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Alta dos casos de coronavírus freia recuperação e dificulta operação de bares

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O aumento exponencial de casos do coronavírus e da H3N2 frustrou o que se esperava ser o verão da recuperação sem obstáculos de bares e restaurantes no Brasil. Diante da recorrência do problema sanitário, os estabelecimentos vêm precisando lidar com duas preocupações: a ida mais tímida do público aos locais de consumo fora do lar, reduzindo o faturamento, e o afastamento de funcionários por causa de sintomas ou mesmo da contaminação por alguma dessas doenças, dificultando a operação dos espaços.

Essa queda do público se dá após o segmento ter um desempenho considerado positivo pelo setor no fim de 2021. Uma pesquisa da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) apontou que mais estabelecimentos disseram ter obtido lucro (34%) do que os que ficaram no prejuízo (31%) em dezembro – outros 34% apresentaram equilíbrio nas contas.

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O início do ano, porém, veio com queda na frequência. A Abrasel estima uma redução de 10% da ida do público aos bares desde o aumento dos casos de coronavírus no início. Essa diminuição da presença de consumidores e a consequente queda no faturamento também foram sentidas pela Associação Nacional dos Restaurantes (ANR). O diretor-executivo Fernando Blower destaca a frustração do segmento, que vinha em recuperação após sofrer nos meses em que havia restrições mais rígidas na pandemia.

“A gente sentiu desde o começo do ano, com percentuais de faturamento inferiores ao esperado em torno de 15% a 30%, dependendo da região e do tipo de negócio. Mas o importante é que de fato foi um uma queda expressiva no momento que era de retomada, quando a gente vinha crescendo o faturamento mês após mês. E é natural porque as pessoas acabam ficando um pouco mais retraídas”, diz.

Além disso, para a ANR, embora existam indicativos de que 2022 será um ano melhor para o segmento do que os anteriores, ainda há um longo caminho a ser percorrido, com dificuldades, especialmente a alta dos custos, assim como a incerteza sobre a pandemia.

“Alguns estavam mais otimistas, mas eu sempre preguei a prudência. A gente está muito distante de uma zona de conforto, seja porque a pandemia ainda não acabou e a Ômicron lembrou a gente disso, seja também porque é ano de eleição, então o segundo semestre tende a ser bem turbulento. E o primeiro semestre ainda está impactado pela própria pandemia, e por uma pressão de custos, com a alta inflação de alimentos, combustíveis e energia elétrica”, diz Blower.

Desde o fim de dezembro, a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) tem contabilizado casos de afastamento entre os funcionários por sintomas ou casos de coronavírus. Um cenário que traz complicações para a operação em um setor que perdeu 1,2 milhões de postos de trabalho durante a pandemia e só recuperou metade deles, convivendo com a expectativa de abrir mais 60 mil durante o verão.  

“Há o impacto dos funcionários. Na última semana de dezembro, 10% dos funcionários foram afastados com sintomas, em função dos protocolos. Isso subiu depois do Natal para 15% e chegou a 20% na primeira semana de janeiro. É um impacto muito grande, ainda mais que a média de funcionários em um estabelecimento é 6. Agora, nas últimas semanas, houve uma redução para 15%. E isso significa menos funcionários trabalhando”, detalha Lucas Pêgo, líder de desenvolvimento da Abrasel.

Uma pesquisa da Abrasel, com 1.300 empresários, trouxe números ainda mais alarmantes. O trabalho apontou que 76% dos estabelecimentos contabilizaram pelo menos um afastamento de funcionário contaminado por um dos vírus nos 30 dias anteriores à pesquisa (realizada entre 15 e 27 de janeiro). E, em média, quase um em cada quatro funcionários (24% da força de trabalho) foi afastado pela Covid-19 neste período.

E o carnaval?
O excesso de casos de coronavírus, inclusive, motivou o cancelamento do carnaval de rua nas principais cidades brasileiras. As associações avaliam que o impacto dessa medida varia de acordo com a importância da festa para a economia de cada cidade, mas reconhecem que a menor movimentação de turistas provoca efeitos sobre os estabelecimentos.

“Vai haver um fluxo de pessoas muito menor do que normalmente se tem. E isso vai se refletir no faturamento. Não tem outro jeito. Porque a população local muitas vezes viaja e o turista que chegava, não vai chegar. Então, em cidades onde o carnaval tem um peso importante, o impacto deve ser bem significativo”, conclui o diretor executivo da ANR.

Brasil Brau é confirmada e terá edição em 2022 de 30 de maio a 1º de junho

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A Brasil Brau está de volta ao calendário de eventos em 2022. Os organizadores da Feira Internacional de Tecnologia da Cerveja confirmaram a realização da 16ª edição do evento, o agendando para o período de 30 de maio a 1º de junho, no São Paulo Expo, na capital paulista.

Considerada a principal feira da indústria cervejeira no país, o evento costuma reunir toda a cadeia produtiva do segmento, interessada em produtos, serviços e tecnologias. Para este ano, a organização assegura que serão apresentadas soluções aos desafios que estão por vir para a indústria da cerveja.

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 “Juntos iremos fermentar com ainda mais gás a economia e movimentar a geração de negócios com tecnologia, produtos e serviços inovadores”, afirmam os organizadores no comunicado sobre a realização da Brasil Brau em 2022.

Assim como aconteceu com diversos encontros cervejeiros, a Brasil Brau seguiu a esteira de eventos do setor que foram adiados em função da pandemia do coronavírus, não tendo sua edição de 2021. Assim, a feira, que costuma ser bianual, passou por um hiato de tempo sem ser realizada. Aos poucos, porém, o segmento vai retomando o seu calendário de eventos, tendo a realização do Mondial de la Bière no fim de 2021 no Rio de Janeiro como um dos marcos dessa retomada.

A última edição da feira de tecnologia cervejeira foi realizada em São Paulo em 2019, contando com mais de 130 expositores e cerca de oito mil participantes. E, para a Brasil Brau de 2022, já foram confirmadas as participações de 64 expositores.

Além de reunir grandes fornecedores do mercado cervejeiro, que atuam em áreas como embalagens, máquinas e equipamentos, insumos e refrigeração, entre outros atores da indústria, o evento costuma contemplar uma série de atrações, como debates e palestras técnicas, assim como uma feira de exposições e uma premiação.

Brasil amarga estagnação na fabricação de bebidas alcoólicas em 2021

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O Brasil amargou estagnação na fabricação de bebidas alcoólicas no ano de 2021. De acordo com os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em sua Pesquisa Industrial Mensal (PIM), nesta quarta-feira, houve uma leve queda de 0,3% na atividade em relação ao mesmo período de 12 meses de 2020.

Este cenário ocorre após o setor ter acumulado, no fim do ano passado, sete meses consecutivos de retração em comparação ao intervalo entre junho e dezembro de 2020. Na confrontação dos dados entre o último mês de 2021 e o derradeiro do ano anterior, a diminuição da produção foi de significativos 8,2%.

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Em novembro passado, o recuo já havia sido de 10,7% em relação ao mesmo mês de 2020, segundo o IBGE. Desta forma, a fabricação de bebidas alcoólicas no país fechou o ano passado amargando um panorama estacionário após, no primeiro semestre, indicar uma recuperação, apesar das dificuldades impostas principalmente pela crise provocada pela pandemia da Covid-19.  

No primeiro trimestre do ano passado, o setor chegou a contabilizar crescimento de 4% em relação aos mesmos três meses iniciais de 2020, justamente no período em que o problema sanitário mundial começou com a propagação do coronavírus.

Já no que diz respeito à fabricação de bebidas em geral (somando alcoólicas e não alcoólicas), o cenário também não foi animador no fechamento de 2021. De acordo com o IBGE, houve queda de 4,3% em dezembro no comparativo com a produção do mesmo mês em 2020.

Este último indicador fez com que o setor encerrasse 2021 com um crescimento quase inexistente, de 0,2%, em relação ao ano anterior. Ou seja, também ficou estagnado. E a expansão deste segmento no mercado havia sido de apenas 0,3% ao término de 2020 em comparação com 2019.

Um outro indicador apresentado pelo IBGE, que é aferido após a realização do ajuste sazonal em relação ao mês anterior, aponta que em dezembro houve um aumento de 1,3% em comparação a novembro na produção de bebidas em geral no Brasil.

Setor de bebidas não alcoólicas também não avança
Este panorama de estagnação também é constatado na fabricação de bebidas não alcoólicas. Neste universo, a produção de dezembro de 2021 se elevou em 0,3% em um paralelo com o mesmo mês de 2020. E teve uma modesta escalada de 0,9% no ano passado em relação ao período anterior de 12 meses.

Produção industrial teve alta de 3,9% em 2021
Assim, a fabricação de bebidas no Brasil em 2021 acabou não acompanhando o crescimento da produção industrial como um todo. De acordo com os números coletados pelo IBGE, a atividade teve expansão de 3,9% em relação ao ano anterior depois de acumular duas quedas seguidas: de 1,1% ao fim de 2019 e de expressivos 4,5% ao término de 2020, primeiro ano da pandemia.

E ao comentar este índice dentro do contexto da crise sanitária, o IBGE enfatiza que a produção industrial hoje “se encontra 0,9% abaixo do patamar de fevereiro de 2020, no cenário pré-pandemia, e 17,7% abaixo do nível recorde, registrado em maio de 2011”.

“É o primeiro resultado positivo depois de dois anos. Em 2019, o acumulado do ano foi de -1,1% e em 2020, de -4,5%. Em 2021, houve uma característica decrescente ao longo do ano, uma vez que houve ganho acumulado de 13,0% no primeiro semestre e, posteriormente, o setor industrial mostrou redução de fôlego”, analisa André Macedo, gerente da pesquisa do IBGE, em nota oficial.

“Os resultados positivos dos primeiros meses do ano tinham relação com uma base de comparação muito depreciada, já que em 2020 houve perdas bastante intensas para a indústria”, reforça Macedo.

Entretanto, o IBGE destacou que, na comparação entre dezembro passado e o mesmo mês em 2020, a indústria recuou 5,0%. E isso mesmo após ter avançado 2,9% em relação a novembro. Este encolhimento constatado no último mês de 2021 se deveu principalmente a resultados negativos de três das quatro grandes categorias econômicas e 20 dos 26 ramos pesquisados.

CEO da Brewers Association prega união do setor no Brasil e reforço da atuação política

O segmento brasileiro de cervejas artesanais precisa de união para expandir a sua participação no mercado e de proximidade dos responsáveis pelas políticas públicas para fomentar a atividade. A avaliação e o conselho ao setor foram dados por Bob Pease, presidente e diretor executivo (CEO) da Brewers Association, que representa as cervejarias independentes e artesanais dos Estados Unidos.

Pease proferiu, na última semana, uma palestra online, atendendo a convite da Associação Brasileira de Cervejas Artesanais (Abracerva), direcionada principalmente aos associados da entidade representativa deste nicho no Brasil e aos profissionais em geral do mercado.

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País com o maior número de produtores de cervejas artesanais no mundo, os Estados Unidos são considerados uma referência de sucesso neste segmento. E Pease falou como líder de uma associação nacional que conta hoje com cerca de 5.600 membros filiados de cervejarias independentes, além de aproximadamente 46 mil sócios da American Homebrewers Association, que representa os produtores caseiros.

Com a vacina agora consolidada como maior arma contra a pandemia, o mercado das cervejas artesanais vem retomando a sua força aos poucos, na esteira da reabertura gradual de bares e restaurantes. E ao resumir a história da Brewers Association, da qual faz parte desde 1993, e explicar como a entidade se estruturou, Pease apontou a união do setor como um dos segredos para o sucesso das artesanais nos Estados Unidos, embora a concorrência entre elas seja inevitável. 

 “É fundamental que todas as cervejarias artesanais do Brasil se juntem à sua associação. Esse deve ser o seu objetivo e esse é o nosso objetivo nos Estados Unidos. Acredito firmemente que todas as cervejarias do nosso país deveriam pertencer à Brewers Association”.

Ele apontou que no início da Brewers Association, as cervejarias enxergavam a necessidade de não apenas terem êxito individualmente, mas também de se unirem em busca da consolidação do setor de artesanais.

“Quando estávamos em um estágio semelhante ao seu (do Brasil), nossos líderes (da associação), fizeram o que era melhor para toda o segmento da cerveja artesanal primeiro e o que era melhor para sua cervejaria em segundo lugar, porque eles sabiam que ter uma visão de longo prazo, que é contraintuitiva para muitas pessoas, seria de interesse próprio. E eles estavam certos porque olharam para outras indústrias e outras associações. E viram como elas fizeram isso. E eles deixaram as suas diferenças pessoais de lado e encontraram maneiras de se unirem quando estávamos formando a Brewers Association”, relembra Pease.

União pelo crescimento no mercado
Com o tempo, as cervejarias perceberam também que, ao dividirem informações valiosas, conseguiram aumentar a participação no mercado das artesanais como um todo. Embora sejam concorrentes dentro do próprio nicho, os produtores ganharam mais representatividade no segmento e se fortaleceram também perante as grandes cervejarias.

“Quando eu comecei na Brewers Association, a cerveja artesanal tinha cerca de 3% de participação de mercado nos Estados Unidos em volume e agora é de cerca de 13%. E podemos dizer que temos 13% do mercado em volume e 25% do mercado em dólares, números que fazem as pessoas sentarem e prestarem atenção. Porém, você não pode conseguir isso se não coletar informações entre as cervejarias”, enfatiza Pease.

Confira, abaixo, outros assuntos abordados por Pease na palestra dada a convite da Abracerva:

Missão e representatividade da Brewers Association
Nosso propósito é promover e proteger nossos membros, cervejeiros artesanais americanos, suas cervejas e a comunidade de entusiastas cervejeiros. Isso é o que fazemos. Hoje temos 5.600 cervejeiros como membros da associação. E isso de um total de cerca de 8.500 cervejarias artesanais nos Estados Unidos. Portanto, temos cerca de 65% de todas as cervejarias artesanais como membros da Brewers Association.

Como a pandemia afetou a associação
Antes da pandemia, tínhamos 66 funcionários em tempo integral. A pandemia encerrou os eventos por dois anos e tivemos de demitir cerca de um terço de nossa equipe. Agora estamos contratando novamente, crescendo, mas não de volta ao nível onde estávamos em fevereiro de 2020, antes de o mundo mudar e do início da Covid-19.

Conselhos para a Abracerva
Trabalhamos com assuntos governamentais. E como uma associação iniciante (a Abracerva foi fundada em 2013), e mesmo não conhecendo muito sobre política brasileira, ao dar conselhos, eu diria que tentaria estabelecer relações com as pessoas locais, com deputados federais. Convide-os para visitar as suas cervejarias. Quando um legislador entra em uma cervejaria como a do (Giba) Tarantino (presidente da Abracerva) e vê todo o aço inox, vê todas as pessoas trabalhando, você pode ver que ele fica impressionado. Não se trata de cerveja, trata-se de negócios, trata-se de criar empregos, trata-se de criar um produto do qual possamos nos orgulhar.

Qualidade é fundamental
Se sua cerveja não é de primeira, você provavelmente não vai durar muito tempo (neste negócio) porque o mercado é muito competitivo, como é nos EUA, com 8.500 pequenas cervejarias. Enfatizamos, através de nossos programas técnicos e de qualidade, que todos os pequenos cervejeiros devem ter um laboratório, devem fazer controle de qualidade e análise de qualidade em cada cerveja que fabricam. Qualidade é a missão número 1 para este grupo. E em seguida vem a segurança da fabricação de cerveja. É um empreendimento perigoso, as pessoas morrem nas cervejarias, isso acontece e uma morte já é demais.

Ação da Ambev começa o ano na contramão do Ibovespa e desvaloriza 2,92% em janeiro

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Na contramão do Ibovespa, a ação da Ambev iniciou 2022 em baixa, assim como havia terminado 2021. O papel da principal cervejaria do mundo encerrou a sessão da última segunda-feira da B3 cotado a R$ 14,97, o que representou perdas de 2,92% no primeiro mês do ano.

Foi, também, o terceiro mês consecutivo de desvalorização da ação da Ambev. E essa nova queda veio em um período marcado pelo anúncio do cancelamento do carnaval de rua nas principais cidades do Brasil, algo provocado pelo aumento dos casos de coronavírus no país, a imensa maioria sendo da variante Ômicron.

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O cancelamento do carnaval pode, inclusive, ter efeitos sobre o nível de consumo, sendo que marcas de cerveja, incluindo algumas da Ambev, eram as principais patrocinadoras de diversas festas nas ruas. Além disso, há preocupação com os efeitos dessa nova onda de casos, ocorridos logo no verão e quando bares e restaurantes pareciam retomar os níveis de frequência pré-pandemia.

Analistas do mercado financeiro também exibem incerteza com as margens de lucro da companhia neste ano, diante da alta dos preços da matéria-prima. “Esperamos que a inflação de custos no Brasil chegue a 23% em 2022 devido ao aumento dos custos de alumínio, grãos e outras matérias-primas. E com a nossa visão de que os preços médios não vão acelerar, isso coloca a Ambev em mais um ano de erosão de margem”, afirma o BTG Pactual.

A queda também se dá após analistas indicarem menos otimismo nas prévias do balanço do quarto trimestre de 2021, a ser divulgado em 24 de fevereiro. Foi o caso, por exemplo, da XP Investimentos, que embora siga indicando a compra da ação da Ambev e enxergue a companhia em melhor situação do que as concorrentes do setor cervejeiro, aponta que o cenário macroeconômico pressiona os números da companhia.

“Esperamos que a AmBev entregue um aumento de 8,3% no volume consolidado (Cerveja Brasil+6,5%) e um forte crescimento da receita líquida de 22,4% em 2021, apesar das comparações difíceis no segundo semestre de 2021. Também vemos a AmBev superando seus pares e ganhando participação de mercado, no entanto, estamos reduzindo nossos números para o 4T21 principalmente devido à piora do cenário macro”, diz a XP em relatório.

Ibovespa se recupera
Assim, a ação da Ambev teve trajetória inversa em janeiro ao Ibovespa, o principal índice da B3. Após registrar em 2021 o seu pior desempenho desde 2015, recuperou parte das perdas, fechando a sessão de segunda-feira em 112.143,51 pontos. Com isso, valorizou 6,98% no período. Foi a segunda alta mensal consecutiva do índice, sendo a maior desde dezembro de 2020.

A ação da Ambev foi, assim, uma das 26 que desvalorizaram em janeiro entre as 92 que compõem o Ibovespa. Essa maioria de valorizações é explicada pela entrada de investidores estrangeiros neste começo de 2022 com um apetite que parece ter ignorado até mesmo a previsão de que a inflação oficial voltará a estourar o teto da meta neste ano.

Assim, esse ingresso de recursos de fora do país na bola impulsionou a ação da própria B3 a apresentar a maior valorização de janeiro, com alta de 31,24%. Foi seguida pela Hapvida (21,97%), com os papéis de dois bancos – Itaú Unibanco (20,91%) e Bradesco (18,69%) – completando o Top 5 com a Azul (19,91%).

Na outra ponta, a maior perda de janeiro foi da Locaweb, de 26,29%. Na sequência, aparecem Alpargatas (21,45%), IRB Brasil (18,66%), Embraer (18,17%) e Braskem (14,68%).

Fora do Brasil
Ao contrário do que aconteceu no Brasil, a ação da Ambev iniciou o ano de 2022 em alta na Bolsa de Valores de Nova York. Por lá, ao terminar a segunda cotada a US$ 2,83, valorizou 1,07% em janeiro.

Foi um movimento parecido ao do papel da AB Inbev na Europa, onde teve alta de 4,80% ao terminar o mês com preço de 55,72 euros. Já o ativo da Heineken desvalorizou 3,88% em janeiro, ficando com o valor de 95,02 euros.

Setor tem aumento da busca por abertura de brewpubs e criação de receitas

Ainda que a pandemia do coronavírus continue assustando a sociedade, com o aumento exponencial de casos da variante Ômicron, o setor cervejeiro tem encontrado caminhos e soluções, com a esperança de um 2022 melhor. E o que se percebe é uma demanda crescente de serviços para brewpubs, o que indica interesse na abertura desse tipo de estabelecimento, e de criação de novas receitas.

Essa procura foi percebida por Filipe Bortolini, sócio da Beer Business, empresa especializada em cursos e consultorias para negócios cervejeiros. “Acreditamos que a demanda por serviços voltados à área de negócios deve crescer em 2022, uma vez que o mercado continuará crescendo e a concorrência aumentando. Estamos vendo uma procura cada vez maior pelas consultorias de planejamento e operação de brewpubs e pelo desenvolvimento de novas receitas”, afirma, apontando que a abertura de brewpubs deve ser uma tendência neste ano.

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Para Bortolini, as empresas que atuam no segmento têm entendido que esses estabelecimentos são uma alternativa de negócio mais rentável e sustentável do que as microcervejarias, uma vez que é possível obter uma margem maior de lucro na comercialização das bebidas para o público.

“Isso se dá tanto pela não incidência da substituição tributária do ICMS nas vendas para pessoa física quanto pela oportunidade de comercialização do produto diretamente ao consumidor final, sem intermediários”, explica. “Como o cliente paga na saída dos brewpubs, não há inadimplência e o dinheiro gira muito mais rápido que em uma microcervejaria”, acrescenta, indicando que pode haver maior segurança na operação financeira para quem opta pela abertura de um brewpub.

O sócio da Beer Business também relata que sua empresa vem sendo procurada com frequência para auxiliar em serviços de desenvolvimento de novas receitas. Nesse caso, a avaliação é de que a procura está relacionada ao aumento do número de cervejarias no Brasil, assim como de lançamentos de rótulos. Ele destaca ser preciso ter atenção nas criações, sob o risco de novidades passarem despercebidas pelo público.

“Em número de lançamentos de cerveja por ano, ficamos atrás apenas dos Estados Unidos. Com cerca de 8.500 novos rótulos de cerveja sendo lançados em um mesmo ano, é preciso trabalhar muito bem as receitas para ter um produto diferenciado sem perder a competitividade em um mercado ainda pequeno e no qual o consumidor está se tornando cada vez mais conhecedor e exigente em relação à qualidade do que consome”, diz.

Esse cenário de muitas novidades impõe outros desafios, como alerta Bertolini, citando o cuidado com a definição dos preços. “Com a concorrência, muitas cervejarias estão sentindo bastante dificuldade na comercialização e na precificação de seus produtos, de modo que a busca por soluções para esses aspectos deve ter um crescimento em 2022”, argumenta.

O sócio da Beer Business acredita, inclusive, que o segmento deverá ter uma expansão de negócios assim que a situação econômica do Brasil melhorar. Essa percepção se dá pela constante procura da sua companhia por profissionais interessados em empreender no setor cervejeiro.

“Continuamos tendo uma boa demanda em relação aos cursos e consultorias, especialmente do público que está pensando em abrir um novo negócio quando o mercado estiver mais estável e, por isso, quer aproveitar esse período para fazer seu planejamento e estar pronto para entrar rapidamente no mercado”, relata.

A Beer Business em 2022
Em 2021, com a continuidade da pandemia do coronavírus, a Beer Business também deu sequência a adaptações na sua atividade, com a reestruturação da infraestrutura de comunicação e um reforço na gestão dos projetos. Para 2022, a empresa pretende lançar um novo site, ampliando a sua atuação online, além de criar consultorias que atendam às novas demandas do segmento.

“As novas consultorias, que iremos lançar junto com nosso novo site até o final do ano, tratam de gestão comercial, gestão financeira, precificação, gestão de marca, abertura de negócios cervejeiros, tributação cervejeira e gestão da produção. Todos esses serviços foram elaborados com base nas necessidades identificadas junto aos nossos clientes e em pesquisas realizadas pelo Sebrae. Teremos, também, mais um curso disponível no nosso EAD, que será o Tributação para o Mercado Cervejeiro”, adianta Bortolini.

CEO da Brewdog é acusado de comportamento impróprio e de intimidação

O CEO da Brewdog, James Watt, voltou a ser acusado de comportamento impróprio à frente da cervejaria escocesa. As novas revelações sobre uma cultura de trabalho tóxica na aclamada cervejaria foram apresentadas em um documentário produzido pela BBC. Para inviabilizar o programa, ele teria tentado intimidar os denunciantes, de acordo com a imprensa local.

Na última semana, a BBC apresentou o documentário “Disclosure: The Truth About Brewdog”, em que investiga o êxito de finanças e marketing da companhia, mas também as acusações de ser um local de trabalho tóxico. As alegações surgiram, pela primeira vez, em junho de 2021, quando mais de 100 ex-funcionários, mais da metade deles divulgando seus nomes completos, publicaram uma carta aberta com reclamações, citando a “cultura do medo” e que os funcionários eram “tratados como objetos”.

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Dessa vez, o documentário da BBC ouviu mais de 15 ex-funcionários da cervejaria escocesa, a maior parte dos Estados Unidos. E eles apresentaram várias acusações, como a de que as garçonetes eram aconselhadas a não chamarem a atenção do CEO da Brewdog.  

“Nós fazíamos questão de avisar as novas garotas – tipo, ‘Ei, só para você saber, James Watt está vindo para a cidade’. Apenas saia depois do seu turno, não fique realmente por perto, nem sempre faça seu cabelo e maquiagem naquele dia para não chamar a atenção dele”, diz Katelynn Ising, que trabalhou no DogTap, o principal bar e cervejaria da Brewdog em Canal Winchester, nos Estados Unidos.

Gerentes também relatam que evitavam escalar mulheres nas equipes dos estabelecimentos nos dias em que o CEO da Brewdog iria visitar os espaços. “Eu agendava mais homens nas noites em que ele estava lá. Eu me sentava atrás do balcão com as funcionárias para que elas não se sentissem desconfortáveis”, relata Dylan Gray, ex-gerente da Brewdog do bairro de Franklinton, em Columbus.

Além disso, há afirmações de que ele teria flertado com uma funcionária antes de ir com ela ao telhado de um prédio da companhia. “Ele acaba indo para o telhado com ela, e ninguém da equipe, que estava no andar de baixo, se sentiu confortável com isso. Ele poderia ter ido para qualquer outro lugar, mas não foi. Ele fez isso na cervejaria”, afirma a ex-gerente Meg Herman, que também trabalhou pela Brewdog em Columbus.

Há, também, acusações de que em viagens aos Estados Unidos, Watt levava mulheres para passeios noturnos na fábrica da cervejaria. “Entrava no prédio com garotas, jovens, loirinhas, e ele as levava para a cervejaria para um tour ou qualquer outra coisa”, diz a ex-gerente de serviço Jackie English.

O gerente de plantão Nathan Quick, que trabalhou no bar da Brewdog em Franklinton revela ter testemunhado o CEO da companhia tendo um encontro sexual no terraço-jardim do espaço. “Ele estava beijando com a mão na camisa dessa jovem. Não era incomum termos a percepção de que isso estava acontecendo, mas ver fisicamente era outra coisa”, explica.

Intimidação, resposta e pedido de desculpas
Ano passado, quando da publicação da carta aberta, a Brewdog pediu desculpas e realizou uma revisão independente das suas práticas, além de ter lançado um código a ser seguido no ambiente de trabalho ainda no fim de 2021.

Na última semana, o CEO da Brewdog teve reações díspares antes e depois da exibição do documentário pela BBC. No primeiro momento, em uma ação vista como intimidatória, realizou publicação no fórum “Equity for Punks”, da companhia, em que alertava para o risco de os denunciantes terem suas identidades reveladas. “Se alguém está de alguma forma preocupado com isso, não é tarde demais para retirar seu consentimento”, escreve.

Ao programa, o advogado do CEO da Brewdog negou todas as acusações, algo que Watt repetiu, também afirmando ser “forçado a tomar medidas legais contra a BBC para proteger minha reputação”. Mas, ao mesmo tempo, fez um pedido de desculpas pelos incômodos causados.

“Lamento muito que alguém se sinta de alguma forma desconfortável perto de mim, conforme o programa estabeleceu. Esta é absolutamente a última coisa que eu quero e algo que vou aprender imediatamente. Eu realmente peço desculpas a quem se sentiu assim. Essa nunca foi minha intenção”, diz.

Além disso, prometeu rever o seu comportamento. “Estou tentando ser um líder melhor e estar muito mais atento ao impacto que tenho em nossa equipe quando estou no local”, acrescenta Watt.

A Brewdog foi fundada em 2007 e tem sede em Elon, no nordeste da Escócia. A empresa conta com mais de 100 bares e emprega mais de 2 mil pessoas pelo mundo, tendo valor de mercado estimado de 2 bilhões de libras. A marca possui uma das cervejas artesanais mais famosas do mundo, a Punk IPA, considerada a mais vendida do segmento no Reino Unido. E conta com as ações de marketing como um aspecto fundamental do seu negócio, atuando a favor de causas progressistas, como os direitos LGBTQIA+ e o combate à crise climática.

Ação social, lançamento e reedição: O início de ano agitado das marcas da Rota RJ

O começo de um ano costuma ser uma época para mudanças e início de realizações. É sob essa inspiração que algumas cervejarias que compõem a Rota RJ parecem estar atuando em 2022, tanto que elas vêm tirando do papel diversos projetos. Só no mês de janeiro, por exemplo, a Brewpoint anunciou o lançamento de uma nova linha de cervejas, enquanto a Doutor Duranz aproveita o período para trazer de volta um rótulo famoso. E algumas marcas já realizam projetos juntas, com um deles acontecendo neste domingo, sendo uma ação social em Guapimirim, na região serrana do Rio de Janeiro.

A iniciativa envolvendo as cervejarias da Rota será neste domingo (31), na Praça Paulo Terra, em Guapimirim. Na ocasião, os cervejeiros vão aproveitar a brassagem coletiva da Acerva Guapimirim para promoverem a troca da cerveja colaborativa da Rota RJ, a GO IPA, por alimentos.

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O evento está previsto para começar às 9h e quer “levar um pouco de alegria a quem precisa”, como destaca a Rota. Mas, atenção, o estoque da GO IPA, lançada no fim do ano passado durante o Mondial de la Bière Rio, é limitado.

Em ação individual, a Brewpoint, por sua vez, começa 2022 com a criação de uma série de cervejas do estilo que mais tem conquistado espaço no mercado, as IPAs.  A coleção da componente da Rota RJ é intitulada “Hop Point!” e terá sua produção apresentada ao longo do ano. A marca explicou que os rótulos da série de cervejas será produzida sempre com a mesma base, porém variando o lúpulo de aroma, proporcionando ao público a possibilidade de experimentar novas impressões sensoriais a cada lançamento.

A linha surgiu a partir da grande demanda por parte do público da Brewpoint, como destaca Pedro Henrique Neves, sócio da empresa. “Nossa cerveja IPA em garrafa é o item mais vendido de nossa linha de produtos. Somado a isso, já vínhamos produzindo pelo menos uma vez ao ano uma receita de Double IPA, que se esgotava rapidamente. Foi assim que a partir do uso de diferentes lúpulos, decidimos explorar mais as possibilidades dentro do estilo.”, comenta.

O primeiro rótulo da série vem com o Sabro (ou HBC 438), que é um lúpulo americano novo. E, de acordo com a marca, há destaque sensorial para tangerina, coco, frutas tropicais e frutas vermelhas na receita. A cerveja também leva os lúpulos Citra e o Mosaic. Tem 90 IBUs de amargor e 10% de graduação alcoólica.

Já a Doutor Duranz aproveitou o início do ano para trazer de volta ao seu snack bar tap room a sua Summer Ale. A bebida é reeditada após dois anos com sua leveza, toque cítrico e um leve amargor. Ela tem 5,5% de graduação alcoólica e 18 IBUs de amargor.  Além do estabelecimento da marca em Corrêas, também está disponível pelo sistema de delivery.

Confira 13 lançamentos de cervejas artesanais realizados em janeiro

O ano de 2022 começou agitado para as cervejarias artesanais. Ainda motivadas pela estação mais quente do calendário, o verão, muitas marcas realizaram lançamentos de cervejas logo em janeiro. Algumas, inclusive, apostaram em mais de um rótulo, como a Juan Caloto, que apresentou duas novidades.

A Cruls Cervejaria, para celebrar a abertura do seu bar em Brasília, também realizou um lançamento duplo. E a Doktor Brau foi além, com a criação de uma linha de cervejas e a apresentação de três novos rótulos para o público.

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Veja 13 lançamentos de cervejas realizados pelas marcas artesanais em janeiro e selecionadas pelo Guia:

Cruls
Duas novas cervejas foram apresentadas ao público durante o mês janeiro, na abertura do bar da marca de Brasília: a Hop Lager, o mais novo rótulo da Linha Padrão da cervejaria e sua primeira long neck; e a CXP09 Catharina Sour com Maracujá, novo rótulo da série experimental CXP. A Hop Lager tem 5,5% de graduação alcoólica e 26 IBUs de amargor, sendo uma Lager com baixa fermentação e doses extras de lúpulo. Segundo o seu descritivo, tem amargor moderado, mas limpo e refrescante, com notas cítricas e resinosas oriundas dos lúpulos. E o malte traz características de casca de pão e de biscoito, equilibrando o conjunto. Já a CXP09 tem 4,4% de graduação alcoólica e 8 IBUs de amargor, trazendo adição de maracujá. É uma cerveja clara, levemente turva, de acidez média e com presença da fruta no aroma e no paladar. Tem corpo leve/médio, carbonatação moderada e é pouco alcoólica.

Dádiva 
A Dádiva apresentou, em janeiro, a So Much to Say, uma New England IPA feita com quatro tipos de lúpulo experimentais e o Mosaic Spectrum, uma nova forma de extração desta variante de lúpulo. Traz notas de pêssego e manga e toques de melão, morango e laranja doce, com final seco e sutil, de acordo com a marca. Ela tem 6,2% de teor alcoólico e a sugestão de harmonização é com carnes grelhadas e vegetais ao forno condimentados.

Doktor Bräu
A Doktor Bräu lançou neste mês uma linha de cervejas que aliam sabor e saúde. As novidades foram a Pilsen e a IPA Low Carb, ambas com apenas 42 calorias, baixo teor alcoólico, sendo leves, refrescantes e mantendo as famosas características dos estilos. Outra cerveja que completa a linha é a Isotonic FruitBeer, também low carb, com apenas 12 calorias, concentração de sais, com carga de proteína, conforme a marca, harmonizando com o pós-treino.

Duas Torres e Sampler
As cervejarias Sampler e Duas Torres, de Petrópolis e integrantes da Rota Cervejeira RJ, lançaram neste mês a colaborativa To Your Witcher. É uma IPA clássica de cor alaranjada, com espuma dourada e cremosa. De acordo com as marcas, possui aroma cítrico, terroso e levemente doce, lembrando frutas de caroço. E tem amargor alto, mas em equilíbrio com as notas de caramelo que trazem um retrogosto suave. A cerveja, refrescante, tem 50 IBUs de amargor e 6,6% de graduação alcoólica.

EverBrew
A cervejaria de Santos (SP) criou a Rush Hour, pensada como uma cerveja entre uma Juicy IPA e uma West Coast. A bebida é uma New England IPA com 7% de graduação alcoólica. Foi elaborada com Spectrum Mosaic, envolvendo uma extração de lúpulo em várias etapas.

Juan Caloto
A Juan Caloto apresentou duas novas cervejas em janeiro, a La Ballada De Ragtime Abacashew e a El Último Trem Para Sabata Valley. A La Ballada De Ragtime Abacashew é uma Gran Berliner Weisse com sabor de abacaxi e caju. Ela possui teor alcoólico de 8,5%. Já a El Último Trem Para Sabata Valley é uma Juicy IPA que leva em sua receita os lúpulos Strata e Sabro. Ela possui coloração amarelada com leve turbidez, que muito se assemelha a uma Pilsen tradicional. Porém, logo o aroma do caju aparece trazendo maior densidade ao paladar, que é finalizado com a acidez e a refrescância do abacaxi. A cerveja possui teor alcoólico de 8,5%. Ambas estão disponíveis em latas de 473ml.

Landel
A cervejaria de Campinas (SP) começou 2022 com um lançamento para celebrar o verão. É a I’m Lazy, uma American Wheat. Trata-se de uma cerveja de trigo americana, com 5,5% de teor alcoólico,e 14 IBUs. A Landel assegura que ela é leve. E possui muito lúpulo americano no dry hop, o que a deixa mais refrescante.

Mindubier
A baiana Mindubier também lançou mais um rótulo em janeiro. Batizada Mindu2022, a cerveja celebra uma nova fase da empresa, agora com novo sócio, fábrica própria e um moderno bar. Ela é uma IPA com base bem clara de maltes, aliada a uma levedura experimental exclusiva. O resultado são notas cítricas e frutadas, com destaque no pêssego e na casca de laranja.

Nacional
Em seu primeiro lançamento do ano, a Cervejaria Nacional apresentou como novo rótulo do seu portfólio a IPA Patagônica. A cerveja leva no preparo maltes e lúpulos da Patagônia, região localizada no extremo da América do Sul. A nova criação é de coloração dourada clara, tem corpo leve e intensidade aromática que remete a frutas tropicais como manga, pêssego e melão. O rótulo apresenta 5,2% de álcool e 35 IBUs de amargor.

Quem é o influenciador do “sextou” que arrecadou R$ 2,6 mi para vítimas da chuva

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O influenciador digital Henrique Costa Ferreira, de 46 anos, mais conhecido como Henrique Maderite, se tornou um fenômeno de popularidade nas redes sociais pelo “Sextou”. Mas a sua força junto aos, hoje, 790 mil seguidores, ficou mais clara quando conseguiu, em uma rápida campanha beneficente, arrecadar mais de R$ 2,6 milhões em doações para ajudar as vítimas das chuvas em Minas Gerais.

Foi, até agora, o ponto alto da trajetória desse mineiro, que, ainda antes de ficar famoso, começou a chamar a atenção por meio de mensagens engraçadas enviadas a amigos, que vazaram na internet e se espalharam por Belo Horizonte. Hoje, ele se destaca com a irreverência de quem incentiva as pessoas a abrir a primeira a cerveja partir do meio-dia de sexta-feira, antecipando o fim de semana.

Isso ocorreu depois que o carisma de Maderite motivou a Cervejaria Läut, de Nova Lima, na região metropolitana de Belo Horizonte, a convidá-lo para se tornar parceiro da marca em janeiro de 2021. E com ele como garoto-propaganda, a cervejaria aumentou a exposição no mercado e ajudou a tornar conhecido o homem que em todas as sextas-feiras posta um vídeo em seu Instagram no qual diz: “Pode olhar aí, ‘mei-dia’. Quem fez, fez. Quem não fez, não faz mais… Sextou, bebê”.

Com a popularidade em alta, o influenciador digital resolveu promover uma campanha para ajudar as vítimas das chuvas que castigaram Minas Gerais na virada de 2021 para 2022. Iniciada às 12h de 14 de janeiro, quando divulgou o seu “sextou” solidário, a iniciativa arrecadou R$ 2.612.796,36. E ainda mais de 800 toneladas de donativos.

Em entrevista ao Guia, Maderite comentou sobre a bem-sucedida campanha do “sextou”, que beneficia 12 cidades mineiras prejudicadas pelas recentes enchentes. São elas: Nova Lima, Rio Acima, Raposos, Itabirito, Sabará, Brumadinho, Mário Campos, Governador Valadares, Betim, Juatuba, Santa Luzia e Jequitibá.

“Estou me sentindo a pessoa mais feliz do mundo, estou fisicamente e emocionalmente cansado, mas nunca me senti tão feliz na minha vida”, ressalta o influenciador digital, pai de três filhos: Juninho, de 25 anos, Ana Clara, de 22, ambos frutos de seu primeiro casamento, e Estela, de 7, filha de Fernanda, sua esposa, que está participando ativamente da  campanha beneficente e antes teve papel fundamental para que o marido desse os primeiros passos para se tornar um fenômeno das redes sociais.

A campanha, intitulada “Sextou Solidário, S.O.S. Minas Gerais”, foi realizada por meio do site “Quem Fez, Fez“, no qual estão sendo publicadas as prestações de contas, com as notas fiscais dos eletrodomésticos, camas e colchões comprados com o dinheiro das doações e que estão sendo revertidos para as vítimas das enchentes.

Maderite revelou ao Guia que uma equipe de 45 voluntários ajuda nas entregas. E ele também marca presença nas casas de pessoas prejudicadas pelas chuvas em Minas. Neste sábado (29), por exemplo, promete estar presente em visitas às residências afetadas no município de Santa Luzia, apesar do  “sextou” que vai publicar em seu Instagram ao meio-dia desta sexta-feira.

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Confira na entrevista mais detalhes da campanha liderada por Maderite e da trajetória do influenciador digital:

A campanha que você promoveu arrecadou mais de R$ 2,6 milhões e 800 toneladas de donativos em 3 dias e 4 horas. Por que você acredita que a iniciativa fez tanto sucesso? A sua popularidade nas redes sociais pesou muito para isso?
Acho que o sucesso aconteceu porque foi uma campanha singular, pois não teve apoio de emissora de TV, de político, de prefeitura ou de governo para promovê-la. Não teve nenhum patrocínio para fazer essa campanha e isso ajudou a sensibilizar muitas pessoas em meio a um momento tão difícil para tantas famílias que foram afetadas pelas chuvas em Minas Gerais.

A ideia de promover a campanha foi exclusivamente sua? Como morador de Nova Lima, você viu de perto o drama de muitas famílias que foram afetadas pelas chuvas?
A ideia foi minha, a gente mora em uma cidade que foi muito atingida pela chuva. E a gente não ficou confortável (no último dia 14) de fazer um “sextou” rindo enquanto todo mundo estava sofrendo à nossa volta. Inicialmente, a gente tinha cadastrado 11 cidades beneficiadas pela campanha, mas já passamos para 12. Eu, meus filhos e minha mulher estamos visitando casa por casa (das moradias prejudicadas pelas enchentes). Meu filho mais velho, por exemplo, ficou responsável por uma cidade, Mário Campos, e a minha filha do meio ficou responsável por uma outra, Sabará. E a ajuda emergencial, que se chama comida, chegou muito rápido.

E quais são os produtos que estão sendo distribuídos para pessoas que perderam os seus pertences nestas últimas enchentes em Minas?
A gente já tinha pensado nos kits para doação, que contam com uma geladeira, um fogão, um colchão e uma cama. Compramos mil de cada. E aí você me pergunta: ‘Como vou atender mais de 1.000 famílias afetadas pelas chuvas com esse kit’? É que muitas não precisam de um kit completo com todos esses itens. E alguns deles podem ser repassados para outras famílias cadastradas na campanha.

Como você se sente ao ver tanta gente beneficiada por essa campanha?
Estou me sentindo a pessoa mais feliz do mundo, estou fisicamente e emocionalmente cansado, mas nunca me senti tão feliz. Estamos fazendo todas as etapas da campanha. Arrecadamos o dinheiro doado e com ele compramos eletrodomésticos, camas e colchões em uma condição muito boa de preço. Conseguimos gente para emprestar galpão e guardar as coisas, porque isso não é barato, e gente para transportar tudo isso. Poder ajudar as pessoas é muito gratificante.

Com todo o sucesso que faz nas redes sociais como influenciador digital, você ainda tem tempo para desempenhar o papel de sócio de uma construtora? Quantos acordos de patrocínio você possui?
Sou sócio de uma construtora junto com o meu irmão e o meu filho. Mas, com este meu envolvimento nas redes sociais, eles é que tomam conta da construtora. Hoje, como influenciador digital, tenho 12 contratos assinados por um ano e mais ou menos uns 30 pontuais.  

Essa campanha angariou muitos recursos em um tempo reduzido. Por que o período de doações foi encerrado após 76 horas?

Quando fechamos a campanha, a gente tinha 886 páginas de extrato bancário. Do valor total arrecadado, nós tivemos mais de 30 mil movimentações de Pix, o que deu uma média de R$ 70 doados por pessoa. As doações vieram do Brasil inteiro. Estamos fazendo um mapeamento das regiões que doaram e vimos que tivemos doações de pessoas de todas as capitais do Brasil. Foram 76 horas de campanha e o movimento financeiro e o volume de doações foram tão grandes que concluímos que já era hora de encerrar a campanha para poder comprar as coisas, organizar e distribuir as doações. E não perder o controle disso.

Como foi possível fazer o armazenamento e distribuição dos donativos e eletrodomésticos comprados para serem doados?
Conseguimos parceiros para tudo. Para estocar, eu tenho o Gustavo Gati, que é uma pessoa fundamental neste nosso projeto. Ele disponibilizou um galpão de 10 mil metros para a gente poder guardar as coisas, conseguiu uma transportadora, a JFW, que está ajudando também, e estamos trabalhando com 45 voluntários. E temos uma previsão de conseguir terminar de entregar tudo em até 30 dias para as famílias que se cadastraram na campanha receberem as doações.

Hoje você tem 790 mil seguidores no Instagram e se tornou um fenômeno de popularidade nas redes sociais com o “sextou”. Por que você acha que se tornou tão popular?
Vamos para 800 mil seguidores até amanhã (esta sexta-feira) e o crescimento é de 20 mil por semana. Eu acho que a turma gostou porque não sou um personagem, sempre fui assim. Sempre “sextei”, mas não de forma irresponsável. Sempre fiz isso para falar para a turma que é preciso relaxar no fim da semana, e gostaram da empatia que eu acabei criando.

Como surgiu a ideia do bordão de suas postagens, o “sextou”? 
Essa ideia do “sextou” surgiu da minha cabeça mesmo e é justamente para poder falar com o povo, que teve a semana inteira para fazer as coisas e não fez. E na sexta-feira, depois de “mei-dia”, vai querer fazer? Se alguém se aproximar de você para oferecer negócio na sexta depois do “mei-dia”, pode ter certeza de que é golpe ou pirâmide (risos).

Como é a sua rotina como influenciador digital? E hoje você pode dizer que esta é a sua principal ocupação?
Hoje é a minha profissão, o que faço na vida hoje. Eu gravo, faço anúncio, reunião com a turma do marketing, o meu dia é ocupado quase por 17 horas com isso. Além de tudo isso, eu ainda bebo (risos). Mesmo com tudo isso, eu arrumo um tempo para tomar uma cerveja.

Como começou a sua vida como influenciador digital?

Tudo começou com a Läut Beer. Foi a minha primeira parceira. Eles me contrataram em um boteco. Chegou o JP (João Paulo Anchieta), que cuidava da parte de marketing da Läut, e me perguntou se eu poderia fazer para eles aquele meu ‘sextei’ tomando a cerveja deles. Aí eu perguntei: “E o que vou ganhar com isso?” Aí ele me disse: “Vou te pagar para você fazer isso”. Aí pensei e falei: “Uai, então eu faço”. Eu fiz e depois disso aquele foi o final de semana que eu mais bebi na minha vida. Eu não postava esses vídeos com frequência, mas fiz para a Läut e depois fiquei esperando para saber se eles tinham gostado. Imaginei que eles não tinham gostado, mas na terça-feira me ligaram dizendo que queriam fechar um contrato comigo. E agora, toda sexta-feira, eu dou um beijo na minha mulher e depois vou beber para trabalhar. Eu lembro até do dia em que eu falei para a minha mulher que ela reclamava que eu iria começar a beber na sexta-feira “mei-dia”, mas que agora iriam me pagar para eu fazer isso (risos).

E como você conseguiu crescer tão rápido como influenciador digital?
Tenho uma filha de 22 anos e a Nanda, minha esposa, que já foi jornalista, que começaram a me ajudar. E a gente começou a seguir uma linha, a divulgar, mas sem deixar o trabalho da construtora de lado, pois antes eu não poderia viver apenas da renda de influenciador digital. Mas a gente foi crescendo e hoje tenho 12 pessoas que trabalham diretamente para mim. Hoje é o JP, a agência dele é que cuida disso. Ele tem videomaker, um monte de gente para fazer edição etc.

A pandemia atrapalhou o incentivo que você sempre faz às pessoas ao pedir para elas abrirem uma cerveja e curtirem o final de semana a partir do meio-dia de sexta-feira? Em meio a este cenário de crise financeira e sanitária, você se preocupa ou vê a necessidade em incentivar o consumo de cerveja de forma responsável?
De fato, bares e restaurantes sofreram um impacto violento com essa pandemia, mas o consumo interno aumentou muito, de supermercados e distribuidoras. De certa forma, então, uma coisa supriu a outra. Eu sempre fazia o “Sextou” dentro da minha casa. Igualmente como todo mundo estava dentro de casa, eu também estava dentro da minha. Eu acho que agora nós chegamos em um ponto no qual, de fato, estamos muito preocupados com a nossa saúde. Eu sempre me preocupei, praticando esporte, andando de bicicleta… Eu não tenho tendência a falar de cerveja sem álcool, por exemplo, mas tudo que faço sei que agora é um exemplo muito grande. Hoje, eu não saio de casa de carro nunca para reunir para beber, para fazer farra, com um monte de gente. Sem chance de fazer isso.

Hoje você tem até linhas de produtos com o seu nome, como canecas e bonés. Fale um pouco sobre essas suas parcerias atuais.
Eu lancei bonés porque sempre faço os vídeos com eles. Minha filha e esposa tiveram a ideia de nós comprarmos 300 bonés e de colocar as minhas frases neles. E quando lançamos as vendas, acabamos vendendo 5.100 bonés em dois dias. Tem copo térmico também nesta minha linha de produtos e até um suplemento, que se chama “HJ (Hoje) Pode”.

E neste final de semana, vai poder “sextar” a partir do meio-dia de sexta e só voltar a trabalhar na segunda?
Normalmente eu poderia fazer isso, mas no sábado vou acompanhar uma primeira entrega de donativos na cidade de Santa Luzia.