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Nova máquina promete encher até mil latas de cerveja por hora

A crescente tendência das cervejas artesanais em lata ganhou uma nova aliada no mercado brasileiro. Trata-se do Conjunto Blocado Automático Linear para Latas RZ RER-LA-F 4/4/1 GA-PV, uma enchedora que promete produzir até mil latas por hora.

Lançado pela Zegla Indústria de Máquinas para Bebidas, o equipamento tem a vantagem de ser compacto e foi pensado justamente para auxiliar essa nova tendência do mercado, segundo conta Cássio Cusin, supervisor regional de vendas da empresa.

Conjunto Blocado Automático Linear para Latas

“A cerveja artesanal em lata é a nova tendência no Brasil e está cada dia mais presente no mercado. Então, a cervejaria vai poder acompanhar esse movimento com um equipamento confiável, compacto e eficiente”, afirma o supervisor com exclusividade ao Guia da Cerveja.

O equipamento traz também entre suas vantagens, segundo acrescenta Cusin, a segurança no envase. Permite, ainda, produzir mil latas de 269 ml e 355 ml por hora – e 750 de 473 ml.

“É uma solução para envase seguro de cerveja em latas. Produz 1.000 latas por hora, além de ser uma máquina compacta que oferece tempo de resposta para atender o mercado”, completa o supervisor da Zegla.

Outras funcionalidades do conjunto blocado são o rinser linear com quatro pinças pegadoras de latas, tanque construído em aço inox com controle automático de nível através de boia e quatro válvulas de enchimento isobarométricas, especialmente desenhadas para enchimento de latas com cerveja e sistema de pré-evacuação de ar por varredura de CO2.

Entrevista: Brasil pode dobrar produção de malte e sonhar com o lúpulo próprio

Embora o malte brasileiro tenha tanta qualidade quanto qualquer outro estrangeiro, a produção de cevada sofre com questões internas que dinamitam a oportunidade de praticamente dobrar a sua capacidade. É o que garante Euclydes Minella, pesquisador da Embrapa Trigo e uma das principais referências nacionais no cultivo de grãos cervejeiros.

Em entrevista ao Guia da Cerveja, Minella revela os problemas dessa improdutividade. “Como o negócio é totalmente privado e concentrado, o aumento da capacidade industrial depende de pesados investimentos na construção de novas plantas”, aponta.

O especialista fala com a experiência de quem trabalha há décadas com o tema. Pesquisador da Embrapa Trigo desde 1975, período em que gerou e transferiu conhecimentos e tecnologias na área de agronomia e melhoramento genético de cereais de inverno, com ênfase em cevada, Minella cursou doutorado na Cornell University, nos Estados Unidos, onde estabeleceu a base genética da tolerância ao alumínio tóxico em cevada, fator limitante à expansão e à produção da espécie em regiões de solos ácidos.

E, com base nessa experiência, o pesquisador avalia também a queda na produção de cevada em 2017 e os seus impactos ao mercado brasileiro. Fala, também, sobre o sonho de produzir o lúpulo nacional. E garante: é possível, sim, embora estejamos distantes.

Confira, a seguir, a entrevista completa com Euclydes Minella, pesquisador da Embrapa Trigo.

Qual a qualidade atual do malte brasileiro? Temos o mesmo nível de malteação e de qualidade de grãos do que os principais países desse mercado?
A qualidade do malte saindo das maltarias brasileiras é tão boa quanto a dos maltes importados com os quais temos que competir para acessar o mercado cervejeiro nacional. Certamente, para atingir esta qualidade, nossas maltarias aplicam a mesma tecnologia dos exportadores que importam cevada de qualidade competitiva. O malte comercializado tem que atender as especificações dos cervejeiros, que em geral seguem padrões internacionais.

Quais os principais entraves na produção nacional de malte/grãos e o que tem sido feito para destravá-los?
Na produção de malte existe espaço para praticamente dobrar a capacidade atual. Como o negócio é totalmente privado e concentrado, o aumento da capacidade industrial depende de pesados investimentos na construção de novas plantas e da competitividade para concorrer com o custo-benefício de outras alternativas de negócios. A expansão tem ficado apenas com os fabricantes atuais, sem a participação de novos investidores.

Embora a área cultivada de cevada no Brasil tenha aumentado quase 30% entre 2016 e 2017, a produção caiu 24,5%. O que explica a discrepância entre esses números?
Trata-se do efeito de condições adversas de clima para a cevada, frequentes na região de concentração da produção (Região Sul). A safra de 2016 foi excelente, mas a de 2017 foi abaixo da produtividade média esperada.

Como essa queda afetou o mercado cervejeiro?
Na verdade, a produção interna de cevada não afeta o mercado cervejeiro, uma vez que a indústria tem como suprir a queda aumentando a importação. A queda de produção afeta sim os produtores, que poderão amargar prejuízos em anos desfavoráveis.

E como essa queda pode ser enfrentada?
Uma maneira de acelerar o aumento da capacidade de malteação seria o incentivo a investidores independentes da indústria de cerveja, como cooperativas, e outros investidores do agronegócio.

O que é preciso para produzir um lúpulo brasileiro em larga escala?
É preciso adaptar as condições de solo e clima de um país de clima tropical/subtropical, menos favoráveis do que as do clima temperado, onde a maior parte do lúpulo é produzido.

É possível hoje sonhar com o cultivo desse lúpulo nacional?
Baseado nas experiências de produção em andamento em várias regiões do país, principalmente pelo segmento da cerveja artesanal, acredito, sim, ser possível produzir lúpulo internamente. Entretanto, produções extensivas vão demorar muito para se consolidar, devido à falta de pesquisa com a espécie por aqui. Praticamente inexiste pesquisas fora do setor privado.

Bebida universitária: O trabalho da UFMG para desenvolver a cerveja artesanal

Cerveja se tornou algo sério no Brasil. Tão sério que, nos últimos anos, em meio ao crescimento da oferta de artesanais, a bebida mais consumida nacionalmente deixou a mesa de bar e foi parar na sala de aula das principais universidades do país. E, nesse sentido, poucas iniciativas foram tão significativas quanto à criação do Laboratório da Cerveja, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Criada em julho de 2015 sob a coordenação do professor Dr. Carlos Augusto Rosa e integrada pelas doutoras em microbiologia Beatriz Borelli e Luciana Brandão, a iniciativa é um projeto de extensão executado pelo Laboratório de Taxonomia, Biodiversidade e Biotecnologia de Fungos localizado no Instituto de Ciências Biológicas da UFMG. Tem, entre suas funções, oferecer apoio ao cervejeiro local.

As doutoras Luciana Brandão e Beatriz Borelli

“O nosso objetivo é dar suporte técnico e científico aos produtores de cervejas artesanais por meio de serviços voltados para a microbiologia envolvida na produção de cervejas”, resumem as doutoras Beatriz Borelli e Luciana Brandão, que integram o Laboratório de Taxonomia, Biodiversidade e Biotecnologia de Fungos.

A ideia de criar o Laboratório da Cerveja surgiu da própria percepção de expansão do mercado de cervejas especiais em Minas Gerais – e da observação de que não existiam serviços voltados para garantir a qualidade microbiológica da bebida.

“As atividades do Laboratório da Cerveja iniciaram em julho de 2015, quando começamos a aprofundar os estudos sobre produção, fermentação e micro-organismos envolvidos nas cervejas e também sobre o controle de qualidade microbiológico na produção de cervejas”, contam.

Em julho de 2016, então, o projeto realizou o primeiro trabalho de controle de qualidade microbiológico em uma cervejaria de Nova Lima, região metropolitana de Belo Horizonte e importante polo cervejeiro de Minas Gerais.

Vários produtores, então, foram entrando no radar do laboratório. “Esses contatos foram extremamente importantes para conhecer a demanda das cervejarias, difundir a importância do controle de qualidade, expandir nossa carta de serviços e também expandir o número de cervejarias atendidas.”

A atuação do laboratório
O projeto da UFMG é voltado totalmente para melhorar a “safra” do cervejeiro. Ao identificar a presença de alguma alteração sensorial na bebida, ou mesmo se quiser manter um padrão de qualidade em seus rótulos, o produtor só precisa entrar em contato por e-mail ou telefone e informar as suas necessidades.

Brandão e Borelli contam que, feito esse primeiro contato, é realizada uma visita técnica, “onde é avaliada a estrutura física da cervejaria e identificados pontos críticos importantes a serem monitorados antes ou após o processo de sanitização da cervejaria (CIP)”.

A cervejaria também pode optar por avaliar apenas o produto final como a cerveja na garrafa, pasteurizada ou não, o chope, a cerveja em fermentação ou a maturação. “Além disso, o fermento (re)utilizado também pode ser analisado quanto à presença de contaminantes e à viabilidade para novas utilizações. Matérias primas como água e malte também podem ser encaminhadas para análises microbiológicas”, explicam.

Depois de recolhido o material, o laboratório faz as análises microbiológicas para detecção e identificação de micro-organismos contaminantes, como bactérias e leveduras selvagens, que podem prejudicar a qualidade sensorial da bebida. Todos os meios e técnicas utilizados estão de acordo com os protocolos internacionais da American Society of Brewing Chemists (ASBC) e European Brewing Convention (EBC).

Além de proporcionar um apoio ao controle de qualidade, o laboratório também oferece um curso mensal de Produção de Cerveja Artesanal para iniciantes. As matrículas e outras informações estão disponibilizadas no site da Fundep (www.fundep.ufmg.br).

O abismo sublime: A turbulenta relação que une cerveja, álcool e literatura russa

A literatura constrói, a rotina destrói. E, nesse ínterim povoado pela angústia inesgotável, o zero absoluto da essência, a bebida alcoólica surge como fonte primária de abastecimento de algo que, de maneira imprudentemente genérica, poderíamos definir como sentido. Que não seja essa uma ideia-síntese. Mas, quem sabe, que funcione como mínima imagem para definir o russo, esse russo sempre atrelado aos mujiques e aos revolucionários, às doses de vodca e ao Dostoiévski.

Eis aqui, porém, o problema real. Se já soa desgastado determinar qualquer povo sem recair em um descartável clichê, mais difícil ainda parece ser a definição de uma gente marcada por dois componentes tão grandiosos quanto inconcebíveis: o álcool e a literatura. Dois componentes, aliás, que se tornaram irmãmente indissociáveis.

“Primeira coisa: existem estereótipos – a pontualidade inglesa, por exemplo – e a bebedeira russa é um deles. Como no Brasil, onde se diz que tudo é carnaval e futebol, e nada mais. Antes, é preciso ter isso em mente”, aponta Elena Vássina, pesquisadora russa formada na Faculdade de Letras da Universidade Estatal de Moscou Lomonóssov (MGU) e professora de Letras Russas da Universidade de São Paulo (USP). “A bebida está presente na literatura russa. Sempre, desde Púchkin.”

Por mais que tenha seu traço estereotipado, a simbiótica relação entre álcool e literatura russa também é apontada como inevitável por Irineu Franco Perpetuo, jornalista e tradutor de importantes obras russas para o português, como O mestre e Margarida, de Mikhail Bulgákov, e Vida e Destino, de Vassíli Grossman.

“Associar Rússia e alcoolismo parece reforçar estereótipos, mas, se a língua é espelho da cultura, há muitas palavras específicas para isso em russo”, explica o tradutor. Zapói, por exemplo, define uma bebedeira que dura dias. “Ou sobutýlnki, companheiro de pândega, cuja raiz é justamente a palavra butýlka – garrafa.”

Há, ainda, um outro termo emblemático: vytrezvítel, uma espécie de delegacia para cura de ressacas. Foi criada antes da Revolução de 1917 e sobreviveu ao fim da URSS – o último vytrezvítel da Rússia foi fechado em 2006. Esse “estabelecimento” foi tema de uma novela escrita pelo dramaturgo Vassíli Chukchin (1929-1974), E de manhã eles acordaram, de 1973, e adaptada para o cinema em 2003, segundo Perpetuo.

“Na literatura (russa), o álcool me parece uma presença tão ou mais forte quanto o duelo – já que os duelos ficaram no século XIX, e o consumo de bebidas alcoólicas segue firme nos séculos XX e XXI – seja como vício, seja como celebração”, acrescenta o tradutor, remetendo a um trecho de Diário de um Escritor, de Dostoiévski:

O russo bêbado gosta de beber por desgosto e de chorar. Quando cai na farra, não celebra, apenas provoca desordens. Sem exceção, vai se lembrar de uma ofensa qualquer e passar um reproche no ofensor, com este presente ou não.

A cerveja “ocidental”
Embora tenha participação bem menos canônica na formação histórica e literária da Rússia, a cerveja possui uma pequena influência em algumas obras. Professora da USP, Vássina conta que a bebida apareceu no país durante o início do século 18, com Pedro, o Grande, um dos mais importantes czares russos.

“Ele ocidentalizou a Rússia, abriu a janela para a Europa e fundou São Petersburgo. Como trabalhou na Alemanha, na Holanda, ele trouxe o hábito de beber cerveja. Começou a servir na corte, principalmente a cerveja produzida por ingleses e alemães”, comenta a professora russa.

E é justamente com esse caráter “ocidental” que a cerveja aparecerá em Oblómov, escrito por Ivan Gontcharóv e publicado pela primeira vez em 1859. Retrato de uma aristocracia decadente e ociosa, uma antítese das então fabulosas promessas de progresso materializadas pela técnica e pela ciência, Oblómov é um sujeito que passa boa parte do tempo em casa dedicando-se, quase exclusivamente, com raras exceções, a comer e beber.

Sem disposição até para fazer as próprias compras, o personagem ordena seus pedidos para Zakhar, o seu estabanado criado. E, entre os itens geralmente solicitados, está a cerveja preta. “A cerveja não era aristocrática, mas a classe alta bebia. Não era uma bebida russa. Então, é a imagem dessa cerveja preta mesmo, uma cerveja inglesa, alemã. Da ocidentalização da Rússia”, explica Vássina.

A cerveja também será coadjuvante em Inveja, de Iuri Oliécha, publicado já no período soviético, em 1927. Focado nas estripulias de Nikolai Kavaliérov, um anti-herói dubiamente burguês e reticente com a revolução, o livro constrói com maestria um ambiente dominado pela ambiguidade. Tanto a perspectiva sobre os personagens quanto à leitura “sociológica” vão mudando com o andamento da narrativa. É uma obra essencialmente moderna, com amplas interpretações.

Poema visual de Prigov: O que há na cerveja

Situação idêntica ocorre com a bebida. Em sua vida desregrada, Kavaliérov vive em bares e, quase sempre, mais até do que vodca, opta pela cerveja. Como elucida Vássina, “a cerveja se torna uma bebida barata e popular na época soviética”, algo bem retratado em Inveja. Ao mesmo tempo, a bebida parece sintetizar um mea culpa de Oliécha, autor que reconheceu sua similaridade com Kavaliérov: enquanto os revolucionários trabalham na construção da URSS, Kavaliérov está mais concentrado na cerveja.

Mais decisiva será a participação da bebida em um poema de Dmitry Prigov, escrito já no fim do período soviético, quando a cerveja cai de vez no gosto popular. “Ele fez um poema visual em máquina de escrever, antes de existirem os computadores, creio que em 1984, 1985. Prigov preenchia todo o papel A4 com uma frase latina muito conhecida: ‘In vino veritas’. Era um triangulo que diminuía até o final da página e, no fim, tinha: ‘O que há na cerveja’. É um poema visual.”

Púchkin, Napoleão e a champagne
Se autores como Dostoiévski, Tolstói, Tchecov, Gogol e Gorki se tornaram mais célebres ao longo das décadas, ao menos no que se concerne à fama ocidental, a literatura russa deve todas as suas bases a um nome menos cultuado por aqui: Aleksandr Púchkin (1799-1837). É nele, também, onde estão as bases “alcoólicas” que inspirarão outros escritores.

Duas bebidas são essenciais em importantes livros de Púchkin, em especial o romance em versos Eugênio Oneguin, considerado por muitos como a sua obra-prima. Trata-se da champagne e do vinho. São, aliás, dois “presentes” legados pela França após Napoleão perder a guerra para a Rússia, segundo relata a professora da USP.

“Púchkin é o início da literatura russa, o diálogo com todas as obras que vêm depois. E ele fala muito de champagne porque, depois da guerra contra Napoleão, ela se torna a bebida predileta dos aristocratas russos. Depois, fica até popular”, detalha Vássina. “Como a Rússia venceu Napoleão, foi uma parte da contribuição. Teve que pagar durante 30 anos, a champagne e o conhaque. Então, isso vai estar na literatura russa, em Púchkin.”

Casa-museu Púchkin na Rua Arbat, ícone da boemia moscovita

A abordagem do escritor é aguda e reflete um caráter indissociável da cultura local. Como se, desde a pedra fundamental, a literatura russa enfrentasse a questão do estereótipo: se as duas bebidas são associadas a uma ascendência glamorosa na França, quase sovina, em Púchkin elas refletem exatamente o oposto.

“Púchkin fala de Veuve Clicquot, entre outros, e dos vinhos franceses. Fala muito de bebida, pois era impossível ocorrer um jantar russo sem o acompanhamento de vinho francês ou de champanhe. Na Rússia bebe-se bem mais champagne do que na França. É um estereótipo: dizem que francês é econômico, e o russo o contrário. A gente não tem limite, gasta tudo. Tem um caráter generoso. Então, vai encontrar muito champagne na vida. Tanto a cara, como a francesa, como algumas excelentes produzidas na Crimeia.”

Também em Guerra e Paz, de Tolstói, o vinho e a champagne têm importante participação. Irineu Franco Perpetuo, que está trabalhando na tradução da obra, relata que recentemente verteu uma passagem sobre um almoço, realizado em honra de um personagem histórico, o príncipe Bagration. E, aqui, as bebidas vão retratar um caráter quase complementar ao relatado por Vássina: os excessos.

“A refeição é fartamente regada a bebidas – vinho e champanhe, especialmente -, e aos brindes exaltados e prolixos que são de hábito na Rússia”, conta o tradutor. “Uma coisa que me ensinaram quando estudante do idioma é que os russos não costumam bebericar – eles esvaziam o conteúdo do copo de uma vez. Nessa cena do romance, para demonstrar que as taças foram esvaziadas, os personagens jogam-nas no chão. E não estamos falando de mujiques russos, mas sim da fina flor da aristocracia do país, reunida no Clube Inglês.”

Já na literatura soviética o vinho francês perderá espaço e dará lugar ao georgiano. É uma bebida mais doce e, sobretudo, o que parece reforçar a sua influência, adorada por Stalin. “Foi um culto de beber vinho georgiano. Tem vários escritores contemporâneos e soviéticos que bebem – e os personagens também”, afirma Vássina.

Vodca
Por mais que a cerveja, o vinho, a champagne e mesmo o licor – outra bebida fundamental na formação do país – tenham participação ora coadjuvante, ora decisiva na história literária russa, ainda resta toda uma margem lamacenta que levará rumo à fonte desse abismo humano, social, moral, ético, que parecem sempre nos sinalizar os Púchkins, os Tolstóis, os Tchecovs, os Dostoiévskis, os Turguênievs, os Leskovs, os Bunins, etc., etc., etc.

Contra o estereótipo desgastado, contra esse tipo irrevogável de essência esvaziada, resta-nos a vodca. A vodca e, claro, uma dose de literatura. Pois é na união entre essas entidades tão óbvias – e ao mesmo tempo tão sublimes – que parece possível descortinar uma dualidade fundamental e preencher o vácuo de monotonia combatido de frente pelo Id, essa estrutura inconsciente que Freud só pode ter desvendado ao analisar um russo.

De um lado, é evidente, essa relação aponta para um dos mais tenebrosos aspectos russos: o alcoolismo. Doença que não apenas vai inspirar dezenas de obras, como fomentar uma série de “debates” literários. “Em Crime e Castigo, por exemplo, o pai da Marmeladov é alcoólatra e Dostoiévski escreve isso muito detalhadamente. Tudo está ligado à destruição trágica desse pequeno funcionário público. Deixa viúva, filho. Ele é alcoólatra, possui uma doença”, lembra Vássina.

Tolstói, por sua vez, dedicou parte de sua vida para combater a doença. “Ele tem várias obras contra o alcoolismo, contra esses hábitos, como os contos e as novelas”, diz a professora. “Ele faz campanha contra o alcoolismo do povo, é algo que passa por toda a obra dele. A família dele até bebia, vinho sempre foi servido. Mas uma coisa era beber cerveja, vinho, vodca. E a outra é o alcoolismo.”

Nada, evidentemente, é tão simples. Se reflete a nossa pulsão de morte com um impacto avassalador, a vodca também vai destruir qualquer leitura estereotipada de que, bem, as coisas são o que são. O cultuado verso de Maiakóvski, lembrado por Irineu Perpetuo, dá o tom preciso do contraponto:

Melhor morrer de vodca do que de tédio

Eis aí, talvez, um dos pontos centrais da literatura russa: a vodca como referência de um povo que, movido também por um instinto irrefreável de coletividade, de abundância, de generosidade, utiliza todas as armas possíveis para lutar contra essa monotonia, esse tédio que se reproduz como tradução de existência.

“O tema da vodca é bem importante e está sempre presente”, pontua Vássina. “Mas também, em comparação, quando vamos falar de vodca, de bebida e de literatura, é interessante pensar como a bebida é sempre pensada pelo lado coletivo – e nunca individual. As pessoas sempre bebem juntas. Esse é o ponto. Tanto que as drogas praticamente não estão presentes na literatura russa, porque é algo solitário.”

O alcoolismo, então, segundo arremata a professora, vem da necessidade quase primordial dos russos se unirem para enfrentar o tédio. “Isso está ligado com o clima de inverno, com os camponeses. Não tinha nada para fazer nos séculos anteriores, porque o camponês não trabalhava no inverno. Lógico que eles começaram a beber muito.”

Tanto o tradutor quanto a professora são unânimes em apontar a mais icônica obra abordando o alcoolismo: Moscou-Petuchkí, de Venedikt Erofêiev. O livro, que ainda não saiu no Brasil, narra a viagem de um intelectual alcoólatra em um trem de subúrbio, entre as cidades de Moscou e Petuchkí.

“É uma viagem de trem e uma descrição de bebedeira”, detalha Vássina. “A obra, para nós, é como uma Odisseia. Foi escrita no início dos anos 1960, é muito importante”. Seu autor, complementa a professora, morreu com apenas 51 anos. “Faleceu de alcoolismo. Câncer de garganta.”

Nesse abismo substancial em que o sentido cotidianamente nos escapa, é fundamental lembrar de um último escritor. “Não há como não mencionar Serguei Dovlátov (1941-1990), mestre da ironia, do humor e do entrelaçamento entre ‘real’ e ficcional”, aponta Perpetuo. Tema de um filme recentemente premiado no Festival de Berlim, Dovlatov, de Aleksei German Jr, o autor teve seu romance Parque Cultural traduzido aqui em 2017. Nele, escreve:

“Para os outros, a vodca é domingo. Para mim, são dias de semana monótonos… Ora desintoxicação, ora xadrez, dissidência pura… A esposa, claro, está descontente. Vamos arranjar uma vaca, diz ela… Ou uma criança… Desde que não beba. Mas, por enquanto, eu me abstenho. Quer dizer, sigo bebendo…”

Sigamos, então, uma última vez. Essência trágica de um povo devorado pelos seus excessos ou resistência irônica de uma gente que sabe rir do ocaso? Como Dovlátov, nos abstenhamos – de respostas. Como se houvesse respostas. Se a rotina monótona nos carrega dia após dia para o fim, ao lado do abismo existe sempre um copo de vodca. E, já no breu, quando até a garrafa se turvar, ainda sobrará essa réstia sem estereótipo e imortal dos Púchkins, dos Tolstóis, dos Tchecovs, dos Dostoiévskis, dos Turguênievs, dos Leskovs, dos Bunins, etc., etc., etc.

Balcão da Copa: França x Croácia no mundo das cervejas

A Copa do Mundo está chegando com uma final inesperada nos campos. E, também, quando se trata de cerveja, escolas mais tradicionais e fortes ficaram no meio do caminho. Nada de Alemanha, com sua tradição secular, nem de ingleses com suas ales correndo pelas veias, nem da “ótima geração belga” ou da potência brasileira. De um lado, a consistente seleção francesa, com três finais, um título e fama ligada mais a seus vinhos do que a suas cervejas. Do outro, a supressa Croácia, cujo melhor resultado fora as semifinais de 1998 – e com pouca expressividade no mundo das cervejas.

A seleção de Modrić: domínio das lagers leves
A croácia é o sexto país onde mais se consome cerveja no mundo. São, em média, 81,9 litros por habitante por ano, de acordo com o portal Stata – consumo maior do que o dos anfitriões da Copa (leia aqui). Os dados, no entanto, são inflados por conta do volume consumido por turistas em busca do belo litoral croata. Segundo relatório do site local especializado em economia Poslovini Dinevnik, descontados os viajantes, o consumo cai para 64 litros por habitante por ano. Mesmo assim, é comum que a bebida, assim como o vinho, acompanhe refeições.

Ožujsko e a lata oficial da seleção croata

Apesar de ser um país novo – tem 27 anos como nação -, suas principais cervejarias datam do século XIX. A Zagrebačka Pivovara, por exemplo, foi fundada em 1822, em resposta à crescente demanda da que viria ser a capital do país (Zagreb). Hoje ela pertence ao grupo canadense Molson Coors, e seu principal rótulo é a lager Ozujsko.

Seu estilo, aliás, se assemelha ao de Luka Modrić, craque da Croácia e do Real Madrid: é palatável, leve e clara. Trata-se da cerveja mais antiga do país e líder em vendas, com aproximadamente 40% do mercado doméstico – e uma das principais patrocinadoras da seleção croata.

Em segundo lugar, a Karlovačko, outra lager leve, da Karlovačka Pivovara, desde 2003 sob controle da Heineken, é bem vendida e apreciada também na Bulgária. A menor das gigantes croatas é a Pan, pertencente ao Grupo Carlsberg.

Cervejarias artesanais, no entanto, estão conquistando seu espaço. Em seu primeiro ano de vida, a Zmajska Pivovara, de Zagreb, ganhou destaque no site Rate Beer como a nona melhor cervejaria artesanal do mundo – até hoje diversos de seus rótulos são muito bem classificados no site.

O time de Giroud: tradição e pouco volume
Já a França, conhecida por sua tradição vinícola, tem na cerveja uma história mais expressiva do que a Croácia. Pelo território francês passa o “cinturão europeu do lúpulo”, área propícia para seu cultivo, que vai do sul da Inglaterra à República Tcheca, passando pelo norte e nordeste franceses, Alemanha e Bélgica. Isso garantiu boa cerveja francesa por séculos a fio: sua marca mais famosa, Kronenbourg, foi fundada em 1664 e é a quinta cerveja mais antiga ainda em produção no mundo – hoje também pertence ao Grupo Carlsberg.

Kronenbourg, a quinta mais antiga do mundo

Se tem tradição, a França peca no volume. Como seu centroavante Olivier Giroud: tem sua fama, mas é pouco efetivo (e pode terminar a Copa sem nenhum gol). O envolvimento com a cerveja, afinal, está longe dos rivais: o francês bebe em média 32 litros de cerveja por ano. Parece pouco, mas isso representa dois litros a mais do que a média de quatro anos atrás. O ano de 2017 foi o primeiro de crescimento após 36 anos de queda.

Em entrevista recente ao jornal Le Figaro, o presidente da Carlsberg no país, Joao Abecasis, aponta para uma mudança significativa nas tendências de consumo de cerveja na França: o aumento da participação das mulheres, a popularização das cervejas não alcoólicas e o crescimento do mercado de artesanais. Segundo a Associação dos Cervejeiros da França, o número de cervejarias no país dobrou, de 550 em 2015 para 1.100 em 2017, produzindo nada menos do que 4 mil rótulos.

Dentre as mais prestigiadas protagonistas da revolução francesa, estão a Brasserie Thiriez, de Esquelbecq, quase na fronteira com a Bélgica, e a Gallia, uma cervejaria parisiense do século XIX, fechada em 1968 e reaberta em 2009.

Croácia x França
Fôssemos, então, reproduzir no copo o duelo que movimentará o mundo neste domingo, coincidentemente teríamos um cenário similar ao dos gramados: a França, já campeã mundial, chega como favorita em função de sua qualidade e tradição, mas pode tranquilamente ser surpreendida por uma Croácia que, embalada pela leveza retratada por Modrić, o jogador que mais correu na Copa da Rússia, desponta forte no mercado e sonha em ser grande.

Boa pivo. Ou, se preferir, boa bière.

Balcão da Copa: A ressureição de Trotsky em forma de cerveja

Diz a história que Leon Trotsky perdeu a disputa com Josef Stalin pelo comando da União Soviética, foi exilado anos depois no México e acabou assassinado por Ramón Mercader em agosto de 1940, a mando de seu rival. Não cabe aqui debater causas e consequências do fato. Mas cabe, sim, expor outro dado interessante: a “ressureição” de Trotsky, canalizada em uma garrafa de cerveja artesanal brasileira.

Mais de 75 anos após a sua morte, provocada pela impiedosa luta sucessória inaugurada com a morte de Lenin, Trotsky inspirou a receita de uma cerveja produzida pela Tito Bier. Assim, nasceu uma nova red ale.

O rótulo faz parte da “linha vermelha” da cervejaria, uma série que homenageia também Marx (uma ipa) e Rosa de Luxemburgo (uma altbier). A Tito Bier ainda traz entre suas inspirações nomes como o do escritor Goethe e do pensador Henry Thoreau.

“A Trotsky foi a segunda receita da ‘linha vermelha’ que fizemos”, conta Vini Marson, sócio da Tito Bier. “A primeira foi a Marx e veio de uma encomenda de um amigo marxista, Tato Coutinho. Ele queria uma cerveja vermelha, intensa e lupulada para dar de lembrança aos convidados do seu aniversário de 50 anos. Foi um sucesso e ele nos encomendou a Trotsky para o ano seguinte.”

O retrato de Trotsky
Reproduzir um personagem tão complexo como Trotsky em uma garrafa de cerveja, porém, não foi algo simples. Vini conta que a ideia inicial era “desvirtuar” uma red ale. Até chegar à receita ideal e produzi-la em maior escala, a convite do projeto Social Beers, foram testadas 18 versões.

E o resultado, segundo o sócio da Tito Bier, foi um bom retrato de Trotsky. “Sempre que pensamos em receitas e relacionamos a um personagem tentamos fazer um retrato livre. Às vezes é de trás para frente – primeiro vem a cerveja, depois o homenageado”, detalha Vini, explicando como a cerveja se conecta com o personagem.

“No caso da Trotsky queríamos uma cerveja que fosse tão cheia de nuances quanto palatável, tivesse uma base tradicional (teórica – representada pelos maltes variados), mas com um final surpreendente e inspirador (representada pela lupulagem fresca e cítrica de columbus e amarillo, quase a antítese complementar desta base de maltes). Retratamos nela o Trotsky orador e tradutor de ideias complexas em conceitos compreensíveis e inspiradores.”

Embora afirme ser difícil precisar se Trotsky gostava de cerveja, Vini garante que alguns líderes da revolução aprovavam bebidas alcoólicas. “Pesquisamos isso, mas não descobrimos se ele tinha algum apreço por cerveja. Sabemos do gosto dos líderes da revolução pelos destilados, mas entendemos também que a cerveja é historicamente a bebida alcóolica popular, por isso nos demos esta liberdade poética.” Mesmo sempre atrás da vodca na preferência nacional, a cerveja teve seu espaço no período soviético, como contamos nesse texto aqui do Guia.

O sócio da Tito Bier acrescenta, por fim, que a cervejaria passou por mudanças nos últimos meses que afetaram a produção. Nem todos os rótulos da linha vermelha, assim, estão disponíveis. “No momento estamos fazendo uma cerveja por vez – o que faz com que não tenhamos garrafas/latas de todas sempre.”

4 razões para fazer um curso de cerveja

A popularização das cervejas artesanais criou um mercado enérgico e extremamente agradável no Brasil. Não apenas as boas bebidas e os grandes festivais se dinamizaram nos últimos anos, como também a oferta de cursos segmentados, voltados para profissionais do setor e para “amadores” que pretendem se especializar.

Se você ainda é um bebedor ocasional de final de semana – ou de meio de semana também! – sem maior envolvimento com a cerveja, saiba que há quatro boas razões para fazer um curso e se aprofundar no tema. Confira:

1- Fazer da cerveja um caminho sem volta
Você gosta mesmo de cerveja? Então, ao fazer um curso, ela se tornará parte essencial de sua rotina. “Entrar no mundo cervejeiro é um caminho sem volta. Depois que se começa a experimentar cervejas diferentes e encontrar novas opções de sabores e aromas, é difícil querer parar”, garante Carlo Enrico Bressiani, sommelier de cervejas, PhD em Finanças pela Universitat Ramon Llull, de Barcelona, e diretor-geral da Escola Superior de Cerveja e Malte, de Blumenau. “A procura por cursos é uma evolução deste processo, quando só beber não é mais suficiente.”

2- Conhecer a cerveja que realmente gosta
Em meio a uma oferta cada vez maior de cervejas, entender o que você aprecia se tornou essencial. E um curso, ao trazer técnicas para identificar aroma, sabor e amargor, entre outras nuances, vai facilitar essa descoberta. “Tudo isso é informação para que o consumidor saiba comprar melhor na gôndola, entenda suas preferências pessoais e, claro, arrisque beber até uma garrafa mais cara sabendo que está analisando cada aspecto daquela cerveja”, explica Júlia Reis, sócia e professora da Sinnatrah, uma cervejaria-escola de São Paulo que oferece cursos desde 2009.

3- Ser um evangelizador da cerveja
Quer fazer da cerveja a sua fé, a sua religião? Esse será o caminho natural quando você se aprofundar nesse universo. “Esse bebedor tem papel fundamental, pois é um evangelizador da cerveja especial. Quando conhece algo novo, ele mostra para outras pessoas, apresenta esse universo para quem está ao redor. Quando faz sua própria cerveja, presenteia os amigos, pede para outras pessoas experimentarem. E isso difunde esta cultura”, pontua Bressiani, professor e diretor da Escola Superior de Cerveja e Malte, a primeira na América Latina a abranger ensino, pesquisa e extensão sobre a bebida.

4- Viver da cerveja
Mas não é apenas como evangelizador que o novo cervejeiro poderá “atuar”. O aprofundamento no tema também permite, naturalmente, aos poucos, que o antigo apreciador possa trabalhar com a bebida. Uma alternativa interessante para um momento como este, de instabilidade econômica e política. “Outros começam a pensar na cerveja como uma possibilidade profissional e acabam investindo em cursos que possam lhe inserir no mercado de trabalho, tanto nas áreas de gestão e sommelieria quanto de produção de cervejas”, completa Bressiani.

Na linha de produção: Os bastidores da criação de uma embalagem imperial

Cerveja Cidade Imperial Dunkel

A aposta em um design exclusivo e diferenciado é um dos segredos para seduzir o consumidor moderno. Quanto mais elaborado o produto, no entanto, mais difícil será o trabalho de criação. Foi o caso das embalagens da Cidade Imperial, criadas a partir de um complexo processo que uniu profissionais das mais diversas especialidades.

Tanto as versões Pilsen, Helles e Dunkel, que vêm em garrafas de 275 ml, 330 ml e 500 ml na cor âmbar, quanto a Império Lager e a Império Gold, embaladas em envases de 210 ml e 275 ml nas cores verde e flint (transparente), possuem pescoço alongado que facilitam a “pegada” e tampas abre fácil com um anel lateral.

Cômodo para o consumidor, complexo para ser elaborado. Para chegar ao resultado final, os profissionais responsáveis pela embalagem precisaram passar, literalmente, pelo Dia da Criação.

“Essas garrafas foram desenvolvidas durante o Dia da Criação, um serviço que disponibilizamos para nossos clientes, onde fazemos em tempo real o desenvolvimento de um produto”, conta Catarina Peres, supervisora de marketing da Verallia, fabricante de embalagens responsável pela produção das garrafas da cervejaria de Petrópolis.

Inaugurado em 2002 na tentativa de trazer um diferencial ao mercado, o Dia da Criação é um trabalho conjunto desenvolvido entre o cliente e os profissionais da empresa. O processo integrado é feito entre as áreas de desenvolvimento, que realiza o contato para entender a necessidade, de projetos, que desenvolve os desenhos, e de produção e planejamento, que analisa a viabilidade de cada projeto.

“Cada projeto novo é discutido, estudado e posto em prática buscando atender às expectativas e às necessidades do cliente, mostrando o produto sendo criado no mesmo momento no CAD em 3D”, detalha Alexandro Bonfim, supervisor de novos produtos da Verallia.

As etapas da criação
Definidos os detalhes do projeto, chega o momento da criação. Esse processo, por sua vez, seguirá basicamente três etapas: o briefing, com as principais características informadas pelo cliente; a concepção, em que se propõe um rascunho para visualizar a nova embalagem até chegar ao desenho definitivo; e o projeto do molde e a produção.

“Elementos como design, tampas e rotulagem também fazem parte da análise para o desenvolvimento da nova embalagem”, explica Bonfim.

Depois desse intrincado dia, o cliente sairá com a nova garrafa. E, no caso da Cidade Imperial, a Verallia garante: o esforço não foi em vão. “Ficamos muito felizes com o resultado final, pois de fato as garrafas ficaram bonitas e bem diferentes das usadas pela concorrência, garantindo maior valorização do produto final”, completa Catarina Peres.

Harmonizando potencial: As tendências dos bares especializados em artesanais

A cerveja artesanal, felizmente, caiu no gosto do brasileiro. E, junto com ela, toda uma enorme rede de produção sofreu um impacto positivo e precisa, aos poucos, frente à nova realidade, adequar-se ao saboroso estilo desse novo mercado. É o caso do segmento de bares e restaurantes, diretamente impactado pela ampliação da oferta de rótulos especializados e do consequente amadurecimento do paladar nacional.

Para entender melhor esse mercado e o seu potencial, o Guia da Cerveja realizou uma entrevista com Ricardo Rodrigues, presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes de Minas Gerais (Abrasel-MG) e sócio-proprietário do tradicional restaurante Maria das Tranças.

Confiante no potencial do setor, que cresce expressivamente ano após ano, Rodrigues assegura: não há qualquer risco de saturação mesmo com o aumento exponencial da oferta de bares especializados em cerveja.

O presidente da Abrasel-MG conta também que a qualidade será o grande diferencial para impulsionar esses estabelecimentos e revela um dos novos segredos para conquistar o consumidor: a aposta na harmonização.

Confira, a seguir, a entrevista completa com Ricardo Rodrigues, presidente da Abrasel-MG e sócio-proprietário do Maria das Tranças.

Qual o potencial da cerveja artesanal para o mercado de bares e restaurantes?
Estamos sentindo em Belo Horizonte, na quantidade de fábricas de cerveja artesanal, nos bares e restaurantes com exclusividade das grandes companhias, ou mesmo nas que não têm, mas que estão buscando um diferencial, que o crescimento de cerveja artesanal está sendo muito grande. É enorme o potencial. O público mineiro e nacional tem buscado essa cerveja diferenciada. Está caindo na graça da galera.

E como o setor está trabalhando o desenvolvimento desse potencial?
Estamos evoluindo. Em Belo Horizonte, inclusive, temos uma lei tramitando na Câmara dos Vereadores para que bares possam virar brewpubs e fazer a fabricação da sua própria cerveja, seu próprio chopp em escalas pequenas [trata-se do Projeto de Lei 475/2018, proposta para que qualquer cervejaria que tenha área menor de 720 m² tenha as mesmas exigências de localização e fiscalização sanitária de um bar].

Quais as características de um bom estabelecimento de cerveja artesanal?
A premissa é a qualidade. Em Belo Horizonte, por exemplo, tem um consumidor de qualidade, que sabe, que entende de produção. E o bar, então, precisa de um ponto de partida diferenciado. Quem entende isso sai na frente em relação a outras casas.

Como essa qualidade pode ser trabalhada?
Nela precisa acompanhar uma boa gastronomia, a questão do atendimento, de produtos. As casas estão investindo em harmonização. Elas já buscam hoje não apenas uma cerveja especial, mas uma harmonização com pratos, criando cervejas para o próprio cardápio. Isso é muito interessante: buscar uma cerveja só para o cardápio. Se não acha, cria.

Com a abertura de inúmeros bares especializados nos últimos anos, é preocupante o risco de saturação?
Creio que não existe esse risco. Se as grandes companhias em nível mundial têm se preocupado em adquirir pequenas cervejarias para investir nesse mercado, então vemos que ele tem potencial e incomoda. As grandes estão preocupadas. Temos vários casos no Brasil de grandes comprando artesanais para se manterem nesse mercado que está crescendo.

Que modelo internacional de negócio poderíamos nos inspirar? Qual característica de mercado mais se assemelha com a nossa?
Temos várias escolas na hora em que pensamos qual tipo seguir. Temos a linha da escola norte-americana, da alemã, da europeia. Estamos bem divididos. Sentimos aqui um volume de cervejas que tem vindo das duas, não especificamente de uma escola única. É bem diversificado. O segredo para um bar é sentir o que o seu público vai consumir mais. Mas é bem eclético quando pensamos onde nos embasar.

Produção de cevada mantém regularidade e safra de trigo cresce 0,7% em junho

A produção dos principais cerais utilizados na cerveja brasileira manteve a regularidade em junho, segundo dados divulgados na terça-feira pelo Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A cevada em grãos, por exemplo, manteve os resultados de maio: 123.683 hectares de área plantada, 427.394 toneladas produzidas e 3.456 quilos por hectare de rendimento. Se não houve crescimento, a estabilidade indica que a safra superou de vez a forte baixa de 2017. Na comparação com o ano anterior, a produção dos últimos 12 meses cresceu 49,2%.

Outro cereal a apresentar regularidade foi o trigo em grãos. Na comparação com maio, segundo o IBGE, a área plantada em junho chegou a 2.006.719 hectares e subiu 0,7%, mesmo percentual de crescimento da produção, que alcançou 5.668.546 toneladas.

Já a produtividade do trigo teve ligeira queda em junho: 2.825 quilos por hectare ante os 2.827 de maio, uma retração de 0,1%.

Se os principais componentes da cerveja apresentam bons números, o mesmo não ocorre com a produção geral. A estimativa do IBGE para a safra nacional de cereais, leguminosas e oleaginosas totalizou 227,9 milhões de toneladas em junho, 5,3% inferior à obtida em 2017 (240,6 milhões de toneladas).

Confira, a seguir, os números da produção da cevada em junho:

Safra da CevadaJunhoMaio2017
Produção427.394 t427.394 t286.405 t
Rendimento3.456 kg/ha3.456 kg/ha2.432 kg/ha
Área123.683 ha123.683 ha117.779 ha

 

E os números da produção do trigo:

Safra do TrigoJunhoMaio2017
Produção5.668.546 t5.630.425 t4.241.602 t
Rendimento2.825 kg/ha2.827 kg/ha2.217 kg/ha
Área2.006.719 ha1.991.932 ha1.913.226 ha