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Entenda a importância dos griots, homenageados em série de cervejas

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“Eu estava lá para a travessia do rio onde escorria o ouro mais puro. Não duvidem! As palavras que eu sopro são cheias de segredos. Um para cada ouvido. Escutem com atenção. Foi entre a savana e a floresta que tudo aconteceu. Eu vi o exército de 100 mil homens. O negro e o amarelo do estandarte flamejavam como labaredas atiçadas pelos ares que insistiam em trazer os odores da batalha. Eu estava ali, a serviço do Grande Mansa, anotando tudo em minha memória. Nada me escapava. Eu segui a flecha que perfurou a arrogância. Eu acompanhei cada pulsar dos músculos férreos do chefe de guerra que disputava o comando dos homens com a própria morte. Eu vi. Não duvidem!”.

O trecho acima representa o início de um relato oral por um dos griots, os responsáveis pela transmissão de saberes e vivências por meio da expressão oral, o que lhes confere enorme importância na conservação de tradições e da ancestralidade na África Ocidental.

E a valorização da função dos griots também recebeu reconhecimento em novembro, mês da Consciência Negra, com a continuidade da série que leva o nome deles, criada há três anos pela Dogma. Em 2023, a família ganhou uma nova cerveja, a Muntu, além de uma reedição da Hantu.

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Essa novidade, portanto, volta a chamar a atenção para os griots, parte de uma tradição robusta, especialmente entre os povos mandingas, que, no século XIII, ocuparam uma extensa área da África Subsaariana, em regiões hoje conhecidas como Mali, Senegal, Gâmbia e Guiné.

Sua origem remonta aos impérios Mali e Songai, nos quais os griots eram conselheiros e depositários da história oral, transmitindo conhecimento por meio de linguagem poética e musical, como explica Monica Faria, historiadora, geógrafa e professora especialista em relações étnico-raciais.

“Os griots surgem como guardiões da linhagem oral. Como trovadores das eras, suas origens remontam aos ecos dos impérios Mali e Songhai, onde a história se entrelaça com a melodia do passado. Os griots são membros respeitados e essenciais para a coesão social”, diz.

Para preservar a memória histórica e cultural de suas comunidades, eles utilizam uma variedade de formas artísticas, como música, poesia e narração, com o intuito de transmitir conhecimento. “Os griots não são apenas contadores de histórias; são os poetas da alma coletiva. Seus tambores narrativos ressoam em celebrações e lamentações, entrelaçando-se nas complexidades das cortes reais e costurando uma trama viva que conecta as gerações”, afirma Monica.

A transmissão da história e do conhecimento pelos griots ocorre, em geral, dentro de contextos familiares, com os mais jovens absorvendo as nuances da música e as histórias relatadas pelos mais experientes, permitindo a perpetuação da tradição.

“Nas noites estreladas, a herança se torna uma canção de ninar. Os griots, como mensageiros do crepúsculo, sussurram sagas e proezas aos ouvidos sedentos das gerações futuras. Cada palavra, cada inflexão, é um legado tecido nas fibras da tradição oral”, diz a professora.

As narrativas dos griots frequentemente abrangem genealogias, feitos heroicos, tradições culturais e eventos históricos marcantes, sendo histórias que, além de entreter, incorporam lições morais e valores essenciais para a sociedade.

Suas histórias não são meros relatos; são sinfonias que entrelaçam mitos, enredos épicos e parábolas morais. Cada performance é uma jornada pelas paisagens da identidade, onde a verdade é um caleidoscópio de significados

Monica Faria, professora especialista em relações étnico-raciais

Adaptação aos novos tempos
De acordo com a historiadora, mesmo em um cenário de desafios provocados pelas mudanças sociais e em um mundo moldado pela digitalização, os griots se reinventaram e continuam sendo importantes. “A tradição, agora, é uma melodia que transcende o tempo, abraçando o passado enquanto dança para o futuro. É importante salientar que os griots não são pessoas do passado; eles estão entre nós e hoje incorporaram instrumentos musicais modernos e, em alguns casos, gravam suas músicas para alcançar audiências mais amplas”, afirma.

Eles se assemelham, assim, ao que tem sido feito pelos historiadores ocidentais, embora com abordagens diferentes para a preservação da história, pois os griots baseiam-se na oralidade e na musicalidade para a transmissão de narrativas.

“Os griots pintam com pincéis de emoção. Suas narrativas, como tapeçarias coloridas, não se limitam a datas e eventos; elas exploram os corações e mentes, entrelaçando a história com a poesia da existência”, conclui Monica.

As cervejas da Dogma
Lançada há três anos, a série Griot foi concebida pela Dogma com a curadoria dos sommeliers Glauco Ribeiro, Sara Araújo e Sulamita Theodoro, sendo compostas atualmente pelas cervejas Muntu, Hantu e Kintu.

Recentemente lançada, a Muntu é uma American IPA de corpo médio, amargor presente e aromas cítricos e herbais que a tornam uma cerveja refrescante e complexa, de acordo com o descritivo. Seu nome vem do bantu, um tronco linguístico que nasceu no século I e que deu origem a mais de 400 idiomas em todo o continente africano.

Já a Hantu, que ganhou seu segundo lote recentemente, tem acidez moderada, aroma e sabor de caju em primeiro plano, complementado pelo cajá. Notas de mel e mineral provenientes do melado de cana. Tem um aroma levemente amadeirado, lembrando um pouco de coco devido ao lúpulo utilizado, o HBC 472. O conjunto é complementado pelo condimentado, cítrico e frutado de uma das leveduras da Dogma, segundo o descritivo divulgado pela marca.

O que pensa o Guia: É preciso se envolver na luta por inclusão racial no setor

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Realizar a pesquisa “Participação de pessoas negras na indústria da cerveja” foi um exercício de transformar uma realidade amplamente falada, mas pouco documentada até então, em números, tabelas e gráficos que evidenciam a exclusão de uma parcela significativa da população no setor. O estudo, assim, apenas quantifica o que muitos já sabem: a falta de inclusão racial é uma triste realidade para aqueles que enfrentam diariamente o preconceito e a falta de oportunidades.

Não à toa, profissionais negros do setor cervejeiro, ao serem abordados pela equipe do Guia para avaliarem a pesquisa, repetiram uma frase: “não é surpresa”. Afinal, são eles que experimentam, em seu cotidiano, uma exclusão e violência que permeiam diferentes esferas de suas vidas: econômica, social, educacional e política.

Acesse a pesquisa Participação de Pessoas Negras na Indústria Cervejeira

Essa realidade não é diferente na indústria cervejeira, marcada recentemente por eventos que enfatizaram a urgência do tema, como a mudança na gestão da principal associação do setor de artesanais e uma operação policial após um incidente de racismo em uma renomada festa cervejeira nacional.

Além disso, os resultados da pesquisa acentuam a exclusão das pessoas negras em diferentes aspectos. Seja pela baixa presença de lideranças negras (68% das cervejarias não possuem sequer um negro em cargo de liderança), pela ausência de canais de denúncia de casos de preconceito (52% dos estabelecimentos não possuem) ou pela falta de programas de recrutamento específicos para profissionais negros (apenas 17% implementaram ações nesse sentido).

A pesquisa revela, portanto, que muitas cervejarias não reconhecem a necessidade de promover políticas de inclusão entre seus colaboradores, tornando urgente a conscientização sobre a importância dessa prática.

Embora existam iniciativas na indústria cervejeira, é evidente que precisam ser aceleradas e disseminadas para aumentar o engajamento na ampliação da diversidade. E isso só ocorrerá se a questão racial for tratada como prioridade por cervejarias, associações, escolas cervejeiras e demais representantes do setor. Assim, é crucial proporcionar oportunidades a profissionais negros, incentivar a formação e dedicar tempo a essa temática.

Entender a realidade não deve se limitar à lamentação, mas sim a ações para modificar essa realidade. Isso deve ser uma missão, sob o risco de perpetuar o racismo em um mercado que almeja a diversidade, mas que mantém uma estrutura e lógica confortáveis para aqueles que propagam o racismo.

Para o Guia, os dados da pesquisa destacam a necessidade de uma comunicação mais inclusiva, dando visibilidade às necessidades dos negros no setor e às suas conquistas, incorporando essas questões às pautas cotidianas. Nossas escolhas devem ser guiadas pela representatividade e inclusão racial.

Colorado é destaque do Brasil no Brussels Beer Challenge; veja medalhistas

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A Colorado foi o principal destaque do Brasil no Brussels Beer Challenge em 2023, uma renomada competição cervejeira realizada pela 12ª vez na Bélgica. Originária de Ribeirão Preto (SP) e pertencente à Ambev, a marca conquistou o título de melhor cerveja nacional com a Colorado Aipi Lager e garantiu quatro medalhas, incluindo uma de ouro. Além da Colorado, outras cervejarias brasileiras também se destacaram, como a Brotas Beer e a Leopoldina, que receberam duas medalhas cada.

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A premiação da Colorado no Brussels Beer Challenge 2023 incluiu a medalha de ouro para a Aipi Lager, na categoria Hoppy Lager. Além disso, a marca ganhou duas medalhas de prata, uma para a Appia e outra para a Coconut Brown Ale, e uma de bronze para a Terezinha.

No total, as cervejarias brasileiras conquistaram 16 medalhas, sendo quatro de ouro no Brussels Beer Challenge 2023. Uma dessas medalhas de ouro foi para a Brotas Beer, cuja Dry Stout recebeu reconhecimento na categoria de mesmo nome. As demais medalhas de ouro foram atribuídas a duas marcas da Ambev: a Bohemia, com a Marzen, e a Original, na categoria das Light Lagers.

A 12ª edição do Brussels Beer Challenge avaliou 1.811 cervejas de 37 países entre os dias 29 e 31 de outubro, contando com a participação de um painel de 90 jurados. A Bélgica liderou a lista de inscritos com 400 rótulos, seguida por Itália (224), França (158), Estados Unidos (143), China (133), Brasil (128) e Alemanha (103).

A Itália foi o principal destaque internacional da premiação, ficando logo atrás da Bélgica em termos de medalhas (80 a 37) e apresentando a melhor cerveja da competição, a Millican Extra, a Mezzopasso.

Confira abaixo as cervejas brasileiras premiadas com medalhas de ouro, prata e bronze no Brussels Beer Challenge 2023:

Medalhas de ouro:
Colorado Aipi Lager – Colorado – Hoppy Lager
Bohemia Marzen – Bohemia – Marzen
Brotas Beer Dry Stout – Brotas Beer – Dry Stout
Original – Ambev – Light Lager

Medalhas de prata:
Brotas Beer Red Ale – Brotas Beer – Irish Red Ale
Colorado Appia – Colorado – Honey Beer
Colorado Coconut Brown Ale – Colorado – Field Beer
Kremer Golden – Kremer – Ice
La Birra Irish Red Ale – La Birra – Amber Ale
Leopoldina Witbier – Leopoldina – Witbier
Wäls Berliner – Other Sour Ale

Medalhas de bronze:
Colorado Terezinha – Colorado – Oatmeal Stout
Dama Hop Lager – Dama Bier – Hoppy Lager
Everest – Hop Bros – Other Sour Ale
Leopoldina Italian Grape Ale – Brut Beer
Masterpiece Van Gogh – Masterpiece – Other Sour Ale

68% das cervejarias não têm lideranças negras, revela pesquisa inédita

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68% das cervejarias do Brasil não têm lideranças negras, revela pesquisa inédita

Quase 7 de cada 10 cervejarias do Brasil não contam com pessoas negras em cargos de liderança, em um sinal claro da ausência de representatividade em suas estruturas. O dado está presente em pesquisa inédita, realizada pelo Guia da Cerveja, denominada “Participação de Pessoas Negras na Indústria Cervejeira”, que buscou traçar um panorama sobre a diversidade entre as cervejarias de todo o país.

O trabalho apontou que 68% dos empreendimentos não têm sequer uma pessoa negra ocupando cargos de liderança em suas estruturas.

A pesquisa traça um perfil da participação negra na indústria da cerveja, apresentando recortes por região e porte dos empreendimentos. Além disso, busca avaliar quais são os principais desafios para que o segmento se torne mais diverso e representativo, pois hoje apenas 30% dos profissionais que atuam nas cervejarias são negros, contra uma presença de 56% desse contingente na população em geral do Brasil, segundo os dados mais recentes do IBGE.

Acesse a pesquisa Participação de Pessoas Negras na Indústria Cervejeira

O estudo também busca abordar os casos de preconceito dentro do setor. E a pesquisa apontou que 52% das cervejarias não contam com canais estabelecidos para denúncias de casos de assédio, discriminação ou qualquer outra forma de tratamento injusto.

O material conta, ainda, com análises complementares, que foram produzidas a partir da contribuição de especialistas que trabalham diariamente no segmento.

A pesquisa, quantitativa, foi realizada por meio de questionário online, com respostas coletadas em setembro de 2023, envolvendo a participação de 129 donos ou administradores de cervejarias das cinco regiões do Brasil.

“Esperamos que o material contribua não apenas para a compreensão de desafios, mas também para impulsionar decisões que tenham a busca pela equidade e a resolução de injustiças históricas como ponto norteador”, afirma Leandro Silveira, diretor de conteúdo do Guia.

Balcão da Fê Bressiani: O que é sabor e as confusões na avaliação sensorial

Balcão da Fê Bressiani: Compreendendo o significado do sabor e as confusões na avaliação sensorial

Você já ouviu alguém descrever o “gosto de maçã” ou o “gosto de churrasco” ao se referir à experiência de saborear esses alimentos? Isso ocorre frequentemente, mas há uma diferença essencial entre “gosto” e “sabor” que todos, especialmente profissionais da área de gastronomia e seus especialistas em bebidas, precisam compreender.

Gosto: o que eu sinto na boca

Os gostos são cinco: doce, amargo, salgado, ácido e umami (embora alguns acadêmicos e estudiosos no assunto ainda não considerem o umami um gosto – tópico para outro artigo) e são percebidos por meio das papilas gustativas localizadas na língua, palato e garganta. São também chamados de gostos básicos.

As papilas gustativas são pequenas estruturas sensoriais que contêm receptores que se ligam a moléculas específicas contidas nos alimentos. A partir daí, sinais nervosos são enviados ao cérebro, que interpreta esses sinais como diferentes gostos.

O gosto, portanto, é uma resposta biológica e sensorial às substâncias químicas presentes nos alimentos.

Vale ressaltar que a saliva interfere na percepção do gosto, portanto essa percepção pode ser alterada durante a mastigação, o que é relevante ao considerar que normalmente um alimento é composto por mais de um gosto. Como, por exemplo, o chocolate, que apresenta simultaneamente dulçor e acidez, demonstrando a complexidade das sensações gustativas.

Sabor: uma experiência multissensorial

Academicamente falando, o sabor é uma experiência mais abrangente e complexa. Envolve não apenas o paladar, mas também o olfato e a sensação de boca do alimento ou bebida degustados.

O sabor é uma experiência multissensorial que combina o gosto com o aroma, a temperatura e a sensação tátil dos alimentos. Quando você saboreia algo, está experimentando o pacote completo de sensações associadas a esse alimento.

O sabor de uma pipoca, por exemplo, pode ser modificado caso a pipoca esteja murcha. O sabor de uma cerveja também se altera quando a cerveja está quente. O sabor de uma pizza fria é diferente do sabor de uma pizza quente etc.

A parte do conceito biológico e químico da percepção de sabor, ainda temos alguns outros elementos fundamentais na percepção de sabor pelo homem.

Karen Page e Andrew Dornenburg denominam esses elementos, que vão além de gosto, sensação de boca e aroma, como o “Fator X”. Ele engloba o visual do alimento ou bebida, o som percebido durante as fases da degustação e também a memória sensorial do indivíduo.

Eles associam ao “Fator X” as influências emocionais, mentais e psicológicas sobre os degustadores.

Nossa memória sensorial tem grande influência na percepção de sabor, até nos confundindo.  Considere a baunilha, por exemplo; na memória da maioria, costuma ser associada ao sabor doce, embora, na realidade, tenha um sabor amargo. Essa percepção está intimamente ligada ao contexto em que experimentamos a baunilha, muitas vezes adicionada a sobremesas e evocando a lembrança de chocolate.

Por último, ainda vale citar que a iluminação do espaço, a música, a temperatura do ambiente são também elementos que interferem na nossa percepção de sabor, sendo muito explorados no que chamamos de neuromarketing, desde a concepção de embalagens e rótulos, até elaboração de projetos de arquitetura.

Por que as pessoas confundem?

É compreensível que as pessoas frequentemente confundam gosto e sabor, pois esses termos são usados de forma intercambiável no cotidiano. Além disso, o olfato desempenha um papel significativo na percepção do sabor. Um nariz congestionado ou a perda de olfato pode reduzir a percepção do sabor, mesmo que o gosto básico permaneça o mesmo. Isso foi evidente durante a pandemia de Covid-19.

Compreender a distinção entre gosto e sabor é essencial para apreciar plenamente a riqueza das experiências culinárias e é claro, da nossa querida cervejinha. Quando percebemos que o sabor é uma sinfonia de sentidos, abrimos as portas para uma apreciação mais profunda dos sabores. A prática da degustação consciente pode nos ajudar a descrever com precisão essas experiências complexas. Portanto, na próxima vez que você saborear algo delicioso, lembre-se de que está imerso em uma sinfonia multissensorial que torna cada refeição verdadeiramente inesquecível. Navegar com clareza nas diferenças entre gosto e sabor amplia as perspectivas e nos convida a explorar o universo da gastronomia de maneira mais profunda e significativa.


Fê Bressiani é arquiteta, meio armênia meio italiana, sommelière e mestre em estilos de cerveja, coordenadora e professora na ESCM. Tem em seu currículo diversas formações dentro da área cervejeira. Seu foco de estudos são as áreas de avaliação sensorial e harmonização. Ministra palestras e workshops pela América Latina. Ela também responde como Dra. Paçoca, clown de hospital há mais de 10 anos. Apaixonada por aromas, sabores e saberes.

Bares devem ter alta de até 15% no faturamento em dias da onda de calor

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A onda de calor que tem marcado a rotina de grande parte dos brasileiros desde o início da semana promete trazer, pelo menos, uma boa notícia para os proprietários de bares e restaurantes. De acordo com a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), a previsão é que o faturamento desses estabelecimentos aumente em até 15% nos dias mais quentes.

A estimativa da Abrasel indica que o consumo de bebidas nos estabelecimentos durante a onda de calor deve experimentar um crescimento ainda mais expressivo, contribuindo para o aumento do faturamento.

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“Durante o calor, é natural que as pessoas busquem consumir bebidas mais refrescantes, como cervejas, drinques e sucos gelados. Com isso, a expectativa é de que a procura gere um crescimento de até 40% no faturamento com bebidas, contribuindo no resultado dos bares e restaurantes”, diz Paulo Solmucci, presidente-executivo da Abrasel.

Na última terça-feira, devido às elevadas temperaturas, o Instituto Nacional de Meteorologia classificou 15 estados e o Distrito Federal como em estado de perigo, com riscos para a saúde e a vida humana, devido à massa de ar quente que tem provocado temperaturas recordes. No Rio de Janeiro, na última quinta-feira, a temperatura chegou a 40,6º C, superando os 40,4º C do domingo anterior.

Os especialistas definem a onda de calor como períodos de mais de cinco dias em que as temperaturas ficam acima da média. Neste momento, essas condições climáticas estão se somando ao aquecimento global e ao El Niño, que tem elevado a temperatura das águas dos oceanos.

Diante desse cenário de calor intenso, parte da população tem buscado refúgio e refresco nos bares. “O fato das pessoas procurarem frescor nos bares e restaurantes é muito positivo para o setor, que segue tentando se recuperar em meio a um cenário de dificuldades, com quase dois terços dos estabelecimentos operando sem lucro”, comenta Solmucci.

Além disso, há a expectativa de que a produção de bebidas alcoólicas seja favorecida, mantendo a recuperação do setor, influenciada pelo calor. Apesar da retração de 1,2% acumulada no período de janeiro a setembro, conforme dados do IBGE, são três meses seguidos de alta na produção de bebidas alcoólicas.

Menu Degustação: Festival Carioca e do Festa da Firma, Manipueira do IFSP…

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Os festivais, que são uma marca característica do segmento cervejeiro, ocorrerão em diversas cidades nos próximos dias. No Rio de Janeiro, uma opção é o Festival Cervejeiro Carioca, enquanto os paulistanos podem aproveitar o primeiro festival do Festa da Firma. Em Belo Horizonte, a sétima edição do Botecar continua.

Para quem busca uma novidade, uma excelente opção está em Ribeirão Preto (SP). Na próxima quinta-feira, será lançada a Manipueira Selvagem IFSP, como parte do Projeto Manipueira, produzida no laboratório de cervejaria do Instituto Federal de São Paulo, campus de Sertãozinho.

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Confira essas e outras novidades do Menu Degustação do Guia:

Festival Cervejeiro Carioca
O Festival Cervejeiro Carioca brinda os cariocas com sua edição de verão no Parque das Figueiras, na Lagoa, neste sábado e domingo, das 12h às 22h. O evento gratuito apresenta mais de 40 rótulos de cervejas artesanais, incluindo marcas renomadas como Pakas, Indigo e Criatura, além da Fractal e outras. Além da variedade de cervejas, o público que for ao Festival Carioca poderá desfrutar das delícias do BBQ Beer Festival, com churrasco e hambúrgueres de alta qualidade. O Festival Carioca também destaca moda e design cariocas, com a participação da Feira O Fuxico, entre outras marcas. A diversão é garantida com DJs renomados, como DJ Saddam e DJ Daniel Faria, e apresentações ao vivo. Para as famílias, há um espaço kids com brinquedos e recreadores na estrutura do Festival Carioca.

Festival do Festa da Firma
O Festa da Firma, perfil de humor e memes do ambiente corporativo com 1 milhão de seguidores, vai realizar a primeira edição do BarFest em São Paulo. O festival, que acontece de segunda-feira (20) até 3 de dezembro, reúne 20 bares adorados pela comunidade corporativa, oferecendo combos promocionais para almoço e happy hour. Com o intuito de fortalecer os laços entre os profissionais, o evento proporciona uma oportunidade para celebrar o ano de trabalho, com descontos de 25% a 30% em pratos individuais durante o almoço. Além disso, o BarFest conta com parcerias de marcas relevantes como Ambev, Engov e Cinemark, proporcionando ativações personalizadas nos locais participantes.

Botecar em BH
A sétima edição do Botecar, festival gastronômico de botecos de Belo Horizonte, está movimentando 37 bares na capital mineira, distribuídos por todas as regionais da cidade. Até o dia 30 de novembro, os amantes da gastronomia poderão degustar pratos criativos inspirados na mineiridade, tema escolhido para este ano. O festival conta com uma variedade de opções para todos os gostos, mantendo preços acessíveis, entre R$ 30 e R$ 40. A escolha do melhor prato será decidida pelo público e por um júri especializado, cada um contribuindo com 50% dos votos. Todos os bares participantes e seus pratos podem ser conferidos no Instagram do Botecar.

Manipueira do IFSP
A Manipueira Selvagem IFSP, uma cerveja fermentada com mandioca, será lançada em Ribeirão Preto, em um evento na próxima quinta-feira (23), às 18h30, no Bar do Dabi Business Park. A cerveja faz parte do Projeto Manipueira da Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva), utilizando micro-organismos encontrados na mandioca colhida em Ribeirão Preto. A apresentação incluirá os resultados científicos do Projeto Manipueira e a celebração da primeira safra produzida na região, que fermentou e maturou por 12 meses em barril de madeira. O evento é gratuito, com opção de ingresso para degustação por R$ 15,00, e as inscrições podem ser feitas no link.

Samba Rock da Loba
A Cervejaria Loba agitará a Praça Duque de Caxias, no bairro de Santa Teresa, em Belo Horizonte, de sexta-feira a domingo, com o evento Samba Rock Santerê. A segunda edição promovida pela cervejaria mineira de Santana dos Montes contará com chopes a partir de R$ 10, incluindo a linha especial da marca e chope de vinho. A diversidade musical está garantida com shows que abrangem diversos estilos. Na sexta-feira, destaque para o Super Máquina com o melhor do rock dos anos 80 e 90. No sábado, Legião Urbana 2 homenageia o grupo liderado por Renato Russo, e às 16h, uma atração de samba ainda a ser confirmada. O domingo traz o Bloco Axé das Antigas, Putz Grilla, Pagode do Rei e Marcos Staino com o melhor do rock. A entrada é gratuita, com retirada de convites pelo Sympla.

9º ano movimentado da Lohn
A Lohn Bier, sediada em Lauro Müller (SC), celebra seu nono aniversário relembrando conquistas, como a popularização da Catharina Sour e o título de mais premiada do Brasil por três anos consecutivos com a Carvoeira. A marca registrou um crescimento de 40% nas vendas no primeiro semestre de 2023 e tem capacidade de produção de 5 milhões de litros anuais. A empresa destaca a parceria com clubes de futebol, o lançamento de chope em garrafas PET e a recente introdução da Carvoeira em latas com nitrogênio para comemorar seu aniversário.

Novo Laboratório de leveduras
A startup Biosab Leveduras, localizada em Ribeirão Preto, anunciou a inauguração de seu primeiro laboratório, apoiado pelo governo do Estado de São Paulo, para desenvolvimento e fabricação de leveduras. O projeto visa reduzir a dependência da indústria brasileira de cerveja de insumos importados, fornecendo leveduras de baixo custo e exclusivas. O laboratório, localizado no Supera Parque, teve apoio da Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado de São Paulo, através da InvestSP e da DesenvolveSP. A Biosab Leveduras planeja fornecer leveduras em pequenas quantidades inicialmente, expandindo a estrutura no futuro.

Bolsa da ESCM
A Escola Superior de Cerveja e Malte (ESCM) está oferecendo uma bolsa integral para o curso Técnico em Cervejaria – Mestre Cervejeiro a Distância. O aluno selecionado receberá uma ajuda de custo de R$ 3.000,00 em passagens para as aulas presenciais na sede da instituição em Blumenau (SC). As inscrições estão abertas até 10 de dezembro e podem ser feitas por candidatos com renda mensal per capita de até meio salário mínimo. A formação dura 18 meses, com aulas de segunda a sexta-feira.

Lata com raízes gaúchas
A Dado Bier fez o lançamento da nova lata da cerveja Lager Leve. A repaginação da embalagem, com um design jovem e minimalista, reforça o orgulho das origens gaúchas da marca, nascida em Porto Alegre. Sob o lema “contra dado, não há argumento”, a campanha destaca a conexão com o Rio Grande do Sul. A nova lata da Lager Leve está disponível em diferentes tamanhos e pode ser encontrada em supermercados e lojas de conveniência em todo o Rio Grande do Sul.

Eisenbahn + Paul McCartney
A Eisenbahn tornou-se a patrocinadora oficial da turnê de Paul McCartney no país, marcando um inédito apoio a eventos internacionais para a marca. Essa parceria está alinhada à campanha Modo Eisen, que promove viver momentos com atenção aos detalhes e na velocidade 1x. Para a Got Back Tour 2023, que passa por São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte e Curitiba, a marca encoraja a experiência única de assistir ao lendário artista sem o uso do celular.

Bolsas de estudo do Grupo Petrópolis
O Grupo Petrópolis anunciou a disponibilidade de mil novas bolsas de estudo para colaboradores e seus familiares, distribuídas em suas oito unidades fabris. Em parceria com a SoulCode e a Fundação Crescer Criança, a iniciativa tem como objetivo promover a inclusão e profissionalização de jovens talentos, oferecendo cursos nas áreas de desenvolvimento de software, sites e análise de dados. Os participantes mais destacados poderão ser contratados por meio do Programa de Jovem Aprendiz, integrando as inovações e soluções tecnológicas da companhia para o desenvolvimento sustentável.

Reconhecimento às ações sustentáveis
A Ambev alcançou reconhecimento internacional ao se tornar a primeira cervejaria da América Latina a receber a aprovação da Science-based Targets Initiative (SBTi) para suas metas de redução de emissões de curto prazo. Este marco destaca a dedicação da empresa à descarbonização e práticas sustentáveis, fortalecendo sua presença na agenda ESG. A SBTi, focada em alinhar metas de redução de emissões com a ciência climática, endossou as ações da Ambev, validando seu compromisso de reduzir emissões pela metade até 2030 e atingir emissões líquidas zero até 2050.

Experiências do Zé com a seleção
O Zé Delivery oferece aos consumidores cadastrados no programa de recompensas Zé Compensa uma experiência exclusiva. Os participantes terão a oportunidade de acompanhar o treino da seleção brasileira, visitar o centro de treinamento da equipe, interagir com jogadores e comissão técnica, além de assistir ao clássico Brasil x Argentina no Maracanã, no dia 21 de novembro. Os interessados podem trocar pontos acumulados no Zé Compensa pela experiência.

Programa de inclusão do Zé
A Ambev, por meio do programa de inclusão produtiva Bora Zé, está oferecendo duas mil bolsas de estudo para pessoas entregadoras em todo o Brasil. O programa, em parceria com o Zé Delivery, oferece bolsas para supletivo para ensino fundamental e médio, cursos de curta duração, conexão para geração de renda e formação para processos seletivos em varejo e logística. A Ambev pretende impactar a vida de 120 mil pessoas por mês, oferecendo conhecimento, formação e oportunidades de emprego dentro do ecossistema. As inscrições estão abertas até 19 de dezembro.

Warung + Heineken
O Warung Beach Club, renomada casa noturna catarinense de música eletrônica, celebra seus quase 21 anos com uma parceria inovadora com a Heineken. A parceria promete ampliar a diversão para o público tanto na sede do clube, na Praia Brava de Itajaí, quanto em eventos como o Warung Tour e o Warung Day Festival. Além de renovar a pista Inside, o Warung e a Heineken planejam projetos futuros, incluindo iniciativas na Warung Store, na gravadora Warung Recordings e na escola de DJs do clube, a Warung School.

Repetição de casos de racismo evidencia falta de ações eficientes no setor

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Apesar das iniciativas em diversas frentes, as questões estruturais que perpetuam o racismo ainda são amplamente presentes no Brasil. Diariamente, diversos casos de racismo evidenciam consideráveis desafios para se alcançar a equidade, com o setor cervejeiro não fugindo a essa realidade.

Recentemente, o segmento, que nos últimos anos enfrentou casos alarmantes, foi novamente marcado pela violência racial durante a edição de 2023 da Oktoberfest Blumenau. O incidente ocorreu na semana seguinte a uma operação policial motivada por outra ocorrência de racismo, essa da edição anterior da festividade, em 2022.

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Esses casos no meio cervejeiro não apenas refletem a presença do racismo no país, mas também destacam a escassez de mudanças e a necessidade de maior eficiência nas ações de combate à discriminação em um país de trajetória marcada pela discriminação, avaliaram especialistas ouvidos pela reportagem do Guia.

 “Sempre ignorou-se a triste história da escravidão no Brasil e como isso influenciou a sociedade e o que temos como resultado é uma menor fatia da população detendo o poder e no meio cervejeiro não é diferente”, analisa a sommelière Evy Lins.

Cinara Gomes, sócia-fundadora da Cervejaria Serafina, acredita que as ações realizadas nos últimos anos pouco ajudaram a mudar o que ela avalia ser a persistência de uma mentalidade racista. “Pequenas ações e pontuais estão sendo feitas mais para cumprir um protocolo politicamente correto, que é ter a presença de negros ali como forma de dizer: nosso evento é diverso, plural, inclusivo, para não escancarar um abismo estruturante que é a perpetuação de quem manda e de quem tem o poder aquisitivo e de quem de fato quer manter os privilégios que sempre teve”, conta.

O sócio-fundador da Cervejaria Implicantes, Diego Dias, também analisa que o racismo  sempre fez parte da sociedade. Nos casos vistos na Oktoberfest, ele sugere que o problema não está na festividade em si, mas avalia que uma visão equivocada sobre culturas pode ser um componente importante da prática de um racismo recreativo nas convivências interpessoais dentro de um dos mais famosos eventos do setor cervejeiro.

“As repetidas ocorrências de racismo talvez possam ser explicadas por questões específicas nossas. Por ser um festival que remete à cultura alemã (europeia), acaba fazendo com que muitos racistas se sintam menos constrangidos para se manifestarem, por acreditarem, de forma equivocada, que aquele seria um ambiente próprio”, diz o profissional da cervejaria gaúcha.

Mas e as mudanças?
Quanto às mudanças, o sócio da Implicantes argumenta que embora algo venha sendo feito, a discussão ocorre apenas após os eventos ou no mês de novembro, próximo ao Dia da Consciência Negra. “Passado um tempo, há um esquecimento por parte do setor, pois é uma questão estrutural”, afirma.

Para a sommelière Sara Araújo, o mercado cervejeiro está mais preocupado em não ser rotulado como racista do que em combater efetivamente o racismo. Ela ressalta a falta de representatividade negra nos eventos e a apropriação do discurso antirracista, sem mudanças substanciais na prática. “É para dizer, ‘olha nós estamos nos letrando, estamos pensando nisso, temos um comitê de diversidade aqui dentro da empresa’. Mas, na prática mesmo, a mudança não ocorre”, completa.

Falta de ações efetivas?
Se o racismo ainda é um problema profundo e estrutural que vai além do setor cervejeiro, Dias destaca que a mudança também necessita ser profunda, cotidiana e com verdadeira responsabilização dos envolvidos nos atos racistas. “Não basta um simples vídeo de desculpas, com cara de triste, no estilo ‘quem me conhece sabe(…) Tenho até amigos que (….)’. É necessária uma verdadeira reflexão por parte do setor e de toda a sociedade para que algum dia essas cenas lamentáveis e violentas (ainda que não fisicamente) fiquem de fato no passado”, completa.

Evy Lins lamenta a elitização persistente no meio cervejeiro e enfatiza a importância de dar voz e poder às pessoas pretas no setor. “São necessárias atitudes eficazes contra os autores de atos racistas e a favor da igualdade para que o setor evolua”, acrescenta.

Para Cinara, é fundamental reestruturar a própria base dos eventos e adotar ações efetivas contra atos racistas para promover a evolução do setor. “Se tivesse sido amplamente combatido e punido em 2020, 2021, 2022, além da adoção de uma educação antirracista sistêmica, não estaríamos falando disso”, completa a sócia da Cervejaria Serafina.

No entanto, apesar dos avanços legislativos, como a equiparação do crime de injúria racial ao de racismo pela Lei 14.532/2023, Sara destaca a falta de punição efetiva nos casos de racismo e a necessidade de uma educação sobre o tema nos eventos cervejeiros.  “Entende-se que é imprescritível e inafiançável, logo, a gente já tem esse grande avanço legislativo, contudo, as práticas ainda continuam no mesmo status de antes”, diz.

Afinal, como destaca Cinara, a representatividade negra não deve ser apenas simbólica, mas sim uma busca por mudanças reais e inclusivas. “Ainda estamos lutando pelo direito de existir em paz e com muita dificuldade financeira em nossos negócios. Quer diversidade no meio? Colaborem com nossos negócios de forma sistêmica para conseguirmos chegar mais fortes”, finaliza.

Alagoinhas se firma como polo cervejeiro e faz festival para promover cultura

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Um dos principais polos cervejeiros do Brasil estará em festa neste fim de semana. Localizada a 108 quilômetros de Salvador e com 151 mil habitantes, a cidade de Alagoinhas, que recebeu recentemente o status de “Capital Estadual da Cerveja”, promove, entre sexta-feira e domingo, o Bahia Beer, um festival cervejeiro realizado não apenas para entreter as pessoas, mas para consagrar a cidade e destacar a importância do turismo e da cultura em torno da bebida.

O título de “Capital Estadual da Cerveja” foi concedido devido à importância da bebida na rotina da cidade, que abriga fábricas de duas das principais cervejarias do Brasil: o Grupo Heineken e o Grupo Petrópolis.

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Além disso, há planos para a instalação de uma unidade da Cervejaria Cidade Imperial. E estima-se que existam 30 cervejarias artesanais na região, consolidando o setor de bebidas como um componente significativo na economia local, contribuindo com 28,1% do PIB e gerando aproximadamente 3 mil empregos entre fabricação e distribuição, de acordo com estimativas dos gestores locais.

“Alagoinhas transformou-se naturalmente na capital baiana da indústria da cerveja, uma vez que a qualidade da nossa água é uma riqueza inigualável, sendo fundamental para o surgimento de um polo industrial cervejeiro de grande porte”, celebra a deputada estadual Ludmilla Fiscina (PV), alagoinhense e autora do projeto de lei que conferiu o título à cidade.

“Temos a melhor água do Brasil e a segunda melhor do mundo para bebidas, por isso, nada mais importante do que projetar a nossa cidade para o Brasil e o mundo com o que temos de mais valioso e ainda gerando emprego e renda para nosso município e região”, completa a deputada.

Mas se a água desempenha papel crucial na atração de cervejarias, há a visão de que incentivos à indústria, a realização de eventos e o estímulo ao turismo também são essenciais para fortalecer a identidade de Alagoinhas como cidade cervejeira.

“Através do Bahia Beer já podemos sentir os efeitos positivos no setor hoteleiro, que já está super movimentado, bem como no setor de artesanato, onde os artesãos e varejistas já produzem inúmeras peças com a temática do evento”, destaca Bruno Fagundes, secretário de Desenvolvimento Econômico de Alagoinhas.

Assim, ao se abrir para os visitantes do seu festival cervejeiro, Alagoinhas espera, também, chamar a atenção para toda a cadeia envolvida no setor. “A expectativa é colocar a cidade nos holofotes como destino para consumidores cervejeiros, liderando um movimento de expansão, aprendizado e potencialização de negócios entre produtores, agricultores e distribuidores”, comenta Ludmilla.

A atuação como um polo cervejeiro já se dá a partir do foco no estímulo ao desenvolvimento da indústria de bebidas e de insumos, com iniciativas que envolvem incentivos fiscais, auxílio na aquisição de áreas industriais e formação de mão de obra qualificada, possível em função da existência de  cursos de graduação, pós-graduação e técnicos nas áreas de interesse dessas indústrias.

“Nos esforçamos muito para garantir as melhores condições e o melhor ambiente de negócios possível para as empresas do setor. Prova disso é o fato do município ter leis próprias com incentivos fiscais para as empresas desse ramo, auxiliar na aquisição de áreas para construção de indústrias e ofertar mão de obra abundante e qualificada para o setor”, afirma o secretário de Desenvolvimento Econômico de Alagoinhas.

E ele garante que há atenção com o estímulo aos pequenos empreendedores, o que inclui uma preocupação especial com a qualificação da atividade.

Promovemos redução significativa das taxas municipais para os pequenos produtores artesanais que desejem se formalizar e vamos trabalhar forte na qualificação desses produtores através de parcerias firmadas com instituições como Senac e Sebrae, para garantir a qualidade dos nossos produtos e lucro para os nossos produtores

Bruno Fagundes, secretário de Desenvolvimento Econômico de Alagoinhas

A primeira edição do Bahia Beer se soma, assim, a essas iniciativas, sendo um passo inicial para uma agenda de encontros cervejeiros em Alagoinhas, como ressalta o secretário. “Almejamos cada vez mais fortalecer a divulgação das nossas potencialidades com um calendário de eventos anuais em torno do fomento à cultura cervejeira, sejam eventos técnicos ou de entretenimento”, pontua.

Programação e destaques do festival cervejeiro em Alagoinhas

O festival, inspirado na tradicional Oktoberfest, ocorrerá no Parque de Exposições Miguel Fontes. A programação do Bahia Beer inclui a participação de diversas cervejarias, concursos, shows musicais, gastronomia, palestras e rodadas de negócios.

O Concurso do “Melhor Tira-Gosto” para a cerveja reunirá bares e botecos da cidade, apresentando um “tira-gosto inovador” harmonizado com cerveja. Os jurados avaliarão originalidade, sabor e harmonização, enquanto o público também poderá votar em seu favorito.

O Circuito Cerveja no Prato será um festival gastronômico com pratos à base ou harmonizando com cerveja, envolvendo restaurantes e bares da cidade, além da integração com outros produtos regionais, como os cítricos, presentes na feira.

O festival também dará destaque especial aos setores ceramista, de artesanato e eucalipto, com reuniões e discussões para promover essas atividades, incentivando a produção local e fomentando o interesse na temática cervejeira.

Concursos como “A Melhor Artesanal do Brasil”, “Melhor Cerveja Caseira do Brasil”, “Cerveja no Prato” e “Rainha da Cerveja” prometem agitar a edição, adicionando um toque competitivo e celebrativo à celebração da cultura cervejeira em Alagoinhas.

Balcão do Tributarista: A importância do Simples para as microcervejarias

Balcão do Tributarista: A importância do Simples Nacional para as microcervejarias – Regularidade fiscal em foco


A escolha adequada e bem orientada do regime de tributação é um dos pilares fundamentais para o sucesso e a sustentabilidade de qualquer negócio, independentemente da atividade ou porte da empresa. No ramo cervejeiro, a relevância do regime tributário Simples Nacional, sobretudo para as microcervejarias, é conhecida.

O Simples Nacional destaca-se como uma opção atrativa para micro e pequenas empresas, incluindo aí as microcervejarias. Isso porque este regime de tributação oferece uma simplificação no recolhimento de tributos, unificando diversas obrigações fiscais em uma única guia, o que reduz a burocracia e os custos administrativos. Consequentemente, o chamado “custo tributário” acaba também ficando reduzido.

Entretanto, é importante sempre ter em mente que existem outros regimes de tributação disponíveis, como o Lucro Real e o Lucro Presumido, que devem ser considerados com cuidado, especialmente à medida que o negócio cresce e expande suas operações. E essa necessidade se fortalece nos tempos atuais, de Reforma Tributária prestes a ser implementada. Cada regime possui suas particularidades e impactos na carga tributária, seus ônus e suas vantagens. Tudo isso torna fundamental a avaliação criteriosa do regime a ser adotado.

Voltando ao tema da coluna deste mês, o Simples Nacional, precisamos nos atentar que já chegamos ao final do ano, momento crucial para as empresas que desejam permanecer no regime simplificado no próximo exercício.

Para tanto, é necessário que a empresa esteja em situação de regularidade com as obrigações fiscais. Eventuais pendências podem resultar na exclusão do Simples Nacional, o que pode acarretar em um aumento substancial da carga tributária. Portanto, é fundamental que as microcervejarias optantes do Simples e que desejam permanecer nesse regime estejam atentas e proativas na resolução de eventuais pendências fiscais.

É prudente que se faça uma revisão minuciosa de todas as obrigações acessórias, como a entrega das declarações fiscais, bem como o pagamento dos tributos devidos. Além disso, é essencial manter uma comunicação efetiva com a contabilidade, assegurando que todas as informações estejam corretas e em conformidade com a legislação vigente.

É importante salientar que a regularidade fiscal não se restringe apenas às obrigações junto à Receita Federal. Os órgãos estaduais e municipais também têm papel crucial nesta equação, sendo necessário estar em conformidade com as exigências específicas de cada jurisdição.

Enfim, o Simples Nacional representa uma valiosa oportunidade para as microcervejarias, mas sua manutenção requer diligência e atenção às obrigações fiscais. O final do ano é o momento ideal para revisar e resolver quaisquer pendências que possam comprometer a regularidade fiscal da empresa.


Clairton Gama é advogado e sócio do escritório Kubaszwski Gama Advogados Associados. Possui mestrado em Direito pela UFRGS e é especialista em Direito Tributário pelo IBET. Além disso, é cervejeiro caseiro.