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Lata da West Coast IPA da Complô é eleita a mais bonita do Brasil

A lata de cerveja mais bonita do Brasil pertence à Complô, uma marca da cidade paulista de Jambeiro. Ela foi a grande vencedora da edição de 2023 do prêmio Lata Mais Bonita do Brasil, com a embalagem da sua West Coast IPA recebendo o reconhecimento da Associação Brasileira dos Fabricantes de Latas de Alumínio (Abralatas).

“São Paulo sempre teve presença marcante no prêmio. É o estado com o maior número de cervejarias do Brasil e que cumpre papel essencial em inovação na cerveja. O reflexo disso são latinhas cada vez mais criativas e competitivas, com lindos rótulos que atraem a atenção do consumidor. Estamos muito felizes em premiar a West Coast IPA Complô, que inovou com um lindo design”, afirma Cátilo Cândido, presidente executivo da Abralatas.

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O processo de disputa envolveu uma pré-seleção das dez finalistas por um júri técnico. Posteriormente, ocorreu uma votação popular no site do prêmio, seguida por uma votação final dos jurados, com base na análise das amostras físicas, para eleger a West Coast IPA da Complô como a lata mais bonita do Brasil.

A cerimônia de premiação ocorreu nesta sexta-feira, em São Paulo, também tendo agraciado a segunda e a terceira colocadas da disputa. A segunda posição ficou com a Furst Pilsen Lite, da Furst, de Formiga (MG), com o terceiro lugar indo para a Hockney´s Dreamscape, da cervejaria Hocus Pocus, do Rio de Janeiro.

“Minas Gerais e Rio de Janeiro também vieram com uma força muito grande nesta edição do concurso. São estados muito importantes para o mercado cervejeiro, que crescem a cada ano. A Furst Pilsen Lite e a Hockney´s Dreamscape mereceram o pódio com latas de grande apelo visual e criatividade”, completa o executivo da Abralatas.

Embora o pódio do Lata Mais Bonita do Brasil só tenha sido composto por marcas do Sudeste em 2023, houve grande diversidade na lista de participantes. A competição contou com a inscrição de 237 rótulos de 85 cervejarias representantes de 13 estados, sendo São Paulo o principal destaque, com 80 participantes.

O objetivo da competição, promovida pela Abralatas, é reconhecer o talento e a criatividade expressos nas latas de cerveja. Os vencedores recebem o direito a utilizar o selo “Lata Mais Bonita do Brasil” e uma visita guiada a uma fábrica de latas de alumínio.

Esta foi a terceira edição da premiação, tendo uma novidade significativa: cervejarias de todos os portes, desde as microcervejarias até as maiores do país, competiram na mesma categoria.

Em 2022, ainda com as cervejarias divididas por volume de produção, as vencedoras foram a Masterpiece (na categoria de microcervejarias, com “Às Mulheres”), a Wienbier (na categoria de médias cervejarias, com a “59 Session IPA”) e a Colorado (na categoria de grandes cervejarias, com a “Indica”).

Já no primeiro ano do Lata Mais Bonita do Brasil, em 2021, as latinhas vencedoras foram da Rambeer (na categoria de micro e pequenas cervejarias), da Salva Craft Beer (na categoria de médias cervejarias) e da Colorado (na categoria de grandes cervejarias).

Artesanais ainda têm lenta reação pós-pandemia, avaliam cervejarias

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O impacto provocado pela eclosão da pandemia do coronavírus sobre as cervejarias artesanais passou, mas o segmento ainda enfrenta desafios significativos para alcançar uma plena recuperação, estando, atualmente, em um ritmo lento de crescimento, o que dificulta a expansão do mercado consumidor.

Diferentes cervejarias procuradas pela reportagem do Guia compartilharam essa visão, o que provoca um cenário desafiador para o setor. “O mercado continua em crescimento, porém com uma margem negativa com a taxa de crescimento escolhendo”, afirma Gabriel Thuler Costa, CEO da Alpendorf, de Nova Friburgo (RJ) e presidente da Rota Cervejeira RJ.

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William Pacheco, um dos sócios da Mad Brew, marca de Teresópolis (RJ), observa que, mesmo passados quase três anos do início da pandemia, o setor de cervejas artesanais não conseguiu recuperar o ritmo de vendas que vinha registrando até março de 2020.

“Consideramos que ainda é um momento de retomada. Muitas empresas foram fechadas, empregos perdidos. Ainda existe algum sentimento de insegurança que permeia nossas vidas, portanto ainda lutamos para alcançar os níveis de consumo pré-pandemia”, comenta.

Para quem empreende no setor, também há uma sensação de que a disputa por espaço no mercado está acirrada, algo, em parte, provocado pela abertura de novas cervejarias, mesmo em um cenário em que o conjunto das artesanais tem crescimento modesto das vendas.

“Há inúmeros players (cervejarias) novos entrando no mercado, que já é altamente competitivo. Parece haver mais oferta do que demanda no mercado nichado das cervejas artesanais atualmente”, comenta Eduardo Vosgerau, sócio e mestre-cervejeiro da ØL Beer, de São José dos Pinhais (PR).

Nessa disputa por espaço, Vosgerau enxerga barreiras provocadas pela escassez de informação e conhecimento sobre as cervejas artesanais. “A variedade de estilos de cervejas é enorme, o que acreditamos ser um obstáculo para crescimento maior do mercado e um desafio para nós, cervejarias, que precisamos encontrar saídas para mitigar isso”, argumenta.

Fatores macroeconômicos também desafiam o setor
Para as cervejarias, fatores macroeconômicos alheios à atividade também têm desafiado a operação, motivando mudanças de comportamento do consumidor. Uma delas é a percepção de que cervejas com preços mais competitivos vêm se destacando em relação a cervejas de maior valor agregado no momento de compra.

Além disso, a elevada carga tributária sobre a cerveja também é citada como um obstáculo que mantém as marcas artesanais mais distantes do consumidor devido aos preços mais altos. “O atual cenário tributário, com altíssima carga tributária, também é algo que atrapalha o crescimento real e substancial do mercado, que acaba tendo valores dos produtos na ponta muito mais caros,  limitando o volume de vendas”, comenta o sócio da ØL Beer.

Ainda assim, as cervejarias acreditam que os maiores desafios ficaram para trás, o que pode permitir o início de uma nova fase de crescimento contínuo. “Aos poucos a confiança vem sendo retomada, o que gera maior demanda e possibilita maiores investimentos na área”, conclui o sócio da Mad Brew.

Menu Degustação: Visita à fábrica da Heineken, Pulsa Brooklin, Juntas Festival…

O final de ano tem agitado a agenda de eventos no setor, oferecendo opções para interação entre o público e as cervejarias. Uma delas é o Inside The Star, experiência cervejeira realizada pelo Grupo Heineken, com visita à fábrica localizada em Jacareí (SP), que inclui uma harmonização com pratos típicos do Natal nas visitas entre os dias 20 e 29 de dezembro.

Em São Paulo, o Soul Botequim recebe a quinta edição do Pulsa Brooklin neste domingo. A fim de promover a união do comércio de rua do bairro, o evento reúne show, DJ, exposições, flash tattoo, gastronomia, vendas de produtos e cervejas. No mesmo dia, a Black Princess será a cerveja oficial do Juntas Festival. Com line-up 100% feminino, a segunda edição do evento acontece no Parque Villa-Lobos, também na capital paulista.

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Confira essas e outras ações das cervejarias no Menu Degustação do Guia:

Pulsa Brooklin
Ação cultural voltada ao estímulo e celebração dos negócios locais, o Pulsa Brooklin chega à sua quinta edição, contando com a participação de diversos pequenos comerciantes da região do bairro paulistano. O evento está marcado para ocorrer no domingo (10), das 12h às 22h, no Soul Botequim. A programação inclui música ao vivo, exposições e venda de produtos. Dentre as opções etílico-gastronômicas, destaca-se uma seleção de cervejas artesanais nacionais, o carro-chefe do Soul Botequim, além de um cardápio repleto de petiscos, cortes na parrilla e sanduíches. A entrada é gratuita.

Bora Zé
A Ambev anunciou que o Bora Zé, programa de inclusão produtiva em parceria com o Zé Delivery, está agora presente em todo o Brasil, oferecendo duas mil bolsas de estudo para supletivo do ensino fundamental e médio, cursos de curta duração, conexão para geração de renda e formação para processos seletivos em varejo e logística destinados a pessoas entregadoras e suas famílias. Com a expansão da iniciativa, a Ambev visa impactar a vida de 120 mil pessoas por mês. Os interessados têm até o dia 19 de dezembro para se inscreverem por meio do site.

Aceleração focada na comunidade negra
Após cinco meses de imersão em um ambiente de aprendizado focado na comunidade negra, a segunda edição do programa Dàgbá – Líderes do Futuro, da Ambev, chegou ao fim. A iniciativa, que contou com a participação de 90 pessoas, um aumento de 25% em relação à primeira turma, adotou uma abordagem interdisciplinar com três áreas de atuação: antropologia, design e desenvolvimento comportamental de habilidades interpessoais, proporcionando maior senso de pertencimento aos participantes.

Reconhecimento à Bud
A SoluCX, líder em pesquisa de satisfação e NPS no Brasil, reconheceu as empresas que proporcionam a melhor experiência aos seus clientes em sete setores do mercado. Por meio de um painel com milhares de consumidores, as marcas foram avaliadas, com 350 sendo certificadas. A Budweiser foi a vencedora do melhor NPS do Brasil na categoria cerveja, e as marcas certificadas com o selo Experience Certified também incluem: Amstel, Bohemia, Brahma, Cabaré, Corona, Eisenbahn, Heineken, Original, Petra, Skol, Spaten e Stella Artois.

IA para melhorar a experiência
O Bev Hack Lab, laboratório de inovação da Ambev, em parceria com a Omni Labs, desenvolveu a BELA, a Beverages Enhanced Learning Algorithm, uma plataforma avançada de inteligência artificial que promete redefinir a experiência do consumidor em cervejas, coquetéis prontos, bebidas não alcoólicas e vinhos. A plataforma vai além da função de um sommelier digital, buscando não apenas aprimorar, mas revolucionar a experiência com bebidas, educando, engajando e personalizando a jornada do consumidor, oferecendo recomendações de harmonizações com alimentos, orientando escolhas com base em calorias, ocasiões e preferências individuais.

Livro “Dois Por Um”
A Livraria da Vila iniciou as vendas da edição 2024 do guia “Dois Por Um – São Paulo a dois”. Voltado para amantes da cultura e gastronomia, o minilivro possui um design criativo, incluindo um mapa da cidade e ilustrações. Criado por Rita e Christoph Grimm, sócios da editora Swissmade, o livro oferece 111 opções de restaurantes selecionados e experiências para casais aproveitarem em São Paulo, com descontos no formato “leve dois e pague um”. A venda está disponível no site da livraria ou em suas lojas físicas.

Visita à fábrica da Heineken
Com a proximidade das festas de final de ano, o Inside The Star, experiência cervejeira do Grupo Heineken que oferece uma visita à fábrica localizada em Jacareí, próximo à capital paulista, terá uma harmonização guiada de cerveja e comidinhas natalinas, como aperitivos e o tradicional panettone entre os dias 20 e 29 de dezembro. A degustação é a última parada do tour interativo com duração aproximada de 2 horas, que proporciona uma experiência multissensorial cheia de curiosidades sobre o universo cervejeiro e inclui uma caminhada pelo processo produtivo da Heineken. O tour, aberto ao público maior de 18 anos, ocorre de terça-feira a sábado. A entrada para a visita à fábrica da Heineken custa R$ 35,00 (inteira) e R$ 17,50 (meia entrada – disponível para estudantes e pessoas acima de 60 anos).

Resultados do Volte Sempre
Neste ano, o Programa Volte Sempre, lançado pelo Grupo Heineken em 2018 para ampliar a circularidade das embalagens de vidro, expandiu-se para bares e restaurantes, registrando a coleta de mais de 785 mil embalagens, aproximadamente 377 toneladas do material, e contando com mais de 9 mil clientes ativos no projeto, resultando em uma economia de 269 m³ em aterros sanitários. Atualmente, o programa está presente em Campinas (SP), Juiz de Fora (MG), Belo Horizonte, São Paulo, Recife, Maringá (PR), Florianópolis, Rio de Janeiro, Brasília, Goiânia, Salvador e Aracaju.

Black Princess no Juntas
Para celebrar o empoderamento e a representatividade feminina, a Black Princess, cerveja do Grupo Petrópolis, será a patrocinadora oficial da segunda edição do Juntas Festival, que ocorrerá no próximo domingo, (10), no Parque Villa-Lobos. Este ano, a marca dará um toque ainda mais especial ao festival, que contará com grandes nomes da música brasileira e terá como principal pilar a discussão sobre o papel da mulher na sociedade, com a participação confirmada de Vanessa da Mata e Liniker.

Novo empreendimento da Doutor Duranz
O The Pub, terceiro empreendimento da Cervejaria Doutor Duranz, tornou-se um dos locais mais visitados em Petrópolis (RJ). O espaço oferece uma experiência inglesa com um toque brasileiro. Localizado no circuito da Vila Cervejeira de Petrópolis (Avenida 7 de Abril, 366, centro), próximo ao Palácio de Cristal, o The Pub faz parte de um espaço que concentra várias opções gastronômicas cervejeiras.

Amstel renova com o Coala Festival
A Amstel renovou sua parceria com o Coala Festival por mais três anos, consolidando-se como cerveja oficial e assumindo o papel de apresentadora do evento. A próxima edição do festival está agendada para ocorrer nos dias 6, 7 e 8 de setembro de 2024, no Memorial da América Latina, em São Paulo. “A consistência e relevância desta parceria reflete no incrível crescimento do Coala Festival nos últimos anos”, afirma Thiago Custódio, sócio-fundador do festival.

Premiação do Lata Mais Bonita
Nesta sexta-feira, o concurso “Lata Mais Bonita do Brasil” anunciará os grandes vencedores da edição 2023. A celebração deste ano será realizada no Instituto da Cerveja, em São Paulo, juntamente com a premiação da Copa da Cerveja Brasil. Na ocasião, serão apresentadas as latas mais votadas da avaliação, que contou com júri popular e júri técnico. Serão conhecidos os três mais votados do concurso realizado pela Associação Brasileira dos Fabricantes de Latas de Alumínio (Abralatas).

Entrevista: Veja potenciais e desafios para exportação da cerveja brasileira

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As cervejas brasileiras têm potencial para despertar olhares além das fronteiras, explorando novos horizontes para se consolidar no mercado internacional por meio da exportação. Essa foi a visão apresentada por Ulisses Medeiros Junior, analista de negócios internacionais da Apex-Brasil, a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos, vinculada ao governo federal e responsável por internacionalizar empresas nacionais.

Em entrevista ao Guia, ele abordou temáticas que permeiam a exportação de cervejas brasileiras, apontando vantagens competitivas, como o potencial das inovadoras combinações de sabores regionais, assim como os obstáculos enfrentados pela indústria, como os desafios de logística.

Na caminhada das cervejas brasileiras para o sucesso no cenário global, Medeiros destaca como detalhes envolvendo volume de produção a ser exportado até a identificação de compradores são importantes decisões estratégicas para a atuação das marcas fora do país.

Medeiros também abordou como a Apex-Brasil trabalha junto às empresas, com preparação e orientação para que elas possam levar suas criações além das fronteiras, oferecendo soluções específicas para cervejarias de todos os portes.

Neste ano, de janeiro a novembro, o Brasil já obteve US$ 135,975 milhões com a exportação de cerveja, tendo os sul-americanos Paraguai (US$ 82,1 milhões), Bolívia (US$ 21,6 milhões) e Chile (US$ 14,6 milhões) como os principais destinos. O valor, inclusive, já supera os US$ 120 milhões dos 12 meses de 2022.

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Confira a entrevista do Guia com Ulisses Medeiros Junior, analista de negócios internacionais da Apex-Brasil sobre o potencial para exportação das cervejas brasileiras:

Quais diferenciais as cervejas brasileiras podem explorar para conquistar mais espaço no mercado internacional, ampliando sua exportação?
O Brasil pode se destacar no mercado internacional devido à nossa rica biodiversidade e às características únicas que podemos incorporar às cervejas, algo que diferencia nossos produtos. Durante recente rodada de negócios no Rio, notamos que os compradores internacionais apreciaram a diversidade da cerveja brasileira e o potencial para criar variedades únicas. A cerveja com sabores de frutas exclusivas da região despertou o interesse dos compradores, que ficaram encantados com essas opções. Lembro, por exemplo, de tomar café da manhã com um comprador internacional que não conhecia o caju. E nós produzimos cervejas com caju.

O feedback que recebemos foi sobre a capacidade de produzir cervejas diferentes, explorando a diversidade de sabores e introduzindo novas versões e estilos. Eles expressaram admiração pela qualidade das cervejas brasileiras, incluindo as tradicionais, como IPAs, Pilsen, APAs, entre outras. Os quatro compradores internacionais que participaram da ação no Rio ficaram impressionados com o alto padrão das cervejas das empresas envolvidas. Estamos seguindo por esse caminho, explorando as oportunidades que surgem e consolidando a reputação das cervejas brasileiras no cenário internacional.

Em sua visão, quais são as vantagens competitivas para uma cervejaria que decide exportar?
Um dos motivos pelos quais uma empresa, independentemente do setor em que atua, pode decidir exportar é a concorrência. Se perceber que a concorrência local está intensa demais, a empresa pode optar por explorar novos mercados. Esse pode ser um fator determinante na decisão de exportar. No setor de cervejarias, observamos que algumas empresas enfrentam uma concorrência acirrada no mercado local, especialmente em termos de preço, com muitas empresas competindo nesse aspecto. Diante desse cenário, algumas empresas consideram a exportação como uma alternativa estratégica. E exportar pode proporcionar benefícios, como ganhos em moeda estrangeira, a possibilidade de reduzir alguns impostos e a oportunidade de explorar outros mercados.

Muitos empresários estão analisando a exportação como uma resposta à competição intensa no mercado doméstico, direcionando seus esforços para mercados externos. É nesse contexto que a Apex atua, preparando as empresas para o processo de exportação e promovendo oportunidades de negócios, como ocorreu no caso do Exporta Mais Brasil no Rio de Janeiro.

Para a Apex, qual é o principal desafio para quem deseja exportar cerveja?
A logística é um desafio generalizado, não apenas no segmento de cervejas. Por exemplo, ao embalar caixas de cerveja engarrafada, isso pode resultar em um contêiner excessivamente pesado, elevando o custo de transporte devido ao peso adicional do vidro. Portanto, a logística é uma preocupação constante. A embalagem, associada à logística e ao frete, também se torna um desafio. Observamos muitas cervejarias optando por embalagens de lata. Isso não apenas reduz o peso, mas também prolonga a vida útil do produto, proporcionando uma validade mais longa. Mas colocar cervejas em lata ainda é um desafio para o setor, com algumas cervejarias mostrando resistência a essa mudança, citando preocupações com a qualidade, entre outros aspectos.

Quais outros desafios vocês enxergam para quem deseja exportar cerveja e como lidar com eles?
A questão da rotulagem em geral é um aspecto em que nosso trabalho pode ser útil, pois conseguimos auxiliar nas pesquisas sobre como aprimorar a rotulagem de uma empresa. A identificação de compradores é um gargalo não apenas para o setor de cervejas, mas também para diversos segmentos. Sabemos que países da América do Sul, como Argentina, Uruguai, Paraguai, Bolívia e até a Venezuela, têm comprado produtos do Brasil. A Colômbia também tem adquirido algumas cervejas brasileiras. Embora as grandes cervejarias, como a Ambev, e os grandes distribuidores ainda se destaquem nas vendas internacionais, onde há fumaça, há fogo. Estamos percebendo um aumento nas compras da América do Sul provenientes, o que pode indicar uma oportunidade para cervejarias menores.

Para cervejarias menores, há desafios relacionados ao volume de produção. O volume é uma faca de dois gumes, já que na exportação, frequentemente, fala-se em grandes volumes. Algumas cervejarias enfrentam dificuldades em atender a essas demandas volumosas. Além disso, os compradores variam em suas preferências: alguns buscam grandes volumes, enquanto outros procuram uma variedade de rótulos. Por exemplo, um supermercado pode querer diversificar a gôndola com diferentes rótulos de cerveja, em vez de adquirir grandes quantidades de um único rótulo.

A questão do volume menor também se torna um desafio, pois pode haver falta de demanda para grandes volumes ou volumes ideais de um mesmo rótulo de uma única cervejaria. Um desafio adicional é a possibilidade de empresas se unirem para realizar vendas e exportações em conjunto, compartilhando espaço em contêineres, por exemplo. Embora essa prática seja observada, ela envolve custos e as empresas, que, de certa forma, são concorrentes, precisam negociar juntas, o que pode ser um desafio.

Ainda existem muitas cervejarias que veem a exportação como algo distante de suas realidades?
Há muitas empresas que têm receio do mercado externo. Algumas ainda acreditam que exportar é impossível, muito difícil e assim por diante. No entanto, nós discordamos dessa visão. Este é o nosso papel no poder de sensibilização, pois trabalhamos com exportação em diversos setores brasileiros, e na cerveja, não é diferente. Nosso objetivo é mostrar às empresas que exportar é viável, possível e vantajoso, desde que seja feito de maneira correta, adequada e planejada. Seguimos nesse caminho de orientar as empresas e mostrar os caminhos para a exportação de produtos.

Em situações comuns, quando um empresário pensa em exportar, é comum que olhe para pessoas conhecidas que residem em outros países, como amigos, primos ou irmãos. O primeiro caminho natural que eles consideram é entrar em contato com essas pessoas no exterior. Posteriormente, consideram países mais próximos, com requisitos menos rigorosos, uma realidade mais próxima da nossa. Alguns estados, especialmente os do Sul, aproveitam essa proximidade e vendem para países como Argentina, Uruguai e Paraguai, por meio de vias terrestres na fronteira.

Entendemos que nem todos os empresários visualizam o potencial da exportação das cervejas brasileiras. Muitos têm receio porque isso implica em adaptações em diferentes áreas da empresa, como contabilidade, registros legais na Receita Federal, rótulos, produtos, entre outros, e nem todos estão dispostos a fazer essas mudanças. No entanto, há empresas que se destacam e já exploram o mercado externo, especialmente aquelas que não veem mais oportunidades significativas em seus estados ou regiões de atuação e buscam novos horizontes no exterior.

Como a Apex ajuda as cervejarias brasileiras interessadas em exportar?
Nós possuímos um programa de qualificação para exportação, sendo nossa principal iniciativa para preparar empresas visando o mercado externo. Quando abordamos uma cervejaria interessada em exportar, estamos nos referindo a alguém que já possui atuação no estado, talvez já esteja vendendo para outros estados e que vem considerando a possibilidade de exportação para outros países, mas nem sempre tem ideia de como realizar esse processo.

O processo de qualificação começa desde o básico, ensinando a empresa a classificar seu produto, orientando sobre os registros necessários na Receita Federal para possibilitar a exportação. Abordamos desde pontos iniciais até questões mais complexas e rigorosas relacionadas à exportação. Discutimos temas como formação de preço, tratamento tributário, logística, frete, seguro, financiamento. Tratamos também de questões como isenção tributária, embalagem, rótulo, requisitos sanitários no país de destino, legislação, entre outros.

Esse é um trabalho abrangente que visa preparar uma empresa que não possui conhecimento sobre exportação. O processo dura aproximadamente quatro meses e é conduzido de maneira individualizada. Cada empresa recebe um roteiro, uma velocidade e um aprofundamento específico, levando em consideração o perfil da empresa. Ao final do processo, a empresa desenvolve um plano de exportação para o seu produto, no caso da cerveja, destinado a um mercado específico.

Se uma cervejaria deseja exportar, o estudo e a estratégia serão diferentes, seja para uma cerveja do tipo Pilsen para o Paraguai, ou para um formato cigano direcionado aos Estados Unidos. Para cada empresa, trabalhamos junto com o empresário para definir a estratégia, compreender a visão e auxiliar no desenvolvimento de um plano e uma rota para a exportação. Vale destacar que conseguimos oferecer esse serviço gratuitamente em qualquer local do Brasil em que a empresa esteja situada.

5 avaliações sobre a pesquisa Participação de Pessoas Negras na Indústria

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5 avaliações sobre a pesquisa Participação de Pessoas Negras na Indústria Cervejeira

A pesquisa “Participação de Pessoas Negras na Indústria Cervejeira“, acessível pelo link, revela um panorama preocupante, mas não surpreendente. Essa foi a avaliação predominante entre os profissionais do setor consultados pela reportagem do Guia, indicando que o levantamento destaca um cenário caracterizado pela falta de diversidade.

Especialistas apontam que os resultados refletem a realidade da sociedade brasileira e alertam para o desconhecimento sobre os impactos positivos das políticas de inclusão, equidade e representatividade na comunidade cervejeira.

Para esses profissionais, a ampliação do espectro étnico na indústria cervejeira é uma necessidade urgente. E ignorar esse compromisso pode resultar não apenas em repercussões negativas, mas também afetar a própria existência dos negócios cervejeiros, independentemente de seu porte.

A falta de consciência histórico-social é identificada como um dos principais desafios para que isso se torne realidade, com os dados da pesquisa alertando para a urgente necessidade de reparação para a população negra, além da conscientização, especialmente em um cenário de pequena presença de lideranças negras nas cervejarias e de uma parcela considerável que não reconhece a relevância da inclusão.

Confira as avaliações sobre os resultados da pesquisa Participação de Pessoas Negras na Indústria Cervejeira:

Cilene Saorin (sommelière, mestre-cervejeira e diretora da Doemens Akademie no Brasil)
Em geral, os resultados da pesquisa infelizmente não surpreendem, pois são simples reflexo do que normalmente se pode constatar nos mais variados ambientes cervejeiros. Das cervejarias aos congressos, dos bares aos festivais: um estreitíssimo espectro étnico (com cores, em escala EBC, tendendo a zero).

É um cenário triste de racismo estrutural e elevadíssimo desconhecimento sobre os impactos positivos que políticas de inclusão, equidade e representatividade trazem à sociedade e aos negócios.

A agenda ESG – modelo de gestão corporativa voltada à sustentabilidade ambiental, social e financeira – é marcadamente uma tendência global. A ampliação do espectro étnico da comunidade cervejeira é parte intrínseca desta agenda. E os negócios cervejeiros – de mega a nano porte – não podem meramente ignorar este compromisso. Isso possivelmente ditará a existência.

Eduardo Marcusso (consultor do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento)
É um retrato fiel da sociedade brasileira, com discrepância na presença de pessoas negras em cargos de liderança e como funcionários. Essa dificuldade em perceber a necessidade de mudar esse cenário, como reparação histórica, é um dos principais desafios. A pesquisa mostra essa falta de consciência histórico-social que o Brasil vive. Os dados são importantes para avançarmos nas discussões e cada vez mais as pessoas perceberem que é urgente e necessário existir uma reparação histórica para a população negra.

Este é um debate que está ocorrendo em todo o mundo. A pesquisa coloca a discussão no trilho de fazer a reparação. Quantas histórias brilhantes não estão escondidas na discriminação e na falta de oportunidades para a população negra?

Eduardo Marcusso, consultor do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento

Fabiana Arreguy (jornalista e sommelière de cervejas)
Os resultados não surpreendem. Refletem a nossa sociedade como um todo. Escancaram o racismo do qual uma enorme parcela da população é vítima. O segmento cervejeiro não se difere de outros setores produtivos que dão preferência a profissionais brancos em detrimento de pretos, independentemente da maior capacitação que esses possam apresentar. Existe um longo caminho a percorrer até haver uma real mudança de mentalidade em nosso setor, que, mais uma vez, se revela preconceituoso. Eu, sinceramente, não sou muito otimista em acreditar que essa mudança de mentalidade esteja próxima.

Paulão Silva (membro da Afrocerva e criador do projeto Black Fucking Beer)
Como em vários meios da sociedade, o setor cervejeiro acaba sendo um microcosmo da população brasileira, então reflete muito o que é a nossa sociedade mesmo. Acaba tendo pouca representatividade, como a gente tem em outros setores da nossa sociedade.

Talvez o racismo fique mais evidente no setor cervejeiro do que em outros por ser um meio mais branco do que outros, por questões socioeconômicas e de acesso, pois é preciso um investimento grande para entrar e ter uma cervejaria. No Brasil, esses meios econômicos não estão nas mãos de negros e historicamente o setor de indústrias está nas mãos dos brancos.

Pretas Cervejeiras
Os resultados revelados pela pesquisa trazem à tona uma realidade preocupante, há muito tempo denunciada por diversos membros da comunidade negra cervejeira, indicando uma série de desafios significativos relacionados à diversidade e inclusão no setor cervejeiro.

A sub-representação de profissionais negros nas cervejarias em um país como o Brasil sugere a existência de barreiras na contratação, retenção ou promoção de talentos negros no setor. Isso não apenas limita as oportunidades para indivíduos, mas também contribui para a escassez de diversidade de experiências e perspectivas em todo o ecossistema cervejeiro.

A ausência de lideranças negras destaca uma disparidade significativa nos escalões mais altos das organizações cervejeiras. A conjunção desses dois dados evidencia um comprometimento insuficiente das empresas do setor com a promoção de mudanças sociais significativas.

Chama atenção, igualmente, o fato de que uma parcela considerável (23%) declare “não acreditar que a inclusão de mais pessoas negras seja relevante para o setor”. Além de ignorar o papel social inerente a toda empresa, a falta de reconhecimento da importância da inclusão aponta para a necessidade de conscientização e educação sobre os benefícios da diversidade, como a ampliação de perspectivas e a capacidade de atender a mercados mais amplos e diversos.

Para nós, uma reflexão é fundamental: Agora que dispomos desses dados, faremos algo a respeito para mudar ou o setor seguirá ignorando o fato que 56% da população brasileira é composta por pessoas negras?

Pretas Cervejeiras

Juan Caloto ganha prêmio de melhor IPA do Brasil feita com lúpulos dos EUA

A cervejaria Juan Caloto conquistou o prêmio de melhor Imperial IPA do mercado brasileiro. A honraria foi alcançada na edição de 2023 do HGA Best Brazilian Craft Beer, uma competição que elege a melhor cerveja artesanal do país feita com lúpulos dos Estados Unidos.

Organizado pela USA Hops, uma instituição que promove a indústria de lúpulo norte-americano globalmente, o evento premiou a Juan Caloto não apenas com o troféu, mas também com US$ 1.000 em lúpulos e o selo exclusivo da disputa, que pode ser utilizado para distinguir as garrafas da cerveja vencedora, a La Célebre Disputa de Snake Falls.

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Para a competição, dez cervejarias brasileiras foram escolhidas para receber 40 quilos dos lúpulos Idaho Gem, Cashmere, Triumph e Vista. Foram elas: BR Brew, Dádiva, Demonho, Japas, Juan Caloto, Masterpiece, Suricato, Tank, Viela e ZEV.

Um painel composto pelos especialistas Mari Maranho, Edu Passareli, Rene Aduan Junior, Billy Lewis, Guilherme Mixtro, Marcelo Crosta, Juliana Behr, Alexandre Esber, Beatriz Cury e Francis Mainardi avaliou às cegas as cervejas produzidas com essas variedades de lúpulo.

Entre as dez participantes, a Juan Caloto sagrou-se campeã, seguida pela Dádiva, com a Nostalgia, em segundo lugar, e a Demonho, com a Sexta-Feira 13, conquistando o terceiro posto.

Esta edição marca a terceira realização do HGA Best Brazilian Craft Beer, cada uma com vencedores distintos. Em 2021, a Salvador Brewing levou o prêmio, enquanto a Kaola San Brew triunfou no ano passado.

Durante a cerimônia de premiação, Megan Francic, diretora do Escritório Comercial de Agricultura, e Jon Austin, cônsul-geral adjunto do Consulado dos Estados Unidos em São Paulo, lançaram o “Bicentennial Beer Contest”, um concurso de cerveja promovido pela USA Hops em colaboração com o Departamento de Agricultura dos EUA, planejado para 2024 em celebração ao bicentenário das relações diplomáticas com o Brasil.

Para aqueles que desejam experimentar as concorrentes ao prêmio de melhor Imperial IPA do Brasil, há uma oportunidade. Os dez rótulos participantes estarão disponíveis para degustação aberta ao público, conduzida pela sommelière Júlia Reis, no Empório Alto de Pinheiros, nesta quinta-feira, às 19 horas.

As cervejas concorrentes foram: ZEV (USA Double IPA), Demonho (Sexta-Feira 13), BR Brew (Brasil Pandeiro), Masterpiece (Rafael Sanzio), Tank (Big Punch), Juan Caloto (La Célebre Disputa de Snake Falls), Viela (Double IPA), Suricato (Diga não ao Hype), Dádiva (Dádiva Nostalgia) e Japas (Jokenpô).

Venda de cerveja na Europa cresce, mas segue abaixo do nível pré-pandemia

A produção e a venda de cerveja na Europa estão em uma trajetória ascendente, embora ainda não tenham retornado aos níveis pré-pandêmicos. Conforme indicado no relatório “European Beer Trends” divulgado pela Brewers of Europe, o consumo de cerveja nos países da União Europeia atingiu 313 milhões de hectolitros em 2022.

Este número representa um aumento em relação aos 301 milhões de hectolitros de 2021 e aos 297 milhões de hectolitros de 2020, ano em que a venda de cerveja na UE sofreu uma significativa queda devido à pandemia, segundo a associação que representa as cervejarias da Europa. Entretanto, o volume de cerveja comercializada em 2022 ainda está aquém dos 322 milhões de hectolitros registrados em 2019, último ano pré-Covid-19.

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No que diz respeito à produção, a tendência é semelhante. Os países da União Europeia fabricaram 358 milhões de hectolitros de cerveja em 2022, em comparação com 344 milhões de hectolitros em 2021 e 342 milhões de hectolitros em 2020. Contudo, esse nível ainda permanece abaixo dos 364 milhões de hectolitros produzidos em 2019.

O levantamento da Brewers of Europe também destaca um aumento no número de cervejarias ativas na União Europeia, passando de 9.500 em 2021 para 9.680 em 2022. No entanto, esse crescimento é substancialmente menor do que o observado no final da década passada, quando a expansão anual chegava a quase mil cervejarias.

Para a Brewers of Europe, a pandemia do coronavírus já não é o principal desafio enfrentado pela indústria cervejeira local, hoje precisando lidar com questões como o impacto da guerra na Ucrânia, a crise do custo de vida e os aumentos nos preços das matérias-primas e da energia.

“Para os cervejeiros, isso se traduz em entraves nas importações de cereais e malte, bem como na embalagem – garrafas de vidro e latas de alumínio – e nos custos de energia oscilantes. Também não podemos ignorar a crise climática: à medida que as temperaturas se deslocam para extremos, isso afeta a agricultura, com colheitas ocorrendo mais cedo e, em alguns casos, incêndios e inundações as destruindo”, diz Simon Spillane, chefe de operações da Brewers of Europe.

Apesar desses desafios, a avaliação é de que o setor cervejeiro está trilhando o caminho da recuperação, impulsionado por uma maior variedade de opções, incluindo cervejas sem álcool, que já representam mais de 5% do mercado europeu.

Durante o lançamento do relatório, Ivan Štefanec, presidente do Clube da Cerveja do Parlamento Europeu, enfatizou o papel da cerveja na economia europeia: “A cerveja é responsável por 2,6 milhões de empregos diretos, mas com um efeito multiplicador de 16 – portanto, para cada emprego na cervejaria, são criados mais 16 empregos em indústrias conectadas, como agricultura e transporte.”

Alemanha e República Checa lideram
O relatório da Brewers of Europe também aponta os países que mais produzem e consomem cerveja. A Alemanha lidera ambas as listas, com consumo de 79 milhões de hectolitros, seguida por Reino Unido, com 45 milhões de hectolitros, e Espanha, com 42 milhões de hectolitros. Já a sua produção é de 87 milhões de hectolitros, mais do que o dobro da segunda colocada, a Espanha, com 41 milhões de hectolitros.

Em termos de consumo per capita, a liderança é da República Checa, com 136 litros por pessoa, seguida da Áustria, com 102 litros, da Polônia, com 93 litros, e da quarta colocada Alemanha, com 92 litros.

O Reino Unido se destaca como o maior importador de cerveja (8,867 milhões de hectolitros), enquanto a Bélgica lidera as exportações (16,391 milhões de hectolitros) e a França tem o maior número de cervejarias ativas (2.500).

A Brewers of Europe representa cervejarias dos 27 estados-membros da União Europeia, compilando também dados do Reino Unido, Suíça e Noruega. Se somados os resultados desses países, o consumo total de cerveja em 2022 atinge 366 milhões de hectolitros.

Ação da Ambev encerra período de quedas em mês histórico para a Bolsa

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A série de quatro meses de desvalorização da ação da Ambev no mercado financeiro brasileiro chegou ao fim. Em novembro, impulsionada pela apresentação do balanço do terceiro trimestre no final de outubro e por um mês de desempenho recorde do Ibovespa, a companhia cervejeira registrou uma alta de 6,7%, fechando o período com a ação cotada a R$ 13,69.

Apesar do ganho de R$ 0,83 em relação ao final de outubro, essa recuperação foi insuficiente para reverter o cenário negativo acumulado nos dez meses anteriores. Assim, a ação apresenta desvalorização de 5,7% em 2023, após encerrar 2022 com um preço de R$ 14,52.

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Entre o final de outubro e o início de novembro, a ação da Ambev experimentou seis pregões consecutivos de alta na B3, a bolsa brasileira, um resultado motivado pelos números do balanço do terceiro trimestre, divulgado em 31 de outubro, que apresentou um lucro líquido consolidado de R$ 4,015 bilhões, representando crescimento de 24,9% em relação ao mesmo período de 2022.

Esse desempenho foi crucial para a valorização da ação da Ambev em novembro, mês em que a agência de classificação de risco Moody’s manteve o rating Baa3, sua classificação mais baixa de grau de investimento, para a companhia cervejeira.

Adicionalmente, no final do mês, o jornal Valor Econômico informou que o governo federal desistiu de extinguir os Juros Sobre Capital Próprio (JCP), instrumento utilizado por empresas como a Ambev para remunerar seus acionistas e reduzir o valor dos impostos pagos, optando por limitá-lo a 50% do lucro. No dia seguinte à publicação, a ação da empresa teve sua maior alta diária em novembro, registrando um aumento de 2,93%.

Mesmo assim, a valorização da ação no 11º mês de 2023 ficou significativamente abaixo do histórico desempenho do Ibovespa. O principal índice de referência da bolsa brasileira encerrou o mês em 127.331 pontos, representando ganhos de 12,54%, a maior valorização desde novembro de 2020. E a alta no ano está em 16,04%.

Segundo especialistas, esse resultado foi impulsionado pela perspectiva de que o ciclo de alta dos juros nos Estados Unidos tenha chegado ao fim, juntamente com sinalizações positivas sobre questões internas, indicando que a meta de déficit fiscal zero será mantida pelo governo federal no Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2024.

Dentre as 86 ações que compõem o Ibovespa, 79 apresentaram alta em novembro, destacando-se as valorizações de 51,88% da Magazine Luiza e de 50,46% da Marfrig. Por outro lado, entre as sete quedas, a maior foi da 3R Petroleum, com recuo de 7,58%.

No exterior
Fora do Brasil, novembro também foi um mês de alta para a ação da Ambev, com valorização de 8,3% em Nova York, atingindo US$ 2,74 e passando a também ter valorização em 2023, ainda que de apenas US$ 0,02.

O mesmo se deu com a ação da AB InBev na Europa, onde o papel fechou o mês de novembro com preço de 57,61 euros. A alta mensal foi de 7,4%, o que pesou para os agora ganhos de 2,38% neste ano.

No sentido oposto, a ação do Grupo Heineken teve queda de 0,99% em novembro, para 83,90 euros, e iniciou o mês de dezembro com desvalorização de 4,53% em 2023.

Produção de bebidas alcoólicas tem 4º mês de alta e acelera recuperação

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A produção de bebidas alcoólicas continua em recuperação e registrou crescimento pelo quarto mês consecutivo, conforme apontado pela Pesquisa Industrial Mensal (PIM) do IBGE. Em outubro, a atividade apresentou uma aceleração significativa, de 7,1%, em comparação ao mesmo período do ano anterior.

Apesar desta reação, a produção de bebidas alcoólicas permanece com um saldo negativo no acumulado de 2023, registrando queda de 0,3%. Essa tendência desfavorável também se estende aos últimos 12 meses, com uma diminuição de 0,1% no ritmo da atividade.

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O resultado de outubro, porém, foi considerado positivo, alinhando-se às expectativas da XP Investimentos e mantendo a trajetória de recuperação iniciada no terceiro trimestre. Esse cenário leva a equipe de analistas a prever resultados promissores, especialmente para a Ambev, foco específico de sua avaliação.

“Até o 2T23, os dados do setor representavam um risco de baixa para nossas estimativas da Ambev devido aos números fracos reportados. No entanto, no 3T23 a produção de bebidas alcoólicas se recuperou, e nossa regressão atualizada ficou mais alinhada com os 26.734 mil hl que estamos modelando para a unidade de negócios Cerveja Brasil da Ambev no 4T23 (estável em relação ao ano anterior)”, diz, também destacando as recentes ondas de calor como um possível impulsionador adicional para a companhia.

“Os dados de outubro estiveram estritamente em linha com as nossas estimativas, e a nossa regressão diminuiu apenas 0,3% para novembro e dezembro, indicando números positivos no futuro, enquanto as recentes ondas de calor poderão impulsionar adicionalmente os volumes, na nossa opinião”, acrescenta.

Também em outubro, a fabricação de bebidas não alcoólicas reverteu a tendência negativa observada em setembro, registrando um aumento significativo de 10,8% em relação ao mesmo mês de 2022. Esse desempenho positivo permitiu ao segmento reverter o saldo negativo dos últimos meses, alcançando um crescimento de 0,5% no acumulado do ano. Nos últimos 12 meses, há aceleração de 0,9%.

Em termos gerais, a fabricação de bebidas encerrou o mês de outubro com crescimento de 8,8% em relação ao mesmo período de 2022 e um aumento de 1,6% em comparação com setembro. Isso resultou em um indicador positivo de 0,1% para o desempenho no ano e de 0,4% nos últimos 12 meses.

Pouco dinamismo
No entanto, enquanto a produção de bebidas alcoólicas acelera, a atividade industrial do país continua a mostrar pouco dinamismo. De acordo com o IBGE, houve expansão apenas 0,1% ante setembro, seguindo o padrão observado nos últimos meses, apesar de um aumento de 1,2% em comparação com outubro de 2022. Essa estagnação é ainda mais evidente nos acumulados do ano e dos últimos 12 meses, ambos apresentando uma variação nula de 0,0%.

Além disso, há um padrão disseminado de taxas negativas entre as grandes categorias econômicas, com três dos quatro principais segmentos registrando queda na produção, como destaca o IBGE.

“Entre as atividades industriais, produtos alimentícios, com o avanço de 1,6%, exerce o principal impacto positivo e acumula saldo de 3,0% desde julho último. Por outro lado, os ramos de derivados do petróleo e biocombustíveis e indústrias extrativas exercem as principais influências negativas na média do setor industrial, com os dois setores voltando a recuar, após avançarem no mês anterior”, analisa o gerente da pesquisa, André Macedo.

Balcão da Nadhine: Vienna Lager, México e Hungria, qual a conexão?

Balcão da Nadhine: Vienna Lager, México e Hungria, qual a conexão?

Recentemente, fui convidada para julgar no Austrian Beer Challenge, um concurso super bem organizado, que transmitiu a dicotomia entre a tradicional escola alemã de cerveja e a tentativa das cervejarias modernas de mergulharem no universo dos beer geeks com os estilos mais em alta no Novo Mundo.

A experiência de beber uma Viena Lager perfeita in loco foi impressionante. Essa Lager lupulada, de cor âmbar, com um caráter maltado, mas suave e elegante, seca no final e fácil de beber litros, tem muitas semelhanças com a sua prima popular Märzen. Não à toa, foram lançadas no mesmo ano por dois amigos.

A criação do estilo de Viena é até hoje atribuída a Antal Dreher (1810-1863) herdeiro da família Dreher, dona da maior cervejaria do Império Austro-Húngaro.

Dreher aprendeu a ciência da fabricação de cerveja em Simmcring, perto de Viena.  Mais tarde, junto com seu amigo Gabriel Sedlmayr, criador da Märzen, que um dia assumiria a Cervejaria Spaten, de sua família, em Munique, estudou e trabalhou em cervejarias de Munique e Londres.

Reza a lenda que Antal usava uma bengala oca para tirar amostras de cervejarias e estudá-las depois. Após ganhar experiência no exterior, ele assumiu a cervejaria Klein-Schwechat, de seu pai, em 1836, renovando e expandindo a cervejaria. Foi o responsável pela introdução da tecnologia de baixa fermentação na cervejaria e criou o tipo de cerveja Vienna Lager, em parte com a ajuda de experiências que teve durante suas viagens, já que a novidade das duas novas Lagers baseava-se nos seus maltes, que eram secos à maneira britânica, com ar quente em vez de calor direto. Por esses feitos, era chamado de “The Beer King”.

Uma mini estátua do artista Mihály Kolodko representando Antal Dreher pode ser encontrada hoje dentro do enorme complexo da Dreher, em Budapeste, sendo a única entre as dezenas de mini estátuas do artista espalhadas pela cidade que fica dentro de uma área privada.

O Beer King comprou a cervejaria Kőbányai Serház Társaság, de Jakab Perlmutter, mestre-cervejeiro de Budapeste, em 1862, que enfrentava a concorrência checa, austríaca e bávara. Também comprou terrenos adicionais para expansão, mas o cervejeiro morreu inesperadamente um ano depois, com apenas 53 anos. Esperou que o filho concretizasse as suas ideias. Antal Dreher Filho tinha apenas 14 anos quando seu pai morreu, e assumiu a gestão das quatro cervejarias Dreher (Schwechat, Kőbánya, Triest e Michelob) apenas em 1870.

Como eu já contei na história da cerveja na Hungria, após a Segunda Guerra Mundial, em março de 1948, a propriedade da família na Hungria foi nacionalizada*. Mas a história da Viena Lager não parou por aí.

No final do século XIX, os europeus estavam em processo de imigração em massa para a América, atraídos pelas oportunidades oferecidas no Novo Mundo. Com o fim do Império Austro-Húngaro, várias pessoas migraram também dessa região.

Ainda houve, durante a intervenção francesa na região que hoje corresponde ao México, a instalação do arquiduque da Áustria, Ferdinand Maximilian Joseph Habsburg, como imperador, o que trouxe uma segunda leva de imigrantes austríacos para a América Central.

Apesar de alguns escritores discordarem sobre a produção de Viena Lager no México, é inegável a possibilidade de que alguns dos que deixaram a Áustria tenham sido cervejeiros que dominavam os processos desse estilo.

E apesar de ocuparem uma área que ainda era desprovida de uma cultura cervejeira da forma como era conhecida na Europa, muitos tentaram empregar suas tradições cervejeiras e recriar seus amados estilos de cerveja. Com a diferença de clima, em uma temperatura muito mais quente, não tiveram sucesso. A qualidade da cerveja Lager foi prejudicada até que a refrigeração se tornou mais difundida na década de 1880, um momento histórico, quando as primeiras cervejarias de produção em massa de cerveja de baixa fermentação começaram a surgir no México, assim como no Brasil.

Santiago Graf (1845-1904), um cervejeiro suíço imigrante, comprou a Compania Cervecera Toluca y México, originalmente uma pequena produtora de cerveza sencilla, uma forma de cerveja leve, do também suíço Ausgustin Marendazand, e começou a fabricar uma cerveja âmbar popular, que é frequentemente citada como a primeira cerveja de sucesso comercial na região. Com as dificuldades de usar as práticas de fabricação de cerveja Lager, ele decidiu criar cervejas com levedura de alta fermentação. Esse processo resultou nas primeiras cervejas de qualidade produzidas no sudoeste dos EUA.

Em algum momento, Graf investiu em uma máquina de gelo importada da Alemanha para conseguir criar as Lagers que queria, incluindo uma reinterpretação do estilo Vienna no Novo Mundo.

Com essa base de cultura cervejeira, o México se tornou conhecido por ser o responsável pela continuação do estilo. Mesmo que sejam produzidas, hoje, cervejas mais adaptadas ao mercado mexicano, tomar uma cerveja de caráter maltado, fresca, leve e fácil de beber ainda é parte do cotidiano no país.

Algumas das novas cervejarias artesanais que hoje se inspiram nas Lagers tradicionais, muitas vezes produzem inspiradas nas Vienna Lagers conhecidas de origem americana ou mexicana, como a Devil’s Backbone Vienna Lager, a Sierra Nevada Vienna e a Negra Modelo Lager.


*Em 1993, a Dreher tornou-se membro do grupo South African Breweries (SAB), e em 2017, tornou-se parte do grupo japonês Asahi. Atualmente, a Dreher não inclui a Vienna Lager em suas cervejas de linha.


Nadhine França foi a primeira mulher a ocupar a presidência executiva da Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva), também sendo responsável pela criação e coordenação do Núcleo de Diversidade. É analista de sistemas, cervejeira, beer sommelière, Cicerone Certified Beer Server, juíza internacional de cerveja, organizadora de eventos, concursos e congressos cervejeiros. Hoje mora em Budapeste.