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Ambev aumenta preço da cerveja; Abrasel estima alta entre 6% e 10%

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As cervejas da Ambev vão ficar mais caras a partir de outubro. Proprietária de marcas como Brahma, Skol, Bohemia, Stella Artois, Original, Antarctica e Colorado, a companhia confirma que realizou um reajuste nos preços, ainda que sem dar maiores detalhes dos valores. A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) também reconhece o aumento no preço da cerveja da Ambev e estima que ficará entre 6% e 8% na maior parte dos estados brasileiros, chegando a até 10% em São Paulo.

À reportagem do Guia, a Ambev reconhece o reajuste nos preços das cervejas. A companhia, porém, não revela qual foi o porcentual de aumento ou em quais marcas ou embalagens ele será aplicado e como. Destaca, ainda, que também há variações no reajuste de acordo com o tipo de estabelecimento e região do país.

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A Ambev também assegura que o aumento é natural, fazendo parte da política de reajuste anual dos preços pela companhia. E explica que ele é generalizado, envolvendo diversas embalagens e marcas do seu portfólio. “A Ambev faz, periodicamente, ajustes nos preços de seus produtos e as mudanças variam de acordo com as regiões, marca, canal de venda e embalagem”, destaca a companhia em nota oficial.

A variação do aumento em virtude da região é confirmada pela Abrasel. Em nota oficial enviada à reportagem do Guia, a associação afirma que o reajuste em São Paulo será próximo ao da inflação anualizada. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) está em 9,68% nos últimos 12 meses, de acordo com o IBGE.

“Acreditamos que São Paulo deve seguir a inflação, mas nos outros estados, esse aumento ficará entre 6% e 8%. No Rio de Janeiro, por exemplo, nossa expectativa é que fique em torno de 7%”, analisa o presidente-executivo da Abrasel, Paulo Solmucci.

O aumento do preço da cerveja pela Ambev se dá em um contexto de inflação generalizada e, principalmente, de itens essenciais para a indústria, caso dos combustíveis e da energia, como demonstra reportagem publicada pelo Guia nesta quarta-feira.

No IPCA-15 de setembro, o índice de preços mais recente divulgado pelo IBGE, a alta dos combustíveis foi de 3,00%. Especificamente, a gasolina subiu 2,85% e acumula 39,05% de inflação nos últimos 12 meses.

A energia elétrica, por sua vez, também vem impactando diretamente a inflação. Em setembro, no IPCA-15, cresceu expressivos 3,61%. No mês passado, vigorou a bandeira vermelha patamar 2, com acréscimo de R$ 9,492 a cada 100 kWh consumidos. A partir de 1º de setembro, passou a valer a bandeira tarifária de escassez hídrica, que acrescenta R$ 14,20 para os mesmos 100 kWh.

Mas a cerveja, até agora, vem registrando inflação menor do que o índice oficial, segundo os dados do IBGE. O preço da cerveja no domicílio desacelerou em agosto e fechou o oitavo mês de 2021 com uma inflação de apenas 0,29%. A alta pouco expressiva fez com que o item tenha terminado agosto com uma aceleração acumulada de 3,49% em 2021. E sua inflação está em 7,62% no somatório dos últimos 12 meses.

Já o preço da cerveja fora do domicílio praticamente permaneceu estável em agosto, com inflação de apenas 0,05%. Agora, então, a variação é de 3,14% em 2021 e de 5,94% no período de setembro de 2020 até agosto de 2021.

Repasse ao consumidor
A expectativa é de que o aumento definido pela Ambev seja repassado na integralidade por bares e restaurantes ao consumidor, segundo o presidente da Abrasel. E imediatamente. “O setor está hiper pressionado por aumento de custos na luz, no aluguel, nos alimentos, no combustível, que afeta o delivery, por exemplo. Não suporta novo aumento sem repassar para o consumidor. É o que acreditamos que vai acontecer instantaneamente”, afirma Solmucci.

E, na avaliação do presidente da Abrasel, o reajuste no preço da cerveja não deverá parar na Ambev. Em sua visão, outras companhias do setor devem realizar o mesmo movimento, seguindo os passos da líder do mercado. “Há uma referência de preços no mercado ditada pela Ambev. Quando ela aumenta, as concorrentes acompanham a decisão”, acrescenta ele, apontando que o segmento está pressionado pelos efeitos econômicos da pandemia.

Mesmo que grande parte das restrições ao funcionamento de bares e restaurantes tenha sido revogada em diversos estados brasileiros com o avanço da vacinação contra o coronavírus, o cenário ainda é ruim para bares e restaurantes, como demonstra recente pesquisa da série Covid-19, realizada pela Associação Nacional de Restaurantes, em parceria com a consultoria Galunion e o Instituto Foodservice Brasil.

Segundo o levantamento, 62% das empresas entre restaurantes, bares, cafés e lanchonetes ainda não recuperaram as vendas em relação ao nível pré-pandemia, quando se compara julho de 2021 a julho de 2019. Além disso, 55% dos bares, restaurantes, cafés e lanchonetes se declaram endividados.

Margens pressionadas
Em julho, quando divulgou o seu balanço financeiro do segundo trimestre, a Ambev apresentou lucro líquido ajustado de R$ 2,963 bilhões, influenciado por um crédito tributário de R$ 1,6 bilhão. Ainda assim, alguns analistas encararam o resultado financeiro sem euforia, em função da pressão sobre os custos provocada pela alta de matérias-primas e do dólar – tanto que o custo do produto vendido por hectolitro aumentou 15,7%.

Além disso, a margem EBITDA de cerveja Brasil atingiu a marca de 22%, definida por analistas como a mais baixa de todos os tempos. Agora, então, a Ambev optou por realizar um reajuste no preço da cerveja entre 6% e 10%, segundo as estimativas da Abrasel.

Black Princess abre bar em São Paulo com suas cervejas e espaço para shows

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A gradual retomada das atividades culturais e de eventos, só possível a partir do avanço da vacinação, chega com uma novidade aos paulistanos. Com inauguração nesta quinta-feira, a Black Princess passa a contar com um bar em São Paulo. É a Black Princess House, que ficará no Largo da Batata, no bairro de Pinheiros.

O bar da Black Princess conta com decoração da marca, além de cores e elementos neon. Seu funcionamento será de quarta-feira até domingo, inicialmente até 28 de novembro. E o espaço terá como um dos pilares a apresentação de artistas musicais, tendo curadoria da Bananas Music.

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“A música sempre fez parte da nossa estratégia como marca, e queremos, com a Black Princess House, embarcar em um universo que proporcione experiências musicais únicas, diferentes e inovadoras”, destaca Eliana Cassandre, chefe de marketing do Grupo Petrópolis e da marca Black Princess.

Em seu bar, a Black Princess vai oferecer os rótulos fixos, além dos produtos sazonais da cerveja, em versões que variam entre chope, lata, long neck e garrafas de 600ml. Ainda estarão disponíveis acessórios, como ecobags, moleskines e itens de vestuário.

A long neck será vendida por R$ 12, a garrafa de 600 ml por R$ 22 e a lata por R$ 10 no estabelecimento da marca do Grupo Petrópolis. Não alcoólicos custarão R$ 5 (água e refrigerantes) ou R$ 10 (TNT Energy Drink). E os valores dos chopes variam entre R$ 14 e R$ 18.

Programação
Na semana de lançamento, o bar da Black Princess vai receber Uh!Manas TV, coletivo inteiramente composto por mulheres em busca de equidade, espaço e reconhecimento, com as DJs Ju Salty e Julia Weck. Na sexta, será a vez do Deekapz, duo de produtores de Campinas, com misturas de influências da música eletrônica global de club. Já no sábado, a banda Pluma vai dividir o palco com a Flerte Falingo e a DJ Jojo.

Nas próximas semanas, por sua vez, vão ser realizados shows de Marina Sena, Rubel, Tuyo, Terno Rei e Giovani Cideira. A agenda semanal também vai contar com estúdio de tatuagem, gravações de podcasts ao vivo e ensaios musicais.

Para a maioria dos artistas será o primeiro show depois de mais de 1 ano e meio sem pisar nos palcos. Muitos deles irão se apresentar ao vivo para o público pela primeira vez, com álbuns gravados e lançados durante a pandemia. A Black Princess House é uma casa inovadora, onde trabalharemos histórias modernas não contadas e gastronomia, em um ambiente instagramável e de experiências para o público

Eliana Cassandre, chefe de marketing do Grupo Petrópolis

Como a alta crescente da inflação vai impactar grandes cervejarias e artesanais

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Problema econômico recorrente no Brasil até meados dos anos 1990, a inflação voltou a preocupar e a afetar a rotina da população, atingindo o seu poder de compra no início de uma nova década. Se em 2020 o alerta havia surgido com a elevação dos preços dos alimentos, em 2021 a situação se tornou pior, com uma alta mais generalizada por atingir itens como a energia e os combustíveis, que provocam uma reação em cadeia. E, claro, a inflação passou a pressionar também as cervejarias.

De acordo com especialistas ouvidos pela reportagem do Guia, é impossível que a inflação de itens essenciais para a indústria e a cadeia produtiva – casos da energia e dos combustíveis – também não afetem a operação e os custos para as cervejarias. E isso se transforma em alta nos preços pagos pelo consumidor.

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O impacto se dá por alguns aspectos. A inflação desses produtos também atinge o valor dos insumos necessários para a fabricação de bebidas. E a alta dos combustíveis afeta a logística e o transporte das empresas, mesmo em estágios diferentes para as grandes indústrias e as microcervejarias.

O impacto no preço da bebida já começa, inclusive, a ser sentido. Com inflação de 0,29% em agosto, a cerveja no domicílio terminou o mês com uma alta acumulada de 3,49% em 2021. E sua inflação está em relevantes 7,62% no somatório dos últimos 12 meses.

Já o cenário da inflação oficial é ainda pior. O IPCA foi de 0,87% em agosto, o maior para o oitavo mês do ano desde 2000. A inflação também chegou a 5,67% em 2021 e passou a acumular alta de 9,68% nos últimos 12 meses, bem acima da meta de 3,75% definida pelo Banco Central para este ano. E isso tende a piorar.

Divulgado na última semana, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15, considerado a prévia da inflação oficial) foi a 1,14% em setembro, 0,25% acima da taxa de agosto (0,89%), sendo o maior para um mês desde fevereiro de 2016 e para setembro desde 1994. No ano, o índice acumula alta de 7,02% e, em 12 meses, de 10,05%.

O diretor da Escola Superior de Cerveja e Malte (ESCM), Carlo Enrico Bressiani, lembra que a alta dos preços de insumos já vinha afetando o setor desde o ano passado, em função da sua escassez, mas também pela desvalorização do real. Um cenário que agora será reforçado e voltará a atingir as cervejarias por causa da inflação generalizada.

“Vai ter impacto no insumo, com alguma inflação. É algo que já vinha acontecendo desde o ano passado, com a alta do dólar e a escassez de produtos, pela quebra da cadeia mundial dos suprimentos”, avalia Bressiani.

No IPCA-15 de setembro, a alta dos combustíveis foi de 3,00%. Assim, teve grande impacto sobre a inflação, além de ter ficado acima da registrada no mês anterior (2,02%). Especificamente, a gasolina subiu 2,85% e acumula 39,05% de inflação nos últimos 12 meses.

Nas estimativas da economista-chefe da Reag Investimentos, Simone Pasianotto, embora não represente o maior porcentual do preço de uma cerveja, os custos com transporte podem chegar a até 10% do valor. E isso sem levar em consideração a margem do distribuidor, que também sofre com a alta dos combustíveis. “Qualquer variação, então, tem um impacto significativo. E são 9 aumentos da gasolina em 2021, em um total de 30% no ano e 40% no acumulado de 12 meses.”

Efeitos e soluções
Na avaliação de Bressiani, as grandes cervejarias podem ter condições de lidar melhor com o impacto da alta dos combustíveis por questões organizacionais. “As grandes têm todos os processos mais otimizados, aproveitam ao máximo todos os processos. As compras são maiores, então conseguem diluir mais aspectos, como o frete. Na distribuição, têm rotas logísticas e softwares que reduzem o gasto litro/quilômetro.”

O diretor da ESCM alerta, porém, que os principais grupos cervejeiros não deixarão de sofrer com os efeitos dessa inflação, especialmente quando forem necessários grandes deslocamentos para entrega de cargas. Um cenário que ele enxerga como mais raro para as microcervejarias, que, em geral, possuem atuação mais regionalizada.

“A distribuição das grandes cervejarias é nacional, ainda que costumeiramente tenham uma fábrica por estado. Já as pequenas atuam mais regionalmente. E isso reduz o deslocamento. Nesse sentido, é algo positivo para elas”, pondera Bressiani.

A energia elétrica, por sua vez, também vem impactando diretamente a inflação. Em setembro, no IPCA-15, cresceu expressivos 3,61%, embora a variação tenha sido inferior à de agosto (5,00%). No mês passado, vigorou a bandeira vermelha patamar 2, com acréscimo de R$ 9,492 a cada 100 kWh consumidos. A partir de 1º de setembro, passou a valer a bandeira tarifária de escassez hídrica, que acrescenta R$ 14,20 para os mesmos 100 kWh.

E, para a economista-chefe da Reag Investimentos, a alta da tarifa energética pode até não ter efeito direto muito relevante sobre as cervejarias, mas envolve toda a cadeia. Assim, também provoca impacto nos preços dos produtos. “A energia não é tão intensiva na produção de cerveja, então acaba sendo um impacto mais marginal. Mas o distribuidor precisa de energia”, avalia Simone. “O impacto é menor, porque o custo é menor. O impacto maior é o do insumo.”

Bressiani, por sua vez, destaca que as cervejarias – especialmente as artesanais – precisarão, nesse contexto de inflação, mostrar que aprenderam uma das mais importantes lições da pandemia: a importância de otimizar as operações. Nesse momento de alta nos preços, o foco recairá sobre os aspectos logísticos.

“Na pandemia, várias etapas e processos que não eram vistos como tão importantes passaram a ser olhados com lupa. E agora será uma fase em que a logística será observada dessa forma”, conclui o diretor da ESCM, dando a dica sobre como as cervejarias podem reduzir o impacto da inflação que voltou a assombrar o consumidor.

Anheuser-Busch lançará Bud Light sem carboidratos no início de 2022 nos EUA

Uma cerveja sem carboidratos será uma das novidades do setor em 2022. A Anheuser-Busch anunciou que vai lançar no próximo ano a Bud Light Next nos Estados Unidos, apostando que o consumidor está cada vez mais preocupado com a saúde, mesmo quando decide beber uma cerveja.

A estratégia da Bud Light com essa novidade é atender a uma demanda da geração Z, que desejaria ter acesso ao sabor da cerveja, mas com uma composição nutricional semelhante ao da hard seltzer, bebida gaseificada que tem conquistado espaço no mercado.

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“Feita para o público de mais de 21 anos da Geração Z, a Bud Light Next é para a próxima era de bebedores de cerveja, fornecendo-lhes uma cerveja alternativa que tem as características de produtos que apreciam, como as seltzers, e dá sequência ao legado do nome Bud Light”, destaca a Anheuser-Busch, a unidade da AB InBev nos Estados Unidos.

Cortar carboidratos em dietas alimentares tem sido uma estratégia comum nos últimos anos, em uma mudança nos hábitos de consumo. E o setor cervejeiro vem acompanhando essa tendência ao oferecer rótulos com baixo teor de carboidratos. Agora, porém, a Anheuser-Busch parece dar um passo além com a Bud Light Next nos Estados Unidos ao não oferecer apenas mais uma low carb.

Vice-presidente de marketing da Bud Light, Andy Goeler afirmou, à CNN Business, que o desenvolvimento da versão de uma cerveja sem carboidratos da marca levou cerca de uma década, com 130 protótipos sendo testados até a definição do projeto final.

Uma lata de 350ml da Bud Light Next terá 4% de graduação alcoólica e 80 calorias, 30 a menos do que a Bud Light, que conta com 6,6 gramas de carboidratos e praticamente a mesma quantidade de álcool.

Poderá ser, assim, um novo pioneirismo da Anheuser-Busch nos Estados Unidos. Afinal, em 2002, a companhia lançou a Michelob Ultra, em uma primeira ação relevante no mercado ao criar uma cerveja para atrair bebedores preocupados com a saúde. Hoje, a cerveja é um sucesso de vendas, tendo chegado a outros mercados, incluindo o Brasil.

Já no ano passado, em meio ao aumento das vendas das hard seltzers, como uma busca por uma bebida mais saudável do que os refrigerantes, a companhia lançou a Bud Light Seltzer. Agora, então, apresentará a Bud Light Next no início de 2022. De acordo com a imprensa especializada norte-americana, isso deve acontecer em fevereiro, mês em que será realizada a próxima edição do Super Bowl.

Após anos de queda nas vendas, a compra de cervejas teve alta nos Estados Unidos em 2020, disparando 8,6% em 2020 e somando uma receita de US$ 40 bilhões. Já a ampliação do mercado das cervejas light foi de 5%, para US$ 10,6 bilhões. Agora, a Bud Light espera aproveitar essa expansão com uma cerveja sem carboidratos.

Cervejarias disputam público saudável com treinos e piquenique no Ibirapuera

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Marcas que buscam reforçar a associação com um estilo de vida saudável, Michelob Ultra e Stella Artois Sem Glúten agora “ocupam” e “disputam” espaço e público em um local considerado um dos ícones de São Paulo: o Parque do Ibirapuera. É por lá onde milhares de pessoas anualmente realizam atividades físicas, visitam instalações culturais ou mesmo relaxam em contato com a natureza em um dos maiores centros urbanos do mundo. Agora, então, o Ibirapuera também está associado a essas duas importantes marcas de cerveja.

Cerveja lançada no Brasil em abril, a Michelob Ultra agora passa a contar com um espaço no Parque do Ibirapuera, localizado na Praça da Paz. O local ficará aberto ao público até 19 de dezembro, às quintas, sábados, domingos e feriados, e vai oferecer aulas de treino funcional, yoga, HIIT, abdominal e luta. Serão três atividades por dia, com até 20 pessoas inscritas em cada uma.

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Os interessados em participar das atividades no Espaço Michelob Ultra podem se inscrever previamente ou na hora, mas desde que haja vagas. Atualmente, as aulas são em parceria com as academias Smart Fit, Bio Ritmo e Just Run.

A Michelob Ultra afirma ter 80% menos carboidratos do que as cervejas comuns e apenas 79 calorias. E aposta, com isso, em um bem-estar que não é atrapalhado pelo consumo da bebida por quem deseja ter um estilo de vida mais ativo e saudável.

“A Michelob Ultra é a escolha certa para quem aprecia uma rotina mais equilibrada, mas não quer abrir mão da curtição. Por isso, até o fim do ano, vamos promover esse ponto de encontro no Ibirapuera, um espaço dedicado ao bem-estar. Essa é a primeira de uma série de ações que pretendemos fazer em um dos principais pontos turísticos da cidade de São Paulo”, conta Bruna Alonso, gerente de marketing da marca da Ambev.

Piquenique com cerveja
A Stella Artois, por sua vez, lançou a sua versão sem glúten há mais tempo, em agosto de 2020, tendo ganhado recentemente distribuição nacional. E a cerveja vai promover, no próximo fim de semana, nos dias 2 e 3 de outubro, piqueniques no Parque do Ibirapuera, com o intuito de reunir entretenimento e gastronomia.

No evento, serão 20 “espaços” decorados com almofadas, cadeiras, toalhas e cesta de piquenique, preparados para receber grupos de quatro ou seis pessoas, com ingressos únicos nos valores de R$ 80 e R$ 120 e necessidade de comprovação de vacinação contra o coronavírus.

O piquenique da marca da Ambev vai ocupar uma área de mais de 900 m². Os participantes terão acesso a uma ampla toalha na qual poderão se acomodar para apreciar um menu especial preparado pelo restaurante Tea Connection com opções de brunch e sanduíches (adquiridos separadamente), além de aproveitar a tarde embalados pela cantora Mya Machado.

Cada voucher dá direito a uma permanência de três horas no local do Ibirapuera e a uma cerveja da marca. As sessões serão das 12h às 15h ou das 16h às 19h. Os grupos ainda poderão levar para casa a toalha, a cesta de piquenique e os cálices individuais de Stella Artois disponibilizados durante o evento, além de fotos tiradas com uma câmera instantânea que estará disponível para os participantes.

“A Stella é apaixonada por criar ocasiões especiais na vida do consumidor, seja em um bom almoço ou jantar com gente querida ou simplesmente propondo pausas gostosas no dia a dia, como um piquenique cheio de charme. A Stella Sem Glúten busca trazer ainda mais leveza para esses momentos”, destaca Renata Pimentel, gerente de marketing de experiência das marcas premium da Ambev.

Entrevista: “O setor cervejeiro precisa se preparar para as demandas dos Surdos”

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O mês de setembro é marcado no Brasil por datas que reforçam a importância do respeito e da inclusão das pessoas com deficiências. No período, além de ser celebrado o Dia Nacional da Luta das Pessoas com Deficiência (21), também são comemorados os dias nacionais do Cego (17) e do Surdo (26), além do Dia da Língua Brasileira de Sinais – Libras (10). Para os Surdos, aliás, o Setembro Azul não apenas reforça a necessidade de ações de inclusão, mas celebra as suas conquistas, como afirma Marcos Roberto de Oliveira, idealizador do canal Cerveja Artesanal em Libras, em entrevista ao Guia.

Marcos Roberto é também consultor, tradutor e intérprete de Libras na Universidade Federal de Uberlândia e professor na empresa Interlibras. E, para ele, apesar dos desafios que os Surdos enfrentam, os últimos anos também foram marcados por avanços para a comunidade no Brasil. Mas o especialista alerta que ainda há muitas demandas a serem atendidas.

Um dos líderes da luta por inclusão e comunicação de direito dos Surdos no setor de cervejas artesanais do Brasil, ele conta que o canal no YouTube Cerveja Artesanal em Libras foi criado, inicialmente, para registrar brassagens e falar sobre insumos e equipamentos, depois se tornando uma importante fonte de informação e conhecimento para a comunidade.

De sua iniciativa já foram originadas várias ações de inclusão dos Surdos no setor, com a realização de cursos, a campanha Movimento Cervejeiro em Libras, que reuniu empresas no apoio ao uso e difusão da Libras no universo da cerveja, e o projeto do primeiro rótulo da bebida no Brasil acessível em Libras, lançado no último domingo.

“Eu ficava pensando em como o universo cervejeiro é tão plural e, ao mesmo tempo, tão excludente em relação a esta comunidade. Foi então que surgiu a ideia de difundir, entre os consumidores ouvintes, um pouco desse mundo representado em um rótulo”, reflete Marcos Roberto.

Apesar das conquistas sociais e das ações de inclusão, as pessoas Surdas ainda encaram um ambiente desafiador na sociedade e, consequentemente, no setor da cerveja artesanal do Brasil, com umas das principais barreiras sendo a comunicação.

O mercado cervejeiro atual precisa estar preparado para estas novas demandas inclusivas. Por exemplo, o arcabouço científico cervejeiro está disponível apenas na língua majoritária do país e não é acessível em Libras. Ora, eu simplesmente não posso negar a matrícula ou a participação de um aluno Surdo em um determinado curso cervejeiro só porque a instituição de ensino não está preparada

Marcos Roberto de Oliveira, idealizador do canal Cerveja Artesanal em Libras

Logo, é perceptível também que o setor da cerveja artesanal no Brasil necessita considerar como prioridade a acessibilidade e respeito às diferenças, não apenas em relação aos Surdos, mas para as diversidades que compõem a sociedade e que também geram impactos diretos no mercado. “Eu acredito que o uso e difusão da língua brasileira de sinais é um direito linguístico inviolável e inegociável em qualquer contexto.”

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Confira, a seguir, a entrevista que Marcos Roberto de Oliveira concedeu ao Guia:

O Setembro Azul reforça a luta por inclusão e respeito às diferenças, mas também celebra as conquistas dos Surdos. No Brasil, podemos dizer que tivemos conquistas importantes nos últimos anos?
Os últimos anos, sem dúvida alguma, foram de muitas conquistas para a comunidade Surda brasileira. A mais emblemática e importante delas aconteceu no dia 24 de abril de 2002 com a promulgação da Lei 10.436, que reconheceu a Língua Brasileira de Sinais – Libras como meio legal de comunicação e expressão dessas comunidades no país. Desde então, inúmeros avanços foram conquistados, como, por exemplo, as universidades tendo de se adequarem para a oferta da Libras nos currículos das licenciaturas; os mestres e doutores Surdos se destacando no cenário acadêmico e conquistando os seus lugares de fala; a regulamentação da profissão de Tradutor e Intérprete de Libras/LP (TILSP), impulsionada pela ascensão da comunidade Surda; os espaços públicos e privados se adequando às especificidades comunicacionais dos Surdos; a conquista de uma educação bilíngue de Surdos como modalidade de ensino independente, apenas para citar algumas. O fato é que essa comunidade, que antes fora silenciada, passou a exigir da sociedade ações práticas no que diz respeito ao uso e difusão da sua língua independente do contexto. Atender a essas demandas comunicativas frente às várias instâncias sociais também afeta diretamente o mercado cervejeiro porque estamos falando não só de acessibilidade comunicacional, mas de respeito ao direito fundamental linguístico – e isso o mercado cervejeiro não pode ignorar.

Como você avalia a presença dos Surdos no setor cervejeiro do Brasil?
Muito promissora, mas também desafiadora. Por exemplo, ter um empreendimento cervejeiro não depende exclusivamente da língua que se fala. Logo, um Surdo pode perfeitamente ter sua própria cervejaria. Isso inclusive já é uma realidade, por exemplo, no mercado cervejeiro dos Estados Unidos. A Blonde 82 Brewing Co em Hyattsville foi a primeira cervejaria operada exclusivamente por cervejeiros Surdos. Outras cervejarias são a Lochiel Brewing, dirigida pelo mestre-cervejeiro Surdo Ian Cameron em Mesa, no Arizona, e a Yellowhammer Brewing em Huntsville, no Alabama, com o cervejeiro Surdo Jim Hammontree. O que parecia ser impossível já é uma realidade e é claro que os Surdos no Brasil se espelham nesses cervejeiros.

Destaque também para os inúmeros cervejeiros caseiros Surdos espalhados pelo Brasil que exigem do mercado um atendimento a contento. Ou seja, não dá para fugir da realidade, o mercado cervejeiro atual precisa estar preparado para estas novas demandas inclusivas. Por exemplo, o arcabouço científico cervejeiro está disponível apenas na língua majoritária do país e não é acessível em Libras. Ora, eu simplesmente não posso negar a matrícula ou a participação de um aluno Surdo em um determinado curso cervejeiro só porque a instituição de ensino não está preparada.

Hoje, o mercado homebrew não é acessível aos clientes Surdos. Caso esse cliente precise de uma informação específica de um insumo ou produto, a resposta será em língua portuguesa ou em Libras? Os pubs oferecem atendimento em Libras? As cervejarias possuem estratégias bem definidas para fidelizar esse público? É importante destacar que ações que promovam um ambiente acolhedor, acessível e que respeite às diferenças podem trazer uma série de vantagens, tanto do ponto de vista corporativo quanto com relação à imagem da cervejaria perante seu mercado e a sociedade. Eu acredito que o uso e difusão da língua brasileira de sinais é um direito linguístico inviolável e inegociável em qualquer contexto.

Existe preconceito com os Surdos no setor cervejeiro?
Eu não posso afirmar que há no setor um preconceito explícito ou velado com os consumidores Surdos. Nós sempre queremos acreditar que não há preconceito a um determinado grupo social. O que eu posso afirmar categoricamente é que há escassez de informações para o setor, apesar da crescente democratização do processo de inclusão. Quais informações? Por exemplo, quem é esse consumidor Surdo? O que é essa língua de sinais? Quais são as especificidades linguísticas e culturais desse consumidor? Como posso adequar o meu produto, o meu curso, a minha loja, o meu pub, o meu atendimento para esse público emergente? Essas são perguntas que exigem respostas por parte do setor. Eu, particularmente, quero fazer o dever de casa e acredito que todas as ações que venho divulgando sejam o pontapé inicial para que o setor entenda e desperte para esse público.

Como o setor poderia se tornar mais inclusivo?
Promovendo ações, mesmo que simples, mas que estejam alinhadas ao direito linguístico dos Surdos. Na Universidade Federal de Uberlândia (UFU), onde atuo como tradutor intérprete de Libras, há uma professora, a doutora Marisa Lima, que é Surda e que em uma das suas aulas na qual interpretei, disse uma frase que me marcou muito. Ela disse: “Nós, Surdos, não precisamos de acessibilidade. Precisamos apenas que o nosso direito linguístico seja respeitado.”

Qual é a importância da inclusão dos Surdos no setor de cervejas no Brasil? De que forma este público pode colaborar com o desenvolvimento do segmento no país?
Independentemente do setor, a inclusão é necessária. Para refletirmos um pouco, posso inverter a pergunta: por que os Surdos não estão inclusos no setor de cervejas no Brasil? Por falta de acessibilidade na informação e por ignorância da sociedade (falta de informações), que muitas vezes os enxergam como incapazes. Incluí-los é uma forma de desmistificar estereótipos e isso irá contribuir para que o setor seja cada vez mais plural. Lembro-me, com muita indignação, quando aqui no Brasil uma mulher negra levantou sua bandeira antirracista no meio cervejeiro e como isso evidenciou um mercado com um ambiente não tão inclusivo e democrático. Será que se um Surdo conquistar o seu espaço no meio cervejeiro brasileiro também sofrerá ataques simplesmente por ser Surdo? É preciso refletir. Para evitar episódios preconceituosos, com os futuros empreendedores Surdos, precisamos voltar ao cerne da questão: acessibilidade e inclusão dos Surdos se resumem ao uso e difusão da Libras, ou seja, o direito linguístico sendo respeitado. De modo geral, quanto à segunda pergunta, não se pode atrelar o poder de compra ou de empreendedorismo de um Surdo simplesmente pela sua condição. Ou seja, os Surdos colaboram com o desenvolvimento do setor assim como qualquer outro consumidor ou empreendedor.

Foi lançado, recentemente, o primeiro rótulo de cerveja acessível em Libras. Pode falar mais sobre essa cerveja?

O rótulo é uma IPA e totalmente acessível em Libras com o uso de um QR Code que o consumidor usará no seu celular para ver um vídeo que o conduzirá ao universo Surdo. O vídeo, totalmente em Libras e traduzido também para a língua portuguesa, explicará, por exemplo, as características da cerveja, como harmonizá-la, explicará o que é o Setembro Azul e o que é a Libras, ou seja, o direito linguístico simbolizado em uma cerveja para celebrar o respeito às minorias. Essa cerveja recebeu o nome de Setembro Azul, uma singela homenagem ao mês da conscientização e respeito à cultura Surda.

Como surgiu a ideia desse rótulo?
Eu ficava pensando em como o universo cervejeiro é tão plural e, ao mesmo tempo, tão excludente em relação a esta comunidade. Foi então que surgiu a ideia de difundir, entre os consumidores ouvintes, um pouco desse mundo representado em um rótulo. Queremos que o consumidor ouvinte que não tem contato direto com os Surdos, que não sabe o que é a língua de sinais e que não sabe da história dessa comunidade, possa ter, com este rótulo, o primeiro acesso e, quem sabe, estreitar as barreiras linguísticas que os separam. No vídeo, os ouvintes poderão, inclusive, aprender alguns sinais. Ao longo da história da humanidade, a cerveja sempre foi aglutinadora e ainda o é. Então, é muito legal sentar com os amigos e degustar uma cerveja de qualidade e ainda aprender um pouquinho sobre a comunidade Surda e sua língua. A produção da cerveja ficará a cargo da cervejaria Bezy, de Brasília, que acreditou na importância social do projeto e prontamente o abraçou. A Bezy está sempre antenada em questões sociais e de voluntariado, e isso casou bem com o objetivo maior do projeto, que é unir as comunidades de Surdos e ouvintes em um só idioma: a boa cerveja.

Você ministra cursos exclusivos para Surdos que atuam com a cerveja ou têm esse desejo. Como nasceu esse projeto? Como tem sido seu desenvolvimento?
O projeto nasceu quando um amigo Surdo entrou em contato e relatou sua angústia e frustração ao tentar empreender no setor cervejeiro. Empreender no Brasil já é uma grande aventura (com muita dor de cabeça), imagine para um Surdo. O primeiro grande problema que ele enfrentou foi o acesso às informações legais e, posteriormente, ao conteúdo científico cervejeiro. Assim, na tentativa de mudar essa realidade, criei um curso introdutório de produção. O curso foi desenhado pensando nas especificidades linguísticas do público e é exclusivo para Surdos. Mesmo eu sendo cervejeiro caseiro já por um bom tempo, eu precisava entregar um conteúdo robusto e de qualidade, mas que viesse com o respaldo de um cervejeiro profissional qualificado. Diante disso, fechei uma parceria com Patrick Simões, químico industrial de formação, doutor em Ciências pela USP e mestre cervejeiro de uma cervejaria local, e com a Ceva da Boa – Brewshop, loja de insumos local que conseguiu viabilizar a prática do curso.

Quais são seus maiores desafios com os cursos para os Surdos? E quais são suas expectativas?
A primeira turma foi um sucesso. Tivemos alunos de Minas Gerais, Goiás e Distrito Federal. Os alunos já estão colocando a mão na massa e aplicando os conteúdos em casa. É muito gratificante saber que posso contribuir para o crescimento profissional dos Surdos no setor cervejeiro. Infelizmente, o nosso maior desafio ainda é a ignorância da sociedade que, por sua vez, não acredita no potencial empreendedor do Surdo. Espero, sinceramente, que isso mude e que a barreira entre a sociedade e a comunidade Surda seja apenas comunicacional, porque isso é fácil de resolver.

Menu Degustação: Black Princess defumada, novo lote da Bourbon County…

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A semana teve novidades em lançamentos de rótulos e novas edições de cervejas consagradas e que podem ser aproveitadas pelo público. A Black Princess apresentou uma cerveja “defumada”, a Gimme Fire, uma Classic Rauchbier que amplia o portfólio da marca do Grupo Petrópolis.

E há outras opções para o cervejeiro. Para quem não conseguiu comprar a sua garrafa do primeiro lote da Bourbon County, a Goose Island disponibilizou a cerveja através do Empório da Cerveja e na sua brewhouse. Já a Cruls optou por reeditar Berliner Weisse Café – um rótulo que já lhe rendeu quatro medalhas – agora em lata.

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Confira essas e outras novidades do setor no Menu Degustação do Guia:

Rauchbier da Black Princess
A cerveja Black Princess lançou nesta semana a Black Princess Gimme Fire. Do estilo Classic Rauchbier, ela tem aroma de malte e fumaça, variando em proporção de intensidade e dando a impressão de defumado. Segundo o seu descritivo, a cerveja tem cor âmbar, colarinho cremoso e amargor equilibrado. Sendo originária de um estilo da escola alemã, tem no aroma e sabor a prevalência de notas maltadas e defumadas. No paladar, as notas defumadas sobressaem ao malte. A novidade, uma sazonal, pode ser encontrada no Bom de Beer, o e-commerce do Grupo Petrópolis, com o preço de R$ 11,90.

Novo lote da Bourbon County
Após a rápida venda do estoque inicial da Bourbon County, a Goose Island disponibilizou um novo lote da safra 2020, no Empório da Cerveja. Criada pelo filho do fundador da marca, Greg Hall, a Bourbon County é uma das mais cultuadas cervejas do mundo, sendo lançada uma vez a cada ano. É uma Imperial Stout maturada em barris de uísque Bourbon. A garrafa tem o preço de R$ 150, individualmente, ou de R$ 180, com uma taça exclusiva. A cerveja também pode ser apreciada na brewhouse da Goose, no bairro de Pinheiros, em São Paulo, com os preços de R$ 180 a garrafa e R$ 60 em chope.

Lata da Cruls
A cervejaria Cruls (DF) lançou o lote de 2021 da Berliner Weisse Café, rótulo mais premiado da marca, com quatro medalhas em competições nacionais e internacionais. Para esse relançamento, a cerveja ganhou rótulo novo e foi envasada pela primeira vez em lata, de 473 ml. Nessa nova edição, o café escolhido foi do Sítio Morada da Prata, variedade Arara. A cerveja tem 3,9% de graduação alcoólica e 8 IBUs. E está disponível na loja online da Cruls.

Experimento da Patagonia
A Cerveza Patagonia realizou um experimento social chamado Experimento da Montanha. Nele, entrevistou 20 pessoas com elevados níveis de estresse e ansiedade, selecionando três participantes para passarem uma semana hospedados em cabanas em Cambará do Sul, região montanhosa gaúcha. Todos foram acompanhados pela psicóloga e psicanalista Lia Luz antes, durante e depois do experimento, para mapear os pontos sensíveis e motivos de irritabilidade, a fim de verificar a melhora no bem-estar. A iniciativa teve um vídeo lançado na última quinta-feira, Dia Mundial de Combate ao Estresse, com narração da filósofa Viviane Mosé e uma provocação sobre como mudar de ares pode modificar a perspectiva sobre nosso próprio bem-estar.

Evento da Madalena
A Cervejaria Madalena será palco neste domingo de mais uma edição do Kustom Day. O evento de valorização da customização reunirá as tendências de carros hot rods, motos personalizadas, Flash Tattoo, grafite, acessórios, técnicas de pintura (Pinstripe), barbearia e muito mais. Também haverá apresentação das bandas Zona Western e Dan Rockers, que tocam do outlaw country ao psychobilly e rockabilly.

Drive Thru Solidário da Noi
O fim de semana na Noi é reservado para uma ação de solidariedade. Tendo começado no sábado, a iniciativa prossegue neste domingo. Quem doar 2 quilos de alimento não perecível vai ganhar 1 litro de chope Noi Bionda, uma Pilsen, sendo que cada pessoa pode fazer até 5 doações. A troca é feita na frente da fábrica da cervejaria, na Estrada Francisco da Cruz Nunes,1965, Niterói, entre 10h e 14h – ou enquanto durarem os estoques. O que for arrecadado será entregue para o projeto Locomotiva do Bem, do Rio Solidario. A expectativa da cervejaria de Niterói é de arrecadar entre 700 quilos e 1 tonelada de alimentos.

Mestre em Estilos da ESCM
A segunda edição da Semana de Estilos da Escola Superior de Cerveja e Malte vai ser realizada de segunda até quinta-feira (27 a 30), às 19h, com as inscrições sendo gratuitas. A programação promete aprofundar informações sobre American IPA, Doopelbock, Rauchbier e Barley Wine. A American IPA abre a semana com Alexandre Bleed, conhecido na internet como Dr. Breja. No segundo dia, Débora Canejo falará sobre a Doppelbock. Na quarta-feira, o assunto será Rauchbier, com Fernanda Menezes. E quem fecha a semana é André Tochetto, sobre a Barley Wine.

Cerveja com queijo no Clube do Malte
A harmonização entre queijos e cerveja é o foco do Clube do Malte neste mês. Em setembro, a plataforma de assinatura está entregando uma seleção especial para combinar cervejas e queijos. Além disso, o assinante tem acesso a um guia repleto de dicas e curiosidades sobre outras opções de harmonização. Os novos assinantes ainda ganham uma tábua de degustação junto com o primeiro pack.

Take and Go no interior paulista
A startup Take and Go ampliou a sua atuação e espera terminar o mês com a instalação de 73 vending coolers de cerveja no interior paulista, em cidades como Araraquara, Araras, Marília, Mococa, Mogi das Cruzes, São Caetano do Sul e São José dos Campos, além de São Paulo. O plano da empresa, que tem parceria com a Ambev, é chegar a três mil em todo o Brasil até o fim do ano.

BCB Shots
No mês em que se celebrou o Dia da Cachaça, no dia 13, o próximo episódio do BCB Shots vai debater a bebida. Será com o webinar “A nova geração da cachaça”, agendado para a próxima terça-feira (28), às 15 horas, na plataforma digital do BCB São Paulo, o BCB On-Air. Com moderação do co-criador da plataforma Mapa da Cachaça, Felipe Jannuzzi, o programa contará com a participação do designer e comunicador da cachaça Encantos da Marquesa, André Gonzalez; da diretora de marketing e Eventos da BR-ME, Isabela Pimentel; da especialista em destilados, Isadora Fornari; e do sócio-fundador da Destilaria Canera, Pedro Carvalho.

13 lançamentos realizados pelas cervejarias artesanais em setembro

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Em setembro, sobrou celebração entre as cervejarias artesanais, que utilizaram a criatividade para a apresentação de novidades ao público, muitas delas contendo frutas em suas receitas. Foi o caso da Bodebrown, que usou toques de manga e maracujá em sua criação, assim como a Cruls, que adicionou suco de limão cravo em seu rótulo recém-lançado.

O mês também ficou marcado por lembranças históricas. Coincidentemente, Dádiva e Hocus Pocus, duas das mais renomadas artesanais do Brasil, completaram 7 anos em setembro e brindaram seu público com novidades que foram além do universo cervejeiro. Já a Blumenau homenageou a primeira cervejaria da sua cidade ao realizar um lançamento. E a Caatinga Rocks brindou os 204 anos de Alagoas.

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Confira essas e outras novidades apresentadas pelas cervejarias artesanais em setembro, selecionadas pelo Guia:

Barco
Já mirando o verão e com o intuito de ampliar o seu portfólio, a marca catarinense lançou uma Lager, cerveja que tradicionalmente é suave, refrescante e fácil de beber. A novidade apresenta coloração âmbar claro, com leve turbidez, segundo a descrição divulgada. A Barco Lager ainda tem sutil amargor e presença dos lúpulos cítricos e florais do aroma. A cerveja foi lançada em garrafas de 600ml, mas em breve também estará disponível na versão long neck.

Blumenau
A Cerveja Blumenau aproveitou o mês de setembro para lançar uma cerveja de conotação histórica: a Bock Feldmann, que homenageia na identidade visual e no conceito a mais longeva fábrica da cidade catarinense. Os maltes utilizados são da Maltaria Blumenau e os lúpulos colhidos na região, da Lúpulos Vale Europeu. Avermelhada, a cerveja tem aroma com suaves notas de pão tostado, nozes e frutas secas, segundo o seu descritivo. O teor alcoólico é de 5,7% e o índice de amargor fica em 10 IBUs  O estilo não foi escolhido à toa. De acordo com os registros, a Feldmann lançou a primeira Bock produzida no Brasil, no início do século XX. A cervejaria funcionou por cerca de 60 anos: foi aberta em 1898 e a última produção aconteceu em 1954.

Bodebrown
A cervejaria de Curitiba criou a Lupulol Galaxy Maracujá & Manga IPL, que mistura uma base de India Pale Lager com toques tropicais de frutas como manga e maracujá, além de doses do lúpulo australiano Galaxy. Ela já está disponível no formato de lata de 473ml e possui 5,5% de graduação alcoólica. A novidade foi produzida com duas fermentações. Na primeira, foram adicionadas só as frutas com a levedura Kveik Voss, de origem norueguesa. Já no segundo processo, trabalhou-se a fermentação de cereais maltados com a base da cerveja India Pale Ale, mas usando a levedura germânica de uma Lager.

Caatinga Rocks
A Beeva Brazil e a Caatinga Rocks se uniram para celebrar o aniversário de 204 anos de Alagoas com uma cerveja colaborativa. Juntas, lançaram a Alagoas Sour Ale, com receita do mestre-cervejeiro Rafael Leal, da Caatinga Rocks, que revisita a Berliner Weiss. Um diferencial entre os rótulos de artesanais lançados em setembro é o uso do mel Caatinga Bamburral da Beeva Brazil.

Cruls
A cervejaria de Santa Maria, no Distrito Federal, lançou a CXP07, uma Saison com adição de suco de limão cravo. O rótulo é o sétimo da série experimental CXP e integra o projeto Brut do Cerrado, encabeçado pela cervejaria goiana Colombina. A premissa do projeto é a criação de cervejas refrescantes, de perfil seco e alta carbonatação, que utilizassem frutas de produtores locais, de modo a incentivar e fomentar a cena da própria região.

Dádiva
Para marcar o seu aniversário de sete anos, a Dádiva vai apresentar a Sept na próxima segunda-feira, mas em duas versões. Trata-se de uma Belgian Strong Golden Ale envelhecida em barrica de carvalho francês. Um dos lançamentos conta com 20% de seu volume em vinho Claret Cabernet Sauvignon, tendo 10,9% de teor alcoólico. Sua coloração é alaranjada. No aroma, destacam-se notas de frutas amarelas, como pêssego, com um toque sutil de frutas vermelhas no sabor.

A outra versão da Sept ganhou 40% do seu volume em vinho Claret Cabernet Sauvignon. É rosada e tem 11,2% de teor alcoólico. Devido ao volume maior de vinho, suas camadas de aromas e sabores trazem mais presentes as frutas vermelhas. As amarelas, como damasco, aparecem em menor proporção. Tem sutis toques de baunilha e flor de laranjeira. Ambas as versões da Sept estão envasadas em garrafas de 375ml.

Doutor Duranz
A microcervejaria de Petrópolis (RJ) produziu uma Dubbel com rapadura e passas. A cerveja apresentada em setembro por uma das marcas artesanais que compõe a Rota RJ tem 6,5% de álcool e 23 IBUs, com aroma e sabor que remetem a frutas secas. E, em sua composição, foram adicionadas rapadura e uva passas.

Hocus Pocus
Outra aniversariante do mês, a Hocus Pocus, que também completou 7 anos, ousou ao lançar um hidromel, o Origin Story. A marca do Rio de Janeiro combinou dois tipos de mel: o de flor de laranjeira e o de melato de bracatinga, que se juntaram com framboesas, amoras, morangos e mirtilos. Na fermentação, que durou aproximadamente um mês, o mel de flor de laranjeira e o mel de melato de bracatinga se juntaram para trazer aromas amadeirados, doces e com um leve toque de maracujá. A bebida tem 13% de graduação alcoólica com uma aparência vermelha acobreada brilhante que pode facilmente se passar por um vinho Pinot Noir quando servido em uma taça.

Nacional
Em mais um lançamento da série DNA Nacional, a marca paulistana apresentou em setembro a Cajuína Strong Golden Ale com Caju. A sazonal faz parte da coleção para valorizar a biodiversidade com ingredientes exclusivos de cada bioma brasileiro. Tem aroma de cajuína e, no sabor, a presença do caju é mesclada com a doçura dos maltes. A potência alcoólica (7,8%) e o amargor médio (25 IBUs) equilibram o dulçor, de acordo com o descritivo da Cervejaria Nacional.

Proa
A cervejaria baiana lançou em setembro uma American Amber Ale. Produzida em parceria com o cervejeiro Andris, ela foi batizada como Capitão e tem receita elaborada pela mestre-cervejeira Débora Lehnen. Com alta carga de malte, a bebida tem cor âmbar, aromas maltados que remetem ao caramelo, com os cítricos do lúpulo Centennial, amargor equilibrado e teor alcoólico moderado.

Saint Bier
A marca da Cervejaria Santa Catarina produziu um lote especial da Belgian Dubbel. Complexo, esse tipo de cerveja necessita de um processo lento e cuidadoso de produção. Assim, para a sua fabricação, a Dubbel Saint Bier precisou de 46 dias entre a fermentação e a maturação. Desse trabalho desenvolvido pela Saint Bier, resultou uma cerveja de coloração cobre profundo com sabores maltados, bem como ésteres de frutas escuras e toque amendoado. É encorpada e ainda possui 7% de graduação alcoólica.

Soma e ZEV
A chegada da primavera foi celebrada com o lançamento de uma Belgian Indian Pale Ale, a Elixir de Flora, um rótulo colaborativo feito entre a ZEV e a Soma. A cerveja tem 8,5% de graduação alcoólica. E, de acordo com o descritivo divulgado pelas marcas, a cerveja é de cor dourada, com espuma branca e cremosa. No aroma, possui notas herbais e florais que encontram composição com sabores de malte e leve condimentado fenólico, proveniente da levedura belga e da citricidade do lúpulo Amarillo.

Centenário Paulo Freire: A emancipação pela educação e a homenagem em cerveja

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Educar para que a pessoa se reconheça como sujeito atuante e participativo na sua história e na sociedade. É tendo como base a visão de que o processo de alfabetização vai muito além de se juntar sílabas para se formar palavras, passando, necessariamente, pelo aprendizado da leitura do seu mundo, que Paulo Freire se tornou um dos nomes mais importantes e influentes na pedagogia, seja no Brasil ou em outros países. Não à toa, tem recebido uma série de homenagens em 2021, ano em que é celebrado o centenário do nascimento daquele que ficou conhecido como Patrono da Educação Brasileira.

Como o pensamento de Paulo Freire e seu método extrapolaram o campo da pedagogia, naturalmente as homenagens vão muito além desses universos neste aniversário de 100 anos, que se completaram em 19 de setembro. E uma delas veio do setor cervejeiro. A Dutra Beer, com atuação importante no ABC paulista, o que inclui a oferta de cursos sobre artesanais para disseminação do conhecimento, decidiu estampar o educador em suas garrafas e latas.

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Em maio, a cervejaria lançou uma Honey Ale que leva o nome de Paulo Freire. Para André Dutra, fundador da Dutra Beer, trata-se de uma lembrança natural. Afinal, em consonância com o pensamento do agora centenário homenageado, a educação deve ser oportunidade para emancipação e troca de valores e saberes. Algo que, garante, combina com a sua ideia de usar a cerveja artesanal como divulgadora do saber.

“A nossa ideia é que a cerveja, através dos rótulos, seja também uma ferramenta condutora de conhecimento, emancipação e troca de saberes, assim como indicava Paulo Freire. Ter seu nome e seu trabalho semeado em toda essa diversidade cultural é nosso propósito”, destaca André.

A troca de conhecimento através da educação e o seu uso para a emancipação, citados pelo fundador da Dutra Beer, estão no cerne do pensamento de Paulo Freire. E fazem parte de uma proposta, ao mesmo tempo, humanista e humanizadora, dialogando com a igualdade, a justiça social e a liberdade.

É o que se vê no reconhecido método alfabetizador de Paulo Freire. O educador entendia que o processo deveria estar inserido na realidade de cada pessoa. Assim, partia do conhecimento prévio, com as palavras já conhecidas e utilizadas rotineiramente, para que as pessoas aprendessem a ler e a escrever.

Foi desse modo, por exemplo, em Angicos (RN), em 1963, que ele levou 45 dias para alfabetizar cerca de 300 adultos. A ideia deu tão certo, à época, que o então presidente João Goulart pretendia expandir a experiência através do Plano Nacional de Alfabetização, algo que foi freado pelo golpe militar de 1964.

“A metodologia de Paulo Freire consiste em uma maneira de educar conectada ao universo cotidiano dos estudantes. Por meio das narrativas e experiências de vida dos sujeitos componentes desse processo educacional, instaura-se um diálogo, entre professores e alunos, que conduz à autopercepção do papel de transformação social que devemos assumir como seres integrantes da vida em sociedade”, explica Adriana do Carmo Figueiredo, doutora em Estudos Linguísticos pelo PosLin/UFMG e docente de Direitos Humanos, Literatura e Linguagens.

Esse método de ensino, na visão de Adriana, enxergava na educação uma possibilidade de transformação social, levando o cidadão a reconhecer e a reivindicar os seus direitos, não ficando apenas passivo diante do conhecimento oferecido por um professor. Criava, assim, um diálogo a partir dele ao aprender a “ler” o mundo, em um pensamento e ação essencialmente políticos.      

“Essa perspectiva dialogada contribui também para o processo de autonomia do sujeito aprendiz, transformando-o em uma pessoa ativa e produtora do conhecimento. Por esse motivo, a participação política na vida social e a responsabilidade cidadã se tornam elementos essenciais nessa metodologia educacional. Essas abordagens do método desenvolvido por Paulo Freire contribuem também para as percepções das contradições existentes entre opressores e oprimidos”, acrescenta Adriana.

Professora de inglês, Alexandra Volker Figueiredo destaca um aspecto nem sempre notado na pedagogia de Paulo Freire: a do docente, que, além de compartilhar conhecimento, também tem a oportunidade de aprender no contato com os alunos através do diálogo, com uma horizontalidade que ainda nem sempre é comum nas escolas brasileiras para a construção do conhecimento.

“Na educação, Paulo nos dimensiona e orienta. Aprendemos a sair do tablado e trocar experiências com nossos alunos e fazer desse momento algo impaciente e transformador, libertador de verdade”, avalia a moradora do complexo da Penha, no subúrbio do Rio de Janeiro.

Assim, a importância da metodologia disseminada por Paulo Freire vai além da alfabetização ao permitir a autopercepção do aprendiz, que ganha a condição de refletir sobre o mundo social, suas palavras e enunciados, pois o seu aprendizado se dá a partir do diálogo com a realidade, relacionando método de ensino e conscientização. Ou seja, ela oferece condições ao aluno de se tornar autônomo.  

Isso acontece porque o método desenvolvido por Paulo Freire não se baseia em repetir palavras e não se restringe a desenvolver o pensamento em conformidade com as exigências lógicas do discurso abstrato. Trata-se de uma travessia permanente, em que as pessoas humanas buscam compreender a plenitude de sua existência, ressignificando os seus papéis sociais como agentes de transformação.

Adriana do Carmo Figueiredo, doutora em Estudos Linguísticos pela UFMG

A pedagogia de Paulo Freire é, assim, transformadora ao não seguir uma lógica dominadora, permitindo que o rumo do aprendizado seja dado pelo próprio aluno. “O seu pensamento se insere em uma pedagogia em que o esforço totalizador da ‘práxis’ humana busca alcançar uma ‘prática da liberdade’ no interior dos próprios processos de conhecimento e aprendizado. Pertencemos a uma sociedade cuja dinâmica estrutural ainda nos conduz à dominação de consciências. Em outras palavras, a pedagogia dominante ainda se mostra como a pedagogia das classes dominantes”, acrescenta a doutora em Estudos Linguísticos.

A aplicação do método de ensino de Paulo Freire é, também, uma prática que ajuda a “libertar” as pessoas ao permitir, ao mesmo tempo, a formação de uma consciência política. “Os pensamentos de Paulo Freire nos ajudam a compreender e a transcender o nosso próprio projeto enquanto sociedade, ainda marcada e governada pelos interesses de grupos, classes e nações dominantes. Sem dúvida, seus pensamentos contribuem para a construção de um projeto educacional como prática da liberdade, em que o sujeito aprendiz se autoconfigura como uma pessoa imbuída de reponsabilidade e autorreflexão”, conclui Adriana.

O reconhecimento
Nascido no Recife em 19 de setembro de 1921, Paulo Freire faleceu com 75 anos, em 1997. Ele se formou em Direito, mas não chegou a exercer a profissão, alterando o seu campo de atuação para a pedagogia e a filosofia.

Por seus trabalhos, recebeu de mais de 30 títulos de Doutor Honoris Causa de universidades estrangeiras. Um dos muitos sinais de uma trajetória interrompida no Brasil por um golpe militar que o forçou a se exilar do país até 1980.

Passou, então, por países sul-americanos, como Chile e Bolívia, além de universidades de prestígio, como Harvard e Cambridge. Foi nesse período, inclusive, em que escreveu a sua mais conhecida obra, A Pedagogia do Oprimido, sendo apontado como o terceiro livro mais citado em trabalhos sobre ciências sociais no mundo.

Em sua volta ao país, ainda foi secretário municipal de educação de 1989 a 1991, na gestão de Luiza Erundina à frente da Prefeitura de São Paulo.

A cerveja de Paulo Freire
Lançada em maio, a Paulo Freire é uma Honey Ale da Dutra Beer. A cerveja leva em sua composição o Mel Terra Livre, orgânico e agroecológico produzido pela Cooperativa dos Trabalhadores Assentados da região de Porto Alegre. O rótulo tem 5,5% de teor alcoólico e 15 IBUs, possuindo final seco e um agradável aroma de mel, de acordo com o descritivo divulgado pela marca.

Ao homenagear Paulo Freire, André Dutra destaca a busca por tornar o cidadão livre através da educação que permite a transformação do seu mundo como fonte inspiradora. “Suas concepções e seu pensamento crítico com relação à libertação e autonomia sempre nos motivam na busca por uma sociedade mais instruída e, consequentemente, livre”, comenta o fundador da cervejaria do ABC Paulista.


Em São Paulo, uma exposição no Itaú Cultural, a Ocupação Paulo Freire, aborda a sua trajetória. Também na capital paulista, ele é homenageado em um mural na lateral de um prédio na avenida Pacaembu, onde há uma imagem sua e uma frase: “Esperançar: Amar é um ato de coragem”.

Secretaria de MG diz que Heineken não teria “impacto ambiental significativo”

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Celebrada no fim de 2020 pelo governador Romeu Zema como uma importante conquista para Minas Gerais, a construção da primeira fábrica do Grupo Heineken no estado está envolta em controvérsia. Afinal, a sua obra foi embargada pelo Instituo Chico Mendes de Biodiversidade (ICMBio) por, entre outros fatores, colocar em risco um importante sítio arqueológico. Porém, para a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), responsável pela liberação inicial de instalação da empresa na localidade, a construção não teria “significativo impacto ambiental”.

É o que diz a Semad em trecho de nota oficial enviada à reportagem do Guia. “A Semad esclarece que, para fins de instrução do processo com os estudos PCA/RCA, foi considerado que a atividade se enquadra como grande porte, conforme capacidade instalada, mas o potencial poluidor geral da atividade é médio, não se configurando significativo impacto ambiental.”

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A Heineken havia iniciado recentemente a fase de terraplanagem da área onde seria construída a sua fábrica, em Pedro Leopoldo, nas proximidades de um importante sítio arqueológico. É na região da cidade, a cerca de 40 quilômetros de Belo Horizonte, onde está localizada a Lapa Vermelha, um importante complexo de cavernas e grutas, que estaria ameaçada pela instalação da fábrica da cervejaria.

Para entender o impasse, a reportagem do Guia procurou as partes relacionadas ao caso, que envolve, em seu cerne, o natural desejo expansionista de uma das maiores fabricantes de cerveja do mundo, a vontade de gestores públicos de atraírem investimento para Minas Gerais, mas também o importante e, às vezes, perigoso impacto que uma obra e uma operação de grande porte provocam na região onde são realizadas. Nesse caso, nos lençóis freáticos e em um sítio arqueológico fundamental para explicar a origem do homem nas Américas.

Nesta reportagem, o foco está na atuação da Semad, responsável pela liberação inicial para a instalação da fábrica da Heineken em Pedro Leopoldo. De acordo com a secretaria, além de não serem significativos, caso ocorressem impactos, eles não seriam irreversíveis. “Os estudos ambientais e o pedido de informações complementares solicitado pela Semad não indicaram a possibilidade de impactos negativos irreversíveis nas cavidades localizadas na região”, acrescenta a nota.

É uma visão bem diferente da apresentada pelo ICMBio. Para o instituto, há risco de soterramento do complexo de cavernas que compõem o sítio arqueológico em função da instalação da fábrica da Heineken. Em uma delas, a Lapa Vermelha IV, foi encontrado o crânio de Luzia, o fóssil humano mais antigo das Américas, com idade estimada de 13 mil anos.

A secretaria diz, porém, que tinha pedido ao Grupo Heineken estudos complementares de impacto nas cavernas e grutas do sítio arqueológico. “Já havia sido solicitada informação complementar, à empresa, sobre a análise de impactos ambientais às cavidades já mapeadas no entorno do empreendimento. Também foram solicitadas as medidas de mitigação para implantação. A questão da drenagem foi tratada em reunião específica.”

E garante que os trabalhos apontaram quais poderiam ser os impactos. “O estudo de análise de impactos às cavidades foi apresentado, assim como o Termo de Referência específico para implantação de empreendimentos em área de alto ou muito alto potencial espeleológico. Os estudos apresentados informam que não há impacto negativo irreversível nas cavidades mapeadas”, complementa a Semad.

Recursos hídricos
O uso da água do solo para a produção das cervejas na fábrica da Heineken também foi um dos fatores apresentados pelo ICMBio para embargar a obra.  O instituto via com preocupação o plano do Grupo Heineken de bombear 150 metros cúbicos de água por hora de dois poços na região, o que causaria impacto relevante nos lençóis freáticos e nas cavernas do Cipó, Fedo e Nei.

Na visão do ICMBio, o risco geológico impede o avanço da obra da fábrica da Heineken sem a realização de estudos mais aprofundados, incluindo os dos efeitos da sua atividade nos lençóis freáticos.

A Semad, porém, afirma que foi pedida a análise geral das águas – tanto superficiais, quanto subterrâneas da região – antes que a instalação da fábrica da Heineken fosse liberada. “Foi ainda condicionada à licença de instalação uma pesquisa hidrogeológica para análise da capacidade de captação solicitada pelo empreendedor, assim como os impactos no entorno”, comenta.

Para embargar a obra, o instituto federal também alegou preocupação com o uso de recursos hídricos pela fábrica da Heineken e o seu impacto. Nesse caso, há alguma consonância com a posição da secretaria, que assegura que se exigiu da companhia a busca por alternativas caso ocorra impacto provocado pela captação. “O estudo hidrogeológico foi condicionado e caso seja verificado algum tipo de interferência com outros fatores ambientais o empreendedor deverá apresentar alternativa para captação de água.”

A secretaria defende, então, que a legislação para a liberação da obra foi cumprida. Assim, restaria ao Grupo Heineken a adoção de medidas que evitem o impacto ambiental. “A equipe da Semad entende que os ritos e normativas foram seguidos e o empreendedor é responsável por implantar as medidas mitigadoras necessárias e propostas à proteção do meio ambiente”, destaca.

Ainda assim, a secretaria terá de convencer o ICMBio, que apontou falhas e falta de dados nos relatórios de impacto ambiental produzidos para liberar a obra. Para isso, a Semad promete apresentar, nas próximas etapas da regularização do empreendimento, os motivos que levaram a secretaria a liberar a construção do empreendimento em Pedro Leopoldo.

“A Secretaria fará manifestação técnica com a demonstração da correção solicitada pelo ICMBio, no processo de regularização do empreendimento, e enviará, em seguida, à administração do Instituto. Pretende-se, com isso, demonstrar ter havido razão técnica e jurídica que orientou a Semad no deferimento da licença ambiental”, completa a Semad.

A cronologia
A secretaria explica que o pedido de licenciamento do empreendimento foi formalizado pela Heineken em 28 de junho, com a liberação sendo concedida em 24 de agosto “após deliberação da Câmara de Atividades Industriais (CMI) do Conselho Estadual de Política Ambiental”.

Entre o pedido da Heineken e a liberação para a instalação do empreendimento, a Semad enviou, em 9 de julho, ofício à Unidade de Conservação APA Carste de Lagoa Santa, do ICMBio, dando ciência do processo. De acordo com a secretaria, então, há quase uma semana, o instituto apontou o potencial de impacto da instalação da fábrica da Heineken em Pedro Leopoldo. Por isso, solicitou a produção de relatórios e estudos de impacto ambiental.

“Em 14 de setembro, a equipe técnica da Superintendência de Projetos Prioritários (Suppri) da Semad teve acesso à Nota Técnica da APA Carste da Lagoa Santa/ICMBio. Segundo a avaliação do ICMBio, o empreendimento tem potencial de impactos nas cavidades da Lapa Vermelha e não poderia ter sido instruído por PCA/RCA, sendo necessária a apresentação de Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto Ambiental (EIA/RIMA), além da anuência da Unidade de Conservação”, afirma, em nota oficial.

Dias antes, contudo, a obra já havia sido paralisada. De acordo com a Heineken, a companhia recebeu, no local onde seria instalada a sua fábrica, a visita do ICMBio em 10 de setembro. A partir desse encontro, o grupo paralisou as obras no local, que estavam em fase de terraplanagem.

O ICMBio relata, ainda, que uma audiência sobre o caso foi marcada para 9 de outubro. Na sala de conciliação, então, caso haja a apresentação de estudos e documentos necessários que assegurem a proteção do sítio arqueológico e o atendimento de outras demandas, a obra de construção da fábrica da Heineken em Pedro Leopoldo poderá ser retomada, como explica o instituto.

A fábrica
No anúncio da chegada de uma fábrica do Grupo Heineken a Minas Gerais, o governo estadual declarou que o empreendimento teria custo de R$ 1,8 bilhão para a sua construção. E apontou que mais de 300 empregos diretos seriam criados.

A fábrica em Pedro Leopoldo será a primeira da cervejaria em Minas Gerais, onde a companhia já possuía centros de distribuição e logística em Contagem e em Poços de Caldas, no qual o nível de estocagem foi triplicado recentemente. A planta industrial teria capacidade para produzir 760 milhões de litros por ano.

Caso a obra tenha sequência, a fábrica de Minas Gerais será a 16ª da companhia no país e pode ser considerada, de fato, a primeira do Grupo Heineken a ser construída pela própria empresa, pois as demais foram incorporadas com a aquisição da Brasil Kirin em 2017.

Lapa Vermelha
Nas proximidades da área onde a Heineken pretende construir a sua fábrica, a Lapa Vermelha é um sítio arqueológico em Minas Gerais, na região das cidades de Pedro Leopoldo e Lagoa Santa. Trata-se de um maciço calcário às margens de uma lagoa, com quatro grutas em seu penhasco, uma delas, a Lapa IV. E é considerado um sítio arqueológico de extrema fragilidade.

Nela, em 1970, uma missão arqueológica franco-brasileira, coordenada por Annette Laming-Emperaire, encontrou Luzia. A missão tinha a tarefa de retomar e aprofundar as pesquisas feitas por Peter Lund no século XIX.

Foi ele, considerado o pai da paleontologia brasileira, quem encontrou na Lapa Vermelha e na Gruta do Sumidouro, entre 1835 e 1845, milhares de fósseis de animais extintos da época Pleistoceno, além de 31 crânios humanos em estado fóssil no que passou a ser conhecido como o Homem de Lagoa Santa.

A Lapa Vermelha demanda cuidados que implicam na permissão de visitação apenas para pesquisadores autorizados. A Unidade de Conservação, criada em 2010, ajuda a preservar tanto o patrimônio natural quanto cultural da área.