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Artigo: Tributo à Anchor, a cervejaria que impulsionou o movimento craft

*Por Leo Sewald

O mundo cervejeiro está de ressaca hoje. 

São poucas as pessoas ligadas de alguma forma ao meio cervejeiro que nunca ouviram falar da Anchor Brewing, do lendário Fritz Maytag e da clássica Anchor Steam.

A Anchor foi catalisadora para o desenvolvimento do que hoje chamamos de “craft”. É o símbolo de uma transformação que aconteceu com o mundo da cerveja, um resgate histórico que se iniciou nos Estados Unidos e depois se espalhou pelo mundo, incluindo o Brasil.

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Tive a oportunidade de conhecer a Anchor e o seu excelente time. Tinas de cobre clássicas serviam como pano de fundo para uma cervejaria moderna, uma mistura perfeita entre o charme e a tradição do passado com a tecnologia necessária para se fazer produtos de ponta.

E que produtos. Steam Beer moderna, alguém?

Mas o fechamento da Anchor não traz só consequências para o mercado cervejeiro. A cervejaria está enraizada na história da cidade de São Francisco, é uma herança cultural do oeste industrial americano. O fechamento da marca representa muito mais do que a simples perda de uma cervejaria de qualidade: é como se estivéssemos assistindo uma página sendo lenta e dolorosamente rasgada de um livro de história.

Pelo menos a Anchor estará viva não apenas nas mentes daqueles que a conheceram, mas seu legado também estará presente em cada copo de California Common servido mundo afora.


*Leo Sewald é fundador da Seasons Beer e sócio da Companhia Brasileira de Cervejas Artesanais (CBCA)

Anuário do Mapa: conheça as cidades mais cervejeiras do Brasil

Terceiro maior produtor de cerveja do mundo, o Brasil tem sua tradição nesse importante setor da economia apoiada pela fabricação disseminada em grandes e pequenas localidades, a maior parte delas localizadas nas regiões Sul e Sudeste. E a partir dos dados da mais recente edição do Anuário da Cerveja, o Guia indica quais são as cidades mais cervejeiras do Brasil.

De acordo com o levantamento do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, o país tem, hoje, 722 municípios com ao menos uma cervejaria, o que representa uma de cada oito localidades. O número é crescente, sendo que o saldo positivo de 2021 para 2022 foi de 50 cidades, de acordo com o Anuário da Cerveja.

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E São Paulo pode se orgulhar de ser uma das cidades mais cervejeiras do Brasil. Afinal, a capital paulista é a localidade com mais cervejarias: 59 das 1.729 registradas no país. Esse número cresceu no ano passado, pois eram 51 em 2021. Hoje, são 17 a mais do que Porto Alegre, que sofreu uma queda – de 43 para 42 – no ano passado.

Entre as cidades do Top 10 de mais cervejarias, cinco não são capitais: as mineiras Nova Lima e Juiz de Fora, as paulistas Sorocaba e Ribeirão Preto e a gaúcha Caxias do Sul. Ribeirão, aliás, ao saltar de 13 para 17 estabelecimentos em 2022, tirou Blumenau, hoje com 16 cervejarias, da relação das dez principais cidades cervejeiras do Brasil.   

Porém, em termos de densidade, os municípios gaúchos são praticamente imbatíveis, ocupando nove das dez primeiras posições. E o principal destaque é Linha Nova. A apenas 87 quilômetros de Porto Alegre, conta com uma cervejaria para cada 862 habitantes (são duas, no total).

Esse domínio gaúcho só é quebrado por Marema, a sétima cidade com menor densidade cervejeira do Brasil. Na localidade, que fica na região metropolitana de Chapecó, há uma cervejaria para cada 1.703 habitantes. O Brasil, por sua vez, possui uma cervejaria registrada para cada 123.376 habitantes.


Com uma cervejaria para cada um dos seus 210.108 habitantes, São Paulo volta a se destacar pelo número de produtos registrados pelos seus estabelecimentos. De 2021, para 2022, se tornou a cidade cervejeira do Brasil com mais produtos registrados – 1.817 –, deixando Porto Alegre, hoje com 1.805, para trás, em segundo lugar.

A lista de dez principais cidades cervejeiras por produtos registrados conta com seis que não são capitais: Nova Lima, Juiz de Fora, Blumenau, Caxias do Sul e as paulistas Itupeva e Várzea Paulista.  

A relação passou por uma mudança de 2021 para 2022, com Caxias do Sul, hoje com 677 produtos, ultrapassando Ribeirão Preto, hoje fora do Top 10, com 671. De acordo com o Ministério da Agricultura, o Brasil possui 42.831 registros de produtos em cervejarias.

Cerveja tem deflação no varejo em junho, mas preço sobe 2,66% no 1º semestre

A cerveja no domicílio, em geral adquirida em redes de varejo, ficou mais barata em junho. De acordo com o IBGE, o item apresentou deflação de 0,27% no período, embora acumule alta de 2,66% no primeiro semestre de 2023. Já no período de 12 meses, a inflação é de 9,75%.

E não foi apenas a cerveja no domicílio que teve deflação em junho. o item no varejo acompanhou o ritmo do IPCA, contribuindo para a queda de 0,08% da inflação oficial, o maior recuo para o mês desde 2017, quando o índice foi de -0,23%.

No ano, o IPCA acumula alta de 2,87% e, nos últimos 12 meses, de 3,16%, abaixo dos 3,94% observados nos 12 meses imediatamente anteriores. Além disso, em junho de 2022, a inflação havia sido de 0,67%.

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Mas, se por um lado os preços da cerveja em domicílio, comercializada no varejo, ficaram mais baixos no mês, por outro a cerveja fora do domicílio, aquela comercializada em bares e restaurantes, teve uma alta de 0,50% em junho. Com este resultado, a inflação do segmento nos seis primeiros meses do ano ficou em 4,19%. E no acumulado dos últimos 12 meses, a alta está em 8,71%.

A deflação da cerveja no varejo em junho também destoou da dinâmica de preços de outras bebidas alcoólicas. No mês, houve altas de 0,61% e 1,27%, respectivamente, nos preços médios desses itens no domicílio e fora do domicílio.

As outras bebidas alcoólicas no domicílio tiveram inflação de 6,72% no semestre, com o índice ficando em 7,40% nos últimos 12 meses. Já as outras bebidas alcoólicas fora do domicílio fecharam o período de janeiro a junho com o indicador em 5,56%. A inflação chega a 9,04% nos últimos 12 meses.

Alimentação, bebidas e transportes puxam deflação
O grupo de alimentação e bebidas (-0,66%) foi o principal responsável pela deflação de 0,08% em junho, com transportes (-0,41%) também tendo contribuição importante. No lado das altas, o maior impacto (0,10%) e a maior variação (0,69%) vieram de habitação.

“Alimentação e bebidas e transportes são os grupos mais pesados dentro da cesta de consumo das famílias. Juntos, eles representam cerca de 42% do IPCA. Assim, a queda nos preços desses dois grupos foi o que mais contribuiu para esse resultado de deflação no mês de junho”, explica André Almeida, analista da pesquisa.

O grupo alimentação e bebidas foi influenciado, principalmente, pelo recuo nos preços da alimentação no domicílio (-1,07%). Destacam-se as quedas do óleo de soja (-8,96%), das frutas (-3,38%), do leite longa vida (-2,68%) e das carnes (-2,10%). 

“Nos últimos meses, os preços dos grãos, como a soja, caíram. Isso impactou diretamente o preço do óleo de soja e indiretamente os preços das carnes e do leite, por exemplo. Essas commodities são insumos para a ração animal, e um preço mais baixo contribui para reduzir os custos de produção. No caso do leite, há também uma maior oferta no mercado”, explica Almeida.

Trans critica falta de apoio da Bud Light após ataques: ‘Pior do que não contratar’

O caso de transfobia envolvendo Dylan Mulvaney e a Bud Light, após a marca se tornar alvo de um boicote nos Estados Unidos devido a uma ação com a influenciadora trans, ganhou um novo capítulo. Dessa vez, a marca da AB InBev foi criticada pela própria Dylan em função da falta de apoio recebido.

Dylan publicou um vídeo em seu perfil no TikTok e no Instagram intitulado “Pessoas trans também gostam de cerveja”. Nele, ela critica a Bud Light por tê-la abandonado diante dos ataques que sofreu após publicar um post patrocinado nas redes sociais, onde exibia uma lata personalizada da marca de cerveja com o seu rosto.

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Em sua publicação, Dylan ressalta a importância de as empresas apoiarem as pessoas trans mesmo quando elas são alvos de críticas. “Contratar uma pessoa trans e depois não apoiá-la publicamente é pior, na minha opinião, do que nem mesmo contratá-la, pois isso dá permissão aos clientes para serem transfóbicos e odiosos à vontade”, afirma, em um trecho do vídeo.

A influenciadora afirma que demorou para se pronunciar sobre o caso devido ao temor de sofrer novos ataques transfóbicos. Ela garante que nunca foi procurada pela Bud Light desde a eclosão dos ataques.

“Há meses, tenho medo de sair de casa. Fui ridicularizada em público, seguida e senti uma solidão que não desejo a ninguém”, diz. “Não estou contando isso para ser alvo de pena, estou compartilhando porque, se essa é minha experiência de uma perspectiva muito privilegiada, você deve saber que é muito, muito pior para outras pessoas trans”, acrescenta.

O caso de transfobia envolvendo Dylan teve início em abril, quando personalidades conservadoras dos Estados Unidos defenderam um boicote à Bud Light logo após a publicação de seu vídeo, no dia 1º daquele mês, com a latinha da marca.

Após os ataques, a AB InBev, grupo cervejeiro responsável pela marca, buscou apenas se distanciar da polêmica, afirmando que a lata com a imagem de Dylan não seria lançada comercialmente. A empresa divulgou um comunicado oficial no qual não mencionava a influenciadora, afirmando que nunca teve a intenção de participar de uma discussão que divide as pessoas. Recentemente, indicou que iria apoiar os atacadistas que ficaram com um estoque encalhado de Bud Light.

“Deveria ser algo simples e não controverso trabalhar conosco, e eu sei que é possível, porque já trabalhei com algumas empresas incríveis que se importam. Mas cuidar da comunidade LGBTQ+ requer muito mais do que apenas fazer uma doação em algum lugar durante o Mês do Orgulho”, afirma Dylan.

A iniciativa transfóbica de boicote obteve sucesso, levando a marca a perder o posto de cerveja mais vendida nos Estados Unidos para a Modelo Especial. Isso se deve, em grande parte, a uma queda de 25% nas vendas da Bud Light nas quatro semanas encerradas em 3 de junho, em comparação com o mesmo período de 2022.

O cenário negativo para a Bud Light tem se mantido. A Modelo Especial foi a marca de cerveja mais vendida nas quatro semanas encerradas em 1º de julho, com uma participação de mercado de 8,7% no varejo durante esse período, enquanto a Bud Light ficou em segundo lugar, com uma participação de mercado de 7%, de acordo com a consultoria Bump Williams, que obtém dados da NielsenIQ.

Veja o pronunciamento de Dylan Mulvaney direcionado à Bud Light:

@dylanmulvaney

Trans people like beer too. ?️‍⚧️?

♬ original sound – Dylan Mulvaney

Em alta, games e cerveja sem álcool se aproximam com ações da Heineken

Os universos da cerveja sem álcool e dos videogames deixaram, há algum tempo, de ser restritos e enxergados a partir de estereótipos. No Brasil, com ambos os mercados em fase crescente, uma marca de cerveja em especial, a Heineken, tem se aproveitado dessa expansão para ampliar o seu diálogo com os diversos grupos que fazem parte do universo dos games e para aumentar a presença da sua opção sem álcool, a 0.0.

Lançada em julho de 2020 no mercado brasileiro, a Heineken 0.0 adotou, em suas campanhas, a premissa de ampliação das oportunidades de consumo. Essa temática também é utilizada no diálogo com o público gamer, destacando os novos ambientes, que vão muito além dos bares, para consumo e interação.

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“Heineken 0.0 compreendeu que o gaming é um momento de consumo, celebração e socialização tão forte quanto estar em um bar, já que os dois ambientes proporcionam oportunidades de lazer e conexão com as pessoas”, diz Igor de Castro Oliveira, gerente sênior de marketing da marca Heineken 0.0 no Brasil.

Pensando nesse universo, uma das mais recentes novidades promovidas pela Heineken foi a criação da Beer Matchmaking, uma plataforma que mapeia o perfil dos cadastrados na página e faz uma seleção com base em detalhes como jogos preferidos, consoles, horários disponíveis e nível dos jogadores que estão em busca de uma partida em games como Fortnite, Valorant, Fifa, League of Legends (LOL) e Destiny.

A ideia da marca é, assim, “conectar players de interesses e níveis de jogos similares para garantir a partida perfeita, cumprindo o propósito de conectar pessoas, e mostrar que amizades e boas relações se constroem também no online, por meio dos jogos e da socialização”.

A Heineken 0.0 considera a iniciativa um sucesso, alcançando mais de 130 milhões de pessoas, com mais de 3 bilhões de impressões. “A marca tem o papel de desmistificar a imagem do gamer isolado dos amigos e celebrar o ato de jogar como uma atividade social e que, portanto, fica muito melhor acompanhada de uma cerveja”, comenta Oliveira.

Não é só para quem joga
A marca não se limita apenas a conectar os jogadores. Suas ações também envolvem outras frentes da comunidade dos e-sports, como o público que acompanha os campeonatos e os seguidores de streamers. Além disso, a presença da Heineken como patrocinadora da Fórmula 1, outro ambiente de ativação de iniciativas da sua opção sem álcool, fortaleceu essa conexão.

Foi assim que a marca promoveu, em 2021 e 2022, o Player 0.0, um torneio no game da Fórmula 1. Além disso, no ano passado, a Heineken 0.0 fechou acordos de patrocínio com o Campeonato Brasileiro de LOL e a Ignis Cup, também tendo se tornado parceira de Gaules, o maior streamer do Brasil.

“O vínculo firmado faz com que a marca torne-se a cerveja oficial da Tribo e reforça o seu posicionamento pioneiro, apresentando aos players a Heineken 0.0 como a alternativa ideal para apreciar uma cerveja de qualidade sem abrir mão do desempenho durante as disputas, já que é um produto zero álcool”, comenta o gerente sênior de marketing da marca Heineken 0.0 no Brasil.

Satisfeita com os resultados alcançados, a Heineken projeta novos investimentos para manter a conexão com o universo dos games.

Observamos que, ao nos conectar e apoiar os gamers e players, a comunidade se sentiu contemplada pela marca, já que patrocinamos eventos, campeonatos e influenciadores que estão nesse universo e conversam diretamente com o público, além de criar experiências únicas e inovadoras

Igor de Castro Oliveira, gerente sênior de marketing da marca Heineken 0.0 no Brasil

Balcão do Aloisio: Limites e potenciais para a cevada no Sudeste e Centro-Oeste

Balcão do Aloisio: Potencialidades e limitações para o cultivo da cevada no Sudeste e Centro-Oeste

No Brasil, a cevada é cultivada principalmente na região Sul, mas também existe produção na região Sudeste. Segundo dados do IBGE, das 476 mil toneladas de grãos produzidas em 2022, 96,7% foram provenientes da região Sul, enquanto 3,3% vieram da região Sudeste. Apenas quatro estados responderam por toda a produção: Paraná (72,7%), Rio Grande do Sul (23,6%), São Paulo (3,3%) e Santa Catarina (0,4%).

Apesar de concentrar a produção de cevada no País, a região Sul enfrenta alguns problemas relacionados à instabilidade do clima, que fazem com que, em alguns anos nos quais as condições são mais desfavoráveis, parte da produção não atinja o padrão cervejeiro, sendo descartada para esse uso, reduzindo o ganho do produtor. Esse é, provavelmente, o maior empecilho para o crescimento da área cultivada com a cevada na região, embora exista um enorme potencial para expansão da cultura no Brasil.

A demanda anual de malte no país é da ordem de 2,1 milhões de toneladas, enquanto são produzidos em torno de 750 mil toneladas, ou seja, 36% da demanda. Além disso, para produção das 750 mil toneladas de malte, são necessárias em torno de 900 mil toneladas de grãos de cevada. Em 2022, foram produzidas 475 mil toneladas, pouco mais da metade necessária. Assim, há necessidade de importação para suprir a demanda. Em 2021, foram importadas 483 mil toneladas de grãos de cevada e 1,43 milhão de toneladas de malte, a um custo de US$ 929,8 milhões, com impacto negativo na balança comercial.

Para a produção de todo o malte necessário para o Brasil, seria preciso em torno de 2,5 milhões de toneladas de grãos de cevada, ou seja, quase cinco vezes mais do que foi produzido em 2022. Ainda que, a fim de diversificar as fontes e garantir sempre matéria-prima para produção do malte, não seja de interesse das maltarias produzir todos os grãos localmente, há espaço para crescimento. O desenvolvimento de cultivares com maior estabilidade na qualidade dos grãos, a despeito das adversidades climáticas, poderia contribuir para o aumento do cultivo na região Sul do Brasil.

Outra possibilidade seria o cultivo nas regiões Sudeste e Centro-Oeste do Brasil, onde existem em torno de 5 milhões de hectares de área já utilizados com atividades agrícolas com culturas anuais e que estão a mais de 800 metros de altitude (2.193.498 ha em Minas Gerais, 2.352.613 ha em Goiás, 314.230 ha em São Paulo, 106.445 ha no Distrito Federal, 136.175 ha no Mato Grosso e 142.059 ha no Mato Grosso do Sul). Nessas áreas, é possível produzir cevada com boa qualidade de grãos para uso na malteação no período do inverno, sob irrigação, e existem cultivares de cevada que foram desenvolvidas para cultivo nessas regiões. Apesar disso, quatro das cinco grandes maltarias instaladas no Brasil (já contando a Maltaria Campos Gerais que está em construção no município de Ponta Grossa, no Paraná) estão localizadas na região Sul.

É provável que o principal motivo dessa concentração esteja relacionado com a contratação de produtores para a produção de cevada. Na região Sul, nem toda a área cultivada no verão o é no inverno, de forma que há disponibilidade de área para cultivo de cevada e produtores dispostos a fazê-lo. A produção é em regime de sequeiro. Nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, a cevada seria cultivada em regime irrigado e teria que concorrer com outras culturas como feijão, milho, cenoura, batata, café, tomate, dentre outras, que são mais rentáveis e haveria dificuldade em encontrar produtores dispostos a cultivar cevada. Sem matéria-prima produzida no local, as maltarias teriam que importar todo o grão necessário para sua atividade, o que traria uma certa vulnerabilidade, por depender de uma única fonte de matéria-prima, importada.


Aloisio Alcantara Vilarinho é engenheiro agrônomo com doutorado em Genética e Melhoramento de Plantas. Pesquisador da Embrapa desde 2003, ele atua, desde novembro de 2019, como melhorista de cevada na Embrapa Trigo.

Lúpulo entra em linha do BNDES para financiamento de até R$ 2,64 milhões

O cultivo de lúpulo recebeu mais um incentivo para sua ampliação no Brasil. O Programa de Modernização da Agricultura e Conservação dos Recursos Naturais (Moderagro), uma linha de crédito oferecida pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), incluiu o lúpulo entre as culturas que podem receber apoio.

No programa, empresas e produtores rurais ligados ao lúpulo podem financiar investimentos de até R$ 880 mil. Para cooperativas, o valor disponibilizado para projetos de modernização e expansão da produtividade chega a até R$ 2,64 milhões.

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“Este, sem dúvidas, é um passo fundamental para a expansão do lúpulo em todo o país. O acesso a crédito é um dos desafios para essa cultura inovadora, que tem potencial de provocar um grande impacto na cadeia cervejeira brasileira ao longo dos próximos anos. A inclusão no Moderagro abre novas perspectivas para a ampliação de áreas já em operação e também para a entrada de novos produtores”, afirmou o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Lúpulo (Aprolúpulo), Herman Wigman.

Atualmente, a grande maioria do lúpulo utilizado no Brasil é importado, representando 99,6% do índice no ano passado e um gasto de R$ 339 milhões. No entanto, o ingrediente nacional já vem sendo testado por diversas cervejarias, com pelo menos 110 companhias de 11 estados utilizando o insumo local, de acordo com a Aprolúpulo.

Além disso, há projeções de crescimento da cultura, que atingiu 48 hectares no ano passado, com uma estimativa de produção de 88 toneladas de lúpulo, conforme a Aprolúpulo. Para 2023, a associação espera dobrar a área de cultivo e fabricar 88 toneladas, o que pode tornar o Brasil o maior produtor de lúpulo da América do Sul no próximo ano.

Assim, a oferta da linha de crédito deve ajudar a ampliar essa expansão da cultura do lúpulo. A inclusão no programa do BNDES foi uma demanda inicial da Aprolúpulo, que obteve o apoio unânime dos membros da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva da Cerveja do Ministério da Agricultura.

Segundo a associação, esse endosso foi enviado à Secretaria de Política Agrícola do ministério, que o encaminhou ao Conselho Monetário Nacional. Lá, o pleito foi aprovado e publicado, garantindo uma nova linha de incentivo financeiro ao lúpulo do Brasil.

Menu Degustação: Arraiá da Brass Brew, pesquisa do Clube do Malte…

O fim de semana, como de costume, será cheio de atrações para o público cervejeiro. Para quem está no clima das festas e julinas, haverá o Arraiá da Brass Brew no domingo em São Paulo. E um dia antes, a capital paulista será palco de mais uma edição do All Beers Sessions.

Já em Belo Horizonte, a Läut apoia o Circuito DJ Sessions, enquanto na sua região metropolitana, em Nova Lima, a Krug Bier realiza uma visita à sua fábrica e dá início a mais uma campanha do agasalho. E para quem gosta de votar, o Clube do Malte promove uma eleição para escolher as melhores cervejas do Brasil.

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Confira essas e outras novidades do setor no Menu Degustação do Guia:

Läut abraça o projeto Circuito DJ Sessions
A Läut está apoiando o projeto Circuito DJ Sessions, em Belo Horizonte, e anunciou duas edições especiais do evento. A primeira será realizada nesta sexta-feira, a partir das 19h, no Orsinoh. O DJ Menucci estará no comando e a exposição de arte de Maria Helena Medeiros também será uma atração. A segunda edição acontecerá no sábado, no Madame Geneva, com o DJ Palomita e o lançamento da música “Clip Clap” do rapper mineiro D’Santa, além da exposição de arte de Rosa Ferreira.

Arraiá julino da Brass Brew
No domingo, a Brass Brew promoverá seu arraiá julino com apresentações musicais, aula de dança, feira de artesanato, comidas típicas e muita cerveja. A festa será realizada na Casa das Caldeiras, uma antiga fábrica desativada que é considerada patrimônio histórico de São Paulo. O arraiá da Brass Brew contará com a presença do Bloco do Adorno, da cantora Thaís Nogueira com um repertório de música regional nordestina e do DJ Gugu Reis, que tocará brasilidades com muito suingue. Além da música e das cervejas, o arraiá também oferecerá aulas de dança com o professor Pheliphe Britto, feira de artesanato, flash tattoo, comidas e bebidas típicas desta época do ano, além de brincadeiras para toda a família. Os idealizadores incentivam os participantes a irem ao evento vestidos com trajes típicos. Os ingressos estão à venda no Sympla.

9ª edição do All Beer Sessions
O All Beers Sessions está em sua nona edição na capital paulista, com open bar de 70 cervejarias nacionais e internacionais. A festa, organizada duas vezes por ano (no verão e no inverno), é promovida pela mídia cervejeira All Beers. A edição de inverno deste evento ocorrerá neste sábado, no Espaço Escandinavo, em São Paulo, e os ingressos estão disponíveis na plataforma do Sympla. O valor do ingresso inclui 1 copo personalizado da festa e acesso ilimitado a todas as opções de chope, lata e garrafa durante o evento.

IPA Day Brasil no calendário oficial de Ribeirão
A Câmara Municipal de Ribeirão Preto (SP) aprovou e instituiu a lei que inclui o IPA Day Brasil no calendário de datas e eventos do município. O festival foi criado em 2012, sendo o maior do mundo dedicado às IPAs, tendo, no ano passado, recebido turistas de 18 estados e do Distrito Federal. A partir de agora, a data será celebrada anualmente no primeiro ou segundo sábado de novembro, a fim de fortalecer a cidade como referência no mercado de cervejas artesanais. Neste ano, a celebração ocorrerá no primeiro sábado do mês, em 4 de novembro.

Krug Bier lança campanha do agasalho
A experiência de visitação da fábrica da Krug Bier em Nova Lima (MG) acontecerá neste sábado, quando a cervejaria também lançará sua campanha do agasalho. Todos os anos, a cervejaria arrecada donativos e doa chope para aqueles que se solidarizam com a causa. Serão mais de mil litros de chope disponíveis na ação, que ocorrerá até o dia 16, quando haverá a finalização da campanha durante a Corrida Krug. Até lá, aqueles que desejarem doar um agasalho poderão entregá-lo na fábrica da Krug durante o horário de funcionamento, entre 9h e 17h.

O melhor buteco do Brasil
A 23ª edição do Comida di Buteco terminou no início deste mês com uma grande festa em São Paulo. Na ocasião, foi anunciado o vencedor da etapa nacional do concurso, que consagrou o Venezas Bar como o melhor buteco do país. Localizado no bairro do Ipiranga, em São Paulo, o Venezas Bar serviu aos clientes o prato Dona Rosa – uma cama de aligot (purê de batatas cremoso com três queijos) coberta com ragu de pernil à vinha d’alhos, servida em uma gôndola de Veneza. Durante um mês, o público e os jurados tiveram a oportunidade de visitar quase mil bares em 25 circuitos, abrangendo 40 cidades em todas as regiões do país.

Pesquisa do Clube do Malte
O Clube do Malte está realizando uma pesquisa sobre as preferências dos consumidores em relação à cerveja. O estudo será conduzido ao longo do mês de julho e tem como objetivo identificar a melhor cerveja em diferentes categorias, fornecendo informações e análises diversas sobre o que determina a escolha dos consumidores brasileiros. Os participantes avaliarão as cervejas em várias categorias, incluindo Melhor IPA, Pilsen, Stout, Sour e Weiss do Brasil, entre outras. Cada categoria será avaliada com base em uma escala de preferência do consumidor.

Ação sustentável da Corona
A festa Corona Sunsets, evento tradicional da marca de cerveja, realizada no mês passado no Rio de Janeiro, conseguiu efetivar iniciativas ambientais, com a coleta e o envio para a reciclagem de 93% de todo o lixo gerado no festival. A ação, realizada em parceria com a startup Green Mining, comprovou a compensação de 100% do carbono emitido para a realização do festival, e que todos os resíduos coletados foram rastreados até o destino para o processo de reciclagem. No total, foram reciclados 2.802 quilos de embalagens pós-consumo, evitando que os resíduos fossem descartados em aterros sanitários.

Skol chama criadores de conteúdo
Em uma nova fase, a Skol anunciou a contratação de 14 criadores de conteúdo com o objetivo de disseminar o “jeito de ser de Skol” nas plataformas digitais. Essa estratégia faz parte da campanha de comunicação “A Cara da Leveza”, em que a Skol promove a leveza de viver como uma forma de transformar momentos de pressão em descontração. A campanha também traz de volta a famosa assinatura “desce redondo”, em uma nova fase de conexão da marca com os consumidores de cerveja.

Zé Express
O Zé Delivery, serviço de entregas de bebidas da Ambev, lançou o Zé Express, uma geladeira inteligente projetada para condomínios e locais com alto fluxo de pessoas. Essa inovação visa oferecer hiperconveniência aos consumidores, transformando a experiência de compra e criando novas oportunidades de consumo. O processo é simples: os consumidores fazem um rápido cadastro, escaneiam um QR Code, abrem a geladeira, pegam a bebida desejada e fecham a porta. Através da Inteligência Artificial, os produtos retirados são automaticamente reconhecidos e cobrados no cartão cadastrado no aplicativo (Zé Express). Além disso, o Zé Express oferece uma oportunidade de empreendimento com o apoio da Ambev, tanto através de operações próprias quanto de um modelo de franquias com baixo investimento. O objetivo é oferecer uma franquia inteligente e de gestão simplificada, com suporte e consultoria para o franqueado.

Alagoinhas, capital baiana da cerveja?
Tornar Alagoinhas a “Capital Estadual da Cerveja” na Bahia é o objetivo da deputada Ludmilla Fiscina (PV), por meio do Projeto de Lei nº 24951/2023. Além disso, será estabelecido o “Festival da Cerveja”, com realização anual na cidade, no mês de novembro, sendo reconhecido como manifestação cultural de interesse social e turístico para o município.

Compromissos por inclusão do Grupo Heineken
O Grupo Heineken anunciou sua adesão aos 10 compromissos do Fórum de Empresas e Direitos LGBTI+. Segundo a empresa, essa assinatura é uma continuidade da agenda de diversidade, equidade e inclusão da cervejaria, refletindo seu compromisso com a promoção de um ambiente seguro em que todas as pessoas possam ser livres para serem quem realmente são. O Fórum de Empresas e Direitos LGBTI+ é uma plataforma que reúne organizações de diversos setores, com o objetivo de compartilhar boas práticas e desenvolver ações voltadas para a inclusão e o respeito à diversidade de orientação sexual e identidade de gênero.

Reforma tributária é aprovada; veja possível impacto na cerveja

Aprovado em dois turnos em votações concluídas no fim da noite de quinta-feira pela Câmara dos Deputados, o texto-base da reforma tributária traz a criação de um imposto que pode afetar a indústria da cerveja: trata-se do Imposto Seletivo, que está sendo apelidado de “imposto do pecado”.

O Imposto Seletivo incidirá sobre bens e serviços prejudiciais à saúde e ao meio ambiente. O texto-base da reforma tributária não apresenta uma definição dos itens a serem inseridos nesse escopo, nem qual tributação incidirá sobre eles, o que será feito por meio de leis complementares. No entanto, há a preocupação de que produtos como bebidas alcoólicas e cigarros sejam incluídos nesse grupo.

Porém, após negociação, ficou definido que alimentos destinados ao consumo humano terão alíquotas reduzidas em 60%, com o Imposto Seletivo não incidindo para esses produtos.

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De imediato, ainda não é possível saber se isso impactará a indústria da cerveja, pois a definição de quais serão esses alimentos se dará por lei complementar. A certeza é apenas de que o Imposto Seletivo será criado caso o atual projeto de reforma tributária seja aprovada pelo Senado, sendo uma das medidas presentes na proposta, que busca, supostamente, simplificar a tributação no Brasil.

Nela, três tributos federais – PIS, Cofins e IPI – serão substituídos pela Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), enquanto o estadual ICMS e o municipal ISS serão “trocados” pelo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS). Esses dois novos tributos são definidos como impostos sobre valor agregado, não sendo cobrados de forma acumulativa. Além disso, será criado o Imposto Seletivo.

A previsão inicial de especialistas é que a alíquota integral de CBS e IBS chegue, no total, a 25%. No entanto, há a preocupação de que o percentual possa aumentar devido a várias exceções inseridas no texto-base.

A reforma também tem como objetivo mudar a tributação do consumo para o local de destino do produto. Se for promulgada, entrará em vigor em 2026, porém, em etapas, com sua implementação completa prevista para 2033.

“O que está em pauta na reforma tributária é a mudança na Constituição Federal, que representa o alicerce da legislação sobre o sistema tributário, com a alteração e a inclusão de possibilidades. Nesse momento, não se fala em alíquota, não se falas sobre quais produtos incidirá. É a construção genérica do sistema tributário”, explica Marcos Moraes, advogado pós-graduado em Direito Tributário, com atuação especializada em setores como bebidas alcoólicas e tabaco.

Próximos passos
Diante da possibilidade real de aprovação da reforma pelo Senado, o debate, nas próximas semanas, deverá se concentrar em alíquotas e taxação de produtos, a serem definidos por leis complementares. Isso inclui a definição de álcool como produto nocivo.

“O imposto é seletivo porque não se aplica a todos os produtos, apenas aos que representam riscos à saúde. Portanto, há uma discussão sobre se o álcool é saudável ou não. Ele está presente em medicamentos, assim como em bebidas alcoólicas para maiores de idade. A construção interessante que vejo é que ele não é bom ou ruim. Isso depende da dose”, comenta Moraes.

O baixo teor alcoólico da cerveja em comparação com outras bebidas alcoólicas também deveria resultar em uma tributação menor para esse produto em relação ao Imposto Seletivo, na opinião de Gilberto Tarantino, presidente da Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva).

“Em caso de aprovação do Imposto Seletivo, nossa proposta é de criar uma taxa sobre o teor alcoólico da cerveja, que gira em torno de 5% e não um imposto que tenha apenas a faixa única de ‘bebidas alcoólicas’ com percentuais muito mais elevados. A cerveja é a bebida social da alegria, confraternização e moderação”, diz.

A cerveja sempre foi considerada a bebida da moderação entre as bebidas alcoólicas devido ao seu baixo teor. Por isso entendemos que dentro do universo de bebidas alcoólicas a cerveja artesanal, inclusive por sua característica gastronômica, contribui para o consumo responsável e deve ter um tratamento diferenciado

Gilberto Tarantino, presidente da Abracerva

Essa medida poderia reduzir os impactos sobre a indústria da cerveja, mas parece ser difícil evitar algum efeito, inclusive para as grandes empresas do setor. A Genial Investimentos, em relatório, previu que a Ambev não escapará ilesa dessa medida da reforma tributária.

“Ainda que a companhia tenha também atuação fora do Brasil, o segmento Cerveja Brasil representa quase metade de seu faturamento. Dessa forma, nossa avaliação preliminar é de que Ambev deve ser impactada negativamente de modo relevante”, diz.

Na quinta-feira, dia da votação do texto-base na Câmara dos Deputados, as ações da Ambev caíram 2,50%, acima da queda de 1,78% do Ibovespa, o principal índice da bolsa brasileira. Questionado sobre a criação do imposto e a reforma tributária em si, o Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv), que representa a Ambev e o Grupo Heineken no país, disse que “está atento às discussões no Congresso e anseia por uma proposta que seja conduzida com razoabilidade e siga as melhores práticas internacionais.”

“O setor espera que o caráter extrafiscal para combater as externalidades negativas não tenha natureza arrecadatória e atenda ao princípio de neutralidade de carga tributária que a reforma defende”, acrescenta o Sindicerv, em nota oficial.

Em outra discussão relacionada às mudanças tributárias, a adoção de uma taxação diferenciada com base no volume produtivo de cerveja também poderá ser debatida. “A reforma também precisa incorporar nossos pleitos atuais que são tratamento diferente pelo poder público conforme o volume de produção de cada fábrica, o que se dá com a criação de um CNAE específico para produtores artesanais”, comenta o presidente da Abracerva.

Com crescimento de 11,6% em 2022, Brasil tem 1.729 cervejarias registradas

O Brasil encerrou o ano de 2022 com 1.729 cervejarias registradas no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Esse número representa um crescimento de 11,6% em relação a 2021 e foi divulgado nesta quarta-feira, durante a apresentação do Anuário da Cerveja de 2022.

Pelo terceiro ano consecutivo, a expansão do número de cervejarias se manteve no mesmo patamar. Houve um aumento de 14,4% de 2019 para 2020 (1.383 estabelecimentos) e 12% de 2020 para 2021 (1.549).

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“O crescimento praticamente estável na comparação com 2021 mostra a maturidade das micro, pequenas e médias cervejarias e o poder empreendedor do cervejeiro artesanal. Seguimos crescendo, estamos cada vez mais presentes no território nacional e movimentando a economia local. A enorme quantidade de produtos e marcas também ilustram o poder de inovação deste segmento”, afirma o presidente da Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva), Gilberto Tarantino.

O estudo também revela uma mudança significativa no Top 3 dos estados com mais cervejarias registradas. Embora São Paulo e Rio Grande do Sul continuem ocupando as duas primeiras posições, com 387 e 310 estabelecimentos, respectivamente, Minas Gerais subiu para o terceiro lugar ao registrar um saldo positivo de 33 cervejarias no ano passado, totalizando 222 estabelecimentos e ultrapassando Santa Catarina, que possui 215, um aumento de 20 em relação ao ano anterior.

O crescimento do número de cervejarias em Minas Gerais contribuiu para a concentração desses estabelecimentos no Sudeste, que conta com 798 cervejarias, representando 1.729 dos estabelecimentos totais do país.

No entanto, a indústria cervejeira também está se espalhando por mais localidades, com a região Norte apresentando o maior crescimento percentual, de 20%, chegando a 36 estabelecimentos. Também houve um aumento no número de municípios brasileiros com cervejarias, passando de 672 em 2021 para 722 em 2022. No entanto, Acre, Amapá e Rondônia possuem apenas uma cervejaria cada.

Em relação às cidades, São Paulo continua liderando com 59 estabelecimentos, seguida por Porto Alegre, com 42, e Curitiba, com 26. Fora das capitais, Nova Lima, em Minas Gerais, ocupa o primeiro lugar com 22 estabelecimentos.

Densidade, produtos e empregos
O Brasil possui uma cervejaria para cada 123.376 habitantes, um aumento de 10,4% em comparação com os 137.713 habitantes de 2021. Apesar de ter perdido a posição de terceiro estado com mais cervejarias para Minas Gerais, Santa Catarina continua sendo a unidade federativa com a maior densidade cervejeira, com uma cervejaria para cada 34.132 habitantes.

Já São Paulo, líder em número total de cervejarias, ocupa apenas a sexta posição em termos de densidade, com uma cervejaria para cada 120.504 habitantes. Um destaque do levantamento é a cidade de Linha Nova, no Rio Grande do Sul, que possui duas cervejarias e uma densidade de um estabelecimento para cada 862 habitantes.

O Anuário da Cerveja de 2022 também revelou que o Brasil possui 42.831 produtos registrados, um aumento de 19,8% em comparação com 2021. Esse crescimento percentual, impulsionado por 7.090 novos registros, representa uma aceleração no ritmo de lançamentos, que havia aumentado apenas 5,2% de 2021 para 2020.

““Houve avanços significativos no processo regulatório dos últimos anos, inclusive com modernização dos padrões de identidade e qualidade da cerveja, o que proporcionou um incremento significativo no número de registros de produtos e de cervejarias. Como resultado, temos benefícios direto ao setor, conforme números retratados no anuário, e também aos consumidores que têm acesso a uma gama de produtos diferenciados, aproveitando ingredientes regionais e tipicamente brasileiros”, destaca o secretário de Defesa Agropecuária, Carlos Goulart.

Em relação aos empregos gerados pela indústria, o Anuário de 2022 mostra que mais de 42 mil vagas diretas foram criadas, sendo a maior parte delas concentradas no Sudeste, com 57,8% do total.

“A cadeia produtiva da cerveja contribui com mais de 2 milhões de empregos diretos, indiretos e induzidos e geração de 2% do Produto Interno Bruto Nacional. Para cada emprego em uma cervejaria são criados 34 novos postos de trabalho em toda a cadeia produtiva, segundo estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV)”, diz o presidente executivo do Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja, Márcio Maciel.