A dinamização do mercado de artesanais levou à ampliação inimaginável da oferta de estilos e rótulos. E, para as cervejarias que já seguem essa tendência, surgiu uma ótima oportunidade pela frente: um curso que ensinará a produzir categorias bem específicas de cerveja.
Primeira e única instituição de ensino superior especializada na bebida da América Latina, a Escola Superior de Cerveja e Malte (ESCM) lançou um curso inovador: o de Produção de Cervejas Não Convencionais.
A grade contemplará as categorias nada comuns de cervejas high gravity, sem glúten, sem álcool, Grape Ales, ácidas, com Brettanomyces, híbridas, blendadas, produzidas com insumos alternativos e envelhecidas em madeira.
Em cada um dos tópicos, segundo explica a ESCM, serão abordados os processos, a preparação do mosto e a análise de qualidade. A expectativa é de que os ensinamentos ajudem as cervejarias a terem um diferencial no mercado.
“Muitas vezes, um rótulo com características especiais pode ter um papel fundamental no marketing, na percepção do consumidor e na entrada de uma marca em pontos de vendas. Esse curso foi pensado para cervejeiros que querem seguir tendências internacionais com profissionalismo e conhecimento”, garante Carlo Bressiani, diretor da escola.
As aulas de cervejas não convencionais serão realizadas de 14 a 18 de janeiro, durante o período de cursos concentrados da instituição, e terão 40 horas de duração.
O mercado brasileiro de cerveja artesanal possui um enorme potencial para crescer. Se parte do público tem um conhecimento elevado do setor, ainda há uma imensa parcela da população cervejeira ligada ao “mainstream” que poderia ser seduzida por novos rótulos e estilos.
Mas nem tudo é tão simples. Pressionado por problemas geralmente externos ao setor, como impostos elevados e dificuldades logísticas, o preço da cerveja artesanal ainda destoa do mercado e impede que o consumo seja verdadeiramente democratizado.
Essa é, em suma, a avaliação de Amanda Felipe Reitenbach, fundadora e CEO do Science of Beer Institute, escola focada na educação cervejeira e responsável pela organização do Concurso Brasileiro de Cervejas, o mais importante do país e um dos mais significativos do mundo.
“A cerveja artesanal ainda chega com um preço muito alto, e não é todo público, toda a classe que pode comprar. Nem em todo local.”
A avaliação de Amanda vem de uma aprofundada experiência tanto acadêmica quanto de mercado. Há dois anos, em Berlim, ela concluiu seu doutorado na Versuchs- und Lehranstalt für Brauerei, onde pesquisou o desenvolvimento de um nariz eletrônico para identificar compostos voláteis na cerveja.
Se, por um lado, a experiência externa possibilitou um conhecimento amplo de mercado, a formação como cientista – seu projeto de mestrado foi o primeiro a desenvolver nacionalmente uma cerveja probiótica – auxiliou, por outro, na compreensão dos detalhes desse complexo setor, cuja dinâmica própria impede qualquer simplificação.
“Quase todo o mercado é de cerveja mainstream, então temos muito ainda a conquistar, a educar o paladar para outras cervejas. É difícil generalizar esse mercado porque é composto por um público muito misto.”
Confira, a seguir, a entrevista completa com Amanda Felipe Reitenbach, fundadora e CEO do Science of Beer Institute:
Amanda Reitenbach: cientista e especialista em mercado
Qual foi a sua trajetória até chegar ao Science of Beer? A minha conexão começou na faculdade. Estudei Engenharia de Alimentos, Engenharia Química, e durante a faculdade me surgiu o interesse em produção de cerveja. Fui fazer estágio em uma cervejaria e decidi que era com isso que queria trabalhar. A partir daí, direcionei toda a minha formação e carreira para trabalhar com cerveja. Mas eu sempre quis ser cientista também, pois sempre tive uma ligação muito grande com essa parte científica. Aí resolvi fazer a união da ciência e da cerveja. Foi assim que começou o meu trabalho.
E como surgiu o Science of Beer? Depois disso fiz o meu mestrado, onde desenvolvi o trabalho da cerveja probiótica. E, durante o mestrado, meu projeto de TCC, que era voltado à fermentação, ganhou um prêmio para que pudesse ser executado. Então abri uma empresa, que foi o Science, para desenvolver esse projeto. Ele era voltado para uma empresa de São Paulo, a CPFL, porque eles também desenvolvem pesquisas, e aí ficamos boa parte do tempo com a empresa focada em pesquisa. Como a minha formação é voltada para o mundo acadêmico, veio a vontade de fazer um curso de formação. Isso era ainda em 2009, e vi que não tínhamos quase nenhum curso profissionalizante. Então, escrevi um projeto para um curso de pós profissionalizante em produção de cerveja e ofereci para uma faculdade de Blumenau, a Uniasselvi. Começamos com esse curso em 2010. Depois vieram os cursos de sommelier, de estilos, de aprofundamento. Estamos com cursos desde 2009 e com a parte de pesquisa desde 2008. Depois segui com minha carreira acadêmica, fui fazer doutorado na Alemanha, voltado para a área cervejeira. Então, minha trajetória – e do Science – é totalmente voltada para essa parte acadêmica.
Como o Science foi se ramificando internacionalmente? Essa ramificação para outros países teve início por eu participar de muitos eventos, congressos, fora do país, além de ter feito meu doutorado fora. Tivemos essas conexões na Europa e criamos projetos lá, na Alemanha, onde morei para fazer meu doutorado. Também já tínhamos um relacionamento de amizade e profissional com o pessoal do Chile e nos unimos com o Instituto Cervezas de América, de onde veio essa vontade de trabalhar com América Latina, onde temos apostado muito também.
Qual a importância de uma escola como o Science para o desenvolvimento do mercado brasileiro de cerveja? O papel do Science e de todas as escolas é fundamental. Trabalhamos para o desenvolvimento da educação e da consciência do mercado. Com o mercado se educando, criando consciência de consumo, isso vai se tornando essencial para o desenvolvimento de todo o setor. Quanto mais trabalharmos a educação – e aí a educação em diferentes frentes, de consumo, de vendas, de produção, de mercado, de processo, de logística –, mais vai agregar para o mercado nacional, o que faz gerar o crescimento. A educação e a união são as palavras chave para o desenvolvimento do nosso cenário.
Como você encara o mercado consumidor de cerveja no Brasil? Já estamos maduros ou ainda caminhamos para descobrir nosso potencial? O consumidor está em processo de mudança. Temos os mais fieis, que começaram a conhecer com o início do mercado de artesanais, então esse público já tem um conhecimento bem mais elevado, tem um paladar mais exigente, é ávido por novidades e produtos diferenciados. Mas ainda temos muito a crescer. Esse nosso cenário de artesanais, que varia de 1% a 2% do total, é muito pequeno ainda. Quase todo o mercado é de cerveja mainstream, então temos muito a conquistar, a educar o paladar para outras cervejas. É difícil generalizar esse mercado porque é composto por um público muito misto. Tem um público chegando, conhecendo, descobrindo cerveja, e tem um público que conhece, que já ensina até. É um mix. Depende de onde está a ponta.
Pensando nesse mercado de apenas 2%, que trabalho precisa ser feito para desenvolvê-lo e aproximar o consumidor das artesanais? São muitos trabalhos, muitas coisas que a gente pode fazer. Mas a principal delas é a acessibilidade. E, quando falamos em acessibilidade, estamos falando de preço do produto final. Então, por que 98% desse mercado é conquistado por um tipo de cerveja? Primeiramente, pelo preço e pela acessibilidade. A cerveja artesanal ainda chega com um preço muito alto, e não é todo público, toda a classe que pode comprar. Nem em todo local.
Qual o impacto nesse custo? Começamos aí a falar de reforma tributária, de valorização do pequeno produtor, de uma conscientização como um todo que, principalmente, afeta o custo da cerveja. Diminuindo o custo, você consegue aumentar a acessibilidade. É tornar isso mais próximo de todos os públicos, fazer com que a questão financeira não seja dominante na hora da escolha. “Vou comprar essa porque é mais barata”. Se uma puro malte, uma artesanal, fosse só um pouco mais cara, facilitaria. Mas essa é uma realidade ainda distante, quando comparamos os preços das cervejas. Então, aí, nossa briga é principalmente por reduzir o preço lá na gôndola.
Isso passa muito, então, por questões públicas, por vezes externas ao setor? Com certeza. A questão é como as empresas vão lidar com isso para se sustentar no mercado. Tem uma taxa muito grande de impostos, de cargas administrativas, de problemas com logística, transporte. E tudo isso diminui a acessibilidade da cerveja artesanal.
A produção de cevada em grãos sofreu uma pequena redução em julho. Depois de apresentar bons números durante meses seguidos, segundo dados do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a safra do cereal cervejeiro ficou em 423.348 toneladas, queda de 0,9% na comparação com junho.
O resultado se deve especialmente à diminuição da área plantada, que passou de 123.683 hectares para 122.671, uma redução de 0,8%. Assim, o rendimento de 3.451 kg/ha permaneceu quase o mesmo de junho – queda de apenas 0,1%.
Embora o mês de julho tenha apresentado uma pequena baixa, a safra anual de cevada continua em plena recuperação depois da forte queda em 2017. Subiu 4,2% em área, 47,8% em produção e 41,9% em rendimento.
O trigo foi outro cereal a apresentar uma pequena queda em julho. Apesar do aumento de 0.9% na área, teve baixa de 4,1% na produção e 5% no rendimento. Ainda assim, como no caso da cevada, os números são bem favoráveis na comparação com 2017.
Visando o que pode ser no futuro um mercado promissor, a Constellation Brands, detentora da marca Corona nos Estados Unidos, anunciou o investimento de US$ 4 bilhões na Canopy Growth, empresa fabricante de produtos à base de maconha.
Em outubro do ano passado, a Constellation já havia comprado 9,9% das ações da Canopy por US$ 191 milhões e, com o novo aporte, passa a ser dona de 38% dela. E não é a única companhia ligada à cerveja de olho no mercado da maconha legal.
Até o momento, é possível dizer que foi uma ótima manobra de curto prazo – após a compra, as ações da Canopy subiram 30%. No longo prazo, a Constellation aposta na abertura do mercado para a maconha legal em diversos estados norte-americanos e no Canadá, onde os produtos à base da planta serão legalizados a partir de 19 de outubro.
Também por meio de nota, o CEO da Canopy, Bruce Linton, afirmou que o investimento traz à empresa uma grande vantagem competitiva. “Isso marca o fim do aquecimento no nosso setor, onde todos estão se preparando”, disse.
Já o CEO da Constellation, Rob Sands, ressaltou o potencial desse mercado. “No último ano, procuramos entender melhor o mercado de canabis, a tremenda oportunidade de crescimento que ele representa e a capacidade da Canopy de liderar esse mercado.”
De fato, um mercado que mal saiu do papel já se movimenta com avidez. E os gigantes da cerveja estão saindo na frente como protagonistas. Analistas avaliam que a avidez de fabricantes de bebidas alcoólicas em direção ao novo mercado seja sintoma da preocupação com o baixo crescimento do setor.
A Lagunitas, cervejaria norte-americana controlada pela Heineken, ja anunciou que vai produzir uma bebida chamada Hi-Fi Hops, uma linha de bebida não-alcoólica contendo THC e CBD (componentes da maconha), produzida em parceria com a CannaCraft.
Outra manobra ousada fez a Molson Coors, segunda maior fabricante de cerveja dos EUA, que no início de agosto passou a comandar 57% da HEXO, braço da produtora e distribuidora canadense de maconha medicinal The Hydropothecary. Ela deve explorar a maconha recreativa assim que a legalização se consolidar no Canadá, produzindo bebidas à base de infusão da erva. Em paralelo, a Province Brands já se movimenta para criar uma cerveja que usa a maconha no lugar do malte.
Essa dificuldade expõe precisamente um dos grandes entraves políticos do setor: o excesso de burocracia para ser reconhecido como uma cervejaria “oficial”, um fator que limita a expansão e dificulta traçar uma radiografia mais precisa do mercado cervejeiro.
“Precisamos de uma mudança na legislação do MAPA para permitir a diversidade de cervejas que temos”, assegura José Bento Valias Vargas, sócio da Lamas Brew Shop de Belo Horizonte, da Cervejaria Dunk Bier e um dos fundadores da Associação dos Cervejeiros Artesanais de Minas Gerais (Acerva Mineira).
E, como no caso do PL mineiro, o especialista aponta que o Ministério da Agricultura deveria “flexibilizar” parte de suas exigências para o cadastro, permitindo que ciganas e caseiras também pudessem ser normalmente registradas.
“É preciso, por exemplo, permitir produtos de origem animal e o registro de cervejarias ciganas e até mesmo caseiras, para que a receita seja cadastrada em nome dessas e não da planta produtora”, avalia José Bento.
A dinamização do cadastro, complementa ele, não traria qualquer risco à qualidade. Com mais cervejarias registradas, seria até menos complicado fazer um controle de segurança. “Obviamente, para isso, não é necessário a flexibilização em relação à qualidade ou à segurança alimentar. Muito pelo contrário. Esses conceitos devem ser reforçados cada vez mais.”
Confira, nas próximas semanas, a sequência do nosso especial sobre eleições e mercado cervejeiro.E, se quiser indicar alguma demanda, escreva para nosso editor: itamar@guiadacervejabr.com.
O crescimento do segmento brasileiro de cerveja artesanal tem definitivamente chamado a atenção do mercado interno e externo. Tanto que duas empresas de outros ramos decidiram apostar no setor: em parceria com a Wäls, o Pão de Açúcar lançou uma cerveja para celebrar seus 59 anos, enquanto a marca de refrigerantes Fruki apresentou a BellaVista, sua linha de cervejas. Dos Estados Unidos, por sua vez, a cultuada Brooklyn Brewery anunciou uma parceria com a Maniacs para produzir dois de seus rótulos no Brasil. Confira, a seguir, em detalhes, essas novidades.
Cerveja do Pão de Açúcar O Pão de Açúcar fez uma parceria com a Wäls para lançar uma cerveja comemorativa de seus 59 anos. Trata-se de uma Session IPA com 4,5% de teor alcoólico, 35 IBU, feita com os lúpulos Amarillo e Galaxy e chamada de… 59. “Quisemos fazer uma cerveja com a cara do Pão de Açúcar. Então, nada melhor do que encontrar um estilo que trouxesse leveza, mas que fosse marcante”, pontua Roberto Leão, mestre-cervejeiro de Wäls. “Trata-se de uma cerveja de coloração dourada, com aroma de frutas, como maracujá e pêssego, em função dos lúpulos aromáticos utilizados em seu dry hopping. Seu amargor é médio e equilibrado com o corpo leve, finalizando com um final seco e refrescante”, acrescenta Kathia Zanatta, sommelière de cervejas e especialista do Pão de Açúcar. Com edição limitada, a 59 está à venda exclusivamente no supermercado ao preço de R$ 14,90.
Cerveja da Fruki Outra empresa a se aventurar no ramo cervejeiro foi a Fruki. Com rótulos assinados pelo mestre-cervejeiro Alfredo Ferreira, formado pela Doemens Academy, da Alemanha, a marca gaúcha de refrigerantes apresentou a BellaVista, sua linha de cervejas composta por cinco tipos: IPA, Blond Ale, Witbier, Weiss e Premium Lager. As cervejas foram produzidas na fábrica da Imigração, com exceção da Premium Lager, feita pela INAB, no Paraná. “Contamos com uma equipe coesa e muito competente para continuarmos crescendo. Estamos construindo marcas e produtos que devem ser, acima de tudo, de primeiríssima qualidade”, garante Nelson Eggers, diretor-presidente da Fruki. O lançamento oficial será durante a Expoagas, de 21 a 23 de agosto, em Porto Alegre.
Brooklyn no Brasil Um dos símbolos do movimento artesanal nos Estados Unidos e uma das marcas mais reverenciadas no mundo, a Brooklyn Brewery estabeleceu uma joint venture com a Maniacs Brewing para produzir e distribuir suas cervejas no Brasil. A sede ficará em Curitiba e, a princípio, serão fabricadas a Brooklyn Lager e a Brooklyn East India Pale Ale – ao longo do tempo, segundo a cervejaria, outros rótulos também serão produzidos nacionalmente. As cervejas “locais” devem chegar ao mercado no quarto trimestre de 2018. “O Brasil é um dos mais importantes mercados de cerveja no mundo e, assim como todos mercados desenvolvidos, a cerveja artesanal está desempenhando um papel importante e crescente. Nós temos vendido cervejas Brooklyn no Brasil desde 2010, e acreditamos que agora é o momento certo para investir localmente”, explica Eric Ottaway, CEO da cervejaria.
O Growler se destaca das outras opções de envase e consumo de cerveja por demandar mais envolvimento com a compra e consumo da bebida, além de sua praticidade pegada ambiental. Mas se a relação é mais complexa, isso também se estende aos cuidados que demanda: em vez de ser displicentemente descartado como uma garrafa ou lata qualquer, é preciso higienizar o growler muito bem para uma nova recarga. E isso significa que a responsabilidade pela qualidade de seu próximo chopp é sua!
“O growler não tem qualquer ‘contra’. Pelo contrario, só vejo benefícios em seu uso”, afirma o CEO da fabricante e distribuidora My Growler, Rodrigo Fernandes. “Há uma série de cuidados que você precisa ter para não contaminar sua recarga”, diz. Os resquícios de cerveja são ambiente extremamente propício para a proliferação de microrganismos que podem comprometer a qualidade da cerveja. Mantê-lo limpo não é uma missão tão complicada, e independe do material ou modelo. Com auxílio de Fernandes, mostramos aqui os passos para higienizar o seu growler e mantê-lo sempre pronto para a próxima.
COMO MANTER SEU GROWLER LIMPO
O primeiro passo é lembrar sempre de enxaguar algumas vezes com água quente logo após o uso. Feito isso, deixe-o secar com a boca para baixo, para que todo o líquido escorra e ele fique sem qualquer sinal de resíduos ou umidade. Depois de seco, ele pode ser guardado tampado ou sem tampa, sempre evitando a umidade. Se essa regra de ouro for seguida, sua relação com o growler será pacífica e duradoura.
Mas se houver algum deslize e ele for guardado ainda úmido ou com resíduos, não há motivo para pânico: o trabalho para higienizar será um pouco maior, mas longe de ser impossível. Dá para resolver enxaguando com detergente neutro – sempre com muito cuidado para não deixar resíduos também de detergente.
Outra alternativa são os produtos especiais para a sanitização de growlers, a maioria deles à base de ácido paracético. O tablete deve ser diluído na água usada para enxaguar o recipiente. Deixe agir por até 30 minutos e isso deve bastar. Se for preciso, pode usar uma escova de lavar garrafas ou mamadeiras, mas sempre com cerdas de plástico, para não danificar sua superfície.
É importante lembrar que depois de limpo o growler deve secar naturalmente. O uso de toalha, papel ou qualquer outro material para isso também pode acabar deixando resíduos (poeira, pedacinhos de pano) em seu interior e comprometer a qualidade da próxima recarga.
O World Beer Awards 2018 premiou oito cervejarias nacionais em seus estilos. O anúncio aconteceu no dia 15 de agosto, e a participação brasileira em um dos mais importantes concursos do mundo teve duas medalhas a menos do que em 2017. No ano passado, o primeiro que contou com uma etapa brasileira, dez cervejarias nacionais tiveram rótulos premiados.
Se a competição fosse por país, o Brasil ficaria com a honrosa terceira posição, atrás apenas da campeã Alemanha, que teve 14 rótulos premiados pelo corpo de seis jurados norte-americanos e britânicos, e da Bélgica, que levou 13 medalhas.
Os rótulos selecionados vão figurar na publicação anual da World’s Best Beers, além do direito de usar o selo de medalhista em seu material de divulgação.
Além de escolher com base em critérios sensoriais as melhores em nove categorias de cervejas reconhecidas internacionalmente, o concurso premia designs em cinco categorias. E, neste, nenhum rótulo brasileiro figurou entre os vencedores.
Confira, abaixo, a lista de brasileiras premiadas em suas categorias e estilos.
Os próximos dias prometem fortes emoções aos cervejeiros paulistas e catarinenses. Três importantes cervejarias farão grandes festas no fim de semana, como a Dádiva, que terá um evento para celebrar os seus 15 rótulos lançados nos últimos meses. A Dogma, por sua vez, festeja o primeiro ano de seu Tasting Room. E, no Estádio Dr. Hercílio Luz, a Itajahy comemora os seus cinco anos. Confira, a seguir, em detalhes, esses eventos.
DádivaRemind A Dádiva lançou tantas novidades nos últimos meses que fará uma festa para celebrá-las. Trata-se da Remind, que acontece neste sábado, a partir das 11h, em Várzea Paulista (a aproximadamente 50 km de São Paulo). Como a maioria dos rótulos foram produzidos em pequenos lotes ou como edição limitada, o evento servirá para o cervejeiro experimentar as novidades. Haverá, ainda, três novas receitas que serão apresentadas em primeira mão. Os chopes serão servidos em doses – ao preço de R$ 8 (150ml) ou R$ 10 (300ml), dependendo do estilo – e a harmonização ficará a cargo de quatro parceiros da cervejaria: Carburadores, com lanches, Sonhos de Queijo, com queijos e embutidos artesanais, e Isso é Café e Zappa Brownies, com cafés e sobremesas. Serviço Quando: 18 de agosto
Horário: das 11h às 18h
Onde: fábrica da Cervejaria Dádiva, na rua 3, lote 6 e 9, quadra D, galpão 90, em Várzea Paulista
Ingressos: www.sympla.com.br/dadiva-remind__337113
Festa da Dogma O Tasting Room da Dogma está completando um ano. E, para celebrar a data, a cervejaria fará uma festa no domingo, no bairro de Santa Cecília, em São Paulo. Além da presença da China, uma nova Sour com tangerina, o evento terá o lançamento de três garrafas que eram vendidas apenas em chopp: Morning Gringo, Dark Mauro e Constellation Spin. Se levar 1kg de alimento não perecível, você terá direito a double pint. Para comer, O Cantineiro preparará suas especialidades defumadas. Serviço Quando: 19 de agosto
Horário: das 14h às 20h30
Local: Cervejaria Dogma, na Rua Fortunato, 236, em São Paulo
5 anos da Itajahy Mais de 15 marcas e 28 chopes artesanais disponíveis. Eis o atrativo imperdível da festa para celebrar os cinco anos da Cervejaria Itajahy, sábado, no Estádio Dr. Hercílio Luz, em Itajaí. Além de opções como Atalaia IPA, Brava APA, Serena Hibiscus, Maré Gose e a premiada Octo Porter, a Itajahy levará experimentais como Solstício Blonde (Fruit Bier), Saison Primavera (Saison), Irish Coffee Red (Irish Red com café), Torta de Limão (Milkshake IPA) e Consertada (Herb/Spice Bier). Destaque também para o rótulo comemorativo Itajahy 5 Anos, uma Brut IPA com 6,3% de teor alcoólico e 22 IBUs. O evento terá a participação de cervejarias como a Green Coast, Sarcástica, Alfero, Antídoto, Blumenau, Seasons e Dum, entre outras, e a 4ª edição da Feirinha Itajahy, com mais de 20 expositores locais. Serviço Quando: 18 de agosto
Horário: das 10h às 23h
Local: Estádio Dr. Hercílio Luz, na rua Gil Stein Ferreira, 26, em Itajaí
Ingressos: www.ingressodevantagens.com.br
A Eisenbahn mudou novamente sua “roupagem” em julho. Depois de ser adquirida pela Heineken em 2017, a cervejaria sinalizou mais uma guinada ao lançar o Todos a Bordo, uma campanha criada pela agência Suno United Creator que vem estampando outdoors, invadindo televisores e mexendo com a publicidade brasileira.
O novo posicionamento, segundo explicou a própria Eisenbahn durante o lançamento, traz elementos visuais que remetem a uma estação de trem e grandes ferrovias, marca registrada da cervejaria.
A campanha permeará, ainda, todas as ações da companhia ao longo do ano. É o caso do reality show Eisenbahn Mestre Cervejeiro, que estreará dia 26 de agosto e será exibido pelo Multishow e pela Globo, com apresentação de Titi Müller, e do patrocínio às Oktoberfests de São Paulo e Blumenau, além do Mondial de La Bière no Rio de Janeiro.
Para entender melhor o intuito da campanha, o Guia da Cerveja conversou com Karina Pugliesi, gerente da marca Eisenbahn. E, segundo a executiva, um princípio fundamental norteou a cervejaria nos últimos anos: democratizar o consumo das artesanais.
Karina garante que o mercado brasileiro, apesar do alto crescimento dos últimos anos, ainda possui muito potencial de expansão. “Basta compararmos o estágio de mercado que nos encontramos versus outros países, como os Estados Unidos, por exemplo. Lá, a carta de cervejas em um restaurante pode ser comparada à de vinhos, tanto em tamanho quanto em preços”, explica a gerente da marca, apontando razões para manter o otimismo.
“O brasileiro, aos poucos, está entendendo que é possível agregar valor à cerveja e alguns consumidores já consideram razoável gastar mais do que R$ 20 em uma garrafa. Este fenômeno é benéfico para o segmento, pois garante uma oferta de produtos de alta qualidade para atender os consumidores cada vez mais exigentes”, acrescenta.
Duas frentes A valorização das artesanais, entretanto, ainda está longe de ter encontrado um grau de maturação. Se o consumo disparou nos últimos anos, ainda falta informação para que a cultura se sedimente no dia-a-dia do brasileiro.
“Apesar de mais interessado no universo das cervejas especiais, nos dias atuais, o brasileiro ainda possui pouco conhecimento sobre o tema”, pondera a executiva.
A Eisenbahn, assim, segundo Karina, decidiu apostar em duas frentes. Uma delas seria a política de baixos preços, algo perceptível nas long necks da marca: diferentes estilos – como Pale Ale, Weizenbock, Amber Lager – podem ser encontrados por R$ 4, R$ 5. “Uma forma [de democratização] é oferecendo seus rótulos a um preço acessível para que o consumidor possa experimentar diferentes estilos até encontrar o que mais lhe agrada.”
A outra frente, por sua vez, é justamente apostar em uma campanha que faça o consumidor “embarcar” na cultura artesanal, “trazendo conhecimento cervejeiro de forma lúdica para o consumidor por meio de suas redes sociais e do programa Mestre Cervejeiro”, detalha a executiva.
Artesanal ou multinacional? Uma das grandes precursoras das artesanais brasileiras, a Eisenbahn teria passado por tantas modificações que perdeu suas características e estaria cada vez mais distante do movimento, segundo a avaliação de parte do mercado. A cervejaria foi adquirida em 2008 pelo grupo Schincariol, comprado em 2011 pelo braço nacional da japonesa Kirin, arrematado em 2017 pela Heineken, uma das principais multinacionais do setor.
Karina, contudo, defende que o raciocínio pode ser invertido: o sucesso de mercado faria da marca, hoje, uma grande referência nesse trabalho de democratização das artesanais. “Nós acreditamos que, devido ao tamanho que a marca atingiu, podemos contribuir de forma ativa no desenvolvimento do segmento craft no Brasil.”
Partindo desse pressuposto, assim, a cervejaria definiu o seu novo posicionamento. “A Eisenbahn hoje tem o papel de atrair novos consumidores para o universo das cervejas especiais. A marca também busca se tornar uma parceira para as pequenas e médias cervejarias, com o intuito de ajudar a desenvolver ainda mais o mercado”, afirma Karina.
Nada mais condizente, então, finaliza ela, do que uma campanha simbolizando a união das artesanais. “O posicionamento ‘Todos a Bordo’ é a forma que encontramos para fomentar esta missão de incentivar novos consumidores a embarcarem nessa jornada a fim de conhecer mais a fundo o universo das cervejas especiais, além de funcionar como um convite para que a comunidade cervejeira se una, compartilhando conhecimento com o objetivo de acelerar o desenvolvimento do mercado.”