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Cervejarias reveem logística como saída para driblar inflação e alta da gasolina

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A persistente alta da inflação, que está em 10,74% nos últimos 12 meses, de acordo com os dados mais recentes divulgados pelo IBGE, forçou a adoção de novas estratégias pelas cervejarias. Em um momento de retomada do consumo, preocupadas em não afugentar o público, as marcas têm revisto, especialmente, a distribuição e a operação logística com o intuito de evitar o repasse integral da elevação dos preços ao consumidor.

Esse foco está em consonância com a distribuição da inflação pelos variados itens. Afinal, se o dólar valorizado e as matérias-primas até pressionam o índice, o maior vilão é o combustível. Em novembro, por exemplo, o preço da gasolina subiu 7,38%. E a sua alta nos últimos 12 meses está em 50,78%. O índice fica em 69,4% para o etanol e em 49,56% para o diesel.

Entre as cervejarias ouvidas pelo Guia, a principal ação para lidar com esse cenário envolve a busca por uma operação logística mais eficiente. Tudo para contornar os aumentos dos preços, especialmente os dos combustíveis, não os incluindo nos valores cobrados pelos seus rótulos.

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Na StartUp Brewing, por exemplo, foram reduzidos os números de automóveis utilizados na entrega dos produtos. Além disso, é preparada, com cuidado, a rota de entrega, como detalha Otávio Shiroma, coordenador de logística da companhia.

Os efeitos que essas altas trazem impactam na nossa operação logística, na hora de criarmos as rotas e na operação em si. Às vezes, optamos por ao invés de mandar 3 carros para a rua, mandamos apenas 2. Dá uma apertada nos horários e na quantidade de produtos em um só carro, mas tem sido a opção mais viável. E também na montagem do itinerário, otimizando as entregas em regiões que atendemos e até reduzindo as rotas para algumas regiões”, afirma.

Algo parecido foi adotado pela Brewpoint, que tem buscado reduzir o consumo de combustível. “Distribuímos diretamente uma pequena parte de nossa produção, a qual tentamos administrar com a otimização das rotas de entregas”, diz Pedro Henrique Neves, sócio da cervejaria.

Na Cruls, a avaliação foi de que a companhia conseguiu tornar a sua logística mais eficiente ao alterar políticas de venda e de entrega, como explica Pedro Capozzi, sócio-fundador e gerente de operações.

“Nós fizemos algumas modificações nas nossas dinâmicas e políticas de entregas, tanto para cliente final como para pontos de venda. Fizemos alterações como, por exemplo, pedido mínimo, prazo de entrega, elaboramos uma setorização dessas entregas etc.”, afirma.

As parcerias também têm sido uma saída encontrada por diversas marcas no setor cervejeiro. É o caso da Matisse, do Rio de Janeiro, que vem atuando junto com outras cervejarias em compras coletivas de insumos, além da realização conjunta da distribuição, melhorando a logística. Assim, a esperança é de otimizar os gastos, como destaca Mário Jorge Lima, sócio-fundador da cervejaria.

“Em relação aos insumos, temos procurado parcerias para fazer compra conjunta, pelo menos dos insumos mais comuns e, com isso, conseguir maiores descontos e menor custo de frete. Temos procurado parcerias também na logística de entrega e estamos investindo no bar da fábrica para aumentar as vendas locais”, diz, também destacando a venda direta ao consumidor como uma outra saída.

Na WO Beer, a estratégia foi renegociar contratos com fornecedores. “Chamamos para conversar todos os nossos fornecedores e negociamos novas condições dentro da nossa parceria. Com muita negociação, conseguimos reduzir praticamente todos os preços praticados pelos nossos parceiros fornecedores”, afirma Gerson Luiz Dunca, diretor da companhia.

E as compras de insumos e produtos pelo WO Beer são realizadas sem parcelamento, o que permite a obtenção de preços mais competitivos. “Ajuda bastante também o fato de a empresa pagar suas compras somente à vista. Isso reduz bastante os custos financeiros embutidos nos serviços e produtos usados em toda a nossa cadeia de produção e venda”, explica Dunca.

Além da preocupação em diminuir os custos com a logística, reduzir as margens de lucro também tem sido uma ação adotada por algumas cervejarias, com o foco em não perder participação no mercado. “Estamos apertando nossa margem para não impactar muito no preço ao consumidor”, relatou Edison Nunes, diretor comercial da NewAge.

Preço da cerveja tem alta de 2,55% em novembro e volta a superar IPCA

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Ficou bem mais caro comprar cerveja em novembro. A constatação veio através da divulgação da inflação oficial, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), pelo IBGE, que apontou uma alta de 2,55% no preço do item no domicílio em novembro.

A expressiva inflação da cerveja no domicílio supera até mesmo a do índice geral, que ainda assim foi a maior para o mês desde novembro desde 2015, de 0,95%, e contrasta com o grupo de alimentação de bebidas, que apresentou pequena deflação no período, de 0,04%.

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É o segundo mês consecutivo em que a inflação da cerveja superou a alta do IPCA, o que já havia ocorrido em outubro, quando os índices foram de 1,77% e de 1,25%, respectivamente. Agora, com essa aceleração de 2,55% em novembro, o preço da cerveja no domicílio acumula alta de 8,55% ao longo de 2021. E está em 8,95% no período de dezembro de 2020 até novembro.

O preço da cerveja fora do domicílio também acelerou em novembro, ainda que em ritmo mais lento, apresentando alta de 1,36%. Agora, então, tem inflação de 4,73% neste ano e de 5,67% ao longo dos últimos 12 meses.

Essa inflação relevante da cerveja se insere em um contexto de alta do IPCA, que ficou em 0,95% em novembro, chegando aos 9,26% neste ano. E agora está em 10,74% nos últimos 12 meses, o maior índice desde novembro de 2003.

A alta do IPCA foi puxada pelos transportes (3,35%), com enorme influência dos combustíveis, principalmente da gasolina (7,38%), mas também do etanol (10,53%), do óleo diesel (7,48%) e do gás veicular (4,30%). Com isso, a gasolina acumula, em 12 meses, alta de 50,78%, o etanol de 69,40% e o diesel, de 49,56%. A habitação (1,03%) foi o grupo com o segundo maior impacto no IPCA em novembro, pressionado, novamente, pela energia elétrica (1,24%).

“Além da bandeira tarifária da Escassez Hídrica, que acrescenta R$ 14,20 na conta de luz a cada 100 kWh consumidos, em vigor desde setembro, houve reajustes nas tarifas em Goiânia, Brasília e São Paulo. Em Belém e Porto Alegre o recuo decorreu da redução da alíquota de PIS/Cofins”, detalha o gerente do IPCA, Pedro Kislanov.

A inflação em novembro poderia, inclusive, ter sido maior, não fosse a Black Friday. De acordo com a avaliação de Kislanov, embora a data seja na última sexta-feira do mês, os preços promocionais foram adotados durante todo o mês.

“A Black Friday ajuda a explicar a queda tanto no lanche quanto nos itens de higiene pessoal. Nós observamos várias promoções de lanches, principalmente nas redes de fast food no período. E no caso dos itens de higiene pessoal, várias marcas nacionais deram descontos nos preços dos produtos em novembro. No Brasil, diferente de outros países, os descontos não são centrados em um único dia. Os descontos acabam sendo dados ao longo do mês”, explica.

Isso pode explicar a deflação do grupo de alimentação e bebidas, que ficou em 0,04%, influenciada pela queda de 3,37% nos preços de lanches. Agora, então, há inflação de 7,04% em 2021 nos itens de alimentação e bebidas em 2021. E ela agora está em 8,9% nos últimos 12 meses.

Em oposição à alta do preço da cerveja, as demais bebidas alcoólicas tiveram inflação abaixo do 1% em novembro. No domicílio, o item acelerou 0,09%. A alta está, agora, em 1,31% em 2021. E fica em 1,48% no período de 12 meses. Já as outras bebidas alcoólicas aumentaram seus preços em 0,92% em novembro. Nesse caso, há inflação de 0,77% no ano e de 3,73% em 12 meses.

Balcão do Profano Graal: Uma bebida dos deuses – A cerveja na cultura nórdica

Balcão do Profano Graal: Uma bebida dos deuses – A cerveja na cultura nórdica

Você já deve ter escutado, ou até mesmo dito, em uma mesa de bar que “a cerveja é sagrada”, é um “néctar dos deuses”, ou coisas desse tipo. Pois saiba que para muitos povos ela era literalmente isso, uma bebida sagrada. Desde a Antiguidade, as bebidas alcoólicas se revestem de um caráter sagrado para as sociedades humanas. Para os sumérios, na Mesopotâmia, os primeiros fermentados de cereais foram ofertados pela deusa Ninkasi. Consumir cerveja simbolizava beber o corpo de Ninkasi e celebrar a vida que ela oferecia como dádiva.

Nesse texto, quero apresentar um breve compilado sobre a sacralidade da cerveja para os povos nórdicos, comumente conhecido como vikings entre os séculos V e XII. É importante ressaltar que esse termo era usado originalmente para se referir aos homens que saíam em expedições guerreiras, de comércio e pirataria. Os escandinavos não chamavam a si mesmos de vikings, pois seria um termo pejorativo. Assim como nem todo nórdico pode ser considerado um viking, pois muitos não saíram da Escandinávia para participar dessas expedições.

Como explicam os pesquisadores Johnni Langer e Luciana Campos, para os nórdicos não existia uma separação entre laico e sagrado. Todos os atos, assim como o de beber, eram mágicos, feitos em comunhão com os deuses. Beber representava uma ligação direta com as suas divindades e suas crenças. A cerveja era utilizada em rituais e como um meio de acesso aos deuses.

O caráter sagrado da bebida estava presente desde a escolha dos ingredientes até o próprio ato de beber. O grão básico cultivado durante o período medieval na Escandinávia era a cevada e além de cerveja, outras bebidas fermentadas eram consumidas, como vinhos, hidromel e cidras. Deve-se notar que, embora as palavras modernas “cerveja” e “Ale” sejam hoje quase intercambiáveis, há boas evidências de que as duas bebidas eram muito diferentes no Norte da Europa naquele período. As ale (ealu ou öl, em nórdico antigo) seriam produzidas a partir de grãos maltados. Já as björr seriam bebidas alcoólicas doces, podendo se referir inclusive às cidras.

A cerveja consumida tanto pelos vikings como pelos anglo-saxões era um fermentado rápido de cereais, levedura e ervas aromáticas. As ervas escolhidas eram usadas para garantir a longevidade, textura, cor, aroma e sabor do produto, bem como eram ervas medicinais e de uso mágico, que eram consagradas aos deuses que protegiam a bebida e quem a ingerisse. Uma das ervas mais utilizadas era a erva-de-São João ou hera-terrestre (Glechoma hederacea) de sabor amargo e rica em ácidos fenólicos, taninos antioxidantes e conservantes naturais. Algumas dessas ervas, como a artemísia (Artemísia abisinthium), a crista-de-galo (Heliotropicum indicum) e a urtiga (Urtiga dioica) têm potencial alucinógeno. Alguns poemas constantes nas Eddas (coletâneas de textos nórdicos, do século XIII) citam que a intoxicação provocada pelo álcool e ervas proporciona a ligação com os deuses. Sintomas como a perda momentânea dos sentidos, a ausência de racionalidade, a alteração de consciência, os rompantes de felicidade, conectam os homens aos deuses.

A elaboração das bebidas era uma tarefa feminina e as mulheres se responsabilizavam por todo o processo, devendo cuidar para que as despensas estivessem sempre bem abastecidas de ingredientes tanto para a elaboração da bebida de todos os dias como também para as festas. Registros históricos mostram que o consumo de cerveja era particularmente importante em vários festivais religiosos sazonais. Uma lei imposta pelo Gulating (uma das mais antigas e maiores assembleias parlamentares da Noruega, que ocorreu anualmente entre 900 e 1300 d.C.) exigia que os agricultores em grupos de pelo menos três pessoas preparassem cerveja para consumo nas festas: Samhain (1 de novembro), Yule (25 de dezembro, solstício de inverno), e Midsommar (24 de junho, solstício de verão).

Uma das figuras mais importantes da mitologia nórdica foi Aegir, um gigante Comandante do Mar e respeitado cervejeiro para os deuses de Asgard. No seu salão subaquático, chifres de beber magicamente se enchiam com a melhor cerveja e hidromel. Odin dizia que a cerveja de Aegir era a melhor de todos os Nove Mundos. O Mestre do Mar fabricava a cerveja junto com suas nove filhas no maior caldeirão já feito. Conta a mitologia que Aegir ganhou esse enorme tanque de cerveja quando os deuses uma vez se sentaram para uma refeição festiva e a mesa ficou mais ou menos vazia. Quando eles perguntaram a Aegir onde seria o banquete, ele disse que não poderia servir comida sem cerveja e que não tinha nada para preparar. Então Thor saiu em missão para roubar o enorme caldeirão do Gigante Hymir e deu a Aegir como um presente. Desde aquele momento, nunca faltou cerveja no famoso salão submarino.

O ato de beber era tão sagrado para os nórdicos que era bem comum encontrar runas entalhadas nos chifres de beber. Sugere Thomas Karlsson que se deveria entalhar no utensílio a sequência Ansuz – Laguz – Uruz – ALU, para proteção. Recentemente, um copo cerâmico foi encontrado na Dinamarca com essas mesmas runas entalhadas no fundo. Alguns pesquisadores acreditam que se trata da palavra cerveja para os povos da Idade do Ferro (entre 200 a 500 a.C.), mas também pode significar poder, proteção, força. E, uma vez que eram entalhadas em recipientes usados para beber cerveja, poderiam representar que aqueles homens esperavam encontrar poder, força e proteção em um copo da bebida. O poema Sigrdrífumál (estrofes 7 e 19) também indica o uso de runas entalhadas nos cifres de beber. No poema a valquíria Sigfrida ensina ao rei como entalhar uma runa no chifre de beber e no dorso da mão para sua proteção “No chifre tu entalharás, e nas costas da mão, e marcarás com o prego Naud”.

Dessa forma, diferentemente da importância que atribuímos às bebidas nos dias atuais, como entretenimento e produto comercial, para os nórdicos e outros povos na Antiguidade e no Medievo, as bebidas tinham uma conexão profunda com o sagrado. Para eles, tanto o ato de fabricar, quanto o ato de beber e se embebedar eram um ato mágico, uma forma de se conectar com o divino. Então, nas festividades que se aproximam, da próxima vez que você levar um copo à boca, ou fizer uma brassagem, lembre-se de que alguém lá em cima (ou lá embaixo) pode estar olhando por você.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

BUMBAR, M. Aegir, the Norse Ruler of the Sea who brew the best beer in all the Nine Worlds. Lord of the Drinks. 2016. Disponível em: https://lordsofthedrinks.com/2016/01/12/aegir-the-norse-ruler-of-the-sea-who-brew-the-best-beer-in-all-the-nine-worlds/

CAMPOS, L. A sacralidade que vem das taças: o uso de bebidas no Mito e na Literatura Nórdica Medieval. Revista Brasileira de História das Religiões. v. 8, n. 23, p. 97-107. 2015. Disponível em: http://periodicos.uem.br/ojs/index.php/RbhrAnpuh/article/view/29528.

CAMPOS, L. Cinco erros sobre bebidas e alimentos da Era Viking. Blog do NEVE – Núcleo de Estudos Vikings e Escandinavos. 2020. Disponível em: http://neve2012.blogspot.com/2020/01/cinco-erros-sobre-bebidas-e-alimentos.html.

GAIMAN, N. Mitologia Nórdica. Rio de Janeiro: Intrínseca. 2017. 288 p.

KARLSSON, T. Uthark: o lado noturno das runas. São Paulo: Penumbra. 2018. 208p.

LANGER, J. Nova inscrição rúnica é descoberta na Dinamarca. Blog do NEVE – Núcleo de Estudos Vikings e Escandinavos. 2019. Disponível em: http://neve2012.blogspot.com/2019/03/nova-inscricao-runica-e-descoberta-na.html

LANGER, J.; CAMPOS, L. Brindando aos Deuses: Representações de Bebidas na Era Viking, no Cinema e nos Quadrinhos. Revista De História Comparada. Rio de Janeiro, v. 6, n. 1, p. 141-164, 2012. Disponível em: https://revistas.ufrj.br/index.php/RevistaHistoriaComparada/article/view/62.

McCOY, D. Viking Food and Drink. Norse Mythology for Smart People. 2019. Disponível em: https://norse-mythology.org/viking-food-drink/


Sérgio Barra é carioca, historiador, sommelier e administra o perfil Profano Graal no Instagram e no Facebook, onde debate a cerveja e a História

Menu Degustação: Eventos natalinos da Swamp e da Landel, 5 anos da Duranz…

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A proximidade das festas de final de ano tem animado o setor e estimulado a realização de atividades festivas. Para celebrar o período, o fim de semana terá alguns eventos temáticos, como a HoHoHop, uma festa da Swamp Brewing, em Curitiba, e o Growler Day Natalino no tap house da Landel, em Campinas.

A Maniacs Brewing e a Doutor Duranz, por sua vez, estão com novidades repaginadas no portfólio. Enquanto a marca de Curitiba passou a envasar a sua Witbier em lata, a marca de Petrópolis (RJ) produziu uma edição limitadíssima e envelhecida da sua Russian Iimperial Stout. E já pensando em 2022, o 1º Concurso Latino de Cervejas Lupuladas anunciou que terá uma categoria exclusiva para lúpulos brasileiros.

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Confira essas e outras novidades da semana no Menu Degustação do Guia:

HoHoHop da Swamp Brewing
Neste fim de semana, no sábado e domingo, será realizada a HoHoHop, uma festa da Swamp Brewing com bandas, DJs e comidinhas na fábrica da cervejaria em Curitiba, no bairro Boqueirão. Com a temática natalina, a festa é uma oportunidade para o público degustar diferentes tipos de cervejas artesanais, conhecer mais sobre esse universo e valorizar a produção local. A entrada no evento da Swamp Brewing é gratuita.

Growler Day de Natal
A Landel vai realizar neste sábado e domingo, sempre a partir das 11 horas, o Growler Day Natalino na sua tap house, no bairro do Taquaral, em Campinas. O evento marca o relançamento da PinkBerry, uma Fruit Beer de frutas vermelhas, leve e refrescante, que possui 4,7% de teor alcoólico e 7 IBUs de amargor. A cerveja, que tem adição de morango e framboesa, apresenta o dulçor e aroma das frutas.

Kit de Natal da Nacional
A Cervejaria Nacional apresenta um kit especial para as festas de final de ano com cinco cervejas da casa, inspiradas no folclore brasileiro. Os rótulos são: Mula IPA, a Pilsen Yara, a Domina Weiss, a Kurupira Ale com aroma de toffee, e a Saci, uma Stout.

Cremosidade no réveillon
Em campanha publicitária, a Brahma tem incentivado as pessoas a trocarem o tradicional branco, usado na noite de réveillon, pelo Look Cremoso. Para isso, basta juntar uma peça branca, na parte de cima, e combiná-la com outra amarela ou dourada, embaixo. A ação, que reforça o conceito de Brahmosidade, a cremosidade de Brahma, teve Sarah Andrade e Boca Rosa usando a mesma roupa no primeiro dia de festa da influenciadora GKay. Além disso, foi lançada uma propaganda liderada por Sabrina Sato.

Maniacs Brewing envasa Witbier em lata
A Maniacs Brewing está expandindo mais uma vez sua carta de bebidas. Desta vez, a cervejaria passou a envasar em lata a Maniacs Wit, uma Belgian Witbier leve, com adição de laranja na composição. Ela tem teor alcoólico de 5% e 14 IBUs de amargor.  De acordo com a marca, a decisão de criar uma opção em lata foi estratégica, porque este tipo de embalagem bloqueia a luz e inibe a presença de oxigênio no envase, o que deixa a cerveja fresca por mais tempo. A Maniacs Wit pode ser adquirida nos principais supermercados e empórios do país, além do site da marca.

Doutor Duranz festeja seus cinco anos com edição limitada
A cervejaria Doutor Duranz está comemorando seus 5 anos. E, para celebrar, acaba de lançar uma edição especial da Russian Imperial Stout, envelhecida cuidadosamente durante 12 meses em Amburana. A Reserva Wood Aged 2021 é apresentada em uma garrafa com fechamento em rolha cliplock, acompanhada de uma bolsa comemorativa de couro natural Soleta envelhecido, feita sob medida por artesãos e com gravação a laser. A bebida tem adição de maltes torrados que conferem um aroma de café com sabor de notas de chocolate. O lote conta apenas com 100 unidades.

Clube de assinaturas do ex-goleiro Marcos
O “Clube 12”, clube de assinaturas de cerveja do ex-goleiro Marcos, administrado pelo Clube do Malte, terá a sua última temporada. Os participantes ganham cervejas e taças em kits, além de uma coleção histórica e exclusiva sobre a carreira do ídolo palmeirense. Churrascos com Marcos, oportunidade de comparecer a um dia de autógrafos com o ex-goleiro, sorteio de mais de 100 kits com bola, luva e outros itens autografados são as novidades dessa temporada do clube. A abertura das vendas será no domingo (12), às 12 horas – são apenas 2012 vagas. Os primeiros participantes que se cadastrarem ganharão uma cerveja exclusiva com rótulo autografado pelo ex-atleta.

Competição de lúpulos brasileiros
O Concurso Latino de Cervejas Lupuladas terá uma categoria experimental exclusiva para cervejas feitas com lúpulos cultivados em solo nacional. O concurso faz parte do Festival Nacional da Colheita do Lúpulo, com sede na cidade de Curitibanos (SC), que será realizado em fevereiro de 2022. Além da categoria exclusiva para lúpulos nacionais, outras 19 fazem parte do regulamento do concurso, abrangendo 62 estilos de cervejas.

Terceira temporada do Arena Brahma
A Brahma uniu novamente Rafa Kalimann e Belutti para a terceira temporada do Arena Brahma, com quadros inéditos e convidados especiais, como Felipe Araújo, Simone & Simaria, Caio Afiune e Rodolffo. Serão seis episódios, sempre às 19 horas de quinta-feira, no IGTV da marca e dos artistas. A estreia aconteceu no dia 2.

Trilha com cerveja: 040 se liga ao mountain bike em celebração aos esportes

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Conciliar a natureza como um espaço para a realização de esportes de aventura e sem abrir mão do consumo de cerveja. A proposta pode não parecer a mais usual, mas é a que guia a Cervejaria 040, integralmente associada às práticas do mountain bike e a propostas de conexão, celebração, integração e valorização da saúde.

De Minas Gerais, a 040 está ligada ao esporte, sendo patrocinadora constante de eventos esportivos associados à natureza. Atualmente, somente no mountain bike, a marca de cerveja apoia três dos maiores eventos do circuito: Desafio Brou, CIMTB – Copa Internacional de Mountain Bike – e Iron Biker.

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“O principal diferencial da nossa marca é estar atrelada ao esporte, principalmente ao esporte de aventura, por eu ter esse background em minha vida”, explicou, ao Guia, um dos sócios da 040, André Horta.

O mountain bike é uma das modalidades do ciclismo e costuma ser apreciado por pessoas que gostam de esportes de aventura e do contato com a natureza. E foi a partir da proximidade de André e do seu sócio, Sidney Dias, com essa atividade que a 040 buscou essa associação.

Não à toa, até a localização da fábrica da marca de cerveja está próxima de localidades onde são feitas trilhas de mountain bike na região metropolitana de Belo Horizonte. Se inicialmente estava no Vale do Sol, a produção da 040 agora é realizada no Jardim Canadá, ambos na cidade de Nova Lima.  

Além disso, está localizada em um estado que tem ampliado as opções de cicloturismo. E ainda é palco de várias etapas da Copa Internacional de Mountain Bike, que atraem anualmente centenas de pessoas para a região.

E o ciclismo, claro, inspirou as primeiras 7 cervejas da 040. Três delas receberam os nomes de trilhas de mountain bike, que três estão localizadas na região onde a fábrica está instalada: a cerveja Jacu Encantado (Pale Ale), a 27 voltas (American Brown Ale) e a Capitão do Mato (American IPA).

As outras três levam nomes de modalidades do ciclismo: MTB, abreviação de mountain bike (Premium Lager); XCO, abreviação de cross-country (Pilsen Export); e a QOM, abreviação de Queen of Mountain (Session IPA). Já o sétimo rótulo da marca é a Session IPA NQFS, abreviação de Ninguém Quer Ser Feio, jargão usado por um dos principais ciclistas brasileiros, o mineiro Brou Bruto.

Após ter passado por um período de revisão de sua identidade, objetivos e plano de negócios, a marca comemora a boa fase. Em novembro foi lançado o e-commerce, com toda a coleção de sete rótulos e opções de camisas exclusivas para corridas de rua e ciclismo.

A 040 defende a combinação esporte e cerveja, destacando, como outras marcas têm feito, que a bebida alcoólica pode conviver com um estilo de vida mais saudável.

“Ninguém está fazendo apologia ao uso imoderado da bebida. Em todos esses eventos que a gente participa e atraem cerca de três mil pessoas, ninguém costuma sair bêbado ou alterado. Todo mundo está no momento de relaxamento, celebração e socialização”, finalizou.

Além da bike
André explica que, apesar da forte relação com o mountain bike, a 040 não se restringe ao ciclismo e busca se vincular a outros esportes. “A nossa marca está atrelada a qualquer esporte de aventura, tanto que nesta semana a gente estava no Bop Games”, disse o sócio da cervejaria.

O Bop Games se autodenomina o maior “Festival Multiesportivo da América Latina” e reuniu sete modalidades na região da Pampulha, em Belo Horizonte: crossfit, levantamento de peso, powerlifting, street workout, trickline, jiu-jitsu, escalada e corrida.

“A nossa pegada é justamente de aproximar as pessoas do esporte de aventura, mas não o atleta de elite, muito longe disso, porque ele já tem foco e doutrina e não precisa de incentivo. O nosso marketing é fazer com que as pessoas pratiquem esporte para que tenham atividade saudável e uma prática social. O esporte socializa e ao final do desafio, ele [praticante do esporte] vai comemorar com alguma coisa. E a gente espera que ele comemore com os nossos produtos”, conclui o sócio da 040.

Rambeer, Salva e Colorado vencem o prêmio Lata Mais Bonita do Brasil

A Rambeer Cervejaria, a Salva Craft Beer e a Colorado foram as principais vencedoras, em suas respectivas categorias, do Prêmio Lata Mais Bonita do Brasil, promovido pela Associação Brasileira dos Fabricantes de Latas de Alumínio (Abralatas). A definição das ganhadoras se deu através de um júri técnico e de uma votação popular.

O maior domínio do Lata Mais Bonita do Brasil foi da Salva Craft Beer, que levou todas as premiações entre as médias cervejarias. A Russian Imperial Stout da cervejaria gaúcha ficou em primeiro lugar. A Dragon Sour garantiu a segunda posição, com a Hop Lager Quinquennium em terceiro.

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Na categoria das grandes cervejarias, o principal destaque foi a Colorado, que ficou com os dois primeiros lugares. A vencedora foi a Appia, com a Ribeirão Lager na segunda posição. E o terceiro lugar foi para a Cacildis, do Grupo Petrópolis.

Já a Rambeer Cervejaria conseguiu os principais prêmios na categoria de micro e pequenas cervejarias. A APA PQP da marca de Caxias (MA) faturou a primeira posição, com a La Crème na segunda colocação. Já a Newbie, da Prussia Bier, ficou em terceiro lugar.

“Foram 156 rótulos inscritos, 26 finalistas, seis jurados técnicos e mais de 3.500 votos populares contabilizados, o que mostra a dimensão do Lata Mais Bonita do Brasil. Nosso objetivo foi reconhecer o trabalho de criação de design de rótulos para latas de cerveja, uma vez que a latinha é a embalagem preferida do setor cervejeiro e cresce ano a ano”, afirmou o presidente da Abralatas, Cátilo Cândido.

Os vencedores do Lata Mais Bonita do Brasil poderão aplicar o selo da premiação nos rótulos de suas cervejas, além de terem espaço garantido em publicações e eventos da Abralatas ao longo do próximo ano.

Em sua primeira edição, o prêmio Lata Mais Bonita do Brasil buscou, nas palavras da organização, “reconhecer os melhores trabalhos de criação de design de rótulos para latas de cervejas, segundo critérios de criatividade, beleza estética, adequação ao produto e clareza na comunicação”.

Promotora da disputa, a Abralatas teve o apoio da Associação Brasileira da Indústria da Cerveja, da Federação Brasileira das Cervejarias Artesanais e do Sindicato Nacional da Indústria Cervejeira.

*Errata: Essa matéria teve o seu conteúdo atualizado em 13 de dezembro, com a informação de que a Rambeer Cervejaria conseguiu o primeiro prêmio na categoria de micro e pequenas cervejarias.

Entrevista: “Poderá faltar malte, tem muita incerteza no mercado”

O cenário para quem lida com malte dentro do mercado cervejeiro tem sido desafiador nos últimos meses, um contexto que não deverá se alterar tão cedo. Se o início do ano foi marcado pelo freio nas vendas, em função de uma nova onda do coronavírus, a quebra da safra da cevada em alguns produtores internacionais e a consequente alta dos preços no segundo semestre provocam um contexto que deixa muitas incertezas para 2022.

Esses desafios foram abordados em entrevista do Guia com Ricardo Negretto, diretor técnico e comercial da Granobrew. Enquanto encarava essas oscilações do mercado, a companhia passou por mudanças estruturais, se tornando um player independente no setor de maltes.

A Granobrew, afinal, se desligou do braço tecnológico de bebidas da multinacional holandesa Corbion, com a qual esteve ligada nos últimos anos. E a companhia, importadora exclusiva dos maltes Viking para o Brasil, já conseguiu apresentar bons resultados nessa nova etapa, iniciada em julho e que coincidiu com esse período de retomada, de acordo com Negretto.

Na entrevista, ele comenta, ainda, como a Granobrew tem se preparado para minimizar os riscos que se apresentam a todos que trabalham com maltes e reconhece que o ingrediente, um dos básicos para a fabricação de qualquer cerveja, pode, de fato, faltar no mercado no próximo ano, em função dos problemas da última safra, além de explicar como fatores externos provocaram a alta dos preços do cereal.

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Confira a entrevista de Ricardo Negretto, diretor técnico e comercial da Granobrew, ao Guia:

Há relatos de quebra da safra da cevada e de alta do preço do malte. Qual é o cenário exato dessa cultura e como se explicam essas dificuldades?
O grande influenciador do preço do malte é a safra da cevada, que costuma ser em setembro e outubro, dependendo se é da Argentina, do Canadá, da Europa… E a safra é que vai determinar não só o preço, mas a qualidade da cevada cervejeira que será utilizada no processo. Houve acontecimentos, que, junto com uma pandemia, geraram altos custos. Ocorreu uma inflação nunca vista na história da Europa, dos Estados Unidos, atrelada a um problema de disponibilidade de contêineres e de frete marítimo. A safra da cevada foi um pouco complicada, teve quebra, e, inclusive, a qualidade da cevada cervejeira se comprometeu. Hoje nós temos um aumento significativo do custo da cevada cervejeira e dos custos de produção do malte. Você ainda tem também a questão do frete marítimo, que subiu tremendamente. E o gás natural, que vem da Rússia, subiu muito nos últimos seis meses.

A alta do preço do malte é o maior desafio para o próximo ano?
Tudo isso que disse vai se somando, fazendo parte da composição desse aumento de preço para 2022. Tem muitos fazendeiros que estão segurando as vendas para subir ainda mais o preço da cevada. Não só existe um aumento significativo do custo do malte para 2022, mas também há o desafio da disponibilidade do produto. Isso mexe muito com várias empresas. A hora dos contratos para 2022 é agora. E eles são feitos baseados nesses novos custos. E talvez você nem consiga fixá-los. E, se você bobear, fica sem produto, mesmo querendo pagar mais caro.  

E como a Granobrew tem buscado lidar com essas incertezas?
A gente tem tentado analisar todos os riscos, porque qualquer importação hoje tem risco de variação cambial, de preço, de custo. Tento estudar bastante, ler, polir a bola de cristal para ter uma visão de futuro, minimizando riscos. Mesmo quem toma a atitude de, nesse contexto, deixar de importar se coloca em um risco, porque você não vai atender o mercado e não sabe se vai reavê-lo. Eu converso com o maior número de pessoas, no mundo, para entender todos os impactos e tendências Por exemplo, estamos falando que poderá faltar malte. Mas aí imagine um lockdown no Brasil por causa da nova variante. Ao invés de faltar, pode até sobrar… As incertezas são muito grandes.

Então existe risco de faltar malte para a indústria cervejeira em 2022?
Eu diria que existe. Houve uma quebra de safra de algumas toneladas. E a gente não sabe para onde isso está sendo direcionado. Quem vai ficar sem essas X toneladas, sendo que o mundo consumiu igual, mesmo em pandemia no ano passado? Então a pergunta é: quem vai ficar sem? Essas variáveis podem acontecer comigo ou com qualquer um do setor. Eu li bastante, por exemplo, que, após as duas grandes guerras, havia um consumo exacerbado. Agora, a pandemia influenciou o mundo inteiro e há essa demanda reprimida. Só que no período pós-guerra, você tinha capacidade produtiva. Hoje, essa demanda reprimida poderá ser abafada por conta do aumento do custo desses produtos que poderiam ser demandados.

Como as cervejarias devem se comportar diante de um cenário tão complicado envolvendo a cultura do malte?
Eu acredito que contratos de fornecimento seriam uma forma de você ter uma garantia de volume. As cervejarias, às vezes, têm medo de se comprometer com o volume, pelo risco de vir uma terceira onda (do coronavírus). Você pode garantir, hoje, o volume, mas a questão de preço, você vai ter que fazer revisões até mensais por causa da oferta de malte lá fora.

Como foi esse processo de desligamento da Granobrew da Corbion? Já é possível avaliar os resultados iniciais desse “voo solo”?
Eles resolveram separar essa unidade que havia dentro da Corbion. Criei uma empresa independente, separada e nós compramos essa unidade de negócio, com todos os clientes e estoque. E desde 1º de julho, nós começamos a fazer este voo solo. Por incrível que pareça, nesse voo solo, a gente começou a ter uma velocidade um pouco maior. Antes, estávamos dentro de uma multinacional e agora há um entendimento maior de um mercado específico e com um poder decisório muito mais efetivo. Nós conseguimos em setembro os nossos melhores números de vendas da história da unidade, ou seja, dos últimos três anos e meio. Então, já estamos tendo resultados positivos, mas o desafio continua sendo muito grande.

Coincidentemente, a separação da Corbion se deu no mesmo momento de retomada do setor cervejeiro. É possível fazer uma avaliação dessas duas fases do ano tanto para o segmento como para a empresa?
No primeiro semestre, a gente estava dentro de uma segunda onda e dentro da Corbion, que tinha estrutura e lastro para suportar essas variações. A empresa independente é mais suscetível às variações. E foi interessante porque a gente assumiu dentro de uma retomada. Como eu acompanhava desde o começo, deu para entender que vinha em uma crescente desde o início do ano até agora. E, praticamente, essa curva se manteve, mesmo tendo, no meio do caminho, duas gestões diferentes. Mas a gente fez tudo de forma muito tranquila, seja com os fornecedores lá de fora, mas também com os clientes, que foram os que menos sentiram essa transição. A gente preparou todo um estoque estratégico, antecipamos algumas estruturas internas, foi tudo feito a quatro mãos.

Quais são as perspectivas da Granobrew para 2022?
A gente está trabalhando com alguns contratos interessantes e robustos para o ano que vem, temos algumas parcerias também, que possivelmente virão em forma de lançamento para 2022, aumentando nosso portfólio. Apesar de todas essas volatilidades, de custo, inflação, economia, câmbio, logística, minha projeção para 2022 é melhor do que 2021. Espero um crescimento acima de dois dígitos.  

Além do malte, vocês fornecem óleo de lúpulo no mercado nacional. Como tem sido a recepção a esse produto e quais são as expectativas em relação a ele para o próximo ano?
É um produto inovador, várias pessoas testaram e aprovaram. A gente começou há dois anos e meio. Estamos tendo resultados positivos em pequenas, médias e grandes cervejarias. O grande atrativo desse produto é que ele só trabalha a parte aromática da cerveja, não dá amargor. Você pode botar ali algumas gotinhas milagrosas e transformar a sua cerveja em uma com potência aromática interessante. É um mercado que a gente vai explorar um pouco mais agora em 2022. Já temos as versões solúveis, que antigamente nós não tínhamos, o que vai ser um divisor de águas. E é um produto que não é aplicado só em cerveja, mas também pode ser em uma água flavorizada, uma água tônica, no refrigerante, no café, numa linha de cosméticos, em um sorvete.

IFSP inaugura laboratório de cerveja e sela parceria com associação de Ribeirão Preto

O câmpus de Sertãozinho do Instituto Federal de São Paulo (IFSP) agora passa a contar com um laboratório para o curso Técnico em Cervejaria. A estrutura, recém-inaugurada, possui capacidade produtiva de 750 litros por mês e será utilizada com o intuito de contribuir para o desenvolvimento e o crescimento da cadeia produtiva da cerveja na região de Ribeirão Preto (SP).

A concretização do Centro Multidisciplinar de Tecnologia Cervejeira confirma o êxito da aproximação entre os docentes do Instituto Federal e o arranjo produtivo local. O curso começou a ser ofertado no primeiro semestre de 2020 na modalidade subsequente ao ensino médio, sendo exclusivo para estudantes com mais de 18 anos.

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O laboratório de cerveja, que pode ter a sua capacidade de fabricação ampliada com a aquisição de equipamentos, destina a sua produção à degustação entre os mestres-cervejeiros e os alunos, para que a bebida atinja um elevado grau de qualidade. Porém, no futuro, há a ideia de se comercializar as bebidas.

Pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação, Adalton Ozaki lembra que a aproximação entre o IFSP e o setor cervejeiro se deu por meio de um edital de Indicação Geográfica, em 2018, da Agência de Inovação – Inova.

A Indicação Geográfica é usada para identificar a origem de produtos ou serviços quando o local tenha se tornado conhecido ou quando determinada característica ou qualidade do produto ou serviço se deva a sua origem. É, portanto, o caso da cerveja com a região de Ribeirão Preto. “O curso se soma a outras ações de ações formativas, de pesquisa… Tem uma série de outras ações que ainda podem ser realizadas”, avalia Ozaki.

Parceria
Durante a inauguração do laboratório, também foi assinado um acordo entre o IFSP e a Associação do Museu da Cerveja de Ribeirão Preto. A parceria prevê o desenvolvimento em conjunto de pesquisas, ações educacionais e a colaboração para a pesquisa histórica do desenvolvimento do setor na região, que vai compor o museu físico da cerveja de Ribeirão Preto.

“O acordo é muito representativo, pois é realizado entre um instituto de reconhecimento nacional e é da nossa região, valorizando cada vez mais nosso arranjo produtivo local”, destaca Paulo Garcia de Almeida, representante da associação e profissional com cerca de 30 anos de experiência na indústria cervejeira.

PIQ da Cerveja entra em vigor no sábado: O que muda e como o setor o avalia

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Pode até ser que o consumidor demore a perceber, mas, a partir do próximo sábado, os rótulos de algumas cervejas começarão a ficar diferentes. Será quando passará a valer a Instrução Normativa nº 65/2019, que estabeleceu o novo padrão de identidade e qualidade (PIQ) da cerveja.

Os novos parâmetros a serem seguidos pelos fabricantes criam a classificação de cerveja com teor alcoólico reduzido ou com baixo teor alcoólico, que deve ficar entre 0,5% e 2%. Além disso, acrescentam a definição de cerveja gruit, o que possibilita a substituição do lúpulo por ervas. E, principalmente, permitem a inclusão de matérias-primas de origem animal e de outros ingredientes de origem vegetal na cerveja.

Também há outras definições, como a de que a “tradicional” cerveja, aquela que possui 2% ou mais de graduação alcoólica, deve ter ao menos 55% de malte, enquanto as que possuem menos precisam levar o nome do adjunto acrescentado. Ainda há determinações sobre a cerveja puro malte e a sem álcool ou desalcoolizada, que não pode ter graduação alcoólica superior a 0,5%.

Porém, as novas normas de identificação das cervejas não serão vistas necessariamente nos rótulos a partir de sábado. Afinal, as cervejas produzidas ou fabricadas até a próxima sexta-feira não precisam necessariamente atender ao novo PIQ, podendo ser comercializadas até o fim de seu prazo de validade.

Inicialmente previsto para entrar em vigor em 2020, o PIQ da Cerveja teve a sua implementação adiada em um ano em virtude da pandemia do coronavírus, que causou impacto nas vendas, com as marcas ficando com muitos rótulos antigos. Esse adiamento foi lembrado pelo presidente da Federação Brasileira das Cervejarias Artesanais (Febracerva), Marco Antonio Falcone, como uma conquista importante para o setor, que teve mais tempo para se adaptar.

“A postergação em se aplicar a IN-65 demonstra a sensibilidade com o segmento, que sofreu pesado com as vendas durante a pandemia, afetando diretamente os estoques de rótulos e afins, e demonstra ainda diálogo com o segmento através da Câmara Setorial da Cerveja”, afirma Falcone.

Confira os detalhes da IN-65

Inovações e adequação internacional
Para André Lopes, diretor jurídico da Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva) e colunista do Guia, o novo PIQ melhora a identificação e acompanha a evolução da indústria e as suas inovações nas últimas duas décadas, considerando que a normativa anterior estava em vigor desde 2001.

“Um exemplo de inovação que a nova regra traz é a possibilidade de denominar cerveja o produto elaborado com ingredientes de origem animal (mel, por exemplo), que antes eram consideradas bebidas alcoólicas mistas. Outro avanço significativo foi a criação da cerveja com teor alcoólico reduzido, classificação que antes não existia”, explica o Advogado Cervejeiro.

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O Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv) acredita que o novo PIQ pode, inclusive, ser um catalisador da criatividade das marcas na definição das receitas dos seus próximos rótulos.

“A medida também traz inovações como a permissão de inclusão de matérias primas de origem animal e outros ingredientes de origem vegetal, dando possibilidade de novas receitas aos nossos produtos. Uma das maiores características do setor cervejeiro é a criatividade – a cada ano vemos inovações para agradar o paladar de nossos clientes”, avalia o sindicato.

O Sindicerv, além de apontar que a medida é modernizadora, avalia que o PIQ da Cerveja está em consonância com a legislação adotada internacionalmente. “Os novos padrões adotados buscam um nivelamento com outros países, de modo que o consumidor brasileiro tenha à sua frente tantas informações quanto teria em qualquer outro país cervejeiro. Os métodos analíticos da Convenção de Cervejeiros da Europa – EBC (European Brewers Convention) passarão a ser expressamente adotados aqui, no que se refere a análises de rotina e de referência, o que faz bastante sentido já que a cerveja é uma bebida global, assim como várias de nossas cervejarias.”

O estímulo à inventividade também é destacado pelo advogado Clairton Kubaszwski Gama, sócio do escritório Kubaszwski Gama Advogados Associados, como fator positivo do PIQ da Cerveja, especialmente para as marcas artesanais.

“Embora tenham gerado algumas discussões, principalmente quanto ao limite para uso de adjuntos, de forma geral as modificações realizadas no PIQ da cerveja podem ser vistas como benéficas ao setor, especialmente para o segmento artesanal. Reivindicações antigas, como a possibilidade de utilização de adjuntos de origem animal (mel, por exemplo), padronização das informações de rótulo e simplificação do processo de registro de novos produtos, foram atendidas”, argumenta Clairton.

Já o sindicato que representa a Ambev e o Grupo Heineken no Brasil acredita que o PIQ da Cerveja acompanha uma tendência de mudança na preferência do consumidor. “Exemplos dessa evolução no gosto do consumidor, que deverão ganhar ainda mais força nos próximos anos e ficarão mais fáceis de se visualizar na rotulagem, são as cervejas light, sem glúten, sem álcool e até mesmo as de puro malte”, analisa o Sindicerv.

E, na visão do diretor jurídico da Abracerva, a medida também é benéfica para o consumidor, que passará a ter mais clareza sobre as características da cerveja. “A associação avalia que as mudanças serão muito benéficas, principalmente para o consumidor, que entenderá melhor o que está bebendo, já que os rótulos antigos causavam muita confusão e desinformação no público, e o novo PIQ melhorou muito isso”, garante André.

Possíveis punições
O advogado lembra, ainda, que quem não atualizar os rótulos de suas cervejas e os registros dos produtos do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) corre o risco de ser multado. “A utilização de rótulo em desconformidade com as normas legais vigentes é passível de multa no valor de R$ 2.000,00 até R$ 117.051,00 (art. 108 do Decreto Nº 6.871/2009)”, alerta André.

Já Clairton destaca que, em alguns casos específicos, a punição pelo descumprimento do PIQ da Cerveja pode ser ainda mais severa. “A fiscalização, que fica a encargo tanto do Mapa quanto do Inmetro, e ainda de órgãos de defesa do consumidor, poderá aplicar sanções que vão desde advertências até multas. Em alguns casos, pode haver até mesmo a proibição de comercialização da cerveja ou, ainda, a cassação do registro do produto ou da própria cervejaria”, completa o advogado.

Fabricação de bebidas alcoólicas segue indústria e recua pelo 5º mês consecutivo

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A fabricação de bebidas alcoólicas continua em retração na economia brasileira. Em outubro, de acordo com os dados divulgados pelo IBGE, a produção apresentou recuo de 6,5% em relação ao mesmo mês de 2020. Foi, assim, o quinto mês consecutivo de queda, um ritmo negativo idêntico ao da produção industrial brasileira.

Esse cenário vai reduzindo, mês a mês, a recuperação do segmento de bebidas alcoólicas, que vinha acontecendo após o impacto inicial da pandemia do coronavírus. Tanto que a atividade agora apresenta expansão de apenas 1,9% ao longo de 2021. E fica em 2,3% em um período acumulado de 12 meses.

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Assim, a fabricação de bebidas alcoólicas está no mesmo ritmo da indústria nacional. Houve desaceleração de 1,1% em outubro na comparação com setembro, já levando em conta o ajuste sazonal. E esse recuo foi de 7,8% em relação ao mesmo mês de 2020. Já em 2021 e no período de novembro de 2020 a outubro deste ano, há expansão de 5,7%.

O recuo da atividade industrial brasileira foi generalizado em outubro, tanto que atingiu 3 das 4 das grandes categorias econômicas e 19 dos 26 ramos pesquisados. E, ocorrendo por meses seguidos, vai deixando a indústria distante do nível pré-pandemia.

“Mais do que o resultado do mês em si, chama atenção a própria sequência de resultados negativos, cinco meses de quedas consecutivas na produção, período em que acumula retração de 3,7%. A cada mês que a produção industrial vai recuando, se afasta mais do período pré-pandemia. Nesse momento, está 4,1% abaixo do patamar de fevereiro de 2020”, analisa André Macedo, gerente da pesquisa do IBGE.

Assim, até mesmo a expansão de 5,7% da produção industrial em 2021, que poderia ser encarada como um bom resultado, deve ser vista com reservas. “Vale destacar a perda de intensidade nos últimos meses, por conta da redução observada no ritmo de produção. É importante lembrar que até setembro essa expansão era de 7,6% e em maio estava em 13,2%”, acrescenta Macedo.

Esse cenário negativo da indústria brasileira também tem se refletido no PIB, que caiu 0,1% no terceiro trimestre ante o período de abril a junho, sendo que anteriormente vinha em queda de 0,4%, o que, com dois recuos consecutivos, agora representa um cenário de recessão técnica.

Demais bebidas também recuam
Além disso, se houve redução na fabricação das bebidas alcoólicas em outubro, ela se acentua quando se observa o ritmo de produção das não alcoólicas, com uma queda de 11,9%. Ainda assim, a atividade registra aceleração de 3% de janeiro a outubro e de 4,1% nos últimos 12 meses.

Essa forte retração provoca impacto na produção de bebidas em geral, que diminuiu 9,2% em outubro em comparação ao mesmo mês do ano passado. Porém, há crescimento, mas de apenas 2,4% em 2021 e de 3,1% de novembro de 2020 até outubro.