Nove das 16 capitais medidas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apresentaram queda no valor da cerveja em domicílio. Mas São Paulo, com alta de 2,70%, foi a grande vilã dos preços e a principal responsável pela inflação acima da média brasileira.
Outras cinco capitais também registraram aumentos expressivos e contribuíram para a inflação cervejeira de julho: Belém (1,45%), Rio de Janeiro (1,34%), Salvador (1,08%), Curitiba (0,85%) e Grande Vitória (0,76%).
Do lado oposto, por sua vez, destaque para Fortaleza, que registrou baixa no preço da cerveja de 3,04% e impediu alta ainda maior da inflação. Rio Branco (-2,13%), Campo Grande (-1,90%), Recife (-1,52%), São Luiz (-1,38%) e Goiânia (-1,21%) também apresentaram queda significativa.
Já o preço da cerveja fora de domicílio, que registrou alta de 0,67% em julho, teve Rio Branco (3,78%), Brasília (2,93%) e Porto Alegre (2%) como líderes do aumento.
Confira, a seguir, onde o preço da cerveja em domicílio mais subiu em julho: 1- São Paulo: 2,70% 2- Belém: 1,45% 3- Rio de Janeiro: 1,34% 4- Salvador: 1,08% 5- Curitiba: 0,85% 6- Grande Vitória: 0,76% 7- Belo Horizonte: 0,03% 8- Aracaju: -0,17% 9- Brasília: -0,30% 10- Porto Alegre: -0,32% 11- Goiânia: -1,21% 12- São Luiz: -1,38% 13- Recife: -1,52% 14- Campo Grande: -1,90% 15- Rio Branco: -2,13% 16- Fortaleza: -3,04%
E o da cerveja fora de domicílio: 1- Rio Branco: 3,78% 2- Brasília: 2,93% 3- Porto Alegre: 2% 4- Aracaju: 1,99% 5- Campo Grande: 1,78% 6- Belém: 1,76% 7- Rio de Janeiro: 1,09% 8- Goiânia: 0,90% 9- São Paulo: 0,88% 10- Curitiba: 0,68% 11- Belo Horizonte: 0,53% 12- Grande Vitória: 0,40% 13- Salvador: -0,23% 14- Recife: -1,17% 15- Fortaleza: -1,18% 16- São Luiz: -1,72%
O crescimento da cultura da cerveja artesanal no Brasil não chega a ser uma novidade. Em alguns estados, principalmente das regiões Sul e Sudeste, o movimento já chegou com força em cidades do interior, que vêm desenvolvendo cenas complexas com lojas, bares e cervejarias alimentando o público sedento por novidades.
A boa notícia é que esse mercado começa, também, a alcançar novos e importantes espaços. É o caso do Ceará, onde a cerveja artesanal não apenas se consolidou em polos mais “esperados”, como na capital Fortaleza, mas também no interior, como na região do Cariri.
Às vésperas de ministrar um inédito curso de sommelier de cervejas no interior do Ceará, o instrutor do Senac-CE e sommelier João Filho falou com o Guia da Cerveja sobre a evolução da cena cervejeira na capital e, especialmente, no interior.
E, apesar de apontar algumas dificuldades, como a falta de lojas especializadas na venda de insumos, ele garante: o cenário é otimista. “Apesar de morar em Fortaleza, noto que a semente da cena cervejeira no Cariri já foi plantada.”
Confira, a seguir, a entrevista completa com João Filho, instrutor do Senac-CE e sommelier.
Você nota mudanças na relação do cearense com a cerveja, em especial os rótulos artesanais? Essa mudança é visível. Por atuar na área, noto a procura e a curiosidade do público em geral pelos rótulos artesanais. Com a expansão do mercado, novas cervejarias vão surgindo, bares especializados investindo em novos rótulos, além de cursos e workshops para a formação e educação do público, supermercados e restaurantes investindo em cartas de cervejas mais elaboradas. As previsões são otimistas para a cena local.
É possível observar uma cena cervejeira específica do Cariri? Apesar de morar em Fortaleza, noto que a semente da cena cervejeira no Cariri já foi plantada. Daí a importância de ofertar o curso de Beer Sommelier na região, para acompanhar não só as tendências, mas a expansão desse mercado, qualificando os profissionais para atenderem as demandas que estão surgindo.
Como você percebe a evolução do público de cervejas na região? Me surpreendeu! Na minha última visita provei em um Bottle Share, para o qual fui convidado, cervejas que nunca tive a oportunidade de beber em Fortaleza. Existem grupos cervejeiros locais, confrarias e apreciadores bem avançados.
O que fez com que o Senac-CE entendesse que um curso de sommelier de cervejas seria interessante para Juazeiro? A região do Cariri é uma região importantíssima para a economia do estado, e que vem crescendo a passos largos. Bares e restaurantes estão investindo em estrutura e atendimento, bem como na gastronomia. Dessa forma a cerveja artesanal também ganha espaço na região. O curso vem capacitar entusiastas que querem investir ou atuar no setor, fomentado por cervejarias locais e bares especializados.
Quais são as grandes dificuldades que o público de cervejas especiais enfrenta para exercer seu hobby em Juazeiro? Acredito que as dificuldades já foram maiores. Já existem bares especializados e supermercados com um número de rótulos interessantes. Creio que falta ainda na região cursos e workshops mais frequentes para formação. A falta de lojas especializadas na venda de insumos para produção de cervejas caseiras também é um das principais dificuldades enfrentadas para quem deseja seguir com o hobby de produzir a sua própria cerveja.
A exportação brasileira de cerveja de malte teve ótimos resultados em julho. Tendo como principais destinos os países da América do Sul, o produto alcançou US$ 7,35 milhões em vendas para o mercado externo, segundo dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC).
O valor é 27,4% maior na comparação com o mesmo período do ano passado, quando a exportação de cerveja resultou em US$ 1,58 milhão a menos.
Ainda assim, os números acumulados de 2018 apresentam forte baixa. Os sete primeiros meses do ano registraram US$ 48,7 milhões e 74.302,06 toneladas de cerveja exportadas, baixas respectivas de 20,4% e 25,1% na comparação com igual período de 2017.
Esses números fazem com que a cerveja tenha 0,04% de participação nas exportações brasileiras e ocupe o 179º posto entre os produtos negociados de janeiro e julho deste ano.
Já os principais destinos da cerveja brasileira nos sete primeiros meses de 2018 foram Paraguai (68%), Argentina (16%) e Bolívia (11)%.
Segunda-feira, dia 27 de agosto, será inesquecível na província de Ontário, no Canadá. Foi quando se cumpriu uma promessa de campanha que anunciava a possibilidade de comprar cerveja a um preço bastante convidativo: um dólar por garrafa ou por lata.
Em evento na cervejaria Cool Beer Brewing Company, na cidade de Etobicoke, o premier da província de Ontário, Doug Ford, celebrou a entrada em vigor do buck-a-beer, medida que derrubou o preço mínimo da cerveja estabelecido legalmente, antes de C$ 1,25 para C$ 1.
O Canadá, país que está às vésperas de liberar o uso recreativo da maconha e derivados, tem regras rígidas para a comercialização e o preço de bebidas alcoólicas. A província de Ontário é uma das mais rigorosas, com o governo no controle de lojas “estatais” de bebidas e determinando quem pode e por quanto a cerveja pode ser vendida. A regra do valor mínimo estava em vigor desde 1993 e, em 2008, o governo liberal aumentou a preço mínimo de C$ 1 para C$ 1,06, com o argumento de desincentivo do consumo excessivo. O valor veio sendo corrigido pela inflação desde então, chegando a C$ 1,25.
Premier de Ontário Doug Ford celebra início das vendas de cerveja a um dólar
O buck-a-beer, no entanto, não significa preços mais baixos imediatamente. Apenas três cervejarias da província aceitaram o desafio de Ford. Uma delas, a Barley Days Brewing afirma que a qualidade de sua cerveja não vai cair por conta da medida: “Estamos fazendo nossa lager do mesmo jeito que sempre fizemos, acreditamos que podemos entregar um produto de qualidade por um preço ótimo”, disse o diretor da marca Kyle Baldwin à CVTNews.
Outras chegaram a se posicionar contra a medida, alegando ser impossível vender a lata a um dólar sem comprometer a saúde da empresa, a qualidade ou a remuneração dos trabalhadores. Pelo Twitter, a cervejaria People’s Pint se manifestou dizendo que não entra no buck-a-beer pois é “comprometida com a qualidade” de seus produtos e que acredita que as pessoas “recebem por aquilo que pagam”. Analistas afirmam que a maioria das cervejarias canadenses tem registrado lucros relativamente baixos, na casa de 10 a 12%, e que convidá-las a abrir mão de 20% de seu faturamento significa fechar no vermelho.
A crítica à cerveja de um dólar se inflama quando o premier Ford afirma que não há subsídios financeiros às empresas que aderirem ao programa. Haveria, apenas, vantagens como privilégios em posicionamento de prateleiras nas lojas pertencentes à província e em propaganda. Ou seja: benesses que no mercado podem significar dinheiro.
No plano político, o New Democratic Party, partido de oposição ao Progressive Conservative Party de Ford, enxerga uma inversão de valores, dado que o atual governo cortou linhas de assistência social.
No Brasil, a corrida eleitoral já começou e as demandas do setor da cerveja são assunto de uma série de reportagens do Guia. Resta saber se o populismo barato e prejudicial às empresas do mercado praticado por Ford tem força para contaminar as campanhas por aqui.
O bom desempenho manteve o ritmo das últimas premiações. Na edição de 2017 do World Beer Awards, por exemplo, as cervejarias brasileiras levaram dez prêmios. E, na World Beer Cup 2018, foram outras cinco medalhas.
As premiadas da vez foram a Bohemia 838, a Baden Baden Bock, a Wäls Fruit Vintage, a Capa Preta English Pale Ale, a Bohemia Reserva, a Debron Imperial Stout Cacahuatl, a Al Fero Witbier e a Lohn Bier Bretta. E, segundo as cervejarias, as novas conquistas foram fundamentais para demonstrar a consolidação das artesanais no Brasil.
Para Érico Marchi, sócio e sommelier da Al Fero, as medalhas são um símbolo da busca pela perfeição das cervejas nacionais. “Esse prêmio mostra como as cervejarias nacionais (inclusive nós) buscamos a perfeição a cada receita”, comenta Marchi, reforçando a qualidade de artesanal brasileira.
“O mercado brasileiro é muito bom e já vem mostrando isso há algum tempo com outros prêmios e concursos. Para a cervejaria, é o símbolo de que estamos trabalhando de forma correta para sempre melhorar, buscar a receita perfeita e equilibrada”, complementa.
Já Thomé Calmon, sócio da Debron, pontua que o bom desempenho no World Beer Awards é um retrato da credibilidade brasileira no mercado internacional. “O mercado brasileiro vem ganhando expressividade no mundo craft, e estas medalhas atestam a qualidade do produto e que sabemos fazer cerveja. Este reconhecimento internacional em um dos principais concursos do mundo só nos traz mais credibilidade.”
Para o sócio da Debron, as medalhas demonstram que o setor está trabalhando corretamente. “Nosso mercado ainda engatinha, mas estes prêmios sinalizam que estamos todos no caminho certo!”
Premiada com a Bretta, por sua vez, a Lohn Bier garante que os prêmios têm duas importâncias fundamentais: ajuda no fortalecimento da cultura cervejeira e valoriza o produto nacional no exterior.
“Para o mercado brasileiro de cerveja artesanal a premiação é de grande valor, pois ajudamos a fomentar a cultura cervejeira para o mercado brasileiro, abrimos portas em outros países e levamos a cerveja artesanal brasileira e sua força para fora do país”, avalia Tatiani Felisbino Brighenti, sócia-fundadora da cervejaria.
A semana de lançamentos cervejeiros trouxe elementos com muita brasilidade. A Colorado, por exemplo, reforçou sua aposta em elementos nacionais ao apresentar a Gabiru, uma cerveja com gabiroba que inaugura a sua linha Biomas. Já a Avós fez uma parceria com a Lamplighter Brewery para lançar um rótulo com jabuticaba, enquanto a Votus apostou no carvalho para refinar a versão de sua Trippelbock. Confira, a seguir, todas as novidades.
Cerveja com gabiroba Especialista em utilizar elementos tipicamente brasileiros, a Colorado lançou mais uma excelente novidade. Trata-se da Gabiru, uma American IPA que leva gabiroba, fruta típica do Cerrado escolhida para abrir uma nova série da cervejaria, a Biomas – o país possui a Floresta Amazônica, a Caatinga, o Pantanal, a Mata Atlântica, os Pampas e o Cerrado como principais biomas. “Com a linha Biomas Brasileiros, queremos mostrar cada vez mais a riqueza natural e o potencial do Brasil”, explica Marcelo Carneiro, fundador da Colorado. “A ideia é gerar inquietação em quem não se contenta em ter sempre mais do mesmo, em quem não se acomoda e dar a essas pessoas mais uma razão para desibernar com a Colorado para novos sabores e experiências”. A cerveja terá, ainda, inscrição em braile no rótulo. A Gabiru terá edição limitada ao custo de R$ 18,90.
Trippelbock em carvalho Uma bebida com 13% de teor alcoólico e 58 IBU. Esta é a Votus Nº 013, uma variante da Trippelbock da cervejaria maturada em barril de carvalho. É uma versão potente, com aromas e sabores de maltes escuros, apresentando toda complexidade do envelhecimento na madeira, trazendo notas que lembram frutas secas e vinho Jerez, segundo a cervejaria. “O tempo de barril conseguiu trazer uma acidez que equilibra perfeitamente com o dulçor residual, deixando essa Lager escura e alcoólica, com uma facilidade incomum de degustação”, analisa Flavio Athayde, responsável pela cervejeira. O rótulo, que estará disponível em garrafas de 330 ml (R$ 58) e em quantidade limitada, será lançado em 30 de agosto, no Pateo Sabor Paulista, a partir das 20h, na rua Pamplona, 869, em São Paulo.
Parceria com jabuticaba A Avós anunciou a criação de mais uma receita colaborativa. A parceira da vez é a Lamplighter Brewery, dona de uma fábrica em Cambridge, na região de Boston, nos Estados Unidos. Simon Flaim e Tyler Fitzpatrick, respectivamente head brewer e brewmaster da cervejaria norte-americana, vieram recentemente ao Brasil para produzir a receita com Junior Bottura e Fabio Geribello, sócios da Avós. O estilo ainda é segredo, mas as cervejarias anteciparam que haverá adição de jabuticaba, fruta que encantou a dupla de Cambridge. Há alguns meses, os cervejeiros da Avós estiveram nos Estados Unidos e também produziram um rótulo em parceria com a Lamplighter.
Doppelbock de inverno Nesta terça-feira, a Cervejaria Nacional lança mais uma novidade de sua campanha de inverno: a Moxotó, uma Doppelbock acobreada com 6,5% de teor alcoólico e 24 IBU. A cerveja possui notas maltadas intensas e leve caramelização, além de um corpo médio baixo. No dia do lançamento, que será feito na própria cervejaria, na Av. Pedroso de Morais, 604, em São Paulo, o rótulo entrará no sistema de happy hour (50% do valor do half pint) até as 22h.
Para quem não conhece bem, não é fácil deixar de relacionar a ideia do semi-árido cearense à ótima cachaça feita e consumida por lá. A associação, no entanto, não deixa de ser um clichê e cada vez menos representa a realidade: as cervejas artesanais estão ganhando o interior do Ceará. Esse novo interesse fez com que o Senac-CE levasse seu curso de sommelier de cervejas à unidade de Juazeiro do Norte, e motivou empreendedores a abrirem uma franquia da rede Mestre Cervejeiro na cidade.
A partir do dia 1 de setembro, os interessados, curiosos e profissionais de alguma maneira ligados à cerveja poderão aprofundar seu conhecimento no primeiro curso de sommelier de cervejas organizado pela instituição na cidade. As aulas serão aos sábados e domingos, e o curso pretende formar sommeliers robustos. Sua grade inclui diversos aspectos do universo cervejeiro: além de aulas focadas em análise sensorial, formação de sommelier, harmonização e cartas de cerveja, há módulos que exploram as técnicas de produção caseiras, mercado, passa pelos concursos e premiações internacionais e escrutina as principais escolas cervejeiras (alemã, belga, inglesa e norte-americana).
Além de abarcar os apreciadores da bebida, o curso tem foco na formação de mão de obra para o comércio local – propósito essencial do Senac – e mira donos de restaurantes, maitres e chefs de cozinha. “Quem trabalha como profissional de gastronomia tem que entender todas as relações que a bebida e comida têm. Se vou servir um petisco que seja mais gorduroso, uma cerveja com mais álcool, com maior acidez, será um melhor acompanhamento. O curso trabalha esses aspectos no módulo de harmonização, por exemplo”, avalia Ivan Prado, consultor de gastronomia do Senac.
Se o curso é consequência do aumento do interesse pelas cervejas especiais na região, outra iniciativa de empreendedores locais vai ao encontro da nova onda: Dário Alencar e outros três sócios (todos eles sommeliers, degustadores de longa data e produtores caseiros) inauguraram em julho uma unidade da franquia de lojas Mestre Cervejeiro em Juazeiro. E é das prateleiras da loja que vão sair as garrafas degustadas no curso do Senac.
“Sempre que queríamos degustar uma cerveja especial, tínhamos que recorrer à compra por internet. Ouvimos essa mesma reclamações dos amigos”, conta Dário, que aponta a dificuldade logística como um dos principais empecilhos para o desenvolvimento do setor no estado. “Começamos então a pesquisar nos modelos de negócios referentes a cervejas artesanais e gostamos bastante da proposta do Mestre Cervejeiro”.
Segundo ele, já é possível enxergar a mão da nova loja na mudança de comportamento do público de Juazeiro. “Notamos a evolução na escolha de rótulos, os nossos clientes se aventuram mais em novos estilos”, analisa.
O CURSO
Local: Senac Juazeiro do Norte, na Rua São Luiz, s/n, em Juazeiro do Norte
Início: 01/09/18
Inscrições: http://cursos.ce.senac.br
Informações: (88) 3566-8950
OS INSTRUTORES
Carlo Lapolli: Presidente da Abracerva; Fundador da Cervejaria Blumenau; Cervejeiro Profissional/Mestre Cervejeiro Professor do Curso de Beer Sommelier da Doemens/ESCM; Beer Sommelier; Pós-graduando em Tecnologia Cervejeira.
Taiga Cazarine: Sommelière de Cervejas pela Doemens Akademie (ESCM – Blumenau/SC) e Science of Beer e Mestre em Estilos pelo Instituto da Cerveja Brasileiro (São Paulo/SP). É Beer Huntress na Beer.com.br
Rodrigo Ferraro: Proprietário, cervejeiro principal e diretor da Irmãos Ferraro Microcervejaria, de Porto Alegre. Presidente da Associação Gaúcha de Microcervejarias (AGM). É professor da Escola da Cerveja, desde 2015.
Ronaldo Rossi: Ronaldo Rossi é chef de cozinha autodidata, professor e consultor em gastronomia especialista em cervejas, harmonizações com cerveja. É jurado, curador de eventos cervejeiros, criador da Cervejoteca, a mais antiga loja de cervejas de São Paulo.
João Filho: Publicitário, sommelier de cerveja (Cervejaria 5 Elementos), atua em treinamento e consultoria cervejeira. É colunista de cervejas do Jornal O Povo. É professor da disciplina de cultura cervejeira na pós-graduação de gastronomia da FANOR.
Fernando Chaves: Pós-graduado em Tecnologia Cervejeira pela Escola Superior de Cerveja e Malte. Sommelier pela Doemens Akademie; é sommelier e consultor de bares e cervejarias.
José Martins Neto: Beer Sommelier pelo Instituto da Cerveja, cervejeiro caseiro, atua na área de treinamento e consultoria cervejeira. É Responsável pela seleção dos rótulos distribuídos pela Folks Beer.
Wellington Alves Filho: Sócio e cervejeiro-chefe da 5 Elementos Cervejaria, é cervejeiro desde 2013 e já teve diversos de seus rótulos premiados no Brasil e no exterior.
Lila Mendes: Formada em Tecnologia de Produção Cervejeira pela Science off Beer e produtora de cerveja caseira, é instrutora do Senac-CE na área de gastronomia. É sommelier de vinhos e beer sommelier pelo Senac-CE,
Manuel Lima: Consultor de bares e restaurantes, sommelier de vinhos, maître de hotel; bartender especialista em coquetéis; é consultor de empreendedorismo para o Pronatec e instrutor do Senac/CE.
Rejane Arruda: Bacharel em teologia; beer sommelier pelo Senac-CE, foi sócia do bar de cervejas especiais Eitabier. É supervisora da área de Bebidas da Fortali, atua na área de treinamento de vendedores, garçons e maîtres.
Quando o produtor, compositor e DJ israelense Asaf Borgore subiu ao palco do Lollapalooza em 2017, a apresentadora Titi Müller protagonizou um dos momentos mais históricos da televisão brasileira. Ao vivo, depois de chamar as letras do polêmico músico de “machistas, misóginas, babacas”, ela concluiu: “Eu gostaria de falar ‘machistas não passarão’, mas vai passar nesse canal agora. É isso aí, Borgore. Vai que é tua, querido”.
Mais de um ano depois, Titi volta de certa maneira a fazer história, ao menos sob o ponto de vista do mercado cervejeiro. Será a apresentadora da nova temporada do reality show Eisenbahn Mestre Cervejeiro, programa que representa bem a expansão do setor ao chegar agora em duas das principais emissoras nacionais: a Multishow e a Globo.
A atração estreia neste domingo, às 22h45, no Multishow. Serão oito episódios com 30 minutos de duração – a Globo terá uma versão pocket de 5 minutos, nas madrugadas de sábado, após o Zero1– para eleger a melhor receita do país no estilo Berliner Weisse.
Titi Müller, Juliano Mendes, Bia Amorim e Sady Homrich (Crédito da imagem: Marina Atallah)
Dez participantes concorrerão ao posto, após serem selecionados entre centenas de concorrentes que mandaram suas amostras de Berliner Weisse. E, para definir o campeão, três jurados foram escolhidos: Bia Amorim, sommelière de cervejas; Juliano Mendes, fundador da Eisenbahn; e Sady Homrich, baterista do Nenhum de Nós e uma das principais referências cervejeiras do país.
“O telespectador pode esperar um programa muito divertido, que combina de um jeito muito leve informação e entretenimento. É o primeiro ano dele no Multishow, então tem que ter a ver com a grade da emissora”, conta Titi ao Guia da Cerveja.
Um dos principais atrativos do programa, segundo ela, será respeitar as duas pontas que unem as artesanais: a leveza própria do universo cervejeiro e a profundidade de um mercado que se consolidou nos últimos anos.
“Cerveja é para ser um assunto divertido, apesar de muita gente levar muito a sério. E nesse programa a gente leva a sério, sim. Afinal, é em busca do melhor cervejeiro artesanal de 2018, e isso é uma responsabilidade muito grande”, salienta a apresentadora, reforçando que o programa agradará tanto profissionais quanto “amadores”.
“Então, podem esperar um programa muito leve, muito divertido, que combina o melhor dos dois universos: as informações técnicas e a cerveja. Quem gosta muito de cerveja, quem sabe bastante do assunto, pode assistir que vai gostar. E quem não entende nada, é aquele bebedor de boteco, aquele bebedor ocasional, vai gostar também.”
A Titi cervejeira Embora não fosse exatamente uma especialista em cerveja, Titi conta que tinha certo conhecimento das artesanais antes do programa. Sua primeira “experiência” foi aos 19 anos, quando um amigo de Porto Alegre a presentou com algumas garrafas. “Pensei: ‘nossa, que cerveja diferente, nem parece cerveja’. E entendi que, na verdade, isso é a cerveja true mesmo, aquela cerveja que até alimenta.”
Desde então, desenvolveu algumas preferências, como o próprio estilo da nova edição do Mestre Cervejeiro. “Não tenho nenhum rótulo favorito de cerveja artesanal, mas gostei bastante da Berliner Weisse”, diz. “Achei uma cerveja refrescante, leve, lembra quase um frisante. Não saberia falar muito tecnicamente sobre ela, mas gostei muito de degustar.”
Sobre as cervejas da Eisenbahn, patrocinadora do programa, ela conta ter gostado muito da 5 (uma Amber Ale) e da Oktoberfest. Arremata, então, com o humor debochado e precisamente espontâneo que tão bem a caracteriza. “Todas, na verdade. É difícil, tipo escolher o filho favorito.”
Mas foi na própria gravação do Mestre Cervejeiro que a apresentadora se aprofundou nesse universo. Se antes pouco sabia sobre os processos de produção, os dois meses de “curso intensivo” mudaram sua percepção. Agora, ela brinca, já pode até fazer figuração como mestre cervejeira.
“Sei agora tudo de maltes, lúpulos, água, pH, carbonatação. E é bem interessante, porque agora estou bebendo cerveja e estou conseguindo até distinguir. Na hora de degustar estou conseguindo virar quase uma sommelière: tento chutar qual a escola da cerveja, qual os lúpulos usados, se o malte foi torrado ou não. Já dá para arranhar um papo de mestre cervejeira.”
Elas passarão A chegada de um reality show sobre cerveja a duas consagradas emissoras não apenas representa um marco ao mercado, como traz a oportunidade de debater importantes questões sobre o setor. Em um país onde a imagem da mulher cervejeira ainda é quase sinônimo de coxas de fora e bandejas na mão, o Mestre Cervejeiro pode significar uma guinada importante no imaginário coletivo.
Vítima ela própria do mais cruel, abjeto e criminoso tipo de machismo, Titi Müller vê o programa como oportunidade para redefinir paradigmas. Quebras, aliás, que são recorrentes em sua trajetória, iniciada com o Podsex, na MTV.
“Dá para fazer um paralelo com meus trabalhos anteriores. Desde 2008, quando comecei a falar sobre sexo, causava um certo estranhamento, talvez por eu não ser o estereótipo da pessoa que falava sobre sexo na época. E talvez eu não seja hoje o estereótipo da pessoa que fala sobre cerveja”, avalia a apresentadora, antes de acrescentar.
“Tem muito preconceito sim [no universo cervejeiro]. A mulher é vista como a pessoa que serve a cerveja, e não a pessoa que faz a cerveja. Mas nesta temporada teremos várias surpresas positivas nesse aspecto.”
E não é apenas a sua participação que pode descontruir estereótipos. Titi menciona, por exemplo, a importante presença de Bia Amorim entre os jurados. “Acho que mais importante do que ter uma mulher ancorando o programa é ter uma jurada como a Bia Amorim, que é uma especialista técnica incrível, uma sommelière de cerveja fantástica, que entende tudo do assunto e que quebra bastante o estereótipo do que é uma mulher que gosta de cerveja.”
Evitando o spoiler, mas prenunciando uma boa participação feminina, a apresentadora lembra também das mulheres concorrentes – Anne Galdino, Bia Haik e Mari Bybyk. “E temos três candidatas a mestre cervejeira neste ano, as três fantásticas e que estão lá por mérito próprio total – não teve nenhuma cota a ser preenchida porque os testes são feitos às cegas. Não vou dar muito spoiler, mas fiquei muito muito feliz com a inclusão do nosso gênero, com as mulheres representando muito na cerveja também.”
Se gente babaca como Asaf Borgore não passará no Mestre Cervejeiro, certamente as mulheres passarão. “Estamos aí para quebrar preconceitos também”, avisa Titi.
Que comecemos, então, aqui, desde já. Lugar de mulher é na cozinha, certo? Pode até ser. Mas só se for para abrir – ou produzir – a sua própria cerveja.
Se chorar de amor faz dobradinha com música de “sofrência”, melhor ainda é quando você tem uma cerveja ao lado. Imagina, então, se fosse possível juntar tudo isso em uma “embalagem” só? Pois agora isso será possível não apenas uma, mas duas vezes.
Dois lançamentos cervejeiros apostaram, quase simultaneamente, em ícones da música popular – e de sofrência, claro – brasileira: Chitãozinho & Xororó e Nelson Gonçalves.
A dupla sertaneja e sua mais célebre canção foram o mote da edição especial da Salzburg Evidências. Detentora da marca, a NewAge fará um pocket show com Chitãozinho & Xororó para comemorar o lançamento e os seus 30 anos, em evento “organizado especialmente para clientes e fornecedores que ajudaram a escrever a história de sucesso”, segundo a empresa.
O lançamento faz parte do projeto “Evidências”, originado depois da marca participar como colaboradora em um evento beneficente realizado pelo hospital Sobrapar, em Campinas, onde a atração principal era a dupla sertaneja.
“O sucesso da dupla como embaixadora da marca é perfeito para brindar o mercado dos ‘loucos por cervejas’ com as embalagens colecionáveis Salzburg Evidências, nos rótulos especiais assinados pela dupla e disponíveis em lata de 355 ml e em long neck de vidro de 290 ml”, explica Edson Nunes, diretor comercial da NewAge.
As novas embalagens ainda possuem um QR CODE que leva o consumidor a um hotsite dos artistas, onde é possível encontrar a agenda de shows da nova turnê chamada… Evidências. “Juntar música e cerveja de qualidade em um mesmo produto gera um retorno de sucesso”, garante Nunes.
Nelson Gonçalves Outro importante ícone da música brasileira homenageado por uma cervejaria é o lendário Nelson Gonçalves, o segundo maior vendedor de discos da história do Brasil, com mais de 81 milhões de cópias.
O autor de A Volta do Boêmio recebe agora sua devida homenagem da Paulistânia, em um projeto feito em parceria com Lilian Gonçalves, filha do cantor e dona do Bar do Nelson. O projeto marca o início das comemorações do centenário do cantor, que completaria 100 anos em 2019.
A cerveja é uma Lager produzida com um blend de dois maltes e dois lúpulos importados. É refrescante, aromática e encorpada, com ricas notas de malte e amargor muito harmônico, segundo a cervejaria.
O novo rótulo de 500 ml será vendido exclusivamente no Bar do Nelson, na rua Canuto do Val, 83, em São Paulo, e sairá por R$ 19,90 no estabelecimento. Agora, se você quiser levá-lo para casa, aumentar o volume do som e curtir uma sofrência, o preço será de R$ 15.
O desempenho em um dos principais concursos mundiais do setor retrata o bom momento da cerveja brasileira. Leva, ainda, um importante reconhecimento para as principais premiadas. “Para a cervejaria, é o símbolo de que estamos trabalhando de forma correta para sempre melhorar, buscar a receita perfeita e equilibrada”, comemora Érico Marchi, sócio e sommelier da Al Fero, que levou o prêmio máximo com sua Witbier.
Já Lucas Godinho, sócio da Capa Preta, celebrou o feito de ter uma cerveja no estilo ESB (Extra Special Bitter) premiada em plena Inglaterra. “O mais incrível em relação a este prêmio é justamente o fato de uma cerveja brasileira, porém de estilo inglês, ser premiada como a melhor do mundo na categoria em um concurso realizado em Londres”, aponta Godinho, antes de acrescentar.
“As cervejas da Capa Preta são produzidas sempre com os melhores insumos disponíveis no mercado. Buscamos sempre a excelência nos processos produtivos, aliando qualidade técnica, ótimos ingredientes, tradição, criatividade e ousadia”, complementa.
Ao todo, as cervejas brasileiras receberam 209 prêmios no World Beer Awards 2018.
Confira, a seguir, todos os vencedores. E conheça os diferenciais dos rótulos campeões.