Início Site Página 108

Entrevista: Unificação e reforma tributária pautam presidente do Sindicerv

0

Com mais de 20 anos de experiência em relações institucionais, Márcio Maciel assumiu, em janeiro, o cargo de presidente-executivo do Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv) com objetivos claros. Eles passam por aumentar a representatividade da instituição que agora lidera através do diálogo que amplifique pautas e demandas, sendo a principal delas a reforma tributária. É o que ele relatou em entrevista ao Guia Talks.

Não à toa, embora represente no país Ambev e Grupo Heineken, que detêm mais de 80% do mercado cervejeiro, Maciel, nas primeiras semanas como presidente do Sindicerv, buscou estar em contato com as cervejarias artesanais no périplo que realizou por diferentes cidades brasileiras.

E nessa busca pelo diálogo e por interesses em comum, encontrou um ponto de consonância com esses representantes: a necessidade de mudanças na tributação. A pauta, prioridade do Sindicerv em 2023, também evoca desejos do governo do presidente Lula, que já indicou a intenção de realizar uma reforma tributária. E Maciel defende que a simplificação tributária é fundamental para tornar o setor mais competitivo e dinâmico, sem aumentar a carga tributária.

Para o presidente do Sindicerv, passa pela aprovação de uma nova tributação o crescimento da indústria cervejeira, que, assim, conseguirá seguir promovendo a inovação, contribuindo para o desenvolvimento econômico e social do Brasil.

Confira os principais trechos do Guia Talks com Márcio Maciel, que antes trabalhava como diretor de assuntos institucionais e inteligência competitiva da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos e agora é o presidente-executivo do Sindicerv:

Com qual objetivo você chega ao Sindicerv?
Representamos cerca de 80% da produção de cerveja no Brasil. Então, até por isso, temos uma estrutura em Brasília que acaba olhando para diversos aspectos do nosso mercado que são importantes para o bom funcionamento dele. Eu cheguei ao Sindicerv com o objetivo de agregar cada vez mais ao setor. Apesar de representarmos 80% do mercado e várias marcas das duas empresas, estamos num processo, que vem desde antes de mim, desde o ano passado, com um termo de cooperação com a Abracerva, de nos aproximarmos dos micro e pequenos produtores, tentando trazer cada vez mais a cultura cervejeira para todo o Brasil. Estou com o trabalho de conversar cada vez mais com a cadeia como um todo, com governos, é claro,  com a imprensa e com a sociedade civil para as pessoas entenderem um pouco mais sobre a nossa paixão nacional. Entender mais sobre cerveja, deixar de pensar nela como um líquido que bebemos em comemorações e jantares, em alguns eventos, e entender o que ela significa para o nosso Brasil. É geração de emprego e de renda, é melhoria na qualidade de vida.

O que você traz dos seus trabalhos anteriores para oferecer à indústria da cerveja como presidente do Sindicerv?
Eu sou executivo de relações institucionais, tenho histórico de 20 anos trabalhando na área de relações governamentais, um trabalho que basicamente leva informações para governos e para a sociedade sobre o setor em que você atua. Muitas coisas são desconhecidas. Eu tenho esse histórico setorial e de associativismo, conheço sobre o que é trabalhar em uma associação e como você deixa essa associação mais forte e mais representativa para os seus associados. Esse foi um dos motivos que olharam para mim e falaram: essa pessoa faz sentido nesse momento em que queremos agregar cada vez mais à categoria e falar dela para fora. Então, vamos pegar alguém que conhece a dinâmica do associativismo e tem o histórico de trabalhar também em parcerias. Por onde eu passei, sempre busquei trabalhar em parceria com quem está na minha cadeia, no mesmo ambiente de negócio.

E como você, agora presidente do Sindicerv, tem colocado em prática esse diálogo?
Eu tenho conversado muito com a Abracerva, com a Câmara Setorial da Cerveja, do Ministério da Agricultura, que reúne todos os elos da cadeia para dialogar sobre políticas públicas positivas para o setor. Estou procurando pautas que sejam convergentes, vendo como é possível utilizarmos o Sindicerv para trabalhar de maneira unificada pelo setor. Além disso, em toda viagem que fazemos, estou procurando visitar uma micro e pequena cervejaria. Já conheço os problemas das grandes, mas não sei do dia a dia das pequenas. E estamos buscando trazer algumas dessas pautas para trabalhá-las institucionalmente. Escutamos e vemos se tem alguma coisa convergente. Algo super convergente é a questão tributária. E a pauta prioritária do Sindicerv para esse ano é a reforma tributária. Queremos trabalhar juntos e ver como conseguimos ajudar o governo a, de fato, resolver o problema desse manicômio tributário brasileiro, que é difícil de entender. E, pior ainda, os impostos são muito caros.

Como seria essa reforma tributária desejada pelo Sindicerv e, mesmo, por todo o ecossistema cervejeiro?
A nossa prioridade fundamental nessa reforma tributária é tornar fácil o pagamento de impostos no Brasil. Vou dar o exemplo de associados do Sindicerv que precisam guardar uma quantidade enorme de documentos por conta de fiscalizações futuras ou obrigações acessórias que dariam para preencher mais de seis Maracanãs. Isso sem contar os documentos que já existem e estão guardados em alguns lugares. Então, imagina o preço que é pagar por isso, que vira custo. Empresas do Sindicerv, e outras empresas também, têm mais gente do que seria razoável na sua área de pagamento de impostos. São mais de 200 pessoas trabalhando só para entender e pagar impostos. Imagina o custo para pagar essas pessoas. É muito provável que seja mais do que várias empresas têm para investir em inovação. Por isso que falamos da simplificação como a coisa mais importante neste momento. Claro que a simplificação não pode vir com um aumento da carga tributária, hoje 56% do que pagamos na cerveja é imposto. É uma coisa inacreditável, a maior taxa de imposto da América Latina. Não dá para conviver com isso. Por isso, não queremos aumento de imposto. Isso se reflete em toda a cadeia. Indo além, temos que olhar as especificidades dos pequenos e outros parceiros, não podemos fazer uma reforma tributária que penalize bares e restaurantes. A reforma tributária tem que desonerar custos dos pequenos empreendedores.

Vocês imaginam que essa reforma vai sair? Quais são as expectativas e como estão sendo as articulações?
Se fosse fácil fazer uma reforma tributária, ela já teria sido feita. Eu sou historiador de formação e sou apaixonado por história. A história nos mostra que as mudanças estruturais geralmente ocorrem em momentos de ruptura ou quando há algo muito grave em jogo. Todos já viram muitos governos e essa reforma nunca saiu. O que vemos nesse momento é que embora não estejamos em um momento crítico ou de ruptura, estamos enfrentando um momento econômico difícil, no qual o crescimento é desafiador. Precisamos olhar para dentro e resolver algumas questões não resolvidas anteriormente para impulsionar o crescimento. É encorajador ver que a reforma tributária é uma prioridade do governo e do Congresso, o que são bons indícios. Como membros da sociedade civil, precisamos nos fazer ouvir para apoiar essa medida, mostrando que é importante para gerar emprego e a melhoria da economia.

No ano passado, o Sindicerv assinou um acordo de cooperação com a Abracerva. Como essa relação está sendo estreitada e de que modo isso pode ajudar as cervejarias artesanais?
Queremos ver como a expertise do Sindicerv, que é trabalhar no ambiente regulatório, pode colaborar com a Abracerva. A Abracerva tem uma capacidade incrível de falar sobre cultura, eventos e gastronomia, enquanto temos a habilidade executiva para lidar com questões regulatórias e institucionais. Vamos ver como podemos unir essas habilidades para ajudar a todos. Cheguei em 2 de janeiro e conheci o Giba (Gilberto Tarantino, presidente da Abracerva) na segunda quinzena do mês. Ainda estamos conversando e nossa relação é excelente, mas estamos criando um plano para ver o que podemos fazer. Como representantes do setor como um todo, sentimos a obrigação de falar em nome de todos, desde os micros aos pequenos. A Abracerva é nossa principal parceira, mas estamos abertos a conversar com qualquer pessoa interessada em melhorar esse setor.

Falando em tributação, 12 estados brasileiros elevaram o ICMS sobre a cerveja recentemente. Como o Sindicerv enxerga isso?
O impacto não é bom, já falamos que 56% do que se paga na cerveja é imposto. Então, se você coloca mais um pouquinho, esse número só tende a aumentar. Vimos com preocupação, tentamos trabalhar para evitar que o aumento fosse concedido ou fosse total. Mas quem sou eu para dizer a um gestor público qual deve ser a prioridade dele? O que tentamos fazer foi sensibilizar, falando do impacto de um aumento logo no verão, nas férias, com as pessoas na praia. Por isso falo que a questão de se apresentar é super importante. Os tomadores de decisão precisam entender quem nós somos e qual o efeito de você aumentar o imposto. Porque, no final das contas, o setor sempre evita ao máximo repassar o preço ao consumidor. Ou o preço fica mais caro e se o consumidor brasileiro não está tendo aumento de renda na mesma velocidade, ele vai ter que começar a fazer escolhas de acordo com o preço. Em alguns lugares, conseguimos ter algum sucesso no sentido de diminuir o tamanho da mordida e em outros, não. Seguimos nesse nosso trabalho, que está começando e está mostrando que a cerveja com preço razoável é boa para todo mundo, aumenta a geração de renda.

O ano de 2022 terminou com alta de 2,7% do PIB e de 8% da produção da cerveja, mas houve recuo da economia nacional no último trimestre. Quais são as expectativas do Sindicerv para a indústria da cerveja em 2023?
A expectativa para 2023 é positiva. É o primeiro ano cheio após a pandemia. Tivemos o melhor carnaval da história. Está explodindo o número de eventos em todos os lugares. E os eventos impulsionam o nosso setor. Há uma expectativa de um governo que está tentando trazer o máximo de previsibilidade possível para a economia, o que é muito positivo. Acreditamos que teremos um crescimento em nosso setor. Os bares e restaurantes pretendem contratar mais pessoas este ano. E os nossos principais pontos de venda são os bares, mais de 60% das cervejas consumidas no Brasil são vendidas nesses locais. A fase crítica da pandemia passou e as cadeias produtivas mundiais estão se realocando, com rearranjos logísticos. Acreditamos que teremos um crescimento no setor de cerveja no Brasil, possivelmente não tão forte quanto nos últimos anos, mas ainda assim positivo, já que o nosso setor está muito aquecido. Esperamos que continue assim. Não posso dar um número exato de crescimento agora, mas esperamos que no próximo anuário do Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) tenhamos um aumento no número de fabricantes de cerveja no Brasil.

Pedido à Justiça expõe perda de mercado pelo Grupo Petrópolis

0

O Grupo Petrópolis expôs a sua perda de participação no mercado cervejeiro do Brasil ao apresentar um pedido de recuperação judicial, concedido pela Justiça do Rio de Janeiro através de medida cautelar. Em um período de pouco mais de dois anos e meio, a companhia viu cerca de 30% da sua parcela no setor se esvair.

De acordo com os dados apresentados pelo Grupo Petrópolis, contabilizados pela Nielsen, o market share da empresa caiu de 15,3% em janeiro de 2020 para apenas 10,6% em agosto de 2022.

Leia também – Com dívida de R$ 4,2 bilhões, Grupo Petrópolis entra em recuperação judicial

Já o volume de bebidas vendidas pelo Grupo Petrópolis reduziu 23% entre 2020 e 2022. Foram comercializados 31,2 milhões de hectolitros em 2020, número que caiu para 26,4 milhões de hectolitros em 2021, fechando 2022 com 24,1 milhões de hectolitros.

Para piorar, esse declínio se dá em um cenário que contrasta com a capacidade produtiva da companhia – com oito unidades fabris, o Grupo Petrópolis afirma que pode fabricar 52,34 milhões de hectolitros de bebidas. Nesse momento, porém, produz menos da metade disso.

O uso reduzido da capacidade produtiva é, inclusive, um dos motivos utilizados pelo Grupo Petrópolis para embasar o seu pedido de recuperação judicial. A empresa defende que, adequando as suas contas e renegociando seus débitos, poderia voltar a crescer, se aproveitando de toda essa estrutura para fabricação de bebidas. Hoje, a empresa contabiliza dívida de R$ 4,2 bilhões.

“Como consequência da normalização do fluxo de caixa das requerentes e da adequação de sua estrutura de capital para níveis sustentáveis, será possível produzir utilizando-se toda essa capacidade instalada, o que terá reflexos benfazejos de toda sorte, inclusive e especialmente nas condições de pagamento dos credores ora afetados por essa medida recuperacional”, diz.

Esse contexto de queda na produção e na participação de mercado se transformou, evidentemente, em redução das receitas do Grupo Petrópolis. Os valores auferidos pela empresa caíram de R$ 15,6 bilhões em 2020 para R$ 13,6 bilhões em 2021. Também houve recuo, ainda que menor, em 2022, para R$ 13,0 bilhões.

Custos de produção e preços
No documento em que apresenta o seu pedido de recuperação judicial, o Grupo Petrópolis também aponta que os custos para produção de cerveja cresceram acima da inflação e do reajuste de preços implementados pela companhia.

Partindo da base 100, para 2019, o Grupo Petrópolis afirma que os custos de produção chegaram a 118,1 em 2020, indo a 138,4 em 2021 e a 152,7 em 2022. Já o salto dos preços das cervejas da empresa foi mais modesto. Da mesma base 100, passou para 102,1 em 2020, 104,6 em 2021 e 110,3 no ano passado.

O Grupo Petrópolis também relata ter reajustado seus preços em 1º de março. A companhia afirma que isso ocasionou nova perda de participação de mercado. Mas defende que reduzir os valores não é uma estratégia factível para aumentar o volume de vendas e o faturamento.

“Após sofrer por longo período, o grupo viu-se forçado a reposicionar os preços de seus produtos no dia 1º do mês de março corrente. Como consequência, houve retração nas vendas, na medida em que seus consumidores tradicionais, nesse primeiro momento, indispostos a pagar os preços reajustados, acabaram migrando para outras marcas”, afirma.

“Fato é que, nas últimas semanas, as vendas e, consequentemente, a receita bruta caíram de forma considerável. Apesar disso, retroceder e baixar os preços não é alternativa, sob pena de se voltar a operar com margens financeiramente insustentáveis”, acrescenta o Grupo Petrópolis.

Com dívida de R$ 4,2 bi, Grupo Petrópolis entra em recuperação judicial

0

O Grupo Petrópolis entrou com um pedido de recuperação judicial na Justiça do Rio e teve a sua solicitação aceita através de medida cautelar. As dívidas da companhia, produtora de cervejas como Itaipava, Petra, Crystal e Black Princess, são de R$ 4,2 bilhões.

A recuperação judicial permite que a empresa suspenda o pagamento das dívidas, as renegociando durante o período em que perdurar, evitando que a companhia precise encerrar as suas atividades. No caso do Grupo Petrópolis, as suas dívidas são de R$ 2,2 bilhões com grandes fornecedores e outros R$ 2 bilhões derivados de operações financeiras e do mercado de capitais.  

Leia também – Grupo Petrópolis expande produção de lúpulo com plantio em Uberaba

A juíza Elisabete Franco Longobardi, da 5ª Vara Empresarial da cidade do Rio de Janeiro, concedeu tutela cautelar de urgência ao Grupo Petrópolis, determinando a liberação de recursos da companhia que estão em instituições como Banco Santander, Fundo Siena, Daycoval, BMG e Sofisa. Além disso, ela nomeou o escritório de advocacia Zveiter e a empresa Preserva-Ação, do advogado Bruno Rezende, como administradores do Grupo Petrópolis.

A solicitação em regime de urgência pelo Grupo Petrópolis foi justificada pelos efeitos que seriam provocados pelo não pagamento de uma dívida de R$ 105 milhões, que venceria na segunda-feira (27), dia em que a empresa solicitou a recuperação judicial.

“Essa parcela vence hoje, dia 27.03.2023, e seu inadimplemento provocará o vencimento antecipado das demais operações existentes com a casa bancária, resultando na pronta liquidação dos recursos travados na conta vinculada e tentativa de apropriação dos recebíveis do Grupo Petrópolis que irão ingressar na referida conta nas próximas semanas”, diz.

A empresa defende ter sido vítima de uma “tempestade perfeita”, com perda de mercado, redução das receitas e desafios de lidar com as dívidas em função da elevada taxa de juros do Brasil. “Como em uma tempestade perfeita, a redução do volume de vendas, da receita e das margens veio acompanhada do aumento incessante da taxa Selic, utilizada sucessivamente pelo Banco Central como principal ferramenta de política monetária para combater a inflação”, diz.

Além disso, o Grupo Petrópolis afirma que precisaria aumentar o seu fluxo de caixa nas próximas semanas para conseguir arcar com suas contas. “Até o final deste mês de março, estima-se que a necessidade de capital de giro acumulada seja R$ 360 milhões superior à projetada para o período. E os números só fazem piorar: até 10 de abril, estima-se que a necessidade de capital de giro acumulada seja R$ 580 milhões superior a projetada”, afirma.

O Grupo Petrópolis cita, ainda, ter recebíveis em instituições bancárias. Eles “correspondem a R$ 215.771.487,82 (Santander), R$ 109.386.445,58 (Fundo Siena), R$ 47.569.456,72 (Daycoval), R$ 9.231.434,17 (BMG) e R$ 1.464.621,63 (Sofisa)”. Também afirma que ficaria com o caixa negativo já no início de abril caso a recuperação judicial não fosse concedida.

Atualmente, o Grupo Petrópolis produz as marcas de cerveja Itaipava, Crystal, Lokal, Black Princess, Petra, Cabaré, Weltenburger e Brassaria Ampolis (com os rótulos Cacildis, Biritis, Ditriguis e Forévis); as vodcas Blue Spirit Ice e Nordka; a Cabaré Ice; os energéticos TNT Energy Drink e Magneto; o refrigerante It!; o isotônico TNT Sports Drink; a água Petra e água tônica Petra. Com oito fábricas em operação, o grupo estima ser responsável pela geração de aproximadamente 24 mil empregos diretos.

Heineken une forças com Pernod Ricard em projeto sobre malte de cevada

Dois pesos pesados da indústria de bebidas decidiram unir forças. Na Irlanda, o Grupo Heineken e a Pernod Ricard, através da Irish Distillers, fecharam um acordo, válido por três anos, para colaboração e compartilhamento de conhecimento em apoio ao cultivo sustentável de cevada para produção de malte.

O projeto-piloto irlandês visa ajudar os agricultores na adoção de práticas regenerativas em suas fazendas. O aprendizado será implementado globalmente no futuro, incluindo informações sobre o impacto ambiental das medidas adotadas, que serão compartilhadas e aproveitadas por ambas as empresas para definição de estratégias de sustentabilidade envolvendo outras matérias-primas.

Leia também – Grupo Petrópolis expande produção de lúpulo com plantio em Uberaba

O objetivo da iniciativa, de acordo com as companhias, é apoiar a transição de cada fazenda para a agricultura regenerativa e compartilhar esse conhecimento com outros agricultores. Na Irlanda, cerca de 2 mil agricultores trabalham na produção de 300 mil toneladas de grãos anualmente em uma área de 45 mil hectares.

O projeto buscará melhorar as condições do solo e a retenção de carbono, aumentar a biodiversidade, melhorar a qualidade da água e os meios de subsistência dos agricultores por meio da adoção de uma série de práticas agrícolas regenerativas, incluindo minimizar a perturbação do solo, aumentar a diversidade das culturas e a cobertura do solo, mantendo as raízes vivas durante todo o ano e reduzindo o uso de produtos químicos.

Como parte do projeto, a Earthworm medirá várias métricas nas fazendas participantes, como cobertura do solo, utilização de fertilizantes, absorção de água e lucratividade. Um relatório detalhando o desempenho de cada fazenda em relação aos indicadores definidos, bem como as áreas de melhoria, será compartilhado com cada produtor para que o impacto das novas práticas agrícolas possa ser avaliado. Um documento anual também será disponibilizado ao público para acompanhar o progresso, além de compartilhar aprendizados e melhores práticas. E um incentivo financeiro será fornecido aos agricultores para apoiar o custo da implementação e dos experimentos nos campo.

O Grupo Heineken destaca que a iniciativa na Irlanda está em consonância com os objetivos da companhia de reduzir as emissões de carbono, como definido através de suas metas de sustentabilidade, como ressalta Avril Collins, diretora de assuntos corporativos da Heineken Ireland.

“A Heineken é uma das primeiras cervejarias globais a fazer uma promessa de emissões líquidas zero de carbono em toda a cadeia de valor até 2040 e trabalhar com a fonte de nossos principais ingredientes é a chave para entender como podemos atingir essa meta, pois a agricultura representa 33% de nossa pegada global”, diz Avril, apontando que a companhia já tem obtido bons resultados em suas iniciativas.

“Nos últimos 2 anos, a Heineken desenvolveu um programa global de agricultura de baixo carbono. Os pilotos deste programa em 2021 mostram uma redução média de 25% de CO2 e um aumento de 40% no sequestro de CO2 durante o processo agrícola”, acrescenta.

A executiva da Heineken na Irlanda acredita que a parceria com a Pernod Ricard na Irlanda deve contribuir para a melhoria desses resultados iniciais.

“Estamos muito satisfeitos por estarmos levando essa iniciativa mais a fundo na Irlanda, para analisar vários parâmetros de condição do solo, água e biodiversidade, buscando entender completamente o impacto e onde a mudança pode ser feita. Apreciamos muito que esta jornada exija que muitos jogadores trabalhem juntos, por isso estamos muito satisfeitos em fazer parceria com nossos colegas da Irish Distillers”, diz Avril.

Ao lado da Guinness, o Grupo Heineken lidera o mercado cervejeiro da Irlanda. Para isso, também fez aquisições de peso, como da Murphy’s Brewery, em 1983, e da Beamish & Crawford, em 2008.

A Pernod Ricard, de origem francesa e com um portfólio que inclui o uísque Chivas Regal, o gin Seagram’s e a vodca Orloff, também possui participação relevante no mercado de bebidas alcoólicas da Irlanda, um status conquistado após a aquisição da Irish Distillers em 1988. A empresa também teve participação fundamental na internacionalização do uísque irlandês Jameson.

Curiosidade por cervejas em barris indica potencial no mercado, diz especialista

A curiosidade do consumidor e dos próprios fabricantes sobre as cervejas produzidas em barris pode ser um indicativo de um caminho a ser explorado pelas marcas artesanais. Essa é a avaliação da Tanoaria Agulhas Negras, através do seu CEO, Luís Cláudio Castro Nogueira, após a participação em um dos principais eventos do segmento cervejeiro.

Para Nogueira, o interesse despertado por essa possibilidade durante a Semana da Cerveja Brasileira, em Blumenau (SC), evidenciou a curiosidade do cervejeiro quando o assunto é produção da bebida em barris. “De dez anos para cá que começou essa história de maturar a cerveja no barril. Então, de alguns anos para cá é que isso está criando força. E as pessoas estão muito curiosas. Vemos muita vontade em fabricar uma cerveja e envelhecer no barril”, diz Nogueira.

Leia também – Grupo Petrópolis expande produção de lúpulo com plantio em Uberaba

A sua empresa foi a única tanoaria presente com um estande ao evento, sendo procurada pelo público para tirar dúvidas sobre o processo produtivo de cervejas em barris. E, na visão do CEO, essa curiosidade do setor pode ser um termômetro para a expansão do envelhecimento de cervejas em barris.

“Acredito que a tendência do mercado é crescer devido à curiosidade. A procura pelo nosso estande foi muito grande durante todos os dias e nossa perspectiva é de muita venda futura”, diz Nogueira.

Para fortalecer e ampliar suas relações comerciais, a Tanoaria Agulhas Negras levou barris de capacidades menores, que tiveram boas vendas, assim como, em uma ação de marketing, contava com uma chopeira acoplada a um barril de carvalho. “As cervejarias compram barris menores de 20 e 50 litros. Foi o que levamos, sendo tudo vendido”, relata.

A tanoaria ainda aproveitou a presença do grande número de cervejeiros no evento para oferecer opções diversificadas de madeiras. “O público estava acostumado com carvalho, carvalho francês, então levamos jequitibá, bálsamo, castanheira e grápia para que o público cervejeiro possa conhecer melhor as madeiras e brincando mais com os ‘blends”, diz.

Assim, em Blumenau, a Tanoaria Agulhas Negras colocou em prática sua principal estratégia de relacionamento para 2023: a participação em eventos cervejeiros. Por lá, também encontrou antigos clientes e trabalhou na captação de interessados em usar barris nas suas produções. E acredita que o saldo será positivo. “O pós-venda está sendo muito bom, superando as nossas expectativas”, celebra.

Confira os lançamentos mais recentes das cervejarias artesanais

As cervejarias artesanais passaram o primeiro trimestre de 2023 ávidas pela apresentação de lançamentos e novidades aos consumidores. Por isso, vários rótulos inéditos puderam ser apreciados pelo público nas últimas semanas, com criações motivadas por datas comemorativas, como o St. Patrick’s Day, ampliação de portfólios ou para celebrar parcerias.

A Avós, por exemplo, apresentou uma nova série, a Cool, enquanto a Nacional criou mais uma cerveja do projeto Musas do Verão. E os lançamentos das artesanais também estão vindo cheio de colaborativas. Foi assim com a Dádiva, que fez uma parceria internacional, e com a Bastard Brewery, que se uniu à Goose Island.

Leia também – Pesquisa desenvolve cerveja com cajá potencialmente probiótica

Confira esses e outros lançamentos realizados pelas cervejarias artesanais, selecionados pela reportagem do Guia:

Avós
A Cerveja Avós continua investindo nos lançamentos, tendo apresentado em março a série Cool, só disponibilizada em chope. Ela é composta por três receitas que equilibram amargor limpo e assertivo, leveza e aroma lupulado, de acordo com o seu descritivo. As novidades são a Cool IPA, uma India Pale Lager leve, a Cool APA, uma American Pale Lager, com o leve dulçor proveniente dos maltes, mas algum amargor, e a Cool Pils, uma Premium Lager, leve. Já a série A Véia Viaja ganhou uma adição, A Véia Viaja 4, uma German Pils tradicional com base de maltes que trazem notas de casca de pão e notas florais dos lúpulos alemães Tettnag e Hallertau Mittelfrueh.

Bastard Brewery e Goose Island
A união entre Bastards Brewery e Goose Island rendeu o lançamento de uma cerveja colaborativa, a Bark & Honk. A novidade é uma Session New England IPA. Ela utiliza o lúpulo Nelson Sauvin, que traz como característica sabores frutados, picantes e que remetem a uvas e vinhos brancos, em conjunto com Riwaka, que conta com aromáticos mais cítricos, principalmente de toranja e maracujá. A Bark & Honk tem 4,0% de teor alcoólico e 25 IBUs de amargor.

Croma + Templária + Trema
A Templária foi outra marca de artesanais a apostar em uma colaborativa entre os lançamentos mais recentes do setor. A novidade é uma Double New England IPA produzida em parceria com Croma Beer e Trema Cervejaria.  Essa cerveja tem coloração alaranjada, turva e lupulagem intensa dos lúpulos americanos Enigma e Eclipse, além do aroma do Mosaic. A promessa é de sensação de frutas amarelas maduras e cítricas.

Dádiva
A Dádiva apresentou ao mercado uma novidade internacional. É a Insensatez, uma colaborativa feita em parceria com a cervejaria Totenhopfen, de Luxemburgo. O lançamento é uma Double IPA com quatro dry hoppings dos lúpulos Triumph, Chinook, Citra e Centennial. No seu aroma, as frutas amarelas e de caroço, como pêssego e manga, são muito presentes.

Goose Island
No clima do St. Patrick’s Day, a Goose Island aproveitou o mês de março para lançar uma cerveja sazonal, a The Irishman. A novidade lembra o Irish Coffee. Mas enquanto a bebida é composta de café, uísque irlandês e creme de leite batido, essa novidade é uma Irish Brown Ale com café, nibs de cacau e lactose. Com espuma cremosa, o aroma traz notas marcantes de café expresso e leve chocolate. O rótulo traz referências irlandesas, como o tradicional trevo, os pubs de Dublin, castelos feudais, cruz celta e a clássica taça do Irish Coffee.

Nacional
Em mais uma edição do Projeto Musas do Verão, a Nacional lançou, em março, a Desnuva, uma homenagem à variedade de uva nacional conhecida como Lorena. Trata-se de uma cerveja experimental, produzida com leveduras extraídas do mosto e do grão da uva Lorena, procedentes da Fazenda Viccas. Sara Valar, Vivian Vitorelli, Marina Asnis e Carola Carvalho foram as convidadas da marca para participação no projeto em 2023.

ØL Beer
A ØL Beer reformulou a receita da cerveja Loki, o que incluiu a adição de uma carga maior de lúpulos. Com isso, a Loki se tornou a nova American IPA da marca. A novidade está disponível em chope. “A Loki recebeu uma carga extra de lúpulos americanos, o que resultou em uma cerveja mais aromática, um pouco mais alcoólica, mas ainda leve e com alto drikability”, afirma a sócia-fundadora Isadora Neier.

Proa
A Proa Cervejaria acaba de lançar a segunda edição da série de cervejas Hops for Julia, cervejas criadas para homenagear as fases da vida da pequena Julia, filha da fundadora da marca, Debora Lehnen. A novidade tem o mesmo estilo da primeira versão, porém uma nova receita, para comemorar a fase em que Julia começou a engatinhar. A cerveja se chama Crawling. É uma cerveja aromática e de final seco, que leva os lúpulos Eldorado, Bravo, Amarillo e Idaho 7, que conferem um sabor complexo e harmônico, com notas de maracujá, manga e laranja. Tem teor alcoólico de 6,5%, cor dourada e brilhante, com uma espuma densa e cremosa.

Prussia Bier
A Prussia Bier aproveitou o mês de março para lançar uma cerveja feita com a ajuda da Inteligência Artificial. O ChatGPT foi usado para ajudar na definição da receita da Black IPA. É uma cerveja de cor escura, espuma esbranquiçada e cremosa, tendo forte sabor e aroma de lúpulo, enquanto apresenta um baixo caráter de malte torrado, contrariando o sentido visual, sendo cremosa, de amargor moderado, com 6,5% de teor alcoólico.

Grupo Petrópolis expande produção de lúpulo com plantio em Uberaba

O Grupo Petrópolis ampliou o seu projeto envolvendo a produção de lúpulo e o levou para Uberaba (MG). Na última semana, a companhia iniciou o plantio de mais de 5 mil mudas desse importante ingrediente cervejeiro em uma fazenda no interior da cidade mineira, onde está localizada uma das suas fábricas.

O plantio pelo Grupo Petrópolis em Uberaba se dará em uma área de aproximadamente 2 hectares, envolvendo mudas das variedades Comet e Cascade, representando uma ampliação do Programa do Lúpulo, iniciado em novembro de 2018 pela companhia.  

Leia também – Bioinsumo pode aumentar produção de lúpulo no Brasil, avalia estudo

Naquele momento, o Grupo Petrópolis começou o cultivo em Teresópolis (RJ). E isso se deu com o plantio de 21.400 mudas de lúpulo em uma área de 5,27 hectares na Fazenda São Francisco.

O cultivo em Uberaba já havia sido testado pelo Grupo Petrópolis, a partir de junho de 2021, em um projeto piloto realizado com o intuito de avaliar o comportamento da cultura em uma região com características de relevo e clima completamente diferentes aos da Serra Fluminense. E os resultados obtidos motivaram a decisão de expandir a plantação na cidade do interior mineiro, onde uma fábrica da empresa foi inaugurada em agosto de 2020.

“O projeto é um importante marco, porque estamos fortalecendo a cultura de engajamento com produtores locais para fomentar o cultivo de lúpulo no Brasil. E mais: o objetivo é colaborar para a evolução do setor cervejeiro nacional que ainda é muito dependente de insumos importados de modo geral”, afirma Diego Gomes, diretor industrial do Grupo Petrópolis.

A companhia já utilizou o lúpulo que cultiva na produção de cervejas, tendo sido a primeira a Black Princess Braza Hops, uma German Pilsner, fruto de um trabalho conjunto com o Centro Cervejeiro da Serra, em 2020.

Além disso, o lúpulo da empresa é comercializado no seu e-commerce, o Bom de Beer, em embalagens de 100 gramas, com foco em pequenos fabricantes de cerveja. O produto também passou a ser disponibilizado no formato peletizado.

Cerveja com ciência: Brindemos à colaboração – Parte II

Cerveja com ciência: Brindemos à colaboração – Parte II

Apresentamos na coluna anterior como a colaboração pode favorecer a indústria cervejeira por meio de uma breve revisão do que sabemos sobre o tema, especialmente a partir de estudos realizados em micros e pequenas cervejarias artesanais mundo afora. Como combinado, esta segunda parte aborda alguns aspectos práticos e exemplos de colaboração em diversos pontos da cadeia cervejeira, a partir de um recorte da cena de cervejarias artesanais independentes inglesas.

As informações pesquisadas para esta coluna se iniciaram a partir de um estudo de caso realizado sobre a Cloudwater. Trata-se de uma cervejaria artesanal moderna, com atenção para a qualidade de suas cervejas, tanto no que diz respeito à paixão, experiência, habilidades e sonhos de sua equipe, quanto pela utilização de ciência e técnicas de fabricação de última geração. Além disso, afirmam possuir o máximo respeito e confiança em relação aos ingredientes cultivados e processados por seus fornecedores. Um exemplo claro de colaboração interna e vertical à montante de sua cadeia de suprimentos com seus fornecedores.

A cervejaria investe nesta colaboração como seu diferencial, para apresentar sabores precisos e consistentes de uma cerveja para outra. Fundada em 2014, em Manchester, Inglaterra, iniciou sua primeira produção em 2015. Mesmo com uma curta trajetória, tem apresentado centenas de rótulos diferentes (o que motiva minha busca pela IPA perfeita : ). Os estilos apresentados vão dos clássicos aos imaginados, como, por exemplo,“A Persistência é Útil” (tradução livre), uma Imperial Stout com café.

Além da vasta gama de cervejas sazonais e capacidade de inovação, a Cloudwater colabora com algumas das melhores cervejarias do mundo, com intuito de produzir versões modernas de estilos clássicos. Essa é a forma que a cervejaria encontra para honrar os pioneiros que desenvolveram a indústria até aqui, sem perder seu foco na modernidade.

A cervejaria não terceiriza sua produção ou processo de embalagem. Seus equipamentos são fornecidos pela Premier Stainless Systems, líder global na fabricação de tecnologia para cervejarias, localizada em Escondido, Califórnia. O sistema da Cloudwater conta com uma adega de 840 hectolitros e 18 fermentadores que oferecem a precisão e consistência apontada como diferencial. Outro destaque da fabricação está em sua linha de enlatamento, fornecida pela Cask, empresa verdadeiramente global, com sede no Canadá, com mais de 1.800 clientes em 70 diferentes países.

Curiosamente, foi por meio de sua embalagem que conheci a colaboração da Cloudwater com outras quatro cervejarias artesanais independentes, todas Inglesas, a Good Karma Beer Co, a Rock Leopard Brewing, a Queer Brewing e a Eko Brewery.

A Good Karma Beer Co busca, como princípio, fazer parte de uma mudança de cultura em direção a uma sociedade mais sustentável, diversa e igualitária. Sua fabricação é direcionada para cervejas sem álcool, feitas tradicionalmente sem processos sofisticados ou que precisem de adições como lactose.

A Rock Leopard Brewing se apresenta como uma cervejaria inspirada no amor ao nobre gato couchant e pela música. Estão ainda em fase de acertar sua linha principal e encontrar um lar permanente para sua fabricação.

O projeto Queer Brewing começou em 2019, para dar visibilidade às pessoas LGBTQ+ dentro e ao redor da cerveja, com objetivos de fortalecer a comunidade, defender os direitos e arrecadar dinheiro para instituições de caridade LGBTQ+. A iniciativa partiu da fundadora Lily Waite, que reconhece uma falta significativa da comunidade LGBTQ+ no mundo da cerveja, numa indústria dominada por vozes masculinas cisgênero, heterossexuais.

A Eko Brewery foi fundada em 2018, com objetivo de produzir cervejas de sabor único inspiradas na cultura africana. Seus criadores, Anthony e Helena, foram inspirados pela cena da microcervejaria nos EUA e começaram a criar sua própria cerveja exclusiva. Suas pesquisas os levaram a descobrir técnicas e receitas tradicionais de fabricação.

Quando nossa coluna trouxe os aspectos teóricos, abordamos que a colaboração inicia quando um grupo de partes interessadas autônomas se envolvem em um processo interativo para solucionar um problema ou obterem benefícios. Este processo é estabelecido quando o grupo de partes interessadas usa normas, estruturas e regras compartilhadas para decidirem ou agirem em relação a situações específicas.

E que, desta forma, há dois elementos fundamentais para teoria da colaboração, objetivos entre as partes interessadas em relação às situações específicas e o processo interativo. Sobre as partes interessadas, entende-se que as empresas, organizações ou grupos têm interesses que são comuns ou diferentes, os quais são redefinidos ou alterados à medida que a colaboração contínua.

Agora que vocês conheceram estes casos, podemos visualizar como a prática tem confirmado a teoria. As partes interessadas neste recorte das cervejarias artesanais independentes Inglesas são representadas pelas cervejarias locais, seus fornecedores de matéria-prima (produtores rurais locais), empresas que processam a matéria-prima, fornecedores de equipamentos e embalagens (empresas globais), colaboradores internos, instituições de caridade voltadas à comunidade LGBTQ+, os consumidores, entre outros (poderíamos incluir informações sobre os varejistas, investidores, governo, mas não temos informação levantada neste momento).

Os motivadores que fazem estas partes interessadas interagirem, tanto em curto quanto longo prazo, são diversos. E nos mostra como a cadeia de cervejas artesanais é valiosa, envolve sonhos de empreendedores em manter tradições culturais de fabricação, busca pela qualidade, inovação contínua, expansão de negócios em cadeias globais para o mercado de equipamentos e embalagens (preferencialmente por meio de normas de controle e práticas de sustentabilidade), fortalecimento de produtores rurais locais, inclusão e apoio a diversidade, suporte a organizações de caridade, entre outros.

Espero que tenham apreciado estas informações e possam aprofundar mais sobre o assunto. A colaboração é, além dos pontos que tratamos aqui relacionados à qualidade e inovação, uma das principais capacidades de resiliência de qualquer organização ou cadeia de suprimentos. É reconhecida como essencial para desenvolver muitas outras habilidades e capacidades, como por exemplo, agilidade nos processos operacionais e acurácia nas decisões.

Com a colaboração e agradecimento a toda equipe do Guia, espero trazer mais sobre os benefícios da indústria cervejeira e contamos com seu interesse, querido leitor. Saúde!


Marcelo Sá é professor de gestão em operações, pesquisador na área de riscos e resiliência em cadeias de alimentos e bebidas, esposo e pai apaixonado por sua família. Em sua folga, pode ser facilmente encontrado com uma IPA ao seu lado.

Lollapalooza tem distribuição gratuita de Bud Zero ao público

O Lollapalooza Brasil se tornou uma grande plataforma para ações de marketing da Budweiser. Um ano após usar o festival para apresentar ao público a Bud Zero, a marca irá além nas suas iniciativas envolvendo sua cerveja sem álcool: ela será distribuída ao fim do dia da maratona de shows da décima edição nacional do Lollapalooza, que está sendo realizado no Autódromo de Interlagos, em São Paulo, desta sexta-feira até domingo.

Para atender o público, a Budweiser preparou enormes contêineres para a distribuição da Bud Zero, que estão localizados nas entradas e saídas do autódromo. Mas a ação envolvendo o festival e a cerveja sem álcool não se resumirá ao momento de término das apresentações. A marca também contará com seis carrinhos com a Bud Zero.

Leia também – Carnaval na Sapucaí recicla quase 10 toneladas de latas e entra no Guinness

Por lá, a Bud Zero terá preço especial: R$ 8. É um valor bem abaixo do cobrado pelas cervejas com álcool – durante o festival, a Budweiser sairá por R$ 15, a Becks está custando R$ 18 e o preço da Goose Midway está em R$ 20. O valor pago nos refrigerantes também é maior: R$ 12.

“Estamos felizes em sermos a marca que promove grandes encontros e experiências tão completas no festival, trazendo iniciativas para surpreender as pessoas dentro e fora do autódromo de Interlagos. A Bud Zero nasceu no ano passado, tem conquistado o paladar dos brasileiros e, agora, queremos levar ela diretamente para os fãs de música, como Budweiser”, comenta Harry Racz, gerente regional de marketing da Ambev.

Em março de 2022, quando o Lollapalooza marcou a volta dos grandes festivais ao Brasil, a Budweiser aproveitou o evento para lançar a Bud Zero no país. A cerveja sem álcool é feita a partir da receita original da Budweiser. Além disso, possui apenas 65 calorias na sua versão em long neck, de 330ml, e 69 calorias na latinha de 350ml.

BudX
A distribuição de Bud Zero não será a única iniciativa de marketing da Budweiser no Lollapalooza. Durante os três dias de festival, o BudX, espaço localizado em frente ao palco principal, contará com o BudStudio, que promoverá encontros musicais. Os convidados, entre eles Ludmilla, Xamã e Negra Li, terão momentos de rodas de conversas, debates e interação com o público, com transmissão ao vivo pelo TikTok da marca.

Setor cresce no Espírito Santo com novas marcas e sucesso em premiações

A tradição cervejeira do Brasil está fincada em estados como Rio Grande do Sul, São Paulo e Santa Catarina, mas a produção tem se espalhado por outras regiões. Despontando nesse cenário, o Espírito Santo vem ganhando destaque, tanto pelo aumento de opções, como pela qualidade da cerveja.

Por lá, houve significativo crescimento no número de cervejarias, com expansão média anual de 53,5% no período de 2017 a 2021, de acordo com a última edição do Anuário da Cerveja, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). O levantamento apontou que o Espírito Santo foi o estado com maior expansão de unidades produtivas no período de cinco anos.

Leia também – Marcas usam tradição vinícola do Brasil na busca por excelência na Grape Ale

Já a produção de qualidade pôde ser atestada na edição mais recente do Concurso Brasileiro de Cervejas. Em uma disputa dominada por marcas da região Sul, só a capixaba Três Torres conseguiu um espaço entre elas, ficando em um Top 5, com a quarta melhor cerveja de toda a disputa, a Hop Red, uma Red Ale.

Localizada em João Neiva, uma cidade de apenas 17 mil habitantes, de acordo com o Censo de 2014, e a 70 quilômetros da capital Vitória, a Três Torres faz parte do crescimento do setor na região. Fundada em 2019, a marca entrou no mercado quando o estado tinha apenas 34 cervejarias registradas, número que saltou para 57 em 2021. Mas, muito além de acompanhar esse salto quantitativo, a Três Torres também evidencia o crescimento qualitativo da cerveja no Espírito Santo, o que passa por investimentos, planos de expansão e premiações.

Melhor cervejaria do Espírito Santo na competição em Blumenau, a Três Torres, que faturou três medalhas, também vem passando por um processo de expansão. “Abrimos [em 2019] com capacidade de produção de 6 a 8 mil litros/mês. Temos expandido de lá para cá e no ano passado fechamos com uma capacidade de produção de até 40 mil litros/mês, batendo 35 mil litros/mês em alguns meses”, afirma Fabrício Torri, um dos sócios da marca.

O espaço também cresceu, com restaurante e bar, além de uma growler station no estacionamento da cervejaria. E não deve ficar nisso. Ao longo de 2023, o plano envolve a ampliação da área fabril para acrescentar produtos envasados em latas e garrafas ao portfólio, já que a cervejaria ainda não tem essas versões. “Hoje, os nossos produtos são vendidos praticamente 99% em barril. Claro que dessa parte de barril também vende parte em growlers porque temos a growler station”, completa.

Além de aumentar a área fabril e a planta de envase, a cervejaria também está investindo na criação de uma destilaria para a produção de uísque, vodca e gin. “Criamos uma área subterrânea de 200 metros quadrados embaixo do restaurante que vai servir de adega”, conta Torri.

Crescimento do setor no Espírito Santo
Além da expansão no número de cervejarias, o Espírito Santo teve, em 2021, a maior média de marcas por registro de cerveja em 2021, alcançando 2,17 marcas para cada produto registrado. E esse desenvolvimento regional é um dos principais motivos para os investimentos da Três Torres, que cresceu cerca 60% entre 2021 e 2022.

A explicação para essa expansão do setor no Espírito Santo passa pela busca, por parte do consumidor, por produtos artesanais, de qualidade, com características locais e mais frescos. “Buscamos acompanhar esse crescimento do mercado de forma orgânica e saudável. Precisamos fazer os investimentos, mas ao mesmo tempo não dá para sair fazendo loucuras”, enfatiza o sócio da Três Torres.  

A cervejaria
A Três Torres é um estabelecimento familiar formado pelos três irmãos e sócios: Vagner, Regina e Fabrício. O nome da cervejaria tem inspiração no sobrenome da família – Torri – de origem italiana. Mas as escolas americana e inglesa são as que predominam nas criações.

“Nosso foco é voltado para a escola americana, com cervejas lupuladas.  Produzimos a Juice IPA, a New England IPA e outras versões, como a American Pale Ale, que é mais um clássico. E, além disso, também fazemos um pouco de escola inglesa, com os estilos Imperial Porter e o Imperial Stout”, explica Torri.

A marca, porém, não esquece tradições locais. Assim, a Imperial Stout da marca é a versão maturada com café arábica da região. “Esse café arábica é da nossa região, o café do jacu. Tem toda aquela característica do pássaro se alimentar do café lá na lavoura, depois esse café sai coletado e processado. É considerado café um dos cafés mais exóticos do mundo e a gente tem um rótulo chamado Jacu”, diz.

Há, claro, também espaço para os rótulos premiados em Blumenau, todos de estilos de origem na escola americana. A Hop Lager, ouro entre as India Pale Lager, a Johnny IPA, prata entre as IPAs, e a Hop Red, ouro entre as Amber/Red Ales e quarta melhor entre todos os rótulos do concurso. “É uma cerveja que tem sempre destaque na nossa prateleira pelo fato de também já ter sido premiada em anos anteriores”, diz Torri.