O acordo firmado entre a Ambev e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) com a intenção de limitar os contratos de exclusividade da empresa com pontos de venda de cervejas geladas, trouxe um novo cenário à disputa por espaço entre as fabricantes nos bares e restaurantes, um aspecto fundamental para as companhias que atuam nesse setor.
Para compreender o impacto dessa decisão, que impõe restrições de 6% a 15% aos acordos de exclusividade da Ambev com base em parâmetros de localização e volume dos estabelecimentos, o Guia conversou com associações de bares e especialistas do mercado financeiro.
A avaliação geral é de que, embora o acordo possa ser considerado prejudicial à empresa, as restrições não terão um impacto significativo sobre a Ambev, resultando em perdas de volume de vendas de cerveja relativamente leves. A companhia, assim, permanecerá em uma posição vantajosa em comparação com seus principais concorrentes, conforme destacado pelo time de research da Ativa Investimentos em análise enviada à reportagem.
“Enxergamos esse acordo marginalmente negativo na visão de perda de volume, com impactos leves, mas que não mudam o fato de a Ambev ser a líder em seu segmento e apresentar amplas vantagens contra seus pares”, avalia.
Os analistas da Ativa enfatizam que a eficiência em termos de variedade de produtos, logística e a força das marcas da Ambev superam os desafios impostos pela redução dos acordos de exclusividade com bares.
“O fato de a Ambev ser a líder de mercado torna suas vantagens competitivas sólidas e resilientes. Hoje, o que esperamos é a recuperação da rentabilidade da empresa”, acrescenta a Ativa. A Ambev apresentará o seu balanço do terceiro trimestre de 2023 em 31 de outubro, na sequência de um recuo anualizado de 15,2% no seu lucro líquido no período de abril a junho.
Portanto, a visão predominante é que, devido às suas características e virtudes, a Ambev conseguirá se adaptar sem maiores problemas a esse novo cenário. “A Ambev, sendo uma empresa conceituada, com logística, com histórico, deve se adaptar a isso rapidamente e sua atuação não se sustenta numa restrição de acordo com estabelecimentos”, avalia Enrico Cozzolino sócio e head de análise da Levante Investimentos.
Neste momento, os desafios mais significativos para a Ambev estariam relacionados a outros fatores, como a diminuição do consumo de cerveja, que foi evidenciada no balanço do segundo trimestre, com uma redução de 2,5% no volume em comparação com o mesmo período de 2022.
“A empresa já vem sofrendo mais com dificuldades de venda no pós-pandemia, em voltar aos níveis anteriores de consumo, por inúmeros fatores que vão muito além disso”, afirma Gabriel Meira, especialista e sócio da Valor Investimentos.
No geral, é um impacto negativo para a companhia, que está em linha com a mudança do hábito de consumo, com a demanda dos investidores. Vemos uma forte concorrência e os consumidores demandando novos produtos
Enrico Cozzolino sócio e head de análise da Levante Investimentos
Queda, mas pequena, da ação Desde a última sexta-feira (13), primeiro dia após a homologação do acordo com Cade com a bolsa brasileira em funcionamento, a ação da Ambev sofreu desvalorização de 5,79%, caindo de R$ 13,29, na quarta-feira, para R$ 12,52, sendo que no período o Ibovespa caiu 2,6%.
No entanto, especialistas consideram que o impacto foi moderado. “A ação da empresa caiu, mas não machucou muito, não acredito que seja nada de demais, creio que o mercado tenha reagido bem”, avalia o sócio da Valor Investimentos.
As casas de análise acreditam que a pequena variação no preço das ações da Ambev se deve ao fato de o mercado já trabalhar antecipadamente com a possibilidade de imposição de alguma forma de restrição.
Afinal, no ano passado, no início da avaliação do caso, o Cade havia concedido uma medida preventiva para proibir novos contratos de exclusividade da Ambev para a venda de cerveja em bares, restaurantes e casas noturnas, os limitando a 20% dos estabelecimentos até o final da Copa do Mundo. E essa restrição foi posteriormente reduzida para regiões de São Paulo, Brasília e Rio de Janeiro até o encerramento do caso.
“Foi algo que já era relativamente esperado. O impacto no preço da ação da Ambev já tinha ocorrido, com pressão negativa, porque, no final das contas, isso é um acordo que regulariza aquela proibição do Cade”, afirma o sócio da Levante Investimentos.
Ainda assim, é inegável que o acordo mexeu com o mercado, tanto que a ação da Ambev foi o papel mais negociado no after-market da B3 na última segunda-feira (16), com volume financeiro de R$ 7,686 milhões, quando o giro total ficou em R$ 67,39 milhões.
Bares elogiam acordo Em nota oficial enviada à reportagem, a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), definiu o acordo como um acerto e o classifica como “um passo positivo na busca por um mercado justo e equilibrado”.
A associação também aponta que foi respeitado o poder de escolha dos bares e restaurantes pela instauração de limitações diferentes ao percentual de acordos de exclusividade que a Ambev pode firmar com os estabelecimentos.
“As restrições estabelecidas nestes novos contratos de exclusividade são inteligentes e suficientes para garantir a livre concorrência no setor, ao mesmo tempo em que preservam a capacidade de escolha dos estabelecimentos. A instauração de limites baseados em critérios como o número de pontos de vendas e o volume de cerveja vendido pela Ambev em cada região demonstra um compromisso com a diversidade e a pluralidade do mercado”, diz.
Até 2028, os acordos de exclusividade da Ambev devem se limitar a 6% nos PDVs dos estados, a 8% em capitais, cidades com mais de 1 milhão de habitantes e em Lauro de Freitas (BA) e a 15% em microrregiões de São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. Já a limitação de volume total é de 12% nos estados e de 20% em capitais, cidades com mais de 1 milhão de habitantes e em Lauro de Freitas.
A Abrasel acredita que esse acordo encerra um capítulo importante e coloca os interesses dos estabelecimentos de alimentação como os mais importantes no processo. A transparência e confiança na relação entre fornecedores e empresários do setor são cruciais, e estas mudanças nas regras dos contratos de exclusividade contribuem significativamente para esse objetivo
Às vésperas da realização do GP do Brasil e logo depois de conquistar o seu terceiro título mundial de Fórmula 1, o holandês Max Verstappen ampliou a sua parceria com a Heineken 0.0 ao estrelar uma nova propaganda da marca, que o faz ser o “motorista da vez”, reforçando a campanha pelo consumo responsável.
A ação da Heineken com Verstappen é apenas uma das várias novidades da semana no setor, que incluem a participação da Turatti em um festival de carnes em Fortaleza. Já em Curitiba e em São José dos Pinhais, a ØL Beer celebra o seu sétimo aniversário com uma série de ativações em bares parceiros.
Confira essas e outras novidades do setor cervejeiro no Menu Degustação do Guia:
Consumo responsável com Verstappen e Heineken 0.0 A Heineken, por meio da Heineken 0.0, anunciou mais uma etapa da parceria com Max Verstappen. O holandês estrela a campanha “Designated Driver”, focada no conceito de “quando beber nunca dirija”, que a marca vem utilizando para seus projetos com a Fórmula 1. A ação busca promover discussões sobre consumo responsável, e a história do filme parte da ideia de que as pessoas escolhem um motorista da vez. Diante disso, a marca apresenta uma mensagem-chave para a campanha: “O melhor motorista é aquele que não bebe e mesmo assim se diverte”.
Amstel na Libertadores Feminina A Amstel firmou parceria com o Canal GOAT e vem patrocinando a transmissão gratuita, na plataforma, de todos os jogos da Libertadores Feminina, que terá sua final neste sábado, entre Palmeiras e Corinthians. O patrocínio da marca se conecta com a frente de apoio à diversidade e inclusão realizada pela Amstel e mira impulsionar o crescimento da modalidade.
Mestre-ITA A Itaipava lançou o primeiro episódio da série “Mestre-ITA”. Neste episódio inaugural, o mestre-cervejeiro Diego Gomes recebe o cantor Thiaguinho para discutir a produção da Ita-Draft, um chope em lata. O episódio revela o processo que leva a qualidade do chope para a lata, desde a seleção das matérias-primas até a filtragem premium, um diferencial que confere mais leveza e frescor ao produto. A série será compartilhada nas redes sociais da marca em quatro episódios mensais, utilizando uma abordagem acessível para alcançar um público amplo.
300 quilos de carne A cervejaria Turatti vai participar neste sábado do Viva La Carne Fortaleza 2023. No festival de carnes, que acontecerá no Aquaville Resort, a marca promete servir mais de 300kg de proteínas, incluindo brisket e pork ribs. O evento celebra os melhores cortes durante seis horas de open food e open beer, tendo pela terceira vez seguida a Turatti como parceira.
Aniversário da ØL Beer A ØL Beer está celebrando seu 7º aniversário no mês de outubro, período em que 12 bares parceiros da cervejaria em Curitiba e em São José dos Pinhais (PR) promovem diversas atrações incluindo sorteios de kits degustação da marca. A ação busca celebrar as diversas conquistas da ØL nestes últimos anos que, além de medalhas em competições, tem também sete cervejas na linha fixa, sendo três delas premiadas e duas que entraram recentemente no grupo.
Visita guiada da 3 Brasseurs Pinheiros A microcervejaria francesa 3 Brasseurs, localizada em São Paulo, promove visitas guiadas mensalmente, conduzidas por Luciano Fialho, mestre-cervejeiro e sócio. Já na reta final do ano, a casa anuncia a última oportunidade de viver essa experiência em 2023. Será neste sábado, no bairro Pinheiros, em grupos de, no máximo, 20 pessoas. O visitante aprenderá a degustar, harmonizar pratos com cada estilo de cerveja fabricado e conhecerá, ao final, a régua de chope com degustação. Para participar, é preciso fazer agendamento prévio no site.
Cidade da IPA O IPA Day Brasil, mais tradicional evento cervejeiro de Ribeirão Preto (SP), será realizado em 4 de novembro, das 14h às 22h, com uma grande novidade. Sem deixar de lado a área open bar de IPAs, que desde 2012 faz a fama do evento e atrai aficionados pelo estilo, os organizadores criaram a Cidade da IPA, uma área de 3 mil m² com o objetivo de democratizar a festa que pretende receber este ano entre 2 mil e 3 mil pessoas. O espaço irá abrigar estandes de até 12 cervejarias com vendas em copo de cervejas artesanais de diversos estilos. Os ingressos para a Cidade da IPA custarão R$ 15,00, mais um quilo de alimento não perecível, e darão acesso a todas as atividades como jogos e os quatro shows. Os ingressos open bar, que dão direito a consumo à vontade de 35 rótulos das melhores IPAs do Brasil e água, custam R$ 239,90, no segundo lote.
Votação do Prêmio Cumbucca Em Minas Gerais, o Prêmio Cumbucca de Gastronomia busca lançar luz sobre aqueles que estão à frente do cenário cervejeiro, reconhecer e celebrar os talentos e estabelecimentos que têm elevado o padrão da cultura cervejeira no estado. Ao todo, são 50 categorias no prêmio, que está com votação aberta até a próxima terça-feira, pelo seu site. Essa votação será somada às notas do júri convidado, formado por nomes que frequentam a cena gastronômica de Belo Horizonte, entre personalidades, jornalistas, influenciadores e formadores de opinião. Os nomes dos jurados e seus respectivos votos serão mantidos em sigilo até a grande noite de premiação, em 21 de novembro, no Palácio das Artes.
Robô cervejeiro na Oktoberfest Blumenau A Oktoberfest Blumenau conta com uma novidade que une tecnologia e inovação: dois robôs com diferentes funcionalidades do Grupo Prosit VIP. O primeiro deles é o Robô Metaverso, que, por meio de holograma 3D flutuante, coloca mensagens bem diante dos olhos dos frequentadores, dentro do setor 3 do Parque Vila Germânica. No mesmo espaço está o Robô Cervejeiro, um braço robótico de alta tecnologia, que, por meio de aplicações programadas, serve chope aos visitantes. O Robô Cervejeiro foi fabricado na Suécia e participa pela primeira vez do evento.
Oktoberfest em hotel Uma Oktoberfest com cerveja à vontade, típico churrasco fogo de chão e música ao vivo vai tomar conta do Ort Hotel, um dos principais hotéis de luxo de Campos de Jordão. O evento acontece neste sábado e, em parceria com a Baden Baden, irá oferecer o chope da marca durante toda a festividade. Os ingressos já estão disponíveis por R$ 310.
De Portas Abertas A 6ª edição do De Portas Abertas, evento que Ambev promoverá no dia 11 de novembro, será um momento relevante de troca de experiências, escuta ativa e apoio para o desenvolvimento e conhecimento de pessoas negras. O projeto é encabeçado pelo grupo de afinidade étnico-racial da companhia, o Bock, e acontecerá na sede da Ambev em São Paulo, Campinas (SP), Rio de Janeiro (RJ), Blumenau (SC) e Porto Alegre, além de outras cidades ao redor do Brasil. A abertura será transmitida para todas as regionais, que posteriormente seguirão com ativações e programações locais. As inscrições para a edição deste ano já estão abertas e estão convidadas a participar todas as pessoas pretas e pardas.
Investimentos em inclusão Desde o ano passado, a Ambev tem investido na sua plataforma de inclusão produtiva, Bora, para dar novas perspectivas a 5 milhões de pessoas até 2032. A companhia já movimentou o equivalente a R$ 37 milhões em renda para o seu ecossistema, que compreende parceiros, fornecedores, pontos de venda e pequenos empreendedores. O objetivo da iniciativa é incluir produtivamente essas pessoas, isto é, gerar renda por meio de trabalho e empreendedorismo, alavancando a economia, aumentando a produtividade do país e transformando desafios em soluções.
Mininovelas da Skol A parceria da Skol com o aplicativo de vídeos curtos Kwai permitiu à marca mostrar, de um jeito envolvente e divertido, uma nova forma de atuar no marketing, focada em entretenimento. Foi criada uma mininovela que usa da criatividade e do bom humor para mostrar que o mundo é mais divertido quando se leva a vida com leveza.
Réveillon no Bar Brahma A festa de réveillon do Bar Brahma já está com a venda de ingressos abertos. Neste ano, a festa contará a história dos 75 anos da casa com atrações musicais, cardápio completo com entradas, prato principal e sobremesa além do open bar com diversas opções para brindar a chegada de mais um ano. Todos os pacotes podem ser adquiridos por meio do site e contam com condições de pagamento especial, com parcelamento em até 6 vezes.
Mulheres lideram inscrições no Não se Cale O novo censo de inscritos no curso do protocolo Não se Cale, divulgado pela Secretaria de Políticas para a Mulher de São Paulo, aponta avanço na participação feminina, subindo para 51,6%, bem como na adesão de profissionais do interior e litoral, que ultrapassou 21,6% dos cadastros. Além disso, a pasta trouxe pela primeira vez o perfil etário dos participantes: 64% têm até 39 anos. Esta é a segunda edição do mapeamento elaborado pela SP Mulher. As inscrições para a 3ª turma do curso gratuito realizada pelo governo estadual de São Paulo vão até 31 de outubro. O curso é obrigatório por lei para profissionais dos setores de entretenimento, gastronomia e lazer, como bares, restaurantes, casas de eventos e similares. As aulas são online.
Recorde em evento da Spaten Mais de 500 pessoas comemoraram no sábado (14), em São Paulo, a quebra de um novo recorde mundial, desta vez, na competição de “biersliding”, ou deslizamento de caneca. Ricardo Scroback é o nome do recordista na prática desta competição, trazida ao Brasil pela Spaten – a disputa aconteceu em diversas festas cervejeiras pelo mundo ao longo dos tempos. O objetivo é deslizar a caneca de cerveja sobre a mesa tentando alcançar a maior distância possível. Quem lançar a caneca mais longe, entre os participantes, garante a vitória.
Posicionada entre as marcas premium, a Eisenbahn encara o desafio de se destacar em um mercado com forte concorrência, ainda que em crescimento contínuo no Brasil, e tem apostado em estratégias de marketing para alcançar seu objetivo. Assim, para superar as dificuldades e aproveitar as oportunidades, vem aliando uma nova mensagem, sobre a importância de desacelerar, à valorização do seu extenso portfólio e da sua trajetória.
Para compreender o posicionamento da Eisenbahn, o Guia entrevistou Anna Luisa Dafico, gerente de marketing sênior da marca, durante a São Paulo Oktoberfest. A Eisenbahn, aliás, retomou seu papel como patrocinadora do evento em 2023, como parte de várias ações realizadas nos últimos meses para estreitar os laços com o público.
Na entrevista, Anna destacou a origem da Eisenbahn, pioneira no movimento das cervejas artesanais no país, como uma das fortalezas da marca. Além disso, ressaltou a imagem de qualidade do produto e o cuidado na produção, virtudes que se associam aos momentos de desaceleração do consumidor, aqueles em que a cervejaria deseja estar presente.
A profissional de marketing também enfatizou a variedade de estilos oferecidos pela Eisenbahn como uma força singular no mercado e indicou que a marca pretende intensificar ainda mais sua presença em eventos.
Confira, abaixo, os principais trechos da entrevista do Guia com Anna Luisa Dafico, gerente de marketing sênior da Eisenbahn:
Qual é a importância para a Eisenbahnde participar da São Paulo Oktoberfest como patrocinadora? Para a marca é muito importante, porque a Eisenbahn foi criada em Blumenau, tem um forte vínculo com a tradição alemã, seguindo as escolas alemãs e suas tradições na fabricação de cerveja. A Oktoberfest é uma das festas mais emblemáticas alemãs, e traz para São Paulo um pouco desse acesso democrático a diferentes estilos de cerveja, que normalmente não estão tanto no repertório dos consumidores. Para nós, estar aqui é essencial, pois se alinha perfeitamente com o convite que a marca faz desde o início: convidar as pessoas a conhecerem uma variedade de estilos de cerveja que agradam a diversos paladares. Estamos oferecendo cinco estilos aqui na festa, como Session IPA e IPA, assim como a Unfiltered. Estar presente na Oktoberfest São Paulo é fundamental, pois representa nossa origem e nosso posicionamento de viver a vida no tempo certo, que é algo que vamos falar cada vez mais, porque vemos o brasileiro muito acelerado. Aqui, você consegue vir com a família e curtir a música, aproveitando o momento, então tem tudo a ver com a marca.
Sobre a história da marca, a Eisenbahn já foi patrocinadora da Oktoberfest de São Paulo no passado, ficou fora por um tempo e agora está de volta. O que essa volta representa e qual é a importância da relação histórica da Eisenbahn com esse evento? A volta da Eisenbahn à Oktoberfest representa um momento de maior conexão com os consumidores, de estar mais próxima deles. Não estamos apenas retornando às nossas raízes de marca com base na escola alemã e em muitos estilos alemães, mas também nos aproximando mais do público. Essa festa é para todos, com estilos que podem agradar a diversos paladares, desde entusiastas de cerveja até famílias que querem experimentar algo novo. Estamos comprometidos em entender o estilo de vida do consumidor e como podemos estar presentes nos eventos e momentos que fazem parte desse estilo de vida. Os eventos são uma maneira de criar uma conexão emocional mais forte com o consumidor, que lembrará mais da marca pelo que viveu aqui.
Vocês têm várias ativações na São Paulo Oktoberfest. Como é importante estar próximo do consumidor em um evento 100% dedicado à cerveja? É muito importante estarmos próximos do consumidor em um evento para construir uma proximidade e uma relação emocional. Em um mundo onde as pessoas estão constantemente distraídas, gerar emoções positivas durante um evento como esse faz com que a lembrança da marca perdure por mais tempo. Estamos aqui em um evento que se baseia nas tradições alemãs, assim como a Eisenbahn, e essa proximidade com o consumidor nos permite entender melhor seu estilo de vida e como podemos estar presentes nos seus eventos, em seu dia a dia. Isso tem tudo a ver com nossa marca e nossa abordagem de viver a vida no tempo certo.
Uma das ações mais notáveis da Eisenbahn este ano foi a pesquisa sobre o ritmo acelerado da vida. Qual foi a motivação para essa pesquisa e quais resultados vocês têm alcançado a partir dela? Foi um momento de insight, pela necessidade de entender melhor a relação do brasileiro com o tempo. Isso gerou muitas ideias. Percebemos que, devido à evolução tecnológica e à sociedade atual, muitas pessoas não têm uma relação saudável com o tempo. A origem da Eisenbahn está ligada à atenção aos detalhes e ao cuidado na produção, o que tem tudo a ver com uma relação mais saudável e desacelerada com o tempo. Descobrimos que a história da cerveja tem muita relação com os momentos que as pessoas vivem, e vimos a oportunidade de convidar as pessoas a desacelerar e aproveitar a vida no tempo certo. É a conexão dos valores da marca com o momento que as pessoas estão vivendo. Quando isso acontece, a mensagem se torna mais poderosa e relevante para os consumidores. Nos aproximamos do consumidor e descobrimos essa sinergia com a marca.
Falando sobre a reformulação dos rótulos da Eisenbahn este ano, como isso foi planejado e qual mensagem vocês pretendiam transmitir com essa mudança? A reformulação dos rótulos foi parte de um projeto da Eisenbahn para se aproximar mais dos consumidores e atualizar o visual da marca. Foi uma abordagem baseada em ciência, facilitando a identificação na prateleira, já que temos diferentes estilos de cerveja, simplificando o design e o tornando mais contemporâneo. Queríamos modernizar a marca, mantendo-a atualizada, até antecipando tendências de categorias. Realizamos testes e experiências para criar essa identidade visual, mais moderna, que também se alinha com a expectativa de crescimento da marca. No ano que vem, vocês vão nos ver em ainda mais eventos relacionados a música, estilo de vida e gastronomia, fazendo parte dessa ambição de continuar crescendo. E tudo isso foi levado em consideração, sendo parte dessa ambição de continuar crescendo.
Notamos que a Eisenbahn está sendo muito proativa em sua estratégia de marketing este ano, com presença em eventos, mudanças nos rótulos, campanhas publicitárias e pesquisas. Isso representa um novo direcionamento na comunicação da marca ou é uma atualização? O que essas ações significam para a trajetória da Eisenbahn? Representam um momento de continuidade, mas também de aceleração. Observamos, a partir dos dados que colhemos, que os consumidores têm uma alta estima pela Eisenbahn, reconhecendo a sua qualidade. Juntamos peças para montar esse momento de continuidade da história. Estamos consolidando o que aprendemos para seguir em uma jornada mais promissora. Vemos o consumidor muito receptivo a essa marca.
Você mencionou continuidade, mas há alguma nova mensagem que a marca deseja transmitir ou um novo público que pretende atingir? A mensagem que tem se mostrado muito poderosa é, justamente, a de desacelerar. Quando observamos uma pesquisa em que a maioria das pessoas não tem uma relação saudável com o tempo, e a Eisenbahn foi criada com atenção aos detalhes, respeitando os tempos certos de produção de cada estilo de cerveja, vemos a possibilidade de ocupar esse espaço com a mensagem de viver a vida no ritmo adequado, principalmente em momentos associados à família e amigos, que são ligados à cerveja. Queremos ocupar esse espaço, que não vemos ninguém ocupando.
Na sua opinião, qual é a força dessa mensagem, de desacelerar, junto ao consumidor? É um convite para viver a vida na velocidade que ela deve ser vivida. Sendo uma cerveja premium com diversos estilos, nossa proposta é realmente única. Estar posicionado com essa mensagem nos parece algo muito promissor, pois temos um portfólio de alta qualidade, muito mais completo, e uma mensagem relevante. Muitas pessoas sonham em ter uma vida menos acelerada, e estamos fazendo esse convite com uma variedade de estilos e sabores para atender a diferentes paladares.
Há menos de um mês, a Cisjordânia, um dos territórios palestinos, não era cenário de guerra ou de mortes covardes, como as de centenas de pessoas em um hospital da Faixa de Gaza na última terça-feira, embora seja uma área sob tensão há décadas, especialmente a partir da ocupação israelense em 1967. Afinal, em meio a inúmeros desafios, a região da Palestina foi palco de uma Oktoberfest promovida por uma cervejaria, a Taybeh Brewing Company, nos dias 21 e 22 de setembro.
O evento atraiu cerca de 10 mil visitantes, principalmente palestinos que vivem na Cisjordânia e árabes israelenses, além de alguns estrangeiros. E a festa misturou a tradição alemã da Oktoberfest com a cultura do Oriente Médio, apresentando pratos como shawarma, a dança dabke, assim como performances de rap e música brasileira.
A festividade completou 17 anos em 2023, embora não tenha ocorrido em todos esses anos devido a períodos de guerra que afetaram a Cisjordânia e à pandemia do coronavírus.
A Oktoberfest é organizada pela mais antiga cervejaria da Palestina, a Taybeh, que atualmente é liderada por Madees Khoury, filha de um dos fundadores, Nadim Khoury, que abriu o empreendimento familiar com seu irmão David. Isso ocorreu em 1994, após a assinatura do Acordo de Oslo, com a primeira Oktoberfest ocorrendo um ano após o fim da segunda Intifada, em 2006.
A festividade é o aspecto mais visível de uma cervejaria que luta pela sobrevivência do seu negócio com desafios provocados pela ocupação da Cisjordânia por Israel, algo ocorrido muito antes do início do atual conflito, com dificuldades para movimentação e transporte, assim como para ter acesso à água.
Não à toa, um dos cinco valores fundamentais da cervejaria, publicada em seu site oficial, é a perseverança. “Somos resolutos, inflexíveis e acreditamos que devemos avançar apesar de quaisquer obstáculos ou desafios que enfrentemos. A determinação, a nossa cultura empreendedora e a recusa em desistir são essenciais para gerir uma cervejaria na Palestina”, afirma.
É esse princípio que também motiva a atuação de Madees, a cervejeira da Taybeh desde 2007, quando retornou dos Estados Unidos, após cursar uma universidade em Boston. Depois de crescer em meio ao empreendimento do pai e do tio, ela voltou para assumir uma posição rara para mulheres em cervejarias.
Em meio a percalços e desafios, a Taybeh chegou a abrir, em 1997, uma franquia na Alemanha, sendo que em 2002 expandiu ainda mais a sua presença internacional, chegando ao Japão e ao Reino Unido. Já em 2014, foi disponibilizada em outros países da Europa, como Suécia, Itália, Suíça e Dinamarca.
Em 2017, entrou no mercado dos Estados Unidos, avançando à América do Sul, pelo Chile, no ano seguinte. Já em 2019, foi a vez de alcançar o Canadá e a França. Depois, em 2021, a Jordânia foi a primeira nação árabe a comercializar as cervejas da Taybeh.
Essa chegada a outros países, porém, não se deu sem grandes percalços, a maior parte deles internos, surgidos em função da ocupação da Cisjordânia por Israel e da construção de barreiras no início dos anos 2000, o que dificultou movimentações para a remessa da cerveja que foi produzida. Além disso, outro golpe veio em 2007, quando o Hamas, hoje em conflito com Israel, assumiu o controle da Faixa de Gaza, proibindo, na sequência, a venda de álcool.
Em seu portfólio, a Taybeh relata ter sete estilos que classifica como clássicos, incluindo IPA, Witbier e sem álcool, assim como produz uma cerveja sazonal, de inverno. Além disso, lançou a sua série “Mestre Cervejeiro” em 2021, com cinco rótulos, incluindo uma New England IPA.
Em 2009, o trabalho da Taybeh, a sua Oktoberfest e a produção de cerveja na Palestina foi tema de um documentário, chamado, em uma tradução livre, de “Palestina, Cerveja e Oktoberfest Sob Ocupação”, dirigido pela australiana Lara van Raay.
O Programa Vidro Vira Vidro, uma iniciativa promovida pela Verallia em parceria com a Massfix, está em fase de expansão. De acordo com os dados mais recentes divulgados pela fabricante de embalagens, já foram coletadas 2.349 toneladas de vidro nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste do Brasil.
O Vidro Vira Vidro opera por meio de contêineres estrategicamente instalados em cidades de estados como Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Minas Gerais e Distrito Federal. O Sul do país lidera o ranking de recuperação de vidro, com 1.539 toneladas, seguido pelo Centro-Oeste, com 706 toneladas.
Conforme informado pela Verallia, a região Sudeste também já contribuiu com 108 toneladas de vidro recuperado, número que tende a crescer com a recente instalação de novos Pontos de Entrega Voluntária (PEVs), como ocorreu em São Paulo.
“Os resultados desta ação estão sendo muito positivos. Representamos uma parte importante na cadeia de reciclagem como uma das maiores produtoras globais de embalagens de vidro para alimentos e bebidas. Desta forma, temos o compromisso de avançar na agenda sustentável com ações de impacto positivo ao meio ambiente”, diz Quintin Testa, diretor-geral da Verallia para a América Latina.
Essa iniciativa conjunta entre Verallia e Massfix já superou uma das metas estabelecidas para 2023, que era a de contar com 500 PEVs, com ambas as empresas assumindo os custos de instalação dos contêineres e a coleta periódica do material descartado. Atualmente, existem 627 pontos disponíveis, e os responsáveis pelo programa planejam expandir ainda mais, especialmente em áreas densamente povoadas, onde a logística sustentável seja viável e promissora.
“Estamos muito felizes em ver o Vidro Vira Vidro colhendo resultados tão significativos. Ver a coleta de vidro aumentar gradativamente em todas as regiões participantes é uma confirmação real do compromisso das comunidades em abraçar práticas sustentáveis. Esses resultados nos impulsionam a continuar avançando, expandindo nosso impacto e promovendo uma transformação positiva em todo o país”, comenta Juliana Schunck, CEO da Massfix.
Anteriormente, os responsáveis pelo Vidro Vira Vidro haviam estabelecido a meta de ter 1.500 PEVs instalados no Brasil até 2025, número importante para contribuir com o aumento da taxa de reciclagem de vidro no país, que precisa atingir 27,25% até 2025 e 40% até 2032, conforme estabelecido pelo decreto que instituiu o sistema nacional de logística reversa de embalagens de vidro.
A executiva da Massfix reconhece que existem diversos desafios para ampliar a coleta e reciclagem de vidro no Brasil, mas demonstra otimismo em relação ao futuro do reaproveitamento desse material.
“A logística de transporte eficiente do vidro coletado é, sem dúvida, um dos nossos maiores obstáculos. A coleta requer uma infraestrutura adequada e rotas otimizadas, o que tem sido uma tarefa complexa. Além disso, a conscientização e a participação da comunidade, embora em crescimento, ainda são áreas onde buscamos melhorias constantes. Apesar desses desafios, estamos comprometidos em superá-los para alcançar nosso objetivo de um futuro mais sustentável e consciente”, conclui Juliana.
Um grupo de 11 cervejarias brasileiras buscou, na última semana, expandir sua presença para o mercado internacional, por meio da exportação, alcançando novos públicos para seus rótulos. Durante conversas com compradores de quatro países diferentes, elas conseguiram gerar uma expectativa de R$ 1,5 milhão em negócios para os próximos 12 meses.
Essas negociações ocorrem em um momento de reaquecimento das exportações brasileiras de cerveja. De janeiro a setembro, o país registrou uma receita de US$ 99,710 milhões, de acordo com os dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, representando um aumento de 21% em comparação com o mesmo período do ano anterior e se aproximando dos US$ 120,047 milhões alcançados durante todo o ano de 2022.
Nesse contexto, a iniciativa de levar a cerveja artesanal brasileira para outros países tem o potencial de impulsionar ainda mais esses números. E essa possibilidade foi o foco das conversas durante a 6ª rodada do programa Exporta Mais Brasil, promovido pela Agência Brasileira de Promoção de Exportação e Investimentos (ApexBrasil), com o apoio do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Rio (Sebrae RJ).
A rodada de negócios, realizada no Rio de Janeiro, incluiu reuniões entre as cervejarias brasileiras e profissionais interessados em exportar seus produtos. Os compradores vieram da Argentina, Dinamarca, Rússia e Malta e dialogaram com marcas locais, além de cervejarias dos estados de São Paulo, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. As 11 participantes foram: Odin, Hocus Pocus, Noi, Malteca, SUD, Trupe, Backbone, Konigs Bier, Farra Bier, Alter e Croma.
“Nesses três dias de projeto, os compradores internacionais tiveram a oportunidade de fazer visitas técnicas a fábricas locais e de participar de rodadas de negócios com algumas cervejeiras artesanais brasileiras. Eles puderam ver a variedade de produtos brasileiros e o potencial do setor no Brasil, que está em pleno desenvolvimento. O resultado trouxe boas perspectivas de negócios futuros”, diz Gustavo Fernandes, representante do Escritório da ApexBrasil no Sudeste.
Durante esse período de encontros voltados para a exportação, os visitantes tiveram a oportunidade de conhecer as instalações de cervejarias como a Odin, em Petrópolis, o bar da Hocus Pocus e a fábrica da Noi, em Niterói, e interagiram com outras cervejarias. Além disso, puderam explorar a diversidade de rótulos durante visita ao Mondial de la Bière Brasil.
A Noi, que já exportou cervejas para o Chile, está ansiosa para retomar esse processo, como afirma a diretora-executiva da empresa, Bianca Buzin. “Quero fazer acontecer, quero me capacitar ainda mais e começar a exportar, sim. Essa foi a primeira rodada de negócio que participei e essa oportunidade que a ApexBrasil e o Sebrae estão nos oferecendo está sendo muito bacana”, comenta.
A Odin, por sua vez, está agora na expectativa de vender suas cervejas para o exterior pela primeira vez, conforme relata seu sócio-proprietário, Felipe Rabah. “Parecia um bicho de sete cabeças e agora estamos vendo que é possível e que temos potencial para vender para fora do país”, diz. “As expectativas com a presença dos compradores aqui são altas. Quem sabe a gente começa a exportar nossos produtos feitos aqui no Brasil para o mundo”, acrescenta.
Henrik Boes, um dinamarquês que possui uma importadora e distribuidora de bebidas, destaca que o uso de ingredientes locais pode ser um diferencial motivador para a introdução das cervejas brasileiras em seu país.
“As cervejas têm muita personalidade, eu me surpreendi com a qualidade, que supera muito o que eu esperava. É muito legal ver que as cervejarias aqui estão começando a trabalhar com ingredientes locais”, diz.
O argentino Carlos Alberto Rabaglia, um dos importadores presentes no encontro, mencionou que precisa resolver questões de logística e preço antes de finalizar os negócios, mas ficou entusiasmado com o que encontrou das cervejarias brasileiras interessadas na exportação.
“Estou surpreendido com as variedades e pelas inovações que estão fazendo aqui no Brasil, com muita qualidade, partindo da Lager e depois distintas variações realmente muito boas”, afirma o dono de uma distribuidora de bebidas em Buenos Aires.
O cenário atual de mudança climática, perceptível pelo aumento das temperaturas, a ocorrência de grandes tempestades e períodos prolongados de seca, pode provocar impactos cada vez mais negativos na indústria da cerveja ao longo dos próximos anos e décadas. Esse potencial risco tem sido alertado por especialistas, profissionais envolvidos no cultivo de seus ingredientes e representantes da indústria, com base em pesquisas e estudos.
A cerveja, composta principalmente de água, malte de cevada e lúpulo, mantém uma relação intrínseca com a agricultura, dependendo do cultivo de seus ingredientes. E são eles que estão em risco devido às mudanças climáticas, tanto em termos de qualidade quanto de quantidade.
Ao Guia, Aloisio Alcantara Vilarinho, pesquisador em genética e melhoramento de cevada da Embrapa Trigo, explica que as ondas de calor afetam o ciclo de cultivo, tanto para culturas que dependem de temperaturas mais altas quanto para aquelas associadas ao frio.
“Em cultivares que não necessitam de frio para estimular o espigamento, a onda de calor pode reduzir o perfilhamento e adiantar o ciclo da cultura, com redução no rendimento de grãos. Em cultivares que necessitam de mais frio para entrar na fase reprodutiva, a onda de calor pode atrasar o espigamento. Em qualquer caso pode haver aumento na incidência de doenças fúngicas, se a onda de calor vier associada a umidade”, diz.
O alerta sobre o impacto da mudança climática na indústria da cerveja cresceu depois que o CEO da cervejaria japonesa Asahi, Atsushi Katsuki, expressou sua preocupação em uma recente entrevista ao Financial Times.
Ele destacou o aumento da demanda por cerveja em climas mais quentes, mas ressaltou os desafios que as mudanças climáticas estão criando para o cultivo de cevada e lúpulo. “Apesar do aumento do consumo de cerveja em climas mais quentes, as mudanças climáticas terão um impacto sério, com o risco de não conseguirmos produzir cerveja suficiente”.
No que diz respeito ao cultivo da cevada, as temperaturas elevadas podem aumentar a incidência de doenças de espiga, como giberela e brusone, afetando a qualidade dos grãos e potencialmente tornando-os impróprios para uso na malteação.
“A qualidade dos grãos de cevada pode ser afetada pela maior incidência de doenças de espiga, que diminuem a qualidade do grão, ou diminuindo o potencial de produção da cultura. E pode trazer problemas de aumento nos níveis de micotoxina, tornando os grãos produzidos impróprios para uso na alimentação, seja humana ou animal”, diz o profissional da Embrapa Trigo, alertando que a qualidade da cevada pode ser afetada, inviabilizando o seu uso na malteação cervejeira.
“Se vier associada ao aumento nas chuvas, ainda pode aumentar os problemas de germinação na espiga em pré-colheita. Grãos pré-germinados não irão mais germinar depois da colheita e dependendo do percentual de grãos pré-germinados, o lote poderá se tornar impróprio para uso na malteação, que precisa de grãos com pelo menos 95% de germinação”, acrescenta.
Um estudo feito para a Asahi indicou que, no pior cenário, com um aumento de 4°C na temperatura até 2050, a colheita de cevada poderia diminuir 18% na França e 15% na Polônia, com reduções de 10% e 9%, respectivamente, mesmo com um aumento relativamente modesto nas temperaturas médias, inferior a 2ºC.
O especialista da Embrapa Trigo pondera que, embora o cultivo de cevada possa diminuir em função da mudança climática, não deverá ocorrer redução na produção do cereal destinada à indústria da cerveja.
“Com relação ao cultivo da cevada para malte, não acredito que haja diminuição na produção. Acho que vai haver uma substituição paulatina das cultivares em uso por outras mais adaptadas às novas condições”, comenta.
Efeito no lúpulo A República Checa, um país fundamental na produção global de lúpulo, também enfrentaria uma queda na qualidade de sua produção, com uma redução de 25% no cenário mais drástico e 13% em um cenário de aumento de temperatura mais moderado, conforme o estudo encomendado pela Asahi.
Um outro estudo, publicado na última terça-feira (10) na Nature Communications, também alertou para a queda do aroma e do rendimento do lúpulo cultivado na Europa. A pesquisa permitiu aos seus autores constatar que a falta de água prejudica principalmente a quantidade da colheita. Enquanto isso, o excesso de calor prejudica a concentração de alfa ácidos.
“Combinamos medições meteorológicas e projeções de modelos para avaliar a sensibilidade climática do rendimento, do conteúdo alfa e do desenvolvimento do cone do lúpulo na Europa entre 1970 e 2050, quando a temperatura aumenta 1,4°C e a precipitação diminui 24mm. Representando quase 90% de todas as regiões produtoras de lúpulo, os nossos resultados da Alemanha, República Checa e Eslovênia mostram que a maturação do lúpulo começou aproximadamente 20 dias antes, a produção diminuiu quase 0,2 t/ha/ano e o teor de alfa diminuiu cerca de 0,6% ao comparar dados antes e depois de 1994”, afirma.
O estudo também alerta para os riscos de acesso a lúpulo pela indústria cervejeira ao longo das próximas décadas. “Um declínio previsto no rendimento do lúpulo e no teor de alfa de 4% a 18% e de 20% a 31% até 2050, respectivamente, exige medidas de adaptação imediatas para estabilizar um setor em constante crescimento”, acrescenta.
Balcão Xirê Cervejeiro: A integração do hip-hop com a cerveja
Olá, seguidores/as e leitores/as do Guia da Cerveja! Estou de volta ao Balcão Xirê Cervejeiro e, desta vez, quem pautará nossa conversa é o hip-hop, a cerveja e a construção de um mercado cervejeiro que seja, de fato, diverso, plural e inclusivo.
Esse artigo deveria ter chegado até vocês em agosto, mês em que o hip-hop completou meio século de existência. No entanto, por questões técnicas, está chegando agora!
O que me motivou a escrever sobre esse tema foi uma matéria que li recentemente, em que se falava de uma cervejaria brasileira que estava criando uma cerveja para ser vendida em um festival de rock.
Pensei: “mais uma vez o rock?”. A cerveja está presente em todo e qualquer espaço musical. Se tem uma roda de samba, a cerveja está lá, um festival de funk, a cerveja está lá, um festival de rap, a cerveja está lá, um evento de hip-hop, olha a cerveja outra vez. Mas é sempre o rock que acaba levando a melhor quando o assunto é homenagem ou investimento da indústria cervejeira.
A cerveja é uma bebida que possui dezenas de estilos e só está autorizada a dialogar apenas com um segmento musical?
Pontuo desde já que não sou contra o rock, afinal, esse gênero musical, assim como rap, funk, samba e o **hip-hop, faz parte da cultura dos negros.
O rock ‘n’ roll foi criado por uma mulher negra. Se você não ouviu falar em Sister Rosseta Tharpe, sinto informar que não conhece a história do rock.
Nascida em 1915, em Cotton Plant, Arkansas, EUA, ela começou a usar a guitarra elétrica na década de 1930. E com seus acordes e danças eletrizantes, incendiou o mundo da música, influenciando uma geração que seguiu seus passos. Se eu fosse você, daria uma pausa nesta leitura e iria fazer uma busca no oráculo moderno: há vídeos belíssimos mostrando o virtuosismo de e seus acordes.
Outro grande artista, que influenciou nomes como Elvis Presley e Rolling Stones, foi Chuck Berry. Elvis imitava Berry nas danças e cantava “Maybellene”, canção de Chuck.
Já os Stones eram tão apaixonados por Chuck que iam aos shows do astro e pediam para dar uma palinha. No documentário “Keith Richards: Under the Influencer” há duas cenas que são uma obra de arte. Na primeira, Mick Jagger, olhando apaixonadamente para Berry, recebe autorização dele para cantar. É a cena mais linda de se ver. Outro momento genial é quando Keith tenta tocar a guitarra de Chuck e leva uma bronca dele e super respeita aquela reprimenda. O documentário é de 2015 e está hospedado no Netflix.
Você deve estar se perguntando: “Sara, esse texto é sobre hip-hop e cerveja ou sobre rock?” É sobre hip-hop e cerveja.
Essa introdução longa é para dizer que não estou contra o gênero rock, até porque ele é negro. No entanto, como a “maioria” da cultura negra, o rock foi tomado e se tornou, não na essência, mas na aparência, ou seja, esteticamente, branco. Por isso, ele é aceito nos espaços elitizados.
Nesse sentido, é comum ouvirmos o gênero musical rock em espaços como o da cerveja artesanal e não ouvirmos samba, funk ou rap, por exemplo, porque esses gêneros ainda estão quase que exclusivamente implicados às pessoas negras. São pessoas com melanina acentuada racializadas que consomem essa cultura. Talvez isso responda ao fato de não vermos cervejarias ou marcas cervejeiras se aproximarem desse público, não abrirem um diálogo, em que pese sejam consumidores em abundância.
Essa é uma tendência de um mercado fechado à diversidade e que não se quer integrativo. Por mais que algumas pessoas do meio digam o contrário, suas ações diárias mostram o oposto.
Na contramão do mercado brasileiro que possui mais de 60% de pessoas negras compondo a sociedade, o mercado estadunidense, com pouco mais de 13% de população negra, vem dando um giro de 180 graus de uma década para cá. Diferente dos brasileiros, os estadunidenses entenderam que não dá para se falar em diversidade, construção de marca e de mercado sem a presença do afro-americano, principalmente como donos de cervejarias, ocupando cargos de lideranças, criando com e para as pessoas negras, vide o movimento liderado pelo sommelier, mestre-cervejeiro e pesquisador Garrett Oliver à frente da The Michael James Jackson Foundation for Brewing & Destiling, que tem como objetivo inserir pessoas racializadas no mercado cervejeiro e de outras bebidas em cargos de liderança.
E de que forma o hip-hop entra na nossa conversa? Pois bem, cervejarias têm estreitado laços com o hip-hop como a Brooklyn Brewery, nascida em Nova York, próxima ao Harlem, lugar onde pulsa a cultura negra e berço de muitos artistas, como o excelso Notorious B.I.G., homenageado por ela no aniversário de 50 anos do surgimento* da cultura hip-hop. Contudo, se engana quem pensa que essa aproximação da cerveja artesanal com a cultura hip-hop se deu em razão do aniversário desse movimento cultural.
A cena craft beer estadunidense vem ganhando corpo e materialidade entre os afro-americanos e é junto ao hip-hop, movimento cultural intrínseco à cultura negra, que a cerveja está construindo um espaço de alteridade dentro da comunidade, feito por mãos negras. A dupla de hip-hop Run The Jewels, com álbuns aclamados pela crítica ácida e contundente, desde 2017 vem fazendo colaborações com cervejarias artesanais. Interboro, Pipeworks, J. Wakefield, Mumford e Creature Comforts trabalharam com o grupo, produzindo Double IPAs com infusão de CBD e Porters envelhecidos em barris de Bourbon com nomes de títulos de músicas.
A disseminação da cultura cerveja dentro da cultura hip-hop ocorre através de pessoas negras que amam cerveja e resgatam a ancestralidade da bebida.
Essa ideia de rappers e cervejeiros trabalhando juntos para atrair o consumidor diário de cerveja é incorporada pela série Panther Like A Panther, da Run The Jewels. Pipeworks, em Chicago, J. Wakefield, em Miami, e Interboro, no Brooklyn, lançaram Stouts e Porters no ano passado.
“Queríamos fazer uma cerveja que pensássemos que seria acessível para os não iniciados, mas também interessante o suficiente para que os geeks de cerveja fossem levados a experimentá-la”, diz Jesse Ferguson, uma das pessoas à frente do movimento cervejeiro.
A versão de Panther Like A Panther, da Pipeworks, tomou forma como uma carga de 7,5% de graduação alcoólica. Kate Brankin, da cervejaria, diz que o objetivo do Run The Jewels era criar “uma cerveja que você realmente pudesse beber”. Então, a Pipeworks tentou manter o ABV baixo enquanto buscava “algo torrado, mas mais seco e nada enjoativo”, diz. Brankin acrescenta: “30% de cerveja envelhecida em barris misturada com Porter fresco foi o ponto ideal para captar as notas de Bourbon, carvalho e baunilha dos barris e ainda obter o caráter fresco e limpo do malte da cerveja base” (https://www.craftbeer.com/craft-beer-muses/hip-hop-craft-beers).
Em 2022, a dupla formada por Killer Miker e EI-P se uniu à icônica cervejaria Brooklyn Brewery, uma das pioneiras na revolução da cerveja americana, para o lançamento de uma cerveja colaborativa, uma Double Pilsner, que levou o nome de 36” Chain, sendo uma edição limitada que foi servida durante a temporada de seis shows do grupo que ocorreu no MSG em agosto daquele ano.
E quem se dirigiu até a dupla para fazer a proposta da cerveja? Ele mesmo, Garrett Oliver, o mago da cerveja artesanal. Em release disponível na Business Wire, de onde extraio essa informação, Garrett explicou: “Quando me encontrei com a banda, brinquei que queria fazer uma ‘Pilsner tática’ – uma cerveja que ‘tem gosto de cerveja’, mas tem um toque refrescante e frutado que vem do uso do fonio. E é um pouco forte porque nada que a RTJ faz é leve!”
Outro ponto muito interessante e no qual eu acredito enquanto fomentadora de ideias é de que ao irmos à determinada comunidade ou grupo e levarmos algo, é preciso deixar também. A banca do mercado tem dois lados, como nos ensina Exu. A epistemologia dos orixás é sabedoria, está implicada na cosmogonia da diáspora africana e um dos pontos da entrevista da dupla Run The Jewels vai nessa direção.
“Mantendo o compromisso da Run The Jewels de devolver dinheiro às comunidades onde suas cervejas são feitas, uma parte dos lucros da venda da 36” Chain será doada ao Red Hook Art Project (RHAP). A missão da organização está ‘enraizada na convicção de que a autoexpressão criativa é uma experiência transformadora que enriquece indivíduos e comunidades’ e, como tal, trabalha para proporcionar um espaço onde os jovens se sintam seguros e apoiados à medida que desenvolvem as suas vozes através de projetos artísticos e atividades.”
Como podem observar, não é só sobre vender cerveja e obter o lucro pelo lucro. Cerveja artesanal é compromisso, é respeito ao território onde se insere, é respeito pelo consumidor e mirando uma diversidade e agindo com responsabilidade.
Concomitante a isso, há um movimento forte entre os afro-americanos de contar a verdadeira história da origem da cerveja. Aqui no Brasil, existe uma resistência das pessoas que propagam a história da cerveja em nomear a sua origem. São raras as pessoas que tributam ao continente africano o nascedouro da cerveja, e até a forma como ela apareceu é atribuída ao acaso e não às mãos e intelectualidade negras, quando se acredita no mito da narrativa única, espectro produzido pelos colonizadores imperialistas brancos (leia “O Perigo da História Única”, de Chimamanda Ngozi Adiche). Negar a história de outros povos e suas construções tem sido uma técnica de apagamento intencional e de morte desses povos.
Voltando à cultura cervejeira e ao hip-hop, aqui, no Brasil, a Cervejaria Implicantes caminhando na construção de um mercado diverso, lançou dois rótulos:
Uma Catharina Sour – California Love – inspirada em Tupac Shakur, e a Mo Caju Mo Problems, que é um Catharina Sour com caju, criada em homenagem a música Mo Money Mo Problems, do grande rapper Notorious BIG. Segundo Diego Dias, um dos sócios da cervejaria, “a ideia era mostrar que a cerveja pode ser consumida junto com outros estilos musicais”.
Recentemente, fui a um festival de cervejas artesanais, chamei amigos e amigas para prestigiar o evento. Um do grupo de amigos não conseguiu ficar no evento. A fala que ouvi foi: “queria aproveitar, mas todo festival de cerveja só tem rock? Estou cansada. Sara, sinto muito, mas não vou ficar”.
Conclusão: fui embora com eles e acabamos em um restaurante. E logo que chegamos, fomos recepcionados por uma banda que estava tocando forró. Passamos boas horas comendo, tomando cervejas e, claro, ouvindo um forrozinho. Podíamos ter ficado no festival se a programação musical fosse outra.
Isto posto, penso que o mercado das cervejas artesanais precisa se rever em vários aspectos, sobretudo, repensar com quem mesmo ele quer dialogar, se somente para uma bolha branca, heterocisnormativa, ou se irá se abrir para a diversidade como um todo.
*”O hip-hop, para muito além da expressão inglesa, que pode ser literalmente traduzida como balançar [to hip] o quadril [hop], tem sido compreendido como um movimento social juvenil urbano enraizado no segmento populacional de baixo poder aquisitivo, a maioria negra e jovem, que historicamente ganha força nos Estados Unidos a partir do final dos anos 1970 e posteriormente se espalha pelas grandes metrópoles do mundo. O universo hip-hop é marcado pela reflexão e crítica que faz em relação às desigualdades sociais e raciais por meio da poesia, dos gestos, falas, leituras, escritas e imagens que tomam forma pela expressividade de quatro figuras artísticas, a saber: o mestre/mestra de cerimônia.” Letramentos de Reexistência, poesia, grafite, música e dança: hip-hop – Ana Lúcia Silva Souza – Editora Parábola – 2011
**O disc-jockey Afrika Bambaataa é considerado o pioneiro e criador deste movimento social altamente influente. Em 12 de novembro de 1973, fundou a Zulu Nation, uma organização com objetivos de autoafirmação que promovia o combate através das quatro vertentes do hip-hop e que invocava “paz, união e diversão”. Esse dia é, até hoje, celebrado como sendo o do nascimento do hip-hop.
Sara Araujo é graduada em Ciências Jurídicas pela Instituição Toledo de Ensino, em Bauru (SP). Atua na área de execução penal, sendo graduanda em Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Maringá (PR), pós-graduanda em História da África e da Diáspora Atlântica pelo Instituto Pretos Novos do Rio de Janeiro, sommelière de cervejas pela ESCM/Doemens Akademie e criadora e gestora do @negracervejassommelier
O consumo de cerveja dentro dos lares brasileiros está em ascensão, de acordo com o recente relatório “Consumers Insight”, da Kantar, que aponta um aumento de 6,5% na quantidade da bebida consumida em casa durante o primeiro semestre deste ano, comparado ao mesmo período de 2022.
Esse movimento contrasta com a tendência de consumo de cerveja fora de casa, que experimentou queda de 5,4% nos primeiros seis meses de 2023, em comparação com o ano anterior. A Kantar identifica que essa mudança é particularmente impulsionada pelo público acima dos 50 anos, que reduziu o consumo de cerveja fora de casa em 11%, enquanto aumentou em 8% em casa.
Outro fator que a Kantar menciona para o aumento da presença da cerveja nas residências é a expansão dos rótulos premium, que teve um crescimento de 81% no consumo doméstico no primeiro semestre, comparado ao mesmo período em 2022.
O peso do público acima dos 50 anos nesse aumento do consumo residencial de cerveja é enfatizado pela constatação de que houve pouca variação nesse comportamento nas demais faixas etárias. No público de 40 a 49 anos, houve um acréscimo de 3% no consumo fora de casa e de 1% em casa, enquanto entre as pessoas de 30 a 39 anos, o crescimento do consumo foi de 2% nos dois ambientes. Já entre os mais jovens, o consumo aumentou 4% fora de casa e apenas 1% em casa.
O levantamento da Kantar também apontou que a classe social C lidera o consumo de cerveja fora de casa, mantendo uma participação estável de 48%, embora essa participação seja menor do que os 56% registrados em 2019, antes da pandemia. A participação da classe AB é de 35,8%, com um acréscimo de 11% no primeiro semestre. A classe DE contribui com 16,6%.
O relatório “Consumers Insight” também destaca o aumento da participação do chope no consumo de cerveja. Em 2019, representava 3,1% do volume total, mas no primeiro semestre de 2023, esse índice subiu para 4,8%. No Nordeste, em particular, houve aumento de 34,7% entre o primeiro semestre de 2022 e o deste ano.
O relatório da Kantar se baseia em dados de 11.300 domicílios de todas as regiões e classes sociais do país, abrangendo cerca de 60 milhões de lares. Além disso, a empresa também monitora o comportamento de 47 milhões de indivíduos em relação ao consumo fora de casa.
A cerveja no domicílio, geralmente vendida no varejo, apresentou deflação em setembro, seguindo a tendência de queda nos preços dos produtos de alimentação e bebidas, de acordo com os dados divulgados pelo IBGE.
A queda nos preços da cerveja no varejo no mês passado foi de 0,85%. No entanto, nos nove primeiros meses de 2023, o produto registra uma inflação de 2,78%, com uma aceleração de 6,14% nos preços de outubro de 2022 até setembro de 2023.
Entre as capitais pesquisadas pelo IBGE, o Rio de Janeiro deu a maior contribuição para a deflação da cerveja no varejo em setembro, com uma queda de 2,23%. Enquanto isso, em Fortaleza, o preço da cerveja para consumo em casa aumentou 2,75% no mesmo período.
Por outro lado, a cerveja praticamente manteve seu preço estável fora do domicílio, com um modesto aumento de 0,06% nos bares e restaurantes. Isso repete o comportamento de agosto, quando a variação foi de 0,04%.
Com base nos dados de setembro, a cerveja fora do domicílio acumula um aumento de 3,82% em nove meses, superando a alta do preço do produto no varejo. Nos últimos 12 meses, a inflação para essa categoria está em 4,92%.
A Grande Vitória impulsionou a inflação da cerveja nos bares em setembro, com um índice de 1,72%, enquanto Campo Grande registrou queda de 2,62% no mês passado.
A variação de preços da cerveja nos bares também ficou abaixo do IPCA, o índice oficial de inflação do Brasil, que terminou setembro em 0,26%, segundo o IBGE. O IPCA de 2023 agora está em 3,50%, enquanto nos últimos 12 meses, a taxa é de 5,19%.
Em contrapartida, outras bebidas alcoólicas no domicílio tiveram inflação de 1,81% em setembro, elevando o índice para 12,99% em 2023 e 12,84% nos últimos 12 meses. Fora do domicílio, essas bebidas alcoólicas apresentaram deflação de 0,29%. No acumulado de janeiro a setembro, a alta é de 4,43%, e nos últimos 12 meses, a inflação é de 6,57%.
O IBGE destaca que o IPCA de setembro sofreu influência do grupo de alimentação e bebidas, que teve deflação pelo quarto mês consecutivo, mantendo a tendência de queda nos preços. A deflação neste segmento foi de 0,71%. Em 2023, a deflação nesse grupo atingiu 1,02%. Nos últimos 12 meses, o grupo registra um aumento de apenas 0,88%.
“É o grupo de maior peso no IPCA e teve deflação pelo quarto mês consecutivo, mantendo trajetória de queda no preço dos alimentos principalmente para consumo no domicílio”, explica André Almeida, gerente do IPCA, destacando as quedas de batata-inglesa (-10,41%), cebola (-8,08%), ovo de galinha (-4,96%), leite longa vida (-4,06%) e carnes (-2,10%) em setembro.
Na outra ponta, o resultado foi impulsionado pela alta de 2,80% da gasolina. “A gasolina é o subitem que possui maior peso no IPCA. Com essa alta, acaba contribuindo de maneira importante para o resultado do mês de setembro”, afirma.