e pouca efetividade para o problema central, que é a adulteração e sonegação fora de fábrica”, disse.

Para ele, a retomada do sistema traria desafios técnicos, operacionais e econômicos. “A adaptação das linhas de produção exigiria ajustes físicos e tecnológicos complexos, especialmente em plantas com grande variedade de embalagens e processos automatizados”, avalia.

O custo exato varia de acordo com o porte e a complexidade da linha de produção de cada fábrica. Segundo Maciel, em 2016 o impacto total foi de R$ 2 bilhões no setor. Mas na época eram apenas 496 cervejarias no país. Atualmente são mais de 1,9 mil.

“A gente já paga muitos impostos, e a volta do Sicobe traria custos extras, que não conseguimos arcar”

Gilberto Tarantino, presidente da Abracerva (Associação Brasileira da Cerveja Artesanal)

Segundo Gilberto Tarantino, presidente da Abracerva (Associação Brasileira da Cerveja Artesanal), o setor é favorável ao controle tributário e está aberto para discutir com as autoridades sugestões alternativas. No entanto, a associação é contra a volta do Sicobe, devido ao impacto dos custos extras à produção. “A gente já paga muitos impostos, e a volta do Sicobe traria custos extras, que não conseguimos arcar”, diz.

“Ouvimos relatos, na época, de custos em torno de R$ 0,03 a R$ 0,05 por unidade, mas hoje, reajustando os valores, estimamos um custo de R$ 0,10 por unidade”, afirma.

Segundo Tarantino, a crise do metanol também impactou o setor cervejeiro, porque as pessoas estão saindo menos de casa. “A crise do metanol atingiu diretamente os bares, restaurantes, e alguns pontos de venda, como supermercados, mercadinhos e adegas. O mercado todo sofre. O pessoal fala que está havendo uma troca do destilado pela cerveja. Mas as pessoas estão saindo menos de casa. Então, ninguém ganha em uma situação como essa”, afirma.

O que está em debate no STF

A Primeira Turma do STF deve avaliar, agora, se a Receita Federal tinha competência para determinar a suspensão do Sicobe por meio de ato administrativo. A análise do caso é uma resposta a uma decisão do Tribunal de Contas da União (TCU) que, em 2024, avaliou que a Receita não teria esta competência, e determinou o retorno do Sicobe para reforçar a fiscalização. 

A Receita Federal recorreu, via Advocacia-Geral da União (AGU), com um mandado de segurança para suspender os efeitos da decisão do TCU. O pedido foi acatado e a decisão do TCU foi suspensa em caráter liminar pelo ministro do STF Cristiano Zanin, em abril deste ano.  

Em sua decisão, Zanin argumentou que a Receita poderia, sim, suspender a operação do Sicobe, e que a volta do sistema poderia criar um benefício tributário sem previsão orçamentária, o que violaria a Lei de Responsabilidade Fiscal. Este impacto é estimado pela AGU em cerca de R$ 1,8 bilhão em renúncia fiscal via concessão de créditos de PIS/Cofins por unidade de bebida.

Agora, a Primeira Turma do STF – composta por outros quatro ministros, além de Zanin, que a preside – decide se o TCU tem autoridade para restabelecer o sistema sem aval do Executivo.

É possível acompanhar os votos da Primeira Turma relacionados ao Mandado de Segurança (MS) 40235, relativo ao Sicobe, por meio do site do STF. Para isso, basta entrar no Portal de Sessões de Julgamento Virtuais, clicar em “Ver Processos” da Primeira Turma e procurar por MS 40235.

O que é o Sicobe

Leitor do selo Sicobe, sistema extinto em 2016(Imagem: Reprodução/YouTube/Sicpa Brasil)

O Sicobe era usado nas indústrias para quantificar a produção de cervejas, refrigerantes e águas envasadas, e previa a concessão de créditos de PIS/Cofins por unidade de bebida. O mecanismo era instalado pela Casa da Moeda, sob supervisão da Receita Federal. 

Segundo a Agência Brasil, o Sicobe foi desativado sob o argumento de que a Casa da Moeda estaria desenvolvendo um projeto para substituir o sistema, por um custo menor. A agência cita ainda que, de acordo com a Receita, foi feita uma avaliação em 2015 sobre a eficácia do sistema. Naquela época, o Ministério da Fazenda instaurou uma comissão especial que concluiu que o Sicobe era inadequado, recomendando a descontinuidade. 

Sicobe e a crise do metanol 

A crise do metanol despertou críticas à fiscalização na produção de bebidas alcoólicas e, consequentemente, trouxe à tona o debate sobre a volta do Sicobe. No entanto, de acordo com a Receita Federal, o Sicobe não poderia identificar adulterações de bebidas alcoólicas. Em nota publicada em seu site, a Receita afirma que o “controle de destilados, como vodka, gin, whisky etc. é usualmente feito pela utilização de selos, que não têm relação, nem se confunde com o Sicobe. O Sicobe controlava, preponderantemente, refrigerantes e cervejas”, diz a entidade.

Além disso, o Ministério da Fazenda também emitiu nota rechaçando a correlação entre os crimes de adulteração de bebidas e a extinção do Sicobe. Segundo a pasta, “os equipamentos e aparelhos instalados nos estabelecimentos envasadores de cervejas, refrigerantes e águas permitiam à Receita saber a quantidade de produtos fabricados pelos fabricantes”, não havendo, portanto “verificação alguma de qualidade dos produtos por meio do Sicobe, nem qualquer tipo de lacre na embalagem”. 

A Fazenda reforça que a “finalidade era exclusivamente fiscalização tributária, não da qualidade do produto ou impedir adulteração posterior”.

Outro ponto nesta discussão é que as investigações indicam que as adulterações recentes nos destilados ocorreram em fábricas clandestinas, que não estariam sujeitas à fiscalização do Sicobe.

Os problemas do Sicobe

Selo Sicobe impresso em lata de cerveja; sistema foi extinto em 2016 (Imagem: Reprodução/YouTube/Sicpa Brasil)

Segundo o advogado tributarista Marcos Moraes, operações da Receita Federal ligadas à Casa da Moeda apontavam suspeitas de fraudes no Sicobe. Além disso, na época, havia questionamentos sobre os custos com aquisição e manutenção dos equipamentos, além de debates sobre a eficiência e os limites do sistema, já que ele não inspecionava a qualidade do produto, mas sim volumes de produção. 

Outro ponto é o impacto operacional nas indústrias, o que era um entrave, com exigências técnicas difíceis de serem contornadas no dia a dia de produção.

Moraes explica que o sistema funcionava como se fosse uma grande caixa com um túnel, que ficava acoplada à linha de produção. Por ali passavam as latas ou garrafas que eram identificadas por meio de uma impressão no formato de pequenos pontos – como se fosse um QR code retangular. 

Este mecanismo tinha que ficar conectado à internet 24 horas por dia, 7 dias por semana, segundo Moraes, mesmo que a linha de produção estivesse inoperante – o que gerava custos de manutenção.

E, caso o sistema parasse de funcionar devido à queda de energia ou de internet, a Receita Federal era notificada e o produtor teria que justificar o motivo desta desativação. “Era como manter um fiscal dentro da fábrica, tendo que alimentar o sistema com informações para justificar qualquer pausa na operação”, afirma Moraes. Neste vídeo de 2016, é possível conhecer como funcionava o mecanismo do Sicobe.

Segundo o Sindicerv, o Sicobe operava como um arranjo de hardwares e tinta invisível, com câmeras/sensores e contadores em pontos da produção, operado por empresa contratada pelo governo. 

“O objetivo era identificar precisamente volumes produzidos e confrontar com a escrituração fiscal. Na prática, exigia intervenção física, paradas e manutenção; não era um “dosador eletrônico” que cobrava imposto automaticamente: o tributo sempre decorre da escrituração fiscal e das notas eletrônicas. Também não analisava a composição das bebidas; então, não era um sistema desenhado para evitar falsificações ou adulterações. Era obrigatório para bebidas frias e voluntário para bebidas destiladas”, afirma Maciel.

Agora, explica Maciel, o setor opera com autodeclaração auditável e rastros digitais oficiais – como Nota Fiscal Eletrônica (NF-e), Escrituração Fiscal Digital (EFD) ICMS/IPI, SPED, Bloco K (antigo Livro de Registro), controles de estoque/insumos, frete e saída, que são ferramentas interligadas que formam um ecossistema de rastreabilidade digital e controle fiscal em tempo real.

“Essas bases são cruzadas pelas administrações tributárias, permitindo malhas de inconsistência, auditorias dirigidas e fiscalização em campo. Para qualidade e segurança, seguimos normas sanitárias e programas internos robustos, auditados por órgãos competentes. Com essas ferramentas, a arrecadação aumentou”, diz.

Como fazer bons eventos de cerveja? Confira as dicas de especialistas

O mercado mudou. Hoje cervejarias não são mais apenas fábricas. Para melhorar o faturamento, elas são cada vez mais sendo também pontos de venda, e-commerce e produtoras de eventos. E os eventos de cerveja são ótimas oportunidades de apresentar os produtos e fidelizar consumidores por meio de um ambiente que promove a interação social e o prazer da degustação da bebida. Ou seja, uma verdadeira experiência. Por isso, eles se consolidam como ferramentas cruciais para o desenvolvimento do mercado, a educação do consumidor e a construção de comunidades, segundo especialistas.

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Importância

“A principal dica é entender que um evento cervejeiro vai muito além da bebida: ele precisa oferecer uma experiência completa. Isso inclui pensar no ambiente, na gastronomia, na música, nas ativações e até na identidade visual”, afirma Guilherme Guenther, diretor-geral do Parque Vila Germânica, onde é feita a Oktoberfest Blumenau (SC), que completa 40 anos em 2025.

Gulherme é um dos 30 especialistas que estiveram presentes na primeira edição do Oktoberfest Summit, encontro sobre a arte de organizar grandes eventos e novo braço da maior Oktoberfest da América Latina. Ele ocorreu de 13 a 15 de outubro e além de muito conhecimento, a iniciativa revelou parte dos segredos do megaevento. 

E, para que tudo ocorra no planejado, é preciso montar uma logística bem planejada, segundo Guenther. Desde a seleção dos fornecedores até a estrutura de atendimento ao público. “Também destacamos a importância de parcerias estratégicas — tanto com marcas de cerveja quanto com setores complementares, como gastronomia, turismo e cultura, fortalecendo o evento e amplia o alcance”, diz.

O mesmo vale para eventos de cerveja artesanal. Segundo Rafa Moschetta, que organiza desde 2012 o IPA Day Brasil e desde 2019 o IPA Day São Paulo, é preciso pensar no evento cervejeiro como uma ferramenta de transformação do mercado, criação de demanda e educação do consumidor.

Hoje as cervejarias não são somente fábricas e sim pontos de venda e até produtoras de eventos (Marcos Weiske / IPA Day São Paulo)
Hoje as cervejarias não são somente fábricas e sim pontos de venda e até produtoras de eventos (Marcos Weiske / IPA Day São Paulo)

“É uma ferramenta que consegue usar o entretenimento para apresentar, no caso do Festival IPA Day, por exemplo, os estilos e subestilos, formar consumidores de IPAs e educá-los sobre o valor do produto. Construímos uma comunidade. E continuamos trabalhando para também apresentar cerveja artesanal para um consumidor que não tem o hábito de consumir cerveja artesanal para fomentar a cultura do artesanal como um produto do dia a dia e não de indulgência”, afirma.

5 dicas para um bons eventos de cerveja

Foco na experiência completa

Segundo Guilherme Guenther, bons eventos de cerveja devem proporcionar uma experiência completa. O que inclui pensar no ambiente, na gastronomia, na música, nas ativações e na identidade visual.

Para Moschetta, o evento é uma oportunidade para a marca contar uma história por meio da música, da gastronomia, da estética e do conceito do projeto, amplificando seu ponto de contato com o consumidor. “Um evento bem elaborado é um instrumento potente de branding e construção de comunidade”, diz.

Trabalhe com profissionais qualificados

Rafa Moschetta destaca a importância de fechar parcerias e contratar profissionais qualificados para que o amadorismo não estrague toda a experiência dos eventos de cerveja. Ele afirma que se a organização do evento em si não é uma expertise da cervejaria que deseja promovê-lo, o ideal é contratar profissionais qualificados para organizar a estrutura e dar apoio. “Contratar agências ou especialistas torna a entrega muito mais confortável. E de nível mais alto, visto que o desafio de tocar uma cervejaria já é grande”, diz.

Para a operação de chope deste ano, a Oktoberfest de Blumenau conta com o serviço da Netbar Operações de Bar e Eventos, dos sócios Rafael Almeida e Jonathan Benkendorff. De acordo com Jonathan, a operação é complexa, envolvendo quase 1 mil pessoas para garantir que a cerveja seja servida gelada para todos. “Diferentemente de festivais com bebidas em lata ou garrafa, o chope exige uma operação robusta e mecanizada, com equipamentos especializados, como torneiras, bandejas coletoras, barris, cilindos de dióxido de carbono, etc.”, explica em entrevista ao Guia da Cerveja durante a Oktoberfest. A Netbar é responsável por 90% da entrega de chope do festival.

Planeje a logística rigorosamente

O planejamento da logística do evento deve incluir desde a seleção dos fornecedores até a estrutura de atendimento ao público. Guenther afirma que é preciso pensar em todos os passos para que detalhes não virem transtorno. Além disso, é importante firmar parcerias estratégicas com marcas de cerveja e setores complementares, como gastronomia, turismo e cultura, fortalecendo o evento. Para Moschetta, a organização exige detalhes como tempos e movimentos do fluxo com fornecedores, como entregas e estoques, além da experiência da venda e pós-venda, ressaltando a complexidade da organização em si.

Jonathan Benkendorff conta que em termos de operações e logísticas, a Oktoberfest de Blumenau é muito complexa. A Netbar opera 14 bares de chope e atende mais de 22 estabelecimentos, incluindo outras cervejarias, restaurantes, camarotes e eventos promocionais.

Para abastecer muitos dos bares, a empresa opera com tanques estacionários com capacidade de três a oito mil litros (um total de 52 mil litros de capacidade), o que facilita a logística por evitar trocas de barris de chope durante o evento. Esses tanques são abastecidos por caminhões-tanque que vem diretamente da fábrica da Ambev de Lages (RS) semanalmente, durante a noite, no contraturno do evento.

Barris também são utilizados em bares sem tanques fixos e para cervejas artesanais. Segundo Jonathan, o maior desafio é prever a presença e o consumo do público. “Diferente de uma lata de cerveja ou de uma garrafa, a gente não a gente precisa ter uma previsibilidade. Eu não consigo sair daqui ir no mercado e comprar mais cerveja. Então a gente tem essa expectativa de público, expectativa de consumo, imaginar o que vai acontecer dentro do evento”, explica.

Fique de olho na hospitalidade e segurança

Organizar um evento é uma grande responsabilidade, afirma Moschetta, porque “você está convidando o consumidor para dentro da sua casa”, diz. “A maneira como se organiza a casa, principalmente na questão da hospitalidade, constrói a percepção da marca, que pode ser boa ou ruim”, destaca. Por isso, evitar imprevistos é uma saída para a experiência ser positiva.

Guilherme Guenther reforça que o evento cervejeiro precisa garantir que o público se sinta “bem acolhido e em um ambiente confiável”. Para ele, investir em hospitalidade e atendimento de qualidade faz toda a diferença para as pessoas quererem voltar.

Use eventos de cerveja para construir marca e comunidade

O evento é uma ferramenta poderosa de relacionamento e desenvolvimento de mercado. Para Rafa Moschetta, eles auxiliam a marca a construir conceito e branding através de pilares e experiências. “Um evento é a maneira mais fácil e natural de se conectar com o consumidor, construir comunidade e fazer com que as pessoas se identifiquem genuinamente com a marca”, diz.

Guilherme Guenther afirma que investir na experiência pode ser um motor de desenvolvimento econômico e turístico. E fortalecer o setor cervejeiro como um todo, além de preservar a autenticidade e a essência da cervejaria.

O risco de fugir do controle

As principais lições da vida nem sempre vem de acertos, mas também de erros. Rafa Moschetta, que foi gerente de marketing da cervejaria Colorado, relembra a experiência de organizar um evento cervejeiro que atraiu um público maior do que o esperado.

“Fizemos um Saint Patrick’s Day que saiu do nosso controle. Em 2012 ou 2013, o Saint Patrick’s ainda não tinha o apelo atual e recebemos um público muito maior que o previsto. Era um evento gratuito e a gente não estava preparado para atender aquele público, deu muita fila e a experiência foi ruim”, conta.

Nesse caso, explica Rafa, ele exercia simultaneamente o papel de organizador do evento e gerente de marketing de uma cervejaria que era patrocina master do evento. “Como head de marketing entendi que, de alguma maneira, o evento poderia refletir negativamente na cervejaria. Então, a partir daquele momento, tive uma preocupação muito maior sempre que ofereço uma cota de patrocínio. É preciso que a experiência seja a melhor porque do mesmo jeito que a marca empresta sua credibilidade para o evento, o evento reforça e valoriza atributos ou prejudica a marca se a experiência for ruim”, explica.

“Quando você organiza o seu próprio evento, vai ser surpreendido com a quantidade, a complexidade. São detalhes de tempos e movimentos, de fornecedores, de controle de fluxo, a experiência da venda, da troca dos ingressos, ou um saque pós-venda, o atendimento pós-venda do ingresso. Então, se o pré e o pós já exigem esforços, a organização do evento em si pode ser ainda mais trabalhosa”, afirma.

Inflação da cerveja de setembro cai e produção industrial tem recuperação

Dois dos principais índices de mercado relacionados à cerveja tiveram melhoras, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Porém as boas notícias são apenas parciais. A inflação da cerveja fechou em 0,64% em setembro, contra 1% no mês de agosto — maior índice registrado nos últimos 22 meses. No entanto, ela permanece acima do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), que fechou o mês em 0,48%. Já a produção industrial de Bebidas Alcoólicas de agosto ficou em -11,8% frente ao mesmo mês do ano anterior, uma melhora em relação à julho (-15,4%).

Segundo analistas do Bradesco BBI em relatório liberado no fim de setembro, publicado no InfoMoney, o setor cervejeiro conseguiu sustentar o aumento de preços realizados no primeiro trimestre pela Ambev e em julho pela Heineken — o que deu origem a índices maiores que a inflação da cerveja medida pelo IPCA. No entanto, do lado do consumo, a leitura dos especialistas é mais pessimista, indicando uma demanda mais fraca e, logo, uma produção industrial de bebidas em queda em relação ao ano passado.

Os analistas afirmam que aparentemente o setor cervejeiro parece estar tendo uma troca direta entre preços mais altos e volumes menores consumidos. E isso levanta dúvidas sobre a capacidade dele manter o atual equilíbrio nos próximos meses.

Inflação da cerveja

A inflação da cerveja de 0,64% em setembro representa uma desaceleração em relação ao aumento de agosto, que foi de 1%, índice bastante alto, sendo o maior em quase dois anos. No acumulado do ano, de janeiro a setembro, a inflação da cerveja chega a 3,66%. Nos últimos 12 meses, o indicador está em 4,89%. 

IPCASetembro (%)Janeiro a setembro (%)Set/2024 a Set/2025 (%)
Índice geral0,483,645,17
Alimentação e bebidas-0,262,676,61
Alimentação no domicílio-0,411,665,99
Cerveja0,643,664,89
Outras bebidas alcoólicas-2,04-1,07-1,61
Alimentação fora do domicílio0,115,368,24
Cerveja0,442,654,64
Outras bebidas alcoólicas-0,035,356,18
Fonte: IBGE

Os números altos estão na contramão do próprio grupo que a bebida está inserida. Alimentação e Bebidas teve leve aceleração, mas continua deflacionário em -0,26%. O Índice vinha registrando quedas sucessivas desde abril, mas fechou o mês de agosto com baixa de -0,46%.

Os dados do IBGE apontam que a cerveja subiu menos fora de casa. No subgrupo Alimentação fora do domicílio, o índice geral ficou em 0,11%, enquanto os preços da cerveja subiram 0,44%, terceira alta consecutiva.

set/24out/24nov/24dez/24jan/25fev/25mar/25abr/25mai/25jun/25jul/25ago/25set/25
IPCA0,440,560,390,520,161,310,560,430,260,240,26-0,110,48
Alimentação e bebidas0,51,061,551,180,960,71,170,820,17-0,18-0,27-0,46-0,26
Alimentação no domicílio0,561,221,811,171,070,791,310,830,02-0,43-0,69-0,83-0,41
Cerveja0,370,980,85-0,640,49-0,290,370,480,110,360,4510,64
Alimentação fora do domicílio0,340,650,881,190,670,470,770,80,580,460,870,50,11
Cerveja0,110,890,790,24-0,091,070,170,610,11-0,170,060,420,44
Fonte: IBGE

Inflação da cerveja por cidade

Nas capitais, a inflação da cerveja ficou maior no Rio de Janeiro, com alta de 2,87%, seguida por São Luís (1,76%), Salvador (1,22%), Campo Grande (1,11%) e Belém (1,08%). Belo Horizonte e Recife tiveram baixas de -0,68% e -0,65%, respectivamente.

No subitem Alimentação fora de casa, a inflação da cerveja foi maior em Curitiba (1,68%), Porto Alegre (1,33%), São Paulo (0,94%), Rio branco (0,86%) e Brasília (0,84%).

As maiores baixas ficaram em Belo Horizonte (-1,56%), Campo Grande (-1,28%), Goiânia (-0,64%), e Rio de Janeiro (-0,21%).

Produção industrial de bebidas

A produção industrial de Bebidas Alcoólicas de agosto, mês mais recente a ser pesquisado pela PIM-PF (Pesquisa Industrial Mensal — Produção Física) do IBGE, apontou uma queda menor se comparada ao registrado em julho, mas ainda assim o percentual permanece elevado. 

O índice caiu -11,8% em relação a agosto de 2024 na série que já considera ajustes sazonais. Em julho, a queda havia sido de -15,4% sobre o mesmo mês do ano anterior. Em 2025, a queda acumulada de janeiro a agosto foi de 4,6%. Já nos últimos 12 meses, o recuo foi de 4,3%.

Na comparação com as bebidas não-alcoólicas, houve avanço de 3,1% na produção industrial de agosto em relação ao mesmo mês do ano anterior. O acumulado do ano ficou com queda de 0,9%, e nos últimos 12 meses, o recuo foi de 2,1%.

Se comparado ao mesmo mês do ano anterior, o setor industrial brasileiro teve redução de 0,7% em agosto de 2025. Houve quedas em 9 dos 18 locais pesquisados, com recuos mais acentuados no Mato Grosso (-12,8%), Maranhão (-11,4%) e Amazonas (-9,3%). O setor de bebidas, em geral, acumulou queda de 4,9% no mesmo período.

No entanto, se comparados a julho de 2025, os números de agosto representam um crescimento na produção industrial nacional de 0,8%, também na série com ajuste sazonal. Assim, 9 dos 15 locais pesquisados pelo IBGE acompanharam esse movimento positivo. As altas foram no Pará (5,4%), Bahia (4,9%) e Paraná (4,2%) tiveram os maiores avanços e Amazonas (-7,4%), Pernambuco (-3,5%) e Rio de Janeiro (-1,9%) as maiores quedas.

Drinktec mostra as principais tendências da cerveja no mundo; muitas estão no Brasil

A Drinktec 2025, edição deste ano da principal feira mundial para a indústria de bebidas e alimentos líquidos, reuniu cerca de 60 mil pessoas de 160 países entre 15 e 19 de setembro em Munique, na Alemanha. Mais de 1,1 mil expositores de 68 nações trouxeram as principais novidades em equipamentos, matérias-primas, tecnologias e inovações dos fornecedores da indústria de bebidas e da cerveja num espaço de  73 mil metros quadrados do Trade Fair Center Messe München.

E muitas tendências da cerveja aparecem por lá, acompanhando movimentos mundiais ou sendo precursoras do que pode acontecer nos próximos anos. Nesta edição, o Guia da Cerveja contou com a colaboração do presidente-executivo do Sindicerv, Márcio Maciel, que visitou a Drinktec 2025 e apontou quais são essas tendências.

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A equipe do Guia também entrevistou especialistas aqui no Brasil, que mostraram em suas análises que algumas dessas tendências da cerveja já são realidades aqui no país. E muitas delas já são aplicadas na cerveja artesanal. E isso apesar da situação singular do mercado brasileiro. “Hoje, mais do que expansão, o movimento é de reorganização: menos aberturas, mais ajustes internos e racionalização de portfólio”, enfatiza a sommelière e consultora Bia Amorim.

“O que acontece atualmente é que ‘as abóboras estão se encaixando no caminhão’. Então, você vê cervejarias encerrando, cervejarias enxugando operações e investindo principalmente em produtos mais padronizados com menos lançamentos”, lembra Carlo Bressiani é o Diretor Geral da Escola Superior de Cerveja e Malte (ESCM).

Cerveja sem álcool

Liquidrome, uma das novidades da Drinktec 2025, teve até Health Bar (Holger Rauner / YONTEX GmbH Co. KG)
Liquidrome, uma das novidades da Drinktec 2025, teve até Health Bar (Holger Rauner / YONTEX GmbH Co. KG)

Sem dúvida, um dos grandes focos da Drinktec 2025 foi a saudabilidade e, no setor cervejeiro, a cerveja zero e sem álcool. Uma das novidades desta edição foi o Liquidrome, uma área interativa de networking e debates que teve até um Health Bar. O ponto oferecia degustações de inovações focadas em saúde.

“Uma grande tendência é a cerveja zero, como deixar ela mais eficiente, mais rápida e mais barata de ser produzida”, conta Márcio. E dentro dessa área, foram apresentados equipamentos capazes de produzi-las em menos tempo e até soluções inventivas e simples, como extratos de malte prontos que podem ser misturados com água (e não tem álcool).

A cerveja sem álcool já é uma realidade bastante palpável no Brasil, tendo crescido 537% em 2024, segundo o Anuário da Cerveja do Mapa. “Mais que uma tendência global, no Brasil esse segmento já reflete um comportamento de consumo ligado a bem-estar, moderação e conveniência”, analisa Bia Amorim. “As artesanais têm entendido esse mercado com cerveja sem álcool diferentes. Não adianta trazer uma Lager sem álcool, né?”, conta Carlo Bressiani.

Saborização

Entre os flavorizantes, estão até mesmo matérias-primas, como lúpulo e maltes flavorizados (Holger Rauner / YONTEX GmbH Co. KG)

Outro movimento que chamou atenção do presidente-executivo do Sindicerv foi que muitas empresas estão oferecendo formas de saborizar as bebidas. “E aí vai desde concentrados para dar sabor até lúpulos e, principalmente, maltes modificados para flavorizarem a cerveja. Então, você vai ter cerveja com gosto de baunilha, manga, coco e muito mais. Vi muito forte o pessoal falando que isso é o próximo caminho para a cerveja”, conta.

No mercado nacional, ainda não há tantos flavorizantes assim, até porque o Brasil é muito rico em frutas e outros ingredientes que trazem sabor e são largamente utilizados. Aqui Bia Amorim vê um bom avanço do lúpulo brasileiro.”O desenvolvimento da cadeia produtiva nacional começa a gerar impacto real na formulação de futuro e no discurso de marcas, com mais cervejarias explorando terroir e frescor como diferenciais. A presença de lúpulo local tende a crescer, não só como narrativa de brasilidade, mas como estratégia para mitigar custos e volatilidade cambial”, diz.

Clean Label

Drinktec é a principal feira mundial para a indústria de bebidas e alimentos líquidos (Holger Rauner / YONTEX GmbH Co. KG)

Ainda dentro do grande grupo da saudabilidade, a tendência do Clean Label também esteve presente na Drinktec 2025. Uma bebida leva esse título quando não tem aditivos químicos, mesmo os permitidos pela legislação. São antioxidantes, estabilizantes de espuma, acidulantes e outros que facilitam processos e estendem a vida útil das bebidas, mas que, em geral, não são bem-vistos pelo consumidor.

Até pode parecer algo contraditório, diz Márcio, ter a tendência de flavorizantes junto com Clean Label, mas não é. “O pessoal quer ingredientes mais naturais. E esses saborizantes, quando possível, sempre feitos de coisas naturais também”, conta.

O conceito de Clean Label já é aplicado no Brasil há algum tempo em muitos produtos das grandes cervejarias. E é algo comum no universo da cerveja artesanal. No entanto, pouca gente utiliza o conceito como diferencial competitivo no mercado.

Isso vai de encontro com a análise de Carlo Bressiani sobre o maior cuidado com o produto, já que no cenário brasileiro há uma clara diminuição do portfólio e lançamentos das cervejarias, que tem focado mais nos produtos com maior venda e receita. “Nesses produtos, as cervejarias trabalhem muito bem a questão do da melhoria da qualidade, do controle de custo e do aumento de produtividade. Ficaram menos produtos e esses produtos estão sendo melhor estudados pelas cervejarias em vários sentidos”, diz.

Packing mais sustentável e digitalização

Embalagens mais sustentáveis foram tendência no evento (Holger Rauner / YONTEX GmbH Co. KG)

Esse aumento de eficiência, fazer mais com menos, também está presente no setor de embalagem para cerveja, conta Márcio Maciel, até por conta de ser uma prática mais sustentável — um dos grandes temas da Drinktec este ano.  “A gente viu muita coisa sobre packaging também. Embalagens sustentáveis, com eficiência energética. É produzir de maneira a não gastar tantos recursos e maior e com maior eficiência”, aponta Márcio Maciel. 

O conceito de sustentabilidade no Brasil já é bastante explorado pelas grandes cervejarias, mas um tanto incipiente para a maior parte das cervejarias artesanais. Mas trata-se de uma tendência que deve crescer nos próximos anos.

Outra tendência que deve crescer nos próximos anos pelo que a Drinktec 2025 mostrou é a digitalização dos processos de produção, muitas vezes com uso de recursos de Inteligência Artificial. Em depoimento no site oficial da Drinktec, Richard Clemens, diretor administrativo da VDMA Food Processing and Packaging Machinery Association, reforçou o sucesso do digital. “Houve um interesse particularmente forte em sistemas circulares inteligentes, bem como em tecnologias digitais e baseadas em IA”.

Para Reimar Gutte, vice-presidente senior da BU EMEA Liquid & Powder Technologies, “a Drinktec 2025 mostrou-se novamente como a plataforma onde a indústria discute suas principais prioridades: ganhos de eficiência, digitalização e soluções sustentáveis”. 

Digitalização é tendência que deve crescer nos próximos anos (Holger Rauner / YONTEX GmbH Co. KG)

Cenário nacional

Após anos de crescimento do setor cervejeiro em velocidade acelerada, o ritmo diminuiu no pós-pandemia. E isso está exigiu adaptação das empresas do setor e gerou fechamentos. Hoje a situação está se acomodando, segundo os especialistas consultados. Nesse atual cenário do Brasil, as cervejarias estão buscando ser mais eficazes, eficientes e efetivas na produção.

Com isso, é fácil de perceber que a quantidade de lançamentos de novos produtos das cervejarias artesanais caiu. E aumentou o foco nos produtos de maior giro. Inclusive nas Lagers. “Com o mercado mais racional, Lagers continuam sendo o ‘core’ de receita. A simplicidade sensorial e a alta aceitação popular fazem desses estilos um porto seguro, inclusive para rótulos especiais que buscam maior penetração. No mercado artesanal também é uma tendência, com alguma sofisticação na escolha dos lúpulos e no olhar dedicado à fermentação”, analisa Bia Amorim.

Carlo Bressiani sintetiza que o momento vivido pelas cervejarias é de menos variedade, mais controle de custo e de qualidade. “O que é positivo. Era um amadurecimento que o mercado cervejeiro artesanal precisava de qualquer forma. Mas, por outro lado, no lado da demanda, a gente tem uma certa depressão de demanda e agora tem todo um trabalho novamente de convencimento das pessoas a voltar a consumir artesanal”, analisa.

Cerveja e futebol: Turatti une paixões com rótulos exclusivos dos times Ceará e Fortaleza

Que cerveja e futebol são paixões nacionais, todo mundo já sabe. Com essa ideia na mente, e uma latinha na mão, a Cervejaria Turatti firmou parceria com os times Ceará Sporting Club e Fortaleza Esporte Clube para produzir rótulos exclusivos inspirados na identidade e tradição dos dois maiores clubes de futebol cearenses. Mas não para por aí. A empresa também está em negociação para a produção de um rótulo especial para o Ferroviário Atlético Clube.

A entrada de cervejarias artesanais nesse mercado do futebol é algo relativamente novo. No final de julho, a Cervejaria Colombina, de Aparecida de Goiânia (GO), começou a patrocinar o Goiás Esporte Clube, passando a também produzir a cerveja oficial do Clube. Em razão disso, é tão importante ver casos como esse da Cervejaria Turatti com olhar estratégico. Trata-se da maior cervejaria artesanal do Nordeste, tendo faturado muitas medalhas. Essa autoridade foi conquistada com dedicação à qualidade da bebida, aos negócios e com o olho aberto para oportunidades.

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Segundo Lissandro Turatti, sócio da marca, foi esse olhar de oportunidade que inspirou a parceria com os times de futebol. O objetivo era fortalecer o vínculo entre os times e suas torcidas, unindo a cultura futebolística cearense à produção cervejeira local. 

Assim, a Turatti assumiu a produção de rótulos que já existiam sob a gestão da Cervejaria Cinco Elementos, mas com um novo posicionamento. A ideia foi migrar de cervejas premium de alto custo — que eram mais guardadas do que consumidas —, para produtos com preço mais competitivo, visando aumentar o giro e o consumo regular. A iniciativa já se mostra promissora, com a Turatti registrando um triplo aumento no volume de vendas desses rótulos licenciados.

“É uma honra associar nossa produção aos clubes que despertam tanta paixão no Estado. O objetivo é justamente criar rótulos que expressem a história e a força de cada time,” afirmou Lissandro. 

A marca já conta com quatro cervejas do Fortaleza e três do Ceará, todas com o selo de autenticidade dos clubes, garantindo que o torcedor consuma um produto oficial e de qualidade. A distribuição inicial já alcança supermercados de destaque em Fortaleza, como Guará e Nidobox, com expansão prevista para Pinheiro, São Luiz e Portugal, além das próprias unidades da Turatti.

Confira abaixo a entrevista com Lissandro Turatti sobre a estratégia de unir cerveja e futebol, com estilo artesanal e paixão clubística, no Ceará.

Rótulos do Fortaleza Esporte Clube desenvolvidos pela Cervejaria Turatti. (Foto: Divulgação)

Como surgiu essa ideia de lançar rótulos exclusivos inspirados na identidade do Fortaleza Esporte Clube e do Ceará Sporting Club?

Essa ideia já existia, a [cervejaria] Cinco Elementos produz os rótulos do Fortaleza e do Ceará, no formato de cervejas premium, com custo mais elevado por lata. A gente observou que o torcedor comprava e deixava ela exposta na estante, não consumia. Nossa ideia era mudar o posicionamento para produtos de entrada, com preços mais competitivos, para aumentar o giro. A Cinco Elementos continua produzindo os rótulos premium e nós entramos nos demais segmentos.

A ideia foi entrar em nichos de torcidas, aproveitando a paixão por cerveja e futebol, dando identidade e pertencimento às torcidas?

A gente vê que a cerveja e o futebol sempre foram ligados, sempre tiveram uma paixão muito forte juntos. E a ideia era essa, tanto que a gente está com quatro cervejas do Fortaleza e três do Ceará, a gente conseguiu acertar no posicionamento. É um nicho de torcida. Mesmo que os clubes do estado aqui não estejam tão bem no campeonato quanto no ano passado, vemos que os produtos vem agradando, e estamos conseguindo espaço.

Como foram as negociações com os clubes?

As negociações foram tranquilas, porque já existia essa experiência deles com a Cinco Elementos. Eu acho que eles abriram um espaço legal, gostaram da ideia. Todas as latas têm o selo de autenticidade de produto para identificar que é um produto oficial. Então, demanda até um trabalho extra, porque tem que ser colado à mão. Mas é o controle de ter um produto de qualidade e um produto oficial com os clubes.

Rótulos de cerveja do Ceará Sporting Club desenvolvidos pela Cervejaria Turatti. (Foto: Divulgação)

Quais foram os principais desafios e como eles foram superados?

O principal desafio hoje é colocar o produto nas lojas do clube. E, em campo, eu acho que o maior desafio é botar um produto de nicho assim. E, se o clube está bem, as vendas vão bem, automaticamente. Você tendo, em campo, um resultado positivo, que é o que todo torcedor espera, o resultado de venda dos produtos licenciados também aumenta consideravelmente.

Já dá para mensurar algum resultado desta ação?

A gente já conseguiu triplicar o volume de vendas, o que surpreendeu. Agora está sendo bem positivo, porque a gente está tendo uma aderência nos pontos de venda e estamos com uma projeção muito boa para o final do ano. Vamos lançar agora os kits, então acho que vai ser bom para o final do ano como presente.

Os rótulos já estão à venda em supermercados específicos. Como foi essa distribuição? 

Os principais supermercados de Fortaleza já estão com as latas. A gente está agora aumentando para outros pontos, como padaria e novos pontos de mercados. Isso aí facilitou bastante a aceitação. A gente começou com poucos rótulos inicialmente, mas a aderência do próprio ponto de venda surpreendeu. E, no dia dos jogos, a ação depende do clube. O problema é que é lata, não é chopp, então tem a limitação de entrar no estádio com a própria lata.

Vocês já estão em tratativas para fazer um rótulo com o Ferroviário Atlético Clube. Em que etapa estão deste processo?

O do Ferroviário, o rótulo já está aprovado, está em fase de impressão e logo a gente vai ter esse lançamento, bem breve.

Prevenir adulterações e reduzir riscos: rastreabilidade digital na cadeia da cerveja

A circulação de bebidas adulteradas, seja por metanol ou outras fraudes, é um problema que volta a acelerar no Brasil e no mundo. Além dos impactos na saúde das pessoas, como cegueira, óbitos e internações, essas crises expõem fragilidades na cadeia: rotulagem frágil, canais paralelos sem fiscalizados, pontos cegos logísticos que facilitam a entrada de produtos ilícitos no mercado formal e informal. No Brasil, o Ministério da Saúde e agências intensificaram notificações e fiscalizações em resposta aos surtos recentes de intoxicação por metanol. (BRASIL, 2025)

Rastreabilidade não é só legalidade ou marketing, é uma ferramenta técnica que reduz o tempo de investigação quando algo dá errado. É a história que um produto conta, é o caminho percorrido pelo produto desde os fornecedores até o consumidor ou o inverso. Em casos de suspeita de contaminação, essa visibilidade pode significar a diferença entre uma crise controlada e uma tragédia de grandes proporções.

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O princípio básico da rastreabilidade é garantir que cada lote de produto, matéria-prima ou embalagem possa ser identificado e localizado em qualquer ponto da cadeia. Para isso, precisamos ter:

  • Identificação única de lotes de insumos e produtos acabados;
  • Registro de dados críticos em cada etapa (recebimento, estoque, produção, envase, armazenamento, distribuição);
  • Acesso rápido a esses registros em caso de auditoria ou investigação;
  • Integração entre os elos da cadeia — fornecedor, produtor, distribuidor e ponto de venda.

Na prática, pequenas e médias cervejarias conseguem implantar rastreabilidade usando ferramentas simples, desde que o sistema seja disciplinado e consistente. Planilhas estruturadas, etiquetas com códigos de lote e softwares de gestão (ERP, MES ou softwares de rastreabilidade de alimentos) podem atender à exigência legal e técnica.

Porém, temos um ponto crítico que é garantir que os dados sejam registrados no momento certo, de forma verificável, revisados periodicamente, e, se possível, que não possa haver alteração dos dados. De nada adianta uma planilha se o operador só lança as informações “quando der tempo” ou com os registros “viciados”, sempre os mesmos tempos, as mesmas temperaturas. Rastreabilidade eficaz depende de cultura de registro e de verificação cruzada.

Entretanto, mesmo soluções acessíveis podem evoluir com automação gradual usando QR Code para vincular cada lote a seu histórico digital, integração dos dados com equipamentos de processo através de coleta automática para evitar digitações manuais, backups automáticos em nuvem para evitar perda de dados, alertas para lotes vencidos, bloqueados ou rejeitados. Esses recursos são tecnicamente viáveis e financeiramente compatíveis com a realidade de boa parte das cervejarias brasileiras.

Apesar de ser possível realizar a rastreabilidade através de planilhas, os sistemas tradicionais podem falhar em velocidade e integridade dos dados. Empresas maiores, com múltiplos fornecedores e alto volume de distribuição, enfrentam um desafio maior. É aí que entram soluções digitais mais robustas, onde o blockchain aparece como uma alternativa para criar um registro imutável, íntegro e compartilhado entre todos os elos: maltarias e distribuidores de matérias-primas, cervejarias, distribuidoras e varejo.

Blockchain é uma tecnologia de registro digital descentralizado, que armazena informações em blocos interligados e imutáveis, garantindo que os dados não possam ser alterados ou apagados, pois são gravados e validados na rede e o bloqueio de lotes ou alertas automáticos pode ser acionado automaticamente quando algum parâmetro crítico é descumprido. Essa característica traz uma vantagem poderosa: cada transação ou etapa registrada é permanentemente validada, criando uma cadeia confiável de informações. (Ellahi et al, 2023)

Na prática, como isso funciona? Um modelo viável combina identificação única como um QR code com registro em rede blockchain dos eventos críticos como recebimento de matéria-prima, resultados de análises, processo, avaliação sensorial, envase e expedição. O histórico digital reduz drasticamente o tempo de rastreio e inibe adulterações, pois cada transação é assinada digitalmente e validada por múltiplos agentes. 

Você pode estar se perguntando se seria possível identificar contaminações químicas. A depender da etapa e dos controles de processo, não! O blockchain assegura o registro e não a veracidade das informações. Se alguém adulterar o produto antes do registro, a rede não perceberá o desvio. Por isso, a tecnologia precisa caminhar junto de controles das análises de laboratório, auditorias externas e mecanismos de validação independente. Pode haver uma integração entre os resultados de análises, laudos, sensores IoT que garantem uma maior confiabilidade.

Os recentes casos de adulteração e fábricas clandestinas, mostram que a vulnerabilidade começa muito cedo: insumos não certificados, canais informais e ausência de verificação laboratorial sistemática, falta de documentação que garanta a confiança do cliente. A rastreabilidade digital não é uma bala de prata, mas reduz de forma mensurável a janela de atuação do agente fraudador ao tornar mais rápido e transparente o cruzamento entre lotes, notas fiscais e análises. Em paralelo, a integração com sistemas de vigilância é essencial. 

Quando o fornecedor dos insumos e bebidas não é regularizado e certificado e o lote não é devidamente registrado, torna-se quase impossível identificar a origem da fraude. O resultado é um rastro invisível: vítimas, prejuízos e nenhuma responsabilização clara.

Sistemas de rastreabilidade digital, sejam simples ou avançados, reduzem drasticamente essa vulnerabilidade. Se cada lote de insumo fosse vinculado digitalmente a seu fornecedor, e cada etapa tivesse um registro auditável, seria possível identificar rapidamente onde ocorreu o desvio, conter a distribuição e acionar os órgãos responsáveis.

No caso da cadeia cervejeira, isso também se aplica a adulterações menos dramáticas, mas igualmente sérias: diluição indevida, substituição de matérias-primas, falsificação de rótulos ou uso de produtos fora de especificação.

A rastreabilidade serve também para ajustes de processo e para defesa em caso de suspeita improcedente. Algumas dicas para implementação da rastreabilidade de uma maneira mais realista:

  • Definir pontos críticos de controle;
  • Padronizar codificação de lotes;
  • Registrar em tempo real: papel, planilha ou software: o importante é registrar imediatamente e manter a rastreabilidade cruzada;
  • Digitalizar aos poucos: QR codes e aplicativos gratuitos podem substituir etiquetas manuais, evitando erros e perdas; 
  • Validar fornecedores: exigir laudos digitais assinados e certificados, fazer auditorias, contratos exigindo relatórios de desvio técnico e solução para anomalias;
  • Treinar equipes.

As dicas custam mais disciplina do que investimento e formam uma base sólida para uma futura digitalização completa. A rastreabilidade é uma ferramenta de prevenção e resposta rápida a crises. Para pequenas cervejarias, planilhas e softwares bem estruturados já são suficientes para cumprir o papel técnico e legal. À medida que o negócio cresce e se conecta a redes de distribuição mais amplas, soluções digitais mais robustas como o blockchain tornam-se um caminho natural para garantir transparência e segurança.

A integração entre boas práticas de registro, verificação laboratorial e fiscalização ativa é o que de fato protege o consumidor. A rastreabilidade começa na cultura da qualidade, que felizmente, ainda pode ser construída com caneta, planilha e responsabilidade.

Chiara Barros é proprietária do Instituto Ceres de Educação e Consultoria Cervejeira. Engenheira Química, especialista em Biotecnologia e Bioprocessos, em Gestão da Qualidade e Produtividade e em Segurança de Alimentos, além de cervejeira e sommelière de cervejas.

Referências 

Menu Degustação: Concurso vai eleger a Melhor IPA do Brasil

Estão abertas as inscrições para a 4ª edição do concurso “Melhor IPA do Brasil”, realizado pelo festival IPA Day Brasil e pela cervejaria SP-330. A competição recebe amostras até 14 de novembro e é voltada para cervejas do estilo India Pale Ale e seus subestilos, produzidas e registradas no país. A premiação ocorrerá durante o IPA Day Brasil, no dia 22 de novembro, em Ribeirão Preto (SP) — um dos maiores festivis do mundo dedicado exclusivamente às IPAs. As inscrições podem ser feitas pelo site Eventiza. A taxa de R$ 150 por rótulo.

Confira também neste Menu Degustação:

IPA Day Brasil retoma concurso para Melhor IPA do Brasil

O concurso Melhor IPA do Brasil, promovido pelo evento IPA Day Brasil, já está com inscrições abertas. Entre as novidades desta edição estão a categoria Lúpulos Brasileiros, voltada a IPAs produzidas 100% com lúpulos cultivados no país, e o prêmio especial “Melhor IPA criada por Elas”, que reconhecerá cervejarias lideradas por mulheres ou receitas assinadas por cervejeiras.

As demais categorias seguem os parâmetros da Brewers Association 2025, incluindo variações como American IPA, Double IPA, Hazy IPA e Specialty IPA. Segundo os organizadores, o objetivo é valorizar a diversidade e a qualidade das IPAs nacionais, além de acompanhar o impacto dos lúpulos brasileiros na produção artesanal.

A cerimônia de entrega será parte da programação da 12ª edição do IPA Day Brasil, que transformará Ribeirão Preto (SP) na “capital nacional das IPAs”. O festival reunirá mais de 40 rótulos exclusivos, colaborações especiais e lançamentos inéditos, além de gastronomia, experiências sensoriais e três palcos musicais.

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Ambev celebra moderação e identidade regional

Anna Paula Alves, diretora de categoria cervejeira da Ambev (Crédito: Divulgação)

A Ambev une duas datas simbólicas para destacar diferentes dimensões da cultura cervejeira brasileira: o Dia de Responsa, comemorado na sexta-feira (10), e o Dia do Nordestino, na quarta (8). A 17ª edição do evento global da companhia reforça o compromisso com o consumo responsável, promovendo ações em bares, escritórios e eventos em todo o país. As cervejas zero álcool, como Bud Zero, Brahma 0,0% e Corona Cero, serão o destaque das celebrações, reforçando o papel da cerveja como bebida da moderação. Segundo Anna Paula Alves, diretora de categoria cervejeira da Ambev, o segmento cresce em ritmo acelerado — com alta de 20% em 2024 — e reflete a busca dos consumidores por equilíbrio sem abrir mão do sabor.

Além da conscientização sobre o consumo, a cerveja também ganha protagonismo como expressão da identidade brasileira, especialmente no Nordeste, onde ingredientes locais inspiram novas criações. A mandioca, o caju e a laranja, entre outros insumos típicos, vêm sendo incorporados em receitas que valorizam a biodiversidade e as tradições da região. Para Carolina Loureiro, mestre cervejeira da Academia da Cerveja, “cada gole carrega um pedacinho dessa terra diversa e criativa que é o Nordeste”, destacando a importância de conectar saberes tradicionais à inovação cervejeira.

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Lagunitas renova visual e lança nova cerveja

Nova Identidade visual da Lagunitas IPA entrará em linha gradualmente no Brasil (Crédito: Divulgação)

A Lagunitas, marca californiana do Grupo Heineken, apresenta nova identidade visual e atualiza os rótulos de suas embalagens no Brasil. A reformulação traz mudanças sutis e modernas nas latas, long necks e cartonados, mantendo o estilo irreverente e divertido da marca. A transição começou em setembro e será feita gradualmente em todo o país. Segundo a gerente de marketing Ilana Boukai Lencastre, o movimento global busca conectar a marca aos códigos contemporâneos sem perder sua essência visual.

A atualização acompanha o lançamento da Lagunitas Daytime, uma Session IPA leve e refrescante, com 98 kcal e notas cítricas e frutadas. O novo rótulo chega em latas, long necks e chope, inicialmente nas regiões Sul e Sudeste, com lançamento oficial em outubro. O produto foi apresentado no Mondial de la Bière, no Rio de Janeiro. Com 30 IBU, ela possui apenas 4% de álcool.

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HGA realiza 5ª edição de concurso

A Hop Growers of America realiza em 20 de outubro o concurso da Melhor Cerveja Artesanal Brasileira. A competição reúne dez cervejarias de seis estados, que criaram Session IPAs elaboradas com ao menos duas variedades de lúpulo norte-americano entre as quatro possíveis — CTZ, Amarillo, El Dorado e Idaho 7. A premiação será em 21 de outubro no 3 Brasseurs, em São Paulo (SP). O objetivo é valorizar a criatividade e o uso de lúpulos dos EUA.
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Petra promove experiência cervejeira no SP Gastronomia

A Petra participa do SP Gastronomia 2025 com aula do mestre cervejeiro Álvaro Nogueira sobre produção e estilos de cerveja. O evento oferece degustações de chope e distribuição de 300 latas de Petra Puro Malte. Nos bares do festival, estarão disponíveis Black Princess, Petra Puro Malte e chope Petra. A ação reforça a valorização da gastronomia e cultura cervejeira.
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Heineken amplia capacitação e lança novas plataformas

O Grupo HEINEKEN lançou duas iniciativas de capacitação para bares, restaurantes e público em geral: a plataforma gratuita Desce+1, que conecta profissionais a estabelecimentos em todo o país, e a Universidade HEINEKEN, oferecendo cursos online e gratuitos sobre carreira, inovação e universo cervejeiro, reforçando o compromisso da empresa com a qualificação do mercado e o incentivo à educação.

O Desce+1 deve impactar mais de 5 mil profissionais e funcionar como banco de talentos para 4 mil pontos de venda, com módulos sobre gestão, primeiros socorros, consumo responsável e história da cerveja. O Desce+1 está disponível em todas as lojas de aplicativos para dispositivos Android e iOS. Já a Universidade HEINEKEN, a partir de novembro, oferecerá cursos como Beer Expert e WeLab, voltados a jovens de 18 a 29 anos, ampliando o alcance de programas que já impactaram mais de 1.200 participantes. As inscrições estão abertas no site da Universidade HEINEKEN.
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Restaurante YVÁ realiza Oktoberfest em São Paulo

O restaurante YVÁ, situado na Zona Sul de São Paulo (SP), realiza a Oktober YVÁ em 26 de outubro, das 12h às 20h, no Hotel Wyndham, também Moema. O evento oferece chope Madalena, pratos típicos alemães e música, incluindo DJ e show do Classical Queen. Ingressos custam R$ 70 com chope de boas-vindas e caneca exclusiva. Espaço kids tem ingresso de R$ 30.
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Igrejinha aquece para 36ª Oktoberfest

Oktoberfest de Ingrejinha (RS) está de braços abertos para os turistas (Crédito: Cleiton Miguel / Divulgação)

A 36ª Oktoberfest de Igrejinha (RS) começa no dia 17 de outubro e segue até o dia 26, prometendo nove dias de chope, música e tradição germânica no Parque de Eventos Almiro Grings. A festa comunitária mais tradicional do Brasil deve reunir mais de 200 mil visitantes, com 70 atrações e 120 apresentações em seis palcos. A estrutura do evento ganhou melhorias, como o novo Multipalco, ampliação do Biergarten e chopeiras automatizadas no Bierplatz. O chope oficial é Eisenbahn. O ingresso dá acesso também a atrações culturais, gastronomia típica e espaços de convivência, com medidas de acessibilidade ampliadas.

Neste sábado (11), o Bierwagen leva o clima da festa a Cachoeirinha e São Leopoldo, com distribuição de chope e interação com o público. Já na festa, quem comparecer com traje típico completo ganhará dois tickets de chope Eisenbahn (400 ml cada) ou quatro águas, reforçando a valorização da tradição. A ação é válida apenas para maiores de 18 anos com ingresso integral. Os ingressos da Oktoberfest de Igrejinha seguem à venda no site oficial, com valores a partir de R$ 34,00, dependendo do dia. Realizada por mais de três mil voluntários, a festa tem todo o lucro revertido a entidades locais, e já destinou mais de R$ 33 milhões a projetos de saúde, educação e cultura da região.

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O Aeroporto Internacional de Navegantes preparou recepção especial para visitantes da Oktoberfest de Blumenau (SC), com banda típica alemã no desembarque. Entre 1º e 31 de outubro, haverá 252 mil assentos e 1.531 operações aéreas. Gol e Azul reforçam malhas, e Latam mantém voos regulares. As origens com mais operações são Congonhas, Guarulhos, Viracopos e Galeão.
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São Conrado Bar celebra Oktoberfest

O São Conrado Bar, em Pinheiros, na Zona Oeste de São Paulo (SP), realiza duas noites especiais de chope Spaten nos dias 14 e 15 de outubro, das 17h à meia-noite. O evento inclui open de chope, petiscos e equipe com trajes bávaros. Valores: R$ 98 no dia 14 e R$ 58,90 no dia 15.
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Festival Brasileiro da Cerveja vende 500 passaportes em 12h

Festival Brasileiro da Cerveja de Blumenau (SC) vendeu 500 passaportes em 12 horas (Crédito: Divulgação)

O Festival Brasileiro da Cerveja, que vai acontecer em Blumenau (SC) entre 4 a 7 de março de 2026, vendeu mais de 500 passaportes para a área de degustação livre em menos de 12 horas em uma promoção relâmpago no final de setembro. O Evento vai contar com mais de cem cervejarias e 200 marcas de cerveja. Ingressos do primeiro lote custam R$ 599. A programação também inclui a Festa (com ingressos mais acessíveis e venda de doses, além de shows), o Concurso Brasileiro de Cervejas e Seminário Técnico.
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Inside the Star celebra um ano com cerveja e descontos

O Inside the Star, em Ponta Grossa (PR), comemora um ano em outubro com cerveja exclusiva e descontos. Tours guiados mostram processo produtivo, ingredientes e sustentabilidade. Ingressos custam a partir de R$ 25 (meia) e R$ 60 (tour harmonizado). O espaço funciona de terça a sábado, às 10h e 14h, para maiores de 18 anos.
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Griletto lança promoção com chopp Brahma em dobro

O Griletto – rede brasileira de franquias de fast-food especializada em grelhados – oferece chopp Brahma em dobro às terças e quintas, de 14 a 30 de outubro, nas mais de 150 unidades da rede. Compras de 300 ml, 500 ml ou 700 ml ganham o dobro. A ação celebra a primavera e incentiva confraternização com porções da linha “Boteco”.
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Estrella Galicia leva fãs ao clipe de Liniker e Priscila Senna

Estrella Galicia patrocinou clipe de Liniker (Crédito: Divulgação)

A Estrella Galicia participou do clipe “Pote de Ouro”, de Liniker e Priscila Senna, com inserção de marca e presença de superfãs nos bastidores. Segundo Renata Cecco, diretora de marketing da Estrella Galicia no Brasil, o projeto reforça a essência da cervejaria, que valoriza autenticidade, processos genuínos e conexão real com comunidades e artistas independentes.
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Budweiser celebra fãs como cidadãos no Tomorrowland

Pelo segundo ano consecutivo como cerveja oficial do Tomorrowland Brasil, a Budweiser anuncia ações especiais para o festival de 2025, reconhecendo o público como cidadãos da “Nation of Celebration”. Os fãs poderão se cadastrar no site da marca para retirar um passaporte exclusivo durante o evento, em quantidade limitada. No festival, a marca retoma o “Círculo dos Sonhos”, espaço interativo em frente ao palco Freedom — também assinado pela Bud — onde o público poderá registrar desejos.

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Grupos unem corrida e cerveja em prol da socialização e bem-estar 

Os movimentos de popularização das corridas de rua e a expansão da cultura cervejeira no Brasil encontraram um ponto de convergência: os eventos e as práticas esportivas que têm a apreciação da bebida como “atração” à parte. Afinal, corrida e cerveja não são opostos. Se correr já estimula a produção de endorfina e alivia o estresse, por que não socializar e turbinar o bem-estar com uma bebida gelada e bem feita?

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Quem adere à prática garante que o aparente descompasso entre o exercício físico e a ingestão de álcool pode ser driblado com o consumo consciente, beirando a degustação. Ou ainda com a substituição da cerveja tradicional por opções sem álcool. 

“Beer evangelizador”

Quando se fala em corrida e cerveja no Brasil, fala-se também de Gilberto Tarantino, o Giba. O atual presidente da Abracerva (Associação Brasileira de Cerveja Artesanal) e sócio-proprietário da Cervejaria Tarantino já foi importador. E foi o responsável por trazer ao Brasil o Mikkeller Running Club, que se declara como “um clube de cervejas com o mau hábito de correr”. 

Giba já corria desde 2000 e passou importar cervejas artesanais em 2008. Eram produtos norte-americanos, da Escócia, da Itália e a dinamarquesa Mikkeller. Os fundadores da cervejaria de Copenhague — Mikkel Borg Bjergsø e Kristian Klarup Keller, que também são corredores — criaram o clube para estimular o esporte e o consumo consciente de cerveja lá na Dinamarca. 

Em 2011, Giba importou também a ideia do clube de corrida para o Brasil, que foi gerido ao lado do personal trainner Rodrigo Kimura. “Fui o ‘beer evangelizador’ de todos os meus amigos de corrida”, conta. “Sempre tive uma visão da cerveja acompanhada de um estilo de vida saudável. [A corrida com cerveja] É mais uma curtição, uma degustação pelo lado gastronômico da experiência da cerveja com aromas e sabores diferentes”, diz.

Atualmente, o Mikkeller Running Club está ativo no Brasil somente na cidade de Curitiba (PR). No último sábado (27), o grupo promoveu uma corrida com a cervejaria Xamã. Foi feito um circuito de seis quilômetros pelas ruas do bairro Boqueirão, com voucher de cerveja (“vale um final feliz”) ao fim do trajeto. E com direito a música ao vivo.

Beer Crew, do personal trainer Rodrigo Kimura, nasceu em 2017 com o objetivo de aproximar os cervejeiros da prática esportiva (Crédito: Arquivo Pessoal / Rodrigo Kimura)
Beer Crew, do personal trainer Rodrigo Kimura, nasceu em 2017. O objetivo é aproximar os cervejeiros da prática esportiva (Crédito: Arquivo Pessoal / Rodrigo Kimura)

Legado de corrida e cerveja

Depois que a Importadora Tarantino deixou de trazer as cervejas da Mikkeler por conta do alto valor do dólar, o Mikkeller Running Club de São Paulo se desfez. Mas Rodrigo Kimura decidiu continuar e fundou o Beer Crew em 2017.

Kimura diz que vê a união da corrida e cerveja como uma forma de promover a qualidade de vida e o consumo consciente, valorizando a produção de cervejarias artesanais. O grupo já contou com cerca de 15 patrocinadores, a maioria de cervejarias artesanais nacionais. Mas já fez parcerias com marcas de fora, como Straffe Hendrik, da Bélgica, Fuller’s, da Inglaterra, e Pilsner Urquell, da República Checa.

Para Kimura, o objetivo não é “encher a cara”. Mas, sim, degustar a cerveja artesanal, valorizando a educação sobre os tipos e marcas, dando chance para as pessoas conhecerem cervejarias nacionais. “Eu quis construir esse meio-termo de trazer o pessoal da cerveja para a corrida, introduzir a qualidade de vida sem precisar encher a cara. No mundo da cerveja artesanal, a gente costuma dizer ‘beba pouco, mas beba melhor’”, diz Kimura.

Da rua ao evento fechado

Enquanto alguns grupos promovem a treinos e corridas de rua com degustação ao fim do percurso, há quem pratique em eventos fechados, com degustação de cerveja ao longo do trajeto.

Marcelo Naves, mestre cervejeiro e CEO da Cervejaria Quatro Poderes, de Brasília (DF), promove desde o ano passado seu próprio evento. A Quatro Poderes Beer Run é um circuito de corrida de seis quilômetros dentro do Parque da Cidade. 

Segundo Naves, a ideia era aproveitar a cultura de corrida de Brasília, aliada à divulgação do novo produto da marca, a cerveja Esplanada Zero Carb. No evento, os pontos de hidratação do quilômetro dois e quatro oferecem a água e também uma cervejinha gelada e sem carboidratos. “Tem corrida, tem show, tem cerveja. Virou um grande evento, todo mundo já fica na expectativa para a próxima”, diz. Na última edição, o evento contou com 1 mil participantes.

Pelo Brasil

Outro exemplo é o Circuito Cervejeiro de Corrida, que tem expandido suas etapas para diversas cidades com forte apelo cervejeiro e turístico, principalmente no estado do Rio de Janeiro e em Minas Gerais. 

Cidades como Petrópolis, Nova Friburgo, Penedo, Itaipava, Paraty (RJ) e Ouro Preto (MG) já sediaram o evento, integrando a corrida com o ambiente e o produto de cervejarias locais.

Outras iniciativas regionais têm surgido, como o Circuito Way Beer de Corrida (no Paraná). O que reforça a tendência de microcervejarias usarem a corrida como ferramenta de divulgação e engajamento comunitário. 

Alguns desses eventos oferecem aos participantes um kit que inclui camisetas, medalhas (frequentemente em formato de abridor de garrafa) e vouchers para as degustações.

Assim, a corrida e cerveja formam um nicho no calendário esportivo brasileiro, unindo a busca por um estilo de vida mais ativo com socialização, apreciação cultural e gastronômica da cerveja. E isso valoriza o produto artesanal e a alegria da confraternização — sem exageros, afinal, o público que costuma frequentar esses eventos é todo 35+.

Criminoso não estaria submetido ao Sicobe, diz presidente-executivo do Sindicerv

O combate ao mercado ilícito de bebidas é o caminho mais adequado para solucionar problemas como da adulteração de bebidas por metanol, segundo o presidente-executivo do Sindicerv, Marcio Maciel. E não aumentar a fiscalização do mercado legal. Trata-se de uma questão complexa, para o qual não há “bala de prata”. “Criminoso não está submetido ao Sicobe”, disse o dirigente durante a audiência pública realizada pelas comissões de Saúde e de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados nesta quarta-feira (8).

No encontro, membros das comissões ouviram representantes do governo e da indústria de bebidas para discutir os impactos econômicos, tributários e de saúde pública do mercado ilegal de bebidas. O debate ocorre enquanto são investigados casos de intoxicação por bebidas com metanol, que já resultaram em mortes.

Ao falar do Sicobe (Sistema de Controle de Produção de Bebidas), Maciel se referiu ao antigo sistema da Receita Federal, que funcionou entre 2008 e 2016, e vem sendo sugerido como solução simples para a adulteração de bebidas. O que, para o presidente do Sindicerv, é um equívoco. 

O primeiro ponto apontado é que o sistema trabalhava com contagem de produtos para fins fiscais, ou seja, de recolhimento de impostos, e não de rastreamento ou medição da qualidade do produto. E era focado principalmente em bebidas frias, como cerveja, refrigerantes e águas, no qual bebidas destiladas entravam de forma voluntária. Sendo assim, o Sicobe rastreava somente a produção legal, não abrangendo criminosos ou falsificações.

“O que a gente está discutindo aqui é uma discussão criminal contra uma discussão de um mercado legal que segue suas regras”, disse o presidente do Sindicerv.

Desligamento por ineficácia

Maciel também explicou que o desligamento do sistema em 2016 pela Receita federal foi devido a custos não razoáveis, baixa efetividade e denúncias de corrupção, que foram alvo da Operação Vício, da Polícia Federal, envolvendo a empresa que tinha o contrato do Sicobe.

O presidente do Sindicerv também desmente que a arrecadação tenha caído após o fim do sistema. “Isso é uma inverdade. Ela continuou crescendo, acompanhando o crescimento do setor durante os anos”, conta. “O setor de bebidas não ficou um minuto sem ser fiscalizado, tanto pela Receita quanto pelo Ministério da Agricultura, em relação aos seus produtos”, afirma.

Soluções

Para o presidente do Sindicerv, a solução é mais complexa que só um sistema de fiscalização do mercado legal. Trazendo cases de outros países que já tiveram problemas semelhantes com mercado ilegal de bebidas, Maciel sugeriu várias ações como a integração dos sistemas da Receita Federal e do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA); aumento das penas para esse tipo de crime, bem como da fiscalização; e maior fiscalização do metanol, com rastreamento de origem.

Em relação à comercialização e os pontos de venda, outras ações também poderiam ser eficazes, como o reforço da fiscalização de produtos e distribuidoras; treinamentos para diagnóstico de casos de intoxicação; forças-tarefas policiais atuando em fábricas e destilarias clandestinas; e o descarte adequado de vasilhames com incentivos de políticas públicas.

Isenção do Imposto de Renda até R$ 5 mil renderia quantas cervejas?

A Câmara dos Deputados aprovou no dia 1º a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil por mês, incluindo descontos progressivos nas faixas até R$ 7.350. Atualmente, a isenção é válida para quem ganha até dois salários mínimos — R$ 3.036 ao mês. Para entrar em vigor, o Projeto de Lei 1087/2025 precisa passar pelo Senado.

Se o PL for aprovado, o trabalhador sem dependentes que ganha R$ 5 mil poderá economizar cerca de R$ 4 mil ao ano em impostos, segundo estimativa da Unafisco Nacional (Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil).

Para dar uma dimensão dessa economia, o Guia da Cerveja calculou quantas latinhas daria para comprar com esse dinheiro a mais no bolso do trabalhador. A ideia é quantificar os valores em latas, e não incentivar o consumo irresponsável da bebida. Afinal, a recomendação é sempre a mesma: beba com moderação.

Três Skol ou Brahma por dia, ou uma Lagunitas IPA

No parâmetro “lata”, a isenção do IR até R$ 5 mil representa 1.214 latinhas de Skol ou Brahma por ano para o trabalhador que não tem dependentes. Este cálculo considera a economia de imposto de renda (estimada em R$ 4.067,57 pela Unafisco) e a média de valor cobrado pela bebida (R$ 3,35 por lata de 350 ml). Dividindo as latinhas pelos dias do ano, daria para consumir 3,32 latas por dia.

Fazendo os mesmos cálculos com Amstel, são 1.056 latinhas ao ano, ou 2,89 ao dia. Quem prefere Spaten ou Heineken poderia consumir 760 e 726 latas ao ano, respectivamente, com a economia. Isso representa cerca de duas latinhas ao dia (2,08 e 1,98, respectivamente).

O público da cerveja artesanal poderia apreciar 428 latas a mais ao ano de Lagunitas IPA (1,17 por dia) ou 254 latas de Dogma IPA — aproximadamente uma lata a cada dois dias (0,69 por dia). 

Isenção do IR “em latas” para salários de R$ 5 mil
Marcas$ médio por lataQtd. latas/ano
Brahma ou Skol3,351214
Amstel3,851056
Spaten5,35760
Heineken5,6726
Lagunitas IPA9,5428
Dogma IPA16254

Isenção do IR em latinhas

Mas, como o Guia chegou a estes valores? A reportagem usou como parâmetro os cálculos da Unafisco que mostram que, com a isenção do IR para quem tem renda de R$ 5 mil, sem dependentes, seria possível “investir” R$ 4.067,57 em latas ao ano. Como os valores das cervejas variam de acordo com o tipo e o fabricante — e tem variado ainda mais nos últimos meses por conta da inflação da cerveja —, estipulamos a média de preços de latas de 350 ml para usar como parâmetro na comparação:

  • Brahma Chopp/Pilsen ou Skol Pilsen: R$ 3,35
  • Amstel: R$ 3,85
  • Spaten (Puro Malte): R$ 5,35
  • Heineken (Puro Malte): R$ 5,60
  • Lagunitas IPA: R$ 9,50
  • Dogma IPA: R$ 16

Considerando o cálculo da Unafisco sobre a isenção do IR para trabalhador sem dependente e as faixas de renda que passariam a ter isenção total ou escalonada, a economia com o imposto seria as seguintes:

  • Salário de R$ 3.500: acréscimo de R$ 516,88 na renda ao ano
  • Salário de R$ 4.000: acréscimo de R$ 1.491,88 na renda ao ano
  • Salário de R$ 5.000: acréscimo de R$ 4.067,57 na renda ao ano
  • Salário de R$ 6.000: acréscimo de R$ 2.336,75 na renda ao ano
  • Salário de R$ 7.000: acréscimo de R$ 605,86 na renda ao ano
  • Salário a partir de R$ 7.350: sem mudanças previstas

Quando começa a isenção do Imposto de Renda?

Os debates sobre a isenção do Imposto de Renda ainda estão em tramitação no Congresso. Após a aprovação da Câmara, o Projeto de Lei 1087/2025 precisa passar pelo Senado para entrar em vigor. E ainda não há data de votação definida.

Entidades representativas argumentam que a tabela do IR está defasada, e que a correção ajuda algumas faixas de renda, mas segue penalizando outras. 

“É um avanço parcial, que traz algum grau de justiça para a base da pirâmide, mas mantém a carga desproporcional sobre a classe média. A situação mais favorável é a de quem ganha exatamente R$ 5.000, sem dependentes. Esse contribuinte, na prática, terá algo próximo a um 14º salário ao longo do ano, graças à isenção total. Já acima de R$ 7.350, não há qualquer benefício e essa é a grande limitação da proposta”, afirma o presidente da Unafisco Nacional, Mauro Silva.

“Quem ganha R$ 8.000, R$ 9.000 ou mais, por exemplo, profissionais de nível superior, supervisores, técnicos especializados, continua submetido à mesma tabela congelada desde 1996. A defasagem acumulada, que passa dos 170%, continua pesando integralmente sobre esses contribuintes”, explica Silva.