Início Site Página 138

Lançamentos da myTapp usam WhatsApp e PIX para agilizar pagamentos em bares

A aceleração da criação de soluções digitais em meio ao período da pandemia, o que inclui o surgimento de novas formas de pagamento, já pode ser percebida pelo público que retorna aos ambientes presenciais. Neste cenário, a myTapp, empresa que fornece produtos de autosserviço, reforça a gama de opções no mercado cervejeiro com três lançamentos que prometem facilitar os pagamentos, inclusive por PIX, aos bares e restaurantes, oferecendo conforto e agilidade aos consumidores. São eles: o Chatbot para Cadastro e Recarga com PIX via Whatsapp; Recargas com PIX via webapp myTapp PIX e o pagamento com PIX no App myTapp.

O CEO da myTapp, Mateus Bodanese, destaca que a companhia focou na melhora da experiência do cliente nos bares ao desenvolver essas soluções tecnológicas, também apostando no PIX, um meio de pagamento eletrônico instantâneo e gratuito surgido no fim de 2020 e que tem se popularizado ao longo dos meses.

Leia também – Menu Degustação: Poesia na Landel, bar da Dutra Beer, concurso no México…

“Esses lançamentos facilitam para o cliente continuar consumindo chope sem precisar enfrentar fila e tendo um controle de quanto está gastando. Muitas pessoas não têm acesso a cartão de crédito e o PIX ganhou muita adesão também por esse motivo”, afirma Bodanese.

O Chatbot para Cadastro via Whatsapp da myTapp possibilita ao consumidor fazer o cadastro no bar antes mesmo de chegar no local. Assim, o cliente só vai precisar apresentar o documento com CPF para retirar o cartão-consumo vinculado à sua conta, evitando as filas nos estabelecimentos.

O Pagamento e Recarga via PIX no Chatbot da myTapp possibilita ao cliente fazer a primeira carga de créditos antes mesmo de pegar o cartão consumo no caixa.  Além disso, a partir do momento em que estiver logado no estabelecimento, o cliente terá a opção de consultar o saldo e adicionar crédito via PIX. E se o sistema do bar para as contas for pós-pago, o Chatbot disponibilizará um código PIX para o pagamento da comanda. O Chatbot também ajuda a localizar o estabelecimento mais próximo ou aquele preferido pelo consumidor.

Já o Pagamento e Recarga via PIX em um Web App possibilita ao cliente do bar efetuar a recarga de créditos no cartão-consumo em poucos passos: cadastro no sistema, escolha do estabelecimento, definição do valor a carregar e pagamento via PIX.

Para o CEO da myTapp, as novidades trazem praticidade aos bares por deixar funcionários livres para a realização de funções que não envolvam o pagamento pelos clientes, assim como facilita o controle da operação.

“O estabelecimento não precisa disponibilizar mão de obra para recarga ou para o cadastro e consegue ter seus funcionários focados em outras atividades que possam melhorar ainda mais o atendimento. Por reconhecer o pagamento de forma automática, também garante um controle mais preciso da operação, além de relatórios financeiros e de consumo fiéis”, diz.

A myTapp também acredita que os seus lançamentos atendem a um mercado que foi se modificando ao longo da pandemia. Agora, com o avanço da vacinação e o fim de diversas restrições, o público encontrará estabelecimentos que alteraram a forma de se relacionar com os clientes.

“Empresas que não vendiam via internet, precisaram se adaptar. Além disso, foi lançado o PIX no Brasil durante esse período, o que facilitou muito os pagamentos em geral.  A myTapp aproveitou essa oportunidade e tendência e melhorou a maneira com que o cliente pode carregar créditos, além de apostar também no WhatsApp, que vem sendo mais utilizado após o início da pandemia. As pessoas estão retornando aos bares e sempre em busca de novidades. Assim, os lançamentos vieram na hora certa”, conclui o CEO da companhia.

Catharina Sour pode abrir caminho para consolidar identidade cervejeira

0

A entrada da Catharina Sour no no Beer Judge Certification Program (BJCP), considerado o principal guia de estilos do mundo, pode ser apenas um começo para a cerveja  do Brasil. Especialistas ouvidos pelo Guia, apontam a possibilidade de o segmento aproveitar esse reconhecimento e conquista para conseguir mais espaço no mercado internacional, consolidar a sua identidade no segmento e, eventualmente, realizar novas criações.

Certo mesmo é que o reconhecimento da Catharina Sour é um incentivo à inventividade no setor cervejeiro. E da criatividade dos mestres-cervejeiros, imagina-se, podem surgir subestilos, criados a partir do original, ou mesmo outros estilos brasileiros que carreguem as características nativas.

Leia também – Rússia sem Bud, feira cancelada, fábrica atingida: Confira impactos da guerra

O jornalista e sommelier Luis Celso Jr. acredita que o reconhecimento a um primeiro estilo brasileiro é um ponto de largada e uma oportunidade para o setor se mostrar mais, conseguindo consolidar a própria cultura.

“A Catharina é o ponto inicial da cultura, para criar estilos e tendências, ficando antenado com o que está acontecendo no mercado. Poderemos mostrar mais a cerveja nacional para o mundo e todo o Brasil. E isso estimula o mercado. Espero que logo tenhamos mais estilos aparecendo, porque isso demonstra maturidade do mercado, evoluindo para construir uma identidade nacional cervejeira”, diz.

A sommelière Fabiana Arreguy também aponta o reconhecimento de um estilo nacional como uma oportunidade para fomentar o setor no Brasil com eventos, além de permitir a criação de uma identidade para a cerveja nacional.  “Pode-se criar festivais nacionais de Catharina Sour, como já acontece com as IPAs nos Estados Unidos. Concursos específicos para o estilo, abrindo portas para que cervejarias de fora do Brasil queiram produzi-lo também. O importante é o nome do Brasil passar a ser reconhecido por um tipo de cerveja com a cara do país”, diz Fabiana.

Técnica de cultura cervejeira da Estrella Galicia, Madu Victorino aponta ser crível imaginar a cerveja tipicamente brasileira conquistando mais espaço no mercado internacional. Além disso, há uma aposta na maior união em torno de estilo. Algo, por exemplo, visto no movimento Toda Cerveja, que lançou, recentemente, 64 rótulos de Catharina Sour de uma vez. “É possível pensar no aumento do investimento em exportação dos nossos produtos, especialmente àqueles com insumos tipicamente brasileiros”, comenta.

É uma visão parecida com a apresentada por Diego Dias, sócio-proprietário da Implicantes. Ele ressalta que marcas de fora do Brasil já começam a produzir rótulos do estilo Catharina Sour. E prevê que isso se transformará em mais espaço para as cervejarias brasileiras. “Muitas cervejarias internacionais estão aderindo a esse estilo. Eles estão atentos a essas novidades, estão fazendo colaborativas com brasileiros. Com certeza, teremos maiores produções fora do Brasil”, afirma.

Já Sady Homrich, engenheiro químico, cervejeiro caseiro e baterista do Nenhum de Nós, avalia que a presença da Catharina Sour no renomado guia de estilos se transformará em mais criatividade nas produções, especialmente de quem produz a bebida de modo caseiro.

“O BJCP é um guia destinado aos homebrewers, como ferramenta de compreensão, aprendizado, qualificação e repetibilidade. Me parece que a inclusão do primeiro estilo brasileiro trará grande incentivo aos cervejeiros caseiros para a criatividade e acuidade técnica”, aponta.

O reconhecimento pelo BJCP também resolve um impasse burocrático, pois permite o registro de rótulos do estilo Catharina Sour no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, como lembra Fabiana. “A partir de agora não será mais necessário usar subterfúgios como Sour Fruit Beer, cerveja Sour com frutas como vinham sendo rotuladas as cervejas Catharina Sour em nosso mercado”, destaca.

Triplamente filtrada e com malte de mel americano, Budweiser testa nova versão

A Anheuser-Busch começou a testar em alguns mercados dos Estados Unidos uma nova versão da Budweiser. Se trata da Budweiser Supreme, lançada pela companhia em cidades dos estados de Nova York, Ohio, Califórnia e Texas, além da capital Washington. E está sendo definida, em campanhas de marketing, como um “clássico americano, repaginado”.

De acordo com a descrição divulgada pela companhia, as principais novidades em relação ao seu mais conhecido rótulo são que a Budweiser Supreme é uma cerveja triplamente filtrada, além de ter sido fabricada com malte de mel americano, o American Honey Malt.

Leia também – Menu Degustação: Poesia na Landel, bar da Dutra Beer, concurso no México…

Porém, utiliza a mesma levedura do rótulo tradicional. Além disso, a Budweiser Supreme possui 4,6% de graduação alcoólica, pouco menos do que os 5% da cerveja que inspirou essa criação.

“Usamos nossa icônica levedura Budweiser, mas estamos mudando um pouco as coisas em alguns dos outros ingredientes e garantindo que isso realmente termine bem. Pega um pouco de notas cítricas, mas definitivamente pega algumas notas de levedura vindas da Budweiser”, afirma Rob Naylor, diretor de inovações de produtos da AB InBev.

A companhia assegura que esta aposta na Budweiser Supreme não é temporária, como se deu com os rótulos da série Reserve, que foram sazonais, garantindo ser este um rótulo que veio para ficar, até por ser mais leve, apostando existir espaço no mercado para esse tipo de Lager.

“No passado, lançamos extensões mais ousadas e com teor alcoólico mais alto – várias delas através da série Reserve que eram ótimas opções por tempo limitado, mas não tão permanentes apenas porque não são tão bebíveis”, diz Daniel Blake, vice-presidente de marketing da AB InBev.

Essa aposta no longo prazo foi usada, inclusive, como justificativa pela marca para o lançamento da Supreme apenas em alguns mercados, antes de expandi-la para todos os Estados Unidos. “Estaremos muito focados em termos de distribuição, os tipos de contas em que o produto aparece e em construir a marca ao longo do tempo. Nós realmente queremos construir a Supreme de forma orgânica e natural. É algo que eu espero estar por perto por muitos e muitos anos. Esta não é uma oferta por tempo limitado”, acrescenta Blake.

A Budweiser é uma das cervejas mais tradicionais existentes no mercado, tendo começado a ser fabricada em 1876. Hoje, porém, ainda que seja uma das cervejas mais populares no mercado dos Estados Unidos, perdeu espaço para outros rótulos, a ponto de a Bud Light ser a mais vendida no país.

Brasil Brau anuncia atrações, fecha parceria com ICB e abre credenciamento

Um dos maiores eventos do setor, a Brasil Brau anunciou as atrações que vão marcar a realização da feira em 2022, agendada para o período de 30 de maio a 1º de junho, e abriu o credenciamento para os interessados em participar e acompanhar o encontro, marcado para o São Paulo Expo.

O credenciamento online, mediante comprovação de vínculo com o mercado cervejeiro, deve ser realizado pelo site da Brasil Brau. Outra opção é a compra de ingresso, que estará aberta a partir de abril. Será também no próximo mês em que vão ocorrer as inscrições para o IV Prêmio de Gestão de Negócios em Cerveja.

Leia também – Cerveja, plástico e oceanos: Como a poluição do mar afeta o meio ambiente e a pesca

O evento já tem mais de 100 marcas confirmadas. Elas irão expor novidades em acessórios, equipamentos e insumos cervejeiros para um público esperado de cerca de 6.500 visitantes, que terão acesso a diversas atrações.

A Brasil Brau contará com o seu tradicional congresso, mas dessa vez com a curadoria do Instituto da Cerveja Brasil (ICB). Toda a curadoria da grade de palestras será feita por Alfredo Ferreira, Estácio Rodrigues e Kathia Zanatta, o trio à frente da escola. A ideia é promover debates sobre novidades, desafios, técnicas e tendências do setor cervejeiro pós-pandemia, com a participação de profissionais de renome.

O Prêmio Brasil Brau de Gestão de Negócios em Cerveja tem o intuito de incentivar a valorização e profissionalização das marcas, destacando a gestão do negócio de cervejas, em médio e longo prazo. As categorias da premiação serão: Design de Embalagem, Comunicação da Cultura das Cervejas, Responsabilidade Social e Sustentabilidade.

O Brewer Lounge, espaço presente no evento pela primeira vez na edição de 2019, será dedicado à apresentação de conteúdos, unindo técnica e degustação. Em um dos painéis que já teve a sua programação definida, a Dádiva vai falar sobre cerveja sem álcool e soluções inovadoras em levedura natural, desenvolvidas pela CHR Hansen.

Corona é a marca de cerveja mais valiosa do mundo, aponta consultoria

0

A Corona é a marca de cerveja mais valiosa do mundo. Mesmo com a infeliz coincidência que associa o seu nome com a pandemia iniciada em 2020, a cervejaria mexicana consolidou esse status, de acordo com o relatório anual divulgado pela Brand Finance, uma consultoria de avaliação de negócios e estratégia.

O relatório, denominado Alcoholic Drinks 2021, aponta a Corona com valor de mercado de US$ 5,822 bilhões, o que a coloca como líder do ranking entre as marcas de cerveja. Teve, porém, uma queda expressiva, de 27,8%, em relação aos US$ 8,522 bilhões do documento de 2020. Mas manteve a dianteira da lista, ocupada desde 2019.

Leia também – Cerveja, plástico e oceanos: Como a poluição do mar afeta o meio ambiente e a pesca

A queda do valor de mercado da Corona, apontada pelo ranking da Brand Finance, também se deu com outras marcas de cerveja no ano passado. Tanto que se o somatório das 50 mais bem colocadas na lista ficou em US$ 94,9 bilhões no relatório de 2020 – e caiu para US$ 80,2 bilhões na relação de 2021.

De acordo com o relatório, isso se deu pelos efeitos da pandemia do coronavírus, com as medidas de distanciamento social e lockdown em diversos países do mundo no ano passado, diminuindo a demanda global por cervejas e demais bebidas alcoólicas.

“A pandemia, sem dúvida, forçou mudanças nas marcas de cerveja do mundo, que lutaram com mudanças significativas no estilo de vida dos consumidores provocadas pelas limitações na interação social. Marcas com forte reputação existente e bons níveis de familiaridade entre os consumidores são as mais preparadas para enfrentar a tempestade”, afirma Richard Haigh, diretor administrativo da Brand Finance.

As quatro primeiras colocadas da lista são as mesmas do ranking de 2020, com a Heineken em segundo lugar, com US$ 5,646 bilhões, à frente da Budweiser, em terceiro, e da Bud Light, em quarto. O Top 10 é completado por cervejas que ascenderam na lista. São elas, em ordem, a chinesa Snow, a mexicana Modelo, a japonesa Kirin, a norte-americana Miller Lite, a Asahi, também do Japão, e a Coors Light, dos Estados Unidos.

Asahi e Coors Light, aliás, ascenderam ao seleto grupo das dez marcas de cerveja mais valiosas, tirando dessa relação a chinesa Harbin, agora em 12º lugar, e a mexicana Victoria, na 14ª posição.

Marcas em ascensão
Também houve quem ganhou valor de mercado entre as marcas de cerveja em 2021. A Michelob, de origem belga, teve o maior crescimento, de 13 posições, para a 34ª da lista, ao aumentar o seu valor de mercado em 39%, para US$ 1,2 bilhão. Ao comentar essa expansão, a Brand Finance cita uma ação de marketing lançada no ano passado, nos Estados Unidos, em que as pessoas recebiam cerveja grátis se comprovassem a realização de exercícios físicos, denominada “Ultra Beer Run”.

Outras ascensões relevantes foram da marca australiana XXXX , que atingiu os US$ 743 milhões, crescendo 37% e subindo da 50ª para a 35ª posição, e da espanhola Estrella Damm, que expandiu 31%, para US$ 1,0 bilhão, saltando do 35º para o 24º lugar.

Já as maiores perdas foram da Harbin, de 45,8%, da mexicana Dos Equis XX, de 32,3%, e da Bud Light, de 31,4%.

Outra mexicana é a marca de cerveja mais forte
A Brand Finance também realizou um levantamento sobre as marcas de cerveja mais fortes, com uma pontuação de 0 a 100, que utiliza métricas como investimento em marketing, patrimônio e desempenho dos negócios.

E a mexicana Victoria saltou dez posições no ranking para se tornar a marca de cerveja mais forte do mundo, com uma pontuação de 87,8 pontos. É, aliás, a mais tradicional cerveja do portfólio do Grupo Modelo, de propriedade da AB InBev.

E o Brasil?
Ainda que nenhuma marca de cerveja de origem brasileira esteja entre as dez mais valiosas no ranking da Brand Finance, o país está bem posicionado na lista. São três marcas entre as 30 principais do mundo, todas da Ambev.

A Skol ocupa o 11º lugar, com US$ 2,3 bilhões, seguida pela Brahma, na 18ª posição, com valor de marca de US$ 1,4 bilhão, e pela Antarctica em 30º, com US$ 873 milhões. Já na relação das marcas mais fortes, a Skol é a segunda colocada, com 87,3 pontos, com a Brahma em quarto lugar, com 84,9.

Balcão do Baierle: A evolução do lúpulo brasileiro

Balcão do Baierle: A evolução do lúpulo brasileiro

As chopeiras ainda nem esquentaram. E olha que na segunda edição do Festival Nacional da Colheita do Lúpulo, o consumo de chope foi intenso. Além de chope tivemos também muitas palestras relacionadas ao lúpulo. Assim, podemos ter uma noção do que aconteceu neste ano que passou, desde a primeira edição do festival com o lúpulo produzido em solo brasileiro.

O lúpulo do Brasil ainda é um bebê engatinhando pelo vasto solo do nosso país, com todos os seus climas e microclimas, dos mais variados tipos possíveis. Como principais progressos nestes últimos 12 meses posso destacar:

– Aumento expressivo no número de cultivadores de lúpulo: os principais estados em termos de área cultivada são São Paulo, Santa Catarina, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul.

– Aumento no tamanho das áreas: projetos maiores têm saído do papel e áreas de 3 a 10 hectares estão sendo instaladas pelo país, principalmente em São Paulo e Santa Catarina

– Turismo lupuleiro: várias iniciativas em todo o país têm agregado renda aos produtores de lúpulo, uma ótima alternativa enquanto as plantas estão amadurecendo e aumentando a produção de flores.

– Variedades nacionais: temos hoje, no Brasil, pelo menos três programas de melhoramento genético, uma iniciativa fundamental para o futuro do lúpulo brasileiro, pois, com variedades mais adaptadas, teremos maiores produções e a descobertas de lúpulos únicos com terroir tupiniquim. Vem coisa boa por aí…

– Aumento no número de pesquisas relacionadas ao cultivo e química de lúpulo: mais instituições e pesquisadores têm mostrado interesse em pesquisar o lúpulo nacional, algo fundamental para um futuro de sucesso. Porém, ainda faltam órgãos como, por exemplo, a Embrapa entrarem no jogo de forma mais efetiva.

– Qualidade do lúpulo: o lúpulo brasileiro já provou a todos que tem qualidade. E neste último ano isso não foi diferente, com mais plantios em diversos estados atingindo padrões de qualidade similares ou superiores aos lúpulos importados.

– Desenvolvimento de máquinas: as empresas mostraram novas máquinas, principalmente para a colheita das flores, algo fundamental para possibilitar retorno financeiro ao produtor.

– Importação de máquinas alemãs para colheita do lúpulo: estão entrando no Brasil máquinas alemãs usadas (e reformadas) que vão alavancar a colheita de lúpulo e possibilitar o cultivo de grandes áreas, maiores do que 10 hectares.

– A produção de cervejas com lúpulo nacional está em evidência e as cervejarias estão procurando por lúpulo nacional para a produção de cervejas usando as flores brasileiras na sua composição.

– Uso de suplementação luminosa: o uso de lâmpadas na lavoura para controlar a planta tem se mostrado muito promissor em termos de produtividade e qualidade do lúpulo. Essa é uma tecnologia muito importante, pelo menos enquanto as variedades nacionais mais adaptadas ao nosso clima não estejam prontas.

– Profissionalização dos viveiros de mudas: mudas de procedência inquestionável e livre de doenças são fundamentais, e os viveiros têm cumprido seu papel na cadeia.

Foi um ano intenso para o lúpulo brasileiro, e não poderia ser diferente com essa planta que pode crescer mais de 20 centímetros em um dia. O caminho é árduo, mas o futuro será glorioso. O lúpulo brasileiro é realidade.


Rodrigo Baierle é engenheiro agrônomo e especialista em genética de plantas e lúpulo. Atua como produtor de lúpulo na Lúpulos 1090, sendo consultor para produtores de lúpulo. É o idealizador do Festival Nacional da Colheita do Lúpulo.

Em nova sede, Beer4U Vila Madalena ganha formato de bar como atrativo

Prestes a completar dez anos de mercado, a Beer4U Vila Madalena, a mais tradicional unidade da rede em São Paulo, precisou mudar de endereço. O estabelecimento, antes localizado na rua Cristóvão de Burgos, na Vila Madalena, foi vendido para uma incorporadora, e obrigou o seu dono a procurar uma nova sede, que foi inaugurada e está operando em formato diferente, proporcionando um ambiente de bar, no mesmo bairro, na rua Paulistânia.

A mudança de endereço ocorreu em consequência da especulação imobiliária, que vem alterando de forma expressiva a paisagem urbana da capital paulista e, especificamente, tornando a Vila Madalena mais verticalizada, com a construção de edifícios.

Leia também – Presidente da Febracerva, Marco Falcone assume Câmara Setorial da Cerveja

A nova sede da Beer4U Vila Madalena tem espaço menor do que o disponível no estabelecimento anterior, onde ostentava em suas prateleiras mais de 500 rótulos de cervejas artesanais. Em compensação, a troca forçada de local está proporcionando aos clientes uma experiência mais completa do clima de um bar, como ressalta Ériton Soares, sócio da Beer4U.

“No endereço novo, temos um espaço para explorar tap house e beerstore, em um local com mais cara de bar. Estamos fechando parcerias também com food trucks, pois têm espaço para ficar na frente da loja. Assim, houve uma mudança na forma de operar o negócio. Antes tínhamos maior espaço interno, com mais gôndolas para as cervejas. E nesta nova sede a gente tem uma atmosfera mais propícia para um bar”, destaca Ériton.

“Agora a gente pode abrigar 20 pessoas na área externa e receber algo em torno de 26 ao total, contando as áreas interna e externa, onde podemos colocar as mesas. A gente perdeu por um lado, de não poder mais oferecer todos os rótulos que a gente oferecia (dentro da loja, por falta de um espaço maior), mas ganhamos um ambiente de bar”, reforça.

Ériton assegura, porém, que conseguiu manter o padrão de serviços que oferecia aos seus clientes na antiga casa. “Na nova sede, nós mantivemos as 20 torneiras de chope que tínhamos na outra, com sete rótulos da casa, mantendo uma variedade de estilos de cerveja”, afirma.

Depois de ter começado a suas atividades apenas como um e-commerce em 2012, a Beer4U inaugurou a sua primeira loja física no ano seguinte, justamente na Vila Madalena, com uma meta de expansão, objetivo que foi conquistado após o sucesso inicial alcançado com as vendas pela internet.

Desde então, a Beer4U construiu uma trajetória que lhe deu um papel importante na cena de cervejas artesanais em São Paulo. Para isso, como destaca Ériton, buscou tentar disponibilizar este tipo de produto com custo mais atraente ao consumidor. Um dos marcos, como ele recorda, foi a Black Friday, com compradores fazendo fila na porta da loja antes de sua abertura, à meia-noite da última sexta-feira de novembro.

“A gente lutou muito pela democracia de preço, o tornando mais acessível ao consumidor. É uma importância de pioneiro. Neste 2022, completamos 10 anos de mercado, e, neste período, conseguimos trazer muita coisa para os clientes, como a Black Friday, que sempre foi imbatível. E isso também com eficiência no e-commerce, mandando cerveja para o Brasil inteiro quando ninguém fazia isso”, enfatiza Ériton

O sócio da Beer4U garantiu a continuidade do compromisso de continuar tentando oferecer cervejas com preços competitivos, inclusive para os clientes que consomem chopes nas lojas. Mas reconhece que a cotação desfavorável do real em relação ao dólar e a crise financeira do país têm impactado o seu negócio. Além disso, o faturamento, que caiu com o nível da pandemia do coronavírus, não recuperou o nível de outrora.

“Sempre tivemos essa fama de oferecer preços acessíveis, mas a retomada que a gente espera agora é muito mais econômica do que pela pandemia. O grande ponto que a gente está esperando é que o pessoal volte para a rua, mas que volte com dinheiro. Pela própria experiência que tenho como consumidor, eu posso falar que o cliente não deixa de tomar a cerveja, mas diminui o consumo. Se antes ele ia duas vezes na semana no bar, agora ele vai uma só”, analisa o sócio da Beer4U, animado com as perspectivas no novo endereço da unidade da Vila Madalena, no número 450 da rua Paulistânia.

Menu Degustação: Poesia na Landel, bar da Dutra Beer, concurso no México…

0

O público cervejeiro não pode reclamar de novidades e atrações no segmento nos últimos dias. Afinal, são diversas possibilidades para todos os gostos, como nesse fim de semana, quando a Landel vai realizar, em Campinas, o Pint Poesia Day, com a participação das Manas Escritas, enquanto a Dutra Beer estará inaugurando o seu bar em Santo André.

Em outra frente, mas também em território paulista, a Everbrew realiza tour pela sua fábrica em Santos, inclusive levando o público paulistano para lá. E as cervejarias que pretendem alçar voos mais altos podem se inscrever para participar de um concurso internacional no México, o Aro Rojo.

Leia também – Seasons reedita trio de cervejas premiadas e atende pedido do público

Confira estas e outras novidades do setor no Menu Degustação do Guia:

Itens para casa do Zé Delivery
O Zé Delivery e a Brahma criaram  a campanha “Lar, Cremoso Lar”. Nesta promoção, os consumidores concorrem a itens exclusivos para decorar a casa, com Rafa Kalimann dando voz e vida a um filme da campanha lançado nas redes sociais das marcas e em ativações digitais. Para participar da promoção, válida até o dia 28, é só comprar ao menos R$ 30 de Brahma no Zé, acessar o site da campanha, cadastrar-se e concorrer a prêmios exclusivos, como sofá, cooler, geladeira, churrasqueira portátil e um ano de Brahma grátis no aplicativo.

Promoção da Semana do Consumidor
O Zé Delivery também resolveu comemorar o Dia do Consumidor (14 de março) com presentes para o público. A partir da data, o aplicativo passou a oferecer um cartão presente com descontos de até 20%. Ele dá direito a todos os produtos do Zé Delivery (dentro do valor limite) como refrigerantes, sucos, água, cervejas, destilados, bebidas prontas, petiscos e até itens de conveniência como carvão e gelo. A promoção é válida para os primeiros 8.500 vouchers, que devem ser utilizados até 1º de abril.

Budweiser no Lollapalooza
Cerveja oficial do Lollapalooza Brasil, que será realizado de 25 a 27 de março, no Autódromo de Interlagos, em São Paulo, a Budweiser vai trazer para o Brasil neste ano o BUDX, uma plataforma global de experiência da marca que une mentes criativas de todo mundo. A iniciativa trará 100 creators – da música, das artes, da moda e dos esportes – para a produção de conteúdos especiais, levando o que acontece dentro do festival para todos os lugares. Além disso, o espaço vai contar com a presença de grandes artistas em encontros presenciais.

Vida do DJ Alok
A Black Princess lançou um projeto que conta histórias de vida e momentos da carreira do DJ Alok, parceiro da marca. Está disponível, nas redes sociais da Black Princess e no Youtube do DJ, o minidocumentário, criado pela BETC Havas, intitulado “Histórias Não Contadas”. Dividido em dez episódios, que vão ao ar semanalmente, às sextas-feiras, o conteúdo foca na rotina de shows de Alok,

Bar da Dutra Beer
Agora a Dutra Beer tem um espaço para chamar de seu: um novo bar. A casa, que fica no centro de Santo André (SP), vai oferecer as cervejas da marca em lata, garrafa e chope. Mas é também um espaço cultural para oficinas, lançamento de livros, sarau, roda de conversas, exposições e palestras. Em breve a lojinha da marca também estará pronta, com mais exemplares de livros da editora Expressão Popular e alimentos orgânicos oriundos da agricultura familiar, via Armazém do Campo, parceiro da Dutra Beer.

Patrocínios da 040
A Cervejaria 040 estará em alguns dos principais eventos nacionais e internacionais de mountain bike, ciclismo de estrada, corrida de obstáculos, escalada e crossfit em 2022, como patrocinadora. O destaque do ano é a etapa da Mountain Bike Word Cup que será realizada em Petrópolis (RJ) entre os dias 7 e 10 de abril. Trata-se da primeira vez em que uma etapa do circuito mundial vai acontecer no Brasil. Além disso, apoiará L’Etape by Tour de France, CIMTB, Desafio Brou, Iron Biker, Bravus Race e Bop Games. Seu objetivo, com isso, é ser identificada como a empresa líder nos momentos de celebração e confraternização entre as pessoas.

Poesia na Landel
O tap house da Landel, em Campinas (SP), será palco do evento “Pint Poesia Day” no sábado, a partir das 18 horas, com ação de flash poesia das irmãs Lívia Mota e Natália Moreti, as Manas Escritas. Além do encontro com poesia, a Landel vai apresentar sua nova cerveja: a Tropicália, uma receita inspirada em uma New England clássica, mas que teve frutas amarelas adicionadas ao invés dos lúpulos de aroma. O evento com escrita ao vivo e versos de poesia feitos na hora na Landel será também acompanhado por música ao vivo com a cantora Maya, com um repertório que irá agradar os amantes de rock, de AC/DC, Queen, Aerosmith e Oasis aos hits dos anos 2000

Tour na Everbrew
A Everbrew está com um tour na sua fábrica, no Mercado Municipal de Santos (SP). Com o nome de Fest Tour, o evento terá cerveja liberada, petiscos, banda e, para quem ficar à noite, 20% de desconto na conta no Everpub. O Fest Tour acontecerá uma vez por mês e o primeiro será neste domingo (19), das 15h às 18h, com a presença da dupla musical Gibi e Jr Rivera. Os ingressos custam R$ 100 e dão direito a toda diversão e um Copo Dubai Everbrew. Para quem é de São Paulo, a marca ainda preparou ingressos com transporte de ida e volta, com passagem pelo Everpub, por R$ 170.

Investimento em cervejaria com ancestralidade japonesa
Os associados da Harvard Angels do Brasil e do NEB (Empreendedores do Brasil) realizaram um investimento na Prius, cervejaria por assinatura e e-commerce com ancestralidade japonesa. Com isso, tem expectativa de superar R$ 5 milhões de faturamento até 2024 com as marcas Prius Prime e Sake Beers, cervejas com tabela nutricional nos rótulos e o selo “eureciclo”, certificação da cadeia de logística reversa por meio do rastreamento e validação de dados de reciclagem para empresas de bens de consumo. Os rótulos, além da levedura de cerveja, também são produzidos com levedura de saquê.

Concurso no México
O concurso internacional Aro Rojo, que reúne cervejarias do México e do mundo, está com inscrições abertas até 3 de abril. A Bamberg, em Votorantim (SP), recebe amostras com cadeia refrigerada para envio. O objetivo da competição é premiar e reconhecer cervejas de qualidade, além de ser um fator que impulsiona a cultura do consumo responsável. O concurso terá pela primeira vez a categoria de cerveja caseira. O julgamento, em Tampico, irá ocorrer de 6 a 10 de junho, data da premiação.

Curso de sommelier de cervejas do Ceres
O Instituto Ceres está nos últimos dias para inscrições no curso de sommelier de cervejas, feito em parceria e com a certificação do Senac, contando com profissionais qualificados no mercado cervejeiro. As aulas iniciam em abril e terão 100 horas, com 100 rótulos a serem degustados. Serão abordados harmonizações, história e estilos de cerveja, serviço, gastronomia, cerveja e saúde e experiências além do copo.

Por que grandes marcas de cerveja apostam em patrocínios a reality shows?

0

O sucesso perene dos reality shows no Brasil, com repercussão relevante em outras mídias e nas redes sociais, tem levado grandes marcas de cerveja a realizarem altos investimentos como patrocinadores deste tipo de programa nas tevês. Na Record, por exemplo, a última edição de A Fazenda teve a Brahma como uma das grandes apoiadoras. Já a Amstel, marca do Grupo Heineken, é uma das principais patrocinadoras do Big Brother Brasil pelo segundo ano seguido.

O BBB é um dos programas de maior audiência da Rede Globo. Em sua 22ª edição, estreou com 27,9 pontos de audiência e tem mantido índices relevantes desde então. Na última sexta-feira, na conclusão de uma prova de resistência para definir o líder da semana, atingiu 24 pontos de média. Foram 41,8% de participação, com 57% do total de televisores ligados só na Grande São Paulo.

Leia também – Com guerra na Ucrânia, alta dos custos de produção desafia indústria cervejeira

Estes números são alguns dos atrativos do programa, que hoje divide a sua disputa entre famosos e anônimos. E isso torna as cotas de patrocínio bastante concorridas. Neste ano, com mais de 18 patrocinadores, a expectativa da emissora é de faturar R$ 1 bilhão até abril. Só a cota Big tinha um valor estimado em, aproximadamente, R$ 90 milhões.

Embora o programa traga consigo algumas polêmicas, como uso excessivo de álcool pelos participantes e situações de violência psicológica, preconceito e intolerância, a exemplo do que foi visto na edição de 2021, o fato é que o marketing de produtos, sobretudo os alimentares e de bebidas, feito automaticamente para milhões de pessoas e com amplo alcance, é uma vitrine gigantesca para diversas marcas.

O professor de marketing da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), Alan Kuhar, destaca que, embora os investimentos sejam altos, as ações de marketing neste tipo de programa são válidas e compreensíveis pelo alcance que esses produtos querem ter. “Faz sentido para uma grande cervejaria, no caso da Ambev, com a marca Brahma na Fazenda e a do Grupo Heineken [Amstel] no Big Brother, porque são duas empresas que têm distribuição nacional. E você vai encontrar cervejas no supermercado, na lanchonete, no restaurante, no bar…”, afirma.

Para o professor, ao aparecer em um programa com tamanha visibilidade e exposição nacional, as marcas têm, como primeiro objetivo, que seu produto seja conhecido. Na sequência, que seja, ao menos no caso de alimentos e bebidas, experimentado. E um terceiro objetivo é, na maior parte das vezes, ser escolhido.

Marcas de cerveja, assim, acertam na estratégia de patrocinar reality shows pelo alcance amplo e diversificado, algo fundamental para produtos de consumo, na avaliação do professor da ESPM. “Quando a gente fala do consumo de cerveja no Brasil, o perfil sociodemográfico é bem amplo, então é uma fórmula que considero muito coerente para as grandes marcas se apresentarem e entrar em contato com o consumidor”, completa.

A gerente de marketing da Amstel no Brasil, Anna Luisa Dafico, aponta que alcançar diferentes públicos está em consonância com a estratégia da marca. “A diversidade de pessoas que disputam e acompanham o reality show nos possibilita, principalmente, construir e integrar diálogos importantes para a sociedade, junto de todo o público”, diz.

Em termos estratégicos, Dafico explica que este segundo ano de patrocínio ao BBB é importante para a marca por diferentes razões, mas uma das mais especiais é que o processo para distribuição da Amstel em todo o Brasil foi concluído somente nos últimos meses de 2021.

Esse patrocínio tem um papel importante em desenvolver o conhecimento de marca e experimentação – incluindo um ganho de relevância entre o público mais jovem e formadores de opinião da Geração Z, por meio de conteúdos de entretenimento e iniciativas associadas ao reality

Anna Luisa Dafico, gerente de marketing da Amstel

Para o professor da ESPM, foi certeira a escolha do Grupo Heineken em divulgar a Amstel no BBB. Embora englobe públicos de diversas idades e classes sociais, ele destaca que a grande fatia do público são os jovens de classe C. “O jovem de classe C está com o dinheiro contado. A Amstel, dentro do portfólio da Heineken, é o que a gente chama de cerveja de entrada e proporcionalmente de um preço mais acessível”.

E, mesmo considerando que os reality shows atraem mais jovens, as ações da Amstel , sobretudo no programa, também visam todo o público e sua diversidade de telespectadores, de acordo com a gerente de marketing da marca de cerveja do Grupo Heineken. “Nossas provas, dinâmicas e intervenções são co-criadas entre nossa equipe e da emissora. Dentro das nossas ações com o reality show, prezamos por promover iniciativas leves e divertidas que reforcem nossos valores, credenciais de produto e fomentem assuntos de extrema importância para a sociedade, como diversidade, respeito e consumo responsável de álcool”, conta Dafico.

A primeira ativação da Amstel foi em uma Prova do Anjo, com o reforço das credenciais da bebida. Já a segunda convidou os participantes do reality a experienciar atividades conectadas ao posicionamento da Amstel Ultra, que tem baixo teor alcoólico e não possui glúten. “Queríamos que eles contassem momentos ao invés de calorias. E para isso, fechamos a academia e levamos diferentes atividades ao ar livre como aula de dança, futmesa, beach tennis e cama elástica”, relembra.

O impacto para as marcas
A gerente de marketing da Amstel pondera que muitos impactos do patrocínio pela marca de cerveja a reality shows só são sentidos a médio e longo prazo. Mas também enumera alguns resultados já consolidados a partir dessas ações. “Nos últimos 30 dias [entre janeiro e fevereiro], por exemplo, o volume de menções à Amstel no Twitter aumentou em 350%, quando comparado aos 30 dias anteriores [quando o programa ainda não tinha começado]”, explica.

De acordo com a Amstel, foram mais de 20 mil citações, com potencial para gerar 270 milhões de impressões. “Dois momentos ajudaram a alavancar esses números: a Prova do Anjo Amstel, realizada em 29 de janeiro, e a Ação Surpresa da Amstel Ultra, no dia 17 de fevereiro”, lembra.

Outro exemplo de alta da exposição foi o registro de crescimento das buscas pela Amstel Ultra no Google. Ela foi de mais de 450% após a ação surpresa patrocinada pela marca na casa do BBB.

Os riscos
Ao participarem de reality shows, em um ambiente hipoteticamente não controlado, as marcas, e não apenas as de cerveja, estão sujeitas a alguns riscos, como sofrerem críticas aos produtos em rede nacional, o que já aconteceu em edições passadas. A gerente de marketing da Amstel reconhece que, a partir do momento em que a marca está em uma grande vitrine, fica sujeita a todo e qualquer tipo de reação do público, principalmente por não ter controle sobre os acontecimentos e discussões dentro e fora da casa.

“Nossa forma de trabalhar e vivenciar o mercado, acreditando em todas as formas de diversidade, sejam elas relacionadas à cultura, gênero, raça, cor, classe social e incluindo também as opiniões, nos faz estar preparados para trabalhar em qualquer cenário oferecendo entretenimento, informações e discussões relevantes para a sociedade”, afirma.

Porém, o professor da ESPM avalia ser um risco pequeno considerando os contratos feitos com os participantes que trazem cláusulas de temas que não são “bem-vindos” e devem ser evitados. “Eles [participantes] têm diretrizes da direção do programa para evitarem críticas. Isso não quer dizer que não vão ocorrer, mas é conversado e apresentado aos participantes, sim”.

Outro risco para as marcas de cerveja que apoiam reality shows é a crítica ao uso excessivo de álcool pelos participantes, o que vem sendo constante nos últimos anos.  Sobre isso, a gerente de marketing lembra que a Amstel e o Grupo Heineken têm um compromisso claro com o consumo sustentável, tema tratado como um dos principais pilares do seu negócio.

O portfólio de produtos da companhia se ampliou nos últimos anos para oferecer alternativas aos consumidores que buscam por diferentes formas de ter mais equilíbrio no seu dia a dia, tendo, como exemplos, a Amstel Ultra, que conta com 4% de teor alcoólico, e a Heineken 0.0, que é a versão zero álcool da cerveja premium.

“Somos uma grande operação e temos que olhar para aqueles que se conectam com a gente, principalmente, consumindo nossos produtos. Por isso, essa agenda vem ganhando cada vez mais nossa atenção. Queremos estar sim em momentos de conexão e descontração entre as pessoas, desde que seja com responsabilidade”, declara.

Assim, mesmo com alguns riscos, o interesse das marcas de cerveja por reality shows confirma o êxito comercial de programas que, em muitos momentos, atraem o público que gosta de ver outras pessoas em conflitos.

“Os reality shows trazem pessoas que não se conhecem e tem todo um ciclo de relacionamentos interessantíssimos e de estudos. Na primeira semana, todo mundo é melhor amigo da sua vida e rapidamente se transformam os pequenos grupos de pessoas que têm afinidades. Quando passa a empolgação, os pequenos gestos do dia a dia geram desconfortos, como alguém que não lava a louça direito ou que é preguiçoso para cozinhar”, conclui o professor da ESPM.

Com guerra na Ucrânia, alta dos custos de produção desafia indústria cervejeira

0

A invasão da Ucrânia pela Rússia e a consequente guerra entre os dois países, iniciada em 24 de fevereiro, vai aumentar os custos de produção da cerveja. O diagnóstico foi apresentado por diversos especialistas ouvidos pela reportagem do Guia e tem relação direta com a importância das duas nações no comércio internacional e na produção de itens básicos para a fabricação da bebida, como cevada e malte.

Há, ainda, a preocupação com o risco de escassez desses insumos fundamentais para a cerveja, seja pela redução da produção por países envolvidos na guerra ou mesmo pelas decisões dos governos locais, como o da Ucrânia, que na última semana suspendeu as exportações de trigo, cevada e centeio. Além disso, no Brasil, a recente alta dos preços dos combustíveis já sinaliza outros efeitos, com a distribuição se tornando mais cara.

Leia também – Marcas se unem em movimentos e criam cervejas em apoio ao povo ucraniano

Assim, a avaliação é de que o impacto sobre os custos de produção da cerveja será relevante, ainda que neste momento não seja possível prever em qual grau, o que dependerá da extensão da guerra na Ucrânia, com os resultados sobre a sua produção agrícola, assim como das sanções que as principais nações ocidentais estão impondo à Rússia.

Afinal, os dois países envolvidos nos conflitos têm grande importância na produção mundial de trigo, cevada e malte. “Podemos esperar maiores pressões de custos para os principais insumos utilizados na produção de cerveja, uma vez que a Rússia é o principal exportador de trigo no mundo (responsável por 19% das exportações totais), o que acaba impactando no preço do malte, além de a Ucrânia ser um dos 5 maiores produtores de cevada do mundo”, afirma Pedro Fonseca, analista da XP Investimentos.

Pesquisador da Embrapa Trigo, Aloisio Alcantara Vilarinho destaca que nações antes compradoras de cevada e malte da Rússia, especialmente aqueles que tenham adotado sanções econômicas em relação ao país, precisarão buscar alternativas e fornecedores. Assim, os preços desses cereais tendem a crescer diante da menor oferta e da maior concorrência.

“Devido à guerra, e principalmente pelos embargos econômicos impostos pelo Ocidente, é provável que muitos países que importavam cevada e malte da Rússia não consigam mais fazê-lo. Isso concentrará as buscas por cevada e malte em outros produtores não afetados diretamente pela guerra ou pelos embargos”, diz.

O cenário não é muito diferente para o Brasil, embora a maior parte da cevada e do malte importados pelo país venham dos vizinhos Argentina e Uruguai. Em 2021, porém, foram US$ 64,03 milhões comprados em malte da Rússia, terceira nação a mais exportar o produto para o Brasil, com uma participação de 9,2% nas vendas. Na visão de Vilarinho, assim, o país também sentirá os efeitos do embargo à economia russa.

“Ainda que a Rússia não seja o principal fornecedor de cevada e malte para o Brasil, é quase certo que o país será mesmo assim impactado pela guerra, pois a procura pelos outros fornecedores aumentará. E ainda tem todos os reflexos na economia mundial advindos das sanções impostas à Rússia, como por exemplo aumento no preço do petróleo”, afirma.

O pesquisador da Embrapa Trigo também lembra que como o Brasil não é autossuficiente na produção de malte e cevada, a cadeia produtiva da cerveja acaba sendo afetada por eventos externos, ainda mais um com a magnitude da guerra entre duas nações com relevância na produção de grãos.

“O Brasil produz aproximadamente metade da cevada que precisa para abastecer as indústrias de malte instaladas no País. Além disso, o malte produzido por essas maltarias é suficiente para atender pouco mais da metade da demanda das indústrias de cervejas instaladas no país. Sendo assim, dependemos do mercado externo para fornecer tanto grãos de cevada quanto malte de cevada. Com aumento nos preços desses produtos no mercado externo, é certo que sofreremos um grande impacto nos setores ligados a essa cadeia produtiva aqui no Brasil”, argumenta.

Lucas Novello, especialista em agro da Zahl Investimentos, também alerta como a extensão do conflito causa impacto na redução das safras da Rússia e da Ucrânia, um país central para o fornecimento de grãos para todo o mundo, com seus solos ricos e férteis, mas agora mais preocupado em defender em seu território do que em produzir algo. “É natural que no meio de uma guerra não se tenha muito foco na produção. E isso causa um impacto direto, com quebra de safra. E aí há a alta do preço pela diminuição da oferta”, diz.

Com a Ucrânia sendo uma das cinco maiores produtoras de cevada do mundo, especialistas avaliam que pode haver escassez do produto no mercado mundial. E, principalmente, reconhecem que certamente ele ficará mais caro como consequência da invasão do país pela Rússia.

“Já vemos os futuros dessa commodity em forte alta, acima de patamares históricos. Ainda não está claro quais serão os impactos finais da guerra na produção e exportação do cereal, portanto, além de esperar preços maiores, não podemos descartar a possibilidade de falta de insumos e desabastecimento global da cevada”, argumenta o profissional da XP.  

E o especialista em agro da Zahl Investimentos, também avalia que há risco real de falta de grãos no mercado, especialmente daqueles em que há alta dependência da produção ucraniana e russa. “Hoje não há um excesso de produção. Quando há uma queda na produção, não há uma queda igual no consumo. É possível que se tenha problema de abastecimento”, avalia Novello.

Como em um efeito dominó, Carlo Enrico Bressiani, diretor da Escola Superior de Cerveja e Malte (ESCM), prevê que a alta dos preços não se resumirá apenas a aquelas commodities que têm Rússia e Ucrânia como grandes produtores. “Provavelmente vai ter algum impacto também nos custos, principalmente do lúpulo europeu. E aí vai se espalhando para o resto do mundo”, diz.

Além disso, os impactos da guerra não devem se resumir a aumentos dos preços de ingredientes da cerveja, mas irão encarecer outras despesas das companhias. “Adicionalmente, a crise entre Rússia e Ucrânia e seus impactos em preços de commodities e inflação irão impactar os custos das cervejarias em outras frentes, como por exemplo no custo do alumínio, do vidro e do frete”, avalia o analista da XP.

O impacto do conflito sobre o preço do petróleo, inclusive, já trouxe efeitos antes mesmo do seu fim, com a Petrobras anunciando alta de 25% no preço do diesel e 19% da gasolina na última semana. Algo, claro, que o setor cervejeiro não conseguirá passar alheio. “Isso causa uma alta do custo de distribuição, o que deixa o produto mais caro”, comenta o especialista da Zahl Investimentos.

Como as cervejarias vão se comportar
O efeito óbvio da alta dos custos para produção da cerveja poderia ser o repasse ao consumidor. O analista da XP, pondera que o cenário adverso da economia deve levar as grandes cervejarias brasileiras, como a Ambev e o Grupo Heineken, a adotarem uma estratégia que já se viu no ano passado: o reforço da aposta no portfólio premium.

No Brasil, entendemos que o ambiente macroeconômico mais deteriorado, com inflação maior, tornará mais difícil o processo de repasse de preços por parte das cervejarias. Na nossa opinião, as cervejarias irão buscar formas alternativas para atenuar as pressões de margem causada pelo aumento de custos, como, por exemplo, no processo de mudança de mix de vendas para um share maior de cervejas de maior valor agregado

Pedro Fonseca, analista da XP Investimentos

Por outro lado, na avaliação de Bressiani, o consumidor, já afetado pela perda do poder de compra, poderá rever as cervejas que irá comprar, caso ocorra alta dos preços, algo que pode afetar, principalmente, o mercado de artesanais, com rótulos que possuem valor agregado maior. Além disso, prevê a possibilidade de alterações nos locais de consumo, como ocorreu em alguns períodos mais críticos da pandemia do coronavírus.

“A gente entende que isso possa significar, em algum momento, uma redução de consumo de produtos com maior valor agregado ou em locais onde eles custam um pouco mais caro”, afirma. “Vai ter mudança de ocasião de consumo, então pode ter um ciclo parecido com o da final do ano passado, na pandemia”, acrescenta.

Em outro fator de preocupação para as marcas artesanais, o especialista da Zahl Investimentos aponta que elas devem sofrer mais com os impactos da guerra, pela dificuldade de se protegerem das oscilações sobre os custos de produção da cerveja. “Elas não têm capacidade de estocagem e fluxo de caixa, então ficam muito mais expostos a uma possível escassez de produtos”, argumenta.