Balcão do Advogado: Como evitar problemas na compra de equipamentos para a cervejaria
É alarmante a quantidade de problemas decorrentes de contratos de compra e venda de equipamentos para uma cervejaria. Praticamente todas elas já tiveram problemas dessa ordem em função de a companhia limitar-se a assinar o contrato, sem ponderar sobre o seu conteúdo. Mas agora é o momento de os cervejeiros buscarem contratos mais equilibrados e que prevejam direitos básicos, a fim de não serem lesados pelo inadimplemento das empresas fornecedoras de equipamento.
Como fazer isso? Primeiramente, é necessário que sejam negociados os termos do contrato. As empresas fornecedoras tendem a “empurrar goela abaixo” contratos prontos e desequilibrados, os quais deixam as cervejarias em condições de inferioridade. Um exemplo comum nesses contratos é a falta de previsão de multa para a empresa por atraso na entrega do equipamento (fato extremamente corriqueiro). Portanto, cabe às cervejarias exigirem essa e outras cláusulas no período pré-contratual.
Cláusula “try out” Try out, ou em português “experimentar”, é uma alternativa de cláusula a ser incluída no contrato de compra e venda de equipamento cervejeiro que consiste em testar o que foi adquirido com a equipe da empresa vendedora após a instalação. Dessa forma, eventuais defeitos no equipamento podem ser corrigidos já no início, facilitando e agilizando o reparo. Essa cláusula beneficia ambas as empresas, haja vista que traz credibilidade, diminui custos para o vendedor e traz segurança para o comprador, já que ele terá a garantia de contar com o equipamento funcionando após a instalação.
Pé de igualdade As empresas que vendem equipamentos para as cervejarias contam com assessorias jurídicas qualificadas, que atuam buscando o melhor para os seus clientes. Todos os seus contratos passam por revisão jurídica. Para que a cervejaria se coloque em pé de igualdade com as empresas fornecedoras é extremamente aconselhável a contratação de um advogado para ajudar na elaboração do contrato em conjunto com a vendedora e, se possível, até participar das negociações pré-contratuais, com o objetivo de conseguir melhores e seguras condições.
Soluções e multas Nesse tipo de contrato é essencial que haja a previsão de soluções para eventuais problemas, ou, no mínimo, ferramentas hábeis e que auxiliem a diminuir prejuízos. Isso deve ser feito por meio da inclusão de penalidades e multas para os casos de atraso e inadimplemento. Cláusulas nesse sentido servem para proteger ambas as partes, tornando a relação mais segura.
Detalhes do produto Preferencialmente, anexo ao contrato, devem constar documentos com a descrição detalhada de equipamentos, acessórios e peças. Muitas vezes, a cervejaria acredita estar comprando um equipamento completo, quando na verdade está adquirindo apenas uma parte, ou seja, sem acessórios importantes. Para que não haja equívocos faz-se necessário cobrar do vendedor um documento com o detalhamento completo do maquinário.
Em suma:
Jamais assine contratos modelos;
Negocie as cláusulas do contrato de compra e venda de equipamento na fase pré-contratual;
Contrate um advogado para auxiliar nessas questões;
Cobre o detalhamento do equipamento;
Solicite a inclusão de soluções e multas.
Essas são algumas medidas que custam muito menos do que comprar um equipamento defeituoso e se ver sem alternativas para solucionar o problema.
O mês de maio ficou marcado no segmento de cervejas artesanais pela diversidade de lançamentos, mas muitos deles foram do estilo Barley Wine, demonstrando o foco de algumas marcas em cervejas envelhecidas, casos da Bodebrown e da Nacional, enquanto outras apostaram na Catharina Sour.
A própria Nacional, inclusive, apresentou uma novidade no mês de maio para celebrar o seu aniversário, algo que também motivou lançamentos da Molinarius e da Goose Island, que também homenageou o Dia do Hambúrguer, celebrado neste sábado (28).
Confira essas e outras novidades apresentadas nos lançamentos pelas cervejarias em maio e selecionadas pelo Guia:
Bodebrown A Bodebrown lançou a Double Perigosa 18% Millésime 2021 Aged Series. A mais nova criação da série Double Perigosa chega ao mercado após passar 15 meses envelhecendo na própria garrafa. Este ano, a cerveja faturou uma medalha de ouro no Concurso Brasileiro da Cerveja, em Blumenau (SC). Inspirada na tradicional Perigosa Imperial IPA 9.2%, a Double Perigosa 18% Aged Series é uma Strong Ale, no estilo British Barley Wine, que aproxima o universo das cervejas artesanais ao dos vinhos.
Borck e Das Bier Aproveitando a celebração do Dia das Mães em maio, a Das Bier lançou a Tapfer Frau, uma Catharina Sour desenvolvida em parceria com a Borck. Essa cerveja traz em sua composição framboesa e morango, possuindo 4% de graduação alcoólica. O nome dessa colaborativa significa Mulher Valente. Foram produzidos cerca de mil litros da bebida, com aproximadamente 400 litros sendo envasados em garrafas de champagne de 750ml e que trazem no texto do rótulo uma mensagem que ressalta o poder feminino: “Para mulheres que têm os melhores ingredientes: amor, filhos e a valentia para desafiar o status quo!”.
Dádiva A Dádiva realizou, em maio, os lançamentos das versões #9 e #10 da linha Brewer’s Cut. Ambas as cervejas são de fermentação mista e apresentam 5,2% de teor alcoólico, tendo, também, a mesma base. A Brewer’s Cut #9 tem adição de mirtilo. Já na Brewer’s Cut #10 foi adicionada a framboesa. Essa série de 10 rótulos trouxe releituras criadas por Victor Marinho, responsável pelas receitas e produções da cervejaria. As novidades #9 e #10 estão sendo comercializadas em garrafas de 375ml.
ESCM Alunos da Escola Superior de Cerveja e Malte (ESCM) criaram e lançaram a Santa Sour, uma Catharina Sour com malte e lúpulo catarinenses, pitaya e maracujá orgânicos produzidos por agricultura familiar em Sombrio (SC) e Araranguá (SC). A ideia, com isso, foi fomentar o olhar local para a cerveja. O projeto foi patrocinado por Levtek, Lúpulo do Vale, Malteria Blumenau, Maltes Catarinenses e Cervejaria Belgard.
Goose Island Para celebrar seus 34 anos, a Goose Island lançou a Memory Lane, uma clássica Helles Bock, um estilo marcante dos anos 1990, período em que a cervejaria conquistou fama. A novidade, no estilo Lager, possui 6,6% de teor alcoólico e 23 IBUs de amargor. Além disso, para celebrar o Dia do Hambúrguer, neste sábado, lançou a Hop Blend. A novidade é uma Hazy IPA com graviola, coloração amarela clara, e corpo médio-alto, sendo turva e aromática. O lançamento leva cinco tipos diferentes de lúpulo, garantindo sua complexidade. O rótulo possui teor alcoólico de 6,2% e 40 IBUs de amargor.
Juan Caloto O lançamento de maio da cervejaria Juan Caloto foi a La Piscadela de Cotton Eye Bill, uma colaborativa com a Tank Brewpub. Trata-se de uma Brut Fruited Sour com framboesa e seriguela, tendo 7% de teor alcoólico. Essa novidade foi inspirada nos espumantes e suas borbulhas.
Molinarius A Molinarius Brewing Co. comemorou os seus cinco anos com o lançamento da Molinarius German Pilsner. A novidade representa uma ampliação do foco da marca, conhecida pela aposta nas IPAs: já foram 67 criadas, dos mais variados subestilos em sua trajetória, além de 10 colaborativas. A German Pilsner foi elaborada com malte e lúpulos genuinamente alemães. Ela tem 36 IBUs de amargor.
Nacional Para comemorar o seu aniversário de 11 anos, a Cervejaria Nacional lançou pela primeira vez uma Barley Wine, tendo sido envelhecida em barris de carvalho desde 2016. Batizada de DoBalacoBaco, a novidade foi preparada ao longo desses anos pelos quatro últimos mestres-cervejeiros – Guilherme Hoffman, Patrick Banwart, Guilherme Macedo e Marcos Braga (atual) – da marca.
Noi A Noi foi uma cervejaria que investiu nos lançamentos em maio, homenageando o Rio de Janeiro e o café. A marca de Niterói apresentou a Noi RJ, um rótulo com 4,5% de graduação alcoólica e 10 IBUs de amargor. Para aos responsáveis pela Noi, essa American Lager leve, que está disponível em latas de 355ml, é perfeita para os dias de praia. Em outra iniciativa, aproveitou a paixão pelo café para produzir um cold brew em versão cervejeira. O resultado é a Moka, uma Dry Stout com 4,4% de teor alcoólico, amargor de 25 IBUs e corpo extremamente seco, que durante a sua maturação recebeu uma generosa infusão a frio de café de torra média por 24 horas. A Moka chegou ao mercado em chope e em lata de 473 ml.
Schornstein Aproveitando a participação no Festival Brasileiro da Cerveja, a Schornstein lançou a Vienna Lager, uma cerveja de coloração âmbar acobreada, teor alcoólico de 5,3% e 25 IBUs de amargor. No aroma traz o malte em primeiro plano, remetendo a caramelo, toffee e um leve tostado.
Seasons A Seasons apresentou, durante o Festival Brasileiro da Cerveja, a Mr. Green, uma West Coast IPA. E, como é sua tradição, utilizou o personagem da vaca para promover a sua novidade. “O experiente e criminoso Mr. Green reuniu seis vacas para um majestoso roubo de lúpulos valiosos de uma plantação renomada, porém, durante o assalto, algo deu errado e uma das vacas pegou tudo para ela. Para finalizar a sua receita perfeita de uma West Coast IPA, Mr. Green teria que descobrir qual das vacas era a infiltrada para roubar de volta a sua parte. Mr. Green nunca mais foi visto, por outro lado, o líquido dentro desta lata conta melhor como a história termina!”
Uma tradição gigantesca de dois dos clubes mais vencedores da história do futebol será colocada à prova neste sábado, quando Liverpool e Real Madrid se enfrentam, às 16 horas (de Brasília), no Stade de France, na final da Liga dos Campeões. Juntas, as equipes somam 19 taças conquistadas no principal interclubes europeu, sendo 13 troféus pelo time espanhol, recorde absoluto, e 6 pelo inglês.
Como ao redor do mundo milhões de torcedores acompanharão Liverpool x Real Madrid saboreando uma cerveja, o Guia traz o universo desta bebida para a decisão. Com este objetivo, o sommelier Rodrigo Sena faz um paralelo entre as características dos times, seus treinadores e vários dos seus principais jogadores com estilos de cervejas.
Especialista cervejeiro e apreciador do futebol, ele traça comparações em sete confrontos desta decisão e cita 14 estilos da bebida cujas qualidades considera que mais se assemelham hipoteticamente às dos personagens e dos clubes.
O Liverpool vai tentar conquistar a sua sétima Liga dos Campeões e se igualar ao Milan como o segundo maior vencedor da história da competição. Já o Real Madrid jogará para ampliar a sua supremacia histórica no Velho Continente com a sua 14ª taça da Champions. Na última vez em que esses clubes se encontraram na decisão, o Real levou a melhor em 2018, em Kiev, na Ucrânia, ao vencer por 3 a 1.
Confira as comparações do colunista do Guia para Liverpool x Real Madrid. E bom jogo!
Liverpool (English IPA) x Real Madrid (Doppelbock) “Quando penso no Liverpool, penso na tradição inglesa do time que tem raízes fincadas na Inglaterra. E sempre muito forte, marcante e presente. Então, fazendo um paralelo com um estilo de cerveja, eu vejo uma English IPA. A IPA é um estilo de cerveja criado na Inglaterra. Além de muita presença de malte, tem bastante carga de lúpulos ingleses, que vão trazer notas mais herbais, mais terrosas, um fino amargor. E é uma cerveja potente, que nunca sai de moda. Do lado do Real Madrid, embora seja um time espanhol, eu vou buscar uma cerveja mais voltada para a escola alemã, porque é inegável a força do clube, com uma cerveja que traga toda essa potência e complexidade de sabores, assim como o Real é tão potente quanto complexo de ser entendido muitas vezes. Então, eu vou para uma Doppelbock, que possui corpo mais alto, bastante malte, teor alcoólico elevado e é bastante frutada, amendoada. É uma cerveja tradicional alemã, assim como é o Real, que tem muita força e presença também.”
Alisson (Imperial Stout) x Courtois (Lambic)
“O Alisson, pela forma como ele atua e pela própria imagem dele, o identifico como uma Imperial Stout, que é uma cerveja que tem força, presença, corpo e potência. E é tudo o que o Alisson representa: segurança, algo forte no gol. Quando ele joga, a defesa se sente mais segura. Já o Courtois eu vejo mais como uma Lambic, belga, uma daquelas cervejas espetaculares, feitas no sul de Bruxelas, que levam muitos anos para ficarem prontas e que são bem difíceis de serem entendidas por que são muito ácidas. Uma cerveja forte, com presença, potência de sabor, mas complicada de ser interpretada. E o Courtois muitas vezes sofre com isso e precisa de tempo para mostrar sua qualidade, que ele, de fato, tem”.
Van Dijk (Strong Ale) x Éder Militão (Schwarzbier) “O Van Dijk é um xerifão da zaga, forte, com presença, robustez, e o Éder Militão é um pouco mais leve, mas muito inteligente e até mais rápido. Então, em um duelo cervejeiro, eu colocaria o Van Dijk puxando para o estilo inglês Strong Ale, uma cerveja, como o próprio nome diz, forte, de fermentação Ale, muito maltada, bastante alcoólica e com uma presença e corpo mais alto. É uma cerveja muito saborosa e de muita força. Do outro lado, eu vejo o Militão num estilo alemão chamado Schwarzbier, que é uma cerveja com maltes tostados e torrados. Uma Lager com notas que lembram café, chocolate, então ela é uma cerveja que não é tão forte, mas tem muita presença, uma variedade de sabores muito grande e que acaba sendo de fácil degustação.”
Fabinho (English Porter) x Casemiro (Baltic Porter) “Os dois são meio-campistas fortes na marcação, mas que também sabem jogar. O Casemiro até mais do que o Fabinho. Chega mais ao ataque, tem uma função de armação um pouco maior. Mas eu vejo os dois com funções muitos similares e pelo que entregam. Então, eu vou colocar os dois como Porter, mas com pequenas diferenças. O Fabinho, por estar em um time inglês, vai puxar para uma English Porter, uma cerveja de fermentação Ale, com maltes mais tostados. Ela é escura, tem notas de chocolate, de caramelo. E o Casemiro já vai para um estilo um pouco mais forte, que é uma Baltic Porter, uma cerveja Lager, não é Ale, mas é um estilo que também tem maltes mais escuros e apresenta muita força e presença, características que são tanto da English Porter quanto da Baltic Porter.”
Salah (Special Bitter) x Vinicius Junior (German Pils) “São pontas, puxam o ataque mais pelas beiradas e com características um pouco diferentes, mas também executando uma função que exige rapidez de raciocínio em velocidade. Então, os vejo como estilos mais leves. O Salah, eu vejo como uma Special Bitter inglesa, um estilo tradicional, com maltes levemente tostados, leve amargor residual e que contém notas de caramelo, de biscoito e casca de pão. É uma cerveja bastante interessante, leve, que você toma fácil, mas que tem uma presença e um sabor muito marcante. O Vinicius Junior, eu vou para o lado de uma German Pils, um clássico alemão, com bastante presença de malte. Uma cerveja dourada, com cereais mais claros, mas também um equilíbrio muito interessante com o amargor de lúpulos alemães, com aquela presença floral e mais picante.”
Mané (Summer Ale) x Benzema (Hefe Weizenbier) “O Benzema é mais centroavante do que o Mané, que às vezes funciona como um falso 9. Já o Benzema é mais o clássico 9. Mas são dois goleadores. Pingou bola na frente deles, é ‘caixa’. Então eu coloquei os dois como estilos de cerveja fáceis de serem consumidas, e em bastante quantidade, que entregam gol toda hora para quem as consome. O Mané seria uma clássica Summer Ale inglesa, uma cerveja leve, com maltes mais claros, refrescante e bem maltada, com sabores extraordinários. E o Benzema seria uma tradicional cerveja de trigo da Baviera, a Hefe Weizenbier, que possui leveduras na garrafa, com o corpo um pouquinho mais alto e também notas frutadas e condimentadas leves, sendo também muito fácil de ser consumida.”
Jürgen Klopp (Barley Wine) x CarloAncelotti (Rauchbier)
“Klopp é um treinador surpreendente, que se reinventa, e é impressionante como muda o jeito de o time jogar de uma temporada para a outra para manter o desempenho. Então, o Klopp é uma tradicional Barley Wine inglesa, que tem um teor alcoólico um pouco mais alto, um corpo mais alto, bastante frutada, avermelhada. É uma cerveja extraordinária, com presença e força, assim como o Klopp, e que também a cada gole você percebe as mudanças. Já o Ancelotti, vamos para o estilo alemão que também tem bastante força, presença, que é a Rauchbier, um estilo secular feito com maltes defumados. E aí a cerveja fica com o corpo mais alto e com notas defumadas bastante evidentes. E o legal dessa comparação é que esse estilo tradicional quase já caiu no esquecimento. Em alguns lugares, ela deixou de ser feita. Mas foi resgatada recentemente, assim como o Ancelotti. Muitos achavam que a carreira dele já tinha terminado e ele está de volta ao Real Madrid buscando um título de Champions. Então, tem a ver. E é uma cerveja forte, com presença, personalidade, assim como ele.”
O fim de semana chegou para o público cervejeiro com variedade de opções que prometem atender a todos os gostos. Para quem deseja adquirir conhecimento sobre o setor, a Krater iniciou o lançamento dos seus livros em e-book, a começar por A Nova IPA, de Scott Janish. Já o Pão de Açúcar apresentou o Especial de Microcervejarias, com informações sobre marcas artesanais e descontos nos seus rótulos.
Para aqueles que curtem uma festa, o que não falta são atrações, com destaque para o aquecimento para a Brasil Brau, na Tarantino, em São Paulo, no domingo. E a Everbrew promove mais uma edição da Fest Tour em Santos.
Confira essas e outras novidades do setor no Menu Degustação do Guia:
E-book de A Nova IPA A Editora Krater deu início aos lançamentos da versão digital dos seus livros. A Nova IPA é o primeiro título do catálogo a ganhar um e-book, já estando disponível para compra e download. O livro traz o mesmo conteúdo da versão impressa, sendo adaptado para o formato digital. A obra de Scott Janish pode ser adquirido em quase 20 lojas nacionais e internacionais, como Amazon, Livraria Cultura, Kobo e Apple Books.
Especial do Pão de Açúcar Com o mote “Verdadeiros gigantes nos quesitos qualidade e sabor”, o Pão de Açúcar lançou o Especial de Microcervejarias, válido até 12 de junho. A revista, que conta com versões impressa e digital, apresenta a história das cervejarias participantes, descrição dos principais rótulos, além de explicar o processo de produção. As participantes são Avós, Three Monkeys Beer, Leuven, Dama, Madalena e Hocus Pocus. E os seus rótulos têm 10% de desconto, mediante ativação da oferta no app, durante o período do especial.
Aquecimento da Brasil Brau A Tarantino vai abrir as portas para a Social Brau, festa de aquecimento para a maior feira da indústria cervejeira na América Latina, a Brasil Brau, que acontecerá a partir de segunda-feira (30), no São Paulo Expo. A celebração na cervejaria será neste domingo (29), das 13 horas às 20 horas. Para quem preferir beber à distância, haverá um cupom de 20% de desconto válido durante toda a semana para delivery, o BRAU20.
Corte da Brahma A Brahma se uniu à Wessel para o lançamento da Brahminha, um corte especial de carne. É um Short Rib diferente dos tradicionais por vir sem osso, trazendo ainda mais maciez e maior aproveitamento para que 100% desse corte exclusivo possa ser servido, evitando qualquer desperdício. A Brahminha pode ser encontrada na rede Pão de Açúcar, em São Paulo e no Rio de Janeiro. Confira o vídeo da campanha.
Campanha das retornáveis A Ambev recorreu a Evaristo Costa para promover o uso de embalagens retornáveis. O jornalista foi escalado para a campanha institucional da cervejaria sobre o tema. Em um filme assinado pela agência CP+B, ele brinca com um paralelo sobre um investimento com “retorno garantido”.
Evento da Everbrew A Fest Tour, evento realizado pela cervejaria Everbrew, terá a sua terceira edição neste fim de semana, de sexta-feira até domingo, no Mercado Municipal de Santos. O encontro começa nesta sexta com o Esquenta Fest Tour no Everpub, a partir das 17 horas. No sábado, das 15h às 18h, a festa acontece na Fábrica da Everbrew e conta com cerveja liberada, copo exclusivo para saborear os chopes diretamente da fonte e apresentação da banda Music Box. A tatuadora Luciana Matsumoto também estará presente. Além disso, todos os participantes terão desconto de 20% na conta do Everpub. E o bar vai transmitir a final da Liga dos Campeões. No domingo, o Everpub estará aberto para a Ressaca Fest Tour.
Show no Esconderijo O bar Esconderijo, da Juan Caloto, recebe nesta sexta-feira (27) o show do Al Bud Trio (banda de rockin’ hillbilly music), a partir das 19h30. O bar, que apresenta atmosfera inspirada no faroeste mexicano, tem várias cervejas de fabricação limitada como as belgas Lambic e a Dry Sout O´Sullivan, exclusiva do Esconderijo. Além disso, é possível encontrar a La Piscadela, cerveja Brut Fruited Sour lançada na primeira quinzena de maio.
Happy hour no Morumbi O Brazinha, bar criado a partir do sucesso do restaurante O Brazeiro, passou a contar com happy hour na sua unidade do bairro Morumbi, em São Paulo. O menu e a carta de drinques estão disponíveis todos os dias, das 17h às 20h. Algumas opções são a porção de quadradinhos de polenta com costela desfiada (R$ 30/8 un.) e os croquetes de frango (R$ 26/6 un.). Para acompanhar, as opções de drinques incluem as Caipirinhas do Brazinha que podem levar tangerina com limão siciliano e gengibre, morango com limão e capim-cidreira, além da tradicional, feita com limão (a partir de R$ 24).
Mais público no Craft Beer O Festival Craft Beer foi realizado no último fim de semana em Joinville (SC), com os organizadores afirmando que foram consumidos mais de 20 mil litros de chope. E mais de 400 pessoas trabalharam diretamente e indiretamente. “Em dois dias, 22 mil pessoas passaram pela Expoville. Quando se fala em evento com cervejarias artesanais, é um dos maiores do Brasil”, revela o organizador Kleiton Hames.
Um dos eventos mais conhecidos dentro do segmento cervejeiro, a Brasil Brau – Feira Internacional de Tecnologia em Cerveja – precisou esperar três anos para voltar a acontecer. O hiato entre a edição de 2019 e a de 2022, que se encerrará na próxima semana, foi provocado pela pandemia do coronavírus e serviu para moldar mudanças que poderão ser percebidas por quem for à São Paulo Expo entre segunda (30) e quarta-feira (1).
Olhando para o futuro dos eventos e as tendências advindas da crise sanitárias, os organizadores da edição de 2022 da Brasil Brau entenderam que a disseminação do conhecimento se tornou fundamental para que esse tipo de encontro se tornasse relevante, como argumentou, no Guia Talks, Gabriel Pulcino, gerente sênior de eventos e parcerias da GL Events, responsável pela organização da feira e do Mondial de la Bière.
A ação, porém, também representa uma volta ao passado, pois a Brasil Brau surgiu a partir do Congresso Brasileiro de Ciência e Tecnologia Cervejeira. E sem esquecer da apresentação das novidades, agora os organizadores ampliaram o foco no congresso, que hoje integra a Brasil Brau, a ponto de contar com o apoio do Instituto da Cerveja Brasil em sua realização, como curador da programação.
A importância dessa parceria, as dificuldades de preparar a feira em meio à pandemia e aos desafios socioeconômicos brasileiros foram alguns dos assuntos comentados por Pulcino durante a sua entrevista aoGuia. Além disso, ele revelou que o Mondial de la Bière chegará a uma nova cidade em 2022.
Em função da pandemia, a Brasil Brau não é realizada desde 2019. O que de diferente os participantes vão encontrar na edição de 2022 do evento? Com a pandemia, a gente entendeu muito a nova dinâmica dos eventos. Muitos eventos aconteceram durante a pandemia de maneira virtual e as próprias empresas, tanto cervejarias como aquelas do segmento industrial e de tecnologia, se renovaram e encontraram outras formas de apresentar os produtos e as inovações. Então, a Brasil Brau mantém essa característica de apresentar os novos produtos, mas hoje a gente também olha com mais atenção para o conteúdo, que foi como a Brasil Brau começou. A gente está com uma parceria com o ICB, que é o novo curador do Congresso Brasileiro de Ciência e Tecnologia Cervejeira. Estamos contando com a expertise dos profissionais que compõem a diretoria do ICB para nos auxiliar na construção da grade de conteúdo. Estamos trazendo grandes nomes do mercado internacional para falar sobre malte, lúpulo, fermentação, equipamentos e processos em geral. A gente está muito focado nesse resgate do conteúdo, olhando muito para os eventos que a gente tem como referência fora do Brasil, como a BrauBeviale, a DrinkTec e a Crafters Brewers Conference, que são exemplos muito interessantes para as discussões em torno da cerveja.
Em 2022, o congresso promovido pela Brasil Brau tem curadoria do ICB. Qual é o impacto dessa parceria? É um namoro antigo, a gente já se conhece há bastante tempo e queria renovar o evento. Sempre tivemos a curadoria da Cilene Saorin, uma profissional ímpar, que agradeço muito pelo que aprendi com ela. A gente queria trazer a tradição que existe, mas com novas caras, mostrando que o mercado se renova. A ideia foi trazer novas temáticas para dentro do congresso e, com isso, trazer outros resultados, mudando um pouco a dinâmica, não só do congresso, mas também do conteúdo e dos congressistas. E estamos com uma grade bem interessante. Estamos falando sobre insumos, sobre tecnologia, mas também falando sobre diversidade e inclusão no mercado cervejeiro, algo que precisa estar em pauta.
O objetivo principal dessa parceria com o ICB é dar mais atenção ao conteúdo. Quando a gente olha para a história da Brasil Brau, a gente vê que ela nasceu a partir de um congresso. E a troca de informações é o que faz com que o mercado seja mais forte. Se a gente pegar exemplos como o mercado americano, a quantidade de estudos e de compartilhamento de conhecimento que são promovidos em inúmeros eventos, é impressionante. Eu acredito muito na Brasil Brau como feira para troca de informações e apresentação de tecnologias. E que o crescimento dela na América Latina se dará a partir do conteúdo.
A gente tem projetos para estender esse conteúdo para outras plataformas, para outros momentos, já que a Brasil Brau acontece de dois em dois anos. Estou fazendo algumas análises para entender como a gente pode continuar com esse conteúdo, não necessariamente dentro da Brasil Brau, mas em outros fóruns e em outras plataformas.
A Brasil Brau não terá, em 2022, o Prêmio de Gestão de Negócios em Cerveja. Por qual razão? São inúmeros prêmios que existem no setor para o líquido. Mas, dentro desse segmento, a gente não vê uma valorização das iniciativas profissionais. Se olha muito para o produto final, mas existe todo um processo pra chegar a ele, em uma cadeia extensa. A gente está falando desde o agricultor, passando por toda a fase industrial, depois a gente tem a fase de comercialização e especialização, até chegar ao bar. E o prêmio de gestão da Brasil Brau foi criado justamente focado nisso. A gente está fazendo uma Brasil Brau diferente em 2022, também por algumas dificuldades impostas por esse período de pandemia. Sendo bem franco, eu acho que essa iniciativa é tão valiosa e tão importante que ela precisa de tempo para as próprias empresas inscreverem suas iniciativas e os seus cases. Então, a gente optou por não realizar esse ano. E essa é uma das atividades que comentei que a gente entende que podem ser desgarradas da feira, podendo acontecer anualmente.
Quais impactos da pandemia poderão ser sentidos na Brasil Brau? O primeiro impacto que a gente sentiu negativamente na feira foi uma baixa na participação de empresas internacionais. É algo que eu tenho avaliado e analisado nos eventos em geral como normal. A China, por exemplo, é grande fornecedora, mas a gente não vai ter nenhum expositor chinês pela primeira vez, pois as empresas estão proibidas de sair de lá. E isso é um impacto grande dentro da área de exposição. Porém, não é só o cenário mundial, mas o nosso cenário socioeconômico e político. Na parte de visitação, acho que os altos custos que a gente tem no Brasil também vão dificultar um pouco.
Mas eu acho que a gente se reinventa, assim como as próprias empresas, como elas fizeram com as tecnologias e a maneira de apresentação do conteúdo. E os eventos não vão deixar de existir. Você tem novas maneiras de trabalhar o seu produto e o seu marketing, mas os eventos continuam sendo essenciais. No caso da Brasil Brau, tem tecnologias que você precisa ver ao vivo. Além disso, cerveja é sensorial, então você precisa conversar sobre lúpulo e malte, por exemplo. E a cerveja é um produto de conexão.
A pandemia mudou a sociedade e, como você mesmo já disse, a percepção das pessoas sobre os eventos. Estando à frente da Brasil Brau e do Mondial de la Bière no país, como essas tendências afetam o trabalho de organização desses encontros? Os eventos precisam gerar uma experiência marcante. Você precisa voltar para casa e pensar naquele evento. A pessoa precisa ter extraído alguma experiência marcante. No caso da Brasil Brau, eu acho que está muito ligado ao conteúdo, que é a importância que estamos dando ao congresso. O que vai fazer com que a pessoa vá a uma feira de negócios e o evento a marque, é o que você vai absorver, quais discussões vão ser construtivas para você, com aplicação no seu dia a dia. No Mondial, qual é o diferencial que você encontra? É uma experiência de entretenimento. O Mondial, nessa nova fase, tem o objetivo de criar experiências mais marcantes. Ele jamais pode deixar de ter sua importância dentro do mercado e a sua atenção nos produtos, mas a gente precisa gerar mais entretenimento, mais experiências marcantes.
Como está o processo de preparação do Mondial para 2022? Eu vou jogar uma água no chope. Infelizmente, a gente não vai realizar a edição de São Paulo nesse ano. Seria muito curto e a gente quer fazer um trabalho de excelência, como a gente faz no Rio. Mas tem uma outra novidade, que é uma nova praça, a gente vai realizar um terceiro Mondial no Brasil, em uma nova cidade. Sobre o Rio de Janeiro, a gente vai melhorar muito a experiência. Sabemos que houve dificuldades no ano passado. E o nosso primeiro passo é entregar o evento com excelência, como todo mundo conhece. Para isso, a gente vai continuar investindo nessa característica de festival, trazendo novas ativações de música e de gastronomia, melhorando ainda mais o serviço de cerveja ao redor do evento.
A Hijos de Rivera, empresa detentora da marca Estrella Galicia, apresentou o seu balanço financeiro de 2021 e relatou ter faturado 610,4 milhões de euros (aproximadamente R$ 3,12 bilhão, na cotação atual). A companhia espanhola, que também possui uma importante divisão de águas, sonha em alcançar a receita de 1 bilhão de euros (R$ 5,11 bilhões) em 2024, o que buscará a partir da internacionalização das suas marcas, incluindo uma presença mais ativa no mercado brasileiro.
Foi a primeira vez que o faturamento da Hijos de Rivera superou os 600 milhões de euros, com a empresa, assim, conseguindo superar os níveis pré-pandemia. A companhia detentora da Estrella Galicia também apresentou lucro de 94,9 milhões de euros em 2021, um incremento de 79% em relação ao ano anterior, sendo 30% superior a 2019.
De acordo com o balanço, a divisão cervejeira da Hijos de Rivera, que possui a Estrella Galicia como seu carro-chefe, vendeu 436 milhões de litros no ano passado. Foram, assim, 90 milhões de litros a mais do que em 2019, o último ano pré-pandemia, um avanço de 27,8%. Além disso, foram comercializados 189 milhões de litros de água, um aumento de 16,4%, em relação a 2020, mas abaixo dos 198 milhões de litros de 2019.
Para manter a expansão, a Hijos de Rivera tem um plano de realizar investimentos de 600 milhões de euros até 2024, sendo que metade desse montante será obtido através de empréstimos para a companhia familiar.
O valor será investido, principalmente, na ampliação da capacidade produtiva da empresa, que hoje possui uma fábrica em operação no Parque Industrial A Grela, em A Coruña, na Espanha. A empresa, porém, saltará para 3 unidades industriais até 2024, com uma delas sendo em Arteixo, também na Galícia, e a outra em Araraquara, no interior de São Paulo.
A internacionalização, vista com uma das alavancas para atingir o faturamento de 1 bilhão de euros, tem, assim, o mercado brasileiro como fundamental para a Estrella Galicia, que já possui um acordo de distribuição no país com a Coca-Cola. E se hoje as vendas externas não atingem os 10% do faturamento da empresa espanhola, a expectativa é de que elas representem 20% em 2024.
Com filiais nos Estados Unidos e no México, a América é um foco óbvio para a companhia nesse processo de internacionalização, mas não o único. “Vamos montar uma filial no mercado britânico. Já temos em Portugal e com certeza na Europa abriremos mais”, afirma Ignacio Rivera, presidente-executivo do grupo.
Embora tenha relatado expansão no lucro e no faturamento em 2021, a Hijos de Rivera ainda não recuperou completamente o ritmo de vendas em bares e restaurantes. A companhia afirma que a comercialização nesse tipo de estabelecimento representa, hoje, 60% do seu mix, abaixo, portanto, dos 70% registrados no período pré-pandemia.
“Há uma certa ressaca dos efeitos da pandemia. Embora os bares estejam abertos, há uma tendência de continuar consumindo em casa e, portanto, de consumir embalagens não retornáveis”, acrescenta o executivo da Hijos de Rivera.
A subida dos preços segue assombrando os brasileiros em 2022 e impacta diretamente a todos os setores. Com altas históricas sendo registradas nos últimos meses em praticamente todas as categorias, o segmento de cervejas artesanais também não passa ileso. Neste cenário, as cervejarias da Rota Cervejeira RJ precisam lidar com a situação adversa provocada pela inflação, junto aos efeitos de outros desafios recentes.
Ao Guia, a coordenadora da Rota Cervejeira RJ, Ana Claudia Pampillon, conta que vários fatores vêm dificultando uma retomada mais consistente das marcas da região serrana. “Nós tivemos um período longo de pandemia, em seguida um período de tragédia aqui em Petrópolis onde várias cervejarias foram impactadas e, agora, esse momento, com a inflação repercutindo em todos”, destaca.
A elevada inflação tem provocado um efeito cascata na sociedade e afetado a operação das cervejarias. As empresas, afinal, sofrem com a alta nos custos de produção e ainda observam a perda do poder de compra dos consumidores, que sofrem com alta dos preços de produtos básicos.
De acordo com relatos das cervejarias que compõem a Rota RJ, o impacto nos preços se dá em diversas esferas: a compra dos insumos, no transporte, no custo fixo fabril e mesmo na logística de entrega. “O impacto se vê em toda a cadeia. Não é incomum encontrar materiais que dobraram de preço nos últimos 2 ou 3 meses”, relata William Pacheco, sócio-proprietário da Mad Brew.
O cenário coloca as cervejarias diante de uma decisão complicada, pois aumentar os preços pode representar a perda de vendas, enquanto mantê-los vai afetar a atividade da cervejaria, como afirma José Renato Romão, um dos sócios da Brewpoint. Ele relata o adiamento de investimentos para ampliar a capacidade produtiva das cervejarias. “A margem apertada implica em redução da capacidade de investimentos”, pontua.
Os profissionais lamentam que a adversidade para as cervejarias da Rota RJ em virtude da inflação se dá logo em um período que deveria ser de boas notícias, no reencontro com o consumidor, após meses de restrições para a operação em função da pandemia do coronavírus.
“Após dois anos tão difíceis por conta da pandemia e em um cenário de inflação descontrolada, as pessoas têm seu poder de compra reduzido e precisam priorizar outros gastos – o que impacta fortemente o nosso mercado”, acrescenta o sócio-proprietário da Mad Brew.
Repasse nos preços As cervejarias da Rota RJ reconhecem, assim, que há pouco a se fazer para driblar a inflação, especialmente porque as medidas para a redução dos custos dos rótulos demandam investimentos ou a troca de insumos utilizados, o que poderia ter efeito na qualidade do produto oferecido. “As principais ferramentas para contornar os efeitos inflacionários seriam o aumento de preços ou a redução de custos que, quase invariavelmente, necessitam de recursos para investimento”, informa o sócio da Brewpoint.
A coordenadora da Rota RJ avalia ser grande o desafio para cervejarias de pequeno porte colocarem um produto de qualidade no mercado a um preço competitivo em um contexto de pressão sobre os custos. Assim, reconhece que o preço da cerveja está ficando mais elevado na região serrana do Rio. “É um caminho natural. A gente torce muito para que isso não impacte negativamente no mercado de cervejas artesanais”, afirma Ana.
Assim, a estratégia da Mad Brew tem sido repassar, de forma mais transparente possível, parte destes custos aos clientes, que, segundo o sócio da cervejaria, até vêm sendo compreensivos. Além disso, a empresa tem investido em sua marca e na comunicação, com o intuito de aumentar o seu alcance. “Não consideramos reduzir ou substituir nossos insumos, por exemplo, para diminuirmos o custo. A qualidade sempre foi a prioridade”, acrescenta Pacheco.
Maior inflação desde 1996 A inflação tem provocado dores em todos os bolsos. O IPCA, o índice oficial divulgado pelo IBGE, ficou em 1,06% em abril, sendo a maior variação para este mês desde 1996. E o item Alimentação e Bebidas se destacou de forma negativa ao liderar a alta entre os nove grupos de produtos e serviços pesquisados, subindo 2,06%, 1% acima do IPCA.
Na última semana, o Ministério da Economia anunciou que elevou sua projeção de inflação para 2022 de 6,55% para 7,9%. Se a expectativa for concretizada, a inflação ficará acima do dobro da meta estipulada para este ano, que havia sido de 3,5%.
Sócio-fundador da Cervejaria Santa Catarina, Abrahão Paes Filho, de 55 anos, morreu na noite do último domingo (22) ao sofrer um grave acidente enquanto conduzia uma motocicleta de luxo na rodovia Governador Jorge Lacerda, em Criciúma (SC).
O empresário foi atendido pelos socorristas do Corpo de Bombeiros por volta das 21h45, mas já não apresentava sinais vitais, segundo informou, ao Guia, o sargento Reinaldo Bittencourt, do posto da Polícia Militar Rodoviária (PMRv) de Cocal do Sul (SC), onde a ocorrência foi registrada.
De acordo com boletim descrito pela autoridade policial, Abrahão perdeu o controle da sua moto quando chegou a uma rotatória que estava em obras na estrada e acabou se chocando com uma placa de trânsito. Após a batida e a queda do motorista no asfalto, o veículo ainda percorreu, sem o condutor, 45 metros, desgovernado, antes de cair no acostamento da pista.
O boletim de ocorrência não cita a hipótese de que o empresário poderia estar trafegando em uma velocidade acima da permitida naquele trecho da rodovia no momento do acidente. Ele guiava um modelo da marca Harley-Davidson, com placas do município catarinense de Araranguá.
Por meio de uma postagem em seu perfil no Instagram, a companhia que teve o empresário como o seu criador lamentou a tragédia. “Com imenso pesar, comunicamos o falecimento do sócio-fundador da Cervejaria Santa Catarina: Abrahão Paes Filho”, afirma a publicação, que é ilustrada com uma foto dele e traz as datas de seu nascimento (20/11/1966) e morte (22/05/2022).
Empresário foi homenageado por escola de samba em 2018 A Cervejaria Santa Catarina foi fundada em 2007, no município de Forquilhinha, que fica no sul catarinense, onde Abrahão também se tornou figura querida e conhecida em sua comunidade. Em 2018, foi homenageado pela escola de samba Unidos do Arroio, da cidade de Balneário Arroio do Silva (SC), desfilando no carnaval daquele ano pela agremiação, que também utilizou as redes sociais para lamentar o falecimento.
“É com grande pesar que a Escola Unidos do Arroio vem notificar a passagem do nosso amigo, parceiro, apoiador e querido por todos, como dizia o nosso enredo de 2018 ‘….e o Menino Sonhador’, Abrahão Paes Filho sonhou e realizou muitos de seus sonhos e planos. Toda a diretoria da Unidos do Arroio deixa aqui sua eterna gratidão a ele e sinceras condolências aos filhos Isael Coelho Paes e Isaac Paes, noras e netinhos, e a esposa Deine Silva. Que Deus conforte o coração de todos”, escreveu a escola em seu perfil no Facebook.
O grupo Cervejaria Santa Catarina agrega em seu portfólio as marcas Saint Bier, também fundada por Abrahão Paes Filho, Coruja, Barco e Catarina. Somadas, produzem 390 mil litros de cerveja por mês, de acordo com o Anuário das Cervejarias Artesanais de Santa Catarina.
Essa foi a segunda tragédia a abalar o setor cervejeiro brasileiro em menos de duas semanas. No último dia 13, também em Santa Catarina, um funcionário da Lohn Bier morreu após sofrer uma parada cardiorrespiratória em um tanque da cervejaria sediada em Lauro Müller. Michel Vieira Soares, de 32 anos, teve o problema ao descer no fundo do recipiente, que estava vazio e tinha cerca de quatro metros de profundidade, para apanhar um saco de lúpulo caído em seu interior.
Mais de dois anos após a eclosão dos casos de contaminação que resultaram na morte de dez pessoas e deixaram ao menos outras 16 com lesões ou sequelas graves, três sócios-proprietários e funcionários da Cervejaria Três Lobos, responsável pela marca Backer, começam a ser julgados nesta segunda-feira (23), em processo penal na 2ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJ-MG). Serão quatro dias de audiências, até quinta-feira, no Fórum Lafayette, em Belo Horizonte, onde inicialmente vítimas afetadas por consumirem cervejas da Backer com substâncias tóxicas e testemunhas de acusação serão ouvidas.
A denúncia apresentada pelo Ministério Público pediu o indiciamento de 11 pessoas por crimes cometidos entre o início de 2018 e o dia 9 de janeiro de 2020, ano em que a solicitação foi aceita, em 8 de outubro, pelo juiz Haroldo André Toscano de Oliveira. O magistrado acatou o pedido feito pelos promotores após a materialidade dos delitos criminais ser comprovada por laudo pericial da Polícia Civil de Minas Gerais e do Instituto de Criminalística em lotes de cervejas da Backer e em tanques da planta fabril da empresa.
O documento aponta que houve adulteração das bebidas alcoólicas por monoetilenoglicol e dietilenoglicol, substâncias consideradas tóxicas e não adequadas para serem utilizadas em alimentos pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. O uso delas também ficou evidenciado em laudos toxicológicos e de necropsia das vítimas que ingeriram as cervejas.
O Guia apresenta, abaixo, um panorama do início do julgamento do Caso Backer, a maior tragédia da história da cerveja artesanal brasileira, detalhando o estágio atual do processo, com a realização das primeiras audiências. Confira:
Como serão as primeiras audiências do Caso Backer As primeiras audiências do Caso Backer representarão o início do julgamento dos réus e da instrução processual, com vítimas e testemunhas de acusação sendo interrogadas. Em uma segunda fase da ação penal, em data ainda a ser definida pelo juiz responsável pelo caso, vão ser ouvidas as testemunhas de defesa e os réus do processo.
“Trata-se do início da dilação probatória após o recebimento formal da denúncia e, salvo melhor juízo, nas datas em questão serão ouvidas as testemunhas de acusação arroladas pelo MP”, diz Fernando Fabiani Capano, advogado criminalista e Doutor em Direito pela USP. “O processo está na fase de produção de provas. As audiências fazem parte dessa etapa”, reforça André Lopes, criador do site Advogado Cervejeiro e colunista do Guia.
Embora o processo não tramite em segredo de justiça, o TJ-MG confirmou que o acesso à sala de audiências do Fórum Lafayette será restrito. Despacho do juiz desta ação penal citou o elevado número de testemunhas arroladas e a pandemia entre os motivos para fracionar as datas das audiências do Caso Backer, marcadas para começar sempre às 13h30.
Quem são os 10 réus e de quais crimes eles são acusados Entre os réus deste processo estão Ana Paula Silva Lebbos, Hayan Franco Khalil Lebbos e Munir Franco Khalil Lebbos, sócios-proprietários da Backer, denunciados pelo crime do artigo 272 do Código Penal, parágrafo 1º-A, que fala em “fabricar, vender, expor à venda, importar, ter em depósito para vender ou, de qualquer forma, distribuir ou entregar a consumo a substância alimentícia ou o produto falsificado, corrompido ou adulterado”.
Outros indiciados são Ramon Ramos de Almeida Silva, Sandro Luiz Pinto Duarte, Christian Freire Brandt, Adenilson Rezende de Freitas e Álvaro Soares Roberti, responsáveis técnicos da cervejaria, e Gilberto Lucas de Oliveira, chefe de manutenção. Todos foram acusados de homicídio culposo e lesão corporal culposa, além de responderem pelo artigo 272 do Código Penal.
Charles Guilherme da Silva, funcionário de uma fornecedora de insumos à Backer, será julgado pelo crime de falso testemunho após se apresentar às autoridades e alegar que uma sabotagem causou a intoxicação das cervejas da marca, suspeita que não se confirmou. Segundo a denúncia, ele visava prejudicar a empresa da qual fazia parte após conflitos trabalhistas. Já o responsável técnico Paulo Luiz Lopes, que seria o 11º réu, morreu após sofrer um acidente vascular cerebral um mês depois de ser indiciado.
Culpa de réus por falha em tanque precisa ser comprovada Durante a investigação, o delegado responsável Flávio Grossi indicou que houve negligência e imperícia da Backer ao usar substâncias tóxicas no processo de produção das bebidas. Mas a marca alega que não pode ser punida por uma falha na solda de um tanque de sua cervejaria, o que permitiu que houvesse contaminação. Agora, será preciso provar a responsabilidade dos réus acusados de homicídio culposo e lesão corporal.
“A cervejaria, em si, não pode ser punida diretamente na esfera criminal. No que concerne às pessoas que estão denunciadas (agentes da empresa no momento dos fatos), será necessário, para além da simples presunção, provar que cada uma delas tinha, de maneira individualizada, ciência expressa do defeito havido na solda e, por ato comissivo ou omissivo, deixou de efetuar, dentro de seu campo de responsabilidade, os reparos necessários para que os consumidores não fossem expostos à substância tóxica”, destaca Capano. “Não basta mero indício. É necessário que se prove a prática das condutas (quer seja culposa, quer seja dolosa) por todas as pessoas que estão denunciadas, de maneira individualizada”, reforça.
Pouco depois de ser autorizada pela Justiça a voltar a produzir cerveja em sua planta industrial em Belo Horizonte, a Backer foi multada em R$ 5,1 milhões pelo Ministério da Agricultura por infrações administrativas relacionadas ao caso. Os especialistas ouvidos pelo Guia não acreditam que a decisão influenciará no julgamento, embora reconheçam que a punição possa provocar “juízos de valor” sobre a empresa.
“Por se tratar de esferas diferentes (a multa se deu no âmbito administrativo do Mapa), não deveria ter impacto. Contudo, as infrações que ocasionaram a multa são situações constatadas pelo órgão que com certeza devem fazer parte do arcabouço probatório do processo”, afirma André Lopes.
O advogado Clairton Kubaszwski Gama, sócio do escritório Kubaszwski Gama Advogados Associados e colunista do Guia, pondera que “a multa aplicada foi em razão da contaminação, mas também por outros motivos como a falta de comunicação ao órgão de modificações na estrutura da cervejaria”. “De toda forma, a penalidade administrativa aplicada pelo Mapa acaba não tendo interferência na esfera judicial criminal. São instâncias independentes uma da outra”, diz.
O caso provocou grande rejeição à Backer, mas André Lopes não vê como isso possa ter peso para o teor das sentenças aos réus. “É importante esclarecer que os homicídios culposos (e os outros crimes imputados aos réus nesse caso) são julgados por um juiz, e não pelo Tribunal do Júri, que tem a competência para julgar os crimes dolosos, ou intencionais, contra a vida. Dito isso, o histórico não deve influenciar no julgamento, já que o juiz formará o seu convencimento com base no que está nos autos do processo”, analisa.
A Patagonia acaba de lançar a sua primeira cerveja colaborativa no Brasil. A marca de origem argentina, que faz parte do portfólio da Ambev, se uniu à Campos do Jordão para lançar uma Red Ale, juntando cervejarias que estão ligadas a regiões montanhosas pelas suas origens.
A parceria para a criação desse rótulo incluiu a seleção dos ingredientes. O lúpulo utilizado nessa nova cerveja foi trazido da Fazenda Fernández Oro, na região da Patagônia, propriedade da cervejaria argentina onde são plantados e colhidos seus próprios lúpulos, enquanto a água e a framboesa são da Serra da Mantiqueira.
“Trouxemos nosso lúpulo diretamente da Colheita da nossa fazenda na Patagônia para essa a parceria, criando um sabor único. Tanto a Cerveza Patagonia, quanto a Cervejaria Campos do Jordão, possuem essa característica de valorizar ingredientes regionais, especialmente de regiões montanhosas”, afirma Thiago Leitão, chefe de marketing da Cerveza Patagonia no Brasil.
Sylvio Rios, diretor da Cervejaria Campos do Jordão, destacou como a união com a Patagonia buscou valorizar ingredientes típicos de suas regiões, com a marca paulista inserindo, na receita, a framboesa, fruta protagonista na gastronomia da Serra da Mantiqueira.
“Essa parceria nasceu da vontade de reunir a essência montanhosa de duas regiões que se assemelham, tanto pelo clima e belezas naturais, quanto pela produção de cervejas especiais. Abraçamos a Patagonia em nossa cidade e trouxemos, para nossa fábrica, seus lúpulos patagônicos prestigiados para se unirem às framboesas da Mantiqueira, pioneiras no Brasil”, comenta.
A Red Ale possui 19 IBUs de amargor, com 4,8% de graduação alcoólica. De acordo com o descritivo divulgado pela Patagonia, essa cerveja tem coloração avermelhada, com aroma levemente cítrico e frutado, proveniente da framboesa, com amargor bem equilibrado dos lúpulos patagônicos.
“O sutil sabor caramelizado dos maltes completa a receita com o lúpulo Cascade, trazido da Argentina”, afirma a marca, que indica harmonização com pratos de sabor marcante e forte, como um assado de tira ao molho de chimichurri, enchiladas, ou mesmo uma pizza de calabresa.
No Brasil, até agora, a Patagonia havia disponibilizado quatro estilos de cerveja: Amber Lager, IPA, Weisse e Bohemian Pilsener. A sua colaborativa foi lançada em duas versões limitadas: long neck, que será disponibilizada no Empório da Cerveja e pontos de venda como bares e restaurantes na Serra da Mantiqueira; e chope, comercializado exclusivamente nos Refúgios Patagonia, bares oficiais da marca no Brasil, e na Cervejaria Campos do Jordão.