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Humor “retornável”: O que motivou a parceria entre Porta dos Fundos e Ambev

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Amplamente explorado por marcas de cerveja em suas campanhas de marketing, o humor ganhou uma nova nuance por meio de uma colaboração entre dois importantes representantes desses setores. Em um contexto voltado para a sustentabilidade, a Ambev convocou a equipe do Porta dos Fundos para criar um esquete que promovesse o uso de embalagens retornáveis.

A fim de compreender a razão por trás dessa união e a maneira como foi preparada a comunicação da mensagem da cervejaria ao público pelo Porta dos Fundos, o Guia entrevistou dois de seus membros: André Vinicius, vice-presidente de negócios, e Gabriela Niskier, roteirista do grupo.

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Na entrevista, eles abordam como o humor pode ser uma ferramenta eficaz na promoção de novos comportamentos, como é o desejo da Ambev, para impulsionar o aumento do uso de garrafas retornáveis pelos consumidores. Além disso, destacam como uma campanha criativa pode chamar a atenção do público habituado aos quadros humorísticos produzidos pelo Porta dos Fundos.

A iniciativa não é sem propósito, já que a Ambev tem como meta tornar 100% de seus produtos disponíveis em garrafas retornáveis ou feitas principalmente a partir de materiais reciclados até 2025. E no vídeo intitulado “Ativismo“, Rafael Portugal e Evelyn Castro exploram como a utilização de embalagens retornáveis pode ser tanto uma escolha consciente quanto uma forma de ativismo ambiental.

Segundo o último relatório de sustentabilidade da companhia, a Ambev encerrou o ano de 2022 com 50,15% de suas embalagens recicladas e 43% em formato retornável. No que se refere ao conjunto das embalagens, a taxa de conteúdo reciclado foi de 55,9% no ano anterior, sendo que para o vidro o índice foi de 49,8%. Além disso, a empresa reportou que 43,4% do volume de cerveja vendido em 2022 estava acondicionado em embalagens retornáveis.

Confira, na entrevista, como a colaboração com o Porta dos Fundos tem o potencial de impulsionar esses números da Ambev, por meio de insights compartilhados por André Vinícius, vice-presidente de negócios, e Gabriela Niskier, roteirista do grupo:

Como surgiu a parceria entre o Porta dos Fundos e a Ambev para criar a esquete sobre garrafas retornáveis? 
André Vinicius: Somos parceiros da Ambev há anos, dado o histórico de sucesso dessa relação, o time de retornáveis enxergou que o Porta seria o melhor parceiro para trazer de forma leve e humorada a mensagem de que o ato de beber cerveja também pode ser ativismo graças às garrafas retornáveis.

Vocês acreditam que a abordagem humorística pode gerar engajamento e promover mudanças reais nos hábitos de consumo da audiência?
AV: Sempre acreditamos no humor como saída. E isso também é considerado na hora que queremos transmitir mensagens mais desafiadoras ou promover novos hábitos. O Porta nasce propondo exatamente esse movimento, desde que nos lançamos como uma comunidade, revolucionamos a maneira como as pessoas consomem humor e abordam temas de forma muito proprietária. 

A cultura cervejeira muitas vezes está associada a momentos de descontração, celebração e convívio social. De que forma o Porta dos Fundos busca incorporar elementos dessa cultura em suas produções humorísticas?
AV: O Porta é a principal referência de humor no Brasil por conseguir trazer conteúdos de relevância cultural. Quem assiste a um vídeo do Porta se identifica com a situação, pois optamos por retratar o dia a dia de forma irreverente, mas sempre muito verdadeira e sem perder a graça. O comportamento da sociedade não apenas é incorporado nas produções, como é nossa inspiração criativa.   

O vídeo “Ativismo” aborda de forma divertida os benefícios ambientais do uso de garrafas retornáveis. Na visão do Porta dos Fundos, qual é o papel do humor e da sátira ao abordar questões sérias como sustentabilidade e meio ambiente?
Gabriela Niskier: O humor tem a vantagem de tratar com leveza assuntos que, de qualquer outra forma, teriam mais resistência em serem compreendidos ou aceitos por todos. A sustentabilidade e o meio ambiente se enquadram nesses assuntos essenciais. 

Como é o processo criativo ao desenvolver esquetes ou campanhas com foco em questões socioambientais?
GN: Buscamos levantar situações cotidianas que atravessem com bom humor a mensagem que desejamos tratar com a campanha, tentando mirar sempre na identificação do público.

Pesquisa busca traçar perfil do consumidor em busca de insights ao setor cervejeiro

Em busca de insights valiosos para auxiliar profissionais do setor cervejeiro na definição de estratégias, a pesquisa “Retrato dos Consumidores” está agora em sua quarta edição. Conduzida pelo hub de conteúdo cervejeiro Surra de Lúpulo, esta iniciativa vai coletar respostas até 31 de agosto, com os resultados sobre o perfil do consumidor programados para serem divulgados em dezembro.

Nas três edições anteriores, a pesquisa acumulou 7.417 respostas provenientes de todos os estados brasileiros. A continuidade desse trabalho e a significativa participação de respondentes têm levado os responsáveis pela pesquisa a acreditarem que, agora, em 2023, será possível apresentar resultados mais abrangentes ao público.

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“Estamos trabalhando na reorganização dos dados dos últimos três anos para podermos apresentar um relatório ainda mais completo e profundo do nosso consumidor. Essa nova organização vai possibilitar uma análise comparativa de dados ano a ano, e para isso incluímos em nossa equipe uma analista de dados”, diz Leandro Bulkool, designer e apreciador de cervejas artesanais.

O questionário também passou por ajustes em relação às edições anteriores da pesquisa, incluindo um aprofundamento nas temáticas em alta entre os consumidores, como a cerveja sem álcool, conforme compartilha Ludmyla Almeida, criadora de conteúdo no perfil IPAcondriaca e sommelière de cervejas.

“Reformulamos o questionário, de uma forma mais completa e aprofundada em relação aos anos anteriores e assim teremos ainda mais informações sobre os hábitos dos brasileiros em relação à esta bebida, incluindo mais detalhamento sobre o consumo de cerveja sem álcool”, afirma.

Aqueles interessados em participar da pesquisa sobre o perfil do consumidor podem fazê-lo por meio deste link. Em 2022, “Retrato dos Consumidores” registrou a participação de 4.388 respondentes, um número que os organizadores têm a expectativa de superar em 2023.

“Consideramos que, neste quarto ano, chegamos num ponto de maturidade do projeto. Para dar este contorno, decidimos fazer investimentos muito importantes, principalmente no formulário e na organização dos dados”, concluem Bulkool e Ludmyla.

Empresa de cannabis compra 6 marcas de cerveja da Anheuser-Busch

A Tilray Brands, uma empresa canadense de cannabis e bens de consumo, realizou a aquisição de oito marcas de bebidas da Anheuser-Busch nos Estados Unidos, incluindo seis de cerveja. Essa estratégia impulsionará a companhia para a quinta posição entre as cervejarias artesanais do país.

A transação, de acordo com informações da imprensa dos Estados Unidos, está avaliada em US$ 85 milhões. As marcas de cerveja que foram adquiridas são: Shock Top, Breckenridge Brewery, Blue Point Brewing Company, 10 Barrel Brewing Company, Redhook Brewery e Widmer Brothers Brewing. Além disso, a aquisição engloba a cidra Square Mile Cider Company e a fabricante de energéticos HiBall Energy.

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Com esta movimentação, a Tilray Brands incorporou instantaneamente seis marcas de cerveja, localizadas em três estados, incluindo oito brewpubs. Todas essas adições passarão a fazer parte da estrutura da empresa, que também adquirirá fábricas e manterá as equipes de funcionários das marcas.

“A aquisição dessas marcas de cerveja e bebidas não apenas se baseia na lealdade sólida dos consumidores, mas também enriquece ainda mais o segmento em crescimento das bebidas alcoólicas da Tilray nos Estados Unidos”, declarou a empresa de cannabis em um comunicado sobre o negócio envolvendo marcas de cerveja e outras bebidas.

A Tilray Brands, que inicialmente focava em pesquisa, cultivo e distribuição de cannabis, vem ampliando sua presença no mercado de bebidas, sendo proprietária da Breckenridge Distillery e da Happy Flower CBD, produtora de coquetéis não-alcoólicos.

Atuando também no setor da cerveja, a empresa de cannabis já possuía as marcas Sweetwater Brewing, Montauk Brewing, Green Flash e Montauk Brewing. Prevê-se que essa aquisição catapulte a Tilray Brands da nona para a quinta posição no mercado de cervejas artesanais dos Estados Unidos, com uma fatia de 5% no volume total de vendas.

“Com esta transação, nosso segmento de cerveja deverá triplicar de tamanho, passando de 4 milhões para 12 milhões de caixas anualmente. Olhando para o futuro, planejamos maximizar ainda mais o potencial dessas marcas por meio de inovação de produtos, parcerias com varejistas e expansão de distribuição em mercados-chave, como o Noroeste do Pacífico e a Califórnia”, diz Ty Gilmore, presidente da Tilray Brands para cerveja nos Estados Unidos.

A companhia também pretende aproveitar as redes de distribuição da Anheuser-Busch para reforçar sua presença em todo o território americano. “Essa ação consolida nossa posição de liderança nacional e nosso papel no mercado de cervejas artesanais nos Estados Unidos. Além disso, representa um passo significativo em nossa estratégia de diversificação. Estamos entusiasmados por colaborar com as equipes por trás dessas marcas icônicas, que desfrutam de grande fidelidade por parte dos consumidores e têm um histórico de lançamento de produtos premiados e de rápido crescimento”, comenta Irwin Simon, presidente e CEO da Tilray Brands.

As negociações para essas aquisições tiveram início no começo deste ano, destacando o redirecionamento de foco da empresa, que já não se limita apenas ao mercado de cannabis. Isso se deve à concorrência acirrada no país e ao lento progresso da legalização nos Estados Unidos.

“As mentes talentosas por trás dessas marcas e cervejarias, aliadas aos nossos investimentos significativos ao longo dos anos, as posicionaram para um futuro promissor com a Tilray Brands”, afirma Andy Thomas, presidente das marcas high-end da Anheuser Busch, ramo norte-americano da AB InBev.

Essa negociação, que envolve a aquisição simultânea de seis marcas de cerveja, amplia a tendência de grandes grupos deixando o mercado de cervejas artesanais nos Estados Unidos ou ao menos reduzindo suas participações.

Recentemente, a Constellation Brands vendeu a Funky Buddha, da Califórnia, de volta para seus antigos proprietários. Da mesma forma, a Four Corners Brewing, de Dallas, foi readquirida por seus fundadores. Seguindo esse rumo, a Anheuser-Busch revendeu a Appalachian Mountain Brewery and Cidery para seus criadores. Além disso, a Sapporo anunciou o fechamento das operações da Anchor Brewing, em um movimento de grande impacto.

Conheça as seis marcas que estão sendo adquiridas pela Tilray Brands:

  • Shock Top: É uma premiada cerveja de trigo belga tradicional que foi inicialmente introduzida em 2006 como uma edição sazonal. Após conquistar a medalha de ouro no North American Beer Awards na categoria Belgian White, ela tornou-se uma cerveja fixa.
  • Breckenridge Brewery: Fundada em 1990 na cidade homônima do Colorado, essa cervejaria cresceu para se tornar uma das mais reconhecidas nos Estados Unidos. Atualmente, possui seu brewpub original em Breckenridge e um renomado restaurante chamado Farm House em Littleton, próximo a Denver.
  • Blue Point Brewing Company: Fundada em 1998 por dois amigos com o objetivo de trazer cervejas artesanais para Long Island. Com o passar dos anos, cresceu para se tornar uma das maiores cervejarias do estado de Nova York.
  • 10 Barrel Brewing Company: Fundada em 2006 em Bend, Oregon, por uma equipe com a mentalidade de produzir, consumir e se divertir com cerveja. Hoje, possui uma equipe premiada de cervejeiros e opera quatro brewpubs, dois em Bend e um em Portland, ambos no Oregon, e outro em Boise, no Idaho. Em 2023, conquistou três medalhas de ouro e uma de prata no World Beer Cup.
  • Redhook Brewery: Estabelecida em Seattle, Washington, em 1981, produz cervejas há décadas. O Redhook Brewlab, inaugurado em 2017 em Capitol Hill, Seattle, apresenta um sistema de produção de 8 barris, permitindo aos consumidores experimentarem as últimas criações.
  • Widmer Brothers Brewing: Fundada em Portland, Oregon, em 1984, é uma das maiores cervejarias artesanais do Noroeste do Pacífico. No Best of Craft Beer Awards de 2023, a Hefe conquistou o ouro na categoria American Wheat e a Widmer Brothers foi premiada como “Grande Cervejaria do Ano”.

Produção global de cerveja tem crescimento modesto em 2022; veja top 40

A produção mundial de cerveja teve um crescimento modesto em 2022, de acordo com o levantamento anual realizado pelo BarthHaas Group, uma das principais empresas de lúpulo do planeta. Houve aumento de 25 milhões de hectolitros, o que representa alta de 1,3% em relação a 2021, totalizando 1,89 bilhão de hectolitros. O relatório destacou que a maior parte dessa expansão se concentrou nas principais cervejarias.

Segundo o relatório, o ano de 2022 foi caracterizado pelo aumento da produção nas grandes cervejarias, enquanto as regionais tiveram mais dificuldade em compensar as perdas de volume sofridas durante a pandemia. O levantamento apontou que a participação das 40 maiores cervejarias do mundo no volume global subiu de 85,7% em 2021 para 88,1% em 2022.

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No segmento de cervejas artesanais, o ano de 2022 também foi marcado por algumas aquisições, como as compras, nos Estados Unidos, da Stone Brewing pela japonesa Sapporo Breweries e do Canarchy Group pela fabricante de bebidas Monster.

Também houve movimentação das multinacionais cervejeiras. O Grupo Heineken passou a deter participação majoritária no United Breweries Group, na Índia, bem como do Grupa Zywiec, na Polônia, e da Namibia Breweries. A Diageo vendeu a cervejaria etíope Meta Abo para o Groupe Castel. Já a empresa dinamarquesa Royal Unibrew adquiriu uma participação majoritária na norueguesa Hansa Borg.

A lista das 40 maiores cervejarias continua liderada pela AB Inbev, seguida pelo Grupo Heineken. No entanto, a chinesa Snow Breweries subiu para a terceira colocação, ultrapassando a Carlsberg. E o Grupo Petrópolis permaneceu na 12ª posição, mesma posição ocupada em 2021.

O Top 40 teve duas novas inclusões em relação a 2021, com a venezuelana Polar em 37º lugar e a belga Martens na 40ª colocação, substituindo a United Breweries Group e a alemã Veltins.

Crescimento por continente e país
Em relação ao crescimento por continente e país, os cinco principais países produtores de cerveja – China, Estados Unidos, Brasil, México e Alemanha – tiveram uma queda na participação na produção mundial, que caiu para 49%.

A Ásia teve um crescimento de 8,3 milhões de hectolitros, com destaques para Índia, Tailândia e Coreia do Sul. A África registrou o maior aumento proporcional de todos os continentes, com um acréscimo de 6,6 milhões de hectolitros, impulsionado por África do Sul e Etiópia.

As Américas tiveram um aumento de 6,1 milhões de hectolitros na produção, com destaque para México e Brasil. No entanto, os Estados Unidos apresentaram recuo de 10,1 milhões de hectolitros.

Apesar de uma queda relevante na produção na Ucrânia, a Europa registrou um aumento na fabricação de cerveja em 2022, de 3 milhões de hectolitros, com destaques para Espanha e Alemanha.

Desafios da pesquisa
O relatório destaca os desafios enfrentados na obtenção de dados precisos de produção de cerveja em alguns países, citando a dificuldade em obter números exatos e a existência de discrepâncias entre diferentes fontes.

“Os volumes de produção aqui, que em alguns casos são estimativas, estão baseados em um exame minucioso de todos os dados disponíveis e em nosso próprio julgamento”, diz.

Esse fato levou a uma revisão dos números de produção de cerveja em 2021, resultando em um volume total corrigido de 1,87 bilhão de hectolitros, 6 milhões a mais do que o originalmente relatado.

Confira abaixo as 40 maiores cervejarias do mundo em 2022, de acordo com o relatório do BarthHaas Group:

Ambev busca se equilibrar entre redução dos custos e desaceleração do consumo

Na busca por otimizar vantagens e minimizar efeitos negativos, a Ambev, com a divulgação do seu resultado financeiro do segundo trimestre de 2023 e a apresentação de resultados para analistas, buscou potencializar a redução da pressão sobre os custos de produção e o crescimento de suas marcas premium em contraposição ao cenário de desaceleração do ritmo de consumo.

Entretanto, no mercado financeiro, os recados mais desafiadores tiveram um impacto inicial significativo. Após a divulgação do balanço, na quinta-feira (3), a ação da Ambev desvalorizou 2,79% em um único dia na B3, a bolsa de valores do Brasil, caindo de R$ 15,05 para R$ 14,63, e só recuperando parte do seu valor na sexta-feira (4), encerrando a semana com preço de R$ 14,71.

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O balanço indicou queda de 15,2% no lucro líquido, para R$ 2,958 bilhões, e de 2,2% no volume, para 41,302 milhões de hectolitros, em comparação com o segundo trimestre de 2022, embora tenha havido um aumento na receita, que alcançou R$ 18,898 bilhões no período de abril a junho.

A empresa também teve uma redução de 2,5% no volume de cerveja comercializado no Brasil, mas garante que isso não representou uma perda de participação de mercado. “O que vimos no segundo trimestre foi um impacto no mercado como um todo, A indústria caiu no geral, não fomos só nós”, diz o CFO da Ambev, Lucas Lira.

Analistas de mercado ressaltam que o ritmo de crescimento das vendas das marcas premium da Ambev superou o do Grupo Heineken, seu principal concorrente no país. “A Ambev cresceu aproximadamente 35% no mercado de cerveja premium no país, superando o crescimento de um dígito da Heineken no trimestre”, afirmam os analistas Leandro Fontanesi e Pedro Fontana, do Bradesco BBI.

Para o CEO da Ambev, Jean Jereissati, a indústria tem sido afetada pela diminuição da “euforia” do consumidor, ainda mais que o resultado tem como base para comparação o segundo trimestre de 2022, período próximo do encerramento das restrições impostas durante a pandemia. “Em abril e maio de 2022, vimos um momento de maior euforia. Em junho, porém, voltamos a estar acima dos números de 2022”, comenta.

Na apresentação aos analistas, a Ambev indicou que fatores como a renda disponível dos consumidores e sua disposição para pagar mais serão determinantes para a definição de eventuais reajustes de preços ao longo dos próximos meses.

“Seguiremos flexíveis em relação à renda disponível dos consumidores e acompanhando a disposição de pagarem mais”, diz Jereissati. “As alavancas da indústria estão saudáveis. Vejo racionalidade na competição”, acrescenta.

Entre os aspectos considerados positivos, a Ambev destacou a redução dos custos de produção de cerveja, o que levou a empresa a revisar suas projeções para 2023. Antes, previa-se uma alta dos custos entre 6% e 9,9%, mas agora a expectativa é que varie de 2,5% a 5,5% neste ano.

“Os custos esse ano vêm crescendo menos, o que é ótimo. Sofremos muito da pandemia para cá. Esse ano, temos o real se apreciando e o alumínio caindo de preço. Assim, nossa performance do lado do custo tem melhorado e atualizamos nosso guidance”, comentou Lucas Lira.

A equipe de analistas do Itaú BBA destaca que a redução da pressão dos custos acabou sendo antecipada. “Era amplamente esperado que os custos desacelerassem em 2024. Com o guidance, vemos uma antecipação dessa deflação para o final de 2023″, afirmam Gustavo Troyano e Bruno Tomazetto. “A perspectiva favorável para os custos é uma mudança bem-vinda”, dizem Leonardo Alencar e Pedro Fonseca, analistas da XP Investimentos.

A menor inflação sobre os custos de produção, vista como boa notícia após alguns trimestres de pressão, pode permitir para a Ambev a recuperação das margens, que foram reduzidas em outros trimestres.

“Custos com vento favorável são uma mudança de ritmo bem-vinda, com inflação mais baixa no Brasil e preços mais baixos de cevada e energia, além do alumínio, indicando que a margem deve continuar a se expandir à frente”, completa a equipe de analistas da XP. “Estamos de lado até entender melhor a tendência de expansão de margens da companhia”, pondera a equipe de análise do Itaú BBA.

Big Jack é melhor cervejaria da South Beer Cup; veja brasileiras que foram ouro

A grande campeã da South Beer Cup em 2023 é brasileira: a Big Jack, marca da cidade catarinense de Orleans, foi eleita a melhor cervejaria da competição, cuja premiação ocorreu na noite de sábado em Montevidéu, capital do Uruguai.

Para garantir a condição de melhor cervejaria da South Beer Cup, a Big Jack conquistou cinco medalhas: duas de ouro, para Lua de Mel com os Parças e Cabula 2; uma de prata, para a Belgian Tetra Hop; e duas de bronze, para Altbier e A Lenda do Tatu Gigante.

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A Big Jack já havia se destacado no Concurso Brasileiro de Cervejas deste ano, realizado em Blumenau (SC), onde foi considerada a terceira melhor marca da competição e a principal de Santa Catarina. Agora, brilhou na edição de 2023 da South Beer Cup, subindo ao pódio ao lado das argentinas Cheverry, em segundo lugar, e Priston, em terceiro.

A South Beer Cup é conhecida como “Libertadores das Cervejas“, pois reúne apenas cervejas premiadas em outras competições. Em 2023, realizou sua 11ª edição, sendo a primeira vez fora do Brasil e da Argentina.

Além da Big Jack, outras marcas brasileiras também se destacaram na South Beer Cup, conquistando nove medalhas de ouro. A Walfänger, de Ribeirão Preto (SP), também recebeu dois ouros, com a Helles e a Doppelbock.

A La Birra Cervejaria, de Caxias do Sul (RS), ganhou ouro com a Black IPA. A Kairós, de Florianópolis, faturou seu ouro com a Naufragados. A Flanders Red Ale, da Mina Beer, de Ametista do Sul (RS), também foi premiada com ouro. A Wolfes Bier, de Sertãozinho (SP), arrematou a medalha principal com sua Vienna Lager.

A Faroeste, de Itajaí (SC), ganhou ouro com a Jane M. F. Catharina Sour Maracujá e Hibisco. A Dona Lupulina, de Goiânia, recebeu a honraria pela Amber Weiss. E a Três Torres, de João Neiva (ES), arrematou seu ouro com a Hop Red.

Confira, nas imagens, todas as medalhistas da South Beer Cup em 2023:

Pinguim-de-Magalhães ganha cerveja na luta pela preservação

A biodiversidade serviu novamente de inspiração para a criação de uma cerveja pela Cia de Brassagem Brasil, em parceria com o Aquário de Ubatuba (SP). Desta vez, o rótulo é chamado de “Pinguim-de-Magalhães”, lançado para celebrar o sexto aniversário da cervejaria.

A “Pinguim-de-Magalhães” é uma Witbier com 5,1% de graduação alcoólica e 11 IBUs de amargor. Essa cerveja traz notas condimentadas e cítricas provenientes da semente de coentro e da casca da laranja-Bahia. “Ousamos e adicionamos uma camada de sabor à nossa Witbier utilizando polpa de pitanga”, explica Danielle Mingatos, mestre-cervejeira da Cia de Brassagem Brasil.

A “Pinguim-de-Magalhães” é uma Witbier com 5,1% de graduação alcoólica e 11 IBUs de amargor. Essa cerveja traz notas condimentadas e cítricas provenientes da semente de coentro e da casca da laranja-Bahia. “Ousamos e adicionamos uma camada de sabor à nossa Witbier utilizando polpa de pitanga”, explica Danielle Mingatos, mestre-cervejeira da Cia de Brassagem Brasil.

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Desde sua criação em 2017, a Cia de Brassagem é conhecida por realizar parcerias em seus rótulos que visam dar visibilidade à luta pela conservação dos animais da fauna. Agora, a novidade destaca a importância dos pinguins, que enfrentam dificuldades devido à redução de alimentos nos mares causada por ações como pesca predatória, poluição marinha e mudanças climáticas.

O pinguim-de-magalhães (Spheniscus magellanicus) é uma espécie que se reproduz na costa da Argentina, do Chile e das Ilhas Malvinas, sendo conhecido por realizar migrações mais longas, chegando até a margem da plataforma continental do norte da Argentina, ao Uruguai e ao Brasil.

Como é costumeiro em suas parcerias, parte das vendas da cerveja Pinguim-de-Magalhães será destinada ao Aquário de Ubatuba, um empreendimento privado com a missão de contribuir para a educação e a preservação ambiental, buscando sensibilizar os visitantes sobre o valor do patrimônio marinho.

Os pinguins-de-magalhães que vivem no Aquário de Ubatuba também são os protagonistas do filme “The Penguin & The Fisherman” (O Pinguim e o Pescador, em uma tradução livre). A história é baseada em fatos e narra a relação de Din Din, um pinguim-de-magalhães salvo por Seu João, um pescador de Ilha Grande. O filme, dirigido por David Schurmann, tem previsão de estreia para 2024.

Seis anos de trajetória
Em maio, a Cia de Brassagem comemorou seu 6º ano de fundação, período em que enfrentou desafios, como a pandemia e a crise econômica, mas também comemorou conquistas e marcou seu nome no segmento de cervejas artesanais.

“Dentro dos primeiros 90 dias de atuação no mercado, recebemos o prêmio Brasil Brau de Negócios Cervejeiros, o que nos encheu de gratificação. O prêmio chancelou nossa proposta na categoria Responsabilidade Social, validando nosso propósito”, lembra Danielle.

A marca buscou fomentar a experiência cervejeira, aproximando-se do público, com a criação de seu bar. “Em 2018, pouco depois de completarmos um ano, tivemos a experiência de nosso bar, que nos permitiu uma aproximação com os consumidores através de um serviço diferenciado, onde nos dedicamos a disseminar a cultura cervejeira, explicando as famílias, escolas e estilos”, diz.

Depois, durante a pandemia, foi necessário passar por uma fase de transição, com a pausa na produção e a revisão do portfólio. “Por sermos uma cervejaria cigana, interrompemos nossa produção e trabalhamos com o estoque até o momento em que o mercado começou a retomar as atividades, embora com muitas restrições. Praticamente recomeçamos, revisando nosso portfólio”, relata.

Mas a marca retomou a produção com novos projetos e lançamento de rótulos marcantes, tendo, em sua trajetória, parceria com organizações como a Fundação Projeto Tamar e o Instituto Pró-Carnívoros.

Entre as cervejas criadas, destacam-se “Tartaruga-de-Pente”, “Onça-Pintada”, “Mico-Leão-Dourado”, “Ariranha”, “Tamanduá-Bandeira” e a “Sentimentos de Brasilidade”, uma Catharina Sour com elementos brasileiros. “Temos um imenso orgulho dessa cerveja, que foi lançada no primeiro aniversário da cervejaria e chegou ao terceiro lote”, relembra a mestre-cervejeira.

Entre outras, a cervejaria também desenvolveu a “Canário-da-Terra”, uma releitura da caipirinha, e a “Dubbel Sour”, em parceria com a Los Compadres, tendo sido premiada no Concurso Brasileiro de Cervejas de 2020, em Blumenau.

80% das cervejarias têm até dez funcionários, revela pesquisa do Guia

80% das cervejarias têm até dez funcionários, revela pesquisa do Guia

A imensa maioria das cervejarias artesanais no Brasil conta com estruturas enxutas, com 80% delas tendo, no máximo, dez funcionários. E eles, em muitos casos, se dividem em várias tarefas. É o que revela a pesquisa “O Ano de 2022 para as Cervejarias“, realizada pelo Guia da Cerveja.

De acordo com o levantamento, acessível no link, 61% das cervejarias possuem menos de 5 funcionários em sua estrutura. Em 19% dos empreendimentos, há entre 6 e 10 colaboradores, enquanto o percentual é de 12% para aqueles com 11 a 20 trabalhadores.

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A presença de equipes maiores é, assim, uma grande exceção dentro do segmento cervejeiro. Apenas 8% das cervejarias possuíam mais de 20 funcionários em 2022, conforme apontado pela pesquisa.

Esse cenário poderia ser pior, não fosse um aumento nas equipes das cervejarias ocorrido no ano anterior, já que 4 em cada 10 respondentes afirmam ter aumentado seus times em 2022. Outros 45% afirmam que não modificaram o número de colaboradores, enquanto 10% declaram que suas equipes ficaram menores. O resultado pode indicar que o impacto da crise econômica sobre as operações das empresas tem se diluído, reduzindo os cortes em suas estruturas.

“O Ano de 2022 para as Cervejarias” também revela que os trabalhadores são, em sua maioria, contratados no regime CLT, o que corresponde a 64% das respostas. Há ainda 20% de profissionais com acordos no modelo de pessoa jurídica, com o restante se dividindo entre trabalhadores temporários (10%) ou mesmo operando sem nenhum contratado (6%).

Com equipes tão enxutas, é natural que alguns profissionais fiquem responsáveis por mais de uma área. O marketing, realizado “dentro de casa” por 50% das cervejarias, é um dos setores mais afetados, como demonstra a pesquisa.

O famoso assovia e chupa cana, atuando desde a produção, passando pela precificação, entrega, marketing e o relacionamento com o cliente

Maria Eduarda Victorino, embaixadora de cultura cervejeira na Estrella Galicia

Há predominância de sócios executando a função de marketing. Além disso, menos de 3 em cada 10 cervejarias que internalizam essa área contam com equipes unicamente dedicadas a essa atividade.


“Se as cervejarias dessem mais importância ao marketing enquanto ciência, saberiam que estão navegando no oceano vermelho, quando deveriam navegar no oceano azul”, aponta a jornalista e beer sommelière Fabiana Arreguy.

Dia Internacional da Cerveja: 7 opções para celebrar a data no Brasil

Para muitos, a sexta-feira é o dia ideal para consumir uma cerveja, pois marca o início dos finais de semana. Mas nos últimos anos a primeira sexta-feira do mês de agosto se tornou ainda mais especial, pois marca o Dia Internacional da Cerveja, celebrado por consumidores, fabricantes e bares.

A ideia de criar essa data partiu de Jesse Avshalomov e foi realizada em Santa Cruz, Califórnia, a partir de 2008. Inicialmente, a celebração ocorria em 5 de agosto, mas depois passou a ser fixada na primeira sexta-feira do mês. A escolha da data foi motivada pelo verão no Hemisfério Norte e pela distância de grandes festividades cervejeiras.

Embora o site oficial do Dia Internacional da Cerveja e suas redes sociais não sejam atualizados desde 2018, a data continua sendo celebrada. E seu criador sugere algumas maneiras de comemorá-la. Entre elas estão: apreciar uma boa cerveja com bons amigos, encontrar a celebração mais próxima, dar cervejas como presente, desfrutar de cervejas de outras culturas e agradecer ao cervejeiro e ao garçom.

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No Brasil, a data também foi incorporada ao calendário de marcas e estabelecimentos, que preparam diversas ações para festejar o Dia Internacional da Cerveja. Assim, a data se tornou uma excelente oportunidade para apreciar e conhecer novas cervejas, compartilhar momentos com amigos e celebrar a cultura cervejeira. Confira sete opções selecionadas pela reportagem do Guia:

Degustação no Santo Mercado
O Santo Mercado, localizado no bairro Santo Amaro, em São Paulo, promoverá uma celebração especial em parceria com o Grupo Heineken. O evento acontecerá nesta sexta-feira, das 12h às 18h, e contará com degustação de cervejas artesanais harmonizadas com petiscos, além de mini workshops com o Samuel Hoshino, beer sommelier do Grupo Heineken. O especialista apresentará a história da cerveja, seus diferentes tipos e dicas de harmonização. As vagas são limitadas a 20 pessoas por sessão, e o evento também oferecerá shows ao vivo do grupo Notícias Populares, tocando clássicos do samba. A entrada é gratuita, mas é necessária uma inscrição prévia no local.

Iniciativas no parque
Para celebrar o Dia Internacional da Cerveja, o Parque da Cerveja, em Campos do Jordão (SP), oferecerá ações especiais aos visitantes. Na data, a entrada no parque será de R$ 43 por pessoa, dando direito a um chope duplo no biergarten. O restaurante Alto da Brasa, localizado dentro do parque, também terá chope duplo e uma degustação especial de porções por R$ 74 por pessoa.

Promoções em Monte Verde
Diversos estabelecimentos em Monte Verde, distrito de Camanducaia (MG), estão oferecendo ações promocionais especiais para celebrar o Dia Internacional da Cerveja. O Boteco do Lago oferecerá um quarto chope grátis na compra de três, além de presentear os clientes que consumirem quatro garrafas da cerveja Paulaner com um copo da marca. O Villa Amarela Boteco e Restaurante venderá sua cerveja própria, a Villa Amarela, com 50% de desconto na segunda unidade. O Arsenal da Cerveja oferecerá chope Pilsen a R$ 5, além de outras opções de chope, incluindo o recém-criado Barbie Pilsen Rosa. O Malka Bar presenteará os clientes que comprarem três garrafas do estilo Weissbier da cerveja Paulaner com uma quarta unidade de brinde e ainda fará uma promoção de chope duplo de dois estilos diferentes de cerveja.

Tour na fábrica da Heineken
O Inside the Star, um tour pela cervejaria de Jacareí (SP) do Grupo Heineken, acontece até sábado (5) para celebrar o Dia Internacional da Cerveja. Durante a experiência, os visitantes poderão desfrutar de salas interativas, conhecer o processo produtivo da cerveja e participar de uma degustação harmonizada com diferentes marcas do grupo. A entrada custa R$ 35,00 (inteira) e R$ 17,50 (meia-entrada).

Festival em BH
Em Belo Horizonte, a celebração será neste sábado (5), com a realização do Festival Mineiro de Cerveja na Praça, marcado para a Praça Mendes Júnior. O evento contará com a participação de dez das principais cervejarias de Minas: Albanos, Kud, Lagoon, Artesamalt, Krug, Läut, Uaimii, Slod, Verace e 040. Além das cervejas, oferecerá música ao vivo, praça de alimentação completa e espaço kids, sendo pet friendly.

Promoção do KiaOra com a Dama
O bar KiaOra está com uma promoção especial na semana do Dia da Cerveja, até sábado (5). Na compra de três pints de cerveja das novidades do menu, o quarto sai de graça. As cervejas da promoção são produzidas pela Dama Bier, sendo elas a Wallaby Hop Lager, a Wallaby Young IPA e a Wallaby Stout. O bar, conhecido por suas apresentações ao vivo de bandas de pop e rock, está localizado no bairro Itaim Bibi, em São Paulo.

IPAs na Rio Tap Beer House
A Rio Tap Beer House vai celebrar o IPA Day e o Dia Internacional da Cerveja da próxima terça-feira (8) até 16 de agosto com diversas ações especiais. Durante toda a semana, a casa terá suas seis torneiras de chope exclusivamente dedicadas ao estilo IPA, com cervejas como Masterpiece Session IPA, Lagunitas American IPA, Oceanica Yellow Cloud NE APA, Hocus Pocus Hockney’s Dreamscape NEIPA, Hocus Pocus Retrofuturism West Coast IPA e Dead Dog Massacre Black IPA. Além disso, a promoção “Print Relâmpago” oferece descontos especiais aos clientes que tirarem print de stories com indicações de promoções na casa. Os clientes também poderão ganhar copos e chaveiros personalizados da marca ao adquirirem determinadas quantidades de chope.

Ambev registra queda no lucro e nos volumes no 2º trimestre de 2023

A Ambev apresentou queda no lucro líquido e nos volumes comercializados no segundo trimestre de 2023. De acordo com o resultado financeiro divulgado nesta quinta-feira (3), a companhia teve lucro líquido de R$ 2,598 bilhões no período, representando uma redução de 15,2% em comparação com o mesmo período de 2022.

“A queda no lucro ajustado do ano passado se deveu ao impacto positivo de créditos tributários extraordinários no Brasil, totalizando R$ 1,233,7 milhões. Excluindo esses créditos e seus efeitos, o lucro ajustado teria crescido 18,0%”, afirma a Ambev.

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Os volumes de bebidas comercializadas ficaram em 41,302 milhões de hectolitros no segundo trimestre, caindo 2,2% em relação ao período de abril a junho do ano passado. No Brasil, o ritmo de queda nas vendas de cerveja foi semelhante, totalizando 21,944 milhões de hectolitros, uma redução de 2,5%.

“A queda no volume no Brasil foi principalmente atribuída a uma indústria fraca e à base de comparação com o segundo trimestre de 2022”, declara a Ambev no relatório de resultados.

Após um crescimento de apenas 0,8% no primeiro trimestre, a venda de cerveja da Ambev na primeira metade de 2023 no Brasil agora apresenta um saldo negativo de 0,9%, totalizando 43,955 milhões de hectolitros.

O balanço da Ambev também informa que o Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado foi de R$ 5,275 bilhões, o que representa aumento de 34,2% em termos orgânicos, mas uma queda de 4,7% em termos reportados. Já a receita líquida no segundo trimestre de 2023 foi de R$ 18,898 bilhões, com crescimento de 20% em termos orgânicos e 5,1% em termos reportados.

Esse crescimento da receita, mesmo em um cenário de recuo nos volumes, está relacionado ao sucesso de marcas de maior valor agregado. No relatório, a Ambev afirma ter apresentado crescimento de cerca de 35% nos volumes vendidos no segundo trimestre nos segmentos premium e super premium.

“Através de investimentos consistentes em nossas marcas, continuamos a alcançar resultados significativos no segmento super premium e premium: a saúde das marcas foco melhorou sequencialmente e em relação ao ano passado, com o volume crescendo cerca de 35% (em torno de um terço), liderado por Original, Spaten, Corona e Stella Artois, que também registraram crescimento de participação de mercado em relação ao ano anterior e ao trimestre anterior, de acordo com nossas estimativas”, afirma a Ambev, que também cita um aumento de 180% no volume das marcas super premium e premium em relação ao primeiro semestre de 2019.

No segmento core plus, a Ambev ressalta em seu balanço o crescimento de aproximadamente 15% no volume de Budweiser como um destaque comercial do segundo trimestre de 2023.

Parte importante da estratégia comercial, o BEES (plataforma B2B da Ambev) e o Zé Delivery também apresentaram resultados positivos no segundo trimestre. A companhia cita que o volume bruto de mercadorias do BEES cresceu 64% em relação ao segundo trimestre de 2022, totalizando um montante anualizado de R$ 1,7 bilhão.

A Ambev revela, ainda, ter atingido 4,6 milhões de usuários ativos mensais no Zé Delivery ao fim do primeiro semestre. Além disso, o valor médio por pedido cresceu 14% no segundo trimestre.

AB InBev também registra queda
A AB InBev, maior grupo cervejeiro do mundo, também divulgou seu balanço do segundo trimestre nesta quinta-feira. E assim como a Ambev, apresentou queda em seu lucro, de 78%, para US$ 339 milhões. Houve, no entanto, um aumento na receita líquida, de 7,2%, totalizando US$ 15,12 bilhões. Já o Ebitda normalizado caiu 5%, para US$ 4,91 bilhões.

Os volumes da AB InBev tiveram uma leve redução no segundo trimestre, de 1,4%, somando 147,583 milhões de hectolitros. O maior impacto desse recuo veio da América do Norte, com uma queda de 14,1% nos volumes. Isso se deve, principalmente, ao boicote promovido contra a Bud Light nos Estados Unidos, onde as vendas para varejistas caíram 15%, com um recuo de 14% nas vendas para atacadistas.