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Balcão do Laboratório da Cerveja: O controle de qualidade na produção

Balcão do Laboratório da Cerveja: O controle de qualidade na produção

Circulou nos jornais e nas redes sociais, em março, uma notícia que surpreendeu desde os consumidores aos produtores de cerveja brasileiros. Uma fábrica da Ambev, localizada em Juatuba, na região metropolitana de Minas Gerais, foi interditada devido a problemas nas instalações, sujeira, presença de mofo nas paredes e de pássaros no interior da unidade. Esse fato alertou para um assunto extremamente importante no âmbito do controle de qualidade na produção de cervejas.

A qualidade dessa bebida tão amada pelos brasileiros engloba atributos sensoriais, como aroma e sabor, que influenciam no valor do produto final percebido pelo consumidor. Essa qualidade está intimamente relacionada com a matéria prima utilizada e com o processo de fabricação.

Em uma cervejaria são vários os pontos críticos onde microrganismos contaminantes podem se desenvolver, os quais incluem a água, o malte a própria levedura cervejeira, até as condições da área de produção e o contato humano. Nesse sentido, é de extrema importância cuidados com a higiene e limpeza do ambiente, sanitização correta dos equipamentos e qualidade dos insumos utilizados, uma vez que a presença desses microrganismos podem afetar de maneira negativa a qualidade da bebida que chega ao consumidor.

Então a cerveja pode se contaminar? Claro! E esse é um dos grandes problemas enfrentados pelas cervejarias em todo o mundo!

Apesar da cerveja ser uma bebida de considerável estabilidade e de baixo risco microbiológico (patógenos como Salmonella e Listeria não se desenvolvem na cerveja devido a fatores como a presença de etanol, compostos antimicrobianos do lúpulo, elevada concentração de gás carbônico e baixo pH), algumas bactérias e leveduras selvagens podem se desenvolver na bebida em diferentes etapas no processo de produção, causando desagradáveis alterações sensoriais como aumento de turbidez, odores incomuns, como uma acidez agressiva voltada para o avinagrado, e até aromas e sabores ainda mais desagradáveis, como amanteigado, ovo podre e fecal, entre outros.

Além das características sensoriais indesejáveis, a presença de bactérias contaminantes como Lactobacillus e Pediococcus pode influenciar negativamente a fermentação devido à competição por nutrientes e produção de metabólitos tóxicos que podem prejudicar a atividade da levedura cervejeira, aumentando, por exemplo, o tempo de fermentação e a produção de etanol.

Já as leveduras selvagens (diferentes da levedura cervejeira utilizada na fermentação) como as do gênero Brettanomyces podem levar à superatenuação do mosto, devido à fermentação de açúcares complexos como as dextrinas, diferentes da levedura cervejeira. Todos esses fatores podem acarretar em problemas de controle de qualidade e aumento do custo da produção.

Dessa forma, tanto por parte dos consumidores quanto por parte dos produtores há a busca pela qualidade da cerveja. Assim, o controle microbiológico do processo de produção, juntamente com outros fatores, torna-se de extrema importância tanto do ponto de vista da padronização da bebida quanto para evitar perdas de lotes inteiros na cervejaria, levando a grandes prejuízos econômicos e à perda de confiança do consumidor.

O número de cervejarias no Brasil encontra-se em crescente expansão e, junto com esse desafio, encontra-se a exigência do consumidor que passou a estudar mais, conhecer melhor e consequentemente exigir maior qualidade dos produtos que chegam nas prateleiras dos supermercados. Hoje muitos consumidores conseguem avaliar muito bem uma cerveja por seus atributos sensoriais e, desta forma, passam a cobrar mais controle de qualidade das cervejarias, impondo maior interesse das mesmas em superar dificuldades enfrentadas pelo controle de qualidade de seus produtos.

Sairão na frente aqueles produtores que investirem na melhoria de seus processos, além de conseguirem se manter nesse mercado tão competitivo.


Luciana Brandão é pós-doutorada em Microbiologia pela UFMG, cervejeira caseira, sommelière de cervejas, co-fundadora e CEO do Laboratório da Cerveja, empresa de biotecnologia e soluções em processos cervejeiros

Juíza da Suprema Corte dos EUA é homenageada com cerveja

O mercado mundial das cervejas artesanais tem como característica uma criatividade inquestionável quando se trata de dar nomes. Muitas vezes, eles surgem de arroubos de criatividade, sem qualquer história por trás. Mas, em outras, o nome vem depois de muita inspiração.

Nesse mês, a tradicional cervejaria norte-americana Samuel Adams traz uma grande colaboração para a lista de nomes inusitados. A When we are nine (quando formos nove, em português) é uma homenagem à juíza da Suprema Corte dos Estados Unidos, Ruth Bader Ginsburg.

Trata-se da segunda mulher na história a chegar à mais alta corte da justiça norte-americana. Foi escolhida por Bill Clinton em 1993 e, até 2009, quando Elena Kagan foi nomeada, era a única mulher a ocupar uma das nove cadeiras.

A frase que vai dar nome à nova Belgian Bruit IPA, desenvolvida pela confraria feminina Pink Boots Society e produzida pela Samuel Adams, foi proferida por ela em 2012. Em uma declaração pública sobre quando estaria satisfeita com a representatividade das mulheres na corte, Ginisburg respondeu: “quando formos nove”.

Sua resposta, firme na defesa da igualdade de gêneros, tem ressonância em sua atuação na suprema corte, decisiva em diversos casos relativos à desigualdade de gênero, como a proibição de mulheres em determinadas instituições e diferenças de remuneração entre mulheres e homens.

A história da juíza, inclusive, foi relembrada pelo filme Suprema, que recentemente estreou nos cinemas brasileiros. Dirigida por Mimi Leder, a película tem Felicity Jones no papel de Ginisburg, atriz que ficou famosa pela atuação em A Teoria de Tudo.

A nova cerveja foi brassada pela Pink Boots no Dia Internacional da Mulher. Ela é parte de uma ação da entidade para arrecadar de fundos com o objetivo de apoiar a participação feminina na indústria cervejeira norte-americana.

“Nós compartilhamos de suas paixões e esperamos que essa colaboração continue a celebrar a mulher no mundo da cerveja”, afirmou Megan Parisi, cervejeira da Samuel Adams.

Cerveja política
No entanto, a juíza da suprema corte não é a única personalidade política norte-americana a ser homenageada com uma cerveja. Em 2017, um grupo de cervejeiras de Denver, Colorado, criou uma cerveja para protestar contra a diplomação de Donald Trump como presidente dos EUA. Ele e sua política para o clima foram também alvo da Brewdog.

Já no Brasil, no ano passado, a cervejaria carioca Rock’n’Bräu lançou uma cerveja em homenagem ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na mesma época, uma marca gaúcha criou a Mito, em referência a Jair Bolsonaro. No entanto, a cerveja foi confundida nas redes sociais com outra marca, que reagiu de maneira surpreendente.

Nova tecnologia foca na sustentabilidade do tratamento de efluentes

Lidar com o tratamento de efluentes é um dos maiores desafios que se impõem para a indústria cervejeira. O mercado, porém, acaba de ganhar uma opção eficiente e sustentável, lançada durante o Festival Brasileiro da Cerveja, realizado no mês de março, em Blumenau.

A partir de uma nova tecnologia que se concentra no conceito de agilidade e sustentabilidade, a Palephox Technology apresentou um sistema compacto de tratamento de efluentes por filtros microbiológicos e físico-químicos.

A Palephox enxerga diferentes benefícios em seu sistema. Um deles é o fato de ser compacto, não precisando de inserções químicas e manipulações durante o processo de tratamento. “O diferencial é que todas as etapas do processo são feitas em um único tanque. E isso não gera lodo”, conta Carla Brenner, diretora da empresa, em entrevista ao Guia.

Além disso, a Palephox explica que o sistema é projetado para se adequar ao volume de efluentes gerado de acordo com a produção de cerveja da unidade industrial, o que provoca uma economia de espaço. “Podemos utilizar os tanques da cervejaria, fazendo módulos com medidas adequadas. Os tanques também podem ser acoplados, economizando espaço”, diz Carla.

Com a formulação de microrganismos ativos imobilizados dentro do filtro e a aplicação de produtos na entrada do sistema de tubulações que dão acesso ao reator de tratamento, a produção fica livre dos odores resultantes da fabricação da cerveja ao degradar moléculas de gases. Previne, ainda, segundo a Palephox, obstruções no percurso do encanamento.

“A carga orgânica e o material suspenso ficam retidos no sistema de filtro, onde uma mistura de micro-organismos faz o tratamento do efluente e a redução do lodo, quebrando as moléculas até transformá-las em CO2 e água. Essa é a mágica do sistema”, acrescenta Carla.

Agilidade e reaproveitamento
Também há uma avaliação de que o processo é mais rápido do que o usual, pela redução no número de etapas do tratamento dos efluentes advindos da produção da cerveja.

“A maioria dos sistemas de efluentes precisa passar por várias etapas, sendo uma delas a geração de lodo, quando é adicionado uma carga química para se adensá-lo, podendo ser flotado ou decantado e ser separado do efluente. No nosso sistema, isso se faz através de um único tanque, sem a necessidade de adições químicas”, aponta a diretora da Palephox.

Além disso, o custo do tratamento é reduzido e há a possibilidade de reuso da água nos jardins, na limpeza da fábrica, do descarte dos efluentes em corpos hídricos ou no sistema de esgoto dos municípios. A empresa gaúcha, assim, promete unir inovação, tecnologia e preocupação ambiental.

“É um tratamento mais barato do que o convencional porque não se usa as cargas químicas usadas no sistema tradicional. Há apenas uma reposição de pastilhas contendo substâncias reguladoras de pH e microorganismos dessa pastilha. O sistema é automatizado e avisa no painel quando é necessária a troca e reposição da pastilha, produzida pela empresa, com nossa patente”, conclui Carla.

Skol conquista “haters” em campanha

Skol Puro Malte conquista “haters” em campanha

A recente “revolução” no mercado cervejeiro brasileiro, que por muitos anos contou com uma pequena gama de opções muito semelhantes – as “Pilsen” -, trouxe para todos os segmentos de público a oportunidade de provar novos sabores. Com um maior leque de opções, novos gostos se popularizaram. Ganhou espaço o “amargo” e a ideia do “puro malte”.

Uma consequência da mínima elevação dos padrões foi uma avalanche de críticas da opinião pública às Pilsen. Portanto, mesmo que seja líder de vendas, a Skol é vítima constante do ataque de “haters” na internet e, por isso, promoveu uma divertida campanha para conquistá-los com sua versão puro malte.

Na campanha “Essa Skol Puro Malte é para você”, criada pelas agências DraftLine e Bullet, a marca fez uma blitz no seu principal crítico nas redes sociais. O analista financeiro Antônio Sérgio Rodrigues Machado, de 54 anos, fez 28 postagens em redes criticando a qualidade da Skol pilsen. Em suas publicações, ele engrossava o coro das recorrentes críticas aos cereais não maltados usados na Pilsen – e a seu aspecto “aguado”.

Assim, a campanha buscava quebrar as barreiras pré-concebidas por detratores da Skol original à experimentação da opção puro malte, lançada no início desse ano. Antônio, como outros haters fervorosos, recebeu da marca um carregamento de Skol puro malte com embalagens personalizadas com seus xingamentos, e uma “cervejeira” para gelar.

https://www.youtube.com/watch?v=nF6-WHjFu90

“Achei fantástico. Jamais imaginaria que estavam vendo o que eu escrevia. Foi fora do comum, arretado. A Skol tem um nome muito forte. No meu condomínio, são cerca de 170 apartamentos. Todo mundo viu, fiquei atendendo o telefone durante toda a noite. Fiquei surpreso, é  uma coisa única, maravilhosa”, afirmou ele.

Exército de haters

O mesmo mapeamento de redes sociais identificou os 50 haters mais ativos, que também receberam um kit com a versão Puro Malte. Alguns tiveram seus posts estampados no mobiliário urbano em diversas cidades.

“Se muitos levam as críticas para o lado ruim, resolvemos ouvi-las e respondê-las de uma maneira divertida, como tudo o que envolve o universo da marca”, afirma Fernanda Albuquerque, diretora de marketing da marca.

“Temos opções para todos os gostos e para todas as pessoas, sendo elas nossos haters ou não”, conclui. Além da puro malte, a “família” Skol passou a contar também com uma opção lupulada, a Skol Hops, que chegou ao mercado em setembro de 2018.

Projeto Manchinha, curso para mulheres: As novidades cervejeiras da semana

A semana chega perto do fim com novidades interessantes ao cervejeiro. A Tarantino, por exemplo, abre suas portas para o Projeto Cerveja Manchinha, feito para lembrar a morte da vira-lata Manchinha. Nele haverá 16 lançamentos, como a West Coast IPA feita em parceria entre BR Brew, Satélite e Tribal. A Hoegaarden, por sua vez, está abrindo o seu próprio bar em São Paulo, enquanto a Antuérpia anunciou três novos rótulos. Além disso, a Confraria Goose Island Sisterhood fará uma série de cursos voltados para as mulheres. Confira, a seguir, as novidades da semana.

Projeto Manchinha
A cervejaria Tarantino recebe neste domingo mais de dez marcas no evento “inaugural” do Projeto Cerveja Manchinha, feito para lembrar a morte da vira-lata conhecida como Manchinha, que foi morta por um funcionário de um hipermercado de Osasco. Um dos destaques do evento será a colaborativa feita entre BR Brew, Satélite e Tribal, uma West Coast IPA com perfil aromático cítrico e toque resinoso, que lembra pinus. Tem 6,5% de teor alcoólico e 55 IBUs. Para participar do evento, que ocorre na rua Miguel Nelson Bechara, 316, na zona norte de São Paulo, basta levar um quilo de ração de cachorro ou gato. O primeiro dos eventos de lançamentos do Projeto Manchinha contará ainda com outras 15 novidades. Ao todo, a iniciativa reúne 93 cervejarias, de 13 estados e três nacionalidades. Parte das vendas será revertida para associações que cuidam de animais.

Bar da Hoegaarden
Inspirada na tranquilidade do pequeno vilarejo onde produz sua cerveja no interior da Bélgica, a Hoegaarden lança neste sábado o Greenhouse, espaço que recria o estilo de vida simples e rústico do local onde nasceu a marca. Está localizado no Largo da Batata, em Pinheiros, e possui 360m², com capacidade para 200 pessoas. Mais de 260 plantas de 38 espécies compõem o espaço, o primeiro da Hoegaarden no mundo. Destaque ainda para o cardápio do chef Raphael Despirite, que terá o conceito “farm to table”, com comida fresca e saudável, produtos orgânicos e de pequenos produtores. “O Greenhouse é muito mais do que um bar. Criamos um espaço para as pessoas se desligarem da correria diária e ainda aproveitarem um local cercado pela natureza. Com esse bar proprietário, queremos levar para o mundo um pouco desse estilo de vida simples e rústico do vilarejo belga de Hoegaarden, fazendo com que consumidores repensem suas prioridades em meio ao caos urbano”, conta José Oliveira, diretor global da marca.

Lançamentos da Antuérpia
O mestre-cervejeiro Giancarlo Vitale e o cervejeiro João Cleber Gonçalves elaboraram três novas receitas da Antuérpia. Uma delas é a versão em chopp da American IPA, que utiliza single hop com o lúpulo El Dorado, trazendo amargor limpo e aroma de frutas tropicais e pêssego. A outra é a Névoa Galaxy, uma cerveja leve, de corpo médio e com dry hopping – trata-se de uma versão da Névoa, rótulo já famoso da cervejaria, com a adição do lúpulo Galaxy. E, por fim, a marca lançará a Tabla Brut, uma cerveja frisante que remete ao gosto de manga e uva verde. O lançamento será em 3 de abril, a partir das 19h, no Beefbar Escondido, na rua Aires de Saldanha, em Copacabana, no Rio.

Aplicativo da Capunga
Apostando na realidade aumentada e na interatividade, a Capunga lançou um aplicativo cervejeiro com rótulo animado. Ao baixar a tecnologia, disponível para IOS e Android, é possível jogar com rótulos da cervejaria pernambucana e ganhar desconto em compras no e-commerce. “O pioneirismo sempre foi uma uma marca forte da Capunga. E, de olho na inovação do mercado de games, lançamos o app para nos aproximarmos dos clientes. Eles já têm um perfil geek bem forte”, conta Victor Lamenha, diretor comercial e de marketing da cervejaria. Montando o quebra-cabeça no tempo limite, o cliente ganha 25% de desconto em compras no site.

Curso da Confraria Goose
Para fechar o Mês Internacional da Mulher, a Confraria Goose Island Sisterhood anunciou uma interessante iniciativa: realizará uma série de cursos cervejeiros voltados apenas para mulheres. O primeiro será no dia 13 de abril em parceria com a Cervejaria Escola Sinnatrah, na brewhouse da Goose Island, em Pinheiros. Serão 28 vagas e as inscrições poderão ser feitas no site da Sinnatrah. O valor, aliás, será simbólico: R$ 50. Além da participação no curso, as alunas vão atuar diretamente na produção da próxima cerveja da Confraria, o nono lançamento da Sisterhood, que será dedicado a uma mulher indígena. “Estamos iniciando o terceiro ano desse movimento feminista cervejeiro, e nada mais propício do que expandir o alcance da Confraria tendo agora mais mulheres ensinando, aprendendo e criando uma nova cerveja”, afirma Beatriz Ruiz, responsável pela Confraria Goose Island Sisterhood.

Entrevista: Tarantino “esquece” geek para mirar educação, preço e família

Depois de anos atuando como um dos mais inventivos importadores do mercado brasileiro de cervejas, sobretudo ao deixar em segundo plano as grandes referências europeias – como belgas e inglesas – e apostar nas então desconhecidas American IPA, Gilberto Tarantino lançou sua própria cervejaria no segundo semestre de 2018. E, mais uma vez, a inovação parece ser a marca de sua empreitada.

Diferentemente de boa parte do mercado paulistano de artesanais, hoje concentrado na zona oeste de São Paulo, a Tarantino está localizada no Limão, na zona norte. E mais: Gilberto não criou um brewpub ou um tasting room, mas uma “distribution brewery” que mescla produção em escala com um ambiente agradável, com fliperamas, cesta de basquete, espaço kids e festivais para “toda a família”. Não à toa, é a primeira cervejaria de grande porte na zona urbana de São Paulo.

Quando somadas, avaliadas em conjunto, essas novidades desvelam o que parece ser a grande aposta do sócio da Tarantino: enquanto boa parte do mercado está focado em cervejas inovadoras e especiais, mais próprias ao “beergeek”, ele tenta algo novo ao mirar questões como educação cervejeira, preço e escala.

“Vamos apostar em poucos rótulos no início para focar a distribuição, ganhar mercado e pegar novos clientes. Nós não estamos preocupados com o geek, não. Nosso papel junto aos geeks agora é mais pelo nome, pelo que fizemos no passado. Nosso foco é vender local, na cidade de São Paulo. Pegar aquele cliente que não quer uma cerveja que ganhou campeonato, mas que quer beber algo bom, fresco, com volume”, conta.

Em entrevista ao Guia, Gilberto fala um pouco mais sobre essa estratégia de chegar ao consumidor comum. Detalha, também, os caminhos que o fizeram trocar a icônica importadora por uma cervejaria própria. E faz uma ótima análise sobre o mercado nacional e a necessidade de investir em educação.

Confira, a seguir, a entrevista completa com Gilberto Tarantino, sócio da Cervejaria Tarantino.

 
Depois de surgir com uma importadora icônica em São Paulo, você decidiu apostar em sua própria cervejaria, uma fábrica. Como foi esse processo de transição?
Isso é um processo. O motivo foi a mudança que nosso país atravessou nos últimos anos, especificamente a crise, e como vamos nos adaptando à nova realidade. Quando comecei com importação, há dez anos, o país era outro, era outra economia, outro dólar. Mesmo os hábitos eram outros. Quando tivemos a oportunidade de trazer as primeiras American IPA para cá, foi uma coisa bem ousada. Muitos achavam que era muito alcoólica, muito amarga, que brasileiro não gostava desse tipo de cerveja, que nós éramos malucos. Então fomos nessa contramão e tivemos nossa participação na divulgação da cultura cervejeira.

Como a crise se encaixa posteriormente nesse cenário?
Com a crise, algumas marcas – começou pelas italianas, como Baladin e Del Ducato – ficaram inviáveis, caras, um absurdo. Aí, com o auge da crise, outras marcas começaram a ficar mais caras, inclusive as norte-americanas. Muitas desistiram do país, ou acharam que éramos ineficientes e foram procurar outras importadoras. Mas o filme se repetiu também com outras importadoras. Tem a Rogue, que a gente trouxe e, na época, comprava um contêiner por mês, o que hoje é uma loucura. E o diretor comercial depois achou que era pouco, passou por três, quatro importadoras, e a marca hoje está esquecida. Tinha muita variedade, chegava a ter 18 marcas por contêiner.

Sempre tive muito contato com o pessoal da Brewers Association (BA), também conversava com cervejeiros e importadores de outros países. Há dez anos o mundo todo queria American IPA. E isso foi mudando: o mundo todo, hoje, reproduz American IPA bem bacanas – seja no Brasil, na Europa, na Ásia, na China, na Tailândia, na Holanda. Lógico que continuamos curtindo marcas importadas. Acho até que existe uma diferença grande de qualidade, mas o pessoal aprendeu a fazer o local. E, nessas observações, baseado nessa experiência internacional, decidi partir para um business plan, onde meu objetivo era aproveitar tudo o que aprendi. (…) É um ativo tudo isso que tenho. Então, coloquei em prática com minha marca, mas baseado em conceitos que vi lá fora.

O que a Tarantino tem desses conceitos que você viu lá fora e o que ela traz de completamente novo?
O que vi lá fora e quis aplicar é fazer cerveja de qualidade. E, quando digo qualidade, falo de um projeto estruturado, pensando não só no imediato, mas em uma expansão. Penso também em equipamentos de primeira linha e em uma centrífuga, que é um equipamento que, claro, não sei exatamente, mas talvez apenas 15 ou 20 cervejarias tenham no Brasil.

Por que investiu na centrífuga?
É um equipamento que na Europa, nos Estados Unidos, é obrigatório. E, aqui, quem faz, pasteuriza ou faz cerveja viva, só realiza uma filtragem. Qual a diferença? Em uma cerveja viva, em contato com a temperatura ambiente, ainda mais nesse calor, as leveduras voltam a agir – você abre a garrafa e faz aquela espuma. Com a centrífuga, 95% do excesso de levedura é retirado. Por isso que as norte-americanas, as europeias que chegam aqui, se comportam melhor fora da cadeia refrigerada.

Logicamente, o ideal é a cadeia refrigerada e nós, inclusive, fomos pioneiros na importação em cadeia refrigerada, com armazenagem no porto e na entrega. (…) Era 100% refrigerada do porto até a entrega. Sempre fomos um defensor. Mas temos de ser realistas e entender que, aqui, são poucos os bares que têm uma estrutura de câmara fria. Então, a centrífuga ajuda a reduzir a quantidade de levedura e, sem dúvida, é importante para a qualidade da cerveja. A ideia foi fazer uma estrutura onde alguém do exterior chegue e diga: “Eu topo fazer a minha cerveja aqui no Brasil”. Já ouvi de muitos que não queriam fazer aqui por falta de equipamentos e insumos – mas insumos já melhorou muito a oferta.

Além da centrífuga, o que vocês apostaram como diferencial?
De diferente, no cenário local, é o fato de estarmos dentro da cidade de São Paulo. Uma fábrica, com uma estrutura que nos torna os primeiros aqui, os pioneiros. E sempre seguimos muito os parâmetros da BA. Lá existem os brewpubs, que aqui seria o caso da Nacional, por exemplo, que é o pessoal que tem a cerveja, a cozinha e que produz e vende lá. Há o tasting room, que é onde tem a produção da cerveja, como a Dogma e a Trilha, sempre com um food truck ali na frente. E tem a distribution brewery, que é o nosso caso, onde produzimos para distribuir. Além disso, temos o nosso bar e até uma sala de aula para 50 pessoas. Então, construímos algo dentro da cidade de São Paulo, em uma zona industrial, depois de tirar todas as licenças, tanto da prefeitura como do estado, do meio-ambiente. É um pouco mais afastado, mas conseguimos colocar tudo o que queríamos: a fábrica, o bar e a área para educação. Esse é o nosso diferencial.

Como esse modelo de negócio impacta na produção da Tarantino?
Do lado da cervejaria, nossa estratégia também é, contrariando algumas ciganas e mesmo cervejarias, que lançam vários rótulos no mesmo mês, fazer algo diferente. Então, apostamos em quatro ou cinco estilos com grande drinkability e para fazer volume. A ideia é ter uma cerveja com custo bem bacana, porque cerveja é volume para fazer o preço diminuir. Vamos apostar em poucos rótulos no início para focar a distribuição, ganhar mercado e pegar novos clientes. Nós não estamos preocupados com o geek, não. Nosso papel junto aos geeks agora é mais pelo nome, pelo que fizemos no passado. Nosso foco é vender local, na cidade de São Paulo. Pegar aquele cliente que não quer uma cerveja que ganhou campeonato, mas que quer beber algo bom, fresco, com volume. Vários clientes quando chega a sexta-feira, dá aquele calor, 20h, ligam e falam: “Mandem um Uber com um barril”. Isso tem acontecido com frequência.

Além da questão dos poucos rótulos e do volume, o que me vem à cabeça quando penso no início da Tarantino é que vocês estão sempre atrelados a eventos. Isso faz parte de uma estratégia para ajudar a propagar a cultura cervejeira?
Sabe que, além de beber cerveja, eu gosto de várias outras coisas. Eu e meu sócio somos da bike, do ciclismo, e estamos sempre pedalando, então quisemos criar algo diferente. Tem festival mensal de música, só com banda autoral; um campeonato de basquete, 2×2, porque temos uma cesta aqui; o Tarantino Circo, com artistas de rua. Fora que tem uma coisa bem espontânea, de amigos que fizemos no setor, donos de bares, cervejarias, que vêm fazer suas festas aqui. Aí uma coisa chama a outra.

O intuito, então, é tentar conectar a cerveja a tudo o que ela pode estar associada?
Isso. Fizemos até algumas festas de música brasileira para associar a uma coisa diferente, porque não precisa ser só o rock. Toda propaganda que vejo de cervejaria é demonstrando que terá rock no último volume. Não, aqui é Tim Maia, Jorge Ben, blocos. Precisamos dessa galera também. Nem tudo é pauleira. Temos muitas crianças na fábrica, tem área kids, instrutor. E nossa parte de educação, com a Tarantino Talks, com algumas palestras. Divulgar cerveja é isso. Investir em grafite, por exemplo – nossos rótulos são de grafiteiros. Nossa moeda é a cerveja. Como startup não temos dinheiro no caixa, então nossa moeda é essa: a cerveja.

A escolha por abrir uma fábrica na zona norte, região ainda pouco associada às artesanais, traz um pouco também dessa ideia de encontrar um público novo? Ou foi mais pela questão industrial?
Antes de fechar com esse espaço, nós visitamos 80 galpões. Sério, 80 galpões. Tem uma série de detalhes aí, mas fomos para a zona norte porque achamos um imóvel bacana, com uma localização boa e afastada, periférica. Moro em Pinheiros e de lá para cá só venho de Uber, levo 20, 25 minutos. É bem tranquilo. E nosso público é da zona norte porque é algo diferente. A vovó – mesmo que não beba – pode vir com o netinho pois ele vai ficar brincando, o pessoal jogando basquete, a molecada se divertindo. Temos essa missão como cervejaria: de cuidar do entorno. Uma de nossas coisas bacanas é estar fora de Pinheiros.

Passados os primeiros meses do lançamento da Tarantino, que balanço vocês faz da cervejaria?
Primeiro vem aquela frase padrão, mas verdadeira: é muito difícil empreender no Brasil. Chega a desanimar. É muita burocracia, gente querendo encher o saco, fora tirar todas as licenças sem o jeitinho brasileiro. Até atrasamos a abertura para tirar todas as licenças antes de iniciar o negócio. O mercado também tem muita informalidade, e isso acaba atrapalhando alguns pontos de venda. Mas tudo o que a gente aposta é na educação. Temos um programa quinzenal – toda segunda-feira a cada 15 dias – onde só recebemos a “brigada de baixo”. São treinamentos para essa galera, um cursinho de iniciação cervejeira. Não é para virar sommelier, especialista, mas para dar informação básica – como é feita a cerveja, a história, etc. Tem apresentação de 30, 40 minutos, degustação, tour na fábrica e aí vai para o pingue-pongue, tabela de basquete, churrasquinho. É um happy hour, das 16h às 19h.

Eu mesmo já fui em bares onde tinha a coisa do “ah, essa cerveja é assim, frutada”, contando a história dela. Aqui fazemos o contrário: trazemos o cara para ele ver como é uma fábrica, como é o processo, para pegar os ingredientes, cheirar. Para vivenciar a cultura. Nossa cerveja é um pouco mais cara? É. Mas está vendo: ela é toda refrigerada, tudo é de aço inox, tudo feito localmente, tem laboratório. Uma série de cuidados para mostrar que tudo isso faz a gente.

De maneira geral, então, acredito que esse balanço acaba sendo positivo até pela questão da educação a um público bem mais amplo…
Sem dúvida. Uma das nossas missões é essa: divulgar nossa marca e todas essas questões que apoiamos.

E, para os próximos meses, o que a Tarantino planeja de novidades?
Como te falei, em relação à produção, estamos bem tranquilos com esse foco. Temos uma panela pequena aqui e temos uma série de experiências. Lógico que vamos lançar uma Double [IPA], por exemplo. Então temos essas experiências de passar algo diferente para o consumidor com um custo bacana, como a série Smash. Mas queremos popularizar a cerveja, vender barril de cerveja. Já lançamos uma New England, uma Double, mas queremos algo diferente. Em São Paulo, a Big Apple do Brasil, temos 40, 50 bares de craft beer, mas 50 mil bares que só querem cerveja. E precisamos passar também para esse cara os diferenciais da nossa cerveja. Acho que será um ano de comunicação da marca e de consolidação da nossa função.

Bodebrown faz sorteio de prêmios para celebrar seus 10 anos

A paranaense Bodebrown está completando honrosos 10 anos em 2019. E, para celebrar, a cultuada cervejaria criou uma campanha especial de prêmios nos bares, lojas, empórios e outros pontos de venda oficiais da marca.

Para participar, basta beber um chope no revendedor autorizado Bodebrown e preencher um cupom, que vai para a urna especialmente criada para a ação – cada bebida equivale a uma cédula. Quando o barril chegar ao fim, o sorteio será realizado.

Entre os prêmios disponibilizados, estão growlers e garrafas das séries especiais de 750 ml, além de brindes como chaveiros, bolachas de chope, bonés e camisetas. O participante ainda continuará concorrendo a sorteios especiais que serão feitos a cada dois meses, valendo presentes como cursos para fabricação de cerveja na panela, passagens para o Beertrain e garrafas Magnum de 1,5 litro.

A promoção é simultânea em todo o país e já pode ser encontrada nas casas participantes de nove estados. “Vamos comemorar os 10 anos com nossos fãs, que são a razão de nossa existência. Esta década de trabalho, sobrevivendo a todas às dificuldades do mercado, foi um presente para nós. Agora queremos retribuir presenteando o público”, conta Samuel Cavalcanti, fundador e CEO da Bodebrown.

“Buscamos criar uma grande sinergia entre nossa marca, aqueles que bebem e também as casas que vendem Bodebrown. Com isso, também contribuímos para fortalecer o mercado das cervejas artesanais”, acrescenta Samuel, destacando a importância de valorizar as casas parceiras.

A expectativa da marca é alcançar 1000 bares no país até dezembro, quando a campanha será encerrada. “Com isso pretendemos sortear perto de seis mil growlers, seis mil garrafas e outros três mil kits com produtos da Bodebrown”, complementa Samuel.

Confira aqui todos os bares participantes da promoção. E boa sorte!

4 benefícios de vencer um concurso cervejeiro

Realizado neste mês de março, o VII Concurso Brasileiro de Cervejas distribuiu 256 medalhas de ouro, prata e bronze, benefícios que foram entregues a rótulos de 141 marcas. Alguns dos destaques foram a Cathedral, com 13 medalhas entre as cervejarias de médio porte, a Backer, que recebeu seis entre as de grande porte, e a Suricato Ales, com quatro entre as marcas de pequeno porte.

Na premiação realizada em Blumenau (SC), a Tupiniquim, a Unika e a Salvador Brewing também foram as vencedoras no Best of Show Comercial, enquanto Salva e Donner receberam os benefícios em suas categorias no Best of Show Experimental.

Além das medalhas que reconhecem um trabalho bem feito, vencer um concurso traz diversos benefícios para os agraciados. O Guia conversou com alguns premiados e listou quatro deles. Confira.

1- Visibilidade
A medalha é como um selo de garantia de qualidade e desperta a atenção para as marcas que foram premiadas, como destaca Marcio Kalsing, sócio da cervejaria gaúcha Suricato Ales. “O prêmio nos dará mais visibilidade e crescimento de marca. Vai alavancar ainda mais a expansão que tivemos nos últimos anos”, diz.

2- Expansão de mercado
Junto com a visibilidade, a cervejaria premiada também vê a possibilidade de abertura de novos mercados, até pela curiosidade despertada pelo êxito. “Vai mudar muita coisa, vai fazer a gente crescer e melhorar ainda mais. Dá para pensar agora em sair da região, expandir. Depois do prêmio, muita gente já veio nos procurar. Tinha muita coisa acontecendo, mas agora vai acelerar ainda mais”, aponta Lunardo Albarado, da Salva Craft Beer, marca premiada com a Export Salva, uma cerveja no estilo Pilsener.

3- Aprimoramento da qualidade
Ganhar uma medalha não significa o fim de um processo, mas a confirmação de que o trabalho está sendo bem feito e merece ainda mais investimentos para seu aperfeiçoamento. É o que explica Luciano Andriani, sócio da Unika Cervejaria. Este prêmio, juntamente com as diversas medalhas que temos recebido desde que começamos a participar de concursos, em 2018, representa um grande incentivo para aprimorar nossa produção de cervejas com foco na qualidade.” Responsável pela produção da Tupiniquim, premiada com sua Funky Sour, Christian Bonotto reitera a análise. “Essa conquista vem a encontro da confirmação da qualidade, dos cuidados, da inovação que buscamos como cervejaria. Confirmando que estamos no caminho certo.”

4- Diferenciação entre a concorrência
Com o surgimento exponencial de novos rótulos e marcas, a medalha também pode ser o diferencial diante da concorrência cada vez maior do setor, garantindo uma solidez a longo prazo. “É uma grande oportunidade para tornar nossos produtos mais conhecidos no mercado, o que, para nós, uma pequena cervejaria regional, cuja produção iniciou em 2016, é muito importante para a continuidade de nossas atividades, em um mercado que vem se tornando mais competitivo”, pontua Luciano, da Unika, premiada com sua Catharina Sour Ameixa e Laranja.

Com 9 meses, La Caminera se divide entre orgulho local e ações de expansão

Uma cervejaria com apenas nove meses de fundação e que se orgulha de ser da Zona Norte de São Paulo, mas já busca a expansão para outros Estados brasileiros. Essa é a La Caminera, marca que está no mercado desde 29 de junho de 2018,  sendo produzida em Jaboticabal (SP). E que já contabiliza 14 mil litros envasados em seus cinco rótulos.

Como se demarcasse um território, a La Caminera tem se caracterizado por exaltar sua origem na Zona Norte de São Paulo, uma região que não possui o mesmo status no setor das artesanais como a Oeste, por exemplo, onde se concentra a maior parte da boemia. Um cenário que a cervejaria acredita ser possível modificar.

“Chegamos querendo ser mais um negócio para dizer que aqui tem coisa boa! Assim como ótimos bares, restaurantes, docerias, padarias e afins que surgem cada dia. Uma hora o pessoal vai acabar atravessando a ponte de lá para cá e ver o movimento que vamos fazer”, conta Márcio Moreira, sócio da La Caminera.

Expansão e desafios
Esse “bairrismo” poderia significar uma estratégia de concentração em um nicho. Mas esse orgulho de sua origem não impede a cerveja de, mesmo sendo quase uma novata no mercado, mirar mais longe. E com passos planejados.

O primeiro foi ampliar a sua presença na cidade de São Paulo e, depois, no Estado. “Quando alcançamos o nosso objetivo de estarmos nos melhores PDVs da cidade foi que começamos a trabalhar uma maior capilaridade. Ainda estamos trabalhando nisso, inclusive dentro do Estado de São Paulo”, explica Márcio.

A partir dessa consolidação no mercado paulista, foi a vez da La Caminera buscar seu espaço fora de São Paulo. “Quando alcançamos o nosso objetivo de estarmos nos melhores PDVs da cidade foi que começamos a trabalhar uma maior capilaridade. Ainda estamos trabalhando nisso, inclusive dentro do estado de SP”, comenta.

Mas essa busca pela capilaridade demanda desafios, especialmente quando se tenta entrar em mercados distantes do paulista, como no Nordeste, onde a La Caminera tem buscado cravar seu nome em estados como o baiano e o pernambucano. Para isso, é preciso lidar com questões complicadas, como os custos envolvidos, a logística, o tempo de viagem e a refrigeração do produto.

“Nossas cervejas não são pasteurizadas, o que exige que permaneçam refrigeradas constantemente. Sendo assim, a logística precisa ser refrigerada para que as cervejas cheguem a locais com um longo tempo de viagem, acarretando altos custos nesse transporte”, diz Márcio.

Rótulos históricos
Os desafios da expansão parecem ter sido antecipados pela escolha dos rótulos da La Caminera: em geral, eles indicam a busca por novos destinos, como a Atlantis, uma referência à mítica ilha, ou a Peabiru, que lembra o caminho percorrido pelos indígenas sul-americanos até o interior do continente bem antes da “descoberta” pelos europeus.

E essa escolha por rotas, como aponta Márcio, não é à toa. “Contar essas histórias faz parte do que somos e do conceito da cervejaria. La Caminera é uma expressão em espanhol usada para uma bebida que você leva para o seu caminho, meio que para viagem. Meu sócio e eu, o Kauê, sempre tivemos esse hábito de sair tomando uma cerveja por aí”, explica. “Decidimos contar histórias de locais, caminhos e afins para juntar nesse conceito cerveja, cultura e diversão.”

Nessa fase de expansão, a La Caminera lançou seu quinto rótulo na última semana: a Sutra, uma New England Double IPA. “A Sutra conta a história das esculturas do templo de Khajuraho, todas elas com referências ao Kama Sutra. Então a ideia é entrar um pouco em um assunto tabu apresentando uma cerveja que pensamos para ser fora do comum dentro do estilo dela. Fora da linha extremamente frutada e mais doce, recorremos à junção de lúpulos que trazem outras características, mantivemos um corpo médio alto e com leve aveludado característico das Juicys, um amargor mais presente e 8% de álcool bem inseridos”, detalha Márcio.

É mais uma opção da La Caminera em seu desafio de se tornar uma marca nacional sem desfazer a sua força local. E a próxima ação nessa busca por equilíbrio poderá ser a abertura de um brewpub. “Temos um sonho, mas não enxergamos como conflitante com nossa busca por expansão. Acreditamos que o brewpub entrega outro tipo de entretenimento, com uma cerveja feita ali para ser cerveja conseguida ali. Mas ainda não temos um plano nesse momento, é mais um sonho mesmo”, conclui.

Em parceria com Agrária e Ambev, Embrapa promove reunião nacional da cevada

Com apoio de boa parte da comunidade científica, a Embrapa Trigo realizará a 32ª Reunião Nacional de Pesquisa de Cevada entre os dias 16 e 18 de abril, em sua sede, em Passo Fundo (RS). O evento é organizado em parceria com a Agrária e a Ambev, além de ter o apoio dos grupos Petrópolis e Soufflet.

Criada em 1981 e bienal desde 2009 – antes era anual -, a reunião nacional tem “o objetivo de reunir toda a comunidade técnica e científica associada ao agronegócio da cevada e do malte, incluindo pesquisa, assistência técnica, academia, indústria e produção, para discutir resultados de safras e de pesquisas, planejar trabalhos em conjunto, bem como atualizar e propor novas indicações técnicas para o cultivo da espécie”, segundo detalha Euclydes Minella, pesquisador da Embrapa Trigo.

Para contribuir com o debate, a comunidade científica pode submeter trabalhos com resultados de pesquisa relacionados à cultura da cevada ou malte. São três áreas temáticas para o envio dos resumos: genética e melhoramento; fitossanidade; e manejo e práticas culturais.

O prazo para o envio dos trabalhos técnico-científicos se encerra em 2 de abril. Os trabalhos aprovados pela comissão de avaliação irão compor os anais da reunião, com a seleção de resultados para apresentação oral ou em forma de pôster, segundo a Embrapa.

Já as inscrições para participação como ouvinte podem ser realizadas até 6 de abril no site do evento. Para mais informações, ligue para (54) 3316-5800 ou escreva para trigo.eventos@embrapa.br.