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Entrevista: “Queremos ter faturamento de R$ 40 milhões com a Praya neste ano”

Criada a partir da junção de cinco marcas independentes de bebidas, a Better Drinks iniciou a sua operação em fevereiro no Brasil e com metas ousadas. A empresa quer fechar o seu primeiro ano no país com faturamento de R$ 100 milhões, com R$ 40 milhões vindos apenas da sua cerveja, a Praya.

As estratégias para atingir esses números foram revelados, ao Guia Talks, em entrevista concedida por Felipe Szpigel, CGO e co-fundador da Better Drinks. E elas já começaram a ser implementadas, tanto que, em março, a Praya, conhecida no mercado de artesanais pela sua Witbier, ampliou o portfólio com o lançamento de uma cerveja puro malte.

Essa novidade, além de atender ao sonho dos fundadores da marca, também indicou o desejo de atuar em um mercado tão concorrido quanto amplo como o dos rótulos puro malte. E, para lidar com a intensa disputa, a Praya vai apostar, como relata Szpiegel, na ocupação de lacunas deixadas pelas grandes cervejarias nesse segmento.

Outro foco é aproveitar a maior capilaridade oferecida pela Better Drinks, vista como uma “aceleradora” das suas marcas, que antes, quando atuavam sozinhas, teriam mais dificuldade de acessar alguns mercados. Assim, após Baer-Mate (mate com gás e cafeína natural), F!VE (drinques prontos para beber), Mamba (águas), Praya e Vivant (vinhos em lata), faturarem, com operações separadas, R$ 50 milhões em 2021, a meta é dobrar esse valor em 2022.

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Conheça mais os planos da companhia, seus objetivos, motivações e ambições, na entrevista de Felipe Szpigel, CGO e co-fundador da Better Drinks, com passagem pela Ambev, no Guia Talks:

Como surgiu e quais são os objetivos da Better Drinks?
A Better Drinks é um grande sonho meu e do Felipe Della Negra de empreendermos na área de bebidas. Somos amigos há mais de 20 anos e trabalhamos 10 anos juntos na Ambev. Nos últimos 10, estamos entusiasmados com marca, com cerveja, com bebida alcoólica, com experiência e com eventos. A Better Drinks, assim, veio como uma transição quase natural. Depois que saí da AB InBev, nos Estados Unidos, há quase 3 anos, fundei a F!VE Drinks, uma marca de bebidas prontas. Depois, então, ele entrou como investidor, a trazendo para o Brasil. No ano passado, começamos a nos conectar com outros empreendedores com dificuldades parecidas, como escala, insumos e distribuição. E disso veio a ideia da Better Drinks. É um sonho, mas também uma ideia de criar uma terceira via no mercado. Ao invés de só ter pequenos empreendedores e grandes empresas, quisemos achar uma alternativa de uma companhia independente, média, mas que já tivesse força, energia para passar da arrebentação e que pudesse estar focada na inovação, em construção de marca, experiência e conteúdo, trazendo novidades para o país ao mesmo tempo em que elas estão acontecendo no mundo inteiro.

Há algum elo a unir essas cinco marcas de bebidas que compõem a Better Drinks? E qual seria?
Quando a gente olhou lá atrás, apontamos três grandes “caixas”: um produto extraordinário, um potencial líder do segmento em crescimento; as marcas e os sócios, se a gente acreditava nas mesmas coisas; e olhamos muito os valores: sustentabilidade, ingredientes, transparência, posicionamento de marca. Não temos a pretensão de sermos uma marca para o consumidor, um selo, mas houve esse filtro. E trabalho com a ideia de que quanto mais independente a gente conseguir manter as companhias originais, assim como os fundadores engajados, maior é o nosso potencial futuro e mais longe conseguiremos chegar. Então, o meu papel é destruir barreiras, arrumar recursos, quase como um acelerômetro.

Quais são os objetivos de faturamento para a Better Drinks nesse primeiro ano?
A gente faturou R$ 37 milhões no ano passado, combinados, sem a puro malte da Praya e a Mamba, nossa marca de água em lata que sairá em breve. Para esse ano, nossa previsão de faturamento do Brasil é na casa dos R$ 100 milhões. No primeiro trimestre, faturamos 2 vezes e pouco a mais do que no ano anterior. Além disso, temos a F!VE Drinks nos Estados Unidos e faturamos quase R$ 10 milhões em 2021. Então, já faturamos quase R$ 50 milhões com a operação completa no ano passado. E estamos a caminho de R$ 120 milhões no total ao longo do ano.  As coisas estão acontecendo muito rápido.

Qual foi a ideia ao agregar a Praya ao portfólio da Better Drinks?
Como já estava fora do Brasil, eu conhecia a marca de viagens para o Rio, de amigos que a achavam bacana. Mas só tive a oportunidade de bebê-la no carnaval de 2020. Sempre gostei de Witbier, um estilo de cerveja muito bacana para o verão. Quando a gente trouxe a F!VE para o Brasil, o Tunico (Almeida), que é o CEO da Praya, se juntou a nós. E quando houve a ideia de fazer a Better Drinks, logo veio a ideia de conversar com o time da Praya, por uma combinação de qualidade do produto e de marca. Não só pela origem, mas pela introdução de cervejas de outros estilos fora dos mais comuns, como Pilsen e Lager, os trazendo para um consumidor mais amplo, não só o apaixonado por cerveja artesanal. Para nós, o grande papel da Praya é fazer essa ponte entre um estilo de vida com um produto de características um pouco diferentes.

Logo no começo dessa nova fase da Praya, a marca lançou uma cerveja puro malte. O que motivou essa criação?
Parte do nosso trabalho dentro do grupo é suportar os sonhos, os projetos individuais de cada uma das companhias que trouxemos. O Tunico e o time dele sempre falaram da puro malte. Um outro ponto importante é que a gente tem ambição de ser líder no crescimento e desenvolvimento do mercado premium brasileiro. E a puro malte é um sinônimo de premium, hoje, no Brasil. É um segmento com crescimento importante, o que era importante para nós, e era um sonho da Praya. E precisávamos de um estilo mais democrático, que nos colocasse em ocasiões mais populares, de maiores volumes.  Estamos colocando um investimento de R$ 2 milhões para desenvolvimento da marca no ano, com marketing, eventos e ações de degustação. Temos ambições grandes, de chegar a um faturamento de R$ 40 milhões com a Praya nesse ano. E provavelmente metade disso com a puro malte.

O mercado de cervejas puro malte é muito concorrido no Brasil. Como tornar a Praya relevante nessa disputa com grandes marcas?
É um mercado grande, com players relevantes. Mas a gente vê o copo de dois modos: pelo outro lado, tem muita oportunidade, com eventos, clientes e geografia pouco atendidos, onde podemos atuar. A ideia é olhar as lacunas dos grandes players e ocupar esses espaços. A Praya já tem uma base de fãs, que têm uma conexão emocional. E eles passam a ter novas ocasiões de consumo em que enxergam a marca. Todos nós, separadamente, ainda não tínhamos o tamanho para ter a atenção ideal do distribuidor, do cliente. E o fato de estarmos juntos, como grupo, nos permite ampliar a nossa relação, ter um time mais experiente no mercado e eventualmente até fazer investimentos conjunto. A Praya estava muito bem-posicionada como marca e o produto traz uma nova ocasião, novos consumidores. E a Better Drinks acelera esse momento.  Quando você olha nossa lista de clientes, dos 100 maiores, só 4 tinham todas as nossas marcas. Mas os 100 clientes têm alguma das nossas marcas. Agora, usando as relações de cada um, conseguimos ter escala e conexões que tínhamos individualmente no mercado.

Dutra e Fliaraxá apresentam cerveja literária e evidenciam a temática do racismo

A 10ª edição do Festival Literário de Araxá, que começa nesta quarta-feira (11) e vai até domingo (15) na cidade do interior de Minas Gerais, traz aos visitantes, como um dos seus atrativos, a apresentação de “cervejas literárias”. Como fruto de parceria entre o evento e a Dutra Beer, de Santo André (SP), foi produzida uma bebida que possui quatro diferentes rótulos, com os rostos dos escritores escolhidos pela organização para ficar em evidência no Fliaraxá.

São eles: Maria Firmina dos Reis, autora de “Úrsula”, considerado o primeiro romance escrito por uma mulher no Brasil; Itamar Vieira Junior, autor homenageado; Jeferson Tenório, escritor convidado; e Tom Farias, curador do festival.

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A homenagem da Dutra Beer, em parceria com o festival, se dá em uma edição do evento que tem como tema “Abolição, Independência e Literatura” e indica a intenção dos seus organizadores de reforçar a urgência do debate sobre o racismo, como destaca Afonso Borges, escritor, jornalista, gestor cultural e criador do festival.

“O Fliaraxá está homenageando essas pessoas porque acha que o racismo é a grande questão brasileira a ser discutida. Não só porque eu considero que a gente nunca fez de verdade a abolição da escravatura, e é por isso também que o Fliaraxá vai acontecer em 13 de maio (data em que a Lei Áurea foi assinada em 1888), como acho que neste momento é o assunto que Tom Farias colocou em questão quando fez a biografia da Carolina Maria de Jesus. Itamar Vieira Júnior trouxe novamente à baila o gosto pela ficção brasileira com o ‘Torto Arado’, assim como Jeferson Tenório com o ‘Avesso da Pele’. E não poderia acontecer uma homenagem melhor do que à Maria Firmina dos Reis, a primeira romancista brasileira, que faz 200 anos de nascimento, assim como a Independência do Brasil, o segundo tema colocado”, diz.

Além dos debates sobre as obras e legados desses autores, o Fliaraxá poderá contar com cervejas alusivas a eles graças a uma ideia de Tom Farias, curador do festival, que fez o convite para a Dutra Beer produzi-las. “Aceitamos com muito prazer, já que a literatura e a busca constante pelo conhecimento fazem parte da nossa essência enquanto cervejaria”, explica André Dutra, sócio-proprietário da cervejaria que leva o seu sobrenome.

A bebida criada para homenagear os autores é uma Ginger Beer. E a escolha do gengibre, um ingrediente de sabor picante, foi proposital. “A ideia foi fugir do senso comum. Mesmo sabendo que a especiaria não é unanimidade (assim como todo gosto não é), resolvemos deixar uma marca e trazer uma nova sensação ao paladar dos participantes que lá estarão e, ao mesmo tempo, mostrar que cerveja não é tudo igual, como querem que a gente pense”, reforça André.

Afonso destaca a conexão histórica que sempre existiu entre a cerveja e a literatura. “No fundo, a cerveja sempre esteve conectada à literatura, senão por conteúdo, onde diversos romances e textos foram produzidos com o assunto, mas pela proximidade que a cerveja tem com a literatura através da história”, ressalta.

André também enaltece a parceria entre o Fliaraxá e a Dutra Beer como uma forma de realçar o laço entre a cerveja e a cultura. “Acreditamos que a cerveja artesanal pode ser também, através de seu rótulo, um instrumento de conhecimento. Por que não ler um livro degustando uma boa cerveja artesanal?”, questiona.

A ação com a Dutra Beer se insere em uma edição especial do Fliaraxá, a décima. Algo que faz Afonso lembrar a herança que o evento já está deixando para uma nova geração de leitores, que têm o festival como combustível importante para se beneficiar do acesso à cultura.

“O Fliaraxá tem como legado o amor à leitura. São dez anos de trabalho. Então você imagina uma criança que tinha 12 anos quando nós começamos o Fliaraxá e hoje tem 22. O legado mais importante do evento é deixar essa juventude leitora, que sai por aí arrasando em matéria de autocrítica, crítica, leitura e, principalmente, consciência social e de mundo, que a leitura traz”, afirma.

Os autores homenageados

Nascida em São Luís, em 1822, Maria Firmina dos Reis é reverenciada após ter sido a autora de “Úrsula”, considerado o primeiro romance escrito por uma mulher no Brasil. Ela fez história pelo seu engajamento social contra a escravidão e, também como professora, fundou na cidade maranhense de Guimarães uma escola mista (para homens e mulheres), o que era um ato revolucionário para a sua época.

Outro homenageado nos rótulos, Itamar Vieira Junior se firmou como um dos grandes nomes da literatura brasileira com o seu romance “Torto Arado”, publicado em 2019 e que faturou os prêmios Jabuti, Leya e Oceanos. E além de escritor, o autor baiano de 42 anos é geógrafo e doutor em Estudos Étnicos e Africanos pela Universidade Federal da Bahia.

Jeferson Tenório, por sua vez, venceu o Prêmio Jabuti de 2021 na categoria Romance Literário pela obra “O Avesso da Pele”. Carioca radicado em Porto Alegre, o autor de 45 anos é formado em Letras, sendo mestre em Literaturas Luso-Africanas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Tom Farias, além de curador do festival, é jornalista, escritor, crítico literário e professor, tendo se destacado como autor de vários livros sobre personalidades negras brasileiras, como a escritora Carolina Maria de Jesus, o abolicionista José do Patrocínio e o poeta Cruz e Sousa, considerado um dos fundadores do simbolismo no país.

Envasada em latas de 473ml, a Ginger Beer criada para homenagear os autores destacados desta Fliaraxá tem como outros ingredientes da sua fórmula, além do gengibre, água, malte de cevada, flocos de milho, lúpulo e levedura. Os desenhos dos escritores retratados nos rótulos foram feitos pelo ilustrador Vitor Borges, com design gráfico de Breno Ribeiro e direção de arte de Marlette Menezes, responsável pela concepção da identidade visual desta edição do festival no município mineiro, que está disponibilizando a venda da bebida na Livraria do Barreiro, instalação montada pelo evento.

Tributação cervejeira desafia operação no setor e será tema de curso da Beer Business

Para quem já possui ou está pensando em abrir um negócio, o setor cervejeiro pode ser bastante prazeroso, mas também extremamente desafiador. Assim, para garantir uma operação saudável, o conhecimento sobre a operação e a tributação cervejeira são fundamentais.

Pensando nos desafios de se lidar com os impostos, a Beer Business, empresa especializada em cursos e consultorias para negócios cervejeiros, vai realizar o seu segundo curso sobre tributação cervejeira, marcado para o período de 28 a 30 de junho, com 3 horas diárias de aulas.

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“De nada adianta correr atrás de melhores negociações de insumos, da eficiência nos processos e da redução de taxas de serviços se o que se consegue economizar com esse esforço depois for perdido em multas e juros de impostos recolhidos de forma equivocada”, ressalta Filipe Bortolini, sócio da Beer Business.

Bortolini destaca que ter o conhecimento sobre as regras de tributação auxiliam o processo de tomada de decisão do empresário em relação ao planejamento financeiro da empresa. “Saber o valor ou porcentagem que será destinada aos tributos dentro do valor de comercialização das bebidas permite projetar de forma correta os ganhos e avaliar a viabilidade de um produto ou do negócio como um todo”, diz.

Ele ainda reconhece que a tributação cervejeira é bastante complexa em função das regras específicas para os produtos. Por isso, recomenda que a atividade seja executada por profissionais da contabilidade ou advogados tributaristas, através da assessoria mensal da parte fiscal de uma empresa ou, até mesmo, por assessorias ou consultorias tributárias para situações específicas.

“São regras que podem mudar de estado para estado e que não são comuns em outros segmentos. Por conta dessa especificidade, mesmo um pequeno estabelecimento precisa do auxílio de um especialista para que sua operação esteja de acordo com as normas tributárias”, afirma.

Bortolini aponta que os maiores erros cometidos estão relacionados ao cálculo da substituição tributária. Ele alerta que esses equívocos levam ao pagamento errado de impostos, o que tanto pode provocar um futuro passivo, caso todo o valor não seja recolhido, quanto um desperdício de dinheiro, quando o dispêndio é maior do que o necessário.

O curso
Uma primeira turma sobre o curso de tributação cervejeira já foi realizada, após a empresa concretizar três pilotos com a Associação Gaúcha de Microcervejarias. E a estrutura do curso foi montada pela Beer Business com base nas demandas das cervejarias, brewpubs e cervejeiros ciganos associados, bem como dos alunos e clientes da empresa em todo o país.

As aulas vão ser realizadas online. Na primeira delas, serão abordados os regimes de tributação, com explicações sobre como funcionam sistemas tributários como Simples, Lucro Presumido e Lucro Real, além do MEI. Também será feita uma comparação entre eles. O curso também promete apresentar explicações detalhadas sobre substituição tributária.

Na segunda aula, serão abordados os modelos de operação, tais como a terceirização de produção, a remessa para industrialização, os royalties, além de como deve se dar a emissão das notas fiscais e de aspectos tributários a serem considerados na aquisição de insumos e equipamentos. Já na terceira aula, os temas vão ser os custos de operações interestaduais, sejam elas de compras ou vendas para outros estados, suas particularidades e benefícios fiscais possíveis.

O objetivo do curso é conscientizar os participantes da complexidade operacional desse mercado, apresentando os conteúdos, conforme Bortolini, com didática acessível e que utiliza diversos exemplos específicos do mercado cervejeiro. “Desenvolvemos um material didático exclusivo e trouxemos exemplos e cases reais de situações que vivenciamos nos atendimentos”, conclui.

World Beer Cup não premia brasileiros em sua maior edição e passará a ser anual

Após um hiato de quatro anos, a World Beer Cup voltou a ser realizada em 2022. Organizada pela Brewers Association, a associação de cervejarias artesanais e independentes dos Estados Unidos, a competição teve o maior número de inscritos da sua história. E o Brasil, dessa vez, não conquistou nenhuma medalha.

Realizada no Centro de Convenções de Minneapolis, nos Estados Unidos, a premiação da World Beer Cup foi o ápice de uma série de eventos, casos da Craft Brewers Conference e da BrewExpo America. A competição cervejeira não acontecia desde 2018, pois a edição de 2020 foi cancelada em função da pandemia do coronavírus.

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Nessa retomada em 2022, a World Beer Cup recebeu 10.542 inscrições de 2.493 cervejarias, que representaram 57 países. O Brasil foi a sexta nação com mais cervejas participantes – 142 –, mas nenhuma delas foi premiada. Na edição anterior, em 2018, os representantes nacionais haviam conquistado 5 medalhas.

As inscrições foram avaliadas por um painel de 226 juízes de 28 países. E o Brasil também esteve representado no júri, por 5 profissionais. No total, foram 18 sessões de avaliação durante 9 dias. E esses jurados distribuíram 307 de 309 medalhas possíveis em 103 categorias – no estilo belga Witbier, não foram concedidos ouro ou prata.

“A World Beer Cup mostra a incrível amplitude e talento da comunidade cervejeira global”, afirma Chris Swersey, diretor de competição da World Beer Cup. “Ganhar um prêmio neste evento extremamente competitivo simboliza uma das maiores conquistas da arte de fazer cerveja. Parabéns aos vencedores deste ano por suas excelentes conquistas.”

Os Estados Unidos foram o país com mais medalhas conquistadas – 252 –, com 3,13% dos seus inscritos sendo premiados. O melhor aproveitamento foi da Irlanda, com 16,67%, ao faturar uma medalha com seus seis participantes. Já entre os países que amealharam mais de um prêmio, a Alemanha teve o melhor desempenho, de 4,26% (11 medalhas para 258 inscrições). E a Colômbia conquistou um inédito ouro, na categoria Specialty Saison, com a Saison Con Miel, da Pola del Pub, de Bogotá.

A categoria com mais cervejas inscritas foi a do estilo IPA, com 384 participantes, sendo que a medalha de ouro foi para a Hop-Fu!, da North Park Beer Co., de San Diego, na Califórnia. Outro destaque foi a cervejaria Wild Fields Brewhouse, de Atascadero, também na Califórnia, com quatro ouros conquistados. A lista completa de medalhistas pode ser conferida no link.

A partir de agora, a World Beer Cup terá nova periodicidade. Antes bianual, o evento passa a ocorrer em todos anos, com a próxima premiação já agendada para 10 de maio de 2023, durante a Craft Brewers Conference, marcada para Nashville, no Tennessee. As inscrições começarão a ser realizadas em outubro.

Outros prêmios
A Brewers Association também aproveitou a Craft Brewers Conference para realizar a sua premiação para a indústria. O prêmio Defesa da Indústria foi para Sam Hendler, cofundador da Jack’s Abby e presidente da Massachusetts Brewers Guild, cargo que ocupa desde 2020.

O prêmio Reconhecimento da Brewers Association foi entregue para Steve Hindy, fundador da Brooklyn Brewery. Já Karl Ockert, do Karl Ockert Brewing Services, recebeu o prêmio de Inovação em Cervejaria Artesanal.

Recém-criado, o Prêmio Mentor do Ano da Brewers Association teve destino duplo: Annette May e Ramon Tamayo. Annette compõe o corpo docente fundador do programa Schoolcraft College Brewing and Distillation Technology, sendo a primeira mulher a se tornar uma Cicerone certificada. Já Tamayo é gerente de fabricação de cerveja da Magnolia Brewing Co.

Ambev vislumbra ter 25% das vendas com segmento da Duplo Malte no longo prazo

Não será imediato, mas a Ambev acredita que, no longo prazo, as cervejas do segmento core plus, que tem Brahma Duplo Malte e Spaten como destaques no seu portfólio, poderão responder por 25% das vendas da companhia no Brasil. Essa perspectiva foi apresentada por Jean Jereissati, CEO da Ambev, durante a realização de comentários sobre o balanço financeiro do primeiro trimestre de 2022.

Além disso, ele acredita que a Brahma Duplo Malte pode se consolidar como líder do seu segmento. “O espaço potencial para o core plus é de 25% do setor, no longo prazo, com o premium alcançando 20%. E estamos criando algo, com Duplo Malte e Spaten, para alcançar esse 25%. E aí com a Duplo Malte tendo a possibilidade de liderar esse mercado. Acreditamos que esse possa ser um segmento importante”, afirma.

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O objetivo, hoje, pode estar distante, mas a companhia destaca que cervejas do segmento core plus representam mais de 10% das suas vendas. E ações importantes foram adotadas com as marcas ao longo do primeiro trimestre, de acordo com a Ambev, com a Spaten continuando a expandir sua distribuição e volume, e a Brahma Duplo Malte lançando novas embalagens retornáveis e one-way, que devem ajudar a atender mais ocasiões de consumo.

Em termos gerais, a Ambev também teve crescimento na produção no primeiro trimestre do ano. O volume de cerveja chegou aos 45,082 milhões de hectolitros, uma alta de 3,6%, em relação ao mesmo período de 2021. No Brasil, a expansão foi de 2,1% de janeiro a março, para 22,011 milhões de hectolitros.

“Estamos satisfeitos com os volumes. A produção está acima do nível de 2019, ao contrário dos principais competidores. E o destaque são os produtos high-end, com o crescimento de 2 dígitos em um valor alto. O core plus, com Brahma Duplo Malte, Bohemia e Spaten, já representa mais de 10% dos nossos volumes”, avalia o CEO da Ambev.

Macroeconomia e preços
Em uma visão de curto prazo, a Ambev reconhece que há ainda alguma incerteza quanto à aceleração do aumento do consumo de cerveja no Brasil ao longo de 2022, um problema provocado por fatores macroeconômicos, como a perda do poder de compra e a continuidade da inflação. Mas o seu CEO ressalta que os resultados obtidos em fevereiro e março, após a desaceleração dos casos de coronavírus, foram positivos.

“Há dúvidas envolvendo a renda disponível para as pessoas no ano e quanto ao impacto inflacionário. Por outro lado, tivemos dois carnavais. A grande questão é o volume. E vemos uma evolução contínua do volume após um janeiro complicado, em função da Ômicron”, afirma.

Embora pondere que o nível de consumo de cerveja fora de casa ainda não tenha alcançado o nível pré-pandemia, de 2019, a Ambev já se planeja sem as estratégias adotadas nos piores momentos da crise sanitária. Assim, o fim quase total de medidas protetivas contra o coronavírus também podem repercutir em uma nova política de preços por parte da empresa.

No período restritivo, a companhia optou por evitar ao máximo o repasse da inflação para aqueles produtos consumidos no local, caso especialmente das garrafas de 600ml. Agora, como destacado nos comentários após a divulgação do balanço, não deverá haver tanta diferenciação entre produtos.

“Revisitamos toda a estrutura de preços e não queríamos colocar pressão no consumo local. Se o estressasse com preço, seria exagerado. Agora, temos uma estratégia mais geral, avaliando segmento e canal, com inflação e renda”, explica Lucas Machado Lira, CFO da companhia.

Balcão da Matisse: Speakeasy – História e tendências

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Balcão da Matisse: Speakeasy – História e tendências

Ninguém sabe quem inventou o termo “Speakeasy”, denominação genérica para bares clandestinos. Ele surgiu nos anos 1920 durante a vigência da lei seca nos Estados Unidos, provavelmente derivado de outros amplamente utilizados na época, tais como: “whisper! Speak easy! The police are watching!” Ou pode ter se inspirado na Inglaterra do século XIX, quando costumava-se rotular de “Speak Softly Shop” as lojas de fachada que vendiam produtos contrabandeados.

Mas os bares clandestinos ou escondidos sempre existiram, independentemente do fato de estar ocorrendo algo ilícito ou não. Muitas pessoas procuram esses estabelecimentos “speakeasy inspired” pela aventura ou prazer de estar em um lugar não convencional ou simplesmente para fugir do óbvio. Algo como visitar o Parque das Ruínas em vez do Pão de Açúcar ou comer uma salada de saião em vez de alface.

A atmosfera “underground” dos bares clandestinos também não deixou de ser atrativa e inspiradora. Um exemplo curioso é o Bathtub Gin & Co (Seattle, Washington, EUA). A começar pelo nome, que faz referência ao período da lei seca, em que muitos fabricantes clandestinos usavam a banheira de casa para produzir gin e vender aos bares igualmente clandestinos. Podemos imaginar a qualidade da bebida resultante. Sim, era horrível, por isso se misturava com frutas, especiarias, extratos e açúcar, dando origem aos drinques, como os conhecemos hoje.

O bar com salas baixas em vários níveis foi construído silenciosamente em 2009, em uma antiga sala de caldeira nos fundos de um edifício de tijolo. Embora a chegada seja por um beco escuro e pouco convidativo entre a primeira e a segunda avenida em Belltown, o bar dispõe de uma incrível variedade de bebidas de todas as partes do mundo, mesas e sofás confortáveis no nível inferior e até uma biblioteca.

Não precisamos ir tão longe para encontrar essas preciosidades. Elas estão por aí, embora nem sempre as enxerguemos. Em uma rua despretensiosa do centro de Niterói (RJ), por exemplo, passamos por um centro de saúde, uma borracharia, uma oficina e um grande portão marrom com galpões no interior, onde várias atividades ocorrem durante o dia. Mas em determinado momento as atividades cessam, as portas das cervejarias se abrem, as luzes se acendem e o local se transforma em uma vila cervejeira, com chopes fabricados pelas pequenas cervejarias artesanais ali instaladas, comida de boteco, drinques, música e muito espaço.

Com o avanço da vacinação e a consequente redução das restrições, as pessoas voltam a frequentar os bares, mas ainda com certa cautela, preferindo ambientes abertos e ao ar livre, o que deve se tornar uma tendência. Então, fica a pergunta: como serão os speakeasy do futuro? Mais no estilo do Bathtub Gin & Co ou da Vila Cervejeira? A minha aposta é que esses bares permanecerão meio que escondidos, mantendo o clima e o charme speakeasy inspired, mas com espaços abertos e ao ar livre.


Mario Jorge Lima é engenheiro químico e sócio-fundador da Cervejaria Matisse

Cervejarias da Rota RJ se movimentam no Dia das Mães com kits e cardápios especiais

As marcas que fazem parte da Rota Cervejeira RJ prepararam uma programação especial para o fim de semana do Dia das Mães. Para que os seus clientes comemorem a data, cervejarias de Petrópolis anunciaram promoções com kits e cardápios especiais em razão da festividade deste domingo.

A Odin e a Bohemia, que possuem restaurantes no centro da cidade fluminense, disponibilizarão menus com diversos atrativos para homenagear as mães. No Casarão da Odin, haverá um cardápio batizado como Coração de Mãe. A primeira opção é o Plate de Churrasco, que serve até três pessoas por R$ 169 e conta com picanha, galeto, coração de galinha e costela bovina, além de farofa na manteiga, vinagrete, vegetais defumados, salada especial e arroz de costela como acompanhamentos.

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Uma segunda opção, chamada Peixe Pargo, garante almoço para até dois clientes e sai por R$ 129, sendo que na compra da refeição as mães ganharão um eco copo Odin recheado, com trufas Stout, e um outro presente escolhido pelo restaurante. Para completar, o estabelecimento terá promoção de chope no fim de semana.

A Bohemia, por sua vez, disponibilizará aos clientes um cardápio especial que será servido no sábado e no domingo, com valor de R$ 78 por pessoa e que dá direito a uma opção de entrada, ao prato principal e a uma sobremesa que poderá ser escolhida pelo consumidor.

A entrada do almoço trará caldinho de feijão ou croquete de carne e oferece três opções de prato principal: escalopinho de filé mignon, bobó de camarão ou meia costela ao molho barbecue. Já para a sobremesa, as pessoas poderão escolher entre uma torta de cheesecake ou de chocolate.

Este restaurante fica dentro do complexo da Bohemia, que em razão do Dia das Mães está dando acesso ao tour da cervejaria a todos os seus visitantes com o pagamento de meia-entrada. Para poder usufruir deste benefício, bastará ao frequentador mostrar um print da promoção ou da publicação da mesma, que ficará disponível na recepção do local.

Já a Colonus preparou um kit especial para as mães, que conta uma APA de 600ml da marca e dois sabonetes artesanais, sendo um feito de malte com ação antioxidante e outro de lúpulo com propriedades relaxantes e calmantes. Este kit é oferecido com duas opções de preços: R$ 62 na caixa de madeira ou R$ 45 na embalagem craft. O produto estará disponível na própria cervejaria, que fica no bairro Castelânea em Petrópolis, também podendo ser adquirido por meio do seguinte número de WhatsApp: (24) 99904-0664.

E a Brewpoint, localizada no bairro de Corrêas, é outra das cervejarias da Rota RJ que promove uma ação promocional inspirada pelo Dia das Mães. No seu bar Express, a marca presenteará as mães com um vaso de flores para quem fizer compras que superarem o valor de R$ 50. Já o brewgarden, que fica no centro da cidade, promete várias opções de pratos para celebrar a data e tocará em seu sistema de som uma seleção especial de clássicos da MPB a partir das 12 horas de domingo.

Dois anos após mortes, Backer é multada em R$ 5,1 mi por infrações pelo Mapa

Mais de dois anos após as primeiras das dez mortes pelo consumo de cerveja contaminada, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) anunciou a aplicação de multa de R$ 5.099.193 na Backer em função das infrações administrativas relacionadas ao caso.

O Mapa explicou ter finalizado os procedimentos de apuração através da sua equipe de auditores fiscais. E além da punição financeira, também decidiu pela inutilização dos produtos apreendidos e a interdição parcial da fábrica da Backer. De acordo com o ministério, a empresa “não pode mais recorrer da multa no âmbito administrativo, pois todos os recursos já se exauriram”.

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“As penalidades foram impostas devido ao estabelecimento ter ampliado e remodelado a área de instalação industrial registrada, sem devida comunicação ao Mapa; deixar de atender intimações, dentre elas a de recolhimento dos produtos; alterar a composição de cervejas sem a prévia comunicação; comercializar cerveja sem devido registro do produto e por produzir, engarrafar e comercializar 39 lotes de cerveja com presença de monoetilenoglicol ou dietilenoglicol”, afirma o Mapa, detalhando as infrações cometidas pela Backer.

O Mapa lembra que a apreensão dos produtos realizada nas dependências do estabelecimento e no comércio em Minas Gerais contabilizaram um total de 79.481,34 litros de cerveja com presença dos contaminantes, de várias marcas e vários lotes, sendo deste total 56.659 garrafas, que ofereciam riscos aos consumidores.

Logo após a eclosão dos primeiros casos de contaminação de cervejas da Backer, o Mapa interditou a fábrica da cervejaria diante da confirmação, por análises realizadas no Laboratório Federal de Defesa Agropecuária, da presença de dietilenoglicol em rótulos da marca.

O caso
O anúncio da multa vem algumas semanas depois da autorização, também pelo Mapa, de produção e comercialização de cervejas fabricadas na planta industrial da Backer. Por lá, a atividade produtiva pode acontecer em duas adegas. Para dar esse aval, o ministério diz que estão sendo atendidas as exigências para garantir a segurança dos produtos, referentes às condições dos tanques de fermentação e equipamentos.

“Para o retorno, a cervejaria substituiu em seu processo o fluido refrigerante por solução hidroalcoólica – solução que contém água e álcool. Desde novembro de 2021, a empresa vem produzindo cerveja no parque fabril em formato teste para que os produtos fossem submetidos a novas análises”, explica o Mapa.

Diante da liberação, a Cervejaria Três Lobos, proprietária da marca Backer, anunciou que voltaria a produzir rótulos no local. A cervejaria também conta com um site em que inclui cervejas Backer dos estilos Pale Ale, Trigo e Pilsen no seu portfólio. Mas tem centrado a divulgação nos rótulos que levam o nome Capitão Senra, que remete a uma famosa cerveja da marca.

Na Justiça, dez pessoas, incluindo os três sócios da Backer, se tornaram réus, em outubro de 2020 pelo envolvimento na adulteração de bebidas alcoólicas e uma por falso testemunho. Uma dessas pessoas faleceu no mês seguinte. O processo criminal está com audiências marcadas para o fim deste mês.

Ambev tem alta de 29% no lucro e produz mais cerveja, mas mercado derruba ação

Alta expressiva nos dados apresentados nas primeiras horas do dia e queda relevante na bolsa de valores. Foi assim a quinta-feira (4) da Ambev no mercado financeiro, com a divulgação do balanço do primeiro trimestre de 2022 apresentando crescimento no lucro e no volume de cerveja produzido, em contraponto ao tombo da sua ação, na sequência do dia, na B3, um efeito mais da alta dos juros e da aversão ao risco do que do seu resultado financeiro, considerado positivo pela maioria dos analistas.

Divulgado antes da abertura do mercado, o balanço da Ambev apresentou números que confirmaram um começo de ano melhor do que o de 2021. Afinal, a empresa teve lucro líquido ajustado de R$ 3,551 bilhões no primeiro trimestre de 2022, uma alta de 28,6% em relação ao mesmo período do ano passado.

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Além disso, o lucro líquido foi de R$ 3,528 bilhões, 29,1% acima dos meses equivalentes de 2021. A receita líquida consolidada da Ambev atingiu os R$ 18,44 bilhões no primeiro trimestre de 2022, o que representou crescimento orgânico de 18,5% e reportado de 10,8%.  E a receita líquida por hectolitro da companhia foi de R$ 409. Com isso, a alta ficou em 14,5% no resultado orgânico, sendo de 7% no reportado.  Já o crescimento do Ebitda ajustado foi mais modesto, de 3,7%, para R$ 5,522 bilhões.

“Apresentamos um sólido desempenho comercial no primeiro trimestre, impulsionado pela execução consistente de nossa estratégia baseada em premiumização, inovação e plataformas tecnológicas. Apesar de um janeiro bastante desafiador, impactado por uma nova onda de variante de Covid-19 em alguns de  nossos mercados e pelo cancelamento das festividades de carnaval no Brasil, nosso volume cresceu 3,6%”, afirma a Ambev.

O resultado positivo no 1º trimestre de 2022 teve suas razões. De acordo com a empresa, o volume de bebidas não alcoólicas no Brasil cresceu 16,9% no período.  Já o volume de cerveja chegou aos 45,082 milhões de hectolitros, uma alta de 3,6%. No Brasil, a expansão foi de 2,1% no período, para 22,011 milhões de hectolitros. Mas a receita líquida ampliou 13,7%, para R$ 8,1 bilhões.

A alta de 2,1% na produção de cervejas da Ambev ganha maior expressão quando se observa que a fabricação de bebidas alcoólicas recuou 8,8% no primeiro trimestre de 2022 no Brasil, de acordo com o IBGE. “A Ambev surpreendeu positivamente ao entregar um crescimento de volume na cerveja brasileira apesar da forte base comparável e de tendências mais fracas da indústria “, dizem analistas do Credit Suisse.

A companhia também citou o bom desempenho de rótulos premium, o uso de embalagens retornáveis e o consumo fora de casa como alguns dos fatores responsáveis pelo resultado positivo em seu balanço do primeiro trimestre.

“Nosso portfólio premium cresceu high-teens e o portfólio core cresceu um dígito único médio. No segmento core plus, Spaten continua expandindo sua distribuição e volume, e a Brahma Duplo Malte lançou novas embalagens retornáveis e one-way, que devem ajudar a atender mais ocasiões de consumo. Nossa estratégia de garrafas de vidro retornáveis continuou a ganhar tração com o fortalecimento do canal on-trade, liderado pela 600ml no portfólio premium e pela 300ml no portfólio core”, afirma.

O lucro operacional ajustado da Ambev foi de R$ 4,192 bilhões no primeiro trimestre de 2022, tendo crescido 3,2% no período.  Mas o caixa líquido da Ambev fechou março em R$ 11,155 bilhões, uma diminuição de 27,6% na comparação ao mesmo mês do ano passado. Esse recuo tem relação direta com a alta das despesas, de 8,5% no primeiro trimestre de 2022, para R$ 5,219 bilhões.

“As pressões de custo permaneceram, levando a um aumento de CPV/hl excluindo depreciação e amortização de 23,4% no trimestre, devido aos aumentos do preço das commodities já previstos. SG&A cresceu 14,8%, impulsionado pela inflação do diesel e compensado por uma redução das provisões de remuneração variável”, comenta a Ambev.

Apesar da alta no lucro, registrada no balanço do primeiro trimestre, a ação da Ambev despencou durante a sessão de quinta-feira da B3. O papel fechou o dia cotado a R$ 13,73, o que representou um recuo de 4,25%.

A queda, relevante, da ação da Ambev, ainda mais em um dia de divulgação de balanço com lucro relevante, se inseriu em um contexto de tombo do Ibovespa, que teve baixa de 2,8% no dia. O recuo foi estimulado pela alta da taxa básica de juros no Brasil, para 12,75%, e pela preocupação global, tanto que a desvalorização das bolsas nos Estados Unidos foi ainda maior – 4,99% na Nasdaq e 3,5% na S&P.  

Os analistas de bancos de investimentos, porém, guardaram elogios para o balanço da Ambev. “Continuamos otimistas e impressionados com a rapidez com que uma empresa de mais de 100 anos conseguiu mudar durante a pior crise de todos os tempos. Esperamos que a Ambev continue ampliando suas vantagens competitivas, principalmente na frente comercial e, portanto, continue superando seus concorrentes”, afirmam os analistas da XP Investimentos.

Leopoldina lança premiada Barley Wine e reforça seu elo com o mundo do vinho

Cervejaria que faz parte do Grupo Famiglia Valduga, a Leopoldina acaba de lançar uma English Barley Wine. A novidade é produzida através de um processo de envelhecimento nas adegas da vinícola da empresa detentora da marca, que aproveitou a expertise de uma das principais produtoras de vinhos e espumantes do Brasil para trazer esse rótulo ao mercado.

 “Entendemos que as técnicas que possuímos, tanto enológicas, quanto de processos, em função de termos uma vinícola (Casa Valduga) conosco, possibilitam conectar esse estilo de cerveja, no qual ocorre envelhecimento e se consegue ter o produto guardado por bastante tempo”, explica Rodrigo Veronese, mestre-cervejeiro da Leopoldina.

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A ideia, com a novidade, é enfatizar a ligação da marca gaúcha, que possui outros 14 rótulos de diferentes estilos em seu portfólio, com o mundo do vinho, mostrando que a Leopoldina não é uma mera cervejaria. Não à toa, está instalada em Bento Gonçalves, conhecida como a capital brasileira do vinho.

“Somos uma marca de um grupo (Famiglia Valduga) no qual a expertise é o vinho. Aliando às cervejas, entendemos que os produtos podem envelhecer assim como o vinho, ao contrário das cervejas mais de linha, com as quais se busca um giro maior de consumo. No caso da Brewine Leopoldina, o envelhecimento faz todo sentido com o propósito da marca. Buscamos a união perfeita entre o mundo da cerveja e do vinho”, enfatiza o mestre-cervejeiro.

Lançar uma Barley Wine é um passo importante para a marca aumentar a identificação com a qualidade dos vinhos produzidos na Famiglia Valduga. E outro foi dado recentemente. Para estabelecer de vez essa ligação com o grupo do qual faz parte, mudou o seu nome para Brewine Leopoldina.

“O objetivo de uma cervejaria aliada a uma vinícola é buscar o melhor dos dois mundos. Para reforçar o que buscamos, nada melhor do que uni-los no próprio nome da marca. Então, a partir de agora, deixamos de ser a Cervejaria Leopoldina para nos tornarmos a Brewine Leopoldina”, ressalta Eduardo Valduga, diretor do Grupo Famiglia Valduga.

Um rótulo premiado
A Leopoldina Barley Wine está sendo oficialmente lançada pela empresa no Festival e na Feira Brasileira da Cerveja, iniciados em Blumenau (SC) nesta quarta-feira (4). E o novo rótulo da Leopoldina chega ao mercado com o status de já ter conquistado três medalhas de ouro em competições cervejeiras, sendo uma delas no exterior.

A Barley Wine obteve estes feitos no Brussels Beer Challenge, na Bélgica, no Brasil Beer Cup, em Florianópolis, e no Concurso Brasileiro de Cervejas, em Blumenau. Para Veronese, essas chancelas auxiliam a Leopoldina no lançamento comercial do rótulo.

A Barley Wine é uma cerveja que já vínhamos degustando e proporcionando a oportunidade ao consumidor em alguns eventos e na nossa tap house. Lançá-la ao mercado com todas essas premiações, por júris nacionais e internacionais em concursos renomados, para nós é ótimo, pois temos uma validação da qualidade que buscamos em cada produto da marca

Rodrigo Veronese, mestre-cervejeiro da Leopolodina

Com estilo English Barley Wine, essa cerveja tem 14% de teor alcóolico e 10 IBUs de amargor. Pelo conjunto de características que definem o rótulo, a marca indica que a bebida seja servida em temperatura ambiente para trazer o melhor do seu alto corpo, dulçor e licorosidade. E ainda sugere harmonização com sobremesas que contenham chocolate ou cacau em sua preparação.

A Leopoldina destaca que a cerveja foi elaborada “com lúpulo e malte criteriosamente selecionados”, com o segundo destes ingredientes estando presente na fórmula em quantidade quatro vezes maior do que a usada, por exemplo, em uma Pilsner. Além disso, enfatiza que o seu processo de maturação ocorreu durante três anos nas adegas do Grupo Valduga “utilizando técnicas de envelhecimento reconhecidas por originarem nuances elegantes que remetem a vinhos fortificados”.


Leopoldina Barley Wine

Estilo: English Barley Wine
Copo: Snifter
Teor alcoólico: 14%
Amargor: 10 IBUs
Cor: 40 EBC
Temperatura sugerida: 12ºC a 14ºC
Harmonização sugerida: Sobremesas como petit gateau com choctolate meio amargo e chocolates com alto teor de cacau