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Verão aquecido: 6 estratégias para cervejarias impulsionarem as vendas

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Com a chegada do verão, as cervejarias brasileiras buscam aproveitar o aumento da temperatura para também aquecer suas vendas. Tradicionalmente sazonal, o consumo de cerveja costuma diminuir no inverno, abrindo espaço para uma demanda intensa nos meses mais quentes, com seu pico acontecendo no verão. Nesse contexto, é crucial que as cervejarias estejam atentas a estratégias que impulsionem as vendas durante esse período, ampliando seu faturamento.

“Estamos com a previsão de um verão bem quente em todo o Brasil”, lembra o professor de marketing da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), Eduardo Halpern. “As cervejarias precisam adotar medidas para garantir que estejam preparadas para essa demanda aquecida”, acrescenta.

Pensando nas oportunidades surgidas durante o verão, o Guia preparou, com o apoio do especialista, uma lista com estratégias que podem ser adotadas pelas companhias para incrementarem as suas vendas de cerveja ao longo dos próximos meses de verão.

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Confira 6 estratégias para impulsionar as vendas de cerveja no verão:  

1) Antecipação da produção
Pela complexidade do processo de fabricação, é importante antecipar a produção. Dada a necessidade de manter níveis elevados de estoque para lidar com a demanda prevista, as cervejarias devem adotar uma abordagem pró-ativa para seus estoques. “Você não fabrica cerveja e ela fica pronta no dia seguinte. Tem todas as etapas de produção e dependendo do tipo de cerveja, pode levar meses. Por via das dúvidas, todo mundo está preferindo ter mais cerveja em estoque ao invés do risco de ficar desabastecido mais para frente”, diz Halpern.

2) Varejo bem abastecido
O aumento na produção exige um varejo igualmente abastecido. Dada a preferência dos consumidores por marcas e a compra por conveniência, as cervejarias buscam ocupar espaços privilegiados nas prateleiras, garantindo visibilidade. A estratégia inclui assegurar que as cervejas estejam bem refrigeradas nos estabelecimentos.

“Todo mundo sabe que na compra da cerveja tem a preferência pela marca, mas também é uma compra de conveniência. O consumidor vai comprar a que estiver mais gelada no bar, no restaurante ou na loja de conveniência. Então, tem um grande movimento de tentar garantir que o varejo também se mantenha muito bem abastecido”, destaca Halpern.

3) Ações promocionais e de visibilidade
Além do abastecimento, as cervejarias podem investir em ações promocionais e intensificar sua presença na mídia. Estratégias como patrocínios de eventos, promoções e forte presença em televisão e redes sociais são adotadas para manter as marcas em evidência durante o período de alta demanda.

“Ninguém vai querer dar mole de não estar disponível na prateleira do supermercado, por exemplo, e ninguém vai querer vacilar e não aparecer no horário nobre da televisão, justamente na hora que o consumidor está predisposto a consumir o produto. Vai ter uma intensificação da presença das marcas em mídia, redes sociais, eventos, justamente para não perder esse momento de visibilidade”, ressalta o professor da ESPM.

4) Marketing de guerrilha e busca por nichos
Para as cervejarias de menor porte com recursos limitados, Halpern sugere o uso do marketing de guerrilha. Estratégias criativas, como participar de eventos segmentados e encontrar nichos específicos de consumidores são maneiras eficazes de posicionar a marca, mesmo com um orçamento reduzido.

“É importante identificar restaurantes ou estabelecimentos que tenham um cardápio um pouco mais inovador com uma experiência gastronômica diferenciada e onde provavelmente o consumidor vai estar em busca também da experiência de uma bebida diversificada”,  destaca Halpern.

5) Diversificação de opções
Apesar do mercado aquecido, tanto as grandes quanto as pequenas cervejarias enfrentam desafios, incluindo a crescente concorrência com bebidas destiladas. Halpern destaca a importância de atuar nos locais onde essas bebidas são oferecidas, oferecendo cervejas especiais que possam atrair consumidores em busca de novos sabores.

“É um consumidor que vai para a bebida destilada em busca de um paladar novo. Então, se ele entende que a cerveja especial pode trazer também um paladar novo associado à cerveja, acredito que ele também vai estar propenso a buscar a cerveja especial”, sugere o especialista.

6) Atenção às redes sociais
Halpern enfatiza a importância da segmentação nas redes sociais, sugerindo que encontrar um nicho específico pode resultar em um engajamento significativo. É necessário ter conteúdo relevante para um público segmentado, seja por meio de influenciadores ou produção própria, para se destacar em meio à saturação das redes sociais.

“É preciso encontrar um conteúdo que seja interessante para um público segmentado muito bem definido. Ter um trabalho de produção de conteúdo, encontrar influenciadores que sejam referências neste mercado e um público que já está buscando esse tipo de conteúdo pelo seu interesse, pelo seu engajamento, pela sua curiosidade”, conclui Halpern.

Não é Não: Lei protege mulheres de violência nos espaços de diversão

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A lei que institui o protocolo “Não é Não”, para prevenir constrangimento e violência contra mulheres, garantindo sua proteção, foi recentemente sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e tem alcance nacional. Este protocolo deve ser implementado em ambientes como casas noturnas, boates, bares, restaurantes, espetáculos musicais e outros locais fechados onde ocorre a venda de bebidas alcoólicas.

A legislação define constrangimento como “qualquer insistência, seja física ou verbal, após a mulher expressar sua discordância com a interação”. Já violência é caracterizada como “o uso da força que resulta em lesão, morte, dano, entre outros, conforme a legislação penal em vigor”.

Leia também – 52% das cervejarias não têm canais de denúncia de casos de discriminação e assédio

Nos seus artigos, a lei detalha os direitos das mulheres, como proteção pela equipe do estabelecimento, definir se sofreram constrangimento ou violência, serem acompanhadas até o transporte caso decidam deixar o local.

Além disso, a legislação destaca princípios que devem ser observados na aplicação do protocolo, incluindo o respeito ao relato da vítima, a preservação da dignidade, honra, intimidade e integridade física e psicológica, bem como a celeridade na aplicação da lei e a colaboração de esforços para enfrentar constrangimento ou violência.

A lei estabelece também os deveres dos estabelecimentos, como garantir que pelo menos uma pessoa qualificada esteja disponível para atender ao protocolo “Não é Não”, manter informações visíveis sobre como acionar o protocolo e os números de telefone da Polícia Militar e da Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180. É também responsabilidade do estabelecimento certificar-se da necessidade de assistência quando observar possível situação de constrangimento.

No caso de indícios de violência, o estabelecimento deve proteger a mulher, afastar a vítima do agressor, colaborar para a identificação de testemunhas, isolar locais com vestígios de violência e solicitar a presença da Polícia Militar. A lei também estabelece regras para a preservação de imagens em estabelecimentos com câmeras de segurança.

A Lei nº 14.786, que entrará em vigor em 180 dias, institui ainda o selo “Não é Não – Mulheres Seguras”. O poder público manterá e divulgará a lista “Local Seguro Para Mulheres”, incluindo as empresas que possuam esse selo.

De acordo com a legislação, o governo federal deve promover ações de formação periódica para conscientização e implementação do protocolo, direcionadas aos empreendedores e trabalhadores dos estabelecimentos.

Cerveja com ciência: Preferências do consumidor de cervejas artesanais

Cerveja com ciência: Revolução do sabor – Preferências do consumidor de cervejas artesanais

Agradeço pelos comentários e engajamento dos leitores sobre as pesquisas que envolvem as cervejarias artesanais, no que diz respeito aos aspectos locais e importância para o desenvolvimento regional. Como toda boa conversa sobre cerveja, essa interação despertou o interesse em me aprofundar sobre segmentação e preferências dos consumidores de cervejas artesanais versus as tradicionais.

Por definição, as cervejas artesanais “são aquelas produzidas por qualquer cervejaria pequena e independente que adere às práticas e ingredientes tradicionais de fabricação1”. Assim, inclui duas características importantes: a) natureza tradicional dos métodos de produção e b) tamanho pequeno das instalações em que a cerveja é produzida. Algo que os entusiastas cervejeiros apontariam como uma cerveja “cuidadosamente produzida”, “produzida por um processo mais complicado”, “produzida em pequena escala” ou “produção limitada”2.

Quando essas características são combinadas, as cervejas artesanais criam um contraste marcante com as cervejas tradicionais produzidas por grandes cervejarias multinacionais. Como sabemos, as cervejas tradicionais são feitas em grandes lotes, com ingredientes padrão, que passam por rigorosos procedimentos de controle de qualidade, filtragem, processamento e, muitas vezes, contêm aditivos.

Estudo realizado com consumidores italianos listou outras características associadas às cervejas artesanais, como “produzidas com ingredientes não convencionais de alta qualidade e locais”, “não pausterizada”, “não filtrada”, “livre de aditivos”, “espontaneamente ou naturalmente fermentada”, “vendida com exclusividade em locais específicos”, “preço mais alto e baixa disponibilidade”, ou “para segmentos de mercado muito específicos (nichos)3”.

Pesquisa realizada no Reino Unido4 relata que 32% dos consumidores entrevistados afirmaram que a cerveja artesanal tem um sabor melhor do que a cerveja tradicional. Os consumidores de cerveja artesanal são geralmente diferenciados dos consumidores de cerveja tradicionais em termos de sua preferência por sabores inovadores, com maior complexidade e maior envolvimento com produtos focados em comportamentos e atividades. No entanto, 31% concordaram que o termo cerveja artesanal havia se tornado excessivamente utilizado4. Outros 21% confirmaram que a seleção de cervejas artesanais poderia ser cansativa, possivelmente pela quantidade de rótulos e variedade disponíveis4.

Aspectos demográficos indicam que os consumidores de cerveja artesanal são predominantemente do sexo masculino, mais jovens, com alto nível de escolaridade e têm níveis de renda mais elevados do que os consumidores de cerveja tradicionais5.

Do ponto de vista psicológico, preferem cervejas de sabor mais forte e são mais propensos a representar mentalmente as cervejas em termos de processos cognitivos, como pensar e memorizar, embora atributos sensoriais como aroma, carbonatação e espuma também sejam considerados importantes6.

Em relação aos aspectos sensoriais, consumidores de cerveja artesanal são movidos pela autenticidade e alta qualidade2. Regularmente, desenvolvem conhecimento sobre sua cerveja favorita em brewpubs7, exploram novos sabores e fazem compras em lojas especializadas. Aqueles com maior poder aquisitivo, ou em momentos de turismo, fazem questão de incluir visitas às cervejarias locais, participam de degustações e eventos, além de trocas de informações nas redes sociais8. O envolvimento com a cerveja é semelhante ao dos bebedores de vinho.

Ainda, os consumidores de cerveja artesanal desejam distinção e produtos exclusivos2, muitas vezes influenciados pela pressão de amigos9. Evitam assim, consumir o que é comum, outro ponto que pode ser adicionado aos fatores psicológicos ligados aos “jovens” consumidores (millenials, e indivíduos nas faixas de 30 e 40 anos)9.

Outros fatores incluem o gosto maior por cerveja, isto é, bebendo-a com mais frequência em relação a outras bebidas, com preferência por chope ou latas em vez de cerveja engarrafada. Em estudo realizado na Austrália em 2019, sobre a preferência dos consumidores de cerveja artesanal por latas ou garrafas, 38% dos entrevistados disseram preferir latas10. Em 2022, também na Austrália, outro levantamento sobre as atitudes em relação à cerveja artesanal, 91% dos entrevistados disseram acreditar que a qualidade da cerveja artesanal havia melhorado11. Além disso, 89% dos entrevistados relataram que estão sempre em busca de novas cervejas para experimentar11. Desta forma, pode se dizer que os consumidores costumam experimentar emoções mais positivas e as consideram mais apropriadas para diversas situações de consumo.

Considerando todos esses fatores influenciadores, é possível identificar diferentes subsegmentos (nichos) dentro do segmento geral de cerveja artesanal. Alguns exibem tanto suas preferências ligadas às características de cerveja artesanal (i.e., sabor, complexidade etc.), quanto comportamentos de estilo de vida, enquanto outros são atraídos principalmente pelos elementos cognitivos associados a “ser” um consumidor de cerveja artesanal e seus comportamentos de “estilo de vida”. Dentro destes subsegmentos, pode haver quem ainda prefira cervejas de sabor mais leve, adocicadas e menos complexas.

Toda essa popularidade tem potencializado o crescimento do mercado e aumento da atratividade das cervejas artesanais. Sem dúvida, é uma categoria de produtos que continua a se expandir em diversas localidades e regiões mundo afora, enquanto as cervejas tradicionais buscam competir para manter o seu mercado e atuação global.

Na Itália, as cervejas artesanais começaram a crescer mais rapidamente, com um aumento de 100% no número de cervejarias entre 2012 e 201712. Na Europa de forma geral, a indústria de cervejas artesanais se desenvolveu em ritmo mais lento. Outros continentes tiveram expansão semelhante.

Na América Latina, o México apresentou crescimento de 30% entre 2011 e 201613. Em 2018, o mercado de cerveja artesanal nos Estados Unidos contava com mais de 4.500 cervejarias, apesar de uma modesta expansão inicial14. Uma curiosidade, de acordo com alguns especialistas, a origem das cervejas artesanais ocorreu nos Estados Unidos, quando Fritz Maytag comprou a Anchor Steam Beer Company na década de 196015. Junto com a introdução de estilos de cerveja não tradicionais, como Porters, cervejas de trigo e cervejas natalinas com especiarias, esta pequena cervejaria foi responsável pela primeira American India Pale Ale (IPA)15.

Na Oceania, estudo revela que 25% do mercado optou por cervejas artesanais na Nova Zelândia em 201816. Na Ásia, semelhantemente, o crescimento foi de 50% no volume produzido entre 2014 e 2015, particularmente na China17.

O número global de cervejarias artesanais, a produção de pequenos lotes e o desejo dos cervejeiros artesanais de fornecer produtos inovadores resultam em uma grande variedade de produtos artesanais disponíveis. Sob as perspectivas de produto e sensorial, essas cervejas incluem diversos estilos, sabores, intensidades e teor alcoólico, o que as torna altamente diferenciadas.

Esta expansão, consolidada pela preferência dos apaixonados por cervejas artesanais, gerou uma “revolução do sabor18” na indústria, já que este é o diferencial apontado como um elemento-chave para 40% dos participantes de um estudo realizado em 20173. Esta mudança nas preferências dos consumidores, com foco no sabor, e os números apresentados acima fortalecem o cenário da produção de cervejas artesanais, o que se reconhece agora como o segmento de maior crescimento desta indústria13.

Caso tenha interesse em saber sobre como está o mercado nacional em relação às cervejarias artesanais, convidamos para ler a pesquisa publicada pelo Guia da Cerveja, por meio do link. E se você é curioso como eu, e gostaria de saber como o consumidor brasileiro decide ao comprar sua cerveja artesanal, nos acompanhe no Guia e aguarde nossas próximas publicações. Um forte abraço e saúde!


Referências:

1 Acitelli, T., & Magee, T. (2017). The audacity of hops: The history of America’s craft beer revolution. Chicago Review Press.

2 Gómez-Corona, C., Escalona-Buendía, H. B., García, M., Chollet, S., & Valentin, D. (2016). Craft vs. industrial: Habits, attitudes and motivations towards beer consumption in Mexico. Appetite, 96, 358-367.

3 Donadini, G., & Porretta, S. (2017). Uncovering patterns of consumers’ interest for beer: A case study with craft beers. Food research international91, 183-198.

4 The Grocer. World beers, food pairing and the new threat to craft brews. https://www.thegrocer.co.uk/download?ac=163747

5 Malone, T., & Lusk, J. L. (2018). If you brew it, who will come? Market segments in the US beer market. Agribusiness, 34(2), 204-221.

6 Aquilani, B., Laureti, T., Poponi, S., & Secondi, L. (2015). Beer choice and consumption determinants when craft beers are tasted: An exploratory study of consumer preferences. Food quality and preference, 41, 214-224.

7 Thurnell-Read, T. (2016). ‘Real ale’enthusiasts, serious leisure and the costs of getting ‘too serious’ about beer. Leisure Sciences, 38(1), 68-84.

8 Murray, D. W., & O’Neill, M. A. (2012). Craft beer: Penetrating a niche market. British Food Journal114(7), 899-909.

9 Spadoni, R., Rivaroli, S., & Hingley, M. K. (2018). The motivation behind drinking craft beer in Italian brew pubs: a case study. The motivation behind drinking craft beer in Italian brew pubs: a case study, 425-443.

21 Kelsey, R. (2019, October 17). 2019 Australian Craft Beer Survey Results. Beer Cartel. https://www.beercartel.com.au/blog/2019-australian-craft-beer-survey-results/

22 Beer Cartel. (2023, March 2). https://www.beercartel.com.au/blog/2022-australian-craft-beer-survey-results/

8 Monica. (2019, January 23). Italy beer Report 2017-2018: Italian beer market, craft beer and breweries in numbers. https://theitaliancraftbeer.wordpress.com/2019/01/23/italy-beer-report-2018-italian-beer-market-craft-beer-and-breweries-in-numbers/

9 Euromonitor International. (2016). Beer in Mexico. Retrieved from Euromonitor Passport database Euromonitor International, London, U.K.

10 Brewers Association. (2019). National Beer Sales & Production Data. https://www.brewersassociation.org/statistics-and-data/national-beer-stats/

11 Elzinga, K. G., Tremblay, C. H., & Tremblay, V. J. (2015). Craft beer in the United States: History, numbers, and geography. Journal of Wine Economics10(3), 242-274.

10 Neilsen Scantrack. (2018). Reported in G. Smith, The drink of a generation: craft beer on the rise. Retrieved from https://www.nielsen.com/au/en/insights/article/2018/the-drink-of-a-generation-craft-beer-on-the-rise/

11 Statista. (2019). Consumer Goods & FMCG. Alcoholic Beverages. Craft beer output in China 2012–2020. Retrieved from https://www.statista.com/statistics/980445/china-craft-beer-poduction-volume/

12 Gómez-Corona, C., Escalona-Buendía, H. B., Chollet, S., & Valentin, D. (2017). The building blocks of drinking experience across men and women: A case study with craft and industrial beers. Appetite, 116, 345-356.

13 Howard, P. H. (2014). Too big to ale? Globalization and consolidation in the beer industry. In The geography of beer: Regions, environment, and societies (pp. 155-165). Dordrecht: Springer Netherlands.

14 Jaeger, S. R., Worch, T., Phelps, T., Jin, D., & Cardello, A. V. (2020). Preference segments among declared craft beer drinkers: Perceptual, attitudinal and behavioral responses underlying craft-style vs. Traditional-style flavor preferences. Food Quality and Preference, 82, 103884.

16 Santisi, G., Morando, M., & Sciacca, A. (2018). Craft beer and intensity of purchase: a psychological analysis of consumer intentions. Quality-Access to Success, 19.

17 Medoro, C., Cianciabella, M., Camilli, F., Magli, M., Gatti, E., & Predieri, S. (2016). Sensory profile of Italian craft beers, beer taster expert versus sensory methods: A comparative study. Food and Nutrition Sciences, 7(06), 454.


Marcelo Sá é professor de gestão em operações, pesquisador na área de riscos e resiliência em cadeias de alimentos e bebidas, esposo e pai apaixonado por sua família. Em sua folga, pode ser facilmente encontrado com uma IPA ao seu lado.

Morre Marco Falcone, pioneiro das artesanais; veja homenagens

O setor brasileiro de cervejas artesanais perdeu um dos seus pioneiros. Marco Falcone, fundador da Falke Bier e presidente da Câmara Setorial da Cerveja. Falcone, que tinha 60 anos, morreu, nesta sexta-feira (5), após menos de um mês de internação devido a problemas de saúde, culminando na falência múltipla dos órgãos. Seu velório vai ocorrer na tarde deste sábado (6), em Belo Horizonte, no Parque da Colina.

Com uma trajetória extensa, Falcone desempenhou papéis cruciais no setor ao longo dos anos, destacando-se pelo seu profundo conhecimento sobre as cervejas artesanais, desde a produção na fábrica até os desafios intricados de gestão. Sua influência também se estendia ao seu bom relacionamento com diversos participantes da indústria, bem como pela sua luta por uma tributação mais justa para os microempreendedores.

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Além de presidir a Câmara Setorial da Cerveja, vinculada ao Ministério da Agricultura, Falcone ocupava cargos relevantes na indústria de Minas Gerais, seu estado natal, como vice-presidente do Sindicato das Indústrias de Cerveja e Bebidas em Geral (SindBebidas-MG) e da Federação das Indústrias (Fiemg).

Ele também era presidente da Federação Brasileira das Cervejarias Artesanais (Febracerva). Neste ano, em uma clara demonstração da sua atuação no dia a dia do segmento e sua união com diferentes entidades, foi jurado em três etapas regionais da Copa Cerveja Brasil, promovida pela Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva).

Falcone era considerado o primeiro mestre-cervejeiro de Minas Gerais, sendo chamado pelas pessoas mais próximas de “xamã” da cerveja, por sua trajetória e vasto conhecimento da história da bebida. Também foi professor e um dos fundadores da Escola Mineira de Sommelieria.

A Falke Bier, fundada por Falcone em 2004 em parceria com os irmãos Ronaldo e Juliana, foi uma das pioneiras no cenário de cervejas artesanais em Minas Gerais, junto a empresas como Krug Bier, Três Lobos e Wäls.

Foi uma revolução para o público cervejeiro, antes acostumado a apenas escolher entre marcas de cerveja ou entre a “clara” e a “escura”, que passou a ter acesso a novidades, como a Estrada Real, considerada uma das primeiras IPAs vendidas no Brasil, a Red Baroon, uma Viena Lager, assim como, mais recentemente, as opções do projeto Brasilidades.  

Ligada às tendências mais recentes do segmento, a Falke Bier teve, recentemente, a sua cerveja sem álcool, a Wave, uma Catharina Sour feita com a adição de goiaba, eleita o terceiro melhor rótulo entre todos os finalistas da edição de 2023 da Copa Cerveja Brasil.

A morte de Falcone provocou comoção em todo o segmento de cervejas artesanais, com o reconhecimento à sua importância e homenagens. Uma delas poderá ser acompanhada na próxima edição do Concurso Brasileiro de Cervejas. A sua organização anunciou a criação do “Prêmio Marco Falcone”, que irá premiar todos os anos o melhor mestre-cervejeiro do Brasil a partir deste ano.

Confira trechos de algumas mensagens de despedida a Falcone, publicada nas redes sociais:

Abracerva
A Abracerva expressa profundo pesar com o falecimento de Marco Falcone. Perdemos um dos pioneiros do mercado cervejeiro, fundador da Falke Bier, presidente da Febracerva e da Câmara da Cerveja. Com inúmeras contribuições para a indústria e a cultura cervejeira nas últimas décadas, Falcone foi parte integrante de nossos congressos e da Copa Cerveja Brasil em 2023 e sua ausência será sentida pelos colegas e amigos.

Aprolúpulo
Profundo conhecedor de tudo relacionado à cultura cervejeira, Falcone era um grande entusiasta do lúpulo brasileiro, manifestando em diversas oportunidades a sua confiança no presente e no futuro da nossa cultura. Somos muito gratos por todo o apoio recebido e por sua generosidade.

Fabiana Arreguy (jornalista e beer sommelière)
Vai em paz, conte todas as piadas de seu repertório a quem encontrar por aí. Ensine tudo sobre astros, filosofia, cerveja e todo o mais que sua cultura abrangia. E, saiba, você permanece no meu coração e em todas as muitas lembranças que deixa na minha vida.

Falke Bier
Suas inúmeras contribuições para a indústria e a cultura cervejeira nas últimas décadas ficarão para sempre marcadas. E sua perda, imensurável, será sentida por todos aqueles que tiveram a honra de conhecê-lo. Agradecemos sua dedicação à cultura cervejeira.

Fê Bressiani (sommelière e coordenadora da ESCM)
Meu mestre, meu amigo. Um dos mais incríveis contadores de histórias que já conheci, e que histórias deliciosas. Educado, gentil, amável, inteligente, um gentleman. Um presente na minha vida. Você escreveu uma história linda, no universo cervejeiro e na vida. Não consigo mensurar a falta que fará. Fique em paz, amigo.

Gilberto Tarantino (presidente da Abracerva)
Nos últimos dois anos, tive o privilégio de rodar o Brasil com meu amigo Marco Falcone. Ele, presidente da Febracerva, e eu, presidente da Abracerva. No início, várias pessoas ficavam surpresas vendo duas associações de cervejeiros trabalhando juntos. Com o passar do tempo e após vários congressos e julgamentos da Copa Cerveja Brasil, o mercado entendeu que o objetivo sempre foi a união do segmento e o civilizado e moderno trabalho de educação e responsabilidade da cerveja. Marco Falcone, um ícone e um exemplo a ser seguido para sempre. Saúde, meu amigo!

Marcio Maciel (presidente do Sindicerv)
Além de uma grande referência no mercado cervejeiro, Falcone era um amigo, pioneiro na produção de cerveja artesanal e grande entusiasta da união do setor. Deixa um legado pessoal inestimável (filhos cervejeiros e dois netinhos) e fará muita falta, em especial com suas ótimas prosas sobre história da cerveja. Que sorte tivemos em compartilhar esse tempo contigo!

Samuel Cavalcanti (CEO da Bodebrown)
Marco Falcone foi verdadeiramente um exemplo de humildade cervejeira, carisma e respeito para todos que o conheceram. Suas qualidades deixam apenas boas lembranças. Que Deus console profundamente a família Falke Bier nesse momento difícil e receba Marco Falcone em paz. Sua presença fará falta, e seu legado de bondade, conhecimento cervejeiro e respeito permanecerá em nossas memórias.

52% das cervejarias não têm canais de denúncia de casos de discriminação

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52% das cervejarias não têm canais de denúncia de casos de discriminação e assédio


A carência de canais de denúncia para casos de discriminação, assédio ou qualquer forma de tratamento injusto é uma realidade em mais da metade das cervejarias do Brasil. De acordo com a pesquisa “Participação de Pessoas Negras na Indústria da Cerveja“, conduzida pelo Guia da Cerveja e disponível por meio deste link, 52% dos estabelecimentos não possuem esse importante mecanismo para combater casos de preconceito.

Embora haja interesse significativo por parte de algumas cervejarias em alterar essa realidade, nem todas as participantes da pesquisa compartilham desse ponto de vista.

Cerca de uma em cada quatro cervejarias (26%) afirma não perceber a necessidade de implementar canais de denúncia em suas estruturas.

Em contrapartida, 39% das cervejarias declaram possuir canais formais e confidenciais para denúncias de preconceito, enquanto 9% afirmam ter esse suporte, embora reconheçam que a comunicação da sua existência ainda não seja amplamente divulgada.

A pesquisa também sugere um potencial aumento no número de cervejarias com canais de denúncia, já que 26% dos participantes afirmam estar trabalhando para implementá-los.

O crescimento no número de estabelecimentos com canais de denúncia pode ser impulsionado principalmente pelo Nordeste. Nessa região, 54% das participantes da pesquisa expressam a intenção de implementar canais de denúncia em suas cervejarias, o que poderá elevar a presença desse instrumento, atualmente existente em 31% dos estabelecimentos do Nordeste.

Entretanto, há um contraponto preocupante. A região Sul, com uma longa tradição cervejeira e o segundo maior número de estabelecimentos no país, demonstra um baixo engajamento na implementação de canais de denúncia. Por lá, 46% das respondentes afirmam não ver necessidade em contar com esse tipo de instrumento em suas estruturas.

A fundadora e CEO do Torneira Bar e Restaurante, Danielle Lira, destaca a seriedade do problema: “A ausência de canais para relatar casos de discriminação em muitas cervejarias é um problema sério. Mesmo que haja uma preocupação evidente nos dados apresentados em relação à disponibilidade de canais para denúncia, 26% alegam não ver necessidade para isso.”

A pesquisa
A pesquisaParticipação de Pessoas Negras na Indústria da Cerveja” é um estudo quantitativo conduzido por meio de questionário online, com respostas coletadas em setembro de 2023, envolvendo a participação de 129 proprietários ou administradores de cervejarias nas cinco regiões do Brasil.

10 cervejarias contam como foi o ano de 2023 no mercado de artesanais

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No dinâmico cenário das cervejarias artesanais, o ano de 2023 revelou um panorama complexo e desafiador para as diversas empresas que compõem esse mercado. Embora o Brasil tenha experimentado um crescimento econômico, esse avanço ainda não se refletiu de maneira expressiva na expansão do segmento ou no aumento significativo da participação de mercado.

Para compreender melhor como o setor se comportou em 2023, o Guia buscou avaliações de representantes de 10 cervejarias, que destacaram os desafios econômicos como um dos principais entraves a dificultar a plena recuperação do segmento.

E para lidar com as adversidades, diferentes estratégias foram adotadas, como parcerias e a redefinição de portfólios, além de investimentos em produtos mais acessíveis não apenas ao bolso, mas também ao paladar, assim como, em alguns casos, houve um realinhamento no uso de embalagens.

Em meio aos obstáculos, inovação e resiliência emergiram como elementos-chave para enfrentar os desafios, transformando o ano de 2023 em um capítulo rico em experiências e aprendizados para a trajetória das cervejarias artesanais.

Leia também – Balcão da Fabiana: Balanço de um ano difícil e desejos para um 2024 cervejeiro melhor

Confira 10 avaliações sobre o ano de 2023 para as cervejarias artesanais:

CBCA (Gustavo Barreira, CEO)
Em um setor com poucas marcas nacionais, as variáveis locais acabam influenciando na avaliação. Em Santa Catarina, um mercado maduro, mas que depende de datas específicas, como a Oktoberfest, vimos um sofrimento expressivo com o excesso de chuvas, com cancelamentos de eventos. Então, as cervejarias foram duramente impactadas. Em São Paulo, vejo uma cena mais aquecida, com 2023 sendo um ano de retorno, de mais movimentação e eventos, com a volta das ciganas à cena. De maneira geral, vejo cervejarias se reposicionando, seja com parcerias, redesenhando o portfólio ou mesmo redefinindo seus tamanhos. Mas todas com uma dificuldade em comum: o acesso ao capital de giro, pois o dinheiro está caro e escasso.

Cozalinda (Diego Simão Rzatki, fundador)
Um péssimo ano, economicamente falando. A recuperação econômica, que este ano se apresentou nos índices, não se reverteu em retorno do consumidor às cervejas artesanais. Aparentemente este consumidor migrou para marcas premium das cervejarias mainstreams, algo totalmente esperado quando a renda e a confiança do consumidor está em baixa. A cerveja artesanal é vista como bem supérfluo e de substituição, logo, em momentos como estes, sofremos bastante. O consumidor procura opções mais acessíveis, o que leva este movimento também para bares, que procuraram com mais intensidade produtos de entrada e mais simples para alocarem em seus taps.

Além dos lançamentos, como o espetacular Projeto Manipueira, buscamos também levar produtos mais acessíveis, tanto para o paladar, quanto para o bolso, como Saisons e Chichas Contemporâneas. Todos estes desenvolvimentos dos produtos, entretanto, foi acompanhado com as planilhas financeiras que levaram a decisão de modificamos lógica de envase, dando bastante ênfase para venda em chope em detrimento de garrafa, tanto para o mercado interno quanto o externo. Todas essas ações estão gerando um impacto positivo, porém, a situação econômica precisa melhorar.

Croma (Rodrigo Nogueira, proprietário)
O mercado brasileiro da cerveja segue crescendo a cada ano, apesar das dificuldades econômicas e sanitárias causadas pela pandemia. Para as micro, foi um ano de muitos desafios, incluindo complexidade logística, complexidade tributária, inflação e juros altos e custos de insumos atrelados ao dólar.

Esse ano foi de muitas conquistas e crescimento para a Croma, conseguimos expandir nossa produção, investimos em inovação, educamos novos clientes e conseguimos abrir mercados internacionais como na China e na Europa. Também fomos convidados pela primeira vez para um festival craft na Bélgica.

Fürst (Paulo Fürst, sócio-fundador)
Foi um ano desafiador, assim como 2022, mas fizemos apostas e investimentos, como na produção terceirizada da Lite, em lata. E estamos sentindo o retorno com a venda nas gôndolas. Fechamos o ano com um crescimento entre 10% e 15%, algo que foi limitado até pela nossa capacidade produtiva, o que nos levou a crescer para fora.

Hocus Pocus (Humberto Ribeiro, sócio em São Paulo)
O ano de 2023 foi um ano excelente para a Hocus Pocus! Foi o primeiro ano da casa em São Paulo, que foi excelente e fomos muito bem recebidos na cidade. Essa foi a nossa principal realização. Também, participar de um projeto grande como a Lapi, no Largo da Batata, onde estamos inseridos e fomos convidados a participar, foi muito gratificante.

Leopoldina (Rodrigo Veronese, mestre-cervejeiro)
2023 foi um ano em que a gente sentiu bastante a elevação dos custos por conta dos insumos e matérias-primas. Também foi um ano bem desafiador em função da retração do consumo e que – tanto para nós, como para grande parte do mercado – trouxe desafios e a constante necessidade de se reinventar, buscando novos caminhos para equilibrar as contas. Em termos de realizações, tivemos lançamentos de novos produtos e, principalmente, todos eles alinhados com a nossa estratégia, de cada vez mais seguir em um mercado ligado aos conceitos do Grupo Famiglia Valduga. Junto a isso, conquistamos premiações internacionais que nos auxiliaram a competir neste mercado tão difícil e concorrido.

Louvada (Gregório Ballaroti, sócio)
A onda de cervejarias artesanais diminuiu bastante, com a maioria não crescendo em 2023. Vemos algumas marcas indo para informalidade, o que atinge a credibilidade do setor junto a grandes empresários. Isso pode ser muito ruim para o setor no médio prazo. Foi um ano de menos dinheiro circulando, o que afetou até os números das grandes cervejarias. A salvação do setor de artesanais pode ser a consolidação das empresas mais sérias para voltarmos à animação do final da década passada.

Lumiarina (Luiz Enne, sócio-proprietário)
O setor das microcervejarias teve, na minha opinião, mais um ano desafiante, no qual, para seguirmos em frente é preciso fazer diferente. Muitos estão priorizando brewpubs próprios, inclusive revisando a necessidade de ter uma fábrica própria versus produzir como cigano, com foco nas vendas diretas para o consumidor final.

As metas definidas no início de 2023 para a minha cervejaria foram todas atingidas. O foco foi mais em redução de custos e otimização de processos, dentre eles a terceirização do envase. Podemos considerar que foi um bom ano, ainda que com desafios.

Millebier (Nelson de Araújo, sócio-diretor)
Foi um ano desafiador, mas com desempenho sólido, com um aumento contínuo no consumo e uma variedade cada vez maior de estilos e sabores disponíveis para os consumidores. Fizemos um investimento importante no aumento da capacidade de produção, algo na casa dos 60% em relação a 2022. Podemos listar uma série de desafios que nós enfrentamos e acredito que sejam os mesmos da maioria das cervejarias: a concorrência entre as marcas, a regulamentação governamental, os custos de produção e distribuição, além das mudanças nos hábitos de consumo dos consumidores.

Salva (João Luís Giovanella, CEO)
Foi um ano terrível em todos os sentidos. Preços dos insumos oscilando absurdamente, mercado consumidor de cervejas premium diminuindo junto com o poder aquisitivo das pessoas, e no Rio Grande do Sul ainda sofremos com a perseguição da Receita Estadual, que está em clara missão de destruir o setor, ainda que tenhamos uma carga tributária superior a das macrocervejarias.

O que a Verallia tem feito para reduzir emissões de carbono em 46% até 2030

A Verallia detalhou seu plano estratégico visando a redução de suas emissões de carbono em 46% até 2030. Em sintonia com metas globais de sustentabilidade e focada na transição para energias renováveis, a multinacional francesa produtora de embalagens de vidro tem a ambição de alcançar a neutralidade de carbono, sendo net zero, até 2050.

Para atingir seus objetivos, a Verallia está empenhada em identificar e integrar matérias-primas alternativas ao carbonato de cálcio e ao carbonato de sódio, com foco especial no vidro reciclado. Em 2022, a taxa de utilização de caco de vidro atingiu 55,7%, em comparação com os níveis de 2019, reduzindo as emissões diretas em 94.760 toneladas.

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No Brasil, a Verallia está na fase final de implementação de um novo forno HeatOxyCombustion, projetado para proporcionar maior eficiência térmica e reduzir as emissões de carbono em até 20% em comparação aos fornos existentes. “A Verallia tem colocado em prática em suas plantas todos os recursos tecnológicos disponíveis para atingir suas metas globais”, afirma o diretor geral da Verallia para a América Latina, Quintin Testa.

Além disso, o programa abrangente de reuso de cacos de vidro, denominado “Vidro Vira Vidro”, já apresenta resultados relevantes na reintegração desse material ao processo produtivo. A iniciativa visa o descarte adequado do vidro por meio da instalação de Pontos de Entrega Voluntária (PEVs) em várias cidades. Mais de 3 mil toneladas de vidro foram recicladas até o momento, com 655 PEVs instalados em 30 cidades de diferentes estados brasileiros.

O programa não apenas reduziu as emissões de CO2 no processo de fabricação de embalagens de vidro, mas também contribuiu para a economia de energia e a preservação de matérias-primas virgens. O Vidro Vira Vidro visa instalar 1,5 mil contêineres de coleta até 2026.

“No Brasil, de acordo com dados do setor, apenas 25% do vidro é reciclado. Para mudar esse cenário, todos precisam se mobilizar. É nisso que estamos trabalhando”, comenta o diretor da Verallia.

A Verallia também tem foco na otimização do consumo de energia, no desenvolvimento de fontes renováveis ou de baixo carbono, na redução de emissões indiretas e na contribuição para a regeneração do solo. A empresa está implementando projetos de reflorestamento e agrossilvicultura prioritariamente nos países onde suas fábricas estão localizadas.

Mesmo na melhor Bolsa desde 2019, ação da Ambev cai pelo 4º ano seguido

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Apesar do melhor desempenho do Ibovespa desde 2019, a Ambev registrou em 2023 o quarto ano consecutivo de queda no preço da sua ação na B3, a bolsa de valores brasileira. O valor do papel da cervejaria chegou a R$ 13,73 na última sessão do último ano, o que representa queda de 5,44% em relação ao encerramento de 2022.

Desde 2019, quando a ação terminou cotada a R$ 18,67, a Ambev tem enfrentado quedas anuais. Em 2020, o preço encerrou em R$ 15,65, e em 2021, em R$ 15,42. Agora, observa-se uma redução de R$ 0,79 em comparação aos R$ 14,52 do último pregão de 2022.

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Esta nova queda anual ocorre apesar de um leve aumento no preço das ações da Ambev em dezembro, registrando um acréscimo de 0,29% em relação aos R$ 13,69 de novembro. Além disso, acontece em um ano de recuperações judiciais, tanto da Americanas, com quem compartilha alguns dos seus principais acionistas, o que provocou desconfianças em agentes do mercado financeiro, como do Grupo Petrópolis, sua concorrente no mercado cervejeiro do Brasil, o que poderia ajudá-la a conquistar ainda mais consumidores.

Além disso, 2023 foi marcado pelo acordo entre a Ambev e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para limitar seus contratos de exclusividade com bares. E apesar de um aumento de 6,4% no lucro líquido nos primeiros 9 meses em comparação com o mesmo período de 2022, houve queda de 1,5% no volume de bebida comercializada, o que causa dúvidas sobre possibilidade de expansão das vendas, embora a alta da rentabilidade satisfaça o mercado.

Ainda assim, o saldo foi negativo, principalmente quando comparado com o desempenho do Ibovespa, que saltou 22,28% em todo o ano, para 134.185,23 pontos, depois de uma alta de 5,38% em dezembro. Foi o melhor resultado anual do índice desde 2019, desempenho que se torna ainda mais notável, por fatores externos, como a tensão geopolítica, por confrontos na Ucrânia e no Oriente Médio, crescimento abaixo da média da economia chinesa e alta dos juros nos Estados Unidos.

O bom desempenho da economia brasileira no primeiro ano do terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, aliado à perspectiva de queda contínua dos juros, parece ter influenciado positivamente o Ibovespa. Entre as 86 ações que compõem o índice, 58 tiveram alta em 2023, enquanto outras 28, incluindo a da Ambev, apresentaram queda.

Destacam-se três ações com alta superior a 100% no ano: Yduqs (123,19%), CSN Mineração (118,84%) e Ultrapar (114,66%). As maiores quedas foram observadas em Casas Bahia (81,03%), Pão de Açúcar (40,67%) e Minerva (38,88%).

Fora do Brasil
Em contraste com o cenário nacional, a ação da Ambev em Nova York apresentou um aumento de 2,94% em 2023, fechando a semana passada a US$ 2,80, em comparação com os US$ 2,72 do final de 2022 e os US$ 2,74 de novembro.

Este desempenho assemelha-se ao das principais empresas cervejeiras na Europa, com a AB Inbev encerrando o ano a 58,42 euros, um aumento anualizado de 3,82%, e o Grupo Heineken com uma valorização ainda maior, de 9,58%, atingindo o preço de 91,94 euros.

AB InBev deixa Rússia com repasse de participação em negócio para parceiro turco

Depois do Grupo Heineken e da Carlsberg, foi a vez de a AB InBev selar a sua saída da Rússia, em um movimento desencadeado pela guerra na Ucrânia, iniciada nos primeiros meses de 2022. Para isso, a maior cervejaria do mundo optou por transferir sua participação na joint-venture que atua no país para a Anadolu Efes, da Turquia.

A Anadolu Efes, que já fazia parte da joint-venture com a AB InBev, agora se tornará a única detentora do negócio. No acordo, a AB InBev não receberá pagamento inicial, com possíveis compensações condicionadas ao desempenho subsequente da companhia.

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A joint-venture entre AB InBev e Anadolu Efes foi avaliada entre US$ 1,1 bilhão e US$ 1,3 bilhão pela KPMG, em análise feita a pedido do grupo cervejeiro turco. A união, estabelecida em 2018 sob o nome AB InBev Efes, tinha como objetivo comercializar cervejas na Rússia e na Ucrânia.

Este anúncio reforça os fortes laços corporativos entre Rússia e Turquia, que, ao contrário de muitas nações ocidentais, optou por não participar do boicote a Moscou e tem continuado a realizar acordos comerciais por meio de suas empresas.

Desde 2022, a AB InBev expressava seu desejo de sair da Rússia, como resposta das empresas ocidentais à invasão do território da Ucrânia. Algumas companhias conseguiram se desfazer de suas operações durante esse boicote, enquanto outras tiveram seus ativos confiscados pelo governo russo.

A Carlsberg, por exemplo, anunciou inicialmente a venda de seus negócios na Rússia, mas o governo local, posteriormente, interveio, assumindo o controle da empresa. O Grupo Heineken optou por uma venda simbólica de seus ativos na Rússia por apenas 1 euro, transferindo-os para o Arnest Group, uma empresa local de cosméticos, utensílios domésticos e embalagens, estimando um prejuízo de 300 milhões de euros por sua retirada do país.

A AB InBev possui participação na Anadolu Efes, que lidera o mercado cervejeiro da Turquia, onde controla uma empresa que engarrafa produtos da Coca-Cola.  

Balcão da Fabiana: Balanço de um ano difícil e desejos de 2024 cervejeiro melhor

Balcão da Fabiana: Balanço de um ano difícil e desejos para um 2024 cervejeiro melhor

Chegamos ao final de mais um ano, que, acredito, não foi muito fácil para ninguém. Assim como vi lá atrás várias cervejarias nascerem, acompanhei, com tristeza, em 2023, algumas delas morrerem. Dizem que sonhos não envelhecem, mas o que não nos contam é que sonhos podem morrer tão logo sejam realizados.

Acredito que muitas cervejarias receberam neste ano a conta de 2020, em plena pandemia, quando empréstimos, demissões de funcionários, recesso das fábricas por tempo indeterminado foram as soluções possíveis. Maktub, era pra ser. Mas que é duro ser obrigado a desistir daquilo que foi um dia o sonho mais caro, ah, isso é!

Para as cervejarias que conseguiram atravessar todas as turbulências e superaram suas dificuldades neste ano que passou, dou meus parabéns. Talvez um maior profissionalismo na gestão de seus negócios, ou maior capacidade de produção em grande escala, ou a possibilidade de ceder sua capacidade produtiva para terceiros, entre outros fatores, tenham sido o segredo para mantê-las no mercado e, assim, manter vivos seus sonhos.

Para outras que ficaram, ainda que passando por muitas dificuldades, desejo que consigam superar as adversidades e saibam se reinventar nestes novos tempos que apresentam mudanças significativas nos hábitos de consumo do brasileiro, paradoxalmente interessado em outras bebidas – as muito alcoólicas ou as não alcoólicas.

E para o segmento cervejeiro como um todo, o que abrange não só cervejarias, mas toda a cadeia profissional em torno delas, desejo que as questões de gênero, etnia, classe social não sejam novamente jogadas para debaixo do tapete, como se não existissem. Desejo que as mulheres, gays e trans, gente preta, gente pobre tenham mais acesso não somente ao produto cerveja, mas a um mercado de trabalho em que possam existir e atuar sem medo de violência, de discriminação, de retaliações.

Podem dizer que sou sonhadora, mas eu sei que não sou a única… Quem sabe 2024 não traga boas surpresas e não seja mais necessário que ninguém mate seus sonhos, que nenhuma empresa precise fechar as portas, que a cerveja não caia em desuso e que o mercado cervejeiro, finalmente, seja equânime?


Fabiana Arreguy é jornalista e beer sommelière formada em 2010, pela primeira turma da Doemens no Brasil, através do Senac SP. Produz e apresenta, desde 2009, a coluna de rádio Pão e Cerveja, sendo editora de site com o mesmo nome e autora de livros. É curadora de conteúdo, consultora de cervejas especiais, proprietária da loja De Birra Armazém Cervejeiro, além de professora do Science of Beer Institute e do Senac MG, assim como juíza dos principais concursos cervejeiros brasileiros e internacionais.