Início Site Página 94

BierHeld prepara novas funcionalidades para integrar cadeia cervejeira

0

A transformação digital, agilizada pela pandemia do coronavírus, vai se manter em alta neste ano, ajudando a agilizar processos e apresentando novas soluções para quem empreende. Esse cenário que une elos da cadeia e agiliza operações está no foco para 2023 da BierHeld, que promete ampliar as funcionalidades oferecidas para as cervejarias, assim como ampliá-las nos telefones celulares.

A BierHeld auxilia a gestão de cervejarias e distribuidores através do seu software. E os responsáveis pela solução tecnológica trabalham em novas funcionalidades para ampliar a integração do trabalho das cervejarias com as distribuidoras.

Leia também – Eventos voltam a ser estratégicos para negócios de fornecedores cervejeiros

“Através do nosso aplicativo, será possível manter o estoque e o rastreio de todos os equipamentos [barris, chopeiras etc] alinhados automaticamente, facilitando, assim, o romaneio entre cervejarias, distribuidoras e filiais”, explica Ewerton Miglioranza, sócio-fundador da BierHeld.

No ano passado, esse software passou a ser oferecido também em versão para telefones celulares, deixando ao alcance das mãos dos empreendedores a gestão dos seus negócios. Assim, além dos desktops, o telefone celular se tornou uma opção para uso do software com foco na realização de pedidos e no rastreio dos equipamentos.

Em 2023, a BierHeld vai trabalhar, também, em atualizações que ofereçam novas funcionalidades para quem acessar o seu software pelo telefone celular. “Lançaremos novos planos para distribuidores individuais, com foco nas operações pelo celular”, relata Miglioranza.

As novidades estão alinhadas às expectativas para este ano, que envolvem o crescimento do segmento de artesanais e da própria empresa. “Esperamos crescer mais que nos anos anteriores, em resposta à retomada do mercado e também de novos investimentos que estamos trazendo para o controle e automação das cervejarias”, diz o sócio-fundador.

Tecnologia cada vez mais presente
A tecnologia está cada vez mais presente no mercado cervejeiro não só pela possibilidade de integração entre fornecedores e fabricantes da bebida, mas também por demandas do consumidor, o que possibilitou a expansão do uso de soluções online, como o comércio eletrônico e toda a sua praticidade.

Para o sócio da BierHeld, o setor cervejeiro vai seguir investindo no incremento dessas operações, assim como de outras em 2023, caso dos clubes de assinatura, para os quais algumas marcas têm ofertado algumas exclusividades, como o lançamento de cervejas.  

“Essas modalidades tiveram grande destaque durante a pandemia devido à facilidade em se adquirir o produto sem ter que se deslocar até a cervejaria, além de possibilitar o consumidor a experimentar novos rótulos de outras regiões do país” conclui Miglioranza.

Achel é vendida na Bélgica e deixa definitivamente de ser cervejaria trapista

A Bélgica viu uma das suas cervejarias perder o status de trapista, a Achel. Isso se deu com a venda da Abadia de São Bento de Hamont-Achel, também conhecida como Achelse Kluis, para o Tormans Group. Anteriormente, a Achelse Kluis pertencia à Abadia de Westmalle, outra das cervejarias reconhecidas como trapistas no mundo.

Há pouco mais de dois anos, em janeiro de 2021, a Achel já havia perdido o selo oficial de Produto Trapista Autêntico após o processo de fermentação da sua produção deixar de ser monitorado pelos monges, um dos requisitos necessários para ter essa classificação.

Leia também – Venda de cerveja cresce na Alemanha, mas é menor do que antes da pandemia

Apesar disso, a cerveja, naquele momento, ainda podia ser comercializada como trapista, pois a Achel continuava pertencendo a um mosteiro trapista, a Abadia de Westmalle.

Esse cenário, porém, se altera agora, com a aquisição da Achelse Kluis pelo Tormans Group. A companhia belga, com Jan Tormans como seu CEO, é uma empresa de engenharia com escritórios nas cidades de Geel, Antuérpia, Mechelen e Evergem. Foi fundada em 1999 e emprega mais de 400 engenheiros no seu país.

Tormans garante que deseja dar continuidade a todas as atividades existentes na antiga abadia e na dos anos 1950 ao mesmo tempo em que irá buscar aproveitar o potencial turístico, pois elas estão localizadas nas proximidades da reserva natural De Groote Heide, que fica na fronteira da Bélgica com a Holanda. Assim, garantindo que pretende preservar as características das abadias, Tormans também pretende transformá-las em centros de meditação e hospedagem.

Além disso, mesmo tendo perdido o status de trapista, a cervejaria estará no centro da estratégia comercial da localidade. Os planos de Tormans envolvem a ampliação da capacidade produtiva, atualmente em 5 mil hectolitros por ano, para 12 mil, chegando aos 40 mil hectolitros até 2030. Ele garante que manterá as receitas, assim como as cervejas da Achel continuarão sendo fabricadas na localidade.

As cervejas da Achel começaram a ser produzidas em 1850, mas houve hiato de tempo na fabricação, entre a Primeira Guerra Mundial e 1998. Atualmente, 4 estilos são produzidos: Dubbel, Belgian Strong Gold Ale, Tripel e Quadrupel.

Também há planos de realização de outras atividades gastronômicas na localidade, o que inclui a abertura de um restaurante e de uma queijaria para a produção de queijo.

As demais trapistas
Com a Achel deixando de ser uma cervejaria trapista, a Bélgica passa a ter cinco produtoras nessa condição: Westmalle, Westvleteren, Chimay, Orval e Rochefort. Há, ainda, outras duas na Holanda, uma na Itália, uma na Áustria e outra na Inglaterra.

No ano passado, os Estados Unidos perderam a sua única cervejaria trapista, a Spencer Brewery, que foi fechada. Para ser considerada trapista, parte da receita da cervejaria deve ser doada para causas sociais, a produção deve se dar em uma abadia trapista e sob a supervisão de monges.

Profissional experiente em relações governamentais assume cargo no Sindicerv

0

O Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv) reforçou o seu time de executivos. Responsável por representar o Grupo Heineken e a Ambev no Brasil, o Sindicerv passa a ter Márcio Maciel como seu presidente executivo, função que ainda não existia em seu organograma.

Ao anunciar a chegada de Maciel, o Sindicerv destacou a experiência do profissional na área de relações governamentais e institucionais. “Maciel acumula experiência profissional de mais de 18 anos nas áreas de relações governamentais e institucionais na indústria da alimentação, do agronegócio e da radiodifusão”, diz, em comunicado enviado à imprensa.

Leia também – Mesmo com alta em dezembro, produção de bebidas alcoólicas retrai 1,9% em 2022

Antes de chegar ao Sindicerv, Maciel trabalhava como diretor de assuntos institucionais e inteligência competitiva da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos. Também acumula experiências na Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão, na Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais, na Patri e na Câmara dos Deputados, como assessor parlamentar.

O anúncio da entrada de Maciel no Sindicerv se dá na esteira de mudanças importantes nos poderes da República, com as posses do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em janeiro, e do novo Congresso, na semana passada e que deve colocar em pauta temas importantes para a indústria da cerveja no Brasil, como a demanda pela realização de uma reforma tributária.

Na função de presidente executivo do Sindicerv, Maciel terá o apoio do superintendente da entidade, Luiz Nicolaewsky. Mauro Homem, vice-presidente de sustentabilidade e assuntos corporativos do Grupo Heineken, continua presidindo a diretoria colegiada do sindicato.

O presidente executivo do Sindicerv é formado pela Universidade de Brasília (UNB), com pós-graduação em Gestão de Negócios pelo Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec), sendo mestre em Políticas Públicas pelo Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP)

“Entre as prioridades da sua gestão estão a coordenação dos assuntos comuns à categoria, o compromisso do setor com a agenda socioambiental e consumo responsável, para o contínuo desenvolvimento, em âmbito nacional e regional, de todo o setor da cerveja e das suas respectivas cadeias produtivas”, diz o Sindicerv.

O sindicato afirma que a indústria cervejeira movimenta uma extensa cadeia produtiva responsável por 2,02% do PIB, com a geração de mais de 2 milhões de empregos diretos, indiretos e induzidos. O setor cervejeiro gera uma massa salarial de R$ 27 bilhões. Segundo estudo realizado em 2019 pela Fundação Getúlio Vargas para o Sindicerv, a cada emprego em uma cervejaria, outros 34 novos postos de trabalho são criados na cadeia produtiva.

“Somos o terceiro maior produtor de cerveja do mundo, atrás da China e dos Estados Unidos. Então, vamos trabalhar a favor de toda a cadeia produtiva, unindo os seus elos, em prol dessa bebida que não sem razão, é uma paixão nacional”, explica Maciel.

Volta do carnaval sem restrições torna chopeira opção para festas

0

A retomada dos encontros e festividades, possíveis desde o abrandamento da pandemia do coronavírus, deve ter o seu momento de ápice ainda em fevereiro. Afinal, o mês é marcado pela celebração do carnaval, o que aumenta a demanda por eventos e movimenta empresas da indústria cervejeira, como a BravoZero, que trabalha sob a perspectiva do crescimento da busca pelas suas chopeiras.

“Acreditamos que o brasileiro associa o consumo de chope com ocasiões de festividade, como o carnaval, feriados, churrasco, amigos e o prazer de apreciar uma bebida que acabou de ser produzida em uma cervejaria. Ter uma chopeira elétrica, seja ela, locada ou adquirida, em uma festa agrega um significado de importância ao momento, servindo o convidado da melhor forma de degustar a bebida”, afirma Wilson Seiti Harada, coordenador de desenvolvimento de projetos da Eidee, empresa responsável pela BravoZero.

Leia também – Eventos voltam a ser estratégicos para negócios de fornecedores cervejeiros

O ano de 2023 é o primeiro desde 2020 a ter as festividades de carnaval sem qualquer restrição, o que tem gerado uma expectativa de grande procura por celebrações no período da folia. Sabendo dessa expectativa a BravoZero, inclusive, preparou uma promoção para atender o público que deseja contar com as suas chopeiras nesta data.

“Para quem entrar em contato conosco e nos passar o código promocional “carnaval2023” antes do dia 10 de fevereiro, na compra de qualquer modelo de chopeira elétrica, receberá um mini kit extração Heineken de brinde”, relata Seiti Harada.

No hiato de tempo sem festividades oficiais de carnaval, o executivo da BravoZero observou algumas mudanças de comportamento e no perfil de quem se interessa pelos produtos da empresa. De acordo com Seiti Harada, tem sido perceptível um aumento da busca pelas chopeiras elétricas pelo consumidor final.

Isso tem relação direta, também, com a alta da procura de chope para delivery, umas das tendências advindas dos momentos mais difíceis da pandemia do coronavírus. O consumidor, então, passou a se interessar em ter a sua própria chopeira, o que traz benefícios para si, mas também para as próprias cervejarias.

“Observamos que nossos parceiros de delivery que indicam a nossa marca para aqueles que preferem ter a sua própria chopeira elétrica em casa. Isso é uma grande vantagem tanto para o nossos clientes de delivery, porque eles levam somente o chope quando o dono da casa já possui a sua chopeira, quanto para este que está investindo no seu espaço residencial”, comenta.

O que parece não mudar é a alta da demanda pelo chope nos períodos festivos, como o carnaval. Por isso, Harada aponta que contar com as chopeiras da BravoZero é opção interessante para quem deseja empreender, pois sempre haverá procura por elas.

Por ser um bem durável e de valor agregado, o risco é baixo para o empreendedor que escolhe bem a marca dos equipamentos, do fornecedor do chope e realiza a prestação de serviço com qualidade e preço adequado. Em períodos festivos, a demanda por chopeiras elétricas sempre superam a oferta, e neste momento, aquele que planeja e se prepara para a ocasião, tem resultados surpreendentes

Wilson Seiti Harada, coordenador de desenvolvimento de projetos da Eidee

“Por ser um bem durável e de valor agregado, o risco é baixo para o empreendedor que escolhe bem a marca dos equipamentos, do fornecedor do chope e realiza a prestação de serviço com qualidade e preço adequado. Em períodos festivos, a demanda por chopeiras elétricas sempre superam a oferta, e neste momento, aquele que planeja e se prepara para a ocasião, tem resultados surpreendentes”, diz.

E sob a perspectiva de aumento dos negócios em 2023, começando pelo carnaval, a BravoZero deu alguns passos nos últimos meses para atender adequadamente seus clientes, o que incluiu a construção de uma nova unidade, além do lançamento de chopeiras de 50 litros/hora, como detalha Harada.

“No ano passado, a BravoZero investiu na infraestrutura de produção de chopeiras elétricas construindo a nova sede da empresa localizada no Parque Tecnológico de Londrina, aumentando a capacidade produtiva e novos equipamentos. Constantemente, investindo na qualidade do produto, foi lançado, no início do ano passado, uma versão de chopeiras 50 litros/hora, com upgrades focado no desempenho do sistema de refrigeração e maior estabilidade térmica”, conclui.

Produção de alcoólicas retrai 1,9% em 2022 mesmo com alta em dezembro

0

A produção de bebidas alcoólicas pelo Brasil apresentou retração em 2022. De acordo com os dados da Pesquisa Industrial Mensal, divulgada pelo IBGE, a fabricação recuou 1,9% no ano passado, na comparação com 2021. A queda se deu mesmo com o avanço da atividade em dezembro.

O IBGE apontou que a produção de bebidas alcoólicas cresceu 2,6% no último mês de 2022, marcado pela estabilidade na atividade industrial brasileira, que não avançou ou recuou ante novembro. Mas há registro de retração de 1,3% quando se compara com dezembro de 2021, encerrando uma sequência de quatro meses de crescimento.

Leia também – Grupo Heineken obtém licença para instalação de fábrica no sul de Minas

Na avaliação da XP Investimentos, embora tenha vindo 0,7% abaixo da sua previsão, o resultado da produção de bebidas alcoólicas em dezembro ainda pode ser considerado positivo quando se observa o seu somatório com a alta das vendas de cerveja por bares e restaurantes.

“Uma vez que aplicamos a sazonalidade, nossa regressão sugere volumes para a Cerveja Brasil da AmBev um pouco abaixo (-1,8%) do que estimamos para o 4T, mas continuamos confiantes principalmente devido à recuperação do canal on-trade e consumo fora de casa impulsionado pela Copa do Mundo”, diz.

O crescimento da produção das alcoólicas no mês final de 2022 não foi, porém, suficiente para levar a fabricação das bebidas no Brasil a crescer no país em dezembro. O resultado ficou negativo em 2,8% em relação a novembro e de 1,1% ante o mesmo mês do ano passado. Ainda assim, terminou o ano com alta de 3%.

Esse crescimento da produção de bebidas em 2022 tem relação direta com o crescimento da atividade envolvendo as não alcoólicas. Afinal, ainda que com um recuo expressivo, de 4,9% em dezembro, a fabricação desse tipo de bebida apresentou expansão de 8,6% em todo o ano, na comparação com 2021.

A indústria em 2022
Em 2022, a produção industrial brasileira recuou em quatro das quatro grandes categorias econômicas, 17 dos 26 ramos, 54 dos 79 grupos e 62,4% dos 805 produtos pesquisados, de acordo com o IBGE. E as principais influências negativas foram provocadas por indústrias extrativas (-3,2%), produtos de metal (-9,0%), metalurgia (-5,0%), máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-10,7%) e produtos de borracha e de material plástico (-5,7%).

Já entre as atividades que apontaram expansão na produção, a de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (6,6%) exerceu a maior influência na formação da média da indústria.

Nesse momento, a indústria brasileira está 2,2% abaixo do patamar pré-pandemia da Covid-19 (fevereiro de 2020) e 18,5% abaixo do nível recorde, de maio de 2011. “Muito do crescimento de 2021 (3,9%) tem relação direta com a queda significativa de 2020, ocasionada por conta do início da pandemia. Avançou em 2021, mas foi influenciada por uma base baixa de comparação e não superou as perdas de 2020”, diz André Macedo, diretor da pesquisa do IBGE.

Balcão Xirê Cervejeiro: Crime de injúria racial e o mercado cervejeiro

Balcão Xirê Cervejeiro: Crime de injúria racial e o mercado cervejeiro

Olá, seguidores/as e leitores/as do Guia da Cerveja, estou de volta ao Balcão Xirê Cervejeiro e, desta vez, uma nova lei que combate a violência racial é quem conduzirá nossa conversa.

A pergunta que provavelmente você fará é: Sara, qual é a ligação entre uma lei no campo das relações étnicos-raciais e o universo cervejeiro?

Calma, no decorrer desse texto, você verá que faz todo sentido. Isto posto, vamos à conversa.

No último dia 11 de janeiro, foi sancionada a Lei Federal 14.532/2023. O referido diploma legal é um dos documentos mais importantes no combate as agressões raciais construída pela sociedade brasileira na modernidade.

O processo que culminou na materialização do dispositivo legal foi fruto de uma luta dos movimentos negros educadores e que durou mais de oito anos para se tornar realidade. Pontuo que diversos/as juristas negros/as se reuniram em uma comissão para poder construir esse documento, que tem como escopo punir os/as agressores/as das violências raciais.

A nova lei traz em seu bojo mudanças significativas, como a inafiançabilidade e a imprescritibilidade do crime de injúria racial. Até o advento dessa lei, no campo das relações étnico-racial, apenas o crime de racismo alocado na Lei Federal 7.716/89 possuía o status de imprescritível e inafiançável.

A referida lei se alinhou ao entendimento do STF e dos tribunais de todo o Brasil que vinham acolhendo em suas decisões o crime de injúria racial nos moldes do crime de racismo da Lei Federal 7.716/89, nas perspectivas penais e processuais.

O crime de injúria racial, que estava alocado no artigo 140, § 3º do Código Penal, era prescritível e afiançável. E não só. Dava à vítima o prazo decadencial de 6 (seis) meses para que pudesse representar contra o/a agressor/a. A vítima precisava constituir um/a advogado/a para manejar a representação o que dificultava o exercício do direito e o acesso ao Judiciário, o que favorecia quem praticava as violências, vez que acabava em não punição, dando a sensação de eterna impunidade. Ou, como o crime de injúria racial do Código Penal ficou conhecido no jargão popular, “passada de pano para racista”. Esse fenômeno causava frustração e dor à vítima.

Com a inserção do crime de injúria na Lei 7.716/89, a vítima poderá a qualquer tempo denunciar seu agressor/a. Além dessa importante alteração, outras alterações significativas foram trazidas com a nova lei. E esses são pontos de conexão com a cerveja, explico. O  § 2º A, do artigo 2º A, da referida alteração legislativa preconiza que:

Art. 1º A Lei nº 7.716, de 5 de janeiro de 1989 (Lei do Crime Racial), passa a vigorar com as seguintes alterações:

“Art. 2º-A Injuriar alguém, ofendendo-lhe a dignidade ou o decoro, em razão de raça, cor, etnia ou procedência nacional.

Pena: reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa.

Parágrafo único. A pena é aumentada de metade se o crime for cometido mediante concurso de 2 (duas) ou mais pessoas

§ 2º-A Se qualquer dos crimes previstos neste artigo for cometido no contexto de atividades esportivas, religiosas, artísticas ou culturais destinadas ao público:

Pena: reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e proibição de frequência, por 3 (três) anos, a locais destinados a práticas esportivas, artísticas ou culturais destinadas ao público, conforme o caso.” (grifo nosso).

É neste ponto que quero chamar a sua atenção. É comum termos na cultura cervejeira, festas, festivais e atividades, todas no âmbito cultural, para celebrar a cerveja. E aqui está a conexão com o dispositivo legal: aquele ou aquela que praticar injúria racial nesses ambientes, poderá, além da pena de reclusão de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, ser proibido/a de frequentar esses espaços por 3 (três) anos.

Aqui deixo à comunidade cervejeira, aos organizadores de eventos, as instituições e associações que regem o mercado cervejeiro que se atentem ao dispositivo legal a fim de orientar seu público.

Em tempo, seguimos na luta para uma sociedade inclusiva, respeitosa e que não tolere violências raciais.


Referências:
Lei nº 14.532, de 11 de janeiro de 2023: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2023-2026/2023/Lei/L14532.htm
Lei nº 7.716, de 5 de janeiro de1989: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l7716.htm


Sara Araujo é graduada em Ciências Jurídicas, pela Instituição Toledo de Ensino, de Bauru (SP). Atua na área de execução penal, sendo graduanda em Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Maringá (PR), pós-graduanda em História da África e da Diáspora Atlântica pelo Instituto Pretos Novos do Rio de Janeiro, sommelière de cervejas pela ESCM/Doemens Akademie e criadora e gestora do @negracervejassommelier

Venda de cerveja cresce na Alemanha, mas é menor do que antes da pandemia

A venda de cerveja na Alemanha apresentou alta em 2022, mas ainda está abaixo do nível pré-pandemia. Foram comercializados 8,764 bilhões de litros no ano passado, de acordo com informações do Escritório Federal de Estatística, uma expansão de 2,7% em relação a 2021, o que corresponde a 232,6 milhões de litros.

Foi o primeiro crescimento da venda de cerveja na Alemanha desde a eclosão da pandemia em 2020. “Depois que o mercado de cerveja na Alemanha sofreu uma queda maciça em 2020 e 2021, devido à crise da Covid-19, as vendas se recuperaram ligeiramente pela primeira vez em 2022”, afirma a Federação Alemã de Cervejeiros em comunicado.

A venda de cerveja, porém, continua abaixo do nível pré-pandemia. Em 2019, último ano antes da Covid-19, as vendas foram de 9,219 bilhões de litros, sendo que já vinham em queda na comparação a 2018.

Leia também – Confira lançamentos realizados pelas cervejarias artesanais em janeiro

No ano passado, o grande destaque do crescimento da venda de cerveja na Alemanha foi a demanda interna, com alta de 4% em relação a 2021. A comercialização de cerveja para consumo no país, inclusive, representou 82,5% do total da bebida negociada. Porém, está 5% abaixo dos números registrados em 2019.

Já as vendas de cervejas isentas de impostos, que agregam aquelas destinadas para a exportação e as Haustrunk (“bebidas da casa”, em uma tradução livre), representaram 1,5 bilhão de litros de cerveja no ano passado. Isso significou um declínio de 2,7% na comparação com 2021 e de 4,7% ante 2019.

Desse volume, 805,1 milhões de litros (+7,8% em relação a 2021) foram para países da União Europeia, 715,9 milhões de litros (-12,4%) para países fora da UE e 11,3 milhões de litros (-3,4%) as “bebidas da casa”, destinadas aos funcionários das cervejarias.

O relatório também aponta que houve pouca influência na alta da venda de cerveja em 2022 na Alemanha pela Copa do Mundo, pois o torneio foi disputado em novembro e dezembro, meses de inverno no país.

Além disso, a ligeira alta da venda de cerveja na Alemanha no ano passado não altera o cenário de declínio, iniciado bem antes da pandemia, tanto que 2008 foi o último ano em que se superou a barreira dos 10 bilhões de litros. Nos últimos dez anos, as vendas caíram 7,4%.

E a Federação Alemã de Cervejeiros não prevê um 2023 fácil para quem atua no segmento, especialmente pela expectativa de continuidade da alta dos custos. “Além do custo do gás e da eletricidade, o malte cervejeiro e os materiais de embalagem, em particular, tornaram-se drasticamente mais caros”, diz.

As mais vendidas
Em paralelo ao relatório do Escritório Federal de Estatística da Alemanha, o Inside Getränke publicou a lista de marcas mais vendidas, com a relação das 15 que comercializaram mais de 1 milhão de hectolitros no ano passado. E o ranking é liderado pela Krombacher, com 5,756 milhões de hectolitros, uma alta de 166 mil hectolitros na comparação com 2021.

A Oettinger, mesmo tendo perdido 295 mil hectolitros no ano passado, é a segunda colocada, com 3,697 milhões de hectolitros. Tem uma ligeira vantagem, então, sobre a Bitburger, com 3,640 milhões de hectolitros, após uma alta de 285 mil hectolitros.

Com ambas em alta, a Veltins (3,355 milhões de hectolitros) e a Paulaner (2,440 milhões de hectolitros), completam o Top 5, seguidas pela Beck’s, marca que no Brasil é vendida pela Ambev, com 2,42 milhões de hectolitros, a Warsteiner, com 2,014 milhões de hectolitros, e a Hasseröder, com 1,678 milhão de hectolitros. Augustiner (9º) e Erdinger (10º) completam o Top 10.

E a relação das 15 marcas de cerveja com venda acima de 1 milhão de hectolitros de cerveja em 2022 na Alemanha ainda tem Radeberger (11º), Jever (12º), Mönchshof (13º), Ur-Krostitzer (14º) e Franziskaner (15º).

Após recuperação em 2022, bares enxergam inflação como principal desafio

0

As adversidades impostas pela pandemia do coronavírus não são mais a maior preocupação dos estabelecimentos para consumo de alimentos e bebidas fora do lar. Com o fim das restrições, as entidades do setor avaliam que o principal desafio encarado pelos bares e restaurantes ao longo dos últimos meses tem sido lidar com a inflação.

“O faturamento aumentou, mas a inflação voltou a subir e freou uma retomada mais robusta do setor. Repassar a inflação para os cardápios foi o nosso (bares) principal desafio. O mercado de cervejas teve uma contribuição importante para os bares e restaurantes”, afirma Paulo Solmucci, presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel).

Leia também – Brasil cai para o 24º lugar no consumo de cerveja por habitante

Os últimos meses, assim, trouxeram um aumento da presença do consumidor nas mesas de bares e restaurantes, ávido pela retomada dos encontros, em parte paralisados durante a pandemia. Nesse cenário, os estabelecimentos buscaram se equilibrar, não repassando a totalidade da alta dos custos ao público, sob risco de voltar a perdê-lo.

Apertar as margens foi a saída, mas não tem sido fácil. Afinal, de acordo com a Abrasel, mais da metade dos bares ainda não conseguem lucrar – 18% apresentam prejuízo e outros 37% estão com as contas empatadas. De qualquer forma, já foi possível reorganizar a operação dos estabelecimentos de consumo fora do lar.

“Um ciclo para as empresas se reestruturarem, reorganizarem e que trouxe ainda a volta do investimento e expansão para aquelas que já estavam num estágio mais avançado de organização antes da pandemia”, diz Fernando Blower, diretor executivo da Associação Nacional de Restaurantes (ANR).

De acordo com a Abrasel, bares fecharam o último trimestre de 2022 com alta de 8% no faturamento em relação a 2019, o que contribuiu, em parte, para eventuais cortes nas margens diante da aceleração da inflação. Afinal, se o IPCA de 2022 foi de 5,79%, os alimentos e bebidas foram um dos grandes vilões, com alta de 11,64%.

A alimentação fora do lar, porém, apresentou inflação de 7,47%, quase metade do índice dentro de casa, que ficou em 13,23%. “Um dos fatores mais complicados para o setor foi o impacto da inflação, seja com alimentos e embalagens, aliado à dificuldade na contratação de mão de obra”, afirma o diretor executivo da ANR.

Essa elevação menor da inflação de produtos para consumo nos bares e restaurantes do que no varejo se repetiu, em 2022, com a cerveja. O índice foi de 6,42% nessas localidades, abaixo do IPCA e da alta no varejo, de 9,37%. “Neste ano, a cerveja subiu menos do que a inflação e nos ajudou a alcançar resultados melhores”, destaca Solmucci.

Resta, assim, aos bares e restaurantes a expectativa de que se 2022 foi marcado pelo fim das restrições que lhes impuseram tantos desafios, a esperança de que isso agora se dê com a inflação. “Em relação a 2023, acredito que teremos uma inflação mais controlada, um período mais tranquilo em termos de previsibilidade política e econômica, o que ajuda muito”, conclui Blower.

Menu Degustação: Tiger na exposição do Banksy, Beer Summit em novo formato…

0

Fevereiro é o mês da folia, mas também tem outras atrações para o público, que viu a marca Tiger ser anunciada como a cerveja oficial da aguardada exposição de Banksy em São Paulo. Já para quem deseja adquirir mais conhecimento, o Beer Summit será online em 2023, sendo que as inscrições a preços promocionais se encerram nesta sexta-feira.

Pensando no carnaval, o Porks se juntou à cervejaria Yellon na campanha que dará um chope rosa para reforçar a luta contra o assédio em Belo Horizonte. E a Madalena inicia o seu esquenta para a folia com o Rock Folia neste fim de semana, que também terá o pré-carnaval da Krug Bier.

Leia também – Confira lançamentos realizados pelas cervejarias artesanais em janeiro

Confira essas e outras novidades no Menu Degustação do Guia:

Chope rosa alerta para assédio
O Porks aderiu à campanha contra o assédio “Não é Não!” com uma ação especial para o período prévio ao carnaval. Da próxima segunda-feira (6) até o dia 16, as três unidades da marca em Belo Horizonte terão uma interação educativa e preventiva combatendo os abusos contra as mulheres. Quem for de abadá, ganha um chope rosa Pilsen 330ml, oferecido pela cervejaria Yellon, que também participa da campanha. A proposta é alertar sobre o respeito às mulheres.

Rock Folia Madalena
A folia vai começar cedo na Madalena, em Santo André (SP). A marca dá início ao esquenta de carnaval neste domingo, com o Rock Folia, a partir das 14 horas. Para animar os foliões, a cervejaria preparou programação musical especial com as bandas Blay Morphed (Pearl Jam Cover), Hey God (Bon Jovi Cover), The Niros e DJ Kelly Silva. No cardápio, drinques, lanches, porções, pizzas e torresmo de rolo, tudo isso acompanhado de diversos estilos de chope premium da marca, como Lager Premium, Bohemian Pilsen, Session IPA, Double IPA, Weiss, Stout e Lager Light.

Camarote Nº 1 na Sapucaí
Após o anúncio de Alcione como primeira musa do Camarote Nº 1, da Brahma, Sabrina Sato se junta à artista para compor o time. O tradicional evento de carnaval, que agita a Marquês de Sapucaí há 33 anos, ocorre nos dias 19, 20 e 25 de fevereiro, no Rio de Janeiro, concomitante aos desfiles das escolas de samba do Grupo Especial e das campeãs. O espaço também aposta na diversidade de ritmos em 2023, com atrações que vão do samba até o funk, MPB, rap e música eletrônica. 

CarnaKrug e….
Neste sábado (4), em Belo Horizonte, na Praça Mendes Junior, próxima à Praça da Liberdade, a Krug Bier apresenta seu CarnaKrug 2023. Depois de um hiato de dois anos sem acontecer por conta da pandemia, o projeto volta gratuito e na rua. A programação desta edição traz sete atrações variadas, do pagodinho ao sertanejo, passando por axé e funk. A entrada é permitida para maiores de 18 anos.

…visita à fábrica
Outra opção neste sábado envolvendo a Krug Bier é a visita à fábrica. O passeio guiado sempre acontece no primeiro sábado de cada mês, a partir das 11 horas. O Tour na Fábrica é ministrado por Fabiana Bontempo, cervejeira, mestre de estilos e embaixadora da Krug Bier. Ela é a responsável por receber os visitantes e apresentar as matérias primas usadas na produção das cervejas, as instalações da fábrica e o processo produtivo. Quem adquirir o ingresso ganha um Kit Experiência Krug, com uma sacola, uma taça exclusiva, uma carta de cervejas e um cartão magnético com R$ 20 de crédito para degustação na fábrica.

Beer Summit em novo formato
O Beer Summit, evento de conhecimento cervejeiro promovido pelo Science of Beer, teve o seu formato modificado para 2023. Será 100% online, com palestras unificadas dos últimos 3 anos, e aulas em 5 trilhas de conhecimento cervejeiro. O período para a inscrição a preços promocionais se encerra nesta sexta-feira (3), podendo ser realizada pelo site do Science of Beer. O evento terá palestras de profissionais de renome do mercado cervejeiro mundial, como Garret Oliver (EUA), Markus Raupach (Alemanha), Luc de Raedemaeker (Bélgica), Dick Cantwell (EUA), Katia Jorge (Brasil) e Steve Parr (EUA).

Inauguração de cervejaria em Chapecó
A inauguração oficial da cervejaria Bellbrück será neste sábado, a partir das 14 horas, em Chapecó (SC). O evento terá show ao vivo, food trucks e chopes, com 11 estilos de cervejas disponíveis, todas oriundas de receitas próprias. Os ingressos dão direito a uma caneca de chope (450ml) personalizada e já estão à venda.

Cerveja em hotel
O Blue Tree Towers Bauru e o Blue Tree Garden Bauru, hotéis na cidade do interior paulista, anunciaram uma parceria com a Servus Bier, marca artesanal local. Os estabelecimentos oferecem estoques especiais das cervejas American Blonde Ale, Munich Dunkel, Summer e Wiener Gold da marca, tanto para a compra de kits de presentes como consumo em suas dependências, incluindo os restaurantes.

Vale da Cerveja amplia atuação
Passou de cinco para 14 o número de municípios que fazem parte da associação Vale da Cerveja. A alteração no estatuto foi aprovada pelos associados e agora se alinha à denominação do Vale Europeu, em Santa Catarina. Já há novas cervejarias em lista de espera para fazerem parte da associação e contatos com as entidades locais para aproximação do setor também foram iniciados. O que muda é que além de Blumenau, Indaial, Gaspar, Pomerode e Timbó, as cidades de Apiúna, Ascurra, Benedito Novo, Botuverá, Brusque, Doutor Pedrinho, Guabiruba, Rio dos Cedros e Rodeio também serão beneficiadas por ações de divulgação da cultura cervejeira.

Episódios do Surra de Lúpulo
Encontros Selvagens é a nova série de episódios do canal de podcast Surra de Lúpulo. Os episódios vão abordar assuntos referentes às cervejas selvagens. Nesta primeira temporada, serão publicados sete episódios, sendo que cinco são gravações das mesas redondas do 1º Encontro do Mundo das Cervejas Selvagens Brasileiras, que ocorreu dentro da programação da Feira Naturebas em junho de 2022. Nestas mesas, grandes nomes do cenário cervejeiro nacional discutiram o que é cerveja selvagem e seu atual estado da arte.

Tiger e Banksy
A Tiger é a cerveja oficial da mais nova exposição sobre o artista Banksy, no Shopping Eldorado, em São Paulo. Focada no trabalho do street artist britânico, a mostra “The Art of Banksy: ‘Without Limits” vai até 30 de abril, com apoio da Tiger, preservando sua identidade à medida que conta uma história e passa mensagens contundentes de maneira misteriosa e direta. Como a cerveja oficial da exposição de Banksy, a Tiger aproveita para reforçar seu DNA urbano, se posicionando ao apoiar ativações de marca entre os seus principais territórios, como as plataformas de arte, esporte, música e tecnologia.

Eisenbahn em Curitiba
O evento gratuito Eisenbahn Craft Garten acontecerá no sábado e domingo (4 e 5) em Curitiba. A proposta é celebrar a cultura artesanal com muita música, arte e gastronomia. A Pedreira Paulo Leminski, ponto turístico icônico da cidade, foi o local escolhido para receber o festival. Marcas regionais estarão presentes em um espaço dedicado a fomentar o universo e o valor da cultura artesanal. Durante o evento, ainda acontecerão ativações para divulgar os rótulos que fazem parte do portfólio da Eisenbahn e uma collab com a cervejaria Morada Cia Etílica.

Acusação de rombo derruba ação da Ambev; cervejaria nega e BTG vê exagero

0

Uma acusação sobre um suposto rombo fiscal nas contas da Ambev sacudiu o mercado brasileiro de ações nesta quarta-feira (1). Em matéria publicada pelo site da revista Veja, a CervBrasil, a Associação Brasileira da Indústria da Cerveja, afirma que a Ambev pode ter inconsistências em suas demonstrações financeiras, geradas por manobras da companhia envolvendo a atuação na Zona Franca de Manaus.

A publicação fez a ação da Ambev despencar na B3, a bolsa de valores brasileira. O papel, que apresentava leve alta após a abertura do mercado, sofreu queda brusca assim que o conteúdo entrou no ar. Terminou o dia cotado a R$ 13,18, uma desvalorização de 3,59%. E o recuo chegou a ser ainda maior: às 14h20, a ação valia R$ 12,86. Assim, teve a sexta maior queda entre as ações do Ibovespa em um dia também de recuo do índice, que caiu 1,2%.

Leia também – Escândalo com Americanas respinga na Ambev e ação cai 6% em janeiro

Sobre a acusação, a Ambev, em nota oficial, declarou que a afirmação da CervBrasil não tem “qualquer embasamento”. O caso, ao movimentar o mercado, também provocou o posicionamento de analistas, caso do BTG Pactual, que classificou a reação na bolsa de valores de “exagerada”, garantindo que a eventual dívida tributária da cervejaria é “muito menor”.

A reação do mercado, porém, tem seus motivos, sendo provocada pelo temor de uma repetição do que aconteceu com a Americanas, que apresentou inconsistência contábil de R$ 20 bilhões (atualizadas depois para mais de R$ 40 bilhões). E a preocupação aumenta quando a acusação envolve a Ambev, que tem, assim como a varejista, os empresários Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira entre os seus principais acionistas.

Não à toa, desde a revelação do escândalo contábil envolvendo a Americanas, a ação da Ambev tem apresentado desvalorização. Após o relato dos problemas financeiros por Sergio Rial, então CEO da varejista, em 11 de janeiro, o ativo apresenta recuo de 7,84% no seu valor.

A acusação
A CervBrasil afirma que um estudo produzido pela AC Lacerda concluiu que distorções na arrecadação fiscal da indústria de bebidas em isenções concedidas à Zona Franca de Manaus chegariam a R$ 30 bilhões. A associação, porém, não detalha quanto desse montante se refere à Ambev.

Ainda segundo a CervBrasil, o material diria que a Ambev, assim como a Coca Cola e outras fabricantes de bebidas, teria se aproveitado de benefícios fiscais concedidos a companhias que atuam na zona franca com a aquisição de componentes que são feitos na localidade para a produção de refrigerantes. E inflacionaria os valores desses componentes para obter maiores benefícios.

“As acusações da CervBrasil não têm qualquer embasamento. Calculamos todos os nossos créditos tributários estritamente com base na lei. Nossas demonstrações financeiras cumprem com todas as regras regulatórias e contábeis, as quais incluem a transparência do contencioso tributário. A Ambev está entre as 5 maiores pagadoras de impostos no Brasil”, afirma a Ambev em posicionamento enviado à reportagem do Guia.

Valor bem menor
O barulho provocado no mercado financeiro pela acusação da CervBrasil também levou o BTG Pactual a divulgar um relatório em que apresenta a sua visão sobre o tema. No material, os analistas Thiago Duarte e Henrique Brustolin lembram que o Grupo Petrópolis luta há anos contra os créditos tributários gerados por empresas como Ambev e Coca-Cola pela produção de concentrados de refrigerantes em Manaus.

Os profissionais do BTG ressaltam que os R$ 30 bilhões citados são uma estimativa feita pela Receita Federal sobre as disputas entre o Fisco e as empresas de bebidas. Além disso, desse montante, “a parte relacionada à Ambev é indiscutivelmente muito menor”.

O BTG afirma, ainda, que a própria Ambev relatou a possibilidade de perda relacionada a créditos fiscais, apontando que o valor seria de R$ 5,6 bilhões.

A Ambev tem R$ 5,6 bilhões de perdas ‘possíveis’ relacionadas a créditos fiscais associados à Zona Franca de Manaus (pouco menos de 3% do valor de mercado). Mas parece justo dizer que se esses créditos deixarem de existir, as empresas provavelmente repassarão parte desses custos aos preços

BTG Pactual

A Ambev, inclusive, faz referência a esses valores em dois trechos do relatório 20-F, documento que deve ser apresentado anualmente por empresas estrangeiras com ações negociadas nas bolsas de valores dos Estados Unidos.

“Em abril de 2019, o Supremo Tribunal Federal do Brasil concluiu o julgamento do Recurso Extraordinário n° 592.891/SP, com efeitos vinculantes, autorizando contribuintes a registrar créditos presumidos de IPI sobre aquisições de matérias-primas e insumos isentos oriundos da Zona Franca de Manaus. Como resultado dessa decisão, reclassificamos parte dos valores relacionados aos processos de IPI como perda remota, mantendo como possível perda apenas os valores relacionados com outras discussões adicionais que não foram objeto de análise pelo STF, tais como controvérsias envolvendo a classificação fiscal de unidades de concentrado que estão atualmente em trâmite perante o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (“CARF”). Os casos estão sendo contestados tanto na esfera administrativa quanto na esfera judicial. Nossa administração estima que as perdas possíveis relacionadas a esses processos sejam de aproximadamente R$ 4,9 bilhões em 31 de dezembro de 2021”, diz, em um trecho do relatório.

“Em 2018 e 2021, recebemos autuações fiscais dos Estados do Rio Grande do Sul e São Paulo cobrando supostas diferenças de ICMS em virtude da glosa de créditos decorrentes de operações com fornecedores localizados na Zona Franca de Manaus. Nossa administração estima que as possíveis perdas relacionadas a essas autuações sejam de aproximadamente R$0,7 bilhão, em 31 de dezembro de 2021”, afirma a Ambev em outro trecho do relatório.

Outros riscos
Diante disso, o BTG Pactual apontou que “esse ruído em particular está sendo muito exagerado”. Ainda assim, cita outros riscos que enxerga para a Ambev, incluindo a desaceleração da economia brasileira e medidas adotadas em uma eventual reforma tributária, além das atividades da companhia na Argentina.

“Para nós, os maiores riscos para os resultados da Ambev decorrem de uma reforma tributária potencialmente mais ampla que possa eliminar os incentivos fiscais associados ao pagamento de Juros sobre Capital Próprio, à força da indústria cervejeira em meio a uma economia em desaceleração e efeitos da conversão dos ganhos com a operação na Argentina”, diz.