back to top
InícioNotíciasMercadoEntrevista: planos da Câmara Setorial da Cerveja para 2026 envolvem profissionalização e...

Entrevista: planos da Câmara Setorial da Cerveja para 2026 envolvem profissionalização e Imposto Seletivo

O Imposto Seletivo e a profissionalização do setor são alguns dos temas que vão dominar a pauta de 2026 da Câmara Setorial da Cerveja, segundo Gilberto Tarantino, presidente da entidade. Reeleito para o cargo em fevereiro, Giba, como é conhecido, é também presidente da Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva) e falou sobre as perspectivas em entrevita ao Guia da Cerveja. 

Tarantino, que assumiu o posto em janeiro de 2024 após o falecimento do pioneiro Marco Falcone, transita agora de uma gestão de continuidade para um mandato de expansão. O grande divisor de águas é a regulamentação da Reforma Tributária. Após uma vitória histórica que abriu a possibilidade de taxação por teor alcoólico das bebidas e tratamento diferenciado para pequenos produtores, sem aumento de carga tributária.

O projeto de lei para definir as alíquotas e a forma como elas incidirão será enviado pelo Governo ao Congresso em breve. O “Imposto do Pecado”, como ficou popularmente conhecido, é um novo tributo federal de natureza extrafiscal criado na Reforma Tributária, mas que ainda carece de regulamentação. 

O objetivo central é desestimular o consumo de bens e serviços que, segundo os legisladores, fazem mal à saúde ou ao meio ambiente. Ele incidirá sobre cigarros, bebidas alcoólicas, bebidas açucaradas e itens prejudiciais ao ecossistema, como derivados de petróleo e minerais.

O setor pede que as normas que serão definidas não asfixiem as cervejarias e defende que o novo tributo respeite as diretrizes expostas na Reforma, fazendo com que a definição da alíquota do Imposto Seletivo leve em consideração a concentração alcoólica e escala de produção.

Mas a ambição para 2026 vai além dos tributos. “O business da produção de cerveja tem que dar certo”, defende Tarantino. Sob essa premissa, a Câmara planeja investir também em capacitação, para que o horizonte principalmente dos pequenos produtores vá além da simples produção.

Você acabou de ser reeleito para mais um mandato à frente da Câmara Setorial da Cerveja. Qual é o balanço do primeiro mandato e quais as prioridades para o segundo?

No primeiro mandato entrei sucedendo o Marco Falcone [proprietário da Falke Bier (MG) falecido em janeiro de 2024] que era um amigo, um cara muito bacana mesmo. O foco foi na reforma tributária, buscando um equilíbrio para as pequenas cervejarias em relação às grandes. Houve apoio das três grandes indústrias (Ambev, Heineken e Petrópolis), e foram realizadas ações conjuntas no Congresso, em audiências públicas e reuniões com deputados e senadores, o que foi uma grande vitória.

Para o segundo mandato, a prioridade é a definição do Imposto Seletivo (IS), que demandará muita atenção e trabalho, pois o governo ainda não enviou o texto ao Congresso. Essa missão do Imposto Seletivo é vista como algo que durará décadas. Além disso, a Câmara pretende avançar em temas como cultura e saúde (do ponto de vista da medicina e dos nutricionistas sobre o produto), criando grupos de trabalho para isso.

Já houve uma primeira reunião da Câmara em 2026 em Blumenau durante o Festival Brasileiro da Cerveja em março, não é mesmo? Como foi a reunião? Quais os planos para 2026?

A Câmara se reúne três ou quatro vezes durante o ano. Na reunião da Câmara em Blumenau, foi feita uma apresentação sobre uma agenda a ser desenvolvida e foi aberta a possibilidade de criação de grupos de trabalho sobre temas específicos, com temáticas em que a Câmara tem mais flexibilidade para trabalhar.

No passado, houve grupos de dados e da Reforma Tributária, que foram muito bem. A ideia é continuar com a criação de novos grupos, pensando na criação de uma categoria no setor. A prioridade continua sendo o Imposto Seletivo.

A questão tributária foi a grande pauta da sua primeira gestão. Mas você comentou que “o negócio da cerveja precisa funcionar” e por isso quer focar em capacitação nesse segundo mandato. Algum plano já está em desenvolvimento?

A Câmara Setorial da Cerveja quer fazer um estudo sobre as indústrias de cerveja e a cadeia produtiva da cerveja, que é vista como muito maior do que se estima, abrangendo desde o campo até o copo, incluindo logística, manutenção de equipamentos, insumos, embalagens e distribuição. O objetivo é olhar para essa cadeia produtiva e capacitar principalmente as pequenas cervejarias. Para que o negócio não se foque apenas na produção e no sensorial, mas também na gestão, na parte tributária e na inovação.

Este é um processo de longo prazo, mas já estão pensando em “balões de ensaio”. Em São Paulo, há uma oportunidade interessante com as CPLs (Cadeias Produtivas Locais). Como São Paulo é o estado com o maior número de cervejarias e é uma referência, a ideia é começar esse trabalho por lá. Um diálogo com a Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado de São Paulo já foi iniciado para trabalhar com os oito polos cervejeiros do estado.

Luís Celso Jr.
Luís Celso Jr.
É jornalista, escritor e sommelier de cervejas. Formado pela PUC-PR, se especializou em jornalismo digital e em gestão de Pequenas e Médias Empresas (FIA Business School). No ramo da cerveja, foi premiado no 1º Campeonato Brasileiro de Sommelier de Cervejas em 2014, defendo o Brasil no mundial em 2015. É professor do Instituto da Cerveja, juiz de concursos nacionais e internacionais (National BJCP), consultor e fundador do BarDoCelso.com — blog mais antigo de cerveja da internet brasileira que completa 20 anos em 2026. Premiado no Edital Fermenta!, é autor do livro “Uma viagem pela história da cerveja no Brasil” (no prelo).
NOTÍCIAS RELACIONADAS

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui