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Corona lança long neck retornável e inicia uso no Brasil por Curitiba

A Corona vai lançar, em junho, a primeira garrafa long neck retornável de 330ml com distribuição confirmada para todo o Brasil. O país será o primeiro da América Latina a receber essa inovação, que visa, principalmente, diminuir a quantidade de lixo acumulado com o descarte destes recipientes.

A iniciativa começará a ser implementada em Curitiba, com a Ambev planejando ampliar essa operação para todo território nacional até 2023. A companhia também tem o objetivo de tornar, a longo prazo, as garrafas retornáveis de 330ml, o padrão disponibilizado para este rótulo distribuído em solo brasileiro.

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A Corona informa que pretende promover junto aos seus consumidores o hábito de devolução das embalagens por meio de pontos de recolhimento espalhados pela cidade. Para ser executado com sucesso, essa ação contará com o apoio logístico do aplicativo de bebidas Zé Delivery.

Em nota oficial, a Corona ainda afirma que atuará em parceria com organizações de reciclagem através da recompra das garrafas de vidro, ajudando a alimentar a economia circular e acompanhando todo o ciclo de utilização e reuso destes recipientes. Além disso, parte do lucro obtido com as vendas destas long neck retornáveis será revertido para ONGs de preservação ambiental.

E para facilitar o transporte destas embalagens, a Ambev criou uma “garrafeira”, feita com 100% de plástico reciclado, que é uma caixa com capacidade para guardar uma quantidade maior de produtos em um mesmo espaço, reduzindo assim as emissões de carbono durante a execução deste processo.

“Sabemos que a jornada por um mundo mais sustentável é longa e seguimos buscando novas formas de fazer a nossa parte e engajar nossos consumidores. A long neck é um símbolo importante de Corona, por isso unimos inovação e sustentabilidade para criar garrafas retornáveis que tenham sempre a mesma aparência das novas e ao mesmo tempo ajudem a diminuir a quantidade de lixo gerada no planeta”, ressalta Gustavo Castro, diretor de inovações da Ambev.

No ano passado, a Corona já havia apresentado uma inovação com uma embalagem inédita para acomodar latas no país, na qual as seis unidades da cerveja eram ligadas por uma lâmina de papel cartão afixada no topo do pack.

“Este é mais um marco na história da Corona, reforçando nossa ambição em nos tornarmos a cerveja mais sustentável do Brasil e atuando proativamente pela redução da produção de resíduos de todos os tipos – incluindo os nossos, já que desde o ano passado também somos a primeira marca global de bebidas neutra em resíduos plásticos”, João Pedro Zattar, chefe de marketing da Corona no Brasil.

Outros projetos sustentáveis
Em outras iniciativas focadas na sustentabilidade recentes, a marca da Ambev deu início ao projeto Corona Protect Paradise, que já coletou mais de 80 toneladas de vidro na Chapada dos Veadeiros, como detalhou reportagem do Guia. Trancoso (BA) e Fernando de Noronha (PE) também já receberam ações da Corona, com a limpeza de mais de 1,2 milhão de metros quadrados de praias e o recolhimento de 5,4 toneladas de lixo descartados de forma irregular.

Além disso, a Corona chamou a atenção para o problema da poluição plástica ao promover o Torneio de Pesca de Plástico, na Praia da Cocanha, em Caraguatatuba (SP). O Guia revelou, à época, que foram retirados mais de 1000kg de resíduos, sendo metade composto por este material que demora muitos anos para se decompor.

Leuven aproveita inspiração belga para reforçar uso de ingredientes nacionais

Leuven é uma cidade na Bélgica, mas, para o consumidor brasileiro, também pode representar uma das marcas da CBCA. A inspiração em uma das mais tradicionais e reconhecidas escolas cervejeiras é óbvia e está presente no nome da Leuven, mas a marca, que tem sua sede em Piracicaba (SP), também vem aproveitando as reconhecidas inovação e inventividade dos belgas para tornar os seus rótulos mais brasileiros, com o uso de ingredientes locais.

A estratégia tem várias motivações. Há desde o acesso mais fácil a esses produtos, assim como aspectos financeiros. E, principalmente, a possibilidade de fomentar o trabalho de parceiros locais, mostrando que insumos tipicamente brasileiros podem ser ainda melhores do que os originais, importados.

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“Buscamos ir a fundo, saber mais das regiões produtoras, do sistema de plantio, da origem, se são plantas nativas, se são de agricultura sustentável”, explica Karin Barreira, gerente de marketing da CBCA. “A Leuven usa ingredientes nacionais, de fácil acesso. Para fazer uma Dubbel, uma Quadruppel, na Bélgica, eles utilizam o açúcar de beterraba, que é produzido na Europa. Aqui, ao invés de trazermos esse produto, usamos o nosso açúcar, o melaço de cana, que é similar. Com a diferença que é da minha região, aqui de Piracicaba, e está disponível em larga escala, por ser uma região canavieira”, acrescenta.

Tem dado certo, tanto que a marca vem sendo reconhecida em concursos pela excelência com medalhas, inclusive, para cervejas de estilos de origem belga. Recentemente, os dois ouros conquistados pela Leuven no Concurso Brasileiro de Cervejas, em Blumenau (SC), foram para uma Dubbel, a Warlock, e uma Quadrupel, a Dark Wolf.

A Warlock tem, inicialmente, notas de malte, caramelo e chocolate. Também no aroma e sabor, notas de uva passa e ameixa. E o toque local é dado pela Leuven com a adição de melado e açúcar mascavo, ingredientes com produção massiva no interior paulista. Já a Dark Wolf é uma cerveja forte e potente, além de complexa. De acordo com o descritivo, seu aroma maltado remete ao caramelo e notas de ésteres frutados, trazendo frutas vermelhas, passas, tâmaras e ameixa seca, que finalizam com suave nota vínica e de carvalho francês.

Para Karin, as medalhas indicam o êxito do uso de ingredientes locais pela Leuven, que consegue produzir cervejas com qualidade reconhecida por juízes. E ainda contribui para o fomento da atividade em localidades próximas de onde a cervejaria está instalada.

“Esses ingredientes entregam atributos bons ou melhores. As cervejas têm medalhas internacionais, concorreram com cervejas da Bélgica e nós ganhamos com insumos brasileiros, como o melaço de cana. Fica tão incrível quanto uma cerveja de lá. E é uma forma de a gente estimular a produção nacional e utilizar recursos que estão muito mais próximos”, diz.

Além disso, em um mercado que encara desafios de custos de matéria-prima e insumos, a Leuven consegue se proteger de oscilações de preços internacionais e oferecer um produto mais acessível ao público cervejeiro.

“O custo de produtos como uma Quadruppel, que fica 120 dias em tanque, já é alto, pela forma e tempo de produção. Usando recursos nacionais, você consegue fazer essa cerveja chegar mais acessível ao consumidor”, pondera a gerente de marketing da CBCA.

Inventividade além das belgas
Com o uso de elementos nacionais de modo inventivo e inovador, parecia claro o encontro da Leuven com a Catharina Sour, estilo de cerveja brasileiro reconhecido internacionalmente, pelo BJCP no fim de 2021. E foi isso que aconteceu, com o recente lançamento da Sour Eternal Sunshine. É uma cerveja que aposta na mistura de frutas amarelas, casos da manga, que é orgânica certificada, da uvaia e do maracujá, em uma combinação que a deixa refrescante, além de reforçar o paladar.  

“Nós trouxemos a uvaia, uma fruta pouco conhecida, exótica, mas que é da nossa Mata Atlântica. Ela é extremamente aromática, cheirosa e muito saborosa. E cai como uma luva para esse estilo. Também trouxemos o maracujá, que também é nativo, sendo muito difundido no país. E a manga, que não é nativa do Brasil, mas se adaptou muito bem aqui. E é de uma fazenda do interior de São Paulo, toda de cultivo orgânico. Então, a gente trouxe três frutas aromáticas, produzidas aqui no estado, para compor essa cerveja”, relata.

É também o que se vê na Rye IPA Drache, premiada com uma medalha de prata na última edição do Concurso Brasileiro. Afinal, ao mesmo tempo em que conta com os lúpulos Vic Secret, da Austrália, e Ariana, da Alemanha, com o seu dry-hopping sendo responsável pelo aroma complexo, também traz notas de frutas tropicais, a lichia, o melão e o maracujá.

“Nós somos produtores e exportadores de frutas por excelência, temos uma variedade muito grande. Então, temos diversos sabores, aroma, acidez, frutas mais doces… E a Leuven quer aproveitar isso”, conclui Karin.

Heineken confirma que fábrica em MG será em Passos e prevê inauguração até 2025

Depois de ter desistido de construir uma fábrica em Pedro Leopoldo, na região metropolitana de Belo Horizonte, o Grupo Heineken anunciou, nesta quarta-feira, que vai erguer uma unidade produtiva em outro município mineiro: Passos, que abrigará a primeira planta industrial da companhia no Estado. O acordo foi celebrado em cerimônia no município, que teve a presença de diversas autoridades, incluindo o governador Romeu Zema.

Passos venceu a concorrência de mais de 200 outras cidades mineiras que se candidataram para receber a fábrica. A companhia confirmou que fará investimento de R$ 1,8 bilhão na construção desta unidade fabril e prometeu inaugurá-la até 2025.

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“A nossa ideia é inaugurar até 2025, mas já estamos correndo para antecipar essa inauguração para a celebrarmos em no máximo dois anos a abertura desta cervejaria. A gente coloca, obviamente, 2025 (como prazo limite) para não frustrar as expectativas”, reforçou Mauricio Giamellaro, CEO do Grupo Heineken no Brasil.

A tentativa de acelerar as obras em Passos, antecipando a inauguração, está relacionada com o atraso nos planos de construção de uma fábrica em Minas Gerais. Afinal, em dezembro de 2021, a companhia desistiu de construir uma fábrica em Pedro Leopoldo, que visava inaugurar em 2023.

A unidade industrial ficaria localizada nas proximidades da área onde está um importante sítio arqueológico, o Lapa Vermelha, onde foi encontrado Luzia, considerado o fóssil humano mais antigo das Américas. O impacto que a obra teria nesta área de preservação ambiental e arqueológica chegou a paralisar o início das atividades de construção no local, levando o caso para a Justiça.

“Entendemos que naquele momento a gente precisava respeitar as decisões de todas as pessoas. E junto com o governo de Minas, tomamos a decisão corajosa de mudar o lugar da nossa cervejaria, não porque Pedro Leopoldo não teria o respeito da Heineken para recebê-la, mas porque todos os órgãos envolvidos tinham de estar alinhados e os consumidores também”, afirmou Giamellaro.

O CEO lembrou que o acordo com o município fará com que o Grupo Heineken amplie as atividades realizadas em Minas Gerais, que receberá a 15ª fábrica da multinacional no Brasil. Na unidade de Passos, a companhia vai focar na produção de suas duas principais cervejas no segmento premium, a Heineken e a Amstel.

“Temos 31 centros de distribuição no Brasil, e em Minas Gerais já temos três: em Poços de Caldas, Uberlândia e Belo Horizonte. Temos 500 colaboradores diretos já trabalhando em Minas. Agora, estamos fazendo o anúncio de R$ 1,8 bilhão em investimentos nesta unidade. Vamos gerar 350 empregos diretos aqui em Passos e 11 mil empregos indiretos para a região”, ressalta.

Passos está localizada na região Sul de Minas Gerais, tendo, aproximadamente, 115 mil habitantes. Um atrativo para a escolha desta cidade foi a disponibilidade hídrica proporcionada pela Bacia Hidrográfica do Rio Grande. Para se beneficiar dos recursos de maneira eficiente, a companhia promete utilizar tecnologias avançadas para ajudar a reduzir o consumo de água, além de construir um sistema de abastecimento, que permitirá a ampliação da infraestrutura de disponibilidade e captação de água.

“Queremos trazer para Passos o que será a nossa cervejaria mais sustentável do Brasil. Ela já vem com a implantação, desde a sua concepção, da geração de energia 100% renovável”, enfatizou o vice-presidente de sustentabilidade e assuntos corporativos do Grupo Heineken, Mauro Homem, que também apontou a “localização estratégica” de Passos, próxima aos centros de distribuição da empresa em Minas Gerais e do interior de São Paulo como mais um fator que pesou para a escolha do município para receber a unidade industrial.

Presente ao evento desta quarta-feira, o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, afirmou que que não houve qualquer favorecimento ou influência política da sua gestão para a escolha do Grupo Heineken por Passos, onde o atual presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, foi criado depois de ter nascido em Porto Velho (RO).

“Deixamos a empresa totalmente confortável e fizemos a ponte com os municípios. É uma decisão em que o Estado não entrou. A disputa ficou com os municípios”, assegurou o governador.

Backer deve sofrer rejeição no mercado em volta vista como legítima pelo setor

Autorizada pela Justiça a voltar a produzir bebidas em sua fábrica em Belo Horizonte, pouco mais de dois anos após a eclosão dos casos de contaminação que provocaram dez mortes em Minas Gerais, a Cervejaria Três Lobos, responsável pela marca Backer, continua sendo vista com desconfiança, o que faz a viabilidade do seu retorno ao mercado ser considerada incerta.

Anteriormente, a empresa mineira foi proibida de produzir, depois de lotes das cervejas da Backer serem contaminados por dietilenoglicol, o que provocou consequências trágicas a partir do começo de 2020. Na ocasião, após as ocorrências, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento determinou o recolhimento dos produtos da cervejaria. E análises posteriores detectaram a presença da substância tóxica nas bebidas.

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A Três Lobos, porém, conseguiu neste mês o aval para produzir e comercializar cerveja da sua fábrica. Mas ainda terá de reconquistar a credibilidade, como destacam especialistas ouvidos pelo Guia. Assim, embora reconheçam que o retorno à atividade produtiva é legítimo, há previsões de rejeição por parte dos consumidores, pois a Backer ficou marcada pelas mortes provocadas pelas contaminações.

À frente da Federação Brasileira de Cervejas Artesanais (Febracerva) e da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Cerveja, Marco Antonio Falcone destaca a legalidade da liberação das operações da Backer, embora relate pressões sobre as entidades que preside para buscar saídas jurídicas que impediriam esse retorno.

“O órgão que regulamenta, que permite e que proíbe (o funcionamento da cervejaria), é o Ministério da Agricultura. Uma vez que a Backer regularizou todas as suas pendências e a fiscalização do Ministério da Agricultura verificou que existe segurança alimentar ali, realmente o setor não tem o que fazer. Eles (a Cervejaria Três Lobos) têm toda a liberdade de produzir e comercializar, desta vez com responsabilidade”, afirma Falcone.

Gilberto Tarantino, presidente da Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva), aponta a necessidade da aplicação de punições justas aos envolvidos nos casos de contaminação. Porém, ele qualifica como necessário o retorno das atividades produtivas da Backer em Minas Gerais, especialmente para custear as indenizações.

“A Abracerva lamenta profundamente as vidas perdidas e impactadas neste caso e entende que os responsáveis devem ser penalizados conforme decisão da Justiça. Entendemos também que a retomada da produção, atendendo a todas as normas e exigências de órgãos municipais, estaduais e federais, irá permitir que a empresa cumpra seus compromissos com a Justiça e continue gerando empregos e renda”, analisa.

André Lopes, criador do Advogado Cervejeiro e colunista do Guia, também destaca que a retomada das atividades da cervejaria é importante para que a empresa tenha condições financeiras de indenizar as famílias das pessoas que morreram ou tiveram danos sérios à saúde devido à bebida contaminada.

“Vejo como um mal necessário. Para que as indenizações e auxílios sejam pagos às vítimas e a suas famílias, é necessário que a empresa retome as atividades e a produção de cerveja. Só espero que o judiciário seja o mais célere possível e que o pagamento das indenizações ocorra o quanto antes e em patamar elevado, já que o dano causado jamais será reparado”, afirma.

Por sua vez, Sady Homrich, engenheiro químico, cervejeiro e baterista do Nenhum de Nós, qualifica como precoce a autorização concedida à marca mineira para retomar as atividades em sua fábrica em Belo Horizonte, apontando que isso só deveria ocorrer após o julgamento do caso, previsto para começar no fim de maio.

“Me parece precoce essa retomada, já que o julgamento dos acusados do caso Backer ocorrerá em 25 e 26 de maio. Acredito que os cinco responsáveis técnicos que foram indiciados por homicídio culposo, lesão corporal culposa e por agirem com culpa na contaminação, o funcionário investigado por falso testemunho e o chefe da manutenção, indiciado por omissão, não estarão nesse retorno à operação. Mas, a meu ver, os três gestores indiciados por atos na pós-produção teriam de aguardar o julgamento para reencontrar o mercado, dependendo do resultado”, analisa Sady.

Rejeição do mercado e das cervejarias
Desde o ano passado, quando voltou a produzir cervejas, ainda que de modo cigano, a Cervejaria Três Lobos não tem utilizado – ao menos não de modo prioritário – o nome anterior, recorrendo a Capitão Senra, que era um dos mais conhecidos rótulos da Backer, embora não o seu principal. Porém, mesmo repaginada, a cervejaria vem enfrentando rejeição, especialmente após a liberação das atividades em sua fábrica.

“As reações negativas do mercado já começaram a aparecer. A loja Mamãe Bebidas (em Belo Horizonte), que vende quase todos os rótulos produzidos no Brasil, anunciou a retirada das cervejas Capitão Senra de suas prateleiras, respeitando o protesto de seus consumidores. Grande parte dos consumidores comenta publicamente que não tomará da ‘cerveja que mata’”, diz a jornalista e sommelière Fabiana Arreguy.

Para Falcone, a postura da Backer desde a eclosão do caso deve contribuir para a rejeição aos seus produtos nesse retorno. “Eu acredito que o público vai rejeitar. Não vejo muita possibilidade, falando na visão de comércio ou de consumidor, de um sucesso nessa nova empreitada deles, porque realmente ‘queimaram o filme’. Essa é a minha opinião pessoal”, ressalta.

Também proprietário da Falke Bier, Falcone destaca que também há forte rejeição à marca entre as demais cervejarias. Afinal, o episódio trágico teve reflexos negativos para as artesanais como um todo. Assim, embora aceite a retomada das atividades da Backer, pela questão legal, aponta que esse retorno não é moralmente correto.

Tecnicamente, nós não temos como agir porque estão em conformidade com a legislação, que não prevê nenhuma punição, como uma suspensão para quem errou. Então, nós temos de aceitar passivamente isso. Mas cabe uma colocação: se as cervejarias que tanto se esforçam, que fizeram crescer o mercado, foram tão afetadas por um erro isolado, seria justo a Backer voltar a comercializar cervejas?

Marco Antonio Falcone, presidente da Febracerva e da Câmara Setorial da Cerveja

Esse inconformismo é compartilhado por Fabiana Arreguy, que revela sua rejeição à Backer, inclusive como consumidora, pela conduta da empresa com as outras cervejarias e as vítimas da contaminação e seus familiares.

“Minha dúvida era se eles teriam coragem de voltar para o mercado, principalmente depois de se indispor com todo o segmento ao afirmar que todas as cervejarias usavam o dietilenoglicol em suas fábricas. Também duvidava que eles passariam por cima da opinião pública em relação à forma como eles trataram as vítimas e suas famílias. Eu não duvido da qualidade das cervejas produzidas pela Backer. Mas, como consumidora, não comprarei, não beberei, por questões éticas”, enfatiza.

Desculpas, transparência e início ‘do zero’
André Lopes enfatiza que, para a empresa recuperar a credibilidade, não basta mudar de nome em seus rótulos e tentar desvincular a imagem do passado trágico. Para ele, a cervejaria responsável pela marca deveria se retratar, admitir os erros e pagar indenizações às famílias das vítimas sem esconder essas pendências do público enquanto luta para voltar a ter a confiança dele, assim como dos demais atores do segmento.

“Está clara a tentativa da cervejaria de se dissociar da marca Backer, ativando outras marcas do portfólio, inclusive mudando o domínio do site e apagando menções às cervejas que levavam o nome Backer. Em relação à receptividade por parte das demais microcervejarias, creio que houve uma ruptura quase que total a partir de declarações da empresa no início das investigações, fato que tornou a Backer persona non grata no meio cervejeiro. Entendo que uma mudança nesse panorama só ocorreria a partir de uma retratação completa em relação a essas declarações equivocadas e com uma prestação de contas clara e transparente no tocante ao pagamento dos auxílios e indenizações às vítimas”, sugere.

Fabiana Arreguy defende que a Backer deveria promover um recomeço de sua história como cervejaria em todos os aspectos.

Para que voltassem ao mercado sem gerar desconfiança e revolta, só se mudassem a razão social da empresa, o nome fantasia, as instalações da fábrica. Ou seja, se fosse uma nova empresa, começando do zero e se dissociando de qualquer referência à Backer

Fabiana Arreguy, jornalista e sommelière

A especialista recorda episódio envolvendo uma famosa empresa multinacional italiana, ocorrido em 2014, para fazer uma comparação que respalda a sua opinião. “Esse caso me lembra muito o que aconteceu com a Parmalat, envolvida em um escândalo de adulteração do leite com acréscimo de substâncias nocivas à saúde humana. Nunca mais a empresa conseguiu se reerguer, até ser vendida para a Itambé, que descontinuou a marca”, conclui.

Rota RJ vai a eventos além da bebida para fortalecer vocação turística cervejeira

Em meio à retomada das atividades após os piores momentos da pandemia da Covid-19 e a maior tragédia da história de Petrópolis, a Rota Cervejeira RJ quer ir além dos eventos da bebida que une as suas integrantes. Nos próximos meses de 2022, o planejamento será de fortalecer a vocação turística cervejeira.

Assim, a Rota RJ trabalhará para estar mais presente em encontros de turismo. A ideia é aproveitar esses momentos para colocar o “turismo cervejeiro na mesma prateleira do turismo nacional”, como destaca Ana Cláudia Pampillón, coordenadora da Rota Cervejeira RJ.

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“Nós sempre estivemos presentes em eventos de cerveja, como o Mondial e o Festival Brasileiro da Cerveja, mas este ano queremos focar mais nos eventos e feiras de turismo e não somente nos eventos cervejeiros”, conta Ana Cláudia.

Ela relata a percepção da Rota RJ de que o turismo cervejeiro poderia ser muito mais falado. E espera que a nova estratégia ajude a modificar esse cenário.  “O estado do Rio de Janeiro, por exemplo, é super rico e tem umas das experiências de turismo cervejeiro melhores do país. Mas, muitas vezes, as autoridades ressaltam outras vocações, como as do Vale do Café, do turismo de aventura… E a gente quer colocar o turismo cervejeiro no radar.”

O plano de aumentar a presença nas feiras de turismo é de ajudar a “vender” os passeios cervejeiros para as agências, guias e demais trabalhadores do setor. “Vamos colocar o turismo cervejeiro, de fato, no mapa”, pontua Ana.

A coordenadora da Rota RJ destaca que enquanto em eventos cervejeiros o diálogo se dá com o consumidor final, a presença em feiras turísticas oferece a oportunidade de aproximação daqueles que irão conduzi-los para a realização do turismo cervejeiro.

“Em função do consumo consciente, é muito importante que as pessoas possam ir de van, de ônibus. E elas vão com guias e agências. Então, acho que a interlocução com esse trade turístico é de extrema relevância para nós”.

Para este ano, além da participação mais efetiva no calendário das feiras de turismo, a Rota RJ também busca novos associados, incluindo produtores de lúpulo. Uma ampliação do foco que está relacionada com a crescente produção desse insumo cervejeiro, com várias plantações, na região serrana do Rio.

Nova diretoria
Nas últimas semanas, a Rota RJ também passou por mudanças na sua diretoria. “A ideia de renovação da diretoria é de sempre termos olhares de diferentes municípios e suas realidades, tornando a associação mais plural”, explica Ana, que se mantém como coordenadora.

Para o biênio foram eleitos: Gabriel Thuler (Alpendorf), para a presidência; Gilmar Carvalho (Bohemia), vice-presidência executiva; Luciano Machado (Grupo Petrópolis), vice-presidência corporativa; Maurício Almeida (Rota Imperial), gerência de marketing/comercial; e Pedro Paiva (Mad Brew), gerência de operações e eventos.

Retomada após tragédia
Como se não bastasse a pandemia da Covid-19, outro desafio enfrentado pelos associados da Rota RJ também foi a tragédia em Petrópolis em 15 de fevereiro, quando uma tempestade devastou a cidade, provocou mortes, desabrigou famílias e atingiu as cervejarias que atuam na região.

No começo de março, em meio à reabertura dos estabelecimentos, algumas ações cervejeiras buscaram ajudar a cidade. E a união entre as integrantes da Rota RJ também ajudou nesse processo. “Em um primeiro momento, a associação esteve presente dando um suporte amplo para as cervejarias de Petrópolis. E com a retomada dos eventos, acreditamos que nos fortalecemos estando presentes para podermos divulgar mais nossos destinos turísticos cervejeiros”, finaliza Ana.

AB InBev venderá participação em joint-venture e deixará mercado da Rússia

Cerca de dois meses após a invasão da Ucrânia pelas tropas de Moscou, a AB InBev anunciou a sua decisão de encerrar qualquer atuação no mercado da Rússia. Assim, a companhia, que já havia solicitado a paralisação da produção e venda da Budweiser no país, também negociará a sua participação na joint-venture AB InBev Efes.

“(A AB InBev) Vai vender sua participação minoritária na joint venture AB InBev Efes e está em discussões ativas com seu parceiro, a cervejaria turca Anadolu Efes, para adquirir essa participação. O pedido da AB InBev sobre a suspensão da licença para produção e venda da Bud na Rússia também fará parte de uma possível transação”, afirma a maior cervejaria do mundo em nota oficial.

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Com o anúncio da saída da Rússia, a AB InBev atende à crescente pressão sobre empresas multinacionais ocidentais para que deixem de operar no país como forma de condenar a ação militar na Ucrânia. Além disso, se junta a outras duas gigantes grupos cervejeiras, a Carlsberg e a Heineken, que anunciaram suas saídas nos últimos dias de março.

Inicialmente, sob o argumento de que não possuía o controle da joint-venture, a AB InBev havia anunciado que estava renunciando aos benefícios financeiros como sócia, além de pedir que a Budweiser não fosse mais produzida. Agora, porém, entendeu que só essas ações não eram suficientes.

“Como resultado, a AB InBev está deixando de reconhecer os investimentos na AB InBev Efes e reportará despesa de depreciação não monetária de US$ 1,1 bilhão em parcela não subjacente dos resultados de associados como parte do anúncio dos resultados do primeiro trimestre”, afirma.

Como anteriormente a Carlsberg, até então líder do mercado russo, disse que o fim da operação representaria um baixa contábil de US$ 1,4 bilhão, e a Heineken estimou a sua saída em 400 milhões de euros (US$ 428 milhões), o êxodo das três gigantes cervejeiras terá um custo de quase US$ 3 bilhões.  

Estrutura e outras ações
A AB InBev tem participação de 24% na Anadolu Efes, como parte da compra em 2016 da SABMiller. Elas formaram a joint-venture AB InBev Efes em 2018, para operar em solo russo e ucraniano. Nos países, são 11 cervejarias na Rússia, com 3.500 empregados, e 3 na Ucrânia, com 1.800 funcionários.

Apesar do fim da operação na Rússia, a AB InBev assegura que continuará apoiando seus funcionários, suas famílias e os esforços de ajuda humanitária na Ucrânia junto com seu parceiro. Esse amparo inclui aconselhamento, moradia e apoio financeiro. Além de doações para ONGs e a Caritas, a companhia também busca fornecer alimentos, cobertores, suprimentos médicos e 3 milhões de embalagens de água potável de modo emergencial para a Ucrânia e países vizinhos que têm acolhido refugiados.

Anteriormente, a AB InBev também havia lançado a Chernigivske, famosa marca de cerveja ucraniana que faz parte do seu portfólio, em diversos países. A ideia é que todos os lucros com as vendas sejam destinados a esforços de ajuda humanitária, com a companhia destinando ao menos US$ 5 milhões para essa iniciativa.

Heineken lucra 417 mi de euros no 1º trimestre e indica novos reajustes de preços

O Grupo Heineken divulgou o seu balanço do 1º trimestre de 2022 com bons resultados financeiros e um fator de preocupação para o bolso do consumidor. A companhia anunciou um lucro líquido de 417 milhões de euros no período. Mas manteve o aviso de que precisará continuar subindo o preço das suas cervejas.

O indicativo de que deve aumentar ainda mais os preços da cerveja se dá pela continuidade da elevação dos custos de produção. Um alerta semelhante, inclusive, já tinha sido dado há alguns meses, quando da divulgação do balanço de 2021.

“Vemos mais incertezas macroeconômicas e esperamos ventos contrários inflacionários adicionais significativos, pressionando ainda mais nossa base de custos. Tomaremos ações adicionais, incluindo preços, para gerenciar esses desafios”, afirma Dolf van den Brink, presidente do conselho executivo e CEO do Grupo Heineken.

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O aumento no lucro do Grupo Heineken, que saltou de 168 milhões de euros para 417 milhões de euros entre o 1º trimestre de 2021 e o mesmo período de 2022, se insere em um contexto de afrouxamento das restrições que vinham sendo adotadas em função da pandemia do coronavírus. Um cenário que minimizou, assim, eventuais efeitos da guerra na Ucrânia e da decisão da companhia de encerrar a sua operação na Rússia.

O Grupo Heineken também registrou aumento da sua receita no primeiro trimestre de 2022, que ficou em 6,989 bilhões de euros, contra os 5,145 bilhões de euros do mesmo período do ano passado, o que representa expansão de 35%. A receita líquida foi de 5,753 bilhões de euros, com um crescimento orgânico de 24,9%.  Para essa alta, também contribuiu a oficialização da entrada da United Breweries Limited, da Índia, no portfólio do Grupo Heineken, o que contribuiu com 200 milhões de euros.

Já a receita líquida por hectolitro expandiu 18,3% no 1º trimestre. Nesse caso, o crescimento foi impulsionado pela política de preços, pela premiumização do portfólio, bem como por um efeito positivo do mix de canais. O volume de cerveja aumentou 5,2% organicamente em relação ao mesmo período do ano passado, ao atingir os 56,4 milhões de hectolitros. Além disso, foi 2,8% maior do que nos mesmos meses de 2019.

“Tivemos um início de ano sólido, em linha com nossas expectativas, especialmente nos beneficiando do forte mix de canais da recuperação parcial do comércio na Europa e assertividade nos preços em todas as regiões. Continuamos a progredir no EverGreen e lançamos a Heineken Silver na Europa para impulsionar a premiumização em escala”, afirma Van den Brink.

Resultado modesto nas Américas
Na apresentação do balanço, o próprio Grupo Heineken reconheceu que o crescimento na região das Américas no primeiro trimestre de 2022 foi modesto. A companhia citou que sua receita líquida expandiu 10,7%, com o volume consolidado caindo 1,9% e a receita líquida por hectolitro avançando 13,2%, resultado estimulado pela premiumização e pela alta dos preços no México e no Brasil.

Já o volume de cerveja cresceu 1,3%, com o volume dos demais produtos recuando 57,7%, em função do fechamento do portfólio de refrigerantes PET no Brasil de 1 litro ou mais, anunciado em outubro de 2021.

No Brasil, o volume de cerveja cresceu um dígito baixo, porém acima do mercado, de acordo com a companhia. Mas o portfólio premium e mainstream expandiu dois dígitos, liderado por Heineken, Amstel e a recente introdução da Tiger. Já as marcas econômicas recuaram dois dígitos.

Cerveja e Gestão: Quão ruins são as cervejas?

Cerveja e Gestão: Quão ruins são as cervejas?

Essa pergunta pode ser respondida sobre diferentes perspectivas. Por isso, cabe iniciar a resposta colocando à mesa que o nosso interesse é tratar sobre qual o impacto que um copo de chope ou uma garrafa de cerveja pode trazer ao meio ambiente. Especificamente, em relação à emissão de gases do efeito estufa, de carbono e seus equivalentes (CO2e) ou, ainda, qual é a pegada de carbono por trás de nossos hábitos ao tomarmos uma gelada.

Os dados fornecidos nesta coluna foram publicados pelo cientista Mike Berners-Lee na versão revisada em 2020 do livro intitulado “How Bad Are Bananas?” (em tradução livre “Quão Ruim São As Bananas?”). Uma importante consideração feita pelo autor para apresentar sua resposta clara, com base científica, é que o termo “pegada de carbono” pode ser usado de forma equivocada. Ou melhor, que “pegada de carbono” é uma metáfora usada de forma abreviada, que significa qual seria a melhor estimativa ao nosso alcance para medir os impactos das mudanças climáticas em relação a algo.

Isso vale para uma atividade (exemplo, realizar uma Copa do Mundo de futebol), um item (exemplo, nosso chopinho), um estilo de vida (exemplo, cuidarmos de um bicho de estimação), uma empresa (uma cervejaria local), uma cadeia de suprimentos global etc.

Apesar de o termo mencionar a palavra carbono, deve ser levado em consideração todos os gases que promovem o aquecimento global. Dessa forma, são relevantes as estimativas sobre emissões de gases dominantes em relação ao efeito estufa, como o CO2 emitido toda vez em que usamos combustíveis fósseis em casa, veículos, fábricas e para gerar energia. Além de outros gases importantes, como metano (CH4) emitido principalmente pela agricultura e aterros sanitários, cuja potência pode ser 28 vezes maior quando comparado ao CO2 em um período de 100 anos.

Ainda mais potente do que o gás metano, mas emitido em menores quantidades, é o óxido nitroso (N2O) proveniente de processos industriais e produção agrícola, com efeito 265 vezes maiores do que o dióxido de carbono nessa mesma fração de 100 anos. Ou, ainda, gases usados na refrigeração, os quais são milhares de vezes mais potentes.

Os cálculos sobre a potência e quantidades emitidas são complicados de serem realizados, devido à natureza de gases reagirem de forma diferente ao longo do tempo. Por isso, a dificuldade de se estabelecer uma convenção entre empresas de um mesmo setor sobre como conduzi-los. Para evitarmos confusão, uma das formas mais apropriadas é considerarmos a “pegada de carbono” em termos de emissões de dióxido de carbono e equivalentes (CO2e).

Outro equívoco comum a ser evitado é considerar apenas emissões diretas. Por exemplo, as conhecidas calculadoras de websites podem informar a “pegada de carbono” com estimativas baseadas na produção direta de matérias-primas ou envase, e ignorar outros itens relevantes, como geração de energia para produção, transportes de matéria-prima e produtos, compras de produtos para fabricação e para gestão do negócio, desperdício, entre outros.

Esses equívocos são parte da complexidade inerente aos temas ligados à sustentabilidade, tanto para operações de empresas ou da cadeia de suprimentos em que estão inseridas. Isso nos coloca diante de um dilema, pois é quase impossível medirmos a pegada de carbono, apesar de ser essencial compreendermos como a produção de matérias-primas por meio da agricultura (no caso das cervejas), do transporte, armazenamento e dos processos inseridos nestas etapas produtivas influenciam as mudanças climáticas.

Como lidar com esta complexidade em medir algo quase impossível? A primeira resposta pode ser negarmos a necessidade de medirmos. Uma segunda maneira é medirmos algo mais fácil, mas que pode nos levar a ilusões, confundindo nossa atenção, como os exemplos mencionados sobre os equívocos ao medirmos apenas os impactos diretos, ou apenas as emissões de dióxido de carbono (CO2). A abordagem que Berner-Lee propõe pode ser considerada mais realista ao medir o que é prático de forma mais completa, e ser honesto em relação às incertezas que ainda persistem sobre o assunto.

Com estas considerações podemos dizer que a estimativa mais plausível sobre qual valor correspondente à pegada de carbono das cervejas pode variar entre (Berners-Lee, 2020, p. 69):

650g CO2e de um chope de um brewpub;
780g CO2e de uma cerveja engarrafada de um brewpub;
910g CO2e de um chope de outra localidade em um pub;
1kg CO2e de uma cerveja engarrafada e transportada por longas distância até chegar ao mercado.

Estudo realizado na Everards Brewery, um brewpub de médio porte localizado em Leicester (Reino Unido), apresentou o seguinte resultado considerando as fontes de emissões de gases efeito estufa:

Fonte: Berners-Lee (2020, p. 69)

Para a cervejaria que participou deste estudo, gás e eletricidade corresponderam a mais de um quarto da pegada, logística foi equivalente a um quinto, considerando que as cargas para transporte das cervejas são pesadas, e ingredientes por aproximadamente um oitavo. Quase 40% está na conta de tudo que a cervejaria precisou por meio de compras. O processo de fermentação apresentou aproximadamente 15g por chope, mas que pode ser desconsiderado, pois o CO2 é absorvido pelos ingredientes durante o processo.

Assim, se você puder optar, prefira tomar o seu chope ou cerveja em um brewpub local, para evitar as emissões inerentes aos transportes e armazenamento. E, é claro, quando preferir ficar em casa, latas são mais sustentáveis do que garrafas. Especialmente pela capacidade infinita de reciclagem e por serem mais leves para o transporte. Para efeitos de qualidade, as latinhas também são imbatíveis por preservarem o conteúdo da luz e impurezas externas.

Sob o ponto de vista do meio ambiente e de sua saúde, independentemente de onde for tomar sua próxima cerveja e qual, um simples chope de qualidade é quase sempre melhor do que um pack de garrafas encontrado mais barato em um supermercado. Aproveite sua escolha.


Marcelo Sá é professor de gestão em operações, pesquisador na área de riscos e resiliência em cadeias de alimentos e bebidas, esposo e pai apaixonado por sua família. Em sua folga, pode ser facilmente encontrado com uma IPA ao seu lado.

Conheça os desafios da produção da Lambic por um brasileiro radicado na Bélgica

Estilo de origem belga, a cerveja Lambic tem um brasileiro envolvido em sua produção logo no país onde surgiu. É Tiago Falcone, um dos cervejeiros responsáveis pela fabricação das Lambics do Dansaert, programa de cervejas de fermentação espontânea e mista, envelhecidas em barricas da Brussels Beer Project.

Com essa experiência, Tiago Falcone avalia que cervejarias do Brasil podem até produzir Lambics de forma satisfatória, embora lembre dos desafios impostos pela sua complexa e demorada fabricação, que não pode ser acelerada.

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“A característica principal que dificulta (a produção deste estilo de cerveja no Brasil) é o controle de temperatura. O problema maior é que a temperatura mais alta acelera muito a formação de ácido acético. Se houver a presença de oxigênio, e num envelhecimento mais longo há sempre a presença dele, e se não houver cuidado, vira acético e avinagra a bebida. O uso de tonéis maiores pode ser uma alternativa, pois ajuda a reduzir a proporção de oxigênio por volume”, afirma.

As opiniões sobre cervejas do estilo Lambic foram dadas por Tiago Falcone em encontro promovido pela Associação Brasileira da Cerveja Artesanal (Abracerva), denominado Roda Fermentativa, realizado mensalmente.

A Lambic é um estilo de cerveja belga, produzido com fermentação espontânea, envelhecido, geralmente de um a três anos, em barris de madeira. Tiago Falcone destacou que ela deve ser produzida preferencialmente em noites frias de inverno, quando as leveduras e bactérias do ar possuem as condições mais propícias para ajudar a inocular de maneira ideal o mosto quente dos tanques de cerveja. E esse processo se dá antes de o componente cervejeiro ser resfriado e transferido no dia seguinte para os barris, onde começa a fermentar durante o seu envelhecimento.

Ele também enfatiza que a cerveja Lambic não é produzida durante o verão na Bélgica, mas sugere o uso de frutas como uma alternativa para a fabricação deste estilo no Brasil, que possui clima tropical e predominantemente quente na maior parte do ano. Essa possibilidade, inclusive, já vem sendo aplicada no Brasil por marcas como Wäls e Blumenau, que já foram premiadas por rótulos do tipo, inclusive em concursos internacionais.

“Acho que é possível fermentar usando frutas. Dá para fazer vinho, por exemplo, com fermentação espontânea da fruta. Ou seja, as leveduras daquela fruta começam a fermentação naturalmente. Se isso é possível, por que não seria possível fazer isso com as leveduras do ar que inoculam o mosto?”, questiona Tiago. “Não tem uma resposta certa: ‘Ah, é só isso que funciona’. No Brasil pode funcionar de outra maneira. Tem de tentar, manter o que dá certo e mudar o processo do que não der”, reforça.

Tiago Falcone destaca, ainda, como o trabalho realizado para produzir cervejas do estilo Lambic envolve inovações, mas sem deixar de lado as tradições da escola belga. “A gente estuda o tradicional para entender como funciona e depois desconstrói esse funcionamento. Não tem como reinventar a roda, mas é possível manter a tradição adicionando o toque na nossa cerveja”, afirma.

Projeto com bicicleta na Europa
Filho de Marco Falcone, um dos pioneiros das artesanais em Minas Gerais e cofundador da Falke Bier, Tiago trabalhou na empresa do pai, em Ribeirão das Neves, na região metropolitana de Belo Horizonte, entre 2008 e 2009. Em 2010, ele se mudou para a Europa, chegando a Roma, onde trabalhou mais com vendas de cervejas, antes de se mudar para Londres em 2013. Na capital inglesa, fez parte da Beavertown Brewery durante quatro anos, período em que participou do processo de lançamento de um projeto de envelhecimento da bebida em barris.

De família cervejeira e tendo também a bicicleta como uma de suas grandes paixões, Tiago continuou a sua peregrinação em solo europeu em 2017, quando iniciou um projeto pessoal, o “Pedlar”, no qual rodou a Europa por um ano e meio pedalando, visitando cervejarias e oferecendo os seus serviços para a fabricação de bebidas colaborativas ou dar consultoria. Durante este seu trajeto pedalando, iniciado na Noruega e com passagem até pela Rússia, algumas cervejarias abriram espaço para que ele utilizasse o seu conhecimento para produzir rótulos da bebida, como a Broaden & Build, em Copenhague, na Dinamarca. “Devo ter visitado mais de 50 cervejarias”, estima.

O brasileiro lembra que o movimento das cervejas artesanais estava em alta em 2013 na capital inglesa, onde procurava emprego e teve o seu caminho aberto para trabalhar na Beavertown por Logan Plant. O britânico fundou a cervejaria em 2011 e é filho de Robert Plant, icônico vocalista do Led Zeppelin.

“Quando fui para Londres, encontrei uma cervejaria pequena, que era a Beavertown, começando, e fui crescendo com a cervejaria. Foram quatro anos lá e durante esse tempo comecei a ganhar mais confiança. E fui fazendo mais experiências em barris com cervejas artesanais”, conta Tiago, hoje atuando com as Lambics na Bélgica.

Guinness leva sua Coffee Beer para a Grã-Bretanha e mira lançamento mundial

A Coffee Beer da Guinness vai chegar a novos mercados. Após o seu lançamento nos Estados Unidos, a marca da Diageo anunciou que a versão da sua cerveja com adição de café, a Guinness Cold Brew Coffee, passou a estar disponível na Grã-Bretanha.

Para criar a bebida, a Guinness adiciona café extraído a frio à sua conhecida Stout, juntamente com sabores adicionais de cevada torrada, para equilibrar notas de café, chocolate e caramelo. De acordo com a marca, cada lata da Guinness Cold Brew Coffee possui, aproximadamente, 2mg de cafeína, o mesmo que um café descafeinado.

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A sugestão da Guinness é que a sua Coffee Beer seja servida gelada. “É perfeita para beber enquanto conversa com os amigos, quando relaxa em casa ou apreciada como uma deliciosa bebida ao sol”, afirma a marca em comunicado. “Acentuando as tão amadas notas de café da Guinness Draught, a Cold Brew Coffee Beer é uma bebida ideal para aqueles que podem não ter considerado anteriormente desfrutar de uma cerveja preta, bem como para os fãs já existentes”, acrescenta.

No comunicado em que anunciou o lançamento da Guinness Cold Brew Coffee, a marca ressalta que o café é a bebida mais consumida na Grã-Bretanha – 95 milhões de xícaras diárias –, tendo ultrapassado, inclusive, o chá.  Por lá, a novidade estará disponível em latas de 440ml.

Além dos Estados Unidos e, agora, da Grã-Bretanha, a Guinness Cold Brew Coffee deverá ser lançada, ao longo dos próximos meses, em mercados da Europa e da Ásia, como adianta Grainne Wafer, diretora global de marca da Guinness.

“O café não é apenas um companheiro de sabor natural da Guinness, mas uma grande parte da cultura em todo o mundo, principalmente nos EUA, onde esta cerveja foi lançada pela primeira vez. Com esta última inovação na fabricação de cerveja Guinness, apresentamos a Guinness a novos consumidores e fãs existentes nos EUA, e essa é nossa ambição ao lançarmos a cerveja de café Guinness Cold Brew em mais países nos próximos 12 meses”, afirma.

Nos últimos tempos, a Guinness tem ficado marcada pelas inovações. Anteriormente, havia sido apresentada a Guinness MicroDraught, uma espécie de mini-chopeira, assim como uma versão da sua renomada cerveja sem álcool. Além disso, para dar conta de envasar suas produções, investiu 40,5 milhões de libras na ampliação de fábricas de embalagens em Belfast, na Irlanda do Norte, e em Runcorn, na Inglaterra.