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Pesquisa desenvolve cerveja com cajá potencialmente probiótica

Membros do Centro de Pesquisa em Alimentos da USP desenvolveram uma cerveja com potencial probiótico e que leva cajá em sua composição. O objetivo do trabalho é otimizar os efeitos do aumento de microrganismos benéficos na microbiota intestinal a partir do consumo moderado de cerveja.

Probióticos são microrganismos vivos, geralmente bactérias, que podem ser adicionados em alimentos para se alojarem principalmente no intestino, produzindo efeitos positivos à saúde. No trabalho com cerveja da USP, foi utilizada a bactéria Lacticaseibacillus paracasei F19.

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Se trata de uma bactéria que gera ganhos para a digestão de alimentos e a absorção de nutrientes, o que se avalia ter efeito contra a obesidade, com resultados positivos em estudos com modelos animais, assim como no fortalecimento do sistema imune.

No trabalho, coordenado por Susana Saad, professora da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP, foram feitas quatro formulações de cerveja, todas contendo o probiótico. Em uma versão foram adicionados o probiótico e o suco do cajá; em outra, o probiótico e o bagaço da fruta; na terceira, o probiótico com o suco e o bagaço combinados; e na quarta, só o probiótico, para funcionar como grupo controle.

“A fruta e seu subproduto foram utilizados exclusivamente com o intuito de dar sabor à cerveja. No geral, o resultado foi uma cerveja leve, refrescante e ácida, o que a coloca na categoria de cerveja Sour. Boa para o clima brasileiro, especialmente no verão”, diz Marcos Herkenhoff, pós-doutorando em genética de microrganismos cervejeiros na Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP e coautor do estudo.

O trabalho contou com a avaliação sensorial de 117 voluntários. Eles deram notas de 1 a 9 para avaliar se gostaram das cervejas e de 1 a 5 sobre a possibilidade de as adquirir.  

“Três delas obtiveram nota seis de aprovação e três de consumo. Se destacou a formulação feita com o suco, que obteve notas sete e quatro, respectivamente. No geral, eles aprovaram a acidez, que é um diferencial potencializado pelo probiótico”, relata Ana Beatriz Praia, mestre em Tecnologia Bioquímico-Farmacêutica pela Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP e primeira autora do estudo.

De acordo com o trabalho, as cervejas que levavam o cajá conseguiram manter uma quantidade de microrganismos entre 22% e 40% menor do que a produzida pelo grupo controle. Isso indica que os efeitos probióticos podem existir, embora isso demande mais estudos.

“Isso mostra que há uma chance grande dessas cervejas manifestarem os efeitos do probiótico esperados. Se os níveis de bactérias são suficientes para isso, precisaremos verificar em estudos com animais e clínicos”, explica Herkenhoff.

Com fermentações alcoólica, produzida pela sua levedura, e lática, gerada pelo probiótico, essa cerveja tem menos calorias e graduação alcoólica do que um rótulo tradicional. “Por haver duas fermentações, o seu teor alcoólico também é menor: fica entre 2,6% e 3,4%, enquanto o teor médio de uma cerveja convencional varia entre 4,8% e 5,2%”, comenta o pesquisador.

O desenvolvimento de uma cerveja à base do bagaço do cajá poderia trazer benefícios à cadeia produtiva do fruto. O cajá é produzido principalmente na agricultura familiar e é muito utilizado na região Norte em sucos, sorvetes e doces em geral. Mas, em geral, o bagaço é descartado, só se aproveitando o suco.

“Há poucas pesquisas que indicam formas de aproveitar esse subproduto. Esse conhecimento poderá, no futuro, agregar maior valor ao fruto e fortalecer a cadeia de produção”, diz Ana Beatriz. “Se os benefícios probióticos da cerveja à base de cajá forem confirmados, isso certamente seria um diferencial de produto”, conclui Herkenhoff.

Balcão A Dança: Em época de selvageria

Balcão A Dança: Em épocas de selvageria

Você não sente e não vê. Mas eu não posso deixar de dizer, meu amigo…

Mais uma vez abrimos os caminhos com as palavras de Belchior. Pois a força poética e futurista apresentada nas linhas acima percorrem desde os meus pensamentos ao escrever essa coluna quanto flutuam ao redor dos atuais acontecimentos do mercado. 

SELVAGERIA! O mundo está um caos, e o ser humano tem provado em diversas ocasiões que seus instintos selvagens e irracionais que teriam ficado a alguns milhões de anos atrás, estão bem vivos hoje! 

Mas, não é sobre essa selvageria que estou falando aqui. 

Que potência tem sido trocar e vivenciar esse momento em que muitos participantes do mercado olham para nossa flora e buscam na natureza inspiração para criar! Não é necessariamente algo novo o que está acontecendo, pois desde os experimentos de André Junqueira e os olhares atentos de Cilene Saorin, há mais de uma década, já há sinalizações de que esse é um ótimo – e fundamental – caminho. 

E hoje criamos, colaboramos, estudamos e discutimos cervejas selvagens, manipueira, lúpulos brasileiros, madeiras e frutos regionais, métodos e linguagens culturais próprias em diálogo com a craft beer. 

Ainda é cedo para dizer que o rumo é a construção da Escola Cervejeira Brasileira, mas se temos tanto por aqui, por que não sonhar?

Ou melhor, por que não realizar?

Além do diálogo a nível federal com o poder público visando criar melhores condições tributárias e estruturais para o mercado, a atual gestão da Abracerva – que traz Gilberto Tarantino como presidente – tem criado pontes para aproximar a cerveja artesanal do universo da gastronomia – vide evento “Cerveja é Gastronomia” ocorrido em junho de 2022, na faculdade Anhembi Morumbi, em São Paulo, com apoio do Sindicerv – e isso é mais um importante passo para o avanço, crescimento e amadurecimento do mercado. A cerveja precisa estar na mesa!

Durante o evento tive o prazer de conhecer e conversar bastante com o Diego Rzatki (Cervejaria Cozalinda e um dos idealizadores do projeto Manipueira) sobre a sinergia entre a busca e utilização do terroir BR com as ações identitárias, educacionais e culturais que a Graja Beer desenvolve como metodologia de ação no fundão da cidade. Uma pensa e trabalha a produção para dentro do copo. E o outro, do copo para fora. Mas ambos olham, falam e celebram nosso povo! Nossas riquezas e diversidades. De nós para nós. Ambas olham para como se vive. Como se consome e como se produz Brasil afora.

Há ainda uma jornada longa à frente nessa maturação de uma cultura cervejeira nacional. Há muita água (malte, lúpulo, levedura e o que quisermos) pra rolar, mas em épocas de selvageria, a nossa já fala por si. 

E com as palavras do Diego durante seu painel, encerro:

Não fazemos uma cerveja com brasilidade. A brasilidade faz nossas cervejas.


Leandro Sequelle é morador do subdistrito do Grajaú, bairro no extremo sul de São Paulo, sendo idealizador da cervejaria social Graja Beer. É tido como referência na pauta diversidade dentro do mercado e atua junto à Abracerva na busca da ampliação das soluções referentes ao tema.

Evento une gastronomia e harmonização com 20 artesanais no Rio

A união entre cerveja e gastronomia será fortalecida neste fim de semana com a presença relevante de marcas artesanais em um evento no Rio de Janeiro. Com o apoio da Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva) e da MeuChope, 20 representantes do segmento irão participar da feira #FarofadoBrasil, um dos eventos do Mesa Ao Vivo Rio, que também contará com harmonizações cervejeiras.

O Mesa Ao Vivo acontece no Village Mall. Nele, a Abracerva estará presente em uma degustação e duas harmonizações dentro da programação de aulas. Neste sábado (18), a sommelière de cervejas Priscilla Colares, coordenadora no núcleo de sommelieria da Abracerva, irá guiar as harmonizações para as criações de Bianca Barbosa e Rodrigo Galvão, na aula que tem como tema “quitutes, afetos e movimentos: das raízes dos ingredientes à inovação da experiência”, com início às 19 horas.

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No domingo (19), em outra união entre cerveja e gastronomia no Rio, a harmonização será para os pratos da aula “Sud e Rafa, a vida em constante fermentação”, de Rafa Brito e Roberta Sudbrack, também às 19h. Mais cedo no domingo, às 17h, as cervejas artesanais serão as protagonistas da degustação “Explorando os sabores das cervejas artesanais”, também conduzido por Priscilla Colares. Os interessados devem se inscrever através do site do Mesa ao Vivo Rio.

“A cerveja, como bebida democrática, também precisa ocupar seu espaço nas mesas dos restaurantes e na alta gastronomia assim como nos bares, na praia, festivais e churrascos. Participar do circuito Mesa Ao Vivo é mais uma etapa desta missão de mostrar cerveja é gastronomia”, explica Gilberto Tarantino, presidente da Abracerva.

Apoio às artesanais
No #FarofadoBrasil, feira gastronômica com o tema “a voz, a força e o sabor da cozinha carioca”, as cervejarias artesanais irão expor e comercializar seus produtos. São elas: Botto Bier, Brewing 2 go, Búzios, Carioca, Centenária, Complexo Cervejeiro, Esplendido, Hocus Pocus, Indigo Brewing, Masterpiece, Matisse, Noi, Pakas, Paranoide, Praya, Story Brew, The Doctors, Three Monkeys, Viquim e Xingu.

A venda de cerveja será realizada por meio do aplicativo MeuChope e do sistema de autosserviço InTap, que permite ao consumidor degustar os chopes no volume que desejar e de forma autônoma.

“Acreditamos muito no potencial do chope como harmonizador na alta gastronomia. As pessoas harmonizam vinhos, por que não harmonizar uma cerveja artesanal? Existem milhares de rótulos, com diferentes ingredientes e sabores”, afirma Augusto Sato, fundador e co-CEO da MeuChope

A iniciativa se soma a outra ação da MeuChope, que está oferecendo até R$ 20 mil em vouchers para cada cervejaria artesanal associada à Abracerva bonificar seus pontos de venda para compras de produtos pelo aplicativo MeuChope Marketplace, que integra cervejarias com bares, restaurantes, empórios e o consumidor.

“Essa parceria vem em um ótimo momento. Estamos lançando um pacote de incentivo de R$ 5 milhões em vouchers para fomentar o mercado cervejeiro artesanal. Queremos fazer com que o app MeuChope Marketplace seja o principal aliado dos estabelecimentos para redução de custos com taxa 0% e para aumentar seu mix de produtos com cervejarias locais”, conclui Sato.

Marcas usam tradição vinícola do Brasil na busca por excelência na Grape Ale

A busca pela excelência na produção de cervejas pelas marcas artesanais do Brasil vem tendo a aliança com o mundo e as características do vinho. Aproveitando uma longeva trajetória do país na produção vinícola, especialmente na região Sul, algumas das mais renomadas e premiadas marcas têm unido essa tradição para adentrar em uma das tendências internacionais: a fabricação de cervejas do estilo Grape Ale e suas variações.

O estilo, surgido em cervejarias da Itália em meados dos anos 2000, ganhou projeção mundial em 2015, quando foi reconhecido pelo BJCP, o principal guia de estilos do mundo. Desde então, conquistou paladares – e medalhas – pelo mundo.

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Essa cerveja combina o perfil de um vinho espumante e uma cerveja de base relativamente neutra, permitindo que as qualidades aromáticas da uva se misturem com os aromáticos do lúpulo e da levedura, podendo variar de refrescante a complexo.

Nessas combinações, a proximidade entre cultivo de uvas e a cervejaria, pode trazer o terroir característico de cada região para o produto, que costuma ser fabricado em edições limitadíssimas, algo que acaba aguçando ainda mais a curiosidade do público cervejeiro, em trabalhos que têm sido reconhecidos pela excelência em competições cervejeiras.

No Concurso Brasileiro de Cervejas deste ano, por exemplo, o melhor rótulo entre todos os participantes foi uma Sour Italian Grape Ale, a Tannat Grape Ale, da Alem Bier. A marca da cidade gaúcha de Flores da Cunha, aliás, também foi eleita a melhor da competição, graças às várias medalhas conquistadas pela sua enorme variedade de Grape Ales, vencendo uma acirrada disputa com outra cervejaria do Rio Grande do Sul, a Leopoldina, de Bento Gonçalves.

“Ao pensar na produção de uma Grape Ale e suas variações, usa-se um processo já conhecido e consolidado, que é a produção de vinho, aliado à produção de cerveja, que garantem produtos de alta qualidade, com pouco ou nenhum defeito, além de proporcionar uma experiência diferente do que aquela única e exclusivamente do vinho ou da cerveja”, diz Danielle Mingatos, sommelière de cervejas e co-fundadora da Cia de Brassagem Brasil.

Mais do que a ligação do estado de origem, as duas cervejarias também estão próximas por suas relações com vinícolas. A Leopoldina, por exemplo, é pertencente ao grupo da Casa Valduga, conhecido pela produção de vinhos e espumantes. E possui desde 2015 uma Grape Ale em seu portfólio.

Já a Alem Bier nem existia quando a Leopoldina apresentou sua Grape Ale ao mercado. Mas fundada em 2017, está localizada dentro da vinícola Monte Reale. É a atual bicampeã do Concurso Brasileiro de Cervejas, também tendo o melhor rótulo da disputa em 2021 e, agora, em 2023.

“As cervejarias que partem para esse estilo ou têm uma vinícola ou têm parceria com uma vinícola, e estas detêm a tecnologia do uso de madeiras e da produção de vinho, aliando este conhecimento para a produção de cerveja”, avalia a co-fundadora da Cia de Brassagem, que também fez parte do júri do concurso em Blumenau.

O sucesso de cervejarias ligadas à vinícolas também significa que essas marcas estão aproveitando uma tradição local envolvendo outra bebida para incrementar suas produções, apostando nas Grape Ales, como avalia Guilherme Rossi, atual vencedor do Campeonato Brasileiro de Sommelier de Cervejas.

“Faz sentido, tendo essa tendência no mercado mundial de se fazer cervejas com uva, que o brasileiro procure reproduzir esse estilo, porque já tem o mosto da uva, já tem a uva, até fazendo parcerias com vinícolas. Pode ser que isso seja também um motivo para que algumas cervejarias estejam investindo nisso, porque ninguém precisa importar a uva. Você consegue com um pequeno produtor, por exemplo”, diz.

O sucesso das Grape Ales em concursos também pode estar relacionado com a tentativas das marcas de acompanharem tendências mundiais. “Os estilos novos sempre vão ter uma repercussão maior. Tem mais cervejarias tentando fazer produtos dentro dessas novidades, assim como as mais gabaritadas buscam aprimorar os processos. Já foi assim com outros estilos e agora é com as Grape Ales”, avalia Gui Rossi.

Para além do sucesso em concurso, as Grape Ales também são vistas como atrativas para o consumidor pela grande variedade de opções, indo das ácidas mais leves até aquelas cervejas mais encorpadas, como destaca a co-fundadora da Cia de Brassagem. Não à toa, outras marcas conhecidas do segmento de artesanais se aventuram nesse estilo, como Cozalinda, Dádiva, Bodebrown, Campos do Jordão e Xamã, que ganhou suas duas medalhas em Blumenau em 2023 nesta categoria.

Vale observar que temos muitas variações que atendem desde pessoas que gostam de cervejas ácidas, com notas selvagens, até pessoas que gostam de uma cerveja mais frutada. As cervejas do estilo Grape Ale e suas variações conseguem atender uma grande gama de paladares

Danielle Mingatos, sommelière de cervejas e co-fundadora da Cia de Brassagem Brasil

Já para a sommelière de cervejas Paula Pampillón, as Grape Ales demonstram que há um mercado a ser explorado pelos produtores de vinho no Brasil, ampliando a relação entre os dois mundos. “É um fato importante para as cervejarias se posicionarem saindo do óbvio e buscarem novos horizontes. Ficou claro que com sabedoria e excelência as vinícolas encontraram um nicho no mercado nacional de cerveja”, diz.

12 opções cervejeiras para celebrar o Saint Patrick’s Day em 2023

Para o setor cervejeiro, esta sexta-feira é uma das mais especiais no calendário. Afinal, 17 de março é a data do Saint Patrick’ Day, uma das tradicionais celebrações do segmento e que em 2023 coincidiu com o dia mais cervejeiro da semana. Não à toa, serão várias celebrações no Brasil, em uma festividade que nasceu na Irlanda, mas foi ganhando força e território ao longo dos anos.

O Saint Patrick’s Day lembra o aniversário de morte de São Patrício, o padroeiro da Igreja Católica na Irlanda. No país europeu, as comemorações envolvem toda a sociedade, sendo considerado um importante feriado. A data é a única em que é permitido consumir bebida alcoólica nas ruas do país, com a Igreja Católica suspendendo a proibição do consumo de álcool durante a Quaresma.

No Brasil, a data também é sinônimo de celebração. Assim, o Saint Patrick’s Day em 2023 terá diversos festivais e eventos, assim como lançamentos e promoções. E para ninguém ficar de fora da celebração, a reportagem do Guia selecionou algumas das centenas de opções.

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Confira algumas iniciativas realizadas em razão do Saint Patrick’s Day em 2023:

Nas ruas de Joinville
Para celebrar o Saint Patrick’s Day em 2023, Joinville terá, pela primeira vez, um evento de rua alusivo à tradição irlandesa, com chope e adereços na cor verde. O St. Patrick’s Day na Rua será no domingo, das 11h às 20h, na avenida Hermann August Lepper, onde ocorre a Rua do Lazer, no bairro Saguaçu. A entrada é gratuita. As 20 cervejarias participantes irão apresentar a sua versão de chope verde e outras 150 opções dos mais variados estilos para serem apreciados no copo oficial do evento. Também terá opções sem álcool e sem glúten. Serão 15 food trucks com variados pratos além do fish & chips.

Goose Island
O Goose Island Brewhouse aproveita a data com uma programação especial com lançamento, muita música e reabertura do seu beer garden. O lançamento conta com a união dos sabores do clássico Irish Coffee em uma cerveja sazonal, a The Irishman, uma Irish Brown Ale com café, nibs de cacau e lactose. E quem for à brewhouse da Goose e pedir um pint de 470ml da The Irishman, vai ganhar uma dose de 50ml de uísque. Além disso, quem se chamar “Patrícia”, Patrick” ou “Patrício” ganha esse combo até domingo.

Evento do Polo de Campinas
Desta sexta-feira (17) até domingo (19), o Saint Patrick’s Day será celebrado em Campinas (SP), com a presença de 25 cervejarias artesanais do polo cervejeiro da região metropolitana da cidade. As cervejarias levarão mais de 100 torneiras de chope à Praça Carlos Gomes, de estilos variados, entre eles as IPAs, Sours, Stouts, Lagers e, claro, o chope verde.

Madalena
A comemoração da cervejaria Madalena tem direito a chope verde, caneca personalizada e música ao vivo, indo de sexta-feira até domingo. Localizada em Santo André, no ABC Paulista, a cervejaria realiza neste fim de semana eventos especiais. Além do chope verde, os clientes ainda podem escolher entre os diversos estilos nas 25 torneiras disponíveis na casa, como Lager Premium, Bohemian Pilsen, Double IPA, Weiss, Stout, Lager Light, Sandy Lemon, entre outros. Os interessados pagam R$ 10 na entrada ou doam 1 quilo de alimento não perecível. Os itens arrecadados durante o fim de semana são destinados ao Fundo Social de Solidariedade de Santo André.

Porks BH 
Até o domingo, as três unidades do Porks em Belo Horizonte celebram o Saint Patrick’s com a venda de 3 mil litros de chope verde. No sábado, quem for ao Porks vestido a caráter, com camisas ou blusas verdes, vai ganhar um chope verde de 440ml. No sábado e no domingo, os clientes que acharem trevos verdes premiados vão ganhar um chope verde. Os vouchers estarão espalhados pelas lojas.

Krug Bier
A Krug Bier investe nas festas de Saint Patrick’s, que em 2023 vão acontecer no Colégio Arnaldo e na Serraria Souza Pinto, em Belo Horizonte, ambas no sábado (18). Para as festividades, a marca vai produzir 20 mil garrafas de 275ml da cerveja verde, além do chope verde.

A Forja
A Forja, taverna medieval, também vai comemorar o Saint Patrick’s Day nesta sexta-feira e sábado em Belo Horizonte. A casa terá o chope verde da Läut, música, comidas e bebidas típicas, além de ambiente temático.

Rio Tap Beer House
A Rio Tap Beer House vai oferecer uma programação especial em celebração ao Saint Patrick’s Day e prepara uma série de ações festivas, novidade nas torneiras e no cardápio para a ocasião. Para entrar no clima da comemoração, o bar terá em suas torneiras o chope pilsen verde St. Patrick Pilsen Old School, além de um prato especial no menu inspirado na data: o Irish’s Starter, um fiambre artesanal acompanhado de picles de pepino, crispy de shitake, molho de mostarda e melaço, com pão de pretzel.

Mustang Sally
Neste mês de março, as quatro unidades da casa Tex-Mex de Curitiba celebram a cultura da Irlanda com muita música ao vivo, comidas e drinques temáticos. Até o dia 31, o público poderá saborear drinques e sobremesas exclusivas e experimentar o BBQ Nachos, o Guinness Burger ou o Irish Combo.

Em Campos do Jordão
Para celebrar essa data, o PlayPub Cerveja Campos do Jordão conta, além dos estilos da linha principal da Campos do Jordão, com estilos de edição limitada, produzidos e disponíveis apenas lá. Entre as opções da casa estão: New England IPA, Märzen, Sour de Pitaya com Maracujá, Festbeer e a Winebeer.

Na Nacional
Na Cervejaria Nacional, o dia de São Patrício será comemorado nesta sexta-feira e no sábado, na capital paulista, com shows de bandas, DJ com line-up de músicas irlandesas e o drinque Double Patrick’s. A combinação para a comemoração ainda inclui a Y-îara Pilsen Verde.

Noi Gastronomia
Nos bares e restaurantes da Noi no Rio de Janeiro, a comemoração já começou e conta com um combo especial que conta com uma caldereta exclusiva e chope Pilsen verde. A promoção vai até o fim de março ou enquanto durarem os estoques.

Entrevista: Como inteligência artificial auxilia a criação de uma cerveja

É possível utilizar a inteligência artificial para produzir uma cerveja? Para responder a essa pergunta na prática, a Prussia Bier, marca de São Gonçalo do Rio Abaixo (MG), fez várias outras à ferramenta que se tornou febre neste começo de 2023: o ChatGPT. E foi a partir delas que concebeu a sua mais nova cerveja, uma Black IPA.

A novidade da Prussia provocou mais perguntas, algumas delas da reportagem do Guia. Em entrevista, o diretor-executivo da marca, Fernando Cota Carvalho, relatou como foi realizar a experiência com a inteligência artificial em processos tão detalhados na produção de uma cerveja como a definição de uma receita.

Ele reconheceu que a ideia partiu, em um primeiro momento, do departamento de marketing da cervejaria, colocando a Prussia em contato com uma assunto que está muito em voga na sociedade. Mas ressaltou que a aplicação prática trouxe resultados e conclusões que vão além do óbvio burburinho provocado pelo lançamento.

Na entrevista, o executivo da Prussia relatou que foram necessários ajustes na receita, mas considerou o teste positivo, ressaltando que o uso de ferramentas de inteligência artificial ainda está em um processo inicial na indústria da cerveja.

Além disso, ponderou que será preciso disseminar informações para o ChatGPT e a outros recursos semelhantes para que eles sejam mais precisos em suas sugestões. Assim, ele espera que esse tipo de ferramenta possa contribuir para facilitar o acesso a informações envolvendo, por exemplo, os processos produtivos de uma cerveja.

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Confira, abaixo, a entrevista do Guia com Fernando Cota, diretor executivo da Prussia Beer:

Quando surgiu a ideia de criar uma receita de cerveja via ChatGPT? E como isso se deu na prática?
Na reunião com o marketing, houve esse insight e esse questionamento se a ferramenta fazia cerveja. A primeira reação foi a risada, mas depois veio o porquê não? Então, entrou o trabalho e o conhecimento profissional. Se fez a primeira consulta, com perguntas. E aí o ChatGPT deu um resumo básico da receita. Como temos conhecimento, vimos que faltaram detalhes e teve alguns erros. Então, fomos “apertando” o sistema. Foi assim que saiu uma receita, que faltou o dedo do cervejeiro para ficar razoável. Quando nosso mestre-cervejeiro recebeu o retorno, nós internalizamos a receita e fizemos ajustes para deixá-la do modo correto.

Como avalia o retorno que vocês tiveram do ChatGPT? A inteligência artificial pode ajudar na criação da receita de uma cerveja?
Para alguém que não sabe fazer cerveja, há uma limitação, pois não saberá o que perguntar ou não conseguirá chegar em uma receita que é o estado da arte. Mas para alguém com conhecimento, e isso vale para o profissional de qualquer área, é um banco de dados que pode te trazer algo sólido, porque quem faz a pergunta está preparado para dialogar a partir da resposta. Eu o definiria como um super Google, que agrupa receitas da internet que ficaram top. Hoje, vejo mais como um banco de dados do que uma inteligência artificial. Mas está caminhando para isso.

Quais foram os ajustes que vocês precisaram fazer na receita da cerveja após as sugestões do ChatGPT?
Não soltaríamos a Black IPA do jeito que recebemos a receita. Para chegar na cor que desejávamos, houve a sugestão de uso de malte escuro, mas aí seria um Schwarzbier. Tem uma técnica que ele não conseguiu captar. Também mexemos um pouco na graduação alcoólica, mas essa quase bateu. Tivemos que fazer alguma correção em função dos equipamentos que nós usamos no processo produtivo.

Diante do resultado prático que tiveram, como imaginam que a inteligência artificial pode ajudar o segmento da cerveja?

À medida que o setor for disponibilizando o seu banco de dados, acho que estaremos no caminho de arrancar de lá uma receita. Isso pode tornar o setor mais democrático, pois o “segredo” estará disponível. Uma receita poderá surgir com as melhores ranqueadas, as indicações de buscas sensoriais, mas primeiro será preciso democratizar a informação. Ensinar a inteligência artificial está mais longe do que disponibilizar as receitas para que ele faça isso. Não vejo o homem fora de qualquer processo industrial. O que vejo é a máquina se somando ao homem.

Além da receita, o design do rótulo também foi pensado com o incentivo da inteligência artificial. Como foi isso?
Buscamos colocar todo o projeto dentro dessa lógica. No caso do rótulo, nosso designer ficou responsável por essa interação. A resposta não foi tão adequada, foi preciso fazer ajustes, achamos mais complexo, pois foi necessário juntar peças variadas. Acabou sendo preciso ter mais inteligência do lado de cá para chegar ao ponto que gostamos.

É possível imaginar a Prussia utilizando a inteligência artificial em outros projetos ou mesmo em uma nova cerveja?
A conclusão a que chegamos é que vale a pena ficar atento à tecnologia para resolver questões diversas. Falamos internamente para os funcionários que devem consultar a ferramenta, se engajando no dia a dia. Ganhamos mais uma referência.

Como estão as perspectivas da Prussia para 2023? Há preocupação com a possibilidade de recessão econômica?
O início de ano nunca foi fácil para a cerveja artesanal. Desde que começamos, há 8 anos, o primeiro trimestre é sempre desafiador, o carnaval não é uma festa para a cerveja artesanal, ainda não conseguimos democratizá-la para isso. Então, não estou enxergando o ano com pessimismo. Com trabalho bem estruturado, com boas ideias de mercado, como a que tivemos, pode ser que consigamos andar para frente. Inovação é primordial. Além dos lançamentos mensais, estamos com um plano de um clube de assinatura de cerveja. Devemos entrar mais fortes nisso no segundo semestre, tem um público que deseja provar cervejas de outros estados.

Com corrida, St. Patrick’s em Teresópolis dura 4 dias e reúne 15 marcas da Rota RJ

O St. Patrick’s Day é celebrado em 17 de março, mas, ao menos neste ano, a comemoração vai durar 4 dias em Teresópolis. Na cidade da Serra Fluminense, acontecerá o St. Patrick’s Days, um festival que começa nesta quinta-feira (16) e irá até domingo, com diversas atrações, incluindo uma corrida pelas ruas, e a presença de 15 das 25 cervejarias associadas à Rota Cervejeira RJ, com o intuito de fortalecer a missão de promover o turismo cervejeiro na região.

Durante quatro dias, o St. Patrick’s Days Teresópolis terá mais de 60 rótulos de cervejas especiais, chope verde, shows de bandas locais, música irlandesa, expositores e muitas ativações, além de uma grande novidade, uma corrida cervejeira, com largada em frente ao Higino Palace Hotel, no bairro Alto.

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A disputa se insere no Circuito Cervejeiro de Corrida e se inspira na famosa St. Patrick’s Run, que ocorre em vários lugares do mundo. Em Teresópolis, a prova vai acontecer no domingo, em um percurso de 3 quilômetros. Nele, haverá três paradas, nas quais o corredor se hidratará com cerveja e muita festa, sendo recepcionado na linha de chegada com muito rock. De acordo com a organização, já são contabilizados mais de 300 inscritos.

A primeira edição do St. Patrick’s Days em Teresópolis aconteceu em 2019, quando as cervejarias da Rota RJ participaram como convidadas. Agora, neste ano, a Rota RJ é co-organizadora do evento, junto à empresa Pra Cima, o que reforçará o viés de divulgação do turismo cervejeiro, com apenas marcas vinculadas à associação participando.

“Nós nos unimos a ela [Pra Cima] para que o festival fosse criado para divulgar o turismo cervejeiro, com cervejarias somente da Rota e com ativações das prefeituras divulgando os destinos turísticos dos cinco municípios”, explica Ana Cláudia Pampillón, coordenadora da Rota RJ.

A estimativa é de que 60 mil pessoas passem pelo evento, marcado para o bairro Alto, em frente ao antigo bingo, superando os 40 mil participantes da edição de 2019. Em 2023, o St. Patrick’s Days Teresópolis terá as seguintes cervejarias participantes: Alpendorf, Barão Bier, Bohemia, Cacife, Colonus, Craft Beer, Doutor Duranz, Duas Torres, Kanton Bier, Mad Brew, Nossa Fábrica, Pontal, Rota Imperial, Sampler e Sanandu.

O St. Patrick’s Days Teresópolis, assim, está em consonância com os objetivos da Rota RJ de aquecer a economia e promover o turismo cervejeiro na região. Até por isso, a associação já se programou para participar em 2023 de outros festivais, assim como realizará eventos próprios, com três edições do Cerveja das Montanhas.

A expectativa está alta, porque os eventos ficaram muito tempo sem acontecer e os que estão acontecendo agora, estão gerando muito movimento. As pessoas estão muito empolgadas de voltarem aos eventos cervejeiros e, principalmente, às cidades do interior que carecem de eventos com música e cerveja boa. A Rota Cervejeira vê nisso uma oportunidade de divulgar o destino turístico através das cervejarias que fazem parte da Rota

Ana Cláudia Pampillón, coordenadora da Rota RJ

Com novo forno em MG, Verallia mira inovações para atender cervejarias

Aumento da capacidade produtiva e da agilidade para o atendimento às demandas de parceiros e para acompanhar as tendências da indústria de bebidas e, principalmente, cervejeira. Foi com esses objetivos que a Verallia, terceira maior produtora global de embalagens de vidro para alimentos e bebidas, investiu 60 milhões de euros na ampliação da fábrica de Jacutinga, já tendo colocado em funcionamento um novo forno dedicado ao mercado cervejeiro na sua unidade no interior de Minas Gerais.

Com o investimento, a empresa mais que dobrou a capacidade produtiva, que passou de 1,2 milhões para 2,5 milhões de garrafas diárias a partir desse ano. E com esse incremento, a Verallia espera atender a expansão da demanda dos setores cervejeiro e alcoólico com embalagens de vidro nas cores âmbar e verde.

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“Isso significa que, além de ampliar nossas relações comerciais com os clientes que já são atendidos, poderemos investir em lançamentos de novos produtos, inovações e sermos mais rápidos e flexíveis para novas tendências de embalagens que surgirem ao longo dos anos”, afirma Quintin Testa, diretor geral da Verallia Latam.

O foco da produção, nesse momento, está em atender o mercado interno, especialmente o setor cervejeiro, sendo que o portfólio de produtos para esse segmento conta com garrafas com capacidade a partir de 300ml. Assim, o novo investimento está alinhado com as expectativas de crescimento para as cervejarias brasileiras. “A maior oferta de garrafas de vidro permitirá à indústria cervejeira aumentar a capacidade de produção e ter maior previsibilidade”, afirma o executivo da Verallia.

Também para atender demandas específicas ou novas tendências, a Verallia acredita que está mais preparada com a ampliação da capacidade produtiva em Jacutinga. “Pretendemos ampliar ainda mais essas relações com clientes atuais e atrair novas parcerias. O grande diferencial que a Verallia oferece ao mercado cervejeiro é a qualidade das garrafas, aliada à inovação e funcionalidade”, diz o diretor geral da Verallia Latam, também apontando o foco da companhia em atender o mercado de cervejas artesanais.

Costumo dizer que uma garrafa bonita e funcional agrega valor ao produto e estimula a escolha do consumidor, principalmente no mercado de cervejas artesanais, que demanda por embalagens inovadoras e design, fatores que despertam a curiosidade e geram impacto positivo no aumento de venda

Quintin Testa, diretor geral da Verallia Latam

De acordo com a Verallia, além de acompanhar o crescimento da indústria e o surgimento de novas demandas, a ampliação da unidade de Jacutinga se deu em consonância com seus objetivos de sustentabilidade, tanto que esta é a fábrica da empresa de apresenta a menor emissão de CO2 entre todas as suas plantas no mundo.

“Do ponto de vista de resíduos, 100% do resíduo sólido retorna ao processo produtivo como matéria prima. Adicionalmente, a fábrica conta com uma moderna estação de tratamento de efluentes, doméstico e industrial, em circuito fechado. Todo efluente tratado neste sistema é reaproveitado internamente, sem descarte externo, reduzindo, assim, o consumo de água”, explica o diretor geral da Verallia Latam.

Após 5 anos de alta, venda de latas de alumínio recua 4,7% em 2022

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As vendas de latas de alumínio caíram no Brasil em 2022. De acordo com os dados divulgados pela Associação Brasileira de Fabricantes de Latas de Alumínio (Abralatas), houve queda de 4,7% no ano passado na comparação com 2021. Foi o primeiro recuo após cinco anos de crescimento.

De acordo com a Abralatas, a redução nas vendas de latas de alumínio ao longo do primeiro trimestre pesou para o resultado consolidado de 2022, embora tenha havido alta nas vendas no restante do ano, mas em ritmo insuficiente, portanto, para compensar a perda anterior.

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“A pandemia ocasionou uma verdadeira gangorra no mercado. Iniciamos o ano de 2022 cientes de que seria um período de ajustes e muitos desafios. Acreditamos no potencial do nosso produto, em um novo ciclo no mercado e estamos preparados para este futuro”, afirma Cátilo Candido, presidente executivo da Abralatas.

Ao revelar os números das vendas de latas em 2022, a associação elencou quatro razões para o recuo: a questão climática, em um ano em que as temperaturas foram menores que nos anos anteriores; a reabertura de bares e restaurantes, com consumo maior de bebida em vidro; os eventos mundiais, como a Copa do Mundo e a precoce eliminação do Brasil; e a repressão no consumo, ocasionada principalmente pela inflação.

Apesar da continuidade do protagonismo da cerveja, a Abralatas também tem percebido o crescimento do consumo de diversos outros tipos de bebidas em lata, como energéticos, refrigerantes, drinques, vinhos, uísque, café e água.

“Os resultados de 2022 nos mostram que, mesmo em meio a um contexto adverso, temos a resiliência e a coragem de continuar investindo e ressignificar nossa atuação. Vimos que o setor se reinventa e se supera, mostrando que a latinha continua no caminho certo, conquistando cada vez mais os consumidores brasileiros

Cátilo Candido, presidente executivo da Abralatas

A associação também destacou que embora 2022 tenha sido um ano de recuo, o setor de latas de alumínio vem realizando investimentos relevantes recentemente, que somam US$ 1 bilhão e vão ser concluídos até 2024, com a inauguração de novas unidades fabris e linhas de produção de latas de alumínio para bebidas.  

Ainda atuando na Rússia, Heineken admite ter feito lançamentos e contratações

Cerca de um ano após o início da guerra na Ucrânia e do anúncio de que iria sair da Rússia, o Grupo Heineken continua operando no país, além de ter realizado lançamentos em 2022, a maior parte envolvendo a marca Amstel e refrigerantes, assim como reforçou a sua equipe de funcionários.

A revelação de detalhes sobre a atuação da Heineken na Rússia foi realizada pelo site Follow the Money. A companhia, então, reconheceu que segue operando no país em uma longa explicação, com perguntas e respostas, publicadas em seu site oficial, além de garantir que continua com o compromisso de sair de Moscou.

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“Deveríamos ter deixado claro desde o início que o negócio na Rússia precisaria introduzir novos produtos locais para evitar a falência depois que a marca Heineken e duas outras grandes marcas internacionais (Guinness e Miller) foram retiradas do mercado no início da guerra”, explica a empresa em trecho da publicação. “Percebemos que isso criou ambiguidade e dúvidas sobre nossa promessa de deixar a Rússia. Por isso, pedimos desculpas”, acrescenta.

De acordo com informações publicadas pelo site Follow the Money, a Heineken lançou 61 produtos na Rússia em 2022 e teve um acréscimo de 72 milhões de litros de cervejas e refrigerantes vendidos. Isso incluiu três versões da Amstel – Amstel Fresh, Amstel Extra e Amstel Natur Wild Berries –, além da Black Sheep, marca de cerveja Stout desenvolvida para substituir a Guinness.

Uma das citações obtidas pelo site afirma que a empresa decidiu entrar no mercado de refrigerantes da Rússia após as saídas de Pepsi e Coca-Cola. O Follow the Money afirma ter obtido as informações através do site https://www.heinekenrussia.ru/, que nesse momento está fora do ar.

A divisão russa do Grupo Heineken é denominada Heineken Breweries LLC. A companhia reconheceu que a empresa em operação na Rússia realizou 243 contratações em 2022, o que diz ter gerado um saldo positivo de 20 vagas no país. “Novas contratações foram necessárias para manter o negócio operacional devido à saída de funcionários e para realizar tarefas que antes eram feitas na sede global, mas agora devem ser feitas localmente em preparação para a transferência para um novo proprietário”, afirma.

No comunicado, o Grupo Heineken ainda afirma que a fase atual representa um período de transição para viabilizar a sua saída da Rússia. “As operações russas, lideradas pela equipe de gestão local, estão focadas na continuidade do negócio e solvência (capacidade de continuar a cuidar dos funcionários, pagar salários, pagar fornecedores, etc.) fazendo a ponte até ao momento da transferência de propriedade”, diz.

Assim, a companhia reconhece que ainda não foi realizada a desvinculação da operação russa. “Agora estamos passando para a próxima fase em que estamos desvinculando os negócios da Rússia para permitir que eles operem independentemente da Heineken em preparação para a transferência para um novo proprietário”, explica.

O Grupo Heineken ainda garante que não está obtendo lucro ou royalties advindos da operação na Rússia. “Deixamos claro desde o início que não lucramos com as operações em andamento e não lucraremos com a transferência de propriedade”, afirma. “Não há royalties recebidos por nenhuma marca desde março de 2022 e não haverá royalties no futuro. Não haverá suporte do Grupo Heineken a novos proprietários para quaisquer marcas remanescentes após a transferência”.

A empresa ainda reforça a intenção de deixar a Rússia e espera que esse processo seja concluído até a metade de 2023. “Apesar de tudo isso, e embora seja frustrante que esteja demorando tanto, continuamos totalmente comprometidos em deixar a Rússia”, diz. “Continuamos confiantes de que chegaremos a um acordo no primeiro semestre de 2023, seguido das aprovações necessárias das autoridades russas”, conclui.

Em sua publicação, o Grupo Heineken também destaca não ser a única empresa que tem encarado desafios para encerrar as operações na Rússia, do mesmo modo como anunciaram dezenas de empresas de origem ocidental assim que foi iniciado o conflito com a Ucrânia.

“A situação na Rússia é sem precedentes e a realidade para empresas com grandes operações de produção e manufatura no país é desafiadora e complexa. Todas as transferências de negócios precisam de várias aprovações pelas autoridades locais. Não somos a única empresa lutando para sair; pesquisas acadêmicas recentes mostram que apenas 9% das empresas deixaram a Rússia”, argumenta.

A Heineken Breweries LLC iniciou a sua atividade na Rússia em 2002, operando sete cervejarias e duas fábricas de malte. Ela é considerada a terceira maior cervejaria do país.