44% das cervejarias têm até 3 anos de atividade, aponta pesquisa do Guia
Uma parcela relevante das cervejarias artesanais brasileiras precisou lidar com os efeitos da pandemia logo no início de suas operações. Foi o que apontou o levantamento “O Ano de 2022 para as Cervejarias“, realizado pelo Guia da Cerveja, ao indicar que 44% das companhias possuíam até três anos de atividade no momento de realização do levantamento.
O índice traça um começo desafiador para um grande contingente de cervejarias, que tiveram de lidar com o impacto da crise sanitária iniciada em 2020, quando muitas delas ainda estavam dando os primeiros passos dentro do segmento, já tendo de enfrentar as consequências da circulação restrita da população e do funcionamento parcial de estabelecimentos.
O levantamento, que pode ser acessado no link, também demonstra que o segmento cervejeiro ainda está em formação no Brasil. Afinal, 93% dos entrevistados afirmaram que suas cervejarias têm até dez anos de atividade, o que pode indicar ainda haver potencial para um maior crescimento do setor e sua consolidação.
Entre as cervejarias participantes, a maioria não consegue expandir além das fronteiras de sua região de origem. “O Ano de 2022 para as Cervejarias” revelou que 62% delas atuam apenas em sua cidade e áreas vizinhas. Além disso, há pouca participação em mercados fora do seu estado – apenas 26% estão presentes em mais de uma unidade da federação, o que mostra claramente a dificuldade da maioria das cervejarias em levar sua produção para novos públicos.
Essa produção, aliás, é predominantemente feita em fábricas próprias. A pesquisa apontou a prevalência de cervejarias com unidades produtivas próprias no mercado brasileiro, com esse modelo sendo adotado por quase dois terços dos participantes da pesquisa (65%). Já a produção cigana, em que a fabricação é terceirizada junto a outra cervejaria, foi mencionada por apenas 16% dos entrevistados.
A concentração da produção em unidades próprias pode estar relacionada ao aumento dos custos de terceirização, o que pode ter levado muitas cervejarias a abandonarem o modelo cigano, de acordo com a avaliação da jornalista e beer sommelière Fabiana Arreguy, que fez parte da equipe de análise dos dados do levantamento.
O preço dos insumos subiu muito, a estrutura das fábricas foi otimizada ao máximo, o que encareceu a produção terceirizada
Fabiana Arreguy, jornalista e beer sommelière
“O Ano de 2022 para as Cervejarias” foi uma pesquisa quantitativa conduzida pelo Guia da Cerveja por meio de um questionário online. As respostas foram coletadas entre outubro e dezembro de 2022, e o levantamento contou com a participação de 100 proprietários ou administradores de cervejarias.
Uma das cervejarias artesanais mais tradicionais do Brasil está em festa: a Schornstein vai celebrar, no próximo fim de semana (1º e 2 de julho), o seu aniversário de 17 anos com um festival gratuito em Pomerode (SC), que reunirá música, gastronomia e cervejas, incluindo as da “convidada” Seasons.
O Schornstein Festival começa às 11 horas e vai até 1h no sábado e 21h no domingo. Durante todo esse período, a organização programou mais de 22 horas de atrações musicais, com uma grande variedade de estilos, como rock, folk e country. Entre os participantes estarão Jimmy London, que foi vocalista do Matanza, Rebels and Sinners e Farol Negro. Outra atração é a Black Tainha, vencedora do concurso de bandas realizado pelo festival, que contou com mais de 40 inscritos.
“Neste ano, teremos dois palcos, um deles para os DJs. Como é um evento para a família, teremos uma área kids para os pequenos se divertirem e uma parede de escalada que também é gratuita, é diversão, boa música e o melhor da cerveja com alma”, destaca Luciane Rosa, coordenadora de marketing da Schornstein.
Para a sua festa de aniversário, a Schornstein organizou uma lista de cervejas, como Pilsen, IPA, Weiss, Witbier, APA, IPA Tangerina, Bock, Bock Chocolate com Pimenta e Dry Stout.
Além disso, o público poderá consumir rótulos da Seasons, marca gaúcha que, assim como a Schornstein, faz parte do portfólio da Companhia Brasileira de Cerveja Artesanal. Estarão presentes as linhas Holy Cow, Pacific, Vaca das Galáxias, Mr. Green e o lançamento da linha Moo England, Cowlifornication, uma Juicy IPA com Manga.
O evento, criado para celebrar a cultura cervejeira de Pomerode, acaba atraindo público de outras cidades catarinenses interessado nas atrações musicais e gastronômicas. Restaurantes locais e da região terão um cardápio especial, que inclui pretzel, torresmo e linguiças alemãs, além de massas, pizzas, pastéis e comidas típicas alemãs. Haverá também opções veganas e café premium.
“O festival se tornou um marco no calendário da cidade e atrai turistas de diversos locais em busca de boa música e de boa comida para acompanhar nossas premiadas cervejas artesanais. A localização é outro ponto positivo, pois estamos no centro histórico da cidade, que é de fácil acesso e tem um charme todo especial”, afirma Luciane.
Conhecido por unir teoria e prática em suas abordagens sobre a indústria da cerveja, o Congresso Técnico Internacional da Agrária Malte, realizado na última semana, manteve o status de polo produtor de conhecimento em 2023 e aproveitou a concentração das atividades em um único espaço para ampliar as oportunidades de intercâmbio e negócios.
Neste ano, o congresso, no distrito de Entre Rios, em Guarapuava (PR), aconteceu no centro de eventos da Agrária, inaugurado oficialmente no início de 2022. Amplo e com estrutura moderna e de ponta, o espaço acomodou eventos simultâneos para os mais de 600 participantes da 14ª edição do encontro.
“Ter tudo concentrado em um único lugar otimizou muitas coisas. Tudo ficou junto, em um modelo flexível, no qual o participante escolhia qual palestra acompanharia ou mesmo se preferia fazer networking. Assim, oferecemos mais controle e opções para os participantes”, afirma Rodrigo Lass, coordenador de marketing da Agrária.
Foram 18 palestras no formato simultâneo, a principal novidade da programação do congresso da Agrária em 2023, além de outras sete palestras magnas e duas mesas-redondas na programação oficial. Além disso, a infraestrutura do centro de eventos abrigou aproximadamente 20 estandes de apoiadores e patrocinadores, aumentando o contato e a interação entre fornecedores e o mercado cervejeiro.
“O congresso está se tornando um hub técnico e comercial. É muito importante que os pequenos cervejeiros tenham contato com empresas do segmento. É a chance de fornecedores conhecerem o mercado craft e de os pequenos cervejeiros verem os desenvolvimentos tecnológicos”, avalia José Antunes, coordenador do curso técnico em cervejaria do Colégio Imperatriz, que conta com o apoio da Agrária.
“O foco foi em algumas matérias-primas, especialmente o malte, e no trabalho com maltes especiais, em que os cervejeiros ainda têm algumas dificuldades em relação ao seu uso e finalidade”, comenta Antunes, que ministrou uma palestra e conduziu as duas mesas-redondas do evento. “Também houve muita discussão sobre o lúpulo e suas variedades, com ênfase nas características sensoriais”, acrescenta.
Além disso, foram abordadas ações práticas para o dia a dia das cervejarias, como melhorias relacionadas à vida útil do produto, uso de CO2, tomada de decisões com base em dados, boas práticas de fabricação e sanitização, entre outros temas, ao longo dos três dias do congresso.
“Foi importante acompanhar a palestra de José Ivan Vieira de Lima, do Grupo Heineken, sobre a tomada de decisões baseadas em dados, assim como a abordagem da Pentair sobre a recuperação de CO2, algo importante para a viabilidade do negócio, pois o futuro é se tornar independente das variações do mercado”, diz Pedro Schobiner, cervejeiro da DeBron Bier.
Reunindo participantes de todo o Brasil e de outros países, o Congresso Técnico Internacional permitiu acesso a conhecimentos que serão aplicados na prática pelas cervejarias, assim como pelos fornecedores que oferecem soluções ao mercado, como relata Juliana Bianchi, analista de novos negócios da Palenox, empresa especializada na fabricação de equipamentos para cervejarias.
“O que aprendemos aqui será convertido em melhorias nos nossos equipamentos. Várias técnicas discutidas sobre eficiência serão aplicadas à nossa engenharia. Podem surgir melhorias na moagem, no processo de brassagem e na fermentação”, comenta. “Hoje em dia, o mercado está se tornando mais maduro, e precisamos ter uma gestão mais eficiente nas fábricas”, acrescenta o cervejeiro da DeBron Bier.
Além disso, representantes de empresas que realizaram palestras aproveitaram para apresentar novidades ao mercado, incluindo o uso de leveduras e possibilidades práticas para a fabricação de cervejas sem álcool ou com baixo teor alcoólico, uma opção em crescimento no setor.
Segundo o coordenador de marketing da Agrária, a boa recepção dos participantes em relação aos temas abordados está relacionada à atenção dada à montagem da programação, que abrange desde assuntos em alta no mercado internacional até desafios enfrentados diariamente pelos profissionais da indústria cervejeira.
A programação incluiu temas que são tendências fora do Brasil, como a questão das cervejas sem álcool, que observamos em eventos internacionais, além de assuntos cotidianos repassados por nossos técnicos, departamento comercial e departamento de marketing, abordando as dificuldades enfrentadas pelos produtores, como DMS e diacetil na cerveja
Um ano e três meses após o anúncio de que pretendia encerrar suas atividades na Rússia, o Grupo Carlsberg conseguiu finalmente vender sua operação no país, onde era líder no mercado cervejeiro. A companhia dinamarquesa anunciou ter fechado um acordo com um comprador não revelado. Mas a transação ainda precisa ser aprovada pelo governo local para se concretizar.
“A assinatura do acordo de venda do negócio russo é um marco extremamente importante no processo complexo de separação e venda. Embora tenha sido um processo demorado, foi essencial alcançarmos a melhor solução possível para todas as partes interessadas, incluindo nossos mais de 8 mil funcionários na Rússia. Agora aguardamos ansiosos as aprovações regulatórias necessárias”, afirma Cees ‘t Hart, CEO da Carlsberg.
Dados de 2021, o ano que antecedeu o início do conflito na Ucrânia, mostram que a Carlsberg detinha uma participação de 27% no mercado russo, com marcas como Baltika, 1664 Blanc, Somersby e Tuborg. Naquele ano, o grupo registrou receita de 6,5 bilhões de coroas dinamarquesas (cerca de R$ 4,54 bilhões) no país, correspondendo a aproximadamente 10% do valor total obtido mundialmente. Além disso, teve lucro de 682 milhões de coroas dinamarquesas (R$ 477 milhões) na Rússia em 2021, o que representou 6% de seus ganhos globais.
A Carlsberg explicou que o acordo não afetará as perspectivas de receita e lucro do grupo para o restante de 2023. No ano passado, a empresa havia relatado que esperava ter uma baixa contábil de 9,9 bilhões de coroas dinamarquesas (R$ 6,9 bilhões) devido à sua saída da Rússia.
A necessidade de aprovação para o negócio foi citada pela Carlsberg como motivo para evitar a apresentação de uma previsão sobre quando se dará a conclusão da venda. “A transação está sujeita a um amplo processo de aprovação regulatória na Rússia. Isso inclui a apresentação de pedidos à comissão do governo russo para obter suas aprovações, conforme exigido pela lei russa. Além disso, a transação está sujeita a várias condições habituais, incluindo aprovação regulatória e o cumprimento de determinadas condições em várias jurisdições”, diz o comunicado.
Logo após o início da guerra na Ucrânia, em março de 2022, a Carlsberg anunciou a intenção de encerrar suas operações na Rússia, seguindo o exemplo de dezenas de outras empresas, em resposta às ações do governo de Vladimir Putin. No entanto, esse processo só está sendo concluído agora, com o grupo cervejeiro mencionando desafios para sua concretização.
“A separação dos negócios russos do restante do Grupo Carlsberg tem sido extremamente complexa, envolvendo cerca de 150 fluxos de trabalho em funções de negócios e um investimento de mais de 150 milhões de coroas dinamarquesas em equipamentos de cervejaria e infraestrutura de TI em mercados fora da Rússia”, afirma a empresa holandesa.
Investimento na Ucrânia Ao mesmo tempo em que prepara sua saída da Rússia, a Carlsberg decidiu realizar um novo investimento na Ucrânia. A empresa destinará 1,5 bilhão de hryvnias (cerca de R$ 190 milhões) para uma nova linha de produção em sua cervejaria em Kiev, aumentando em 80% a capacidade de fabricação de enlatados.
E em meio à continuidade do conflito no país, o anúncio foi marcado por forte conotação política. “Essa nova linha de produção possui uma importância simbólica que transcende a indústria de bebidas na Ucrânia. É um sinal de que um importante player global e líder da indústria, a Carlsberg, acredita na Ucrânia e está disposta a investir no país em um momento em que a Ucrânia ainda está enfrentando a agressão russa”, afirma Ole Egberg Mikkelsen, embaixador extraordinário e plenipotenciário da Dinamarca na Ucrânia.
A Carlsberg opera no mercado ucraniano desde 1996 e afirma já ter investido mais de 1 bilhão de euros (mais de R$ 5,2 bilhões) no país desde então. Por lá, o grupo possui três cervejarias, em Zaporizhzhya, Lviv e Kiev, e conta com mais de 1.350 funcionários. Em 2020, a empresa detinha 30% do mercado, sendo o segundo maior participante.
A cervejaria chegou a interromper suas operações no país no ano passado devido à guerra, mas posteriormente retomou suas atividades. No balanço financeiro do primeiro trimestre, a Carlsberg registrou crescimento de mais de 50% em seus volumes na Ucrânia após o período de fechamento, embora ainda 15% abaixo do nível pré-guerra.
A Rota Cervejeira RJ anunciou a chegada de novos membros e, agora, passa a ter também produtores de lúpulo brasileiro. Com a mudança, a associação que reunia cervejarias da Serra Fluminense, das cidades de Petrópolis, Teresópolis, Nova Friburgo, Guapimirim e Cachoeiras de Macau, deve intensificar suas ações em prol do turismo cervejeiro e ampliar o leque de atividades com novas experiências turísticas.
Ana Cláudia Pampillón, coordenadora da associação, explica que os produtores de Lúpulo Riad, Estância Éden, ambos de Petrópolis, e Floresta Mendes, de Nova Friburgo, já estão formalmente associados à Rota RJ. “Outro produtor no Vale das Videiras está aguardando registro para entrar na associação. Há mais um que está iniciando o plantio em Cachoeiras de Macacu.”
Assim, Ana Cláudia celebra que a Rota RJ terá cinco produtores de lúpulo em breve e potencial para novas experiências turísticas muito em breve. “Os novos associados trazem experiências no campo, aproximando os visitantes e consumidores da matéria-prima que é tão importante na receita da cerveja: o lúpulo”, destaca a coordenadora da rota.
As experiências em campo, inclusive, já vêm sendo planejadas. Na Estância Éden, por exemplo, a harmonização da parrilla com cerveja artesanal já é oferecida. E, em breve, acontecerá a visitação na plantação de lúpulo que está sendo montada, com previsão de plantio para setembro deste ano.
Já na Lúpulo Riad, segundo Ana Claúdia, deverá ser realizada uma experiência turística totalmente diferente. “Como um café da manhã ou almoço no lupulal, bem ao estilo Patagônia”, compara.
Para a coordenadora, o cultivo do lúpulo, que sempre foi tão desacreditado, hoje é uma grata surpresa no mercado brasileiro. “Temos lúpulos com tanta qualidade. E as vivências, ou experiências no campo, realmente encantam qualquer visitante.”
A entrada dos produtores de lúpulo, além de permitir novas experiências à Rota RJ, também os ajudará no fortalecimento econômico com o turismo cervejeiro e com o apoio da associação, segundo Ana Cláudia.
O Paraná ganhará uma nova maltaria para a produção de maltes especiais, visando atender a indústria cervejeira. A Ireks do Brasil, uma joint-venture formada pela Cooperativa Agrária e pela alemã Ireks, anunciou que construirá uma maltaria em Guarapuava, com investimento de R$ 500 milhões e previsão de início das operações em 2026.
As obras de construção estão previstas para começar em 2024, com o empreendimento tendo sido incluído no programa de incentivos fiscais do governo do Paraná. A indústria será instalada ao lado de outra maltaria da Agrária, no distrito de Entre Rios, e tem a perspectiva de gerar 400 empregos diretos e indiretos.
A nova maltaria terá como objetivo produzir maltes especiais, como caramelo, torrado e melanoidina, em larga escala. Atualmente, esses maltes precisam ser importados pela indústria cervejeira. Na fase inicial de operação da indústria, a projeção é de uma capacidade de produção de 64 mil toneladas anuais.
“A capacidade total projetada para essa fase inicial do projeto já é muito boa. Tendo em vista que, esse mercado hoje não existe ainda em sua totalidade no Brasil, mas vem crescendo muito. Esperamos que até o funcionamento pleno da operação consigamos aumentar ainda mais a nossa capacidade de produção. Temos previsto um aumento de produção de cevada de aproximadamente 75 mil toneladas”, diz Jorge Karl, presidente do conselho de administração da Ireks do Brasil.
A iniciativa visa substituir a importação de maltes especiais pela produção nacional. “Além do tamanho do investimento e dos números de geração de empregos, com esse empreendimento deixaremos de importar mais de US$ 40 milhões em maltes especiais por ano”, afirma Eduardo Bekin, diretor-presidente da Invest Paraná.
A Ireks será responsável pela construção da maltaria, enquanto a operação, a produção e a industrialização da cevada, além da comercialização do malte, serão feitas pela Agrária. “Estamos agora tratando de todas as licenças e das cotações dos equipamentos e obras civis, com a previsão de iniciar a venda dos maltes especiais em 2026. A finalidade é substituir a importação desses produtos, que passarão a ser fabricados no Paraná, em Guarapuava”, afirma Adam Stemmer, presidente da Agrária.
Mais um investimento O anúncio de uma nova maltaria em Guarapuava se soma a outro investimento recente no insumo, também com a participação da Agrária. Ela e outras cinco cooperativas estão à frente da Maltaria Campos Gerais, em Ponta Grossa (PR), com aporte de R$ 3 bilhões.
A expectativa é iniciar os testes de produção entre novembro e dezembro, com a operação começando em 2024 e a previsão de processamento de 240 mil toneladas de malte por ano.
Essas ações estão alinhadas com a importância da região no cultivo de cevada no país. Segundo os dados mais recentes do IBGE, o Paraná é o maior produtor de cevada do país, com 321.516 toneladas das 452.827 toneladas fabricadas em 2021. E Guarapuava se destaca como o maior produtor nacional, com uma participação de 21%, correspondendo a 95.931 toneladas.
Balcão do Advogado: Cerveja enganosa – Os principais erros de rotulagem
Apesar da grande evolução criativa dos rótulos das cervejas nacionais, parece que a mesma atenção não tem sido dispensada na hora de cumprir a legislação aplicável à rotulagem.
A quantidade de erros é grande (alguns grosseiros) e não está restrita às microcervejarias: os rótulos das cervejas de massa, de marcas reconhecidas, também costumam apresentar problemas.
É preciso seguir a Lei
Os rótulos de bebidas possuem uma série de regras a serem seguidas. Descumpri-las pode acarretar multas pesadas.
A “Lei de Bebidas” (Decreto nº 6.871/2009) dispõe que “utilizar rótulo em desconformidade com as normas legais vigentes” é uma infração passível de multa no valor de R$ 2.000,00 (dois mil reais) até R$ 117.051,00 (cento e dezessete mil e cinquenta e um reais).
Contudo, as normas não estão condensadas em uma única legislação, o que ajuda a explicar parte da dificuldade das cervejarias. Para a confecção de um rótulo, é necessário atender a referida Lei de Bebidas e ainda outros atos normativos esparsos, entre decretos, instruções normativas e resoluções. Seguem abaixo os principais:
-Decreto Nº 6.871/2009
-RDC 259/2002
-IN 55/2002
-Portaria 157/2002.
-IN 72/2018
-IN 65/2019
-Resolução Conar 01/2008
-Lei Nº 9.294/1996
-Decreto Nº 2.018/1996
-Lei Nº 10.674/2003
-RDC Anvisa 136/2017
-RDC Anvisa 26/2015
– Decreto-Lei Nº 5.452/1943 – CLT
Principais erros Como visto, a quantidade de atos normativos assusta e pode ocasionar variados erros de rotulagem. Elencamos os mais recorrentes e como corrigi-los:
VALIDADE: o prazo de validade deve ser declarado por meio de uma das seguintes expressões: “consumir antes de…”, “válido até…“, “validade…“, “val:…”, “vence…“, “vencimento…“, “vto:…” , “venc:….”, “consumir preferencialmente antes de…”.
Exemplo de erro: por falta de espaço, muitas cervejarias indicam a validade apenas com a letra “V”, seguida da data, o que não está em conformidade com a RDC Anvisa 259/2002.
VOLUME: a unidade de volume deve ser representada pelo símbolo mL ou ml ou cL ou cl ou cm³.
Exemplo de erro: utilizar “ML” ou “Ml”.
DENOMINAÇÃO: a denominação do produto é composta de suas classificações quanto à proporção de matérias-primas e quanto ao teor alcoólico.
CERVEJA DE… (45 a 80% adjuntos; 20 a 55% malte de cevada)
CERVEJA PURO MALTE DE…
+
SEM ÁLCOOL ou DESALCOOLIZADA (≤ 0,5% v/v)
COM BAIXO TEOR ALCOÓLICO ou COM TEOR ALCOÓLICO REDUZIDO (0,5 a 2,0% v/v/) (sem especificação: > 2,0% v/v/)
Estilo NÃO faz parte da denominação.
A denominação deve constar no painel principal do rótulo, constituindo item distinto, destacado das demais inscrições, com letras em negrito, em cor única e contrastante com a do fundo do rótulo ou do produto.
Exemplo de erro: colocação da denominação fora do painel principal, sem qualquer distinção.
ESTILO: o estilo da cerveja pode ser indicado no rótulo, desde que em separado e de forma prontamente distinguível da denominação.
Exemplo de erro: é comum rótulos trazerem a denominação seguida do estilo, sem distinção alguma.
TERCEIRIZAÇÃO: as normas de rotulagem não tratam sobre cervejarias ciganas. Na prática, como a cervejaria cigana “não existe” para o MAPA, as informações contidas no rótulo devem ser da cervejaria fabricante, que é a responsável pelo rótulo.
Quando a legislação trata sobre “terceirização”, ela se refere unicamente à relação entre cervejarias com fábrica, ou seja, cervejarias com registro de estabelecimento no MAPA que terceirizam a sua produção em outra cervejaria com registro.
Exemplo de erro: cervejarias ciganas que fazem constar sua razão social no rótulo acrescido da inscrição “PRODUZIDO E ENVASILHADO SOB RESPONSABILIDADE DE”. Trata-se de interpretação equivocada da lei, que não deve ser utilizada.
Dessa forma, conhecendo os principais erros e as normas pertinentes, é possível evitar erros de rotulagem que podem ocasionar multas desnecessárias. É importante que as cervejarias se dediquem à revisão e à adequação legal dos rótulos com o mesmo afinco que o fazem com o respectivo design criativo, afinal, de nada adianta um belo rótulo com erros que podem ocasionar até mesmo a remoção das prateleiras.
Como é tradicional, as cervejarias aproveitaram datas marcantes do mês de junho para a realização de lançamentos. Assim, o Dia dos Namorados, celebrado no dia 12, e a chegada oficial do inverno, no dia 21, serviram de inspiração para a criação de diversos rótulos pelo Brasil.
As colaborativas também estiveram em alta neste mês e foram apostas entre as cervejarias Bohemia, Hocus Pocus, Colorado, Wäls, Goose Island e também entre a Pineal e a norte-americana Ripland Brewing.
Confira a seguir lançamentos das cervejarias artesanais realizados em junho e selecionados pela reportagem do Guia:
Bodebrown A Bodebrown apresentou a Cerveja do Amor Safra 2023, terceiro rótulo da série Bodebrown Safra 2023 – Gastronomia Além do Infinito, inspirada no romantismo e na arte. A criação, feita por Samuel Cavalcanti, CEO da Bodebrown, é uma homenagem à sua esposa Mônica. A cerveja é uma Saison belga com adição de amora, framboesa e suaves notas de caramelo, com teor alcoólico de 8%. Outra criação da cervejaria em junho foi a Anna Guerra Saison – Safra 2023, que une arte, cultura nordestina, frutas brasileiras, gastronomia e tradições cervejeiras da Bélgica. Esta cerveja, uma Saison belga, conta com a adição de três frutas brasileiras in natura na fermentação: acerola, cupuaçu e graviola, e possui 7,5% de teor alcoólico.
Bohemia, Colorado, Goose Island, Hocus Pocus e Wäls As marcas Bohemia, Hocus Pocus, Colorado, Wäls, Goose Island e a Fazenda de Lúpulo de Santa Catarina da Ambev se uniram para produzir a 27 horas Fresh Hop Lager, uma cerveja com um frescor diferenciado. Essa cerveja utiliza lúpulo fresco em flor na receita, retendo mais óleo essencial por não ter sido processado, o que resulta em um maior impacto do aroma e sabor. A novidade apresenta aroma de notas cítricas e herbais, remetendo à casca de limão, corpo médio-baixo, médio amargor, sabor cítrico e bom drinkability. É uma Hoppy Lager, com 5% de teor alcoólico e 25 IBUs.
Brewteco e Malteca No dia 21 de junho, marcando o solstício de inverno, o Brewteco e a cervejaria Malteca anunciaram uma parceria para lançar a linha Estações. Essa novidade apresentará um rótulo inédito a cada estação. Para o inverno, foi lançada uma Black IPA com lúpulos intensos e maltes escuros, resultando em uma cerveja suave e com sabor tostado. Seu aroma equilibra o frescor dos lúpulos com a complexidade dos maltes.
Hocus Pocus Além do lançamento coletivo com cervejarias parceiras, a Hocus Pocus aproveitou o mês de junho para lançar a Imperatriz, uma Hazy IPA. Essa cerveja sazonal combina os lúpulos Talus, Eclipse e HBC 1019, resultando em aromas cítricos e herbais. Com corpo turvo e aveludado típico das Hazy IPAs, equilibra o doce e o amargo, revelando um mistério a cada gole. Disponível para compra online em todo o Brasil e servida nos bares da Hocus Pocus em São Paulo e no Rio de Janeiro.
ØL Beer A ØL Beer lançou em junho a American Wheat Lumi Shows Up, uma cerveja refrescante com perfil cítrico e aroma frutado. Com base de malte de trigo, a cerveja é criada com os lúpulos norte-americanos Luminosa e Experimental 1320, proporcionando aromas de limonada, pêssego, manga, casca de laranja cristalizada, amora, mamão e goiaba. A combinação desses lúpulos resulta em uma cerveja extremamente aromática, com notas de frutas cítricas e florais. Com teor alcoólico de 5,5% e amargor de 30 IBUs,
Pineal A Pineal esteve entre as cervejarias que realizaram lançamentos duplos em junho. Foram elas: a E.Nygma #12 e a Saison do Amaral 2023, essa em colaboração com a Ripland Brewing, dos Estados Unidos. O primeiro rótulo possui 7% de teor alcoólico e foi fermentado diretamente no barril de carvalho americano, por mais de 12 meses, pela microbiota única e exclusiva da cervejaria. Após esse período, retornou ao tanque de inox para receber a adição de tomate caqui e pimenta habanero. A segunda novidade possui 5,8% de teor alcoólico e é uma Mixed Fermentation Saison Barrel Aged, fermentada em barril de carvalho francês de Cabernet Sauvignon Blanc, com um blend de microrganismos importados.
O inverno chegou oficialmente no Brasil e foi um dos motivos que fez a Goose Island antecipar um dos momentos mais aguardados do ano pelos cervejeiros: o lançamento da Bourbon County, em uma safra comemorativa de 30 anos.
Marcado para este final de semana, no Parque Ibirapuera, o Festival Turá terá a Corona como cerveja oficial pela primeira vez. E, após serem adiados, o Festival de Cerveja Bier Brasil e Festival da Coxinha, que ocorreriam no Shopping Campo Limpo, em São Paulo, têm novas datas para acontecer.
Já o Brasil Beer Cup anunciou o selo Top 50 Best Breweries BBC 2023, concedido às 50 melhores cervejarias em pontuação no ranking da edição deste ano da competição cervejeira.
Confira essas e outras novidades da semana no Menu Degustação do Guia:
Bourbon County 30 anos A Goose Island apresentou a famosa Bourbon County mais cedo neste ano. Geralmente, a cervejaria lançava as novas safras no fim do terceiro trimestre, mas a edição de 2022 veio no final de junho, coincidindo com a primeira semana do inverno. A cerveja é uma Imperial Stout maturada em barris de uísque, com notas de bourbon. O Bourbon Day acontece neste sábado, com o início das vendas físicas na casa da marca em São Paulo, a Goose Island Brewhouse, no Largo da Batata, em Pinheiros. Para este ano, a Goose ainda promete apresentar ao público a oportunidade de se aprofundar no processo que dá origem à cerveja, levando para o espaço diversas atrações, como música ao vivo e gravação de taças e garrafas. A nova safra marca os 30 anos de Bourbon County e coincide com os 35 anos da Goose.
Selo 50 Cervejarias O Brasil Beer Cup anunciou o selo Top 50 Best Breweries BBC 2023, que será concedido às 50 melhores cervejarias em pontuação no ranking da competição neste ano. Segundo a organização, a distinção é um reconhecimento da excelência e do destaque dessas marcas no cenário cervejeiro. Além do selo, serão fornecidos materiais de marketing adicionais, permitindo que as cervejarias promovam e realcem essa conquista em seus sites, embalagens, eventos e outros canais de divulgação.
Eisenbahn no Smorgasburg A Eisenbahn oficializou o patrocínio ao Smorgasburg Brasil, um dos maiores eventos de gastronomia criativa do mundo que está marcado para os dias 22 e 23 de julho, em São Paulo, no Parque do Ibirapuera. Como cerveja oficial do evento, a marca montará um beer garden que exaltará a cultura artesanal e valorizará o respeito ao processo dos preparos e das tradições. No evento, além de muita gastronomia, o público poderá apreciar atrações musicais que vão desde o folk e jazz até o reggae.
Corona no Festival Turá Marcado para o final de semana (24 e 25), na área externa do Auditório Ibirapuera, no Parque Ibirapuera, o Festival Turá promete uma experiência completa para o seu público e terá a Corona como cerveja oficial pela primeira vez. A marca vai levar para o evento um bar exclusivo de cerveja, servindo chope em copos 100% sustentáveis — feitos de cana de açúcar. O evento contará com um espaço Corona 100% livre de plástico, instagramável para o público fotografar e se conectar com o lifestyle da marca, além de uma roleta onde as pessoas poderão se divertir e ganhar brindes diversos, como bolsa, boné e até chope. Serão mais de 20 shows durante o final de semana, com destaque para a presença de Jorge Ben Jor e Gilberto Gil & Família, entre outros.
Copa Guarani com inscrições abertas A Copa Guarani de Cervezas está com inscrições abertas e promete unir o mercado para avaliar a qualidade de cervejas profissionais e caseiras. Organizado pela Acerva Paraguai, o evento está em sua segunda edição e acontecerá em Assunção, no Paraguai, entre os dias 8 e 12 de agosto. A competição recebe inscrições até 4 de agosto e conta com 35 embaixadores e jurados de diversos países. O Brasil está entre eles, além de México, Costa Rica, Panamá, Colômbia, Chile, Argentina e Uruguai, entre outros. Com categoria aberta para cervejarias e cerveja caseira, a inscrição pode ser feita através do Beer Awards Plataform, um software brasileiro que já está presente em diversas competições cervejeiras pelo mundo.
Craft Beer Blumenau A segunda edição do festival Craft Beer Blumenau movimentou o centro histórico de Blumenau e a economia cervejeira local e estadual. Segundo a organização, o evento, que aconteceu nos dias 17 e 18 de junho, recebeu milhares de pessoas que aproveitaram o clima agradável e a presença do sol para curtir o fim de semana ao ar livre. Na programação, com mais de 20 horas de atrações, houve música ao vivo, feiras, gastronomia e mais de 20 cervejarias, oferecendo estilos diferenciados e lançamentos exclusivos para o festival, incluindo sem glúten e sem álcool.
Festival de Cerveja e Coxinha O Festival de Cerveja Bier Brasil e o Festival da Coxinha, que ocorreriam no Shopping Campo Limpo, em São Paulo, no final de semana passado, precisaram ser adiados para os dias 4 a 6 de agosto. A decisão foi tomada devido às condições climáticas desfavoráveis, com previsão de fortes chuvas e seus impactos. Assim, o evento, que prometia oferecer uma combinação de cervejas artesanais, coxinhas e diversas opções gastronômicas, além de entretenimento para toda a família, foi reagendado para garantir a segurança e o conforto dos participantes.
A história das amigas nipo-brasileiras que estão por trás de rótulos criativos e de uma das cervejarias artesanais mais bem sucedidas do Brasil é, sem dúvida, inspiração para qualquer empreendedor do mercado. Isso porque a Japas Cervejaria, criada por Maíra Kimura, Fernanda Ueno e Yumi Shimada, além de ser um exemplo de empreendedorismo ao apostar em inovação de design, diversidade e inclusão, alcançou um dos maiores e mais importantes mercados cervejeiros do mundo: o dos Estados Unidos.
A Japas Cervejaria teve origem em São Paulo, em 2014, e sempre manteve em suas criações o resgate à ancestralidade e à cultura japonesa. E, graças ao desenvolvimento de produtos inovadores com qualidade e criatividade, conseguiu levar seus rótulos cervejeiros ao solo norte-americano.
Por lá, desde 2019, a marca comercializa e produz as suas cervejas, como conta Yumi Shimada, designer de formação, diretora criativa, somelière de cerveja e uma das co-fundadoras da cervejaria, tendo sido entrevista pelo Hora do Gole, podcast apresentado por Eduardo Sena.
“Se a gente for mandar cerveja para lá, vai ficar um absurdo de caro e a cerveja vai chegar estragada. Então, a gente é uma cervejaria cigana aqui e também lá”, conta Yumi.
Nos EUA, as cervejas da Japas são produzidas em Chicago e Nova York, mas existe também a tentativa de expansão. Já a comercialização ocorre em cerca de oito estados. “Para a gente foi um sonho”, pontua a sócia da marca, que no Brasil faz suas cervejas na Dádiva.
Mas, da criação até a comercialização internacional, foi um longo caminho. A co-fundadora lembra de sua primeira viagem aos EUA, antes de iniciar a cervejaria de fato, quando teve a oportunidade de conhecer uma loja da rede de supermercados Whole Foods.
“Era maravilhoso”, diz Yumi. “Tudo lindo, as marcas são lindas e tem uma variedade incrível de cerveja, iogurte e qualquer coisa que possa imaginar. E eu imaginei se um dia a gente um dia estaria nessa prateleira. E a gente entrou e, agora, está bem feliz. Na verdade, estávamos no Whole Foods em Boston e a última novidade é que entrou em Nova York. Acho que essa é a coisa mais legal dos últimos tempos.”
A entrada na rede norte-americana foi recente, porém não o único reconhecimento internacional da cervejaria. Uma publicação de um site internacional, que é referência em lifestyle e compartilha guias de moda, gastronomia, de bebidas e afins, descreveu a Japas como “uma das cervejarias mais interessantes do planeta”. Em outro reconhecimento, um prestigioso livro sobre designer de cervejas destaca a criatividade e as embalagens da cervejaria.
Se a Japas vem colhendo bons frutos desses quase dez anos de trabalho com criatividade e história, Yumi aponta que um dos motivos por trás de tanto sucesso e prestígio é a união. “São tantas cabeças boas pensantes juntas. Cada uma tem um super poder que traz muito para a cervejaria. Esse coletivo funciona bem. E mais a história da gente, aquele guarda-chuva todo e as coincidências boas que a gente tem.”
Em parceria com o Hora do Gole, o Guia traz os principais trechos da participação de Yumi no podcast, que conta as histórias e desafios da Japas Cervejaria. Confira algumas opiniões de Yumi e acompanhe o episódio na íntegra:
Nascimento da Japas Cervejaria Foi no curso de sommelier que eu conheci a Fernanda [Ueno]. E no curso a gente começou a ir aos festivais de cerveja e a se meter com o povo. Nessa de ir ao festival, eu conheci a Maíra e ela tinha a 2 Cabeças [cervejaria]. Como eu tenho essa formação de design, fui começando também a trabalhar para outras cervejarias como freelancer.
Fomos nos aproximando. A Fê já era muito amiga da Carol [Carolina Okubo] na época em que ela trabalhava na Invicta. Nisso, elas resolveram fazer uma cerveja de brincadeira e lembraram de mim, que fazia rótulos. Todas eram descendentes de japoneses e, como todo mundo apontava “as japas”, nos juntamos.
A Nacional [cervejaria] convidou a gente para fazer uma cerveja na época, há quase dez anos, e a gente fez uma com a wasabi, a Wasabiro, que até hoje existe e é uma das que a gente mais tem amor pela receita, justamente porque começou com ela.
Inspiração e criatividade A gente tem a criatividade na veia. E não é uma coisa que só está na receita e na arte porque, às vezes, a gente acha que criatividade é só isso, mas ela vem até de pensar em como fazer as coisas. Então, como é que a gente não só vai desenvolver uma receita, mas também vai trabalhar junto, sendo que cada uma mora em um lugar? Tem de ser criativa também. Para quais pessoas a gente vai se aliar? Qual ação de marketing a gente vai fazer? Quais restaurantes a gente vai entrar como negócio? E nisso também tem de ser criativo.
Acho que cada uma traz essa criatividade tão forte na marca. Inclusive, a gente tem uma sócia [a Tânia] nova que entrou na parte “criativa operacional”, com ela tendo esse desafio de organizar a Japas. Toda vez que a gente vai criar um produto novo, e não é só cerveja, porque a gente também se aventura em outras coisas, a gente senta, faz uma reunião online e começa a fazer um brainstorm igual a uma agência. Sempre tem um tema central e tentamos revesti-lo de um jeito que vá se tornar interessante para todo mundo e, logicamente, embaixo do nosso guarda-chuva nipo-brasileiro.
A mulher e a diversidade A gente gosta muito quando alguém vem e se vê no produto porque nunca temos a oportunidade de se enxergar, não só pelo fato da gente ser mulher, mas também descendentes de japoneses. Então, imagina que vem alguém e fala: nunca vi nenhum tipo de produto que seja liderado por mulheres descendentes. E eu, que sou descendente, também vejo isso e me sinto representada, eu nunca imaginaria uma marca de cerveja onde as donas são mulheres independentes e japonesas.
A pessoa vem feliz e fala que se orgulha. Por exemplo, tem gente que fala assim: antes eu não gostava que me chamassem de japa, agora, quando me chamam de japa, eu sinto orgulho por causa da marca de vocês. Porque ela se vê representada em uma coisa que é forte para ela. Para a gente isso é o melhor resultado da nossa marca.