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Bares devem ter alta de até 15% no faturamento em dias da onda de calor

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A onda de calor que tem marcado a rotina de grande parte dos brasileiros desde o início da semana promete trazer, pelo menos, uma boa notícia para os proprietários de bares e restaurantes. De acordo com a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), a previsão é que o faturamento desses estabelecimentos aumente em até 15% nos dias mais quentes.

A estimativa da Abrasel indica que o consumo de bebidas nos estabelecimentos durante a onda de calor deve experimentar um crescimento ainda mais expressivo, contribuindo para o aumento do faturamento.

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“Durante o calor, é natural que as pessoas busquem consumir bebidas mais refrescantes, como cervejas, drinques e sucos gelados. Com isso, a expectativa é de que a procura gere um crescimento de até 40% no faturamento com bebidas, contribuindo no resultado dos bares e restaurantes”, diz Paulo Solmucci, presidente-executivo da Abrasel.

Na última terça-feira, devido às elevadas temperaturas, o Instituto Nacional de Meteorologia classificou 15 estados e o Distrito Federal como em estado de perigo, com riscos para a saúde e a vida humana, devido à massa de ar quente que tem provocado temperaturas recordes. No Rio de Janeiro, na última quinta-feira, a temperatura chegou a 40,6º C, superando os 40,4º C do domingo anterior.

Os especialistas definem a onda de calor como períodos de mais de cinco dias em que as temperaturas ficam acima da média. Neste momento, essas condições climáticas estão se somando ao aquecimento global e ao El Niño, que tem elevado a temperatura das águas dos oceanos.

Diante desse cenário de calor intenso, parte da população tem buscado refúgio e refresco nos bares. “O fato das pessoas procurarem frescor nos bares e restaurantes é muito positivo para o setor, que segue tentando se recuperar em meio a um cenário de dificuldades, com quase dois terços dos estabelecimentos operando sem lucro”, comenta Solmucci.

Além disso, há a expectativa de que a produção de bebidas alcoólicas seja favorecida, mantendo a recuperação do setor, influenciada pelo calor. Apesar da retração de 1,2% acumulada no período de janeiro a setembro, conforme dados do IBGE, são três meses seguidos de alta na produção de bebidas alcoólicas.

Menu Degustação: Festival Carioca e do Festa da Firma, Manipueira do IFSP…

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Os festivais, que são uma marca característica do segmento cervejeiro, ocorrerão em diversas cidades nos próximos dias. No Rio de Janeiro, uma opção é o Festival Cervejeiro Carioca, enquanto os paulistanos podem aproveitar o primeiro festival do Festa da Firma. Em Belo Horizonte, a sétima edição do Botecar continua.

Para quem busca uma novidade, uma excelente opção está em Ribeirão Preto (SP). Na próxima quinta-feira, será lançada a Manipueira Selvagem IFSP, como parte do Projeto Manipueira, produzida no laboratório de cervejaria do Instituto Federal de São Paulo, campus de Sertãozinho.

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Confira essas e outras novidades do Menu Degustação do Guia:

Festival Cervejeiro Carioca
O Festival Cervejeiro Carioca brinda os cariocas com sua edição de verão no Parque das Figueiras, na Lagoa, neste sábado e domingo, das 12h às 22h. O evento gratuito apresenta mais de 40 rótulos de cervejas artesanais, incluindo marcas renomadas como Pakas, Indigo e Criatura, além da Fractal e outras. Além da variedade de cervejas, o público que for ao Festival Carioca poderá desfrutar das delícias do BBQ Beer Festival, com churrasco e hambúrgueres de alta qualidade. O Festival Carioca também destaca moda e design cariocas, com a participação da Feira O Fuxico, entre outras marcas. A diversão é garantida com DJs renomados, como DJ Saddam e DJ Daniel Faria, e apresentações ao vivo. Para as famílias, há um espaço kids com brinquedos e recreadores na estrutura do Festival Carioca.

Festival do Festa da Firma
O Festa da Firma, perfil de humor e memes do ambiente corporativo com 1 milhão de seguidores, vai realizar a primeira edição do BarFest em São Paulo. O festival, que acontece de segunda-feira (20) até 3 de dezembro, reúne 20 bares adorados pela comunidade corporativa, oferecendo combos promocionais para almoço e happy hour. Com o intuito de fortalecer os laços entre os profissionais, o evento proporciona uma oportunidade para celebrar o ano de trabalho, com descontos de 25% a 30% em pratos individuais durante o almoço. Além disso, o BarFest conta com parcerias de marcas relevantes como Ambev, Engov e Cinemark, proporcionando ativações personalizadas nos locais participantes.

Botecar em BH
A sétima edição do Botecar, festival gastronômico de botecos de Belo Horizonte, está movimentando 37 bares na capital mineira, distribuídos por todas as regionais da cidade. Até o dia 30 de novembro, os amantes da gastronomia poderão degustar pratos criativos inspirados na mineiridade, tema escolhido para este ano. O festival conta com uma variedade de opções para todos os gostos, mantendo preços acessíveis, entre R$ 30 e R$ 40. A escolha do melhor prato será decidida pelo público e por um júri especializado, cada um contribuindo com 50% dos votos. Todos os bares participantes e seus pratos podem ser conferidos no Instagram do Botecar.

Manipueira do IFSP
A Manipueira Selvagem IFSP, uma cerveja fermentada com mandioca, será lançada em Ribeirão Preto, em um evento na próxima quinta-feira (23), às 18h30, no Bar do Dabi Business Park. A cerveja faz parte do Projeto Manipueira da Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva), utilizando micro-organismos encontrados na mandioca colhida em Ribeirão Preto. A apresentação incluirá os resultados científicos do Projeto Manipueira e a celebração da primeira safra produzida na região, que fermentou e maturou por 12 meses em barril de madeira. O evento é gratuito, com opção de ingresso para degustação por R$ 15,00, e as inscrições podem ser feitas no link.

Samba Rock da Loba
A Cervejaria Loba agitará a Praça Duque de Caxias, no bairro de Santa Teresa, em Belo Horizonte, de sexta-feira a domingo, com o evento Samba Rock Santerê. A segunda edição promovida pela cervejaria mineira de Santana dos Montes contará com chopes a partir de R$ 10, incluindo a linha especial da marca e chope de vinho. A diversidade musical está garantida com shows que abrangem diversos estilos. Na sexta-feira, destaque para o Super Máquina com o melhor do rock dos anos 80 e 90. No sábado, Legião Urbana 2 homenageia o grupo liderado por Renato Russo, e às 16h, uma atração de samba ainda a ser confirmada. O domingo traz o Bloco Axé das Antigas, Putz Grilla, Pagode do Rei e Marcos Staino com o melhor do rock. A entrada é gratuita, com retirada de convites pelo Sympla.

9º ano movimentado da Lohn
A Lohn Bier, sediada em Lauro Müller (SC), celebra seu nono aniversário relembrando conquistas, como a popularização da Catharina Sour e o título de mais premiada do Brasil por três anos consecutivos com a Carvoeira. A marca registrou um crescimento de 40% nas vendas no primeiro semestre de 2023 e tem capacidade de produção de 5 milhões de litros anuais. A empresa destaca a parceria com clubes de futebol, o lançamento de chope em garrafas PET e a recente introdução da Carvoeira em latas com nitrogênio para comemorar seu aniversário.

Novo Laboratório de leveduras
A startup Biosab Leveduras, localizada em Ribeirão Preto, anunciou a inauguração de seu primeiro laboratório, apoiado pelo governo do Estado de São Paulo, para desenvolvimento e fabricação de leveduras. O projeto visa reduzir a dependência da indústria brasileira de cerveja de insumos importados, fornecendo leveduras de baixo custo e exclusivas. O laboratório, localizado no Supera Parque, teve apoio da Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado de São Paulo, através da InvestSP e da DesenvolveSP. A Biosab Leveduras planeja fornecer leveduras em pequenas quantidades inicialmente, expandindo a estrutura no futuro.

Bolsa da ESCM
A Escola Superior de Cerveja e Malte (ESCM) está oferecendo uma bolsa integral para o curso Técnico em Cervejaria – Mestre Cervejeiro a Distância. O aluno selecionado receberá uma ajuda de custo de R$ 3.000,00 em passagens para as aulas presenciais na sede da instituição em Blumenau (SC). As inscrições estão abertas até 10 de dezembro e podem ser feitas por candidatos com renda mensal per capita de até meio salário mínimo. A formação dura 18 meses, com aulas de segunda a sexta-feira.

Lata com raízes gaúchas
A Dado Bier fez o lançamento da nova lata da cerveja Lager Leve. A repaginação da embalagem, com um design jovem e minimalista, reforça o orgulho das origens gaúchas da marca, nascida em Porto Alegre. Sob o lema “contra dado, não há argumento”, a campanha destaca a conexão com o Rio Grande do Sul. A nova lata da Lager Leve está disponível em diferentes tamanhos e pode ser encontrada em supermercados e lojas de conveniência em todo o Rio Grande do Sul.

Eisenbahn + Paul McCartney
A Eisenbahn tornou-se a patrocinadora oficial da turnê de Paul McCartney no país, marcando um inédito apoio a eventos internacionais para a marca. Essa parceria está alinhada à campanha Modo Eisen, que promove viver momentos com atenção aos detalhes e na velocidade 1x. Para a Got Back Tour 2023, que passa por São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte e Curitiba, a marca encoraja a experiência única de assistir ao lendário artista sem o uso do celular.

Bolsas de estudo do Grupo Petrópolis
O Grupo Petrópolis anunciou a disponibilidade de mil novas bolsas de estudo para colaboradores e seus familiares, distribuídas em suas oito unidades fabris. Em parceria com a SoulCode e a Fundação Crescer Criança, a iniciativa tem como objetivo promover a inclusão e profissionalização de jovens talentos, oferecendo cursos nas áreas de desenvolvimento de software, sites e análise de dados. Os participantes mais destacados poderão ser contratados por meio do Programa de Jovem Aprendiz, integrando as inovações e soluções tecnológicas da companhia para o desenvolvimento sustentável.

Reconhecimento às ações sustentáveis
A Ambev alcançou reconhecimento internacional ao se tornar a primeira cervejaria da América Latina a receber a aprovação da Science-based Targets Initiative (SBTi) para suas metas de redução de emissões de curto prazo. Este marco destaca a dedicação da empresa à descarbonização e práticas sustentáveis, fortalecendo sua presença na agenda ESG. A SBTi, focada em alinhar metas de redução de emissões com a ciência climática, endossou as ações da Ambev, validando seu compromisso de reduzir emissões pela metade até 2030 e atingir emissões líquidas zero até 2050.

Experiências do Zé com a seleção
O Zé Delivery oferece aos consumidores cadastrados no programa de recompensas Zé Compensa uma experiência exclusiva. Os participantes terão a oportunidade de acompanhar o treino da seleção brasileira, visitar o centro de treinamento da equipe, interagir com jogadores e comissão técnica, além de assistir ao clássico Brasil x Argentina no Maracanã, no dia 21 de novembro. Os interessados podem trocar pontos acumulados no Zé Compensa pela experiência.

Programa de inclusão do Zé
A Ambev, por meio do programa de inclusão produtiva Bora Zé, está oferecendo duas mil bolsas de estudo para pessoas entregadoras em todo o Brasil. O programa, em parceria com o Zé Delivery, oferece bolsas para supletivo para ensino fundamental e médio, cursos de curta duração, conexão para geração de renda e formação para processos seletivos em varejo e logística. A Ambev pretende impactar a vida de 120 mil pessoas por mês, oferecendo conhecimento, formação e oportunidades de emprego dentro do ecossistema. As inscrições estão abertas até 19 de dezembro.

Warung + Heineken
O Warung Beach Club, renomada casa noturna catarinense de música eletrônica, celebra seus quase 21 anos com uma parceria inovadora com a Heineken. A parceria promete ampliar a diversão para o público tanto na sede do clube, na Praia Brava de Itajaí, quanto em eventos como o Warung Tour e o Warung Day Festival. Além de renovar a pista Inside, o Warung e a Heineken planejam projetos futuros, incluindo iniciativas na Warung Store, na gravadora Warung Recordings e na escola de DJs do clube, a Warung School.

Repetição de casos de racismo evidencia falta de ações eficientes no setor

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Apesar das iniciativas em diversas frentes, as questões estruturais que perpetuam o racismo ainda são amplamente presentes no Brasil. Diariamente, diversos casos de racismo evidenciam consideráveis desafios para se alcançar a equidade, com o setor cervejeiro não fugindo a essa realidade.

Recentemente, o segmento, que nos últimos anos enfrentou casos alarmantes, foi novamente marcado pela violência racial durante a edição de 2023 da Oktoberfest Blumenau. O incidente ocorreu na semana seguinte a uma operação policial motivada por outra ocorrência de racismo, essa da edição anterior da festividade, em 2022.

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Esses casos no meio cervejeiro não apenas refletem a presença do racismo no país, mas também destacam a escassez de mudanças e a necessidade de maior eficiência nas ações de combate à discriminação em um país de trajetória marcada pela discriminação, avaliaram especialistas ouvidos pela reportagem do Guia.

 “Sempre ignorou-se a triste história da escravidão no Brasil e como isso influenciou a sociedade e o que temos como resultado é uma menor fatia da população detendo o poder e no meio cervejeiro não é diferente”, analisa a sommelière Evy Lins.

Cinara Gomes, sócia-fundadora da Cervejaria Serafina, acredita que as ações realizadas nos últimos anos pouco ajudaram a mudar o que ela avalia ser a persistência de uma mentalidade racista. “Pequenas ações e pontuais estão sendo feitas mais para cumprir um protocolo politicamente correto, que é ter a presença de negros ali como forma de dizer: nosso evento é diverso, plural, inclusivo, para não escancarar um abismo estruturante que é a perpetuação de quem manda e de quem tem o poder aquisitivo e de quem de fato quer manter os privilégios que sempre teve”, conta.

O sócio-fundador da Cervejaria Implicantes, Diego Dias, também analisa que o racismo  sempre fez parte da sociedade. Nos casos vistos na Oktoberfest, ele sugere que o problema não está na festividade em si, mas avalia que uma visão equivocada sobre culturas pode ser um componente importante da prática de um racismo recreativo nas convivências interpessoais dentro de um dos mais famosos eventos do setor cervejeiro.

“As repetidas ocorrências de racismo talvez possam ser explicadas por questões específicas nossas. Por ser um festival que remete à cultura alemã (europeia), acaba fazendo com que muitos racistas se sintam menos constrangidos para se manifestarem, por acreditarem, de forma equivocada, que aquele seria um ambiente próprio”, diz o profissional da cervejaria gaúcha.

Mas e as mudanças?
Quanto às mudanças, o sócio da Implicantes argumenta que embora algo venha sendo feito, a discussão ocorre apenas após os eventos ou no mês de novembro, próximo ao Dia da Consciência Negra. “Passado um tempo, há um esquecimento por parte do setor, pois é uma questão estrutural”, afirma.

Para a sommelière Sara Araújo, o mercado cervejeiro está mais preocupado em não ser rotulado como racista do que em combater efetivamente o racismo. Ela ressalta a falta de representatividade negra nos eventos e a apropriação do discurso antirracista, sem mudanças substanciais na prática. “É para dizer, ‘olha nós estamos nos letrando, estamos pensando nisso, temos um comitê de diversidade aqui dentro da empresa’. Mas, na prática mesmo, a mudança não ocorre”, completa.

Falta de ações efetivas?
Se o racismo ainda é um problema profundo e estrutural que vai além do setor cervejeiro, Dias destaca que a mudança também necessita ser profunda, cotidiana e com verdadeira responsabilização dos envolvidos nos atos racistas. “Não basta um simples vídeo de desculpas, com cara de triste, no estilo ‘quem me conhece sabe(…) Tenho até amigos que (….)’. É necessária uma verdadeira reflexão por parte do setor e de toda a sociedade para que algum dia essas cenas lamentáveis e violentas (ainda que não fisicamente) fiquem de fato no passado”, completa.

Evy Lins lamenta a elitização persistente no meio cervejeiro e enfatiza a importância de dar voz e poder às pessoas pretas no setor. “São necessárias atitudes eficazes contra os autores de atos racistas e a favor da igualdade para que o setor evolua”, acrescenta.

Para Cinara, é fundamental reestruturar a própria base dos eventos e adotar ações efetivas contra atos racistas para promover a evolução do setor. “Se tivesse sido amplamente combatido e punido em 2020, 2021, 2022, além da adoção de uma educação antirracista sistêmica, não estaríamos falando disso”, completa a sócia da Cervejaria Serafina.

No entanto, apesar dos avanços legislativos, como a equiparação do crime de injúria racial ao de racismo pela Lei 14.532/2023, Sara destaca a falta de punição efetiva nos casos de racismo e a necessidade de uma educação sobre o tema nos eventos cervejeiros.  “Entende-se que é imprescritível e inafiançável, logo, a gente já tem esse grande avanço legislativo, contudo, as práticas ainda continuam no mesmo status de antes”, diz.

Afinal, como destaca Cinara, a representatividade negra não deve ser apenas simbólica, mas sim uma busca por mudanças reais e inclusivas. “Ainda estamos lutando pelo direito de existir em paz e com muita dificuldade financeira em nossos negócios. Quer diversidade no meio? Colaborem com nossos negócios de forma sistêmica para conseguirmos chegar mais fortes”, finaliza.

Alagoinhas se firma como polo cervejeiro e faz festival para promover cultura

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Um dos principais polos cervejeiros do Brasil estará em festa neste fim de semana. Localizada a 108 quilômetros de Salvador e com 151 mil habitantes, a cidade de Alagoinhas, que recebeu recentemente o status de “Capital Estadual da Cerveja”, promove, entre sexta-feira e domingo, o Bahia Beer, um festival cervejeiro realizado não apenas para entreter as pessoas, mas para consagrar a cidade e destacar a importância do turismo e da cultura em torno da bebida.

O título de “Capital Estadual da Cerveja” foi concedido devido à importância da bebida na rotina da cidade, que abriga fábricas de duas das principais cervejarias do Brasil: o Grupo Heineken e o Grupo Petrópolis.

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Além disso, há planos para a instalação de uma unidade da Cervejaria Cidade Imperial. E estima-se que existam 30 cervejarias artesanais na região, consolidando o setor de bebidas como um componente significativo na economia local, contribuindo com 28,1% do PIB e gerando aproximadamente 3 mil empregos entre fabricação e distribuição, de acordo com estimativas dos gestores locais.

“Alagoinhas transformou-se naturalmente na capital baiana da indústria da cerveja, uma vez que a qualidade da nossa água é uma riqueza inigualável, sendo fundamental para o surgimento de um polo industrial cervejeiro de grande porte”, celebra a deputada estadual Ludmilla Fiscina (PV), alagoinhense e autora do projeto de lei que conferiu o título à cidade.

“Temos a melhor água do Brasil e a segunda melhor do mundo para bebidas, por isso, nada mais importante do que projetar a nossa cidade para o Brasil e o mundo com o que temos de mais valioso e ainda gerando emprego e renda para nosso município e região”, completa a deputada.

Mas se a água desempenha papel crucial na atração de cervejarias, há a visão de que incentivos à indústria, a realização de eventos e o estímulo ao turismo também são essenciais para fortalecer a identidade de Alagoinhas como cidade cervejeira.

“Através do Bahia Beer já podemos sentir os efeitos positivos no setor hoteleiro, que já está super movimentado, bem como no setor de artesanato, onde os artesãos e varejistas já produzem inúmeras peças com a temática do evento”, destaca Bruno Fagundes, secretário de Desenvolvimento Econômico de Alagoinhas.

Assim, ao se abrir para os visitantes do seu festival cervejeiro, Alagoinhas espera, também, chamar a atenção para toda a cadeia envolvida no setor. “A expectativa é colocar a cidade nos holofotes como destino para consumidores cervejeiros, liderando um movimento de expansão, aprendizado e potencialização de negócios entre produtores, agricultores e distribuidores”, comenta Ludmilla.

A atuação como um polo cervejeiro já se dá a partir do foco no estímulo ao desenvolvimento da indústria de bebidas e de insumos, com iniciativas que envolvem incentivos fiscais, auxílio na aquisição de áreas industriais e formação de mão de obra qualificada, possível em função da existência de  cursos de graduação, pós-graduação e técnicos nas áreas de interesse dessas indústrias.

“Nos esforçamos muito para garantir as melhores condições e o melhor ambiente de negócios possível para as empresas do setor. Prova disso é o fato do município ter leis próprias com incentivos fiscais para as empresas desse ramo, auxiliar na aquisição de áreas para construção de indústrias e ofertar mão de obra abundante e qualificada para o setor”, afirma o secretário de Desenvolvimento Econômico de Alagoinhas.

E ele garante que há atenção com o estímulo aos pequenos empreendedores, o que inclui uma preocupação especial com a qualificação da atividade.

Promovemos redução significativa das taxas municipais para os pequenos produtores artesanais que desejem se formalizar e vamos trabalhar forte na qualificação desses produtores através de parcerias firmadas com instituições como Senac e Sebrae, para garantir a qualidade dos nossos produtos e lucro para os nossos produtores

Bruno Fagundes, secretário de Desenvolvimento Econômico de Alagoinhas

A primeira edição do Bahia Beer se soma, assim, a essas iniciativas, sendo um passo inicial para uma agenda de encontros cervejeiros em Alagoinhas, como ressalta o secretário. “Almejamos cada vez mais fortalecer a divulgação das nossas potencialidades com um calendário de eventos anuais em torno do fomento à cultura cervejeira, sejam eventos técnicos ou de entretenimento”, pontua.

Programação e destaques do festival cervejeiro em Alagoinhas

O festival, inspirado na tradicional Oktoberfest, ocorrerá no Parque de Exposições Miguel Fontes. A programação do Bahia Beer inclui a participação de diversas cervejarias, concursos, shows musicais, gastronomia, palestras e rodadas de negócios.

O Concurso do “Melhor Tira-Gosto” para a cerveja reunirá bares e botecos da cidade, apresentando um “tira-gosto inovador” harmonizado com cerveja. Os jurados avaliarão originalidade, sabor e harmonização, enquanto o público também poderá votar em seu favorito.

O Circuito Cerveja no Prato será um festival gastronômico com pratos à base ou harmonizando com cerveja, envolvendo restaurantes e bares da cidade, além da integração com outros produtos regionais, como os cítricos, presentes na feira.

O festival também dará destaque especial aos setores ceramista, de artesanato e eucalipto, com reuniões e discussões para promover essas atividades, incentivando a produção local e fomentando o interesse na temática cervejeira.

Concursos como “A Melhor Artesanal do Brasil”, “Melhor Cerveja Caseira do Brasil”, “Cerveja no Prato” e “Rainha da Cerveja” prometem agitar a edição, adicionando um toque competitivo e celebrativo à celebração da cultura cervejeira em Alagoinhas.

Balcão do Tributarista: A importância do Simples para as microcervejarias

Balcão do Tributarista: A importância do Simples Nacional para as microcervejarias – Regularidade fiscal em foco


A escolha adequada e bem orientada do regime de tributação é um dos pilares fundamentais para o sucesso e a sustentabilidade de qualquer negócio, independentemente da atividade ou porte da empresa. No ramo cervejeiro, a relevância do regime tributário Simples Nacional, sobretudo para as microcervejarias, é conhecida.

O Simples Nacional destaca-se como uma opção atrativa para micro e pequenas empresas, incluindo aí as microcervejarias. Isso porque este regime de tributação oferece uma simplificação no recolhimento de tributos, unificando diversas obrigações fiscais em uma única guia, o que reduz a burocracia e os custos administrativos. Consequentemente, o chamado “custo tributário” acaba também ficando reduzido.

Entretanto, é importante sempre ter em mente que existem outros regimes de tributação disponíveis, como o Lucro Real e o Lucro Presumido, que devem ser considerados com cuidado, especialmente à medida que o negócio cresce e expande suas operações. E essa necessidade se fortalece nos tempos atuais, de Reforma Tributária prestes a ser implementada. Cada regime possui suas particularidades e impactos na carga tributária, seus ônus e suas vantagens. Tudo isso torna fundamental a avaliação criteriosa do regime a ser adotado.

Voltando ao tema da coluna deste mês, o Simples Nacional, precisamos nos atentar que já chegamos ao final do ano, momento crucial para as empresas que desejam permanecer no regime simplificado no próximo exercício.

Para tanto, é necessário que a empresa esteja em situação de regularidade com as obrigações fiscais. Eventuais pendências podem resultar na exclusão do Simples Nacional, o que pode acarretar em um aumento substancial da carga tributária. Portanto, é fundamental que as microcervejarias optantes do Simples e que desejam permanecer nesse regime estejam atentas e proativas na resolução de eventuais pendências fiscais.

É prudente que se faça uma revisão minuciosa de todas as obrigações acessórias, como a entrega das declarações fiscais, bem como o pagamento dos tributos devidos. Além disso, é essencial manter uma comunicação efetiva com a contabilidade, assegurando que todas as informações estejam corretas e em conformidade com a legislação vigente.

É importante salientar que a regularidade fiscal não se restringe apenas às obrigações junto à Receita Federal. Os órgãos estaduais e municipais também têm papel crucial nesta equação, sendo necessário estar em conformidade com as exigências específicas de cada jurisdição.

Enfim, o Simples Nacional representa uma valiosa oportunidade para as microcervejarias, mas sua manutenção requer diligência e atenção às obrigações fiscais. O final do ano é o momento ideal para revisar e resolver quaisquer pendências que possam comprometer a regularidade fiscal da empresa.


Clairton Gama é advogado e sócio do escritório Kubaszwski Gama Advogados Associados. Possui mestrado em Direito pela UFRGS e é especialista em Direito Tributário pelo IBET. Além disso, é cervejeiro caseiro.

Ambev investe R$ 205 mi em fábricas do Nordeste para expandir produção

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A Ambev anunciou dois novos investimentos em duas das suas fábricas localizadas no Nordeste do Brasil. A empresa destinou R$ 75 milhões para a unidade em Camaçari, na Bahia, e R$ 130 milhões para a fábrica de São Luís, no Maranhão, com o objetivo de ampliar a produção de bebidas na região.

O investimento na fábrica do Maranhão está direcionado para o aumento da capacidade de produção de cervejas premium, com previsão de operação a partir de 2025, segundo informações fornecidas pela Ambev.

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Quanto ao aporte em Camaçari, espera-se que a capacidade de produção aumente em 100 mil hectolitros. Essa unidade abastece 11 estados e é responsável pela produção de marcas renomadas, como Guaraná Antarctica, Pepsi, Sukita, Soda, além das cervejas Antarctica, Original, Brahma, Brahma Duplo Malte, Skol, Skol Puro Malte e Bohemia.

“A gente acredita muito no Brasil e no Nordeste e a nossa presença no estado da Bahia é de longa data. Queremos estar juntos no desenvolvimento do estado e por isso seguimos investindo para gerar crescimento na região. Esse investimento vem para garantir a melhor experiência para os nossos clientes e consumidores, que vão passar a ter mais opções dos nossos produtos”, afirma Jean Jereissati, CEO da Ambev.

Esses dois novos aportes somam-se a outros três anunciados no primeiro semestre, totalizando um investimento superior a R$ 400 milhões na região ao longo de 2023. Dentre esses investimentos, destacam-se R$ 130 milhões na fábrica de Aquiraz (CE) para aumentar a capacidade de produção da linha premium, R$ 90 milhões em Teresina para a abertura de uma nova linha de produção de garrafas de vidro e R$ 10 milhões em Pernambuco para a expansão da fabricação da Budweiser Zero.

A Ambev ressalta que esses investimentos se somam a outros realizados pela empresa em Sergipe, Pernambuco e Maranhão desde 2021, totalizando a marca de mais de R$ 1 bilhão em aportes no Nordeste desde então.

Cerveja e envelhecimento: Mercado busca aproveitar tendência demográfica

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A população brasileira está passando por um processo de amadurecimento, conforme evidenciado pelos dados do Censo de 2022. Essa mudança demográfica tem influenciado as rotinas de consumo, e a indústria da cerveja vem se esforçando para acompanhar transformações, como o envelhecimento do público, especialmente diante do recente aumento no consumo por parte do público acima de 50 anos.

Segundo um recente levantamento da Kantar, esse crescimento se deu, principalmente, no consumo residencial, com uma expansão de 8% nesse ambiente durante o primeiro semestre de 2023, em comparação ao mesmo período de 2022. Essa tendência na indústria da cerveja se alinha ao envelhecimento dos brasileiros, visto pelo crescimento da população idosa, com 32,1 milhões de pessoas acima de 60 anos, representando 15,6% da população – um aumento de 56% desde 2010.

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Assim, o setor cervejeiro está ajustando suas estratégias para atender demandas de um público mais maduro, adaptando seus produtos, campanhas e canais de distribuição para lidar com essa crescente parcela da população.

Diversos representantes da indústria da cerveja afirmaram estar atentos a essa mudança, segundo relatos colhidos pela reportagem do Guia sobre como o envelhecimento da população influencia nas estratégias.

“Realmente podemos observar que o segmento premium é o que mais recruta consumidores nos últimos 12 meses, com grande destaque para o público 46+, especialmente pela diversificação do portfólio de cervejas artesanais e premium, a sofisticação do paladar desses consumidores e maior poder aquisitivo”, diz a diretora de insights, inovações e design do Grupo Heineken, Daniela Pereira.

Campanhas direcionadas a esse público têm sido desenvolvidas, como observa Felipe Cerchiari, diretor de marcas globais da Ambev, que ressalta a importância do público acima de 50 anos. “Entendendo que o público 50+ é importante para as nossas marcas. Por isso estamos incluindo cada vez mais eles em nossas campanhas tendo a escuta ativa sempre presente para atendermos os constantes desejos dos consumidores, entendendo a sua pluralidade em todos os sentidos”, comenta.

Foi por isso, por exemplo, que a Beck’s criou uma campanha voltada ao público 70+, com sua ideia tendo surgido de um estudo científico mostrando que a partir dos 70 anos o paladar vai ficando mais resistente ao amargo. Assim, a Beck’s 70+ era mais amarga.

“Esse insight deu início ao desenvolvimento da Beck’s 70+, uma edição limitada da cerveja para pessoas acima de 70 anos, com o intuito de promover um diálogo ao movimento da cultura pró-aging, o qual entende que a idade não limita os desejos e aspirações das pessoas”, relata Cerchiari.

Deu tão certo que esse público foi incluído de vez no foco da Beck’s, uma das marcas globais e premium do portfólio da Ambev. “A iniciativa foi além de uma campanha e se tornou um movimento interno para nós. Oficialmente, incorporamos o público (tanto em target, quanto influenciadores) 55+, na comunicação de Beck’s”, acrescenta o diretor de marcas globais.

Esse, aliás, é um público que demanda uma comunicação diferente, como ressalta William Pacheco, um dos sócios da Mad Brew, marca artesanal de Teresópolis (RJ). “Buscamos entender o comportamento de consumo dessa faixa etária, cada vez mais adequando a comunicação, o produto e o atendimento para este público – que é bem diferente do modelo tradicional”, diz.

Também é desse modo que atua o Grupo Heineken, buscando aumentar o contato com esse público, seja por meio da sua diversidade de opções de cerveja como pelas ações de marketing surgidas a partir da percepção de envelhecimento da população.

“Temos um portfólio que atende diferentes perfis de consumidores e cada rótulo é acompanhado de diferentes estratégias de comunicação de acordo com o público-alvo. Queremos estar em momentos de celebração, gerar conversas, promover novas experiências e, para isso, utilizamos o potencial de nossas marcas em campanhas on e offline e patrocínios a grandes plataformas e eventos que se conectem com o target de nossas marcas”, afirma Daniela.

Assim, não são só as grandes cervejarias têm percebido o crescimento da participação das pessoas com mais de 55 anos no público consumidor. O sócio da Mad Brew relata, inclusive, ser este um público mais exigente.

Com uma maior oferta nas prateleiras aliado a uma renda mais estável do público 50+, alcançamos este nicho da ‘nova meia-idade’ – que é um público mais exigente e não abre mão das suas preferências, como por exemplo, usufruir de uma boa cerveja no conforto do seu lar

William Pacheco, sócio da Mad Brew

Oportunidades do consumo residencial para cervejarias
É esse público, inclusive, que vem fomentando o aumento do consumo de cerveja dentro de casa, ambiente onde houve incremento de 6,5% no primeiro semestre, em relação ao mesmo período de 2022, sendo de 8% entre quem tem 55 anos ou mais, de acordo com o levantamento da Kantar. A avaliação é de que essa mudança está relacionada ao tempo prolongado que esse público permaneceu em casa durante a pandemia.

“Acreditamos que o resultado da pesquisa encontra lastro na realidade do mercado. A tendência de consumo nas residências foi impulsionada pelas mudanças de hábitos que foram reflexo da pandemia, com as pessoas trabalhando em casa e ficando mais tempo em casa no geral, o que impactou a dinâmica de consumo”, afirma Gilberto Tarantino, presidente da Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva).

Esse incremento do consumo residencial, que pode ser visto como um dos efeitos duradouros da pandemia, vem sendo acompanhado por um aumento da demanda por chopeiras e barris, como relata Eduardo Vosgerau, sócio e mestre-cervejeiro da ØL Beer, marca artesanal de São José dos Pinhais (PR).  

“Temos investido em campanhas para atendimento de eventos privados com barris a partir de 30 litros, com comodato de chopeira e acessórios. Outro canal que tem recebido mais investimentos recentemente, e também é voltado ao comércio B2C, é o e-commerce próprio da marca”, diz.

A percepção no setor é que o público se acostumou a beber cerveja em casa, o que ajuda a manter ativos serviços de delivery que surgiram durante a emergencial fase inicial da pandemia, quando bares estavam fechados e eventos não podiam acontecer. Agora, porém, aqueles que continuam usufruindo dessa modalidade adquirem mais produtos em volumes maiores.

“A nossa percepção em relação a esse aumento foi um aumento dos deliveries da modalidade barril+chopeira. O consumo de growlers e garrafas permaneceu o mesmo”, diz Gabriel Thuler Costa, CEO da Alpendorf, marca de Nova Friburgo (RJ).  “A estratégia foi manter a divulgação do serviço desse tipo de delivery, assim como o  controle dos equipamentos e de sua disponibilidade, tendo sempre disponível estoque dos principais chopes pedidos em delivery”, acrescenta.

Após deflação, preço da cerveja dispara no varejo em outubro e supera IPCA

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Após deflação em setembro, a cerveja para consumo doméstico, geralmente adquirida no varejo, encarou uma disparada nos preços em outubro. O aumento médio foi de 1,80% de acordo com os dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) divulgados pelo IBGE.

A cerveja consumida fora de casa também teve alta nos preços em outubro, com uma elevação de 0,72% em comparação ao mesmo mês do ano anterior. E, assim, independentemente do cenário, a inflação da cerveja em outubro ficou bem acima do IPCA para o mês, que foi de 0,24%.

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A cidade de São Luís foi um destaque na variação dos preços da cerveja em outubro no Brasil, com alta de 4,30% do produto no varejo e queda de 2,10% fora do domicílio, em geral nos bares e restaurantes.

Com os números de outubro, a cerveja no varejo acumula uma alta de 4,63% nos 10 primeiros meses do ano. No período de novembro de 2022 a outubro de 2023, observa-se um aumento de 6,86%. No caso do produto vendido nos bares, o aumento está em 4,57%, considerando todo o ano de 2023. Já a inflação acumulada nos últimos 12 meses alcançou 5,90%.

Assim, a cerveja, seja no domicílio ou fora dele, tem inflação superior ao índice oficial brasileiro tanto em 2023 como no período somado de 12 meses. No ano, o IPCA acumula uma alta de 3,75%. Já desde novembro de 2022, a alta é de 4,82% após ficar em 0,24% em outubro.

O maior impacto individual no resultado veio dos preços das passagens aéreas, que subiram 23,70% na comparação com o mês anterior. “Essa alta pode estar relacionada a alguns fatores como o aumento no preço de querosene de aviação e a proximidade das férias de fim de ano”, explica o gerente da pesquisa, André Almeida.

Na outra ponta, o preço da gasolina caiu 1,53%, ajudando a frear a inflação de outubro.

Bebidas alcoólicas também disparam
As demais bebidas alcoólicas encerraram o décimo mês do ano com uma alta muito expressiva. No varejo, foi de 1,83%, resultando em uma aceleração de 15,05% ao longo de 2023. O indicador dos últimos 12 meses revela um aumento também expressivo, alcançando 13,75%.

Os preços das outras bebidas alcoólicas consumidas fora do domicílio também subiram muito em outubro. A inflação foi de 1,20% no mês, acumulando alta de 5,69% no ano e de 6,25% desde novembro de 2022.

Alimentos sobem
No grupo alimentação e bebidas, a inflação de outubro ficou em 0,31%, após quatro meses seguidos de deflação. No acumulado do ano, contudo, ainda há deflação de 0,70%. O segmento registra acréscimo de 0,48% nos últimos 12 meses.

A alimentação fora do domicílio ficou 0,42% mais cara em outubro. Os preços da batata-inglesa (11,23%), da cebola (8,46%), das frutas (3,06%) e do arroz (2,99%) também tiveram alta expressiva em outubro.

Karsten e St. Patrick’s vão ao pódio da Copa Cervezas; veja brasileiras campeãs

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Na edição de 2023 da Copa Cervezas de América, realizada em Valdívia, no Chile, duas representantes do Brasil subiram ao pódio, apesar de não conquistarem o primeiro lugar. A Karsten foi a segunda melhor cervejaria da competição, enquanto a Brew Center, representada pela marca St. Patrick’s, alcançou a terceira posição.

Essa conquista é resultado das diversas medalhas obtidas pelas cervejarias brasileiras no evento. A Karsten, sediada em Jaraguá do Sul (SC), recebeu cinco medalhas, incluindo uma de ouro para a Eisbock. Por sua vez, a St. Patrick’s conquistou dois ouros com a Old Ale e a Imperial Stout.

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Ao todo, 11 representantes do Brasil foram agraciadas com medalhas, incluindo Água do Monge, Brotas Beer, Stannis, Königs, Campinas e Philip Mead, que também receberam medalhas de ouro (a lista completa de medalhistas de ouro está no final do texto).

No cenário nacional, a Karsten destacou-se como a melhor cervejaria do Brasil, seguida pela St. Patrick’s, representada pela Brew Center, em segundo lugar. A Philip Mead, reconhecida pela produção de hidromel, ficou em terceiro lugar, com uma medalha de ouro e uma de prata.

Na competição entre cervejarias brasileiras, a Água do Monge teve a melhor cerveja com a Saison Pitaya. O segundo lugar teve um empate tríplice, com as medalhas de prata indo para a Pilsen da Campinas, a Imperial Stout da St. Patrick’s e o hidromel Fresh Lemon da Philip Mead.

Os principais prêmios foram conquistados pela peruana 7 Vidas, eleita a melhor cervejaria da Copa Cervezas de América em 2023 ao receber seis medalhas, sendo uma de ouro, três de prata e duas de bronze. A cerveja PH Al Fondo, da argentina Bärfuss, uma Catharina Sour, foi a melhor cerveja da competição, conquistando o ouro na categoria Sours ou Fruit Sours.

Confira as brasileiras que receberam medalhas de ouro na Copa Cervezas de América em 2023:

Philip Mead – Fresh Lemon – Hidromel
Brew Center – St. Patrick’s Old Ale – Scottish Ale
Brew Center – St. Patrick’s Imperial Stout – Imperial Porter and Stout
Água do Monge – Saison Pitaya – Saison
Brotas Beer – Schwarzbier – European Amber Dark Lager or Altbier
Stannis – Mamma Sour – Belgian Style Ale
Karsten – Eisbock – European and other Strong Beers
Königs – Catharina Sour Maçã e Canela – Field Spice Coffee and Cocoa Beer
Campinas – Pilsen – North American or International Style Lager

Balcão da Fabiana: Lições que aprendemos aqui e ali

Balcão da Fabiana: Lições que aprendemos aqui e ali

Acabo de voltar de um passeio por Mendoza. Fui visitar as vinícolas argentinas que têm atraído a atenção de gente de todo o mundo. Gosto muito de conhecer outros segmentos de bebidas e gastronomia para tentar agregar aprendizados ao meu trabalho no segmento cervejeiro. E sempre, invariavelmente, volto com muitos insights na bagagem.

Para além dos aspectos sensoriais que o mundo do vinho nos inspira e orienta no trabalho com cerveja, pude apurar alguns aspectos e questões mercadológicos que me levaram a refletir sobre como lidamos com o produto cerveja aqui no Brasil.

Ao visitar a sala de fermentação da Catena Zapata, ouvi a explicação sobre como a vinícola, considerada hoje a número 1 do mundo, mantém o padrão de seus vinhos premiados. Entre uma safra e outra das uvas, como eles conseguem produzir sempre o mesmo vinho, com os mesmos aspectos e sabores? Pois então, o segredo não está somente em blendar as uvas, mas sim em escolher em quais barricas, seja de madeira, argila, concreto ou inox, o vinho será fermentado. A interação do mosto de uvas com o material em contato com ele modifica os aspectos sensoriais do vinho, que depois será blendado a partir das diferentes fontes de fermentação até que os enólogos alcancem o mesmo resultado sempre. É algo bem simples, manjado até, podem argumentar alguns. Mas me fez pensar: as cervejarias têm a preocupação de entregar sempre a mesma cerveja ao mercado? Ou, sob a justificativa de que cerveja é uma bebida viva, despreocupam-se do padrão de seu produto?  

Ainda na Catena Zapata, ao visitarmos a sala de maturação, onde repousam os vinhos nota 100 da vinícola, ouvi a explicação que mais me surpreendeu: os vinhos exportados para grandes mercados consumidores, como Estados Unidos, França e agora mais recentemente Brasil, não são os mesmos. Eles são diferentes entre si. Exatamente isso que você está lendo. Na Catena,  os vinhos são negociados e vendidos para diferentes mercados antes mesmo de sua produção. Então, é o paladar do consumidor de cada país que determina quais aspectos sensoriais o vinho deve ter. Para EUA e França, por exemplo, vinhos mais secos e tânicos. Para o mercado latino-americano, vinhos mais frutados e adocicados.

Vejam vocês o nível de profissionalismo e praticidade. Não há romantismos em se produzir o vinho que o enólogo tem vontade ou gosta de beber. É produto feito com endereço certo. E nas cervejarias, como tem se dado o processo de criação e produção? Pensa-se no que o consumidor quer ou é a vontade do mestre-cervejeiro que prevalece?

Acho que boas lições, vindas de qual segmento for, podem ser absorvidas e aproveitadas para o crescimento e avanço em qualidade do setor cervejeiro, não é mesmo? Padrão e atenção à demanda são algumas delas. Pensemos nisso!


Fabiana Arreguy é jornalista e beer sommelière formada em 2010, pela primeira turma da Doemens no Brasil, através do Senac SP. Produz e apresenta, desde 2009, a coluna de rádio Pão e Cerveja, sendo editora de site com o mesmo nome e autora de livros. É curadora de conteúdo, consultora de cervejas especiais, proprietária da loja De Birra Armazém Cervejeiro, além de professora do Science of Beer Institute e do Senac MG, assim como juíza dos principais concursos cervejeiros brasileiros e internacionais.