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Escândalo com Americanas respinga na Ambev e ação cai 6% em janeiro

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O escândalo contábil envolvendo a Americanas respingou na Ambev em janeiro. A ação da cervejaria terminou o primeiro mês de 2023 em baixa de 5,92%, cotada a R$ 13,92. O resultado também foi provocado, na visão de analistas de mercado, pela previsão de resultados menos positivos do que a expectativa no balanço do quarto trimestre de 2022, a ser divulgado no início de março.

A queda da ação da Ambev em janeiro foi na contramão da alta do Ibovespa, o principal índice balizador da B3, a bolsa de valores brasileira, que valorizou 3,37% no período, chegando aos 113.430,54 pontos.

O recuo da ação da Ambev está relacionado diretamente com a debacle da Americanas, pois ambas têm um trio poderoso de investidores entre os principais acionistas. São eles: os empresários Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira, todos listados entre os 5 homens brasileiros mais ricos.

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Porém, se até 11 de janeiro eles eram vistos pelo mercado com admiração e respeito, uma enorme desconfiança passou a circundá-los desde a revelação da falha contábil de R$ 20 bilhões na Americanas, que não registrou o valor como dívida em seu balanço. E ainda que “de raspão”, as dúvidas também passaram a atingir a cervejaria.

Afinal, o trio tem participação direta no surgimento da maior cervejaria do mundo, a AB InBev, dona da Ambev e que tem 61,8% do capital social com direito a voto. Juntos, participaram, em 1989, da compra de participação na Brahma pelo banco Garantia, com Telles ficando à frente da marca de cerveja. Depois, nos anos 1990, já contando com o fundo de private equity GP Investimentos, participaram da histórica aquisição da Antarctica, dando origem à Ambev, em 1999.

Já nos anos 2000, depois da criação da 3G Capital, realizaram a fusão da Ambev com a belga Interbrew, em 2004. E com a aquisição da norte-americana Anheuser-Busch, fizeram surgir a maior cervejaria do mundo, a AB InBev.

Mas, claro, a atuação no setor cervejeiro foi só uma das muitas atividades dos três bilionários nas últimas décadas. E o escândalo envolvendo a Americanas os coloca – e as empresas com participação deles – sob escrutínio, especialmente porque os problemas contábeis envolvendo a varejista apareceram na sequência de uma reestruturação societária que os tirou do controle.

Bancos credores demonstraram que a Americanas e o trio perderam credibilidade ao pedirem que os acionistas sejam responsabilizados pela crise na varejista, que deve R$ 41,2 bilhões, o que corresponde a pouco mais de ¼ do patrimônio somado de Lemann, Telles e Sicupira, de, aproximadamente, R$ 160 bilhões. E a empresa entrou com pedido de recuperação judicial, em um valor que é o quarto maior da história do Brasil, só ficando atrás dos de Odebrecht, Oi e Samarco.

A descoberta do escândalo contábil da Americanas fez sua ação desabar de R$ 12,00, valor em que fechou o pregão de 11 de janeiro, para R$ 1,75 ao fim do mês, sendo que chegou a cair para R$ 0,71 no dia 20.

Assim, as preocupações envolvendo a possibilidade de que a crise pudesse atingir empresas com a participação do trio de bilionários são razões para a ação da Ambev ter caído em 8 das 9 sessões da B3 entre 11 e 23 de janeiro, com destaque para uma queda de 4,9% em um único dia (16 de janeiro), embora seguida por uma valorização de 5% na sequência (dia 17).

Porém, relatórios apontaram ser exagerada a preocupação com a Ambev em função do escândalo com a Americanas. O Credit Suisse destacou que a crise na varejista provoca incertezas no mercado, mas não vê razões para preocupações envolvendo a cervejaria, para a qual a Americanas deve R$ 4,1 milhões.  

“Embora o caso da Americanas possa ser um problema para as ações [da Ambev], acreditamos que as preocupações são injustificadas”, diz. “A AmBev pode ser vítima do trio 3G? Em primeiro lugar, a Ambev não tem exposição a operações de financiamento de fornecedores”, acrescenta, avaliando que a cervejaria não tem o mesmo risco contábil da cervejaria.

A análise do Credit Suisse também destaca que a Ambev é uma forte geradora de caixa livre, ao contrário da Americanas, e tem passado por uma mudança de cultura.

Vale ressaltar também que a Ambev vem passando por uma transformação cultural significativa após as mudanças na gestão em 2020, saindo do chamado ‘3G-way’ em direção a um ecossistema triplo saudável e sustentável (consumidor-cliente-fornecedor)

Credit Suisse

9ª maior perda
A queda da ação da Ambev em janeiro foi a nona maior entre as ações que compõem o Ibovespa. A relação é liderada pela Raizen, com recuo de 12,03%, estimulado pela prorrogação da desoneração dos combustíveis, em um Top 5 que também conta com os frigoríficos Marfrig (11,49%) e JBS (8,69%), a Alpargatas (9,75%) e o BTG (9,17%), um dos principais credores da Americanas, com R$ 3,5 bilhões dos R$ 41,2 bilhões da dívida da varejista.

Na outra ponta, a presença em um mercado menos concorrido fez a Magazine Luiza liderar as altas em janeiro, com valorização de 61,68%. Elas foram seguidas por CSN Mineração (30,88%) e CSN (27,15%), favorecidas pela alta do minério de ferro e do aço, com Pão de Açúcar (25,42%) e Natura (25,32%) completando o Top 5.

Saída de carteira
Para fevereiro, a Ambev deixou a carteira recomendada de ações da Ágora Investimentos, que trocou quatro papéis incluindo o da cervejaria, sob o argumento de observar pouco potencial para valorização da ação após a divulgação do balanço do quarto trimestre, agendada para 2 de março.

As perspectivas para o resultado financeiro, aliás, também podem ajudar a explicar o recuo da ação da Ambev em janeiro, pois os principais bancos de investimento avaliam que o otimismo com a previsão de alta relevante no volume de cerveja consumido no final do ano deve ser frustrado pelo verão com clima desfavorável e pela eliminação precoce do Brasil na Copa do Mundo do Catar.

“Vemos direcionadores limitados para a melhor performance do papel no  curto  prazo,  levando em  consideração  que  nossas  estimativas  para  o  resultado  do  4T22  estão alinhadas às expectativas de mercado – portanto, estimamos impacto neutro com a divulgação”, diz a Ativa.

Fora do Brasil
Na Bolsa de Nova York, a ação da Ambev também apresentou desvalorização no primeiro mês de 2023. A queda, mais modesta, foi de US$ 0,04, fechando janeiro a US$ 2,68, o que representou recuo de 1,47% em relação ao término de 2022.

O ativo da AB Inbev teve o mesmo comportamento na Europa. A queda em janeiro foi de 2,1% para 55,09 euros. Foi o resultado inverso ao do papel do Grupo Heineken, que encerrou o primeiro mês de 2023 valendo 91,54 euros, com alta de 4,16%.  

Setor cervejeiro global deve ter expansão modesta em 2023; veja tendências

O setor cervejeiro voltará a sofrer com desafios macroeconômicos e geopolíticos em 2023, mas conseguirá apresentar crescimento, ainda que modesto neste ano. A previsão é da IWSR Drinks Market Analysis, uma conhecida empresa de análises do mercado de bebidas alcoólicas, que estimou crescimento entre 1% e 2% do volume de cerveja em 2023.

De acordo com a análise, o aperto no custo de vida vem ocorrendo em diversos mercados, mas a avaliação é de que o setor cervejeiro pode ser resiliente nesse contexto, em função do entendimento de que a bebida passou a ser vista como “um luxo acessível”.

A instabilidade econômica, aliás, é citada como um fator que deverá tornar mais lenta a recuperação de venda de cerveja nos locais para consumo, que não deve atingir os níveis pré-Covid antes de 2025, com o relatório apontando que essa dificuldade dos bares afeta mais as marcas artesanais.

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A IWSR, porém, está otimista com o desempenho de alguns dos principais mercados cervejeiros, especialmente a China, o Brasil e o México em 2023. “Com a China reabrindo suas fronteiras em janeiro de 2023, após três anos de restrições de viagens e requisitos de quarentena, espera-se que o mercado local se recupere, impulsionando o canal e a categoria de cerveja como um todo”, diz a consultoria.

Há uma percepção positiva para os volumes de cerveja em 2023 para o Brasil, México e América Latina em geral. “A IWSR espera que os volumes de cerveja no Brasil e no México – o terceiro e quarto maiores mercados de cerveja, respectivamente – continuem a crescer nos próximos anos”, afirma.

O trabalho também reconhece que o setor cervejeiro dos Estados Unidos vem sofrendo com a concorrências das RTDs – bebidas prontas para consumo –, mas, ao mesmo tempo acredita que o segmento será resiliente nessa disputa em 2023, apontando que apresentou crescimento da importação no ano passado, de 4%.

A IWSR ainda avalia que o ritmo reduzido de expansão do volume de cerveja em bares, pubs e restaurantes deverá fortalecer outros canais, caso do comércio eletrônico. O documento ressalta, inclusive, a crescente importância do comércio eletrônico para a venda de bebidas alcoólicas. De acordo com a IWSR, nos 16 maiores mercados online, cerveja, sidras e RTDs vão representar quase 25% das vendas eletrônicas em valor até 2026.

Para referendar essa avaliação, a consultoria cita os investimentos das maiores cervejarias do mundo em aplicativos, como Bees, da Ambev, e o Heishop, do Grupo Heineken, para atender bares. “A AB InBev e a Heineken, por exemplo, não estão apenas investindo na venda para consumidores online, mas também na construção de suas plataformas digitais B2B para atender sua clientela comercial, especialmente em mercados emergentes onde o comércio tradicional continua muito importante”, comenta.

O trabalho também aponta que a premiumização do setor cervejeiro continuará crescendo em 2023, mesmo com a perda do poder de compra de parcela relevante da população. Para isso, cita o maior investimento das marcas em rótulos mais sofisticados e a busca por esse tipo de bebida para consumo caseiro, também destacando o potencial de vendas de cervejas premium online.

“O ambiente online é adequado para a promoção de marcas premium, e a expansão das vendas online de cerveja deve ajudar a facilitar a premiumização contínua da categoria de cerveja. Apesar das pressões inflacionárias de 2022, o processo de premiumização parece ser duradouro e provavelmente acontecerá novamente este ano”, prevê a IWSR.

Além disso, a IWSR também aposta que a cerveja sem álcool continuará em expansão neste ano. “Ampliação da disponibilidade, maior suporte de marketing, inovação, produto de melhor sabor e maior engajamento do consumidor estão gerando oportunidades para o segmento”, diz.

Confira lançamentos realizados pelas cervejarias artesanais em janeiro

O verão e o início do ano parecem ter inspirado as cervejarias artesanais a realizarem lançamentos em janeiro. Foram diversas novidades apresentadas ao consumidor, como a Amor de Verão, criada pela Landel e que leva o nome da estação mais quente do ano, e uma low carb IPA fabricada pela Nacional.

Entre os lançamentos de cervejas em janeiro, o mercado também observou a chegada de algumas marcas novatas, como a RuEra. Já a Dádiva aproveitou o período não só para apresentar novos rótulos ao consumidor como também decidiu apostar nas sidras.

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Confira esses e outros lançamentos das cervejarias artesanais em janeiro, selecionados pela reportagem do Guia:

Alvará
Tem novidade para o público de Piracicaba (SP) e região. Em janeiro, foi lançada a cerveja Alvará, uma puro malte que vem com a proposta de ser um produto premium. A novidade apresenta 5% de graduação alcoólica e 20 IBUs de amargor, sendo vendida em embalagens de 350ml.

Alvorada e Brejada
A Alvorada Cervejaria uniu-se ao Brejada, canal multiplataforma especializado em cultura cervejeira, para lançar a Take it Easy, uma cerveja do estilo BR Ale. A novidade tem 5,5% de teor alcoólico e 16 IBUs. A receita leva os lúpulos Amarillo e Azacca, ambos com dry hopping. Seus adjuntos são maracujá e flocão de milho, fazendo a cerveja ter um aroma com predomínio do maracujá, com notas resinosas em segundo plano. É uma cerveja de corpo leve com amargor médio. A novidade está disponível em latas de 473ml, growlers e barris.

Dádiva
A Dádiva foi uma das cervejarias que melhor aproveitou janeiro para realizar lançamentos, além de dialogar com outras bebidas. Para celebrar seus 8 anos, apresentou dois rótulos: a Dádiva 8 Chardonnay e a Dádiva 8 Pinot Noir. As cervejas foram inspiradas em vinhos espumantes naturais. Elas podem ser consumidas frescas, mas também têm potencial de guarda. Ambas as versões têm como base uma Belgian Strong Golden Ale de 9,7% de álcool. Os outros lançamentos da marca foram um trio de sidras artesanais: a primeira é a I Feel Citrus, com casca de laranja, limão taiti e limão siciliano. A segunda é a Bubble Field, que traz morango e manjericão na receita. E a última novidade é a Pink Cider que tem na receita framboesa, limão taiti e hortelã. As três sidras possuem 6,5% de graduação alcoólica e podem ser encontradas em latas de 350 ml em bares, empórios e e-commerces.

Fermi
Em janeiro, a Cervejaria Fermi apresentou três novidades, sendo uma delas colaborativa, a GB Corporation, uma New England IPA. A novidade também tem a participação da Cervejaria Esacafandrista e da Salvador Brewing Co. Sua lupulagem foi feita 100% com lupomax das variedades Citra, Mosaic e El Dorado. A Cosmic Hash é uma New England Double IPA. Ela leva adições de hop hash de Strata no dip hopping, seguido de um duplo dry hopping carregado dos lúpulos El Dorado e Strata T-90. Já a Solar Vibes é uma American Sour. Ela leva adições de banana, amora e limão taiti.

Landel
Em janeiro, a Landel lançou a Amor de Verão, uma Witbier com semente de coentro, casca de laranja e manjericão limão, dando um toque cítrico para a cerveja. Além disso, para aproveitar o calor, a marca de Campinas se uniu à Sorvete em Camadas para desenvolver um sorvete vegano de mosto, a cerveja não fermentada, com a adição de suco de laranja. Além disso, em parceria com a Mafiosa Cervejaria criou uma Triple IPA, uma colaborativa batizada de Procura-se o Farejador de Lúpulo. É uma IPA alaranjada, com notas sutis de caramelo e mel com final resinoso vindo do extrato de lúpulo Mosaic e Citra na brassagem e da alta quantidade de variedade Sabro, Mosaic e Amarillo no dry-hopping. É uma cerveja de aromas complexos de frutas cítricas, amarelas, com leve toque amadeirado, com 9% de graduação alcoólica e 90 IBUs de amargor. Ela está disponível em chope e em lata de 473ml tanto na taphouse da Landel em Campinas e na casa da Mafiosa em Valinhos (SP).

Lugano
A gaúcha Lugano, marca de chocolates de Gramado, agora ampliou o seu foco e passou a investir nas cervejas. E em seis de uma vez. A linha é composta por seis opções de estilo seguindo a Lei da Pureza alemã: Dunkel, Weizen, Pale Ale, Amber Ale, Pilsen e Golden Ale. As unidades estão disponíveis em garrafas, nos formatos de 330ml (long neck) e 600ml.

Nacional
A Nacional lançou a Low Carb IPA. Essa cerveja low carb é uma Nano IPA de coloração amarela clara e boa limpidez. No aroma, mostra forte presença de lúpulos cítricos e tropicais que remetem à laranja e abacaxi. De acordo com a marca, no gole, o amargor e o sabor do lúpulo é presente e crescente, porém com baixíssimo corpo tornando-a uma cerveja bem leve. Possui um final seco e com sabor de lúpulo persistente. Ela tem 3,3% de graduação alcoólica e 35 IBUs.

Paulistânia
A marca paulistana lançou, em janeiro, a Paulistânia Interlagos. É uma cerveja zero álcool, rica em sabor, sais minerais e vitaminas, que homenageia o Autódromo de Interlagos, onde foi apresentada, no dia da Mil Milhas Chevrolet Absoluta. A novidade está disponível no e-commerce da Paulistânia.

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RuEra
A RuEra acaba de estrear no mercado de cervejas artesanais com dois lançamentos: uma Dry Stout e uma English IPA. A Dry Stout possui amargor baixo e notas de chocolate e café em um corpo leve. Tem 4,9% de graduação alcoólica e 30 IBUs. Já a English IPA tem um toque maltado que lembra biscoito e leve caramelo, 7,0% de teor alcoólico e 41 IBUs. Os lançamentos são em garrafa de vidro, long neck e barril de chope para PDVs.

Eventos voltam a ser estratégicos para negócios de fornecedores cervejeiros

Após momentos difíceis em função da pandemia da Covid-19, o retorno dos grandes eventos tem se mostrado parte fundamental da retomada do setor cervejeiro. Afinal, esses encontros são importantes para que muitas empresas possam apresentar seus produtos, conhecendo o público e potenciais parceiros, em um processo de estreitamento de laços.

Como parte da sua estratégia de relacionamento para 2023, a Tanoaria Agulhas Negras definiu a maior participação nos eventos cervejeiros como uma prioridade. “Nós só vínhamos participando de eventos cervejeiros como visitantes, como a Brasil Brau, por exemplo. Agora, nesse ano, a nossa perspectiva é sermos mais agressivos com relação aos eventos de cerveja”, afirma Luis Cláudio de Castro Nogueira, CEO da Tanoaria Agulhas Negras.

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A empresa, inclusive, já definiu quando será a sua estreia em eventos do setor cervejeiro em 2023. A Tanoaria Agulhas Negras estará presente ao Festival Brasileiro da Cerveja, marcado para acontecer em Blumenau (SC), no mês de março. “Nós vamos estar com estande lá. E vai ser a primeira vez que uma tanoaria participa desse evento”, relata.

A participação em eventos do setor cervejeiro é uma oportunidade para a Tanoaria Agulhas Negras oferecer às marcas a possibilidade de envelhecimento da produção em barris, como os de carvalho francês e americano, além daqueles feitos com madeiras brasileiras, casos da amburana e do jequitibá rosa. Mas o campo de atuação da empresa também envolve o atendimento a produtores de cachaça.

E as vendas de barris para produtores de cachaça cresceram, de acordo com o CEO da Tanoaria Agulhas Negras, durante o auge da pandemia. “A pandemia foi nosso melhor momento e chegamos a triplicar a quantidade de funcionários na época, porque os proprietários dos alambiques foram para suas fazendas e lá começaram a fazer uma limpeza, uma reviravolta, aumentando a produção, melhorando o armazenamento e o envelhecimento”, explica.

O cenário, porém, se alterou ao longo de 2022, o que fez a Tanoaria Agulhas Negras ampliar o seu leque de opções. E os eventos, agora vistos como um foco de oportunidades para 2023, acabaram se tornando uma oportunidade de divulgação da marca em meio a uma fase de poucos negócios. “Sentimos que 2022 foi um ano de muita expectativa e poucos negócios”, completa o CEO.

Justamente para lidar com essas adversidades, a Tanoaria Agulhas Negras tem se reinventado. Algo que, em sua visão, também vem ocorrendo com todo o segmento de tanoaria no Brasil.

“No caso da Tanora Agulhas Negras, estamos fabricando móveis, móveis de decoração e tudo a partir do barril. E começamos a investir também em madeiras nacionais, algo com o que não trabalhávamos. Estamos tendo a necessidade de abrir o leque para manter o nosso faturamento e tenho visto que as outras tanoarias estão na mesma luta”, diz

E apesar da instabilidade encarada em 2022, o CEO da Tanoaria Agulhas Negras avalia que 2023 pode ter um crescimento nos negócios, proporcionado tanto pela participação nos eventos do setor cervejeiro como pelo atendimento das demandas dos exportadores de cachaça. “As vendas das cachaças estão aumentando cada vez mais. A exportação de cachaça é uma realidade, com os produtores exportando cada vez mais”, finaliza.

Balcão do Tributarista: A tão esperada reforma tributária

Balcão do Tributarista: A tão esperada reforma tributária

O ano de 2023 inicia, como outros já iniciaram, com a perspectiva de que projetos de lei que visam realizar uma reforma no sistema tributário sejam, enfim, aprovados pelo Congresso Nacional. De fato, há um conhecido conjunto de fatores econômicos e sociais que faz com que a questão da reforma tributária ganhe cada vez mais destaque e se torne igualmente mais necessária.

Inclusive, há que se pensar em uma reforma ampla que modifique profundamente o sistema para torná-lo mais racional, equânime e neutro. Prova dessa necessidade é que o Brasil ocupa atualmente a 184ª posição do relatório Doing Business do Banco Mundial, que analisa 190 países quanto à facilidade do pagamento de seus tributos.

O motivo desta situação é o distanciamento de nosso sistema tributário da transparência e da simplicidade, bem como uma pesada regressividade na imposição dos tributos e uma distribuição pouco equânime dos mesmos. Estas mazelas se fazem presentes em nosso sistema, grande parte em razão da alta incidência de tributos sobre o consumo.

É que este tipo de tributação permite a transferência do ônus econômico do contribuinte para o consumidor, o que acaba por impactar mais aqueles que possuem menor renda. Isto porque, comparativamente aos que possuem uma renda mais alta, consumidores de classes econômicas mais baixas acabam comprometendo uma fatia maior de seus rendimentos para arcar com os tributos incidentes sobre os bens consumidos.

Enquanto a maioria dos países mais desenvolvidos econômica e socialmente, como Estados Unidos, Dinamarca, Noruega, Bélgica, Reino Unido e Itália, por exemplo, têm o imposto incidente sobre a renda com uma participação expressiva na arrecadação, no Brasil essa participação é bem menor. Por outro lado, os impostos incidentes sobre o consumo responderam por aproximadamente 75% da arrecadação total do Brasil.

Alternativamente a uma reforma mais ampla e, consequentemente, mais complexa de ser projetada e aprovada, também não se reduz a importância de mudanças mais pontuais. É consenso a necessidade de que se revise, por exemplo, a tributação sobre a renda.

Com efeito, o imposto brasileiro sobre a renda possui mais de 100 anos de história, com sua instituição em 1922 através da Lei nº 4.625. Tendo experimentado desde então diversas e significativas alterações, suas configurações atuais remontam à década de 1990. Cerca de trinta anos após, expressivas modificações no contexto econômico e social brasileiro podem ser observadas, reclamando assim uma nova revisão.

De fato, tramita no Congresso Nacional um importante projeto de lei (PL nº 2.337/2021) em estágio já avançado e com grandes perspectivas de que seja votado em 2023. A origem deste PL remete à chamada primeira fase da reforma tributária pretendida pelo governo federal, a qual visava a instituição de um novo tributo, denominado Contribuição Social sobre Operações com Bens e Serviços (CBS), com a pretensão de substituir o PIS e a Cofins.

E, com relação às alterações que o PL nº 2.337/2021 pretende implementar, destaca-se a previsão de que a alíquota do IRPJ seja gradativamente reduzida de 15% para 12,5% e, posteriormente, para 10%. Há também uma importante modificação no que diz respeito ao aproveitamento de prejuízos fiscais, atualmente limitado em 30%. O referido PL busca permitir que o prejuízo apurado em um trimestre seja compensado nos três trimestres posteriores sem a limitação de 30%.

No que se refere ao imposto sobre a renda da pessoa física, o PL realiza profundas alterações. A primeira delas é uma revisão da tabela progressiva de alíquotas, com a ampliação da faixa de isenção. E a segunda é a incidência do imposto sobre os lucros e dividendos distribuídos pelas empresas a seus sócios ou acionistas por meio de uma alíquota de 20% incidente de forma retida na fonte.

Enfim, pode-se (mais uma vez) sustentar que é realmente necessária uma reforma tributária. E esperamos que em 2023 não se perca a oportunidade de que esta seja feita, de forma ampla ou pontual, mas sempre em sintonia com os parâmetros e valores constitucionalmente previstos.


Clairton Gama é advogado, sócio do escritório Kubaszwski Gama Advogados Associados, Mestre em Direito pela UFRGS, Especialista em Direito Tributário pelo IBET. Também é cervejeiro caseiro.

Grupo Heineken obtém licença para instalação de fábrica no sul de Minas

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O Grupo Heineken recebeu uma licença para instalar uma fábrica em Passos, no sul de Minas Gerais. O aval foi dado pela Câmara de Atividades Industriais do Conselho Estadual de Política Ambiental (Copam) de Minas Gerais, concedendo a Licença Prévia e de Instalação Concomitante.

A decisão permite que a companhia realize a instalação conforme condições estabelecidas na licença ambiental, com o cumprimentos das condicionantes ambientais determinadas para cada fase do licenciamento. A licença ao Grupo Heineken, assim como das condicionantes para a cervejaria iniciar a operação, foi aprovada por 7 votos a 1. Três conselheiros estavam ausentes.

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Os conselheiros das secretarias de Estado de Desenvolvimento Econômico, Infraestrutura e Mobilidade e Fazenda, da Codemig, Fiemg, Siamig e OAB/MG votaram favoravelmente à concessão do licenciamento. E o único voto contrário foi da conselheira do Centro Universitário Una, Fernanda Raggi.

Houve, porém, alguns questionamentos aos impactos a serem provocados pela instalação da fábrica do Grupo Heineken, com citações a respeito das rodovias no entorno de Passos, assim como a demanda de 11,4 milhões de litros por dia, citado pelo engenheiro ambiental Felipe Gomes. Além disso, há preocupações com impactos de cortes de vegetação que precisarão ocorrer na Mata Atlântica.

A licença dada pelo Copam é importante, mas ainda não a última para o início das intervenções na área onde o Grupo Heineken irá instalar a sua fábrica em Passos, pois a companhia ainda precisa obter a anuência do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

O Grupo Heineken prevê o investimento de, aproximadamente, R$ 1,8 bilhão na unidade produtiva de Passos, que deve gerar 350 empregos diretos e 11 mil indiretos. A companhia prevê o início das atividades em sua fábrica até 2025, com a produção de mais de 5 milhões de hectolitros de cerveja por ano.

A unidade de Passos vai abrigar a fabricação de cervejas, chopes e maltes, assim como de utilidades, tais como refrigeração, recuperação CO2, geração de vapor – caldeira de biomassa, geração de ar comprimido -, bem como subestação de energia elétrica, adutora de água bruta com estação elevatória e estação de tratamento de água, usina de produção de concreto para instalação, estação de tratamento de efluentes, emissário de lançamento de efluentes tratados e áreas administrativas.

Histórico de idas e vindas
A decisão do Grupo Heineken de instalar uma fábrica em Minas Gerais, a primeira no estado, havia sido anunciada em dezembro de 2020, mas inicialmente em Pedro Leopoldo, cidade localizada na região metropolitana de Belo Horizonte. No ano seguinte, a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e o Copam chegaram a dar o aval para a construção da unidade produtiva.

Porém, no segundo semestre de 2021, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), do Ministério do Meio Ambiente, embargou a obra pelo risco de soterramento do complexo de cavernas e grutas onde foi encontrado o crânio de Luzia, o mais antigo esqueleto das Américas. Além disso, em função da captação de água para a fábrica, apontou ameaças aos lençóis freáticos. Posteriomente, o Ministério Público de Minas Gerais recomendou a suspensão das licenças prévias concedidas para as obras.  

O Grupo Heineken, que já havia paralisado as obras, anunciou, em dezembro de 2021, a desistência de construir a fábrica em Pedro Leopoldo. Além disso, iniciou o processo de busca de uma nova cidade para se instalar.

Passos, então, foi escolhida em abril de 2022 para sediar a nova unidade produtiva do Grupo Heineken em função de algumas vantagens, como disponibilidade hídrica, proporcionada pela Bacia Hidrográfica do Rio Grande, desenvolvimento socioeconômico e facilidade logística para o abastecimento de Minas Gerais e aos demais estados da região Sudeste.

O Grupo Heineken afirma que esta será a unidade mais sustentável da companhia no país, segundo a empresa, sendo 100% abastecida por fontes de energia renovável.

Elevação do ICMS amplia desafios para a indústria da cerveja na Bahia

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As cervejarias baianas iniciaram 2023 com um novo desafio para lidar em suas operações. O governo estadual elevou a alíquota do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços, o ICMS, de 25% para 27% sobre a cerveja, medida definida nos últimos dias do ano passado e que eleva os custos para quem produz a bebida na Bahia.

A majoração do imposto se deu logo em um período de alta do consumo de cerveja na Bahia, em função do verão e da proximidade do carnaval. E a medida causou reação dos representantes da indústria da cerveja no estado e no país. Em nota conjunta, a Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva), a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes, o Núcleo Setorial de Microcervejarias da Bahia, o Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja e a Cervejaria Cidade Imperial Petrópolis solicitaram o cancelamento da alta do ICMS, um pedido que não foi aceito.

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“O súbito aumento de 8% no imposto traz consequências diretas para o setor produtivo, que ainda luta para se recuperar das restrições impostas pela pandemia, após dois anos do fechamento de bares e restaurantes, diversas leis secas e proibições de eventos”, afirmaram as entidades em nota oficial.

Em comunicado enviado à reportagem do Guia, a Secretaria de Fazenda do Estado da Bahia (Sefaz-BA) defende que a cobrança de 25% de ICMS sobre a cerveja “não se refletia nos preços de comercialização do produto no mercado baiano, e havia se transformado portanto apenas em margem de lucro para o setor”. Além disso, afirma que outros estados brasileiros possuem alíquota superior sobre o produto.

“A alíquota agora praticada, de 27%, esclarece a Secretaria da Fazenda do Estado (Sefaz-Ba), está na média entre aquelas vigentes nos estados brasileiros para o segmento e abaixo de cargas tributárias como a do Distrito Federal, que é de 31%, as de Maranhão, Ceará, Mato Grosso do Sul e Pará, que adotam 30%, e as de Amapá, Paraná, Rio Grande do Norte e Rondônia, com 29%”, acrescenta.

Em 2022, Salvador foi uma das capitais brasileiras com mais elevada inflação da cerveja no domicílio, de 15,15%, bem superior ao índice nacional, de 9,37%. Mas mesmo com o produto já vindo em um cenário de alta, a Sefaz-BA avalia que o impacto sobre os preços não será relevante.

“Estes dois pontos percentuais, de acordo com o fisco baiano, representam na prática apenas R$ 0,08 a mais no imposto cobrado sobre uma garrafa de cerveja de 600ml, considerando-se os valores médios de venda na indústria. A Sefaz-Ba estará alerta para que esta pequena variação não sirva de justificativa para especulações no mercado baiano, que já está entre os mais inflacionados do segmento”, afirma.

Demandas para o setor crescer
A última edição do Anuário da Cerveja apontou que a Bahia tem 27 cervejarias registradas no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. O estado conta, ainda, com mais de 20 operações de distribuição, além de mais de 85 mil bares e restaurantes.

O número de cervejarias deixa claro, porém, que há potencial de crescimento do segmento cervejeiro na Bahia. Afinal, com a quarta maior população entre os estados do país, é apenas o nono em cervejarias registradas. Além disso, está em 19º lugar quando se considera a densidade, com apenas uma cervejaria para cada 555 mil habitantes.

Além da discussão sobre a recente elevação da alíquota do ICMS, Debora Lehnen, sócia-proprietária da Proa Cervejaria e conselheira da Abracerva, aponta que outros aspectos da tributação na Bahia dificultam a atividade de quem deseja empreender, como o regime de substituição tributária, em que o ICMS é recolhido previamente às operações conseguintes da cadeia de produção até que o produto – no caso, a cerveja – chegue ao consumidor, sendo que o MVA (Margem de Valor Agregado) da Bahia é um dos mais elevados do Brasil.

“Um aspecto que compromete a competitividade na Bahia é o ST de 25% somado a 2% de fundo de combate à pobreza sobre um MVA de 140% sobre a cerveja. Na prática, pagamos impostos calculados numa base 140% acima de nosso custo. Assim, a Substituição Tributária nos faz financiar os impostos que o governo receberia ao longo da cadeia”, diz Debora.

Essa demanda, assim como outras, foram apresentadas por representantes da indústria da cerveja em encontro com Manoel Vitório, secretário da Fazenda da Bahia. O representante do governo local não sinalizou a intenção de reverter o aumento do ICMS, mas ainda assim a reunião foi considerada positiva ao colocar na pauta pleitos das cervejarias artesanais, como medidas que incentivem a sua atuação.

“O secretário se mostrou aberto a discutir soluções para reduzir o impacto do regime tributário sobre as cervejarias artesanais. Estamos estudando soluções para tornar o estado mais competitivo para o segmento de forma a fomentar o setor de cervejas artesanais que apresenta um grande potencial de crescimento no estado. Além do custo dos impostos, o regime traz uma burocracia enorme que dificulta a vida dos pequenos empreendedores”, relata a proprietária da Proa. “O pleito sobre incentivos para fabricantes de cervejas artesanais está em análise pela Sefaz-BA”, acrescenta a secretaria.  

Menu Degustação: Curso de cerveja nas faculdades, aceleração de artesanais…

O primeiro mês de 2023 tem sido marcado por uma série de opções para quem deseja incrementar seus negócios no setor cervejeiro e adquirir conhecimento. Boas oportunidades, inclusive, devem surgir a partir da parceria da Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva) e da Academia da Cerveja, da Ambev, com a Ânima Educação para a oferta de extensão universitária em cerveja nas faculdades do grupo de ensino.

Em outra frente, a Ambev e o Sebrae estão com um programa de aceleração de cervejarias artesanais na Bahia. E para quem deseja viajar, o Pacote Passaporte Cervejeiro vai levar brasileiros para a Bélgica com um cronograma de atividades totalmente focado na bebida.

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Confira essas e outras novidades no Menu Degustação do Guia:

Parceria pela educação
Com o objetivo de disseminar e expandir o conhecimento de forma inclusiva, fortalecendo a representação da cerveja no país, a Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva) e a Academia da Cerveja, da Ambev, se juntaram à Ânima Educação para oferecer uma formação sobre cerveja ao público universitário do grupo de ensino. A partir de agora, alunos dos cursos de graduação das instituições que fazem parte da Ânima no Brasil poderão se matricular na extensão “Cerveja do Campo ao Copo”, oferecida em formato digital síncrono (ao vivo). O conteúdo foi desenvolvido pela Academia da Cerveja. As aulas serão ministradas de maneira conjunta por profissionais da Academia da Cerveja, da Abracerva e da Ânima.

Aceleração da Ambev
Para colaborar com a democratização e evolução dos negócios relacionados ao mundo da cerveja, a Ambev se uniu ao Sebrae da Bahia, em Salvador, para oferecer o Aprimore: programa de aceleração para cervejarias artesanais. O projeto faz parte do Bora, programa de inclusão produtiva da Ambev que prevê impactar 5 milhões de pessoas nos próximos dez anos. Focado nos principais desafios gerenciais enfrentados pelos negócios cervejeiros, uma jornada de aprendizagem foi preparada e será disponibilizada na plataforma da Academia da Cerveja. Podem se inscrever cervejarias artesanais de todo estado da Bahia devidamente registradas no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento com CNPJ e contrato social. As inscrições vão até a próxima segunda-feira (30).

Ecossistema de ONGs da Ambev 
Criado com o objetivo de alavancar o impacto social de organizações que trabalham para o desenvolvimento, educação e geração de oportunidades, o Ambev VOA já impactou mais de 10 milhões de pessoas, por meio da mentoria de mais de 400 ONGs. Em 2023, em uma nova etapa da iniciativa, ONGs que passaram pelo programa serão mentoras de outras ONGs. Nessa nova fase, o programa acontece com o apoio da Atados, plataforma de voluntariado e engajamento que vai ajudar na gestão dessas mentorias. A Ambev destaca que as ONGs devem ter no mínimo dois anos de CNPJ ativo, forte comprometimento da liderança, autonomia para realização de mudanças na gestão, grande potencial de impacto social na sua região e vontade de crescer.

Passaporte Cervejeiro
Criados por Daniella Garcia, CEO da Bem Belga, e as sommelières Daiane Colla e Fernanda Meybom, o “Passaporte Cervejeiro” é um roteiro de viagem focado no universo cervejeiro da Bélgica, unindo cultura, gastronomia e a história milenar cervejeira belga durante 8 dias de passeios pelo país europeu. A edição de 2023 já está com inscrições abertas e será entre 30 de agosto e 7 de setembro com passagem pelas cidades de Antuérpia, Gante, Bruges, Dinant e Bruxelas. O investimento é de 2.827 euros por pessoa em quarto duplo. Quem adquirir até 10 de maio tem um desconto especial. 

RuEra estreia no mercado da artesanais
O mercado de cervejas artesanais ganhou mais uma marca: a RueRa, que nasce de forma cigana. Fernanda Brito e Bruno Martinelli estão por trás da marca, desenvolvida pelo Studio Bah, de Porto Alegre.  O casal mora em Campinas (SP) e tornou-se conhecido pelo Instagram Papo Fermentado. Seus dois primeiros rótulos são uma Dry Stout e uma English IPA.

Dádiva na 38ª Festa da Uva
Os visitantes da 38ª edição da Festa da Uva de Jundiaí (SP) podem degustar quatro cervejas da Dádiva no stand localizado no Palco do Samba: a Session IPA, a Witbier, a Premium Lager e a Pink Lemonade. O evento acontece até 5 de fevereiro, sempre de sexta-feira até domingo, no Parque Comendador Antônio Carbonari. A entrada é gratuita, mas durante o evento serão arrecadados alimentos não perecíveis para destinação ao Fundo Social de Solidariedade de Jundiaí.

Charutos e drinques na Vermögen
A 1ª Confraria de Charutos & Drinks da cervejaria Vermögen terá como destaque o rabo de galo com o bartender Alexandre Ferreira. O evento será na próxima terça-feira, a partir das 20 horas, na cervejaria, localizada no bairro Vila Cruzeiro, em São Paulo. As vagas são limitadas.

Flash Tattoo no Santuário da Cerveja
Nesta sexta-feira (27), o Santuário da Cerveja, no bairro Jardim, em Santo André (SP), vai receber o Flash Tattoo com preços promocionais. O bar terá mais de 5 torneiras de chopes artesanais. O evento está programado para começar às 17 horas.

Em retomada, cervejarias reveem processos e custos por competitividade

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As restrições em função da pandemia do coronavírus chegaram ao fim no ano passado, mas nem por isso as marcas artesanais deixaram de encarar desafios. Em um cenário de alta dos custos, perda do poder de compra do consumidor e equipes reduzidas, as cervejarias precisaram rever processos com o intuito de se manterem competitivas.

Essa foi a avaliação majoritária apontada por profissionais e especialistas que atuam no segmento de cervejas artesanais ouvidos pelo Guia sobre o ano de 2022 e as adversidades encaradas pelos empreendedores. Assim, ao mesmo tempo em que as companhias conseguiram superar as perdas dos períodos mais graves da pandemia, foi necessário refazer planos em meio a esse processo de reconstrução.

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“Muitas cervejarias tiveram de se reinventar e recuperar vendas com quadros de funcionários muitas vezes deficitários. Os maiores desafios estiveram ligados à economia do país, com alta constante do dólar, preços dos insumos nas alturas, o que encareceu demais a atividade produtiva nas cervejarias. Aliado a isso, a queda do poder aquisitivo do consumidor exigiu uma engenharia grande por parte das cervejarias para colocar seus produtos nos PDVs em preços possíveis”, avalia a sommelière Fabiana Arreguy.

O último ano apresentou alguns contrastes para quem atua no segmento cervejeiro. Afinal, se houve um alívio para as cervejarias com a possibilidade de retomada dos eventos e do funcionamento dos bares sem restrições, isso veio acompanhado pela pressão dos custos, como destaca Gilberto Tarantino, presidente da Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva).

“O aumento dos insumos e de outras contas foram elevados e dificultaram as cervejarias, que não puderam repassar todas essas altas. Em 2022, então, teve uma euforia com o retorno aos bares, mas também esse desafio. O segmento avançou, mas as cervejarias precisaram rever custos e processos para sobreviver. Acabou sendo um ano que demandou muita criatividade”, diz.

Foi um momento de, nas palavras de Paulo Vanzolin e replicadas por Leandro Sequelle, CEO da Graja Beer, “levantar, sacudir a poeira e dar a volta por cima”. “Ano de entender o que poderia ser feito em um cenário pós-pandêmico (e não tão pós assim), no qual o consumo de bebidas alcoólicas aumentou, mas a dificuldade de manter um negócio, em sua ampla cadeia, foi bem mais acentuada. Muita gente infelizmente quebrou, outros raros tiveram oportunidades, o mercado deu tímidos avanços, mas, ainda assim, foi e é um período de reorganização”, avalia.

Com tais desafios, poucas novidades de impacto apareceram no segmento cervejeiro em 2022, pois as marcas estavam mais focadas em seu realinhamento, ainda contabilizando prejuízos provocados por um dos períodos mais desafiantes para a sociedade em tempos recentes, como pondera a sommelière Bia Amorim.

“Vi poucos investimentos de maneira geral. Lançamentos de cervejas apenas das cervejarias que já tem isso como estratégia comercial. Tivemos baixa participação das marcas mais antigas em eventos grandes, festivais e cursos”, avalia.

Ainda assim, apesar de ter sido um ano sem grandes novidades no segmento de artesanais, alguns movimentos deram sinais de esperança para os próximos meses. E eles vieram, principalmente, no fim do ano, com a aceleração da demanda por eventos, que foi acompanhada pela crescente participação do consumidor. Isso, claro, desperta expectativas de um 2023 melhor para as cervejarias.

“Foi um ano razoável, de médio para bom. Houve aumento de produção, com a pandemia dando um descanso, atendendo o aumento de consumo. E os eventos de fim de ano voltaram com tudo. Não temos visto muita inovação ou novidades sendo lançadas. Foi mais um ano de manutenção”, conclui Marco Antônio Falcone, presidente da Federação Brasileira das Cervejarias Artesanais (Febracerva).

Brasil cai para o 24º lugar no consumo de cerveja por habitante, aponta pesquisa

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O Brasil continua sendo o terceiro país que mais consome cerveja no mundo, atrás apenas de China e Estados Unidos, mas perdeu duas posições entre as nações com maior volume per capita. O país é apenas o 24º colocado em consumo por habitante, de acordo com a edição mais recente do Relatório Global de Consumo de Cerveja da Kirin Holdings.  

O documento resume os detalhes de consumo de cerveja em 170 países, sendo baseado nos resultados obtidos a partir de questionários enviados pela Kirin a várias associações de cervejeiros em todo o mundo, bem como nas últimas estatísticas da indústria disponíveis.

A edição mais recente do Relatório Global de Consumo de Cerveja traz dados relativos a 2021. O material aponta que o Brasil teve um consumo de 14,54 milhões de quilolitros de cerveja, uma alta de 5% em relação a 2020. E isso representa 7,8% do mercado de cervejas no mundo. Além disso, conseguiu recuperar os níveis pré-Covid.

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O consumo per capita, porém, continua baixo em relação a outros países. De acordo com o levantamento da Kirin, em 2021, foram 67,9 litros de cerveja per capita consumidos no Brasil, o que representa 107,3 garrafas de 633ml. Isso deixa o país em 24º lugar na lista de consumo per capita de 2021, tendo perdido dois postos no ranking, para Panamá e Bósnia-Herzegovina.

O relatório da Kirin ainda aponta que o consumo global de cerveja foi de aproximadamente 185,6 milhões de quilolitros em 2021, um aumento de 4% em relação ao ano anterior ou de 7,13 milhões de quilolitros na comparação com 2020.

A China permaneceu como o maior consumidor de cerveja do mundo, posto ocupado pelo 19º ano consecutivo. E o seu consumo aumentou 5,6% em 2021 em relação ao ano anterior. Seus 38,093 milhões de quilolitros, representam 20,5% do mercado ou, aproximadamente, 1 de cada 5 cervejas consumidas no planeta.

Os Estados Unidos continuam sendo o segundo país com maior volume de cerveja consumida (24,17 milhões de quilolitros), à frente, em ordem, de Brasil, Rússia, México e Alemanha, mesmo com um recuo de 2,1% nas vendas de cerveja em solo germânico em 2021.

O Reino Unido, com uma alta de 12,7% no consumo em 2021, saltou para a sétima posição. Para isso, se aproveitou da queda no consumo de cerveja de dois países asiáticos, o Japão e o Vietnã, agora oitavo e nono colocados da lista, respectivamente. E a Espanha completa o Top 10 global de consumo de cerveja, de acordo com a Kirin.

Consumo per capita
O ranqueamento dos países quando se avalia o consumo per capita, de acordo com o levantamento, é bem diferente da lista do volume total. Há um forte domínio de nações europeias, com a Namíbia, em nono lugar, sendo a única intrusa no Top 10, que só repete dois países dos maiores consumidores, a Alemanha, em sétimo lugar, e a Espanha, em oitavo.

Pelo 29º ano consecutivo, a República Checa é o país com maior consumo per capita de cerveja, de 184,1 litros por habitante. É, aliás, o único país que supera a barreira dos 100 litros. O Top 3 da relação da Kirin mudou, com a Áustria saltando do terceiro para o segundo lugar, com 98,7 litros, e a Lituânia subindo da sexta para a terceira posição, com 96,4 litros. É o aumento do consumo mais notável dos anos recentes, tanto que em 2019 a ex-república soviética estava em 19º lugar.

A Romênia se manteve na quarta colocação, com a Polônia caindo do segundo para o quinto lugar. A Estônia assumiu o sexto posto, tendo ultrapassado a Alemanha, agora seguida por Espanha e Namíbia. E o Top 10 é completado pela Croácia, que galgou seis posições de 2020 para 2021.