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Cervejarias fundam o Polo Cervejeiro da Grande São Paulo

A união faz a força, já dizia o ditado. E é e busca dessa fortaleza que cervejarias da capital paulista e região acabaram de fundar o Polo Cervejeiro da Grande São Paulo. Trata-se de uma associação sem fins lucrativos focada em representar os interesses indústria cervejeira independentes dos 39 municípios que compõem a região metropolitana. A abertura oficial da entidade aconteceu em outubro e já conta com 44 empresas.

E o potencial é grande. Das 1.949 cervejarias do país, 427 estão no estado de São Paulo, sendo 66 somente da capital, segundo dados do Anuário da Cerveja 2025 do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). E esses números não consideram cervejarias ciganas (que não tem fábrica própria) nem as cidades do entorno. Apesar disso, a região nunca teve uma entidade representativa formalizada — algo que já aconteceu há anos no caso de outras regiões do estado, como Campinas, Ribeirão Preto e Sorocaba.

O processo iniciou-se com reuniões em abril, inspiradas no grupo do Festival de Cervejarias de São Paulo, evento aberto ao público que acontecia anualmente na capital. Esse movimento foi estratégico porque aproveitou um grupo de cerca de 25 cervejarias que já possuíam uma conexão.

Apesar disso, o processo de estruturação não foi imediato, ocorrendo por meio de uma série de reuniões planejadas para criar uma base sólida antes da formalização. Houve até um benchmarking com o polo de Campinas, além de reunião para definição e aprovação do estatuto. E finalmente culminou na obtenção do CNPJ em outubro, após trâmites burocráticos.

União e sinergia do Polo Cervejeiro da Grande São Paulo

Embora tentativas tenham ocorrido nos últimos 15 anos, a formalização atual é considerada um sinal de amadurecimento do setor. Segundo Isaac Deutsch, presidente do polo e sócio da Cervejaria Tarantino, o objetivo é “juntar o segmento de cervejarias locais independentes da grande de São Paulo para ter uma voz”.

O polo nasce com força expressiva, reunindo 44 cervejarias fundadoras, um sinal de que o mercado estava pronto para a união. “Para mim o fato que a gente conseguiu 44 no início é um já um sinal muito positivo”, diz Isaac. “Eu acho que nosso segmento tem passado muitos desafios e chegou a hora da pessoal entender que se juntando a gente tem muito mais chance de endereçar as dificuldades”, explica.

Gilberto Tarantino, presidente da Associação Brasileira da Cerveja Artesanal (Abracerva) e também sócio da Cervejaria Tarantino, também avalia a formalização do polo como sinal de maturidade. Ele ressalta que a vantagem de um polo não é apenas teórica, mas sentida na rotina das cervejarias e na influência política local. “É muito importante porque as cervejarias locais conseguem sentir no dia-a-dia através das atividades como reuniões, treinamentos, cursos e principalmente eventos, a força de trabalhar em conjunto”.

Pilares estratégicos inicias

Issac conta que o estatuto prevê 19 áreas de atuação, mas a diretoria definiu quatro prioridades para o primeiro ano de gestão.

  • Comunicação e Valorização: Criação de uma plataforma (site, Instagram) para dialogar com o público final, o setor e o poder público. O objetivo é desmistificar a cerveja artesanal, combatendo a ideia de que é apenas “forte, amarga e cara”, segundo Isaac. E mostrar o valor do produto local e independente. O perfil no Instagram é @polocervejeirosp.
  • Capacitação e Treinamento: Focar em “elevar a régua do mercado” por meio treinamentos viabilizados por meio de parceiros como Sebrae, fornecedores da cadeia cervejeira e escolas cervejeiras. As áreas incluem qualidade técnica, práticas tributárias, marketing e atendimento, entre outras.
  • Eventos Proprietários: Criação de um calendário oficial do Polo Cervejeiro da Grande São Paulo para complementar os eventos de terceiros. O plano inclui um grande festival no primeiro semestre de 2026, construído sobre a base do antigo Festival das Cervejarias Paulistas, além de eventos regionais menores (Zona Leste, Norte, etc.). “A gente quer trazer o melhor de São Paulo, mostrar o que São Paulo tem para oferecer de cerveja local”, explica Isaac.
  • Turismo Cervejeiro: Inserir a cerveja artesanal na rota turística oficial de São Paulo. A estratégia envolve reuniões com a Secretaria de Turismo e parcerias com a rede hoteleira para que a cerveja local seja um atrativo da experiência cosmopolita da cidade. “São Paulo virou uma cidade turística”, diz o presidente do Polo Cervejeiro da Grande São Paulo.

Sinergia com a Abracerva

O polo também já nasce com boa relação com outras associações. Além de contar com a colaboração de outros polos do estado para a constituição, há uma grande proximidade com a Abracerva. Não só porque Isaac e Gilberto são sócios na mesma cervejaria, mas porque a relação deve ser colaborativa e complementar.

Enquanto a Abracerva mantém uma visão e atuação nacional, o Polo foca na execução local. Além disso, também atua como canalizador de informações técnicas e regulatórias em relação à Abracerva e os associados. “Acho que a gente pode usar o alcance, entendimento, visibilidade da Abracerva, mas colocando nossa mão de obra, nosso braço para realizar coisas que talvez ela não consiga fazer sozinha em São Paulo”, diz Isaac.

“Espero que com a criação do Polo de São Paulo muito em breve a gente comece a entregar eventos que São Paulo merece”, diz Gilberto Tarantino.

Quem pode participar do Polo Cervejeiro da Grande São Paulo?

A diretoria eleita, com mandato de quatro anos, foi desenhada para ser diversa, representando desde cervejarias maiores até as ciganas e de diferentes zonas de São Paulo e outras cidades. São sete diferentes empresas representadas nelas, como a Lab Cervejaria, de Guarulhos, e X Craft Beer, da Zona Sul da capital.

Apesar de estar momentaneamente fechada para novas associações, para os trâmites iniciais de formalização, o Polo Cervejeiro da Grande São Paulo deve deixar essa possibilidade aberta em breve. “A porta não está fechada para ninguém”, diz Issac.

Para participar, a empresa deve:

  • Ser uma cervejaria com fábrica própria ou cervejaria cigana;
  • Estar localizada na região metropolitana de São Paulo;
  • Ter produção inferior a 5 milhões de litros/ano;
  • E ser independente de grandes grupos econômicos.

Confira a lista completa de cervejarias associadas:

Nome da CervejariaLink para o Instagram
Alvorada Cervejaria@alvoradacervejaria_oficial
Arkangel Beer@arkangelbeer
Armazém 77@armazem.77
Brass Brew@brassbrew
Brework SP@breworksp
Cervejaria Ewam@cervejaria_ewam
Cervejaria Brewtos@cervejariabrewtos
Cervejaria Camilos@cervejariacamilos
Cervejaria Central SP@cervejariacentralsp
Cervejaria Dinastia@cervejariadinastia
Cervejaria Dogma@cervejariadogma
Cervejaria dos Moret@cervejariadosmoret
Cervejaria Du Cabra@cervejariaducabra
Cervejaria Eugenia@cervejariaeugenia
Cervejaria Guaru@cervejariaguaru
Cervejaria Gutembeer@cervejariagutembeer
Cervejaria Holy Water@cervejariaholywater
Cervejaria Mar Alto@cervejariamaralto
Cervejaria Minnesota@cervejariaminnesota
Cervejaria Nacional@cervejarianacional
Cervejaria Palácio@cervejariapalacio
Cervejaria Peregrinos@cervejariaperegrinos
Cervejaria Sobrejja@cervejariasobrejja
Cervejaria Sumeria@cervejariasumeria
Cervejaria Tria@cervejariatria
Cervejaria Zev@cervejariazev
Cia de Brassagem Brasil Cervejaria@ciadebrassagembrasilcervejaria
Costaleste Cervejaria@costalestecervejaria
Croma Beer@cromabeer
Cybeer Lab@cybeer_lab
Destiny Brewing Co@destinybrewingco
Drom Cerveja@dromcerveja
East Zone Beer@eastzonebeer
Esconderijo Juan Caloto@esconderijo.juancaloto
Incomum Cervejaria@incomumcervejaria
LAB Cervejaria@lab.cervejaria
La Caminera Cervejaria@lacamineracervejaria
Los Forajidos Brewing@losforajidosbrewing
Mad Lizard Brew@madlizardbrew
Smoked Brew@smokedbrew
Tarantino Cervejaria@tarantinocervejaria
Trilha Cervejaria@trilhacervejaria
Trimudas@trimudas
X Craft Beer@xcraftbeer

Aplicativo Untappd expande atuação para outras bebidas além da cerveja

Amado por alguns e odiado por outros, o aplicativo Untappd está longe de ser consenso. E agora traz mais uma polêmica. A plataforma de avaliação, mundialmente famosa por sua atuação no universo das cervejas, anunciou em novembro a maior expansão de seu escopo. Ele passará a incluir vinhos, destilados, coquetéis “ready to drink”, seltzers e outras bebidas, além de alternativas não alcoólicas, como cafés e refrigerantes.

O banco de dados está sendo aumentado de 450 para 900 categorias distintas. Agora, será possível avaliar bebidas embaladas e em barril de todos os tipos.

A reportagem do Guia da Cerveja testou o aplicativo no Android e já encontrou sinais da atualização em andamento, permitindo o check-in e avaliação de hard seltzers (como o Topo Chico, da Coca-Cola) e bebidas como Smirnoff Ice. No entanto, a ausência de vinhos em uma pesquisa inicial indica que a implementação completa das novas categorias ainda está em processamento.

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Para usuários que preferem o foco exclusivo em cerveja, o aplicativo introduziu filtros nas configurações. Isso permite ocultar os novos tipos de bebidas em áreas como pesquisas, listas de mais bem avaliados e tendências. Segundo o material de divulgação, produtores e locais (bares e restaurantes) que focam em bebidas não alcoólicas ou outras variedades ganharão mais destaque e poderão listar mais produtos para avaliação.

Tendência de mercado e estratégia corporativa

Em entrevista ao site de bebidas The Drinks Business, Kyle Roderick, diretor de produtos do Untappd, afirmou que a atualização reflete as tendências atuais e que atende tanto a produtores quanto consumidores, dando-lhes uma maneira mais completa de se conectar.

“Estou extremamente empolgado com essa evolução, pois ela é uma resposta direta ao que temos ouvido da nossa comunidade de cervejarias, bares e restaurantes. A curiosidade do consumidor moderno não se limita a uma única categoria. Quem gosta de cerveja artesanal também está explorando destilados artesanais, vinhos naturais e opções sem álcool, à medida que mais produtos se tornam disponíveis”, explica.

A empresa controladora, Next Glass, busca escalar a plataforma além do nicho da cerveja para aumentar o engajamento e o mercado endereçável de dados e menus.

A expansão responde a uma mudança nos hábitos dos consumidores de cerveja artesanal, que estão diversificando seus paladares. Uma pesquisa da Harris Poll (2025) revelou que mais de 40% dos bebedores regulares de cerveja artesanal consomem vinho e destilados semanalmente nos Estados Unidos.

Cerca de 35% desse mesmo público consome hard seltzers ou bebidas maltadas saborizadas pelo menos uma vez por semana. Há um crescimento de popularidade entre consumidores mais jovens e ”curiosos sobre sobriedade“ (sober-curious) em relação a alternativas não alcoólicas.

Além disso, cervejarias tradicionais estão adotando estratégias como produtores de bebidas em geral, expandindo atuação com vinhos, destilados e híbridos, o que exigia que o Untappd se adaptasse para permitir que essas marcas listassem seus portfólios completos.

Reações à mudança do Untappd

Figuras importantes, como Sam Calagione, fundador da norte-americana Dogfish Head, apoiaram a mudança, afirmando que os amantes de cerveja também apreciam outras bebidas artesanais e que a ”beleza está nos olhos de quem segura a cerveja“.

A mudança é vista como inclusiva para quem bebe vinhos, seltzers ou não alcoólicos. No entanto, parte da base de usuários leais expressou preocupação e descontentamento em comentários no Reddit, temendo que a identidade da “comunidade cervejeira” seja diluída ou que o aplicativo perca seu foco original.

Roderick reforçou que a mudança reflete a realidade do bebedor moderno e que a fundação do aplicativo continuará sendo a comunidade cervejeira, mas sem limitar a descoberta a uma única categoria.

Desde sua fundação em 2010, o aplicativo Untappd recebeu mais de 1,5 bilhão de ”check-ins“ de cervejas. Foram milhões de consumidores em praticamente todos os países do mundo. A comunidade Untappd registrou ”check-ins“ em mais de um milhão de bares, restaurantes, cervejarias e outros estabelecimentos comerciais em todo o mundo.

Qual a sua opinião sobre a nova fase do Untappd? Deixe seu comentário abaixo.

Cerveja Flying Fish estreia em São Paulo nas lojas Oxxo

A cerveja Flying Fish vai fazer sua estreia em São Paulo por meio das lojas Oxxo, numa parceria entre a Ambev e a rede de mercados de proximidade. O produto saborizado, que chegou ao Brasil e foi lançado primeiramente nos três estados do Sul, deve permanecer com distribuição limitada por alguns meses exclusivamente na rede de varejo.

Para apresentar o lançamento, a Oxxo vai implementar uma estratégia robusta. Ela inclui loja emblemática, com lançamento previsto ainda para dezembro; cinco lojas Oxxo de experiência, com ações para ativação no ponto de venda; além de 50 lojas com comunicação dedicada, adesivação de geladeira, displays e testeiras de monitor destacando a chegada da cerveja Flying Fish.

“A Ambev é uma parceira extremamente importante para o Oxxo. Estamos muito felizes em ter a exclusividade de Flying Fish, e estamos muito felizes por fazer parte desse lançamento. Poder trazer essa novidade com exclusividade para São Paulo reforça a importância do Oxxo como porta de entrada para inovações e fortalece ainda mais nossa parceria com a Ambev”, afirma o gerente comercial do Oxxo, Rafael Monezi.

A cerveja Flying Fish

Saborizada com limão, cerveja Fliyng Fish é nova aposta da Ambev (Crédito: Divulgação)
Saborizada com limão, cerveja Fliyng Fish é nova aposta da Ambev (Crédito: Divulgação)

Lançada em 2014 na África do Sul, Flying Fish pertence ao portfólio da AB-Inbev e se tornou a principal cerveja saborizada do país e, posteriormente, de todo o continente africano. Presente hoje em 14 países, a marca avança em sua expansão global.

A chegada ao Brasil aconteceu em outubro com uma espécie de “soft launch” nas capitais Porto Alegre (RS), Florianópolis (SC) e Curitiba (PR). O produto escolhido foi a versão com limão — no exterior, há outros sabores de Flying Fish, como laranja e maça verde. Segundo informações do rótulo africano, ela também traz extrato de toque de alecrim.

A primeira festa oficial de lançamento foi no dia 24 de outubro no +55 Bar, em Curitiba. Mas o produto já está presente em outros bares e supermercados da região, além do Zé Delivery.

A bebida vem sendo classificada como um misto de cerveja com um drink pronto. A base é uma Lager leve, de baixo amargor, com teor alcoólico de 4,5%. Como noticiou o Guia da Cerveja, cervejas saborizadas foram um dos destaques da Drinktec 2025, principal feira mundial para a indústria de bebidas e alimentos líquidos, realizada na Alemanha em setembro.

O produto busca um “público incremental”, segundo Thais Soares, diretora de marketing de Flying Fish. Ou seja, consumidores que normalmente não optam por cervejas tradicionais – muitas vezes por conta do amargor.

Ambev Beyond Beer

A cerveja Flying Fish faz parte do portfólio da área de negócios Beyond Beer (“além da cerveja”). Outros produtos incluem bebidas mistas, energéticos, refrigerantes, chás, isotônicos e drinks prontos. O setor cuida de inovações e faz parte da estratégia de expansão da companhia. Guaraná Antarctica Zero com fibras e Fusion com proteínas, por exemplo, fazem parte do escopo.

“Estamos sendo usados como um País para testar inovações e colocar na rua para trazer conhecimento para a companhia como um todo”, diz Daniela Cachich, presidente da Beyond Beer, em entrevista ao Estadão. A Beats, por exemplo, chegou ao mercado estadunidense neste ano.

“Acreditamos que essas categorias serão uma avenida de crescimento para a empresa”, complementa a executiva. “Falando de alcoólicos, 80% do volume de Beyond é incremental para a Ambev.”

O Grupo Heineken também de olho na área de cervejas saborizadas. Ele lançou na segunda quinzena de novembro a Heineken Lager Spritz, uma edição limitada que combina o sabor da cerveja e refrescância do drink italiano Spritz (coquetel feito com espumante, água com gás e gelo). Ela tem 6% de teor alcoólico e infusão de botânicos, devendo ser servida em um copo com gelo e uma fatia de laranja.

Entrevista: “Mercado está mais atento, mas a inclusão plena em Libras caminha a passos lentos”

O mundo das cervejas artesanais costuma atrair apaixonados pela degustação da bebida e pelos diferentes estilos. Mas o desconhecimento para lidar com a diversidade pode colocar uma barreira no público que está consumindo e produzindo bebidas – entre eles, o público Surdo. 

A acessibilidade na Língua Brasileira de Sinais (Libras) ainda é uma barreira que vem sendo combatida por Marcos Roberto de Oliveira, idealizador do projeto Cerveja Artesanal em Libras, que conta com um canal de vídeos no YouTube e uma conta no Instagram para tornar a informação sobre os tipos de cervejas e os processos de fabricação mais acessíveis.

Oliveira é pioneiro na iniciativa, e assumiu a missão de traduzir o complexo universo de maltes, lúpulos e técnicas de produção para Libras – às vezes até pesquisando em outros idiomas o vocabulário necessário para traduzir conceitos. 

Com mais de 20 anos de atuação profissional como tradutor e intérprete de Libras, há 13 Oliveira exerce essa função na Universidade Federal de Uberlândia (UFU), o que permitiu uma imersão diária na comunidade Surda, e contato com Surdos de diversas regiões do país. 

(Este texto, inclusive, vai adotar a redação da palavra Surdo em maiúscula e em detrimento da expressão “deficiente auditivo”. A escolha é baseada em estudos acadêmicos que reforçam a experiência visual do indivíduo, em vez de uma condição de ausência de algo.)

“É para esse ‘sujeito da experiência visual’ que produzimos conteúdos, e não para um ‘paciente’”, esclarece Oliveira em entrevista ao Guia da Cerveja. “O projeto Cerveja Artesanal em Libras é a materialização prática da tese ‘Surdos produzindo saberes complexos sobre cerveja’. No entanto, há um abismo perturbador entre a capacidade comprovada desses sujeitos e o reconhecimento público que recebem”, afirma.

“A exclusão no universo cervejeiro vai muito além do balcão do bar; é uma sonegação de oportunidades profissionais”, diz Oliveira, devido à falta de acessibilidade nos cursos profissionalizantes. “A cerveja é universal, mas o acesso a ela precisa deixar de ser um privilégio ouvintista”, avalia.

Em 2021, Oliveira concedeu entrevista ao Guia da Cerveja para falar sobre inclusão. Passados quatro anos, nesse Dia Internacional das Pessoas com Deficiência (3 de dezembro), voltamos a procurá-lo para saber se o setor tem avançado ou se ainda há muitos desafios pela frente.

Para quem está conhecendo seu trabalho agora, como surgiu a ideia inicial do “Cerveja Artesanal em Libras”? Houve algum momento específico que te fez perceber que precisava criar esse conteúdo?

A gênese do projeto ocorreu de forma despretensiosa, quando comecei a compartilhar nas redes sociais os processos das minhas brassagens, traduzindo técnicas para a Libras. 

No entanto, o “momento de virada” foi por volta de 2020, quando um cervejeiro Surdo do Sul do país me procurou e contou uma trajetória que ilustra a cruel barreira invisível do nosso mercado. 

Ele e dois sócios, também Surdos, já produziam em casa e queriam transformar o hobby em negócio. Ao buscarem um curso técnico dentro de uma cervejaria, depararam-se com a total ausência de acessibilidade: sem intérpretes ou material adaptado, a absorção do conteúdo foi inferior a 50%. O sonho do negócio morreu antes de nascer devido a essa barreira linguística. Ali compreendi que a exclusão no universo cervejeiro vai muito além do balcão do bar; é uma sonegação de oportunidades profissionais.

Não estamos falando do ato de beber uma cerveja, mas sobre o direito de produzi-la, de entendê-la cientificamente e de gerar renda a partir dela. A partir daquele momento, decidi mergulhar no setor, não apenas como um entusiasta, mas como profissional e com a missão clara de identificar e “tentar” desmantelar essas barreiras. Se o mercado não estava preparado para dialogar com a comunidade Surda, era preciso criar as ferramentas para forçar esse diálogo, provando que a cerveja é universal, mas o acesso a ela precisa deixar de ser um privilégio ouvintista.

Desde nossa última conversa em 2021, o que mudou na estrutura do Cerveja Artesanal em Libras? Você introduziu novos formatos e como tem sido a resposta da audiência?

O período de 2023 a 2025 marcou nossa transição definitiva: deixamos de ser um canal apenas de conteúdo para nos tornarmos uma força ativa dentro do setor, ocupando o chão de fábrica. A parceria com a Cervejaria Captain Brew foi fundamental, estampando nossa marca em 7 rótulos colaborativos. Ativamos um ciclo virtuoso: o rótulo desperta a curiosidade, leva o consumidor ao canal e o confronta com a realidade da exclusão. O resultado é uma corrente do bem, onde o público deixa de ser apenas consumidor para se tornar aliado da causa. 

Mas o ápice foi agora, na Bélgica, durante o Brussels Beer Challenge 2025. Ao dividirmos a mesa com a elite cervejeira mundial, expusemos a lacuna do setor e apresentamos a solução. Grandes personalidades internacionais atestaram a excelência dos sommeliers Surdos. Ficou demonstrado que a barreira nunca foi técnica: os Surdos possuem plena capacidade para liderar qualquer processo, da produção ao julgamento.

Quem é o seu público no Canal? São pessoas Surdas que buscam saber mais da cerveja ou há ouvinte que usam o conteúdo para estudar Libras?

Observamos uma heterogeneidade enriquecedora no público do Cerveja Artesanal em Libras. Atendemos tanto à comunidade Surda, ávida por letramento cervejeiro em sua primeira língua, quanto a um público ouvinte acadêmico, profissionais e apreciadores que utilizam nossos conteúdos como material de estudo da Língua Brasileira de Sinais. Um exemplo real é que hoje, na Alemanha, há uma grande profissional e influente do setor cervejeiro aprendendo a Língua Brasileira de Sinais, e isso é incrível. Transformamos o vocabulário técnico da cerveja em uma ponte educacional.

No entanto, é crucial destacar que o sucesso do projeto não se mede por algoritmos. Sou guiado pelo pragmatismo e pela busca incessante por resultados tangíveis no mundo real. Quero sair do discurso da inclusão. O engajamento qualitativo e a profundidade das interações valem muito mais do que o alcance superficial. Sinceramente? Se eu encerrasse o projeto hoje, sentiria uma plenitude absoluta. O fato de ter transformado efetivamente a trajetória profissional e pessoal de dois Surdos — tirando-os da invisibilidade para o protagonismo — é um resultado que transcende qualquer estatística digital.

O universo da cerveja é cheio de termos técnicos complexos. Como tem sido o processo de criar ou adaptar esses sinais para a Libras no seu trabalho?

Lidamos com um vazio terminológico. A Libras não é universal e possui regras próprias. Em vez de inventarmos sinais do zero, recorremos ao empréstimo linguístico dos berços cervejeiros. 

Por exemplo, para o termo Trapista, adotamos o sinal da Língua de Sinais Flamenga (VGT) da Bélgica. Para o estilo Pilsen, buscamos o sinal na Língua de Sinais Tcheca, o mesmo usado pelos Surdos da cidade de Plzeň. Termos de processos como fermentação e ingredientes são facilitados pela natureza visual da língua, mas exigem domínio técnico. Nosso grande objetivo atual é catalogar e validar tudo isso em um Glossário de Cerveja em Libras, projeto para o qual ainda buscamos patrocínio.

Passados alguns anos desde que criou o projeto, você sente que o setor de cerveja artesanal está realmente mais inclusivo ou as ações ainda são pontuais?

Sendo honesto: o mercado está mais atento, mas a inclusão plena ainda caminha a passos lentos. Ainda vemos muitas ações de marketing pontuais apenas para cumprir tabela em datas comemorativas, sem nenhuma mudança estrutural no dia a dia.

Porém, o Cerveja Artesanal em Libras provou que é possível fazer diferente. Na Captain Brew, fizemos o Primeiro Encontro de Surdos Cervejeiros recebendo mais de 250 Surdos de todas as regiões do Brasil, do Norte ao Sul. Isso só foi possível pelo trabalho do Fernando e do Gabriel, do Surdommeliers, com nosso apoio e da Captain.

Mas o segredo não foi apenas abrir as portas; foi preparar a casa com um treinamento intensivo — do pessoal da cozinha e recepção até o staff do pub. O resultado foi impactante. Os consumidores Surdos comentavam, emocionados, que parecia um sonho: pela primeira vez, podiam pedir sua comida e sua cerveja diretamente ao garçom, em sua própria língua, sem intermediários. Ali, mostramos que a verdadeira inclusão não é um evento isolado, mas a criação de um ambiente onde o Surdo se sente, finalmente, em casa.

A inclusão, contudo, não se limita ao balcão. Ela avançou para a esfera do conhecimento técnico de alto nível. Quando um sommelier Surdo manifestou interesse em participar do prestigiado congresso Do Grão ao Gole, organizado pela AMBEV – Academia da Cerveja em São Paulo, entramos em contato com a coordenação que prontamente atendeu à solicitação e assim, todo o congresso foi tornado acessível em Libras.

Esses dois exemplos — a inclusão no serviço (Captain Brew) e a inclusão no conhecimento (Academia da Cerveja) — demonstram que a barreira é atitudinal, não técnica. O compromisso ético transcende a mera obrigação legal.

Você tem notado um aumento no número de pessoas Surdas trabalhando dentro das cervejarias?

Temos notado um singelo movimento de aumento, mas em dois universos distintos. No setor industrial, grandes corporações como Heineken, Ambev e Grupo Petrópolis têm contratado colaboradores Surdos, muitas vezes impulsionadas pela Lei de Cotas. Embora seja um cumprimento legal, isso já tira esses profissionais do anonimato. No entanto, no setor artesanal, nas micro e nano cervejarias, a inclusão ainda é uma incógnita. Sem um mapeamento formal, deduzimos que a barreira de entrada nesse nicho permanece alta. É nessa área, onde o conhecimento técnico é mais valorizado, que precisamos intensificar a atuação.

Para um consumidor Surdo, o que ainda é o maior obstáculo ao chegar em uma taproom ou bar especializado hoje?

É uma conjunção perversa: atendimento despreparado, falta de cardápios visuais e preconceito. O pior obstáculo é o medo do atendente, que muitas vezes trava ou ignora o cliente Surdo.

A solução exige mudar a mentalidade de gasto para investimento. Um cardápio digital acessível via QR Code e um treinamento básico não são luxo, são ferramentas de fidelização. O cliente Surdo que se sente respeitado, volta.

Que recado prático você daria para um dono de cervejaria ou bar que quer começar a ser inclusivo hoje, mas não sabe por onde começar?

Não complique. A inclusão começa na atitude. Primeiro, tenha um cardápio visual com fotos das cervejas, ícones de sabor (fruta, café chocolate) e indicação clara de preços e teor alcoólico. Segundo, treine o básico: ensine sua equipe a dizer “Bom dia” e “Cerveja” em Libras, pois o acolhimento gera pertencimento. Terceiro, use a tecnologia: um QR Code na mesa levando para um vídeo simples explicando o menu resolve 90% da comunicação. 

A inclusão é um convite para um brinde onde ninguém fica de copo vazio.

Fábrica da Ambev em Uberlândia recebe R$ 1,3 bilhão para dobrar a produção de cervejas premium

Foram inauguradas na segunda-feira (1º) duas novas linhas de produção em sua fábrica da Ambev em Uberlândia (MG). Com um investimento expressivo de R$ 1,3 bilhão, o objetivo da companhia é dobrar a capacidade de produção de rótulos dos segmentos premium e “core plus”, como Stella Artois, Corona, Spaten, Original e Budweiser.

Com a expansão, a unidade passa de três para cinco linhas de envase industrial (três para garrafas e duas para latas). Trata-se de um dos maiores investimentos da companhia em uma planta greenfield (construída do zero). Desde a inauguração em 2016, a fábrica já recebeu R$ 2 bilhões e, atualmente, abastece nove estados brasileiros.

“O aporte em Uberlândia representa o nosso compromisso de longo prazo com Minas Gerais e com o desenvolvimento do mercado cervejeiro. É mais capacidade produtiva, mais empregos, mais arrecadação em impostos e mais desenvolvimento econômico”, afirma Valdecir Duarte, vice-presidente de Supply da Ambev.

Fábrica da Ambev em Uberlândia

Inaugurada em fevereiro de 2016, a unidade de Uberlândia é uma das maiores do país. Ela opera ininterruptamente, 24 horas por dia, 7 dias por semana, e emprega 520 funcionários próprios e 335 parceiros.

De acordo com o IBGE, a indústria de bebidas possui alto efeito multiplicador: para cada R$ 1 investido em uma cervejaria, R$ 2,50 são gerados na economia. Ao todo, são mais de 66 mil empregos diretos, indiretos e induzidos criados em toda a cadeia produtiva da região.

Ela é uma das quatro plantas da Ambev em Minas Gerais entre cervejaria, refrigeranteira e fábrica de latas. As demais ficam em Contagem, Juatuba e Sete Lagoas. A companhia também possui 13 centros de distribuição e 30 revendedores no estado. Em todo o país, a empresa opera 35 instalações produtivas, sendo 24 cervejarias.

O investimento vem em meio a intensificação da competição pelo mercado de cervejas premium. Em outubro, o Grupo Heineken lançou uma nova fábrica em Passos (MG). Com investimento de R$ 2,5 bilhões, a nova planta também é greenfield e tem capacidade de produção de 500 milhões de litros por ano, o que aumenta em 10% da capacidade instalada da empresa no país.

No sábado (22 de outubro), a Ambev já havia concretizado outra expansão. A Companhia inaugurou mais uma linha de cervejas premium na fábrica de Lages (SC).

O governador Romeu Zema esteve na fábrica da Ambev em Uberlândia para o anúncio do investimento (Dirceu Aurélio / Imprensa MG)
O governador Romeu Zema (ao centro, com a tesoura) esteve na fábrica da Ambev em Uberlândia para o anúncio do investimento (Dirceu Aurélio / Imprensa MG)

Cooperativa Agrária vai investir R$ 1,1 bilhão para produzir maltes especiais

A Cooperativa Agrária Agroindustrial, de Guarapuava (PR), vai investir R$ 1,1 bilhão para construir plantas industriais dedicadas à produção de maltes especiais, como os caramelizados e torrados, insumos vitais para a cadeia cervejeira, hoje quase totalmente importados. O investimento servirá para ampliar o complexo industrial localizado Entre Rios, distrito da cidade da região central do Paraná.

O projeto é realizado em parceria com a empresa alemã Ireks, referência mundial no setor de ingredientes para panificação e cervejaria, e conta com o apoio do governo estadual por meio do programa de incentivos fiscais Paraná Competitivo.

As obras começam ainda neste ano, com previsão de conclusão para 2028. Estima-se a geração de mais de mil postos de trabalho durante a fase de execução do projeto.

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Indústria 4.0 e modernização da Cooperativa Agrária

O pacote de investimentos abrange a construção de duas novas plantas e a modernização da maltaria já existente no distrito de Entre Rios. A primeira linha de produção, ativa desde a década de 1980, passará por uma revitalização completa. E vai adotar tecnologias da Indústria 4.0, o que elevará os níveis de automação e sustentabilidade da produção.

“A aplicação de tecnologia em processos de inovação, com foco em sustentabilidade, é fundamental para o desenvolvimento da agroindústria”, afirmou o diretor-presidente da Cooperativa Agrária, Adam Stemmer na ocasião da assinatura do protocolo de intenções com o governo do Paraná no dia 11 de novembro. “Acreditamos que esse é o melhor caminho para garantirmos a perenidade dos nossos negócios, com capacidade para superar os desafios e identificar oportunidades no mercado”.

Ele explicou que a tecnologia que será implementada na indústria vem da sede mundial da Ireks, na Alemanha, que já produz maltes especiais. “Fazer maltes torrados e caramelizados era um sonho antigo, já que todo volume consumido no Brasil é importado. Vamos ter o suporte da Ireks da Alemanha, com transferência de tecnologia para a Agrária, e com isso vamos partir com um alto nível de produção”, ressaltou.

A Ireks do Brasil, parceria da Agrária, atua no setor de desenvolvimento, produção e comercialização de produtos para panificação e confeitaria, incluindo malte. A empresa também está instalada em Guarapuava.

Infraestrutura e Qualidade

O projeto também contempla avanços significativos em logística e controle de qualidade:

  • Centro Logístico Integrado: Focado não apenas na agilidade do transporte, mas também no impacto sobre a comunidade local. A construção de novas portarias e balanças visa descongestionar e agilizar o trânsito no perímetro urbano do distrito de Entre Rios.
  • Novo Centro de Análises: A Agrária também vai ampliar seu laboratório, que já é referência nacional. A unidade atual já possui a certificação ISO/IEC 17025 e é a única da América Latina com ISO/IEC 17043 (ensaios de proficiência), garantindo atestados de qualidade e segurança alimentar de nível internacional.

Foco nos maltes especiais

O investimento marca um movimento estratégico da indústria nacional. Diferente do malte Pilsen, que a cooperativa já produz em grande volume e serve como fonte primária de açúcares, os maltes especiais passam por processos específicos de umidificação e temperatura (torra ou caramelização).

Esses insumos são cruciais para definir a identidade sensorial de estilos como Red Ales, Bocks, Stouts e IPAs. Eles proporcionam cor, corpo e aromas distintos à bebida.

Embora maltes especiais já sejam produzidos nacionalmente em pequenas quantidades por maltarias artesanais, a nova estrutura tornará a Cooperativa Agrária pioneira na produção em escala industrial no país, promovendo maior independência do mercado nacional em relação aos insumos trazidos da Europa e América do Norte.

Irlanda vai produzir gás biometano a partir de resíduos da indústria cervejeira

A empresa irlandesa Evergreen Agricultural Enterprises (EAE) está construindo uma usina de biometano terá como “combustível” resíduos da indústria cervejeira e uísque. Ela está sendo construída em Monasterevin (localidade de Palmertown), no Condado de Kildare, na Irlanda, e o início das operações está previsto para 2026. O grupo Eiffel Investment Group, da França, anunciou o investimento de 50 milhões de euros no projeto.

De acordo com o portal Gasworld, a usina terá quatro digestores e um digestor secundário com volume de 4,9 mil metros cúbicos cada. Eles vão fermentar principalmente bagaço de malte e leveduras para produzir o gás.

O que é biometano?

O biometano é um gás renovável e sustentável, quimicamente idêntico ao gás natural fóssil, sendo composto predominantemente por metano. Essa similaridade o torna uma fonte de energia “drop-in”. Ou seja, pode ser injetado diretamente nas redes de gás existentes. Assim, a população poderá utilizar em eletrodomésticos ou veículos sem a necessidade de adaptações caras.

Ele é gerado a partir da decomposição de resíduos orgânicos, como restos de comida, dejetos animais e, neste caso específico, resíduos agroindustriais.

O processo principal de produção é a digestão anaeróbica, que ocorre em grandes tanques hermeticamente fechados chamados biodigestores. A primeira etapa do processo é a digestão. Nela, com ausência de oxigênio, microrganismos decompõem a matéria orgânica, resultando na liberação de biogás.

Em seu formato bruto, esse gás é uma mistura que geralmente contém entre 50% e 70% de metano. O restante é principalmente dióxido de carbono (CO2) e pequenas quantidades de outras impurezas. Por isso, ele passa o biogás é submetido a um processo de purificação (conhecido como upgrading) para remover o CO2 e outras impurezas. O objetivo é elevar a concentração de metano para mais de 90%, atingindo a mesma qualidade do gás natural comercial.

O uso do biometano contribui significativamente para a economia circular, transformando resíduos em uma fonte de energia limpa e reduzindo a dependência de combustíveis fósseis.

A estratégia, a indústria cervejeira e do destilado

O foco estratégico do negócio tem como base o uso dos resíduos da indústria cervejeira e de destilados para evitar a competição com a pecuária local. Isso ocorre porque, embora a usina possa usar materiais orgânicos como estrume ou silagem (alimentos para o gado), a EAE optou por resíduos industriais para evitar a competição direta com a pecuária local.

A decisão pelo uso dos resíduos da indústria de bebida cria uma “economia circular” no processamento de cerca de 100 mil a 165 mil toneladas anuais de resíduos agroindustriais. A produção de gás será o equivalente ao abastecimento de 10 mil casas ao ano.

O diretor de investimentos do Eiffel Investment Group, Alexis Sarton, afirmou ao The Irish Times que o projeto “combina excelência técnica, respeito ao meio ambiente, soberania e valor econômico, além de um forte envolvimento com as partes interessadas locais, um modelo de infraestrutura que promovemos em toda a Europa”. A expectativa é de criar 75 empregos locais, diretos e indiretos.

A Irlanda importa a maior parte de sua energia. O The Irish Times ressalta que, enquanto a Irlanda não completar a transição para fontes de energia renovável interna, o país permanecerá vulnerável a altos custos e dependente do fornecimento externo.

Cervejas não alcoólicas não são mais nicho e o mercado precisa acompanhar

Olá, seguidores/as e leitores/as do Guia da Cerveja. Estou de volta ao balcão do Xirê Cervejeiro. E nosso diálogo versará mais uma vez sobre cervejas não alcoólicas.

Quem me acompanha por aqui sabe que venho falando assunto rotineiramente. Faz quase dois anos que, por questões médicas, aboli o álcool do meu repertório gastronômico.

A partir dessa nova relação com a cerveja — bebida por quem nutro mais que amor, uma verdadeira devoção —, passei a observar e a ouvir mais pessoas que também, por algum motivo, optaram pelas cervejas sem álcool. Seja por questões médicas como eu, por razões religiosas, familiares ou simplesmente por decisão pessoal.

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Na minha bolha, o número de jovens tem crescido absurdamente. Meu filho, um jovem recém-graduado em Direito que amava as festas universitárias e vivia em churrascos, almoços, aniversários e shows, foi a primeira pessoa em que notei a mudança. Cheguei em casa com alguns rótulos que ele gostava e, ao entregá-los, ouvi:

“Mãe, não estou tomando mais cervejas com álcool. Às vezes, quando saio com meus amigos e o lugar não tem cerveja sem álcool ou algum drink sem álcool, acabo bebendo água. Dependendo do evento, para não ficar deslocado, tomo uma cerveja alcoólica, mas, se houvesse a opção das sem álcool, teria aproveitado mais.”

Fiquei instigada com aquela declaração. Perguntei se os amigos também haviam parado de beber. Ele respondeu que sim, que muitos estão bebendo cada vez menos cervejas alcoólicas e ficam desapontados por não encontrar opções nos bares que frequentam.

Esse relato ecoa diversas conversas que tenho com amigas de diferentes idades, pessoas que também vêm optando, cada vez mais, pelas cervejas não alcoólicas.

Recentemente, a Revista Exame apontou que o Brasil se tornou, nos últimos cinco anos, o segundo maior consumidor de cervejas sem álcool do mundo, saltando de 140 milhões de litros em 2019 para 740 milhões em 2024, ficando atrás apenas da Alemanha. O Guia da Cerveja, em reportagem de agosto de 2025, também tratou do tema.

No Brasil, as cervejas sem álcool ainda se concentram mais no segmento “mainstream”, que são as cervejas de massa.

Apesar de existirem, encontrar cervejas artesanais sem álcool é quase como ganhar na loteria. Uma queixa recorrente entre pessoas apaixonadas por complexidade e sabor é a frustração de não encontrar diversidade de estilos não alcoólicos, algo tão presente nas artesanais alcoólicas.

Apesar do aumento sistêmico de apreciadores das não alcoólicas, o mercado ainda é tímido. Quando vamos aos bares, carregamos aquela sensação de depender da sorte: “Será que vamos encontrar algum rótulo não alcoólico, mesmo que mainstream?”

Há lugares em que levo minha própria cerveja, pois sei que não encontrarei opção sem álcool. Foi o que fiz recentemente em um encontro com amigos da época da graduação em Ciências Sociais: uma vez por mês ou a cada dois, nos reunimos para conversar, comer e beber. No último encontro, fomos a uma hamburgueria renomada. Todos pediram cerveja. Quando solicitei uma sem álcool, fui informada de que não havia. Ainda bem que tinha levado a minha e pude brindar com os amigos.

É muito comum não encontrarmos opções não alcoólicas, mesmo com o aumento de adeptos. Se antes a cerveja sem álcool era associada ao motorista da rodada, à gravidez ou lactância, ou a situações específicas, hoje observamos uma mudança mais profunda nos hábitos de consumo.

Dias atrás, fiz um post, estava feliz por ter encontrado um rótulo de Weiss sem álcool no supermercado próximo à minha casa. Dois seguidores comentaram sobre cervejarias brasileiras que já produzem artesanais não alcoólicas em diversos estilos.

A Sim! Cervejaria, que se apresenta como a primeira cervejaria sem álcool do Brasil, foi uma dessas indicações. Fiquei muito feliz em saber que ela existe e quero provar seus rótulos, mas ainda não estão disponíveis na região onde moro; não encontrei nos supermercados de Maringá.

A outra indicação foi a Luci, também especializada em cervejas sem álcool.

É sabido que produzir cerveja artesanal já é caro; produzir artesanal sem álcool é ainda mais, porque o processo é mais trabalhoso.

A legislação brasileira classifica como bebidas sem álcool aquelas com até 0,5% vol., conforme o Artigo 11 do Decreto-Lei 12.709/2025.

O que me motivou a escrever este texto não foi apenas o fato de estar inserida, há quase dois anos, no mundo das não alcoólicas, mas também por ouvir constantemente as queixas das pessoas sobre a dificuldade de encontrar opções sem álcool nos estabelecimentos.

Outro dia ouvi alguém dizer: “Como essas empresas deixam de ganhar dinheiro, né? Queríamos tanto tomar uma cerveja, mas não tem cerveja sem álcool. E quando tem, são sempre as mesmas.”

Termino por aqui, na expectativa de que, em breve, encontremos mais diversidade de cervejas não alcoólicas e estilos nos bares, nos supermercados e nos espaços de sociabilidade onde a cerveja se faz presente.

Cerveja é mais que uma bebida. É conexão, é encontro, é celebração — ainda mais quando vem num bom e elegante rótulo.


Sara Araujo é sommelière de cervejas e palestrante sobre relações raciais; consultora, formada em Direito (ITE de Bauru/2012) e em Ciências Sociais (UEM/2022), é também especialista em História da África e da Diáspora Atlântica (Instituto Pretos Novos/2025), além de mestranda em Ciências Sociais pela UEM.


* Este é um texto opinativo. As opiniões e informações contidas nele são de responsabilidade do colunista e não refletem necessariamente a opinião do Guia da Cerveja.

Menu Degustação: Ambev inaugura linha de produção premium em Santa Catarina

A Ambev inaugurou sua nova linha de produção de cervejas premium na fábrica de Lages (SC), um movimento de modernização para atender à crescente demanda do segmento, segundo o material de divulgação. A cervejaria catarinense passa a ter cinco linhas de envase, ampliando a capacidade de produção de rótulos como Stella Artois, Corona e Spaten. Valdecir Duarte, vice-presidente de Supply da Ambev, destacou que a Cervejaria Santa Catarina ocupa uma posição estratégica no Sul do país, e que o investimento reforça o compromisso de longo prazo da companhia com o estado e com a expansão da categoria premium.

O investimento faz parte da estratégia da Ambev de aportar mais de R$ 10 bilhões no Brasil nos últimos três anos, impulsionando a economia e a cadeia produtiva local. O estado também é fundamental para a companhia na produção de embalagens e tecnologia, contando com um hub da Ambev Tech em Blumenau, com mais de 500 colaboradores. A Ambev ainda patrocina grandes eventos no estado, como a Oktoberfest de Blumenau, onde criou a cerveja Spaten Festbier para a edição de 2025.

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Brasil Cup 2026 lança lote promocional de Black Friday

As inscrições para a Brasil Cup 2026, uma das competições mais prestigiadas de bebidas da América Latina, já estão abertas, reunindo produtores artesanais e grandes marcas internacionais. Para marcar o início, o evento lançou um Lote Promocional de Black Friday com condições especiais até 15 de dezembro de 2025. Os interessados devem garantir a participação e conferir os regulamentos pelo site www.brasilbeercup.com.br. A edição de 2026 será em Florianópolis (SC), entre 07 e 12 de setembro, e promete superar o recorde de rótulos de 2025, com a inclusão de novas categorias como Brasil Chocolate Cup e Brasil Olive Cup.

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Giovanna Massa é a nova gerente de marketing Sol e Eisenbahn

O Grupo Heineken anuncia Giovanna Massa como gerente de marketing sênior, responsável pela gestão estratégica das marcas premium Eisenbahn e Sol no Brasil. A executiva, com mais de dez anos de experiência no setor e passagem por multinacionais como PepsiCo e Danone, atuava recentemente como head de marketing da Red Stripe Corporate na Jamaica. Em sua nova função, Giovanna terá como prioridade acelerar a presença e a relevância cultural das marcas no competitivo mercado brasileiro, consolidando o fortalecimento do portfólio premium do grupo.

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Estudantes ESPM-RJ vencem Effie College Amstel

Alunos da ESPM-RJ venceram o Effie College 2025 com um projeto para impulsionar a venda de Amstel Draft Beer nos bares durante a Conmebol Libertadores 2026. O case “Puro Malte Eterno” sugeriu transformar o atributo puro malte da cerveja em um selo de qualidade, ampliando a percepção de valor da bebida. Para João Victor Guedes, diretor de marketing da Amstel no Brasil, incentivar novas vozes e ideias, como as vistas no Effie College, é essencial para a diversidade de talentos.

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36ª edição da Oktoberfest de Igrejinha bate recorde de público

Oktoberfest de Igrejinha reuniu mais de 202 mil pessoas, que consumiram 221 mil litros de chopp e 150 mil unidades de alimentos (Crédito: Cleiton Miguel)

A 36ª Oktoberfest de Igrejinha (RS) encerrou com resultados positivos, reunindo mais de 202 mil pessoas, que consumiram 221 mil litros de chopp e 150 mil unidades de alimentos. O presidente Falcon Jost avaliou que a edição manteve viva a tradição e o legado da festa, que é a maior comunitária do país. A Associação de Amigos da Oktoberfest de Igrejinha (Amifest) irá apresentar o balanço financeiro e divulgar os repasses solidários na dia 11 de dezembro, na Festa da Colheita, celebrando o caráter social e o trabalho dos mais de três mil voluntários. Próxima edição será de 09 a 18 de outubro de 2026.

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Ambev lança edital Brinde à Rua para blocos de carnaval

A Ambev, por meio de Skol e Brahma, lançou o “Brinde à Rua”, seu primeiro edital dedicado a blocos e ligas independentes, com um investimento de R$ 4 milhões. A iniciativa contemplará 250 patrocínios no Rio de Janeiro (RJ) e São Paulo (SP), focando em grupos com até 20 mil foliões. O diretor Leandro Mendonça afirmou que a companhia acredita no impacto dos blocos e que antecipar os recursos é um passo para manter o carnaval plural. As inscrições para o Rio de Janeiro vão de 24 de novembro a 07 de dezembro e para São Paulo de 28 de novembro a 07 de dezembro, pela plataforma Prosas.

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Academia da Cerveja abre vagas para curso gratuito de garçons

A Academia da Cerveja, em parceria com Abrasel e Catho, reabriu as inscrições para o curso online e gratuito Bora Formar: Garçons. A iniciativa faz parte do Bora Hub, plataforma da Ambev para gerar emprego e renda, e visa capacitar profissionais de bares e restaurantes para o aumento da demanda de fim de ano. A formação de 4 módulos aborda desde a história da cerveja até técnicas de atendimento e serviço, com certificado ao final. As vagas são limitadas e a inscrição pode ser feita pelo site ou Instagram da Academia da Cerveja.

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Stella Artois reúne Sabalenka e Guga Kuerten em jantar exclusivo

Guga ao lado da estrela do tênis Aryna Sabalenka, a atual nº 1 do mundo pela WTA (Crédito: Andy Santana/Brazil News)

Stella Artois Brasil realizou um jantar exclusivo nesta segunda-feira (24) em celebração à visita da tenista número 1 do mundo, Aryna Sabalenka, e aos 25 anos do feito de Guga Kuerten como líder do ranking da ATP. O evento, que uniu esporte e cultura, teve a presença de celebridades como Marina Ruy Barbosa e Juliana Paes. A cerveja Stella Pure Gold, sem glúten e com menos calorias, ciceroneou a noite.

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Consumer Hours Ambev vira ferramenta global de escuta ativa

O programa brasileiro “Consumer Hours” (Hora do Consumidor) da Ambev, criado para conectar a equipe de marketing diretamente ao público, virou uma ferramenta de inteligência replicada em mais de 20 países. Desde o lançamento em 2023, a iniciativa acumula mais de 7 mil horas de interações. Ela permite que a companhia compreenda hábitos e expectativas para direcionar produtos e campanhas. O diretor Gustavo Castro destacou que o objetivo é colocar o consumidor no centro das decisões, garantindo que as marcas continuem relevantes e fortalecendo o portfólio.

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Stannis Cervejaria é homenageada após recorde na Schützenfest 2025

A Stannis Cervejaria foi uma das 42 empresas homenageadas no prêmio SC Vale Ouro, iniciativa que reconhece empresas que impulsionam o estado de Santa Catarina (SC). O prêmio, entregue na Assembléia Legislativa do estaso (Alesc) nesta segunda-feira (24), destacou a cervejaria de Jaraguá do Sul pelo seu desempenho no Brasil Beer Cup 2025. O SC Vale Ouro deverá se tornar anual para estimular a excelência do empreendedorismo catarinense. A Stannis ressaltou que a homenagem reforça seu vínculo com o estado e a comunidade que acompanha a marca desde sua origem.

O reconhecimento estadual chega no momento em que a Stannis encerra a 35ª Schützenfest. Trata-se de um marco inédito para Jaraguá do Sul (SC): pela primeira vez, a festa contou com uma marca da própria cidade como cervejaria oficial. O evento registrou o recorde de 153.014 visitantes em onze dias. Foram servidos mais de 212 mil copos de chope, evidenciando a força e a qualidade da produção regional. A participação da Stannis reforçou a tradição da Schützenfest e o crescimento do setor cervejeiro catarinense, assumindo um papel central no evento.

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Heineken celebra Tiny Desk Brasil com shows de Sandra Sá e Arnaldo Antunes

A Heineken celebrou sua parceria com o Tiny Desk Brasil em São Paulo (SP), na noite de terça-feira (18), com um evento que reforçou seu compromisso com experiências reais. A marca aproveitou a ocasião para exibir o novo episódio do projeto, que estreou naquele dia com Sandra de Sá. Após a exibição, os convidados foram surpreendidos com um pocket show exclusivo da própria Sandra de Sá ao lado de Tássia Reis. A gerente de marketing Williane Vieira comentou que a Heineken busca proporcionar momentos que vão além do óbvio, oferecendo experiências únicas que celebram o melhor da música.

Arnaldo Antunes diz que curtiu a experiência do Tiny Desk (Crédito: Fernanda Carvalho / Divulgação)

O ciclo de atrações do Tiny Desk Brasil seguiu com o lançamento do episódio do músico, poeta e artista visual Arnaldo Antunes, na terça-feira (25). O artista, acompanhado por uma banda estrelada, apresentou faixas de seu álbum “Novo Mundo” e sucessos como “Comida” e “Já Sei Namorar”. Arnaldo Antunes comentou que a experiência de cantar sem amplificação, seguindo a filosofia do Tiny Desk, foi super legal. E que o som intimista ficou incrível. O projeto, apresentado pela Heineken, segue com lançamentos semanais, reforçando a plataforma cultural da música brasileira.

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Estrella Galicia reforça conexão com automobilismo e música nacional

A Estrella Galicia reforçou sua presença nos esportes a motor ao ser a cerveja oficial da etapa final da Porsche Cup Brasil, realizada no último sábado (22) no Autódromo de Interlagos, em São Paulo (SP). A marca, que já patrocina a McLaren na Fórmula 1, esteve presente com ativações e seu portfólio completo. A diretora de marketing Renata Cecco afirmou que a Porsche Cup representa o encontro entre alta performance e paixão pelo automobilismo, territórios que se conectam profundamente com a essência da Estrella Galicia.

A marca mantém sua estratégia de conexão com a cultura e autenticidade ao ser, também, a cerveja oficial do Festival Novabrasil 2025. O evento ocorre neste sábado (29) no Parque Villa-Lobos, em São Paulo. O evento celebra os 25 anos da rádio Novabrasil FM e reúne grandes nomes da música brasileira, como Seu Jorge e Nando Reis. O público poderá degustar a Estrella Galicia Lager e a Estrella Galicia 0,0, além de adquirir um copo colecionável exclusivo do festival. A cervejaria reforça, assim, seu compromisso com a diversidade e a arte do país.

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Baden Baden Tour estreia vendas na Sympla e novas harmonizações

O Baden Baden Tour em Campos do Jordão (SP), eleito como a atração número 1 da cidade no Tripadvisor, renovou a experiência sensorial com a venda exclusiva de ingressos antecipados pela plataforma Sympla, facilitando o acesso do público. A atração, que detalha a história e o processo de fabricação da cerveja, também estreou novas parcerias gastronômicas com Tirolez, Ceratti e Brasil Frutt, elevando a sofisticação da degustação e reforçando a harmonia entre cerveja e comida. O tour funciona diariamente em Campos do Jordão. Para participar, os interssados devem ser maiores de 18 anos. A capacidade é para 30 pessoas por horário e a loja da cervejaria segue aberta ao público.

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Monka Cervejaria encerra novembro com pop e rock

A Monka Cervejaria em Belo Horizonte (MG) preparou um fim de semana especial para fechar novembro, com shows na sábado (29) e domingo (30). No sábado, o palco recebe o projeto Trinca de Três à tarde e, à noite, a banda Mary Pops com hits dos anos 90 aos atuais. No domingo, a cantora e compositora Gabi Mello apresenta um show que une pop, R&B, soul, jazz e blues. A casa, que conquistou três medalhas no Brasil Beer Cup, ainda oferece um cardápio variado e cervejas premiadas. Mais informações e reservas no Instagram @monkacervejaria.

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Cervejaria Maniacs celebra nove anos em Curitiba

A Cervejaria Maniacs comemora seu nono aniversário neste domingo (30) com um evento especial no bairro Cabral, em Curitiba (PR). O fundador Iron Mendes destaca a união da marca com a gastronomia local, trazendo chefs renomados para cozinhar na fábrica ao lado de 29 torneiras de chope. A festa marca o lançamento de três cervejas sazonais e conta com música ao vivo e flash tattoo das 11h às 20h. Confira mais no Instagram da cervejaria.

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Itaipava lança campanha de verão com Ivete Sangalo e Paulo Bonfá

A Itaipava abriu oficialmente sua temporada de verão nesta sexta-feira (28) com uma campanha humorada estrelada por Ivete Sangalo e Paulo Bonfá. A ação brinca com a maratona pela última lata na praia e reforça o orgulho da escolha da marca, segundo Diego Santelices, do Grupo Petrópolis. A estratégia inclui filmes para TV, influenciadores e ativações urbanas. Saiba mais no site oficial.

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Neftara é destaque no projeto Petra Zuca Audições

A cantora baiana Neftara brilhou na terceira noite do Petra Zuca Audições, realizada na última quarta-feira (26) em São Paulo (SP). O projeto, idealizado por Marina Sena e Talita Morais com apoio da cerveja Petra, visa profissionalizar e dar visibilidade a novos talentos da música nacional. Priscila Fonseca, do Grupo Petrópolis, ressalta que a iniciativa reforça o compromisso da marca em valorizar a identidade brasileira.

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Grupo Petrópolis lidera inovação aberta no setor de bebidas

O Grupo Petrópolis conquistou a terceira posição na categoria Bens de Consumo e Alimentação do Ranking Top 100 Open Corps 2025. Pelo quarto ano consecutivo, a cervejaria figura entre as líderes em colaboração com startups no país. Alaercio Nicoletti, gerente de sustentabilidade, afirma que essas parcerias vão além da tecnologia e promovem desenvolvimento sustentável e inclusão econômica em diversas regiões.

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Turismo cervejeiro em mosteiros é destaque no Congrecerva

O jornalista e sommelier Ivan Tozzi apresentou o conceito de sacro turismo cervejeiro durante a segunda edição do Congrecerva, na terça-feira (25). Na palestra, ele explorou a produção histórica e atual de cervejas em mosteiros e abadias, apontando o potencial desse nicho para o turismo nacional. Carlos Alberto Zem, do Simespi, avalia que a apresentação confirmou a maturidade do setor e a importância de ampliar a visão sobre as rotas cervejeiras.

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Skol retorna como cerveja oficial do Carnatal 2025

A Skol está de volta como a cerveja oficial do Carnatal 2025 e inicia suas ativações em Natal (RN) com sorteios de abadás. A promoção ocorre até este domingo (30) no perfil do evento e garante acesso completo à micareta, que acontece em dezembro. Felipe Cerchiari, diretor da marca, celebra a retomada da parceria histórica com o público potiguar prometendo experiências inesquecíveis. Consulte o regulamento da ação.

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Bar Brahma celebra 77 anos com a Semana do Samba

O Bar Brahma comemora seus 77 anos e o Dia Nacional do Samba com uma programação especial de 1 a 6 de dezembro em São Paulo (SP). A esquina mais famosa da cidade receberá tributos a ícones como Jorge Aragão e Alcione, além de shows dos Demônios da Garoa. A agenda cultural ocupa todos os ambientes da casa com rodas de samba e homenagens à MPB. Reservas podem ser feitas pelo WhatsApp.

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Ambev investe R$ 67 milhões no Edital Brasilidades

A Ambev lançou o Edital Brasilidades 2026 com um aporte recorde de R$ 67 milhões voltado à economia criativa. O foco estratégico desta edição abrange o fortalecimento de circuitos gastronômicos e eventos ao ar livre em todo o território nacional. Leandro Mendonça, diretor da companhia, reforça que o objetivo é investir em espaços onde a cultura e a cerveja conectam as pessoas e transformam o amor pelo Brasil em legado. inscrições gratuitas na plataforma Prosas.

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Degusta ganha identidade própria no Festival Brasileiro da Cerveja

A ESCM confirmou o Degusta como evento oficial de degustação livre do 17º Festival Brasileiro da Cerveja, em Blumenau (SC). A atração ocorre de 4 a 7 de março de 2026, reunindo mais de 200 cervejarias para uma experiência de consumo ilimitado e contato direto com os produtores. O formato ganha força própria para consolidar a imersão no universo artesanal brasileiro. Acompanhe as novidades no Instagram oficial.

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Pedal, suor e pints: cerveja depois do treino vira ritual de socialização em grupos de ciclismo

A união entre o ciclismo e a cerveja artesanal é, para muitos grupos de pedal, um forte elo de socialização e celebração. Longe da bebedeira sem limites, a cerveja depois do treino atua como a recompensa merecida e o catalisador da amizade após o esforço físico, fomentando uma cultura que une esporte, convívio e degustação de bebidas.

Para muitos praticantes do esporte, especialmente amadores e não-atletas de elite, a cerveja gelada é vista como a melhor recompensa e um momento para relaxar e desfrutar. O mesmo ocorre em grupos de corrida que foram tema de reportagem aqui no Guia da Cerveja em outubro.

Do pedal intenso à cerveja depois do treino

Um dos exemplos é o grupo Pedal e Cerva, que completa 15 anos em 2025. O embrião surgiu por volta de 2008, quando amigos se reuniam para treinos intensos, buscando a melhora física para provas esportivas.

“Em 2008 começamos a juntar alguns amigos para pedalar e curtir os finais de semana. Não era só um rolê. Era um treino mais forte buscando melhorar fisicamente para as provas”, conta Victor Alonso de Oliveira, 56 anos, administrador de empresas e ciclista.

A recompensa sempre vinha após o suor. Oliveira conta que os amigos combinavam de fazer churrasco e tomar cerveja depois do treino aos sábados e domingos. 

Essa rotina se consolidou dois anos depois e, com a combinação por WhatsApp das pedaladas, o grupo ganhou forma: o Pedal e Cerva, que começou com um núcleo de amigos, hoje conta com 40 pessoas em sua essência e mais 60 seguidores de diversos estados do Brasil e do exterior.

O grupo tem logo e camisetas com a identidade visual, mas sem fins lucrativos ou pretensão de ser algo que vise o lucro.

O foco está na prática do ciclismo, desde o road bike (estradas) ao mountain bike (trilhas), explorando rotas como as ciclovias de São Paulo, a Rota dos Romeiros, o caminho até Itu, pedal no Sul de Minas e no interior de São Paulo. “Sempre tem um rolê diferente no final de semana”, diz Oliveira. “E, na sequência, tomamos a merecida cerveja”, brinca.

Menor quantidade, maior qualidade

Com o tempo, a cultura do grupo mudou em relação ao consumo da bebida. Segundo Oliveira, a maturidade e a chegada das cervejas artesanais transformaram a experiência. “Mudamos muito o foco de quantidade para qualidade”, explica. “A gente deixou de tomar um volume grande para tomar uma qualidade muito melhor”.

Essa valorização da experiência e da qualidade reflete o papel da cerveja como fator de conexão social e lazer. Para a maioria dos grupos, a cerveja gelada é vista como o principal elemento de recompensa pós-treino, um momento para rir, compartilhar histórias da trilha e fortalecer os laços.

Saúde e moderação

Apesar do benefício social e psicológico do ritual, a moderação é um ponto crucial, especialmente para a saúde e segurança. Segundo estudo publicado no Journal of the International Society of Sports Nutrition em 2015, a cerveja não tem efeito prejudicial na hidratação após o exercício — desde que bebida em pequenas quantidades.

A combinação de ciclismo e cerveja exige consciência. A regra de ouro é nunca pedalar sob o efeito do álcool, especialmente em vias de trânsito ou trilhas perigosas.

Além disso, embora seja 90% água, a cerveja depois do treino possui efeito diurético. É altamente recomendado que o ciclista beba água ou bebidas repositoras de eletrólitos antes de começar a consumir a bebida após o pedal. E é preciso ter consciência que não se deve exagerar. O álcool em doses altas pode prejudicar a síntese de proteínas, essencial para o ganho de massa muscular.