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Confira vantagens de personalizar embalagens de cervejas em lançamentos

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Com o momento de reaquecimento do setor de cervejas artesanais, estimulado pela volta do público aos bares e aos eventos presenciais, as marcas têm se inspirado e aproveitado o novo contexto para, cheias de inspiração, realizarem o lançamento das novidades ao público.

No momento da chegada da nova cerveja ao mercado é necessário preocupar-se com a qualidade da bebida, mas também existem outras questões relacionadas ao lançamento que devem ser consideradas pelas companhias. E as embalagens podem ter papel determinante na conquista do consumidor, com uma personalização interessante devendo ser um foco de atenção.

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“Um produto elaborado merece um marketing específico para ele, muitas vezes com produtos e serviços agregados que chamem a atenção de seus exigentes clientes”, explica Helton Aguiar, diretor da Meu Garrafão.

Para ele, uma nova receita e um estilo marcante são importantes para o sucesso de um lançamento, mas a personalização da embalagem, seja um growler, uma garrafa ou lata, poderá potencializar a atenção do consumidor de artesanais que esteja em busca de novidades.

“O lançamento é feito com rótulo padrão, sem graça, inversamente proporcional ao delírio causado pelas degustações da nova receita entre os amigos. Os sócios da cervejaria não entendem o que aconteceu. Onde foi que erramos, eles se perguntam”, diz. “A resposta muitas vezes está na ligação entre o produto cuidadosamente preparado e o conteúdo de marca agregado a este produto”, completa.

Além disso, o especialista da Meu Garrafão avalia que uso de growlers personalizados em lançamentos pode ajudar a fidelizar clientes para as cervejarias. “Pense que o cliente que comprar seu growler personalizado dificilmente irá enchê-lo na cervejaria do Sr. Fulano”, afirma.

Confira, a seguir, três dicas de Helton Aguiar, diretor da Meu Garrafão, sobre a importância para uma personalizar suas embalagens para o lançamento de cervejas:

1 – Tornar evento de lançamento mais marcante
A apresentação de uma nova cerveja em um growler personalizado com a sua marca e um rótulo alusivo ao lançamento pode tornar o evento marcante para o consumidor, o cativando. “Um evento específico para o lançamento merece itens exclusivos e nada mais exclusivo do que oferecer growlers personalizados para seus clientes cativos com a arte da nova cerveja”, afirma Aguiar.

2 – Levar o lançamento (e a marca) para dentro da casa do cliente
Personalizar o growler, permitindo que o consumidor o leve para a casa, cheio de cerveja, é uma oportunidade para agradar o público no evento de lançamento e uma aposta para ampliar a relação com os seus fãs, que estarão com a marca dentro da residência após esse momento especial.

“Muitas vezes os clientes querem levar a cerveja fresca para casa para tomar com familiares, mas não querem adquirir um growler retornável”, diz o diretor da Meu Garrafão.

3 – Mais divulgação pelas redes sociais
Com o crescente uso das redes sociais como uma importante ferramenta de divulgação, a personalização de growlers é uma boa estratégia de marketing para aparecer nas redes sociais, inclusive em publicações dos consumidores em seus perfis pessoais. “Todos os clientes vão querer comprar para brindar com fotos desse novo lançamento”, conclui o diretor da Meu Garrafão.

Balcão Beersenses: Lado B da história: Como Napoleão ajudou a criar a Oktoberfest

Balcão Beersenses: Lado B da história da Oktoberfest: Como Napoleão Bonaparte ajudou a criar a maior festa cervejeira do mundo

Se você ficou curioso com o título desse artigo, não se preocupe, pois eu também fiquei muito intrigado com essa relação entre Napoleão Bonaparte e a Oktoberfest. Quase nunca pensamos nisso, simplesmente porque a história que nos é contada nunca contextualiza o cenário da Europa quando a primeira festa que deu origem à Oktoberfest aconteceu.

Então, nesse ano em que a Oktoberfest completa 212 anos de idade, resolvi investigar essa relação com base em fatos históricos registrados e, claro, exercitando um certo poder de dedução.

A maior festa do mundo
Criada para comemorar um casamento em 1810, a Oktoberfest virou tradição e se transformou numa das maiores festas populares do mundo, exaltando a cultura bávara: na edição de 2019, foram 6 milhões de visitantes na festa – infelizmente em 2020 e 2021 não houve festa por causa da pandemia de Covid-19.

Além da edição de Munique, a festa se espalhou pelo mundo e é realizada em diferentes países, sendo que as maiores são a de Blumenau (Brasil), Brisbane (Austrália), Kitchener (Canadá), Hong Kong (China), Denver e Cincinnati (EUA).

Mas como é que uma festa de casamento se transformou na maior festa popular do planeta? Ao longo dos anos, a Oktoberfest foi se tornando importante, política e economicamente, não só para Munique, mas também para a Baviera e, posteriormente, para a Alemanha. Por isso, há muitas histórias não contadas envolvendo a Oktoberfest, desde a sua criação, passando pela sua transformação, até os dias de hoje.

E uma delas é exatamente a relação de Napoleão Bonaparte com a festa que deu origem à Oktoberfest. Tudo está ligado. Achei essa história tão legal que resolvi compartilhar com vocês. Então abre sua breja aí e acompanhe os fatos a seguir. 

Por que a festa foi criada?
Na bela história que conhecemos, a Oktoberfest foi criada para comemorar os casamento do príncipe herdeiro Ludwig von Bayern (Luís da Baviera) com a princesa Therese von Saxe-Hildburghausen (Theresa de Saxônia-Altemburgo).

Os dois se casaram em 12 de outubro de 1810, e cinco dias depois foi dada uma grande festa num enorme campo nos portões da cidade de Munique, onde todo o povo foi convidado. Foi uma tremenda boca livre, regada à cerveja real da época que era a Höfbrauhaus. Uma emocionante corrida de cavalos encerrou a festa de maneira apoteótica.

A festa foi tão boa que deixou saudade, e um ano depois, aconteceu de novo. E no ano seguinte de novo, e de novo, e assim por diante, até que virou uma festa fixa no calendário da cidade.

Agora vamos pensar galera: por que monarcas bávaros dariam uma festa para o povão da cidade? E porque repetir essa festa nos anos seguintes? Isso a história não conta. Então fui pesquisar. Bem, como todo bom investigador, resolvi seguir o caminho do dinheiro, pois isso sempre explica muita coisa! Quem bancou essa festança e por quê?

Quando se casou, Ludwig era um príncipe herdeiro de 24 anos do início do século 19. Claro que a grana não era dele, rolou um “pai-trocínio” pra essa festa, óbvio.

O pai dele era o rei Maximilian I Joseph (popularmente chamado em português de Maximiliano I José), um monarca que amava o poder e babava um ovo tremendo para um cara chamado Napoleão Bonaparte – finalmente chegamos nele!

A festa de Napoleão
Napoleão assumiu a França em 1805 – apenas 5 anos antes da festa de casamento do príncipe Ludwig. E ele não perdeu tempo: saiu quebrando tudo, querendo dominar o mundo. Logo de cara ele arrumou treta feia com o Reino Unido, Império Austríaco, Império Russo, Império Otomano, Espanha, Portugal, Países Baixos, Suécia, Suíça, Hungria, Montenegro, Prússia, Sicília e Pérsia.

Mas teve uma galera na Europa, nessa época, que achou melhor ser aliado de Napoleão, que foi o caso do então Duque Maximilian IV Joseph da Baviera. O nosso amigo Max era leal aos ideais napoleônicos. Como forma de retribuir o apoio, e dar força ao parceiro, Napoleão apoiou um upgrade para o status da Baviera. Sim, isso mesmo, um upgrade – adoro contar histórias bem antigas com neologismos, perdoem.

Então, em 1806, a Baviera deixou de ser um ducado para se tornar um reino. O Max, deixou de ser duque para se tornar um rei, assim, num piscar de olhos. Imaginem como ele se sentiu, agora sendo rei e amigo de Napoleão Bonaparte, que estava conquistando toda a Europa. Ele se achou importante demais com certeza, com o ego lá na lua.

O casamento
E para demonstrar força a Napoleão, o novo rei Max queria ampliar sua área de influência na região. Por isso decidiu que seu filho herdeiro Ludwig deveria se casar com a princesa Therese, que era do ducado da Saxônia-Altemburgo, vizinho do Norte da Baviera – hoje onde fica o estado da Turíngia.

A princesa Therese, aliás, tinha entrado no line-up de pretendentes a se casar com o próprio Napoleão, mas não foi a escolhida. Portanto de uma só vez o rei Max iria casar seu filho com uma ex-pretendente de Napoleão e ainda estender sua área de domínio mais ao Norte.

Mas é claro que na cabeça do rei Max essa ocasião não poderia passar em branco, deveria entrar para a história com um evento inesquecível. O rei queria chamar o povão pra festa, pois precisava de apoio popular e precisava registrar esse apoio para que Napoleão soubesse. Nada melhor do que uma festança para isso, não é mesmo.

O príncipe Ludwig também não queria uma festa pequena, não. Ele, que aliás virou rei Ludwig I em 1825, era bem megalomaníaco e adorava uma farra. A história mostra que o rei Ludwig I traía a rainha Therese sempre que podia, e sem se importar em esconder. Mas isso levou a sua queda em 1848, quando seu caso com Lola Montez veio a público e os súditos ficaram do lado da rainha, pressionando o rei a renunciar ao cargo. 

Bom, mas voltando à história da festa, em 1810, a ideia estava quase pronta, mas ainda faltava algo, faltava aquele fato que deixaria a festa inesquecível. Foi quando apareceu Andreas Michael Dall’Armi, banqueiro e major da cavalaria real da Baviera. Andreas deu a ideia e organizou a corrida de cavalos no evento. Sem essa corrida, talvez a festa não tivesse sido assim tão inesquecível. A importância dele na festa é tanta que em 1824 foi oficialmente reconhecido como o fundador da Oktoberfest.

A corrida fez com que o povo pedisse para que a festa fosse repetida nos anos seguintes, até que em 1819 o próprio povo assumiu a organização do evento.

E com uma festa gigante, apoiada pelo povo, o rei Max demonstrou força à Napoleão, que aliás também adorava uma cerveja. Napoleão batizou a Berliner Weisse de “Champagne do Norte” quando bebia esse estilo de cerveja em suas andanças por aquela região. Mas isso é outra história.

Portanto, meus queridos, essa é a história por trás da criação da Oktoberfest. Foi um fato político que gerou a maior festa cervejeira do mundo.


Rodrigo Sena, jornalista, sommelier de cervejas especializado em harmonizações, técnico cervejeiro, criador de conteúdo para o YouTube e o Instagram @beersenses.

Carro-chefe da Schornstein, IPA é lançada em lata por mais ocasiões de consumo

A Schornstein decidiu ampliar as oportunidades para consumo da cerveja vista como carro-chefe do seu portfólio. A marca de Pomerode (SC), que faz parte da Companhia Brasileira de Cervejas Artesanais (CBCA), lançou a Schornstein IPA na versão em lata.

A novidade estará disponível inicialmente nas regiões Sul e Sudeste, mas a CBCA pretende levar a novidade, no futuro, para outras regiões do Brasil. E a expectativa é de, com esse novo formato, aumentar a capilaridade de uma das cervejas mais populares do seu portfólio.

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De acordo com Karin Barreira, gerente de marketing da CBCA, o lançamento da Schornstein IPA em lata de 350ml oferece mais oportunidades de consumo às pessoas.

“Hoje temos chope vendido nos bares, e em grandes volumes para Santa Catarina, São Paulo e Paraná, e na garrafa de 500ml. Mas, às vezes, a pessoa quer ir para a praia e não quer levar a garrafa, ou quer fazer uma festa e até tomar sozinha em casa. Então, a lata é para dar mais uma opção”, diz.

No mercado desde 2011, quando foi lançada durante o Festival Brasileiro da Cerveja, a Schornstein IPA vem colecionando sucesso desde então, inclusive da crítica, tanto que acumula algumas medalhas, tendo sido a primeira de ouro em 2014, no Concurso Brasileiro, realizado em Blumenau (SC).

E, de acordo com a gerente de marketing da CBCA, o sucesso e o alcance do rótulo se dão pelas suas características. “Essa IPA vem desde sempre doutrinando pessoas a consumirem, porque ela agrada desde paladares iniciantes a paladares mais experientes”, avalia Karin.

Agora em lata, a Schornstein IPA tem 6,5% de graduação alcoólica e 45 IBUs de amargor. De acordo com seu descritivo, apresenta coloração âmbar, é brilhante e exibe um denso creme, tendo aroma floral, cítrico e frutado. E é refrescante, mostrando notas condimentadas e o característico amargor das IPAs.

Produzida em Pomerode (SC), a IPA é responsável por cerca de 40% do volume de cerveja da Schornstein. Números que poderão, inclusive, ser ampliados agora, com a sua disponibilidade ao público em novo formato. “Como ela tem um excelente drinkability, é uma receita que agrada todo mundo e vendemos um volume muito grande”, conclui a gerente de marketing da CBCA.

Menu Degustação: Oktoberfest Beagá, certificação de juízes…

Semana a semana, diferentes cidades do Brasil aproveitam o mês de outubro para celebrar a Oktoberfest. Não será diferente neste sábado (14), quando 12 cervejarias mineiras vão se reunir para a realização da Oktoberfest Beagá e disponibilizarão 12 mil litros de chope. Além disso, marcas renomadas do segmento, como Noi e Nacional, aproveitam o período para a oferta de combos especiais aos consumidores.

Em outra frente, o Science of Beer criou um programa para certificação de juízes cervejeiros, com a primeira prova agendada para a véspera da realização do Brasil Beer Cup, em Florianópolis. Já a Madalena promoverá o seu Pet Day, com celebração especial do aniversário do bode Aquiles, resgatado por maus tratos.

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Confira essas e outras novidades do setor no Menu Degustação do Guia:

Oktoberfest Beagá
A Serraria Souza Pinto recebe neste sábado (15) a Oktoberfest Beagá, que reunirá 12 mil litros de chope de 12 cervejarias mineiras, espalhados por 150 torneiras, com expectativa de receber 5 mil pessoas durante as 12 horas da festa, promovida pela Associação das Microcervejarias de Minas Gerais. Krug Bier, Albano’s, Läut, Küd, Vinil, Cervejaria São Sebastião, Prussia, Fürst, Ouropretana, Uaimií, Sanatorium e Caraça são as 12 cervejarias confirmadas na Oktoberfest Beagá, que terá food truck e shows de Velotrol, Lurex e Gustavo Maguá.

Oktoberfest da Nacional
A Cervejaria Nacional vai aproveitar o clima da Oktoberfest para promover uma semana de novidades e atrações. Entre a próxima segunda-feira (17) e o sábado (22),  a marca vai lançar a Rauchbier Fora da Lei na segunda (17), apresentando no dia seguinte (18) a promoção Double, com duas cervejas servidas a noite inteira, começando com a Fora da Lei Rauchbier e a Y-Îara Pilsen. Um barril com uma cerveja colaborativa será mais uma atração na segunda, assim como o retorno ao cardápio do mix de salsichas especiais e o lançamento no delivery do Combo Oktoberfest com Fora da Lei Rauchbier, Domina Weiss e Y-Îara Pilsen. A sexta-feira terá música ao vivo com DJ. E o sábado será da Marrecofest.

Combo da Noi
Os restaurantes e quiosques da rede Noi Gastronomia vão brindar a Oktoberfest com muito chope e uma caneca exclusiva. Desta sexta-feira (14) até o dia 31, os clientes poderão adquirir o combo OktoberNoi, composto por uma caneca de 340 ml com chope Noi Bionda por R$ 38. As casas Noi Gastronomia estão presentes nas cidades do Rio de Janeiro, de Niterói, de Búzios e de Itaperuna. Já quem quiser comemorar a Oktoberfest em casa, pode pedir, pelo Noi Express, um barril de chope de qualquer estilo e litragem (30 ou 50 litros). Além disso, há a opção de comprar um kit exclusivo com o copo OktoberNoi e uma garrafa de 600ml da Noi Bianca (Weisse) por R$ 60.

Oktober de São Bernardo
O Paço Municipal de São Bernardo do Campo recebe mais uma edição da Oktoberfest entre esta sexta-feira (14) e o domingo (16). A praça de alimentação do evento contará com pratos como torresmo, hambúrguer, schnitzel, bratwurst (salsicha assada), joelho de porco com chucrute, assadores e churros. Também haverá diversas apresentações musicais e chope da Madalena nos três dias do evento.

Certificação de juízes
O Science of Beer criou um programa para certificação de juízes cervejeiros. Trata-se do Beer Sensory Judging, que contará com prova de proficiência atestando a habilidade sensorial do profissional para avaliação de cerveja. Será preciso 70% de acertos para obter a certificação, sendo que a primeira prova de proficiência está marcada para o próximo dia 23, em Florianópolis, na véspera da primeira sessão de julgamento do concurso Brasil Beer Cup. Os 10 primeiros colocados serão convidados a julgar como juízes trainees na competição cervejeira.

Festa pelo bode e doações
A Cervejaria Madalena, em parceria com a ONG Esperança Animal, realiza mais uma edição do Pet Day neste domingo (16). Será a partir das 13h, com uma celebração do aniversário de 2 anos do bode Aquiles, que foi resgatado por maus tratos. A fábrica-bar da marca fica no bairro Santa Maria em Santo André (SP) e tem 25 torneiras de chope. O espaço conta com estrutura para receber os animais em um dia de festa. Para completar, haverá a participação de algumas lojas especializadas em pets. Além disso, em parceria com o Fundo Social e a Prefeitura de Santo André, a Madalena realiza ação social e recebe doações de brinquedos. Os interessados podem contribuir até o dia 30 e em troca receber um brinde. De terça a quinta-feira, quem contribuir com doações ganha um vale-chope de 300ml. Já de sexta-feira a domingo, a doação vale um ingresso para entrada no evento do dia. 

Prêmio para barril da Bud
O barril de 5 litros da Budweiser foi o vencedor na categoria Tecnologia do Prêmio ABRE, promovido pela Associação Brasileira de Embalagem. Foi a única conquista de uma cervejaria na premiação. Esse barril foi desenvolvido pelo CIT – Centro de Inovação Tecnológica – da Ambev. O produto se destacou pelo design e pela ergonomia, “unboxing” intuitivo e simples, e uso sustentável do barril. A embalagem permite controle de espuma e de fluxo de cerveja e reduzir o gotejamento indesejável. Além disso, tem validade de 15 dias após aberto.

Coleta de vidro em Santos
Em meio ao Diálogos da Cultura Oceânica, evento mundial promovido pela Unesco em Santos e que irá até domingo (15), foram instalados três contêineres de pontos de entrega voluntária para coleta de vidro que será destinado à reciclagem, no Aquário, Orquidário e Jardim Botânico Chico Mendes da cidade do litoral paulista. A iniciativa tem como propósito aumentar a circularidade do vidro, sendo liderada pela multinacional Verallia.

Consumo de cerveja nos lares segue alto mesmo com fim de restrições e inflação

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O consumo de cerveja nos lares foi um costume que se intensificou durante o auge da pandemia do coronavírus e se mantém resiliente. De acordo com dados de levantamento da empresa de pesquisa de mercado Euromonitor, 41,6% das vendas de cerveja se deram no off-trade no ano passado.  

O estudo, realizado a pedido do Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv), aponta que, em 2021, foram comercializados 5,9 bilhões de litros de cerveja em pontos de venda como supermercados, hipermercados, mercearias, entre outros que não são especializados em consumo no próprio ambiente. Já o on-trade, locais como bares e restaurantes, representou 58,4% ou 8,4 bilhões de litros de cerveja.

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A participação de 41,6% do off-trade na venda de cerveja em 2021 está acima do índice no período pré-pandemia. Em 2019, a participação de pontos de venda como supermercados, hipermercados e mercearias representava, aproximadamente, 38% do mercado.

A resiliência do off-trade mesmo em um cenário de redução das restrições de funcionamento de bares e restaurante se deu, especialmente, pela alta da venda de cerveja nos atacadões, onde a expansão ficou em 13% em 2021, assim como do e-commerce, com crescimento de 1,5% no ano passado.  

Essa continuidade do consumo de cerveja em níveis elevados nas residências em 2021 aconteceu mesmo em um cenário de inflação elevada da cerveja no off-trade. No ano passado, de acordo com os dados do IBGE, a inflação da cerveja no domicílio foi de 8,70%, contra os 4,82% do item fora do domicílio.

A dúvida, agora, é se o nível de consumo residencial, em 41,6%, se manterá ao longo de 2022, quando houve o encerramento de todas as medidas restritivas em função da pandemia, com a volta da realização de grandes eventos, como festivais musicais e a Oktoberfet em diversas cidades. Neste ano, inclusive, a inflação da cerveja no varejo segue mais alta do que a dos bares – 5,91% a 5,31% no período de janeiro a setembro.

“Devido à tradição cultural brasileira, é esperado que com a flexibilização das restrições da pandemia, no ano de 2022, o consumo retorne com mais força nos estabelecimentos de alimentação fora do lar, com a retomada de grandes eventos musicais, festas culturais e a Copa do Mundo, explica o superintendente do Sindicerv, Luiz Nicolaewsky.

De qualquer forma, o Euromonitor estima um salto de 8% no consumo de cerveja no Brasil em 2022. A venda deve subir dos 14,3 bilhões de litros de 2021 para 15,4 bilhões de litros neste ano.

Entrevista: Como a Ambev usa a tecnologia para definir estratégias do portfólio

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Líder do segmento cervejeiro no Brasil, a Ambev e suas lideranças têm adotado o discurso de que a empresa agora possui novas concorrentes, muito por sua atuação a partir de plataformas de tecnologia. Afinal, inovações recentes apresentadas pela companhia passam por esse ambiente e tornaram a sua atuação mais digitalizada, através de aplicativos como Bees e Zé Delivery, se aproximando dos seus parceiros no varejo e dos consumidores.

Assim, passou a ser se ver, também, como uma empresa de tecnologia que comercializa produtos, como, por exemplo, a Amazon e a Alibaba. Para confirmar essa nova postura, as vendas através de ambas as soluções não se resumem a bebidas do seu portfólio, com a oferta de outras opções, algo que vem atraindo parceiros relevantes, como o GPA, que no fim de junho anunciou acordo com a Ambev para disponibilizar seus produtos no Bees, a plataforma de tecnologia B2B da cervejaria.

Esse foco da Ambev, que estima terminar 2022 com um time de 5 mil profissionais de tecnologia em sua equipe, foi tema de entrevista do Guia com Eduardo Horai, vice-presidente de tecnologia da empresa, em conversa realizada durante o Tech & Cheers, encontro promovido em São Paulo para reunir o ecossistema de tecnologia da empresa.

Na entrevista, Horai também comentou sobre as transformações que a Ambev passou, impulsionadas pela pandemia do coronavírus, se refletindo em soluções que atendessem seus parceiros e consumidores. E relatou que a tecnologia tem influência direta em decisões envolvendo o portfólio da companhia.

De acordo com o vice-presidente de tecnologia da Ambev, as informações captadas através de aplicativos permitem, por exemplo, testes menos custosos, mais rápidos e assertivos, acelerando a definição de estratégias.

“O e-commerce nos ajuda a testar em escala menor. Posso pegar um lançamento e disponibilizar em uma região dentro do e-commerce. Com isso, você vê o que traz mais aderência, mais consumidor. E aí toma decisões”, diz.

Leia também – Grupo Petrópolis inicia venda de lúpulo peletizado e mira microcervejarias

Confira os principais trechos da conversa do Guia com Eduardo Horai, vice-presidente de tecnologia da Ambev:

Como a pandemia impactou a área de tecnologia da Ambev? Quais foram as principais oportunidades e desafios?
A pandemia nos acelerou muito. Estávamos começando a falar do Bees, enquanto o Zé Delivery já tinha certa relevância. Quando veio a pandemia, tomamos a decisão de colocar todos os vendedores remotos. Quem ia ao ponto de venda tirar o pedido, passou a fazer de maneira remota. Depois, aceleramos a digitalização com o vendedor ensinando o PDV a instalar o app do Bees e a fazer o pedido. Sem a pandemia, esse processo teria demorado mais. Mas foi possível atender o PDV, que estava aberto, sem o vendedor ir lá. O segundo ponto envolve o Zé Delivery. Com o boom da pandemia, aliado com as lives, o Zé ajudou muito as pessoas a continuarem celebrando de alguma forma em casa. Ganhamos muito com a aceleração do e-commerce. Falando do mais difícil, foi a gestão interna dos times. Saltamos de pouco mais de mil pessoas (no time de tecnologia) para hoje ter 4,5 mil. E, no remoto, acaba não tendo a mesma proximidade. Até houve alguma perda de produtividade inicial, mas depois se recuperou. É mais difícil de se operar remotamente, especialmente quando se tem muita gente nova.

A expansão do Zé Delivery foi, em grande parte, provocada pela pandemia. Como a Ambev trabalha para mantê-la agora, quando não existem mais restrições?
Estamos em uma fase que chamamos em omnichalidade. Queremos que o Zé continue fazendo parte da vida das pessoas. E estamos preparando uma série de questões, como programas de fidelidade, conexão entre online e offline para que o vá além do delivery. Estamos testando modelos, o app vai evoluir muito nos próximos meses.

Ao mesmo tempo em que a Ambev usa o Bees com os seus parceiros, ela continua tendo uma equipe comercial. Como se dá essa sinergia no momento de definição das estratégias?
É a parte boa de ter uma empresa que sabe fazer isso há muito tempo. Tem coisas que o algoritmo não prevê, mas a parte comercial conhece e consegue prever, como a demanda por um grande jogo. Então, as ferramentas digitais nos ajudam, alertam para ver se os pontos estão preparados. Conseguimos ser mais efetivos por ter as ferramentas digitais envolvendo parceiros e consumidores. Acaba sendo uma mistura de algoritmos com o conhecimento comercial.

Como a Copa do Mundo se insere nas estratégias da Ambev para seus aplicativos de tecnologia?
Estamos nos preparando, em questões de infraestrutura, de capacidade, tecnologia, preparando os pontos de venda. A Copa do Mundo será em um momento bem bacana, no meio do verão, terminando o ano. Será um momento de celebração e estaremos bem preparados, embora não possa dar maiores detalhes, até por ser ainda um período de preparação. Essa é a primeira Copa do Mundo com ferramentas digitais bem estabelecidas. Com elas, temos mais visibilidade sobre onde mais produtos estão sendo consumidos com uma granularidade muito menor. Quando você conecta isso, é possível que as ferramentas dialoguem, percebendo a necessidade de preparar estoque com antecedência em determinados pontos, por exemplo.

Por essa força da Ambev no e-commerce, já é conhecido o discurso do CEO Jean Jereissati de que as concorrentes da companhia agora são empresas de tecnologia, como a Amazon, por exemplo, porém com o diferencial de que vocês vendem cerveja. Como é isso para você?
É algo legal. Não somos só cerveja, mas também temos marcas muito inspiradoras, que estão há muito tempo conectadas com o brasileiro. Não somos só um e-commerce, temos que estar atentos às marcas, onde elas estão se posicionando como o consumidor está vendo cada uma, atrelando isso ao Zé Delivery. Tem discussões que nunca vi antes. Uma Amazon, um Mercado Livre vende qualquer coisa. O e-commerce nos ajuda a testar em escala menor. Posso pegar um lançamento e disponibilizar em uma região dentro do e-commerce. Com isso, você vê o que traz mais aderência, mais consumidor. E aí toma decisões. Isso, por exemplo, aconteceu com Modelo e Sptaten.

Então, essa possibilidade de testar produtos é a grande vantagem de contar com esses e-commerces?
É uma inovação que custa mais barato, pois você faz pequenos pilotos e pelo digital. É algo que nunca foi feito pelas empresas antes. Grandes e-commerces, como a Amazon, nasceram digitais e foram criando armazéns e hoje passaram a abrir lojas. Nós nascemos no físico e começamos a disputar espaço no digital. Em algum momento, há uma concorrência. E eles ajudam em todos os tipos de inovação, não só no líquido. É possível também ajudar em serviços.

Também no e-commerce, em sua visão, o que faz gigantes como o GPA se associarem com a Ambev para terem seus produtos disponibilizados no Bees?
Temos 1 milhão de clientes que acessam e gastam 27 minutos por semana no app. Tem pequenos varejistas com 70% do faturamento em cerveja que podem também comprar todos os produtos deles ali. Algo importante foi ter colocado o app no Brasil todo. Com um botão, mando uma mensagem para todos os clientes avisando de uma promoção de um parceiro. É uma força digital que faz, também, indústrias se associarem a nós.

Essa vantagem, de contar com uma grande carteira, já vem do período pré-Bees?
A gente fazia isso com as pessoas. Mas o vendedor tem um limite dos produtos que pode vender. No aplicativo, você pode ter 2 mil produtos. Consigo colocar um portfólio infinito à disposição do PDV, com uma escala que só o Bees pode ter. Também há um número limitado de bares que um vendedor pode atender, algo que não existe no app. Não à toa, estamos com um milhão de clientes, pela facilidade de se cadastrar. A tecnologia está destravando muita coisa.

Em clima alemão, Rota RJ realiza festival com novidades das marcas

O clima da Oktoberfest tem dominado o cenário cervejeiro nacional neste mês de outubro e na região serrana do Rio de Janeiro não é diferente. A Rota Cervejeira RJ também se inspirou na tradicional festa alemã para fomentar a cultura cervejeira e ampliar o contato do público com as marcas para realizar o Festival Cerveja das Montanhas edição Oktoberfest, que acontecerá no próximo fim de semana, de sexta-feira (14) até domingo (16), em Guapimirim.

Será, assim, a primeira festa cervejeira temática de Guapimirim, uma das 5 cidades das associadas à Rota Cervejeira RJ – as outras são Petrópolis, Teresópolis, Nova Friburgo e Cachoeiras do Macacu –, que espera acolher turistas para suas atrações e, claro, a própria festividade, que deverá ficar marcada pela apresentação de algumas novidades pelas cervejarias.

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“Aproveitando que será em outubro, traremos um pouco da Oktoberfest para o festival, com roupas, músicas e gastronomia que são tão difundidas nessa época. A cidade de Guapimirim terá sua primeira festa cervejeira temática, onde o público da região vai estar presente em massa, assim como turistas da região poderão conhecer uma cidade encantadora”, diz Ana Cláudia Pampillon, coordenadora da Rota Cervejeira RJ.

O Festival Cerveja das Montanhas teve uma primeira edição em janeiro de 2020, em Nova Friburgo, depois encarando um hiato de tempo para a sua segunda realização por causa da pandemia. De volta, o evento ocorrerá na Praça da Cotia de Guapimirim e receberá 15 cervejarias componentes da Rota RJ. Serão mais de 50 rótulos diferentes disponíveis ao público, além de gastronomia, shows, ativações e workshops.

As marcas da Rota RJ serão distribuídas em estações individuais e padronizadas, estando munidas de quatro torneiras, sendo três delas com estilos de linha e uma com uma cerveja especialmente produzida para o festival.

Esse festival é a ocasião na qual o público tem o prazer de experimentar novas receitas e as cervejarias as definem de acordo com a aceitação do público. É uma troca muito interessante para ambas as partes

Ana Cláudia Pampillón, coordenadora da Rota RJ

A 2ª edição do festival terá entrada franca e uma programação voltada para toda a família, inclusive com área kids. Assim como na 1ª, em 2022 haverá um concurso informal, com a participação de influenciadores e consumidores ao longo dos três dias para escolher a melhor cerveja do evento. Além disso, haverá mini aulas gratuitas ao vivo sobre harmonizações, processos de produção e o universo cervejeiro.

“Terá muita cerveja boa, com mais de 50 torneiras com cervejas dos 5 municípios que compreendem a Rota Cervejeira, jogos cervejeiros, oficinas relacionadas a cerveja, bons shows em um local emoldurado pela Serra dos Órgãos”, conclui a coordenadora da Rota RJ.

Balcão do Jayro: Davi versus Golias

Balcão do Jayro: Davi versus Golias

Histórias e mitos sobre cultura cervejeira assim como a origem de pratos que tem grande representatividade no mundo gastronômico me encantam. Um ícone como Michael Jackson – o Beer Hunter, não o popstar – um dos pioneiros a escrever sobre cultura cervejeira de forma ampla, já foi contestado em alguns momentos. Tal qual no mundo da cerveja, no mundo da gastronomia existem diversas “verdades universais” que, por vezes, não se sustentam em fatos.

Como fio condutor para a coluna, pensei em gastronomia brasileira, o que invariavelmente me levou a pensar em feijoada. É um prato icônico, representante da gastronomia brasileira mundo afora – apesar de não estar tão presente assim na mesa do brasileiro, como bem destacou a jornalista e chef Larissa Januário em sua mesa no congresso “Cerveja é Gastronomia”, promovido pela Abracerva em parceria com o Sindicerv no final de junho/22.

Ao pesquisar sobre feijoada, me deparei com o livro “A culinária caipira da Paulistânia – a história e as receitas de um modo antigo de comer ”, de autoria do sociólogo Carlos Alberto Dória e do Chef Marcelo Côrrea Bastos, ambos estudiosos de Luiz da Câmara Cascudo e da alimentação no Brasil:

Diferentemente do que diz o folclore – que a feijoada nasceu nas senzalas, do aproveitamento das partes do porco desprezadas pelos senhores de engenho -, é evidente a origem ibérica do prato, semelhante a uma infinidade de comidas típicas de Portugal e da Espanha, cujos povos têm grande apreço pelas partes do porco tidas como menos nobres

A culinária caipira da Paulistânia – A história e as receitas de um modo antigo de comer, p. 237

Em pesquisa no livro “A história da Alimentação no Brasil”, de Luiz da Câmara Cascudo, cheguei em dado semelhante, de que a feijoada seria um sincretismo entre o guisado de feijão (ibérico) e a farinha (indígena).

Fiquei perplexo, não foi isso que aprendi na escola. Tentei contato com algumas pesquisadoras da cozinha diaspórica africana que, infelizmente, não retornaram a tempo. Consigo falar com Larissa Januário que, em resumo, me diz que o assunto é bem complexo, mas que os africanos escravizados quase não tinham acesso a carne, ainda mais os pertences (partes menos nobres), muito amados na Europa Ocidental. E que é muito difícil contestar Câmara Cascudo sendo ele a única fonte. Vale lembrar que, mesmo que documental, a história também é a narrativa contada pelos vencedores – leiam-se aqui dominadores, colonizadores etc.

No entanto, destaca Larissa que a origem do feijão não é europeia, que a feijoada como conhecemos hoje é algo relativamente novo, nasceu no Rio de Janeiro. E por último, tão importante quanto a maternidade do prato é que “sempre foram as mãos negras que moldaram os temperos porque elas cozinhavam”.

E o que pensamos em harmonização quando falamos de feijoada?

Não, feijoada não harmoniza com Witbier. Não “tecnicamente”. Quando pensamos em harmonização, o primeiro item a se considerar é o equilíbrio de forças, seguido pelo diálogo (semelhança, contraste, complementação, efeito de cancelamento etc.). Feijoada é um prato extremamente pesado, gorduroso, cheio de aromas e sabores defumados e condimentados. Em contraste, Witbier é uma cerveja leve, refrescante, bem carbonatada, com aromas cítricos e condimentados provenientes da casca de laranja, semente de coentro e subprodutos de fermentação. Para equilibrar potências em uma harmonização, lançamos mão de quatro elementos da cerveja – acidez, carbonatação, amargor e teor alcóolico. O que a Wit tem? Boa carbonatação e um sopro de acidez. Davi, aqui representado pela nobre Wit, seria engolido por Golias. Contraste de “Forte vs. Fraco” só funciona nas ficções. O mundo real é bem mais cruel. Contraste é doce equilibrando amargo, ácido equilibrando doce e por aí vai.

Uma Dubbel, uma Doppelbock, uma Rauchbier (Bock ou Weizenbock), cada qual com sua particularidade se encontram muito bem com a feijoada. 

Mas…

Salta cerveja estupidamente gelada prum batalhão”, já dizia Chico Buarque em “Feijoada Completa”, música de 1978. A tríade feijoada, American Lager e caipirinha continua firme e forte. American Lager também não harmoniza tecnicamente com feijoada, tem menos intensidade e complexidade que um Wit.  Mas, culturalmente falando, é isso que majoritariamente se bebe em conjunto com a feijoada, afinal, o preparo é quase uma cerimônia ritualística, seu consumo é feito geralmente por um grande número de pessoas e, geralmente, por muitas horas. E não dá para beber Dubbel, Doppelbock ou qualquer outra cerveja mais alcóolica por muitas horas – falta “bebabilidade”, drinkability – sem ser derrubado. Eu, ao menos, não consigo. Há claro espaço aqui para “concessão técnica”. Portanto, seja feliz com seu “pilsão mainstream”, com uma Dubbel, com uma Rauch. Ou com uma Wit. Recorda-se da primeira coluna? O contexto é mais importante!

Saúde!


Jayro Neto é sommelier de cervejas e Mestre em Estilos, tendo sido campeão do Campeonato Brasileiro de Sommelier de Cervejas de 2019. É organizador de concursos da Acerva Paulista e juiz certificado pelo BJCP (Beer Judge Certification Program) com experiência nacional e internacional em concursos de cerveja. Também atua como conselheiro fiscal e tesoureiro da Abracerva.

Balcão do Baierle: O homem e as plantas

Balcão do Baierle: O homem e as plantas

O título deveria ser: “As plantas e os homens”, afinal, elas chegaram primeiro do que nós neste planeta. Mas, como humanos, sempre nos colocamos à frente das outras espécies que dividem o planeta conosco.

Essa relação entre nós e as plantas é milenar, e sem elas não estaríamos aqui, apesar de algumas teorias de que o homem só evoluiu em inteligência devido ao consumo de carne e de outras que apontam o consumo de cogumelos alucinógenos.

Polêmicas à parte, quero debater sobre a importância das plantas para o mundo atual e, principalmente, para o universo cervejeiro.

A cerveja é feita basicamente de quatro insumos, sendo dois deles de origem vegetal, o malte e o lúpulo. Agora você gostou mais das plantas, né?

Em relação ao lúpulo, o Brasil ainda não tem uma produção expressiva no mundo. Estamos engatinhando, mas somos bebês bem ativos e curiosos. E tenho certeza de que ainda iremos ocupar uma posição de destaque na produção mundial de lúpulos, principalmente nos cultivares de aroma.

Já quanto ao malte, o Brasil tem uma produção muito expressiva, pois aqui está localizada a maior maltaria da América Latina, e a sétima do mundo, a Agrária, localizada no município de Guarapuava, no Paraná.

As pessoas me perguntam bastante sobre malte, pois acham que é uma espécie de planta, quando, na verdade, a malteação é um processo de germinação em condições controladas que pode ser realizado em qualquer tipo de cereal. O malte de cevada é o mais conhecido e utilizado, mas temos malte de arroz, centeio, trigo etc.

E arrisco afirmar que todo mundo já fez malteação na vida, pois a grande maioria já realizou aquele processo de germinação do feijão em um copo com algodão e água nas primeiras séries escolares.

Isso mesmo, você já fez malte e nem sabia!

Essa relação do homem com as plantas não é muito pacífica, pois onde hoje cultivamos a cevada ou o lúpulo já existiu uma floresta! Não vou me aprofundar neste assunto, mas cabe a reflexão de que talvez as plantas nos vejam como inimigo, enquanto nós, pelo menos, a maioria como amigos! E se as plantas falassem, nossa relação com elas seria mais difícil, tenho certeza!

Hoje em dia sabemos que as plantas se comunicam entre si, através das raízes e das redes de fungos que as conectam. E além de se comunicarem, trocam nutrientes e carbono. Por exemplo, em uma floresta, as árvores maiores que dominam a parte superior trocam carbono por outros nutrientes com as plantas menos que ficam mais próximas ao solo. É algo incrível.  

Também sabemos que as plantas são capazes de sentir nossa energia. Foi realizado um experimento com vasos de plantas da mesma espécie vindas do mesmo local: um grupo recebeu elogios e foi tratado com amor pelos humanos; o outro grupo de plantas recebeu xingamentos e palavras de ódio. O resultado foi que nas plantas que receberam xingamentos secaram e morreram, enquanto as que receberam amor prosperaram! Pensando por este lado, as plantas são muito mais evoluídas que nós! Eu sempre converso com minhas meninas, que é como chamo minhas plantas de lúpulo, que são todas fêmeas, pois apenas as fêmeas são utilizadas na produção de cerveja. Corre lá e converse com suas plantinhas….

Existem plantas que também são capazes de ouvir! Isso mesmo! Em um outro experimento, foi colocado o som de abelhas em algumas plantas, enquanto nas outras não foi colocado nenhum som. O resultado foi que as plantas em que havia o som das abelhas ocorreu maior produção de néctar nas flores. Ou seja, elas ouviram as abelhas e produziram mais néctar para atraí-las. E, assim, se reproduziram e perpetuaram sua espécie.

No futuro, com as atuais técnicas de melhoramento genético, muita coisa vai acontecer. A técnica mais moderna hoje é chamada de CRISPR, em que conseguimos editar a genética das plantas e de outros organismos. Ou seja, recortar o DNA e editá-lo. Poderemos, um dia, por exemplo, recortar o DNA de um organismo que produz luz própria e introduzir este pedaço de DNA em uma planta, produzindo, assim, uma planta com capacidade de produzir luz! Louco, né? Dá até um pouco de medo… Na verdade, me dá bastante medo.

Agora, depois de tudo isso, tenho certeza de que você vai dar mais importância às plantas e a quem cuida delas, pois sem elas não teríamos cerveja! E são tantos estilos de cerveja graças a grande variedade de maltes e lúpulos existentes, em cada região, com seu terroir diferenciado!

Imagine o que pode acontecer no futuro. Por exemplo, uma planta de cevada com o gene do lúpulo que produz alfa ácidos, os compostos do lúpulo que conferem amargor à cerveja… Assim não precisaríamos mais cultivar duas plantas, e sim apenas uma!

Vou parar por aqui.

Uma última mensagem: valorize mais as plantas da sua casa. Se você não tem uma planta, compre uma. E valorize mais o agricultor que cultiva as plantas que precisamos. Sem ele, não teríamos comida, cerveja, vinho, cachaça etc. Não estaríamos aqui, neste planeta, vivendo da maneira como estamos!

Viva as plantas! Viva a cevada e o lúpulo!


Rodrigo Baierle é engenheiro agrônomo e especialista em genética de plantas e lúpulo. Atua como produtor de lúpulo na Lúpulos 1090, sendo consultor para produtores de lúpulo. É o idealizador do Festival Nacional da Colheita do Lúpulo.

Preço da cerveja sobe 3,39% em trimestre com deflação no Brasil

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Ao mesmo tempo em que o Brasil completou um trimestre de deflação, com a queda de 0,29% no IPCA em setembro, o preço da cerveja no domicílio, vendida em estabelecimentos como supermercados e redes varejistas, segue em alta, tendo subido 0,37% no nono mês de 2022. Assim, de acordo os dados divulgados pelo IBGE, a inflação do item segue acima dos 10% ao longo dos últimos 12 meses.

Mais do que isso, a cerveja continua com seus preços descolados do ritmo da inflação. No terceiro trimestre do ano, o item no domicílio tem elevação de 3,39%, impulsionado pela expressiva variação de 2,37% em agosto. Enquanto isso, o IPCA teve deflação de 1,33% no período, a maior registrada para um trimestre desde a criação do Plano Real em 1994.

Leia também – Turismo cervejeiro demanda mais divulgação e melhorias viárias

Também na contramão do índice oficial, a cerveja comprada fora do domicílio, em locais como bares e restaurantes, contabilizou alta média de 0,50% em setembro. Desta forma, no acumulado do ano, o preço já ficou 5,31% mais alto nesta mesma ocasião de consumo, enquanto o incremento para o varejo é de 5,91% no amontoado dos nove primeiros meses de 2022.

Nos últimos 12 meses, a cerveja no domicílio registra significativo aumento de 10,68% e de 5,64% fora dele. Neste mesmo período, a elevação do custo médio com outras bebidas alcoólicas em estabelecimentos como supermercados é de 15,50%, enquanto em locais como bares e restaurantes os preços saltaram apenas 0,43% ao longo de um ano.

Já a variação constatada para outras bebidas com álcool em setembro foi de alta de 1% no domicílio, enquanto fora de dele houve deflação de 1,2%. No acumulado do ano, há uma disparidade expressiva de acordo com as ocasiões de consumo, com o preço deste item saltando 15,74% nas redes varejistas e caindo 4,60% quando compradas em botequins e locais de alimentação fora do lar.

Item Alimentação e bebidas tem deflação maior do que a do IPCA
Entre os nove grupos de produtos e serviços pesquisados pelo IBGE, quatro registraram quedas de preço em setembro. E um deles foi o de alimentação e bebidas, com retração de 0,51%. O item se posicionou como o terceiro que mais colaborou para a deflação do IPCA, só ficando atrás de transportes, com recuo de 1,98%, e comunicação (-2,08%). O outro tópico com redução foi composto por artigos de residência (-0,3%).

“Os combustíveis e, principalmente, a gasolina têm um peso muito grande dentro do IPCA. Em julho, o efeito foi maior por conta da fixação da alíquota máxima de ICMS, mas, além disso, temos observado reduções no preço médio do combustível vendido para as distribuidoras, o que tem contribuído para a continuidade da queda dos preços”, diz o gerente da pesquisa do IBGE, Pedro Kislanov, se referindo à redução do valores da gasolina (-8,33%), do etanol (-12,43%), do óleo diesel (-4,57%) e do gás veicular (-0,23%) em setembro.

O representante do instituto também destaca que o item alimentação e bebidas registrou queda expressiva de custo depois de ter contabilizado elevação média de 0,24% em agosto. “Os alimentos vinham apresentando crescimento desde o começo do ano, inclusive altas fortes em março (2,42%) e abril (2,06%). Essa queda de setembro é a primeira desde novembro de 2021 (-0,04%)”, completa Kislanov.

Já a maior variação positiva registrada no mês passado foi do grupo vestuário, que subiu 1,77%, assim como já havia ocorrido em agosto, quando aumentou1,69% e liderou os produtos com alta.

Para realizar este seu último balanço do IPCA, o IBGE comparou os preços coletados no Brasil entre 30 de agosto a 28 de setembro (referência) com os valores vigentes de 29 de julho a 29 de agosto de 2022 (base).