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O que a Bourbon County ensina sobre o tempo que você jura que não tem

Toda cerveja pede calma pra beber. Se a gente bebe com calma, é outra história. E não tô falando sobre teor alcoólico alto nem rótulo raro, é outro papo. Pra quem gosta de cerveja de verdade, abrir uma garrafa é quase um convite silencioso pra diminuir o ritmo, aproveitar uma boa companhia e olhar com carinho o que descansa dentro do copo. Algumas cervejas carregam mais do que bons lúpulos. Elas trazem histórias, aprendizados e boas provocações. A Bourbon County é dessas.

A Bourbon County nasceu nos anos 90, quando o cervejeiro Greg Hall, da Goose Island, colocou uma imperial stout em barris de bourbon e deixou a natureza fazer o resto. Madeira, álcool, temperatura e silêncio trabalhando por meses ali dentro, transformando o líquido em algo que nenhuma fermentação apressada conseguiria entregar.

Quando a Bourbon apareceu pela primeira vez, os especialistas nem sabiam como classificar. Não tinha categoria pra ela. Era algo realmente novo e extremamente ousado.

Ao longo dos anos, a Bourbon County virou um ritual. Até hoje ela é sinônimo de ousadia, qualidade e inovação. E também tem o hype: lançamento anual, garrafas limitadas, eventos exclusivos e concorridíssimos. Gente tentando conseguir uma garrafa mesmo sabendo que, eventualmente, não vai conseguir porque esgota. Tem quem abre na mesma noite. Tem quem guarda. Eu sou um misto dos dois.

Lançamento é sempre brinde ao novo. E brinde precisa de copo cheio pra celebrar, sentir as camadas de aroma, as notas que aparecem aos poucos e os rituais que fazem parte da experiência. Mas também gosto de guardar. Deixar algumas garrafas esperando uma data especial enquanto a cerveja segue evoluindo dentro da própria garrafa.

Evoluindo parada, sem pressa.

Em tempos de vida no ritmo do algoritmo, é quase um presente ver valor sendo criado na paciência.

De Bourbon County a Cantillon

Na Bélgica, a Cantillon também ignora a urgência pra fazer cerveja. É fermentação espontânea, barris antigos, misturas que são conduzidas por quem entende que certos sabores só vão aparecer depois de longas jornadas.

Por lá também tem os monges da Abadia de Saint-Sixtus, que produzem a Westvleteren em volumes minúsculos. E quem quiser comprar uma garrafa, não adianta correr. Tem que ligar, marcar horário e retirar suas garrafas pessoalmente. Sem pressa. Sem escala.

Exemplos assim não faltam. O que falta, talvez, é reparar melhor em como algumas das bebidas mais desejadas do planeta nascem de rotinas que caminham em outra velocidade. Bem diferente do mundo atual: lançamento toda hora, novidade toda semana. A próxima tendência surgindo antes que a anterior termine e arrastando todo mundo junto. Quem constrói marca é quem sente na pele. Parece que aprofundar alguma coisa virou perder o bonde.

A corrida empurra pra responder rápido, aparecer mais, publicar mais.

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Conexão

No meio disso tudo eu fico pensando onde vai parar a profundidade das relações se a conexão dura o tempo de um post. Com tanto estímulo e tanta pressão, sobra pouco espaço para algo criar raiz.

E raiz precisa de tempo pra crescer.

Não tem dúvida: a forma como uma construção é feita determina se ela vai ser memorável. É o caminho que cria as camadas que dão valor, peso e memória ao que fica. Na bebida, cada garrafa registra uma jornada que não termina quando o líquido acaba. Quem abre uma dessas não está só bebendo uma cerveja.

Está atravessando uma história.

Viver rápido demais rouba da gente a chance de construir coisas que realmente podem ficar. Porque aquilo que marca de verdade costuma pedir convivência, tentativa, erro, repetição.

Cervejas maturadas sabem disso.

Depois que o barril fecha, o mundo pode correr lá fora. Mas lá dentro o tempo segue outro ritmo. E quando finalmente chega a hora de abrir, o que aparece no copo é único.

Entre um gole e outro, talvez valha olhar com mais calma para o que você tá construindo.

Porque algumas coisas a gente consome rápido.
Outras a gente constrói devagar.
E só uma dessas duas fica.


Eduardo Sena é publicitário, entusiasta cervejeiro, podcaster e agitador etílico-cultural. Com mais de 20 anos de experiência como criativo, é diretor de conteúdo do Hora do Gole HUB — plataforma que conecta cerveja, cultura, equidade e criatividade. Também colabora como estrategista e criativo para outras marcas.


* Este é um texto de opinião. As ideias e informações nele contidas são de responsabilidade do articulista e não refletem necessariamente o ponto de vista do Guia da Cerveja.

Menu Degustação: Academia da Cerveja oferece 6 mil bolsas em curso para mulheres

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A Academia da Cerveja, escola de cultura cervejeira da Ambev, abriu as inscrições para a 6ª edição do programa “Cervejeira Sou Eu” com a oferta inédita de 6 mil bolsas de estudo integrais. O lançamento da iniciativa ocorre em comemoração ao Mês da Mulher e dobrou o número de vagas disponíveis em relação ao ano anterior. O projeto é voltado exclusivamente ao público feminino e busca promover o avanço profissional de mulheres no mercado de bebidas.

O conteúdo pedagógico do curso da Academia da Cerveja serve para capacitar iniciantes que desejam atuar na produção, gastronomia ou gestão de estabelecimentos. A grade curricular é composta por cinco módulos que abrangem desde o histórico da bebida e das matérias-primas até temas sociais como inclusão, maternidade e segurança no setor. O curso também aborda critérios técnicos de qualidade e diretrizes para o consumo responsável de cerveja.

As aulas serão ministradas integralmente por um time de sommelières e cervejeiras especialistas da Academia da Cerveja no formato online e gratuito. As interessadas devem realizar o cadastro até 22 de março por meio da plataforma Sympla. As atividades ocorrem entre 23 e 27 de março e garantem certificado de conclusão para auxiliar na inserção profissional das participantes.

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Cervejaria Dádiva debate presença feminina no setor

A sócia-fundadora da cervejaria Dádiva, Luiza Lugli Tolosa, promove o projeto Criado por Elas para fortalecer o empreendedorismo feminino. O grupo realiza festa na sexta-feira (28) , das 16h às 22h, na Ruera, em Barão Geraldo (Campinas), com cinco cervejarias convidadas, nove taps, feira de artesanato com empreendedoras, além de banda formada por mulheres e DJ. No sábado (29), das 10h30 às 12h30, a rede promove o evento “Um livro e Uma cerveja – Bate-papo com Daniela Arrais”, na Casa Cosmos, na Vila Madalena (São Paulo), com vagas limitadas e um kit especial com um exemplar do livro.

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Jovens impulsionam mercado de bebidas sem álcool

O mercado global de bebidas com baixo teor de álcool registrou alta de 6% em valor em 2024. A consultoria IWSR projeta que a categoria deve expandir 36% até 2029, impulsionada pelo engajamento de consumidores mais jovens. No Brasil, a proporção de cidadãos que consomem álcool recuou de 47,7% para 42,5% em onze anos, segundo o Ministério da Justiça e Segurança Pública.

O vice-presidente da Confederação Nacional de Jovens Empresários (Conaje), Willyan Francescon, afirma que a mudança reflete a busca por saúde e bem-estar. Segundo o dirigente, o álcool passou a competir diretamente com metas de emagrecimento e rotinas de treinos. Francescon destaca que esses produtos ganharam padrão de qualidade e ocupam novas ocasiões de consumo, como o almoço e o lazer diurno.

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Tank Brewpub oferece bebidas para o Dia de São Patrício

O bar Tank Brewpub apresenta bebidas especiais para celebrar o Dia de São Patrício em março. O cardápio inclui o drinque Irish Bomb, composto por Stout, Baileys e uísque, por R$ 45. Outra opção é a Nitro Stout servida com nitrogênio para conferir textura aveludada. A casa em Pinheiros, São Paulo (SP), produz 8 mil litros de cerveja mensalmente.

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Skol lança campanha para feriados de 2026

A Skol anunciou a estratégia promocional para os 14 feriados previstos no calendário de 2026. Com o conceito de transformar datas festivas em dia útil para diversão, a ação utiliza termos corporativos sob a ótica do lazer. O projeto publicitário tem assinatura da agência GUT. O diretor de marketing Felipe Cerchiari coordena a iniciativa.

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Corona lança campanha global para assegurar o corte ideal no ritual do limão

A cervejaria Corona iniciou a iniciativa “Lime Guides” para padronizar o corte de limões usados nas garrafas da marca. A tecnologia a laser grava guias na casca da fruta para garantir o ajuste exato no gargalo da garrafa. Mais de 25 mil “Lime Guides” ficarão disponíveis em mais de 30 pontos de venda em três continentes (América, África e Ásia). No Brasil, os limões tatuados poderão ser encontrados em Curitiba, nos supermercados Carrefour e Muffato, no bairro Portão. Confira o vídeo da campanha no Youtube.

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Heineken promove tours de Páscoa em fábricas

O Grupo Heineken realiza tours com harmonização de cervejas e alimentos para celebrar a Páscoa em março de 2025. As sessões ocorrem no espaço Inside The Star nas unidades de Jacareí (SP) e Ponta Grossa (PR). A experiência custa 80 reais por pessoa. O roteiro inclui visita interativa aos bastidores da produção industrial. A venda de ingressos é online pela plataforma Sympla.

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Brewteco amplia rede e produção no Rio

O empresário Rafael Farrá registrou aumento na produção do Brewteco no primeiro semestre de 2025. A rede fluminense produziu mais de 95 mil litros de cerveja artesanal no período. Em 2026, a média mensal de fabricação atingiu 30 mil litros. O grupo mantém 182 torneiras de chope em unidades como Leblon e Lapa.

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Bodebrown realiza Beer Train nos trilhos paulistas

A cervejaria curitibana Bodebrown promove o evento Beer Train no interior de São Paulo no dia 23 de março. O roteiro utiliza os trilhos do Trem da República no trajeto entre as cidades de Itu (SP) e Salto (SP). A edição paulista conta com a parceria da fabricante Donnerstag, de Indaiatuba (SP).

O passeio oferece a degustação de cinco cervejas harmonizadas com queijos e pães ao longo do percurso. A programação começa às 10 horas com recepção na plataforma de Itu e partida programada para as 11 horas. Os passageiros almoçam filé à parmigiana no restaurante Stazione, localizado na estação de Salto. O retorno está previsto para as 14h30, com chegada final em Itu às 15h30.

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Oktoberfest de Igrejinha apresenta campanha para 2026

A 37ª Oktoberfest de Igrejinha lançou a campanha “Um brinde ao que nos move” para a 37ª edição. Desenvolvida pela agência Prod3 Design de Comunicação, a campanha está estruturada sobre os pilares de movimento, pertencimento e celebração. A festa é realizada por mais de 3 mil voluntários e reverte o resultado financeiro para entidades da região. Este ano, o evento ocorre de 9 a 18 de outubro no Parque de Eventos Almiro Grings.

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Shopping de São Paulo realiza festival Saint Patrick’s Weekend neste fim de semana

O Morumbi Town Shopping realiza o festival gratuito Saint Patrick’s Weekend no sábado (14) e domingo (15). As atividades ocorrem na Varanda do segundo piso, das 14 às 22 horas, em celebração ao dia de São Patrício. A programação musical inclui tributos a bandas como Legião Urbana e Charlie Brown Jr. O espaço oferece cervejas artesanais e cardápio com churrasco, torresmo e pernil.

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Budweiser aposta em nostalgia no Lollapalooza 2026

A Budweiser instalou um espaço de 750 metros quadrados no Lollapalooza Brasil 2026 para as atividades de sexta-feira (20) a domingo (22). Nele, criou a Bud Mixtape Factory, local onde o público pode gravar mensagens em minidispositivos com estética de fita cassete. O item em edição limitada funciona como chaveiro para acessórios e aparelhos celulares. O estande no Autódromo de Interlagos conta com bares de autoatendimento para as versões regular e Bud Zero. A diretora de marketing Mariana Santos coordena a oitava participação da marca no festival.

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Como era a cerveja no Recife de 1977, época do filme “O Agente Secreto”?

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No Recife de 1977, sob a sombra pesada do governo Ernesto Geisel, o personagem Marcelo, interpretado por Wagner Moura no filme “O Agente Secreto”, é recebido com um copo lagoinha (americano) cheio de cerveja ao chegar no Edifício Ofir em um dia de Carnaval. O especialista em tecnologia fugia de São Paulo em busca de refúgio na capital pernambucana e aquele copo representou alento. 

O gole de satisfação e alívio é um dos momentos em que a cerveja aparece no longa dirigido por Kleber Mendonça Filho – que participa da cerimônia do Oscar 2026 neste domingo (15) concorrendo em quatro categorias. Ela ajuda a contar a história do país e dos brasileiros em um momento de tensão da memória nacional.

Mas, como era a cerveja daquela época? Qual o sabor e a textura daqueles goles?

“O Agente Secreto” e a cerveja de 1977

Gabriel Ferreira Gurian, doutor em História, conta que na época do filme “O Agente Secreto” era “dificílimo” ter opções de cervejas mais diversas, especialmente as de alta fermentação, devido à legislação da época. O padrão, tanto de oferta quanto de expectativa do consumidor médio, eram Lagers claras e leves. O mercado nacional produzia seus próprios produtos, e as opções orbitavam entre Brahma, Antarctica e Skol. 

“A preferência pelo leve foi paulatinamente calcada no costume cervejeiro brasileiro desde o final do século 19. O que ganhou mais fôlego ainda com a reconfiguração do mercado na segunda metade do século 20, depois de algumas mudanças regulatórias e tributárias. Em 1977, já era dificílimo haver cervejarias alternativas oferecendo opções mais diversas, especialmente de alta fermentação, devido às novas legislações passadas naquela década, que acabavam sendo uma barreira estrutural e financeira ainda mais difícil de transpor para os pequenos produtores”, explica o pós-doutorando pela Universidade de São Paulo (USP), membro do coletivo Comer História e colaborador da pint.network, especialmente no podcast Surra de Lúpulo.

Assim, não havia em Pernambuco, no tempo do filme, cervejarias locais que fossem expressivas na cena nacional. Mas a presença de uma fábrica da Antarctica em Olinda era motivo de orgulho para os pernambucanos, segundo Gurian.

O sabor da cerveja mudou de 1977 para cá?

Mesmo sabendo o gosto da Skol, Brahma e Antártica de hoje, ainda assim, não dá para supor que foi esse o sabor que Wagner Moura sentiu ao dar aquele gole de cerveja.

Gurian diz que, para garantir as especificidades sensoriais, “só tendo acesso a receitas e livros de brassagem e conjecturando resultados na produção de 50 anos atrás”. Ele levanta ainda outras variáveis que interferem no produto final das cervejarias: diferenças em tecnologia de malteação, a condição em que insumos importados chegavam aos fabricantes, e o controle e os instrumentos aplicados nas etapas da cadeia de produção.

“Dá para dizer que a intenção com o produto final era a mesma, ou muito próxima. Mas acredito que o nível de padronização industrial e as linhas de suprimento de hoje resultem em cervejas um pouco diferentes, talvez mais regulares”, afirma.

Garrafas onipresentes, latas caras e “alternativas”

Em outro momento de “O Agente Secreto”, a cerveja volta a aparecer em uma reunião no apartamento de Sebastiana, reafirmando a solidariedade entre os “refugiados” do edifício. À mesa, garrafas e latas convivem no mesmo ambiente, mas o acesso às embalagens não era fácil como hoje.

A garrafa era onipresente nos bares e lares brasileiros e a lata havia chegado ao mercado há cerca de cinco anos na época do filme, de acordo com o historiador. 

O historiador explica que a lata era uma embalagem alternativa. Mas não tinha a mesma facilidade de transporte (porque era pesada), nem o mesmo potencial de reciclagem (porque não era de alumínio).

Em 1977, as fábricas faziam as latas de um composto que combinava folha de flandres e estanho, sendo ainda esmaltadas. “O uso único era inclusive divulgado como vantagem em relação à garrafa, pois o vasilhame precisaria de manipulação adequada após o consumo do líquido”, afirma. 

Isso fazia com que cada unidade de lata acrescentasse um custo significativo para a produção em escala. O que era repassado ao consumidor. 

“Antes do lançamento da lata, os fabricantes da Skol em Rio Claro (SP) apostavam na substituição total do sistema de garrafas dentro de 8 anos. Dois anos depois, a imprensa já repercutia preocupações em relação à poluição gerada pelas embalagens não retornáveis. E hoje nós ainda consumimos a bebida em ambos os formatos. Em algumas tabelas de preço da época, comprar uma garrafa ou lata de cerveja tinha o mesmo custo. Então, nos anos 1970, o favor ainda estava do lado das garrafas, que já então tinham uma vida útil circular de anos no mercado”, explica.

Evolução do setor

As gôndolas dos supermercados de 1977 estavam repletas de Brahma, Antarctica e Skol, com algumas “turistas” como a Carlsberg, em aparições “pontuais”.

As mudanças no setor em termos de oferta vieram paulatinamente. “A Carlsberg ensaiou uma parceria com a Skol para fazer produção local em 1990, mas não teve muito sucesso. A Heineken fez acordo para licenciar a Kaiser na mesma época, mas ainda não era a hora”, conta Gurian.

Ele explica que a chegada de marcas estrangeiras veio na década de 2010, com a introdução de rótulos estrangeiros no portfólio da AB InBev. O conglomerado teve acesso ao mercado brasileiro por meio da fusão da belga Interbrew com a AmBev, em 2004, que, depois, em 2008, possibilitou a aquisição da americana Anheuser-Busch.

O historiador diz ainda que as iniciativas “pontuais e desconectadas” de importadoras não tiveram impacto nos padrões de consumo cervejeiro no Brasil antes disso. E, ainda hoje, esses efeitos são considerados de nicho e circunscritos.

Oscar 2026

“O Agente Secreto” disputa quatro estatuetas no Oscar 2026: Melhor Filme, Melhor Filme Internacional, Melhor Ator (Wagner Moura) e Melhor Elenco (direção de elenco). A cerimônia acontece a partir das 21 horas deste domingo (15) em Los Angeles, com transmissão pela TV Globo, pela TNT e pelo streaming HBO Max.

Baden Baden Língua de Gato: Grupo Heineken lança cerveja colaborativa com Kopenhagen para a Páscoa

O Grupo Heineken lançou em evento para convidados em São Paulo na noite de quarta-feira (11) a nova Baden Baden Língua de Gato, edição limitada feita em parceria com a empresa de chocolates Kopenhagen. O rótulo é uma releitura da antiga Baden Baden Chocolate, uma das cervejas da marca de Campos do Jordão (SP) para a qual o público pedia o retorno. A cerveja estará disponível no período pré-Páscoa nos principais pontos de venda das regiões Sul e Sudeste do país (veja onde comprar).

Para a Ilana Boukai Lencastre, gerente de marketing das marcas Super Premium do Grupo Heineken, o novo rótulo permite explorar o território da inovação com uma proposta diferenciada. “Estamos muito felizes com esse lançamento. Essa parceria com a Kopenhagen nasce de uma visão em comum: criar produtos que vão além do consumo e geram conexão real com o público”, diz.

Fernando Vichi, CEO da Kopenhagen, reforça que a cerveja Baden Baden Língua de Gato é uma celebração. E também leva o nome de um dos chocolates mais queridos da empresa em uma versão ousada e sofisticada. “Na Kopenhagen, temos o compromisso de equilibrar inovação e nosso sabor clássico. A collab com a Baden Baden traduz exatamente isso, a união de duas marcas tradicionais para criar uma experiência surpreendente, que respeita nossas origens e convida o consumidor a provar o clássico de um jeito completamente novo”, completa.

Baden Baden Língua de Gato

Nova cerveja é uma edição limitada feita de maneira colaborativa entre a Baden Baden e a Kopenhagen (Crédito: Arte Guia da Cerveja com imagens de divulgação)
Nova cerveja é uma edição limitada feita de maneira colaborativa entre a Baden Baden e a Kopenhagen (Crédito: divulgação)

A nova cerveja é uma Chocolate Beer cremosa, com teor alcoólico de 6% e 10 IBU (International Bitterness Units, escala de amargor da bebida). A receita leva cacau e baunilha entre os ingredientes e é envasada e distribuída na garrafa tradicional de 600 ml.

O foco do lançamento é a Páscoa, sendo que tem grande apelo para ser dada de presente. A sugestão da marca é harmonizar a cerveja com o tradicional chocolate Lingua de Gato da Kopenhagen, que traz uma sensação única ao paladar.

A Baden Baden Língua de Gato também vai bem com sobremesas clássicas, como brownies, petit gâteau, sorvete de creme e tiramisù. A agência Ogilvy criou e assina o plano de comunicação da nova cerveja.

Onde comprar

A cerveja chega para o consumidor justamente na época de pré-Páscoa, em meados de março. É uma edição limitada que ficará disponível até junho – ou enquanto durar o estoque. Será comercializada nos principais pontos de venda das regiões Sul e Sudeste. Entre eles, Grupo Pão de Açúcar, em São Paulo; Rede Angeloni, na região Sul do país e Zona Sul, no Rio de Janeiro. O valor sugerido da Baden Baden Língua de Gato é de R$ 17,99.

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Em sua conta no Instagram, a Baden Baden publicou uma lista de locais onde comprar a cerveja:

  • São Paulo: Pão de Açúcar, Mambo, St Marche, Sams Club, Tauste, Dom Olívio
  • Rio de Janeiro: Zona Sul
  • Minas Gerais: Supernosso, Bahamas, Verdemar
  • Paraná: Condor, Festval
  • Santa Catarina: Angeloni
  • Rio Grande do Sul: ZaffariT
  • Também no Baden Tour em Campos do Jordão.

Inflação da cerveja em fevereiro é de 0,36%, abaixo do IPCA

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A inflação da cerveja acumulou alta de 0,36% em fevereiro, abaixo da inflação oficial do país, que ficou em 0,70%. Já os preços da cerveja praticados fora do domicílio tiveram variação nula (0%), ou seja, não tiveram reajuste de valor.

No acumulado de 12 meses – de fevereiro de 2025 até fevereiro deste ano – a inflação da cerveja em domicílio ficou em 6,07%, e fora do domicílio fechou em 6,7%, enquanto o índice geral ficou em 3,81%.

Os dados fazem parte do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Eles foram divulgados nesta quinta-feira (12) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 

Segundo Denise Ferreira Cordovil, analista da equipe da Coordenação de Índices de Preços do IBGE, os resultados de fevereiro mostram as oscilações relacionadas à oferta e demanda pelo produto no período compreendido entre as festas de fim de ano e o Carnaval.

Ela destaca que no subitem Cerveja consumida em domicílio, a variação em janeiro foi negativa (-0,06%) e, em fevereiro, houve uma recomposição dos preços, que levou à variação de 0,36%.

No subitem Cerveja consumida fora do domicílio, o movimento foi inverso, com um efeito base maior em janeiro (0,97%), que contribuiu para a estabilidade na variação média dos preços em fevereiro (0,0%).

IPCA de fevereiro
Variação mensal (%)Variação em 12 meses (%)
Índice geral0,73,81
Alimentação e bebidas0,261,76
Alimentação no domicílio0,23-0,09
Cerveja0,366,07
Outras bebidas alcoólicas-0,51-1,53
Alimentação fora do domicílio0,346,7
Cerveja03,11
Outras bebidas alcoólicas-0,266,17

Inflação da cerveja: mais cara em Vitória e mais barata em Belém

Na análise dos preços pelas capitais do país, a maior variação em fevereiro foi em Vitória (ES), segundo os dados do IBGE. Em seguida vêm o Rio de Janeiro (1,08%), Belo Horizonte (0,74%) e Salvador (0,72%).

Na outra ponta, houve retração na inflação da cerveja em seis capitais. A maior deflação foi em Belém, com recuo de 1,01% nos preços. Em seguida vêm Recife (-0,59%), Brasília (-0,41%), Curitiba (-0,29%), São Luís (-0,25%) e Fortaleza (-0,2%).

Inflação da cerveja nas capitais
Variação mensal (%)Variação em 12 meses (%)
Grande Vitória (ES)2,2811,45
Rio de Janeiro (RJ)1,087,33
Belo Horizonte (MG)0,744,75
Salvador (BA)0,724,87
Aracaju (SE)0,65,73
São Paulo (SP)0,565,81
Campo Grande (MS)0,427,66
Goiânia (GO)0,37,91
Porto Alegre (RS)0,045,06
Fortaleza (CE)-0,28,12
São Luís (MA)-0,2511,29
Curitiba (PR)-0,296,18
Brasília (DF)-0,414,76
Recife (PE)-0,596,75
Belém (PA)-1,016,31

Produção industrial tem recuo de 0,8% em janeiro

Os dados da Produção Industrial Mensal (PIM) apontam que, em janeiro, a fabricação de bebidas alcoólicas teve recuo de 0,8% na comparação com o mesmo mês do ano anterior. No acumulado de 12 meses, o recuo foi de 4,5%. A produção industrial de bebidas alcoólicas é representada em quase 90% pela indústria cervejeira. 

Na comparação com as bebidas não alcoólicas, houve avanço de 3,5% na fabricação em janeiro, se comparado ao mesmo mês do ano anterior. No acumulado de 12 meses, a variação foi de 0,5%.

O IBGE divulga os dados da indústria com maior defasagem e ainda não publicou os números de fevereiro.

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3 locais para beber cerveja artesanal em Recife

Recife completa 489 anos de história nesta quinta-feira (12), sendo considerada por muitos como a capital mais antiga do país – fundada em 1537. Aniversário que comemora junto com a cidade-irmã Olinda, que faz 491 anos em 2026. A capital pernambucana foi também uma das primeiras cidades do Nordeste a entrar na atual fase de renascimento da cerveja artesanal no Brasil em meados de 2015, tendo algumas das cervejarias pioneiras da região. Então, nada melhor do que conhecer alguns bons lugares para beber cerveja artesanal em Recife e guardar como dicas para sua próxima viagem.

Cerveja artesanal em Recife

Angelo Nunes é sommelier de cervejas e dono do perfil Caçador de Cerveja no Instagram (Crédito: Arquivo Pessoal)
Angelo Nunes é sommelier de cervejas e dono do perfil Caçador de Cerveja no Instagram (Crédito: Arquivo Pessoal)

Apesar do pioneirismo, a cidade não está na sua melhor fase cervejeira. O movimento da cerveja artesanal perdeu força após a Pandemia de covid-19, algumas cervejarias e bares fecharam e outras diminuíram suas operações. No entanto, ainda é possível encontrar bons lugares e boas torneiras que servem chopes frescos locais e de fora da cidade. 

Para fazer as indicações, o Guia convidou o experiente sommelier de cervejas Angelo Nunes, que mora na cidade e é dono de um dos maiores perfis cervejeiros no Instagram, o Caçador de Cerveja. Ele sugeriu três casas: uma tradicional, uma recém-inaugurada e uma que vai ser inaugurada nesta sexta (13) e sábado (14) – um presente para a cidade. Confira:

BeerDock

Trata-se do mais antigo bar de cervejas artesanais de Recife e um dos mais tradicionais do Nordeste. Foi inaugurado em 2015 no charmoso bairro da Madalena, Zona Oeste de Recife. Contava com uma estrutura de 15 torneiras de chope, câmara fria e mais de 200 rótulos. Mas a casa original foi fechada em 2025. Hoje opera em outros dois endereço: Boa Viagem e Casa Forte. 

“O local é famoso por oferecer várias opções de cervejas locais e regionais tanto nos taps quanto em garrafas, além de petiscos e pratos que combinam com o clima descontraído do espaço”, diz Ângelo Nunes. “Com uma decoração moderna e música ao vivo, na qual prevalece o rock, o BeerDock se tornou um ponto de encontro popular na noite recifense”, completa.

BeerDock Boa Viagem: Rua Professor Eduardo Wanderley Filho, 242

BeerDock Casa Forte: Rua dos Arcos, 1745 – Poço da Panela

Instagram: @beerdock_recife 

Sonora Áudio Bar 

Instalado numa pequena casa secular, com ambiente climatizado, o Sonora foi inaugurado no final de 2025. Como o nome dá a entender, é um local que valoriza a música de qualidade, principalmente em vinil. Tem ambiente descontraído e intimista, além de “boas cervejas artesanais e cardápio cheio de bons petiscos e drinks autorais”, conta Angelo.

Endereço: R. João Ramos, 252 – Graças

Instagram: @sonora.audiobar

Garagem 66

“Um misto de pub, oficina de motos, barbearia, estúdio de tatuagem e hamburgueria”, conta o sommelier de cervejas. Sim, o Garagem 66 tem cinco negócios em um único espaço, localizado em Boa Viagem. E vai estrear em grande estilo nesta sexta-feira (13) e sábado (14). 

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 O público poderá curtir as bandas Geffe (de Karaokê), Papaninfa e Anabela no primeiro dia. E os grupos Cadillac 87, Macfly e Overtime tocam no sábado. 

“Possui tap de autosserviço com cervejas locais, palco com atrações musicais onde rock toca a noite inteira”, explica Angelo. 

Endereço: Rua José da Silva Lucena, 619, Boa Viagem 

Instagram:@garage66.recife

Artigo: Degusta Cervejas do Brasil – quando um festival reencontra o seu próprio futuro

Alguns eventos simplesmente acontecem. Outros passam por ciclos. Há também aqueles que, depois de um período de desgaste, conseguem algo mais raro: reinventar-se. É justamente esse terceiro caso que parece definir o momento atual do Degusta Cervejas do Brasil. Depois de anos em que o festival parecia ter perdido parte de sua energia original, as duas últimas edições indicam que um novo ciclo está em curso e que ele pode atingir seu potencial máximo em 2027.

Festivais cervejeiros vivem, em grande medida, da percepção do público. A reputação de um evento não é construída apenas pela lista de cervejarias ou pela estrutura oferecida, mas pela sensação que fica depois que tudo termina. É aquela pergunta simples que circula entre quem esteve presente: valeu a pena estar lá?

Durante algum tempo, essa resposta deixou de ser tão clara.

A edição de 2024 ficou aquém de qualquer expectativa. O modelo utilizado já demonstrava sinais evidentes de esgotamento e o formato, que em outros momentos ajudou a consolidar o festival como um dos principais encontros da cerveja artesanal no país, parecia incapaz de mobilizar o mesmo entusiasmo.

O impacto foi perceptível em vários níveis. Algumas cervejarias que tradicionalmente participavam do evento deixaram de comparecer. Parte do público que costumava viajar de diferentes regiões do país reduziu sua presença. A diversidade de rótulos diminuiu e a atmosfera que antes caracterizava o festival perdeu intensidade.

A situação acabou sendo agravada por problemas ligados à administração anterior. As dificuldades acumuladas tornaram inevitável a mudança de organização, abrindo caminho para uma nova fase do evento.

Degusta Cervejas do Brasil

A reconstrução de um festival, porém, não acontece de um ano para o outro.

A nova direção assumiu a tarefa de redesenhar o evento praticamente do zero. O desafio não era apenas reorganizar o evento, mas recuperar a confiança do mercado e do próprio público cervejeiro. Era preciso demonstrar que o festival ainda tinha capacidade de evoluir.

Os primeiros sinais dessa mudança começaram a aparecer rapidamente. O formato foi ajustado, a experiência do visitante passou a receber maior atenção e ficou evidente que havia um esforço real para reconstruir a identidade do evento.

Mesmo assim, o processo ainda carregava o peso do passado. Disputas judiciais e questões herdadas da gestão anterior inevitavelmente influenciavam a percepção de quem acompanhava o festival de fora.

Com o tempo, porém, os resultados começaram a falar mais alto.

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A edição mais recente mostrou um evento mais organizado, com maior diversidade de cervejarias e um ambiente muito mais próximo daquilo que se espera de um grande festival cervejeiro. O público voltou a circular com entusiasmo pelos estandes e as conversas que surgiram depois do evento passaram a refletir algo que há algum tempo não se ouvia com tanta frequência: a sensação de que Blumenau voltou a valer a visita.

Esse tipo de percepção se espalha rapidamente dentro da cena cervejeira.

Quem frequenta festivais sabe que as decisões de participar ou não de um evento são fortemente influenciadas por relatos de amigos, cervejeiros e frequentadores habituais. Quando as avaliações começam a mudar, a reputação do festival também muda.

Muita gente que havia deixado de ir ao evento começa agora a reconsiderar essa decisão. A expectativa para as próximas edições cresce justamente porque o Degusta parece ter reencontrado aquilo que faz um festival funcionar: relevância para o público e para o mercado.

O futuro

É nesse contexto que 2027 surge no horizonte cercado de expectativa.

A tendência é de crescimento tanto no número de cervejarias participantes quanto no público presente. Mais do que simplesmente ampliar os números, o festival parece caminhar para consolidar um novo posicionamento dentro da cena cervejeira nacional.

Se essa trajetória se confirmar, o Degusta pode voltar a ocupar um papel central como grande ponto de encontro da cerveja artesanal brasileira, não apenas como um festival, mas como um espaço de convivência, troca de experiências e celebração da cultura cervejeira.

Naturalmente, sempre há espaço para aprimoramentos.

No fim das contas, revitalizar um festival nunca é tarefa simples. Exige capacidade de reconhecer erros, disposição para ajustar rotas e, principalmente, coragem para reconstruir a confiança do público.

O Degusta Cervejas do Brasil parece ter iniciado esse processo.

Se continuar evoluindo no mesmo ritmo observado nas últimas edições, 2027 pode marcar mais do que um grande evento. Pode ser o momento em que o festival deixa definitivamente para trás um período de incertezas e volta a ocupar o lugar que sempre deveria ter tido no calendário cervejeiro nacional.

Um daqueles raros casos em que um festival não apenas sobrevive ao tempo, mas retorna mais forte justamente depois de quase ter sido dado como superado.


André Lopes é advogado, sócio do escritório Lopes Verdi Advogados e criador do Advogado Cervejeiro. E também colunista do Guia da Cerveja


* Este é um texto de opinião. As ideias e informações nele contidas são de responsabilidade do articulista e não refletem necessariamente o ponto de vista do Guia da Cerveja.

Guerra no Irã pode afetar preço da cerveja no Brasil

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A cerveja no Brasil pode ficar mais cara por conta da guerra no Irã, iniciada pelos Estados Unidos da América (EUA) há pouco mais de dez dias. Apesar do país do Oriente Médio não ser produtor da bebida nem de matérias-primas para ela. O impacto seria indireto, já que o conflito pode afetar o custo da energia, de combustíveis e fertilizantes no mundo. E isso se reflete em toda a cadeia logística, bem como no custo dos próprios grãos dos campos brasileiros e do exterior.

Todo isso porque o país controla a margem norte do Estreito de Ormuz, importante rota marítima do comércio da região em importações e exportações. A passagem, de apenas 33 quilômetros de largura em sua parte mais estreita, é responsável por escoar aproximadamente um quarto do petróleo mundial e um quinto do gás natural. Este último – essencial também para a indústria de hidrocarbonetos, entre eles os fertilizantes químicos como a ureia.

No fim de semana, a Guarda Revolucionária do Irã afirmou ter “controle total” dessa conexão do Golfo Pérsico e do Golfo de Omã e disse ter atacado um petroleiro. O Irã como um todo atacou ao menos nove embarcações comerciais na semana passada. Na segunda-feira (9), o presidente dos EUA, Donald Trump, disse em sua conta na rede social Truth Social que vai atacar o Irã “vinte vezes mais forte” caso o país bloqueie o fluxo de petróleo na região.

Enquanto as tensões crescem, especialistas calculam os impactos, em especial caso o conflito se prolongue por muito tempo. 

Guerra no Irã e o preço da logística

Também na segunda-feira, o preço do petróleo se aproximou de US$ 120 por barril (cerca de R$ 630) em razão dos temores provocados pelo conflito. E as bolsas de valores tiveram forte queda pelo mundo. O principal medo é de um prolongamento da guerra no Irã, que poderia inflacionar os preços em escala global.

Apesar dos Estados Unidos minimizarem a situação, analistas ouvidos pelo G1 dizem que um impacto severo na economia é possível. “O choque mais profundo está se espalhando pela cadeia produtiva”, disse Stephen Innes, da SPI Asset Management. Para ele, “o petróleo acima de 100 dólares não representa apenas uma alta das commodities. Torna-se um imposto sobre a economia global”.

Como muitos países do mundo ainda têm o petróleo, gás natural e derivados como principal fonte da matriz energética e de transportes, o impacto seria sentido por todos os cantos. No Brasil, o encarecimento do diesel, por exemplo, pode aumentar os preços em geral por impactar diretamente a logística.

Isso afetaria não só o custo das entregas da cerveja pronta, por exemplo, mas também toda a cadeia. Grande parte da matéria-prima da bebida é importada e os combustíveis dos navios também ficariam mais caros. Mesmo a parcela nacional sofreria, já que quase a totalidade é transportada por via rodoviária.

Fertilizantes nitrogenados

Outro ponto de atenção está na produção de fertilizantes nitrogenados, como a ureia, usados na agroindústria. Além de uma crise no setor afetar o preço de outros alimentos, também poderia impactar a produção de grãos nacionais, como a cevada e outros cereais usados para maltes ou adjuntos cervejeiros, como trigo, milho e arroz.

O impacto, no entanto, não se resumiria aos campos brasileiros. Lavouras de outros países que exportam as matérias-primas para a cerveja brasileira e mundial utilizam os mesmos tipos de fertilizantes.

A indústria de hidrocarbonetos obtém esses fertilizantes químicos a partir do gás natural. Elas processam o material para obter amônia e depois combinam com dióxido de carbono para obter a ureia. Além de grande parte do transporte ser por meio do Estreito de Ormuz, o próprio Irã é um dos principais produtores mundiais de gás e fertilizantes.

O país do Oriente Médio tem a segunda maior reserva de gás natural do mundo. Fica atrás apenas da Rússia – que, no momento, também está em guerra e sofrendo embargos sobre o gás natural em diversos países.

Em 2024, a produção de ureia do Irã atingiu cerca de 9 milhões de toneladas, com metade destinada à exportação. Um dos importadores é o agronegócio brasileiro, que obteve 184,7 mil toneladas em 2025, segundo dados do Comex Stat publicado no portal Times Brasil. O Brasil não é dependente desse fornecimento – o volume é considerado pequeno. Mesmo assim, é sensível aos preços internacionais do produto.

Sucesso da edição 2026 consolida um Festival Brasileiro da Cerveja reinventado

A 17ª edição do Festival Brasileiro da Cerveja (FBC) terminou no sábado (7) após quatro dias de muita degustação, encontros e entretenimento. O público presente foi de 21.566 pessoas, segundo a Prefeitura de Blumenau. Somente o Degusta Cervejas do Brasil, evento paralelo em modelo open bar, contou com 6 mil pessoas, de acordo com a Associação Blumenau Capital Brasileira da Cerveja (ABCBC), responsável pela organização. Esse total representa um crescimento em relação a 2025, quando foram anunciados 18 mil participantes.

No entanto, o maior indicador de sucesso não pode ser medido apenas em números, mas deve ser pesado pelas palavras de quem participou. A reportagem do Guia da Cerveja esteve presente, observou a evolução do evento e conversou com vários participantes e expositores, que relataram muitas experiências positivas e um clima mais otimista. É claro que ajustes também precisam ser feitos. Mas entre os cervejeiros e apreciadores, não faltou quem afirmasse também que “os bons tempos” estavam de volta.

Isso tudo valida e consolida o modelo lançado ano passado e aprimorado nessa edição, que divide o evento em dois: o Festival Brasileiro da Cerveja propriamente dito, organizado pela prefeitura por meio da Blumenau Eventos, com a experiência de anos de Oktoberfest; e o setor de experimentação livre, recém-batizado de Degusta Cervejas do Brasil, realizado pela ABCBC. Este, aliás, é o grande destaque do ano.

A solução foi implementada após o modelo anterior ter mostrado sinais de desgaste ao longo do tempo, principalmente após a Pandemia da covid-19. Mas o evento, que teve uma primeira edição em 2005 e foi retomado de maneira contínua em 2009, sempre foi uma ótima oportunidade para quem quer conhecer cervejas artesanais e um grande ponto de encontro da comunidade cervejeira brasileira.

Quem foi, gostou

Igor Cardoso, engenheiro de 42 anos do interior de São Paulo, relata que não participou do evento em 2025, mas que estava gostando do que tinha visto este ano. Ele elogiou o modelo de open bar que, para ele, não é sobre beber em volume. “É a melhor forma de degustar uma grande variedade de cervejas de forma mais livre, sem ficar pensando em pagar cada cerveja”, diz.

Elemar José Zoz, farmacêutico e sommelier de cervejas de 52 anos, residente em Blumenau e dono do perfil do Instagram @zoz_sommelier, participou do evento no sábado e avalia que foi um sucesso. “O Degusta foi muito além de um simples evento cervejeiro. Acabou mostrando a diversidade e a criatividade do mercado cervejeiro, o potencial que esse mercado tem e, acima de tudo, quantas experiências o público pode ter”, diz. “A simples liberdade de você explorar inúmeros estilos de cerveja e interagir com os cervejeiros acaba transformando um simples gole de cerveja numa viagem sensorial incrível”, completa.

De acordo com o presidente da ABCBC, André Grutzmacher, o saldo do evento é muito positivo. “Tivemos muitas evoluções do modelo do evento em relação à estreia dele, em 2025, e isso foi sentido pelos expositores e pelos visitantes. Encerramos o Degusta Cervejas do Brasil com o modelo consolidado, caminhos estruturados para os próximos anos e a certeza de que o encontro do mercado cervejeiro em Blumenau é único”, comenta.

Expositores felizes, mas com ressalvas

Avaliação geral dos expositores foi positiva, apesar de pontos de melhoria apontados principalmente na área do Festival Brasileiro da Cerveja (Crédito: Daniel Zimmermann/Divulgação)

Muitos dos cervejeiros que expuseram no evento compartilham o otimismo do público. Gabriel Thiler Costa, sócio da Cervejaria Alpendorf, em Nova Friburgo (RJ), trouxe a cervejaria pelo segundo ano. “Em 2025 o evento já se mostrou revolucionário e isso se provou em 2026”, conta. “Blumenau não é o maior centro do país, mas é o maior centro cervejeiro do Brasil. É uma espécie de São Paulo Fashion Week da bebida: onde todos se encontram, as tendências se apresentam e se reforçam a partir da percepção do próprio mercado”, finaliza ele, que garante que já está confirmado em 2027. 

Também já reforçando que estará na próxima edição, Josué Zonta representa a Cervejaria Sacramento, de Chapecó (SC). “É um evento que tem menos foco na competição pela venda, que foca no produto, nas possibilidades de inovação que ele pode oferecer para que o consumidor tenha experiências sensoriais diferentes”, conta. “Há uma clara evolução criativa e técnica das cervejas brasileiras que só eventos como o Degusta conseguem deixar tão evidente”, encerra.

Mas nem tudo funcionou bem para todos. Expositores que preferiram não se identificar relataram que o movimento foi aquém do esperado, principalmente na área do Festival Brasileiro da Cerveja. Mesmo no sábado, dia de maior público e do principal show do evento, com a banda Dazaranha, o setor estava com poucas pessoas até o final da tarde, disse um deles. Nesse dia os portões foram abertos às 11 horas. E atribuiu o baixo volume à divulgação feita “muito em cima da hora”. Mas espera que os problemas sejam resolvidos em uma próxima edição.

Degusta: um evento, muitas experiências

A reportagem esteve no local e pôde confirmar uma diferença expressiva de movimento entre as áreas do Festival e o Degusta nos quatro dias. A impressão é que faltaram atrativos capazes de atrair mais público para a área aberta, que ficou um pouco esvaziada diante do movimento no setor de experimentação livre.

Já o destaque positivo também recai sobre o Degusta Cervejas do Brasil, que representa uma ótima oportunidade de provar uma grande variedade de cervejas diferentes. Baseado no modelo do festival norte-americano Great American Beer Festival, contou com cerca de 200 expositores e 900 rótulos. A maior questão, no entanto, foi como filtrar e organizar o que se pretendia degustar. Um bom problema para ser resolvido. Foram tantas opções que é possível até dividir toda essa diversidade por diferentes circuitos internos com propostas diferentes. Ou seja, criar seu próprio evento dentro do evento.

Aqueles que saíram provando cervejas de maneira mais aleatória beberam mais Sours do que qualquer outro estilo. Houve um grande predomínio dos rótulos de acidez elevada, que estavam espalhados pela maioria dos estandes. Uma das melhores experiências para quem gosta do gênero foi fazer um circuito de cervejas ácidas de grande complexidade, que incluía nomes fortes dessa cena no Brasil, como Fermentaria Local (Jarinu – SP), Yarun Fermentados (Cássia dos Coqueiros – SP) e Cozalinda (Florianópolis – SC) — coincidentemente ou não, lado a lado no evento. Mas também merece menção especial o aniversário de dez anos da Catharina Sour. Criado em 2016 e considerado o primeiro estilo brasileiro de cervejas, que teve muitas versões disponíveis para degustação na área livre.

Em caso de cansaço das azedinhas, o público tinha diversas possibilidades à disposição. Entre elas, passar a noite provando apenas cervejas maltadas, desafio autoproposto pela equipe do Guia. Começamos com as Brown Ales das cervejarias Salvador (Caxias do Sul – RS) e Dasbier (Gaspar – SC) e terminamos com as mais intensas, como a Barley Wine da Indigo Brewing (Rio de Janeiro – RJ) ou Salted Caramel Peanut Cake, uma Pastry Stout com caramelo salgado da 5 Elementos (Fortaleza – CE).

Porém, um dos circuitos mais curiosos e saborosos talvez tenha sido o de bebidas sem álcool. Quem acha isso uma ironia – não alcoólicos num evento de bebidas alcoólicas – é porque não provou os excelentes chás gaseificados da Manifestea (Blumenau – SC) ou os cafés torrados pela Marek Cervejaria Artesanal (Charqueado – RS). Isso sem mencionar as cervejas sem álcool da Sim! Cerveja (Campinas – SP) e da Luci (São Paulo – SP), muitas delas premiadíssimas.

O evento foi de kombuchas até destilados diversos, mostrando que mais do que nunca o mercado está antenado às tendências internacionais, pensando a cerveja e para além dela.

Região Sul fica com 3 em cada 4 medalhas

Outro grande destaque foi a realização do 14º Concurso Brasileiro de Cervejas, que este ano contou com 2,7 mil rótulos inscritos em 175 categorias. As amostras foram avaliadas por cerca de 70 juízes entre sábado (28 de fevereiro) e terça-feira (3), quando foi divulgado o resultado. E um dos números marcantes do resultado da competição foi que os três estados do Sul juntos levaram para casa 77,95% das medalhas, o que equivale a mais de três em cada quatro premiações.

O maior vencedor foi o estado de Santa Catarina, que levou 154 medalhas ao todo, ou seja, 39,49% de todas as 390 medalhas da 14ª edição da competição. Em segundo lugar ficou o o Rio Grande do Sul, com 87 medalhas (22,31% do total), e o Paraná completou o pódio com 63 (16,15%).

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O desempenho é bastante superior, proporcionalmente, ao número de cervejarias de cada um desses estados. Santa Catarina, por exemplo, responde por 250 das 1.949 cervejarias do país, segundo números do Anuário da Cerveja 2025 do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Ou seja, 12,8% do total, o que o coloca apenas como terceiro colocado em número de cervejarias no país. Rio Grande do Sul tem 349 fábricas (17,9%) e o Paraná 175 plantas fabris (9%). O Sul como um todo soma 774, o que equivale a 39,7% do total.

Além disso, as marcas de Santa Catarina ficaram com o primeiro e o segundo lugar no pódio de Melhores Cervejarias com as cervejarias Big Jack (Orleans), que faturou o ouro pelo segundo ano seguido, e Stannis (Jaraguá do Sul). A terceira colocação foi para a Brewine Leopoldina (Bento Gonçalves).

Para fechar o bom desempenho catarinense, o estado ainda ficou com prata entre as melhores cervejas da competição, com a cerveja Pina Colada – Catharina Sour com Abacaxi e Coco, da Faroeste Beer, de Itajaí (SC).

O primeiro lugar foi para o Paraná com a cerveja Patanegra Cacacu Wood, uma Sour em madeira brasileira da Cervejaria Patanegra, de Pinhais, e o terceiro para Alagoas, com a cerveja Alagoas Funky Wild, uma Manipuera da Caatinga Rocks, de Murici. Todas as melhores cervejas do concurso foram premiadas em estilos nacionais.

Área do Degusta Cervejas do Brasil teve público cativo nos quatro dias de evento e contava com alimentação própria e DJs para animar a festa (Crédito: Daniel Zimmermann/Divulgação)

Ambev lança Stella Pure Gold de 600 ml e expande o portfólio de “escolhas equilibradas”

A Ambev está colocando no mercado uma nova embalagem da Stella Pure Gold, cerveja da linha premium sem glúten anunciada com 17% menos calorias que a versão tradicional. Agora, será possível encontrar o rótulo em garrafas de 600 ml. Trata-se da maior versão até agora, que antes só continha embalagens de 269 ml, 330 ml, 350 ml e 473 ml.

De acordo com a Ambev, o lançamento pretende ampliar as ocasiões de consumo do produto, podendo ser compartilhado à mesa durante momentos de celebração.

A distribuição começou pelo estado de Minas Gerais e a previsão é de chegar às demais regiões nas próximas semanas.

Crescimento do consumo equilibrado e Stella Pure Gold

Segundo a Ambev, a chegada do novo formato acompanha um movimento crescente entre os consumidores brasileiros, que têm buscado um estilo de vida mais equilibrado. Os números do mercado confirmam essa tendência: em 2025, o portfólio de “escolhas equilibradas” da Ambev registrou um avanço de 67% em relação ao ano anterior.

Esse segmento reúne as opções zero álcool, sem glúten e com menos calorias. A nova edição da Stella se junta a cervejas como Bud Zero (sem álcool), Corona Cero (sem álcool e rica em vitamina D) e Michelob Ultra (com baixo teor de carboidratos e calorias).

Dentro dessa categoria, a Stella Pure Gold foi um dos destaques, com crescimento de 150% no mesmo período, segundo a Ambev.

“Com Stella Pure Gold 600 ml queremos criar novas ocasiões de consumo e equilíbrio, para que mais consumidores compartilhem juntos uma boa cerveja sem abrir mão da sofisticação e do sabor característico de Stella Artois”, explica Camila Fischmann, diretora da marca no Brasil. A executiva também ressalta o papel da empresa no setor. “Fomos pioneiros no segmento de cervejas sem glúten no Brasil, e agora damos mais um passo para continuar desenvolvendo a categoria no mercado nacional”.

A Ambev lançou a Stella Pure Gold no Brasil em meados de 2023. Tem apenas 34 quilocalorias para cada 100 ml, contra as 41 calorias da versão regular e da sem glúten.