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Explorando o amargor do lúpulo: veja técnicas para melhorar produção

A busca pela produção de cervejas que explorem o amargor do lúpulo, uma das características sensoriais mais marcantes da bebida, tem se tornado uma tendência crescente no segmento cervejeiro. Diante desse cenário, o ingrediente foi o destaque do último dia do Congresso Técnico Internacional da Agrária Malte, realizado nesta quarta-feira (21) no distrito de Entre Rios, em Guarapuava (PR).

Com uma produção de 34,2 mil toneladas no ano passado, na Alemanha, a HVG, representada por Johann Bertazzoni, responsável pelo atendimento a cervejarias artesanais fora do país, abordou como alcançar um amargor que ele descreveu como “elegante” nas cervejas. “As variedades, dosagens e produtos de lúpulo desempenham um papel crucial na intensidade e na qualidade do amargor.”

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Durante sua apresentação, o profissional da HVG ressaltou a importância de os cervejeiros compreenderem as relações químicas que podem influenciar o amargor da cerveja. “Para selecionar a variedade correta para determinada aplicação, o cervejeiro deve entender os efeitos dos componentes químicos do lúpulo”, comentou.

Bertazzoni também destacou que fatores como tempo de fervura mais curto e dry-hopping contribuem para alcançar o amargor “elegante” nas cervejas, assim como a utilização de lúpulos aromáticos. Por outro lado, essa busca é dificultada quando se utilizam apenas lúpulos com alto teor de alfa-ácidos.

Ele ressaltou que uma baixa proporção de cohumulona é positiva para a qualidade do amargor e também explicou que as substâncias amargas polifenólicas conferem um amargor agradável. Além disso, mencionou que compostos químicos podem ser utilizados de maneira prática para alcançar esse objetivo.

“Os componentes de amargor do lúpulo, suas substâncias amargas e polifenóis, têm uma influência significativa no sabor e na estabilidade da cerveja. Suas variedades, produtos e métodos de utilização têm efeitos diretos na qualidade e na intensidade do amargor”, destacou Bertazzoni.

Em cervejas com baixo amargor, acrescentou o especialista da HVG, a adição de lúpulos aromáticos, especialmente durante o meio e o final da fervura, melhora significativamente a qualidade da cerveja, além de permitir melhorias no drinkability e no corpo. “Adicionar quantidades substanciais de lúpulos aromáticos não apenas influencia o aroma, mas também suaviza o amargor das cervejas.”

Mais lúpulo no congresso
Em outra apresentação internacional sobre lúpulo durante o congresso da Agrária, a Virgil Gamache Farms (VGF), dos Estados Unidos, foi destaque. No final dos anos 1980, seus responsáveis descobriram uma nova variedade de lúpulo, chamada Amarillo, famosa por suas notas cítricas e frutadas. Darren Gamache e Stephanie Conn abordaram essa trajetória.

Teresa Yoshiko, proprietária dos Lúpulos Ninkasi, falou sobre o potencial do cultivo do insumo no país. Neste ano, o Ninkasi, localizado em Teresópolis (RJ), tornou-se o primeiro certificador de mudas de lúpulo no Brasil. Além disso, o viveiro em Teresópolis ampliou em dez vezes a capacidade de produção de mudas de lúpulo por ano, saltando de 120 mil em 2022 para 1,2 milhão. Essa expansão foi possível graças à montagem de um laboratório in vitro, que garante a qualidade e a saúde das plantas.

Outros temas discutidos no último dia do congresso incluíram a produção de Lagers em temperaturas elevadas, o uso de maltes especiais e flakes na fabricação de cerveja, o controle de pragas e o processo de digitalização das cervejarias.

Como será o profissional do futuro nas cervejarias? Veja opiniões

Em uma indústria em constante evolução, estimulada pelo avanço tecnológico e por exigências de práticas mais sustentáveis, as cervejarias cada vez mais vão exigir que seus profissionais tenham conhecimento sobre dados, fundamentais para tomadas de decisões, assim como possuam qualidades que vão além de aspectos técnicos: as habilidades comportamentais.

As reflexões sobre como deverá ser o profissional do futuro para as cervejarias foram apresentadas durante a mesa redonda que fechou, nesta terça-feira (20), o segundo dia da programação do Congresso Técnico Internacional da Agrária Malte, no distrito de Entre Rios, em Guarapuava (PR).

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Diante do cenário atual, no qual o uso de dados e algoritmos influencia as decisões, é necessário que os profissionais do setor cervejeiro sejam flexíveis, estejam abertos a aprender e a se atualizar constantemente. Afinal, a rápida evolução tecnológica tem impactado diferentes setores da sociedade, e a indústria cervejeira não é exceção.

“Todos estão coletando dados para ler tendências e formular algoritmos para predizer o que ocorrerá, tornando os processos mais controlados. Assim, a noção sobre tratamento de dados será exigência para contribuir nas tomadas de decisão”, diz José Ivan Vieira de Lima, gerente de tecnologia e desenvolvimento de cerveja do Grupo Heineken.

Com o acesso a uma quantidade cada vez maior de dados, o processo de decisão será cada vez mais pautado por algoritmos e análises mais sofisticadas, proporcionando uma visão mais precisa e controlada do negócio cervejeiro.

“As tomadas de decisões serão diferentes, com mais dados e menos dependência do homem nas escolhas”, prevê Lígia Marcondes, química e professora na Universidade de Vassouras.

Assim, os profissionais do ramo precisam ampliar seus horizontes e adquirir conhecimentos diversos, abrangendo áreas além do processo produtivo, respondendo à diversificação de habilidades que passou a ser uma necessidade imposta pelo mercado.

“Hoje é preciso agregar temas críticos, como as questões de sustentabilidade. O profissional precisa ser mais eclético, conhecer coisas fora do processo de fabricação de cerveja, por necessidade”, avalia José Antunes, coordenador do curso técnico em cervejaria do Colégio Imperatriz, apoiado pela Agrária.

Atemporal e novo
Os especialistas também apontam ser necessário ter capacidade para se adaptar às mudanças e aproveitar o conhecimento dos mais experientes como um diferencial valioso para quem pretende atuar na indústria cervejeira. “O profissional atemporal é o disposto a aprender, a escutar os outros, pois não sabemos tudo, seja numa grande ou numa pequena cervejaria”, comenta Lígia.

O equilíbrio entre inovação e conhecimento consolidado também pode ser fundamental para impulsionar o setor cervejeiro. “Novas habilidades ajudam a acelerar o desenvolvimento do profissional e passam por conseguir se conectar com pessoas experientes. O novo não pode negligenciar o conhecimento técnico de quem está lá dentro”, analisa o gerente de tecnologia e desenvolvimento de cerveja do Grupo Heineken.

Há, ainda, a avaliação de que a troca de conhecimentos contribui para um clima organizacional mais favorável e estimulante. “O profissional precisa fazer de tudo um pouco. Além disso, é fundamental trocar ideias entre as partes. Esse compartilhamento deixa o clima melhor”, diz Fernando Baccaro, mestre-cervejeiro na NewAge Bebidas.

E, com tantas mudanças e exigências, a formação a partir da experiência prática se torna fundamental para o desenvolvimento e aprimoramento das competências profissionais. “A prática é indispensável, se errando na escola. A partir disso, você vai saber, na fábrica, resolver os problemas”, conclui Lígia, professora da Universidade de Vassouras

Outras temáticas
No segundo dia do evento, a Lallemand aproveitou para exibir novidades sobre leveduras para os participantes, com a apresentação de soluções práticas para os cervejeiros, com Sylvie Van Zandycke, e para quem deseja fabricar a opção sem álcool ou com baixo teor alcoólico, com Mariano Tissone. As cervejas sem álcool também foram abordadas por Pérsio Volpini, da Prozyn, assim como as low carb.

O congresso também contou com abordagens avançadas sobre o processo produtivo e cuidados nas diferentes etapas, sobre diacetil. Ainda se falou sobre tecnologia para recuperação de CO2, otimização de ésteres frutados, DMS e boas práticas de fabricação e sanitização, assim como sobre o uso de maltes base.

“Sem quebras, pressão sobre preço da cevada será menor”, prevê especialista

A pressão sobre os custos de insumos cervejeiros, que provocou altas históricas nos preços da cevada e do malte no ano passado, não deverá se repetir na safra atual. A expectativa, inclusive, é de que possa ocorrer recuo no valor da cevada, desde que não ocorram alterações relevantes de demanda ou impacto do clima.

“A perspectiva é de retração na média dos preços para 2024, não tendo quebra de safras da cevada em países como Argentina e Austrália”, afirma Alexandre Karkle, responsável pela originação de grãos e gestão de risco da Cooperativa Agrária.

Leia também – Brasil caminha para ser maior produtor de lúpulo na América do Sul, avalia Aprolúpulo

A expectativa de menor pressão sobre os preços do insumo, com perspectiva de eventual redução dos custos para as cervejarias, foi apresentada nesta segunda-feira (19), na palestra que abriu a edição de 2023 do Congresso Técnico Internacional, promovido pela Agrária Malte, em Entre Rios, distrito de Guarapuava (PR).

Esse cenário é possível pelo freio na demanda por insumos, um fator provocado pela modesta expansão da indústria cervejeira, que não tem registrado crescimento relevante ao longo da primeira metade de 2023. No primeiro trimestre, de acordo com seus resultados financeiros, a AB InBev teve alta de apenas 0,8% no volume de cerveja, na comparação com o mesmo período do ano anterior, enquanto o Grupo Heineken apresentou recuo de 3%.

Adicionalmente, a expectativa é de que seja colhida uma cevada de melhor qualidade. Além disso, há menor demanda pelo insumo. “O mundo deverá ter a menor importação de cevada dos últimos três anos”, destaca Karkle, apontando que a China tem grande impacto nessa menor busca pela cevada, pois a sua compra junto a outros países está no menor nível dos últimos quatro anos. “Ter a China assim é importante para não ‘estragar’ a dinâmica do mercado.”

Cenário global
Durante a sua apresentação, Karkle destacou que a menor demanda e pressão sobre os preços da cevada repete o comportamento de outras commodities, sendo parte de um contexto mais amplo, provocado especialmente pela desaceleração da economia global.

Para o cenário se inverter, alguns aspectos macroeconômicos também teriam de mudar. Em sua visão, se no Brasil e nos Estados Unidos o mercado já trabalha com a perspectiva de queda nos juros, a economia europeia parece longe de emplacar uma nova fase de expansão, convivendo com uma inflação que deve demandar uma recessão para ser aplacada. E a atividade econômica mundial tem, nesse momento, a sua recuperação apoiada muito mais pela área de serviços do que pela atividade industrial.

Outro fator que pressionou os custos em 2022, a alta da energia na Europa, em grande parte estimulada pelo início da guerra na Ucrânia, não está encerrada. Mas, em parte, nações do Velho Continente encontraram saídas que ajudaram a reduzir parte do crescimento dos preços.

Por fim, há o próprio freio do setor cervejeiro, que deve evitar uma grande pressão da demanda, mesmo diante da perspectiva de nova redução na área de cultivo e da produção total do cereal. A fabricação, segundo estimativas recentes, será a menor para os últimos três anos na Europa e no Reino Unido, assim como a oferta na Rússia e na Ucrânia continua sendo impactada pela continuidade do conflito.

A contínua redução da área de plantio causa preocupações por possíveis flutuações imprevistas, com Karkle citando o impacto da chuva na colheita na Rússia e da seca que afeta o rendimento na Escandinávia. “Qualquer mudança na oferta deixa o mercado mais volátil”, alerta o especialista da Agrária.

1º dia
Além da participação de Karkle, o primeiro dia do Congresso Técnico Internacional contou com a palestra magna de Alírio Caldera, da Weyermann, sobre estabilidade de espuma de cerveja, e encerrou com uma mesa redonda sobre novas perspectivas tecnológicas de malte.

Novidade da programação do evento em 2023, as palestras simultâneas envolveram temas como aumento de eficiência no processo produtivo, melhoria do shelf life, sensorial como ferramenta de qualidade e sua influência no consumo, clean label e propriedades técnicas das garrafas de vidro.

Brasil caminha para ser maior produtor de lúpulo na América do Sul

Tendo mais do que dobrado o número de produtores de lúpulo nos últimos dois anos, o Brasil trabalha com a perspectiva de se tornar, em um período também de dois anos, o maior produtor do insumo cervejeiro na América do Sul, deixando para trás a Argentina, de acordo com as expectativas de Herman Wigman, presidente da Associação Brasileira de Produtores de Lúpulo (Aprolúpulo).

“As projeções para 2023 apontam para uma aceleração ainda maior da cultura do lúpulo no Brasil, com a expectativa de mais do que dobrar a área cultivada em relação a 2022. Acreditamos que, em 2024, já poderemos ser os maiores produtores da América do Sul, superando a Argentina, que tem meio século de experiência na cultura”, diz, citando a meta de superar os argentinos, que cultivam lúpulo em 181,3 hectares, de acordo com o último relatório da BartHaas.

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Os comentários foram embasados nos números de pesquisa realizada em 2022 pela Aprolúpulo para traçar o perfil da cadeia produtiva de lúpulo no Brasil. De acordo com o levantamento, o país possui 81 produtores de lúpulo, um número que saltou 26% em relação aos 60 de 2021 e mais do que dobrou em comparação aos 39 de 2020. Assim, confirma-se tratar de uma cultura crescente, que em 2015 contava com apenas três produtores no país.

“Sabemos que há mais produtores pelo país, esperamos uma adesão maior à pesquisa agora em 2023. Mas, de qualquer forma, os dados levantados mostram que houve um aumento expressivo de produtores de 2015 para cá”, pondera Alessandro Sato, membro do grupo de trabalho técnico da diretoria da Aprolúpulo.

O trabalho também demonstrou que 11 estados contam com produção de lúpulo no país, com destaque para São Paulo (15,4 hectares), Rio Grande do Sul (9,6 hectares) e Santa Catarina (8,6 hectares), como regiões com maiores áreas de cultivo que, no somatório de todos eles, chegam a aproximadamente 47 hectares.

“Houve também uma diversificação das regiões onde o lúpulo está sendo produzido. Isso demonstra que é uma cultura que pode ser desenvolvida em todo o país, ao contrário do que se pensava lá atrás, quando era muito associada ao clima frio”, diz Sato.

A pesquisa aponta, ainda, que 57% dos cultivadores de lúpulo no Brasil são produtores rurais, além de revelar uma visão diversificada dos desafios para lidar com essa cultura. A peletização lidera a lista das dificuldades da cadeia produtiva, com 34 menções, seguida por colheita (32), secagem (31), controle fitossanitário (31), custo de implantação (30) e comercialização (30), sendo citados em volume relevante.

“Se olharmos para as principais dificuldades da cadeia produtiva, vemos fatos ali como manejo de plantas daninhas, irrigação, suplementação luminosa. Fatores que mostram a busca por novas técnicas, ao invés de simplesmente replicar aqui o que é feito, por exemplo, na Europa ou nos Estados Unidos. Esse foi justamente o maior erro lá atrás, em tentativas passadas de trazer a cultura para o Brasil”, analisa Sato.

O estudo também traz resultados de um levantamento realizado pelo Laboratório Hops Analysis, apontando evolução na qualidade do lúpulo produzido no Brasil, com um aumento no teor de ácido alfa de 2021 para 2022 de 40% e de 22,5% para o teor de óleos essenciais.

“O desafio do setor será avançar nas relações comerciais com as cervejarias, o que tem sido o principal foco da atual gestão da Aprolúpulo. Escalar o volume de produção é fundamental para reduzir os custos de produção e acelerar o refinamento dos processos de beneficiamento, cada vez melhores no Brasil. Esse cenário, somado à já comprovada qualidade do lúpulo nacional, nos faz ver excelentes perspectivas para o setor”,  afirma o presidente da Aprolúpulo.

Balcão do Jayro: “Continuo queimando tudo até (quase) a última ponta”

Balcão do Jayro: “Continuo queimando tudo até (quase) a última ponta”

Em uma das minhas colunas anteriores (clique aqui) comentei que a melhor experiência que tive em termos de harmonização foi com a tríade vinho do Porto, chocolate e charutos. Esse friozinho que vem chegando torna um bom charuto uma excelente companhia.

Sou sommelier de charutos, formado pela ABS na primeira turma deles em São Paulo, mas me considero muito mais um entusiasta do que qualquer coisa quando se fala deste assunto. Sei reconhecer um bom charuto, de bom fluxo, suas notas aromáticas e fortaleza/intensidade. Mas não me pergunte se a capa é Nicarágua, o capote é da Republica Dominicana e o miolo é feito de um blend de folhas de tabaco criollo plantados por eunucos em Vuelta Abajo. Minha obsessão fermentada ainda está inscrita somente à cerveja e, por motivos de paternidade, não vejo no horizonte próximo conseguir dispor de uma a duas horas para degustar um charuto com frequência. Quer aprender mais sobre charutos? Procure o perfil de redes sociais de Mikaela Paim, Bruno Lee, César Adames ou Arthur Avedissian.

Quando se fala de harmonização de bebidas e charutos, os destilados – uísque, Bourbon, conhaques e afins – imperam. Não por menos, charutos, mesmo os mais suaves, têm grande intensidade aromática, tem nicotina e alcatrão que podem até te deixar meio grogue. No entanto, grandes resultados de harmonização com cervejas podem ser obtidos se observados alguns pontos importantes.

A degustação de um charuto pode ser dividida em três terços: pé, corpo e cabeça (onde se faz o corte e se fuma) ou feno, divino e purina. A intensidade e complexidade de aromas e sabores se amplia à medida que a chama se aproxima da boca, a quantidade de nicotina e alcatrão aumentam consideravelmente de concentração, amargor aumenta, sabores torrados e queimados aumentam. Se for harmonizar com cerveja em cada terço, considere a crescente de intensidades e, mesmo no pé do charuto a cerveja não pode ser pouco intensa. No último terço os sabores torrados e de especiarias, em especial pimenta, geralmente dominam o conjunto.

Os sabores dos charutos são essencialmente opacos – aromas e sabores tostados, torrados, chocolate, café, herbais, feno, vegetal, especiarias, caramelos. O caminho mais óbvio é apostar em semelhanças aromáticas de cervejas que tem o malte como protagonista – Imperial Stouts e Barley Wines estão entre as escolhas mais fáceis. O dulçor dessas cervejas também ajuda a equilibrar eventual amargor presente.

Considere o tempo. Charutos tem um ritual próprio e merecem ser degustados de forma adequada, o qual depende da bitola e tamanho e, portanto, sua cerveja na taça irá esquentar. De preferência para estilos que se beneficiem disso.

Bitolas mais largas contém mais folhas e podem trazer mais complexidade. A cor da capa não é referência de intensidade – alguma semelhança com o mito de “cerveja escura é mais encorpada” não é mera coincidência. Bitolas mais finas concentram o fluxo de fumaça em pontos menores e em geral são charutos mais intensos.

Dica de ouro, que aprendi com o Victor Marinho, da Dádiva: uma cerveja ácida alcoólica no segundo terço ajuda a limpar o palato e também quebra a sequência de dulçor, que pode ser enjoativo depois de algum tempo. Uma boa Oud Bruin é uma escolha interessante, dependendo do charuto.

E por fim, jamais molhe o charuto na bebida, ele não precisa dessa umidade se foi corretamente armazenado. Deixe-o morrer com dignidade, repousando no cinzeiro quando tiver terminado. E, por mais que seja um objeto de apreciação relativamente caro, não precisa queimar tudo até a última ponta, a concentração de alcatrão deixa o final bem amargo.

Saúde!


Jayro Neto é sommelier de cervejas e Mestre em Estilos, tendo sido campeão do Campeonato Brasileiro de Sommelier de Cervejas de 2019. É organizador de concursos da Acerva Paulista e juiz certificado pelo BJCP (Beer Judge Certification Program) com experiência nacional e internacional em concursos de cerveja. Também atua como conselheiro fiscal da Abracerva.

Festas juninas movimentam setor com eventos, patrocínios e lançamentos

Quando se fala em festas juninas, o quentão e o vinho quente acabam sendo as bebidas mais tradicionais e dominantes nas celebrações nesse período do ano. No entanto, isso não impede que a cerveja também tenha seu espaço nas tradicionais comemorações de junho. Por isso, não é surpresa que esse período venha inspirando diversas ações e lançamentos, tanto de grandes marcas quanto de pequenos empreendedores.

O fim de semana, inclusive, será repleto de celebrações de festas juninas com a presença da cerveja. Em São Paulo, o Memorial da América Latina, na Barra Funda, vai receber a Festa Junina da ArtShine neste sábado e domingo, com entrada gratuita para os shows e demais atrações. Além dos tradicionais quitutes juninos, haverá barracas com uma variedade de pratos e bebidas, incluindo cervejas artesanais de marcas como Dubeato, Miseráveis, Palacio, Quinkas e Cevada Pura.

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No bairro Vila Mariana, também na capital paulista, a Van Been está organizando a Tarde Junina, que ocorrerá neste sábado e domingo a partir das 13 horas. A casa combinará o clima festivo das festas juninas com uma novidade: uma cerveja no estilo Saison que incluirá quentão em sua composição.

Também no clima das festas juninas, a Landel, de Campinas, lançou a Ballancê, uma Barley Wine. A novidade possui 11% de teor alcoólico e 76 IBUs de amargor. Em sua receita, destacam-se ingredientes como caramelo, malte tostado, frutas escuras, gengibre e mel.

A nova cerveja está disponível apenas em chope no tap house da marca, localizado no bairro do Taquaral. Segundo a Van Been, além de ser potente e alcoólica, a cerveja também é gastronômica, pois combina com lanchinhos típicos de festas juninas que levam carnes bem temperadas.

Gigantes também se movimentam
As grandes marcas também estão se movimentando. A Itaipava, bastante presente no mercado do Nordeste, busca fortalecer a cultura e a tradição dos festejos juninos por meio do patrocínio ao São João de Petrolina. A marca do Grupo Petrópolis planeja grandes ativações, com destaque para um casamento que será celebrado pela cantora e atriz Gretchen. O São João de Petrolina, que ocorrerá até 25 de junho, espera receber mais de 700 mil pessoas.

“O Nordeste é uma região super importante para o Grupo Petrópolis, em especial para a marca Itaipava, e estamos muito felizes de participar ativamente de uma das principais e mais aguardadas festas de São João do Brasil. Além de gerar ainda mais conexão com o público nordestino”, comenta Danielle Bibas, vice-presidente de marketing do Grupo Petrópolis.

Por sua vez, a Ambev promove visitas temáticas com harmonização de cervejas com comidas típicas de festa junina em suas fábricas. Além do roteiro tradicional, que inclui conhecer de perto o processo de produção da cerveja, seus ingredientes e etapas, os visitantes terão a oportunidade de experimentar a harmonização das cervejas com as comidas típicas.

As visitas temáticas acontecerão nos dias 24 de junho e 1º de julho nas unidades de Agudos (SP), Jaguariúna (SP), Rio de Janeiro e Ponta Grossa (PR). Já na unidade de Itapissuma (PE), o tour temático acontecerá neste sábado.

Menu Degustação: Data do Mondial, cerveja e coxinha, festival em Blumenau…

Em 2023, o público cervejeiro não pode reclamar da falta de eventos e festivais, que têm movimentado a programação, semana a semana. Considerado um dos principais do mundo, o Mondial de la Bière já definiu a data da edição de 2023 no Rio de Janeiro: será de 11 a 15 de outubro, no Pier Mauá.

Para quem não deseja esperar até lá, o fim de semana terá boas opções, como a segunda edição do Craft Beer Blumenau, assim como dois festivais simultâneos em um shopping da cidade de São Paulo, que celebram a cerveja e a coxinha. Já para os caseiros, a Dádiva passou a contar com o seu próprio delivery.

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Confira essas e outras novidades no Menu Degustação do Guia:

Data do Mondial no Rio em 2023
O Mondial de la Bière já tem data para acontecer em 2023 no Rio. O conhecido festival cervejeiro foi agendado para o período de 11 a 15 de outubro, no Pier Mauá. Serão mais de 1.500 rótulos à disposição do público, além de 2 palcos para apresentações musicais e opções gastronômicas, drinques e outras atrações.

Craft Beer Blumenau
Neste sábado e domingo, acontecerá a 2ª edição do festival Craft Beer Blumenau, que vai ser palco de lançamentos de cervejas de marcas reconhecidas e premiadas. O evento contará com a participação de 20 cervejarias, 16 food trucks, 8 bandas e DJs, entre outras atrações. Entre as novidades, a Omas apresentará ao público uma cerveja com terpenos, além de colaborativas. O evento também trará receitas diferenciadas, como o chope de maçã verde, da Holzbier, e a Dopplebock Balburdiator, servida com bierstachel (um bastão incandescente), da Balbúrdia. A Belgard, por sua vez, apresentará uma New England IPA colaborativa com a norte-americana Sugar Creek Brewing.

Cerveja e coxinha
Unindo gastronomia e entretenimento, o Shopping Campo Limpo, em São Paulo, receberá eventos em dose dupla no fim de semana: o Festival Bier Brasil e o Festival da Coxinha, com muita cerveja e coxinha. Os festivais terão início nesta sexta-feira e se estenderão até o domingo, no estacionamento G3 do shopping. Entre as cervejarias confirmadas estão Madalena, Gorillaz, Bodebrown, Campinas, Los Compadres, Hoffen, Germania, Sapucaí e Ravina. O cardápio contará não apenas com coxinhas, mas também hambúrgueres e outras opções de salgados, além de churros e uma variedade de doces.

Dádiva em casa
A Dádiva agora realiza entregas de chope em domicílio de suas principais opções em todas as regiões da cidade de São Paulo. O foco do serviço de entrega é a venda de barris para festas e eventos, e os preços variam de acordo com o tipo de chope escolhido. Alguns dos chopes disponíveis para venda são: Premium Lager (de sabor e amargor suaves), Belgian Witbier (feita com malte de trigo e especiarias) e Pink Lemonade (Sour com adição de amora, framboesa e limão).

Gelo para cerveja
A Coco Leve, empresa de gelo para drinques de Atibaia (SP), anunciou o lançamento de um gelo específico para cerveja. De acordo com a empresa, o produto resfria o líquido em até 40 segundos, ao mesmo tempo em que derrete lentamente em contato com a bebida, evitando diluí-la, não a deixando aguada. Inicialmente, a expectativa é vender cerca de 1 milhão de unidades desse gelo por mês no Brasil. Além do resfriamento rápido, a marca também promete uma opção que leva o sabor com toque de sal e limão.

Biergarten do Parque da Cerveja
O Parque da Cerveja, em Campos do Jordão (SP), inaugurou um biergarten com vista para uma cachoeira. A novidade é dedicada à culinária alemã, mas também oferece pratos e petiscos tradicionais. Ambientado ao som dos pássaros, o espaço conta com mesas ao ar livre, pufes, almofadas e redes para desfrutar de um dia especial nas montanhas. Lá, é possível experimentar todos os estilos de cerveja da Campos do Jordão. Para visitar o biergarten, é necessário adquirir o ingresso de entrada do Parque da Cerveja, no valor de R$ 61.

Reencontro icônico com Stella
Um jantar promovido pela Stella Artois reuniu as atrizes Débora Falabella e Adriana Esteves, que são grandes amigas na vida real e interpretaram personagens icônicas na TV brasileira. Essa iniciativa faz parte da campanha “Vamos Marcar”, da Stella Artois. O objetivo é lembrar as pessoas que almoços, jantares e happy hours são oportunidades para reviver encontros que foram perdidos nas conversas de aplicativos de mensagens.

Transformação de geladeiras
A fábrica da Ambev, que visa transformar as tradicionais geladeiras em equipamentos mais ecológicos, foi inaugurada em fevereiro de 2022 e, até o momento, já realizou a reforma de mais de 23 mil equipamentos. Isso resultou em uma redução de mais de 3.752 toneladas de emissões de CO2 por meio do reaproveitamento de materiais. Durante esse período, mais de 46 mil bares e restaurantes foram beneficiados, pois além dos equipamentos fornecidos, outras máquinas também foram disponibilizadas para esses estabelecimentos. Esse projeto faz parte dos esforços da companhia para reduzir em 25% as emissões de carbono em toda a cadeia até 2025.

Ambev lidera ranking ESG
A Ambev foi eleita a empresa com a melhor percepção em ESG no Brasil, de acordo com o Anuário Integridade ESG 2023. O levantamento foi realizado pela Insight Comunicação, em parceria com a Fundação Getúlio Vargas. O relatório analisou dados relacionados às ações e projetos das 100 maiores empresas do Brasil nas áreas ambiental, social e de governança.

Último dia do Fermenta
O Fermenta, edital da Ambev que irá apoiar projetos relacionados à cultura cervejeira, está no último dia de inscrições. Serão selecionados até 5 projetos em três faixas de valor: dois de até R$ 15 mil, dois de até R$ 25 mil e um de até R$ 50 mil. Eles serão divididos em dois eixos temáticos: crescimento compartilhado e capacitação, que contemplarão iniciativas voltadas para o crescimento e desenvolvimento contínuo do ecossistema cervejeiro, e disseminação da cultura cervejeira, que buscará fomentar festivais, shows, encontros, competições, palestras, entre outros. As inscrições estarão disponíveis até às 18h desta sexta-feira, através do site do Prosas.

150 anos da Heineken
A Heineken está celebrando seu 150º aniversário com uma comemoração global, buscando se conectar com seus consumidores por meio de suas individualidades e costumes. A celebração incluiu uma ação durante a final da Liga dos Campeões no último sábado, quando o narrador André Henning e os comentaristas Alex e Vitor Sérgio, da TNT Sports, iniciaram um diálogo em que pronunciaram a palavra Heineken de forma diferente, explorando os nomes “errados” da marca frequentemente utilizados pelos consumidores de forma informal no dia a dia. Essa iniciativa marcou o início da campanha de celebração do aniversário da cervejaria, que incluiu também a alteração do logotipo oficial no Instagram e uma campanha em vídeo.

Grupo Seiva em São Paulo
O Grupo Seiva, uma startup de reciclagem de garrafas de vidro em bares, está expandindo suas operações e agora chegou a São Paulo. Com atuação em seis estados brasileiros, o Grupo Seiva, em parceria com o Grupo Heineken e a Owens Illinois, está implementando um projeto no Programa Volte Sempre, com o objetivo de ajudar os proprietários de bares e restaurantes a encontrar uma solução de baixo custo e viável para lidar com a coleta de vidro. À medida que as operações em São Paulo começam, o Grupo Seiva está procurando bares e restaurantes interessados em receber suas máquinas. O requisito é que cada estabelecimento deve gerar em média 3 toneladas de vidro por mês, o que equivale a aproximadamente 13 mil garrafas long neck por mês.

Pesquisa da Eisenbahn
O Instituto Datafolha e a Eisenbahn realizaram uma pesquisa quantitativa em parceria para entender melhor a relação dos brasileiros com o tempo e o ritmo de vida das pessoas. Os principais temas abordados no estudo foram a falta de tempo livre e o excesso de informação que a população recebe. O objetivo do estudo foi compreender como as pessoas lidam com a aceleração do ritmo de vida e explorar possíveis maneiras de reverter essa situação, de forma a aproveitar melhor cada momento sem distrações. O conteúdo apresentado visa fornecer insights sobre como enfrentar esses desafios e desfrutar de uma vida mais equilibrada.

Cabana Burger e Heineken brindam os solteiros
O Dia dos Namorados, celebrado em 12 de junho, inspirou uma parceria entre o Cabana Burger e a Heineken para oferecer um brinde aos solteiros. Na promoção, que vai até esta sexta-feira, ao comprar qualquer item do cardápio e um chope Heineken, o segundo é por conta do Cabana. Com isso, espera-se um aumento de 10% no fluxo de pessoas e no volume de chope nas lojas. Um total de 23 lojas da rede estão participando da promoção, com exceção da unidade de São Bernardo do Campo (SP).

Louvada lixo zero
A cervejaria Louvada, com sede em Cuiabá, recebeu o “Certificado Lixo Zero”, distribuído pelo Instituto Lixo Zero Brasil, em reconhecimento ao desenvolvimento de uma política de responsabilidade social no tratamento dos resíduos gerados durante os processos de fabricação de seus produtos. A cervejaria é a terceira indústria do Mato Grosso a alcançar esse marco. O certificado comprova que 97,25% dos resíduos produzidos pela cervejaria são reutilizados, reaproveitados ou reciclados.

Grupo Petrópolis na Fispal
O Grupo Petrópolis está participando de um dos eventos mais importantes do setor de food service da América Latina, a Fispal, que ocorre desde terça-feira e vai até esta sexta-feira, em São Paulo. A presença da cervejaria é realizada em parceria com a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel-SP) e tem levado profissionais para realizar demonstrações dos produtos da empresa, com foco na qualidade, além de apresentar harmonizações das cervejas da companhia com os cardápios de seus parceiros.

Modelo supera Bud Light como cerveja mais vendida nos EUA após boicote

A Bud Light deixou de ser a cerveja mais vendida nos Estados Unidos. Após um boicote iniciado devido a uma ação de marketing com a influenciadora transgênero Dylan Mulvaney, a marca, que faz parte do portfólio da Anheuser-Busch, perdeu esse posto para uma cerveja mexicana, a Modelo Especial, que é comercializada no país pela Constellation Brands.

Nas quatro semanas encerradas em 28 de maio, as vendas da Modelo Especial chegaram aos US$ 333 milhões, um aumento de 15,6% em relação ao mesmo período do ano passado. Já a Bud Light gerou receita de apenas US$ 297 milhões, uma queda de 22,8% nas vendas em comparação com o mesmo período de 2022.

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As informações são de Bump Williams Consulting, NielsenIQ e da empresa de análise de dados Circana. Michelob Ultra (US$ 267,6 milhões), Coors Light (US$ 241 milhões) e Miller Lite (US$ 216,4 milhões) completam a lista das cervejas mais comercializadas nos Estados Unidos no período.

Essa foi a primeira vez desde 1982 que a Modelo Especial superou as vendas da Bud Light no país. Atualmente, a marca da AB InBev ainda é a mais vendida nos EUA em 2023, mas essa situação pode mudar se a tendência atual persistir.

“Enquanto a Bud Light perde semana após semana, a Modelo Especial ganha semana após semana, e agora a Modelo vende mais do que a Bud Light nacionalmente em todos os canais comerciais combinados”, disse o consultor Bump Williams ao New York Post.

Boicote prejudica Bud Light

No início de abril, a Bud Light realizou uma ação com Dylan Mulvaney, a presenteando com uma lata da marca que trazia o rosto dela como parte da comemoração de um ano de “365 Days of Girlhood”, uma iniciativa em que ela compartilha vídeos sobre sua transição de gênero no TikTok, onde possui quase 11 milhões de seguidores.

Essa ação da Bud Light provocou protestos e pedidos de boicote por parte de personalidades conservadoras nos Estados Unidos. Em um desses protestos, o músico Kid Rock apareceu atirando em um pacote contendo latas da marca.

Apesar dos esforços da AB InBev para encerrar a controvérsia que se seguiu, a empresa não conseguiu frear o boicote e a queda nas vendas. A companhia tentou explicar à imprensa dos Estados Unidos que a lata com o rosto da influenciadora não seria comercializada e divulgou um comunicado oficial no qual não mencionava Dylan Mulvaney, afirmando apenas que nunca teve a intenção de fazer parte de uma discussão que divide as pessoas.

Durante esse período, alguns profissionais do departamento de marketing da empresa se afastaram. Além disso, as ações da AB InBev sofreram uma enorme queda, registrando uma retração de 15,55% apenas em maio na Europa.

Quem é a Modelo Especial?

A Bud Light perdeu a liderança do mercado de cervejas nos Estados Unidos para uma marca que também faz parte do portfólio da AB InBev em outros países. Após a aquisição do Grupo Modelo, do México, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos permitiu a fusão somente com a condição de transferir todas as marcas da empresa adquirida para outra empresa no país, que acabou sendo a Constellation Brands.

A Modelo Especial foi criada em 1925 e é uma Pilsner com 4,4% de teor alcoólico. Agora, aproveitando o boicote à Bud Light, ela conseguiu superar a líder do mercado nos Estados Unidos, posição que era ocupada desde 2001 pela marca, quando deixou para trás a Budweiser.

Entrevista: Novata no país, Spaten agora se promove como cerveja forte

Com quase 700 anos de trajetória, mas há apenas dois no mercado brasileiro, a Spaten agora vai reforçar a imagem de que é uma cerveja forte, ainda que não seja difícil de ser consumida pelo paladar comum, para se manter em ascensão dentro do concorrido mercado de rótulos premium nacional.

Essa aposta na Spaten como uma cerveja forte foi um dos temas da entrevista do Guia com Joice Carvalho, diretora de marketing da marca, que recentemente apresentou uma megaprodução publicitária, realizada na Hungria, em que apresentou esse posicionamento ao público.

Para Joice, essa associação da Spaten como uma cerveja forte faz parte do processo de apresentação de uma marca que ainda é “novata” no mercado brasileiro. E esse é mais um passo em uma caminhada que teve outros, como a apresentação da sua tradição, de sua origem alemã, do seu estilo, o Munich Helles, e da sua presença na Oktoberfest de Munique.

Em 2023, aliás, a Spaten voltará a ser a cerveja oficial da festa em Blumenau, a maior Oktoberfest do país, algo que já havia ocorrido no ano passado e deve se repetir até 2028, pois a Ambev venceu a licitação realizada pela cidade catarinense, o que ajuda a reforçar a estratégia de marketing de que a força da marca também associada a essa festa.

Assim, a marca trabalha com a perspectiva de conquistar mais consumidores, mantendo sua ascensão, confirmada, inclusive, pelo balanço financeiro da Ambev do primeiro trimestre de 2023, quando o volume comercializado da Spaten cresceu mais de 10%, mesmo em um primeiro quarto de ano em que a expansão das vendas de cerveja da companhia foi de apenas 0,8% no Brasil.

“Ainda estamos nos apresentando aos consumidores. A marca quer se conectar com todos e todas que valorizam uma cerveja de qualidade e com características marcantes”, afirma Joice.

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Confira, abaixo, a entrevista do Guia com Joice Carvalho, diretora de marketing da Spaten:

Assim como em 2022, a Spaten será a cerveja oficial da Oktoberfest de Blumenau em 2023. Como essa conquista contribui para o desenvolvimento da marca no país?
Spaten tem uma conexão genuína com a Oktoberfest, afinal é uma marca que tem quase 700 anos e que esteve desde a primeira edição da festa, na Alemanha. Então estar em Blumenau, mais uma vez, e reforçar esse vínculo cultural e cervejeiro é, além de uma honra para a gente, uma maneira de trazer para o público a história de Spaten, seu legado e seu estilo forte.

Em comparação ao que foi realizado no ano passado em Blumenau, haverá novidades para o público que for à Oktoberfest? O que está sendo preparado?
Na Oktoberfest de Blumenau teremos a oportunidade de continuar investindo em levar uma experiência incrível para os visitantes, colocando a cerveja no centro e garantindo que a decoração, as tradições e a gastronomia sejam aproveitadas ao máximo por todos aqueles que conhecem ou ainda vão conhecer essa grande festa. Tem muita coisa legal vindo aí, com ativações para todos se encantarem com esse momento.

O acordo de Blumenau com a Ambev é válido até 2028, envolvendo mais cinco edições da Oktoberfest e outras entregas. Como imaginamos que a Spaten seguirá como cerveja oficial durante todo esse tempo de contrato, como esse acordo longevo beneficia a marca? Quais estratégias de marketing podem ser ativadas dentro desse contexto?
Temos uma conexão muito forte com a Oktoberfest. É um momento em que conseguimos conectar as origens de Spaten com o dia a dia do consumidor, de uma forma que trabalha a tradição de forma atualizada e dá vida ao posicionamento da marca. Essa parceria de seis anos nos motiva a construir um plano de longo prazo, que conta a história da marca, reforça sua expertise cervejeira através de seu estilo forte, e coloca as pessoas no centro da experiência da festa, garantindo nosso alinhamento estratégico.

Spaten é um case de sucesso desde o seu lançamento no Brasil, aumentando, inclusive, sua importância dentro do portfólio da Ambev ao longo dos últimos meses. Como a Spaten tem buscado se diferenciar das outras marcas de cerveja no Brasil, especialmente no tão concorrido segmento premium?
Spaten já tem diferenciais muito interessantes para o paladar dos brasileiros. Mesmo sendo um líquido forte e marcante, tem alto drinkability e harmoniza bem com alimentos e momentos diversos. É também uma cerveja produzida com base nos padrões alemães de qualidade, o que torna o sabor único. Além do líquido em si, Spaten vem criando uma conexão genuína com o público. Recentemente, lançamos a campanha Estilo Spaten de Ser Forte, com uma superprodução gravada na Hungria, que traz diversos elementos de cinema para um formato de publicidade. Queremos ir além e mostrar a força da nossa marca em um contexto de entretenimento e conteúdo para o consumidor.

Recentemente, a Spaten passou por uma atualização do seu posicionamento de marca ao lançar uma campanha com foco na “força”. O que motivou esse passo seguinte e que tipo de ativações podemos esperar daqui para frente?
Acho que mais do que atualizar o posicionamento, estamos apresentando a marca aos poucos para o público brasileiro: primeiro falamos sobre seu ano e local de origem, depois apresentamos o estilo Munich Helles às pessoas, e agora estamos reforçando o DNA da marca por meio do território da força, afinal uma marca que existe há quase 700 anos teve muita força para atravessar o tempo e se manter atual. A força de Spaten se manifesta através da sua história, mas também pelas características do seu líquido, que tem forte presença de malte e um teor alcoólico de 5,2%. Além disso, a força pode ser percebida nos símbolos e narrativas da marca: o filme da nossa campanha foi muito especial, unindo personalidades fortes de diversas épocas da história em um mesmo bar. Ao som de Sweet Child O’Mine no piano, num final surpreendente, todas elas se contagiam com a presença de Spaten.

Com a Spaten buscando manter sua expansão no mercado, além de manter o consumidor já conquistado, com qual público a marca pretende ampliar o diálogo e conquistar com esse novo posicionamento?
Spaten ainda é uma novata no mercado brasileiro, apesar de sua história de quase sete séculos na Alemanha, então ainda estamos nos apresentando aos consumidores. A marca quer se conectar com todos e todas que valorizam uma cerveja de qualidade e com características marcantes, seja através da criatividade na forma de se fazer publicidade, seja através de ativações que coloquem o consumidor e a cerveja no centro da experiência de consumo.

Spaten é uma marca centenária e estrangeira que chegou há só dois anos a um dos maiores mercados do mundo e que tem mudado muito. Como tem sido o desafio de adaptar o diálogo de uma marca internacional com o público, seus gostos e preferências?
Como comentei antes, Spaten ainda é novidade, mas já conquistou o brasileiro de forma notável, e cresce com resultados bem positivos. O lançamento em si levou em consideração o contexto do mercado brasileiro e os desejos desses consumidores, que buscam por novidades e produtos com alto valor percebido. Neste ano, Spaten foi eleita a melhor puro malte do mercado pelo ranking do Estadão Paladar (em matéria publicada em 09/02/2023). Com um sabor forte e marcante, o líquido não deixa de lado a refrescância e a suavidade, tão valorizadas pelos brasileiros, entregando uma combinação única ao paladar. Além disso, buscamos engajar e encantar o consumidor participando da jornada dele do jeito mais natural possível. Uma coisa é certa: não dá mais para inovar e fazer publicidade do jeito tradicional e esperar resultados fora da curva, por isso ouvir ativamente as pessoas é parte integrante da nossa estratégia de construção de Spaten.

Experiências e brewpubs podem impulsionar setor, avalia Euromonitor

Experiências e brewpubs podem impulsionar setor, avalia Euromonitor


A associação do consumo de cerveja como uma experiência única, frequentemente vivida em bares ou brewpubs, pode ser uma estratégia interessante para impulsionar o crescimento das marcas artesanais. Essa avaliação foi apresentada ao Guia por Rodrigo Mattos, analista de pesquisa sênior da Euromonitor International, com base em sua análise dos resultados do levantamento “O Ano de 2022 para as Cervejarias“.

Em sua opinião, essa abordagem seria mais viável para o setor de cervejas artesanais do que a competição com outras marcas no varejo. E ele destaca que isso pode ser alcançado por meio do aumento do número de brewpubs no setor de artesanais. Inclusive, de acordo com a pesquisa, que pode ser acessada no link, apenas 13% dos entrevistados adotam esse tipo de estabelecimento, onde a cerveja é produzida, comercializada e consumida no mesmo local, como modelo de negócio, o que indica um potencial de expansão para esse ramo.

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“A indústria de cervejas artesanais ainda segue um modelo de varejo, mas deveria desenvolver um modelo de experiência associado ao consumo nos estabelecimentos. Percebemos que ainda há poucos bares que possuem suas próprias marcas de cerveja, e principalmente os modelos de brewpubs ainda não ganharam força no país. No entanto, eles poderiam ser uma boa solução para fortalecer as pequenas marcas, pois associam o consumo da bebida a uma experiência, e não apenas à competição no varejo”, afirma Mattos.

O analista da Euromonitor também destaca a necessidade de as marcas artesanais terem sua própria identidade para aumentar sua percepção no mercado, angariando a fidelidade de mais consumidores.

“Acredito que há um grande potencial em explorar novas identidades para conquistar uma maior parcela dos consumidores. Cito como exemplos a Japas Cervejaria, a Implicantes e outros casos. Dessa forma, a proposta não é apenas crescer ou ser um grande jogador no mercado, mas oferecer um produto a um nicho fiel, o que impulsionará a marca que se baseia principalmente em propósito”, diz Mattos.

Segundo ele, adotar a estratégia correta pode contribuir para que algumas empresas, especialmente as de médio porte, ampliem sua presença em um mercado dominado por poucas cervejarias, mas que demonstra ter espaço para marcas premium, como comprovado pelo sucesso alcançado nos últimos anos pela Heineken.

“Temos um mercado muito concentrado em poucas empresas de grande porte, o que parece indicar que há espaço a ser conquistado por empresas de médio porte que ofereçam um produto interessante e atraente para os consumidores. Além disso, embora haja crescimento em termos de volume, a participação de mercado da categoria se mantém estável em relação às cervejarias ‘convencionais’, o que mostra que ainda há a necessidade de conquistar espaço em relação às grandes empresas”, afirma.

Apesar de os efeitos mais prejudiciais da crise sanitária terem ficado para trás, o analista da Euromonitor expressa preocupação com a capacidade do setor de lidar com o cenário de desaceleração econômica, lembrando que o segmento de cervejas artesanais é composto basicamente por pequenos empreendedores – na pesquisa do Guia, metade das cervejarias participantes produz menos de 5 mil litros por mês, e 91% delas fabricam menos de 50 mil litros.

“Essas empresas de pequeno porte têm a capacidade e flexibilidade necessárias para lidar com as possíveis adversidades que o mercado pode enfrentar em um futuro próximo? Na Euromonitor, prevemos que existe cerca de 23% de chance de ocorrer um processo de estagflação global, principalmente devido ao aumento dos juros nos EUA e na Europa. Dependendo de como isso afetar o Brasil e o setor cervejeiro, incluindo o fornecimento de insumos, essas pequenas empresas têm a capacidade e a resiliência para se manter?”, questiona.