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Confira lançamentos de cervejas artesanais realizados em abril

Cervejas frutadas, Russian Imperial Stouts ou concebidas para serem consumidas em dias mais frios. Essas foram algumas das tendências entre os rótulos lançados por marcas artesanais em abril, quando as cervejarias capricharam para oferecer novidades ao consumidor. A Berggren, por exemplo, lançou a Sour Amora, uma Catharina Sour que leva em sua receita a polpa natural da fruta.

Já a Coffmaru, da cervejaria UX Brew, traz café, cumaru e cupuaçu em sua receita. Enquanto isso, a Oca lança a segunda cerveja da série Fruto, agora com maracujá, cumaru, baunilha do cerrado e lactose na concepção do rótulo. A MinduBier, contando com a colaboração da  Hop Mundi, apresentou a Straight RIS, com adição dos terpenos 24K e Berry Gelato. E a Landel aproveitou o mês de abril para apresentar ao público cervejeiro três novos rótulos, feitos para os dias mais frios, que começam a aumentar nesse período de outono no Brasil.

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Confira abaixo alguns dos principais lançamentos de cervejas artesanais realizados em abril:

Berggren
A Berggren lançou a Catharina Sour Amora. Como destaca a marca, a fruta usada na receita é rica nas vitaminas C e A, tendo propriedades antioxidantes, anti-inflamatórias e cicatrizantes, além de minerais e ferro. A bebida possui uma cor roxa intensa e é levemente turva, uma característica do estilo, além de apresentar corpo leve, acidez lática presente e espuma branca. É leve, aromática e ideal para os dias quentes, tendo sido apresentada em garrafas de 355ml. De acordo com a Berggren, o copo mais indicado para apreciar essa Catharina Sour é o flute, que também é utilizado para espumantes. A acidez presente nas cervejas Sour é capaz de limpar o paladar, então elas harmonizam com peixes, comidas mais gordurosas e frutos do mar.

Landel
A Landel apresenta ao mercado seus três novos rótulos, feitos para os dias mais frios, sendo um da linha LAB e dois da Psiquê. Mais alcoólicas, as três cervejas foram feitas em quantidade limitada. A Enigma, da linha LAB, tem 8% de graduação alcoólica e 33 IBUs. Trata-se de uma Dubbel, originalmente fiel ao estilo, com características maltadas de toffee e caramelo. Outra novidade é a Betta, uma Brett IPA com 6,7% de teor alcoólico e 60 IBUs. E, para fechar o trio de novos rótulos, tem a Dalai, uma Hazy IPA  com triplo dry hopping, além de 7,5 % de teor alcóolico e 20 IBUs.

MinduBier
A Magic Cake é uma Straight RIS com adição dos terpenos 24K e Berry Gelato, trazendo um toque cítrico, floral e condimentado. O rótulo foi produzido de modo colaborativo, em parceria da MinduBier com a Hop Mundi. Essa Russian Imperial Stout possui 11,5% de graduação alcoólica e 70 IBUs, sendo não pasteurizada.

Oca Cervejaria
A Fruto Maracujá, Cumaru, Baunilha do Cerrado e Lactose leva em seu nome os ingredientes principais da segunda cerveja da recém-lançada série Fruto, da Oca, que traz receitas de Smoothie Sour Ale, ou seja, cervejas ácidas, refrescantes, com frutas, ingredientes brasileiros e sempre com lactose, proporcionando equilíbrio e maciez no paladar. Além disso, visa reforçar a principal bandeira da Oca: expressar a brasilidade. A ideia é lançar mensalmente uma cerveja desta série, totalizando cerca de 10 diferentes no ano, sempre em quantidade limitada. A novidade de abril tem 6,5% de graduação alcoólica e está disponível em lata de 473ml.

UX Brew
A Ux Brew criou a Coffmaru principalmente para atender a demanda por produtos mais complexos e intensos. Esta Russian Imperial Stout é a sétima do estilo na lista da cervejaria. Com 12% de graduação alcoólica, o rótulo tem café, cumaru e cupuaçu entre os seus ingredientes, com notas aromáticas bem presentes do café. O cumaru dá um sabor inusitado, quase uma baunilha, um pouco amadeirado, com pitadas de especiarias. 

Stella Artois retoma iniciativa de apoio a restaurantes e prevê repasse de R$ 3,2 mi

O recrudescimento da pandemia do coronavírus em 2021 motivou a Stella Artois a retomar o movimento Apoie um Restaurante. A iniciativa foi realizada pela primeira vez em março de 2020, logo no início da crise sanitária, e agora volta a acontecer para contribuir com a sobrevivência dos estabelecimentos, sob a expectativa de repasse de até R$ 3,2 milhões.

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O Apoie um Restaurante funciona a partir da venda de vouchers com descontos para consumidores, que poderão utilizá-los posteriormente, quando os estabelecimentos puderem funcionar com atendimento presencial. E, assim como em 2020, a Stella Artois realiza a iniciativa em parceria com a Nespresso.

Juntas, as marcas vão fazer um investimento inicial de R$ 1,6 milhão. E esperam a adesão do consumidor para que o aporte chegue a R$ 3,2 milhões. Para isso, estão sendo disponibilizados 32 mil vouchers, com validade até 31 de dezembro de 2021 e possibilidade de postergação do prazo de uso, de acordo com as políticas de circulação de cada região.

Na retomada do projeto, até 3,2 mil restaurantes podem aderir gratuitamente se cadastrando pelo site da ação – o público pode adquirir até 3 vouchers por CPF. E cada estabelecimento pode vender até 100 cupons, gerando uma receita de R$ 10 mil. Além disso, o aplicativo da ação oferece a possibilidade de reserva do restaurante no melhor dia e horário disponível para utilização do voucher.

Neste ano, se repete a dinâmica de 2020 no Apoie um Restaurante: o consumidor acessa o site da iniciativa e adquire um cupom de R$ 100, pagando apenas R$ 50, com o desconto sendo custeado por Stella e Nespresso. O estabelecimento, por sua vez, recebe o valor total. E as operações de compra e venda dos vouchers serão isentas de taxas, direcionando o valor integral das arrecadações para os estabelecimentos participantes.

“O movimento alcançou mais de 4 mil restaurantes em pelo menos 300 cidades do Brasil e, neste novo momento em que a pandemia nos apresenta um cenário ainda mais delicado, entendemos que a iniciativa precisava voltar para tentar ajudá-los a passar por mais esse desafio”, afirma Mariana Porto, chefe de marketing de Stella Artois.

Menu Degustação: Aula da Abracerva, aplicativo da Madalena, concurso europeu

Desde os primeiros meses de 2020, a pandemia da Covid-19 impactou significativamente o cotidiano da sociedade e levou os diferentes personagens do setor de artesanais a realizarem adequações com frequência para seguirem em atividade. E não é diferente fora do Brasil, onde os organizadores abriram as inscrições para a edição 2021 do concurso European Beer Star, considerado um dos mais importantes e prestigiados do mundo.

Por aqui, a Cerveja Madalena, por exemplo, decidiu apostar em um novo aplicativo com informações sobre o seu serviço de drive-thru,  reinventando seus padrões de atendimento. É uma aposta para aumentar as vendas, assim como o feito pelo e-commerce Bebida a Porta, que com um novo aporte pretende triplicar o faturamento neste ano. Já a Abracerva confia no conhecimento para reerguer o setor e vai realizar mais um curso online, agora com a temática Desenvolvimento Comercial Cervejeiro.

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Confira abaixo essas e outras novidades da semana no Menu Degustação do Guia:

Novo aplicativo da Madalena 
A Cervejaria Madalena anunciou o lançamento de um aplicativo exclusivo como forma de melhorar a experiência dos seus consumidores. Com pontos de drive-thru espalhados pelo Grande ABC e na capital paulista, o aplicativo traz a comodidade de mapear os pontos que estão ativos e seus horários de funcionamento. A ferramenta ainda fornece o cardápio de cada endereço, com a diversidade de rótulos da marca. “Além de facilitar a compra de nossos produtos, geramos também um diferencial para a marca quando falamos de customer experience”, afirma Renan Leonessa, gerente de marketing da Madalena.

Brahma e Jorge & Mateus
A parceria entre a Brahma e Jorge & Mateus voltou a aproximar os fãs e os músicos ao apresentar em primeira mão o novo álbum da dupla, Tudo em Paz. A exibição aconteceu nesta quinta-feira, no canal de YouTube da dupla, ao mesmo tempo em que o álbum chegava às plataformas de música. Parceira de longa data do sertanejo, a Brahma tem tornado a relação com esse gênero musical ainda mais forte nos últimos anos, com uma série de iniciativas que contribuíram para o crescimento do ritmo no país, que vão desde o Circuito Brahma Lives até o Arena Brahma.

Curso da Abracerva
A Abracerva marcou para este sábado, das 9h às 12h e das 14h às 17h, o curso online Desenvolvimento Comercial Cervejeiro, que será realizado por Francisco Bellone. Ele é consultor de negócios especializado em finanças e desenvolvimento organizacional, com experiência em empresas de diferentes tamanhos e nacionalidades. Ao fim do curso, espera-se que o participante seja capaz de compreender a utilização de ferramentas para desenvolver comercialmente as cervejarias. Não será fornecido material escrito, sendo uma jornada para conversas sobre uma série de temas para otimizar as vendas.

Krug em long neck
A Krug German Pils agora está disponível no mercado em long neck. Com uma receita austríaca exclusiva de família, a cerveja é uma puro malte dourada, clara e de corpo leve, mas tem, ao mesmo tempo, um amargor moderado e um toque seco no final. A receita foi criada pelo pai do fundador da Krug, Herwig Gangl, em 1958, e até hoje é produzida na Áustria pela sua família na cervejaria Grieskirchner Brauerei. Fabricada com baixa fermentação e com um refinado processo de maturação, essa cerveja tem 5,2% de teor alcoólico, IBU mediano e acentuado aroma de lúpulo com perfil floral. Segundo a cervejaria, a German Pils está em segundo lugar entre as cervejas mais vendidas pela fabricante mineira. Desde novembro do ano passado, o rótulo é comercializado em garrafas de 600ml e, agora, ganhou engarrafamento no formato long neck.

Investimento do Bebida na Porta
O Bebida na Porta é um e-commerce que entrega todos os tipos de bebidas alcoólicas e não alcoólicas, além de complementos como snacks, gelo, carvão e cigarro. Neste ano, a empresa pretende faturar R$ 15 milhões, 3 vezes mais do que em 2020. O salto nas expectativas é graças ao aporte recebido de R$ 850 mil. Com mais de 100 mil pedidos entregues, a empresa possui parceria com o iFood, além de um aplicativo próprio e quatro lojas para atendimento nas regiões dos bairros Pinheiros, Mooca, na zona sul de São Paulo e no ABC paulista. De acordo com a empresa, 71% de suas vendas são de bebidas alcoólicas, sendo cerveja e vinho os grandes destaques.

Inscrições no European Beer
Os organizadores do European Beer Star anunciaram que as inscrições para a edição 2021 do concurso estão abertas. Para os participantes internacionais da competição em Munique, os organizadores anunciaram  parceria com o serviço de logística Quehenberger Logistics. Outra novidade é a inclusão de uma categoria de cervejas não alcoólicas, acompanhando o aumento da produção dessas bebidas pelo setor. Para quem está interessado em participar da competição, os descontos para as inscrições antecipadas vão até 25 de junho, sendo que elas podem ser feitas até 17 de setembro. A degustação está marcada para os dias 4 e 5 de novembro e a cerimônia de premiação acontecerá em 9 de novembro.

Balcão do Profano Graal: A lei alemã da pureza da cerveja – uma história mal compreendida

Balcão do Profano Graal: A lei alemã da pureza da cerveja – uma história mal compreendida


Hoje se comemora o Dia da Cerveja Alemã. Celebração que remete à promulgação da Lei de Pureza da Cerveja pelo Duque da Baviera Guilherme IV (1508-1550), em 23 de abril de 1516. Todo cervejeiro já ouviu falar da famosa Reinheitsgebot, que determinava que os únicos ingredientes que deveriam ser utilizados para a fabricação da cerveja deveriam ser lúpulo, cevada e água (a ação da levedura na fermentação alcoólica só vai ser descoberta pela ciência em 1835). Mas essa lei é com muita frequência mal interpretada e mal compreendida. Então, vamos tentar entender um pouco melhor seu contexto, motivações e efeitos.

Para começar, a lei de 1516 não foi a primeira a determinar os ingredientes obrigatórios da cerveja. Já em 1447 o Conselho Municipal de Munique recomendou às cervejarias da cidade a usar nas suas receitas apenas água, cevada e lúpulo, como forma de se livrar dos impostos cobrados pelos monastérios sobre o monopólio do gruit (os gruitrecht, existentes desde o século IX). Já me referi a esse fato no texto sobre a história do lúpulo publicado aqui, no Guia, alguns meses atrás. Quarenta anos depois (em 30 de novembro de 1487) o duque Albrecht IV (1463-1508) transforma a recomendação do conselho municipal em obrigação, dando origem ao primeiro edito de pureza da cerveja. Essa determinação parece ter servido de incentivo à disseminação do uso do lúpulo em substituição ao gruit no Sacro Império Romano-Germânico (962-1806).

A famosa lei de 1516, promulgada por Guilherme IV, seu filho e sucessor no ducado, nada mais fez do que estender essa obrigatoriedade a todo o Ducado da Baviera. Lembrem-se de que a Alemanha não existia como estado unificado até 1871. Dessa forma, apesar de ser conhecida hoje como Lei de Pureza da Cerveja Alemã ou Lei Alemã de Pureza da Cerveja, ela se estendeu a toda a Alemanha apenas em 1906. Nessa ocasião também, o termo “cevada” foi substituído por “malte” e foi incluído o quarto ingrediente obrigatório da cerveja: o fermento. Assim, a determinação dos ingredientes que deveriam ser utilizados para fabricação da cerveja não era sequer o ponto principal da lei de 1516, porque só repetia o que já havia sido determinado desde o século anterior, mas sim a fixação de preços e multas para a sua comercialização:

Do Dia de São Miguel (29 de setembro) ao dia de São Jorge (23 de abril), o preço para um mass [antiga unidade de medida austro-bávara que equivale a 1,069l] ou um kopf [recipiente em forma de tigela, utilizado para líquidos], não pode exceder o valor do pfennig de Munique.

Do Dia de São Jorge (23 de abril) ao dia de São Miguel (29 de setembro), o mass não será vendido por mais de dois pfennig do mesmo valor, e o kopf por não mais de três Heller (Heller geralmente é meio pfennig). Se isto não for cumprido, a punição indicada abaixo será administrada.

Se qualquer cervejeiro fermentar ou tiver outra cerveja, que não a cerveja do verão, não deve vendê-la por mais de um pfennig por mass. Além disso, nós desejamos enfatizar que no futuro em todas as cidades, nos mercados e no país, os únicos ingredientes usados para fabricação da cerveja devem ser cevada, lúpulo e água. Qualquer um que negligenciar, desrespeitar ou transgredir estas determinações, será punido pelas autoridades da corte que confiscarão tais barris de cerveja, sem falta.

Se, entretanto, um comerciante no campo, na cidade ou nos mercados comprar dois ou três barris da cerveja (que contém 60 mass) para revendê-los ao camponês comum, apenas para este será permitido acrescentar mais um Heller por kopf, do que o mencionado acima. Além disso, caso aconteça escassez e subsequente aumento do preço da cevada (considerando também que os tempos da colheita diferem, devido à localização das plantações), nós, o Ducado da Baviera, teremos o direito de fazer apreensões para o bem de todos os interessados.

A interpretação mais difundida para as motivações dessa lei se refere a uma certa escassez da produção de trigo na região à época. Que, a partir de então, ficaria reservada para a produção de pão. Porém, as cervejas de trigo (tradicionais na região) nunca deixaram de ser produzidas e nem consumidas. Mas a sua produção era um direito exclusivo da casa reinante de Wittelsbach. Outros nobres e monastérios só poderiam produzi-las com licença concedida pelos duques. O primeiro a receber essa concessão foi o Barão Hans IV von Degenberg, em 1548. Em 1602, quando o último herdeiro da Casa von Degenberg, Sigismund, morreu sem deixar herdeiros, o privilégio voltou para as mãos do Duque Maximilian I de Wittelsbach (1597-1623), bisneto de Guilherme IV. Em 1872, o Duque Ludwig II (1864-1886) concedeu a um cervejeiro chamado Georg Schneider não apenas a permissão para produção, mas também o aluguel do estabelecimento estatal dedicado à fabricação desse tipo de cervejas em Munique (a Weisses Brauhaus). Mas esse já é um assunto para outro momento.

Dessa forma, ao lado das motivações relacionadas a questões de saúde pública, garantindo a qualidade da cerveja produzida, as leis de pureza tinham também motivações econômicas, na regulamentação de preços e multas para a sua produção e comercialização; e motivações políticas, combatendo o monopólio do uso do gruit pela Igreja Católica e reduzindo o seu poder na Baviera, já então sob a influência da Reforma Protestante (iniciada por Martinho Lutero naquele mesmo ano de 1516).

Por fim, os cervejeiros atuais se perguntam se essa limitação a três ingredientes básicos teria sido benéfica ou maléfica para a formação da Escola Cervejeira Alemã. Se perguntam se essa limitação teria engessado ou estimulado a criatividade dos cervejeiros alemães. As duas interpretações têm seus defensores e seus argumentos. E é uma discussão que está longe de acabar. Na década de 1980, por pressão da União Europeia, a lei de pureza deixou de ser aplicada sobre cervejas voltadas para a exportação. Mas o respeito pelas determinações da Reinheitsgebot é ainda hoje utilizado como marketing e sinônimo de qualidade por cervejarias dentro e fora da Alemanha.


Sérgio Barra é carioca, historiador, sommelier e administra o perfil Profano Graal no Instagram e no Facebook, onde debate a cerveja e a História

Masterpiece ganha certificado de Empresa B e se une a marcas como BrewDog

O investimento em soluções sustentáveis segue pautando excelentes iniciativas entre as cervejarias brasileiras. E, também, vem trazendo resultados concretos. Sediada em Niterói (RJ), a Cervejaria Masterpiece recebeu a certificação de Empresa B (B Corporation), um dos reconhecimentos mundiais mais importantes para empresas que trabalham para resolver problemas sociais e ambientais.

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O certificado torna a Masterpiece a única fábrica de cerveja do Brasil a ser uma Empresa B. E a coloca ao lado de marcas icônicas no mundo, como a escocesa BrewDog e a norte-americana New Belgium.

“As Empresas B medem os impactos que suas ações geram em seus grupos e áreas de interesse: Trabalhadores, Comunidade (fornecedores-distribuidores), Meio ambiente, Governança e Clientes e estão comprometidas a melhorar continuamente e operar com altos padrões de desempenho e transparência”, descreve a Masterpiece.

“Esse novo tipo de empresa também vai além do dever fiduciário de seus acionistas e administradores e incorpora em seu estatuto social interesses não financeiros de longo prazo”, acrescenta a marca de Niterói.

Para obter a certificação de Empresa B, deve-se preencher a Avaliação de Impacto B e obter pelo menos 80 pontos em mais de 200 possíveis, feito alcançado pela Masterpiece ao adotar as seguintes práticas em seu processo fabril, entre outras iniciativas: utilização de energia fotovoltaica através de 84 painéis localizados no teto da fábrica; reuso da água da chuva para limpeza e descarga dos banheiros; aproveitamento do bagaço do malte para a produção de brownies e palitos de malte; utilização exclusiva de envase em latas de alumínio.

Outros feitos
Além da certificação de Empresa B, a Masterpiece possui o Selo Solar, o Selo Niterói Cervejeiro e a Certificação Kosher de segurança alimentar. Ganhou, ainda, quatro medalhas no Concurso Brasileiro de Cervejas de 2021.

E, para este ano, mesmo em meio à crise, a cervejaria planeja investir no aumento da capacidade de produção – atualmente em 60 mil litros/mês – e lançar seis novos rótulos da linha Premium.

A Masterpiece é dirigida pelo engenheiro André Valle, mestre e doutor em Engenharia, com formação em Harvard, MIT e Stanford, além de professor e coordenador acadêmico do MBA em Gerenciamento de Projetos da FGV.

Entrevista: “O paladar está menos infantilizado para bebidas fermentadas”

O potencial do mercado brasileiro de bebidas fermentadas pode ser percebido pela presença de grandes cervejarias no setor ou mesmo pelo crescimento do consumo de vinhos. Mas há, ainda, outras oportunidades para esse tipo de produto, como demonstra o espaço já conquistado recentemente pela kombucha. Com isso, as indústrias de bebidas podem apostar em mais diversidade e novidades, como analisa Fernando Goldenstein Carvalhaes, sócio-diretor da Companhia dos Fermentados, em entrevista ao Guia.

Ele argumenta, afinal, que o Brasil é o segundo mercado que mais consome kombucha no mundo, mesmo que esta seja uma opção pouco conhecida pela população. Além disso, aposta que um público maior pode ser alcançado, a partir da prática de preços mais acessíveis, quando a produção dessa bebida fermentada for ampliada.

O sócio-diretor da Companhia dos Fermentados também enxerga que o consumidor brasileiro sofisticou o paladar nos últimos tempos, seja pelo acesso às cervejas artesanais e seus variados estilos, seja pelo sucesso dos vinhos no mercado, apontando que outras bebidas fermentadas podem seguir seus passos e conquistar esse público.

No segmento cervejeiro, esse “novo” paladar tem encontrado ressonância com receitas mais inventivas, a ponto de o Brasil ter hoje um estilo tipicamente nacional, o Catharina Sour, reconhecido pelo BJPC e marcado pelo uso de frutas na composição das suas receitas.

Isso atende ao discurso de Fernando, pois ele lembra que o Brasil é uma potência mundial no setor agrícola, com produção expressiva e enorme biodiversidade, destacando que há ainda mais espaço para bebidas fermentadas produzidas a partir de diferentes frutas. “O que falta para aproveitarmos melhor a abundância tropical de nossa terra?”, questiona o especialista, revelando que a Companhia dos Fermentados tem buscado explorar esse mercado.

Essa e outras reflexões se baseiam na experiência e atuação de Fernando Goldenstein Carvalhaes, biofísico pela USP, professor da Escola Fermentare e responsável pelo setor de produção e P&D da Companhia dos Fermentados, fundada em 2015 e que resgata as técnicas antigas de conservação e transformação dos alimentos através da fermentação.

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Confira a visão do sócio-diretor da Companhia dos Fermentados sobre a kombucha no Brasil e outras bebidas fermentadas na entrevista, abaixo, ao Guia:

De maneira geral, como você avalia o mercado de fermentação no Brasil? Estamos evoluídos ou precisamos melhorar? Por quê?
Em termos de bebidas, o Brasil é um dos maiores mercados consumidores de cerveja do mundo. Assistimos a uma explosão de marcas de cervejas artesanais nos últimos anos e agora, durante a pandemia, cervejarias ciganas começaram a abrir seus próprios espaços de produção.

O brasileiro passou também a ficar mais exigente em relação aos vinhos, principalmente devido aos anos em que o dólar esteve em baixa e a importação foi alta. Nestes últimos anos de crise econômica, existe uma pressão por produtos brasileiros de qualidade. Temos ótimos vinhos e espumantes, mas o brasileiro ainda não sabe o que é uma boa sidra, que não leva aromas nem é doce. Entendemos que há cada vez mais espaço para apresentar produtos para um paladar que está deixando aos poucos de ser infantilizado, se tornando mais sofisticado (provavelmente influenciado pela alta dos vinhos importados).

É uma pena que não exista no mercado bebidas fermentadas alcoólicas de outras frutas. Somos o país com vasta biodiversidade e nossa produção agrícola é expressiva. O que falta para aproveitarmos melhor a abundância tropical de nossa terra? A Companhia dos Fermentados vem lançando pequenos lotes para testar o mercado e pretende abrir mais este nicho de mercado, da mesma forma que fez com a kombucha.

Em termos de comidas fermentadas, ainda estamos engatinhando, mas aos poucos o público começa a saber o que é puba, tucupi, saber que polvilho azedo é fermentado, isso com ajuda dos grandes chefs que divulgam a rica cultura dos indígenas do nosso país.

Como você avalia hoje o mercado de kombucha no Brasil? Qual é o potencial desse mercado e quem pode se beneficiar dele?
O mercado de kombucha no Brasil já é o segundo maior do mundo, e ainda nem começamos a explorá-lo. Se você perguntar na rua o que é kombucha, dificilmente encontrará alguém que sabe que é uma bebida e, se souber, a chance de que saiba que é fermentada ou como é feita é menor ainda. As pessoas confundem produção artesanal com ausência de licença para produzir. A partir do momento que a lei de padronização passar a valer, os produtores deverão se adequar ou terceirizar a produção, se desejarem continuar no mercado. Atualmente terceirizamos para sete marcas.

O que falta para o mercado de kombucha se consolidar nacionalmente? Que trabalhos vêm sendo realizados nesse sentido e quais as perspectivas desse segmento para 2021?
Falta ficar mais barato para acessar as classes B e C. Esperamos que, com o aumento da produtividade, possamos tornar o produto mais acessível.

Qual é o segredo para fazer uma boa kombucha? E quais são os principais erros a serem evitados?
O segredo é escolher bons insumos, bons fermentadores e saber o que está fazendo. Controlar a temperatura, saber tomar as medições, ter uma boa linha de envase. Não existe fórmula mágica, existe paciência e conhecimento. Nós prestamos assessoria há cinco anos e grande parte dos produtores de kombucha aprendeu conosco. O principal erro é querer fazer um kombucha com a mesma quantidade de açúcar que há em um refrigerante e não ser pasteurizado. Kombucha precisa ser estável em temperatura ambiente. Com muito açúcar, além de produzir álcool, a garrafa pode explodir.

Qual é a perspectiva da Companhia dos Fermentados para 2021? Vocês estão investindo? Em que áreas?
No momento estamos com uma capacidade de produção de 10 mil garrafas por dia. Estamos mudando nossa fábrica para uma planta maior, comprando novos fermentadores e uma segunda linha de envase para uma produção de 30 mil garrafas por dia, não apenas de kombucha, mas de diversas outras bebidas fermentadas.

Dentro deste contexto, qual é a importância da parceria com a Damek nesse processo de expansão da Companhia dos Fermentados?
A Damek é a nossa fornecedora oficial de fermentadores e desenvolvemos com eles um modelo de fermentador que nos atende perfeitamente.

Molson adquire participação em cervejaria criada para reduzir violência de gangues

A TRU Colors Brewery, cervejaria que surgiu com a missão de reduzir a violência das gangues, vendeu uma participação minoritária para a Tenth & Blake, o braço no mercado de artesanais dos Estados Unidos da gigante Molson Coors Beverage Company.

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De Wilmington, na Carolina do Norte, a TRU Colors emprega cerca de 55 membros de gangues rivais, buscando impedir a violência nas ruas através do trabalho. E leva seus ideais nas iniciais do seu nome: T, de true (verdade, em inglês), R, de responsability (responsabilidade), e U, de unity (unidade).

O acordo firmado com a TRU Colors força a Molson Coors a consultá-la sobre temas como estratégia de distribuição, posicionamento da marca e relacionamento com fornecedores. E os planos são de que, a partir da parceria, a marca expanda a sua presença para diferentes regiões dos Estados Unidos com a TRU Light.

“Sabíamos que queríamos tornar a TRU Colors uma marca nacional muito rapidamente. E, claramente, para fazer isso, teríamos que realizar parceria com alguém que fosse significativamente maior. Escolhemos a Molson Coors porque sentimos que eles entendiam o que estávamos fazendo”, diz George Taylor, fundador e CEO da TRU Colors.

Taylor é um empresário do ramo da tecnologia, tendo presidido a Untappd, uma das principais redes sociais cervejeira do mundo. E fundou a TRU Colors após ver um adolescente ser morto, a tiros, próximo ao escritório onde trabalhava. Comovido, pediu ao promotor distrital para que o ajudasse a se reunir com as lideranças de gangues locais.

Das conversas, surgiu a ideia de oferecer alguma oportunidade de trabalho a essas pessoas. Ele, então, criou a TRU Colors, entendendo que a cerveja pode ajudar a criar conexões entre as pessoas. Hoje, 80% dos funcionários da marca são pertencentes a gangues.

O que descobri foi que a violência realmente é motivada por questões econômicas. E, portanto, precisava de algum tipo de solução econômica. Se você quer unir as pessoas, especialmente se elas são rivais, tudo começa com aquela conversa, muitas vezes estranha e desconfortável. Beber uma cerveja juntos ajuda a aliviar um pouco essa tensão

– George Taylor, fundador e CEO da TRU Colors

A Molson Coors se comprometeu com questões de diversidade, equidade e inclusão para criar mudanças significativas de longo prazo dentro da empresa e em toda a sua área de atuação. E afirma ver a parceria com a TRU Colors com uma extensão natural de seus esforços.

“Esta parceria representa uma oportunidade de não só investir no que acreditamos ser um negócio de sucesso, mas também em uma marca com forte presença na justiça social que terá um impacto positivo incomensurável em centenas de vidas”, afirma Gavin Hattersley, CEO da Molson Coors.

Cervejarias artesanais reduzem participação no mercado dos EUA

A grave crise provocada pela pandemia do coronavírus afetou diretamente as cervejarias artesanais dos Estados Unidos. Embora tenham apresentado crescimento no número de fabricantes em 2020, as marcas independentes reduziram a participação no mercado cervejeiro do país para 12,3% ante os 13,6% de 2019.

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As informações são de levantamento da Brewers Association (BA), associação que representa as microcervejarias e as consideradas independentes nos Estados Unidos. E o trabalho apontou que a perda de mercado está relacionada com a menor produção: foram 23,1 milhões de barris produzidos no ano passado, uma queda de 9% em volume em relação a 2019.

“2020 foi obviamente um ano desafiador para muitas pequenas cervejarias, mas também um ano em que provaram sua natureza resiliente e empreendedora”, diz Bart Watson, economista-chefe da associação. “Em um ano em que as vendas de chopes nos EUA caíram mais de 40%, as pequenas cervejarias encontraram novas maneiras de se conectar com seus clientes e manter seus negócios funcionando.”

O estudo da BA revela outros dados ruins do setor cervejeiro e, mais especificamente, o de artesanais em 2020 no país: houve uma queda de 3% no mercado em geral em volume no ano passado. Porém, as perdas das cervejarias artesanais foram maiores, algo provocado pela mudança radical no consumo de bebidas alcoólicas, que se tornou mais residencial.

No varejo, as cervejarias independentes dos Estados Unidos conseguiram uma receita estimada em US$ 22,2 bilhões. Isso representa uma participação de mercado de 23,6%, queda de 22% em relação a 2019. Também houve o fechamento de muitas vagas no setor em 2020: o segmento empregou 138 mil pessoas, redução de 14% em comparação ao ano anterior.

Ainda assim, o número de cervejarias artesanais em operação continuou a subir em 2020, atingindo um recorde histórico de 8.764, incluindo 1.854 microcervejarias, 3.219 brewpubs, 3.471 taprooms e 220 artesanais regionais. Ao longo do ano, foram 716 novas inaugurações de cervejarias e 346 fechamentos.

Para a BA, o número de portas fechadas – semelhante ao de 2019 – dá esperanças de que o pior momento da crise pode ter passado às artesanais norte-americanas. “Embora muitas pequenas cervejarias vão permanecer sob pressão até que possam reabrir totalmente e receber suas comunidades, a taxa de fechamento de 2020 permaneceu no mesmo nível de 2019, sugerindo que a grande maioria das cervejarias sobreviverá daqui para frente”, concluiu Watson.

14 executivos avaliam os efeitos de mais de 1 ano de pandemia em suas cervejarias

Passado mais de um ano do início da pandemia, as cervejarias continuam enfrentando os impactos da crise sanitária. Afinal, mesmo com a chegada da imunização ao país, as empresas sofrem com as restrições, especialmente pela dificuldade de fornecimento a bares, diante dos efeitos do recrudescimento da pandemia em 2021. É o que relatam, ao Guia, executivos de marcas artesanais.

A atual gravidade da pandemia levou cervejarias e bares a encararem o momento como uma “segunda crise”. Isso se dá porque os efeitos do recrudescimento da pandemia atingiram diversos estabelecimentos que pareciam estar se reerguendo, após conseguirem realizar as adaptações impostas pela pandemia, tendo de limitar novamente as vendas ao comércio digital e ao delivery.

No ano passado, estes canais de atendimento mostraram-se essenciais para a sobrevivência do setor, assim como o aumento da demanda por growlers. Entretanto, mesmo com todas essas adaptações das cervejarias durante os, até agora, 13 meses de pandemia, o que dificulta a recuperação do segmento é o descontrole da crise pandêmica no Brasil, com dados alarmantes de infectados e óbitos, o que resulta em restrições às atividades.

Logo, a realidade para muitas cervejarias e bares é de ser este o pior momento da crise, especialmente pelo recrudescimento da pandemia ter ocorrido em um período marcado por festividades que acarretavam nos melhores meses em faturamento nos anos recentes. Diante disso, os executivos têm revisto seus planos para 2021, além de estabelecerem novas metas para o restante do ano. Agora, para muitas cervejarias, o principal objetivo é sobreviver diante de uma crise que é sanitária, mas também econômica.

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Confira abaixo a avaliação de 14 executivos de cervejarias e bares ao Guia sobre o atual momento da crise do coronavírus para seus empreendimentos:

Alpendorf (Leonardo Theler, sócio-fundador)
A forte retomada da pandemia voltou a despencar as receitas da cervejaria, com menos intensidade do que no início, mas ainda assim na casa dos 70%. O bar da fábrica foi novamente fechado e a falta de eventos cervejeiros causam um grande impacto nas nossas finanças.

Bruder (Rildo Wagner Souza, sócio-fundador)
Somando os impactos da queda de consumo de cervejas artesanais e o resultado do confinamento e restrições de funcionamento a bares e restaurantes, chegamos a acumular uma queda de 40% no faturamento no primeiro trimestre. Foi um período de muito aprendizado. Paralisamos a fábrica por 15 dias quando o confinamento social foi determinado. Porém, a equipe comercial percebeu que a demanda pelo produto não parou. Imediatamente acionamos uma “luz verde” para seguir trabalhando, essencialmente respeitando todos os protocolos de segurança para assegurar a saúde de nossos colaboradores.

Capitão Barley (Amilcar Parada, sócio-fundador)
Hoje estamos nos adaptando à realidade de sermos uma empresa de delivery, que é o que podemos praticar no momento, e trabalhando com um faturamento de apenas 25 a 30% do que faturávamos antes da crise provocada pela Covid-19.

CBCA (Gustavo Barreira, CEO)
Felizmente, tivemos poucos casos de pessoas positivadas em nossas fábricas e bares e demos todo suporte às que se mantiveram em isolamento. Tivemos sorte pois nenhum dos casos evoluiu para uma situação grave e todos já estão de volta às atividades. Somados os dois anos, as perdas foram relevantes, da ordem de 30% abaixo do que havíamos definido como orçamento. A diversificação de canais ajuda muito e agora, com a exportação, abrimos mais uma frente para redução de riscos regionais.

Colonus (Leandro Leal, sócio-fundador)
Ainda não temos a análise deste período, mas certamente o faturamento e, consequentemente, a produção, foram bastante impactados. Todos os projetos de crescimento que tínhamos para 2020 foram adiados para 2021 e, provavelmente, serão adiados novamente. A meta é sobreviver.

Cruls (Pedro Capozzi, gerente de operações e sócio-fundador)
Em linhas gerais, 2021 está sendo pior do que o ano passado. Claramente, passar pelo mesmo problema duas vezes é muito mais complicado. Temos uma operação que foi feita para girar em um volume mais alto e ter de lidar todo mês com produções e faturamentos menores impactam muito a vida dos funcionários e o andamento da empresa.

Dogma (Bruno Brito, sócio-proprietário)
Como tivemos um único caso de um dos sócios que foi infectado, não relacionado ao trabalho e de baixa gravidade, o principal impacto da pandemia foi o econômico. Queda nas vendas, aumento da inadimplência e elevação dos custos devido ao câmbio foram os principais desafios ao longo do último ano. Ainda não quantificamos o impacto financeiro, mas em 2020 foram 2 meses sem produzir e, nos outros meses, tivemos uma redução média de 20% no volume.

Everbrew (Renê dos Santos, sócio-proprietário)
A “segunda onda” afetou mais fortemente o mercado como um todo, principalmente pela falta de incentivos do governo quanto ao auxílio emergencial, suspensão de contratos de trabalhos, postergação de impostos, etc. Aliado a todos estes fatores, foi possível perceber que, passado um ano do início da pandemia, a insegurança financeira das pessoas está mais presente e isso impacta diretamente no consumo.

Graja Beer (Leandro Sequelle, sócio-fundador)
Nós, quanto empresa, estamos passando pelo momento mais difícil da pandemia. A Graja Beer segue fechada há um mês e meio, e optou por não ter nenhuma atividade no período (seja takeaway ou delivery). Então, estamos tendo que nos reinventar semana a semana para manter as contas em dia (criando novas inclusive), e vislumbrando o momento de retomar as atividades. Tivemos diversas perdas e adiamentos de projetos durante esse período. Logo no início da pandemia, tivemos de cancelar uma agenda de produção de cervejas colaborativas muito bacana que tínhamos. Em 2020, sairiam aproximadamente dez rótulos. Porém, lançamos – e com baixa possibilidade de trabalho de marketing – apenas dois. Também optamos por não agrupar fisicamente a primeira turma para o curso de capacitação cervejeira junto ao ICB e à Heineken.

Hocus Pocus (Pamela Beeken e Barbara Fragoso, analistas de marketing)
Tivemos que agir em menos de uma semana para lançar nosso e-commerce e, felizmente, a rede de apoio incrível feita por todo mundo que gosta do que fazemos não saiu do nosso lado, nos ajudando a manter a cabeça para fora da água. Seria impossível estimar um prejuízo como empresa diante de todas as perdas que estamos vivendo diariamente. Por aqui, continuamos vivendo um dia de cada vez, fazendo tudo que está ao nosso alcance para que esse momento passe mais rápido e de uma forma um pouquinho mais leve, mantendo nosso compromisso de não demitir ninguém e tentando ajudar quem precisa.

Implicantes (Diego Dias, sócio-fundador)
A gente sofreu um pouco agora com essa questão da bandeira preta, muitos estabelecimentos tiveram de fechar e notamos a diminuição de tráfego no site. Temos procurado fazer conteúdo e colocar junto com os dois sites, mas teve uma redução bem drástica. Desde o início da pandemia, a gente tem se resguardado, não temos feito as aberturas para o pessoal consumir na fábrica e, antes mesmo de ter esse aumento dos casos, fizemos o delivery.

Krug Bier (Alexandre Bruzzi, sócio-proprietário)
Felizmente, as pessoas entenderam e, já em fevereiro (de 2020), tivemos um crescimento de vendas impulsionado pelo carnaval e diversas festas na cidade, que duraram até o início de março. A folia mal havia terminado, quando o Brasil foi posto em lockdown, devido ao aumento de casos de Covid-19. O fechamento do comércio e as medidas de isolamento social pegaram todos de surpresa e geraram grande queda de faturamento em diversos negócios. Os meses de abril, maio e junho foram os piores para a cervejaria, que estava acostumada a vender 70% da sua produção de chopes para bares e restaurantes.

Loba (Jonatthan Salatiel, gerente industrial)
O recrudescimento ocorreu em um período normalmente crítico para o nosso ramo, onde naturalmente acontece significativa diminuição nas vendas. As festividades de final de ano não puderam acontecer, grandes eventos foram cancelados, como o carnaval, além de eventos que ajudavam a empresa a se manter de pé durante o início de ano, como também a Quaresma, o que fez com que este período fosse mais difícil do que o normal. Após um ano de pandemia, não se vê melhora no cenário para as cervejarias nacionais que vêm sofrendo com inúmeras restrições.

Matisse (Mario Jorge, sócio-fundador)
Embora os eventos, nossa principal frente de venda antes da pandemia, ainda estivessem parados, as vendas estavam tendo uma ligeira melhora, principalmente para bares e restaurantes, que começavam a funcionar com certa regularidade. Com o recrudescimento da pandemia e as medidas restritivas, as vendas estão novamente restritas apenas à loja virtual e ao delivery. Há 3 semanas que não entregamos nenhum chope para bares ou restaurantes.

Krug Bier investe R$ 3 milhões e quer produzir 600 mil litros de cerveja por mês

O recrudescimento da pandemia do coronavírus assusta a sociedade e deixa dúvidas sobre o futuro de alguns empreendimentos, mas a Krug Bier parece encarar 2021 com otimismo. Com uma estratégia de realinhamento dos seus negócios, iniciada ainda nos primeiros meses da crise, agora ela tem metas ousadas: pretende dobrar a sua capacidade produtiva para conseguir fabricar 600 mil litros de cerveja por mês até dezembro. E esse projeto de expansão contará com um investimento que chegará a R$ 3 milhões.

É a aposta da marca após um ano de mudanças, no qual o setor de cervejas artesanais, especialmente em Minas Gerais, chegou a estar sob desconfiança em função do Caso Backer – e ainda sofreu com a pandemia do coronavírus. Mas que não afastou a Krug Bier dos investimentos, como explica o sócio-proprietário Alexandre Bruzzi.

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“Já fizemos uma grande modernização em nossa estrutura e automação, adequamos o layout da cervejaria e integramos o Biergarten (espaço para eventos da marca) à fábrica. Nos últimos dois anos, isso somou um investimento de R$ 3 milhões”, relata Bruzzi.

Em 2021, os investimentos – previstos em R$ 3 milhões – envolvem a compra de equipamentos maiores e mais sofisticados para a sala de brasagem da Krug Bier. Isso será feito para contemplar a meta de dobrar a produção, passando a fabricar mais de 600 mil litros de cerveja por mês até dezembro, com a esperança de que bares e restaurantes voltem a funcionar sem restrições e eventos possam ser realizados. Assim, mira alto: atingir a produção de 8 milhões de litros de cerveja até o fim de 2021.

Os planos incluem a inauguração de um bar parceiro da cervejaria, o Estação Krug Bier, no bairro da Savassi, em Belo Horizonte, que venderá todos os rótulos da casa, além do lançamento de novos. Uma novidade, inclusive, das últimas semanas, foi a chegada ao mercado da German Pils da marca em long neck.

“Estamos preparando algumas boas surpresas para o nosso público e uma delas acaba de chegar ao mercado. É a German Pils na versão long neck. Acreditamos que, neste ano, ela será um dos rótulos mais vendidos. Afinal, desde o lançamento de sua versão em 600 ml, ela já demonstrou uma grande aceitação por parte dos apreciadores de cerveja”, afirma Alexandre.

Mudanças de rota
Em 2020, com as restrições impostas pela pandemia do coronavírus, a Krug Bier apostou em três vertentes para vender suas cervejas: o e-commerce, o grande varejo e a busca por novos pontos de comercialização. Uma mudança de rota para quem costumava repassar 70% da sua produção de chopes para bares e restaurantes, mas que deu certo.

A cervejaria de Belo Horizonte estima em 50% o salto nas vendas de garrafas e latas para supermercados no período. Além disso, afirma que teve 200 mil acessos únicos ao seu site de comércio eletrônico, com 5 mil compras, a grande maioria em Belo Horizonte e na sua região metropolitana, em 2020. Conquistou, ainda, 200 novos pontos de vendas de parceiros para o comércio de seus chopes. E abriu um “pit stop”, que serve todos os chopes da marca, de forma ágil.

“Os principais itens vendidos foram os kits com várias cervejas. Isso foi ótimo, pois muitos clientes começaram a descobrir outras opções, variar os pedidos e apostar neles até quando faziam compras no supermercado. Os grandes destaques foram rótulos como Krug 20, Áustria Lager, Dry Stout e German Pils de 600 ml (lançada em novembro)”, pontua o sócio-proprietário da Krug Bier.