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Cervejas que flertam com espumantes são destaques entre os lançamentos de novembro

O fim do ano está chegando e, ao que parece, as cervejarias estão de olho no brinde de Natal e Réveillon dos clientes. Três dos 11 lançamentos do mês são de cervejas que flertam com os espumantes, de certa forma. A nova Bruta IPA Nelson Sauvin da Bodebrown e as Grape Ales da Quadro Poderes e Brewine Leopoldina podem ser até mais interessantes para comemorar nas festividades de fim de ano do que a bebida titular dessas ocasiões.

Outro destaque vai para as novas embalagens de produtos já existentes lançadas em novembro. O Grupo Heineken trouxe uma edição especial da Heineken para a Fórmula 1 enquanto a Ambev criou uma lata de Budweiser para o lançamento do Bud Live, com a banda Maroon 5. O universo das artesanais também está representando nessa categoria com as novas latas da Sexto Sentido Cervejaria. E no ramo das importadas, foi a La Chouffe que chegou com novo visual.

Confira!

Cervejas que flertam com espumantes

Bodebrown lança Brut IPA Nelson Sauvin com inspiração em espumantes

A Bodebrown, cervejaria de Curitiba (PR) conhecida pela inventividade, está ampliando sua linha Brut IPAs com a chegada da Brut IPA Nelson Sauvin. A nova integrante se une às já consagradas Brut IPA Galaxay, Brut IPA El Dorado e Brut IPA Mosaic, todas com novas brassagens em novembro, completando o quarteto no estilo Sparkling Hop.

O sódio-proprietário da Bodebrown, Samuel Cavalcanti, explica que a linha, lançada em 2018 com inspiração no cervejeiro Kim Sturdavant, buscou aproximar o universo cervejeiro do mundo dos vinhos. O novo rótulo, que está disponível no site oficial da Bodebrown, leva o lúpulo neozelandês Nelson Sauvin, famoso por suas notas de uvas Sauvignon Blanc, groselha e lichia, que garantem o caráter vinífero ao sabor e aroma.

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Cervejaria Quatro Poderes lança Cerrado Grape Ale em Brasília

A Cervejaria Quatro Poderes e a Vinícola Ercoara de Brasília (DF) inovam ao lançar a Cerrado Grape Ale, uma bebida que une cerveja e vinho a partir de uvas Sauvignon Blanc cultivadas no Cerrado. Inspirada na Italian Grape Ale, esta tiragem limitada, apresentada em garrafas estilo espumante de 750 mL, resulta de uma dupla fermentação do mosto de uva sobre uma base de cerveja Saison. O mestre cervejeiro da Quatro Poderes, Marcelo Naves, define a bebida como uma experiência sensorial única, desafiando rótulos, e que reforça o potencial do terroir candango, segundo Rodrigo Sucena da Ercoara. A pré-venda já está disponível nos canais oficiais, incluindo o site da Cervejaria Quatro Poderes.

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Brewine Leopoldina lança Italian Grape Ale com uva riesling renano

A Brewine Leopoldina, marca do Grupo Famiglia Valduga, reforça sua linha de Italian Grape Ales com o lançamento da Riesling Renano. O novo rótulo, que une malte e a nobre uva de mesmo nome, conhecida por sua acidez e aromas florais, frutados e cítricos, foi recém-premiado com medalha de ouro no prestigiado European Beer Star 2025. Eduardo Valduga, enólogo do grupo, destaca que o produto valoriza uma das uvas-brancas mais nobres do mundo em uma cerveja artesanal, celebrando a união de tradição vitivinícola e criatividade cervejeira. A novidade, com potencial de guarda, amplia a linha permanente da marca, agora com seis varietais, e pode ser conferida no site da Famiglia Valduga.

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De cara nova

Latas e sabor renovam a Sexto Sentido

A Sexto Sentido Cervejaria, de Piracicaba (SP), apresenta seus seis estilos principais agora em latas de 355 ml e com rótulos de layout novos. O fundador Robson Mauri, especialista em café, afirma que a mudança visa oferecer uma experiência sensorial diferente ao público. A marca reforça sua identidade com receitas inspiradas em ingredientes brasileiros, como café e pimenta. Entre os estilos repaginados estão a Above Lager (com café) e a Paradise IPA. Para saber mais sobre a linha, o Instagram da Sexto Sentido traz mais detalhes sobre a novidade.

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Heineken lança garrafa de alumínio em edição limitada para o GP de São Paulo

A Heineken lançou uma garrafa de alumínio comemorativa da Fórmula 1 para celebrar o Grande Prêmio (GP) de São Paulo 2025, evento que patrocina desde 2016. Apesar do GP já ter passado, a novidade ainda pode ser encontrada no comércio paulistano. Importada da Holanda, a edição limitada chegou aos principais pontos de venda da capital paulista no formato long neck de 330 ml, com preço sugerido de R$ 12,99. Com cerca de 300 mil unidades disponíveis, o lançamento combina design colecionável e sustentabilidade, já que o alumínio tem mais de 98% de reciclabilidade no Brasil.

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Budweiser lança latas especiais com autógrafos do Maroon 5 para estreia da Bud Live

Para marcar a estreia da plataforma Bud Live no Brasil com o show do Maroon 5, a Budweiser presenteará os fãs presentes no evento que ocorre em São Paulo (SP) na sexta-feira (5) de dezembro com uma edição limitada de latas personalizadas. A edição especial traz as assinaturas reais dos integrantes da banda, transformando a experiência ao vivo em uma lembrança colecionável. Mariana Santos, diretora de marketing da Budweiser no Brasil, afirma que a iniciativa é uma forma de garantir que cada fã leve para casa seu próprio “autógrafo”, reforçando o papel da marca como a cerveja oficial dos ídolos e dos fãs. Mais informações sobre a plataforma podem ser encontradas nas redes sociais @budweiser_br.

Cervejaria La Chouffe renova identidade visual

A icônica cervejaria belga La Chouffe, conhecida pelo gnomo Marcel, atualiza sua identidade visual com rótulos e embalagens mais modernos, mas mantém o sabor autêntico. O gnomo, que simboliza o espírito artesanal da marca, permanece em destaque no design. A mudança é parte da estratégia global para conquistar novos consumidores. No Brasil, a marca é distribuída pela Interfood e vendida pelo e-commerce TodoVino.

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Noi lança Italian Pilsner inspirada em raízes italianas

A Cervejaria Noi, de Niterói (RJ), lançou uma Italian Pilsner, cerveja que celebra as origens italianas da família Buzin. O rótulo, com 5% de álcool e 35 IBU, combina maltes Pilsen premium e lúpulos nobres europeus, resultando em aroma floral e herbal com toques cítricos, amargor limpo e final seco, segundo o material de divulgação. O lançamento traz o conceito “Il Dolce Far Niente”, inspirado na filosofia de desacelerar e valorizar o momento presente. A Italian Pilsner já está disponível nos restaurantes Noi Gastronomia, no site da marca e em pontos de venda no Rio de Janeiro e em Niterói.

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Outros lançamentos

Therezópolis traz de volta a Witbier OrBlanc

A Therezópolis anunciou o retorno da sua Witbier OrBlanc ao portfólio, agora em versões lata e long neck. Descontinuado em 2023, o rótulo volta ao mercado como opção leve e frutada, ideal para os dias quentes. Segundo o mestre cervejeiro Gabriel di Martino, da Coca-Cola FEMSA Brasil, o relançamento foi motivado pelo sucesso da Session IPA. A marca também amplia o portfólio da Rubine Bock, agora disponível em long neck, após conquistar medalha de ouro no World Beer Awards 2025.

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Heineken lança Lager Spritz

Heineken lança Heineken Lager Spriz, bebida inspirada no coquetel italiano (Crédito: Imagem de divulgação editada com IA / Whisk)
Heineken lança Heineken Lager Spriz, bebida inspirada no coquetel italiano (Crédito: Imagem de divulgação editada com IA / Whisk)

A Heineken lançou a edição limitada Heineken Lager Spritz, uma cerveja que combina o sabor da marca com a leveza e refrescância inspiradas no italiano Spritz — coquetel feito com espumante, água com gás e gelo. Com 6% de teor alcoólico e infusão de botânicos, o novo rótulo chega com um ritual próprio: deve ser servido em um copo diferente do tradicional, com gelo e uma fatia de laranja. A nova bebida estará disponível a partir de dezembro, inicialmente em bares selecionados das cidades de São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ) e Florianópolis (SC).

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Geezer lança linha Amplified de estilos clássicos

A Geezer Cervejaria lançou a linha Amplified, focada em cervejas clássicas. O primeiro rótulo é a Reverb, uma Czech Pils inspirada nas receitas da República Checa. Leve, tem aromas e sabores florais e de biscoito, amargor assertivo e com pegada crispy, segundo o material de divulgação.

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Gård lança nova cerveja do projeto Mestre Residência com Doutor Breja

A cervejaria Gård, de Campos do Jordão (SP), lançou este mês o novo rótulo do projeto Mestre Residência — o terceiro da série. Desta vez o convidado é Alexandre Bleed, sommelier de cervejas do canal Doutor Breja do Youtube. O projeto funciona como uma residência artística, uma verdadeira imersão, para a produção de um rótulo exclusivo e colaborativo. O resultado foi a Venner, Belgian Saison com lúpulo Saaz da Mantiqueira e verbena, uma planta medicinal e ornamental.

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O que a indústria cervejeira ganha com a sustentabilidade?

A sustentabilidade não é uma moda passageira. E diferente do que já se achou um dia, também não se trata de algo à parte, que somente gera custos. Sustentabilidade hoje faz parte das empresas socio-ambientalmente responsáveis de maneira tão indissociável que se torna o próprio negócio. Trata-se de um pilar central, um vetor de crescimento e um investimento estratégico.

Mas o que as empresas ganham de fato com isso? O Guia da Cereja foi atrás da resposta. E identificou que esse conceito moderno de sustentabilidade já está fortemente presente em grandes e pequenas empresas do setor — e tem tudo para crescer ainda mais.

Iniciativas da indústria cervejeira estão mostrando que é possível ter lucro e gerar impactos positivos ao mesmo tempo, extraindo ganhos diretos e assegurando a continuidade do próprio negócio. Elas vão desde caldeiras aptas a trabalhar com biomassa para produzir calor nas cervejarias até a descarbonização das fábricas ou mesmo de toda a cadeira produtiva.

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E tudo isso com impactos tão grandes quanto o próprio setor no Brasil. O país é hoje o terceiro maior produtor de cerveja do mundo, com mais de 15,3 bilhões de litros por ano. São mais de 1,9 mil cervejarias operando em 790 municípios, segundo o Anuário da Cerveja do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Trata-se de uma indústria que contribui com 2% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e emprega 2,5 milhões de pessoas (entre empregos diretos, indiretos e induzidos).

Que tal conhecer algumas dessas iniciativas, seus ganhos e benefícios?

Maior eficiência e economia real na indústria cervejeira

Um mito persistente em torno da sustentabilidade é que ela representa um luxo caro, uma escolha ética que compromete o resultado financeiro. Para a indústria cervejeira, no entanto, o oposto está se mostrando verdadeiro: as iniciativas ecológicas estão gerando economias operacionais.

A Cervejaria Cerpa, de Belém (PA), é um exemplo. Ao tomar a decisão estratégica de substituir as caldeiras a combustíveis fósseis por sistemas de biomassa alimentados por um recurso abundante na região — os caroços de açaí —, a empresa não só reduziu sua pegada de carbono, como também cortou drasticamente seus custos.

Projetos como este, que combinam sustentabilidade e rentabilidade, demonstram que investir em soluções limpas é investir no futuro da Amazônia”

Alessandro Palheta, coordenador de Manutenção da Cervejaria Cerpa

“Além dos benefícios ambientais, o projeto nos proporcionou uma economia de mais de 60% em comparação com o combustível anterior. Projetos como este, que combinam sustentabilidade e rentabilidade, demonstram que investir em soluções limpas é investir no futuro da Amazônia”, diz Alessandro Palheta, coordenador de Manutenção da Cervejaria Cerpa.

Além disso, o sistema possibilita economia circular. Depois de serem queimados para geração de energia, as cinzas dos caroços de açaí da Cerpa são reutilizadas como fertilizante em plantações de açaí, fechando o ciclo e devolvendo nutrientes ao solo.

Recém-inaugurada, a fábrica da Heineken em Passos (MG) também conta com sistema de caldeiras abastecido por biomassa e deve usar, entre outros materiais, cavacos de madeira — restos descartados da indústria moveleira da região.

Gestão rigorosa de recursos naturais

A água é um dos principais ingredientes da cerveja, tornando sua conservação uma missão crucial para a indústria cervejeira. As cervejarias têm feito progressos surpreendentes na redução de sua pegada hídrica, atingindo níveis de eficiência que antes eram considerados impossíveis.

“Ao longo dos anos, reduzimos mais de 50% do consumo de água nas nossas cervejarias, nos tornando referência global em eficiência hídrica na indústria de bebidas. Superamos antecipadamente nossa meta para 2025, atingindo menos de 2,5 litros de água por litro de cerveja produzida, o que comprova que práticas sustentáveis geram resultados concretos e economia operacional”, diz Luiz Gustavo Talarico, head de Sustentabilidade da Ambev.

Nesse aspecto, a sustentabilidade rende também uma maior eficiência operacional, que se transforma em economia. Mas não só isso. “Reduz a dependência de recursos naturais e prepara o negócio para um futuro mais sustentável, beneficiando a companhia, o planeta e as comunidades onde estamos presentes”, afirma Talarico.

Também em entrevista dada ao Guia da Cerveja na inauguração da fábrica de Passos, Rafael Rizzi, diretor ⁠de Inovabilidade do Grupo Heineken, disse que o consumo de água na nova planta deve ser menor que 3 litros de água para cada litro de cerveja — embora ainda não exista um número oficial. “Daqui a um ano, provavelmente, com os processos mais maduros, a gente vai ter um número mais preciso”, diz. “Então, ela vai estar muito mais para um dois baixo do que dois alto”, completa.

Construída do zero, a nova fábrica da Heineken em Passos aplica as melhores tecnologias e praticas socioambientais (Crédito: Fabio Rezende / Heineken)
Construída do zero, a nova fábrica da Heineken em Passos aplica as melhores tecnologias e praticas socioambientais (Crédito: Fabio Rezende / Heineken)

Também é necessário se preocupar com a água descartada e a proteção da água no entorno das fábricas.

No primeiro caso, todo o efluente recebe o tratamento necessário para ser devolvida ao meio-ambiente, tanto no caso da fábrica de Passos quanto na Cerpa, em Belém. “Operamos, há mais de 20 anos, uma das estações de tratamento de efluentes mais modernas da região. A água com alto índice de pureza que utilizamos no nosso processo de fabricação de bebidas é inclusive doada diariamente para centenas de famílias que habitam nos entornos da fábrica”, diz Alessandro Palheta.

No segundo, a Ambev trabalha com o programa Bacias e Florestas, que já resultou no plantio de mais de 2 milhões de árvores nativas em áreas de bacias e nascentes, com acompanhamento para garantir que elas se desenvolvam. A iniciativa, que conta com parceiros como TNC, WWF-Brasil e organizações locais, também impulsiona benefícios sociais, como hortas comunitárias e projetos educacionais apoiados pelo uso de efluentes tratados.

A fábrica do Grupo Heineken no Sul de Minas tem projeto semelhante. Trata-se do Programa Produtor de Águas — Projeto Bocaina, voltado para a proteção de nascentes e recarga hídrica na região.

Valor de marca e compensação de carbono

“Sustentabilidade não é só uma tendência — é um fator real de escolha e confiança”, explica Mariana Nogueira, socio-proprietária e gestora de Marketing da Santos Cervejeiros, da cidade de Santos (SP). A fábrica se tornou a primeira cervejaria artesanal e ter o selo de carbono neutro no estado de São Paulo no final de outubro deste ano.

A certificação é resultado de um processo de auditoria conduzido pela AKVO ESG, startup especializada em medição e compensação de carbono, que confirmou a neutralização de aproximadamente 32 toneladas de dióxido de carbono equivalente (CO₂e) geradas pela operação da cervejaria.

Para a gestora, a adoção da neutralidade de carbono pela cervejaria gerou valor de marca, fidelizou clientes e abriu novas parcerias. “Além disso, pesquisas da PwC (Voice of the Consumer 2024) mostram que mais de 80% dos consumidores priorizam marcas com práticas sustentáveis, e mais da metade afirma preferir produtos com menor impacto ambiental, mesmo em tempos de incerteza econômica”, completa.

Mas há economia também envolvida no carbono neutro? Nogueira garante que sim, ainda que indiretamente. “Quando você mede e compensa suas emissões, passa a olhar a operação com outros olhos — cada etapa começa a fazer mais sentido. Descobrimos que ser carbono neutro não é só compensar, é aprender a gerir melhor: transporte, consumo de energia, desperdício, embalagens. Tudo entra na conta. Com isso, vêm ganhos reais — mais eficiência, menos desperdício e decisões mais inteligentes”, explica.

O caso da Santos Cervejeiros mostra que investir em sustentabilidade é possível também na pequena cervejaria, na fábrica artesanal. Mas as grandes empresas da indústria cervejeira também estão trabalhando para isso. E na Ambev, os planos são ambiciosos. A companhia quer atingir Net Zero — nível de compensação total de carbono produzido — em toda a sua cadeia produtiva até 2040.

“A sustentabilidade não faz parte do nosso negócio, ela é o nosso negócio”

Luiz Gustavo Talarico, head de Sustentabilidade da Ambev.

“Graças ao uso crescente de fontes renováveis e a boas práticas de gestão energética, já reduzimos em 63% as emissões dos escopos 1 e 2 nos últimos 20 anos e operamos com 100% de energia elétrica renovável em nove países, incluindo o Brasil. Também avançamos na redução das emissões do Escopo 3, com iniciativas em agricultura sustentável e programas como o Eclipse, plataforma que avalia e apoia nossos fornecedores em suas jornadas de descarbonização, impactando toda a cadeia de valor”, explica Talarico.

E é justamente na agricultura que está boa parte dessas emissões de gases do efeito estufa da cadeira de produção da Ambev. Aproximadamente 20% delas vem do campo. Por isso, esse é um eixo central do trabalho da empresa. “Trabalhamos lado a lado com os produtores de cevada, implementando práticas de agricultura regenerativa, como rotação de culturas, manejo eficiente de água e nutrientes e cobertura permanente do solo. Todos os agricultores que fornecem cevada e milho recebem suporte técnico e capacitações desde o plantio até a colheita, garantindo que estejam preparados, conectados e financeiramente empoderados”, conclui.

Portanto, há, sim, vantagens reais em ser sustentável no meio cervejeiro. Seja em formato de benefícios diretos, como economia dentro da fábrica, quanto indiretos, como a percepção de valor de marca. E essas práticas levam ao crescimento com coerência, sem abdicar dos resultados financeiros. Tudo isso é fazer uma pequena parte, mas que faz toda a diferença, na construção de um futuro sustentável depende do compromisso coletivo de todo o ecossistema.

Copa Rio de Cerveja Artesanal premia as melhores cervejas do Rio de Janeiro

A 1ª edição da Copa Rio de Cerveja Artesanal terminou no domingo (23) com a cerimônia de premiação e o anúncio das cervejarias e cervejas vencedoras. O concurso é o primeiro totalmente voltado para cervejarias artesanais do estado do Rio de Janeiro e quer valorizar a cultura cervejeira fluminense. Ao todo, os juízes avaliaram 150 amostras vindas de 37 cervejarias e 11 municípios de 6 diferentes regiões.

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O concurso distribuiu ao todo 71 medalhas em categorias focadas no guia de estilos da Brewers Association (BA). “Além das medalhas de Best Of Show e da premiação de Melhor Cervejaria, tivemos as categorias RJ Hops Beer, que premiou cervejas produzidas com lúpulos cultivados no estado do Rio de Janeiro, e Rua da Cerveja, que premiou as cervejarias deste local”, conta Davi Jardim, idealizador da competição ao lado de Fabricio Sayão e Leonardo Thule, todos técnicos em Cervejaria pelo SENAI/FIRJAN e sommeliers.

Copa Rio de Cerveja Artesanal: Melhores cervejas do Rio de Janeiro

O prêmio de Melhor Cervejaria da Copa Rio de Cerveja Artesanal ficou com a Cervejaria Alpendorf, de Nova Friburgo, no interior do estado. A segunda colocada foi a Rabugentos Brewing co., de Teresópolis, e o terceiro lugar no pódio ficou com a Cervejaria Duas Torres, de Petrópolis. Todas da Serra Carioca.

O trio de cervejarias se repetiu na categoria especial RJ Hops Beer. Cervejaria Alpendorf ficou com a medalha de ouro com a cerveja Mountain Hops; Cervejaria Duas Torres faturou a prata com a IPA Comet; e a cerveja História de Verão Summer Ale, da Rabugentos Brewing co., levou a medalha de bronze.

E a Serra carioca também levou as três medalhas do Best Of Show, categoria em que as melhores cervejas de cada categoria competem entre si para definir as melhores de todo o concurso. A medalha de ouro foi para a Alpendorf Margherita Gose. Já a prata para a Quem Sabe Sou Eu, da Rabugentos Brewing co. E o bronze para a Sampler — Into the Wild, da Sampler Brew House, de Petrópolis.

O prêmio especial da Rua da Cerveja ficou com a Vírus Bier, que ganhou medalha de ouro com a Imperial Stout Flor de RIS.

Confira a lista completa de cervejas premiadas no site oficial.

Fumaçônica: a cervejaria mais vitoriosa da 4ª edição do Prêmio Lata Mais Bonita do Brasil

A Fumaçônica Brewery pode não ter levado para Curitiba (PR), sua cidade natal, o prêmio de Lata Mais Bonita do Brasil de 2025. A grande vencedora foi a Go Brew, de Anápolis (GO). No entanto, a mala com certeza voltou pesada com os dois troféus conquistados no concurso da Associação Brasileira da Lata de Alumínio (Abralatas). A cervejaria ficou com o segundo e terceiro lugares, com as latas das cervejas Super Kunk IPA e Mango Sour Dream, respectivamente.

De acordo com a organização, as latas “usaram cores vibrantes e ilustrações marcantes, provando que o design impactante é crucial para as cervejas especiais”. E, de fato, as latas são bem chamativas.

A lata da Super Kunk IPA usa um verde fosforescente com detalhes em amarelo e rosa pink para traçar um caminho rodeado por palmeiras que leva a um cenário de pirâmides místicas. 

Já a arte do rótulo da Mango Sour Dream foi elaborada tendo o rosa pink como base, em um cenário igualmente idílico: há tucanos, macacos comendo cogumelos e um cenário de cachoeira que parece escorrer refrescante como imaginamos que a bebida deva ser. É mesmo um convite à degustação.

A história da Fumaçônica começou em 2012 com um grupo de amigos que se reunia para beber e conversar, e se consolidou como uma cervejaria em 2016. 

Mário Kleina, 35 anos, fundador e CEO da Fumaçônica, contou ao Guia da Cerveja que a cervejaria sempre teve a ideia mística de formar uma irmandade, com simbologias e estética atemporal — foi o que tentaram traduzir nas embalagens das latas. E eles não devem parar por aí. 

Kleina diz que, embora estejam felizes com a premiação, o objetivo para o ano que vem, quando completam dez anos de existência, será um só: buscar o lugar mais alto do pódio da Lata Mais Bonita do Brasil.

Confira, abaixo, a entrevista de Kleina ao Guia da Cerveja:

A lata da Super Kunk IPA ficou com o segundo lugar da categoria Cervejarias (Crédito: Divulgação / Fumaçônica)
A lata da Super Kunk IPA ficou com o segundo lugar da categoria Cervejarias (Crédito: Divulgação / Fumaçônica)

As latas da Fumaçônica ganharam dois prêmios (segundo e o terceiro lugar) no prêmio Lata Mais Bonita do Brasil. O que inspirou o conceito visual da cervejaria e quais foram os principais desafios e decisões tomadas para traduzir a identidade da marca em um design tão premiado?

A essência da Fumaçônica sempre partiu de uma ideia quase mística de uma verdadeira irmandade, que traz curiosidade, simbologias e uma estética atemporal que sobrevive ao hype e continuará relevante daqui a dez anos. O próprio nome “Fumaçônica” já provoca essa vontade de olhar duas vezes. E a lata precisava traduzir isso.

O design nasceu e, aos poucos, fomos explorando detalhes — da marca d’água aos símbolos escondidos — tudo foi pensado para convidar o consumidor a explorar a embalagem, descobrir outras camadas e sentir que existe algo além da superfície.

O maior desafio foi equilibrar identidade forte com simplicidade visual. A linha precisava ser impactante e, ao mesmo tempo, funcional no ponto de venda. Optamos pela estética vintage e minimalista, cores marcantes e uma iconografia que conversa com a narrativa da marca.

Qual é a importância de uma premiação focada no design da embalagem para o mercado da cerveja artesanal, que está cada vez mais competitivo?

Para nós, é literalmente um sonho realizado. É mais do que um prêmio de design: é o reconhecimento de todo um trabalho consistente de branding, que envolve narrativa, produto, estilo e propósito.

O visual é o cartão de visita, mas ela só funciona quando está sustentada por uma história verdadeira. No mercado atual, produto de qualidade é pré-requisito. O diferencial está na história que você conta, na forma como a marca se manifesta. E a lata é a nossa vitrine mais poderosa.

Muitas pessoas costumam colecionar latas de cerveja, seja para manter os rótulos mais raros à vista, ou para apreciar as artes nas embalagens. Houve a intenção de desenvolver uma lata colecionável da Fumaçônica?

Sim, sempre pensamos nas latas como objetos que poderiam ter vida além da geladeira. E isso acontece muito.  Muita gente transforma em vaso de planta, porta-objetos, peso de porta… Tem consumidor que não tem coragem de abrir a lata e deixa na prateleira como peça decorativa. A gente até brinca: “Abre logo e beba fresca, porque a arte continua lá mesmo assim” — mas é muito especial ver esse apego.

O design contribui para o sucesso da cerveja no ponto de venda? 

O impacto é direto e muito claro.  As cores vibrantes se destacam em qualquer geladeira. O nome desperta curiosidade. Os detalhes escondidos e a marca d’água criam uma sensação de profundidade (quando o consumidor descobre ele logo pensa “É isso!”. Quando ele prova a primeira, automaticamente quer provar as outras.

E algo que defendemos muito: o storytelling das receitas. Todas têm um contexto histórico. E dentro de um universo desconhecido para o consumidor, nossa missão como cervejaria é passar adiante essa informação. É impressionante como faltam informações básicas em muitos rótulos pelo Brasil. Nós queremos que a experiência seja completa.

Arte do rótulo da Mango Sour Dream foi o terceiro colocado da competição (Crédito: Divulgação / Fumaçônica)
Arte do rótulo da Mango Sour Dream foi o terceiro colocado da competição (Crédito: Divulgação / Fumaçônica)

Como o cenário cervejeiro de Curitiba se insere nessa disputa nacional? 

Curitiba é, sem dúvida, a pioneira do país. Temos cervejarias extremamente premiadas, uma cena vibrante e um público exigente, que força o mercado local a se superar. Além disso, a cidade é berço de grandes artistas, designers e ilustradores, o que cria um ambiente fértil para marcas inspiradoras. Por aqui colaboramos com muitos artistas locais. Cada um traz uma visão diferente, que conectada a nossa essência, é muito valiosa.

É natural que Curitiba apareça com força nesse tipo de premiação — existe cultura, profissionalismo e criatividade na veia da cidade.

Que mensagem ou sentimento vocês esperam que o consumidor leve para casa ao segurar uma lata Fumaçônica? Qual o papel do design na construção da comunidade e da fidelidade à marca?

A Fumaçônica nasceu para trazer leveza. A cerveja é quase uma desculpa para representar o estilo de vida que acreditamos: equilíbrio, natureza, esporte, boas conversas, aquela fumaça jogada para o alto enquanto o mundo segue caótico.

Queremos que, ao olhar para a lata, a pessoa sinta identificação imediata com essa forma gostosa de viver. O design é o portal que conecta tudo isso. Ele aproxima, cria comunidade e transforma consumidor em fã.

O que vocês estão planejando para os próximos lançamentos?

Para os próximos lançamentos vamos explorar novas cores, texturas e acabamentos. Também estamos estudando personalizações com fornecedores — desde tampas até anéis especiais. Pode parecer pouco, mas para nós tudo isso faz muito sentido.

Há planos para a premiação do próximo ano?

Com certeza. Temos lançamentos importantes chegando — meses de trabalho, pesquisa estética e narrativa. Queremos colocar na rua rótulos que contêm novas histórias, que surpreendam e que perpetuem a identidade Fumaçônica. Estamos muito felizes com o 2º e o 3º lugar… mas o objetivo é claro: buscar o título de lata mais bonita do Brasil.

Sierra Nevada lança rótulo raro feito com pingos de cerveja extraídos de lúpulo fresco

A cerveja que antes era um dos segredos mais bem guardados entre cervejeiros, chega agora a segunda edição aberta ao público. A Sierra Nevada, uma das principais cervejarias artesanais dos Estados Unidos, anunciou o lançamento da versão 2025 da Celly Drippins. Trata-se de uma edição limitada feita a partir das gotas de cerveja que escorrem de sacos de lúpulo fresco (hop-bags), recém-colhidos, após serem usados na produção da Celebration Fresh Hop IPA — tradicional cerveja de Natal da companhia.

A raridade no volume produzido e a exclusividade do processo de fabricação tornou o produto um objeto de desejo entre os apreciadores da bebida, sendo considerada uma das cervejas mais “hypadas” de 2024 no país norte-americano. Apesar de infelizmente não chegar no Brasil — será servida somente em formato de chope nos bares da cervejaria —, ela com certeza dá um show tanto de sabor quando de marketing baseado em escassez.

A famosa Sierra Nevada Celebration Fresh Hop IPA

Para entender a Celly Drippins, é melhor começar pela predecessora: Celebration Fresh Hop IPA. Produzida desde 1981 pela Sierra Nevada, é uma cerveja de Natal que foge do padrão, pois leve lúpulo em vez de especiarias.

As chamadas Christmas Ale são uma tradição europeia. Normalmente mais escuras e alcoólicas, para aquecer no frio do inverno do hemisfério norte durante a celebração, muitas vezes também levam condimentos diversos para aumentar o sabor. Inspirada nessas cervejas, a pioneira cervejaria Anchor Breweing, de São Francisco, na Califórnia, levou a ideia para os EUA e lançou em 1975 a Anchor Beer Celebration, também conhecida como Our Special Ale.

O fundador da Sierra Nevada, Ken Grossman, gostou da ideia, mas decidiu trocar as especiarias por muito lúpulo fresco, recém-colhido, dando origem a uma espécie de Fresh Hop IPA natalina.

O lúpulo normalmente utilizado nas cervejas passa por uma secagem logo após colhido, que o torna armazenável e estável. Já o lúpulo fresco não passa por esse processo, trazendo aromas e sabores mais vibrantes e vívidos. Porém, deve ser utilizado na cerveja logo após ser colhido. E isso dá início a uma corrida contra o tempo, que se repete todos os anos para a Sierra Nevada Celebration Fresh Hop IPA.

Após vencer o tempo e o transporte, os cervejeiros colocam o lúpulo em sacos permeáveis (hop-bags) e utilizado principalmente na etapa fria do processo de fabricação da cerveja. Essa técnica, conhecida como dry-hopping, extrai apenas os óleos essenciais do lúpulo para trazer ainda aroma e sabor para a cerveja, sem influenciar o amargor.

Presente especial

Quando os hop-bags são retirados dos tanques, há ainda muito líquido preso na massa vegetal. E é justamente essa cerveja que escorre deles que dá origem a Celly Drippings. A Sierra Nevada calcula que para cada 875 latas de Celebration Fresh Hop IPA, apenas um copo Celly Drippings é produzido.

Originalmente, é uma cerveja foi pensada para ser um presente especial para os funcionários — e alguns poucos sortudos que estavam no bar da cervejaria. “Se você estivesse no bar na hora certa, poderia ter uma experiência mágica”, disse Isaiah Mangold, chefe de desenvolvimento de novos produtos e inovação cervejeira da Sierra Nevada à Forbes norte-americana.

Segundo a publicação, a primeira informação que se tem notícia da Celly Drippins apareceu em 2023, ainda sob segredo público. No ano seguinte, a Sierra Nevada fez um anúncio e organizou um lançamento nacional na unidade de Mills River, na Carolina do Norte. Porém, já havia alguns poucos litros também disponíveis na unidade de Chico, na Califórnia.

Neste ano, a Sierra Nevada abriu a informação e tornou público que a Celly Drippins estará disponível tanto em Mills River quanto em Chico. Apenas em chope.

A cervejaria marcou até horário para servir os primeiros copos. Os bares fizeram os primeiros serviços na sexta-feira passada (21), a partir das 15h (horário local), em cada unidade. A quantidade servida será limitada todos os dias, até que acabe o estoque, e só poderá ser apreciada no local.

Características da Sierra Nevada Celly Drippins

Embora a Sierra Nevada seja conhecida por suas IPAs, a Celly Drippins se destaca por suas características únicas, influenciadas diretamente por essa extração concentrada de lúpulo. 

Os cervjeiros recuperam apenas uma pequena quantidade de “pingos” de cada lote de produção. E isso significa que o volume final da Celly Drippins é bastante baixo. De acordo com a Forbes, cerca de 5 mil copos de Celebration rendem apenas um copo de Celly Drippins.

O resultado é uma Celly Drippins descrita pela cervejaria como “uma versão intensa de cerveja suave e profundamente saborosa”. O estilo é de uma Double IPA de 8% de teor alcoólico com aromas e sabores resinosos, cítricos, de lúpulo fresco e concentrado.

“O canto da sereia” sobre o futuro da cerveja

Coluna bia amorim

A cada nova pesquisa, o mesmo refrão: “as novas gerações não bebem”. De uns tempos para cá tudo é sobre a tendência que parece que vai destruir o mercado de bebidas e nunca ninguém irá mais beber uma cervejinha gelada sequer, pois a geração xyz não consome álcool em nenhuma medida.

Eu sei, tô acompanhando e nem acho que seja mentira, mas talvez haja aí um canto de sereia que é bastante sedutor, certamente é insistente, repetido à exaustão, mas nem sempre verdadeiro completamente. Tem quem queira que a gente acredite que não há futuro.

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É curioso ver como as prateleiras mudaram: rótulos com palavras como leve, zero, clean, e ao lado delas, as cervejas que ainda acreditam no excesso. Parece que bebemos com culpa, ou com justificativa. O que antes era apenas um brinde descompromissado, virou cálculo em uma planilha contemporânea de saudabilidade.

Ainda há muito a celebrar

Bebemos porque é ritual. Está na raiz das sociabilidades humanas, das frutas maduras fermentadas, dos meles encharcados de chuva, dos primeiros grãos fermentados pelos humanos, dos banquetes gregos às rodas de samba atuais.

 “Beber é uma forma de comunhão”, lembra o antropólogo Edward Slingerland

(SLINGERLAND, Edward. Embriagados: como bebemos, dançamos e tropeçamos em nosso caminho para a civilização. Porto Alegre, Editora Krater, 2023.)

Por mais que o jovem de hoje não procure saber disso, ou não entenda vividamente, cedo ou tarde essa herança o alcança: bebemos não para esquecer, mas para celebrar. E celebrar é lembrar que pertencemos a algo maior.

Ainda há muito a chorar

Claro que nem só de brindes alegres vive um gole, às vezes o copo é parte de um abrigo. Um dia cansado, uma perda, uma frustração e o gesto de erguer a taça não é símbolo de fuga, é mais um consolo. Proibir, incriminar ou super taxar seu uso é desconhecer o papel ambivalente que ele ocupa na história humana.

Ainda há muito a descobrir

A cerveja nos acompanha há milênios nos envolvendo como sociedade e ciência. Fazemos tecnologia para que seja cada vez mais proveitoso e delicioso o ato de beber, de degustar, de termos prazer com uma simples bebida. Somos curiosos líquidos.

Evoluímos enquanto fermentamos

Hoje, a descoberta continua: há espaço para bebidas sem álcool, com menos teor alcoólico, com novos sentidos, de novas formas e sabores. Isso não é ameaça, é parte do mesmo movimento curioso que sempre nos guiou. E enquanto fomos desenvolvendo a agricultura, as máquinas, os movimentos e tudo que gira em torno de fabricar uma cerveja, novas tecnologias da bebida se misturaram às novas tecnologias da própria saúde, dos maquinários mais complexos a instrumentos que hoje são simples em nosso dia a dia.

Ainda há muito a moderar.

Existem muitas pessoas que têm graves problemas com o consumo de álcool. Não há negação com relação a isso, mas também há um esforço para que seja constantemente discutido.

Sim, há quem sofra com o abuso. E falar sobre isso é sempre urgente. Mas confundir moderação com abstinência forçada é perigoso. O debate público precisa sair do tom moralista e entrar no terreno da educação: entender o prazer, o limite e o risco. Não é sobre proibir, é sobre escolher melhor a forma como as pessoas se relacionam com seu consumo. Individual e coletivo.

O pesquisador Glauco Caon em seu recente artigo publicado aqui no Guia da Cerveja, nos mostra que ao ler os relatórios mais recentes sobre consumo, entende que não é tão alarmante assim a questão de se beber com moderação. E ele mesmo tem pesquisas que mostram o contrário, existe uma boa correlação no bom consumo.

Liberdade sobre nossos corpos e decisões

Ao mesmo tempo que queremos tanto debater sobre liberdade, há outras forças que querem forçar o estado a aumentar os impostos sobre a cerveja. Eu acredito que o mais importante é falarmos sobre o consumo e as consequências de consumir em excesso de forma esvaziada dos sentidos, sem cultura, sem gastronomia. Proibir ou piorar o consumo com altas taxas de impostos piora para quem o faz de maneira correta, justa, alegre e ritualística. É apenas moralismo.

Sexta, sábado, domingo ou quaisquer outro dia da semana que uma pessoa queira beber sua cerveja, gelada ou quente, clara ou escura, amarga ou azeda, com ou sem fruta. Com ou sem álcool. É preciso liberdade e existe um controle dos corpos que também aproveita esses movimentos, aproveita para pesar a favor de outras indústrias e motivações.

O eco do canto

O mercado tem que seguir firme em melhorar cada dia mais o produto e seus processos. Conversar com o consumidor para que aproveite da forma mais prazerosa e saudável. Seguir evoluindo, como faz a tantos milênios e firme em passar por mais uma provação da temperança e daqueles que seguem querendo controle, rédeas curtas e poder sobre as decisões alheias.

Entre o excesso e a proibição, há um mar inteiro de possibilidades, fermentado pela curiosidade, pela medida e pela alegria. É nesse meio líquido que seguimos, tentando não confundir o medo do afogamento com o prazer de nadar.


Bia Amorim é sommelière, pesquisadora e palestrante. Atua na interseção entre gastronomia, cultura e bebidas brasileiras, com foco em comunicação, experiência, consumo consciente e hospitalidade.


* Este é um texto opinativo. As opiniões contidas nele não refletem necessariamente a opinião do Guia da Cerveja.

Menu Degustação: Heineken Lager Spritz é lançada em edição limitada

A Heineken lançou na semana passada a Heineken Lager Spritz, uma cerveja de edição limitada que combina o sabor da marca com a leveza e refrescância inspiradas no italiano Spritz — coquetel feito com espumante, água com gás e gelo. Com 6% de teor alcoólico e infusão de botânicos, o novo rótulo chega com um ritual próprio: deve ser servido em um copo diferente do tradicional, com gelo e uma fatia de laranja.

Segundo Elbert Beekman, gerente de marketing da marca no Brasil, a Heineken Lager Spritz reforça o compromisso de estar à frente das tendências e expandir o universo cervejeiro. “Mais do que lançar um novo rótulo, a Heineken busca reforçar o compromisso em oferecer ao consumidor uma experiência que vai além do paladar. E a Heineken Lager Spritz traduz a essência de estar à frente das tendências e propor novas possibilidades dentro do universo cervejeiro, sempre com qualidade e propósito”

A nova bebida estará disponível a partir de dezembro, inicialmente em bares selecionados das cidades de São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ) e Florianópolis (SC).

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IPA Day Brasil terá divisões por intensidade das cervejas

O 12º IPA Day Brasil acontece neste sábado (22) no Espaço Bella Città, em Ribeirão Preto (SP), reunindo 41 rótulos da cerveja lupulada. O festival traz a “harmonizassom”, dividindo o espaço em três palcos onde a intensidade alcoólica das IPAs (de zero a 15% ABV) é pareada com diferentes gêneros musicais. O evento destaca nove rótulos com o selo que apoia negócios liderados por mulheres. Ingressos open bar custam R$ 319,90 e podem ser adquiridos pela plataforma Eventiza, ou para mais informações acesse o Instagram oficial do IPA Day Brasil.

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Latas e sabor renovam a Sexto Sentido

A Sexto Sentido Cervejaria, de Piracicaba (SP), apresenta seis estilos principais em latas de 355 ml e com rótulos de layout novo. O fundador Robson Mauri, especialista em café, afirma que a mudança visa oferecer uma experiência sensorial diferente ao público. A marca reforça sua identidade com receitas inspiradas em ingredientes brasileiros, como café e pimenta. Entre os estilos repaginados estão a Above Lager (com café) e a Paradise IPA. Para saber mais sobre a linha, o Instagram da Sexto Sentido traz mais detalhes sobre a novidade.

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Hofbräuhaus terá produção própria em Blumenau

Blumenau (SC) vai ganhar a Hofbräuhaus. A operação no Biergarten terá produção própria de cerveja, loja de souvenires e menu 100% germânico, seguindo o conceito de Munique. O empresário Leandro Magnani, vencedor da concessão de 20 anos, planeja investir cerca de R$ 10 milhões no local que abrigava o antigo restaurante Thapyoka. A expectativa é que o contrato seja assinado na próxima semana e as obras durem oito meses. Antes da inauguração, a marca fará um evento na Praça Hercílio Luz para apresentar o conceito.

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Heineken lança câmera analógica com Notthesamo em promoção

A Heineken e a NOTTHESAMO se uniram para lançar uma câmera analógica de edição limitada, peça central da campanha global #SocialOffSocials, que incentiva o público a se desconectar das telas e vivenciar conexões reais. A LePub São Paulo assina a iniciativa que, segundo a gerente de Marketing Williane Vieira, busca incentivar o valor dos momentos na vida real, longe do digital. O diretor-executivo Rafael Alves explica que a câmera 100% analógica faz as pessoas gastarem menos tempo registrando e mais tempo vivendo o que importa. Consumidores maiores de 18 anos podem se inscrever na promoção até 8 de janeiro de 2026, sem necessidade de compra, pelo site da promoção Heineken Social Off Socials.

Leia também sobre a nova Heineken Lager Spritz

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Sebrae e Ambev lançam capacitação digital para cervejarias

O Sebrae/PR e a Ambev lançaram a versão digital do Programa Aprimore, oferecendo capacitação gratuita e online para microcervejarias e brew pubs do Paraná. A jornada de três meses inclui podcasts ao vivo, trilhas de conteúdo e materiais complementares sobre gestão, finanças e logística. O objetivo é levar conhecimento especializado a todas as regiões, respeitando o ritmo do empreendedor, segundo Thais Rodrigues Almeida, consultora do Sebrae/PR. Marta Rocha, da Ambev, reforça que o formato em podcast amplia o acesso ao conteúdo técnico. Empreendedores interessados podem se inscrever pelo link de inscrição no programa Aprimore.

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Curitiba sedia concurso de cervejas caseiras e hidromel

Curitiba (PR) sediou, entre quinta (20) e sábado (22), o XIV Concurso Paranaense de Cerveja Feita em Casa, promovido pela Acerva Paraná. O evento, que cresce anualmente, avaliou 220 amostras de cervejas e 65 de hidromel sob padrões internacionais do Guia BJCP. Cerca de 50 especialistas e sommeliers participara da análise das bebidas caseiras, que frequentemente superam rótulos renomados. A festa de premiação, aberta ao público, ocorre no sábado (22) na Cervejaria Bastards, celebrando a união da cena artesanal do estado.

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Copa capixaba de cerveja terá festa com chope liberado

A 4ª Copa Capixaba de Cerveja Artesanal celebra o amadurecimento do setor no Espírito Santo, registrando 320 rótulos inscritos, o recorde da competição. O evento, realizado pela Acerva, teve julgamento técnico entre quinta (20) e sexta-feira (21). A festa de premiação e confraternização ocorre neste sábado (22), na Casa do Turista Capixaba, em Vitória. O ingresso inclui chope liberado com mais de 15 estilos artesanais e bufê livre de comida de boteco. Para adquirir ingressos e saber mais sobre a Copa Capixaba de Cerveja, acesse o Instagram oficial.

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Brew festival volta a Campinas com rock e cerveja

O Brew Festival, tradicional festa de cerveja artesanal, retorna à Praça Arautos da Paz, em Campinas, até domingo (23), com entrada gratuita. O evento, realizado pela WB Produções, celebra o feriado com mais de 200 estilos de cerveja, novidades da gastronomia gourmet e shows de rock n’ roll em dois palcos. O festival é pet friendly e conta com ampla área kids, sendo dedicado a toda a família. Para saber mais sobre as atrações e horários do Brew Festival, confira o Instagram oficial do evento.

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Münchenfest tem desfile de blocos e premiação em Ponta Grossa

O primeiro fim de semana da 34ª Münchenfest, a Festa Nacional do Chope Escuro de Ponta Grossa (PR), agitou a Avenida Vicente Machado com o tradicional desfile de cerca de 40 blocos rumo ao Parque Ambiental. A prefeita Elizabeth Schmidt e as majestades da edição anterior prestigiaram a passagem dos foliões. Os vencedores do concurso de Blocos foram Bella Vila Velha, Kelly Wosniak e Até o Último Gole, respectivamente. Também foram premiados os vencedores do concurso “Clima de München”, que busca valorizar o comércio decorado. A festa no Centro de Eventos vai até 29 de novembro; ingressos estão disponíveis na plataforma Blueticket.

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Estrella Galicia celebra Grammy de Liniker

A Estrella Galicia promoveu uma noite especial em São Paulo (SP) para acompanhar a torcida pelo Grammy Latino de Liniker, sua parceira. O evento, que reuniu fã-clubes e equipe, terminou em comemoração após a artista conquistar três gramofones pelo álbum Caju e a canção “Veludo Marrom”. A cervejaria, que já patrocinou a turnê, celebrou a vitória como um momento histórico para a música brasileira. A marca reafirma seu compromisso em valorizar artistas independentes e criar experiências que colocam os fãs no centro, promovendo autenticidade e propósito.

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Entrevista: conceito de cerveja decolonial pode forjar a identidade e o terroir brasileiro

No efervescente mercado de cervejas artesanais, uma profunda autocrítica à indústria e uma busca por uma identidade nacional autêntica têm guiado as discussões sobre o conceito de “cerveja decolonial”. Mais do que uma simples tendência, esse movimento desafia a tradição importada ao exigir uma reavaliação da própria filosofia de produção, inspirando-se em insumos, culturas e bebidas ancestrais brasileiras. A proposta é clara: construir um “terroir nacional” que fuja dos guias de estilo internacionais.

A Cozalinda, cervejaria e cidraria sediada em Florianópolis (SC), é um dos nomes a abraçar a filosofia. Embora o cofundador Diego Simão Rzatki revele que a atitude de valorizar o local estivesse presente desde o início da empresa em 2014, o conceito decolonial, enquanto termo consciente, se aprofundou por volta de 2018. A virada ocorreu quando a cervejaria percebeu que, apesar de usar microrganismos locais, a estrutura fermentativa ainda se inspirava em modelos europeus, demandando uma reflexão mais profunda sobre a arquitetura sensorial e a cultura produtiva.

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Para Rzatki, essa busca por uma identidade própria não é apenas uma questão de ideologia e política, mas também econômica. A inovação autêntica é vista como a chave para a expansão internacional, argumentando que a originalidade é o que o Brasil deve oferecer ao mercado global, em vez de cópias. 

O movimento, com cerca de cinco anos de discussão mais intensa e maior projeção pós-pandemia (marcada por projetos como “Manipueira” e a “Feira Selvagem”), representa um convite ao diálogo profundo sobre o que significa produzir e consumir uma bebida que seja, de fato, brasileira, questionando até a nomenclatura e as convenções do setor.

Confira, abaixo, a entrevista de Diego Rzatki ao Guia da Cerveja:

A Cozalinda está no mercado desde 2014. A cervejaria já nasceu com a proposta decolonial?

A gente não era consciente desde o início de que a nossa proposta era decolonial. Olhando em retrospectiva, acredito que desde o primeiro dia, desde a formação da ideia do que viria a ser a Cozalinda, a gente tem uma atitude decolonial. Nossa ideia era criar algo com uma identidade local e romper com os estereótipos comuns das cervejas catarinenses que olhavam mais para fora do que para dentro para se identificar.

Desde o início, a Cozalinda se propôs a levar cervejas que traduzissem o espírito da cidade, e isso ia muito além do nome ou da narrativa que a gente escolheu naquele momento. A nossa ideia era valorizar tudo que fosse local, pensando nas receitas para a cidade, e não olhando para fora e trazer alguma “trend” importada. 

Quando o conceito decolonial ficou mais evidente para a cervejaria?

O termo decolonial para a gente ficou evidente em 2018, quando começamos a produzir a cerveja “Já Passou o Paulo Lopix?”. Ela se pretende dar um passo além nos nossos esforços na busca de melhor traduzir o terroir local. Diferente da “Praia do Meio” e da “Pedras do Itaguaçu” (duas fermentações mistas que tinham as gueuzes e lambics como maior influência), a “Paulo” seria mais culturalmente identificada com o local. Porque, por mais que a gente se esforçasse em produzir cervejas com microrganismos não usuais como “bretts e pedios” a gente tomou consciência de que a estrutura fermentativa que estávamos propondo se inspirava muito nas cervejas europeias, apesar dos microrganismos serem endêmicos [locais].

O passo dado com a “Paulo Lopix” foi ter a consciência de que, para além de apenas fazer cerveja, a gente tinha que entender qual era o estilo das bebidas ancestrais locais. Sem se apropriar, nos inspiramos em uma bebida ancestral, o Cauim. E diante da polêmica do uso do nome Cauim em uma lager, ficou evidente que só dar um nome e usar um ingrediente local não bastava. Tínhamos que aprofundar mais. Adotamos microrganismos selvagens, selecionados na mesma fonte que as bebidas ancestrais “bebiam”, e entendemos que assim encontraríamos uma cinética fermentativa e uma arquitetura sensorial totalmente local – e, aí sim, nos descolonizando do caráter europeu que nossas produções anteriores se lastreavam.

O descolonizar é buscar se desfazer da colonialidade que permeia a identidade nas produções nacionais. É “Lei de Pureza” para lá, “melhores ingredientes sempre são os importados” pra cá e até ideia de que era “impossível produzir cervejas selvagens no Brasil” pairava como uma guilhotina sempre pronta a cair sobre nossas cabeças. O importante, e mais evidente após a “Paulo Lopix”, era a necessidade de romper com os padrões impostos pelos Guias de Estilos que essencialmente são ferramentas de colonização (intencional ou não).

E o que é, na prática, uma cerveja decolonial?

Dicussão sobre a identidade da cerveja brasileira não é nova, mas está amadurecendo com o mercado (Crédito: Instagram / Cerveja Cozalinda)
Dicussão sobre a identidade da cerveja brasileira não é nova, mas está amadurecendo com o mercado (Crédito: Instagram / Cerveja Cozalinda)

Não existe hoje uma definição do que é uma cerveja decolonial. O ato decolonial vai muito, muito, muito, além do simples fazer. Ele está mais no pensamento de desvinculamento de padrões que são oriundos do processo colonial que perdura até hoje.

A proposta é fazer um produto com a cara do Brasil?

Sim, mas o difícil é dizer qual é a cara do Brasil. Temos muitas “caras”. A cerveja decolonial é uma cerveja que pode ter uma identidade brasileira, que tem um terroir brasileiro, mas isso não é algo singular, é plural. Isso se constrói na influência das diferentes culturas etílicas sul-americanas originárias e daquelas que formaram o que o continente é hoje. O que, claro, também inclui a influência colonial. Mas é importante não se pautar apenas na herança dos colonizadores para fazer cerveja. Não apenas imitar uma Escola Cervejeira e nacionalizar a produção. 

A identidade brasileira se molda com influências europeias, dos povos originários, africanos e, por que não, influências asiáticas tão presentes em partes do país. Tudo o que compõe a identidade nacional vai ser importante para construção de uma cerveja decolonial.

O importante é que a cerveja estabeleça uma identidade própria, que seja uma “mescla” e não uma cópia completa de outra.

A busca por uma identidade “manezinha”, um terroir “manezinho”, de “Floripa”, para nós é pesquisar o que permeia nossa cultura local e traduzir isso em cervejas. E essa identidade “manezinha” é apenas uma das caras do Brasil, mas é a “cara” da Cozalinda. Cabe a cada cervejaria encontrar a sua “cara” brasileira.

Como essa proposta se insere no panorama atual do mercado cervejeiro nacional? 

Existem muitas cervejarias que já se preocupam em fazer cervejas que tenham uma identidade nacional. Ainda é um lugar bem pequeno dentro do “Universo de Cervejas Artesanais”. Entretanto, são sempre iniciativas que ganham boa projeção. Não é um movimento novo, acho que a gente simplesmente não sabia dar um nome e entender o que estávamos fazendo.

De forma prática, desemboca no surgimento de cervejas que não tem medo de romper com padrões, como são as cervejas do Projeto Manipueira, cervejas selvagens inspiradas de certa forma no Cauim, bebida ancestral que provavelmente surgiu onde nos encontramos. Hoje, o projeto finalizou sua terceira temporada de produção e ampliou o número de produtores em relação ao que foi o ano passado. São 22 cervejarias produzindo o estilo e sempre ganhando medalhas em diversos campeonatos cervejeiros.

O que impulsionou essa discussão sobre a cerveja decolonial?

A questão da cerveja decolonial é algo novo, mas não deixa de ser uma evolução do intuito do “fazer cerveja brasileira” que é algo já bem antigo. Eu adoro uma frase que a Kathia Zanatta [sommeliére de cervejas] falou um tempo atrás: “Não basta colocar uma fruta brasileira e achar que está fazendo cerveja brasileira”. Não lembro se foram exatamente essas palavras, mas era esse o sentido da fala. Isso, que até pouco tempo era considerado “fazer cerveja brasileira”, tem se aprofundado com a maturidade que o mercado vai ganhando ano a ano. De cinco anos para cá que a gente tem discutido mais, mas acredito que foi pós-pandemia que surgiu mesmo, na prática, a discussão decolonial. 

A discussão decolonial teve como um dos marcos o projeto Manipueira, e a primeira edição da Feira Selvagem. Nela, houve preocupação de conversar sobre o que é terroir na cerveja e outros temas que desembocaram na discussão de uma cerveja decolonial.

Na prática, essas discussões caíram como uma luva para quem produz cervejas selvagens, e foi se ampliando pelo mercado, desde a produção de Manipueiras Selvagens a atos de ruptura, como a cervejeira da Água do Monge, que colocou na placa de uma saison com uva que estavam servindo no Brasileiro de 2024 uma plaquinha de identificação como “Chope de Vinho Selvagem”. Tudo isso são ampliações deste movimento.

Esses atos de ruptura, de andar para um caminho independente do pré-estabelecido e do pré-conceito, se fortaleceu ao passo que mais e mais produtores pararam de ter medo de identificar e fazer cervejas realmente brasileiras ou simplesmente disruptivas. Disruptiva não é mais simplesmente fazer IPA, West Coast IPA, Brut IPA, Hazy IPA, Cold IPA ou qualquer dessas “IPAS” que são quase tudo igual (risos) para romper com o monopólio das Pilsenzinhas… Esse tempo já passou. 

“Temos muito a ganhar pensando e agindo de forma decolonial”

Diego Rzatki, sócdio e fundador da cervejaria Cozalinda

Além dos ingredientes, quais são os outros processos de fabricação da cerveja que a proposta decolonial busca questionar?

A gente tem uma dificuldade muito grande no mercado em renunciar (ou questionar) os laços que construíram o cenário dos cervejeiros artesanais brasileiros atuais. Eles foram (e ainda são) formados a olhar para escolas cervejeiras alheias à nossa cultura. Não é difícil encontrar cervejeiro pensando que fazer cerveja alemã é o único jeito de fazer uma cerveja “verdadeira” ou “de verdade”, pensamento para lá de colonial. Ou seja, a gente tem uma grande tendência, que vem da formação, em não questionar os modelos externos. 

Um bom exemplo é o que ocorre com a cadeia do milho. Não é um insumo ruim, é apenas um ingrediente diferente que, se usado da forma correta, é muito bom. Até três anos atrás ainda era heresia falar malte de milho. Mas, por causa da resistência que existe do fornecedor ao cervejeiro, não temos a oferta deste insumo. Estamos dentro do continente originário do milho, o qual até hoje é usado para fazer cerveja de milho, a Chicha. No fim a cadeia inexiste, apesar de ser algo que faria muita lógica ser explorado pelo mercado. Em nosso país tem uma infinita variedade de milhos rústicos e endêmicos, cada um destes se transformaria em um malte originário e poderia ser fonte de muita inovação.

Entretanto, o mercado vem jogando um volume considerável de recursos para produzir lúpulo nacional. O que não é errado, diga-se de passagem, mas nossos preconceitos que estão cravados no coração do mercado atrapalham um processo de inovação gigante. Quem sabe até na adoção do malte de milho em grande escala que mora a autossuficiência de malte que o Brasil tanto precisa?

Disso a gente pode puxar outros exemplos como a necessidade de usar microrganismos fermentativos nacionais para se livrar da identidade sensorial que leveduras do exterior prevalecentes na produção atual. Encontrar leveduras endêmicas e, quem sabe, abraçar até temperaturas mais altas de fermentação e aceitar o perfil aromático que um processo desse gera, seja também uma enorme vantagem energética que melhoraria o resultado financeiro das empresas. 

Pensar decolonial pode levar a mudanças muito favoráveis ao mercado. Sejam impactos financeiros com a adoção de novos processos e insumos, ou mesmo um impulso inovador que poderia desembocar em novos produtos de identidade únicas, as quais poderiam acabar em mais exportação. 

O Brasil produz muita cerveja, mas exporta muito pouco, e isso ocorre pelo fato de que somos ainda um mercado colonizado. O mercado internacional não vai consumir mais do mesmo, vai desejar produtos diferentes. 

Temos muito a ganhar pensando e agindo de forma decolonial. Óbvio, não é estalar os dedos e tudo vai mudar e dar certo, é um caminho de décadas que precisamos começar a trilhar.

Rozilene Alves de Sá: a mestre cervejeira que abre portas para mulheres e negros

A mestre cervejeira e Beer Sommelier Rozilene Alves de Sá, de 46 anos, é reconhecida pela sua atuação profissional que a levou a Gerente Corporativa de Produção da Heineken, onde atua há pouco mais de dois anos. Rozi tem certificação internacional como Brewmaster pela World Brewing Academy e é diplomada como Beer Sommelier pelo Instituto da Cerveja Brasil. 

A trajetória de sucesso foi marcada por experiências de vida que a levaram a defender a diversidade e a inclusão, além de incentivar e inspirar pessoas em projetos de mentoria.

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Virada de chave

Foi a partir de uma “virada de chave” que Rozilene, bacharel em Química, se assumiu capaz de liderar a produção de cervejas da Heineken. Se, antes, a sensação era de ter que dar sempre o melhor e vencer, agora ela colhia os frutos de uma carreira solidamente construída – mas precisou do olhar do outro, encorajando, para conseguir ver a própria potência.

Isso não aconteceu porque Rozilene não conhecia a sua capacidade, mas porque foi levada a duvidar do que sentia. “Antes, a sensação era de que eu corria apenas para dar o meu melhor e vencer. Essa mudança só aconteceu porque ouvi, repetidamente, das pessoas ao meu redor, de que eu poderia fazer a diferença. Infelizmente, não partiu de mim, talvez por uma Síndrome do Impostor. Acho importante compartilhar isso, porque hoje, com maturidade, reconheço meu potencial e não o ignoro, mas nem sempre foi assim”, diz.

A “Síndrome do Impostor” é um fenômeno psicológico que leva a pessoa a duvidar de si mesma, e a se sentir uma fraude – não porque existam limitações reais, mas porque a pessoa é levada a acreditar nisso ao longo de anos de construção de uma identidade profissional, geralmente minada por preconceitos. No caso da Rozi, houve um peso de gênero e raça. 

Foi a partir dessa percepção e da construção da autoconfiança que Rozilene se viu capaz de assumir o que chamou de “um grande desafio”: construir, do zero, uma área de processos de produção cervejeira. Foi preciso contratar 80% do time no mercado, treinar, iniciar a produção e performar. “Esse projeto trouxe muitos aprendizados, e o maior deles foi perceber que não se tratava apenas de fazer cerveja, mas de entender que a base de tudo são as pessoas”, reflete.

‘Inspirar pessoas e transformar ambientes’

Em sua descrição profissional, Rozi se diz “apaixonada por inspirar pessoas e transformar ambientes”. E, ao conhecer a sua vivência pessoal, é possível perceber o que trouxe para Rozilene a sagacidade para entender que são as pessoas que constroem os processos – seja em empresas, nas famílias, ou na sociedade. Ela sabe o que é vivenciar o apoio de outras pessoas para se ver em toda a sua potência, porque foi assim que aconteceu com ela, e sabe o quanto pode contribuir, a partir desta potência, para o processo de trabalho na empresa. 

No caso de Rozilene, pesa o fato de ter iniciado a construção da carreira em 2001, época em que o ambiente cervejeiro era majoritariamente masculino. Além disso, ela carrega a experiência de viver em um país racista, que naturaliza o julgamento do valor de uma pessoa pela cor de pele. 

“Quando comecei minha trajetória no mercado cervejeiro, em 2001, era um ambiente majoritariamente masculino. Ser mulher e mulher negra significava enfrentar barreiras invisíveis todos os dias”, conta.

Sem tempo para detalhar os desafios, porque quem os enfrenta só quer deixá-los para trás, Rozilene afirma que os encarou como oportunidades para abrir portas. “Queria mostrar que é possível ocupar espaços que antes pareciam inalcançáveis. Era sobre coexistir e transformar”, conta.

“Hoje avançamos muito, mas ainda há um longo caminho a percorrer. Temos mais mulheres presentes, mais vozes sendo ouvidas, e isso é fruto de coragem, união e iniciativas que promovem a diversidade. A jornada é contínua”, fala. 

“Cada conquista feminina nesse setor é um passo para todas nós, e eu vibro quando vejo uma mulher crescer, evoluir e ser reconhecida”, conta Rozilene.

Apoio e mentorias

Rozilene divide o tempo entre a vida pessoal, as corridas, o trabalho, e o comprometimento em inspirar e apoiar outras mulheres, seja por meio de projetos, mentorias ou outras ações. Recentemente, ela participou de um projeto que levou conhecimento cervejeiro a mais de 550 mulheres. Além disso, faz mentorias para profissionais que desejam crescer na indústria.

Ela conta que a experiência com mentoria começou com convites para palestras internas e evoluiu para programas estruturados. Ela vê nessas iniciativas “impactos positivos enormes”. 

“A troca de experiências fortalece minha visão de liderança e traz uma satisfação imensa ao ver talentos crescerem, sendo um verdadeiro combustível para o meu propósito”, conta.

Desde 2016, atua como professora em temas técnicos relacionados a todas as etapas do processo cervejeiro, incluindo matéria-prima, brassagem, fermentação e filtração. “Acredito que a melhor forma de contribuir para o mercado é formando pessoas, porque conhecimento só tem valor quando é compartilhado e quando cria conexão”, relata.

‘Filha’ de Nortelândia, cria de escola pública, formada da Federal

A jornada de Rozilene Alves de Sá começou em Nortelândia, um município no estado de Mato Grosso com aproximadamente 6 mil habitantes, onde nasceu há 46 anos. 

A infância foi marcada por brincadeiras de rua, mas com tempo delimitado – a partir dos 9 anos, ela já ajudava o pai, que era comerciante na cidade.

Ela estudou nas escolas públicas de Nortelândia até concluir o ensino fundamental. Ao ingressar no ensino médio, mudou de cidade e foi morar com um casal amigo da família.

Ao decidir que queria estudar na Escola Técnica Federal do Mato Grosso, se dedicou à preparação solitária na biblioteca da escola, usando livros emprestados e sonhando com a aprovação. Ali, Rozilene já desenhava dentro de si a perseverança que teria que desenvolver ao longo da vida. A preparação deu certo, e ela foi aprovada no curso técnico de Química.

Este foi o início do caminho profissional. A partir do curso técnico, Rozilene continuou estudando e foi aprovada no vestibular de Química da Universidade Federal do Mato Grosso. Foi quando ela desenvolveu habilidades analíticas e técnicas, além de adquirir conhecimentos, que se tornaram a base da vida profissional. “Acredito que ter uma base sólida nos dá segurança para trilhar os próximos passos com autoconfiança”, reflete.

Universo cervejeiro

O universo cervejeiro entrou na vida de Rozilene Alves de Sá pela porta do interesse pela área de qualidade e pelos processos industriais. Foi estagiária de Qualidade em 2001, quando teve o primeiro contato com a rotina de análises, padrões produtivos e controles que sustentam a fabricação de bebidas. 

“Esse período reforçou minha afinidade com o ambiente produtivo e me levou a assumir, logo na sequência, a posição de Técnica Química no laboratório de envase, onde aprofundei meu conhecimento em análises de produto acabado e embalagem”, relembra.

Foi a partir dessa base técnica que Rozilene começou a buscar especializações voltadas diretamente para a cerveja. “Ao longo dos anos, evoluí de funções laboratoriais para posições de supervisão e depois para áreas de processo dentro da cervejaria, sempre com foco em qualidade, padronização e entendimento profundo das etapas de produção”, diz.

O desenvolvimento formal incluiu formações técnicas voltadas para tecnologia cervejeira, o que ela classifica como fundamentais para consolidar a atuação em áreas como brassagem, fermentação e filtração.

Rozilene Alves de Sá, mestre cervejeira e gerente de produção da Heineken. Foto: Divulgação

“Esse conjunto de experiências e qualificações me abriu portas para atuar como especialista de processo em nível corporativo, atendendo diferentes unidades no Brasil e em outros países da América do Sul”, fala

Desde então, Rozilene não parou mais de estudar. Ela conta que continua se aprofundando tecnicamente, seja em metodologias de gestão, controle de qualidade ou tecnologias cervejeiras.

“Foi isso o que sustentou minha evolução até chegar às funções de mestre cervejeira, especialista corporativa e atualmente gerente corporativa de Cerveja e Master Brewer na Heineken Brasil”, fala.

Especializações

Rozilene conta que, quando ingressou na indústria cervejeira como estagiária, teve como objetivo adquirir cada vez mais conhecimento técnico. Foi a partir de muito trabalho e dedicação, que ela pode fazer, em 2004, o curso técnico cervejeiro no Senai Vassouras. “Ao final, fui classificada com a maior nota do Brasil, e ali nasceu minha paixão por estudar sobre cerveja e me conectar com profissionais experientes do setor”, relembra. 

Esse foi o primeiro passo para, no futuro, ingressar na formação de Mestre Cervejeira (Siebel e Doemens). Mas os desafios ainda estavam impostos – formação exigia proficiência em inglês.

“Em 2007, fui indicada para participar do processo seletivo dessa formação, que exigia proficiência em inglês. Para superar essa barreira, me dediquei intensamente: aulas seis vezes por semana e um intercâmbio no Canadá. Esse esforço resultou na minha aprovação”, conta.

Em 2008, Rozilene Alves de Sá foi para Chicago fazer o curso de Mestre Cervejeira. Em uma turma de 25 alunos, havia apenas ela e mais uma mulher, sendo ela a única brasileira.

“Essa experiência plantou em mim a certeza de que eu poderia abrir portas. No mesmo ano, concluí a formação em Chicago e na Alemanha, em escolas reconhecidas mundialmente pela excelência em ciência cervejeira, obtendo nota A+”, comemora.

A vivência internacional foi transformadora. Rozilene relembra a adaptação ao idioma, o contato com diferentes culturas e a troca com profissionais de diversos países. Essas experiências ampliaram a visão dela sobre o universo cervejeiro. 

“Saí da minha bolha e descobri novas possibilidades. Foi um período desafiador, mas extremamente enriquecedor. Além do conhecimento técnico, construí amizades para a vida”, conta.

Para ela, os maiores reconhecimentos são a soma de pequenas conquistas, não apenas um troféu. “Elas se traduzem em falas de pessoas que fizeram parte dessa trajetória e que refletem meu propósito e legado, como ‘Rozi, comecei a estudar cerveja por causa de você.’, ou ‘Você me inspirou a seguir para a área de produção’, ou ‘Você me mostra que nunca devemos ignorar nosso potencial’”, conta

Para ela, essas mensagens mostram que a jornada vale a pena. “Isso nenhum troféu é capaz de traduzir”, conta.

Inflação da cerveja em outubro é de 0,75%; indústria segue em recuperação

A inflação da cerveja fechou o mês de outubro com alta de 0,75%, cerca de oito vezes mais que o índice geral, que ficou em 0,09%. Os dados são IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), e foram divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Segundo Fernando Gonçalves, gerente do IPCA, a variação de preços pode ser reflexo de um reajuste feito no segundo semestre e que, agora, chegou aos consumidores. “Alguns fabricantes de cerveja reajustaram seus preços no início do segundo semestre, possivelmente refletindo agora, nas prateleiras, para o consumidor final”, diz. 

Outro fator que pode explicar o avanço dos preços em outubro são as temperaturas mais altas, já que o calor impacta diretamente no consumo da bebida, avalia Gonçalves.

No acumulado do ano, de janeiro a outubro, a inflação da cerveja ficou em 4,44%, também acima do índice geral, de 3,73% para o período. No acumulado dos últimos 12 meses, os preços apresentaram estabilidade nos dois indicadores. A inflação da cerveja ficou em 4,66% enquanto o IPCA geral fechou em 4,68%.

IPCA de outubro, segundo o IBGE
CervejaIPCA geral
Variação mensal (%)0,750,09
Acumulada no ano (%)4,443,73
Acumulada em 12 meses (%)4,664,68
Fonte: IBGE — Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo

Inflação da cerveja

A variação de preços da cerveja em outubro ficou acima também da variação captada em setembro, quando o índice fechou em 0,64% e ficou mais próximo do IPCA geral, de 0,48%. Comparado aos preços de outras bebidas alcoólicas, o avanço de preços das cervejas é ainda maior, já que o subitem teve recuo de -1,06%.

No entanto, o cenário se inverte na alimentação fora de domicílio. O grupo teve inflação de 0,46% no período, mas as cervejas ficaram -0,08% mais baratas, enquanto outras bebidas alcoólicas avançaram 0,37%.

outubro 2024novembro 2024dezembro 2024janeiro 2025fevereiro 2025março 2025abril 2025maio 2025junho 2025julho 2025agosto 2025setembro 2025outubro 2025
Índice geral0,560,390,520,161,310,560,430,260,240,26-0,110,480,09
Alimentação e bebidas1,061,551,180,960,71,170,820,17-0,18-0,27-0,46-0,260,01
Alimentação no domicílio1,221,811,171,070,791,310,830,02-0,43-0,69-0,83-0,41-0,16
Cerveja0,980,85-0,640,49-0,290,370,480,110,360,4510,640,75
Outras bebidas alcoólicas-1,18-0,110,75-0,55-0,770,47-1,13-0,361,34-0,632,69-2,04-1,06
Alimentação fora do domicílio0,650,881,190,670,470,770,80,580,460,870,50,110,46
Cerveja0,890,790,24-0,091,070,170,610,11-0,170,060,420,44-0,08
Outras bebidas alcoólicas-0,380,290,870,660,621,310,180,450,80,880,36-0,030,37
Fonte: IBGE — Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo

Maior queda de preços foi em Belém

Os preços nas capitais monitoradas pelo IBGE apontam que a maior redução no custo da cerveja em outubro foi registrada em Belém, com recuo de -1,3%, seguido por Porto Alegre (0,42%) e Fortaleza (0,44%)

Já os maiores aumentos foram no Rio de Janeiro, com alta de 1,53%, Grande Vitória e São Paulo, ambos com aumento de 0,88%, e Belo Horizonte, com variação de 0,86%.

Inflação da cerveja em outubro*
Rio de Janeiro (RJ)1,53
Grande Vitória (ES)0,88
São Paulo (SP)0,88
Belo Horizonte (MG)0,86
Brasil0,75
Curitiba (PR)0,74
Salvador (BA)0,72
Recife (PE)0,68
Fortaleza (CE)0,44
Porto Alegre (RS)0,42
Belém (PA)-1,3
*Em domicílio / Fonte: IBGE

Em relação à Alimentação Fora do Domicílio, os preços da cerveja tiveram os maiores aumentos em Belo Horizonte (1,78%), Grande Vitória (1,76%) e Belém (0,89%).

As maiores quedas de preço aconteceram em São Paulo (-1,24%), Curitiba (-0,34%), e Salvador (-0,08%).

Produção industrial

Os dados da PIM-PF (Pesquisa Industrial Mensal — Produção Física), também divulgados pelo IBGE, apontam que a fabricação de bebidas alcoólicas recuou -6,7% em setembro, se comparado ao mesmo mês do ano anterior.

No acumulado do ano, de janeiro a setembro, a variação também ficou negativa em -4,8%, mesmo percentual para o acumulado de setembro de 2024 a setembro de 2025.

A indústria das bebidas não-alcoólicas também apresenta números negativos, mas em menor magnitude. O acumulado do ano ficou em -0,3%, enquanto o acumulado de setembro do ano passado até setembro deste ano ficou em -1,8%. A produção industrial do segmento em setembro teve aumento de 4,3%, comparado a agosto, segundo o IBGE.