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Balcão do Profano Graal: A Revolta da Cerveja de Munique

Balcão do Profano Graal: A Revolta da Cerveja de Munique

Em novembro de 1843, um cartaz de protesto apareceu pregado numa ponte sobre o rio Isar, que corta a cidade de Munique. Sua mensagem era simples e direta: “A cerveja está muito cara.”

Na época, o governo da Baviera controlava rigorosamente a indústria cervejeira, incluindo um preço oficial que definia duas vezes por ano, chamado de Biersatz. Definido por Kim Newark Carpenter como: “um ato de equilíbrio politizado entre a necessidade de receita do governo, a flutuação dos preços dos grãos, o protecionismo para as cervejarias e os impostos especiais de consumo para projetos especiais como prédios públicos”.

Nesse período, o Ducado da Baviera era governado por Ludwig I Wittelsbach. Se você não está ligando o nome à pessoa, é aquele monarca cuja festa de casamento deu origem à Oktoberfest, em 1810.

Mas, desde 1810, a população de Munique havia dobrado para mais de 90 mil pessoas, sem contar os trabalhadores sazonais que migravam do campo. A maioria era de operários que atuavam na construção. Quando trabalhavam. Porque apesar do boom de projetos de construção públicos e privados, não havia trabalho suficiente para todos.

O serviço militar era obrigatório para os jovens, mas os soldados recebiam tão pouco que muitas vezes precisavam de empregos secundários para sobreviver. A maioria alugava um quarto coletivo com uma cama e, se desse sorte, uma janela. Os salários oscilavam em torno de 30 a 45 kreuzer por dia.

Um único Maß de cerveja (aproximadamente um litro) custava o dobro do aluguel diário, mas era vital. A cerveja era o alimento básico mais importante de uma dieta da classe baixa. Hidratava, preenchia lacunas na nutrição e ingestão calórica e ajudava a diminuir ainda mais o apetite. Os homens da classe trabalhadora bebiam, em média, dois a três Maß por dia.

Muitas vezes, pelo menos uma refeição consistia apenas em cerveja. Além disso, cervejarias e tavernas, ofereciam refúgios essenciais das precárias condições de trabalho e da sufocante vida doméstica, além de acesso a redes sociais de apoio. Como explica Brian Alberts, os trabalhadores acreditavam que tinham o direito a uma cerveja boa e saudável: “Era um elemento central do contrato social da Baviera e era obrigatório”.

Diante dessa situação, não demorou muito para cartazes como aquele da ponte começarem a aparecer em parques, praças públicas e, até mesmo, do lado de fora da residência real. Um dos quais dizia dramaticamente: “Dois kreuzer são suficientes para uma cerveja!”. Outro perguntava: “O que se espera de um regente que deixa seus soldados sofrerem com a falta de comida?”. Outros reclamavam que o rei Ludwig I “não tinha amor pelos pobres”. Um cartaz afixado perto da residência real pregava mais diretamente: “Se você quer cerveja e pão a preços acessíveis, mate o rei.”

Em 1º de maio de 1844 aconteceria o casamento da filha do Duque, Hildegarde, com uma celebração de três dias culminando em um desfile pelas ruas decoradas de Munique. Naquele ano, o aumento dos custos dos grãos pressionou o preço da cerveja para cima. Os números diziam que a cerveja deveria passar a custar seis kreuser e meio.

Quando o governo anunciou a mudança em meados de abril, começaram a circular rumores de que “algo aconteceria em 1º de maio”. Para piorar a situação, em 30 de abril, o governo sem dinheiro irritou ainda mais os soldados ao revogar o zulage, um pequeno subsídio diário dado a cada soldado para compensar a compra de cerveja. Como diz Alberts: “Em 1º de maio, Munique era uma cidade cheia de cerveja cara, milhares de trabalhadores enfurecidos e apenas 115 policiais de plantão.”

Os trabalhadores esperaram até depois do casamento de Hildegarde naquela tarde para agir. Prova de que o movimento havia sido deliberado e coordenado. No final da cerimônia, 15 soldados entraram na cervejaria Maderbräu (atual Schneider Bräuhaus). Três avisaram que pagariam apenas seis kreuzer pela cerveja. Quando o garçom exigiu a diferença, começaram a bater com os copos na mesa. Trabalhadores próximos se juntaram a eles, acusando o cervejeiro de vender cerveja fraca e ameaçando destruir o local. As batidas foram ficando mais fortes, até que mesas foram viradas e começou a confusão. Do lado de fora, já havia uma multidão reunida, que arrastou as mesas da Maderbräu para a rua e começou a jogar pedras nas janelas. Foi só o começo.

Multidões itinerantes de centenas de pessoas, foram de cervejaria em cervejaria, quebrando todos os Maß que encontravam, jogando móveis pelas janelas e despejando barris de cerveja na rua. Os policiais pediram a ajuda dos militares, mas quando os soldados se aproximaram da multidão, os manifestantes entregaram uma cerveja a cada um e brindaram. Afinal, os soldados também faziam parte da classe trabalhadora. Os soldados ofereceram apenas assistência casual durante os tumultos.

A agitação prosseguiu noite adentro, quando uma multidão de 2 mil pessoas marchou para a residência e o teatro reais, onde Ludwig, funcionários do governo e aristocratas estavam participando das festividades do casamento. Alguns revoltosos fizeram discursos enquanto outros jogavam pedras e diziam insultos. Gritavam que Ludwig os havia esquecido, desperdiçado dinheiro em prédios públicos e amantes e que, ainda por cima, não fizera nada para incluí-los na festa de casamento de Hildegarde. “Onde estavam os fogos de artifício e outros espetáculos públicos?”, perguntavam.

Os tumultos prosseguiram pelos dois dias seguintes, com menor intensidade, apesar dos cervejeiros de Munique concordarem unanimemente em baixar o preço da cerveja para seis kreuser. Mas já então os trabalhadores exigiam o Maß por 5 kreuzer. O governo havia enviado todos os soldados de folga para seus quartéis, e com uma resposta mais preparada e coordenada, conseguiu restaurar a ordem mais facilmente. Duas semanas depois, o governo recompensaria cada soldado que ajudou a reprimir os distúrbios com um bônus de sete kreuzer. Como disse Alberts: “basicamente, Ludwig comprou uma cerveja para cada um”.

Como explica Carpenter, os governantes de Munique se apressaram a atribuir o motim a algo simples, como meio kreuser. Porém, o movimento refletiu queixas específicas e deliberadas. Os revoltosos deixaram as casas particulares em paz e, apesar de todos os danos infligidos às cervejarias, nunca destruíram o equipamento de fabricação de cerveja. Seus alvos (copos, móveis, barris e janelas) ofereciam sinais simbólicos de que o pacto bávaro entre cervejeiro e bebedor havia sido violado.

O simbolismo desses três dias foi muito mais profundo do que apenas o preço da cerveja e reverberou por Munique e pela Baviera pelos anos seguintes. Antes do final de junho, pelo menos 25 distúrbios análogos da classe trabalhadora ocorreram em toda a Baviera. E naquele ano a Oktoberfest quase foi cancelada por razões de segurança.

Depois, por anos, o governo anunciou cada novo Biersatz com a respiração suspensa. Pouco depois, o zulage também foi restaurado. Os acontecimentos mereceram até um comentário de Friedrich Engels no jornal em 25 de maio daquele ano, quando ele escreveu: “Se o povo agora sabe que eles podem amedrontar o governo nos assuntos fiscais, eles logo aprenderão que será fácil amedrontá-los em assuntos mais sérios”. Quatro anos depois, Ludwig I seria deposto por uma revolução.


Referências bibliográfricas:

ALBERTS, Brian. “Streets as Stages” – The Munich Beer Riots of 1844. Good Beer Hunting. 15 de julho de 2020. Acessível em: “Streets as Stages” — The Munich Beer Riots of 1844 — Good Beer Hunting

Beer riots in Bavaria. Wikipedia. Acessível em: Beer riots in Bavaria – Wikipedia

CARPENTER, Kim Newark. “Sechs Kreuzer sind genug fuer ein Bier!”: The Munich beer riot of 1844: Social protest and public disorder in mid-19th century Bavaria. Tese de Doutorado. Georgetown University School of Arts and Sciences. Washington D.C., 1998. (“Sechs Kreuzer sind genug fuer ein Bier!”: The Munich beer riot of 1844: Social protest and public disorder in mid-19th century Bavaria – ProQuest)

ENGELS, F. Revolta da cerveja na Bavária. The Northern Star. nº 341, 25/05/1844. Disponível em: Revolta da Cerveja na Bavária (marxists.org)


Sérgio Barra é carioca, historiador, sommelier e administra o perfil Profano Graal no Instagram e no Facebook, onde debate a cerveja e a História.

STF mantém punição a recusa ao bafômetro e aplicação da Lei Seca; Entenda decisões

A punição ao motorista que se recusar a fazer o teste do bafômetro é constitucional e, portanto, seguirá valendo. A decisão é do Superior Tribunal Federal (STF), que também manteve a proibição de venda de bebidas alcoólicas em rodovias federais e a tolerância zero ao consumo de álcool imposta pela Lei Seca.

As decisões acompanharam o parecer do relator, o ministro Luiz Fux, sendo por unanimidade nos casos envolvendo o bafômetro e a Lei Seca, e de 10 a 1 na avaliação do veto à comercialização das bebidas alcoólicas em rodovias federais – o voto contrário à maioria foi de Nunes Marques.

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Para casos em que o motorista se recusa a utilizar o bafômetro, a determinação do Código de Trânsito é de que ele seja multado, além da suspensão do direito de dirigir por 12 meses, recolhimento da habilitação e retenção do veículo. Essa decisão do Supremo foi provocada por um recurso do Detran do Rio Grande do Sul, que buscava reverter a anulação proferida pela Fazenda Pública gaúcha de uma multa a um motociclista que recusou “assoprar” o bafômetro na cidade de Cachoeirinha.

O julgamento do Supremo que manteve a proibição da venda de bebidas alcoólicas em rodovias federais se deu diante de contestação da Associação Brasileira das Entidades e Empresas de Gastronomia, Hospedagem e Turismo e da Confederação Nacional do Comércio.

Já a manutenção da tolerância zero para os motoristas representou a rejeição a uma ação interposta pela Abrasel, que questionava esse e outros trechos da Lei Seca. E essa e as outras decisões do STF têm repercussão nacional, ou seja, devem ser seguidas pelos demais tribunais do país.

Como ficam as punições
As decisões do STF mantiveram as punições às infrações presentes no Código de Trânsito Brasileiro. Os casos de recusa do bafômetro estão inseridos no Artigo 165-A dessa legislação, sendo considerada uma infração gravíssima. A penalidade é de multa de R$ 2.934,70, ou dez vezes mais cara do que uma infração gravíssima comum, devendo ser dobrada em caso de reincidência no período de até 12 meses. E as medidas administrativas adotadas são recolhimento do documento de habilitação e retenção do veículo.

Já a tolerância zero com o consumo de álcool para quem dirige foi inserida no Código de Trânsito Brasileiro em 2008, através da Lei nº 11.705, que alterou a redação dos artigos 165 e 276 da legislação de 1997. Até 2008, era permitida a presença de 6 decigramas de álcool por litro de sangue.

A multa é a mesma para quem for flagrado alcoolizado ou se recusar a utilizar o bafômetro. Porém, a pessoa alcoolizada também pode ser acusada de crime de trânsito, previsto no artigo 306 do Código de Trânsito, que fala em “conduzir veículo automotor com capacidade psicomotora alterada em razão da influência de álcool ou de outra substância psicoativa que determine dependência”.

Nesse caso, as condutas são constatadas por concentração igual ou superior a 6 decigramas de álcool por litro de sangue ou igual ou superior a 0,3 miligrama de álcool por litro de ar alveolar; ou por sinais que indiquem, na forma disciplinada pelo Contran, alteração da capacidade psicomotora. E as penas são detenção, de seis meses a três anos, multa e suspensão ou proibição de se obter a permissão ou a habilitação para dirigir veículo automotor.

O veto à venda de bebidas alcoólicas em rodovias federais também está prevista na Lei 11.705 de 2008. Ela afirma que “são vedados, na faixa de domínio de rodovia federal ou em terrenos contíguos à faixa de domínio com acesso direto à rodovia, a venda varejista ou o oferecimento de bebidas alcoólicas para consumo no local”.

A multa para esse tipo de inflação é de R$ 1.500. “Em caso de reincidência, dentro do prazo de 12 (doze) meses, a multa será aplicada em dobro, e suspensa a autorização de acesso à rodovia, pelo prazo de até 1 (um) ano”, acrescenta a legislação, agora referendada pelo STF.

Projeto une 27 cervejarias em lançamentos por inclusão e oportunidades aos Surdos

Dizer “não” ao capacitismo, lutar pela inclusão, pelo respeito linguístico e, principalmente, possibilitar oportunidades iguais aos Surdos no mercado de trabalho cervejeiro são os pilares que moldaram a criação do projeto “Experiência dos Sentidos”. Uma ação que juntou 27 cervejarias para a criação de diferentes receitas, todas levando um rótulo unificado acessível em Libras, a Língua Brasileira de Sinais. Assim, espera, além de colocar em pauta a temática do Surdos, contribuir para a qualificação dessa comunidade com o acesso à educação sobre cervejas.

“O projeto, além de disseminar a Libras nesse contexto, irá arrecadar fundos que serão revertidos em bolsas de estudos para serem usadas em escolas cervejeiras profissionalizantes”, explica Marcos Roberto de Oliveira, idealizador do projeto do canal Cerveja Artesanal em Libras, consultor, tradutor, intérprete de Libras na Universidade Federal de Uberlândia e professor na empresa Interlibras.

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As bolsas irão beneficiar diretamente alunos Surdos que queiram ingressar no mercado de trabalho na área das cervejas. “Queremos que os Surdos e Surdas interessados nessa área, tenham oportunidades iguais para ocuparem cargos ou assumirem responsabilidades que, hoje, na grande maioria das cervejarias, são privilégios da comunidade majoritariamente ouvinte”, destaca.

Nascido dentro da comunidade Surda, o projeto surgiu por uma demanda legítima: permitir o acesso ao conhecimento científico cervejeiro em libras. A ação, assim, também se propõe a desmistificar a ideia de que o Surdo não é capaz, lutando contra o capacitismo no setor cervejeiro.

E a iniciativa conta com membros dessa comunidade, caso daquele que será o primeiro sommelier de cervejas Surdo do Brasil, Fernando Pacheco, hoje aluno do Science of Beer. A instituição de ensino cervejeira de Santa Catarina e a Escola Mineira de Sommelieria, de Belo Horizonte, também são parceiras no projeto, assim como o designer Leonardo Carvalho, que foi o responsável no desenvolvimento do rótulo, utilizado por todas as cervejarias.

“Todas as cervejarias com os seus representantes participaram de forma incansável para que o projeto fosse tirado do papel. Devo dizer que fui cercado de muitas pessoas de peso da área cervejeira, que amam o que fazem e que são extremamente comprometidas com ações sociais. Com esse time eu não tenho dúvidas de que iremos atingir nossos objetivos”, ressalta Marcos Roberto.

A luta pela inclusão no setor
Marcos Roberto destaca ser preciso refletir sobre o que é necessário para sair do discurso da “igualdade” e da “inclusão” para colocar essas palavras em prática. “Em nossa cultura, crenças como estas são poderosíssimas e amplamente compartilhadas: ‘todos devem ser incluídos e ter oportunidades iguais’, mas em que medida esse discurso vai se estabelecer na prática, por exemplo, no setor cervejeiro no Brasil que ainda é pouco inclusivo?” questiona.

Marcos Roberto lembra que no decorrer da história humana, pessoas com algum tipo de deficiência não tinham seus direitos contemplados, não gozavam de oportunidades e eram deixadas à margem da sociedade. Assim, sequelas dessa época ainda existem, infelizmente.

Hoje, por exemplo, para garantir oportunidades no mercado de trabalho, é necessário recorrer a dispositivos legais, como as cotas, que asseguram uma oportunidade de ingresso em instituições de ensino ou em empregos. “É claro que isso é necessário e de extrema importância, não podemos negar, mas queremos, também, que os Surdos, por exemplo, tenham oportunidades não por meios legais, mas por competência própria”, conta.

Para ele, dar a oportunidade de formação profissional cervejeira sólida e acessível pode tornar o segmento cervejeiro mais inclusivo na medida em que esses alunos comecem a atuar profissionalmente no setor. “Temos, atualmente, Surdos trabalhando em grandes cervejarias e isso já é uma grande vitória, mesmo sendo enquadrados na lei de cotas. O protagonismo Surdo no setor ainda é bem tímido. Esperamos, sinceramente, que este projeto fomente a contratação nesse mercado”, pontua Marcos Roberto.

As cervejarias participantes
O projeto “Experiência dos Sentidos” é o resultado da união de diversas marcas de cervejas brasileiras comprometidas em não só aprimorar as relações sociais com a comunidade de consumidores Surdos, mas também preocupadas com a educação dela.

As 27 cervejarias participantes do projeto são: 3 Orelhas, Alienada Cervejaria, Avós, Bezy, Cachorro Cego, Captain Brew, Cervejaria 77, Cervejaria Mestra, Cervejaria Küd, Cervejaria Quatro Poderes, Croma Beer, Dogma, Dude, Hop Mundi , Krug Bier, Mafiosa Cervejaria, Omas Haus Brewpub, Prússia, Salvador, Spartacus, Suricato, Templária, Trema, Uaimii, Vintage e ZalaZ.

As cervejas têm diferentes receitas e estilos, mas a arte do rótulo, pensada especialmente para o público Surdo, possui, como destaque, o uso da Libras para apresentar os quatro elementos principais para a produção da bebida: água, malte, lúpulo e levedura. “Ficou lindo. Experiência dos Sentidos é muito mais do que cervejas. São mãos que gritam por igualdade de oportunidades em um idioma que se vê!”, conclui Marcos Roberto.

Menu Degustação: Campanha do agasalho, Champions Beer em Campinas…

As cervejarias continuam a todo vapor nas participações em festivais e em concursos, aproveitando o período de reencontro sem restrições com o público. Os próximos dois finais de semana, afinal, vão ser dedicados para a Champions Beer, em Campinas, enquanto o Rio de Janeiro recebe o Downtown Beer Festival até o dia 29.

Em outras frentes de atuação, a Madalena, diante do frio intenso que se alastrou pelo Brasil durante a semana, antecipou a realização da sua campanha do agasalho. E a MinduBier inaugurou um bar na sua fábrica na região metropolitana de Salvador.

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Confira esses e outros destaques do setor no Menu Degustação do Guia:

Retornáveis da Ambev
A Ambev quer acelerar a cultura do uso das embalagens retornáveis, tanto que grande parte desses vasilhames já voltaram a circular no mercado. E a expectativa é que, até 2025, 100% dos produtos da companhia estejam em embalagens retornáveis ou que sejam feitas majoritariamente de material reciclado. Para que isso se concretize, está oferecendo o produto a um preço mais atrativo no formato, além de disponibilizar estoque de vasilhames e a possibilidade de troca por meio do aplicativo Zé Delivery.

Brahma e Barões da Pisadinha
Em parceria com a Brahma, os Barões da Pisadinha lançaram o single “Esquece Essa Disgrama”. A música já está disponível nas rádios e nas plataformas de streaming, assim como o videoclipe no YouTube. O videoclipe conta com a participação especial de Arthur Picoli, que coloca Rodrigo e Felipe Barão para malhar.

Champions Beer
Entre a sexta-feira e o domingo desta semana (20 a 22) e da próxima (27 a 29), o público que for ao estacionamento do Galleria Shopping, em Campinas (SP), terá a oportunidade de provar e eleger o melhor entre todos os produtos de 14 microcervejarias na 5ª edição do Champions Beer. Com áreas especiais, alimentação a cargo de 10 food trucks, espaço kids completo e proposta pet friendly, entre outros equipamentos, o Champions Beer também aposta nos shows, como o do CPM 22, nesta sexta-feira.

Downtown Beer Festival
O Downtown Beer Festival, iniciado na quinta-feira (19), prossegue até o dia 29 na Barra da Tijuca, no Rio. O encontro reúne diversas cervejarias do Estado, incluindo marcas da Rota Cervejeira RJ, como Doutor Duranz, Odin e Sampler, todas de Petrópolis.

Hamburgada no Capitão Barley
O brewpub Capitão Barley, no bairro Pompéia, em São Paulo, será a casa da Hamburgada Solidária em 28 de maio. Na data, metade do valor arrecadado com a venda de 3 receitas de hambúrguer exclusivas para o dia será doado à instituição Colméia. As receitas serão criadas pelo chef Gus Ferreira, responsável pela cozinha da casa.

MinduBier inaugura bar da fábrica
A cervejaria baiana MinduBier inaugurou o bar da fábrica na cidade de Lauro de Freitas, localizada na região metropolitana de Salvador. Chamado de MinduBar, o espaço é equipado com 10 torneiras de chopes retirados diretamente dos tanques. A decoração foi projetada pela arquiteta Júlia Leal, contemplando mesas e bancadas de madeira e sofás, alinhados a um visual radical e moderno, ambientado para que o cliente se sinta realmente dentro de uma fábrica de cerveja artesanal.

Clube do Carro na Artéza
O Clube do Carro Antigo de Contagem (MG) vai realizar encontro na recém-inaugurada unidade na cidade da Cervejaria Artéza no próximo sábado (21), de 13h às 18h. Esta edição será no estacionamento do estabelecimento. No local, haverá uma exposição de carros antigos e o show com a banda 1ª Edição Rock Duo, além de estandes com chopeiras e churrasquinho. Os ingressos serão vendidos no local no valor simbólico de R$ 5 ou 1 litro de leite.

ØL Beer foca em ciganas
A paraense ØL Beer adquiriu dois tanques para produção cervejeira, mirando parcerias com marcas ciganas. A ideia é estabelecer cooperação com pequenos e médios cervejeiros que necessitem de boa estrutura para fabricar seus rótulos. Segundo a diretoria da ØL Beer, os novos tanques possuem capacidade para mil litros cada. Atualmente, a marca tem capacidade para produzir aproximadamente 30 mil litros por mês.

Bitcoin Pizza Day
Em 18 de maio de 2010, o programador de software Laszlo Hanyecz, morador da Califórnia (EUA), postou no Bitcointalk.org, um fórum sobre moedas digitais, um fato até então inédito: a troca de suas 10 mil bitcoins por duas pizzas grandes. Quatro dias depois, o estudante Jeremy Sturdivant entrou em contato com ele via IRC, pegou seu endereço, enviou as duas pizzas para a residência do programador e recebeu os 10 mil bitcoins – essa foi a primeira vez que o bitcoin foi usado em uma transação comercial. Como uma maneira de prestigiar o evento que ficou conhecido como Bitcoin Pizza Day, a Dogma dará 10% de desconto para pagamento em bitcoin em todas as unidades em 22 de maio. Nesse mesmo dia, no tasting room da marca, no bairro Vila Buarque, em São Paulo, a CoinEx e o PizzaDao promoverão encontro regado à cerveja e, como manda a data, e muita pizza.

Nova parceria da Lagoon
A marca mineira Lagoon fechou parceria com a Casa Olec, especializada em cervejas artesanais, válida tanto na parte das chopeiras da casa como nos deliveries da bebida. É uma aliança importante, pois a Casa Olec agora é uma distribuidora, o que facilita os processos e os torna mais ágeis, ainda mais que a fábrica da Lagoon é no interior, em Capim Branco.

Campanha do agasalho em Santo André
Devido a onda de frio intenso que afeta diversos estados brasileiros com recorde de temperaturas mínimas, a Cervejaria Madalena, instalada em Santo André, antecipou sua campanha do agasalho e iniciou a arrecadação de cobertores e roupas de frio para doação a pessoas carentes. A campanha vai até o fim de junho. A fábrica-bar recebe doações de terça a quinta que valem um copo de chope Madalena de 300ml ou entrada grátis nos eventos de fim de semana.

João Rock com Colorado
A 19ª edição do João Rock, um dos maiores festivais de música do país, que acontecerá em Ribeirão Preto (SP), no dia 11 de junho, tem apresentação da Colorado. Com ingressos esgotados, a marca realiza a promoção “João Rock com o Urso”, que vai premiar dez sortudos com um par de entradas para o festival. Para concorrer, é necessário acessar o link e preencher o cadastro até 29 de maio. O sorteio será realizado no dia 30. Só podem participar pessoas que moram em solo paulistano.

Entrevista: “Você pode degustar uma cerveja e aprender algo sobre bitcoin”

A cerveja pode ser um elo para novos públicos acessarem temas até então pouco conhecidos. Foi a partir dessa avaliação que as sócias do UseCripto decidiram atuar em um novo flanco para divulgar a bitcoin e outras criptomoedas: em parceria com a Dogma, as responsáveis pelo canal online de educação financeira adentraram em mais um mercado ainda também visto como um nicho, mas com potencial para crescer: o da cerveja artesanal.

Foi a partir disso que a ideia da UseCritpo se transformou na OptOut, como relatou, ao Guia Talks, Kaká Furlan, uma das fundadoras do canal. E ela explicou que a união com a Dogma foi algo natural, lembrando que, no final de 2021, a marca paulistana passou a aceitar bitcoin como forma de pagamento em suas unidades físicas. Além disso, também tem criado cervejas artesanais a partir desse mote.

Acompanhe o Guia Talks com Kaká Furlan, sócia do UseCripto

Agora, então, Dogma e UseCripto lançaram, juntos, uma cerveja do estilo Golden Ale, com os lúpulos Bravo e Citra em sua receita. E quem adquiri-la terá acesso a um QR Code que levará a um site com informações sobre a concepção da cerveja e, principalmente, o mundo da bitcoin, em uma iniciativa para ampliar o alcance dessa temática.

É mais um passo dado em um processo que começou em 2019 com as fundadoras do UseCripto, Kaká Furlan e Carol Souza, abrindo o canal com o intuito de oferecer educação financeira com foco em criptomoedas, como a bitcoin. Hoje, já contam com mais de 155 mil inscritos no YouTube. E agora, então, com uma novidade: o público pode aprender sobre bitcoin brindando com uma cerveja.

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Confira, abaixo, os principais trechos do Guia Talks com Kaká Furlan:

Como surgiu a ideia em vocês, do UseCripto, de criarem uma cerveja?
Eu e a Carol amamos cerveja, adoramos cervejas artesanais, há muito tempo exploramos esse universo das cervejas. No início do ano, nós pensamos sobre como poderíamos levar a educação sobre bitcoin para mais pessoas, um novo público, de uma maneira irreverente, divertida e gostosa. Você pode degustar uma bebida e também aprender sobre algo tão discutido e tão novo como a bitcoin, que vai impactar todo mundo e já está transformando a nossa sociedade. E aí veio essa ideia de fazer uma parceria com a Dogma, que já aceita bitcoin como forma de pagamento em suas unidades físicas. Então, tinha tudo a ver fazer essa parceria com a Dogma. E propomos montar uma cerveja em conjunto. Foi aí que a gente começou a desenvolver esse projeto, criou o nome, definiu o que ia fazer no rótulo, o que que iria na cerveja. Chegamos em um nome que é uma expressão bem marcante, que a gente fala bastante, que é “Opt Out”, algo como escolha sair do sistema. Saia do sistema tradicional, deixe as moedas dos bancos centrais e passe a utilizar a bitcoin, que é uma moeda descentralizada.

Como se deu o processo de aproximação da Dogma para a criação da cerveja?
Nós já conhecíamos a Dogma, porque estavam aceitando bitcoin como pagamento nas lojas físicas. Então, a partir disso, já tínhamos essa referência. E seria a cervejaria ideal para fazer essa parceria. Tem tudo a ver com a gente, pois nós apoiamos muito o uso da bitcoin como moeda. Nós os conhecemos pessoalmente quando fomos para São Paulo, no início do ano, para desenvolver as ideias do produto.

Nessa parceria com a Dogma, qual foi o papel de vocês na concepção da cerveja?
O pessoal da Dogma tem uma expertise absurda em cerveja, então tivemos algumas reuniões para definir exatamente o que buscávamos. O fato de o líquido ter a coloração alaranjada veio do pessoal da Dogma. Tudo foi pensado nos mínimos detalhes para que a cerveja remetesse à bitcoin, como uma homenagem aos adoradores e uma forma de contato para quem não conhece. A gente trouxe muitas referências de filmes, da Alice no País das Maravilhas, de Matrix, e de memes da comunidade da bitcoin para imprimi-los no rótulo. Estamos muito felizes com o resultado.

A ideia de criar a cerveja tem, claro, relação direta com o desejo de divulgar mais as criptomoedas. Mas como vocês agiram para que o público percebesse essa intenção?

O grande desafio era unir a educação com o produto. Como poderíamos, já que amamos cerveja, unir esses dois mundos? Uma das formas foi através do rótulo, que tem todas as referências para contar uma história. E a outra que a gente encontrou foi através do QR Code. Se não dá para ficar na lata para contar o que é a bitcoin, a gente precisava de uma outra forma para explicar. Foi aí que nós chegamos a essa solução. É uma extensão da lata e da experiência do consumidor que está degustando a cerveja. A ideia foi trazer uma experiência diferenciada e mais completa, que traga educação. A lata é um veículo de educação, e a gente pode educar através da cerveja. Então, o QR Code sintetiza tudo isso. Você escaneia o QR Code de onde você estiver e vai ler sobre a história da bitcoin e ainda sobre o desenvolvimento da cerveja, com as explicações sobre o rótulo.

Vocês acreditam que, com a cerveja, conseguiram atingir um público maior para falar sobre bitcoin e criptomoedas?
Os resultados são incríveis, as pessoas consomem a cerveja, fazem fotos, compartilham nas redes sociais, marcam a UseCripto e a Dogma, trazem depoimentos de que escanearam o QR Code e compartilharam isso com os amigos. Então, eu já considero que isso é um sucesso. O objetivo era justamente unir a educação ao lazer, e a gente conseguiu cumprir com esse papel de levar a bitcoin para mais pessoas através de outros meios. Eu espero que a gente consiga produzir outros rótulos, aumente a abrangência e que mais pessoas descubram a bitcoin através da cerveja.

Quais são os principais conteúdos e como eles são abordados no UseCripto?
Tudo que vocês quiserem aprender sobre bitcoin, a gente ensina. Temos conteúdos gratuitos no YouTube com notícias, conceitos, fundamentos, tutoriais, todos os passos a passo de como comprar, vender, trocar por reais. Temos também o nosso Telegram, onde a gente publica notícias diariamente sobre tudo que está acontecendo. Temos TikTok, o nosso Instagram, onde a gente conversa com o nosso público diariamente. E temos um curso também, que está na nossa plataforma, para quem quer aprender a investir com estratégia, segurança e autonomia.

Balcão da Chiara: Como reduzir custos através da manutenção

Balcão da Chiara: Como reduzir custos através da manutenção

De que vale um alto faturamento se os custos de produção também são elevados?

Os custos de uma cervejaria podem tirar o sono. Na gestão deles, é necessário um gerenciamento detalhado para minimizar os impactos e otimizar recursos. O gerenciamento da manutenção é um pilar relevante, porém bem negligenciado por boa parte das cervejarias.

Mas quanto custa a falta de gestão de recursos?

Focando na manutenção, ou na falta dela em uma cervejaria, quando um equipamento quebra sem nenhum planejamento, o impacto pode ser imenso. A falha pode gerar produtos não conformes, que precisarão ser despejados ou retrabalhados. Também pode afetar a produtividade, gerando, em consequência, elevado custo energético para um pequeno volume de produção, bem como o valor da mão de obra que estará parada ou subaproveitada, além da falta de produto para os clientes.

Se for necessária alguma peça de reposição que não exista na fábrica ou no mercado local, os impactos podem ser ainda maiores. Existem muitas microcervejarias que não possuem equipe de manutenção e o serviço emergencial pode custar ainda mais.

É fundamental que a gestão de manutenção faça parte do planejamento estratégico da empresa. É importante analisar o cenário atual da cervejaria e aonde ela quer chegar em termos de produtividade, volume, redução de perdas, entre outros objetivos, e com essa base traçar o plano de manutenção.

Nem sempre o desejável é o possível, por isso a realidade com mais resultados acontecerá se o planejamento acontecer alinhado com as necessidades da fábrica que podem ser baseadas em projetos (por exemplo: ampliação, aumento de produtividade, novos produtos) e manutenção de rotina.

Para definir uma estratégia de manutenção efetiva, não basta listar os equipamentos e definir prazos de substituição de peças, lubrificação, entre outros reparos. É preciso compreender os tipos de manutenção e que cada escolha tem seu preço.

De maneira muito simples, posso citar alguns tipos de manutenção e seus objetivos: a preventiva, a preditiva e a corretiva. Na manutenção preventiva, o objetivo é definir a periodicidade, seja ela baseada no tempo, horas de funcionamento, ou mesmo em outros critérios específicos como a produtividade da cervejaria, por exemplo. Isso ocorre para evitar que a falha aconteça.

Na manutenção preditiva, são realizadas inspeções ou outras análises no equipamento como vibração, temperatura e características do lubrificante, para identificar uma falha potencial e assim programar uma intervenção, caso necessária. Entretanto, para aplicá-la, é preciso entender os modos de falha dos equipamentos. E algumas ferramentas, como FMEA (Failure Mode and Effect Analysis – Análise de Modo e Efeito de Falha), podem auxiliar nesse processo. Mas isso é assunto para outro artigo.

Por último, temos a manutenção corretiva, que pode ser planejada ou emergencial. É a mais onerosa e a mais praticada nas cervejarias gerando um custo elevadíssimo, contudo pode ser usada de maneira estratégica para alguns equipamentos que não sejam críticos, ou em conjunto com a manutenção preditiva. Investir recursos em um bom planejamento pode reduzir os custos gerados por essa falta de gestão da manutenção consideravelmente. Você vai se surpreender! (ABNT, 1994)

Uma prática importante e que traz benefícios não só para a empresa como para seus funcionários é a manutenção autônoma. Segundo YAMAGUCHI (2005), cada operador deve cuidar do seu próprio equipamento. Daí surge o lema do meu equipamento, cuido eu. Pequenas manutenções como limpeza, algumas lubrificações e reapertos são atividades possíveis, após treinamentos que estabelecem a condição ideal do equipamento e reduzem a possibilidade de falha.

Ao realizar a limpeza de um equipamento, o funcionário também o inspeciona. Nesse momento podem ser identificadas melhorias no projeto ou anomalias que podem ser programadas e corrigidas de acordo com a criticidade. Ganha a empresa e ganha o(a) colaborador(a). Aumento da capacitação das pessoas, aumento da confiabilidade do equipamento, melhor controle visual, redução de paradas, redução de perdas, aumento de produtividade, melhoria na qualidade do produto e padronização são alguns dos benefícios.

Além de todas as justificativas referentes ao custo, ainda temos a relação entre a manutenção e a segurança dos alimentos. As “gambiarras” utilizadas muitas vezes como alternativa à manutenção podem causar danos irreparáveis. Equipamentos com maior confiabilidade diminuem a probabilidade de perigos no produto. Deve-se, ainda, ter atenção ao tipo de material utilizado tanto nos equipamentos, às vedações, aos lubrificantes e aos fluidos refrigerantes adequados ao uso.

A RDC nº 275 da Anvisa (BRASIL, 2002), que trata dos Procedimentos Operacionais Padrão (POP), descreve a manutenção preventiva e a calibração de equipamentos como um dos padrões obrigatórios nas Boas Práticas de Fabricação (BPF), onde se deve especificar a periodicidade e responsáveis pela manutenção dos equipamentos envolvidos no processo produtivo do alimento, bem como contemplar a operação de higienização adotada após a manutenção dos equipamentos, a calibração dos instrumentos e equipamentos de medição ou o comprovante da execução do serviço quando a calibração for realizada por empresas terceirizadas.

Uma boa estratégia e acompanhamento de indicadores de manutenção são essenciais para qualidade e integridade do produto e para a saúde financeira da cervejaria. Buscar alternativas que sejam aplicáveis na sua realidade serão o diferencial para a garantia da confiabilidade e o aumento da vida útil dos equipamentos, conhecimento instalado, redução de custos e alcance de resultados excelentes.


Referências bibliográficas:    .

Associação Brasileira de Normas Técnicas. ABNT NBR 5462. Confiabilidade e mantenabilidade. Rio de Janeiro, 1994.

BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. ANVISA. RESOLUÇÃO DE DIRETORIA COLEGIADA – RDC nº 275, de 21 de outubro de 2002. Dispõe sobre o Regulamento Técnico de Procedimentos Operacionais Padronizados aplicados aos Estabelecimentos Produtores/Industrializadores de Alimentos e a Lista de Verificação das Boas Práticas de Fabricação em Estabelecimentos Produtores/Industrializadores de Alimentos. Disponível em <http://portal.anvisa.gov.br/documents/10181/2718376/RDC_275_2002_COMP.pdf/fce9dac0-ae57-4de2-8cf9-e286a383f254>. Acesso em 15 março 2022

YAMAGUCHI, C. TPM – Manutenção produtiva total. São João Del Rei: ICAP – Instituto de Consultoria e Aperfeiçoamento Profissional Del-Rei, 2005.


Chiara Barros é proprietária do Instituto Ceres de Educação e Consultoria Cervejeira. Engenheira Química, especialista em Biotecnologia e Bioprocessos, em Gestão da Qualidade e Produtividade e em Segurança de Alimentos, além de cervejeira e sommelière de cervejas.

Com dificuldades no mercado dos EUA, Lagunitas vende participação na Moonlight

A Lagunitas se desfez da sua participação na Moonlight Brewing, nos Estados Unidos. A empresa de Santa Rosa, na Califórnia, foi adquirida por Patrick Rue, apenas seis anos após ela mudar de mãos e ser comprada pela conhecida marca de cervejas artesanais, hoje pertencente ao Grupo Heineken.

O valor da aquisição não foi revelado. A Moonlight Brewing foi fundada por Brian Hunt em 1992, que manteve sua participação de 50% quando se deu a aquisição pela Lagunitas, em 2016. Naquele ano, a cervejaria de uma das mais icônicas IPAs do mercado também comprou outras duas artesanais nos Estados Unidos, a Southend Brewery and Smokehouse em Charleston, e a Independence Brewing Co. em Austin.

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Rue fundou, em 2008, a cervejaria The Brueri, depois deixando a operação em 2017, quando vendeu a sua participação para uma empresa de private equity. Na sequência, fundou a Erosion, uma marca de vinhos e cervejas em lata. Agora, então, volta ao mercado de artesanais dos Estados Unidos. Mas de acordo com os responsáveis pela aquisição, Hunt, de 65 anos, sendo 42 deles dedicados à cerveja, seguirá ativamente envolvido na Moonlight Brewing.

“Tínhamos uma parceria mutuamente agradável, mas decidimos, com a contribuição de nossos parceiros distribuidores nacionais, focar no potencial de nossas principais marcas de cerveja e novas inovações empolgantes”, disse o CEO da Lagunitas, Denis Peek, em um comunicado.

A Lagunitas teve 50% da sua participação adquirida pelo Grupo Heineken em 2015. Dois anos depois, a companhia holandesa comprou o restante da operação. A marca, porém, tem enfrentado alguns problemas, o que incluiu uma mudança de CEO e duas rodadas de demissões desde 2018.

No seu balanço de 2021, a Heineken reconheceu que os resultados obtidos com a Lagunitas haviam ficado abaixo das suas ambições nos Estados Unidos, embora tenha destacado o crescimento internacional, que ficou acima dos dois dígitos no Brasil, na França, na Itália e na Holanda.

Funcionário da Lohn morre após sofrer parada cardíaca em tanque da cervejaria

Uma tragédia abalou o setor cervejeiro brasileiro na última sexta-feira (13). Michel Vieira Soares, funcionário da Lohn Bier, morreu após tentar buscar um saco de lúpulo que havia caído em um tanque vazio da fábrica da cervejaria, localizada em Lauro Müller (SC). A vítima sofreu parada cardiorrespiratória após descer uma escada no interior da estrutura, de cerca de quatro metros de profundidade, onde acabou desmaiando por causa da pouca circulação de oxigênio no local.

Um colega de trabalho tentou tirar Michel do recipiente de grande porte, mas teve dificuldades para respirar e precisou subir novamente para não se tornar uma nova vítima. O grave acidente ocorreu por volta das 16h30 de sexta-feira na cervejaria, que fica no quilômetro 432 da rodovia SC-390.

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O Corpo de Bombeiros da cidade do interior catarinense informou, ao Guia, que o rapaz de 32 anos foi socorrido na fábrica da Lohn por dois homens da corporação, que só conseguiram entrar no tanque ao usarem equipamentos de proteção respiratória. No local, eles realizaram procedimentos de ressuscitação do trabalhador e depois o encaminharam para a Fundação Hospitalar Santa Otília, em Orleans, município vizinho a Lauro Müller, onde ele não resistiu e morreu.

Contactado pela reportagem, o sócio-proprietário da cervejaria catarinense, Richard Brighenti, extremamente abalado, informou não ter condições psicológicas de comentar sobre a tragédia. A Lohn enviou uma nota oficial ao Guia, por meio de sua assessoria de imprensa, para lamentar o episódio ocorrido em um tanque da sua fábrica. E informa que está colaborando com as investigações.

“A Lohn Bier manifesta seu enorme pesar pelo falecimento de Michel Vieira Soares, operador de adega, na última sexta-feira, 13 de maio. Michel sofreu uma fatalidade na cervejaria. A empresa está à disposição das autoridades competentes, tomando todas as providências para averiguar as causas do ocorrido e prestando o devido suporte à família do colaborador”, afirma a companhia. “Aos colegas, familiares, amigos (as), a Lohn Bier demonstra sua profunda solidariedade neste momento de dor e consternação”.

Richard Brighenti também fez postagem em sua página no Instagram para ressaltar que ele e outros membros da cervejaria estão “devastados” com o ocorrido. “Me perdoem o tom das palavras, mas é difícil traduzir o que sentimos. Uma fatalidade vitimou o nosso colega Michel, que há muitos anos foi um excelente profissional da cerveja e, mais que isso, um excelente ser humano. Enquanto são averiguadas as causas do acidente, vivenciamos momentos de luto e muita dor”, destaca.

“A consternação é geral entre os colegas de trabalho e amigos. Enquanto estamos dando o suporte necessário à família, fica aqui o convite para orar junto conosco por ele. À família, meus mais singelos e fraternos sentimentos. Não diferente, esse é o sentimento e solidariedade da nossa família Lohn (colaboradores, amigos, fornecedores, clientes) para todos que estão diretamente envolvidos”, completa.

Premiada, Lohn amarga tragédia após celebrar melhor 1º trimestre
A cervejaria catarinense amarga a tragédia na sequência do melhor primeiro trimestre de sua história. Recentemente, a Lohn relatou recorde de vendas nos três meses iniciais de 2022 e um crescimento de 102% em relação ao mesmo período de 2021. Além disso, havia expandido a sua capacidade produtiva em 125% com a inauguração de uma nova sala de brassagem, em 2020, assim como tinha ampliado seu parque industrial em 800 metros quadrados e realizado investimento em tecnologia, permitindo assim a elevação da sua capacidade produtiva de 200 mil para 450 mil litros mensais.

De acordo com a Lohn, a soma das receitas atingidas também através de marcas terceirizadas, que representam 55% do volume total produzido pela cervejaria, aumentou o seu volume de vendas em 380%.

Fundada em outubro de 2014, a Lohn é uma cervejaria com mais de 100 medalhas em concursos cervejeiros, entre as quais algumas em competições internacionais de elite. No ano passado, faturou o prêmio de melhor American Style Wheat Beer na World Beer Awards.

Em 2020, a Lohn passou a participar do programa de aceleração de microcervejarias desenvolvido pela ZX Ventures, o braço de inovação da Ambev. Além disso, tem atuado diretamente em um projeto de desenvolvimento de lúpulos nacionais em Santa Catarina.

Preço da cerveja descola da maior inflação para abril desde 1996 e tem leve alta

Em meio a mais uma alta histórica do IPCA, que ficou em 1,06% e registrou a maior inflação para um mês de abril desde 1996 no Brasil, o preço médio da cerveja teve alta bem menos expressiva no mesmo período, de acordo com o IBGE.

O levantamento do instituto indicou que a bebida no domicílio apresentou variação de 0,36% no preço em abril. E a alta foi ainda menor, de 0,29%, na cerveja fora do domicílio, vendida em bares e restaurantes, por exemplo. É, porém, uma inflação superior aos aumentos quase insignificantes de março, que foram de 0,01% e 0,07%, respectivamente.

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De janeiro a abril de 2022, a alta do preço da cerveja comprada em lugares como supermercados ou redes varejistas é de 1,73%, enquanto a subida do produto adquirido em estabelecimentos como bares está em 1,83%. Já no amontoado dos últimos 12 meses imediatamente anteriores a abril, a elevação contabilizada fica, respectivamente, em 9,04% e 4,38% nas mesmas ocasiões de compra.

Já o preço médio das outras bebidas alcoólicas registrou aumento de 1,42% no domicílio e de 2,17% fora dele em abril, se posicionando acima do IPCA do mês passado. No acumulado do ano, por sua vez, a subida do preço deste item consumido nos lares é de 12,23% e de 3,72% em bares ou restaurantes. E no período dos últimos 12 meses, os valores saltaram 8,12% e 1,48%, respectivamente.

Alimentação e bebidas puxam inflação
Enquanto o preço médio da cerveja teve pequena variação, o item Alimentação e Bebidas se destacou de forma negativa ao liderar a inflação dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados pelo IBGE em abril. A alta foi de 2,06%, 1% acima do IPCA.

Em março, o grupo Alimentação e Bebidas já tinha registrado o segundo mais alto índice da inflação, de 2,42%. No acumulado deste ano, o custo médio para os brasileiros em seus gastos com esses itens contabiliza subida de 7,05%. E no somatório dos 12 últimos meses, o aumento fica em 13,47%. Nos dois casos, este índice é superior ao IPCA para os respectivos períodos, cujas altas são de 4,29% e 12,13%.

A inflação de abril, de 1,06%, também foi mais de três vezes maior do que a registrada no mesmo mês no ano passado, quando ficou em 0,31%. E o grupo Alimentação e Bebidas, junto com o item Transportes, com elevação de 1,91%, colaboraram com cerca de 80% do IPCA do período.

O IBGE ainda ressalta que o leite longa vida, com 10,31% de elevação média em abril, foi o maior vilão entre os itens pesquisados dentro do tópico Alimentação e Bebidas. E a alta geral de 2,06% no custo para este grupo impactou os preços da refeição fora do domicílio, que encareceu 0,42%, após contabilizar alta de 0,60% em março.

“Alimentos e transportes, que já haviam subido no mês anterior, continuaram em alta em abril. Em alimentos e bebidas, a alta foi puxada pela elevação dos preços dos alimentos para consumo no domicílio (2,59%). Houve alta de mais de 10% no leite longa vida, maior contribuição (0,07 ponto percentual), e em componentes importantes da cesta do consumidor como a batata-inglesa (18,28%), o tomate (10,18%), o óleo de soja (8,24%), o pão francês (4,52%) e as carnes (1,02%)”, ressalta o analista da pesquisa do IBGE, André Almeida.

Para calcular o IPCA do mês passado, o instituto comparou os preços coletados entre 31 de março e 29 de abril de 2022 (referência) com os valores vigentes dentro do período de 26 de fevereiro a 30 de março deste mesmo ano (base).

Balcão da Fabiana: Você sabe o que é etarismo? O que ele tem a ver com cerveja?

Balcão da Fabiana: Você já ouviu falar em etarismo? O que ele tem a ver com cerveja?

De uns tempos pra cá temos visto um movimento muito claro dentro do segmento cervejeiro mundial de luta pela equidade. Para quem não entende bem a palavra, equidade é um substantivo que significa o reconhecimento, com igualdade, do direito de cada um.

A princípio, essa luta se deu em relação às mulheres atuantes no segmento cervejeiro. Em seguida, após lamentáveis casos de racismo no meio, veio a luta em relação aos pretos e pretas. Ainda estamos a passos lentos na luta pelos direitos LGBTQIA+ e agora eu ouso introduzir um elemento a mais na busca pela igualdade: o direito dos mais velhos. Sim, os que já passaram da casa dos 50 e são chamados, pejorativamente, por muitos de “dinossauros”.

Para que vocês tenham ideia de que a luta por equidade não é um simples mimimi, no convite aos juízes da World Beer Cup 2022, tivemos de assinar um termo de compromisso em relação a tais questões. Nenhum tipo de preconceito a qualquer grupo seria tolerado pela coordenação do maior concurso cervejeiro do mundo, sob pena de afastamento permanente do corpo de juízes. Isso, sim, é tratar seriamente uma questão que no Brasil ainda é subestimada, ridicularizada, diminuída em seus princípios e valores.

Voltando ao etarismo, outro dia conversando com um dos veteranos do mercado cervejeiro nacional, ouvi um lamento legítimo: “os que chegam agora ao mercado ignoram todo o trabalho que tivemos para abrir este caminho que hoje trilhamos”, me conta esse grande amigo. O ressentimento dele, um personagem tão importante para o estabelecimento de um mercado cervejeiro promissor como hoje é o nosso, é um sinal de alerta. Estamos respeitando o direito, com igualdade, das pessoas mais velhas?

Por que, de repente, tudo o que a geração anterior fez passa a ter menos valor, a ser desqualificado, a representar algo ultrapassado?

O conhecimento e a experiência adquiridos pelos anos de vida e de trabalho somem de um dia para o outro?

Quem disse que a idade define a lucidez e a vontade de se reciclar?

Ora, o novo sempre se alimenta de alguma fonte. Ele só pode acontecer em contraponto ao que veio antes. Alguém pensou antes, realizou antes e é a partir desses feitos que os mais jovens podem recriar, reinventar, atualizar, somar, acrescentar.

O mercado cervejeiro não é uma entidade que surgiu do nada, de uma gênese sagrada. Ele é fruto da persistência, insistência e muito trabalho de pessoas como Cilene Saorin, Kátia Jorge, Paulo Schiaveto, Marcelo Carneiro, Cássio Piccolo, Eduardo Bier, Marco Falcone, Edu Passarelli, Roberto Fonseca, Alexandre Bazzo, Herbert Schumacher, Werner Emmel, Herwig Gangl, Evandro Zanini, Leonardo Botto, Ricardo Rosa, Maurinho Nogueira… Acho que faltam muitos nomes nessa lista. Peço aos que não citei que aceitem ser representados por todos os nomeados.

Se queremos, de fato, um mercado cervejeiro sadio, equânime, temos obrigação de respeitar, com reverência, tudo o que essa gente pioneira realizou por ele. Temos de honrar o que eles fizeram, e continuam fazendo, em prol do segmento.

Preconceito de idade é etarismo. E tudo o que não precisamos contar é com mais uma fonte de discriminação!

Que a “velha guarda” seja homenageada, receba os devidos louros por tudo o que realizou, seja convidada de honra em todos os concursos e eventos de cerveja relevantes. Seja consultada e ouvida para decisões mercadológicas.

É assim que vamos crescer mais e mais em tamanho, mas acima de tudo, em qualidade.

Para terminar, recomendo dois produtos modernos criados por “dinossauros”:

  • O livro A Cerveja Artesanal no Brasil, de Werner Emmel.
  • O canal 8ponto0 no YouTube, que discute gastronomia, literatura, cerveja e ciência política – tudo num copo só!

Fabiana Arreguy é jornalista e beer sommelière formada em 2010, pela primeira turma Doemens no Brasil, através do Senac SP. Produz e apresenta, desde 2009, a coluna de rádio Pão e Cerveja, sendo editora de site com o mesmo nome e autora de livros. É curadora de conteúdo, consultora de cervejas especiais, proprietária da loja De Birra Armazém Cervejeiro, além de professora do Science of Beer Institute e do Senac MG, assim como juíza dos principais concursos cervejeiros brasileiros e internacionais.