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Sem carnaval, setor revê estratégias para evitar queda nas vendas de cerveja

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Em 2022, uma ausência do ano passado vai se repetir. Em função do avanço da variante ômicron do coronavírus, com um aumento exponencial de casos, o carnaval de rua voltou a ser cancelado nas principais cidades do Brasil. Com a folia associada à cerveja, seja pelo aumento do consumo ou pela participação como importantes patrocinadoras das festas, as grandes marcas e as artesanais têm buscado adaptar suas estratégias para não reduzirem as vendas no período do carnaval.

Consultadas pela reportagem do Guia, as grandes cervejarias não pretendem, a princípio, realizar mudanças em seus planejamentos de produção em função da ausência dos blocos nas ruas. “Com relação ao volume previsto para o período, informamos que o planejamento não sofrerá qualquer alteração apesar do cancelamento do carnaval de rua das grandes capitais”, afirma o Grupo Heineken por meio de nota oficial.

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Assim, a expectativa de analistas é de que a queda no consumo de cerveja no carnaval, caso aconteça, seja reduzida. Para o sócio da Performa Partners, André Pimentel, embora não nas ruas, as pessoas continuarão se encontrando no período costumeiramente reservado para as festividades. E isso vai garantir que o impacto sobre as vendas seja reduzido. Porém, há um efeito difícil de ser solucionado: a lucratividade, que costuma ser maior com a venda em bares e restaurantes.

“As coisas às vezes não são como parecem. No carnaval há um grande consumo de bebidas, em função da folia. Apesar das festas terem sido canceladas, acho que as pessoas não vão deixar de sair. Elas vão tomar cerveja em outras ocasiões, como em churrascos com outras pessoas e em festinhas. Pode ser que até caia a quantidade, por não se beber tanto em casa, mas não acredito que será uma tragédia absoluta em termos de consumo”, avalia.

É sob uma perspectiva parecida que atua o Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv), que representa o Grupo Heineken e a Ambev no Brasil. Para o superintendente do Sindicerv, Luiz Nicolaewsky, o setor manterá a rota de crescimento neste ano, independentemente da ausência da folia nas ruas. Ele lembra que também não houve carnaval em 2021, mas o segmento seguiu em expansão, pois o consumidor adaptou seus hábitos, passando a fazer o uso de cerveja em suas residências, as comprando em supermercados ou online. Uma movimentação que deverá se repetir no período do carnaval em 2022.

“Não tivemos carnaval e outras festas em 2021 e o resultado foi acima da expectativa no ano passado. Nossa previsão de expansão é tão forte quanto a do último ano, em que projetamos um crescimento de 7,7%”, diz. “Você encontra outras maneiras. Nós tivemos mudanças de hábito, com o consumo se dando no ambiente doméstico, embora o principal local de escoamento seja sempre os bares e os restaurantes, os parceiros número 1 das cervejarias”, complementa.  

E o marketing?
Com o carnaval em alta no Brasil no período pré-pandemia não apenas nos desfiles, mas nas ruas e eventuais festividades fechadas, associar uma marca de cerveja à folia se tornou um caminho óbvio para as principais companhias em anos recentes. Assim, as restrições impostas pela pandemia, com o cancelamento das mais prestigiosas celebrações afetam estratégias das companhias.

Nesse contexto, elas estão em compasso de espera para tomarem decisões, como explica o Grupo Heineken. “Estamos acompanhando o cenário da pandemia no Brasil e atuaremos de acordo com os decretos dos governos estaduais e municipais. Estamos avaliando a manutenção dos contratos de patrocínio de eventos fechados, desde que sejam autorizados pelas autoridades locais e que sigam os protocolos e recomendações de saúde e segurança”, afirma.

A Ambev, por sua vez, aguarda as decisões das autoridades e o avanço da pandemia para definir como se comportar. “Estamos em constante diálogo com parceiros e, em conjunto, avaliando os próximos passos”, diz, em nota oficial. O Grupo Petrópolis, por sua vez, optou por não se pronunciar ao Guia.

O cancelamento do carnaval também causa a queda na exposição dessas marcas de cerveja, embora o sócio da Performa Partners pondere que elas poderão economizar os recursos que estavam previstos para investimento em publicidade. “É um problema para todos, pois empresas de bem de consumo precisam estar sempre expostas, mas, por outro lado, deve haver uma economia de recursos em marketing”, argumenta Pimentel.

A ausência da festa nas ruas de São Paulo, por exemplo, provocou mudanças de planejamento de marcas que chegaram recentemente ao Brasil e buscam espaço no mercado como a Pabst Blue Ribbon, que adiou investimentos de marketing, como relata a NewAge Bebidas, responsável pela sua produção e distribuição no país.

“A licenciada americana Pabst Blue Ribbon já estava preparando uma parceria com uma grande escola de samba da cidade de São Paulo para várias ativações da marca no carnaval, mas também adiou seu investimento”, revela Edison Nunes, Gerente comercial da NewAge Bebidas.

Artesanais confiam no delivery
Com o consumo nas ruas durante o carnaval sendo majoritariamente das grandes marcas, as cervejarias artesanais esperam não sofrer impactos relevantes nas suas vendas por causa do cancelamento das festas. Assim, trabalham com a perspectiva de pouca oscilação nas vendas, também apostando no êxito do delivery.

“Historicamente no feriado de carnaval, temos nossas vendas concentradas em kits de chope delivery, ou seja, nossos distribuidores atendem pessoas que pedem barris para consumo em casa. Acreditamos que mesmo com o cancelamento do carnaval de rua, tenhamos essa demanda, pois as pessoas irão se reunir para celebrar esse período, mesmo de forma mais tímida”, afirma Bruno Scotton, auxiliar de marketing da Berggren.

A Cervejaria Nacional também se prepara para atender a essa demanda para o consumo residencial. E, inclusive, realizará um lançamento alusivo ao período do carnaval, da Glitter Ale, rótulo que tem como base uma Summer Ale. “É um momento que estamos nos estruturando para estar atendendo no varejo e delivery. Inclusive temos uma programação para que nossos clientes curtam esse período tão satisfatório”, explica Gabriel José Marins de Figueiredo, gerente de delivery e marketing da marca.

Mas cervejarias artesanais de regiões onde o carnaval não é tradição temem que o aumento dos casos de coronavírus reduza as atividades daquela parcela da população que aproveita o período de festa para realizar viagens turísticas. Essa incerteza preocupa, por exemplo, Valmir Zanetti, diretor da Cerveja Blumenau e presidente da Associação Vale da Cerveja, que reúne marcas do Vale do Itajaí, em Santa Catarina.

“A gente não sabe como vai ser, pois recebemos muita gente que foge do carnaval nos grandes centros. Ainda não é possível saber se os turistas vão vir para a região. Se não vierem, vai ser mais um impacto. A gente espera que a pandemia dê uma aliviada, para que as pessoas possam viajar”, comenta.

Palestra com CEO da Brewers Association abre atividades da Abracerva em 2022

A Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva) decidiu abrir oficialmente as suas atividades em 2022 com a realização de um evento com o CEO de uma organização que serve como inspiração para a sua gestão. Nesta quinta-feira, a partir das 18h45, o presidente e diretor executivo da Brewers Association (BA, na sigla em inglês), Bob Pease, dará uma palestra sobre a sua experiência à frente da associação das cervejarias artesanais e independentes dos Estados Unidos.

A palestra de Bob Pease será online e aberta aos associados da Abracerva e demais profissionais do mercado cervejeiro. O evento, digital, terá transmissão pelo link.  Na palestra, ele vai usar a sua experiência à frente da Brewers Association, que conta com aproximadamente 5.600 associados, para falar sobre como deve se construir uma comunidade unida e forte em torno da cerveja artesanal.

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De acordo com a Abracerva, nesta palestra, o profissional vai abordar a “história norte-americana da cerveja, uma explicação sobre cada departamento da associação e os objetivos de cada projeto. E ainda um olhar sobre o mercado de cervejas artesanais (craft) e como foi o crescimento nos últimos anos, com eventos, publicações e pautas políticas.”

Bob Pease preside a Brewers Association desde 2014. Ele foi contratado em 1993 pela associação como gerente de atendimento ao cliente, depois se tornando diretor de operações. Foi promovido a vice-presidente em 1999 e a diretor operacional (COO) em 2010.

O evento com Bob Pease é tratado pela Abracerva como uma primeira iniciativa após as recentes mudanças de cargos na diretoria. E funciona como uma apresentação das suas intenções, com a divulgação de informações e conhecimento ao mercado cervejeiro. Assim, a expectativa é de realização de um extenso calendário de atividades e encontros, alguns deles com a presença de figuras de renome internacional dentro do mercado cervejeiro.

“Vamos organizar uma série de palestras, com o intuito de trazer nomes de peso para a gente se espalhar. E a Brewers Association sempre foi um exemplo para mim”, afirma Giba Tarantino, novo presidente da Abracerva e proprietário da Cervejaria Tarantino.

Em dezembro, de modo consensual, Giba, que já fazia parte da diretoria da Abracerva, substituiu Ugo Todde, que permanece na gestão, embora não mais como presidente – é o secretário. A atual gestão, com Tarantino à frente, irá até outubro.

Proximidade do consumidor é essencial para recuperação do setor cervejeiro em 2022

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Após um ano em que a pandemia voltou a impor desafios ao mercado cervejeiro, assim como já havia ocorrido em 2020, as perspectivas para 2022 indicam obstáculos importantes a serem superados. Entretanto, as experiências acumuladas neste longo período de crise sanitária pavimentaram tendências e caminhos mais claros para que o setor possa trilhar uma rota de desenvolvimento sustentável neste ano, consolidando o começo de um processo de recuperação.

Especialistas ouvidos pelo Guia projetaram algumas perspectivas para 2022, apontando ações que ajudem a fazer a diferença para obtenção do sucesso comercial. E avaliam que elas passam pelo contínuo estreitamento da relação com o consumidor.

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A utilização inteligente das plataformas digitais se mostrou uma exigência às cervejarias artesanais na pandemia, que se viram impactadas pela drástica redução da demanda antes proporcionada por bares e restaurantes. Com as restrições da Covid-19, foi preciso aprender a melhorar o atendimento e a usar com eficiência os canais de delivery para que elas continuassem operando. Mais do que meras tendências para 2022, se tornaram exigências para quem deseja ser competitivo.

“É entender que agora somos híbridos. Digital ou ao vivo, o atendimento está em muitos canais. Aprendemos diferentes formas de vender a cerveja artesanal e as redes sociais tiveram um papel importante, mas o atendimento presencial conecta as experiências de formas mais complexas”, alerta a sommelière de cervejas Bia Amorim.

A jornalista e sommelière Fabiana Arreguy também avalia que as companhias hoje já compreendem o varejo como uma possibilidade de proteção contra eventuais oscilações do mercado, assim como conseguiram otimizar a produção em momentos da crise.

“As cervejarias podem ter aprendido a otimizar seus processos e técnicas para diminuir custos sem perder qualidade. Podem ter visto também que estar em redes de varejo lhes dá mais visibilidade e vendas garantidas, mesmo em tempo de crise”, diz.

O reforço da relação com os clientes e seus potenciais futuros consumidores também é visto como essencial por Sady Homrich, engenheiro químico, especialista em cervejas e baterista da banda Nenhum de Nós. Ele lembra que os cenários político e financeiro obrigam as cervejarias a oferecerem algo além de um produto de qualidade. É necessário criar empatia e construir valores sólidos como empresas, para cativar o público, fatores que também têm de estar casados com estratégias de preço e posicionamento da marca frente à concorrência.

“O consumo local ficou muito fortalecido e esse é o modelo que acredito ser o mais razoável/rentável a médio e longo prazo”, opina Sady.  “Os empresários que experimentaram um senso de ‘bem comum’, se esforçando para manter a equipe mesmo que a duras custas, e integrando-se à sociedade com ações solidárias agora poderão se beneficiar de um time fortalecido e um pertencimento da marca frente ao consumidor”, reforça.

Delivery mantém importância
Em um cenário desafiador e de incertezas em relação ao retorno financeiro que poderá ser alcançado, a capacidade das cervejarias de atrair os consumidores e facilitar o acesso direto aos produtos por meio das plataformas digitais também é qualificada como essencial por Luís Celso Jr., sommelier e fundador do Bar do Celso.

“O mercado cervejeiro aprendeu muito com a pandemia, aprendeu principalmente, de uma maneira não muito boa, a ser mais criativo sobre como comercializar o seu produto e como chegar até o consumidor. Acho que o fornecimento direto das cervejarias para o consumidor é um movimento sem volta, que foi acelerado pela pandemia”, enfatiza.

O especialista também exalta o aprimoramento dos serviços de entregas, que se tornaram mais necessários e evoluíram de forma significativa, hoje sendo parte fundamental para um negócio ser bem-sucedido no mercado cervejeiro. E este objetivo está ligado a uma digitalização eficiente para seduzir consumidores exigentes e ávidos em aproveitar as inúmeras facilidades proporcionadas pela internet para a compra dos produtos.

“A gente aprendeu que delivery é muito importante e isso não tem volta. A gente também teve muitas lições do modelo de negócio enquanto digitalização. Houve uma digitalização crescente dos modelos de negócio, inicialmente para um delivery e depois para um e-commerce. As cervejarias, os fornecedores de cerveja e os produtores estão cada vez mais em contato direto com o seu consumidor através dessa digitalização, assim como os bares e as lojas de cerveja procuraram seguir este movimento”, completa Celso.

Início de uma recuperação
Ao projetar um para o setor cervejeiro neste ano, Celso é cauteloso ao lembrar que o potencial de consumo caiu na pandemia e isso tem atingido de forma importante este segmento, que ainda contou com aumento de preços em um 2021 com inflação elevada e escassez de matéria-prima.

“A gente espera uma maior estabilização do cenário, a retomada da confiança do consumidor, que vem segurando muito a grana porque o futuro está muito incerto. Na medida em que ele se sentir mais seguro, ele volta a investir, a comprar, e isso se reflete no comércio, nos bens de consumo não essenciais, o que é o caso da cerveja”, analisa o especialista, que também procura olhar 2022 como o começo de uma reação do segmento.

“Acho que ainda não vai ser um ano de completa recuperação. A gente ainda não sabe como vão ser essas variantes e como vai ser o desenvolvimento da pandemia, mas é um primeiro passo para uma recuperação para os próximos anos, além de 2022”, vislumbra Celso.

Essa recuperação, como destaca Bia, precisa vir acompanhada da qualificação e da obtenção de uma cultura cervejeira, para o amadurecimento das companhias, projetando um rumo a ser seguido ao longo desta década.

“Espero que o mercado cervejeiro amadureça e esteja disposto a enfrentar as consequências de uma crise, seja ela econômica, seja uma consequência moral. Como mercado precisamos nos abrir para conversar, ter congressos técnicos, palestras, mesas-redondas, debates sobre cultura cervejeira, técnica, estilos e inovação. E é um bom momento para desenhar como queremos estar nos próximos dez anos”, diz a sommelière.

Tendências em estilos
Da mesma forma que a pandemia aumentou a preocupação das pessoas com a saúde em todo o mundo, no mercado cervejeiro o crescente consumo das cervejas sem álcool ou com baixo teor alcoólico despontou e continua sendo uma das tendências para 2022. Em expansão e com uma gama de opções mais atrativa e maior do que em um passado recente, esta fatia do setor vem ganhando mais consumidores. E isso não mudará ao longo deste ano.

“Juicy IPA, ácidas complexas e RIS continuarão em alta, assim como as cervejas da outra ponta não tão intensa, como as Sessions e 0%. Ainda estou esperando a tendência de Lagers sofisticadas chegar no Brasil, espero que 2022 tenha esse encontro”, projeta Bia.

A jornalista e sommelière Fabiana Arreguy também aposta nestas tendências e lembra que a diversificação dos produtos oferecidos pelas cervejarias também já começou a ser adotada por marcas que enxergaram a oportunidade de produzirem outras bebidas.

“Para o ano de 2022 eu vejo um aumento da concorrência dos destilados em relação às cervejas. Tanto assim que grandes e pequenas têm investido nisso, criando seus próprios gins e uísques, diversificando seu mix de produtos”, ressalta a especialista. “Em relação a tendências para cervejas, acho que o uso dos insumos brasileiros, principalmente os lúpulos colhidos no Brasil, será o carro-chefe. Acho que as cervejas sem álcool, ou de baixo teor alcoólico, continuarão sendo tendência com maior demanda para elas”, completa Fabiana.

Subsidiária da Kirin indica saída do Reino Unido e amplia Brexit de grandes cervejarias

Grandes marcas internacionais parecem não estar mais olhando para o mercado de artesanais do Reino Unido com o mesmo apetite de outrora. O Grupo Kirin e a sua subsidiária australiana Lion anunciaram que estão de saída, buscando alternativas para os seus negócios na nação insular.

A Lion Little World Beverages, a divisão global de cervejas artesanais da Lion, revelou ter nomeado consultores para analisar opções para as suas marcas no Reino Unido. O negócio da empresa pertencente ao Grupo Kirin compreende a Fourpure Brewing, adquirida em 2018 e com sede em Londres, a Magic Rock, que fica em Yorkshire, tendo sido comprada em 2019, além das marcas importadas Little Creatures e New Belgium Voodoo Ranger.

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Assim, todas essas cervejarias estão colocadas à venda, após um cenário desafiante encarado em 2020 e 2021, admitido pela própria Lion. “Apesar das difíceis condições comerciais nos últimos dois anos, continuamos a investir no negócio e estamos ganhando impulso. Acreditamos que o negócio está bem posicionado para se beneficiar, principalmente à medida que as condições comerciais melhorarem”, afirma o diretor administrativo da Lion Little World Beverages UK, Gordon Treanor.

A Lion indicou, no comunicado, que a companhia deve se concentrar em outros mercados, especialmente na Austrália e nos Estados Unidos. Em novembro de 2021, a companhia adquiriu a Bell’s Brewery, a sétima maior cervejaria norte-americana. E desde 2019 era detentora da New Belgium Brewery, a quarta maior artesanal dos EUA.

“Ao mesmo tempo, a Lion fez investimentos muito significativos em cerveja artesanal na Austrália e nos Estados Unidos, na medida em que nosso negócio nos EUA é agora líder em cervejas artesanais. Como qualquer negócio, precisamos fazer escolhas sobre para onde continuaremos a direcionar nossos investimentos”, afirma o dirigente da Lion, acrescentando a busca por um destino para as duas marcas adquiridas no Reino Unido pela subsidiária da Kirin.

“Embora nenhuma decisão tenha sido tomada, precisamos determinar a melhor forma de preparar Magic Rock e Fourpure para o sucesso nos próximos anos. Nossa equipe foi informada da revisão e estamos comprometidos em apoiá-los neste momento”, acrescenta Treanor.

Antes da subsidiária australiana da Kirin, outra gigante cervejeira a indicar a saída do mercado de artesanais do Reino Unido foi a Carlsberg. Em dezembro, a Carlsberg Marston’s Brewing Company anunciou a intenção de negociar ou fechar a London Fields Brewery (LFB).

Em 2020, as vendas das principais marcas de cerveja da LFB, Hackney Hopster, 3 Weiss Monkeys e Broadway Bos, caíram 31,7%, 95,6% e 50,9%, respectivamente, o que motivou a decisão de fechamento. Enquanto um negócio não é realizado, as cervejas serão produzidas pela Cameron’s, já que a companhia optou por não mais utilizar a sua fábrica em Londres.

Brasil melhora qualidade da produção, mas importa mais lúpulo em 2021

Ainda que a produção de lúpulo pelo Brasil seja diminuta quando se observa a demanda da indústria cervejeira, a cultura tem apresentado avanço ao longo dos anos e terminou 2021 com melhorias na qualidade. Um cenário que provoca a expectativa de ampliação do seu uso pelos fabricantes, contribuindo para a evolução da cadeia produtiva.

Essa avaliação foi apresentada à reportagem do Guia por Rodrigo Baierle, proprietário da Lúpulos 1090. Para ele, em 2021, alguns cultivos de lúpulo no Brasil, de regiões diferentes, apresentaram qualidade semelhante ao do produto que costuma ser importado pelas cervejarias.

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“Tivemos ótimos resultados, especialmente de qualidade, e em várias regiões do Brasil. Em alguns casos, sendo até superior ao lúpulo importado. O nível de óleo essencial chegou a bater 3,5%, algo que só era imaginável em lúpulos estrangeiros”, afirma.

A imensa maioria do lúpulo utilizado no Brasil, porém, continua sendo de fora do país. De acordo com os dados divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, foram 4.721 toneladas de lúpulos importadas em 2021, com um dispêndio de US$ 82,078 milhões. Isso representou aumento superior a 40% em volume e valor gasto com o lúpulo no mercado externo no ano passado, quando comparados a 2020.

Mas a produção no Brasil também tem aumentado. Em agosto de 2021, a Associação Brasileira de Produtores de Lúpulo (Aprolúpulo) relatou um crescimento de 110% na área plantada no país em 2020 em relação a 2019, com uma produção de 24 toneladas.

Além disso, a produção de lúpulo pelo Brasil, que se concentra em Santa Catarina, Rio de Janeiro e São Paulo, apresentou novidades ao longo de 2021. Isso envolve as grandes cervejarias, que têm começado a olhar com mais atenção para o lúpulo nacional.

O Grupo Petrópolis, inclusive, começou a vender parte da produção de lúpulo da sua fazenda em Teresópolis (RJ) para microcervejarias através do seu comércio eletrônico. Além disso, expandiu a sua produção para o entorno da fábrica localizada em Uberaba (MG).  Já a Ambev inaugurou em Lages (SC) uma planta de transformação de lúpulo em ingrediente pronto, assim como um viveiro com capacidade para produzir 60 mil mudas ao ano.

“As cervejarias têm muito a ganhar com isso, pois poderão usar um lúpulo fresco e de altíssima qualidade. Assim, o lúpulo brasileiro poderá representar um ganho de qualidade muito grande para as cervejarias”, avalia Baierle.

Nesse momento, porém, o uso do lúpulo não é disseminado no mercado brasileiro, com o seu uso se concentrando em cervejas de maior valor agregado ou sazonais.  Há marcas, como as gaúchas Salva Craft Beer e Fil, que aproveitam a própria produção do ingrediente para utilizá-lo nos seus rótulos. Além disso, grandes nomes do setor também têm apresentado novidades, como a Colorado, que lançou uma Hop Lager com lúpulo nacional em 2021, e a Goose Island, que se uniu à Lohn para criar uma cerveja com o ingrediente brasileiro.

São casos ainda pontuais no terceiro maior produtor de cerveja do mundo e, portanto, como uma alta demanda por lúpulo. Mas Baierle acredita que esse cenário poderá se alterar com o aumento da qualidade da planta e safras maiores.

“A expectativa é que se possa fornecer o lúpulo durante o ano todo para as cervejarias, com as cervejas que as usam deixando de ser apenas para algo sazonal”, afirma o proprietário da Lúpulos 1090.  

E em 2022?
Para que o cenário esperado por Baierle comece a se tornar mais próximo no ano recém-iniciado, será necessário investimento em maquinário pelos produtores desse ingrediente cervejeiro, em função do aumento da área produtiva do lúpulo no país.

“Há desafio em maquinários para colheita e processamento, mas já temos empresas que os têm. Outras estão se desenvolvendo e aprimorando. É algo importante porque a expectativa é de que ocorra um aumento na área produtiva, com aumento de volume”, diz.

De qualquer forma, ele acredita que a plantação realizada há quatro anos trará bons resultados ao longo de 2022. “As áreas implantadas, especialmente em 2018, terão uma maturidade em 2022, com maior produção e qualidade, atingindo as cervejarias”, prevê o agrônomo.

Menu Degustação: Latas da Karlsbräu no país, bolsas da ESCM para pretos e pardos…

Os últimos dias do setor cervejeiro foram agitados e contaram com a chegada de novidades ao mercado e para o público. Um dos destaques é a marca alemã Karlsbräu, cerveja que passou a ser importada exclusivamente pela Boxer do Brasil. São seis rótulos, incluindo uma cerveja oficial do AC/DC. A Cruls, por sua vez, abriu o seu bar em Brasília, na Asa Norte, com funcionamento de quarta-feira a sábado.

Em uma ação que pode ajudar a tornar o setor mais inclusivo, a Escola Superior de Cerveja e Malte (ESCM) está com inscrições abertas, até o dia 31, para bolsas de estudos em Mestre Cervejeiro exclusivas para pretos e pardos. A iniciativa tem participação da Ambev, sendo que os bolsistas ainda receberão ajuda de custo.

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Confira estas e outras novidades do setor no Menu Degustação do Guia:

Rótulos da Karlsbräu no Brasil
A Karlsbräu chegou ao mercado nacional com seis rótulos. São cinco latas de 500ml, caso da Kellerbier, premiada no ano passado como a melhor Lager do World Beer Awards, a Bock, a Pilsen Urpils, a Karlsbräu Lager, a Helles e a Weizen. E a Boxer, agora importadora exclusiva desta cervejaria no Brasil, ainda propicia o acesso do consumidor à Rock or Bust, nome do 17º álbum de estúdio do AC/DC e da cerveja oficial da banda, que integra o portfólio de marcas da Karlsbräu. Esta cerveja Lager, que contém 5% de álcool, é disponibilizada em latas de 568ml pela Karlsbräu. 

Bar da Cruls em Brasília
A Cruls Cervejaria passou a contar com o seu bar em Brasília. O espaço da marca, o Cruls Boteco, fica na Asa Norte e funciona de quarta a sábado. E para marcar a abertura, foram lançadas duas cervejas: a Hop Lager, a primeira long neck da marca, e a CXP09 Catharina Sour com Maracujá, novo rótulo da série experimental CXP. “Do ponto de vista da inovação, abrir o Boteco é a oportunidade de testar ainda mais receitas e de sermos ainda mais ousados com criações inéditas”, explica Marcos de Paula, gerente de inovação e qualidade da cervejaria.

Aniversário da Dogma do Itaim com promoções
Fundada em janeiro de 2021, a segunda franquia da Cervejaria Dogma, localizada no Itaim Bibi, na zona sul de São Paulo, promove até este domingo uma maratona de promoções, iniciada na última quarta-feira. Neste domingo, quem comprar duas réguas do taster degustação, um triângulo personalizado com o nome da cervejaria contendo seis copos de 80ml, ganha uma porção de brinde. O local oferece 15 opções de chopes em suas torneiras, cuja variedade é selecionada para cada dia.

Madalena e Swift se unem
A Cervejaria Madalena está apostando na união entre o chope e a carne de primeira ao acertar uma parceria com a Swift, que terá disponível nas geladeiras de cinco de suas lojas, todas no ABC paulista, os growlers de 1 litro dos chopes IPA e Lager Premium da marca. “Nossa parceria com a Swift tem como objetivo facilitar a harmonização do melhor chope com as melhores carnes. A cerveja premium, além de muito versátil, deixa o churrasco ainda mais completo”, diz Renan Leonessa, diretor de marketing da Madalena.

Lagoon amplia presença no varejo
A Lagoon, marca mineira de cervejas artesanais, segue ampliando os seus pontos de venda no varejo. Antes já disponível nas redes Verdemar, Carrefour, Bretas, Super Luna, OPA, Coelho Diniz e Apoio Mineiro, a marca agora tem todos os seus cinco rótulos (Triple Malt Pilsen, Lager, Amber Lager, Session IPA e American IPA) presentes nas unidades do supermercado Super Nosso, um dos mais tradicionais do estado.

Rótulos low carb na Toca da Cerveja
Localizada no centro histórico de Ilhabela (SP), a loja Toca da Cerveja está disponibilizando aos seus clientes rótulos de artesanais low carb, sem álcool e sem glúten. Entre as opções estão a Roleta Russa Easy IPA (zero álcool e sem glúten), a gaúcha Barco Anytime Low Carb (de baixa caloria e com 4,8% de álcool), a Leuven Kingdom Fruit Beer (sem álcool e com aroma e sabor do Yuzu, uma tangerina oriental) e a Leuven Kingdon American Wheat Beer (também sem álcool e com amarillo).

Bolsas para pretos e pardos na ESCM
A Escola Superior de Cerveja e Malte (ESCM) está com inscrições abertas, até o dia 31, para bolsa de estudos em Mestre Cervejeiro exclusiva para pretos e pardos. A iniciativa da instituição, que visa promover também a diversidade no setor cervejeiro, está sendo patrocinada pela Ambev. Os selecionados ganharão o curso de um ano, receberão uma ajuda de custo mensal de R$ 600 e ainda terão direito a passagens de ida e volta para qualquer região do Brasil. Homens ou mulheres, com 18 anos ou mais, moradores no País e autodeclarados pretos ou pardos, podem se inscrever por meio do link

Projeto de reciclagem da Verallia
Em parceria com a Massfix, a Verallia coordena um projeto, o Vidro Vira Vidro, que incentiva a coleta de vidros. Para isso, 200 contêineres para entregas voluntárias serão alocados no eixo São Paulo – Campinas – Mogi das Cruzes. Com o projeto piloto, a Verallia estima conseguir cerca de 4 mil toneladas de cacos por ano. E o plano é de expandi-lo para outros estados.

30 ­­­estações de churrasco em festival 
Marcado para ocorrer no próximo dia 29 (sábado), das 13h às 20h, na Casa de Retiros São José, em Belo Horizonte, a oitava edição do Burn Experience Festival contará com 30 estações de churrasco, nas quais o visitante encontrará as mais diversas opções gastronômicas. Com o evento na capital mineira realizado em um espaço de 4 mil metros quadrados, os organizadores prometem cumprir os protocolos de prevenção à disseminação do coronavírus. Com o formato de open bar e open food, terá também como atração as performances de bandas de rock e sertanejas.

Atrações internacionais em Blumenau
Confirmada para os dias 9 e 10 de março, a primeira edição do Congresso Internacional da Cerveja, em Blumenau, terá atrações renomadas. Em formato híbrido (presencial e remoto aos inscritos), promete a participação de 20 palestrantes, entre eles Kilian Kittl, gerente de projetos da European Beer Star, uma das competições mais importantes do mundo no setor. O evento, que também firmou parcerias com o Brussels Beer Challenge e o Barcelona Beer Challenge, acontecerá paralelamente ao Festival, Concurso e Feira Brasileira da Cerveja.

História de um pioneiro em livro
Foi lançado o livro Cerveja Artesanal no Brasil, com 152 páginas e que aborda a trajetória do setor no país, contada pelo pioneiro e mestre-cervejeiro Wernel Emmel. Ele também apresenta relatos da sua atuação, da sua infância em Pomerode (SC) até a fundação da WE Consultoria.

Pack sustentável e com sementes da Lumiarina incentiva criação de horta

Consumir uma cerveja – ou seis – e utilizar o pack que a armazena para criar uma pequena horta. A possibilidade se tornou viável para aqueles que compraram 6 latinhas da Lumiarina, na mais recente das várias ações sustentáveis realizadas pela marca de Nova Friburgo (RJ).

O pack da marca foi criado para armazenar as produções de 473ml, sendo feito de papel reciclado. Além disso, vem com sementes de manjericão, rúcula e salsa. Assim, pode ser picada em pedaços e plantada, o que evita o descarte do material. E, aos interessados, permite até mesmo o cultivo a partir dessas sementes.

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A ideia de contar com esse tipo de embalagem foi de Luiz Enne, sócio da Lumiarina, e surgiu após a observação de uma ação semelhante da Patagonia. Ao descobrir que a empresa que atua com a marca da Ambev estava localizada em Niterói (RJ), a Papel Semente, foi possível, então, colocar o plano em ação.

“O pack é feito de 3 partes. Cada uma, então, tem um tipo de semente. E precisavam ser pequenas sementes, para dar a possibilidade de transformar a caixa em uma horta doméstica. Assim, não restringe demais, podem até ser semeadas em um apartamento”, explica.

O pack da Lumiarina pode ser encontrado em dois pontos de Nova Friburgo, a Cachaçaria Andarilho da Serra e a Casa Nápoles. “Transformei essa caixa em um produto mais exclusivo, estando em dois parceiros. É quase como um souvenir. Um produto premium em um local que impulsiona a venda. Tem que comprar o pack de seis cervejas para levar a caixa de graça. Ou tem de pagar por ela”, detalha Luiz.

Para ele, o lançamento de um pack com sementes condiz com um momento em que uma parcela da sociedade aumentou a sua preocupação com a sustentabilidade, além de desejar ampliar o contato com a natureza. “As pessoas estão mais preocupadas com sustentabilidade. Na pandemia, começaram a mexer com plantas, a ter uma horta, para ter contato com a terra, buscando outros valores. A ideia casou, então, com um momento de vida de muita gente. A sociedade também quer discutir problemas, como o do lixo”, avalia.  

O sócio da Lumiarina destaca que a iniciativa está relacionada com a trajetória da marca, que surgiu em 2019. De acordo com o profissional, as práticas sustentáveis estão alinhadas com as ações da cervejaria desde o início da sua trajetória. “Tudo que a gente faz passa por um crivo para uma questão sustentável”, afirma.

A Lumiarina, hoje com uma produção próxima dos 2 mil litros mensais de cerveja, faz envase apenas em latas, pela ausência de uma forma viável de reciclagem das embalagens de vidro. A companhia, que faz parte da Rota RJ, ainda está envolvida em um projeto de identificação da diversidade da flora e das espécies da Mata Atlântica, além de também realizar doações de composteiras domésticas. “Tem gente que nos conhece mais pela composteira do que pela cerveja”, conclui Luiz.

Com lançamento de cerveja, Central das Favelas atua para ajudar afetados pela chuva

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As fortes chuvas desde o fim do ano passado têm provocado desastres em diversas regiões do Brasil. Uma situação que deixa famílias isoladas e milhares de pessoas desabrigadas, em tragédias em diversos municípios que expõem a desigualdade social e a fragilidade imposta a parte relevante da população. Para ajudá-la, a Central Única das Favelas (Cufa) tem realizado uma série de ações de suporte, uma delas envolvendo a indústria da cerveja, com a participação do Zé Delivery.

Nela, o aplicativo de delivery da Ambev lançou uma cerveja, a Sempre Juntos, que terá a verba obtida com as suas vendas repassada à Cufa para ajudar famílias em situação de vulnerabilidade nas regiões mais afetadas pelas fortes chuvas, nos estados da Bahia e Maranhão, além de Minas Gerais, Tocantins e Goiás. A Cufa fará a seleção de comunidades e pessoas que precisam da ajuda, transformando o valor arrecadado em doações em forma de alimentação, vestimenta e outras formas de amparo.

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Produzida pela Ambev, a cerveja da ação em parceria com a Cufa só está disponível através do Zé Delivery, sendo uma puro malte. E a ação só terminará quando toda a produção da Toda Nossa tiver sido comprada. Assim, o aplicativo de delivery espera aproveitar os contatos e experiências da associação para potencializar os resultados e impactar ainda mais pessoas. “Para nós é fundamental trazê-los para mais essa ação para que possam realmente direcionar esse apoio a quem precisa, de forma genuína e humana”, diz Thaís Azevedo, CMO do Zé Delivery.

Com mais de 20 anos de trajetória, a Cufa está presente em 5 mil favelas brasileiras com trabalhos que englobam esporte, formação de lideranças, empreendedorismo, educação, lazer, cultura e cidadania. E a organização busca utilizar sua capilaridade para amenizar ao máximo as dificuldades que os moradores de favela enfrentam.

No ano passado, durante a pandemia da Covid-19, a Cufa, através do programa Mães da Favela, entregou cestas básicas, físicas e digitais, e chips com internet gratuita para as mulheres de comunidades vulneráveis.

“Por seu conhecimento sobre esses territórios, a organização criou uma rede de proteção que atingiu mais de 13 milhões de pessoas em todo o Brasil, já que está presente e atua nos 26 estados e também no Distrito Federal. O Mães da Favela contempla milhões de mulheres moradoras desses territórios, que chefiam os seus lares, com uma bolsa de R$ 240”, destaca Preto Zezé, presidente da Cufa.

A associação também recebe doações de pessoas físicas e grandes empresas, vindas de todo o Brasil, de maneira física ou em dinheiro. “As doações físicas são levadas para os estados assolados, através de empresas logísticas parceiras. As em dinheiro são usadas para comprar alimentos e itens de higiene no comércio das próprias cidades, a fim de reaquecer a economia local”, completa Preto Zezé.

Desde o final do ano passado, a Cufa tem agido em várias frentes para ajudar as pessoas que sofrem com as fortes chuvas em todo o Brasil. Em parceria com o Grupo Bandeirantes e a Frente Nacional Antirracista, buscou apoiar a população baiana que está sofrendo por causa das enchentes, tendo conseguido arrecadar R$ 72 milhões. Já com o iFood, em outra campanha para ajudar as vítimas das chuvas no sul da Bahia, doações foram realizadas por meio do aplicativo para a instituição, que as direcionou para atender as pessoas em vulnerabilidade.

Tabelinha com o Zé

A cerveja lançada pelo Zé Delivery em parceria com a Cufa recebeu o nome de ‘Sempre Juntos”, sendo uma puro malte. Em sua receita, leva os maltes pilsen e carahell, com fermento único, casca de laranja e um dry-hopping de lúpulo brasileiro. A Sempre Juntos está disponível nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, custando R$ 9 mais o valor do frete.

E essa não é a primeira parceria realizada entre a Cufa e o Zé Delivery. No ano passado, a “Tabela Com Zé” ajudou trabalhadores que atuavam no entorno dos estádios de futebol e estavam sem a renda dessa atividade durante o período de isolamento social.

Uma parceria que foi retomada em outro momento de adversidade no Brasil, com as chuvas afetando milhares de famílias pelo Brasil. A Superintendência de Proteção e Defesa Civil da Bahia (Sudec) anunciou que são 27 o número de mortos em razão das fortes chuvas que atingiram o estado desde dezembro de 2021. Há 30.306 pessoas desabrigadas, 62.156 desalojados e 523 feridos. O total de atingidos pelas chuvas no estado é de 965.643 pessoas.

Já Minas Gerais também enfrenta graves problemas. As chuvas no Estado também provocaram deslizamento e destruição. São 377 cidades em situação de emergência. Mais de 40 mil pessoas estão desabrigadas e desalojadas, além de 25 mortes terem sido registradas.  

“(O objetivo é) Alcançar um público segmentado e fomentar a solidariedade, assim, dar continuidade com o ‘Sempre Juntos’ a parcerias de cunho comunitário iniciada no projeto ‘Tabela com o Zé’”, conclui Preto Zezé.

Como a construção de fábrica de vidros pela Ambev impacta a companhia e o setor

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Anunciada já nos últimos dias de 2021, a decisão da Ambev de construir uma fábrica de vidros no Paraná deve deixar a companhia em situação mais confortável para lidar com os riscos de escassez de embalagens, além de confirmar o bom posicionamento da companhia em relação à pauta sustentável. Essas são algumas das avaliações que sobressaem entre os analistas do mercado financeiro ouvidos pelo Guia sobre o mais recente ato de relevância da companhia.

Embora a cidade que receberá a fábrica da Ambev ainda não esteja definida, a companhia adiantou que investirá R$ 870 milhões na unidade de vidros, a segunda da empresa, que já possuía uma no Rio de Janeiro, desde 2008, após a empresa empregar R$ 160 milhões na sua construção.

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O início da operação da unidade paranaense está previsto para 2025, com foco nas embalagens de 300ml, long necks, de 600ml e 1 litro, com o intuito de abastecer as cervejarias do grupo. Chefe do setor de agro, alimentos e bebidas na área de research e sócio da XP Investimentos, Leonardo Alencar destaca que a verticalização da produção de embalagens certamente deixará a Ambev menos volátil a oscilações do mercado de vidro.  

“Garantir o fornecimento de embalagens é estratégico para manter a satisfação do consumidor, mesmo quando essa produção não for suficiente para atender toda a produção. Isso é ainda mais estratégico dadas as constantes rupturas nas cadeias de fornecimento que têm ocorrido em função da pandemia, inclusive resultando em falta de produto na gôndola, fato que gera perdas para todos os players da cadeia e, principalmente, para o consumidor”, diz.

Ter a unidade de vidros no Rio de Janeiro já era visto pela equipe de análise da Ativa Investimentos como um fator vantajoso para a empresa na comparação com as suas principais concorrentes no setor, a deixando menos à mercê de oscilações do mercado de embalagens. Um cenário que poderá se ampliar com a construção dessa segunda fábrica pela Ambev.

“Atualmente, ela já tem sido bem menos prejudicada que suas concorrentes – como Heineken e Grupo Petrópolis – pelo problema da escassez de vidros. Além da produção interna, a companhia também tem um forte relacionamento com seus fornecedores devido ao seu tamanho no mercado, o que a deixa menos vulnerável nesse cenário perante os demais players”, avaliam os profissionais da Ativa.

Coincidência ou não, o anúncio da Ambev ocorreu nos últimos dias de um ano que ficou marcado pela dificuldade de acesso a garrafas de vidro. Para analistas, um problema que foi causado pela redução no volume de pedidos nos primeiros meses da pandemia e um posterior acúmulo de demanda no fim de 2021.

Para o sócio da XP, a dificuldade de acesso a garrafas de vidro poderá até se repetir no setor cervejeiro ao longo de 2022, mas não em um contexto tão desafiante como no ano passado. “Uma vez que a falta de matéria-prima e a disrupção das cadeias de produção foi uma consequência da pandemia, não esperamos uma piora no cenário para 2022, ainda que o processo de normalização seja mais lento do que previsto de início”, argumenta.

Assim, adversidades deverão ser menores em 2022, mas sem se dissiparem enquanto ouras fábricas de vidro não começarem a operar. Além disso, há incerteza em função da continuidade da pandemia e sua extensão. “Pode ter algum alívio, mas é um problema que ainda tende a atrapalhar o mercado. Tem fatores e variáveis, como o crescimento, que provoca a correria entre oferta e demanda. Enquanto não existir esse e outros investimentos em embalagens, o setor vai estar numa encruzilhada de gargalo”, avalia André Pimentel, sócio da Performa Partners.

Além disso, na sua visão, o investimento da Ambev trará benefícios ao mercado, reduzindo a possibilidade de cenários de escassez de garrafas de vidro para a indústria cervejeira. “Se ela demanda menos o mercado, isso reduz um pouco o gargalo. Acaba tendo um impacto positivo nos custos, que tendem a cair em função da menor pressão sobre a demanda”, afirma.

Liderança em ESG
No anúncio, a Ambev destacou que a fábrica a ser construída seria de vidros sustentáveis, com as garrafas sendo produzidas a partir da reciclagem de cacos, recolhidos em parcerias com empresas de logística reversa e cooperativas. A decisão representa mais uma ação da Ambev para fortalecer a sua agenda ESG, com preocupações de caráter ambiental, social e de governança, lembra Everton Medeiros especialista da Valor Investimentos.

“O projeto que engloba diversas iniciativas de reciclagem de resíduos, uso otimizado da água, energia renovável e parcerias com entidades de catadores de material reciclável, busca tornar a pegada de carbono da companhia ainda menor”, diz.

São, aliás, diversas ações recentes da companhia que, por exemplo, conseguiu reduzir em 55% o consumo de água na fabricação das suas bebidas desde 2002 e o fato de 47% das embalagens de vidro já serem feitas com material reciclado. Assim, o analista da XP destaca que o novo anúncio reforça a atuação da companhia com cuidado especial para questões de sustentabilidade da Ambev.

A frente de ESG da AmBev, tanto pela ótica social quanto do meio ambiente, é um ponto forte da empresa, com destaque para todo o projeto de logística reversa que a empresa construiu nos últimos anos e que não possui paralelo no mercado. A utilização de caminhões elétricos e a produção de embalagens renováveis, inclusive com matéria-prima sustentável, confirma a relevância que o tema tem para a empresa

Leonardo Alencar, chefe do setor de agro, alimentos e bebidas na área de research e sócio da XP Investimentos

Já o especialista da Valor Investimentos lembra que o anúncio da construção da fábrica de vidros sustentáveis veio na sequência da revelação de que a Ambev buscará se tornar carbono zero até 2040, fazendo, assim, parte dessa estratégia. Além disso, avalia que, em operação, a unidade terá efeitos positivos nos lucros da companhia.

“A meta de ser uma empresa net zero em emissões de carbono está sendo energicamente perseguida pela diretoria da companhia, além de tornar o processo de produção mais rentável, verticalizando parte das operações de fabricação das suas embalagens, melhorando assim sua margem de lucro”, diz Medeiros.

O sócio da Performa Partners pondera, também, que há um fator financeiro por trás da adoção de pautas ESG pela Ambev, mas destaca que, ainda mais por ser líder de mercado, a companhia força os demais atores da indústria cervejeira a seguirem os seus passos em sustentabilidade. “Nenhuma pauta se sustenta sem o dinheiro, além de haver pressão para se fazer. Para se fazer, é preciso dinheiro. A Ambev tem e consegue fazê-lo. E quando dá um passo desses, joga pressão para o mercado também mostrar serviço na pauta ESG”, conclui Pimentel.

Ação celebra Catharina Sour e diversidade das cervejas brasileiras em 64 rótulos

Se o setor pôde celebrar no fim de 2021 o reconhecimento definitivo da Catharina Sour pelo Beer Judge Certification Program (BJCP), o mais renomado guia de estilos do mundo, a comemoração bem que poderia ser nesta quarta-feira com o lançamento simultâneo de 64 rótulos dessa cerveja tipicamente brasileira.

Essa reunião de novidades em torno de um estilo foi possível graças ao Movimento Toda Cerveja. Em sua segunda ação coletiva, o grupo reuniu marcas para agitar o segmento das artesanais e exaltar a diversidade das criações brasileiras.

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Antes, em setembro de 2021, o movimento promoveu o Bitter Day, dando protagonismo a um estilo cervejeiro mais identificado com os britânicos. Agora, então, a aposta é na Catharina Sour e suas características sensoriais, vistas como ideais para o período do verão.

“Nós discutimos isso com o grupo da primeira ação e chegamos a esse estilo. Além de ser o primeiro estilo brasileiro de cervejas, a Catharina Sour tem tudo a ver com essa época do ano, já que é leve, refrescante e pouco alcoólica”, afirma Daniel Jeffman, um dos organizadores do movimento e sócio da Fat Bull Beer.

O profissional da marca de Novo Hamburgo (RS) avalia que o estilo tem tudo a ver com o que o Toda Cerveja quer mostrar com as ações de lançamento simultâneos: a diversidade das cervejas brasileiras. “Teremos 34 frutas e especiarias diferentes em 64 lançamentos, com variedades regionais ganhando bastante espaço. Acreditamos que esse fato curioso pode chamar a atenção do público”, destaca.

Assim, o consumidor será brindado com uma extensa mistura envolvendo frutas disponíveis na biodiversidade do Brasil: abacaxi, acerola, amora, araçaúna, butiá, cacau, café, cajazinho, cupuaçu, framboesa, goiaba, graviola, jaca, jabuticaba, variedades de laranja e limão, mamão, manga, maracujá, mirtilo, morango, pêssego, pitaya, seriguela, tangerina, variedades de uva e uvaia. Especiarias e outros itens como casca de laranja, capim cidreira, matcha e tomilho também fazem parte das combinações.

Janderson Martini, da Old Captain e outro organizador do movimento, destaca que o aumento do número de participantes no lançamento desta quarta-feira (64) é superior ao Bitter Day, em um indicativo de êxito da iniciativa, que deve apresentar mais novidades ao longo de 2022.

“Conseguimos chamar a atenção do mercado e gerar um fato sobre as cervejarias artesanais independentes e seu trabalho coletivo e positivo”, diz. “Estamos bem felizes com essa variedade de Catharinas que vamos levar ao mercado e certos de que mais ações vem por aí”, antecipa.

Os lançamentos acontecem nos bares das próprias cervejarias e em pontos de venda parceiros. A identidade visual da ação é a mesma, para facilitar que os consumidores de diferentes estados identifiquem o estilo e se sintam convidados a prová-lo.

Nessa ação, as cervejarias estão localizadas em 46 cidades de 10 estados diferentes: Ceará, Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo. Juntas, elas produzem mais de 1,6 milhão de litros ao mês.

Criado em 2016, o estilo entrou no BJCP em 2018, mas só foi oficialmente adicionado no final do ano passado, sendo a primeira representante do país no renomado guia.  

De acordo com o BJCP, a Catharina Sour é “uma cerveja refrescante de trigo, ácida e com frutas que normalmente apresentam um perfil tropical. Tem um corpo leve e a graduação alcoólica contida. No aroma, a fruta é identificada de forma imediata e a coloração também muda de acordo com a variedade selecionada. Especiarias, ervas e vegetais podem complementar a receita.”

Confira a lista de cervejarias participantes do lançamento coletivo desta quarta-feira:

Ceará
Nery Brothers (Fortaleza)

Espírito Santo
Mestra (Serra)

Goiás
Templária (Catalão)
Dona Lupulina (Goiânia)

Minas Gerais
Küd (Nova Lima)

Mato Grosso
Heresia (Cuiabá)
Louvada (Cuiabá)

Paraná
Ade Bier (Castro)

Rio de Janeiro
Paranoide (Volta Redonda)

Rio Grande do Sul
4beer Cerveja e Cultura (Porto Alegre)
Babel Cervejaria (Porto Alegre)
Bierdron (Lajeado)
Alcebier (Novo Hamburgo)
Divisa (Santana do Livramento)
Paralelo 30 (Eldorado do Sul)
Ruizoca (Dom Pedrito)
Traum (Nova Petrópolis)
Danken (Vale Real)
Diefen Bros (Porto Alegre)
Donner Craft Brew (Caxias do Sul)
Fat Bull Beer (Novo Hamburgo)
FIL (Gravataí)
Herzpille Cervejaria (Bom Princípio)
La Birra (Caxias do Sul)
Leoner Hof Craft Beer (Sapiranga)
Marek Cervejaria (Charqueadas)
Mater (Dois Irmãos)
Nahualli (Farroupiliha)
Nave (Pelotas)
Polvo Loco (Porto Alegre)
Proeza Beer (Santa Cruz do Sul)
Rübebeer Cervejas Artesanais Ltda (Novo Hamburgo)
Ruradélica Ales (Porto Alegre)
Salva Craft Beer (Bom Retiro do Sul)
Suricato (Porto Alegre)
Titans Cervejas Especiais (Tapejara)
Velho Ébrio (Pelotas)
Veterana (Porto Alegre)
Zagaia (Itaara)
Baita Bier (Novo Hamburgo)

Santa Catarina
Armada Cervejeira (São José)
Balbúrdia Cervejaria (Blumenau)
Biertal (Braço do Norte)
Big jack Cervejaria (Orleans)
Blend Bryggeri (Criciúma)
Bruxa Cervejaria (São José)
Alcatraz (Criciúma)
Maestro (Jaraguá do Sul)
Liffey Brew Pub (Palhoça)

São Paulo
Bela Beer (Santana de Parnaíba)
Beta Hops Brewing (Registro)
Cervejaria 77 (São Paulo)
Bragantina (Bragança Paulista)
Karma (Osasco)
Revoluta (São José do Rio Preto)
Cervejaria Santista (Santos)
Urbana (São Paulo)
Gård Cervejaria (Campos do Jordão)           
Hops Craft Beer (Barueri)
Miners Craft Beer Co. (São Paulo)
Racing Beer (Barueri)
Sonora (Paulínia)
Sorocabana (Sorocaba)
X Craft Beer (São Paulo)