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Balcão da Ana: Campos de lúpulo, campos de guerra

Coluna Ana Pampillón

Balcão da Ana: Campos de lúpulo, campos de guerra


A primeira vez em que estive em um campo de lúpulo foi em 2005, outono na Alemanha, quando tínhamos ido comprar insumos para a cervejaria em que eu trabalhava na época.

Fomos no outono, pois era quando acontecia a grande feira BrauBeviale, em Nuremberg, e ali com certeza estaríamos com os grandes fornecedores de tudo o que precisávamos para uma cervejaria.

Me lembro na época de sermos recebidos por um grande nome da área comercial da HVG, que ficou encarregado de nos ciceronear enquanto estávamos ali.

Mesmo sendo outono, tivemos a oportunidade de conhecer os famosos campos de lúpulo de Hallertau. Nessa estação, já não tem mais uma folha no pé e as mudas estão cobertas com folhagens que ajudam na nutrição para as plantas quando a neve derrete. E, assim, no início da primavera, as plantas crescem fortes e com qualidades apropriadas para uma boa comercialização.

Por isso, acreditava-se que o lúpulo só crescia onde esse fenômeno acontecia, com meses de muito frio, no Hemisfério Norte.

Volto um passo atrás para dizer que a emoção de estar naquela ocasião em um campo pelado, sem uma folha sequer, é tão grande quanto estar nele florido. Ali eu entendia a grandeza daquela região, a grandeza desse insumo tão necessário na cerveja, a grandeza da história e, principalmente, por estar em um local onde é famoso por distribuir o lúpulo para o mundo todo. Lúpulo com características específicas de uma região histórica.

Na ocasião, fui entender como era todo o processo na região, onde existe uma cooperativa que administrava toda a parte da colheita, pós-colheita e distribuição dos lúpulos, dali, dos produtores rurais, para o mundo.

Sem a cooperativa, com certeza a região não teria se tornado o que é hoje e nem os produtores de lúpulo tão valorizados também.

Uma vez tendo no sangue valores associativistas, fiquei encantada com tudo que conheci ali.

Dou alguns passos à frente e vejo hoje no Brasil um país rico em solo, em pessoas fortes e resilientes, avançarem e serem capazes de tornar muito promissor o cultivo de um lúpulo com características tão peculiares.

… Não fosse aquela síndrome “Serra Pelada” , onde as pessoas precisam do desespero, de desmerecer tantas pessoas que trabalham sério para que a cultura dê certo no país e que todos colham frutos (nesse caso, flores), com o que tem acontecido por aqui no Hemisfério Sul do planeta.

Enquanto a cadeia não valorizar o que está sendo feito, seja comprando o insumo nacional, seja divulgando, seja testando, e os produtores não acreditarem que a união faz a força, vamos demorar ainda alguns séculos a sermos reconhecidos na história do lúpulo no mundo.

Essa coluna em especial é uma mistura de desabafo, de alerta, de solidariedade, de esperança.

O lúpulo no Brasil pode dar certo, sim. A academia está junta, a Embrapa está junta, o Ministério e secretarias de Agricultura estão juntos, e agora só faltam os produtores andarem juntos.

Torço para ter tempo de ainda ver isso acontecer.

Prosit!


Ana Pampillón é turismóloga, sommelier de cervejas, coordenadora da Rota Cervejeira RJ e atuante no mercado de lúpulo brasileiro

Abracerva vê evolução do setor com reconhecimento ao sommelier e mira lei

O reconhecimento do sommelier de cervejas como uma titulação na Classificação Brasileira de Ocupações (CBO), do Ministério da Economia, foi comemorado pelos profissionais do segmento, por se tratar de uma demanda antiga. A inclusão, que acontecerá a partir de 2022, também evidencia a evolução e o crescimento do setor, na visão da Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva), que trabalhou diretamente na busca por essa regulamentação, considerando que a expansão da cultura envolvida no segmento passa diretamente pela atuação do sommelier.

É o que diz, ao Guia, a presidente da associação, Nadhine França, destacando que esse foi um passo importante na valorização do sommelier de cervejas e na evolução do segmento, em expansão na última década. “Nós, da Abracerva, entendemos que o sommelier de cervejas é ferramenta motora do crescimento do mercado de cervejas artesanais. Além de atuar em toda a cadeia de valor, o profissional é um dos principais difusores da cultura cervejeira”, pontua Nadhine.  “Mas, apesar dessas conquistas, ainda há muito trabalho pela frente.”

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De acordo com a Abracerva, há estimados 15 mil sommelièrs no país, formados em algumas das principais escolas segmentadas, como a Escola Superior de Cerveja e Malte (ESCM), o Instituto da Cerveja Brasil (ICB), o Senac e o Science of Beer Institute.

Uma pesquisa realizada pelo Núcleo de Sommelièrs da Abracerva ainda aponta para uma tendência de crescimento da profissão, o que estaria diretamente ligado ao progresso do setor, tanto que, em dez anos, o número de cervejarias artesanais no Brasil foi de 70, em 2008, para mais de mil.

Porém, a função estava, até agora, afastada de várias instâncias relativas ao mercado de trabalho, como lembra a associação. “A atividade sequer era listada pela CBO, documento responsável pelo reconhecimento de ofícios no território nacional, além de ser usada em várias instâncias: carteira de trabalho, no requerimento do seguro-desemprego, qualificação profissional, estatísticas de mão-de-obra, e programas no Ministério da Economia, fiscalização do trabalho, RH das empresas, Censo, Pronatec, agências de educação do Sistema S, entre outras”, afirma a Abracerva.

A articulação para o reconhecimento como uma profissão foi feita em conjunto entre a Abracerva, representada pelo Núcleo de Sommelièrs, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e o deputado Alceu Moreira (MDB-RS), autor da proposta.

Priscilla Colares, coordenadora do Núcleo de Sommelières da Abracerva, destaca que o requerimento para que ocorresse a titulação, que até então só contava com profissionais do vinho, se iniciou em 2020. “A Sophie Bernardet e sua equipe do técnica da FIPE foram os responsáveis pelo estudo de escopo realizado antes da inclusão. Após a realização desse estudo, alguns profissionais do setor foram convidados para mais uma etapa. Em 11 de março de 2021, foi realizada uma videoconferência para finalização da matriz de atividades da família ocupacional”, relata.

Além da representação da Abracerva, a reunião sobre o reconhecimento do sommelier de cervejas teve as presenças da equipe da Coordenação da Classificação Brasileira de Ocupações (CCBO) do Ministério da Economia e dos especialistas Beatriz Amorim, Jayro Pinto Neto, Fernanda Bressiani, Maurício Maia, Yasmin Yonashiro, Pedro Barcellos e José Padilha.

O trabalho culminou na inclusão do Sommelier de Cervejas, Sommelier de Cachaça e Sommelier de Saquê na ocupação sommelier de código 5134-10 na Família Ocupacional 5134: trabalhadores no atendimento em estabelecimentos de serviços de alimentação, bebidas e hotelaria.

Próximo passo
A medida motivou a criação do Projeto de Lei 1104/21 que altera a lei que regulamentou a profissão de sommelier para incluir, além do vinho, cervejas e cachaças no serviço especializado prestado pelo profissional. O texto tramita na Câmara dos Deputados e altera a Lei 12.467/11.

“Identificamos uma grave omissão quando da aprovação da lei, uma vez que ela se restringiu ao setor vinícola, deixando à margem o setor cervejeiro, que se encontra em plena expansão”, argumenta o autor do projeto, o deputado Alceu Moreira (MDB-RS).

Realidade Alternativa: O brewpub paraibano surgido e premiado na pandemia

“É como se o Botafogo da Paraíba tivesse vencido a Copa do Brasil dentro do Maracanã”. Utilizar o futebol para explicar o mundo é recurso comum, mas, nesse caso, a estratégia não tem êxito completo para dar exatidão ao feito da Realidade Alternativa Cervejaria Artesanal, considerada o segundo melhor brewpub entre os participantes da edição 2021 do Concurso Brasileiro de Cervejas.

O Botafogo-PB, afinal, vai celebrar em setembro o seu aniversário de 90 anos de fundação. Já o Realidade Alternativa, de João Pessoa assim como o clube alvinegro, iniciou oficialmente as atividades do seu brewpub apenas em janeiro. Ainda assim, como um novato, conseguiu conquistar duas medalhas de ouro no Concurso Brasileiro, além da prata entre esse tipo de estabelecimento. Ou seja, dada à sua precocidade, o feito pode até ser maior do que se o time paraibano tivesse vencido a Copa do Brasil dentro do Maracanã

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O resultado, surpreendente para os próprios sócios da Realidade Alternativa, foi a chancela que eles precisavam para dar sequência aos primeiros passos da marca em João Pessoa, onde o segmento de cervejas artesanais ainda é pouco conhecido, e no momento em que todos os profissionais que trabalham com bares e cervejarias vêm sofrendo com as restrições e a insegurança financeira provocadas pela pandemia do coronavírus.

A diferença, para o Realidade Alternativa, é que os seus sócios nunca operaram em outro cenário. Inicialmente cervejeiros caseiros, os responsáveis pela marca, já sob o nome atual, vendiam suas produções em eventos. E Adriano Sampiere, um dos sócios, possuía a experiência de ter sido um dos fundadores da Associação dos Cervejeiros Artesanais da Paraíba, também estando à frente do primeiro brewshop de João Pessoa.

“Fazia barris e testava em eventos, mas, desde o início, saímos com marca, porque eu trabalhava com publicidade. Então nos apresentávamos com algum profissionalismo. Mas o máximo que fazíamos eram 90 litros”, relembra Alex Maracajá, também sócio da Realidade Alternativa.

Até que, em novembro de 2019, eles decidiram criar o brewpub da Realidade Alternativa. Foi, porém, preciso esperar – e se adaptar – a um contexto de adversidades. O espaço, apenas com o sistema de delivery, começou a operar em dezembro de 2020. E só por alguns dias, loogo no começo de 2021, o brewpub pôde funcionar, ainda que cumprindo as medidas de distanciamento social.

Mas, nesse longo período até o início das operações, a Realidade Alternativa não ficou à espera. Foi o momento de aproveitar o tempo para testar e melhorar as receitas, como aponta Alex. “A gente aproveitou para testar receitas em casa. Foi assim com a Saison, que dávamos para amigos. Como a gente ia ficar parado, decidiu validar as receitas com os cervejeiros e os não-cervejeiros, para conseguir ver o que ia demorar mais para ser lançado.”

O prêmio inesperado
Ainda assim, em busca de uma avaliação especializada sobre as cervejas que vinham produzindo, eles optaram por participar do Concurso Brasileiro, seguindo os conselhos de Chiara Barros, sócia-proprietária do Instituto Ceres.

“Como caseiro, sempre quis participar de concurso, mas sempre batia insegurança ou a data não dava. Quando estávamos com as licenças do brewpub, a Chiara Barros nos avisou do Concurso, disse que estava com desconto para participar e incentivou a inscrição. Tínhamos produzido os 3 primeiros lotes e vimos o que estava legal, para ter um feedback. E inscrevemos a Saison, a Porter, a Session IPA e a RIS”, explica Adriano Sampiere.

Sem muitas expectativas, encaravam o último 18 de março como mais um dia difícil em meio à pandemia, com as dificuldades para trabalhar. Até que vieram as medalhas de ouro, para a Saison “Bosque Entre os Mundos” e a Porter “Heimdall”, e o reconhecimento como segundo melhor brewpub.

Era um dia de depressão, tinha acabado de fechar tudo de novo em João Pessoa. E logo quando tínhamos acabado de abrir a cozinha (do brewpub). Decidimos assistir a premiação e até engasguei com o jantar. Gritamos, os vizinhos reclamaram, nem queriam saber que a gente era campeão. Bebemos 6 growlers. Mas, no outro dia, tivemos de trabalhar

Alex Maracajá, sócio da Realidade Alternativa

O resultado, além de ser um grande reconhecimento, demandou novas tarefas para o Realidade Alternativa. A primeira delas, explicar o feito alcançado. “A gente brinca que ganhou o prêmio pensando que ia chancelar nosso trabalho. Isso aconteceu, mas ficamos mais conhecidos no Instagram do que localmente. Trabalhamos muito para ganhar o prêmio e agora trabalhamos muito para explicar o que a gente ganhou”, brinca Maracajá, destacando que utiliza o exemplo do Botafogo-PB para tentar dimensionar o feito aos seus conterrâneos.

Depois, em meio a uma crise financeira no país, a tarefa é tentar aproveitar o boom pelas medalhas para ampliar mercados, passando a oferecer seus produtos por e-commerce e no Recife. “É um momento de decisões difíceis. Decidimos envasar, para fazer vendas ao Recife e no marketplace. Ao mesmo tempo, temos de pensar o que fazer amanhã, com os custos de ter um brewpub. Talvez a gente até perca dinheiro, mas vamos admitir isso como uma verba de marketing, para tentar fazer a cerveja viajar”, explica Maracajá.

E, se sobrar tempo, eles ainda têm de pensar como farão no começo de 2022 para cruzar o país, de João Pessoa até Blumenau, para uma nova edição do Concurso Brasileiro. “Se tivesse tudo funcionando, não teríamos ido para Blumenau. Mas ano que vem temos que ir, né? Vamos trabalhar dobrado para isso”, promete Sampiere. Será a vez de o Botafogo-PB entrar no Maracanã com a faixa de campeão.

Madalena expande presença e atuação no setor com tap house em São Paulo

A Cerveja Madalena ampliou a sua presença no setor cervejeiro ao passar a ter um espaço físico em São Paulo. Em 2021, a marca, conhecida pela sua origem no ABC Paulista, agora conta com uma tap house na capital, localizada no bairro dos Jardins.

A abertura da tap house pela Madalena se deu em um momento de incertezas no setor de artesanais, em que as cervejarias têm apostado nos sistemas de drive-thru e delivery para seguirem operando. Não é diferente com a marca do ABC paulista, que tem utilizado os modelos em suas atividades. Ainda assim, agora também conta com o Empório Madalena em São Paulo.

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A tap house da Madalena é dividida em dois andares. Os ambientes, de acordo com a cervejaria, são compostos por mesas em madeira. E a área externa é feita em paletes. Mas há também espaço para a modernidade, com o serviço de autoatendimento tradicional nesse tipo de estabelecimento.

O Empório Madalena tem 12 torneiras disponíveis. Atualmente, por causa das restrições impostas pela pandemia do coronavírus, a tap house atende apenas pelo sistema de drive-thru, de terça-feira a domingo, Além disso, há a possibilidade de comprar as cervejas da marca por delivery, através do aplicativo iFood.

Antes da abertura da tap house em São Paulo, a Madalena havia inaugurado em dezembro um espaço exclusivo em Taubaté, que recebeu o nome de Beer Garden. E a iniciativa na capital paulista confirma o cenário de expansão da Madalena, mesmo em um momento complicado economicamente para o setor cervejeiro.

A marca foi aberta em 2014, no ABC paulista. Hoje, as suas cervejas são encontradas em mais de mil pontos de venda nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina, Minas Gerais, Amazonas, Paraíba e Maranhão.

Entrevista: “Bares terão de deixar de depender da oferta de cervejas artesanais”

O CASP – Cerveja Artesanal São Paulo não carrega apenas a qualificação do setor em seu nome. Referência no segmento antes mesmo de ter o seu espaço físico, ele foi importante em diferentes fases do setor. Mas, provavelmente, na mais crítica delas, encerrou as atividades, ao menos do seu bar. E é sobre essa trajetória e a atuação em momentos fundamentais do setor que Lisa Torrano, sua fundadora, fala nesta entrevista ao Guia.

Em tom retrospectivo, Lisa Torrano relembra como o CASP participou da consolidação da cultura das cervejas artesanais, especialmente em São Paulo, não resumindo o público-alvo aos beer geeks. E ajudou a consolidar e a emplacar algumas tendências que se tornaram características do segmento, como o lançamento de rótulos sazonais.

Muito mais do que pelo bar, isso também se deu pela realização do Encontro Cerveja Artesanal Brasil, um evento organizado por Lisa Torrano e que abriu o caminho para a diversidade da cena paulistana do segmento, além de ter funcionado como uma oportunidade para o público conhecer a variedade de rótulos e cervejarias existentes, mas que eram de difícil acesso quando da realização do primeiro evento, em 2013.

Foi com o bar e o encontro que Lisa Torrano se tornou referência e figura respeitada entre os profissionais das cervejas artesanais. E é com essa experiência que ela também faz importantes reflexões na entrevista ao Guia, incluindo críticas ao setor, que não tem atuado coletivamente como ela gostaria. Embora pondere que houve evolução na qualidade das cervejas produzidas nos últimos anos, a fundadora do CASP avalia que “por não ter união, o mercado está mais vulnerável do que nunca”, por comportamentos que contrariariam a lógica de um segmento artesanal.

Além disso, ela prevê que o segmento estará bem diferente ao fim da pandemia do coronavírus. Na opinião de Lisa Torrano, a conexão direta entre cervejarias e consumidores será fundamental para quem quiser seguir operando no segmento.

Com a experiência de ser a chef vencedora do talent show BBQ Brasil: Churrasco na Brasa de 2018, Lisa Torrano também aponta que os bares não poderão ser mais dependentes da oferta de cervejas artesanais, tendo de apostar na gastronomia e, principalmente, possuindo a sua identidade. “Começou com cervejas artesanais e hoje se transforma em alimentos para a alma”, afirma a empresária.

Lisa Torrano também destaca que o CASP deixa de existir como bar, mas o evento voltará a ser organizado assim que for possível. E aponta os seus próximos passos na profissão, que já possuía sucesso e ações envolvendo a gastronomia artesanal, na entrevista abaixo ao Guia.

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Confira:

O CASP, inicialmente como evento, surgiu em um momento em que a cena da cerveja artesanal ainda era quase incipiente. Para você, o quão importante foi o CASP para a consolidação do setor?
Primeiro, é importante destacar aqui que o CASP já existia antes mesmo da nossa sede “física” (o bar). O Cerveja Artesanal São Paulo, como grupo de apaixonados por cervejas artesanais e eventos, existe desde 2013. E, com o fechamento da sede física, ele não deixa de existir, afinal o bar foi apenas um dos desenvolvimentos do projeto que infelizmente tomou o golpe mais duro nesta crise. Mas, falando lá do começo, em 2013, nossos eventos serviram principalmente para ajudar a espalhar a cultura cervejeira artesanal, melhorar o acesso dos produtos e a descobrirmos a “cara” do consumidor de cervejas artesanais no Brasil (uma vez que nosso público vinha de todos os estados). Antes não tínhamos certeza quem era o consumidor, pois tudo ficava entre nichos consumidores, mas aos poucos a experiência dos eventos mais acessíveis desenhou para “quem” estávamos vendendo as cervejas artesanais por aqui e não era somente para beer geeks…

A “segunda etapa” do CASP foi o bar, agora fechado após seis anos. Como avalia a atuação do estabelecimento para a cena das cervejas artesanais?
Em 2015, chegou o bar do CASP, que foi pensado justamente para manter este trabalho de acessibilidade às cervejas e assim fomos palco do nascimento e também da consolidação de diversas marcas de cervejas artesanais que estão firmes e fortes no mercado, assim como também ajudamos a espalhar conceitos como o consumo em growlers, consumo de cervejas sazonais, consumo de cervejas artesanais “baratas”, etc. Lembrando que o CASP também encabeçou a luta por lançamentos de cervejas em diversos locais ao mesmo tempo (o que não acontecia), e isso agilizou o acesso a novidades e, sem sombra de dúvidas, acelerou imensamente o fortalecimento de pequenos bares em suas próprias vizinhanças, uma vez que você poderia consumir os lançamentos no seu bar verdadeiramente “local”. Encaramos a luta pelo mercado não somente sob o aspecto comercial, mas também político, uma vez que ser artesanal em um mercado que privilegia os “grandes”, por si só, é um ato de desobediência ao sistema.

Ao mesmo tempo em que ajudou como personagem do crescimento do setor, você também vivenciou a evolução do segmento. Como compara o setor de artesanais dos primeiros anos da década passada com o cenário atual?
Com certeza vemos uma clara evolução, principalmente relacionada a acesso a insumos, tecnologia, distribuição e produção. Estamos hoje há anos luz do começo da década passada, quando tínhamos no máximo 30 cervejarias artesanais. Porém, ainda não verificamos no mercado uma evolução natural que seria a união das forças dos artesanais, para assim bater de frente com o monopólio das grandes. Isso acontece em outros mercados, como os Estados Unidos e a Europa. Porém, aqui no Brasil, sempre existe uma relutância em nos organizarmos em proteção aos artesanais independentes. Não sei se isso se dá pois as pessoas sempre estão pensando na possibilidade de serem contratadas pelas grandes cervejarias ou mesmo em vender suas marcas (o que acontece bastante), mas no fundo eu creio que isso nos rouba a identidade artesanal e tira força do movimento. Consequentemente isso também causa muito atrito entre as marcas e as parcerias são sempre superficiais. Resumindo: o mercado das artesanais hoje em dia produz mais, produz melhor, vende mais, mas, por não ter união, também está mais vulnerável do que nunca.

Imagino que a crise provocada pela pandemia e a incerteza sobre o futuro tenham causado o fechamento do CASP. Foi isso mesmo? E como foram esses meses de dificuldade?
Como a maioria dos negócios no ramo de bares e restaurantes, sempre estávamos na corda bamba, porém, no meio de 2019, estávamos finalmente atingindo o equilíbrio. Acrescentamos um bom cardápio gastronômico comigo encabeçando a cozinha (tinha acabado de vencer o BBQ Brasil do SBT), focamos nosso cardápio em novidades constantes e cervejas primorosas. Tudo estava lindo.

Mas chegou a Covid-19 e, assim, tudo o que construímos foi desmoronando aos poucos. Custos fixos muito altos com aluguel, funcionários, conta de energia, etc. Cheguei a vender meu apartamento para segurar as contas, pois realmente acreditei que em janeiro de 2021 estaríamos 100% de volta. Assim foi esta triste história. Tentamos nos “reinventar”, mas dentro da equação do CASP, com cervejas artesanais, eventos e gastronomia focada em carnes frescas e ingredientes de preparo mais refinado, acabamos no meio de uma luta injusta. Pegamos o que sobrou do dinheiro, pagamos a rescisão dos funcionários, acertamos o aluguel até maio (sim, mais uma vez apostamos que estaríamos de volta), e cá estamos, em abril de 2021 de portas fechadas, sem nenhum apoio do governo e sem perspectivas de volta do mercado de bares e restaurantes.

O CASP como bar não prosseguirá, mas o evento continuará sendo realizado? Quais são os planos?
Sim, o CASP original vai continuar com os eventos, porém, para planejar qualquer coisa, preferimos esperar para entender como o setor de eventos vai reabrir. Precisamos saber se terão restrições e quais serão elas, como estará o momento para as cervejarias e para os consumidores. No momento, estamos apenas aguardando para entender como as mudanças que estão acontecendo no mundo podem influenciar quem nós devemos nos tornar no futuro como evento.

Como empresária, sommelière e chef, como você enxerga o momento para o setor de cervejas artesanais? Como imagina que ele estará ao fim da crise?
É um momento de transformação. As cervejarias que melhor se adaptarem à distribuição direta ao consumidor e ao mercado online são as que sobreviverão. É muito, muito cruel constatar isso, mas os bares, em uma situação desta, pouco podem ajudar nas vendas, uma vez que quem compra do bar quer a experiência de estar no bar. Se eu tivesse uma cervejaria, com certeza estaria correndo com minhas estratégias de delivery e loja online. No fim da crise, creio que teremos cervejarias muito mais conectadas diretamente com seus consumidores, sem precisar necessariamente ter uma sede física (que era o que estava acontecendo durante o boom de brewpubs). Os bares, por sua vez, terão de encontrar suas identidades e deixar de depender exclusivamente da oferta de cervejas artesanais, vai ser um “ok, cervejas artesanais e mais o quê?”

O CASP é “apenas” um dos seus braços de atuação. Quais são os próximos passos e planos da Lisa?
Falando especificamente do meu trabalho, estou sobrevivendo e mantendo a sanidade neste período com muito estudo e transformação. O lançamento da minha loja online, Fogo Ancestral, é a primeira das ações. Seguindo-se a isto, logo que pudermos, voltarei a fazer eventos, não somente os eventos grandes como o CASP, o Medieval São Paulo, etc, mas também eventos menores e focados na gastronomia ancestral, que é minha especialidade, vivências gastronômicas no meio da floresta, resgate de uma cultura gastronômica indígena, cabocla. Enfim, toda a cultura gastronômica ancestral do nosso e de outros povos. Comecei também a fazer campanhas publicitárias ligadas à gastronomia, coisa que antes eu não enxergava como possibilidade, mas o mundo dá voltas, né? O meu momento agora é de luta, de experimentação, de superação e de força. Não é o momento mais agradável da minha vida, mas pelo menos hoje em dia sei quem eu sou, tenho consciência de todo o valor que já entreguei aos mercados que trabalhei e que, acima de tudo, sempre sei que dá para evoluir, dá para melhorar, dá para superar.

Acima de tudo, eu sou uma sonhadora. E, em segundo lugar, sou uma construtora. Por agora, estou apenas trabalhando no que consigo, sonhando e observando, mas vai chegar novamente meu momento de construir. E, quando chegar esse momento, vou levar comigo todas essas experiências que estamos adquirindo durante a crise, todas as pessoas que estão nos apoiando e toda a evolução de um pensamento que começou com “cervejas artesanais” e hoje se transforma em “alimentos para a alma”.

Com investimento de R$ 400 mil, Itaipava terá rótulos em papel 100% reciclável

Em busca de uma produção mais sustentável, a cerveja Itaipava anunciou que os rótulos da linha de garrafas de vidro de 600ml e de 1 litro serão compostos em papel 100% reciclável. A ação tem investimento inicial de cerca de R$ 400 mil, sendo liderada pelo departamento de pesquisa e desenvolvimento de embalagens do Grupo Petrópolis e realizada em parceria com o Grupo Savasa Impressores.

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No processo, é realizada a seleção dos materiais, preparação da polpa de papel e transformação em bobina de papel reciclado. Na produção dos rótulos para as garrafas da Itaipava, a empresa recebe a bobina e aplica as tintas e vernizes para realizar a impressão, finalizando-a com o corte no formato desejado.

O Grupo Petrópolis já adquiriu 200 toneladas de papel para dar continuidade ao projeto. Além do ganho ambiental com o uso dos novos rótulos, a cervejaria estima economizar 8% do material que é utillizado atualmente, o que vai representar uma economia de R$ 1 milhão ao ano na cadeia produtiva. Os próximos passos vão ser viabilizar a produção em grande escala e estender o projeto para os demais itens do portfólio da empresa.

Além da criação do rótulo reciclável, o Grupo Petrópolis desenvolveu um comitê interno de sustentabilidade e tem investido em diversas iniciativas voltadas ao meio-ambiente, introduzindo mudanças por meio do consumo e da produção sustentáveis, além da gestão dos recursos naturais.

Em 2020, por exemplo, a cervejaria criou em São Paulo o projeto Recicla Vidro. Em três meses, a iniciativa já recolheu cerca de 22 toneladas de vidro nos pontos de venda de parceiros. Também no ano passado, o Grupo Petrópolis inaugurou uma fábrica em Uberaba (MG) focada na economia circular, com índices de 99,9% de reaproveitamento.

Escassez de garrafas de vidro afeta setor e Ambev é menos atingida, aponta relatório

A escassez de garrafas de vidro é mais um problema envolvendo insumos para a indústria cervejeira em meio à pandemia do coronavírus. Essa adversidade foi apontada em relatório do banco de investimentos Credit Suisse, que vê a Ambev mais preparada para lidar com essa condição em comparação com as suas principais concorrentes no país.

O trabalho apontou que as principais cervejarias que operam no mercado brasileiro não conseguiram realizar grandes estoques de garrafas de vidro nos começo de 2021, o que representa um desafio para os próximos meses, especialmente caso ocorra aumento do consumo.

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O Credit Suisse, porém, aponta que a Ambev está mais bem posicionada nesse contexto do que a Heineken e o Grupo Petrópolis no mercado nacional. E, na avaliação da equipe de analistas da instituição, isso se dá pelo fornecimento interno e por acordos fechados com empresas produtoras de garrafas de vidro.

“Quase não foi impactada pela escassez de garrafas de vidro no mercado, se beneficiando de sua integração vertical (cerca de 44% das necessidades de garrafas de vidro fornecidas internamente em 2020) e contratos sólidos com grandes fornecedores”, afirmam, no relatório, os analistas Marcella Rechia e Henrique Rocha.

É uma situação diferente da encarada pela Heineken. Segundo o Credit Suisse, a multinacional precisou importar nos últimos meses, aproximadamente, 25% a 30% das suas garrafas de vidro, pagando preços 40% acima dos praticados no mercado doméstico. Já o Grupo Petrópolis optou por priorizar o envase de sua produção em latas de alumínio.

Até por isso, a avaliação é de que a Ambev deverá ser a empresa a lidar melhor com as adversidades. “A AmBev está melhor posicionada no setor para lidar com o ambiente restrito de fornecimento de embalagens. Dessa forma, a empresa deve continuar se beneficiando da integração vertical com suas próprias fábricas de latas de alumínio e garrafas de vidro”, acrescenta o relatório.

A equipe de analistas do Credit Suisse explica que o trabalho foi publicado após conversas com um grande produtor de embalagens de garrafas de vidro, que apontou o cenário complicado para as cervejarias, em função da escassez do produto.

“Mesmo com a suposta desaceleração do consumo em fevereiro, impulsionada por subsídios governamentais mais baixos e o preço mais alto da cerveja, a indústria não foi capaz de construir estoques, o que levou a uma continuação nas restrições de capacidade”, complementa o relatório.

Após a publicação do relatório pelo Credit Suisse, o Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv) reconheceu, em nota, que o setor vem enfrentando a falta de garrafas como um desafio pontual, advindo da pandemia do coronavírus.

“A falta de garrafas que o mercado vem enfrentando é um reflexo do impacto que a pandemia gerou na cadeia de insumos e produção de embalagem – e que vem afetando diversos segmentos. Especificamente no setor cervejeiro, estamos enfrentando desafios pontuais com alguns insumos inerentes ao negócio, mas buscando junto aos fornecedores soluções para a normalização e menor impacto possível ao processo”, declarou o Sindicerv.

Com apoio da Verallia e foco em jovens, Casa di Conti lança Smith 44

Uma novidade chegou nas últimas semanas ao mercado de cervejas puro malte. Com apoio da Verallia, a Casa di Conti lançou a cerveja Smith 44, um rótulo com corpo médio, 17 IBUs e 5% de graduação alcoólica, pensado especificamente para “jovens ousados”.

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A novidade é descrita como uma cerveja puro malte premium 330ml e de amargor intenso. E está inicialmente à venda no interior de São Paulo e no norte do Paraná.

Para dar destaque à Smith 44, a Casa di Conti optou por envasá-la na “atrativa cor verde esmeralda”, em um design inspirado em “outro projeto também desenvolvido pela Verallia e que se consolidou como grande case de sucesso na Casa Di Conti, a garrafa de cerveja retornável 300 ml”, segundo descreve a Verallia.

“Como o design era muito bonito e moderno, resolvemos usar as principais características dessa garrafa para a criação da nossa long neck 330 ml one way. Desta forma, nosso consumidor pode reconhecer com mais facilidade esse visual, já familiar na categoria de cervejas da empresa”, acrescenta Abilio Duarte Neto, gerente de marketing e novos produtos da Casa di Conti.

“Nossa parceria com a Verallia existe desde a década de 1970 e, nos últimos 15 anos, se consolidou a ponto de ser nossa principal fornecedora de garrafas. Praticamente 90% do nosso portfólio de produtos usa garrafas da Verallia, tanto no formato exclusivo como nos modelos standard”, complementa Duarte Neto.

A comunicação da cerveja, aliás, reforça o conceito de liberdade, singularidade e sofisticação aos jovens. Para isso utiliza o slogan Just Be You (Apenas Seja Você, em inglês, em uma tradução livre), inspirado em uma “personalidade autêntica, motivada por sua coragem e determinação de ser quem é, que deixa, com orgulho, sua marca por onde passa”, detalha a Verallia.

Saiba mais sobre a Verallia em nosso Guia do Mercado

Já o número 44 e a cor verde esmeralda vibrante convidam o consumidor a abraçar o próprio potencial, trazendo novas possibilidades e caminhos. É uma cerveja pensada para “jovens ousados, alegres, amantes de festas eletrônicas e que são influentes no meio em que estão inseridos”, conclui a multinacional.

Ux Brew lança RIS que leva café, cumaru e cupuaçu na receita

A Ux Brew voltou a apostar na mistura de ingredientes pouco usuais no processo de criação de sua nova cerveja. A marca acaba de lançar a Coffmaru, uma Russian Imperial Stout que leva café, cumaru e cupuaçu em sua receita, sendo que esse rótulo possui 12% de graduação alcoólica.

A Coffmaru é a sétima RIS criada pela UX Brew, mas a diferença está em seus ingredientes, como o café. Segundo a marca, a sua escolha, com a definição da variedade e dos detalhes técnicos, se deu através da Ibiarte Café, localizada em Jundiaí (SP), mesma região da fábrica da cervejaria.

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“Eles acompanharam a torra que foi feita pela Kento, uma roastery de micro e nano lotes. A variedade Catiguá Vermelho (conhecida como Catigá MG2) escolhida é do produtor João Neto e Simone, da fazenda Jardim das Oliveiras, que fica em Araponga/MG. Os grãos chegaram frescos e recém torrados e foram moídos na hora de entrar no processo, durante a maturação”, explicou a UX Brew no material de divulgação da Coffmaru.  

De acordo com a cervejaria, o cupuaçu, em polpa congelada, foi adicionado em pequena quantidade durante a fermentação, para trazer complexidade e equilibrar o dulçor da bebida com as características dessa fruta amazônica. E o cumaru, uma semente típica da América do Sul, deu um sabor um pouco amadeirado, quase como uma pitada de especiarias.

“Aqui foi feita uma infusão com as sementes levemente trituradas e deixadas alguns dias ganhando sabor para, depois, esse extrato ser adicionado ao processo, também na maturação. Tanto o cupuaçu quanto o cumaru foram comprados na Manioca Brasil, empresa em Belém, Pará, que faz um trabalho incrível com os produtos brasileiros, de alta qualidade e com muita responsabilidade”, detalhou a marca.

A cerveja, que não é pasteurizada, está à venda em todo o Brasil, em bares e casas especializadas em cervejas artesanais, além de sites de e-commerce e marketplaces. E foi produzida em latas de 473ml.

A Coffmaru é um dos 15 rótulos já lançados pela Startup Brewing de suas marcas e ciganas parceiras da fábrica. De modo oficial, será apresentada ao mercado nesta terça-feira, às 20 horas, em live no perfil do Instagram da Startup Brewing.

Após meses de fechamento, Reino Unido realiza reabertura de pubs por etapas

A segunda-feira foi um dia especial para os cervejeiros na Inglaterra. Ainda que com algumas limitações, os pubs puderam reabrir as suas portas no Reino Unido, na primeira vez que isso aconteceu por lá após a imposição do terceiro lockdown em um ano para evitar a propagação do coronavírus.

A reabertura se deu em um dia de temperaturas excepcionalmente baixas no Reino Unido, na primavera no Hemisfério Norte, com a ocorrência de uma leve nevasca nas primeiras horas da segunda-feira em Londres. Mas nem isso freou a ida de várias pessoas aos estabelecimentos, sendo que muitas chegaram aos pubs à meia-noite de domingo para segunda-feira, com reservas tendo sido realizadas há semanas.

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A retomada da operação dos estabelecimentos, porém, não é plena. Só podem funcionar, nesse momento, os pubs na Inglaterra que possuem mesas ao ar livre, de acordo com a determinação do governo. E as mesas não podem ser ocupadas por mais de seis pessoas.

Assim, de acordo com estimativa da British Beer and Pub Association, apenas 40% dos espaços puderam ser reabertos, com os demais só funcionando para retiradas. E teriam sido investidos 285 milhões de libras (aproximadamente R$ 2,246 bilhões) pelos estabelecimentos para a reabertura.

Além disso, a associação afirma que 2 mil pubs foram fechados definitivamente no Reino Unido, não resistindo ao longo período de restrições – os estabelecimentos funcionaram em apenas 4 dos últimos 12 meses.

“Tenho certeza de que será um grande alívio para os proprietários de negócios que estiveram fechados por tanto tempo e, para todos os outros, é uma chance de voltar a fazer algumas das coisas que amamos e perdemos”, disse o primeiro-ministro Boris Johnson.

De acordo com os planos do governo, os ambientes fechados dos pubs na Inglaterra não poderão voltar a funcionar antes de 17 de maio. E todas as restrições só deverão ser retiradas em 21 de junho.  

A abertura que acontece nesse momento na Inglaterra só está prevista para ocorrer na Escócia e no País de Gales em duas semanas, a partir do dia 26. E ainda não está definida a data em que o funcionamento dos pubs será liberado na Irlanda do Norte.

A pandemia do coronavírus provocou a pior recessão do Reino Unido em três séculos. Mas, por lá, mais de 32 milhões de pessoas já receberam a primeira dose da vacina. O país ainda contabiliza 127.331 mortes por coronavírus.